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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Petar Musa, há 10 minutos:

Pegas numa premissa errada: eu continuo a estar disposto a dar 240k pela casa, ou seja, a dar 240k ao vendedor.

Tenho é que saber que Estado vai me ficar com esses 8k (8k foi o que paguei e não foi esse valor que dei pela casa). Mas esses valor extra não faz parte do negócio.

Ou seja, quem quer vender uma casa por 240k, vai continuar a vender por 240k. Para o comprador é que muda: em vez de dar 240k por uma casa em 2026 porque tem que poupar mais 8k, vai poder comprar já em 2024.

Essa pessoa q está aflita pra comprar casa com 24k de entrada, vai conseguir pagar a prestação de 1k por mês?

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Estou a ver o PNS x Rui Tavares. Novamente, o moderador está a meter-se no meio dos argumentos dos debatentes. Tem sido assim em todos os debates

Em 30s já deu para perceber que quem vai debater com o Ventura é o Ken e não o Paulo Raimundo.

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Estou com a sensação que o Paulo Raimundo vai votar Chega, tal é a quantidade de vezes que concorda com o Ventura

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Por falar em debates, tenho pena que o RR só volte a debater depois do dia dos namorados. "O único voto que muda Portugal é um voto na Iniciativa Liberal", bom mantra. 

E o próximo é contra a'vó da Mortágua.

Editado por Genzo

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Citação de Descartes, há 1 hora:

Ora nem mais. Se é possível amortizar o custo da casa em 30 anos por via de um empréstimo bancário porque raio é que o imposto tem que ser obrigatoriamente pago a pronto?

Essa seria uma medida bem interessante.

Acho isso uma ideia um pouco perigosa devido a estares a encorajar uma espécie de endividamento extra / empurrar com a barriga encargos para a frente, precisamente no momento em que uma pessoa está a tomar um risco grande dum grande endividamento para a vida (e usualmente as pessoas tentam esticar quase ao máximo da sua taxa de esforço), ou seja irias ainda somar a isso os impostos em dívida. Vamos ter aqui um pouco de calminha e relembrar contextos diferentes no passado, como por exemplo o excesso de endividamento em habitação que gerou a crise de 2008.... Por isso é que a taxa de esforço é agora tão controlada....

Os impostos sobre a habitação têm algumas razões de ser, para gerar receita municipal e para conseguir taxar a especulação imobiliária e a acumulação de riqueza imobiliária. Não me parece que num contexto de especulação feroz seja o ideal aligeirar um dos contrapesos a essa mesma especulação. Quem mais iria beneficiar é quem tem mais casas a comprar

Eu neste tema da habitação tenho uma tendência a concordar com algumas propostas da esquerda, acho que os exemplos de países como Áustria são interessantes em que tens imensa habitação pública e coisas como controlo de rendas e não transformou o país numa Venezuela. Acho que já que as empresas de construção e o mercado no geral não estão interessados em construir para a classe média, é uma lacuna do mercado em que o estado deveria intervir, e numa escala considerável. Eu já ouvi dizer "ah o problema da habitação pública é que demora muito tempo a ser feita", ok certo pode-se fazer outras coisas enquanto, mas ponha-se isso em andamento... Eu construía bairros inteiros na periferia das grandes cidades pensados para a *classe média*, postos no mercado a preços semi-acessíveis, e não no prisma clássico do "bairro social" de apartamentos com as condições mínimas doados a famílias carenciadas etc. Isso também tem de existir mas complemente-se um outro sector em falta. Há imensa procura, o mercado não disponibiliza a oferta, é para esses "blind spots" do mercado que temos estado.

No entanto tenho algumas reticências numa solução full Bloco de Esquerda, existem outras preocupações mais de direita que não podem ser descuradas: o controlo de rendas tem de ser muito bem pensado e afinado para não asfixiares o investimento em imobiliário ao ponto que se degrade as habitações, nem para reeditar injustiças no outro sentido (para os proprietários) como rendas congeladas com valores irrisórios durante décadas, tudo como já aconteceu no passado; não concordo com a proposta da Mortágua de limitar as compras a residentes, isso é asfixiar o mercado e retirar capital de Portugal que depois vai bater a outro sítio. Tens de ter um equilíbrio saudável entre tudo.

Há o "pormenor" de Portugal fazer parte dum mercado capitalista europeu e mundial da qual a especulação imobiliária é parte integral e da qual não nos conseguimos livrar dos problemas associados, sem nos tornarmos numa ilha desconectada do resto do mundo (que levaria a uma pobreza muito pior), ou sem o mundo global evoluir para um outro paradigma qualquer pelo menos neste tema das propriedades residenciais. Estaremos sempre limitados no que queremos fazer, as casas nunca vão ser baratas e boas e super bem localizadas para toda a gente, mas podia ser feito pelo menos uma pequena tentativa de resolver ou aligeirar o problema...

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Citação de noikeee, há 3 minutos:

Acho isso uma ideia um pouco perigosa devido a estares a encorajar uma espécie de endividamento extra / empurrar com a barriga encargos para a frente, precisamente no momento em que uma pessoa está a tomar um risco grande dum grande endividamento para a vida (e usualmente as pessoas tentam esticar quase ao máximo da sua taxa de esforço), ou seja irias ainda somar a isso os impostos em dívida. Vamos ter aqui um pouco de calminha e relembrar contextos diferentes no passado, como por exemplo o excesso de endividamento em habitação que gerou a crise de 2008.... Por isso é que a taxa de esforço é agora tão controlada....

8k ou 10k em 360 meses?

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Citação de kareca, há 5 minutos:

8k ou 10k em 360 meses?

Espera lá, vocês estão a falar de parcelar os impostos durante o tempo total do crédito???

Fonix, adorava fazer coisas agora e pagar impostos sobre isso só daqui a 30 anos.

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Citação de noikeee, há 7 minutos:

Espera lá, vocês estão a falar de parcelar os impostos durante o tempo total do crédito???

Fonix, adorava fazer coisas agora e pagar impostos sobre isso só daqui a 30 anos.

Agora fiquei sem perceber se se está a falar da mesma coisa porque falou-se em diluir o IMT, não adiar.

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Uma boa medida, embora não pode ser abraçada por partidos políticos, seria um investimento na ordem das dezenas de milhares de euros em publicidade/gabinetes de propaganda de incentivo ao Okupa.

Quebrar o estigma, incentivar os jovens a sair da casa dos pais, a serem independentes, uma medida que combate a especulação no mercado habitacional, garante habitação para todos e não acarreta custos ao Estado. 

O Estado não pode ser o papá da população. Às vezes basta a mão invisível indicar o caminho: estás à procura de casa, há uma casa de segunda habitação/banca/etc vazia, Okupa. Procura e oferta. 

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Citação de AndrePereiraReis, há 3 horas:

Não lidera, mas pertence ao movimento Izquierda Unida que costuma concorrer coligado com o Podemos 

Vai lá ver como se chama a atual coligação de esquerda em Espanha e quem a lidera.

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Citação de noikeee, há 1 hora:

Acho isso uma ideia um pouco perigosa devido a estares a encorajar uma espécie de endividamento extra / empurrar com a barriga encargos para a frente, precisamente no momento em que uma pessoa está a tomar um risco grande dum grande endividamento para a vida (e usualmente as pessoas tentam esticar quase ao máximo da sua taxa de esforço), ou seja irias ainda somar a isso os impostos em dívida. Vamos ter aqui um pouco de calminha e relembrar contextos diferentes no passado, como por exemplo o excesso de endividamento em habitação que gerou a crise de 2008.... Por isso é que a taxa de esforço é agora tão controlada....

Os impostos sobre a habitação têm algumas razões de ser, para gerar receita municipal e para conseguir taxar a especulação imobiliária e a acumulação de riqueza imobiliária. Não me parece que num contexto de especulação feroz seja o ideal aligeirar um dos contrapesos a essa mesma especulação. Quem mais iria beneficiar é quem tem mais casas a comprar

Eu neste tema da habitação tenho uma tendência a concordar com algumas propostas da esquerda, acho que os exemplos de países como Áustria são interessantes em que tens imensa habitação pública e coisas como controlo de rendas e não transformou o país numa Venezuela. Acho que já que as empresas de construção e o mercado no geral não estão interessados em construir para a classe média, é uma lacuna do mercado em que o estado deveria intervir, e numa escala considerável. Eu já ouvi dizer "ah o problema da habitação pública é que demora muito tempo a ser feita", ok certo pode-se fazer outras coisas enquanto, mas ponha-se isso em andamento... Eu construía bairros inteiros na periferia das grandes cidades pensados para a *classe média*, postos no mercado a preços semi-acessíveis, e não no prisma clássico do "bairro social" de apartamentos com as condições mínimas doados a famílias carenciadas etc. Isso também tem de existir mas complemente-se um outro sector em falta. Há imensa procura, o mercado não disponibiliza a oferta, é para esses "blind spots" do mercado que temos estado.

No entanto tenho algumas reticências numa solução full Bloco de Esquerda, existem outras preocupações mais de direita que não podem ser descuradas: o controlo de rendas tem de ser muito bem pensado e afinado para não asfixiares o investimento em imobiliário ao ponto que se degrade as habitações, nem para reeditar injustiças no outro sentido (para os proprietários) como rendas congeladas com valores irrisórios durante décadas, tudo como já aconteceu no passado; não concordo com a proposta da Mortágua de limitar as compras a residentes, isso é asfixiar o mercado e retirar capital de Portugal que depois vai bater a outro sítio. Tens de ter um equilíbrio saudável entre tudo.

Há o "pormenor" de Portugal fazer parte dum mercado capitalista europeu e mundial da qual a especulação imobiliária é parte integral e da qual não nos conseguimos livrar dos problemas associados, sem nos tornarmos numa ilha desconectada do resto do mundo (que levaria a uma pobreza muito pior), ou sem o mundo global evoluir para um outro paradigma qualquer pelo menos neste tema das propriedades residenciais. Estaremos sempre limitados no que queremos fazer, as casas nunca vão ser baratas e boas e super bem localizadas para toda a gente, mas podia ser feito pelo menos uma pequena tentativa de resolver ou aligeirar o problema...

Integrar o valor do imposto no crédito. Tal como o banco paga logo ao vendedor e tu ficas a pagar a amortização em prestações mensais, o mesmo aconteceria com o imposto. O Estado recebe logo e o comprador vai pagando ao banco juntamente com a amortização. Na prática estás a contratar com o banco em vez de 240-24=216 um valor de 240-24+8=224. Naturalmente o banco avaliará da mesma forma as condições de atribuição do empréstimo. De qualquer forma a diferença entre a prestação mensal de um crédito de 224k não deverá ser muito superior à de 216k.

E naturalmente seria dirigida apenas a alguns dos compradores. Não seria destinada a especuladores. Seria para quem adquire habitação própria e permanente, eventualmente com limite de idade e com limite de valor da transação. Quem quer comprar uma casa de 1M só tem que pagar tudo sem beneficiar deste tipo de medidas destinadas exclusivamente a aliviar o esforço financeiro inicial de quem quer começar a fazer a sua vida de forma independente.

Cada vez gosto mais da ideia.

Editado por Descartes

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Citação de HappyKing, há 6 horas:

Como assim?

PSD em 2011: 38,65% 2.159.742 votos

PSD/CDS em 2015: 36,86% 1.993.921 votos

38.5% falta-te as ilhas. Mas não manteve, com o CDs teve o mesmo valor do psd 4 anos antes.

Citação de Mica, há 6 horas:

O Cavaco perdeu deputados

Quando reduzes o número total de deputados substancialmente na AR é normal que no total percas deputados mesmo aumentando a percentagem, como foi o caso dele.

  • Concordo! 1

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Citação de Petar Musa, há 7 horas:

Estou a ver o PNS x Rui Tavares. Novamente, o moderador está a meter-se no meio dos argumentos dos debatentes. Tem sido assim em todos os debates

Em 30s já deu para perceber que quem vai debater com o Ventura é o Ken e não o Paulo Raimundo.

É deprimente que se perca tanto tempo a desenhar cenários quando existe tanto para falar.

  • Concordo! 1

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Citação de noikeee, há 6 horas:

Acho isso uma ideia um pouco perigosa devido a estares a encorajar uma espécie de endividamento extra / empurrar com a barriga encargos para a frente, precisamente no momento em que uma pessoa está a tomar um risco grande dum grande endividamento para a vida (e usualmente as pessoas tentam esticar quase ao máximo da sua taxa de esforço), ou seja irias ainda somar a isso os impostos em dívida. Vamos ter aqui um pouco de calminha e relembrar contextos diferentes no passado, como por exemplo o excesso de endividamento em habitação que gerou a crise de 2008.... Por isso é que a taxa de esforço é agora tão controlada....

Os impostos sobre a habitação têm algumas razões de ser, para gerar receita municipal e para conseguir taxar a especulação imobiliária e a acumulação de riqueza imobiliária. Não me parece que num contexto de especulação feroz seja o ideal aligeirar um dos contrapesos a essa mesma especulação. Quem mais iria beneficiar é quem tem mais casas a comprar

Eu neste tema da habitação tenho uma tendência a concordar com algumas propostas da esquerda, acho que os exemplos de países como Áustria são interessantes em que tens imensa habitação pública e coisas como controlo de rendas e não transformou o país numa Venezuela. Acho que já que as empresas de construção e o mercado no geral não estão interessados em construir para a classe média, é uma lacuna do mercado em que o estado deveria intervir, e numa escala considerável. Eu já ouvi dizer "ah o problema da habitação pública é que demora muito tempo a ser feita", ok certo pode-se fazer outras coisas enquanto, mas ponha-se isso em andamento... Eu construía bairros inteiros na periferia das grandes cidades pensados para a *classe média*, postos no mercado a preços semi-acessíveis, e não no prisma clássico do "bairro social" de apartamentos com as condições mínimas doados a famílias carenciadas etc. Isso também tem de existir mas complemente-se um outro sector em falta. Há imensa procura, o mercado não disponibiliza a oferta, é para esses "blind spots" do mercado que temos estado.

No entanto tenho algumas reticências numa solução full Bloco de Esquerda, existem outras preocupações mais de direita que não podem ser descuradas: o controlo de rendas tem de ser muito bem pensado e afinado para não asfixiares o investimento em imobiliário ao ponto que se degrade as habitações, nem para reeditar injustiças no outro sentido (para os proprietários) como rendas congeladas com valores irrisórios durante décadas, tudo como já aconteceu no passado; não concordo com a proposta da Mortágua de limitar as compras a residentes, isso é asfixiar o mercado e retirar capital de Portugal que depois vai bater a outro sítio. Tens de ter um equilíbrio saudável entre tudo.

Há o "pormenor" de Portugal fazer parte dum mercado capitalista europeu e mundial da qual a especulação imobiliária é parte integral e da qual não nos conseguimos livrar dos problemas associados, sem nos tornarmos numa ilha desconectada do resto do mundo (que levaria a uma pobreza muito pior), ou sem o mundo global evoluir para um outro paradigma qualquer pelo menos neste tema das propriedades residenciais. Estaremos sempre limitados no que queremos fazer, as casas nunca vão ser baratas e boas e super bem localizadas para toda a gente, mas podia ser feito pelo menos uma pequena tentativa de resolver ou aligeirar o problema...

A compra massiva de casas por parte de estrangeiros na Madeira melhorou a vida à população? Ou apenas está a estragular os mais vulneráveis enquanto as empresas de construção ficam cada vez mais pujantes e quem já tinha dinheiro fica com cada vez mais?

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Citação de Jamarcus, há 6 horas:

Vai lá ver como se chama a atual coligação de esquerda em Espanha e quem a lidera.

A Yolanda diaz e do partido comunista espanhol? Não sabia

Eu também fui impreciso, o Podemos é o BE de lá, costumam é concorrer coligados com a Esquerda Unida e outros partidos/coligações de esquerda primeiro como Unidos Podemos e agora como Sumar, o Livre espanhol também deve estar dentro do Sumar porque não vejo qualquer partido ecossocialista

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mw-640

Spoiler

Eunice Lourenço

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

O PAN parece estar a querer disputar eleitorado jovem com a IL. Esta semana até lançou um cartaz em que garante ter contribuído já para mais descidas de impostos do que os liberais. Ideia que Rui Rocha tentou desmentir no debate, lembrando como Sousa Real votou um orçamento socialista que não tinha qualquer atualização no IRS. Mas na disputa pelo voto jovem, a líder do PAN pode ter ganhado uns pontos com o discurso sobre emergência climática, por oposição ao entendimento da IL, que, sendo anti-proibicionista, corre o risco de se mostrar negacionista. De salientar e louvar, a posição responsável de ambos sobre a compensação aos professores pelo congelamento de carreiras.

Bernardo Ferrão

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Inês de Sousa Real em melhor forma no arranque do debate, sobretudo na questão do nuclear. A líder do PAN conseguiu encostar Rui Rocha a uma aparente contradição: como pode a IL defender que há um problema grave de falta de água em Portugal e, ao mesmo tempo, defender um tipo de energia que obriga ao uso de enormes quantidades da água que tanta falta faz?

O líder da IL foi depois mais vago na resposta a perguntas concretas e à acusação de que o liberalismo põe em causa o Estado social com a taxa única.

Rocha contra-atacou com o ponto franco do PAN: “Viabilizou os orçamentos de António Costa”. Um precedente que persegue a líder do PAN: anda sempre à boleia de quem governa. É verdade que o faz em defesa das suas causas, mas o perigo é que eleitorado deixe perceber exactamente o que é o partido. Talvez se apostasse mais no ambiente e menos “no quem dá mais” fosse mais proveitoso.

Paula Santos

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Diz-me o que fizeste no passado político recente.

O frente-a-frente entre o PAN e a IL foi feito em grande parte do confronto das atuais ideias e objetivos para o país dos dois partidos com aquilo que têm vindo a ser as votações parlamentares de ambos. A estratégia foi traçada por Inês Sousa Real, mas Rui Rocha respondeu à chamada. E se o PAN lembrou os votos contra da IL à lei de bases do clima ou aos apoios sociais para o ensino superior, o líder do liberais não esqueceu os orçamentos do PS que o PAN viabilizou e o voto contra da deputada quando foi proposta a baixa dos escalões de impostos.

Partilham o objetivo de subir o salário médio, mas os caminhos para lá chegar não se cruzam. Aqui, Rui Rocha foi mais concreto do que Inês Sousa Real. Em contrapartida, o PAN tem ideias mais claras e melhores argumentos sobre as questões ambientais, o que representa uma piscadela de olho para o eleitorado mais jovem.

Um ponto de convergência entre os dois: a decisão sobre a recuperação do congelamento do tempo de serviço dos professores deve aguardar pelo relatório da UTAO que está a fazer a avaliação dos custos.

Um debate interessante, sobre temas importantes, em que cada um falou para o seu eleitorado, com ligeira vantagem para Inês Sousa Real que conseguiu ser mais eficaz.

David Dinis

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Inês de Sousa Real ganhou um ponto na discussão sobre o nuclear: não se mostrou contra, em tese, mas acrescentou que uma energia que precisa de largas quantidades de água não será ambientalmente sustentável em Portugal. Teve, porém, mais dificuldades nos rendimentos – sendo ainda pouco precisa, provavelmente por não ter o seu programa fechado: faltou-lhe ser mais direta nas propostas para os jovens, um eleitorado importante para o PAN, e porventura mais ambiciosa nisso. Valeu-lhe, aí, ter encostado a IL a um recuo nas propinas do Superior.

Rui Rocha perdeu na discussão ambiental (aquele “não queremos proibicionista” quis dizer o quê?). E tentou dirigir o discurso para os mais novos, eleitorado que pode disputar com o PAN. Problema: dizer-lhes que os vai ajudar a comprar casa isentando de IMT e imposto de selo é não perceber que é no preço, antes do mais, que está o obstáculo para eles. De resto, a sua solução para aumentar os salários médios parece quase mirífica e não parece ter soluções que não passem por reduzir impostos.

Pedro Cordeiro

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Os Açores voltaram a marcar o início de um debate, tendo estado bem a moderadora Rosa Oliveira Pinto ao limitar o tempo gasto na região, já que as legislativas são nacionais. Inês de Sousa Real e Rui Rocha protagonizaram uma contenda civilizada, a discutir temas como clima, salários, educação ou habitação. O liberal voltou a ter dificuldade em garantir que batem certo os números das suas propostas fiscais e ouviu crítica forte da adversária à sacrossanta flat tax.

Rocha atacou Sousa Real por ter votado a favor dos orçamentos de Estado do PS, apondo-lhe um rótulo de imobilismo e de muleta de quem a aceitar. Mas também a IL esteve ao lado dos socialistas para travar medidas propostas pelo PAN que teriam aliviado a algibeira das famílias, retorquiu Sousa Real. A animalista mostrou-se ágil em assuntos para lá da causa-mor do partido que encabeça, e teve força ao questionar a opção pela energia nuclear que o oponente defende.

Achei Sousa Real mais à vontade e combativa, a acentuar a consciência social e falando para vários públicos e sectores profissionais. Rui Rocha, uma vez mais, não terá ido além dos convertidos.

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mw-640

Spoiler

Eunice Lourenço

Pedro Nuno Santos - 4
Rui Tavares - 6

Pedro Nuno Santos desperdiçou o que podia ter sido um bom debate. Preocupado em congregar voto útil, que sabe que lhe pode fugir para o Livre - o partido que mais claramente assume a possibilidade de fazer acordos com o PS -, encarou Rui Tavares como um adversário e não como um eventual parceiro. Tavares manteve a sua tradicional calma e capacidade de diálogo, falando de coisas que tanto parecem fora da caixa, como muito simples, como o fato de a saúde ter de ser uma preocupação transversal a todas as políticas e até poder beneficiar de medidas como a semana de quatro dias.

Demasiado à defesa, a justificar os atrasos nas políticas de habitação ou os resultados na educação, Pedro Nuno Santos só no fim chegou à atitude certa para os seus interesses: as propostas do Livre são “compatíveis” com as do PS, mas é preciso que o PS ganhe à AD para que possam ser concretizadas. Ainda assim, uma ressalva para o líder socialista: já pareceu mais ele próprio do que tem parecido nalgumas intervenções, em que se tem tolhido devido à tentativa de parecer moderado.

Liliana Valente

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 4

Pedro Nuno Santos entrou neste debate apostado em cimentar o papel de defensor de que nem tudo está mal, quando tem levado a campanha a dizer que nem tudo está bem. Levou demasiado tempo a defender medidas que estão a ser implementadas (algumas delas suas, na área da habitação), e falou pouco do que quer fazer de diferente. Entrou de gravata verde, que, dizem os especialistas, serve para transmitir serenidade e esperança. Serenidade transmitiu, até porque não era objetivo emagrecer o Livre.

Ensaiou um argumento para não haver medidas de ruptura, dizendo que quando o que está feito produz resultados não se pode andar sempre a mudar, mas soube a pouco, sobretudo na educação e saúde. Pedro Nuno parece não ter encontrado ainda o seu caminho nesta campanha, um caminho que o faça descolar de Costa, apesar de, neste debate, ter aparecido com mais ânimo, com “mais Pedro Nuno”, do que no anterior.

Rui Tavares pareceu-me um pouco abaixo de prestações anteriores, sobretudo porque o objetivo das esquerdas não é o de se auto-flagelarem e apesar de algumas notas de diferenciação, o tom foi o de duas visões que se complementam. Tentou mostrar algumas medidas que quer fazer diferente, mas por exemplo na habitação, a que falou - utilização dos quartéis desativados para renda acessível - já está em marcha, com vários quartéis como o do Cabeço da Bola, por exemplo, já em projeto ou em concurso. Foi a única vez que Pedro Nuno interrompeu para dizer que o que o Livre propõe o PS já começou a fazer.

No campo político pareceu isso mesmo, um debate entre duas pessoas que se querem entender no futuro, apesar de no final Pedro Nuno ter ensaiado o apelo ao voto útil à esquerda - dizendo que não “haja dúvidas” que no dia 10 de março há dois pólos entre PS e PSD, apesar de “respeitar muito o Livre”. Rui Tavares tinha a estratégia oposta, a de evitar a pressão desse mesmo voto útil. No fim, acho que o eleitorado à esquerda não saiu mais esclarecido deste frente-a-frente.

David Dinis

Pedro Nuno Santos – 6
Rui Tavares – 7

Parecia outro, o líder do PS. Onde estava a contenção, apareceu a combatividade. E apareceu também a dramatização: ou ganha o PS, ou ganha a AD. Pedro Nuno foi determinado e fez, na estratégia, o que pode fazer. As coisas não estão fáceis e já não vão lá para o PS com falinhas mansas que, de resto, nele não assentam nada bem. Mesmo com Rui Tavares pela frente, Pedro Nuno lutou pelos votos da esquerda.

O risco — e ele sabe disso — é desproteger o centro. E a única maneira, creio, de mobilizar esse apoio teria de ser mostrar inconformismo. E Pedro Nuno, nisso, carregou tanto na defesa do que foi feito nestes dias que alargou esse risco. Vejam o que dizia a sondagem da Católica nestes dias: os temas que os portugueses querem ver debatidos são a saúde, educação e habitação. Para ganhar, Pedro Nuno tem de carregar mais na ambição nestes temas, e um pouco menos na satisfação com o trabalho feito (que só é sentido por menos de 30% dos eleitores, de acordo com a sondagem do Expresso).

Rui Tavares, uma vez mais, foi muito preparado para o debate. Respondeu sempre à letra aos desafios de Pedro Nuno — sobretudo no apelo ao voto útil —, carregou sempre na utilidade do Livre, apresentou propostas a cada minuto que teve. E dirigiu muito essas ideias para o público que mais lhe interessa, os jovens, a quem tentou entregar ambição.

Nos tema dos Açores, foi ele quem deu a resposta mais direta e sincera: se não houver maioria de esquerda, a esquerda nunca votará uma moção de rejeição do Chega — pelo que Montenegro pode passar na votação. Governar, claro, é outra coisa, mas isso já é outra conversa.

P.S. Este foi um ótimo debate, mesmo. Se o João Adelino Faria não me levar a mal a recomendação, que deixe os debates correrem. É sempre melhor.

Ricardo Costa

Pedro Nuno Santos – 5
Rui Tavares – 7

No primeiro debate nem os adeptos nem os detratores reconheceram o Pedro Nuno Santos que se apresentou nos estúdios da SIC. Hoje, na RTP, já houve sinais claros de que está a caminho de encontrar o seu papel. Mas enquanto percorre esse caminho, há sinais de algum desconforto, o que é estranho em quem quer e pode ser primeiro—ministro.

Houve uma frase que talvez marque o debate: “o risco da AD vencer é real”. Pode parecer que está a claudicar, mas, sendo uma frase pensada, marca o início da disputa do voto útil no PS. O raciocínio foi, aliás, complementado por uma segunda frase: “estas eleições são umas eleições mais disputada”.
Rui Tavares, que debitou ideias a uma velocidade supersónica, travou a quatro rodas neste momento e lançou outras duas frases que talvez marquem este debate: a) “já ouvimos está história e acabou como acabou “, referindo o apelo ao voto útil de 2022; b) “era o que faltava (o Livre não continuar no Parlamento).

Tavares impressiona quase sempre em debates e é por isso que tem sempre boas notas. É o protótipo do bom aluno. O maior problema é que parece aquele bom aluno que não arrasta quase ninguém atrás de si. Mas merece sempre boa nota.

Henrique Raposo

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 7

Pedro Nuno Santos parecia derrotado, até ausente; e essa ausência tornou-se ainda mais evidente ao lado de um dos políticos mais brilhantes e cheios de ideias desta geração – concorde-se ou não com elas. Isto parecia um debate entre uma esquerda europeia que olha para o futuro, o Livre, e uma esquerda antiga e ancorada num orgulhosamente sós, PS; Nuno Santos agarrou-se à K7 do costume enquanto Rui Tavares mostrou que está a pensar o futuro: o exemplo mais evidente foi a defesa – rara à esquerda – da autonomia das escolas. Porque é que não damos às diferentes escolas uma autonomia parecida à da António Arroio? Se há uma António Arroio para as artes, então porque é que não pode haver uma AA para as ciências, jornalismo, para qualquer outra coisa?

Mas espero que o Rui Tavares compreenda uma coisa: a defesa dessa autonomia e liberdade tem pela frente a oposição imediata da Fenprof e dos burocratas do ministério. Rui Tavares só não tem uma nota superior, porque trava esta visão moderna e europeia na saúde; trava porque tem medo dos dogmas da esquerda portuguesa que rasga as vestes em nome do SNS no exato momento em que o SNS está nas lonas e no exato momento em que mais gente percebe que as PPP funcionavam enquanto saúde pública. Perguntem ao povo de Loures, sff. Seja como for, não tenho dúvidas que a modernização e europeização da esquerda portuguesa passa pelo Livre da mesma forma que a modernização e europeização da direita passa pela IL. (O que Livre e IL têm apresentado em Portugal parte sempre de exemplos e práticas de outros países europeus).

O Livre não merece ser esmagado pela campanha do voto útil que Nuno Santos iniciou agora mesmo. Mas iniciou, repito, sem energia. Ou acha que vai perder, ou quer perder e passar uns anos na oposição. Aliás, afirmou isso mais ou menos no debate: "se perder e não conseguir formar maioria, o PS vai para a oposição liderar a oposição, porque esse papel não pode ficar com o Chega em exclusivo”. Para mim, já respondeu à pergunta chave: não, o PS não vai apoiar o Chega e derrubar a AD. Foi o momento mais honesto e democrático de Pedro Nuno Santos em muito tempo. Seria péssimo que não cumprisse esta ideia.

Miguel Cadete

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 6

No debate entre dois partidos que disputam o mesmo eleitorado, sendo um pequenino e outro grandalhão, os papéis ficaram bem claros desde o início: Rui Tavares foi dando bicadinhas (e algumas bicadas) em Pedro Nuno Santos e este respondeu invariavelmente com um abraço de urso.

Esse abraço de urso foi o apelo ao voto útil: em suma, as boas medidas do Livre - que como partido pequeno se dá ao luxo( ou tem a obrigação) de apresentar medidas inovadoras - só serão tomadas se o PS vencer as eleições.

Bicadas e bicadinhas do Livre: na habitação, o PS enquanto governava esteve sempre em negação e não aproveitou todas as boas ideias do Livre como a ocupação de quartéis. Na saúde, as propostas eram aprovadas na generalidade e esvaziadas na especialidade. Na educação, reinventar a escola ou ir além da mui propalada reposição do tempo de serviço.

Pedro Nuno Santos respondeu sempre com benevolência (a possível no líder do PS) e, no fim, apelava invariavelmente ao voto útil, considerando que o governo anterior esteve sempre no caminho certo. Nunca tentou conquistar votos ao centro. Uma estratégia preguiçosa.

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mw-640

Spoiler

João Vieira Pereira

Paulo Raimundo – 3
André Ventura – 4

Alguma vez tinha de ser. Disputando ambos um eleitorado que às vezes se cofunde, apesar de teoricamente estarem em polos opostos, Ventura foi mais eficiente e claro em defender as suas ideias. Nenhum deles conseguiu justificar de forma convincente como financiariam as medidas que defendem para aumento de salários e pensões. Paulo Raimundo, claramente incomodado, recusou-se a responder a André Ventura sobre a questão da permanência no Euro, às perguntas relativamente à venda da sede do PCP em Aveiro e à proposta sobre o fim de isenções fiscais para os partidos políticos que votou contra no Parlamento. De forma geral não conseguir desmanchar os argumentos do líder do Chega visivelmente mais bem preparado. Nota para a afirmação final de Ventura sobre os Açores onde foi claro a dizer que só viabiliza governo de houver acordo formal com o Chega.

Liliana Valente

André Ventura - 0
Paulo Raimundo - 4

Num debate democrático não consigo conceber que um candidato às legislativas leve para cima da mesa frases inaceitáveis como as que foram ditas por Ventura, ligando o seu oponente a “mortes” e “assassinatos”. Não vale tudo em democracia. Não pode valer tudo. Pelo que me é difícil dar uma nota com os mesmos critérios que ao seu opositor.

O debate seria sempre difícil para Paulo Raimundo, os mais de dois minutos a menos que teve no final para poder responder foram mais uma ajuda para que o secretário-geral do PCP não conseguisse marcar a sua posição. O mesmo para os temas escolhidos para debate: corrupção e imigração são piso fértil para a demagogia de Ventura.

O objetivo de Raimundo seria o de não sucumbir perante o trator devastador que é o líder do Chega e tentar explicar ao eleitorado, que ambos disputam, que tem soluções e que do lado de lá está a “hipocrisia”. Tentou fazer alguns ataques preventivos, acusando Ventura de estar ao lado da “troika” que cortou pensões e de estar obcecado em “querer dar a mão ao PSD”, mas atrapalhou-se na questão da pertença à União Europeia. Contudo, também deixou Ventura atrapalhado quando fez a defesa da honra do PCP sobre as “mentiras” que andam a circular nas redes sobre o pagamento de impostos do PCP. Raimundo explicou que o PCP pagou 450 mil euros e questionou Ventura sobre o valor do Chega. Ventura não tinha resposta.

No final, Ventura foi igual a si próprio e conseguirá sempre alcançar o eleitorado descontente que se reveja neste tipo de comportamento. Raimundo sofreu o que outros debatentes sofrem nestes frente-a-frente: é difícil não se desconcentrar com interrupções e insinuações. Por não ter conseguido responder a algumas questões e por duvidar da eficácia de estancar o voto do CH em áreas que antes eram do PCP, a nota para o secretário-geral do PCP acaba por ser em terreno negativo.

Henrique Monteiro

Paulo Raimundo – 2
André Ventura – 3

Dizer que André Ventura venceu um debate ao secretário-geral do PCP até me custa. Mas há que dizer que Paulo Raimundo perdeu um debate com o líder do Chega e perderá com todos os outros candidatos, se não mudar de atitude.

Ventura é um desavergonhado. Não tem pejo em dizer o que for necessário para marcar pontos. Se for preciso fazer propostas que mal se distinguem das do PCP, faz; a coerência não está nas suas preocupações.

Já Raimundo parece um fiel de armazém dos anos 40. Pode ser muito sério e boa pessoa, mas infelizmente para ele, tornou-se líder de um partido que tem da democracia uma noção não totalmente diferente da de Ventura: uma visão utilitária, aproveitável para conseguir apoios para voos diferentes. Curiosamente, a parte que Raimundo menos terá gostado (além da questão do edifício que o PCP vendeu em Aveiro) foi a recordação do PREC e das iniquidades do PCP no Verão Quente, que Ventura lembrou para se defender de ataques (aliás também sem sentido) acerca de um eventual plano do Chega para apoiar o PSD a reeditar os tempos da ‘troika’.

Se Ventura consegue três valores em 10 é porque fala melhor, mais rápido e mais ousadamente do que Raimundo, a quem manifestamente falta o ar de quem acredita naquilo que quer que nós acreditemos. Um homem timorato (com medo de se expressar claramente sobre a UE e o Euro) frente ao desbragamento de outro, que fala do que for preciso mesmo que nada saiba do assunto.

O debate teve como ponto positivo ter apenas 30 minutos (em que Raimundo ficou prejudicado em dois ou mais), e ter acabado. À hora em que terminei de escrever estas linhas, ainda na televisão se debatia o que tinham dito como se fosse algo de sério ou que tivéssemos de levar em conta.

Pedro Cordeiro

Paulo Raimundo – 4
André Ventura – 2

Parabéns, antes de mais, a João Póvoa Marinheiro pelo bom humor de perguntar ao comunista Paulo Raimundo se estaria disposto a unir esforços com o demagogo de direita André Ventura para combater a corrupção. O líder do Chega quase me comoveu ao defender a União Europeia, que todos os seus aliados internacionais putinistas execram. Le Pen, Orbán e Salvini terão trepado pelas paredes, já o cabeça de lista da CDU manteve a calma e não mordeu o isco.

Raimundo primou pela sobriedade, mesmo ao recordar a Ventura que era do PSD no tempo da troika, ou a reagir com fleuma às suas insuportáveis interrupções. Soube expô-lo. O comunista teve também a frase mais insólita ao dizer: “Não somos contra as empresas”. Já o líder do Chega, menos malcriado do que noutras ocasiões, atirou-se a seduzir tudo quanto é eleitorado da CDU. Às tantas as semelhanças são maiores do que qualquer dos dois gostaria de admitir.

Houve diferenciação no tema da imigração. Ventura repetiu falácias, Raimundo lembrou – e bem – que a emigração é problema bem mais grave. Sem brilhar, melhor este do que aquele.

Henrique Raposo

Paulo Raimundo – 2
André Ventura – 4

Em teoria, este era um dos debates mais importantes, porque a sociedade portuguesa está a ser atravessada por um processo de transição que pode ser resumido desta forma: o radicalismo está a passar da esquerda para a direita, porque em grande medida os espaços que eram do PCP estão a passar para o Chega; de forma mais simples, o povo do sul e dos subúrbios de Lisboa está a deixar o PCP e a entrar no Chega, um fenómeno que tem sido constante em todos os países do Ocidente. Os velhos proletários estão com a direita radical. Para sobreviver, o PCP tem de resistir ao Chega – e isso não está a acontecer, como se viu neste debate.

A demagogia económica do PCP é hoje mantida por Ventura, mas com mais energia. Em poucos minutos, Ventura disse como é que ia rebentar com o Estado social, rebater com a dívida e chamar de novo a troika. O estado como garantia de empréstimos para a compra de habitação? Aumentos brutais das pensões sem ter em conta a sustentabilidade? O Chega mostra aqui a velha irresponsabilidade populista do PCP e do BE, diga-se. Confesso que até estou a ver muitos PCPs da velha guarda a votar no espírito aguerrido do Ventura em detrimento de Raimundo, que tem o carisma de um sala de bingo cheia de velhinhas às três da tarde. Da mesma forma, a demagogia contra o Estado de direito de Ventura (o confisco de bens quando os processos ainda estão em curso) é uma coisa abjeta, mas não é nova; encosta-se a um território populista que era do terreno PCP ("o direito é uma ideologia burguesa") e não da direita clássica. Repare-se que Ventura usa a expressão "ricos" com a mesma carga de ódio da extrema-esquerda. Lamento, mas o sul e a subúrbia de Lisboa estão a mudar de camisola.

Ventura é um terrível populista, em 15 minutos rebentou com o Estado social e desmembrou o Estado de direito, não pode ter uma nota positiva num debate de uma democracia liberal madura; porém, num debate entre os populismos, num debate entre o extremo esquerdo e o extremo direito, mostrou que estava presente. Estava de facto no debate e ecoou junto do eleitorado que está em causa. Raimundo não esteve presente; não conseguiu transmitir nada, a não ser um enorme desalento; Raimundo não está preparado para estas andanças e julgo que o PCP está a caminho de um destino à CDS. Pode mesmo sair do parlamento no ano em que o 25 de Abril faz 50 anos.

 

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Citação de noikeee, há 8 horas:

Acho isso uma ideia um pouco perigosa devido a estares a encorajar uma espécie de endividamento extra / empurrar com a barriga encargos para a frente, precisamente no momento em que uma pessoa está a tomar um risco grande dum grande endividamento para a vida (e usualmente as pessoas tentam esticar quase ao máximo da sua taxa de esforço), ou seja irias ainda somar a isso os impostos em dívida. Vamos ter aqui um pouco de calminha e relembrar contextos diferentes no passado, como por exemplo o excesso de endividamento em habitação que gerou a crise de 2008.... Por isso é que a taxa de esforço é agora tão controlada....

Os impostos sobre a habitação têm algumas razões de ser, para gerar receita municipal e para conseguir taxar a especulação imobiliária e a acumulação de riqueza imobiliária. Não me parece que num contexto de especulação feroz seja o ideal aligeirar um dos contrapesos a essa mesma especulação. Quem mais iria beneficiar é quem tem mais casas a comprar

Eu neste tema da habitação tenho uma tendência a concordar com algumas propostas da esquerda, acho que os exemplos de países como Áustria são interessantes em que tens imensa habitação pública e coisas como controlo de rendas e não transformou o país numa Venezuela. Acho que já que as empresas de construção e o mercado no geral não estão interessados em construir para a classe média, é uma lacuna do mercado em que o estado deveria intervir, e numa escala considerável. Eu já ouvi dizer "ah o problema da habitação pública é que demora muito tempo a ser feita", ok certo pode-se fazer outras coisas enquanto, mas ponha-se isso em andamento... Eu construía bairros inteiros na periferia das grandes cidades pensados para a *classe média*, postos no mercado a preços semi-acessíveis, e não no prisma clássico do "bairro social" de apartamentos com as condições mínimas doados a famílias carenciadas etc. Isso também tem de existir mas complemente-se um outro sector em falta. Há imensa procura, o mercado não disponibiliza a oferta, é para esses "blind spots" do mercado que temos estado.

No entanto tenho algumas reticências numa solução full Bloco de Esquerda, existem outras preocupações mais de direita que não podem ser descuradas: o controlo de rendas tem de ser muito bem pensado e afinado para não asfixiares o investimento em imobiliário ao ponto que se degrade as habitações, nem para reeditar injustiças no outro sentido (para os proprietários) como rendas congeladas com valores irrisórios durante décadas, tudo como já aconteceu no passado; não concordo com a proposta da Mortágua de limitar as compras a residentes, isso é asfixiar o mercado e retirar capital de Portugal que depois vai bater a outro sítio. Tens de ter um equilíbrio saudável entre tudo.

Há o "pormenor" de Portugal fazer parte dum mercado capitalista europeu e mundial da qual a especulação imobiliária é parte integral e da qual não nos conseguimos livrar dos problemas associados, sem nos tornarmos numa ilha desconectada do resto do mundo (que levaria a uma pobreza muito pior), ou sem o mundo global evoluir para um outro paradigma qualquer pelo menos neste tema das propriedades residenciais. Estaremos sempre limitados no que queremos fazer, as casas nunca vão ser baratas e boas e super bem localizadas para toda a gente, mas podia ser feito pelo menos uma pequena tentativa de resolver ou aligeirar o problema...

Vocês na Madeira chegaram a ter os apartamentos a custos controlados construídos pelo Governo Regional?

Nos Açores, há cerca de 20 anos, foram construídos bastantes, principalmente em São Miguel.

Dos que conheço, acho que só 1 dessas zonas de prédios se tornou problemática 

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Citação de Lebohang, há 2 horas:

mw-640

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Eunice Lourenço

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

O PAN parece estar a querer disputar eleitorado jovem com a IL. Esta semana até lançou um cartaz em que garante ter contribuído já para mais descidas de impostos do que os liberais. Ideia que Rui Rocha tentou desmentir no debate, lembrando como Sousa Real votou um orçamento socialista que não tinha qualquer atualização no IRS. Mas na disputa pelo voto jovem, a líder do PAN pode ter ganhado uns pontos com o discurso sobre emergência climática, por oposição ao entendimento da IL, que, sendo anti-proibicionista, corre o risco de se mostrar negacionista. De salientar e louvar, a posição responsável de ambos sobre a compensação aos professores pelo congelamento de carreiras.

Bernardo Ferrão

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Inês de Sousa Real em melhor forma no arranque do debate, sobretudo na questão do nuclear. A líder do PAN conseguiu encostar Rui Rocha a uma aparente contradição: como pode a IL defender que há um problema grave de falta de água em Portugal e, ao mesmo tempo, defender um tipo de energia que obriga ao uso de enormes quantidades da água que tanta falta faz?

O líder da IL foi depois mais vago na resposta a perguntas concretas e à acusação de que o liberalismo põe em causa o Estado social com a taxa única.

Rocha contra-atacou com o ponto franco do PAN: “Viabilizou os orçamentos de António Costa”. Um precedente que persegue a líder do PAN: anda sempre à boleia de quem governa. É verdade que o faz em defesa das suas causas, mas o perigo é que eleitorado deixe perceber exactamente o que é o partido. Talvez se apostasse mais no ambiente e menos “no quem dá mais” fosse mais proveitoso.

Paula Santos

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Diz-me o que fizeste no passado político recente.

O frente-a-frente entre o PAN e a IL foi feito em grande parte do confronto das atuais ideias e objetivos para o país dos dois partidos com aquilo que têm vindo a ser as votações parlamentares de ambos. A estratégia foi traçada por Inês Sousa Real, mas Rui Rocha respondeu à chamada. E se o PAN lembrou os votos contra da IL à lei de bases do clima ou aos apoios sociais para o ensino superior, o líder do liberais não esqueceu os orçamentos do PS que o PAN viabilizou e o voto contra da deputada quando foi proposta a baixa dos escalões de impostos.

Partilham o objetivo de subir o salário médio, mas os caminhos para lá chegar não se cruzam. Aqui, Rui Rocha foi mais concreto do que Inês Sousa Real. Em contrapartida, o PAN tem ideias mais claras e melhores argumentos sobre as questões ambientais, o que representa uma piscadela de olho para o eleitorado mais jovem.

Um ponto de convergência entre os dois: a decisão sobre a recuperação do congelamento do tempo de serviço dos professores deve aguardar pelo relatório da UTAO que está a fazer a avaliação dos custos.

Um debate interessante, sobre temas importantes, em que cada um falou para o seu eleitorado, com ligeira vantagem para Inês Sousa Real que conseguiu ser mais eficaz.

David Dinis

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Inês de Sousa Real ganhou um ponto na discussão sobre o nuclear: não se mostrou contra, em tese, mas acrescentou que uma energia que precisa de largas quantidades de água não será ambientalmente sustentável em Portugal. Teve, porém, mais dificuldades nos rendimentos – sendo ainda pouco precisa, provavelmente por não ter o seu programa fechado: faltou-lhe ser mais direta nas propostas para os jovens, um eleitorado importante para o PAN, e porventura mais ambiciosa nisso. Valeu-lhe, aí, ter encostado a IL a um recuo nas propinas do Superior.

Rui Rocha perdeu na discussão ambiental (aquele “não queremos proibicionista” quis dizer o quê?). E tentou dirigir o discurso para os mais novos, eleitorado que pode disputar com o PAN. Problema: dizer-lhes que os vai ajudar a comprar casa isentando de IMT e imposto de selo é não perceber que é no preço, antes do mais, que está o obstáculo para eles. De resto, a sua solução para aumentar os salários médios parece quase mirífica e não parece ter soluções que não passem por reduzir impostos.

Pedro Cordeiro

Sousa Real – 6
Rui Rocha – 5

Os Açores voltaram a marcar o início de um debate, tendo estado bem a moderadora Rosa Oliveira Pinto ao limitar o tempo gasto na região, já que as legislativas são nacionais. Inês de Sousa Real e Rui Rocha protagonizaram uma contenda civilizada, a discutir temas como clima, salários, educação ou habitação. O liberal voltou a ter dificuldade em garantir que batem certo os números das suas propostas fiscais e ouviu crítica forte da adversária à sacrossanta flat tax.

Rocha atacou Sousa Real por ter votado a favor dos orçamentos de Estado do PS, apondo-lhe um rótulo de imobilismo e de muleta de quem a aceitar. Mas também a IL esteve ao lado dos socialistas para travar medidas propostas pelo PAN que teriam aliviado a algibeira das famílias, retorquiu Sousa Real. A animalista mostrou-se ágil em assuntos para lá da causa-mor do partido que encabeça, e teve força ao questionar a opção pela energia nuclear que o oponente defende.

Achei Sousa Real mais à vontade e combativa, a acentuar a consciência social e falando para vários públicos e sectores profissionais. Rui Rocha, uma vez mais, não terá ido além dos convertidos.

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mw-640

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Eunice Lourenço

Pedro Nuno Santos - 4
Rui Tavares - 6

Pedro Nuno Santos desperdiçou o que podia ter sido um bom debate. Preocupado em congregar voto útil, que sabe que lhe pode fugir para o Livre - o partido que mais claramente assume a possibilidade de fazer acordos com o PS -, encarou Rui Tavares como um adversário e não como um eventual parceiro. Tavares manteve a sua tradicional calma e capacidade de diálogo, falando de coisas que tanto parecem fora da caixa, como muito simples, como o fato de a saúde ter de ser uma preocupação transversal a todas as políticas e até poder beneficiar de medidas como a semana de quatro dias.

Demasiado à defesa, a justificar os atrasos nas políticas de habitação ou os resultados na educação, Pedro Nuno Santos só no fim chegou à atitude certa para os seus interesses: as propostas do Livre são “compatíveis” com as do PS, mas é preciso que o PS ganhe à AD para que possam ser concretizadas. Ainda assim, uma ressalva para o líder socialista: já pareceu mais ele próprio do que tem parecido nalgumas intervenções, em que se tem tolhido devido à tentativa de parecer moderado.

Liliana Valente

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 4

Pedro Nuno Santos entrou neste debate apostado em cimentar o papel de defensor de que nem tudo está mal, quando tem levado a campanha a dizer que nem tudo está bem. Levou demasiado tempo a defender medidas que estão a ser implementadas (algumas delas suas, na área da habitação), e falou pouco do que quer fazer de diferente. Entrou de gravata verde, que, dizem os especialistas, serve para transmitir serenidade e esperança. Serenidade transmitiu, até porque não era objetivo emagrecer o Livre.

Ensaiou um argumento para não haver medidas de ruptura, dizendo que quando o que está feito produz resultados não se pode andar sempre a mudar, mas soube a pouco, sobretudo na educação e saúde. Pedro Nuno parece não ter encontrado ainda o seu caminho nesta campanha, um caminho que o faça descolar de Costa, apesar de, neste debate, ter aparecido com mais ânimo, com “mais Pedro Nuno”, do que no anterior.

Rui Tavares pareceu-me um pouco abaixo de prestações anteriores, sobretudo porque o objetivo das esquerdas não é o de se auto-flagelarem e apesar de algumas notas de diferenciação, o tom foi o de duas visões que se complementam. Tentou mostrar algumas medidas que quer fazer diferente, mas por exemplo na habitação, a que falou - utilização dos quartéis desativados para renda acessível - já está em marcha, com vários quartéis como o do Cabeço da Bola, por exemplo, já em projeto ou em concurso. Foi a única vez que Pedro Nuno interrompeu para dizer que o que o Livre propõe o PS já começou a fazer.

No campo político pareceu isso mesmo, um debate entre duas pessoas que se querem entender no futuro, apesar de no final Pedro Nuno ter ensaiado o apelo ao voto útil à esquerda - dizendo que não “haja dúvidas” que no dia 10 de março há dois pólos entre PS e PSD, apesar de “respeitar muito o Livre”. Rui Tavares tinha a estratégia oposta, a de evitar a pressão desse mesmo voto útil. No fim, acho que o eleitorado à esquerda não saiu mais esclarecido deste frente-a-frente.

David Dinis

Pedro Nuno Santos – 6
Rui Tavares – 7

Parecia outro, o líder do PS. Onde estava a contenção, apareceu a combatividade. E apareceu também a dramatização: ou ganha o PS, ou ganha a AD. Pedro Nuno foi determinado e fez, na estratégia, o que pode fazer. As coisas não estão fáceis e já não vão lá para o PS com falinhas mansas que, de resto, nele não assentam nada bem. Mesmo com Rui Tavares pela frente, Pedro Nuno lutou pelos votos da esquerda.

O risco — e ele sabe disso — é desproteger o centro. E a única maneira, creio, de mobilizar esse apoio teria de ser mostrar inconformismo. E Pedro Nuno, nisso, carregou tanto na defesa do que foi feito nestes dias que alargou esse risco. Vejam o que dizia a sondagem da Católica nestes dias: os temas que os portugueses querem ver debatidos são a saúde, educação e habitação. Para ganhar, Pedro Nuno tem de carregar mais na ambição nestes temas, e um pouco menos na satisfação com o trabalho feito (que só é sentido por menos de 30% dos eleitores, de acordo com a sondagem do Expresso).

Rui Tavares, uma vez mais, foi muito preparado para o debate. Respondeu sempre à letra aos desafios de Pedro Nuno — sobretudo no apelo ao voto útil —, carregou sempre na utilidade do Livre, apresentou propostas a cada minuto que teve. E dirigiu muito essas ideias para o público que mais lhe interessa, os jovens, a quem tentou entregar ambição.

Nos tema dos Açores, foi ele quem deu a resposta mais direta e sincera: se não houver maioria de esquerda, a esquerda nunca votará uma moção de rejeição do Chega — pelo que Montenegro pode passar na votação. Governar, claro, é outra coisa, mas isso já é outra conversa.

P.S. Este foi um ótimo debate, mesmo. Se o João Adelino Faria não me levar a mal a recomendação, que deixe os debates correrem. É sempre melhor.

Ricardo Costa

Pedro Nuno Santos – 5
Rui Tavares – 7

No primeiro debate nem os adeptos nem os detratores reconheceram o Pedro Nuno Santos que se apresentou nos estúdios da SIC. Hoje, na RTP, já houve sinais claros de que está a caminho de encontrar o seu papel. Mas enquanto percorre esse caminho, há sinais de algum desconforto, o que é estranho em quem quer e pode ser primeiro—ministro.

Houve uma frase que talvez marque o debate: “o risco da AD vencer é real”. Pode parecer que está a claudicar, mas, sendo uma frase pensada, marca o início da disputa do voto útil no PS. O raciocínio foi, aliás, complementado por uma segunda frase: “estas eleições são umas eleições mais disputada”.
Rui Tavares, que debitou ideias a uma velocidade supersónica, travou a quatro rodas neste momento e lançou outras duas frases que talvez marquem este debate: a) “já ouvimos está história e acabou como acabou “, referindo o apelo ao voto útil de 2022; b) “era o que faltava (o Livre não continuar no Parlamento).

Tavares impressiona quase sempre em debates e é por isso que tem sempre boas notas. É o protótipo do bom aluno. O maior problema é que parece aquele bom aluno que não arrasta quase ninguém atrás de si. Mas merece sempre boa nota.

Henrique Raposo

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 7

Pedro Nuno Santos parecia derrotado, até ausente; e essa ausência tornou-se ainda mais evidente ao lado de um dos políticos mais brilhantes e cheios de ideias desta geração – concorde-se ou não com elas. Isto parecia um debate entre uma esquerda europeia que olha para o futuro, o Livre, e uma esquerda antiga e ancorada num orgulhosamente sós, PS; Nuno Santos agarrou-se à K7 do costume enquanto Rui Tavares mostrou que está a pensar o futuro: o exemplo mais evidente foi a defesa – rara à esquerda – da autonomia das escolas. Porque é que não damos às diferentes escolas uma autonomia parecida à da António Arroio? Se há uma António Arroio para as artes, então porque é que não pode haver uma AA para as ciências, jornalismo, para qualquer outra coisa?

Mas espero que o Rui Tavares compreenda uma coisa: a defesa dessa autonomia e liberdade tem pela frente a oposição imediata da Fenprof e dos burocratas do ministério. Rui Tavares só não tem uma nota superior, porque trava esta visão moderna e europeia na saúde; trava porque tem medo dos dogmas da esquerda portuguesa que rasga as vestes em nome do SNS no exato momento em que o SNS está nas lonas e no exato momento em que mais gente percebe que as PPP funcionavam enquanto saúde pública. Perguntem ao povo de Loures, sff. Seja como for, não tenho dúvidas que a modernização e europeização da esquerda portuguesa passa pelo Livre da mesma forma que a modernização e europeização da direita passa pela IL. (O que Livre e IL têm apresentado em Portugal parte sempre de exemplos e práticas de outros países europeus).

O Livre não merece ser esmagado pela campanha do voto útil que Nuno Santos iniciou agora mesmo. Mas iniciou, repito, sem energia. Ou acha que vai perder, ou quer perder e passar uns anos na oposição. Aliás, afirmou isso mais ou menos no debate: "se perder e não conseguir formar maioria, o PS vai para a oposição liderar a oposição, porque esse papel não pode ficar com o Chega em exclusivo”. Para mim, já respondeu à pergunta chave: não, o PS não vai apoiar o Chega e derrubar a AD. Foi o momento mais honesto e democrático de Pedro Nuno Santos em muito tempo. Seria péssimo que não cumprisse esta ideia.

Miguel Cadete

Pedro Nuno Santos – 4
Rui Tavares – 6

No debate entre dois partidos que disputam o mesmo eleitorado, sendo um pequenino e outro grandalhão, os papéis ficaram bem claros desde o início: Rui Tavares foi dando bicadinhas (e algumas bicadas) em Pedro Nuno Santos e este respondeu invariavelmente com um abraço de urso.

Esse abraço de urso foi o apelo ao voto útil: em suma, as boas medidas do Livre - que como partido pequeno se dá ao luxo( ou tem a obrigação) de apresentar medidas inovadoras - só serão tomadas se o PS vencer as eleições.

Bicadas e bicadinhas do Livre: na habitação, o PS enquanto governava esteve sempre em negação e não aproveitou todas as boas ideias do Livre como a ocupação de quartéis. Na saúde, as propostas eram aprovadas na generalidade e esvaziadas na especialidade. Na educação, reinventar a escola ou ir além da mui propalada reposição do tempo de serviço.

Pedro Nuno Santos respondeu sempre com benevolência (a possível no líder do PS) e, no fim, apelava invariavelmente ao voto útil, considerando que o governo anterior esteve sempre no caminho certo. Nunca tentou conquistar votos ao centro. Uma estratégia preguiçosa.

---/---

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João Vieira Pereira

Paulo Raimundo – 3
André Ventura – 4

Alguma vez tinha de ser. Disputando ambos um eleitorado que às vezes se cofunde, apesar de teoricamente estarem em polos opostos, Ventura foi mais eficiente e claro em defender as suas ideias. Nenhum deles conseguiu justificar de forma convincente como financiariam as medidas que defendem para aumento de salários e pensões. Paulo Raimundo, claramente incomodado, recusou-se a responder a André Ventura sobre a questão da permanência no Euro, às perguntas relativamente à venda da sede do PCP em Aveiro e à proposta sobre o fim de isenções fiscais para os partidos políticos que votou contra no Parlamento. De forma geral não conseguir desmanchar os argumentos do líder do Chega visivelmente mais bem preparado. Nota para a afirmação final de Ventura sobre os Açores onde foi claro a dizer que só viabiliza governo de houver acordo formal com o Chega.

Liliana Valente

André Ventura - 0
Paulo Raimundo - 4

Num debate democrático não consigo conceber que um candidato às legislativas leve para cima da mesa frases inaceitáveis como as que foram ditas por Ventura, ligando o seu oponente a “mortes” e “assassinatos”. Não vale tudo em democracia. Não pode valer tudo. Pelo que me é difícil dar uma nota com os mesmos critérios que ao seu opositor.

O debate seria sempre difícil para Paulo Raimundo, os mais de dois minutos a menos que teve no final para poder responder foram mais uma ajuda para que o secretário-geral do PCP não conseguisse marcar a sua posição. O mesmo para os temas escolhidos para debate: corrupção e imigração são piso fértil para a demagogia de Ventura.

O objetivo de Raimundo seria o de não sucumbir perante o trator devastador que é o líder do Chega e tentar explicar ao eleitorado, que ambos disputam, que tem soluções e que do lado de lá está a “hipocrisia”. Tentou fazer alguns ataques preventivos, acusando Ventura de estar ao lado da “troika” que cortou pensões e de estar obcecado em “querer dar a mão ao PSD”, mas atrapalhou-se na questão da pertença à União Europeia. Contudo, também deixou Ventura atrapalhado quando fez a defesa da honra do PCP sobre as “mentiras” que andam a circular nas redes sobre o pagamento de impostos do PCP. Raimundo explicou que o PCP pagou 450 mil euros e questionou Ventura sobre o valor do Chega. Ventura não tinha resposta.

No final, Ventura foi igual a si próprio e conseguirá sempre alcançar o eleitorado descontente que se reveja neste tipo de comportamento. Raimundo sofreu o que outros debatentes sofrem nestes frente-a-frente: é difícil não se desconcentrar com interrupções e insinuações. Por não ter conseguido responder a algumas questões e por duvidar da eficácia de estancar o voto do CH em áreas que antes eram do PCP, a nota para o secretário-geral do PCP acaba por ser em terreno negativo.

Henrique Monteiro

Paulo Raimundo – 2
André Ventura – 3

Dizer que André Ventura venceu um debate ao secretário-geral do PCP até me custa. Mas há que dizer que Paulo Raimundo perdeu um debate com o líder do Chega e perderá com todos os outros candidatos, se não mudar de atitude.

Ventura é um desavergonhado. Não tem pejo em dizer o que for necessário para marcar pontos. Se for preciso fazer propostas que mal se distinguem das do PCP, faz; a coerência não está nas suas preocupações.

Já Raimundo parece um fiel de armazém dos anos 40. Pode ser muito sério e boa pessoa, mas infelizmente para ele, tornou-se líder de um partido que tem da democracia uma noção não totalmente diferente da de Ventura: uma visão utilitária, aproveitável para conseguir apoios para voos diferentes. Curiosamente, a parte que Raimundo menos terá gostado (além da questão do edifício que o PCP vendeu em Aveiro) foi a recordação do PREC e das iniquidades do PCP no Verão Quente, que Ventura lembrou para se defender de ataques (aliás também sem sentido) acerca de um eventual plano do Chega para apoiar o PSD a reeditar os tempos da ‘troika’.

Se Ventura consegue três valores em 10 é porque fala melhor, mais rápido e mais ousadamente do que Raimundo, a quem manifestamente falta o ar de quem acredita naquilo que quer que nós acreditemos. Um homem timorato (com medo de se expressar claramente sobre a UE e o Euro) frente ao desbragamento de outro, que fala do que for preciso mesmo que nada saiba do assunto.

O debate teve como ponto positivo ter apenas 30 minutos (em que Raimundo ficou prejudicado em dois ou mais), e ter acabado. À hora em que terminei de escrever estas linhas, ainda na televisão se debatia o que tinham dito como se fosse algo de sério ou que tivéssemos de levar em conta.

Pedro Cordeiro

Paulo Raimundo – 4
André Ventura – 2

Parabéns, antes de mais, a João Póvoa Marinheiro pelo bom humor de perguntar ao comunista Paulo Raimundo se estaria disposto a unir esforços com o demagogo de direita André Ventura para combater a corrupção. O líder do Chega quase me comoveu ao defender a União Europeia, que todos os seus aliados internacionais putinistas execram. Le Pen, Orbán e Salvini terão trepado pelas paredes, já o cabeça de lista da CDU manteve a calma e não mordeu o isco.

Raimundo primou pela sobriedade, mesmo ao recordar a Ventura que era do PSD no tempo da troika, ou a reagir com fleuma às suas insuportáveis interrupções. Soube expô-lo. O comunista teve também a frase mais insólita ao dizer: “Não somos contra as empresas”. Já o líder do Chega, menos malcriado do que noutras ocasiões, atirou-se a seduzir tudo quanto é eleitorado da CDU. Às tantas as semelhanças são maiores do que qualquer dos dois gostaria de admitir.

Houve diferenciação no tema da imigração. Ventura repetiu falácias, Raimundo lembrou – e bem – que a emigração é problema bem mais grave. Sem brilhar, melhor este do que aquele.

Henrique Raposo

Paulo Raimundo – 2
André Ventura – 4

Em teoria, este era um dos debates mais importantes, porque a sociedade portuguesa está a ser atravessada por um processo de transição que pode ser resumido desta forma: o radicalismo está a passar da esquerda para a direita, porque em grande medida os espaços que eram do PCP estão a passar para o Chega; de forma mais simples, o povo do sul e dos subúrbios de Lisboa está a deixar o PCP e a entrar no Chega, um fenómeno que tem sido constante em todos os países do Ocidente. Os velhos proletários estão com a direita radical. Para sobreviver, o PCP tem de resistir ao Chega – e isso não está a acontecer, como se viu neste debate.

A demagogia económica do PCP é hoje mantida por Ventura, mas com mais energia. Em poucos minutos, Ventura disse como é que ia rebentar com o Estado social, rebater com a dívida e chamar de novo a troika. O estado como garantia de empréstimos para a compra de habitação? Aumentos brutais das pensões sem ter em conta a sustentabilidade? O Chega mostra aqui a velha irresponsabilidade populista do PCP e do BE, diga-se. Confesso que até estou a ver muitos PCPs da velha guarda a votar no espírito aguerrido do Ventura em detrimento de Raimundo, que tem o carisma de um sala de bingo cheia de velhinhas às três da tarde. Da mesma forma, a demagogia contra o Estado de direito de Ventura (o confisco de bens quando os processos ainda estão em curso) é uma coisa abjeta, mas não é nova; encosta-se a um território populista que era do terreno PCP ("o direito é uma ideologia burguesa") e não da direita clássica. Repare-se que Ventura usa a expressão "ricos" com a mesma carga de ódio da extrema-esquerda. Lamento, mas o sul e a subúrbia de Lisboa estão a mudar de camisola.

Ventura é um terrível populista, em 15 minutos rebentou com o Estado social e desmembrou o Estado de direito, não pode ter uma nota positiva num debate de uma democracia liberal madura; porém, num debate entre os populismos, num debate entre o extremo esquerdo e o extremo direito, mostrou que estava presente. Estava de facto no debate e ecoou junto do eleitorado que está em causa. Raimundo não esteve presente; não conseguiu transmitir nada, a não ser um enorme desalento; Raimundo não está preparado para estas andanças e julgo que o PCP está a caminho de um destino à CDS. Pode mesmo sair do parlamento no ano em que o 25 de Abril faz 50 anos.

 

Infelizmente o debate Ventura vs Raimundo esteve muito longe de ser um 0-4. Mais depressa foi um 0-0.

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Citação de Ticampos, há 18 minutos:

Mais depressa foi um 0-0.

Ai sim? Qual foi a acusação que o Raimundo fez que se assemelhou a sugerir que o Ventura esteve envolvido em mortes? 

E isto não coloca em causa o que disse atrás. Que o Raimundo, apesar de parecer excelente pessoa, não tem vida para estes debates. Mas fez um debate democrático.

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Citação de HappyKing, há 1 hora:

Ai sim? Qual foi a acusação que o Raimundo fez que se assemelhou a sugerir que o Ventura esteve envolvido em mortes? 

E isto não coloca em causa o que disse atrás. Que o Raimundo, apesar de parecer excelente pessoa, não tem vida para estes debates. Mas fez um debate democrático.

O Raimundo esteve super mal. Achas que mereceu um 4? E se dou 0 ao Ventura? Porque falas no Ventura?
Se falarmos para o eleitorado dos partidos o Ventura "ganhou" o debate. Mobilizou o seu eleitorado enquanto o Raimundo não o conseguiu fazer. E o objetivo do debate é esse. Não é ser boa pessoa, é falar para o eleitorado. Quem considera o Ventura anti-democrático e que ele esteve mal no debate não vai já de partida votar nele. Por outro lado há pessoas que pensam votar PCP que vão pensar 2x se não vale a pena votar BE ou PS depois disto.

Editado por Ticampos

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O Raimundo é fraco mas o prego no caixão do PCP é a política externa.

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Citação de Ticampos, há 8 minutos:

O Raimundo esteve super mal. Achas que mereceu um 4? E se dou 0 ao Ventura? Porque falas no Ventura?

Falo do Ventura porque equiparaste a prestação dos dois ao atribuir a mesma nota a ambos. Quando um deles foi antidemocrático e o outro não ao atribuir-se a mesma nota estamo-nos a colocar ao lado do primeiro e da antidemocracia que mostrou. 

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