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[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

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No campeonato estás a ter uma temporada tal como querias, com poucos empates! Parece que do ponto de vista tático estás a chegar onde pretendes e será uma questão de tempo (e um pouco mais de qualidade individual) para te intrometeres no top3. Aliás, já existe essa possibilidade na presente temporada, mas por exemplo, estas 3 derrotas foram suficientes para te tirar de lá. No entanto, caso o Benfica vacile e o Amora mantenha esta maré de resultados não me surpreenderia com um terceiro lugar. Sofres poucos golos, tens um número muito interessante de golos marcados e aparentas ter uma equipa muito consistente!

Vamos lá ver se não dá uma coisinha má ao Frodo antes do grande jogo!

A mim, nunca me apareceram essas notícias a dizer que clube x ou y tinham estado em observação de jogadores, e no teu caso já apareceram por algumas vezes. Talvez porque andei um pouco às aranhas com o jogo e tive ali 1/2 épocas com prestações menos boas.

O que sentes dessa contratação do Isaac por parte do Barcelona? (O mesmo posso perguntar da convocatória do Luiz Felipe à seleção). Um pouco aleatória ou pode vir a ter futuro no clube? O negócio em si é excelente. Entrada de dinheiro, jogador só sai no final da temporada, e 25% numa futura transferência ainda pode ser significativo.

EDIT: Sporting a caminho do Tri?! Que coisa boa de se ler.

Editado por Kluivert
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Citação de Kluivert, há 2 horas:

No campeonato estás a ter uma temporada tal como querias, com poucos empates! Parece que do ponto de vista tático estás a chegar onde pretendes e será uma questão de tempo (e um pouco mais de qualidade individual) para te intrometeres no top3. Aliás, já existe essa possibilidade na presente temporada, mas por exemplo, estas 3 derrotas foram suficientes para te tirar de lá. No entanto, caso o Benfica vacile e o Amora mantenha esta maré de resultados não me surpreenderia com um terceiro lugar. Sofres poucos golos, tens um número muito interessante de golos marcados e aparentas ter uma equipa muito consistente!

Vamos lá ver se não dá uma coisinha má ao Frodo antes do grande jogo!

A mim, nunca me apareceram essas notícias a dizer que clube x ou y tinham estado em observação de jogadores, e no teu caso já apareceram por algumas vezes. Talvez porque andei um pouco às aranhas com o jogo e tive ali 1/2 épocas com prestações menos boas.

O que sentes dessa contratação do Isaac por parte do Barcelona? (O mesmo posso perguntar da convocatória do Luiz Felipe à seleção). Um pouco aleatória ou pode vir a ter futuro no clube? O negócio em si é excelente. Entrada de dinheiro, jogador só sai no final da temporada, e 25% numa futura transferência ainda pode ser significativo.

EDIT: Sporting a caminho do Tri?! Que coisa boa de se ler.

Tenho alguns mixed feelings com a classificação até ao momento. Atravessámos aquela fase na primeira volta com várias vitórias algo fortuitas, deu-me sempre a sensação que estávamos um pouco acima do que seria normal. Esta fase com algumas derrotas vai mais ao encontro do que esperava, mas se nós perdemos pontos também as outras equipas perderam e acho que ainda saímos melhor colocados para um lugar europeu do que antes.

Falta ali o Braga, diga-se, porque em condições normais eles estariam ali connosco ou até um pouco acima. Num ano normal deles, acho que a luta seria pelo 5° lugar. Ainda não temos estaleca para mais. O onze base ideal tem incluído regularmente sete jogadores abaixo dos 22 anos. E já nem conto com o Papou Mendes nessa lista, que parecendo que não já tem 25 anos. Era um menino no início do save, agora já não é. Falta-nos crescer mais um pouco.

Isto para dizer que tenho muita juventude e se calhar é por isso que recebo este tipo de notícias das observações. Isso e sermos um clube de baixa reputação, mais facilmente os outros clubes identificam os jogadores como alvos fáceis. Pelo menos é a minha interpretação.

A convocatória do Luiz Felipe apareceu-me do nada lol. Há um ano fui buscá-lo a custo zero a uma equipa da Segunda Liga (que subiu connosco) em que era suplente. Agora está na selecção do Brasil. Acho que tem a ver com a base de dados limitada. Há uns tempos notei que as equipas brasileiras têm na sua maioria jogadores cinzentos. Se calhar por isso há maior tendência a que jogadores que joguem em Portugal (é a única liga activa) cheguem às selecções. E também por isso caem aqui tantos jogadores reputados em equipas medianas.

O Isaac... Fico contente porque lhe peguei a custo zero aos 17 ou 18 anos, jogou na equipa Sub23 um ano, evoluiu aos poucos e chegou ao patamar de ser contratado pelo Barcelona. Dá-me algum orgulho, tanto quanto é possível ter por uma carica virtual. Ainda me safei a perdê-lo a meio da época, mas o encaixe financeiro é óptimo, provavelmente vai pagar todos os investimentos nas infraestruturas até ao final do save. Não sei como se dará no Barcelona, mas vou mantê-lo debaixo de olho. Temo é que lhe aconteça o mesmo que ao António Silva no Benfica, que nunca mais é aposta e anda emprestado ao Amora há ano e meio. E até acho que o António Silva é melhorzito do que ele.

Para terminar, que isto já vai longo, a venda do Isaac Monteiro dá-me margem para aumentar tranquilamente os ordenados dos meus jogadores para patamares interessantes, evitando que andem a chorar que querem clubes maiores aka que paguem mais. Como contrato pouco e aposto quase sempre na juventude, posso alocar o dinheiro para a folha salarial. Provavelmente nem terei de me preocupar com valores de vendas daqui em diante, os jogadores a sair será porque querem, não porque o clube precise de encaixes financeiros.

E isso é que me deixa preocupado. Se os tubarões vierem, tenho de dar uns quantos passos atrás na evolução do plantel. Mas era um risco que sabia que existia.

PS: o Filipe Diogo que foi observado já aparece com a descrição de miúdo-maravilha apesar de ainda não ter pegado de estaca na equipa, está na mesma fase que o Jéferson esteve no ano passado até marcar os dois golos ao Paços de Ferreira e explodir de vez. Até estou curioso para ver o que tenho ali, se calhar tenho uma futura estrela mundial e não sabia.

Já agora, por curiosidade, o relatório do afroastro sobre o menino:

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Editado por Black Hawk

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Capítulo XXXVII - Heróis e vilões

 

"É normal antes do jogo pensarmos demasiado. No que pode correr bem, no que pode correr mal, especialmente no que pode correr mal, no que vão pensar os adeptos, se vamos ser elogiados ou criticados, se a imprensa vai dizer que não estivemos à altura, mas tudo isso passa quando a bola começa a rolar. Nesse momento, esqueces os adeptos, os amigos, a imprensa e as dúvidas. É um jogo com noventa minutos, onze de cada lado e uma bola."

As palavras proferidas por Bilbo Himura na véspera ecoavam-lhe pela mente. Percorria o corredor absorto naquilo, imune à azáfama que o envolvia. Os jogadores de ambas as equipas já se perfilavam para entrar no relvado. Alguns trocavam impressões, outros pareciam também eles perdidos nos seus pensamentos. Estariam tão nervosos quanto ele? Ou, como diria Bilbo Himura, era ele o overthinker e o único a sofrer por antecipação?

O Amora já tinha várias finais disputadas na sua história - ainda há pouco menos de quatro anos disputou a final da Liga 3 perante o Sporting B (ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 1) -, mas nenhuma daquela dimensão. A Taça da Liga poderia não ser a mais importante das competições portuguesas, mas para equipas da dimensão do Amora disputar a final era um acontecimento raro e de enorme relevo. A adesão dos adeptos fora massiva e estavam cerca de quinze mil amorenses nas bancadas, atestando a importância daquele momento.

Claro que Frodo Zarco não quis que isso passasse para os seus jogadores. A eles, o treinador procurou sossegar. "Chegar aqui já é algo histórico para nós", disse-lhes. "A pressão do jogo está do lado do Porto, eles é que têm a obrigação de ganhar", garantiu-lhes. "Façam o que fizerem, todos na Amora vão ficar orgulhosos do nosso percurso", assegurou-lhes.

Tudo tretas. As finais são para ganhar. Fica na história quem vence, não quem perde. Mas ia dizer-lhes isso? Por vezes não será melhor uma mentira piedosa do que uma verdade crua e aterradora? Os rapazes eram inteligentes, certamente saberiam o que estava em jogo - não precisavam que o próprio treinador os submetesse a uma pressão adicional num momento como aquele.

Foi puxado à realidade no momento em que saiu do túnel de acesso ao relvado.

 

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O Estádio da Luz seria o palco da final

 

O ambiente era-lhe vagamente familiar. Não admirava: há cerca de um ano, Porto e Amora disputaram ali a Meia-Final da Taça da Liga. Os mesmos tons de azul, contrastando com as decorações vermelhas da Catedral do Benfica, enchiam as bancadas. Os adeptos do Porto eram a esmagadora maioria, mas era visível a falange de amorenses no topo norte do estádio, brandindo cachecóis e bandeiras. Seriam uns quinze mil, o que equivalia aproximadamente à lotação da Medideira.

'Se a Taça da Liga não vai à Medideira... vai a Medideira à Taça da Liga", pensou Frodo Zarco com um sorriso a aflorar-lhe aos lábios.

Ficou ensopado ao percorrer a curta distância entre o túnel de acesso e o banco de suplentes. Continuava a chover torrencialmente desde que caíra a noite, depois de um dia de aguaceiros intermitentes providenciados por uma grossa camada de nuvens que obscureceu os céus da capital lisboeta. Não era estranho chover naquela altura do ano - era o último dia de Janeiro de 2026, afinal de contas -, mas bem que São Pedro poderia ter dado tréguas na hora prevista para o início do jogo.

"Pelo menos a chuva serviu para cancelar aquela piroseira", congratulou-se, ao ver que o robô telecomandado que iria entregar a bola ao centro do relvado, num evento do patrocinador principal da competição, estava protegido do aguaceiro do lado de fora do recinto.

As equipas entraram em campo logo que soou o hino oficial da Taça da Liga e os adeptos levantaram-se, reagindo com entusiasmo. Pelo meio dos conhecidos cânticos portistas, ouviam-se os adeptos do Amora a gritar o nome da sua cidade e do seu clube. Poucos por comparação aos adversários, mas bons. Muito bons.

As equipas cumprimentaram-se, tiraram fotografias, escolheram campos e posicionaram-se para o início. Um cronómetro surgiu no ecrã gigante, anunciando a contagem decrescente para o início do jogo.

"Dez! Nove! Oito! Sete!"

Os adeptos contavam ruidosamente.

"Seis! Cinco! Quatro! Três!"

Frodo Zarco contava mentalmente enquanto olhava para o desenho táctico da formação do Porto no relvado.

"Dois! Um! ZERO!"

E a bola rolou pela primeira vez.

 

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O Porto surgiu no Estádio da Luz com uma formação invulgar

 

Toni Kroos, o galáctico alemão, implementou um 442 clássico no Porto logo desde que chegou. Isso não surpreendeu Frodo Zarco. No entanto, ao ser informado do onze inicial do seu adversário, franziu o sobrolho: quatro laterais?

Havia um motivo válido para dúvidas sobre como se apresentaria o Porto naquela noite - e tudo começara na véspera do jogo.

As primeiras notícias surgiram nas redes sociais durante a tarde do dia 30 de Janeiro. Segundo alguns elementos bem colocados e informados sobre as movimentações do mercado, alguns clubes estariam próximos de garantir a contratação de Luiz Diaz e pretendiam levá-lo já, antes do fecho do mercado de transferências. Gerou-se o pânico entre a nação portista. Luis Diaz era, afinal, um dos elementos diferenciadores da equipa.

O negócio pareceu avançar rapidamente e já na manhã do dia 31 - a manhã do dia da final - circularam fotografias de Luis Diaz no aeroporto de Lisboa. Ao final da tarde, poucas horas antes do pontapé de saída, saiu a confirmação oficial da sua saída. Os rumores que circulavam davam conta da fúria de Toni Kroos com a perda inesperada do seu principal craque no próprio dia da final

 

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Luis Diaz foi apresentado no Villarreal poucas horas antes do jogo

 

Até à hora do jogo, ninguém sabia ao certo qual a opção alternativa que escolheria para jogar na sua posição. Por isso, quando os onze iniciais foram revelados e surgiu Zaidu como médio esquerdo, Frodo Zarco não soube o que pensar daquela decisão. Era receio e pretendia o alemão ter dois alas que dessem cobertura aos seus laterais, talvez para acompanharem as subidas dos alas do Amora? Era falta de confiança nos extremos mais parecidos com Luis Diaz, como Pepê?

Não o saberia explicar, mas mais importante do que isso, a própria equipa do Porto não parecia confiante em campo. O Amora assumiu o controlo do jogo desde o primeiro minuto e foi envolvendo o adversário no seu jogo pausado, procurando o momento certo para acelerar em busca de algum espaço que surgisse.

E, ao fim de vinte minutos de futebol morno e previsível, o espaço surgiu.

Tudo começou com Leonardo Brandão a recuar no terreno para vir pegar no jogo. Uma combinação rápida com Papou Mendes deixou Martim Watts solto entrelinhas, de frente para a defesa do Porto. Joca surgiu na zona do ponta-de-lança e recebeu o passe curto de costas para a baliza. O desequilíbrio estava criado, a defesa do Porto abriu espaços devido à movimentação rápida dos avançados do Amora. Joca foi inteligente ao ler o lance e deu um toque subtil na bola para o espaço nas suas costas.

Gabriel Capixaba surgiu solto de marcação e ia para a baliza à guarda de Marchesín quando se estatelou ao comprido. Os seus colegas de equipa reagiram quase por impulso levantando as mãos na direcção do árbitro, ao mesmo tempo que o ruído produzido por quinze mil adeptos do outro lado do campo atroou os ares.

O árbitro apitou para a marca de penalidade e levou a mão ao bolso traseiro dos seus calções. Quando a ergueu, o cartão vermelho foi claramente visível em todo o estádio. Diogo Leite foi expulso!

Joca apoderou-se de imediato da bola, assumindo a sua responsabilidade enquanto capitão de equipa, e ficou plantado na marca de penalidade para garantir que ninguém tentaria truques para a deixar em mau estado. Não que fosse necessário, já que os jogadores do Porto rodearam o árbitro em fúria com a decisão. Diogo Abreu foi mais expansivo nos protestos e viu o cartão amarelo. Foi necessária a entrada de Toni Kroos em campo para acalmar a fúria dos dragões .

Com a bola debaixo do braço, Joca aguardou pacientemente que estivessem reunidas as condições para a marcação da grande penalidade. Quando o árbitro deu a ordem, o capitão respirou fundo e olhou Marchesín. Tomou a sua decisão e partiu para a bola.

Sem paradinhas, corridinhas ou saltinhos. Escolheu um lado, correu para a bola e chutou.

O futebol por vezes é tão fácil; para quê complicá-lo?

 

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A vencer desde meio da primeira parte e a jogar com mais um, o Amora estava com uma mão e meia na taça.

Pelo menos era o que se sentia na altura. E era legítimo pensá-lo. Mas o Porto, goste-se ou não, tem uma cultura bairrista de mais vale quebrar do que torcer. Estão habituados a vencer e a fazê-lo contra todas as adversidades. Nunca viram a cara à luta. E isso, por vezes, faz toda a diferença.

Já o Amora... o Amora é uma equipa modesta que disputava a sua primeira final. Com sete jogadores abaixo dos 23 anos de idade, os meninos julgaram que tinham o jogo na mão e não sentiram o toca a reunir dos jogadores do Porto. Estavam como um domador de dragões confiante no seu domínio sobre o animal sem se darem conta que este se preparava para o atacar.

E assim, não se aperceberam do perigo que constituíam jogadores como Kevin Volland, que não precisam de muito para morderem profunda e mortalmente. Isaac Monteiro, o menino que já tinha as malas feitas para rumar a Barcelona no Verão, distraiu-se e deixou a bola ao alcance de Volland.

Ainda nem se tinha apercebido do perigo que corria e já o sangue jorrava do local em que fora mordido.

 

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Frodo Zarco, de braços abertos e expressão atónita, olhava para Isaac Monteiro em silêncio. Parecia uma estátua à chuva, a água a escorrer-lhe pela face e a roupa ensopada e colada ao corpo como se tivesse sido esculpido de um único bloco de mármore. Isaac Monteiro ergueu o braço em jeito de contrição, mas o estrago estava feito: o empate estava reposto.

A primeira parte aproximava-se rapidamente do final com o Amora a tentar reagir ao golo sofrido. A superioridade numérica permitia ao Maior da Margem Sul aproximar-se da área de Marchesín, mas o Porto não deixava de ser o Porto e a sua defesa era coesa. Entrar com a bola na área era uma tarefa hercúlea.

Não admirou ninguém que o Amora começasse a explorar a longa distância. Martim Watts ainda fez uma primeira tentativa e Gabriel Capixaba seguiu-lhe o exemplo, mas sem a pontaria desejada. Alguns lances colectivos bem desenhados iam empurrando o Porto para a sua área naquela fase final. Talvez os dragões quisessem levar aquele resultado para o intervalo.

Foi nesse período que surgiu um momento de génio. Sem que nada o fizesse prever, um certo cavaleiro das histórias encontrou o espaço que ia rareando e decidiu desferir uma estocada inesperada no dorso do dragão selvagem. O pontapé canhão que era a sua marca fez esguichar em todas as direcções a água suspensa nas redes da baliza, para gáudio dos adeptos que enchiam o topo norte do estádio.

Há golos que valem o preço de um bilhete. Este poderia valer um passaporte para o título.

 

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O intervalo não demorou a chegar. Os adeptos do Amora cantavam no seu sector, entusiasmados com a vantagem ao intervalo. Os próprios jogadores recolheram aos balneários em amena cavaqueira com a percepção que estavam bem lançados para vencer o troféu.

Frodo Zarco bem tentou alertar os seus meninos para o perigo de menosprezar o dragão . Já acontecera uma vez, poderia acontecer de novo. O Porto é uma grande equipa. Só precisam de meia chance para marcar. Concentração! Rigor! Seriedade!

 

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Oh, pega que deu à Luz.

Não podendo bater nos seus jogadores, Frodo Zarco vingou-se num six pack de garrafas de água que estava à margem do relvado. Um pontapé forte e saltaram garrafas em todas as direcções. Estava furioso! Percorreu a área técnica até ao banco de suplentes com as mãos a tapar a face e soltou um grito. Doía-lhe o pé. Doía-lhe a alma.

O Porto empatava o jogo em mais uma saída a jogar temerária da sua equipa. Desnecessariamente, pois estavam a vencer e não havia necessidade de correr aquele tipo de risco. Risco para o qual alertara os seus jogadores. Risco que os seus jogadores, demasiado confiantes na sua superioridade numérica, decidiam continuar a correr.

Agora voltava tudo à estaca zero e teriam de ir novamente em busca da vitória.

Foi um momento de viragem no jogo. O Porto ganhou confiança e o Amora, pelo contrário, passou a ter receio de jogar. Talvez tenham sentido que eram eles os seus maiores inimigos? Talvez o treinador não soubesse como lhes transmitir confiança naquele momento crítico? Afinal de contas, também ele disputava a sua primeira final como treinador. Era tão inexperiente como os seus jogadores.

A culpa de a equipa não ter aproveitado uma superioridade numérica de setenta minutos era de todos: dos jogadores e do treinador. Pois a verdade é que o Amora não mais esteve perto de marcar até final, desperdiçando uma oportunidade soberana de vencer a Taça da Liga no tempo regulamentar.

Tudo seria decidido da marca dos onze metros.

 

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O tempo regulamentar terminou com um empate entre as duas equipas

 

A tensão na Luz era quase palpável. As câmaras captavam imagens de adeptos a roer as unhas ou a olhar absortos para o relvado, perdidos nos seus receios e ansiedades. Alguns cantarolavam, mas sentia-se a inquietação na voz. O desempate na lotaria das penalidades, como tantas vezes é erradamente mencionada, é um dos momentos mais críticos que se pode viver num campo de futebol, levando ao extremo as emoções dos adeptos e dos intervenientes.

Esses, os intervenientes, agrupavam-se em dois grupos no relvado. Em ambos os grupos havia jogadores deitados com colegas e massagistas afadigados na sua recuperação muscular. Garrafas de água circulavam de mão em mão; os jogadores hidratavam-se depois de um jogo duro. Ninguém parecia minimamente importado com a chuva que continuava a cair - também depois de noventa minutos de precipitação quase ininterrupta, quem é que já dava por ela?

Recuperados os jogadores - ou tão recuperados quanto seria possível naquela fase - a equipa reuniu-se em torno de Frodo Zarco para uma rápida conversa. À distância, os adeptos viam o treinador agitar as mãos como que pontuando o que dizia. Falou durante cerca de um minuto até bater algumas palmas e os jogadores seguiram-lhe o exemplo. Gritaram "Amora! Amora! Amora!" e dirigiram-se para o centro do relvado.

Estava tudo a postos para o desempate. O Amora seria o primeiro a bater. A baliza do desempate seria a do topo sul, do lado oposto ao dos adeptos da Margem Sul.

Frodo Zarco não influenciou a escolha dos seus marcadores. Deixou que fossem os próprios jogadores a tomar essa iniciativa. Eles saberiam melhor do que ele se estavam confiantes para assumir a responsabilidade num momento em que mais do que jeito, o que se exige é sangue frio. Foi por isso com algum agrado que soube que o primeiro a pegar na bola foi o menino Dino Leão, sempre pronto a estar na linha da frente apesar da tenra idade.

Dino Leão partiu para a bola debaixo dos apupos dos adeptos do Porto mais próximos de si. Bateu com confiança, sem dúvidas, enganando Marchesín. O primeiro estava feito.

A primeira sequência de penalidades decorreu rapidamente. Evanilson, Joca e Danny Loader, todos eles enganaram os guarda-redes e colocaram o marcador num empate a duas bolas no final da segunda série. Seguia-se Gabriel Capixaba.

Pegou na bola com leveza. Era um jogador com vários anos de casa e habituado a assumir a responsabilidade quando a equipa precisava dele. Naquela noite decidiu bater com força, escolhendo o meio da baliza. Marchesín deu um passo à sua esquerda e, talvez pressentindo a intenção do seu oponente, abortou o salto que já armava. A bola saiu na sua direcção e socou-a como pôde para a sua esquerda.

Gabriel Capixaba tapou a cara com a sua camisola encharcada e regressou para o centro do relvado debaixo dos efusivos festejos dos dragões nas bancadas. Foi acolhido pelo abraço reconfortante dos colegas. Ele já tinha dado tanto ao Amora, não merecia aquele peso na consciência.

Cabia agora a Manuel Baldé evitar que o Porto se destacasse na liderança. Thierry Correia, o lateral formado no Sporting que encontrou uma nova vida no Porto, já colocara a bola na marca. Encarou Baldé e partiu com ímpeto, disparando em força tal como Gabriel Capixaba fizera momentos antes. A bola sobrevoou Baldé e foi parar à bancada atrás da baliza.

Os jogadores do Amora levantaram os braços em êxtase no centro do relvado, o mais efusivo de todos sendo Gabriel Capixaba, claramente aliviado. Hastearam-se bandeiras no topo norte e ouviram-se as vozes da gente amorense: o Maior da Margem Sul tinha nova chance de se colocar na frente.

Outro jovem percorreu o campo até à área. Vítor Ferraz, que se exibiu com qualidade no meio-campo durante a ausência por lesão de Martim Watts em Janeiro, pegou na bola para bater a sua penalidade. Bateu com o seu pé esquerdo novamente para o centro da baliza e, mais uma vez, Marchesín aguardou pelo remate. Uma penalidade tirada a papel-químico da desperdiçada por Gabriel Capixaba.

 

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Gabriel Capixaba, Thierry Correia e Vítor Ferraz desperdiçaram penalidades em rápida sucessão

 

Frodo Zarco expirou profundamente, frustrado, quando viu a bola rechaçada pelo guarda-redes portista. Sentia a Taça da Liga fugir-lhe das mãos depois de ter estado com mão e meia no troféu. Pior ficou quando Thilo Kehrer colocou o Porto em vantagem logo depois, enganando Manuel Baldé.

Restava uma série de penalidades. Odailson teria de marcar a sua para manter o Amora ligado às máquinas. O jovem lateral internacional sub21 pela França não quis complicar; correu para a bola e atirou para a sua esquerda. O esférico saiu a meia altura e Marchesín adivinhou o lado. Talvez tenha tocado ao de leve na bola, não a impedindo, porém, de encontrar as redes.

Faltava uma penalidade. Jesús Corona, ele mesmo, seria o responsável por ou dar uma renovada esperança aos amorenses ou estilhaçar os sonhos e esperanças de um modesto clube que há cinco anos nunca sonharia estar naquele palco a discutir uma final contra o Futebol Clube do Porto.

Frodo Zarco olhou em seu redor enquanto o mexicano acomodava a bola na marca dos onze metros. Os seus meninos estavam abraçados no centro do relvado, todos de braços entrelaçados nos ombros dos colegas ao seu lado, fazendo uma longa linha. O seu adjunto Léléco, o afroastro, estava sentado no banco com a cabeça enfiada entre os joelhos, olhando para o chão. O preparador Bruno Caires, de olhos fechados, fazia figas. Adeptos nas bancadas sustinham a respiração. Em algumas faces já corriam lágrimas, sofrendo-se por antecipação com o desfecho daquele remate. Ou seria água da chuva?

Voltou o seu olhar para Manuel Baldé. O guarda-redes guineense já estava na linha de golo e batia palmas, simultaneamente motivando-se e tentando desconcentrar o seu adversário.

O árbitro apitou. Sessenta mil pessoas ergueram-se ligeiramente nos seus lugares, como se todos eles quisessem dar uma força extra ao seu jogador. Corona hesitou um momento antes de partir para a bola.

Disparou para a sua esquerda. Baldé atirou-se para a sua direita.

 

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Um urro de alegria espalhou-se pelo Estádio da Luz. Os homens de azul saltaram dos seus lugares no centro do terreno e a equipa técnica invadiu o relvado de braços no ar, correndo na direcção do marcador da penalidade decisiva que já festejava com Marchesín.

Três quartos do estádio celebrava efusivamente aquela vitória. O outro quarto contrastava. Os quinze mil amorenses ficaram imóveis, observando apaticamente o relvado onde alguns jogadores se deixaram cair. Chorava-se. Era um desfecho inglório para a enorme campanha que aquele grupo de meninos tinha feito para ali chegar.

Nas histórias, os heróis vencem sempre no final contra todas as adversidades. Mas aquela não era uma história. Ou talvez fosse e os heróis fossem os outros, não eles? Seriam os vilões, cuja existência se devia a complicar a vida dos heróis para engrandecer a sua conquista?

 

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Relatório do jogo

Os dragões foram mais fortes no desempate

 

Frodo Zarco foi dos primeiros a engolir a frustração e a tentar recuperar os seus jogadores. Não seria fácil. Muitos deles eram ainda gaiatos, canalhada que jogava a sua primeira final. Ainda não tinham amadurecido o suficiente para lidar com aquela frustração. Muita gente nunca chega a amadurecer para lidar com ela; o que dizer de meninos de 18, 19 ou 20 anos...

Toni Kroos procurou-o para lhe dar os parabéns por uma final bem jogada e o treinador do Amora retribuiu. Quase passava despercebido, mas aquela era a primeira final de ambos. Toni Kroos estreava-se a vencer títulos naquela noite como treinador. Trocaram um abraço no centro do terreno numa bonita demonstração de desportivismo.

Os atletas do Amora eventualmente reagruparam-se e juntos receberam as suas medalhas de finalistas vencidos. Fizeram guarda-de-honra aos vencedores, assistiram ao levantar da Taça e depois rumaram ao sector norte, agradecendo-lhes todo o incondicional apoio que lhes haviam dado. Como resposta, receberam uma sentida ovação. A família estava unida. Na vitória e na derrota, todos remavam para o mesmo lado e os adeptos sentiam que os jogadores tinham dado tudo o que tinham para lhes oferecer aquela Taça.

 

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Joca não poupou nos elogios ao seu treinador

 

A imprensa, na sua generalidade, referiu como o Amora acabou por perder a final por culpa própria. Era verdade até certo ponto: jogando setenta minutos com mais um elemento, o Maior da Margem Sul desperdiçou uma oportunidade inacreditável de vencer a sua primeira grande competição nacional. Mas isso não era inteiramente verdade. O Porto teve muito mérito na forma como conseguiu chegar à vitória - como se pode negá-lo depois de terem recuperado de duas desvantagens, aproveitando as oportunidades que lhes surgiram, jogando tanto tempo com menos um?

Fosse como fosse, ninguém - da imprensa aos adeptos, dos comentadores aos próprios jogadores - deixou de enaltecer o percurso do Amora. Eliminou o bicampeão nacional na Fase de Grupos, bateu o pé ao Braga e obrigou o Porto a ir ao desempate por penalidades. Tecnicamente, o Amora não perdeu qualquer jogo no tempo regulamentar em toda a competição.

Os elogios de Joca reflectiam a percepção de jogadores, adeptos e comentadores sobre a evolução da equipa e o nível elevado a que estava a exibir-se.

Restava agora saber como reagiria o grupo de trabalho ao desaire na Luz. Havia duas competições para disputar e em ambas o Amora estava bem lançado para alcançar feitos históricos e inéditos.

Poderão não ter sido os heróis desta história, sim; mas o livro não termina aqui e muitas mais haverá para contar.

Editado por Black Hawk
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Agora compreendo porque o Bilbo estava tão tranquilo antes do jogo, aposto que deu a nota ao arbitro para sacar o penalty, a expulsão e amarelo no mesmo lance 😎

Acaba por ser uma derrota infeliz esta final, como tu dizes e bem, tiveste praticamente o caneco na mão, e em ambos os lances que sofres golo são erros na construção de jogo, talvez por inexperiencia dos jogadores ou por estares com um estilo de passe demasiado directo ou até mesmo pelas duas razões em simultaneo.

Dá a ideia que o Joca está a fazer uma grande época, se calhar ainda conseguias convence-lo a jogar mais uma época, até porque com um plantel tão jovem deves ter falta de jogadores mais velhos para fazerem de mentores.

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Eu honestamente despedia o Isaac por incompetência, os 2 golos resultam de parvoíce dele e isso custou-te um título. 

Perder nos penaltis é sempre muito frustrante e principalmente num jogo onde até foste melhor do que o Porto e tiveste 2 vezes em vantagem. Esperemos que a equipa não desanime demasiado porque ainda falta muito campeonato para se jogar.

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Bem, que exibição patética do central Isaac. Tem culpa claramente nos dois golos, sendo que o 1º então, se trata de uma anedota. Quando vi a expulsão, golo e consequente vantagem, achei sempre que terias a Taça da Liga, mas infelizmente acabei por enganar-me.

A equipa não soube jogar 70 minutos com mais um homem e deixou que o jogo se arrastasse para a sempre difícil decisão da marca de penaltys. Foste menos feliz, menos audaz e o Porto acaba por levantar a Taça. Mas fica claramente um amargo de boca.

Podia ter sido tua! Claramente! 

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Dadas todas as condicionantes e acontecimentos do jogo, é daquelas derrotas que custam!

O Amora esteve muito, muito perto do seu primeiro grande título a nível nacional. Uma equipa com dinâmicas e combinações muito agradáveis de se ver a nível ofensivo, acaba por desiludir lá atrás! Isaac já terá a cabeça em Barcelona?

Como disse no outro comentário, a equipa já está mais perto de ser uma presença habitual nestas andanças. Pode ainda faltar alguém que eleve o nível do clube, ou, esperar que os meninos cresçam.

Em relação ao que o Lavrador falou, achas que seria uma hipótese, tentar ficar com o Joca mais um ano, dado a sua experiência. Ou sentes que poderá não acrescentar muito à equipa? Ou não podes dizer nada quanto a isso, por causa de futuros capítulos?

Editado por Kluivert

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Citação de Lavrador, há 12 horas:

Agora compreendo porque o Bilbo estava tão tranquilo antes do jogo, aposto que deu a nota ao arbitro para sacar o penalty, a expulsão e amarelo no mesmo lance 😎

Acaba por ser uma derrota infeliz esta final, como tu dizes e bem, tiveste praticamente o caneco na mão, e em ambos os lances que sofres golo são erros na construção de jogo, talvez por inexperiencia dos jogadores ou por estares com um estilo de passe demasiado directo ou até mesmo pelas duas razões em simultaneo.

Dá a ideia que o Joca está a fazer uma grande época, se calhar ainda conseguias convence-lo a jogar mais uma época, até porque com um plantel tão jovem deves ter falta de jogadores mais velhos para fazerem de mentores.

Atualmente estou a jogar com estilo de passe misto, mas com liberdade criativa e temporização rápida. Acredito que passe por aí, os jogadores circulam a bola rapidamente e tomam alguma liberdade para inventar linhas de passe. O Isaac e o António Silva têm muitas coisas boas, mas o atributo do passe não é nada de especial em nenhum deles. É um risco que corro e saiu-me mal neste jogo.

No início da época estava indeciso sobre o Joca, não o queria perder já. Agora não só já me habituei à ideia, como não me parece má decisão da parte dele. Vai com 33 anos, já perdeu um pouco nos atributos físicos e tem um decréscimo visível nas acções directas para golo: no ano passado fez 08 golos e 13 assistências em 37 jogos, o que foram números que nunca imaginei possíveis para ele na Primeira Liga e foi de longe a sua melhor época no save, mas este ano leva 04 golos e 04 assistências em 25 jogos.

Ou seja, nota-se algum declínio nas performances, mesmo no motor de jogo parece menos envolvido no jogo. Mais um ano e poderia começar a ser um peso morto para a equipa. Assim sai ainda num patamar elevado.

Tenho o Jéferson a surgir cada vez mais decisivo, o Filipe Diogo está a crescer imenso e não tarda deve explodir, tenho dois alas jovens em cujo potencial acredito (o Vítor Melro e o Paulo Cameirão), e o Gabriel Capixaba se não armar mais birras pode assumir a braçadeira de capitão e ser o líder da equipa.

É capaz de ser o melhor para todos.

Citação de Banks29, há 11 horas:

Eu honestamente despedia o Isaac por incompetência, os 2 golos resultam de parvoíce dele e isso custou-te um título. 

Perder nos penaltis é sempre muito frustrante e principalmente num jogo onde até foste melhor do que o Porto e tiveste 2 vezes em vantagem. Esperemos que a equipa não desanime demasiado porque ainda falta muito campeonato para se jogar.

 

Citação de Martini Branco, há 9 horas:

Bem, que exibição patética do central Isaac. Tem culpa claramente nos dois golos, sendo que o 1º então, se trata de uma anedota. Quando vi a expulsão, golo e consequente vantagem, achei sempre que terias a Taça da Liga, mas infelizmente acabei por enganar-me.

A equipa não soube jogar 70 minutos com mais um homem e deixou que o jogo se arrastasse para a sempre difícil decisão da marca de penaltys. Foste menos feliz, menos audaz e o Porto acaba por levantar a Taça. Mas fica claramente um amargo de boca.

Podia ter sido tua! Claramente! 

Respondendo aos dois, não sejam assim 😁

O rapaz tem 21 anitos, vai render-nos 22,5M no final da época e tem sido um esteio da defesa. Teve um dia mau, acontece. E no segundo golo o maior responsável foi o António Silva que fez o mau passe, o Isaac Monteiro foi apanhado de surpresa com a perda de bola.

Mas sim, fosse na realidade e voltava a pé para casa. O que vale é que da Luz à Amora não é muito longe e podia apanhar o Fertagus.

Citação de Kluivert, há 5 horas:

Dadas todas as condicionantes e acontecimentos do jogo, é daquelas derrotas que custam!

O Amora esteve muito, muito perto do seu primeiro grande título a nível nacional. Uma equipa com dinâmicas e combinações muito agradáveis de se ver a nível ofensivo, acaba por desiludir lá atrás! Isaac já terá a cabeça em Barcelona?

Como disse no outro comentário, a equipa já está mais perto de ser uma presença habitual nestas andanças. Pode ainda faltar alguém que eleve o nível do clube, ou, esperar que os meninos cresçam.

Em relação ao que o Lavrador falou, achas que seria uma hipótese, tentar ficar com o Joca mais um ano, dado a sua experiência. Ou sentes que poderá não acrescentar muito à equipa? Ou não podes dizer nada quanto a isso, por causa de futuros capítulos?

Respondi ao Lavrador sobre o Joca aquilo que te poderia responder a ti. Julgo que não justifica. Há miudagem para assumir a posição, sai como lenda do clube na melhor época de sempre do Amora. Um pouco como o Léléco, que quando saiu foi no jogo do título da Segunda Liga quando já estava a perder a posição para o Martim Watts, sem se tornar um peso para a equipa.

Notaste a troca de bola no meio-campo? É essa a principal evolução que consegui esta época. No ano passado o meio-campo era principalmente para rodar o jogo por fora, distribuir a bola para os flancos e os alas é que faziam o desequilíbrio. Este ano já procuram jogo interior, já exploram o espaço entrelinhas e fazem passes de ruptura para os avançados na área.

Neste jogo, os dois golos surgem de combinações pela zona central, troca de bola rápida ao primeiro/segundo toque até encontrarem uma linha de passe para os avançados na área.

Até me dá gosto ver alguns dos movimentos, daí também meter alguns gifs de lances para partilhar convosco aquilo que a equipa faz em campo.

Só não sei se o Papou Mendes e o Martim Watts têm mais para evoluir ou se atingiram o limite das suas capacidades. Esse será o principal teste na próxima época: saber se a malta evolui mais um pouco ou se com este lote de jogadores estamos a atingir o limite do nosso potencial.

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Capítulo XXXVIII - Não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje

 

A bola circulou lentamente entre um trio de jogadores de azul. Dois homens de amarelo surgiram em velocidade, procurando interceptá-la. Nélson Victor variou rapidamente o flanco de jogo para a direita, apanhando os adversários de surpresa. Odailson captou a bola com uma recepção orientada e saiu em velocidade, flanqueando a linha de pressão do Paços de Ferreira. Estava criado o desequilíbrio e os adeptos reagiam, levantando-se das suas cadeiras, incitando o jovem lateral a prosseguir a sua cavalgada.

Este não se fez rogado e percorreu vários metros em velocidade ao longo da linha lateral, mesmo junto à área técnica de Frodo Zarco. O treinador correu ao seu lado durante alguns metros de punhos cerrados, o que serviu para acicatar ainda mais os adeptos. Odailson encontrou Vítor Ferraz em terrenos interiores e endereçou-lhe a bola. O jovem médio, que havia entrado há poucos minutos, rodopiou sobre um adversário com a bola colada ao seu pé esquerdo, levantou a cabeça e abriu na esquerda em Tiago Louro. O lateral esquerdo viu espaço à frente de Filipe Diogo para o menino progredir na direcção da baliza. De primeira, lançou a bola na profundidade.

Os adeptos já estavam de pé. Antecipavam a ocasião de golo. O espaço estava lá. Filipe Diogo só tinha de arrancar com a bola e penetrar na área. O menino recebeu o passe de Tiago Louro e, surpreendendo toda a gente, prendeu a bola e procurou uma via alternativa. Talvez tenha tentado apanhar de surpresa os seus adversários; fazer o inesperado. É plausível que fosse essa a sua intenção. O facto é que o espaço fechou-se, Filipe Diogo ficou sem linhas de passe e perdeu a bola. Ouviram-se uivos de desagrado das onze mil gargantas presentes na Medideira.

Frodo Zarco não foi exuberante na reacção, mas tomou uma decisão na hora. Rodou nos calcanhares e olhou para Léléco. O seu adjunto encolheu os ombros e fez um trejeito com os lábios que só podia significar "está na hora". O treinador lançou um assobio estridente; três cabeças à distância, na linha de fundo, olharam para ele. Chamou uma delas.

Os adeptos na bancada central iam aplaudindo à medida que Joca percorria a linha lateral do relvado em direcção ao banco. Recebeu algumas indicações enquanto vestia a camisola principal, acenando instintivamente com a cabeça em sinal de concordância com o que lhe era dito. Após alguns momentos de espera junto ao quarto árbitro, foi levantada a placa com o número 18 - Filipe Diogo saiu em corrida, recebendo aplausos dos adeptos. Deu um abraço ao capitão Joca e este entrou debaixo de uma efusiva ovação.

Estavam decorridos 70 minutos de jogo e o Amora precisava de o resolver rapidamente. O Paços de Ferreira não estava a criar perigo, era um facto, mas uma equipa que tem Mauro Icardi no ataque não precisa de muito para colocar a bola dentro da baliza. Aliás, fora precisamente o avançado argentino, capitão do Paços de Ferreira, quem marcara o golo que dera o empate aos castores e deixara a Medideira num estado de inquietação miudinha.

O Amora não se podia dar ao luxo de ter um resultado negativo naquela noite de 06 de Abril de 2026. Estava em jogo o apuramento para as competições europeias e o Paços de Ferreira era um adversário directo nessa luta.

 

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Amora e Paços de Ferreira em luta europeia na 31ª jornada da Primeira Liga

 

A final da Taça da Liga frente ao Porto tinha sido há dois meses e alguns dias. Muitas dúvidas se levantaram acerca da resposta que o jovem plantel amorense daria após o desaire. Eram dúvidas legítimas; Frodo Zarco sabia-o. Ele próprio não tinha como prever qual o impacto que aquela derrota teria no seu grupo de trabalho.

Dois meses depois, a resposta fora dada: o Amora estava vivo, respirava saúde e recomendava-se. É certo que as sete jornadas que se disputaram nos meses de Fevereiro e Março não se saldaram em sete vitórias - houve percalços pelo caminho -, mas o Amora continuou a somar pontos na sua luta, agora já assumida, pelos lugares europeus.

Filipe Diogo abandonou o relvado, dando o seu lugar a Joca, e encontrou Frodo Zarco à sua espera para lhe dar um abraço. O treinador confidenciou-lhe ao ouvido que não o estava a punir pela decisão naquele lance e que tinha feito um bom jogo. Não estava totalmente certo que tivesse acreditado nele, mas eram palavras sinceras. A entrada de Joca foi uma decisão baseada apenas num palpite do treinador: a de que a equipa naquele momento precisava mais da experiência de Joca do que da irreverência de Filipe Diogo.

 

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Filipe Diogo começou a temporada com apenas 18 anos [print do início de época]

 

O menino disputava a sua primeira temporada na equipa principal apesar de ter, na altura, apenas 18 anos. Filipe Diogo não era estranho a jogar em escalões acima da sua idade. Antes de rumar à Margem Sul proveniente do Vasco da Gama dos Açores, terra de que é natural, já jogava no escalão de júniores dos açorianos com apenas 16 anos. Ao chegar à Medideira por recomendação do observador Pedro Costa, estava prevista a sua integração na equipa de júniores do Amora que nesse ano voltaria a disputar a Primeira Divisão Nacional. A qualidade que de imediato demonstrou levou a uma mudança de planos e, mais uma vez, subiu para um escalão acima da sua idade - com 17 anos começou a jogar pelos Sub23 do Maior da Margem Sul.

Um ano foi suficiente para convencer Frodo Zarco. Aos 18 anos, Filipe Diogo, agora com idade de júnior, integrou o plantel principal do Amora no Verão de 2025 - era o segundo jogador mais jovem da equipa, apenas mais velho do que o central Nélson Victor [o qual também será certamente muito mencionado em capítulos futuros].

O talentoso extremo demorou a causar impacto. Talvez fosse por ser novo e não lhe ser fácil entrar no ritmo do futebol profissional; talvez fosse por estar tapado por jogadores experimentados e consolidados, como Joca e Gabriel Capixaba, e pela estrela em ascensão que era Jéferson. Seja como for, passaram meses e o menino não ia causando o impacto que todos esperavam - em especial aqueles que o viram espalhar magia pelos relvados da Liga Revelação.

Passou-se de 2025 para 2026, o Amora alcançou o apuramento para as Meias-Finais da Taça de Portugal e disputou a Final Four da Taça da Liga - que o Amora perdeu, como se sabe. O Maior da Margem Sul lambia as feridas da derrota na final desta quando voltou à competição, na recepção ao Belenenses SAD a 04 de Fevereiro. O jogo disputava-se quatro dias depois da final e Frodo Zarco foi obrigado a rodar a sua equipa face ao desgaste físico que diversos jogadores apresentavam depois de um ciclo de onze jogos em quarenta e quatro dias.

Filipe Diogo mereceu a confiança de Frodo Zarco e foi titular contra o lanterna-vermelha da Primeira Liga. Um jogo que era crítico, dias depois do desaire na Taça da Liga e em que os olhos dos adeptos estavam postos na reacção do Amora. Há muito que se discutia quando quebraria por fim a equipa da Margem Sul. Seria agora?

O jogo acabou por ser difícil. O Amora foi claramente superior ao seu adversário, mas venceu apenas pela margem mínima. Embora não tenha sofrido qualquer susto, o espectro do empate pairou sempre pela Medideira.

O golo, esse, talvez um dia figure numa compilação dos melhores momentos de uma carreira que promete ter muitas histórias e glórias para contar.

 

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O primeiro golo profissional de Filipe Diogo, com a participação de vários meninos: João Carlos Miguel, Dino Leão e Vítor Ferraz

 

O golaço inaugural da carreira de Filipe Diogo deu-lhe a confiança para explodir. O menino passou a ser mais influente nas suas acções e nas contribuições para golos do Amora, quer com assistências como em participações no carrossel ofensivo do Maior da Margem Sul.

Mais do que isso, garantiu a vitória frente à Belenenses SAD que devolveu a confiança ao Amora para o ciclo de jogos que se seguiu.

 

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O Amora somou treze pontos num ciclo que incluiu Sporting, Porto e Braga como adversários

 

Os meses de Fevereiro e Março não foram meigos para o Amora. Entre os sete adversários estavam pesos pesados como o bicampeão nacional Sporting e o Porto, recém-coroado vencedor da Taça da Liga. A recepção ao Braga e as deslocações aos Açores e a Portimão foram outros jogos de elevado grau de dificuldade que Frodo Zarco e companhia tiveram de enfrentar.

O saldo acabou por ser positivo. O Amora venceu os jogos que era expectável vencer, perdendo sem surpresas em Alvalade e arrancando um empate ao Porto em pleno Estádio do Dragão. Apenas a derrota em Portimão ensombrou uma sequência que, de uma maneira geral, foi muito positiva.

 

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O oportunismo de Joca garantiu uma valiosa vitória na recepção ao Braga...

 

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... nos Açores foi a visão de jogo de Dino Leão, ao encontrar Diego Raposo na área, que abriu caminho à vitória...

 

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... e novamente Joca a carimbar os três pontos num contra-ataque perfeito com Jéferson...

 

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... pelo meio, o Amora empatou no Dragão...

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... e perdeu em Alvalade num jogo em que o Sporting foi tremendamente eficaz

 

Apesar da derrota em Portimão, o Amora chegava à 31ª jornada da Primeira Liga na 5ª posição, em igualdade pontual com o Vitória SC - perdendo no confronto directo fruto do empate a uma bola na Medideira na primeira volta.

Mais importante, o Amora tinha o seu primeiro match point europeu. Enfrentando nessa 31ª jornada o Paços de Ferreira, primeira equipa fora dos lugares europeus, bastaria ao Amora empatar com os pacenses para assegurar matematicamente a presença nas competições europeias.

É certo que faltavam ainda três jogos depois disso para firmar o passaporte europeu do Amora pela primeira vez na história. Mesmo perdendo com o Paços de Ferreira, o Amora continuava bem colocado para o conseguir. Certo?

 

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As três jornadas em falta para o Amora não prometiam qualquer facilidade

 

Errado. O Amora teria um calendário dificílimo nas três jornadas finais, com a deslocação a Tondela, um terreno sempre adverso, e os duelos com Benfica e Vitória SC.

Por estes motivos, garantir já o acesso às competições europeias nessa noite de Segunda-feira, 06 de Abril de 2026, era essencial. Não só para, bem, alcançar o objectivo delineado por Frodo Zarco desde o primeiro dia desta temporada, como para evitar surpresas e tirar a pressão sobre a miudagem nos jogos finais da Primeira Liga.

Afinal de contas, para quê deixar para amanhã o que se pode fazer hoje?

Estava um frio de fazer bater os dentes à beira da Baía do Seixal. O mercúrio dos termómetros apontava para temperaturas negativas, o que era um cenário invulgar em pleno Primavera na Margem Sul, mas ainda assim compareceram onze mil almas desejosas de assistir a um feito digno de constar nos compêndios históricos: o Amora Futebol Clube, o Maior da Margem Sul, poderia garantir a sua primeira presença de sempre nas competições europeias.

Gabriel Capixaba aqueceu o ambiente com (mais) um livre directo superiormente executado, levando a bola a entrar no canto superior esquerdo da baliza pacense. Não muitos minutos volvidos, o avançado voltou fazer o gosto ao pé - embora, dessa vez, o VAR tenha intervido para assinalar um fora-de-jogo ao craque brasileiro.

 

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Festejou-se cedo na Medideira com o livre directo de Gabriel Capixaba

 

O cenário parecia montado para o Amora construir uma vitória tranquila e convincente. A equipa jogava bem e sufocava o Paços de Ferreira, empurrando os castores para os últimos trinta metros do terreno. Por isso, quando Mauro Icardi surgiu subitamente em zona frontal e surpreendeu Luiz Felipe com um remate colocado, o efeito sobre plateia e jogadores do Amora só poderia ser comparável a um súbito banho de água gelada.

A primeira parte foi-se e veio a segunda sem que o empate se desfizesse. Vagas de ataque do Amora esbarravam na estrutura defensiva do Paços de Ferreira, inspirando algum desconforto e frustração nos da casa. O tempo passava e o resultado até servia, mas da mesma forma que Mauro Icardi apontara o primeiro golo, quem poderia afastar o fantasma de nova situação semelhante que estragasse a festa?

Frodo Zarco entendeu naquele minuto 70 que era altura de puxar da cartada Joca. O capitão já não tinha a mesma destreza física de outros tempos. Já jogava mais pausadamente, servindo mais de farol e guia do que de aríete humano. Mas o jogo estava tenso e pedia cérebro. Não é que o menino Filipe Diogo estivesse a jogar mal; o momento é que pedia homens de barba rija.

Mal entrou, Joca procurou dar linhas de passe aos colegas, seguindo as instrucções que Frodo Zarco lhe dera enquanto se vestia para entrar. Combinando com Papou Mendes e Nélson Victor, o Amora montava a teia pela ala esquerda, envolvendo os pacenses nela. O central Nélson Victor subiu com a bola controlada como tanto gostava. Joca derivou para a zona central e abriu o corredor para a progressão de Tiago Louro, que logo recebeu o passe de Nélson Victor.

Colado à linha, o lateral esquerdo, que curiosamente até é destro, recebeu a bola e viu a movimentação de Joca na profundidade, arrastando a marcação consigo. O espaço que ficou no interior, de onde o capitão partira, foi rapidamente invadido por Papou Mendes. Tiago Louro deu-lhe a bola sem cerimónias. O médio, com todo o espaço do mundo, descobriu Leonardo Brandão solto à entrada da área.

O menino Léo, agora o Cavaleiro da Medideira, direcionou a bola com uma recepção orientada perfeita e ficou de frente para o guarda-redes Bruno Varela. O experiente guardião saiu da baliza para tapar o máximo de espaço possível a Leonardo Brandão. Com o central Sáenz a aproximar-se de si, o goleador amorense puxou a culatra atrás para disparar um forte remate, como era sua imagem de marca.

O ruído da excitação invadiu o relvado. Os adeptos levantaram-se dos seus lugares, agarrando com força as cadeiras à sua frente como se isso pudesse acrescentar potência ao disparo iminente de Leonardo Brandão. Sáenz atirou-se num carrinho desesperado para bloquear o remate e Bruno Varela projectou-se em frente, abrindo pernas e braços na esperança de a bola lhe acertar.

O baque do impacto do pé direito na bola foi audível na transmissão televisiva. A bola saiu a direito, sem qualquer efeito e tão alta que passou a rasar a cabeça de Bruno Varela. A trajectória levou-a a tirar tinta à barra da baliza sul, fazendo abanar as suas redes superiores com violência.

O rugido da multidão ocultou qualquer som que possa ter sido produzido no relvado. O que foi visível foi a invasão do relvado pelos elementos do banco do Amora. O próprio Frodo Zarco andava lá pelo meio, dando um salto com o punho cerrado no ar. Leonardo Brandão e Papou Mendes correram lado a lado, trocando palavras e abraçando-se, enquanto se encaminhavam para Joca. O capitão estava na linha de fundo de punhos erguidos virado para a bancada sul, celebrando com os adeptos, e voltou-se quando os dois colegas de equipa o alcançaram. Envolveram-se num abraço colectivo que rapidamente cresceu com a chegada do resto da equipa.

O Amora chegava à vantagem sob protestos veementes dos jogadores pacenses. Pediam fora-de-jogo e envolviam o árbitro, que, desesperado, apontava uma, duas, três vezes para o auricular na sua orelha, provavelmente referindo que se houvesse alguma irregularidade, o VAR o alertaria.

Ninguém mais na Medideira lhes fez caso. A exuberante celebração estendia-se dos jogadores à equipa técnica e aos próprios adeptos, que só por milagre não invadiram o relvado de imediato. Pois a verdade é que não havia irregularidade alguma no posicionamento de Leonardo Brandão e o Amora estava a 17 minutos de carimbar o seu passaporte europeu.

 

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O movimento colectivo que envolveu movimentações com e sem bola permitiu ao Amora chegar a um muito ansiado golo

 

A zona ribeirinha da cidade de Amora poderia estar com temperaturas negativas naquela noite de Primavera, mas dentro da Medideira era Verão. Celebrava-se, cantava-se, agitavam-se cachecóis e bandeiras. O Paços de Ferreira procurou reagir, no entanto notava-se que sentiram o golo sofrido. O Amora estava tranquilo no jogo e manietava calmamente o seu adversário. Apesar de estar a vencer pela margem mínima, o empate chegava-lhe, pelo que a equipa sentia-se segura na sua vantagem de dois golos.

O treinador do Amora viu os seus jogadores a movimentarem-se no terreno, sentiu o adversário algo perdido e absorveu o ambiente que provinha das bancadas. "Está feito", pensou. "Já não foge", concluiu com um sorriso orgulhoso. Chamou Diego Raposo aos 85 minutos com a intenção de tirar Leonardo Brandão para uma justa ovação.

Diego Raposo já se perfilava na linha lateral, pronto a entrar, quando Dino Leão recuperou a bola e entregou-a a Joca. O capitão, que desde que entrara era o alvo dos colegas, viu pelo canto do olho a defesa descomposta do adversário - o Paços de Ferreira, no seu desespero, atacava com muitos e desguarnecia a seu sector defensivo. Lançou a bola em profundidade e Leonardo Brandão ganhou a frente aos centrais pacenses, isolando-se na cara de Bruno Varela.

Já havia braços no ar quando o Cavaleiro da Medideira contornou o guarda-redes adversário. Bruno Varela ainda se estirou em desespero de causa, mas Leonardo Brandão concluiu com tranquilidade para a baliza deserta, confirmando a vitória do Amora no jogo e o apuramento para as competições europeias.

A festa não tinha parado desde os 73 minutos, mas de alguma forma recrudesceu aos 87 com o terceiro golo do Amora. Leonardo Brandão era o centro das atenções. O seu décimo oitavo golo na Primeira Liga permitia-lhe destacar-se na liderança da tabela dos melhores marcadores, ficando na pole position da corrida à Bola de Prata, troféu com que se distingue o goleador da competição.

O árbitro deu ordem para a substituição antes de retomar o jogo e, dessa forma, onze mil pessoas levantaram-se para aplaudir entusiasticamente Leonardo Brandão enquanto este percorria a passo a distância até à linha lateral. Agradeceu a ovação batendo palmas de volta, dando voltas sobre si próprio para as dirigir a todo o estádio. Deu um abraço a Diego Raposo e antes mesmo de chegar ao banco de suplentes foi levantado no ar, envolvido pelos dois braços de Frodo Zarco que mais parecia querer esmagar-lhe os ossos.

Os poucos minutos disputados depois da saída de Leonardo Brandão pouca importância tiveram. A festa estava do lado de fora do terreno de jogo, entre os elementos do banco de suplentes e os adeptos que mal conseguiam permanecer nos seus lugares.

Logo que o árbitro apitou, alguns precipitaram-se pelo relvado dentro. Alguns mais seguiram-lhes o exemplo, e depois outros, e em menos de nada o verde do relvado era apenas uma recordação oculta por milhares de pessoas que o tapavam em absoluto êxtase.

O Amora Futebol Clube estava, pela primeira vez na sua centenária história, nas competições europeias.

 

 

A vitória sobre o Paços de Ferreira garantiu ao Amora um lugar no top5 da Primeira Liga. Seria a melhor classificação de sempre do Amora na competição, batendo o 8° lugar da época anterior. Dava ainda acesso, na pior das hipóteses, à UEFA Conference League, caso no final da temporada se confirmasse a classificação atual.

Mas o Amora poderia ainda alcançar a 4ª posição. Atualmente em igualdade pontual com o Vitória SC, os dois clubes ainda se defrontariam na última jornada em Guimarães. O calendário do Amora até lá chegar não é fácil, mas o do Vitória SC também não é propriamente acessível, com a recepção ao Braga e a deslocação ao Dragão a antecederem o duelo final entre as equipas de Sérgio Conceição e Frodo Zarco. Era perfeitamente plausível que se chegasse à última jornada em posição de se disputar uma autêntica final no Estádio D. Afonso Henriques, com o 4º lugar e respectivo apuramento para a UEFA Europa League como prémio.

Apesar das celebrações dessa noite na Medideira, a temporada estava longe de estar terminada. Havia ainda muito para conquistar. E não era apenas na Primeira Liga.

Não, o Amora estava ainda envolvido numa outra competição. Uma competição histórica, a verdadeira Prova Rainha do futebol nacional, na qual o Maior da Margem Sul já batera o seu recorde histórico ao alcançar a respectiva Meia-Final. Eliminatória essa em que o Amora não só sobreviveu à primeira-mão, como saiu dela vivo e de boa saúde.

 

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Sim, havia ainda muito para conquistar esta temporada, e por isso logo que a merecida festa dessa noite terminou, o grupo de trabalho voltou a trabalhar afincadamente para continuar a fazer história.

 

Em spoiler, os prints dos jogos deste ciclo e breves descrições dos mesmos

 

 

Falei sucintamente deste jogo na história deste Capítulo e não há muito a acrescentar: foi o primeiro jogo depois da derrota na final da Taça da Liga, tinha a maior parte dos titulares estafados e o adversário era o último classificado da Primeira Liga. Senti confiança para meter vários dos meninos no onze inicial e ganhámos com o golaço do Filipe Diogo, o seu primeiro golo profissional, cujo gif deixei na história.

O print do "relatório do jogo" descreve bem o que aconteceu: ganhámos num jogo em que os adeptos esperavam uma vitória mais convincente. A Belenenses SAD não criou perigo algum, mas nunca deu para estar descansado até final com receio que caísse algum golo num lance fortuito que nos roubasse a vitória.

Bem, vencemos num jogo em que o importante era ganhar fosse como fosse, para recuperar a confiança da equipa e retomar a luta pelos lugares europeus. O mais importante foi conseguido...

 

 

... até porque o jogo seguinte foi a recepção ao Braga, que depois de uma primeira volta terrível em que chegaram a andar pelos lugares de despromoção lá estabilizaram e vinham numa sequência de bons resultados assustadora.

O jogo foi tão duro quanto o demonstram as estatísticas. Pouquíssimos lances de perigo e ambas as equipas foram tremendamente eficazes. O Braga marcou na única ocasião de golo que houve em toda a primeira parte e tivemos de ir em busca do prejuízo. Safou-nos o inevitável Leonardo Brandão em mais um pontapé-canhão - rima e é verdade - e o Joca marcou num lance algo fortuito, a bola caiu-lhe nos pés ao segundo poste e ele aproveitou - como se vê no gif que deixei na história.

O empate talvez tivesse sido o resultado mais justo, mas o Braga apesar de estar mal classificado é uma equipa terrível de defrontar e vencê-los é quase tão difícil como aos grandes. A nota artística nestes jogos fica em segundo plano.

 

 

Seguiu-se a deslocação ao Dragão. Tínhamos umas contas a ajustar depois daquele malfadado desempate nas penalidades e demos boa conta de nós.

Tenho de confessar que tenho um pavor descomunal do ataque do Porto. O Volland e o Poulsen são provavelmente os melhores avançados da Primeira Liga e habitualmente desfazem a minha defesa. Quando eles não estão, é o Evanilson que me dá dores de cabeça. Felizmente, desta vez conseguimos manietar o ataque deles, mas à custa da liberdade criativa dos nossos jogadores e de uma defesa mais recuada. A equipa depois não conseguia galgar os muitos metros até à área do Porto quando recuperávamos a bola, e quando a tínhamos notei que os jogadores não inventavam tanto como gostamos.

Resumindo: tive medo de dar liberdade criativa aos jogadores depois do desastre que foi a final da Taça da Liga e entrámos demasiado conservadores em campo. Preferi não correr riscos. Sacámos o empate e não tenho vergonha de dizer que fiquei satisfeito.

 

 

Depois do jogo algo atípico no Dragão, voltámos à nossa melhor versão em São Miguel. O golo tardou a surgir e chegou em dose dupla já na recta final de um jogo em que merecíamos claramente vencer. O menino Diego Raposo molhou novamente a sopa, continuando a mostrar qualidade sempre que é chamado a substituir o Leonardo Brandão - entrou a meio da segunda parte, o Leonardo Brandão ficou com mazelas de uma entrada de um adversário.

O Jéferson confirmou a vitória pouco depois. Palavra sobre ele: por esta altura, rodo-o com o Gabriel Capixaba e já não noto grande diferença de qualidade entre ambos. Quanto muito, a experiência deste pode fazer a diferença em alguns momentos, mas o Jéferson tem melhorado bastante.

 

 

Em Alvalade mandou o bicampeão nacional. Foi um jogo parecido ao do Dragão, com a diferença que o Sporting marcou dois golos nos dois remates que fez na primeira parte e depois controlou-nos até final.

Estava com alguma esperança em sacar qualquer coisa deste jogo, afinal já vencemos o Sporting duas vezes esta época, mas eles são melhores e têm melhores individualidades.

 

 

Por esta altura da temporada já não há jogos fáceis. Todas as equipas lutam por algo, estamos na fase final da temporada e mesmo equipas como o Vizela, que andam lá por baixo na classificação, dão luta durante os noventa minutos.

O Jéferson marcou um golo madrugador na recarga a uma penalidade que ele próprio tinha desperdiçado - falta sofrida pelo Filipe Diogo, já agora - e foi preciso esperar até ao final para confirmar a vitória num bom lance de contra-ataque engendrado pelo Jéferson e pelo Joca. Ou seja. O Jéferson marcou um golo e assistiu para o outro, como deu para ver no gif na história.

As estatísticas são um pouco mentirosas, o Vizela rematou muito, sim, mas geralmente de longe e sem grande perigo. O jogo nunca esteve seguro, mas as grandes oportunidades foram nossas.

 

 

Antes do jogo contra o Paços de Ferreira que foi objecto de destaque no Capítulo, fomos a Portimão e tivemos este desastre.

O Portimonense é uma boa equipa, está na primeira metade da tabela e tem um dos melhores ataques da Primeira Liga. Entraram a ganhar e até podiam ter marcado mais na primeira parte, a maioria dos remates que fizeram foram antes do intervalo.

Tivemos uma grande entrada no segundo tempo. O Jéferson voltou a marcar - o menino é craque todos os dias - e por momentos pensei que íamos dar a volta ao jogo tal o volume ofensivo que apresentámos até aos 80 minutos, mais coisa menos coisa. Mas depois esmorecemos um pouco e caiu o golo do Gélson Dala mesmo no término do desafio. Algo contra a corrente, algo inesperado, mas que foi decisivo. O terceiro golo foi numa fase em que já fomos com tudo para a frente e esquecemo-nos que tínhamos o Luiz Felipe sozinho lá atrás.

Depois disto, recebemos e vencemos o Paços de Ferreira, temos a presença na Europa no bolso - para já garantida pelo menos a UEFA Conference League -, ainda podemos chegar à UEFA Europa League se batermos o Vitória SC na corrida ao 4º lugar...

... ou se chegarmos à final da Taça de Portugal e a vencermos. São cenas dos próximos capítulos.

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Que grande época mesmo que está a ser realizada e ainda podes acabar dentro do top-4. Quem diria ? 

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Anda lá ao Jamor, vá! Tanto suspense só pode ser porque já jogaste a 2ª mão e passaste ahah

 

De resto, campeonato em grande e quero ver essa ultima jornada em igualdade pontual, para ser tudo decidido nesse jogo sem influência de qualquer jogo externo!

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2x2 em Braga para a 1ª mão da Taça de Portugal e está visto que irás dar a volta na Margem Sul! Estarás no Jamor!

No campeonato, a luta está mais feroz do que nunca e com 3 jornadas por disputar, ainda tudo pode acontecer. Há muito equilíbrio e os nervos estarão à flor da pele. Parece-me, genuinamente, que conseguirás um lugar de acesso às provas europeias. Na pior das hipóteses, conseguirás esse feito através da vitória na Prova Rainha 😎

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Agradável olhar para os GIFs e ver a equipa a trocar a bola. As dinâmicas, as movimentações sem bola e todo o relacionamento entre jogadores. (Saltou-me a vista o segundo golo, frente ao Paços)

Já tinha falado disto no último post mas cada vez mais se evidencia o estilo de jogo. Frodo será, certamente, um treinador orgulhoso dos seus meninos. No final de contas estamos apenas a 7 pontos do primeiro lugar, o que diz muito, do que esta equipa do Amora pode vir a conseguir próxima temporada. 

Os três jogos finais são de um grau de dificuldade elevado, o Tondela nunca é fácil, o Benfica tem sido uma equipa sempre cínica contra ti, e depois o Vitória de Conceição, onde tudo se pode decidir. A este leque, juntas uma segunda mão da taça de Portugal onde tudo está de pé. Será um final de época com muita emoção!

Também sentes que certos treinadores influenciam (e muito) na performance das equipas? Por exemplo o Sérgio Conceição, o Ruben Amorim conseguem sempre puxar as equipas onde trabalham, para cima.

Muito importante ter agarrado a Europa, tudo o que vier agora acaba por ser um bónus!

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Citação de Banks29, Em 27/06/2022 at 10:20:

Que grande época mesmo que está a ser realizada e ainda podes acabar dentro do top-4. Quem diria ? 

Só o Frodo Zarco 😎

Quer dizer, não tanto até ao top4/5, mas por acaso tinha a ideia que poderíamos andar a rondar ali o 6° lugar, pelo menos. O Braga este ano cochilou e aproveitámos logo.

Citação de F. Mota, Em 27/06/2022 at 12:08:

Anda lá ao Jamor, vá! Tanto suspense só pode ser porque já jogaste a 2ª mão e passaste ahah

 

De resto, campeonato em grande e quero ver essa ultima jornada em igualdade pontual, para ser tudo decidido nesse jogo sem influência de qualquer jogo externo!

Olha que sou o tipo de gajo capaz de lançar um red herring. Andar a fazer hype para algo e chegado ao clímax, puf, corre tudo mal. Foi o que tentei fazer na Taça da Liga 😄

Citação de Martini Branco, há 19 horas:

2x2 em Braga para a 1ª mão da Taça de Portugal e está visto que irás dar a volta na Margem Sul! Estarás no Jamor!

No campeonato, a luta está mais feroz do que nunca e com 3 jornadas por disputar, ainda tudo pode acontecer. Há muito equilíbrio e os nervos estarão à flor da pele. Parece-me, genuinamente, que conseguirás um lugar de acesso às provas europeias. Na pior das hipóteses, conseguirás esse feito através da vitória na Prova Rainha 😎

A Europa já está, mas confesso que queria a Liga Europa e não a Conferência. Tenho ou de chegar ao 4° lugar, ou vencer a Taça. São os únicos que dão apuramento para a Liga Europa.

Citação de Kluivert, há 1 hora:

Agradável olhar para os GIFs e ver a equipa a trocar a bola. As dinâmicas, as movimentações sem bola e todo o relacionamento entre jogadores. (Saltou-me a vista o segundo golo, frente ao Paços)

Já tinha falado disto no último post mas cada vez mais se evidencia o estilo de jogo. Frodo será, certamente, um treinador orgulhoso dos seus meninos. No final de contas estamos apenas a 7 pontos do primeiro lugar, o que diz muito, do que esta equipa do Amora pode vir a conseguir próxima temporada. 

Os três jogos finais são de um grau de dificuldade elevado, o Tondela nunca é fácil, o Benfica tem sido uma equipa sempre cínica contra ti, e depois o Vitória de Conceição, onde tudo se pode decidir. A este leque, juntas uma segunda mão da taça de Portugal onde tudo está de pé. Será um final de época com muita emoção!

Também sentes que certos treinadores influenciam (e muito) na performance das equipas? Por exemplo o Sérgio Conceição, o Ruben Amorim conseguem sempre puxar as equipas onde trabalham, para cima.

Muito importante ter agarrado a Europa, tudo o que vier agora acaba por ser um bónus!

A espaços fazemos coisas assim, com trocas de bola e tal entre quase toda a equipa. Houve mais golos nesse estilo, mas não posso atafulhar os capítulos com gifs, ne 😁

Não sei como é na versão PC do jogo, mas no Mobile parece-me que os treinadores influenciam muito - e é uma surpresa para mim, que não jogando FM há uns anitos estava habituado a os treinadores das outras equipas parecerem mais bots e os resultados serem meio aleatórios.

Por exemplo, o Sérgio Conceição depois de sair do Porto passou pelo Famalicão e os gajos andaram a disputar os primeiros lugares com os grandes durante imenso tempo. No final da época passada saiu para o Vitória SC e não só estes estão a fazer uma óptima campanha este ano como o Famalicão caiu lá para baixo.

Btw, não faço ideia do que aconteceu ao Rúben Amorim neste save, nunca mais o encontrei.

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Falei desses dois porque no meu save têm sido os casos mais flagrantes. É uma pena não dar para pesquisar treinadores, para ver onde andam.

Eu para saber onde andava o Sérgio, fui ao Quadro de Honra e ele aparece no top 50 que é apresentado. Reparei que foi para o Norwich no final da época anterior, onde já não deu para evitar a descida. E este ano (pelo andar da carruagem) vai subi-los.

Mas estou como tu, para quem não jogava fm há uns anos, é uma novidade muito interessante o facto dos treinadores terem dedo na prestação dos clubes.

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Capítulo XXXIX - Uma final antecipada

 

A bola descreveu uma trajectória ascendente antes de começar a cair a pique. Isaac Monteiro e Falé acotovelaram-se para ganhar posição na sua disputa. Saltaram, agarrando-se mutuamente em busca de qualquer vantagem que lhes permitisse vencer o duelo, mas não houve um vencedor declarado. O ressalto caiu na zona de António Silva que, face à imediata pressão bracarense, decidiu aliviar para onde estava virado.

A bola sobrevoou o meio-campo de ambas as equipas e foi parar à zona defensiva dos visitantes onde pairavam Al Musrati e Gabriel Capixaba. Novo duelo aéreo inconclusivo, a bola sobrou para as imediações e alguém vestido de vermelho pontapeou-a em frente. Sem cerimónias, Isaac Monteiro devolveu-a com uma potente cabeçada. Paulo Oliveira foi o mais lesto e parou o esférico com o peito, mas a proximidade de Papou Mendes levou-o a despachar a bola para as costas da defesa do Amora.

Manuel Baldé leu bem o lance e saiu da baliza, parando a bola debaixo do seu pé direito. Olhou em frente, viu o amontoado de jogadores que preenchiam uma pequena área de espaço no centro do terreno e nenhum a quem pudesse endereçar a bola em segurança. Falé, avançado do Braga, aproximou-se dele; não esteve com meias medidas e chutou a bola, acertando-lhe de esguelha. Esta foi na direcção da linha lateral, do lado em que não havia bancada, perdendo-se no parque ribeirinho situado entre o estádio e a Baía do Seixal.

Se aquela bola pudesse, teria suspirado de alívio. Da forma como ela e as amigas estavam a ser tratadas naquela primeira meia-hora de futebol na Medideira, perder-se algures para não mais ser encontrada era uma benção.

 

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A Medideira recebia a segunda mão da Meia-Final da Taça de Portugal

 

Amora e Braga disputavam a presença no Estádio Nacional do Jamor. Havia muito em jogo para ambas as equipas. Não só por a presença na final da Taça de Portugal ser um feito prestigiante, claro está, mas também porque as duas equipas apontavam àquele objectivo por motivos muito próprios.

Embora ainda abaixo da história e relevância dos três grandes, os Guerreiros do Minho solidificaram o seu estatuto num patamar logo inferior ao destes. Ao longo de pelo menos década e meia, o Braga habituou os adeptos do futebol a prestações de elevado quilate. Ver os bracarenses jogar de igual para igual contra Sporting, Benfica ou Porto deixou de ser surpresa e já não era incomum que terminasse entre eles na classificação da Primeira Liga.

Há apenas um ano, o Braga entrou na 34ª e última jornada da Primeira Liga com hipóteses reais de conquistar um inédito título de campeão nacional. Aos 75 minutos vencia em Alvalade, resultado que lhes daria o título - aliás, o empate em conjugação com o resultado negativo no Porto nessa tarde chegava. No entanto, uma épica recuperação dos leões permitiu a reviravolta no marcador e a revalidação do título pelo Sporting, deixando o Braga em estado de choque. Um golo, apenas um golo mais, teria sido suficiente para entrarem na restricta galeria de campeões nacionais.

Uma semana depois, o Braga disputou a final da Taça de Portugal perante o Benfica. Talvez ainda afectados pela desilusão, os bracarenses foram derrotados no Jamor e perderam dessa forma o segundo título em apenas sete dias.

 

[Sobre estes infortúnios do Braga, sugiro ver o Capítulo XXX - O fim de um ciclo]

 

É difícil explicar o que aconteceu em Braga no Verão de 2025. Terá sido o impacto dessas duas derrotas, diriam uns; terá sido o fim de um ciclo, diriam outros. Certo é que o Braga que se apresentou no início da temporada 2025/26 - a actual - não era o mesmo das recentes épocas. A equipa de Carlos Carvalhal perdeu demasiados pontos e cedo ficou arredado da luta pelos primeiros lugares, tendo chegado a ocupar lugares de despromoção. Nem a trajectória nas Taças salvou a equipa da revolta dos seus adeptos; apesar de ter alcançado as Meias-Finais nas duas competições domésticas, a perda da primeira às mãos do Amora nas Meias-Finais da Taça da Liga ditou o despedimento de Carlos Carvalhal após cinco anos e meio ao comando dos Guerreiros do Minho.

O escolhido para lhe suceder foi Julen Lopetegui. Era uma escolha ambiciosa, uma clara demonstração do empenho em recolocar os arsenalistas entre os grandes do futebol português. O treinador espanhol foi, de resto, muito claro no seu objectivo imediato aquando da sua apresentação: estando os primeiros lugares fora da equação, o Braga via a conquista da Taça de Portugal como salvação da temporada.

 

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O Braga chegou ao final da primeira volta em lugares pouco condignos para a sua dimensão (apesar de ter vários jogos em atraso, a média próxima de um ponto por jogo era demonstrativa da sua má performance)...

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... o que ditou o despedimento de Carlos Carvalhal, tendo Julen Lopetegui voltado a Portugal para assumir um ambicioso projecto...

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... que começou com uma recuperação notável até lugares europeus

 

Temos portanto o Braga a mirar a conquista da Prova Rainha como bóia de salvação de uma temporada em que naufragou violentamente. E o Amora?

O Maior da Margem Sul vivia uma autêntica era de ouro da sua história. Depois de uma efémera passagem de três anos pela Primeira Divisão na década de oitenta do século passado, há mais de quatro décadas, os azuis regressaram ao convívio dos grandes e eram a equipa sensação na sua segunda época consecutiva na Primeira Liga. Com o 5º lugar na classificação a garantir um inédito apuramento para as competições europeias e ainda o 4º lugar ao seu alcance, o Amora conseguiu ainda as suas melhores prestações de sempre em ambas as Taças nacionais: alcançando a Final na Taça da Liga e as Meias-Finais na de Portugal.

Havia, porém, um aspecto a realçar: o Amora nunca venceu uma das maiores competições do futebol português. Não é que a sua sala de troféus estivesse a acumular teias de aranha. Na verdade, o Amora já foi campeão distrital, das antigas III Divisão e Segunda Divisão B,  da Liga 3 e ainda da Segunda Liga - estes últimos tão recentemente quanto 2022 e 2024, respectivamente, já sob comando de Frodo Zarco. Mas a partir daí havia espaço livre nas prateleiras da Medideira, espaço esse que os adeptos do Amora sonhavam ver preenchido.

A campanha desta temporada servia apenas como combustível para alimentar o sonho. O Amora ultrapassou adversário após adversário até chegar às Meias-Finais. Algumas vozes mais cínicas diriam que o Maior da Margem Sul teve sorte com os sorteios, escapando em todas as eliminatórias ao confronto directo contra oponentes mais categorizados. Não deixava de ser verdade, embora os adversários que saíram ao caminho do Amora tenham obrigado a equipa de Frodo Zarco a aplicar-se a fundo para chegar àquela fase.

O percurso do Amora na Taça de Portugal 2025/26 esteve longe de ser o passeio que essas vozes mais cínicas procuram vender.

 

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Relatório do jogo

O Amora esteve quase a ser escandalosamente eliminado na 3ª Eliminatória da Taça de Portugal, apenas derrotando o Casa Pia nas penalidades...

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Relatório do jogo

... derrotando na eliminatória seguinte o Covilhã com distinção...

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Relatório do jogo

... voltando nos Oitavos a estar próximo da eliminação, tendo sido salvo pelos dois golos de Diego Raposo, o primeiro dos quais no último minuto da compensação que levou o jogo para prolongamento...

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Relatório do jogo

... e nos Quartos-de-Final fez história ao bater o Famalicão e apurar-se pela primeira vez para as Meias-Finais

 

Muito haveria a contar sobre o percurso do Amora até ao jogo que se disputava naquela noite de Abril na Medideira. E talvez um dia se conte essas histórias em páginas douradas de um livro de glórias amorenses, dependendo do resultado daquela Meia-Final.

Desde o herói de Pina Manique, Manuel Baldé, que defendeu três das quatro penalidades do Casa Pia após um jogo em que ninguém percebeu ao certo como o Amora não venceu tranquilamente no tempo regulamentar.

À exibição portentosa de Gabriel Capixaba nas encostas da Serra da Estrela, marcando dois golos, assistindo para um terceiro e sofrendo a penalidade que resultou no quarto, num jogo em que Frodo Zarco, talvez assado pelo susto na eliminatória anterior, entrou em campo com o seu onze de gala.

Passando pela montanha-russa de Portimão, onde depois de o Amora chegar a uma madrugadora vantagem de dois golos da autoria de dois dos novos meninos da equipa, de alguma forma o Portimonense deu a volta ao jogo em quinze minutos, e não fosse a veia goleadora de Diego Raposo no último lance do tempo regulamentar teria significado o final abrupto desta história.

Chegando a Famalicão, num jogo mais tranquilo em que o Amora venceu e convenceu, passando a barreira psicológica dos Quartos-de-Final - o Cabo Bojador do Amora, aquela barreira a partir da qual nunca avançara.

Tudo isto poderia ser escrito num compêndio de feitos históricos... mas o destaque, o verdadeiro destaque desta edição da Taça de Portugal, iria sempre para o Massacre dos Grandes. A Taça de Portugal sempre foi a festa do futebol português e os tomba-gigantes fazem parte da sua história, mas é preciso recuar mais de duas décadas para encontrar algo semelhante ao que aconteceu nesta edição.

 

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O histórico Beira-Mar foi o primeiro tomba-gigantes desta edição, eliminando o Sporting logo na 3ª Eliminatória...

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... o Vitória SC, besta negra do Amora após eliminar o Maior da Margem Sul nas duas últimas edições, caiu perante o Porto...

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... na mesma eliminatória em que o Louletano chocou o país ao derrotar o Benfica...

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... e o último sobrevivente dos Três Grandes, o Porto, não sobreviveu ao desempate nas penalidades contra o Penafiel nos Oitavos-de-Final

 

A última vez que nenhum dos Três Grandes chegou à Final da Taça de Portugal foi em 1999, ano em que o Beira-Mar venceu o Campomaiorense no Jamor com um golo solitário de Ricardo Sousa. Vinte e sete anos depois, voltaria a disputar-se uma final sem a presença de pelo menos um dos estarolas do futebol português.

Amora e Braga eram dois dos semifinalistas e um deles marcaria presença no Jamor, naquela que era vista como uma final antecipada - na outra Meia-Final defrontavam-se Penafiel, que lutava desesperadamente pela manutenção na Primeira Liga, e o surpreendente Louletano do Campeonato de Portugal.

Era fácil de entender o combustível que alimentava o fogoso sonho de Braga e Amora.

Não admiraria ninguém que o jogo fosse algo fechado. Julen Lopetegui e Frodo Zarco são reconhecidos pela importância que dão à solidez e coesão das suas formações, por vezes abdicando do volume de jogo ofensivo em prol da estabilidade - por algum motivo Braga e Amora são das equipas que menos golos sofrem em Portugal. Mas nada preparou os adeptos, e provavelmente nem os próprios treinadores, para o cenário daquela primeira meia-hora. As duas equipas jogavam no risco mínimo, preferindo despachar a bola ao primeiro sinal de aproximação da linha de pressão alheia. Os criativos pareciam ilhas no meio de um oceano de (falta de) ideias. O meio-campo via a bola passar por cima de si sem ter hipótese de intervir. Aparte dois remates de longe do Amora e outro do Braga, ambos desenquadrados com a baliza, não havia a mínima sugestão de perigo em qualquer das balizas.

Ambas as equipas actuavam como se houvesse muito mais a perder do que a ganhar em arriscar algo parecido com futebol.

Frodo Zarco dava algumas instruções ocasionais para dentro de campo, mas ele próprio estava algo perdido no que estava a acontecer. O que raio poderia ele mudar? E como? Estava criado um nó górdio no terreno de jogo, as duas equipas a jogar quase encavalitadas uma na outra, e ele não fazia ideia do que fazer para alterar o rumo dos acontecimentos.

Novo lance ofensivo do Amora a nascer de uma bola bombeada para a frente foi morrer aos pés de Mattia Caldara. O defesa bracarense lançou comprido na direcção de Galeno e Tiago Louro. O lance dividido no duelo cabeça com cabeça sobrou para um espaço livre em que surgiu Isaac Monteiro, que de imediato lançou para Joca. O capitão perdeu para a impetuosidade de Rosier. A bola continuava a ser mal tratada na Medideira.

Frodo Zarco virou costas ao relvado, agastado, e dirigiu-se para o banco de suplentes. Perguntou a Léléco por sugestões e o afroastro ia responder-lhe, indubitavelmente confessando que não fazia ideia, mas calou-se no preciso momento em que algum frisson emergiu nas bancadas. Léléco acompanhava com os olhos a trajectória da bola atrás de Frodo Zarco e alguns dos suplentes levantaram-se.

O treinador virou-se para deparar com um cenário inesperado: Diego Raposo - de uma forma que Frodo Zarco não saberia explicar como acontecera - corria sozinho nas costas da defesa do Braga em perseguição a uma bola que saltitava na direcção da grande área adversária. Tiago Sá, guarda-redes e capitão arsenalista, saiu da baliza disposto a interceptar a bola.

Diego Raposo chegou uma fracção de segundo antes do adversário e tocou ao de leve na bola para a sua esquerda, desviando-a do guarda-redes. Tiago Sá fez um golpe de rins admirável, verdade seja dita, e estirou-se para a sua direita no exacto momento em que o menino do Amora encostava o interior do seu pé esquerdo na bola. O esférico passou por baixo da mão direita de Tiago Sá e seguiu, rasteira, atravessando a linha bem no centro da baliza, anichando-se no fundo das redes da baliza norte.

Por essa altura já o vulcão da Medideira explodira violentamente. Frodo Zarco ficou imóvel, estupefacto, enquanto à sua volta jorravam jogadores e membros da sua equipa técnica vindos do banco de suplentes atrás de si. Corriam na direcção do círculo de jogadores que celebravam efusivamente, uma massa de homens algo disforme, empoleirados uns nos outros, junto à bandeirola de canto. Os adeptos por todo o estádio pulavam de alegria e os mais próximos dos jogadores gritavam com eles, querendo juntar-se ao festejo e só a muito custo dos stewards aí presentes foram retidos.

Frodo Zarco não fazia ideia de como, quando e de que forma Diego Raposo aparecera isolado na cara de Tiago Sá. Alguns momentos antes, a bola era maltratada e nada indiciava que estivesse iminente o surgimento de um golo - fosse em que baliza fosse.

Não ficaria admirado, porém, quando ao intervalo conseguiu ver através de um smartphone como aquele golo se materializou.

Nem poderia ter sido de outra forma.

 

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Num jogo tão fechado e mal jogado, o golo apenas poderia ter nascido de um lance fortuito e casual

 

Muitas foram as vozes que se insurgiram quando, ao serem anunciados os onze iniciais, se viu a ausência de Leonardo Brandão (e as de Martim Watts e Odailson por troca com Vítor Ferraz e Simão Rosete, diga-se de passagem). O que era natural: o Cavaleiro da Medideira era, com 21 tentos apontados em todas as competições, o melhor marcador do Amora e da Primeira Liga. No entanto, Diego Raposo era uma potencial estrela em ascensão e tinha números dignos de realce - os 13 golos marcados, com este 14, apesar de ser habitualmente suplente, não mentiam.

Na conferência de imprensa após o jogo, um jornalista perguntou a Frodo Zarco se tivera alguma premonição que o tivesse levado a optar por Diego Raposo. Não tivera. Treinando ambos, Frodo Zarco sabia que os dois eram alternativas perfeitamente válidas e de confiança. Leonardo Brandão era mais maduro, afinal de contas já tinha 22 anos de idade, mais habilidoso a enfrentar os defesas com bola e a tirá-los do caminho antes de aplicar o pontapé-canhão que era a sua imagem de marca; já Diego Raposo, com os seus 20 anos feitos há uma semana, era mais rápido e oportunista, embora um tanto egoísta. Um artigo de opinião recente apelidou-o de Liedson da Margem Sul e Frodo Zarco rira-se, embora concordasse com a pertinência da comparação.

A opção acabara por ser simplesmente da esfera da gestão de esforço dos seus jogadores. Alguns dias antes, Leonardo Brandão saíra com mazelas de um jogo duro frente ao Tondela para a 32ª jornada [spoilers do próximo capítulo!!!] e Frodo Zarco decidiu que era Diego Raposo quem estava em melhor condição para aquela partida das Meias-Finais da Taça de Portugal.

Acima de tudo, Frodo Zarco ficou encantado por o menino Diego Raposo marcar aquele golo. Não só porque deixava o Amora com uma margem de dois golos de vantagem na eliminatória - os golos fora contam - mas porque o rapaz dava uma resposta à altura das dúvidas que todos evidenciaram no início do jogo.

O sorriso do garoto ao intervalo, quando as equipas recolheram aos balneários, encheu-lhe o coração.

 

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Diego Raposo era uma estrela em ascensão no Amora [print do início de época]...

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... depois de já na época anterior ter brilhado no seu empréstimo ao Farense

 

Há uma certa percepção de que jogos deste perfil, muito fechados na primeira parte, partem no segundo tempo e tornam-se abertos, com ataques e contra-ataques constantes. Frodo Zarco alertou os seus jogadores para o risco de isso acontecer e recordou a forma como na primeira volta estiveram a vencer por duas bolas de diferença e, mesmo assim, o Braga ter recuperado e chegado ao empate, sufocando o Maior da Margem Sul na fase final.

Talvez por terem essa memória recente bem viva, os amorenses entraram determinados a garantir que tal não aconteceria. O jogo rapidamente descambou para uma repetição do primeiro tempo e durante o que pareceu a Frodo Zarco uma eternidade, nada de relevante aconteceu. Muito pontapé para a frente, pouco critério e muita luta, mas nada que relembrasse os adeptos de que se disputava um jogo de futebol, quanto mais uma Meia-Final da Taça de Portugal.

Não que os adeptos na Medideira estivessem insatisfeitos. Talvez tivessem esperado caviar em vez da roupa-velha que lhes estavam a servir, mas os acontecimentos estavam a proporcionar-lhes aquilo que queriam acima de tudo e iam compactuando com o fraco espectáculo de futebol.

O Braga tentava, honra lhes seja feita. Talvez percebendo que não iriam lá pela qualidade das suas individualidades, seguiram o exemplo dado por Diego Raposo e procuravam explorar a profundidade com passes longos. A defensiva do Amora estava, porém, irrepreensível na gestão da profundidade e os avançados arsenalistas iam acumulando foras-de-jogo, que eram festejados efusivamente pela plateia da casa.

Só por volta do minuto 70 houve sinais de emoção. Na sequência de um canto, a bola devolvida sobrou para Bruno Rodrigues que disparou pela primeira vez na direcção da baliza de Manuel Baldé. O coração amorense tremeu, mas a bola foi encaixada com segurança pelo guardião guineense. Na resposta, Diego Raposo foi solicitado por Papou Mendes à entrada da área e disparou de surpresa, obrigando Tiago Sá a uma defesa de recurso e a dois tempos.

 

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Bruno Rodrigues acertou pela primeira vez na baliza de Manuel Baldé...

 

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... e Diego Raposo surpreendeu Tiago Sá com um forte disparo do seu pé esquerdo

 

Poderia ter sido o momento de viragem no jogo. Poderia, mas não foi. A partida caiu na mesma toada de antes e o futebol voltou a ser maltratado na Medideira.

O tempo ia passando e o Braga começava a entrar em pânico. É que não era apenas o empate que tardava a surgir; o Braga precisava de vencer. O cronómetro avançava implacavelmente e fazia-o em benefício do Amora, de que cujos adeptos faziam a festa com cada vez maior confiança. As entradas de Dino Leão e Filipe Diogo, duas das novas coqueluches da Medideira, foram aplaudidas; a saída de Joca mereceu uma ovação de pé de toda a plateia. Cada corte, intercepção e alívio eram celebrados como se de um golo se tratasse.

Numa fase em que o Amora já abdicara por completo do ataque, deixando Diego Raposo isolado na frente com a tarefa de perseguir os defesas adversários para não terem tempo de pensar, Mykolenko lá descobriu Ricardo Horta na área com um cruzamento milimétrico. O internacional português rematou de primeira e fez balançar as redes da baliza.

Gritou-se golo no sector dos visitantes na Medideira e um arrepiu gelado percorreu a espinha dos amorenses. Quando a bola embateu nos placards publicitários atrás da baliza, inverteu-se a ordem e foram estes últimos a celebrar e os primeiros a sentirem o dito arrepio. A bola tinha embatido na rede lateral, dando a ilusão de golo.

Foi talvez a pedra de toque das esperanças dos Guerreiros do Minho. Faltavam alguns minutos para os 90 e é verdade que nunca deixaram de atacar, até fizeram mais um remate enquadrado, mas a percepção de que o rumo dos acontecimentos não se iria inverter invadiu as suas mentes.

Já há vários minutos a Medideira tremia pelos saltos de milhares de adeptos, com cachecóis erguidos e a rodar como as hélices de um helicóptero, quando o árbitro deu por terminada a partida.

O Amora estava na final da Taça de Portugal.

Pela segunda vez num espaço de pouco mais de duas semanas, não houve tampão para a torrente de gente que invadiu o relvado, celebrando, como anteriormente no jogo contra o Paços de Ferreira, um feito histórico e inédito. Se na altura o Amora garantiu o seu primeiro acesso às competições europeias, hoje alcançavam a presença no Jamor para enfrentar o derradeiro obstáculo no sonho de conquistar a Prova Rainha.

Quem diria que tal seria possível há cinco anos, quando se deu início ao Projecto Oásis?

 

 

A festa que se seguiu prolongou-se pela noite dentro. Ninguém se importou com isso, até porque faltavam onze dias para o jogo seguinte. Verdade seja dita, Frodo Zarco não se recordaria de muito do que se seguiu - a verdadeira recordação seria a dor de cabeça e sede incessante que teve no dia seguinte.

O que recordava eram flashes aleatórios. Alguns de gente que conhecia a dar-lhe os parabéns. Alguns de gente que nunca vira mais gorda na vida. Bilbo Himura a dançar uma pimbalhada qualquer com um chapéu de abas largas na cabeça. Filipe Diogo, Diego Raposo e Nélson Victor a conversar intimamente com raparigas das suas idades com sorrisos aparvalhados nas faces.

Recordava-se vagamente, e teve de o confirmar com Bilbo Himura, de terem sido ambos abordados por alguém da Câmara Municipal do Seixal - teria sido o presidente?; ou um vereador?; ah, não importa - que lhes revelou o quão extasiados estavam por o Município do Seixal ter pela primeira vez um representante na final da Taça de Portugal. Como se sentiam em dívida para com o Amora e queriam retribuir com aquilo que este mais precisasse.

Claro está que o mais importante para o Amora era a expansão do Projecto Oásis e, nesse sentido, a expansão da Academia do Amora era a prioridade número um.

 

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Enquanto o Amora celebrava, o Braga via a sua tábua de salvação desaparecer sob as águas turbulentas em que naufragara nesta temporada. A nação bracarense não foi meiga nas reacções e exigiram sangue. A construção do plantel foi colocada em causa, a liderança questionada e nem o pobre Julen Lopetegui, que tão bom trabalho estava a fazer desde que chegara à cidade dos arcebispos com a recuperação da equipa na Primeira Liga, escapou à revolta dos adeptos.

 

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As celebrações eventualmente terminaram e a equipa voltou ao trabalho. Faltava disputar mais três jogos. Todos eles de elevado grau de dificuldadev o próximo adversário seria o Benfica [neste ponto já defrontámos o Tondela, mas isso ficará para o próximo Capítulo] e ainda havia Vitória SC para fechar as contas da Primeira Liga. E depois, claro, o jogo mais importante da centenária história do Amora.

A final da Taça de Portugal.

 

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Em breve, num Jamor perto de si.

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O Amora elimina o Braga e ainda causa uma crise no adversário. Muito bom. Agora é se preparar bem para a final contra o Penafiel. Boa sorte na sequência.

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Mais do que nunca é a oportunidade perfeita para vencer a Taça de Portugal, que enorme desempenho até agora. 

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Deve ter sido daqueles típicos jogos em que o motor de jogo mal aparece e quando surge é para cenas de ping-pong 😅 até o golo nasce dessa forma.

Felizmente caiu para o teu lado! Que venha essa final onde há uma possibilidade enorme de ver o Amora a levantar o caneco.

No meu save tenho pesadelos com o  Penafiel por causa do Cádiz, que é o ponta de lança de serviço.

Ja agora, como fazes gifs? Parece-me uma ideia mais interessante do que vídeos do YouTube.

Editado por Kluivert

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Obviamente que ias ao Jamor, logo vi 😅 jogo fraco, pelo que disseste, mas o mais importante está alcançado! E a final, mesmo tendo todo um contexto diferente, é acessível e poderá ser a festa do Jamor para o teu lado! Lets goooo

 

De resto, foco no campeonato que ainda há coisas por conquistar, nomeadamente num jogo duro contra o Tondela...

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Já sabia que ias ao Jamor, como é evidente. Não sabia é que terias tanta sorte em termos de adversário que irias defrontar. O Penafiel é obviamente um "bombom" e terás que levar a melhor. É a melhor oportunidade para ganhar a prova rainha, na brincadeira. Estou curiosíssimo por ver e saber qual foi o percurso do Penafiel para conseguir chegar inacreditavelmente a uma final.

Siga ganhar isso! É o mínimo! 😎

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Citação de LUIZ CESAR, Em 02/07/2022 at 14:27:

O Amora elimina o Braga e ainda causa uma crise no adversário. Muito bom. Agora é se preparar bem para a final contra o Penafiel. Boa sorte na sequência.

Dupla. Contribuimos para o despedimento do Carlos Carvalhal aquando da vitória nas meias da Taça da Liga e agora deixamos o Lopetegui inseguro após a Taça de Portugal 😅

Citação de Banks29, há 11 horas:

Mais do que nunca é a oportunidade perfeita para vencer a Taça de Portugal, que enorme desempenho até agora. 

Como era? As finais são para ganhar?

Citação de Kluivert, há 10 horas:

Deve ter sido daqueles típicos jogos em que o motor de jogo mal aparece e quando surge é para cenas de ping-pong 😅 até o golo nasce dessa forma.

Felizmente caiu para o teu lado! Que venha essa final onde há uma possibilidade enorme de ver o Amora a levantar o caneco.

No meu save tenho pesadelos com o  Penafiel por causa do Cádiz, que é o ponta de lança de serviço.

Ja agora, como fazes gifs? Parece-me uma ideia mais interessante do que vídeos do YouTube.

Opa, foi mesmo. Horrível. Os três lances de destaque do jogo foram os três gifs que postei. Não se passou mais nada de jeito.

O Penafiel tem o Bruma e o Danilo Pereira. O Bruma nem tanto, mas o Danilo Pereira gosta de me lixar a vida. Na primeira volta do campeonato marcou-me numa charutada de longe a terminar o jogo, acho que foi o remate solitário deles em todo o jogo. Parecem-me acessíveis, mas já tenho sentido mais dificuldades contra equipas deste perfil do que em jogos grandes. Oh, o que for, será.

Btw, ao contrário do campeonato que já terminei há uns dias valentes, ainda não joguei a final, só o devo fazer amanhã. Não queria deixar indícios nestes capítulos.

Os gifs foram inspirados pelo @El Shafto no save dele no Vitória FC. Achei interessante e roubei-lhe a ideia. Claro que ele com a versão full metia gifs em 3D com adeptos e tudo, enquanto nós só podemos ir pelas caricas em 2D...

Por enquanto faço algo simples: faço upload das gravações de ecrã no https://ezgif.com/maker , escolho a opção de 800px e o máximo de FPS possível para o gif ser fluído.

Se o vídeo tiver menos de 10 segundos dá para ficar a 33FPS, se tiver menos de 12 segundos fica a 25FPS. Menos FPS do que isto já fica aos solavancos, por isso tento ao máximo que os vídeos tenham menos de 10 segundos, 12 no máximo. Alguns têm de ser mais (por exemplo, aquele das penalidades na Taça da Liga), mas já ficam com baixa qualidade.

Depois de os salvar no smartphone, faço upload no imgur como se fosse imagem, ao copiar o link directo já vem no formato gif.

Citação de F. Mota, há 10 horas:

Obviamente que ias ao Jamor, logo vi 😅 jogo fraco, pelo que disseste, mas o mais importante está alcançado! E a final, mesmo tendo todo um contexto diferente, é acessível e poderá ser a festa do Jamor para o teu lado! Lets goooo

 

De resto, foco no campeonato que ainda há coisas por conquistar, nomeadamente num jogo duro contra o Tondela...

 

Citação de Martini Branco, há 10 horas:

Já sabia que ias ao Jamor, como é evidente. Não sabia é que terias tanta sorte em termos de adversário que irias defrontar. O Penafiel é obviamente um "bombom" e terás que levar a melhor. É a melhor oportunidade para ganhar a prova rainha, na brincadeira. Estou curiosíssimo por ver e saber qual foi o percurso do Penafiel para conseguir chegar inacreditavelmente a uma final.

Siga ganhar isso! É o mínimo! 😎

Respondendo aos dois, yah... fiz demasiado suspense, deixei demasiado evidente o desfecho. Desta vez para a final da Taça de Portugal não vou fazer isso, só faço o jogo no mesmo dia em que postar o capítulo dele muahahah 😁

@RoMbA já não apareces há uns tempos, mas és gajo para achar piada a uma certa parte deste último capítulo.

Amanhã devo postar o final da Primeira Liga e depois trato da final da Taça.

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Capítulo XL - Assalto ao Castelo

 

Os aplausos dos adeptos foram audíveis quando a equipa entrou no relvado para os exercícios de aquecimento. Alguns jogadores acenaram e outros bateram palmas direccionadas à numerosa falange de apoio que se concentrava num dos cantos do Estádio D. Afonso Henriques. As bandeiras erguidas pelos Espírito Azul mal se agitavam, tal a ausência de vento naquela tórrida tarde de 16 de Maio de 2026. Só à acção de força braçal os símbolos da claque e do clube, bem como caricaturas de Frodo Zarco, Bilbo Himura ou Joca, se tornavam visíveis nos panos hasteados.

Eram cerca de dois mil os amorenses que tinham percorrido a longa distância entre a Margem Sul e Guimarães. Embora numerosos, seriam uma clara minoria no bem composto Castelo - como recentemente começou a ser apelidado o Estádio D. Afonso Henriques -, prevendo-se uma assistência acima das vinte mil pessoas para testemunhar aquele jogo decisivo: em causa estava o 4º lugar na Primeira Liga.

Amora e Vitória SC há muito estavam engalfinhados naquela luta muito particular. Em diversos momentos pareceu que uma ou outra equipa poderia descolar, mas os deuses do futebol tinham outros planos e adiaram todas as discussões para a última jornada, na qual as duas equipas se defrontariam. Chegados à 34ª jornada com apenas um ponto de diferença - a favor da equipa da casa - o cenário parecia estar a compor-se para o que sabia a uma autêntica final.

Estádio quase cheio, adeptos fervorosos de ambos os lados, duas equipas a disputar o estatuto de melhor após os três grandes. A festa estava montada e o Amora seria protagonista.

"Eles dão uma bela festa. Não sabia que eles celebravam vitórias do Amora em Guimarães", comentou maliciosamente Frodo Zarco com Léléco, que soltou uma gargalhada antes de lhe responder.

"Fomos convidados para a festa por engano. Quem diria?"

Apesar das bravatas privadas entre treinador e adjunto, o Amora chegava àquele jogo com um misto de sensações positivas e negativas. Por um lado, o Maior da Margem Sul havia derrotado o Braga nas Meias-Finais da Taça de Portugal e, com isso, alcançado o feito histórico de marcar presença na final do Jamor.

Por outro lado, porém...

 

 

... o Amora somou duas derrotas nas 32ª e 33ª jornada da Primeira Liga - a primeira vez na temporada em que perdeu dois jogos consecutivos.

A deslocação a Tondela foi tão difícil quanto fora previsto. E o jogo até começou de feição para os da Margem Sul, com o golo de Leonardo Brandão a dar uma vantagem madrugadora que dava boas indicações. A reviravolta dos tondelenses, consumada já na recta final do desafio, acabou porém por ser um balde de água fria para o Amora - apesar de ser uma deslocação difícil, era o jogo teoricamente mais acessível.

Até porque na jornada seguinte, o Benfica deslocou-se à Medideira. Disputado onze dias depois da vitória sobre o Braga para a Taça de Portugal, Amora vestiu-se de gala com a confiança reforçada pelo golo solitário de Diego Raposo que garantiu a presença no Jamor. As expectativas eram elevadas e esperava-se que o Amora pudesse causar nova surpresa. Por esta altura, os adeptos do Maior da Margem Sul sentiam que tudo estava ao alcance da sua equipa.

A realidade atingiu-os como um comboio a alta velocidade. Gonçalo Ramos abriu o marcador para o Benfica logo na fase inicial do jogo. O ânimo dos adeptos não esmoreceu com aquele contratempo, mas, quando o Amora reagia em busca do empate, o menino Dino Leão entrou de forma imprudente sobre um adversário. O árbitro foi aconselhado pelo VAR a visionar as repetições televisivas e decidiu-se pela ordem de expulsão, deixando a equipa da casa em inferioridade numérica para os mais de setenta e cinco minutos que faltavam disputar - diferença numérica que o Amora nunca conseguiu ultrapassar apesar da boa réplica que indubitavelmente deu.

À partida para esta sequência de jogos, Amora e Vitória SC estavam empatados com 62 pontos. As duas derrotas poderiam ter significado o fim do sonho amorense quanto ao 4º lugar. Felizmente, o calendário dos vimaranenses era tão ou mais difícil e também estes não conseguiram muito melhor.

 

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A ponta final de temporada do Vitória SC rivalizava claramente com a do Amora em termos de dificuldade (jornadas 29 a 33, a classificação na última atualização incluía os jogos até ao Sporting)

 

O Vitória SC não foi além de um empate na recepção ao Braga, num derby quente e intenso com seis golos e muita polémica. O ponto aí averbado foi o único que os vimaranenses lograram somar, visto que o Porto os atropelou sem cerimónias na 33ª jornada.

Foi assim que as duas equipas chegaram separadas por apenas um ponto àquela tarde de Maio. O Vitória SC partia em vantagem, tendo 63 pontos para os 62 do Amora.

Trocando por miúdos: ao Amora, apenas a vitória importava.

As ondas de choque das duas derrotas também afectaram a equipa. O Amora já habituara não só os adeptos, como a imprensa, a vencer regularmente; não só isso, o Amora perdera a dinâmica de derrota. Já não era uma equipa habituada a perder. À 31ª jornada, o Amora tinha apenas sete derrotas em toda a temporada (oito se incluída a derrota nas penalidades na final da Taça da Liga) e em nenhuma ocasião tinha somado dois desaires em jogos consecutivos.

De repente, o Amora perdeu dois jogos e a imprensa reagiu por impulso, como tubarões oportunistas atraídos das profundezas oceânicas pelo fedor a sangue derramado na superfície.

 

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Martim Watts foi o principal visado pelas críticas...

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... tendo Frodo Zarco saído publicamente em defesa do seu menino

 

A analogia foi feita em privado numa conversa com Martim Watts e era bastante oportuna. O Amora fazia uma temporada a todos os níveis notável, excedendo-se em todas as competições. Todos os jogadores exibiram-se num patamar de excelência elevado ao longo da temporada. Há quase um ano que Frodo Zarco não era confrontado com críticas aos seus meninos, muito menos a críticas direccionadas a um jogador em particular. Aquele ataque a Martim Watts foi inesperado, tal como os ataque de tubarões apanham de surpresa os banhistas desprevenidos à superfície.

E, diga-se, eram injustas. Embora fosse um menino de apenas 20 anos de idade, Martim Watts já era um jogador experimentado. Com 117 jogos disputados com o emblema do Amora ao peito - e 14 internacionalizações pela selecção nacional Sub21 -, a unidade de potência estava entre as principais escolhas de Frodo Zarco desde os 17 anos, crescendo em preponderância com o tempo e sempre demonstrando trabalho e dedicação em prol da equipa.

Não havia como negar que nos últimos jogos tinha estado um pouco menos interventivo do que era habitual. Tinha sido menos preponderante na manobra ofensiva da equipa - Frodo Zarco também o havia notado. Mas "preguiça" e "falta de vontade" eram críticas com as quais não poderia compactuar.

Da parte dele, do treinador, os jogadores mereceriam sempre a sua protecção desde que mantivessem a dedicação e o compromisso dos quais não abdicava - e esses nunca faltaram a Martim Watts.

 

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O Castelo recebia a última jornada da Primeira Liga

 

Enquanto em Guimarães as equipas, cumpridos os exercícios de aquecimento, recolhiam ao balneário para se prepararem e receberem as derradeiras instruções dos seus treinadores, a atenção do país centrava-se no que se passava ali perto, a pouco mais de 30 quilómetros de distância.

Por mais interessante que fosse o duelo pelo 4º lugar, a verdade é que este passava meio despercebido face à luta a três que se travaria nessa tarde pelo título de campeão nacional. Os três grandes chegaram à última jornada com hipóteses matemáticas de alcançarem o tão desejado troféu e o país parou, tal como há um ano, para uma tarde tensa de futebol.

O epicentro era Penafiel. A equipa da casa alcançara recentemente a qualificação para a final da Taça de Portugal, mas tinha ainda de conquistar a manutenção na Primeira Liga. Ocupando o 16º lugar, o qual dava acesso ao playoff de promoção/manutenção, o Penafiel teria de vencer e esperar que o 15º classificado, o Santa Clara, não vencesse na recepção ao Paços de Ferreira. O que seria um cenário plausível, não fosse o adversário do Penafiel o... Sporting.

Os leões, bicampeões nacionais, chegavam à 34ª jornada na liderança da Primeira Liga e dependiam apenas de si para garantir o título. Os 15 mil bilhetes da lotação do Estádio Municipal 25 de Abril desapareceram em alguns minutos após terem sido colocados à venda online. Alguns milhares de sportinguistas sem bilhete deslocaram-se até Penafiel e acompanhariam o jogo nas imediações do estádio. Outros milhares juntar-se-iam em praças, avenidas e cafés um pouco por todo o país, numa autêntica onda verde desejosa de ver algo que não acontecia desde 1952/53: o Sporting conquistar o tricampeonato.

É bom de relembrar que o Sporting era 2º classificado à 31ª jornada, perseguindo o líder Porto e tendo o Benfica a respirar-lhe na nuca. Todas as equipas protagonizavam uma ponta final de temporada apaixonante, para a qual contribuiu o facto de haver vários jogos entre si próprios.

O Sporting chegou à última jornada na liderança como o poderia ter feito qualquer um dos outros grandes - pouco ou nada os separava nesta ponta final de temporada.

 

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Aquando da última atualização, esta era a classificação à 31ª jornada

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Calendário do Sporting entre as jornadas 29 e 33 (incluindo Liga dos Campeões)

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Calendário do Porto entre as jornadas 29 e 33 (incluindo Liga dos Campeões e um jogo atrasado contra o Braga)

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Calendário do Benfica entre as jornadas 29 e 33

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A classificação à partida para a última jornada

 

As esperanças leoninas na revalidação do título de campeão nacional quase quebraram definitivamente na noite de 22 de Março de 2026. Numa noite tempestuosa a relembrar uma outra de má memória em 1994, o Sporting foi à Luz na condição de líder do campeonato e foi completamente trucidado, perdendo copiosamente por expressivos 5-1 [infelizmente não tirei print e no Mobile só temos acesso aos jogos alheios no próprio dia em que são disputados].

O impacto de uma derrota desta dimensão poderia ter derrubado definitivamente qualquer clube, mas não o bicampeão nacional. O Sporting recompôs-se e foi o Vitória SC quem pagou a factura. Os leões ainda estavam na luta.

O Porto aproveitou a derrota do Sporting e assumiu a liderança. Vencendo todos os jogos desde a 28ª jornada, quando derrotou o Portimonense no Dragão, os azuis da Invicta pareciam imparáveis rumo ao título. Havia, porém, um grão de areia na engrenagem. Um grão de areia chamado Benfica.

Quase um mês depois de ter humilhado o Sporting, o Benfica recebeu o Porto para a 32ª jornada num jogo em que os dragões poderiam dar um passo decisivo rumo ao título que lhes escapava há duas temporadas: não só por somarem três pontos no terreno do adversário mais complicado, como enviando uma poderosa mensagem de força para o outro lado da Segunda Circular.

Já o Benfica fazia a sua melhor temporada em vários anos e tinha o embalo da goleada ao Sporting a empurrar o sonho de alcançar o título. Para isso teria de vencer o Porto, ultrapassando-o, e esperar que o Sporting perdesse pontos num dos seus dois últimos jogos (Marítimo na 33ª jornada ou Penafiel na 34ª).

Ambas as equipas digladiaram-se em busca da vitória, mas em última instância acabaram por se anular mutuamente e permitir que o Sporting fosse o verdadeiro vencedor desse Clássico, recuperando a liderança com apenas duas partidas para jogar.

Assim, e vencido o Marítimo na 33ª jornada, o Sporting apenas teria de vencer em Penafiel na derradeira partida da temporada para revalidar o título da Primeira Liga. Porto e Benfica, frente a Boavista e Vizela, respectivamente, ainda acalentavam esperanças, mas a realidade dos factos era que o Sporting parecia destinado a novo título.

 

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Vitória SC e Amora discutiam o 4º lugar

 

Por esta altura da temporada já não havia mais gestão a fazer. Era a última jornada da Primeira Liga e, embora o Amora ainda tivesse a final da Taça de Portugal por disputar, haveria uma semana para a preparar. Foi o habitual onze de gala de Frodo Zarco aquele que entrou no relvado do Estádio D. Afonso Henriques, aparte duas alterações forçadas: Dino Leão castigado após a expulsão frente ao Benfica e António Silva por lesão.

A lesão de António Silva foi um daqueles acontecimentos que deixou Frodo Zarco furioso para com a fina ironia dos deuses do futebol. O central emprestado pelo Benfica estava há dois anos no Amora, tendo participado em toda a trajectória do Maior da Margem Sul na Primeira Liga. Contribuiu para cimentar a posição da equipa no convívio dos grandes, ajudou à evolução de vários dos seus colegas de sector (Isaac Monteiro e Nélson Victor entre eles) e foi fulcral na explosão do Amora para alcançar feitos históricos nesta temporada - tanto assim foi que os adeptos já o consideravam como sendo da casa, todos esquecendo que estava apenas emprestado.

António Silva estava preparado para terminar o seu percurso no Amora em pleno, saindo pela porta grande com a participação na final da Taça de Portugal: o jogo mais importante da história do Amora e também da sua carreira profissional.

Os deuses do futebol tinham outros planos e Frodo Zarco odiou-os por isso.

 

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Uma lesão num lance infeliz na véspera da deslocação a Guimarães terminou antecipadamente a temporada de António Silva

 

Apesar da lesão, António Silva não foi riscado da lista de convocados e fez parte da comitiva que se deslocou ao Castelo. Frodo Zarco não o conseguiria ver a partir do relvado, mas o jovem central do Benfica torcia afincadamente pelo Amora a partir do camarote, sentado ao lado do não menos efusivo Bilbo Himura.

A partida, entretanto, já se disputava debaixo da cacofonia dos adeptos de ambas as equipas. Da parte dos da Margem Sul, o que se ouvia era maioritariamente o nome da cidade e do clube, cantados com amor, vigor e apoiado pela batida do tambor - rima e era verdade. Mas, e apesar da vontade em fazerem-se ouvir, os vimaranenses estavam em maioria de onze vozes por cada garganta amorense, abafando-os enquanto entoavam o seu cântico de eleição.

 

"Sou Vitória, Sou Vitória,

Sou a força, o querer,

Sou futuro, sou memória,

Tenho sede de vencer"

 

As equipas, aparentemente indiferentes à disputa vocal nas bancadas, entraram em campo algo retraídas, estudando-se mutuamente. O Vitória SC, talvez expectante por o resultado lhe servir, parecia querer analisar a postura do Amora, enquanto estes pareciam temer um eventual ímpeto inicial dos da casa, não se aventurando nos minutos iniciais do encontro apesar de precisarem da vitória.

Frodo Zarco ia observando o posicionamento dos jogadores do Vitória SC no seu 442 clássico, tentando discernir por onde poderiam os seus meninos criar desequilíbrios e, simultaneamente, por onde poderia a sua formação quebrar. O trio do meio-campo - Martim Maia, Papou Mendes e Martim Watts - assegurava superioridade na zona intermédia, enquanto os avançados interiores - Joca e Gabriel Capixaba - acompanhavam os laterais adversários; já os seus laterais, Odailson e Tiago Louro, ocupavam-se dos médios alas vimaranenses . Apenas a sua zona defensiva, com os centrais Isaac Monteiro e Nélson Victor, o deixava inquieto, pois ficavam em igualdade numérica para com a dupla de ataque adversária - Martim Maia teria de ser perfeito na leitura de jogo para se movimentar ora no apoio aos centrais, ora no apoio ao meio-campo, funcionando como um autêntico pivot defensivo para assegurar superioridade numérica em ambos os sectores conforme as necessidades de cada momento.

As equipas estavam encaixadas uma na outra e, provavelmente, só um lance fortuito ou de bola parada teria o condão de desequilibrar a balança.

Acabava Frodo Zarco de chegar a essa conclusão quando uma bola bombeada por Isaac Monteiro foi disputada no ar por Papou Mendes e Diogo Dalot. O lateral vimaranense venceu o duelo nas alturas, mas não conseguiu direccionar a bola como desejava. Esta sobrevoou a defesa do Vitória SC e Joca, fazendo uso da sua experiência, leu aquele desenlace antes de toda a gente, arrancando em velocidade na direcção da baliza à guarda de Trmal.

O estádio silenciou-se subitamente. Tal como os adeptos da casa, também André Amaro percebeu o sarilho em que estavam metidos e correu atrás do veterano capitão do Amora, tentando evitar que este entrasse na grande área. Quando percebeu que não o conseguiria, cedeu à tentação de importunar a acção de Joca, puxando-lhe ao de leve a camisola azul. Joca, inteligente como era, deixou-se cair de imediato. Rebolou duas vezes e sentou-se no relvado de braços abertos, gritando para o árbitro.

Luis Godinho levou o apito à boca. Hesitou. Naquele segundo em que os de azul se lhe dirigiram a protestar, Trmal saiu da baliza para apanhar a bola e André Amaro levantou as mãos, clamando inocência, o árbitro olhou para o seu auxiliar. Ele já lá ia, de bandeira no ar, em direcção à confluência das linhas de grande área e de fundo.

Era sinal inequívoco de que tinha visto o puxão de André Amaro a Joca. Luis Godinho apitou com convicção e apontou para a marca de onze metros. O Amora tinha uma grande oportunidade; uma soberana ocasião para colocar-se numa madrugadora vantagem.

Os apupos provenientes dos vinte mil vimaranenses nas bancadas era ensurdecedor. Joca pegou na bola e aguardou na marca de penalidade, de feição inexpressiva. Parecia concentrado. Quando, por fim, os protestos terminaram, colocou a bola na marca e recuou alguns passos. Não muitos, mas o suficiente para dar balanço.

Este seria o último jogo para a Primeira Liga na sua carreira. Não podia desaproveitar a oportunidade de deixar a sua marca na despedida. Correu para a bola e desferiu um golpe seco, levando a bola para o canto superior esquerdo da baliza. Trmal acertou o lado, esticando os dedos para travar a bola.

O momento de tensão foi quebrado quando a bola agitou as redes brancas da baliza, mesmo à frente da claque da equipa da casa. A claque em minoria foi audível em todo o estádio, celebrando o golo do seu capitão.

O Amora entrava a vencer no primeiro lance ofensivo protagonizado por qualquer uma das equipas.

 

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Joca aproveitou da melhor forma uma intervenção infeliz de Diogo Dalot e André Amaro apenas o parou em falta

 

Refeitos do choque inicial, os adeptos da casa voltaram à carga, criando o habitual ambiente hostil e ostensivo que as equipas visitantes sentiam quando se deslocavam a Guimarães.

A própria equipa acelerou o jogo, disposta a ir em busca do prejuízo, mas os dois conjuntos continuavam encaixados no terreno de jogo. O jogo estava, de resto, bem ao gosto do Amora: em vantagem no marcador, o Maior da Margem Sul privilegiava a segurança da sua estrutura, aproveitando os momentos de posse para baixar o ritmo de jogo, adormecendo-o, e os momentos sem bola para pressionar o adversário e obrigá-lo a jogar mal.

Vários minutos passaram com o Vitória SC numa busca infrutífera de espaço para criar perigo na baliza de Luiz Felipe. Levando a bola por um flanco, o Amora tapava o caminho com a presença dos seus laterais e avançados interiores enquanto os médios fechavam linhas de passe interiores. Isto obrigava o Vitória SC a ter de voltar atrás, procurando linhas de passe seguras entre os defesas ou o guarda-redes, que rodavam o jogo para o flanco contrário. Por essa altura já o Amora basculara para o lado contrário e o mesmo cenário acontecia aí, obrigando os vimaranenses a entrar numa rotina semelhante a um ataque de Andebol, com a bola a circular em U, sempre por fora, longe das zonas de perigo.

Na primeira vez que o Vitória SC conseguiu encontrar uma forma de furar pela densa floresta de pernas amorense, Foster surgiu entre as linhas da defesa e do meio-campo do Amora. Frente-a-frente com Isaac Monteiro, foi em busca do desequilíbrio individual que lhe permitiria isolar-se. O futuro central do Barcelona não deixou os seus créditos por mãos alheias e foi imperial, antecipando-se e despachando a bola para o meio-campo adversário. Os Espírito Azul reagiram com sonoro "uhhhh!" à acção do líder da defesa do Amora.

Diogo Dalot foi sozinho em busca da bola e, num cenário visto e revisto nos últimos minutos, atrasou-a para o seu guarda-redes. Tantas vezes aquele movimento fora repetido que já todos o esperavam. Incluindo Gabriel Capixaba. O veloz avançado brasileiro, do outro lado do campo, passou despercebido a toda a gente e arrancou no momento em que Diogo Dalot atrasou a bola.

Trmal saiu da baliza e olhou para a frente enquanto aguardava pela bola, alheado do sprint de Gabriel Capixaba. Ter-se-á apercebido subitamente quando o estádio irrompeu num frisson colectivo. Já era tarde demais: Gabriel Capixaba esticou o seu pé esquerdo e interceptou a bola. Trmal, instintivamente, fez um carrinho em desespero de causa.

O avançado brasileiro poderia perfeitamente ter aproveitado para deixar o seu pé direito entre Trmal e a bola. Isso garantiria uma falta e nova grande penalidade. Honra lhe seja feita, Gabriel Capixaba preferiu evitar a entrada do guarda-redes, saltando por cima dele e ficando com a baliza à sua mercê.

"Yippee-ki-yay, fia da pega!", soltou Capixaba enquanto empurrava a bola com o seu pé esquerdo, fazendo-a entrar a meia altura na baliza deserta.

Todos os jogadores de campo do Amora irromperam em velocidade na direcção de Gabriel Capixaba, que aguardava por eles de braços abertos. Frodo Zarco e um dos suplentes abraçaram-se na linha lateral com a banda sonora oferecida pelos adeptos da Margem Sul a servir de música de fundo.

Num jogo fechado, encaixado e previsível, o Amora aproveitava deslizes alheios para chegar a uma confortável e inesperada vantagem.

 

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Joca primeiro...

 

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... e Gabriel Capixaba depois, deixavam o Amora a um pequeno passo do seu objectivo

 

Havia um certa poesia no facto de os dois golos do Amora que abriam caminho ao 4º lugar na Primeira Liga, a melhor classificação de sempre do Amora, terem surgido da ratice e dos pés dos dois mais influentes jogadores do Amora desde o primeiro dia.

Joca e Gabriel Capixaba foram os dois primeiros elementos a dar as boas-vindas a Frodo Zarco aquando da chegada do treinador. Joca ainda esteve ausente um ano, aquando da sua passagem pelo Famalicão, regressando a tempo de marcar presença em todos os feitos históricos alcançados nos últimos cinco anos; Gabriel Capixaba foi um dos líderes incontestados do balneário em todo este ciclo. Contribuíram com inúmeros golos e assistências para a subida desde a Liga 3 até à Primeira Liga e brilhavam agora entre os grandes do futebol português.

Por uma vez, Frodo Zarco apreciava o guião dos deuses do futebol.

O assalto ao Castelo estava quase concretizado, mas ainda não estava consumado. Um golo do Vitória SC relançaria a discussão e se alguma coisa se poderia dizer de uma equipa orientada por Sérgio Conceição, era que nunca deitariam a toalha ao chão por pior que fosse a situação em que se encontrassem.

O jogo continuava encaixado naquela espécie de jogo de pares já mencionada. Laterais com extremos, extremos com laterais, médios com médios, defesas com avançados, os jogadores anulavam-se mutuamente num equilíbrio de forças constante em todas as zonas do terreno. Havia qualidade individual suficiente de ambos os lados para ocasionalmente surgir um rasgo individual que desequilibrava a balança de forças, e por isso surgiam aqui e além lances de algum perigo.

Mas o tempo foi passando e o resultado mantinha-se. O intervalo veio e foi-se, e com ele sucedeu-se uma segunda parte em que persistia o rumo dos acontecimentos do primeiro tempo.

Frodo Zarco olhou para as movimentações no terreno de jogo. Viu a sua equipa concentrada no que estava a fazer; o vigor do apoio da equipa da casa a esmorecer e a dar paulatinamente lugar a algumas manifestações de insatisfação e frustração; o nervosismo no banco de suplentes adversário, com Sérgio Conceição já há muito tendo perdido a paciência; o apoio incansável dos adeptos do Amora, com os Espírito Azul a pautarem o ritmo e acompanhados por todos os restantes adeptos do seu sector, entoando cânticos que se ouviam em todo o estádio.

 

"Desde pequeno eu vou à bola,

Largo tudo p'ra te ver!

Só quero que suem a camisola,

Sou do Amora até morrer!"

Bum! Bum! Bum!

 

Sentia-se tão confiante que tirou o capitão Joca a quinze minutos do final da partida, oferecendo-lhe uma sentida ovação de pé dos dois mil amorenses nas bancadas. Era o último jogo da carreira de Joca para o campeonato. Saiu dando um abraço apertado ao jovem Filipe Diogo, no que soube a uma passagem de testemunho, e foi cumprimentado efusivamente por todos os elementos do banco do Amora.

Mais alguns minutos passaram até que o Amora, enrolando o jogo e obrigando o Vitória SC a correr atrás do esférico, foi trocando a bola até conquistar um pontapé de canto.

Frodo Zarco sorriu, colocou as mãos nos bolsos das calças e deu alguns passos na direcção do banco de suplentes. Os seus ocupantes olharam para ele e anunciou-lhes com confiança:

"Está feito, o 4º lugar é nosso."

O pontapé de canto marcado por Filipe Diogo foi aliviado pela defesa. A bola morreu nos pés de Martim Watts, que viu uma oportunidade de progressão e arrancou em velocidade pelo flanco direito, como se estivesse à procura de dar uma resposta a algo ou alguém.

Alcançada a linha de fundo, cruzou largo ao segundo poste. Filipe Diogo saltou nas costas de um adversário e desferiu uma valente tolada na bola, fazendo-a sobrevoar o guarda-redes Trmal, o qual não teve tempo de reacção.

O silêncio consternado do estádio D. Afonso Henriques contrastou com os rugidos de excitação de jogadores, adeptos e demais comitiva do Amora.

Estava consumado o assalto ao Castelo.

 

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O menino Filipe Diogo consolidava a vitória do Amora em Guimarães num raro golo de cabeça

 

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Relatório do jogo

 

O menino Filipe Diogo fechava as contas da temporada no que à Primeira Liga dizia respeito, deixando água na boca para o que poderia fazer na próxima época - ele que era visto como o sucessor natural do capitão Joca.

Uma temporada de imenso êxito, com a conquista do 4º lugar, melhor classificação de sempre do Amora. O apuramento directo para a UEFA Europa League, também a primeira participação da história do Amora nas competições europeias. A presença na final de ambas as Taças, a de Portugal e a da Liga.

Em termos individuais, e apesar de não ter marcado nessa tarde, a confirmação de Leonardo Brandão como melhor marcador da Primeira Liga, conquistando assim a Bola de Prata, troféu que premiava o goleador da competição. A consolidação da qualidade de meninos como Isaac Monteiro, Odailson, Tiago Louro, Dino Leão, Martim Watts ou Jéferson. A confirmação do talento de jovens emergentes como Nélson Victor, João Carlos Miguel, Vítor Ferraz, Filipe Diogo ou Diego Raposo, todos eles a cumprir a sua primeira época completa na equipa principal do Amora, tendo cumprido com distinção os seus papéis sempre que foram chamados a actuar.

O final do jogo chegou e, enquanto a comitiva do Amora celebrava junto dos seus adeptos, os da casa exibiam a sua insatisfação com a goleada sofrida, soltando apupos e impropérios. Honra lhes seja feita, todos os elementos do Vitória SC, liderados no terreno por Sérgio Conceição, deram a cara aos adeptos... o que não atenuou o clima de crispação.

"Bem-vindos à festa, amigos!", sussurrou Frodo Zarco a Léléco, ironizando com a previsão que tinham feito antes do início do jogo.

Porque, de facto, o Amora tinha muito para celebrar. Talvez não tanto como o Sporting, que emulando o que se passara há vinte e seis anos num local não muito distante de Penafiel (e cujo estádio, infelizmente, já não existia), venceu por quatro golos sem resposta e revalidou o título de campeão nacional. Era agora tricampeão, 73 anos depois da última vez que tal havia acontecido.

 

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Caído o pano sobre a Primeira Liga 2025/26, o Sporting consolidava a sua recente hegemonia, alcançando o seu 23º título - ou 27º, conforme as contas que se queiram fazer. Porto e Benfica asseguravam as restantes vagas de acesso à UEFA Champions League, ficando Amora com o acesso à UEFA Europa League, e Vitória SC e Paços de Ferreira com o passaporte para a UEFA Conference League. O Braga, depois de uma recuperação notável na segunda volta, acabaria por falhar na ponta final e ficava de fora das competições europeias.

Na ponta inversa da tabela, Belenenses SAD confirmou a despromoção depois de uma temporada em que ocupou quase sempre a última posição. Seriam acompanhados pela Académica; a Briosa não resistiu a uma má segunda volta e foi incapaz de evitar a queda depois do muito saudado regresso na época anterior.

Por fim, o Penafiel, adversário do Amora na final da Taça de Portugal, tendo perdido com o Sporting viu gorar-se a hipótese de alcançar a manutenção imediata. O que significava que os penafidelenses teriam ainda um playoff para disputar após a final da Prova Rainha.

E era essa a final que, logo no dia seguinte à grande vitória obtida em Guimarães, o Amora começou a preparar com afinco.

Seria o jogo da vida de todos os elementos do Maior da Margem Sul e estava já ao virar da esquina.

 

 

Farei a habitual análise estatística de final de época, curiosidades e resultados das várias competições num outro post após a final da Taça.

Já agora, quem apanhar as referências que fui deixando ao longo deste capítulo ganha um like e o prémio de e-sócio honorário do Amora!

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Grande! 4º lugar e Liga Europa diretamente para os grupos, incrível! Falta a cereja no topo do bolo, venha de lá a festa do Jamor 😎 

 

O Benfica não anda a curtir muito de títulos, há quanto tempo é que está a seco? Dá para ver histórico de vencedores? Não só do campeonato, mas das outras competições internas.

 

Sobre as referências, confesso que não sei a que te referes 😅 ainda fui reler o post, mas não percebi ahah, a única foi o Leléco que era um ex-jogador, right? 

Editado por F. Mota

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