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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

Citação de RoMbA, Em 30/04/2022 at 20:03:

Tu tens uma imaginação, ouve lá 😅

Isso é tudo imaginação ou tem algo "teu"?

Algumas das coisas são experiências pessoais (o ambiente no estádio, por exemplo), outras são inspiradas em histórias de outros tempos (como a dos gajos no Fiat), mas a maioria é inventada.

Sobre este capítulo, não tenho filhos nem irmãos mais novos, isto saiu-me da cabeça.

Citação de El Shafto, Em 30/04/2022 at 20:49:

Que coisa bonita ❤️ 

❤️

Citação de cadete, há 14 horas:

Estes Cavaleiros da Bola Redonda ficarão imortalizados na história do Reino da Medideira.

Daí a muitos anos haverá crónicas a ser escritas sobre eles 😁

Citação de Banks29, há 4 horas:

Que bela história

😉

Btw, não queria deixar passar que hoje, sendo 01 Maio, o Amora celebra 101 anos de vida!

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Parabéns, Amora 💙

Editado por Black Hawk
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Citação de Black Hawk, há 11 horas:

Algumas das coisas são experiências pessoais (o ambiente no estádio, por exemplo), outras são inspiradas em histórias de outros tempos (como a dos gajos no Fiat), mas a maioria é inventada.

Sobre este capítulo, não tenho filhos nem irmãos mais novos, isto saiu-me da cabeça.

Parabéns pela imaginação então. Quem me dera ser assim. É que uma pessoa fica mesmo colada e parece que está a viver a história também. 

101 anos não é para qualquer clube. Parabéns e rumo à manutenção.

Editado por RoMbA
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Vou-te ser sincero, este último capitulo foi provavelmente o que menos gostei desde do inicio do save, a ideia de contar a história á filha é original mas dei por mim meio confuso com a analogia dos cavaleiros aos futebolistas, mas tirando isso tenho que te dar os parabens, porque a história tem estado de tal modo incrivel que sempre que lanças um novo capitulo venho logo ver!

Quanto ao jogo em si, fiquei um pouco surpreendido com a rejeição da proposta do Leandro Brandão, pois apesar de estar a ser uma das figuras do Amora na 1ª liga, não estava a espera que rejeitasses tanto dinheiro. 

Entretanto com o Janeiro á porta grande mérito apra o trabalho que tens feito, Meias finais da taça da liga, continuas na taça de Portugal e apenas 3 derrotas para o campeonato (mesmo com uma quantidade absurda de empates). 

Acredito que irás conseguir a manutenção facilmente, digo-te isto porque tens uma equipa jovem e ambos sabemos que os miudos a jogar com regularidade acabam por ter uma boa evolução com o decorrer da época e vejo-te a fazeres uma segunda volta ainda melhor que a 1ª.

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A historia neste caso como já tinhamos dito é um pouco confusa...that said, excelente precurso no campeonato numa epoca que esta a ser mais tranquila do que o esperado....mas sobretudo na final four da taca da liga. Vamos ter surpresa?

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Estás a "pagar" pelo investimento feito nos miúdos! Começam a acumular-se o número de jogos, os miúdos não dão conta do recado e vês-te obrigado a lançar as feras.

Mas em algumas partidas acaba por não possível e alguns pontos vão ficar pelo caminho! Aliás, acredito que aquele amigável pelo meio era para ver se a moral da equipa subia e conseguias um resultado positivo depois da sequência de empates.

Não olhando para a classificação e independentemente dos acontecimentos dos jogos, os empates são frente a equipas complicadas (maioritariamente). Custa aquela derrota com o Vizela, talvez das equipas que mais odeio defrontar. Podem estar na penúria, contra nós, conseguem sempre sacar alguma coisa!

Resumindo, e como falas, são as dores de crescimento. Alguns jogadores poderão não ter a qualidade suficiente para estas andanças, mesmo que já tenham dado a impressão de dar conta do recado e poder evoluir. Da minha experiência, posso dizer que voltei a ver algumas coisas no meu save que já não via desde a Liga 3. Erros básicos na defesa, perdas de bola sem jeito nenhum. E quero acreditar que não está ligado à tática ou ao estilo de jogo, mas sim com a falta de qualidade individual para as ambições atuais!

A prestação na taça da liga é de salientar e possivelmente, quando o calendário desafogar um pouco, com jogadores mais frescos irás conseguir mais resultados positivos e agarrar uma posição mais confortável no campeonato!

Não é fácil rejeitar uma proposta dessas, ainda para mais para um clube que precisa imenso de dinheiro. Mas manter o jogador irá ter um retorno desportivo maior e muito dificilmente ias buscar alguém com capacidade para o substituir!

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Citação de Lavrador, há 23 horas:

Vou-te ser sincero, este último capitulo foi provavelmente o que menos gostei desde do inicio do save, a ideia de contar a história á filha é original mas dei por mim meio confuso com a analogia dos cavaleiros aos futebolistas, mas tirando isso tenho que te dar os parabens, porque a história tem estado de tal modo incrivel que sempre que lanças um novo capitulo venho logo ver!

Quanto ao jogo em si, fiquei um pouco surpreendido com a rejeição da proposta do Leandro Brandão, pois apesar de estar a ser uma das figuras do Amora na 1ª liga, não estava a espera que rejeitasses tanto dinheiro. 

Entretanto com o Janeiro á porta grande mérito apra o trabalho que tens feito, Meias finais da taça da liga, continuas na taça de Portugal e apenas 3 derrotas para o campeonato (mesmo com uma quantidade absurda de empates). 

Acredito que irás conseguir a manutenção facilmente, digo-te isto porque tens uma equipa jovem e ambos sabemos que os miudos a jogar com regularidade acabam por ter uma boa evolução com o decorrer da época e vejo-te a fazeres uma segunda volta ainda melhor que a 1ª.

 

Citação de Burkina2008, há 20 horas:

A historia neste caso como já tinhamos dito é um pouco confusa...that said, excelente precurso no campeonato numa epoca que esta a ser mais tranquila do que o esperado....mas sobretudo na final four da taca da liga. Vamos ter surpresa?

Aw 😞

Respondendo a ambos, foi uma tentativa de agitar as águas, isto estava a cair numa rotina de capítulos todos com a mesma estrutura narrativa. Era para fazer algo diferente.

O campeonato está a seguir tranquilo dentro do que esperava e entrámos em Janeiro em todas as frentes. Fico com a sensação em alguns jogos que poderíamos ter sacado mais, mas noutros também sacámos mais do que se calhar mereciamos, acaba por equilibrar a balança.

Ah, rejeitei a proposta pelo Leonardo Brandão por três motivos: nem pensar que o rapaz sai daqui para cair no Paços de Ferreira, ele em saindo é para um clube maior; estou a ambicionar o patamar do Paços e não os quero reforça; e perder o meu jogador mais influente (não necessariamente o melhor, mas o que faz a diferença) nesta altura quando a alternativa é apenas o Flávio Silva que está sempre lesionado seria potencialmente catastrófico.

No final da época veremos, mas antes disso não quero destruir a equipa.

Citação de Kluivert, há 4 horas:

Estás a "pagar" pelo investimento feito nos miúdos! Começam a acumular-se o número de jogos, os miúdos não dão conta do recado e vês-te obrigado a lançar as feras.

Mas em algumas partidas acaba por não possível e alguns pontos vão ficar pelo caminho! Aliás, acredito que aquele amigável pelo meio era para ver se a moral da equipa subia e conseguias um resultado positivo depois da sequência de empates.

Não olhando para a classificação e independentemente dos acontecimentos dos jogos, os empates são frente a equipas complicadas (maioritariamente). Custa aquela derrota com o Vizela, talvez das equipas que mais odeio defrontar. Podem estar na penúria, contra nós, conseguem sempre sacar alguma coisa!

Resumindo, e como falas, são as dores de crescimento. Alguns jogadores poderão não ter a qualidade suficiente para estas andanças, mesmo que já tenham dado a impressão de dar conta do recado e poder evoluir. Da minha experiência, posso dizer que voltei a ver algumas coisas no meu save que já não via desde a Liga 3. Erros básicos na defesa, perdas de bola sem jeito nenhum. E quero acreditar que não está ligado à tática ou ao estilo de jogo, mas sim com a falta de qualidade individual para as ambições atuais!

A prestação na taça da liga é de salientar e possivelmente, quando o calendário desafogar um pouco, com jogadores mais frescos irás conseguir mais resultados positivos e agarrar uma posição mais confortável no campeonato!

Não é fácil rejeitar uma proposta dessas, ainda para mais para um clube que precisa imenso de dinheiro. Mas manter o jogador irá ter um retorno desportivo maior e muito dificilmente ias buscar alguém com capacidade para o substituir!

Continuando no âmbito da resposta anterior, sim, estamos a pagar a fatura disso. O caso do ataque é o mais paradigmático. Por vezes quero poupar o Leonardo Brandão, mas o Flávio Silva está constantemente lesionado, e quando não está, está a recuperar ritmo e não rende.

Na defesa tenho tido lesões recorrentes que obrigam a sobrecarregar os mesmos. No meio-campo só menino Dino Leão tem cumprido razoavelmente no aspecto da rotação, os restantes médios (incluindo os avançados interiores) quando são chamados ficam uns furos abaixo.

Não gosto de apontar dedos, mas não é por acaso que a equipa tem perdido pontos nas segundas partes. Chega a altura de rodar devido ao cansaço dos titulares e... nota-se a diferença. Mas não posso não o fazer e correr esse risco, caso contrário os desgraçados começam a lesionar-se e ainda é pior.

No verão terei de fazer umas alterações. Alguns dos meninos precisam de fazer uma época noutros lados para crescerem e confirmarem se têm potencial para estas andanças.

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Capítulo XXVII - A Luz do farol

 

Navegar em alto mar é uma das experiências mais aterradoras que um homem pode experienciar. Deslizar na vastidão ilimitada do oceano sem nada à vista além de duas tonalidades de azul que convergiam na linha de horizonte, sujeitos aos caprichos da mãe natureza sem escapatória possível. Como é que aqueles homens conseguiam suportar o medo e manter a sanidade?

Frodo Zarco lembrava-se com regularidade das descrições feitas pela sua velha professora de História, há tanto tempo que por vezes parecia ter sido noutra vida. Como estaria ela? Ainda estaria entre nós? Lembrar-se-ia dele? Talvez ainda se lembrasse dele, sentado numa das mesas do fundo da sala a falar para os lados, atrapalhando a aula e obrigando-a a recriminá-lo por não prestar atenção. Sim, talvez ela ainda se lembrasse dele.

Ela lia descrições de marinheiros que avançavam pelo mar em busca de terras incógnitas. Encafuados em pequenas embarcações de madeira, pequenas cascas de noz na vastidão do oceano dançando ao sabor das correntes marítimas e rangendo sob as rajadas de vento que as propulsionavam rumo ao desconhecido.

No entanto, como qualquer marinheiro o poderá dizer, pouco havia de mais perigoso do que ser apanhado por uma tempestade junto à linha de costa. Ser atingido por vagas que levavam os navios a aproximarem-se perigosamente das escarpas replectas de rochas afiadas ou de formações rochosas que se escondiam imediatamente abaixo da superfície. Quantas vidas não se perderam em naufrágios com terra à vista, a salvação ali tão perto e no entanto tão longe...

Ele lembrava-se regularmente destas histórias e elas acompanharam-no em vários momentos da sua vida. É claro que nada do que ele fizera em vida era sequer remotamente perigoso por comparação ao que esses bravos homens experienciaram. Mas as analogias não têm de ser literais, pois não?

 

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O Amora defrontava o Porto na Meia-Final da Final Four da Taça da Liga

 

O mês de Janeiro de 2025 estava a chegar ao seu final. Foi um mês duro para o jovem plantel amorense. O duelo da meia-final da Taça da Liga seria o sexto jogo do mês, completando um ciclo infernal iniciado a 08 Dezembro com jogos a cada quatro dias - o Porto seria o décimo segundo adversário do Amora num espaço de cinquenta e dois dias [uma parte deste ciclo de jogos já incluído no último Capítulo XXVI - O Cavaleiro da Bola Redonda].

Se doze jogos em pouco mais de mês e meio já é duro até para equipas de topo, com outro tipo de recursos e alternativas, imagine-se para um plantel jovem como o do Amora. Vários jogadores estavam exaustos e já mal treinavam. O parco tempo entre jogos era dedicado à recuperação muscular dos atletas, alguns deles geridos com pinças por Frodo Zarco de tão espremidos fisicamente se encontravam. Foi até obrigado a chamar à equipa principal alguns jovens dos Sub23, conforme as necessidades e as indisponibilidades.

O calendário apertado deste período de passagem de ano deveu-se a acertos de calendário pela prestação do Amora nas Taças. E falando em Taças, não ajudou que os jogadores fossem forçados a novo prolongamento nos Oitavos-de-Final da Taça de Portugal.

 

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O Amora foi obrigado a horas extra para eliminar o Nacional e voltar a repetir presença nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal...

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... onde voltaria a cair aos pés do Vitória SC

 

Quiseram os deuses do futebol que o Amora voltasse a encontrar o Vitória SC nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal, tal como acontecera há um ano, embora desta vez em Guimarães. Era uma nova hipótese de o Amora bater o seu melhor registo histórico na prova chegando, por fim, às Meias-Finais... mas a equipa foi curta para esse sonho.

O desgaste acumulado e as lesões obrigaram o Amora a uma acentuada rotação em vários jogos, chegando a actuar com jovens como Thierry Soares ou Théo Lameira como alternativas ao exausto Leonardo Brandão e ao lesionado Flávio Silva. Os meninos até surpreenderam Frodo Zarco: Théo Lameira estreou-se a marcar na Primeira Liga [deixarei essa história para os habituais prints em spoiler no final do Capítulo] e Thierry Soares não só marcou uma das penalidades no desempate contra o Nacional, como enviou uma bola à trave nos descontos em Guimarães, quase levando o jogo para prolongamento.

O navio do Amora ia navegando nas revoltas águas da Primeira Liga, mas a tarefa não estava a ser fácil. Os seus tripulantes viviam a sua primeira experiência em alto mar e as tempestades não lhes davam tréguas. O Amora mantinha-se acima da linha de água à custa de muito sacrifício da sua tripulação, que fazia o seu melhor por mantê-lo à tona.

 

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Uma fase complicada sem qualquer vitória conquistada...

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... que deixava o Amora mais próximo da linha de água

 

Restava prosseguir caminho até porto seguro.

O mês de Janeiro significou também a abertura do mercado de inverno. A imprensa foi implacável para com o Amora e relatou o interesse de vários clubes em jogadores do plantel, em especial Leonardo Brandão. No entanto, a única saída registada neste período foi inesperada e tão súbita que até Frodo Zarco foi apanhado de surpresa.

O guarda-redes David Grilo fazia parte do Amora desde o primeiro dia do Projecto Oásis - como a imprensa passou a apelidar o plano de Frodo Zarco e Bilbo Himura. Foi titular durante a maior parte dos três anos e meio que passou na Medideira, sendo pedra basilar na conquista da Liga 3 em 2022 e da Segunda Liga em 2024.

Perdendo espaço com a entrada de Luiz Felipe, era ainda assim uma figura respeitada no universo amorense e assumiu com qualidade a titularidade nos jogos das Taças. Foi com ele que o Amora chegou à Final Four da Taça da Liga e seria com ele que o Amora iria disputar a Meia-Final contra o Porto.

No entanto, estava no último ano de contrato e o histórico Salgueiros, da Liga 3, apresentou uma proposta para o levar de imediato. Oa responsáveis do Amora preferiam continuar a contar com ele até final da temporada, talvez dar-lhe a justa recompensa de jogar na Primeira Liga se o Amora conseguisse em algum momento estar mais tranquilo na tabela... mas o jogador revelou a sua intenção de aceitar a proposta do Salgueiros e sair no imediato, e, sendo esse o seu desejo, restou a Frodo Zarco desejar-lhe toda a sorte do mundo no seu novo desafio.

Quem sabe os caminhos de Amora e David Grilo não se voltam a cruzar um dia? Preferencialmente com o regresso do saudoso Salgueiros ao escalão-mor do futebol nacional. A Medideira estará sempre aberta e disponível para receber os seus heróis e David Grilo, indubitavelmente, é-o.

Até um dia, herói.

 

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Leonardo Brandão era um dos mais badalados jogadores do Amora...

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... mas algo surpreendentemente, foi David Grilo a única baixa no plantel do Amora

 

Foi portanto sem David Grilo e com Luiz Felipe na baliza que o Amora se apresentou no Estádio da Luz para defrontar o Porto de Roberto Mancini.

Quando as equipas subiram ao relvado, o cenário com que se depararam era... caricato, para dizer o mínimo. O Estádio da Luz, a Catedral do Sport Lisboa e Benfica, estava quase cheia, sim, mas quase integralmente de azul! Havia uma mancha bem definida com cerca de dez mil amorenses na bancada norte, mas a maioria dos presentes eram portistas. Frodo Zarco nem sabia bem o que pensar daquilo. Nunca, em momento algum, imaginou ver o Estádio da Luz transformado na casa do Futebol Clube do Porto!

Jogando em casa - até escrever isto é confuso - o Porto assumiu as despesas do jogo e reteve o Amora na sua defensiva nos minutos iniciais. A gestão de Frodo Zarco nas últimas semanas surtiu efeito e o Amora apresentava em campo a sua equipa de gala, incluindo os centrais António Silva e Isaac Monteiro, dupla que poucas vezes pôde jogar em simultâneo ao longo da época devido a lesões e rotações. A equipa estava coesa em campo e ia lidando com o inicial ímpeto portista, recuperando aos poucos o equilíbrio de jogo.

Foi já numa fase em que a equipa respirava que surgiu a primeira ocasião de golo do jogo. Thierry Correia, lateral esquerdo dos dragões, lançou Luis Diaz em velocidade e o extremo colombiano ganhou as costas de Diogo Travassos. António Silva saiu na dobra e ficou sem rins tal o nó cego que Diaz lhe pregou. Isolado perante Luiz Felipe, marcou o primeiro golo do jogo.

O Amora nunca recuperou verdadeiramente deste primeiro golo e passou o resto do primeiro tempo a tentar sobreviver - ou como Frodo Zarco pensava naquele tempo, iam tentando suportar a borrasca mantendo o navio à tona enquanto se agarravam ao que estivesse mais à mão para não serem lançados borda fora.

Felizmente o intervalo chegou - não sem antes terem um segundo susto com o golo de Poulsen, anulado pelo VAR por fora-de-jogo. Frodo Zarco procurou animar os seus grumetes. Tinham suportado a pior fase daquela tempestade. Era agora hora de erguer as velas e navegar. Não era nada que já não tivesse acontecido: aquele era o terceiro jogo contra o Porto e nos dois anteriores o Amora recuperou de desvantagens para conquistar meritórios empates aos dragões.

 

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No início da temporada, o Amora forçou um empate na Medideira (ver Capítulo XXIV - O lago dos tubarões)...

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... e já na segunda volta, neste mês de Janeiro, recuperou de uma desvantagem de dois golos em pleno Estádio do Dragão

 

Os adeptos do Amora, honra lhes seja feito, sempre acreditaram. Mesmo nos momentos mais negros da primeira parte, nunca lhes faltou a voz. O seu apoio foi fulcral para recordar à equipa que não estavam sós. No entanto, nem eles acreditariam que os seus jogadores entrassem tão assertivos na segunda parte. Parecia outro jogo! O Amora tirou a bola ao Porto e fez-lhes o mesmo que sofreram na primeira parte.

Apesar de a bola circular maioritariamente entre os homens da Margem Sul, criar oportunidades de golo era todo um outro filme. O Porto de Roberto Mancini era uma equipa sólida defensivamente, a melhor defesa da Primeira Liga com apenas dezassete golos sofridos em vinte e três jogos. Não era qualquer equipa que conseguia criar perigo à baliza à guarda de Marchesín, quanto mais marcar-lhes golos.

No entanto, o Amora era uma dessas equipas, ou não fossem quatro desses dezassete golos precisamente marcados pelos comandados de Frodo Zarco.

Por volta do oitavo minuto da segunda parte, Lucas Silva deu início a um lance ofensivo pela esquerda, como tantas vezes eram iniciados os lances ofensivos do Amora. Combinou com Papou Mendes, que deu no farol do ataque, Leonardo Brandão. O menino Léo, que era agora um homem feito, atraiu a atenção sobre si de tal forma que os defesas se esqueceram de Joca.

Lançado em profundidade, o capitão Jorge Monteiro, Joca no mundo do futebol e para os amigos, isolou-se na cara de Marchesín e fez aquele que será, quase indiscutivelmente, o golo mais importante da sua carreira.

 

 

Joca correu na direcção dos adeptos e celebrou com a imensa massa humana que se precipitou sobre as primeira filas de cadeiras, celebrando com o seu capitão que um dia foi menino e começou a jogar no Campo n°2 da Medideira, cresceu e tornou-se homem jogando pela equipa principal do clube da sua terra.

Mais de vinte anos ostentando o símbolo do Amora ao peito. Subiu com o clube desde os campeonatos distritais até à Primeira Liga. Marcou o golo do Amora na primeira Meia-Final de uma Taça da história do clube.

Os deuses do futebol não deixam os seus créditos por mãos alheias.

O golo apanhou o Porto de surpresa e o jogo tornou-se... entediante não será o termo, até porque era intensamente disputado, mas era-o longe das balizas. A injecção de moral dada pelo golo de Joca proporcionou ao Amora um ligeiro ascendente sobre o Porto, permitindo que fosse o conjunto da Margem Sul a ter mais tempo a bola do que o contrário.

O tempo avançava inexoravelmente sem que o marcador mexesse. Os adeptos estavam a ficar nervosos nas bancadas. Os bancos levantavam-se em todos os lances divididos, contestando cada decisão da arbitragem.

Aproximava-se o minuto 90.

Frodo Zarco estava exausto de tanto correr e a ficar ligeiramente afónico de tanto gritar. Promovera já algumas alterações na sua equipa, mas ainda tinha uma das cinco permitidas por fazer. Ponderava seriamente se valeria a pena esgotar as substituições para lançar alguém que pudesse marcar uma das penalidades do desempate. Observou os seus suplentes, constatando que já ninguém aquecia. Não os censurava - quem conseguiria naquela altura concentrar-se em algo que não nos desenvolvimentos do jogo?

Conforme as estatísticas confirmariam, o Amora teve mais posse de bola que o Porto, mas foram estes quem visou mais vezes a baliza alheia. A diferença de qualidade individual permitia isso mesmo: no meio do novelo que enredava as duas equipas a meio-campo, era o Porto quem descobria mais vezes como desatar o nó para atacar a área adversária. Jogadores como Luis Diaz, Fábio Vieira e Romário Baró encontravam quase por instinto formas de fazer fluir o jogo.

Estes três descobriram esse espaço e deixaram Evanilson com a bola controlada em zona frontal, a uns vinte metros da baliza. O brasileiro não hesitou e disparou. Estavam decorridos oitenta e oito minutos de jogo.

Luiz Felipe estirou-se para a sua direita.

Há momentos na vida de qualquer adepto que deixam feridas profundas que nunca vão sarar. Passados muitos meses, anos ou até décadas, a simples menção desses momentos faz-lhes estremecer o coração. Pergunte-se a um adepto do Bayern pelo período de descontos da final da Liga dos Campeões de 1999, aos benfiquistas pelo minuto 91 do jogo no Dragão em 2012 ou aos sportinguistas pelo minuto 74 da final da Taça UEFA em 2005.

Enquanto o cenário caricato do Estádio da Luz a festejar um golo do Porto se repetia, Frodo Zarco sentiu a sua cabeça esvaziar, como se estivesse em queda livre. Viu de relance alguns dos seus jogadores caírem no relvado, desesperados. Nas bancadas havia pessoas a chorar, literalmente com lágrimas a brotar dos olhos e a escorrer livremente pelas suas faces.

Depois de suportar a tempestade da primeira parte, o Amora conseguira definir um rumo certo em direcção a porto seguro - já viam até a luz do farol que marcava a sua presença! Tudo isto para serem atingidos por uma última e inesperada borrasca já junto à costa, tão perto do destino, lançando-os contra os rochedos e para um inevitável naufrágio.

Daí a muitos anos, Frodo Zarco revelaria que aquele momento fora um dos piores da sua carreira. Tão perto, mas tão longe.

 

 

O Porto avançou para a Final da competição, na qual defrontou o vencedor da outra Meia-Final em que o Benfica eliminou o Vitória SC. Jogada no Estádio da Luz, desta vez com maioria de benfiquistas nas bancadas, saldou-se na vitória do Porto, que assim venceu a competição.

Ao Amora restava a vitória moral de ter alcançado uma fase tão adiantada de uma prova nacional pela primeira vez na sua história. Reflexo do trabalho da Direcção, da equipa técnica e principalmente dos jogadores, deixando antever coisas boas para o futuro.

Mas naqueles momentos entre o golo de Evanilson, o apito final do árbitro e as horas seguintes, não havia pensamento que amenizasse a frustração e a tristeza que preenchia o coração dos amorenses.

 

 

Em spoiler os jogos que marcaram este período e notas relativas aos mesmos

 

Isto foi um ciclo tremendo e julgo que nem consigo explicar por palavras o quão difícil foi. Não repeti nenhum onze inicial de um jogo para o seguinte. Em todos tinha pelo menos três ou quatro jogadores abaixo dos 90% de condição física e os restantes não chegavam aos 100%.

Como consequência, iniciei vários jogos com três a quatro alterações ao onze habitual, o que gerou uma variação engraçada na marcha do marcador nos jogos disputados em relação ao que mostrei no último capítulo.

 

 

A deslocação a Barcelos marcou o início da segunda volta - na primeira volta não defrontámos o Sporting, cujo jogo foi adiado por causa da Taça da Liga.

Como talvez ainda se recordarão, o Flávio Silva lesionou-se no penúltimo jogo do último capítulo. O Leonardo Brandão teve de assumir a titularidade nesta fase apesar de estar exausto - a própria equipa técnica alertou-me para isso - e promovi o jovem Théo Lameira, de 17 anos, dos Sub23. Tem sido o melhor marcador da nossa equipa jovem.

A meio da segunda parte sofremos o 2-0 numa fase em que o jogo podia cair para qualquer lado. Lancei em campo alguns dos titulares poupados (Gabriel Capixaba e Martim Watts) e o puto Théo Lameira (antes que o menino Léo colapsasse em campo).

Foi um momento de viragem no jogo e ainda sacámos o empate precisamente com golos de dois dos recém-entrados. Infelizmente não deu para mais e o puto, num dia que seria para recordar para sempre pois estreou-se a marcar como profissional, lesionou-se também no período de descontos.

Isto obrigou-me a promover o suplente dele nos Sub23, o Thierry Soares, também de 17 anos...

 

 

... e também o menino deu uma resposta à altura, concretizando uma das penalidades.

Confesso que para este jogo pensei "opah, que se lixe, se perdermos, perdemos". O adversário é da Segunda Liga. Era jogo de Taça de Portugal, decidi que era o menos importante desta fase e lancei em campo muitos dos habituais suplentes.

Estivemos a perder. O Leonardo Brandão empatou pouco antes de sair, lancei alguns titulares ao longo da segunda parte para tentar resolver isto sem prolongamento... mas lá tivemos de fazer mais meia hora de futebol e esfumou-se a ideia de poupar os habituais titulares, que assim acabaram por fazer mais tempo do que pretendia.

Foi a segunda vitória no desempate por penalidades nesta edição da Taça de Portugal, podemos considerar-nos sortudos por chegar aos Quartos-de-Final. De notar que assim igualámos as melhores prestações de sempre do Amora na Taça: a de 1993 por Jorge Jesus e a do ano passado.

 

 

Três dias depois de jogarmos 120 minutos, recebemos o Santa Clara. Como poderão imaginar, nova rotação acentuada da equipa e com uma novidade: Flávio Silva estava de volta!

Infelizmente, lesionou-se outra vez...

Foi um jogo sem grande história, interesse ou oportunidades. Quem o tiver visto no estádio há de ter dado por mal empregue o seu tempo e quem estivesse a vê-lo pela televisão deve ter passado metade do tempo a fazer zapping.

 

 

Não fosse o jogo da Taça da Liga, este seria o destaque deste capítulo.

Fomos ao Dragão cinco dias depois da recepção ao Santa Clara e isso permitiu-nos colocar uns remendos nos nossos jogadores e apresentar um onze competitivo. Tivemos mais posse de bola que o Porto, aliás foi um jogo quase igual ao da Taça da Liga: nós a manietar o Porto tirando-lhes a bola, mas incapazes de furar consistentemente a defesa do Porto (que é mesmo muito boa) e a levar transições rápidas das motas Luis Diaz e Francisco Conceição.

O Poulsen colocou o Porto a vencer por dois golos (e na altura foram os únicos remates do Porto, 100% eficácia), mas tivemos uma óptima reacção e chegámos ao empate. Na fase final o Odailson foi expulso e tivemos de recuar linhas e aguentar um forcing final algo intenso.

Saímos vivos do Dragão, naquela que foi a primeira deslocação ao estádio de um grande para a Primeira Liga esta época.

 

 

Dias depois, tivemos a segunda deslocação a casa de um grande. O jogo em Alvalade foi algo semelhante ao do Dragão, apenas com maior equilíbrio na posse de bola.

O Tiago Tomás é o homem-golo do Sporting e abriu cedo o activo. Não voltou a mexer. Não saímos envergonhados, mas zero pontos são zero pontos.

 

 

Conforme referido, voltámos a defrontar o Vitória SC nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal. E saímos deste jogo tão frustrados como no da Taça da Liga.

Fizemos uma fantástica exibição. A equipa teve futebol envolvente, troca de bola rápida, mudanças de posição... deu para ver uns lampejos daquilo que o Amora poderá ser quando os meninos estiverem mais à vontade a jogar a este nível.

O Vitória chegou à vantagem de forma injusta em mais um jogo que poderia ter caído para qualquer lado e depois ainda marcou o segundo contra a corrente do jogo. Corremos atrás do prejuízo na segunda parte, o golo estava anunciado mas só caiu aos 88 minutos.

Ainda tivemos tempo para um último assalto ao castelo e o Thierry Soares acertou na trave no nosso último lance ofensivo, mas foi o Vitória a prosseguir.

Voltámos a estar próximo de fazer história, mas terá de ficar para o ano.

 

 

De regresso ao campeonato, recebemos o Marítimo para um jogo tirado a papel-químico do da primeira volta. Tivemos ascendente sobre o adversário, eles marcaram em contra-ataque e só salvámos o empate com um golo tardio do Tiago Louro. Um senhor golaço do menino internacional sub21, diga-se (julgo que foi o primeiro).

 

 

E por fim, na deslocação à Feira tive de rodar imenso porque, bem, seguia-se a Final Four da Taça da Liga. Isso notou-se na marcha do marcador. Apesar de ser o lanterna-vermelha da Primeira Liga, o Feirense adiantou-se no marcador.

Lancei, como noutros jogos recentes, alguns titulares na segunda parte e chegámos ao empate. O Feirense voltou à dianteira e nós voltámos a empatar. Saímos da Feira com mais um empate. Somos a equipa do empata.

Como puderam perceber, no capítulo anterior a norma era começar a ganhar e sofrer na segunda parte, neste foi o contrário. A explicação que encontro é que até aqui entrava com o onze titular e rodava na segunda parte, enquanto agora tenho de rodar no onze e vou lançando o resto do onze titular na segunda parte, pelo que é nesta fase que vamos para cima dos adversários.

Estamos mais próximos da linha de água, mas não estou preocupado. Atravessámos a tempestade que foi este período com muitos jogos. Daqui em diante só temos o campeonato, à partida dará para recuperar melhor os jogadores e normalizar as nossas prestações.

Editado por Black Hawk
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boa réplica contra o Porto. Na Liga, fase complicada e a vida não está fácil. Vamos concentrar ao máximo na manutenção.

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Isso é muito jogo em 52 dias, parece Inglaterra e depois abre o mercado e é tudo a tentar levar os teus melhores elementos...a coisa assim fica muito complicada. Acabou por ser uma serie menos boa mas também com muito advesario dificil.

Contra o Porto de Mancini, já muito fizeste tu nos dois jogos do campeonato. Teria sido um brinde chegar a final da Taca da Liga depois de saires nos quartos da de Portugal, mas o Porto era a melhor equipa e saiste de cabeca erguida!

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Comecando a acompanhar, vou ler as ultimas paginas e dar feedback.

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É preciso melhorar na liga porque senão a situação vai ficar má.

Na Taça deste uma boa réplica e a equipa tem de ficar orgulhosa disso.

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Excelentíssima réplica na meia final da Taça da Liga, perante o Porto. Deste muita luta e dificultaste a vida aos dragões!

Infelizmente, para o campeonato, as coisas estão a ficar um pouco mais negras, isto porque nesta série de jogos, não conseguiste vencer nenhum dos adversários (pese embora o empate a duas bolas no Dragão). Faltam 12 jornadas para o término do campeonato e as contas vão ser bem durinhas! Terás que encontrar a melhor versão da equipa, caso contrário vai ser uma luta intensa até ao fim. Eu acredito na manutenção 😉 

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Citação de cadete, Em 04/05/2022 at 18:35:

boa réplica contra o Porto. Na Liga, fase complicada e a vida não está fácil. Vamos concentrar ao máximo na manutenção.

Terá de ser, é o que nos resta. E é para conseguir o mais cedo possível.

Citação de Burkina2008, Em 04/05/2022 at 19:04:

Isso é muito jogo em 52 dias, parece Inglaterra e depois abre o mercado e é tudo a tentar levar os teus melhores elementos...a coisa assim fica muito complicada. Acabou por ser uma serie menos boa mas também com muito advesario dificil.

Contra o Porto de Mancini, já muito fizeste tu nos dois jogos do campeonato. Teria sido um brinde chegar a final da Taca da Liga depois de saires nos quartos da de Portugal, mas o Porto era a melhor equipa e saiste de cabeca erguida!

Saí foi com um melão... A dois minutos do final, com as penalidades em perspectiva, cair assim foi o pior que me podiam ter dado. Alimentou-se a esperança apenas para a tirarem no final...

Citação de Ticampos, Em 05/05/2022 at 05:49:

Comecando a acompanhar, vou ler as ultimas paginas e dar feedback.

Qualquer coisa, chuta!

Citação de Banks29, Em 05/05/2022 at 10:38:

É preciso melhorar na liga porque senão a situação vai ficar má.

Na Taça deste uma boa réplica e a equipa tem de ficar orgulhosa disso.

💪

Citação de Martini Branco, há 20 horas:

Excelentíssima réplica na meia final da Taça da Liga, perante o Porto. Deste muita luta e dificultaste a vida aos dragões!

Infelizmente, para o campeonato, as coisas estão a ficar um pouco mais negras, isto porque nesta série de jogos, não conseguiste vencer nenhum dos adversários (pese embora o empate a duas bolas no Dragão). Faltam 12 jornadas para o término do campeonato e as contas vão ser bem durinhas! Terás que encontrar a melhor versão da equipa, caso contrário vai ser uma luta intensa até ao fim. Eu acredito na manutenção 😉 

Por acaso foi o que comentei lá para trás, não estou preocupado, parece-me que já temos qualidade qb para alcançar a manutenção. Mas sei lá, isto no mobile às vezes é meio aleatório, de repente caem sequências de resultados sem alerta prévio...

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Citação de El Shafto, Em 26/04/2022 at 14:24:

vou já deixar a aposta mordaz que acredito em futebol europeu no fim da época.

lol

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Capítulo XXVIII - O avançado móvel

 

Uma equipa jovem entra em campo. A partida começa e os jogadores dão o seu melhor. Até o olhar mais leigo é capaz de identificar aqueles que mais se destacam. "Aquele miúdo vai dar craque!", dizem algumas vozes quando um dos jovens talentos espalha magia no terreno de jogo, fintando adversários, fazendo assistências ou marcando golos. E por vezes acertam em cheio, pois há miúdos cujo talento é tão evidente que não passa despercebido até aos mais distraídos.

O futebol, no entanto, é uma modalidade complexa. Há imensas variáveis que interferem na evolução de um jovem jogador e que vão influenciar o rumo da sua carreira. Quantas vezes jovens talentos a quem todos adivinhavam futuros dourados na modalidade não se perdiam por algum motivo? E outros que passavam meio despercebidos pelos escalões de formação cresciam para construir sólidas carreiras internacionais?

A habilidade de prever com elevado grau de certeza o futuro de um jovem jogador é um dom. Nem todos o têm e, por esse motivo, ele é tão valorizado no mundo do futebol.

"Isto é como as melancias", ouvira uma vez Frodo Zarco de um seu treinador. "Por fora podem ser bonitinhas, mas só depois de a abrires é que sabes se é boa".

Frodo Zarco não dominava a arte de adivinhar a qualidade de uma melancia - em boa verdade nem era grande apreciador dessa fruta -, mas não deixava de reconhecer a perspicácia da analogia. Conhecera muitos jovens jogadores ao longo da sua carreira de futebolista e tivera a sua quota parte de surpresas e desilusões. Miúdos que aparentavam serem talentos deliciosos e que no final não passavam de fogo de vista, enquanto outros afinal tinham imenso sumo escondido no interior de uma casca cujo aspecto nunca chamara a atenção.

 

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Fábio Paim foi talvez o exemplo mais evidente de um jovem talento que não se concretizou...

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... no espectro contrário, N'Golo Kanté passou relativamente despercebido ao radar dos grandes clubes enquanto jovem, explodindo tarde para o futebol internacional

 

Não sendo dado a grandes filosofias, Frodo Zarco tinha o seu próprio método para tentar adivinhar a capacidade de um jovem jogador singrar no futebol profissional. Ao longo da sua carreira apercebeu-se que o à-vontade demonstrado por um jovem jogador quando treinava ou jogava entre os profissionais era um indicador bastante revelador do seu potencial. Quando via um miúdo entrar em campo e jogar sem receios, com naturalidade, como se estivesse a jogar uma peladinha num descampado com os amigos, tinha a sua confirmação de que havia ali material para explorar. Por outro lado, por muito bom de bola que um jovem fosse, se demonstrasse dúvidas e hesitações na hora de jogar, Frodo Zarco torcia o nariz de imediato.

Afinal de contas, de que serve um jogador ter imensa qualidade técnica se depois a cabeça os impede de lhe dar bom uso? "Não queremos artistas de circo, queremos jogadores de futebol", confidenciava ele aos seus botões sobre estes jogadores.

Ao longo do seu trajecto como treinador, Frodo Zarco lançou diversos meninos na equipa principal do Amora e baseou-se no seu método de avaliação para as suas apostas. Mais vezes do que o contrário, acertou nas suas previsões. Martim Watts e Papou Mendes eram hoje os donos do meio-campo do Amora; Leonardo Brandão era o goleador da equipa; Isaac Monteiro assumiu-se como líder da defesa; Odailson e Tiago Louro dividiam já a titularidade nas alas com os mais experientes Diogo Travassos e Lucas Silva. Alguns deles levaram o seu tempo a conquistar o seu lugar no onze, mas notava-se que eventualmente o fariam com naturalidade.

 

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Martim Watts foi uma das primeiras apostas de Frodo Zarco[print do perfil no princípio da temporada]

 

O jovem internacional sub21 Martim Watts foi o caso mais paradigmático desta metodologia. O menino foi integrado no plantel principal do Amora em Janeiro de 2023 com apenas 17 anos. Frodo Zarco recordava-se de o ver no canto do balneário no primeiro dia, em silêncio, tímido e envergonhado. O plantel subiu ao relvado, a bola começou a rolar e, de repente, aquele menino tímido e envergonhado transfigurou-se: conduzia a bola com personalidade, movimentava-se para oferecer linhas de passe e não tinha receios em arriscar execuções mais complexas.

Por norma, era um sinal de que aquela melancia ocultava um bom interior.

Outros acabaram por não o conseguir, claro está. Não era um método infalível. Jogadores como Diogo Rosete (agora emprestado ao Leiria) ou Gustavo Pinto (transferido para a Académica) tinham talento, mas não demonstraram esse à-vontade pelo qual Frodo Zarco se guiava. Abas Djaló e Armando Cristóvão, ambos na equipa principal do Amora, mereciam ainda a confiança do treinador, mas a tendência para se esconderem do jogo ou optarem pela solução mais fácil, não assumindo qualquer risco nas suas acções, fazia-os perderem espaço nas suas escolhas.

Havia, porém, um caso que intrigava Frodo Zarco.

 

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O perfil de Jéferson Araújo Santos no início da temporada

 

O avançado móvel Jéferson chegou ao Amora com apenas 17 anos de idade. Aproveitando ter família residente na Margem Sul, atravessou o Atlântico na expectativa de triunfar no futebol europeu. Calhou treinar primeiro à experiência no Amora e Frodo Zarco precisou de ver apenas um dos seus treinos na equipa de júniores para o indicar a Bilbo Himura. O menino não saiu da Medideira sem ter contrato assinado e ser integrado na equipa Sub23.

Cumpriu um ano completo pela formação jovem do Amora e todos impressionava pela qualidade técnica aliada à sua robustez física, que lhe permitiam vencer duelos individuais com adversários mais velhos e entroncados. Foi ao longo do ano o espalha-brasas da equipa e o seu melhor marcador, conquistando com isso a promoção à equipa principal do Amora para a primeira época destes na Primeira Liga em mais de quatro décadas.

A descomplexidade com que Jéferson tratava a bola nos treinos e a naturalidade com que actuava durante os jogos deixava água na boca. O menino não tinha medo de partir para cima dos adversários ou de arriscar um passe de ruptura ou até de visar a baliza. Havia ali material... mas ao fim de meia época, continuava a não se destacar. A bola não entrava na baliza; os passes de ruptura, embora meritórios, não encontravam os seus colegas.

Havia ali um bloqueio qualquer que o estava a impedir de se afirmar e Frodo Zarco, enquanto seu treinador, ficava frustrado por não o conseguir desbloquear. Ainda assim, Jéferson lembrava-o de Martim Watts, que passara por algo semelhante - o menino cumpriu quase um ano na equipa do Amora até finalmente registar os seus primeiros golo e assistência (ver Capítulo XVII - Unidade de potência). Continuava a dar moral a Jéferson, expressando a sua confiança no menino, sabendo que por vezes basta um pequeno click para o talento jorrar e o perfume do futebol espalhar-se pelo terreno de jogo.

Os meses passaram e Jéferson chegou ao final de Dezembro com dezoito participações em jogos do Amora. O talento do menino era por todos reconhecido, mas o momento de afirmação ainda não tinha surgido.

E também não iria surgir no mês de Janeiro de 2025.

 

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Jéferson foi convocado para representar o Brasil no Sudamericano Sub20

 

À entrada de 2025, o Amora foi informado da convocatória de Jéferson para a selecção do Brasil que disputaria o Sudamericano Sub20.

A competição consiste em duas fases de grupos. Na primeira fase há dois grupos de cinco equipas que jogam entre si, apurando-se as três melhores de cada grupo para uma fase final de seis equipas. Nesta fase final, jogam novamente todas entre si e a melhor sagra-se campeã sul-americana, apurando-se ainda os representantes da América do Sul para o próximo Campeonato do Mundo de Sub20.

Frodo Zarco recebeu a notícia com sentimentos contraditórios. Por um lado, era uma excelente oportunidade para Jéferson brilhar numa competição mediática. Por outro lado, a convocatória chegava em péssima altura para o Amora. Aproximava-se um ciclo terrível que levaria o maior da Margem Sul a defrontar equipas como o Porto e o Sporting para a Primeira Liga, bem como os Quartos-de-Final da Taça de Portugal e a Final Four da Taça da Liga (ver Capítulo XXVII - A Luz do farol).

E assim Jéferson viajou para o outro lado do Atlântico para envergar a camisola canarinha, cumprindo um sonho de qualquer jogador - representar a selecção nacional do seu país.

 

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O Brasil sagrou-se campeão sul-americano de Sub20...

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... com Jéferson a ser um dos poucos jogadores a disputar os nove jogos da competição...

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... contribuindo com três assistências para o título dos canarinhos

 

Foi por isso sem Jéferson que o Amora atravessou o mês de Janeiro (ver o capítulo anterior, citado uns parágrafos acima), acabando por ser eliminado de ambas as Taças e vendo a diferença para a linha de água reduzir-se para apenas dois pontos.

O expectável apuramento do Brasil para a Fase Final da prova confirmou-se e Jéferson continuou a espalhar magia em relvados sul-americanos enquanto o Amora prosseguia a sua viagem pelos mares revoltos da Primeira Liga, agora sem provas paralelas como factor de distracção daquele que era indubitavelmente o grande objectivo da temporada.

Era essencial obter resultados imediatos para fugir ao espectro da despromoção.

 

 

Ultrapassadas as feridas da dolorosa eliminação da Meia-Final da Taça da Liga no final do jogo, o Amora voltou à sua luta. O primeiro adversário que lhe saiu ao caminho foi um velho conhecido da Segunda Liga. Tal como o Amora, o Penafiel conquistou a promoção à Primeira Liga na época anterior e fazia uma temporada na mesma linha do maior da Margem Sul, oscilando ao sabor das marés nos lugares intermédios da tabela classificativa.

A recepção aos penafidelenses ocorreu no Estádio do Restelo, já há algum tempo casa emprestada do Amora para os seus jogos caseiros [nota adicional: pequena liberdade criativa da minha parte]. Os adeptos amorenses continuaram a marcar presença em força no apoio à sua equipa e ajudaram o Amora a construir uma tranquila vitória - a primeira no ano 2025.

Apenas três dias depois, um desfalcado Amora recebeu o Braga em Belém. O plantel continuava a ser gerido com pinças por Frodo Zarco e foram vários os habituais titulares deixados de fora, demasiado exaustos para serem opção válida para um jogo em que o Braga aproveitou para dominar e vencer merecidamente.

A deslocação a Vizela já contou com um Amora mais próximo do seu aspecto habitual. Frente a frente estavam duas equipas algo aflitas na tabela, não sendo incomum que nestes jogos houvesse pouco risco e mais suor do que nota artística... mas tanto Álvaro Pacheco como Frodo Zarco são treinadores que valorizam o futebol e assistiu-se a uma belíssima partida, acabando o empate por se ajustar a um jogo de belo espetáculo ofensivo.

Os quatro pontos conquistados pelo Amora em nove dias permitiu aos azuis da Margem Sul respirar um pouco melhor, e foi com este cenário que Jéferson, regressado de Terras da Vera Cruz, se deparou à chegada ao Centro de Treinos do Serrado.

Infelizmente, chegou também na véspera do jogo seguinte, assistindo na tribuna do Restelo a um jogo que poderá ter sido decisivo para o futuro do Amora na Primeira Liga.

 

 

O Portimonense é uma das boas equipas da Primeira Liga. Instalados confortavelmente na metade superior da tabela, estando inclusivamente a bater à porta dos lugares de apuramento para as competições europeias, os alvinegros treinados por Paulo Sérgio são uma equipa consistente, registando-se simultaneamente entre os melhores ataque e defesa.

Ainda assim, o Amora dominou largamente a primeira metade do jogo. Jéferson viu da bancada os seus companheiros de equipa chegarem à vantagem e saírem para o intervalo a vencer sem permitir qualquer veleidade aos algarvios, dando toda a ideia que a equipa estava bem encaminhada para uma vitória tranquila.

Nada podia preparar os amorenses para o pesadelo que foi a segunda parte.

Alguns adeptos ainda nem se tinham sentado quando Papou Mendes se deixou levar pelo arrebatamento sentido, entrando impetuosamente sobre um adversário e cometendo uma falta grosseira a meio-campo. O árbitro não teve dúvidas e, apesar dos protestos de todos os presentes, exibiu a cartolina encarnada ao médio luso-guineense. O Amora teria de disputar toda a segunda parte com menos uma unidade.

Foram quarenta e nove minutos de nervos à flor da pela. A equipa redobrou os esforços no terreno e procurou compensar a inferioridade numérica com abnegação. Jéferson, tal como todos os presentes nas bancadas do Restelo, festejou cada conquista de bola, cada intercepção, desarme e recuperação, como se de golos se tratassem. O Portimonense fez todos os seus remates no jogo neste período e o Amora não visou a baliza adversária uma única vez.

Foi de faca nos dentes que o Amora salvou uma importante vitória e atravessou o Rio Tejo no regresso à Margem Sul com três valiosíssimos pontos na bagagem. Três pontos que valiam uma almofada de sete para a linha de água com vinte e seis jogos disputados, a maior margem pontual conseguida pelo Amora até ao momento.

 

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Os onzes na deslocação do Amora a Paços de Ferreira

 

A vantagem pontual conquistada durante o mês de Fevereiro deu a Frodo Zarco a confiança para começar a gerir alguns dos elementos mais desgastados do plantel. Ainda faltavam oito jogos para disputar e era fulcral garantir que todos chegariam ao final da temporada prontos fisicamente para um último forcing, não fosse dar-se o caso de o Amora chegar aos últimos jogos a precisar de pontos para a manutenção.

Assim, além do castigado Papou Mendes, Lucas Silva e Joca sentaram-se no banco de suplentes no Estádio da Capital do Móvel. Os jovens Dino Leão, Tiago Louro e Jéferson mereceram a confiança de Frodo Zarco para ocupar as respectivas posições.

Não é que tenham jogado mal; nem foi o caso, os três exibiram-se a bom nível, mas a verdade é que o Amora chegou ao intervalo a perder por uma bola e com claro ascendente do Paços de Ferreira durante os primeiros quarenta e cinco minutos de jogo. Frodo Zarco optou por não fazer alterações e corrigiu apenas alguns posicionamentos da sua equipa, mas aos cinco minutos da segunda parte Pedro Martelo, ex-jogador do Amora (esteve emprestado durante a primeira temporada, na Liga 3, embora raramente tenha sido opção de Frodo Zarco), fez o segundo dos castores, deixando o cenário muito negro para os amorenses.

Aqueciam desde o intervalo três elementos, entre os quais o capitão Joca. Parecia evidente que Frodo Zarco o chamaria para entrar, sendo provável que entre Gabriel Capixaba e Jéferson saísse a este último a fava e fosse o sacrificado. Mas, para surpresa geral, Joca continuou no aquecimento. Jéferson continuava a merecer a confiança do seu treinador.

Questionado na conferência de imprensa sobre essa decisão, Frodo Zarco respondeu sinceramente. Sentiu durante as sessões de treinos na semana antes do jogo que Jéferson parecia mais solto e alegre desde que voltara do Sudamericano Sub20. Apesar do resultado na Mata Real, Jéferson estava bem no jogo e pareceu-lhe que chegara o momento de deixar o talento do menino fluir.

Certo é que o Amora subiu as linhas de pressão e tentava ainda retirar algo do jogo. Nem de propósito, Martim Maia recuperou uma bola logo à saída da área do Paços de Ferreira, deu em Martim Watts e a unidade de potência isolou Jéferson pela direita.

O menino foi lesto a explorar a fantástica abertura do colega e, apenas com o guarda-redes Bruno Varela pela frente...

 

 

 

Era o primeiro golo de Jéferson como futebolista profissional. Foi visível a alegria do menino e como naquele momento travou uma dura batalha mental entre a vontade de correr desenfreadamente a celebrar e a noção de que ainda estavam a perder aquele jogo. Venceu a noção. Voltou ao seu meio-campo em corrida, erguendo um punho para o seu banco de suplentes onde Frodo Zarco retribuiu com dois punhos cerrados a meia altura.

O Amora crescia agora no jogo, tanto em ímpeto como em confiança. O Paços de Ferreira aliviava bolas da sua área que eram rapidamente recuperadas pela linha defensiva dos azuis da Margem Sul, lançando novas vagas de ataque.

Um desses lances resultou numa falta conquistada por Leonardo Brandão. O livre em zona frontal ainda era distante da baliza de Bruno Varela, mas o menino Dino Leão quis assumir essa responsabilidade - facto que levou Frodo Zarco a sorrir mentalmente, mesmo que não o deixasse transparecer no seu rosto. Dino Leão já assumira a responsabilidade de marcar uma penalidade num dos desempates da Taça de Portugal e não perdia oportunidades de pegar na bola em qualquer momento, demonstrando enorme maturidade apesar dos seus 18 anos.

Era o à-vontade dentro de campo que guiava Frodo Zarco.

Dino Leão preparou-se para bater e desferiu um golpe violento rumo à baliza de Bruno Varela. O guardião pacense estirou-se para a sua esquerda...

 

 

... mas não segurou a bola e Jéferson já lá ia para a recarga. Desta vez não houve batalha alguma na sua mente. Saiu em velocidade na direcção dos adeptos do Amora com todos os seus colegas de equipa atrás, celebrando a recuperação do Amora no jogo, sim, mas principalmente o seu segundo golo naquele final de manhã de Sábado.

O partida prosseguiria até ao seu término sem mais alterações no marcador, embora Jéferson continuasse a espalhar apontamentos de classe. E espalhou-os até ao momento em que, por fim, deu o seu lugar ao capitão Joca. O cronómetro marcava 86 minutos de jogo quando o menino se encaminhou para a linha lateral.

Os adeptos do Amora ovacionavam-no de pé. Martim Watts, Martim Maia, Gabriel Capixaba e Tiago Louro, com os quais se cruzou na sua saída, fizeram questão de o cumprimentar efusivamente. O capitão Joca deu-lhe um abraço apertado enquanto lhe chamava "craque" ao ouvido. Todos eles sabiam a importância daquele momento para Jéferson. O menino trabalhava duro nos treinos, era aplicado e humilde, nada egoísta dentro e fora de campo. Ninguém mais do que ele merecia aquilo.

Fora das quatro linhas, Frodo Zarco aguardava-o de sorriso rasgado. Tal como Joca, deu-lhe um abraço sentido seguido por duas palmadas na cabeça que segurou debaixo do seu braço, uma por cada golo. Jéferson fugiu-lhe na direcção do banco de suplentes, rindo-se como o menino que era, seguido por Frodo Zarco.

"Tinha de ser em Paços de Ferreira que o meu avançado móvel explodiria!"

Nunca soube dizer se Jéferson percebeu a referência do seu trocadilho, mas Léléco, ou Edson Baessa como agora era conhecido enquanto respeitável treinador-adjunto de Frodo Zarco, riu-se à gargalhada como indivíduo bem disposto que era.

 

 

Não houve surpresa alguma na eleição de Jéferson como melhor em campo. O menino foi chamado a receber o troféu em directo para as câmaras de televisão e, como era da praxe no Amora sempre que um dos meninos o recebia pela primeira vez, foi atacado pelos colegas de equipa a meio da entrevista.

O empate na Capital do Móvel não resultou no avolumar da diferença pontual para a linha de água, que se manteve nos sete pontos. No entanto, há vitórias que não se medem em pontos. O Amora protagonizou nessa manhã uma impressionante recuperação num dos campos mais difíceis da Primeira Liga, mostrando força, vitalidade e personalidade. A equipa exalava confiança e espírito de entreajuda; o ambiente no grupo de trabalho era saudável. Os meninos cresciam e ganhavam confiança nas suas capacidades, não sendo por acaso que os meninos Martim Watts, Dino Leão e Jéferson tenham sido os destaques nos dois golos.

Nenhum destes aspectos é objectivamente quantificável, mas são essenciais para qualquer equipa que queira alcançar com sucesso os seus objectivos.

O futebol é uma modalidade complexa e há imensas variáveis que interferem na evolução de um jovem jogador e que vão influenciar o rumo da sua carreira. Em Dezembro de 2024, Jéferson trabalhava afincadamente, mas os resultados não surgiam. Volvidos apenas dois meses, o menino já era campeão sul-americano de Sub20 e estreava-se a marcar enquanto profissional.

Estava dado o tão aguardado click.

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Como nota paralela, é engraçado ver que no meio da pobreza santificada que costuma ser a segunda metade da tabela, olhando para os números da tua, és o único clube que tem um DG neutro, neste caso exatamente 0, o resto tem negativo e chega a haver equipas nos -20s.

No que realmente importa, comecei como fã da "unidade de energia", que parece, para todos os efeitos, uma máquina do crl, mas ao Jeferson estava mais apático. À primeira vista não me pareceu o tipo de jogador em quem eu apostaria, por exemplo. Uma abordagem de "é uma espécie de Jovane, portanto vai dar uma boa aposta para mandar para um clube rico de Inglaterra" seria o máximo que faria...

Acabado de ler, acho que quero uma camisola com Jéferson 11 nas costas, sinceramente.

Eu até era adepto da teoria vigente no 4chan de que o user do CMPT Black Hawk e Frodo Zarco são a mesma pessoa, mas depois destas diferenças vigentes em termos de preferências por características de jogadores de futebol... estou vendido, são pessoas diferentes! ssV2dWr.png

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É muito interesante o Amora antes de mais ter conseguido captar tao jovem um brasileiro de tanto talento que depois de alguma exitacao é chamado a seleccao de sub-20, faz bom precurso e acaba por voltar "outro" marcando golos e exibindo a qualidade que se desconfiava. 

No campeonato ainda faltam 6 jogos mas parece que só mesmo algo de muito mau te atira para a descida...

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Citação de El Shafto, há 7 horas:

Como nota paralela, é engraçado ver que no meio da pobreza santificada que costuma ser a segunda metade da tabela, olhando para os números da tua, és o único clube que tem um DG neutro, neste caso exatamente 0, o resto tem negativo e chega a haver equipas nos -20s.

No que realmente importa, comecei como fã da "unidade de energia", que parece, para todos os efeitos, uma máquina do crl, mas ao Jeferson estava mais apático. À primeira vista não me pareceu o tipo de jogador em quem eu apostaria, por exemplo. Uma abordagem de "é uma espécie de Jovane, portanto vai dar uma boa aposta para mandar para um clube rico de Inglaterra" seria o máximo que faria...

Acabado de ler, acho que quero uma camisola com Jéferson 11 nas costas, sinceramente.

Eu até era adepto da teoria vigente no 4chan de que o user do CMPT Black Hawk e Frodo Zarco são a mesma pessoa, mas depois destas diferenças vigentes em termos de preferências por características de jogadores de futebol... estou vendido, são pessoas diferentes! ssV2dWr.png

Cuidado com as teorias da conspiração! Isso é gente capaz de acreditar que o Obama é um reptiliano cuja raça domina a evolução da humanidade... 😁

Não sejas assim, o Jéferson tem atributos bem porreiros para a idade. Só precisa de um piquinho mais na velocidade, de resto está a ficar fixe. Mas se for um Jovane... deuses, não acredito que vou escrever isto... seria bom. O gajo está OP neste FM.

Ah!, os golos, yah, somos uma equipa muito competitiva, os jogos são tendencialmente equilibrados seja contra quem for. Não goleamos e não somos goleados. Por acaso é uma cena porreira e é o que me faz acreditar que com o crescimento da miudagem nos tornaremos uma boa equipa.

Citação de Burkina2008, há 6 horas:

É muito interesante o Amora antes de mais ter conseguido captar tao jovem um brasileiro de tanto talento que depois de alguma exitacao é chamado a seleccao de sub-20, faz bom precurso e acaba por voltar "outro" marcando golos e exibindo a qualidade que se desconfiava. 

No campeonato ainda faltam 6 jogos mas parece que só mesmo algo de muito mau te atira para a descida...

Alguém disse, até julgo que foi o Kluivert ou o Lavrador, que no Mobile o jogo tem tendência a centrar-se na liga seleccionada e julgo que é isso que está a acontecer aqui. Só selecionei as ligas portuguesas e muita gente de qualidade cai aqui.

Malta como o Raphinha, o Icardi, o Origi ou o Van de Beek andam em equipas portuguesas não grandes, o Pickford ou o Poulsen vieram parar aos grandes portugueses... os jovens talentos jovens acabaram por vir parar também a Portugal. No caso do Jéferson até me apanhou de surpresa, ele nem sequer tinha sido convocado até agora, quando recebi a notícia até fiquei parvo.

Mas é bom sinal, talvez tenha potencial para explorar.

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Dois exemplos muito opostos no Paim e Kante. Bom ver o Amora atrair jovens talentos para o clube, que já ajudam na manutenção, que está praticamente garantida.

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Continua a ser uma boa temporada e já tens alguma vantagem para a despromoção nestes últimos jogos mas todo o cuidado é pouco.

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Citação de cadete, Em 09/05/2022 at 09:54:

Dois exemplos muito opostos no Paim e Kante. Bom ver o Amora atrair jovens talentos para o clube, que já ajudam na manutenção, que está praticamente garantida.

 

Citação de Banks29, Em 09/05/2022 at 11:06:

Continua a ser uma boa temporada e já tens alguma vantagem para a despromoção nestes últimos jogos mas todo o cuidado é pouco.

Sim, só um desastre épico evitaria a manutenção. Nem que seja porque duvido que a linha de água chegue àquele nível de pontuação. Mas quanto mais cedo der para a assegurar, melhor, claro.

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Continua a disputa acérrima pela permanência em que cada jogo se trata de uma autêntica final e em que somar pontos é sempre imperativo. Caraterizo esta sequência de jogos como algo bastante positivo e a chegar a reta final da época, creio que estás no caminho certo para acabar numa posição segura! A equipa tem estado mais consistente e apresenta uma diferença de golos neutra, o que costuma ser raro quando se está em zona mais aflitiva da tabeça classificativa 😉 Acredito que conseguirás o teu objetivo de forma relativamente tranquila, mas a ver vamos!

Referir que o nosso Frodo Zarco tem apostado (e muito bem) em vários jovens. Jefferson parece ser a nova coqueluxe da Medideira e prova disso são os 9 jogos disputados na Copa ao Serviço dos sub21 do Brasil e as três assistências. Que continue a aposta na formação, pois é essencial para o crescimento sustentável de todos os clubes!

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Citação de Martini Branco, Em 10/05/2022 at 21:38:

Continua a disputa acérrima pela permanência em que cada jogo se trata de uma autêntica final e em que somar pontos é sempre imperativo. Caraterizo esta sequência de jogos como algo bastante positivo e a chegar a reta final da época, creio que estás no caminho certo para acabar numa posição segura! A equipa tem estado mais consistente e apresenta uma diferença de golos neutra, o que costuma ser raro quando se está em zona mais aflitiva da tabeça classificativa 😉 Acredito que conseguirás o teu objetivo de forma relativamente tranquila, mas a ver vamos!

Referir que o nosso Frodo Zarco tem apostado (e muito bem) em vários jovens. Jefferson parece ser a nova coqueluxe da Medideira e prova disso são os 9 jogos disputados na Copa ao Serviço dos sub21 do Brasil e as três assistências. Que continue a aposta na formação, pois é essencial para o crescimento sustentável de todos os clubes!

É a essência do save, e eu de certa forma até tenho feito batota ao contratar jogadores jovens a custo zero nestas primeiras épocas. É certo que logo no primeiro post disse que o faria durante uns anitos até me melhorarem as condições de formação, mas isto terá mais piada quando for só com regens do Amora.

Que será a partir de agora, na próxima época não trarei nenhum jovem jogador de outros clubes. Vou com os que já tenho e com os que o jogo me der.

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Capítulo XXIX - Sinais de terra

A vaga de frio que varreu o país durante os meses de Janeiro e Fevereiro [visível nas informações dos relatórios dos jogos nos capítulos anteriores] não dava tréguas apesar de já se ter entrado em Março, mas os corações dos amorenses estava mais quentes do que nunca.

A temporada corria veloz para o seu final e o Amora vivia o seu melhor momento da temporada. A recente sequência de bons resultados permitiram ao maior da Margem Sul cavar uma vantagem de sete pontos para a linha de água (ver Capítulo XXVIII - O avançado móvel). Agora sem outras competições a entupir o calendário competitivo, a equipa ia recuperando alguma fluidez e jogava mais alegre, como se lhe tivessem tirado um peso de cima.

As revoltas águas da Primeira Liga atravessadas pelo Amora ao longo desta sua primeira viagem em mais de quatro décadas pareciam agora mais serenas. A tripulação amorense conseguia respirar pela primeira vez, apreciando a beleza da vastidão do oceano que até aqui nada oferecera além de agruras e sofrimento. Havia uma espécie de expectativa no ar: a sensação de que haveria terra firme algures não muito longe dali; a sensação de um porto seguro em que pudessem finalmente atracar.

A cultura popular costuma pintar um cenário distinto - muito potenciado pela influência hollywoodesca. É fácil imaginar o cenário: um navio à deriva num oceano oculto por um denso nevoeiro, com a tripulação enfadada no convés olhando para fora do navio na esperança de ver algo além da alva barreira que os envolvia; e subitamente um grito - "terra à vista!" - e de imediato a névoa desfazia-se em farrapos através dos quais furavam raios solares e, no horizonte, surgia um amontoado de verdejante vegetação sobre a qual planavam calmamente bandos de aves desconhecidas.

Na realidade, havia sinais que os marinheiros aprendiam por experiência a identificar como evidências da proximidade de terra firme. Diferenças na textura da água ou variações na profundidade do leito oceânico, súbitas correntes marítimas típicas de regiões costeiras, pedaços de madeira a boiar ou o avistamento de aves terrestres, o próprio aspecto ou textura das nuvens... navegadores experimentados sabiam interpretar esses sinais. A velha professora de História de Frodo Zarco contou-lhe um dia como os tripulantes de um navio deduziram que haveria terras a ocidente dos Açores décadas antes de Cristóvão Colombo aportar nas Antilhas. Aventuravam-se em alto mar, num local que ficaria conhecido como o Mar dos Sargaços, quando recolheram da água um tronco com uma face talhada na madeira, claramente obra de mão humana. Aquele objecto boiou ao sabor da corrente marítima que corria desde ocidente em direcção à Europa, pelo que eram um claro indício da existência de seres humanos em terras desconhecidas do outro lado do Atlântico.

Assim era com o Amora. Passaram por turbulentas marés, enfrentaram borrascas que ameaçaram com o naufrágio a frágil embarcação em que navegavam e os tripulantes estavam exaustos, mas chegavam agora a uma zona mais tranquila em que os sinais de terra firme, e consequente salvação, estavam a toda a sua volta.

Porém, e como já referido anteriormente, por vezes a navegação costeira é a mais perigosa. O risco de uma súbita tempestade nunca pode ser colocado de parte, bem como o de baixios inesperados em que pudessem encalhar ou de rochedos ocultos junto à superfície que danificassem o navio. Enquanto não estivessem atracados em porto seguro, a viagem não estava completa...

... e esta fase da viagem não era nada fácil, ou não viesse a caminho uma sequência de jogos contra Sporting, Benfica, Vitória e Boavista, tudo equipas da metade superior da tabela.

 

 

Março principiou com a deslocação que faltava para completar as idas a casas dos três grandes.

A expectativa era elevada. O Amora esta temporada já tinha empatado no Dragão para a Primeira Liga e em Alvalade para a Taça da Liga; o Benfica o único grande que o Amora ainda não tinha surpreendido esta temporada, tendo perdido no único jogo entre ambos quase no início da época. Havia a clara esperança de o maior da Margem Sul poder bater o pé na Luz, tanto entre os seus adeptos como, principalmente, entre os adeptos dos rivais dos encarnados.

É que o Benfica, embora fosse apenas quarto classificado na Primeira Liga (ver classificação no capítulo anterior ou aqui), tinha três jogos em atraso e vencendo-os passaria para a liderança do campeonato. Um campeonato que lhes fugia desde 2019, o que equivale a um jejum de seis anos.

Fosse por ansiedade ou por qualquer outro motivo, os homens de Marcelo Gallardo entraram mal no jogo e na primeira meia hora só deu Amora. Os azuis da Margem Sul criaram várias ocasiões, conquistaram quatro pontapés de canto e fizeram nove remates... apenas para sofrerem um golo em contra-ataque no primeiro remate do Benfica.

O Amora voltou à carga e banalizou os encarnados ao longo do jogo, mas o anunciado golo nunca se materializou e o resultado fixou-se numa magra vitória do Benfica. Para o Amora ficou uma vitória moral, mais uma, que de nada serviu para os aproximar dos seus objectivos de chegar rapidamente a porto seguro.

 

 

Os outros dois jogos do mês colocavam no caminho do Amora dois adversários complicados. Na primeira volta, Boavista e Vitória atropelaram os homens de Frodo Zarco em confrontos de sentido único, nos quais os amorenses somaram apenas um ponto graças a um milagre operado pelo guarda-redes Luiz Felipe, que manteve a baliza a salvo contra os vimaranenses.

A recepção aos boavisteiros foi marcada por mais uma ronda de rotações no onze - o jogo foi disputado apenas quatro dias após a deslocação à Luz. A diferença não se fez notar por aí além, sinal do crescimento dos meninos. Num duelo competitivo em que apenas faltaram os golos, o Amora somou mais um ponto rumo aos seus objectivos.

O campeonato parou então para compromissos internacionais. Isaac Monteiro, Odailson, Tiago Louro e Martim Watts voltaram a marcar presença nas convocatórias das selecções Sub21 [recorde-se que Odailson é francês], juntando-se-lhes Dino Leão, que se estreou com as quinas ao peito.

No regresso, o Amora deslocou-se a Guimarães para enfrentar um velho conhecido. O Vitória de Nuno Espírito Santo eliminou o Amora nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal em 2023/24 e em 2024/25. Mas longe iam os tempos em que os vimaranenses viviam em estado de graça. Com o evoluir da temporada corrente, o Vitória caía na classificação e o próprio apuramento para as competições europeias parecia em risco - e, com isso, o lugar de Nuno Espírito Santo era colocado em causa.

O Amora não fez nenhum favor ao antigo guarda-redes internacional português. Naquele que foi um dos jogos mais interessantes da temporada, os azuis da Margem Sul chegaram cedo a uma vantagem de dois golos, obra de Jéferson e Leonardo Brandão. Origi ainda reduziu na primeira parte, mas Martim Watts voltou a colocar a vantagem nos dois golos de diferença antes do intervalo.

A segunda parte começou com novo golo de Origi que relançou o jogo. Foi o momento do toque a reunir entre os homens de Frodo Zarco. Aqueles três pontos não podiam fugir; não após três golos marcados na primeira parte e não quando deixavam o Amora com pé e meio na Primeira Liga!

A equipa cerrou fileiras e procurou meter gelo no jogo sempre que tinham a bola em sua posse. O Vitória acabou por não criar ocasiões de golo flagrantes salvo um ou outro ocasional envolvimento ofensivo perigoso, mas que não se traduziam em efectivos lances de golo iminente.

Um último susto surgiu na forma de um golo tardio que daria o empate, mas anulado pelo VAR após ser detectado um empurrão que tirou Isaac Monteiro do lance.

A dicotomia de reacções no final do jogo no Estádio D. Afonso Henriques era representativa dos diferentes estados de espírito. Enquanto os adeptos da casa demonstravam a sua insatisfação com o resultado, jogadores e adeptos do Amora celebravam efusivamente uma vitória com a marca da formação do Amora: três golos de três meninos que passaram pelas escolas do Amora, que jogaram na equipa Sub23 e que conquistaram o seu lugar no plantel principal.

Uma vitória que sabia a vingança pelo histórico recente entre as duas equipas.

 

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A demissão de Nuno Espírito Santo foi confirmada durante a madrugada após a derrota com o Amora...

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... e o escolhido para lhe suceder foi Sérgio Conceição, que estava a realizar um notável trabalho ao comando do Famalicão

 

O Amora saiu de Guimarães com 36 pontos, mais nove do que o Penafiel, primeira equipa abaixo da linha de água. Havendo doze pontos em disputa e com vantagem no confronto directo contra os penafidelenses, o Amora estava a uma vitória de carimbar matematicamente a manutenção.

Uma vitória. O Amora poderia alcançar a manutenção caso vencesse na 31a jornada.

O problema é que...

 

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O Amora recebeu o Sporting no Estádio do Restelo

 

... o próximo adversário seria o Sporting Clube de Portugal, campeão nacional em título e líder do campeonato.

Os leões viviam um dos melhores momentos da sua história recente. A equipa jogava bem sob o comando de Ronald Koeman, alcançando os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões e estando bem posicionada para revalidar o título de campeões nacionais. No entanto, a luta pelo troféu mais desejado do futebol português estava em aberto - faltando disputar meros quatro jogos, apenas quatro pontos separaravam Sporting, Porto, Benfica e Braga. E, no horizonte, desenhavam-se ainda jogos escaldantes: o Sporting deslocava-se ao Dragão na 33a jornada para depois receber o Braga em Alvalade nos derradeiros 90 minutos da época.

Por tudo isto, o Sporting estava proibido de perder pontos em jogos contra equipas de meio da tabela. O Amora teria pela frente um adversário temível: ambicioso, motivado e com fome de vitória. Um adversário que não podia facilitar. Um adversário que estava absolutamente obrigado a ganhar.

Pouco restava do plantel que recolocou os leões na rota dos títulos quando, em 2021 e sob a batuta de Ruben Amorim, colocaram fim a um jejum de dezanove anos. Tiago Tomás e o mal-amado Paulinho eram dois deles e compunham a frente de ataque; Matheus Nunes era o líder do meio-campo e Nuno Mendes enchia a ala esquerda; de resto, sobrava ainda Jovane Cabral, melhor marcador da equipa que ficava no banco por opção técnica.

O Sporting não era propriamente uma equipa goleadora. Disputadas trinta jornadas, os leões somavam apenas 50 golos, o que os colocava apenas como quarto melhor ataque da Primeira Liga. Eram, porém, uma equipa competitiva, habituada a sofrer e a não ceder na hora de segurar vitórias por margens mínimas - como aconteceu na primeira volta, quando venceram o Amora por magro 1-0.

 

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Nuno Mendes era um dos sobreviventes do Sporting que reconquistou o título em 2021

 

Com a Medideira impossibilitada de acolher o jogo, foi no Estádio do Restelo que as duas equipas se encontraram. E que ambiente estava! A ancestral casa do histórico Clube de Futebol "Os Belenenses" estava cheia e a rebentar pelas costuras. Da Margem Sul viajaram cerca de dez mil adeptos do Amora, mas os sportinguistas ocupavam a maioria dos assentos disponíveis, uma imensa onda verde unida no sonho de revalidar do título de campeão nacional.

Não era algo de desprezar. Por incrível que pareça, o Sporting desde que conquistou o tetracampeonato em 1954 nunca mais foi campeão em anos consecutivos. Era uma barreira psicológica a ultrapassar e o universo leonino acreditava que seria este o ano em que isso aconteceria por fim.

O Restelo, nessa noite amena de Abril, proporcionava um cenário estranho. O Amora, em termos formais, jogava em casa. Por muito que os adeptos lutassem por fazer do Restelo uma Medideira 2.0, em termos práticos não dava para afastar a sensação de aquela não ser a verdadeira casa do Amora - de ser um campo neutro. Por outro lado, a invasão sportinguista fazia o Restelo parecer mais um Alvalade 2.0 do que outra coisa.

O Amora jogava numa casa que era na prática um campo neutro, mas cuja sensação era a de ser o visitante.

As equipas entraram em campo com um estádio em polvorosa, evocando outros tempos e memórias de glórias do Belenenses no Restelo. O rugido de excitação dos adeptos aquando da entrada das equipas em campo propagou-se muito para além dos limites do estádio, ecoando pela zona envolvente e percorrendo a superfície das bucólicas águas do Rio Tejo.

Frodo Zarco não pôde deixar de se deixar invadir pela nostalgia. Enquanto jogador, passou um ano pelo Belenenses antes de rumar à Académica, pelo que aquela tinha sido a sua casa e tinha boas memórias daquele local. Por outro lado, já enquanto treinador, tinha disputado a final da Liga 3 ali mesmo, contra o Sporting B.

O ambiente daquele jogo dava-lhe uma sensação de dejà vú que lhe arrepiava todos os pelos do corpo. Parecia ter sido noutra vida, mas há apenas três anos o Sporting B era o mais próximo de um rival que o Amora tinha (ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 1 e Capítulo V - Espírito Azul, parte 2). Passados três anos ali estavam, no mesmo local, embora desta vez para defrontar a equipa principal.

Pensar nisso fê-lo reflectir sobre o quanto os seus meninos tinham evoluído em tão pouco tempo. Ainda restavam no plantel jogadores que tinham estado nesse jogo - Rony Fernandes, Juary, Lucas Silva, Fidelis Irhene, Martim Maia, Papou Mendes, Joca, Gabriel Capixaba e Flávio Silva. Será que também eles estariam a pensar nisso? Será que também eles tiveram a súbita percepção do quanto haviam evoluído em três anos?

Frodo Zarco não o poderia dizer. Se tiveram, não o denotaram. Estavam concentrados e isso dava-lhe alguma tranquilidade. Iriam precisar de toda a concentração possível e mais alguma para poderem tirar algo daquele jogo.

 

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O velhinho Estádio do Restelo, com toda a sua mística, acolhia aquele que prometia ser um grande espectáculo de futebol

 

Os jogadores trocavam cumprimentos e tiravam as habituais fotografias de grupo enquanto a maioria sportinguista dava nício às hostilidades, entoando alguns dos seus mais icónicos cânticos. Os amorenses davam o seu melhor por serem escutados, mas eram abafados pelo volume dos seus adversários. Os jogadores em campo mal conseguiam ouvir-se entre si; Frodo Zarco nem ouvia sequer os seus pensamentos e era levado a acreditar que Ronald Koeman estivesse com o mesmo problema.

 

"É dia de jogo!

Toda a gente sabe que eu vou

Andar nas roulotes e cafés!"

 

Gritava-se nos sectores do Sporting, os cachecóis a serem brandidos em movimentos circulares.

 

"Desde pequeno eu vou à bola!

Largo tudo p'ra te ver!"

 

Contrapunham os do Amora, concentrados numa das bancadas centrais.

 

"O Sporting apoiar no estádio a cantar

E p'rá semana cá estou outra vez!"

 

Continuavam os primeiros.

 

"Só quero que sues a camisola!

Sou do Amora até morrer!"

Bum! Bum! Bum!

 

Respondiam os do Amora, finalizando com os tambores antes de continuarem, saltando abraços como se fossem uma só entidade.

 

"La! La La! La La La! La La!

La! La La! La La La! Laaaaa!

La! La La! La La La! La La!

La! La La! La La La! Laaaa!

A-mo-ra!"

 

Os jogadores fizeram por ser merecedores da aprazível cacofonia que provinha das bancadas. Logo que o árbitro Hugo Silva apitou para o início do jogo, o Sporting jogou às malvas o estudo do adversário e atirou-se de cabeça ao ataque. Nuno Mendes ultrapassou Odailson em velocidade, cruzou a meia altura ao primeiro poste e Paulinho, antecipando-se ao central António Silva, rematou na passada, de primeira.

A bola embateu com estrondo no poste e passou por trás de Luiz Felipe, percorrendo a linha de golo até ser pontapeada por Isaac Monteiro. Ainda os adeptos do Sporting reagiam e já Nuno Mendes recolocava a bola em jogo, servindo Paulinho que, a partir da esquerda, centrou para a pequena área. O cruzamento foi encontrar Tiago Tomás entre os centrais. O avançado leonino esticou-se todo e encostou a testa à bola, fazendo-a passar ligeiramente por cima da barra.

Estavam decorridos sessenta segundos de jogo e o Sporting já criara duas ocasiões de golo. As claques leoninas mantinham o ritmo, os restantes adeptos foram contagiados e o Sporting manteve uma pressão intensa nos primeiros minutos. O Amora mal respirava e ia tentando sobreviver. Tiago Tomás voltou a cabecear pouco depois, mas desta vez sem perigo e à figura de Luiz Felipe, e Dan Glazer falhou o alvo por muito pouco num remate de longa distância pouco depois.

O Amora demorou oito minutos a ultrapassar a linha de meio-campo. Quando o fez, foi por intermédio de Odailson. O jovem lateral, internacional gaulês Sub21 progrediu ao longo da linha, queimando etapas de construção como um jogador de rugby à procura de um ensaio, alcançando a linha de fundo.

Foi a vez de os adeptos dos azuis da Margem Sul se levantarem das suas cadeiras, entusiasmados com a primeira iniciativa ofensiva da sua equipa. Odailson cruzou em esforço e a bola ia direitinha para Leonardo Brandão. O menino Léo fez o movimento técnico para desferir uma potente cabeçada na direcção da baliza... mas a bola foi interceptada in extremis pelo central Domingos Duarte.

"A-mo-ra!" Bum! Bum! Bum!, animavam os Espírito Azul perante a subida dos centrais à área adversária. Ao pontapé de canto sucedeu-se outro sem que o ânimo esmorecesse entre os amorenses. Gabriel Capixaba bateu a bola, os adeptos sustiveram a respiração, mas a defesa do Sporting aliviou-a para fora da área, sendo recolhida pelo lateral esquerdo Tiago Louro. O menino serviu outro menino, Dino Leão, que de alguma forma conseguiu encontrar Leonardo Brandão à entrada da área.

Frodo Zarco não saberia dizer como, mas o avançado, no meio da densa floresta de pernas que povoava aquela zona do terreno, limitou-se a dar um pequeno toque na bola que a levou a atravessá-la. Do outro lado surgiu Martim Watts, solto, nas costas da defesa.

A unidade de potência do meio-campo fez uma recepção orientada e ficou na cara do guarda-redes Egribayat. Foi tudo tão súbito que alguns adeptos nem perceberam o que estava a acontecer. Quando as redes da baliza sul abanaram, um rugido ecoou desde a bancada central - mas não era o rugido do leão.

 

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Martim Watts marcou o seu terceiro golo na Primeira Liga

 

O Amora marcava contra a corrente do jogo. Foi o primeiro remate da equipa - aliás, foi até o primeiro ataque!

O Sporting sentiu o golo. Não que os adeptos se tivessem abatido com aquele revés. Não, esses continuaram a cantar e a apoiar, mas o ímpeto ofensivo quebrou e o Amora equilibrou a balança do jogo. Aparte um lance em que Tiago Tomás surgiu solto na linha de fundo e cruzou para a pequena área, causando um ataque de pânico nos defesas até Isaac Monteiro despachar o esférico para onde estava virado, o Sporting nesta fase mal se aproximou da baliza de Luiz Felipe. Foi até o Amora a estar perto de ampliar a vantagem. Tiago Louro aproveitou um mau alívio de Le Normand na resposta a um canto e fez um remate de ressaca que Egribayat defendeu à queima-roupa, deixando jogadores, suplentes, equipa técnica e adeptos do Amora de mãos na cabeça, estupefactos com a intervenção do turco.

O jogo encaminhava-se para o intervalo sem evidências de que qualquer equipa conseguisse desatar o nó a meio-campo. Alguns adeptos já revistavam as carteiras à procura de moedas para as bifanas quando a bola surgiu dentro da baliza do Amora. Dan Glazer subiu no terreno pela direita e rematou forte e cruzado. A bola ia para fora, mas encontrou Tiago Tomás na pequena área a desviar para a baliza de Luiz Felipe. Os jogadores do Amora levantaram braços a pedir fora-de-jogo e o assistente corroborou essa percepção. Nem foi preciso recorrer ao VAR.

O golo não contou - nem chegou a constar na ficha de jogo -, mas teve o condão de acordar o Sporting. Na jogada seguinte, Matheus Nunes serviu Tiago Tomás, este ganhou as costas de António Silva e ia para a baliza. Isaac Monteiro surgiu para a dobra, mas o avançado não hesitou e rematou da entrada da área. Luiz Felipe estirou-se para a sua direita. A bola passou pelo buraco da agulha entre a sua mão e o poste.

Diz a sabedoria futebolística que não há alturas boas para sofrer-se um golo, mas que o pior possível é ao cair do pano da primeira ou da segunda parte, pois tira a hipótese de a equipa reagir. O Amora saiu do terreno de jogo cabisbaixo, tendo visto a sua vantagem ser anulada praticamente no último lance da primeira parte.

O resultado, porém, adequava-se aos acontecimentos da primeira parte.

 

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Tiago Tomás restabeleceu a igualdade, ele que já havia marcado ao Amora na primeira volta

 

O intervalo serviu para Frodo Zarco e Ronald Koeman darem instruções e corrigirem posicionamentos e acções dos seus jogadores, visto nenhum deles ter procedido a qualquer alteração nos respectivos onzes que tinham principiado a partida.

O entusiasmo dos adeptos foi redobrado com o reinício do duelo. Com os adeptos em êxtase, os jogadores aplicavam-se em campo e disputavam implacavelmente cada lance, o que resultou num jogo engasgado, com diversas perdas de bola e momentos em que o esférico não era bem tratado.

O que até calhava bem ao Amora.

Muitas vezes se discute no futebol português sobre as estratégias de anti-jogo. Diz-se frequentemente que as equipas mais modestas usam "as armas que têm" para perturbar a acção dos seus adversários - o que serve como justificação para coisas como o retardar da reposição da bola em jogo ou até simulação de lesões, por vezes de forma nada dissimulada. Estas acções eram legitimadas pela passividade dos agentes desportivos, que as condenavam sem, porém, tomarem alguma atitude, assumindo uma posição passiva quanto ao tema.

O Amora, nessa noite de Abril de 2025, procurou e conseguiu em largos períodos manietar o Sporting ao ponto de jogadores e adeptos manifestarem a sua frustração. Mas fê-lo sem recorrer a essas jogadas. A equipa metia gelo no jogo trocando a bola, mantendo a posse e circulando-a entre os seus jogadores, fazendo o Sporting correr atrás dela. O Sporting precisava de vencer o jogo. O cronómetro avançava sem que conseguissem montar um ataque consistente e regular à baliza de Luiz Felipe, o que foi enervando jogadores e adeptos que viam o tempo esgotar-se.

Só a espaços conseguiam visar a baliza do Amora. Matheus Nunes teve duas ocasiões nos primeiros quinze minutos da segunda parte: na primeira surgiu nas costas da defesa, mas uma expedita saída de Luiz Felipe permitiu-lhe fazer a mancha de tal forma que o internacional português apenas conseguiu chutar contra ele; e na segunda, na recarga a um livre desviado pela barreira, acertou inutilmente nas malhas laterais.

 

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Matheus Nunes era um dos principais impulsionadores das iniciativas ofensivas do Sporting

 

Embora o Amora conseguisse tirar a iniciativa de jogo ao Sporting, a estratégia do Amora, paradoxalmente, criava-lhes dois problemas. Ao baixar o ritmo de jogo, a equipa estava demasiado distante da baliza adversária, não encontrando meios de ultrapassar a sólida estrutura leonina - como já referido, é uma equipa competitiva com uma das melhores defesas do campeonato. Por outro lado, ficavam expostos a uma das principais armas dos leões: o contra-ataque.

Jogadores como Tiago Tomás ou Matheus Nunes eram setas apontadas à baliza adversária e aproveitavam cada recuperação de bola para sair em velocidade. Os meninos de Frodo Zarco iam lidando bem com a situação - tinham treinado para isso durante a semana - e conseguiam guiar os adversários por fora, atraindo-os para os corredores laterais e levando-os para longe da baliza.

E quando não o conseguiam... faziam faltas. Dino Leão falhou uma antecipação e teve de perseguir Tiago Tomás algures durante a segunda parte. O avançado ia numa situação de um para um contra António Silva e o menino não teve qualquer dúvida em derrubá-lo. O próprio António Silva, já nos últimos minutos do jogo, viu cartão amarelo num lance semelhante.

O cartão amarelo que Dino Leão recebeu levou Frodo Zarco a de imediato proceder a duas alterações. Ele e Jéferson saíram para dar os seus lugares a Martim Maia e Joca, respectivamente, na mesma altura em que Rodrigo Ribeiro substituiu Paulinho.

Foi com a entrada deste que o Sporting voltou a ameaçar a baliza de Luiz Felipe. O leãozinho de apenas 19 anos foi um quebra-cabeças para a defensiva do Amora, conseguindo várias arrancadas e slaloms que geraram o pânico. Numa delas foi travado por António Silva (o referido lance em que viu amarelo), noutra passou por entre Odailson e António Silva e à entrada da área disparou... felizmente para o Amora, oferecendo a bola aos pescadores no Rio Tejo.

 

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Apesar da sua tenra idade, Rodrigo Ribeiro já é uma certeza do futebol português

 

O Sporting voltou a ser mais incisivo nos últimos minutos, muito para gáudio dos seus adeptos. Ainda acreditavam e empurraram a equipa com apoio ininterrupto, abafando as tentativas dos do Amora em fazerem-se ouvir.

Mas o tempo ia avançando...

Já o árbitro dava indicações sobre o tempo de compensação quando uma perda de bola de Martim Watts permitiu ao lateral Jonny lançar Tiago Tomás. Ultrapassando António Silva em velocidade, o avançado viu-se na cara de Luiz Felipe. Frodo Zarco encolheu-se na sua área técnica, como se estivesse a defender-se de golpes imaginários, enquanto das bancadas ecoava o som de milhares de gargantas em crescendo à vista da grande oportunidade do Sporting para desempatar o jogo.

Tiago Tomás estava esgotado e não teve discernimento para mais do que rematar em cheio na bola. Luiz Felipe saltou em frente, abrindo os braços para cobrir o máximo da sua baliza que lhe fosse humanamente possível.

A bola embateu em cheio no peito do brasileiro, um golpe que haveria de lhe doer assim que se gorassem os efeitos da adrenalina que percorria as suas veias.

As manifestações de desespero dos adeptos leoninos rapidamente deram lugar a renovados cânticos de apoio. Nada de elaborado - gritava-se "Sporting! Sporting! Sporting! repetidamente, enquanto os jogadores corriam para a marcação do pontapé de canto. Já se jogava o tempo de compensação e não havia um segundo a perder. O voluntarioso Flávio Silva, o matador renascido que entretanto havia entrado para o lugar de Leonardo Brandão, tirou a bola da área, sossegando por breves momentos os ansiosos adeptos do Amora.

É que surgia nova vaga - seria a quinta ou a sexta? - com Rodrigo Ribeiro a ganhar a linha de fundo. O cruzamento saiu em esforço e sobrevoou a apinhada área do Amora. Jonny ainda tentou devolver a bola antes de ela transpor a linha de fundo, mas o seu esforço apenas contribuiu para a afastar ainda mais do terreno de jogo.

Estava na hora. Estava na hora! Estava! Na! Hora!

Luiz Felipe surpreendeu tudo e todos. Quando se esperava um pontapé longo para repor a bola em jogo, deu curto em Isaac Monteiro. Tiago Tomás pressionou-o de imediato, pelo que passou a António Silva. O central emprestado pelo Benfica, e por isso duplamente interessado em garantir aquele resultado, abriu na direita em Odailson. Quando lhe surgiu Jonny na pressão, passou para o médio defensivo Martim Maia, que atrasou de primeira para Isaac Monteiro, e este ainda mais em Luiz Felipe.

Tudo isto foi feito sob pressão intensa do Sporting, deixando Frodo Zarco impressionado com o sangue frio dos seus meninos. Não era nada que não tivessem feito mais vezes durante o jogo, mas assumir esse risco nos últimos segundos da partida era um outro nível que o deixava orgulhoso. Luiz Felipe, por fim, talvez por não se sentir tão à vontade com a bola nos pés como os seus colegas, pontapeou-a para o meio-campo contrário. Joca ainda correu atrás dela, mas não a tempo de a impedir de sair pela linha lateral.

O árbitro apitou e, finalmente, o jogo terminou com um empate entre Amora e Sporting. Um resultado que na verdade não servia a ninguém, mas que foi celebrado pelos adeptos do Amora aos quais se juntaram os jogadores.

Eram sinais de terra. Havia terra firme ali perto. A manutenção não tinha sido assegurada, mas a terra firme que a representava estava quase, tão próxima que eles tinham sinais evidentes dela. Parecia possível vê-la surgir a qualquer momento, desenhando-se primeiro de forma ténue, apenas uma sugestão na linha de horizonte como uma miragem no deserto, crescendo para se tornar visível, tão certa como o sol a brilhar no céu azul.

 

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Relatório do jogo

Refira-se que as estatísticas não refletem bem o que foi o jogo; não só o Amora atacou mais do que o demonstra o número de remates, como algumas ocasiões do Sporting mereciam estar contabilizadas como flagrantes

 

Os adeptos visitantes foram abandonando o Estádio do Restelo, não escondendo o seu desânimo. O Sporting perdia a liderança com apenas três jogos por disputar. Não ficando afastados das contas do título, teriam no entanto um calendário difícil até final, incluindo embates contra dois dos rivais nas contas do título - como já referido - deixando-os com uma tarefa difícil em mãos.

Os amorenses saíam satisfeitos. O empate não selava a permanência. As contas mostravam que havia possibilidade de serem ultrapassados pelos seus perseguidores... mas sentia-se que era uma métrica improvável de acontecer. Bastava dois pontos conquistados ou a perda do mesmo montante pelo Penafiel, que jogaria ainda nessa jornada.

Mas o futebol é pródigo em surpresas; afinal não é isso que dá uma aura mágica ao desporto-rei?

O plantel do Amora juntou-se na segunda-feira seguinte para assistirem em grupo à transmissão televisiva do Feirense v Penafiel, jogo que poderia garantir a permanência na Primeira Liga.

E foi assim, no sofá, que...

 

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... o Amora confirmou o grande objectivo da época. Sem adeptos a assistir e com eles festejar. Sem enchentes, cânticos, buzinas e tambores. Sem procissões e festejos nas ruas.

A terra firme tinha sido alcançada após a promessa dos imensos sinais de terra que tinham identificado. Teriam preferido vê-la à distância, ouvir "terra à vista!" e assistir à aproximação de um monte verdejante repleto de vida.

Assim, sentiram-se como se se tivessem recolhido para descansar e acordado na manhã seguinte com a terra firme ali à sua frente, como que nascida por artes mágicas.

Mas era um pensamento pretensioso, não era? Querer decidir como e quando chegariam ao destino quando viajavam por mares desconhecidos...

A viagem inaugural da tripulação do Amora chegava ao seu destino em segurança e isso é que importava.

O Amora havia descoberto o caminho para a manutenção.

Editado por Black Hawk
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