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Marco Matias: "Antes de ir para o estrangeiro, gostava de passar por um 'grande'"

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Marco Matias: "Antes de ir para o estrangeiro, gostava de passar por um 'grande'"

 

Entrevista com o melhor marcador do Nacional da Madeira, que defronta o Benfica neste sábado, na Luz.

 

Como muitos, Marco Matias sofreu as dores de crescimento quando acabou a formação do Sporting e podia ter desistido. Mas para ele a velha táctica do “dar um passo atrás para dar dois à frente resultou”. Este extremo natural do Barreiro deu nas vistas no Vitória de Guimarães e considera estar no melhor momento da carreira nesta sua primeira época ao serviço do Nacional da Madeira, que defronta, neste sábado, na Luz o Benfica. Nesta temporada, só no campeonato, já leva 11 golos, ele que nem é um ponta-de-lança, e é, a par do vimaranense André André, o melhor marcador português. Em conversa com o PÚBLICO, o extremo de 25 anos mostrou vontade de chegar à selecção portuguesa e ambição de dar o salto no final da época.

 

Na última jornada já conseguiram parar o FC Porto, acha que o Nacional pode fazer o mesmo com o Benfica?

 

Acho que sim. Nesse jogo estivemos muito bem, fizemos tudo para conseguir roubar pontos ao FC Porto e conquistar alguns pontos que nos fazem falta. Espero que na Luz consigamos pelo menos um, ou até os três pontos.

 

No jogo da primeira volta, até estiveram a ganhar, mas acabaram por perder…

 

Podíamos ter ganho. Marcámos um golo cedo, depois houve ali duas desatenções em que demos os golos ao Benfica. Penso que o resultado mais justo seria o empate, mas vamos tentar fazer um resultado positivo.

 

O Benfica já não perde na Luz para o campeonato há três anos. Pode ser o Nacional a acabar com essa invencibilidade?

 

Se essa série já dura há tanto tempo, a probabilidade de perder agora é maior. Claro que gostávamos de ser nós.

 

O Jorge Jesus elogiou muito a capacidade ofensiva do Nacional e fala de si como um jogador a ter em atenção…

 

O professor Manuel Machado montou muito bem o plantel para esta época, com alguns acertos em Janeiro. Temos evoluído muito com ele e a nossa manobra ofensiva é uma arma própria das equipas dele. Este ano não foge à regra.

 

O que é que aconteceu na primeira metade da época?

 

Estava aos olhos de toda a gente que faltavam algumas peças para completar o puzzle. Conseguiu-se, em Janeiro, ir buscar alguns jogadores importantes, como o Tiago Rodrigues. E também houve muitos jogadores que já cá estavam que melhoraram e subiram muito de rendimento e que contribuem para esta boa fase do Nacional.

 

Está a gostar deste primeiro ano no Nacional?

 

Claro, está a ser o melhor ano da minha carreira!

 

Como tem sido viver numa ilha?

 

Já lá tinha ido jogar muitas vezes, mas não tinha a noção de como era viver lá. A Madeira é um dos melhores sítios por onde já passei, pelo clima, pelas pessoas, pela comida… Andei por Lisboa, pelo Minho, passei do frio para um clima tropical.

 

Já disse que este está a ser o melhor ano da sua carreira, mas está a ser também o mais goleador. Qual a razão para estar a explodir nos golos?

 

Na minha formação no Sporting marcava sempre muitos golos. Fui o melhor marcador no último ano dos juniores. Depois, talvez por inexperiência no futebol sénior, não me consegui adaptar, precisava de confiança. Fui para o Vitória, estive emprestado dois anos ao Freamunde, e ganhei confiança, maturidade. Os dois anos no Vitória fizeram de mim mais jogador. E com o professor Manuel Machado estou a conseguir colher tudo aqui pelo qual tenho vindo a trabalhar.

 

É o melhor marcador português do campeonato, a par do André André, mas com menos penáltis. Mudou alguma coisa na sua forma de jogar?

 

Tornei-me um jogador mais objectivo, com uma criatividade diferente, que vê os lances de maneira diferente. Mais maduro.

 

Esperava ter sido chamado para o jogo da selecção com Cabo Verde, em que Fernando Santos chamou muita gente nova?

 

Todo o jogador português tem de ser ambicioso e ambicionar jogar na selecção. No momento que estou a passar, que é o melhor da minha carreira, contava [ser chamado], mas vou continuar a trabalhar para fazer parte do lote de opções do seleccionador.

 

O que se passou para não continuar no Vitória?

 

Não chegámos a acordo para a renovação e o Nacional foi quem mostrou mais interesse em contratar-me. Felizmente, as coisas estão a correr bem.

 

Fez quase toda a sua formação no Sporting. O que é que se passou na transição para os seniores para não ficar no Sporting?

 

Na altura não havia as mesmas oportunidades que há agora, com as equipas B. Era mais difícil. Agora está a apostar-se mais no jogador português, porque a falta de dinheiro assim o obriga. Acho que o jogador português não é inferior ao de outros países. Não haver na altura uma equipa B, e também por alguma falta de maturidade, foram as razões para não ter ficado no plantel. Saí, lutei para conseguir o meu lugar e estou satisfeito com o que tenho feito até agora.

 

Se estivesse a sair agora dos juniores do Sporting, acha que teria mais oportunidades?

 

À medida que os anos passam, vamos pensando que podíamos ter feito alguma coisa diferente. As oportunidades se calhar seriam um pouco maiores, mas não penso nisso com tristeza. Acabou por ser uma oportunidade para melhorar.

 

Foram difíceis os anos em que foi obrigado a dar uns passos atrás?

 

Claro que é difícil passar de um clube como o Sporting, em que temos tudo, para clubes onde temos quase nada, a adaptação é difícil e é preciso ter um estofo muito grande e acreditar no nosso valor. Há muitos que desistem.

 

Alguma vez teve essa vontade de desistir?

 

Há momentos que dá essa vontade, são aquelas alturas em que não se está a jogar, mas, felizmente, tive as pessoas certas ao meu lado, os meus pais, a minha namorada, o meu empresário… Tenho de lhes agradecer porque foram fundamentais.

 

Tem contrato até 2018. A vontade é continuar no Nacional ou sair no final da época?

 

Sempre fui ambicioso, nunca escondi isso. Vim para o Nacional para jogar e mostrar o meu valor. Tenho como objectivo dar o salto no final da época, se possível num patamar superior, mas com calma. Vamos analisar as propostas que o clube receber. Antes de ir para o estrangeiro, gostava de deixar a minha marca cá, de passar por um “grande”. Se não conseguir, claro que haverá outras montras. Desde que seja bom para mim e para o Nacional, vou estar de braços abertos.

 

Depois do jogo com o Benfica, voltam a Lisboa para defrontar o Sporting, para a Taça. O resultado da primeira mão não foi o melhor para vocês, mas deixa a eliminatória em aberto…

 

É um resultado que favorece o Sporting, mas não vamos baixar a cabeça. Vamos defrontar o Sporting olhos nos olhos e vamos à procura da vitória ou de um empate superior ao da primeira mão [2-2] para estarmos no Jamor. No meu caso seria um regresso.

 

Marco, é um rapaz do Barreiro. Barreirense ou Fabril?

 

Barreirense, sempre. Comecei lá, foi lá que dei os primeiros chutos, a primeira camisola que vesti foi a do Barreirense.

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O Benfica já não perde na Luz para o campeonato há três anos. Pode ser o Nacional a acabar com essa invencibilidade?

 

Se essa série já dura há tanto tempo, a probabilidade de perder agora é maior. Claro que gostávamos de ser nós.

 

Expliquem-me esta lógica. :lol:

 

Não acho este Marco Matias grande espingarda. Curto para um grande.

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Expliquem-me esta lógica. :lol:

 

Não acho este Marco Matias grande espingarda. Curto para um grande.

a minha reacção foi a mesma :lol:

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Se já estão há tanto tanto sem perder, mais dia menos dia hão de perder.

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O melhor para fazer isso é o Benfica. Passa por lá e é recambiado por um Córdoba da vida.

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Gosto do Marco, nos juniores do Sporting era dos melhores quando era de 1º ano e foi o melhor para mim na sua 2ª época.

 

Apesar de ter melhorado, não o acho capaz de aguentar a pressão de jogar num grande e de jogar sempre em ataque, terá de jogar em equipas que joguem em contra-ataque.

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Está bem onde está, numa equipa que luta por um lugar europeu e que aproveita muito bem as transições. Não dá para mais do que isso.

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Também não me parece que ainda tenha pedala para um grande. Mas quando se vêem jogadores como Derley, Adrián ou Salim Cissé nos grandes...

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O melhor para fazer isso é o Benfica. Passa por lá e é recambiado por um Córdoba da vida.

Candeias style.

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Também não me parece que ainda tenha pedala para um grande. Mas quando se vêem jogadores como Derley, Adrián ou Salim Cissé nos grandes...

tão cepo que até foi campeão espanhol e jogou na final da Champions do ano passado.

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Candeias style.

 

Bebé

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Sim, eu sei que foi o Bebé que foi para o Córdoba. Mas o exemplo para o Matias é mais o Candeias, que foi parar a um grande só porque chateava quando estava no Nacional, e dali foi directo para o estrangeiro quase sem vestir a camisola do Benfica. Foi, literalmente, "passar por um grande".

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tão cepo que até foi campeão espanhol e jogou na final da Champions do ano passado.

 

O Marco Ferreira também tem uma Champions e uma Taça UEFA no currículo.

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Também não me parece que ainda tenha pedala para um grande. Mas quando se vêem jogadores como Derley, Adrián ou Salim Cissé nos grandes...

Meter o Derley e sobretudo o Adrián no mesmo saco do Cissé :estrelas:

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tão cepo que até foi campeão espanhol e jogou na final da Champions do ano passado.

 

Já foi dado o exemplo de Marco Ferreira e como esse existem muitos mais.

 

Meter o Derley e sobretudo o Adrián no mesmo saco do Cissé :estrelas:

 

Pura e simplesmente jogadores dos 3 grandes que foram contratados para aquela posição e não foram utilizados/não tiveram sucesso.

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O Marco Ferreira também tem uma Champions e uma Taça UEFA no currículo.

E uma filha da Helena Coelho

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Marco Matias: Golos que valem uma mão cheia de vitórias

 

Uma mudança para a Madeira foi o suficiente para despertar a veia goleadora deste avançado português, o melhor desde João Tomás

 

Quem é Marco Matias? Se prestou atenção às notícias desportivas de ontem, dirá com todo o orgulho de quem sabe o chão que pisa, que é um avançado português do Nacional, que este domingo bisou no jogo frente ao Gil Vicente, ajudando os insulares a vencerem por 3-2. Mas este facto é apenas a ponta do icebergue na época deste jogador de 25 anos, nascido no Barreiro.

 

Uma rápida passagem de olhos pela lista de melhores marcadores do campeonato nacional dá-nos outra perspectiva. Marco Matias leva 13 golos na competição, o que lhe dá direito a ocupar o quarto lugar, atrás de Jackson, Jonas e Lima. Está a um golo da dupla brasileira do Benfica e a quatro de Jackson e é, com alguma vantagem, o português com mais pontaria. Apenas André André, com 11 golos, e Bruno Moreira, com oito, se aproximam de Marco Matias. Antes de si, o último português a fazer melhor figura foi João Tomás, que na temporada de 2010/11, pelo Rio Ave, marcou 16 golos e acabou em terceiro lugar, empatado com Falcao, que foi segundo.

 

Formado nas escolas do Barreirense e do Sporting, Marco Matias estreou-se na primeira liga apenas em 2012/13, ao serviço do V. Guimarães. Marcou em duas ocasiões, uma para cada uma das taças. O segundo golo, nas meias-finais da Taça de Portugal, contra o Belenenses (1-0), acabou por garantir o V. Guimarães no Jamor, onde derrotaria o Benfica na final. Na temporada seguinte, jogou mais e marcou por seis vezes, sempre no campeonato. Um bom registo para um jogador que não é ponta-de-lança e que não actua nos grandes. Esta temporada transferiu-se para o Nacional e está a fazer a melhor época da sua carreira. Titular indiscutível para Manuel Machado, Marco Matias soma já 36 jogos, onde marcou por 17 vezes: 13 para o campeonato, três para a Taça de Portugal e uma no playoff de apuramento para a Liga Europa. Tudo somado, e com os seus golos, o Nacional conquistou mais 12 pontos no campeonato, traduzidos em cinco vitórias e um empate, mais uma vitória e um empate - que viria a dar a qualificação - na Taça de Portugal.

 

Supremacia estrangeira

 

A história recente dos melhores marcadores do campeonato está repleta de sul-americanos. A contar com esta temporada, são já quatro em que os três primeiros vêm da América do Sul. Esta influência foi particularmente forte na época passada, com os seis melhores marcadores a terem nascido na Colômbia (Jackson e Montero), Brasil (Derley, Rafael Martins e Lima) e Venezuela (Rondón).

 

Jackson, Cardozo, Hulk, Nenê, Lisandro e Liedson. Seis nomes que dominaram as últimas nove temporadas em Portugal. Entre eles e até ao reinado de Jardel, apenas três jogadores se intrometeram, todos africanos: Meyong, em 2005/06, com 17 golos pelo Belenenses, McCarthy, em 2003/04, com 20 golos pelo FC Porto e Fary, em 2002/03, com 18 golos pelo Beira-Mar. E portugueses? Simão Sabrosa igualou os 18 golos de Fary em 2002/03, mas ficou em segundo porque disputou mais jogos.

 

Muitos parágrafos até chegarmos ao último português que terminou o campeonato na liderança dos melhores marcadores. Terminou a carreira há 14 anos, em 2001, ano em que começou como assistente do FC Porto B. Depois disso, e já como treinador, passou pela União Leiria, Académica, Sp. Braga, Sporting e V. Setúbal, e isto apenas em Portugal. O seu filho, também ponta-de-lança, começa agora a despontar no FC Porto. Falamos, obviamente, de Domingos Paciência, que na temporada de 1995/96, em vésperas da chegada de Mário Jardel, superou João Vieira Pinto e Edinho, com 25 golos.

 

E qual foi a última temporada em que o top três só conheceu portugueses? Em 1990/91, com o actual treinador de Cabo Verde, Rui Águas, no topo com 25 golos, Domingos com 24, e o bibota de ouro, Fernando Gomes, na altura com 34 anos e na sua última época como jogador profissional, com 22. Em Portugal, há um antes e um depois de Mário Jardel. A partir da sua chegada, os goleadores portugueses desapareceram. O seu lugar foi tomado pelos sul-americanos, em especial brasileiros. Percorrendo 80 anos de liga portuguesa, e retirando a prata da casa e brasileiros, o terceiro lugar é repartido entre argentinos e nigerianos. Yazalde foi o melhor marcador em duas épocas consecutivas, entre 1973 e 75, e Lisandro López conseguiu-o em 2007/08. A representar a Nigéria, Ricky foi o melhor em 1991/92 e Yekini em 1993/94.

 

Jornal I

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