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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

Citação de Burkina2008, há 3 horas:

Bom antes de mais uma palavra para esse vitoria, que como disseste, com esse investimento todo em jogadores é claramente em 2024 o quarto grande.

De resto fizeste um jogo monumental....se o quase da defesa do GK tivesse sido uma realidade...quem sabe se eles faziam o 2-1. Depois inglorio com tanto ataque e canto, a encostar o Vitoria as cordas faltou pelo menos um golo de empate que levasse a equipa a sonhar...enfim, ficas agora apenas na luta pela subida (sim ja sei que oficialmente nao és candidato, mas porra vais em primeiro)

Vou em primeiro... mas estou a canalizar o meu "inner Amorim" 😁 é jogo a jogo e se chegarmos a um ponto em que falte uma vitória para subir, aí sim somos candidatos ahah

Não confio na minha defesa. É basicamente isso. Sofro golos de remates de longe, os meus centrais dão espaço nas costas, não consigo subir a linha para evitar remates de longe porque dou espaço nas costas e não posso descer a linha para tapar esse espaço pois começo a sofrer golos de fora da área. É nisto que tenho andado. E como não confio na minha defesa, não dou nada por garantido.

Também há que ter em conta que ando a jogar com dois centralões da Liga 3 (Juary e Rony Fernandes) e um puto (Isaac Monteiro). Isto está puxado ao limite, se calhar estou a alcançar os limites da qualidade deles...

@Lavrador, sobre a tua questão anterior, estive então a tirar prints e a comparar. Por acaso é interessante, pois como segui diferentes abordagens em alguns casos.

(isto vai ficar longo e não é atualização da história, mas é uma curiosidade sobre a evolução dos meninos)

Casos de evolução apenas nos Sub23

Os meus primeiros jogadores jovens foram contratados no início da 2a época (aos quais se juntou o primeiro e único regen desse ano). Alguns nunca saíram de lá, estão lá há ano e meio. Deixo prints de exemplo de alguns deles à chegada (que fui buscar ao Capítulo em que foram introduzidos) e o actual.

- Lucas Dias

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- João Gonçalinho

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- Vítor Melro

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Como dá para ver, em ano e meio a evolução é residual. Subiram um valor, talvez dois, em alguns atributos. Também pode ser que simplesmente não tenham potencial para evoluir - embora pelo menos no caso do João Gonçalinho o preparador me diga que o gajo tem potencial para chegar ao nível do Lucas Silva.

Para despistar essa hipótese, fui ver dois jogadores que fui buscar no início da 3a época (esta em que estou) e que o observador que os recomendou me garantiam serem tão bons que deveria empenhar a Medideira, a Amora e a Quinta da Atalaia se preciso fosse para os trazer.

- Dino Leão

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- Jéferson

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Praticamente a mesma evolução, embora neste caso em meio ano.

Diria que jogar apenas nos Sub23 permite alguma evolução, mas limitada. Não se vão tornar titulares por estarem lá, mas permite acumular um ou dois valores em atributos-chave para darem o salto e depois na equipa principal poderão evoluir mais a sério.

Estes dois, Dino Leão e Jéferson, vão fazer parte do plantel principal no próximo ano.

Casos de evolução mistos

Depois tenho exemplos de meninos que andaram nos Sub23 e na equipa principal sendo usados apenas esporadicamente. Trago três exemplos.

- Tiago Louro

O Tiago Louro é um caso "sui generis" porque é um ala (só joga a ala, não sabe jogar a lateral) e é destro apesar de ser ala esquerdo. Se continuar a evoluir e conquistar a titularidade, sou gajo para explorar isso para fazer dele um ala interior - e já o imagino a complementar com o Jéferson que postei acima, que também é extremo esquerdo esquerdino e deve colar mais à linha. Mas isso são assuntos para outra altura.

Deixo três prints do menino: à chegada no início da 2a época; no início da 3a época depois de quase um ano nos Sub23 (foi convocado e usado em alguns jogos na equipa principal no final da 2a época); e como está em Janeiro 2024, a meio da 3a época.

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- Abas Djaló

Este menino é ainda melhor exemplo: primeiro print à chegada; segundo print depois de um ano apenas nos Sub23 e terceiro após seis meses na equipa principal.

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- Martim Watts

A minha unidade de potência no meio-campo da mesma forma que o Tiago Louro: à chegada; após um ano entre Sub23 e equipa principal intercalados; e, por fim, a meio desta época.

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A ideia com que fico, no global, é aquilo que escrevi acima: na equipa secundário dá para melhorar um pouco, subir um ou dois valores em alguns atributos de forma a tapar o espaço para o nível do plantel principal, mas é aí que a evolução a sério acontece. Vale mais estar no banco e jogar pouco na equipa principal do que jogar sempre na equipa secundária.

O problema com isso é que também não posso ter sete miúdos no banco porque se preciso de mexer no jogo não tenho alternativas.

De qualquer forma, dá para ver que alguns miúdos tiveram um salto brutal assim que passaram para a equipa principal. Olhem a velocidade do Tiago Louro.

Vou tentar emprestar alguns dos miúdos mais velhos na próxima época e comparar a evolução.

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Bem a minha dúvida fica esclarecida, afinal eles sempre evoluem alguma coisa nos sub 23/equipa B. De certo modo acaba por ser um pouco como na realidade, o miudos têm o seu periodo de evolução nas camadas jovens mas para dar aquele "boom" e se tornarem jogadores têm de treinar com a equipa principal, mesmo que implique jogar pouco.

 

Obrigado por isto!

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Já agora, só um aparte: quando meto prints dos meus jogadores nos capítulos, meto sempre o que partilhei no capítulo de início de época. Isto, por exemplo, para explicar a diferença entre o print do Martim Watts no capítulo que lhe dediquei e o que meti neste post que já foi tirado na data em que estou no jogo.

Editado por Black Hawk

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Citação de Black Hawk, há 18 horas:

Sei perfeitamente que se torna massudo e o mais provável é quase toda a gente passar à frente...

É o que mereces depois do post do dia 1 de Abril! 😤

Mas falando do que interessa...

O Vitória, no meu save, tem uma equipa muito interessante mas não se compara a esse onze 😱 e deste uma excelente réplica, infelizmente aconteceu algo que me parece recorrente quando jogamos com equipas superiores. Começamos em vantagem e em pouco tempo o adversário dá a volta ao resultado.

Depois tudo fica mais difícil, ainda assim estiveste muito perto de surpreender! A equipa merecia algo mais mas a diferença entre plantéis é gigante! E tenho que tirar o chapéu pelo que o Amora tem feito esta época! Que belo trabalho!

Em relação aos jovens, e respondendo ao @Lavrador, vai de encontro ao que eu dizia. Emprestar é melhor do que estar nos sub23, percebo que no teu caso a realidade acaba por ser diferente porque precisas dos miúdos como solução.

Penso que o fundamental é estar no plantel principal de uma equipa e que vá jogando com alguma regularidade!

Há aqueles gajos que ficam a treinar livres no final dos treinos. Depois há o Tiago Louro fica a fazer sprints 🤣

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Citação de Kluivert, há 4 horas:

É o que mereces depois do post do dia 1 de Abril! 😤

Mas falando do que interessa...

O Vitória, no meu save, tem uma equipa muito interessante mas não se compara a esse onze 😱 e deste uma excelente réplica, infelizmente aconteceu algo que me parece recorrente quando jogamos com equipas superiores. Começamos em vantagem e em pouco tempo o adversário dá a volta ao resultado.

Depois tudo fica mais difícil, ainda assim estiveste muito perto de surpreender! A equipa merecia algo mais mas a diferença entre plantéis é gigante! E tenho que tirar o chapéu pelo que o Amora tem feito esta época! Que belo trabalho!

Em relação aos jovens, e respondendo ao @Lavrador, vai de encontro ao que eu dizia. Emprestar é melhor do que estar nos sub23, percebo que no teu caso a realidade acaba por ser diferente porque precisas dos miúdos como solução.

Penso que o fundamental é estar no plantel principal de uma equipa e que vá jogando com alguma regularidade!

Há aqueles gajos que ficam a treinar livres no final dos treinos. Depois há o Tiago Louro fica a fazer sprints 🤣

Foste comido de cebolada por esse post 😋

Olha, entretanto recebi outra proposta, no caso do Vilafranquense, outra equipa que luta para não descer à Liga 3. Também têm orçamento salarial de 3M. Vive-se bem na Segunda Liga...

Agora o que queria era um clube-parceiro a quem emprestar os meninos "em massa". Já tenho o Clube do Chibuto que vem de origem desde o início do save, mas queria um português que tivesse jogos, da Liga 3 ou assim. Se não mo derem, terei de aguardar que surjam interessados nos meninos.

Do Tiago Louro tenho uma curiosidade. Não me tinha apercebido que ele é destro até uma vez estar a usá-lo e no motor de jogo ter-me apercebido que ele em vez de ir à linha, cortou para dentro. Fez isso uma vez, fez duas, achei estranho e no final do jogo fui ver se era movimento preferido. Não, é destro. E nem sequer tem rotinas para jogar à direita. Não percebo.

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Estive a pôr a leitura em dia. Boa evolução que estás a fazer ao clube, estado já na luta oela subida à Primeira Liga. Grande negócio com o Joca, saiu por um bom dinheiro e voltou a custo zero passado um ano. 

Grande partida que pegaste com o teu post do dia 1, também cai 😅

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Citação de Tuckius, há 2 horas:

Estive a pôr a leitura em dia. Boa evolução que estás a fazer ao clube, estado já na luta oela subida à Primeira Liga. Grande negócio com o Joca, saiu por um bom dinheiro e voltou a custo zero passado um ano. 

Grande partida que pegaste com o teu post do dia 1, também cai 😅

😁

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Mas que enormíssima equipa do Vitória de Guimarães! Porra! Não há mesmo muito a dizer, quando o adversário é francamente superior e tem todos os argumentos possíveis e imaginários para o ser 😉 

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Capítulo XIX - O centésimo jogo

 

"Li os papéis que me deste."

Bilbo Himura puxava finalmente o assunto.

Tinham degustado um belíssimo jantar num dos restaurantes mais concorridos da Margem Sul, conhecido pelo seu renomado chef e as suas celebradas iguarias. O próprio Frodo Zarco tinha dificuldades em conseguir reserva para o local.

Bilbo Himura não fora de modas e reservara todo o restaurante. Eles dois eram os únicos clientes naquela noite, atraindo toda a atenção do staff que estava deliciado pela presença da super-estrela mundial do futebol. Bilbo Himura foi magnânimo: distribuiu autógrafos personalizados, tirou selfies, trocou palavras e elogios com os funcionários. Estava de óptimo humor.

O jantar decorreu como é normal entre dois amigos de longa data que se consideravam irmãos. Comeram bem, beberam ainda melhor, trocaram piadas e insultos amigáveis, falaram das famílias, dos filhos e de amigos. No entanto, havia um assunto a pairar sobre ambos que perpetuava uma sensação estranha no ambiente daquela noite. Era o motivo para ali estarem e ambos aguardavam para o abordar.

"Li os papéis que me deste", dissera-lhe Bilbo Himura, que decidira ser hora de passar a temas sérios.

"Leste 'tu' os papéis?", admirou-se Frodo Zarco.

"Claro, prometi-te isso. Porquê o espanto?"

"Nada, nada... só não tinha percebido que sabes ler."

Bilbo Himura suspirou e revirou os olhos. Mostrou-lhe um dedo, esse mesmo que se mostra em certos momentos, o que arrancou risos a ambos.

"Estou a falar a sério, pah. Li os papéis que me deste."

"E que tal?"

Viu o amigo procurar algo nos bolsos. Rebuscou fundo num deles e tirou um maço de tabaco. Olhou-o de soslaio.

"Importas-te que fume?"

"Desde quando é que fumas?"

"Só ocasionalmente".

"Ok, desde quando é que fumas 'só ocasionalmente'?", inquiriu Frodo Zarco, acentuando a citação fazendo aspas com o indicador e o dedo médio de ambas as mãos. Bilbo Himura deixara de jogar recentemente e nunca o tinha visto fumar antes, pelo que aquilo era uma novidade para ele. "Nem sequer estou certo que possas fumar aqui dentro..."

"Posso pois. Temos o restaurante por nossa conta. Vão fazer o quê, expulsar-me? Sou boa publicidade para o restaurante, posso fazer o que eu quiser."

Frodo Zarco assobiou e franziu as suas fartas sobrancelhas.

"Ena, o dinheiro fez-te bem, pareces um verdadeiro magnata a falar. Queres, podes e mandas; é assim, não é?"

"De certa forma", respondeu-lhe Bilbo Himura com um sorriso zombeteiro nos lábios depois de soltar uma nuvem de fumo pelo ar. "E assumindo agora o papel de magnata, li os teus papéis e o projecto é muito bom. Fiquei interessado."

"Isso quer dizer o quê?" Frodo Zarco remexeu-se na cadeira, subitamente nervoso.

"Que estou a ponderar investir no Amora e implementá-lo."

Fitaram-se em silêncio durante alguns segundos. Frodo Zarco tentava assimilar aquela resposta enquanto Bilbo Himura estudava a sua reacção. Apresentara o seu projecto a várias entidades e privados. Alguns haviam demonstrado interesse, mas a resposta fora invariavelmente negativa. O Amora tinha dívidas avultadas e a construcção de infraestruturas implicava um investimento significativo tanto nas já existentes - Medideira e campos secundários - como na construção de centros de alto rendimento de várias modalidades e academias para albergar os jovens talentos - já para não falar na compra de terrenos onde pudessem ser edificadas. Era arriscado e ninguém queria dar esse primeiro passo.

Ninguém o quisera até àquele momento. A resposta de Bilbo Himura fora a primeira positiva que tivera.

"Tomei a liberdade de falar com o meu 'gajo' para investimentos - sim, tenho um 'gajo' para tratar dos meus assuntos", acrescentou, sorrindo, "e que me desaconselhou fazê-lo, mas depois de o convencer tive já umas conversas informais com gente de responsabilidade e isto pode ser feito."

O coração de Frodo Zarco batia descompassadamente.

"Investi na minha formação em termos de gestão desportiva, como sabes", começou Frodo Zarco. "Tenho os conhecimentos, só não tenho a experiência. Mas isso ganha-se, conheço o meio, juntos podemos fazer isto."

"Eu sei, eu sei. E sei também que tiraste curso de treinador, certo?"

"Oh, sim, enquanto era jogador. Mas..."

"E tens o nível para treinar nos escalões não profissionais, incluindo a Liga 3."

"Errr... julgo que sim, mas foi mais para..."

"Óptimo, porque só invisto nisto se fores o meu treinador para este projecto."

A afirmação de soou como um chicote. Bilbo soltou outra baforada, ruidosamente. Frodo Zarco observou o fumo alastrar pelo ar, desenhando formas aleatórias na sua progressão. Quase ouvia o seu cérebro trabalhar, como se fosse uma engrenagem cujas rodas dentadas precisassem de lubrificação.

"Não estou certo que... não sei se... estás a falar a sério?"

"Estou a falar a sério", confirmou-lhe o amigo. "Estou disposto a investir o meu dinheiro e a dar o 'meu' nome ao 'teu' projecto", disse, acentuando os pronomes. "Eu não percebo nada disto, serei apenas o homem do capital e dos conhecimentos para desbloquear algumas cenas e fazer as coisas acontecer. Mas preciso de alguém lá dentro do campo que esteja totalmente identificado com a ideia e que garanta que vamos no caminho certo."

"Mas eu não tenho experiência como treinador", protestou Frodo Zarco.

"Frodo, isto é um investimento sério. Será preciso meter muita massa no Amora. Ganhei bem durante a minha carreira, mas não quero correr o risco de arranjar aqui um sorvedouro de dinheiro. Se isto for para a frente, não vou meter dinheiro para investir na equipa. Todo o investimento será nas infraestruturas. Tenho de ter um treinador que não ande a chorar por reforços e que aposte na formação. Alguém que desde o primeiro dia saiba o que queremos fazer. Essa pessoa és tu."

"E se recusar?"

Bilbo Himura recostou-se na sua cadeira. Puxou outra passa do seu cigarro enquanto olhava longamente nos olhos do seu amigo, expeliu-a sonoramente e respondeu-lhe com suavidade.

"Nesse caso, não invisto. Não invisto, o projecto não avança e o Amora continua com as suas dívidas, com a Medideira a cair aos bocados e a Margem Sul sem clubes de referência."

"Isso é um ultimato", retorquiu Frodo Zarco.

"Ambos sabemos que não faço ideia do que isso é. Tu é que és o gajo dos miolos, eu sou apenas um futebolista. Também sabias dar uns pontapés na bola, vá", acrescentou Bilbo a rir-se, "mas sempre foste o gajo inteligente, não eu. E para avançar com isto, esta é a minha condição."

 

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O Amora recebia o Casa Pia na 24a jornada

 

Frodo Zarco aguardava no túnel da Medideira. Era dia 24 de Fevereiro de 2024 e lembrava-se vivamente da noite em que Bilbo Himura o coagira a tornar-se treinador do Amora. Fora há quase três anos. Apenas três anos, mas tanta coisa aconteceu entretanto que parecia ter sido noutra vida.

Treinou dezenas de jogadores. Conheceu miúdos fantásticos e estabeleceu amizades para a vida. Promoveu vários jovens e viu-os crescer para se tornarem jovens adultos cheios de vida, talento e com futuros promissores à sua frente. Venceu uma Liga 3 e voltou a colocar o Amora na Segunda Liga mais de trinta anos depois da última presença do clube nesse escalão.

Estava até agradecido a Bilbo Himura por o ter colocado entre a espada e a parede nessa noite. Ser treinador de futebol não havia sido propriamente algo que sonhara, mas adorara cada minuto da sua nova função. Passados três anos, não se imaginava a fazer outra coisa. Sentia que nascera para aquilo.

Entrou no relvado quando foi anunciado e ouviu os quase seis mil adeptos ovacionarem-no efusivamente. Os seus próprios jogadores faziam uma guarda de honra à saída do túnel. Percorreu-o timidamente, recebendo aplausos dos seus meninos, e percorreu o relvado até onde vários dignitários aguardavam num palanque improvisado.

O próprio Bilbo Himura estava entre eles. Deu-lhe um abraço apertado.

"Sempre soube, sempre acreditei em ti. Mereces isto", disse-lhe ao ouvido, quase num sussurro, momentos antes de lhe entregar um pequeno troféu. Frodo Zarco fez um sorriso amarelo para as câmaras exibindo o troféu, mas o sorriso tornou-se aberto e sincero quando olhou depois para as palavras que lá estavam gravadas. Ergueu-o fugazmente na direcção das bancadas da Medideira. Recebeu mais aplausos.

A cerimónia terminou tão depressa quanto começara. O palanque foi rapidamente desmontado, os jogadores já tinham retornado para o túnel e preparavam-se para a entrada formal das equipas em campo. Havia um jogo para disputar.

Frodo Zarco voltou a olhar para o troféu enquanto se encaminhava para o banco de suplentes.

"Cem jogos como treinador do Amora Futebol Clube", estava gravado no troféu.

Era um orgulho para ele, enquanto filho da Margem Sul, ser reconhecido pela sua gente. Fez a sua formação no Amora, estreou-se como futebolista sénior no clube, foi sócio toda a sua vida, fez parte da claque, acompanhou a equipa por vezes em condições bem desagradáveis (ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 1). Amava a cidade de Amora. Amava o Amora Futebol Clube. Ser parte da história de ambos enchia-o de orgulho.

Chegou ao banco de suplentes e entregou o troféu à sua esposa, que esperava por ele na bancada. Deu-lhe um beijo bem repenicado que levou os adeptos em volta e os ocupantes do banco de suplentes a reagirem espontaneamente.

"Ehhhhhhh!"

"Logo à noite vais ter sorte!"

"Dê-lhe, 'mister'!"

Riu-se e viu a sua esposa corar de vergonha enquanto desaparecia por entre a multidão na direcção dos camarotes. Piscou o olho de forma marota a Léléco, que fora um dos instigadores daquele momento, arregaçou as mangas e mudou o chip.

A partir daquele momento, aquela pequena cerimónia e os registos deixavam de ter importância. Havia um jogo para ganhar e o Amora precisava urgentemente de uma vitória.

 

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A entrada no ano 2024 não foi amigável para o Amora

 

Novembro e Dezembro de 2023 foram meses brilhantes para o Amora. As cinco vitórias e dois empates obtidos catapultaram o maior da Margem Sul para uma liderança inesperada da Segunda Liga, alcançando ainda pelo meio duas vitórias na Taça de Portugal que permitiram igualar a melhor prestação de sempre do clube ao alcançar os Quartos-de-Final da Prova Rainha (ver Capítulo XVII - Unidade de Potência). Estas prestações valeram-lhe mesmo o prémio de treinador do mês de Dezembro da Segunda Liga, o seu primeiro prémio mensal enquanto treinador profissional.

Janeiro de 2024 foi um choque de realidade. A visita ao vizinho Seixal marcou a primeira derrota do Amora depois de uma sequência de doze jogos sem perder na Segunda Liga e respectiva perda da liderança na prova. No jogo seguinte, o Amora foi eliminado da Taça de Portugal pelo Vitória SC e a sequência de jogos que se lhes seguiu também não foi famosa.

Sentia-se que a equipa estava a perder gás. Era evidente que os resultados recentes colocavam em cheque o sonho dos amorenses em alcançarem uma inesperada promoção ao escalão maior do futebol português.

O Casa Pia surgia como um adversário teoricamente acessível e ideal para retornar aos bons resultados. O conjunto lisboeta de Pina Manique lutava para não ser despromovido à Liga 3 e também atravessava uma crise de resultados negativos. Era um jogo potencialmente definidor para o futuro de ambas as equipas.

O Amora assumiu as despesas do jogo desde o primeiro minuto, conforme lhe competia. Jogava na sua máxima força, agora com Martim Watts no meio-campo no lugar de Léléco. O jovem médio de apenas 18 anos era um autêntico dínamo, fazendo jus ao seu apelido, sempre em movimento e fazendo a bola circular rapidamente. A substituição de Léléco por Watts acabou por ser natural; o afroastro, agora com 33 anos, perdeu fulgor e deixou de ser um elemento diferenciador nesta sua última época enquanto futebolista, como fora noutras temporadas.

A primeira parte chegou ao seu término sem alterações no resultado. O Casa Pia não fez qualquer remate, mas o Amora também não criou perigo, esbarrando na muralha defensiva dos lisboetas sem a conseguir furar.

Os segundos quarenta e cinco minutos iam pelo mesmo caminho e Frodo Zarco começou a sentir crescer a impaciência dos adeptos. Continuando a ser a falange de apoio que sempre conhecera, apaixonada e fiel, notava porém que a frustração ia tomando conta dela.

Passes transviados que noutros períodos mais positivos mereciam aplausos de conforto, geravam agora audível agitação entre os adeptos. Aos desentendimentos entre colegas de equipa que levavam à perda de bola, os adeptos reagiam já não com compreensão, mas antes com contestação. Os remates desenquadrados que não levavam perigo já não mereciam aprovação pela iniciativa e eram seguidos por manifestações de desilusão.

Os jogadores no relvado apercebiam-se disso, obviamente. A equipa estava ansiosa e instalava-se um certo nervoso miudinho entre os atletas, o que os levava a desperdiçar bons lances ofensivos por precipitação que, por sua vez, agudizava a impaciência dos adeptos. Era um efeito bola de neve que ia crescendo, influenciando-se mutuamente.

Já a segunda parte ia a meio quando o próprio Frodo Zarco começou a impacientar-se. A posse de bola estava repartida entre as duas equipas e, embora o Amora estivesse sólido defensivamente e fosse a única equipa a atacar a baliza adversária, fazia-o sem causar perigo. Crescia a sensação que só por milagre alguma coisa aconteceria naquele jogo.

Discutia com a sua equipa técnica possíveis alterações quando o guarda-redes David Grilo despachou uma bola com um pontapé longo. O central casapiano Zé Oliveira saltou sozinho para ganhar o lance, mas, de alguma forma, falhou o tempo de salto. Flávio Silva foi lesto a aproveitar a falha de julgamento do seu adversário e isolou-se na cara de Lázaro.

O matador renascido não esteve com meias medidas. Talvez pela ansiedade que também os jogadores sentiam, nem esperou pela saída do guarda-redes adversário e rematou mesmo de fora da área, abdicando de se aproximar mais da baliza. Frodo Zarco ia reclamar da decisão, mas conteve-se ao ver a bola fazer agitar as redes da baliza.

Soltou um profundo e audível suspiro de alívio. O milagre aparecera e estava molhado o biscoito. O mesmo suspiro de alívio percorreu as quase seis mil almas que marcavam presença na Medideira naquela tarde, bem como os seus jogadores que festejaram em grupo, abraçados numa roda na grande área adversária. Até David Grilo lá estava, tendo percorrido toda a extensão do relvado numa correria desenfreada para abraçar os seus colegas, ele que fizera a assistência para o golo de Flávio Silva.

O Amora acalmou um pouco, mas a ansiedade continuava lá. O Casa Pia aproximou-se da grande área em diversas ocasiões, terminando o jogo até com mais posse de bola. A sensação de a qualquer momento a vitória lhes ser sonegada nunca abandonou o coração dos amorenses, que passaram o resto do tempo a tremer, alguns adeptos roendo as unhas e outros a tapar os olhos para lidar com os seus receios.

Os minutos foram passando e o Casa Pia despejou algumas bolas na área do Amora, chegando a conquistar dois pontapés de canto já perto do final. Conseguiu até visar a baliza por uma ocasião. Felizmente, as aproximações, embora potencialmente perigosas, não se concretizaram em ocasiões efectivas de golo.

O apito final do árbitro João Carlos Almeida foi imediatamente acolhido pelos adeptos com festejos efusivos. E muitos suspiros de alívio - principalmente com um profundo e colectivo suspiro de alívio. Sobreviveram ao assédio final e asseguraram uma fulcral vitória para as suas aspirações.

 

 

Não foi a melhor das exibições por parte dos azuis da Margem Sul. Bem longe disso. Foi um jogo frustrante e emocionalmente desgastante. Os três pontos ficavam na Medideira, mas a exibição não agradara a ninguém.

Por outro lado, o Amora atravessou um período conturbado no início de 2024 e esta vitória era apenas a segunda alcançada em dois meses. Mais do que nota artística, o que se pretendia era um resultado positivo - e esse apareceu. Sofrido, suado, mas apareceu.

 

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Segunda Liga à 24a jornada

 

Uma forma de lidar com a desilusão que foram os meses de Janeiro e Fevereiro era olhar para a classificação e perceber que o Amora continuava na linha da frente da luta pela promoção. Mais do que isso, o maior da Margem Sul despachou os duelos com primeiro, terceiro, quinto e sexto classificados da Segunda Liga. A maioria dos dez jogos em falta seriam contra equipas de meio e fundo da tabela.

Frodo Zarco juntou-se aos jogadores para o momento de comunhão com os adeptos no final da partida. Hoje fora o seu dia. Habitualmente mais reservado, deixando os seus jogadores colherem os louros dos bons resultados, o facto de ser o seu centésimo jogo ao comando do Amora tornava-o o centro das atenções e não pôde evitar estar lá, bem no centro do grupo de trabalho.

 

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Os registos históricos dos primeiros cem jogos de Frodo Zarco no Amora

 

Não tinha ilusões quanto ao seu futuro. O registo dos seus primeiros cem jogos era claramente positivo, mas bastaria uma má série de resultados para eles de nada valerem. Assim é a vida de um treinador de futebol: o crédito alcançado no passado esgota-se muito rapidamente se os resultados no presente não forem satisfatórios.

O Amora venceu naquela tarde, mas o que Frodo Zarco sentiu durante o jogo foi um sintoma que não poderia ignorar. A equipa não carburava como na primeira volta. Os adeptos estavam a ficar ansiosos com os desapontantes resultados.

Num dia que se queria de festa, ele regressava a casa mais preocupado do que nunca. Alguma coisa teria de mudar.

Mas o quê?

 

Em spoiler, como habitual, os prints dos jogos e breves descrições para os contextualizar no período deste Capítulo.

 

De certa forma, este ciclo terrível dava para antecipar. Já na primeira volta tivemos um início de ano complicado contra a maioria das equipas teoricamente mais difíceis, não admira que na segunda volta tenha acontecido algo parecido.

O ciclo começou logo com dois jogos dificílimos. O Benfica B é quase unanimemente considerada a melhor equipa da Segunda Liga, com gente como Helton Leite, Soualiho Meité, Ilija Vukotic, Jota, Ronaldo Camará, Adel Taarabt, Rodrigo Pinho e Harris Seferovic a fazerem semanalmente a diferença sobre os seus adversários.

A estrela da companhia, ainda assim, é Everton Cebolinha e foi ele a decidir um jogo equilibrado, mas em que a sua velocidade criou desequilíbrios nas costas dos centrais do Amora. Acabou por ser um resultado justo. Foi também a primeira vez desde a 5a jornada que não marcámos pelo menos um golo - estivémos doze jogos consecutivos sempre a meter pelo menos uma bola dentro da baliza adversária.

Refira-se ainda que rodámos alguns jogadores, isto porque o jogo seguinte era daí a quatro dias e era contra...

 

 

... o Vitória SC. Este jogo foi a prioridade nesta fase pois queríamos fazer um brilharete. Não se concretizou.

Não vale a pena falar mais deste jogo, foi objecto do Capítulo XVIII - O quarto grande, passemos à frente.

 

 

A primeira e única vitória em Janeira aconteceu na recepção ao Estrela. Foi jogo de sentido único desde que o Estrela marcou o primeiro golo num remate de longe (o 29384881294° golo que sofremos esta época em remates de fora da área) e foi extremamente parecido ao jogo focado neste Capítulo contra o Casa Pia: frustrante, irritante e com a ansiedade a crescer a cada ataque desperdiçado.

O Flávio Silva acabou por resolver o jogo na recta final assinando um muito bem-vindo hattrick.

 

 

Nada a dizer aqui, o empate contra o Chaves foi justo. Não nos superiorizámos ao adversário apesar de eles ocuparem nesta fase a segunda metade da tabela, o jogo poderia ter caído para qualquer um dos lados, acabou por ficar assim com a respectiva divisão de pontos.

 

 

Recebemos a Belenenses SAD uma volta depois de os vencermos no Jamor (ver Capítulo XV - Gabriel, o Capixaba). Entrámos bem com mais um golo do Flávio Silva, que depois viu um outro anulado por pretensa falta sobre um adversário (até os comentários do jogo disseram que pareceu uma decisão muito rigorosa), e sofremos um golo antes do intervalo que selou o empate - sim, acertaram, foi um remate de longe.

A Belenenses SAD foi marginalmente superior na segunda parte, mas não o suficiente para justificar a vitória. O empate aplicou-se bem.

 

 

Temos de falar sobre o Arouca.

Odeio o Arouca. A estúpida camisola amarela irrita os olhos e dá-me fome - na Margem Sul, durante a infância de Frodo Zarco dizia-se que o amarelo era a cor da fome. Não perguntem, nunca entendi porquê. O estádio deles é estranho. É longe da Margem Sul. E... não vale a pena, não os odeio, estou é aziado.

É que foram eles a eliminar o Amora da Taça de Portugal na época passada (referido brevemente no Capítulo X - O afroastro), venceram-nos na primeira volta desta época e agora vêm à Medideira sacar-nos pontos.

Aquele avançado, o palestiniano Oday Dabbagh, é uma autêntica besta contra nós. O Arouca marcou-nos cinco golos este ano, todos da sua autoria. Inacreditável.

Da nossa parte, destaque para o matador renascido que bisou na partids e leva sete golos em quatro jogos, tendo marcado em todos eles.

 

 

Por fim, a deslocação ao Nacional. Na primeira volta empatámos contra os madeirenses, numa altura em que estes estavam por baixo e a ocupar lugares de aflitos na tabela, mas em que referi que eles tinham mostrado ter qualidade para mais.

Pois bem, chegaram a este jogo com vinte e seis pontos conquistados nos últimos onze jogos, tendo perdido nesta fase apenas contra Benfica B, e estavam subitamente na luta pela promoção.

O jogo foi equilibrado, mas um push final deu o bónus necessário para o Nacional sacar a vitória. O primeiro golo numa bola metida nas costas da minha defesa, o segundo num remate de longe. Foi poético sofrer dois golos da forma padrão com que tenho sofrido golos ao longo de toda a temporada.

Depois deste jogo foi a vitória sobre o Casa Pia, objecto deste Capítulo, não tenho muito mais a dizer: cem jogos pelo Amora, saldo positivo, equipa a perder gás e a clara sensação que se não fizer algo vamos cair por ali abaixo.

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Quebra de rendimento nesta viragem de ano, ainda assim continuas em destaque para a subida. 

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Apesar da má perfomance nestes jogos a subida direta continua na mesma e continuas na luta para espreitar o título.

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É verdade que o calendário facilita, mas vais tão dar choke à promoção e vai ser hilariante

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Citação de Tuckius, há 23 horas:

Quebra de rendimento nesta viragem de ano, ainda assim continuas em destaque para a subida. 

 

Citação de Banks29, há 9 horas:

Apesar da má perfomance nestes jogos a subida direta continua na mesma e continuas na luta para espreitar o título.

Para ambos: sim, o grande feito neste período foi termos sobrevivido a resultados adversos mantendo-nos no grupo de frente. Já no ano passado tivemos uma quebra quando apanhámos os adversários mais fortes, embora na altura tenha sido no final da época.

Citação de El Shafto, há 9 horas:

É verdade que o calendário facilita, mas vais tão dar choke à promoção e vai ser hilariante

Tal como o Bilbo Himura fez ao Frodo Zarco neste Capítulo, estou neste momento a mostrar-te aquele dedo que se ergue isoladamente em certos momentos. Enjoy.

😁

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Estou desolado...pensei que vinham novidades quanto ao investimento no clube!

Fase complicada e conturbada, como dizes, a nível de resultados. Algo que já esperávamos e que não nos surpreende nesta versão 😅 com jogos sem grande história e com muito stress porque queremos mudar para melhor e nada acontece !

Cada vez mais me conformo que estás fases são "naturais" e que devemos continuar a apostar nas nossas ideias! Os resultados acabam por aparecer.

No final de contas, enfrentaste equipas fortes que se encontram bem colocadas e no fim acabas por estar em "primeiro" na classificação!

Vamos acreditar que o plantel vai aproveitar este resultado perante o Casa Pia para seguir para uma boa sequência, onde vai enfrentar equipas mais acessíveis!

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Citação de Kluivert, há 7 horas:

Estou desolado...pensei que vinham novidades quanto ao investimento no clube!

Fase complicada e conturbada, como dizes, a nível de resultados. Algo que já esperávamos e que não nos surpreende nesta versão 😅 com jogos sem grande história e com muito stress porque queremos mudar para melhor e nada acontece !

Cada vez mais me conformo que estás fases são "naturais" e que devemos continuar a apostar nas nossas ideias! Os resultados acabam por aparecer.

No final de contas, enfrentaste equipas fortes que se encontram bem colocadas e no fim acabas por estar em "primeiro" na classificação!

Vamos acreditar que o plantel vai aproveitar este resultado perante o Casa Pia para seguir para uma boa sequência, onde vai enfrentar equipas mais acessíveis!

O que me mete mais impressão é que apesar de estar a sofrer mais golos do que pretendia, ainda sou das melhores defesas. Raramente uma equipa sofre menos de 30 ou 40 golos por ano, mesmo as melhores. É surreal e irrita-me, sempre gostei e tive orgulho de sofrer poucos golos nos meus saves e aqui... não consigo.

Quanto a investimentos, o seu a seu tempo. Não posso falar muito mais.

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Capítulo XX - O capitão Mareta

 

Os seus homens equipavam-se em silêncio. Havia alguma expectativa no ar, uma espécie de ansiedade pelo iminente  início do jogo. O treinador andava em passos lentos pelo balneário, de mãos nos bolsos, aparentemente tranquilo. Era apenas aparência, claro. Como habitual, Frodo Zarco parecia uma pedra de gelo no exterior estando porém a ferver interiormente.

Tinham batalhado muito para ali chegar. Trabalharam afincadamente durante todo o ano. Em certos momentos sofreram - oh!, como sofreram - e derramaram algumas lágrimas. Souberam lidar com a pressão e dar a volta aos momentos menos bons.

"É isso que distingue os meninos dos homens", dissera Frodo Zarco aos seus jogadores em certas alturas quando tudo parecia prestes a ruir. "É acreditar no nosso trabalho diário, dar a cara nos maus momentos sem colocar tudo em causa e continuar a ir em frente mesmo quando caímos. Levantamo-nos e continuamos a andar."

Não precisava dizê-lo naquele momento. Os jogadores sabiam-no e tinham demonstrado que as suas palavras não haviam sido em vão. Era um grupo de trabalho jovem, mas mesmo os meninos do grupo revelaram uma maturidade apreciável. Estava orgulhoso de todos eles.

A porta do balneário abriu-se e entraram dois vultos.

Um deles era o inconfundível Bilbo Himura. Muito mais delgado no seu dispendioso fato feito por medida - resultado das tareias que Frodo Zarco lhe tinha dado diariamente (ver Um dia especial) -, entrou acompanhado de um senhor já na casa dos oitenta anos de idade.

Os jogadores entreolharam-se, surpreendidos. Não reconheciam aquela figura e não percebiam o que ali estaria a fazer naquela altura, uns dez minutos antes do início de um jogo tão importante. No entanto, a prontidão com que Frodo Zarco se lhe dirigiu, demonstrando tamanho cuidado e até deferência, deixou-os de sobreaviso - e mais quando Joca se precipitou para o cumprimentar, igualmente solícito.

"Malta", começou Frodo Zarco, "muitos de vocês são demasiado novos para saberem quem este senhor é, se calhar só o Joca sabe, mas ele está aqui a meu pedido para vos dar uma palavrinha."

Os traços de surpresa nos seus rostos deram lugar à curiosidade.

"Este senhor chama-se Mareta. Jogou vinte e dois anos no Amora nos anos 50, 60 e 70, mais de dez como capitão e nunca representou mais ninguém." Calou-se durante alguns segundos e ninguém se atreveu a quebrar o silêncio. "É uma das lendas do nosso Amora e representa a verdadeira mística amorense. Ouçam-no com atenção, quero que sintam aquilo por que vão jogar hoje."

 

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Mareta nos seus tempos de jogador envergando a braçadeira de capitão

 

Caminhou para o centro do balneário, surpreendentemente ágil apesar dos seus 81 anos de idade. Mário Pereira, conhecido por Mareta, olhou em sua volta antes de começar a falar.

"Obrigado, 'mister' Frodo, por esta oportunidade de aqui estar. Antes de mais, quero agradecer-vos a todos pelo que têm feito. Nem imaginam o orgulho que sinto em ver o nosso Amora tão forte." Olhou em seu redor, estabelecendo contacto visual com vários jogadores que lhe sorriram de volta. "Joguei toda a minha vida no Amora. Comecei com 14 anos na década de 1950 e nunca mais saí. Tive propostas de outros clubes: o Seixal até queria pagar-me mais por mês do que o Amora me pagou em toda a minha carreira. Mas como podia abandonar a minha segunda família e ir para um rival?"

Frodo Zarco sorriu ao ouvir aqueles palavras. "Outros tempos", pensou com os seus botões.

"Os tempos são outros e não vos peço que façam o mesmo", continuou Mareta como se tivesse lido os pensamentos de Frodo Zarco, "mas se respeitarem a camisola e o símbolo que trazem ao peito já fazem o suficiente. Não se esqueçam que representam um clube centenário ao qual muita gente dedicou a vida. Eu ganhava dois contos por mês [nota: dez euros nos dias de hoje]. Andei a bater de porta em porta a pedir dinheiro e a vender rifas para o clube não fechar. Quando se construiu a primeira bancada da Medideira, não havia dinheiro para pagar aos pedreiros e andei eu, os meus colegas e alguns sócios a fazer de serventes. Ainda é a bancada que hoje lá está e que só agora, sessenta anos depois, está a ser melhorada graças a este senhor."

Apontou para Bilbo Himura, que lhe colocou carinhosamente uma mão no ombro.

"Vocês não sabem", atalhou Bilbo Himura, "mas este senhor era um 'centralão' à antiga. Se a bola passava, não passava o jogador. Os adversários tinham medo de chegar à área e dar de caras com ele", riu-se.

"Tinha de ser. Era como jogávamos: a bola tinha de ficar ali; se não ficasse, o adversário não podia passar", confirmou Mareta. "Os jogos eram duros, os campos eram pelados, só o Lusitano de Évora e o Casa Pia é que tinham relvados, o resto era terra com pedregulhos que magoavam os avançados quando os mandava ao chão."

Os jogadores riram-se.

"Joguei pelo Amora nas Distritais, na III Divisão e na II Divisão. Os jogos mais difíceis eram sempre contra os rivais: Seixal, Alcochete, Cova da Piedade, Sesimbra... acabavam sempre com pancadaria fora de campo. Uma vez o Albano, o dos 'cinco violinos' do Sporting e que era meu treinador no Amora, teve de fugir para cima de um autocarro em Alcochete porque os gajos queriam bater-lhe."

Frodo Zarco observava silenciosamente os seus jogadores. Escutavam com atenção, embevecidos, as palavras daquela velha glória do Amora. Sem dar por isso, acenava positivamente com a cabeça, aprovando a reacção dos seus meninos.

Infelizmente, porém, os minutos passaram e esgotou-se o tempo para ouvir aqueles ecos do passado. Mareta ter-se-á apercebido disso, também, pois o seu tom denotava que se encaminhava para o final da sua intervenção.

"Eu adorava estes jogos como o que vocês vão ter hoje. São estes jogos que vale a pena serem jogados. São bons para vocês e para o Amora crescerem. Não vos peço para jogarem a vida toda no Amora como eu, são outros tempos e isso do amor ao clube já não existe", repetiu Mareta, "mas enquanto aqui estiverem, não se esqueçam de todos aqueles que lutaram para este clube existir, por vezes com grande sacrifício pessoal, respeitem e suem a camisola e deixem-nos orgulhosos como fizeram até aqui."

Fez um compasso de espera antes de finalizar com uma confissão que fez doer todos os corações naquele balneário.

"O Amora parece estar a reerguer-se para voltar a ser o que era no meu tempo, as pessoas da cidade estão outra vez a unir-se em torno do clube. Tenho 81 anos, tudo o que quero quando morrer é saber que o meu Amora, a quem dediquei grande parte da minha vida, fica cá e fica bem."

Recebeu uma ovação sentida de todos os jogadores. Bilbo Himura deu-lhe um abraço, de lágrimas nos olhos. Frodo Zarco e Joca não descansaram enquanto não puderam fazer o mesmo.

Bilbo Himura e Mareta preparavam-se para sair do balneário quando Frodo Zarco os interpelou.

"Como está aquilo lá fora?"

"Uma invasão da nossa malta, parece que estamos na Medideira", respondeu o seu amigo com mal disfarçado orgulho.

 

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O Amora deslocou-se ao Estádio do Mar para defrontar o Leixões

 

Bilbo Himura não exagerara.

O Amora deslocava-se a Matosinhos e partiu da Margem Sul na véspera, com intenções de pernoitar no Porto antes daquele jogo. Jogadores e equipa técnica foram surpreendidos aquando da saída da Medideira por uma invasão de amorenses desejosos por demonstrar o apoio da cidade ao seu clube. Pessoas anónimas, homens e mulheres, idosos e crianças, viam-se de ambos os lados de um corredor pelo qual o autocarro avançava em marcha lenta. Viam-se cachecóis erguidos e bandeiras esvoaçantes pelo meio de fumos azuis libertados por vários elementos dos Espírito Azul.

O corredor prolongou-se pelas ruas da cidade de Amora, denso e entusiástico, e só já na saída da cidade, pouco antes de o autocarro chegar à entrada da autoestrada A2, ae tornou menos denso.

Dezenas de autocarros cheios de adeptos saíram da zona da Medideira rumo a Matosinhos no dia seguinte, de manhã bem cedo. Percorreram a distância de mais de 300 quilómetros parando apenas em Fátima, onde os adeptos mais religiosos apelaram à bênção divina para o jogo, e chegaram ao Parque da Cidade, no Porto, ao final da manhã. Aí almoçaram e conviveram antes de rumarem ao seu destino final: o Estádio do Mar.

A onda azul formada por cerca de novecentos amorenses, que enchiam uma das bancadas atrás da baliza, não esperava menos do que aquilo que era o objectivo do Amora para aquele jogo.

Garantir a promoção à Primeira Liga.

 

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A onda azul acompanhou a equipa naquele momento que se esperava ser histórico

 

A estrada até àquele dia foi dura e longa. Os homens de Frodo Zarco passaram por séries de vitórias e jogos consecutivos sem perder, mas também por momentos em que lhes parecia que o passo que estavam a dar era maior do que o alcance das suas pernas. Por vezes as dúvidas fervilhavam nas suas cabeças: teriam o que era necessário para batalhar com equipas mais experientes e melhor apetrechadas para a candidatura à promoção?

"É acreditar no nosso trabalho diário, dar a cara nos maus momentos sem colocar tudo em causa e continuar a ir em frente mesmo quando caímos. Levantamo-nos e continuamos a andar," dissera Frodo Zarco aos seus jogadores em vários momentos. Mas ele próprio percebeu, a certo ponto, que não estavam a caminhar rumo ao sucesso. No final de Fevereiro de 2024, e apesar da vitória sobre o Casa Pia, o Amora estava em quebra exibicional (ver Capítulo XIX - O centésimo jogo). Era preciso mudar algo.

Frodo Zarco acabou por surgir no treino seguinte ao desse jogo com uma ideia reciclada: retornar ao velhinho 4123 que tão bons resultados havia dado noutros tempos. A subida de um dos centrais para o meio-campo deixaria mais espaço atrás, mas se mesmo com três centrais esse espaço surgia, não haveria muito a perder, pois não?

Em compensação, a existência de um médio defensivo colocou alguma presença na zona frontal à grande área, de onde muitos golos foram sofridos por remates de longe, e dava uma linha de passe segura fora da zona de pressão a quem os colegas mais ofensivos podiam recorrer em segurança quando pressionados, permitindo à equipa recomeçar os lances ofensivos do princípio.

 

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Frodo Zarco voltou a mudar a disposição dos seus elementos em campo

 

Os jogadores reagiram bem às propostas, o trabalho diário permitiu mecanizar e rotinar rapidamente os posicionamentos e referências, e os resultados surgiram. O Amora chegava ao Estádio do Mar, em Matosinhos, dependendo apenas de si para alcançar a promoção.

A onda azul engoliu sonoramente o apito do árbitro quando o jogo começou e mantiveram a toada durante os primeiros minutos. Eram cerca de novecentos [nota: novecentos foi o número de adeptos no estádio, mas dado o contexto do jogo apropriei-me dele para ser a presença de adeptos do Amora, pareceu-me apropriado] e estavam entusiasmados com a possível promoção da sua equipa.

Não tiveram de esperar muito pelo primeiro golo. Odailson marcou um livre lateral pela direita e Leonardo Brandão, o menino Léo, cabeceou para o fundo das redes, inaugurando o marcador e deixando os adeptos em autêntica apoteose.

O caminho estava aberto e o primeiro passo estava dado.

Leonardo Brandão estava a ser um dos grandes destaques do Amora nesta fase da época. Embora Flávio Silva fosse o dono habitual da posição, o menino Léo substituía-o amiúde sem grandes variações de rendimento, marcando alguns golos importantes. Por isso, quando o matador renascido voltou a lesionar-se, Frodo Zarco soube que a equipa iria manter o nível ofensivo mesmo tendo acabado de perder o seu melhor marcador.

Leonardo Brandão crescia em preponderância e era difícil não acreditar que faria parte do futuro do Amora.

 

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A lesão de Flávio Silva fê-lo perder vários jogos

 

Mais procupante para Frodo Zarco foi a lesão de outro elemento essencial à manobra ofensiva do Amora. Gabriel Capixaba sofreu uma distensão na virilha no início de Abril, em jogo contra a Oliveirense para a 29a jornada, e o diagnóstico não era famoso: cerca de um mês de paragem, o que poderia bem significar o final da temporada para o avançado brasileiro.

Abas Djaló foi o eleito para ocupar a posição de Gabriel Capixaba no onze. Veloz e tecnicista, com particular à-vontade no um para um, o internacional guineense entregou-se de alma e coração à tarefa... mas era impossível substituir Gabriel Capixaba.

A equipa, ainda assim, encontrou em si formas de se reinventar face à ausência de dois dos seus jogadores mais influentes e chegava ao intervalo em Matosinhos em vantagem e a quarenta e cinco minutos de carimbar a promoção à Primeira Liga.

 

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Gabriel Capixaba ficou impedido de dar o seu contributo na fase final da temporada

 

Frodo Zarco pediu concentração aos seus jogadores. Foi o único pedido que lhes fez no balneário durante o intervalo. O Amora estava claramente por cima do jogo, mas por vezes basta uma desatenção ou lance fortuito para tudo ruir como um castelo de cartas.

Os seus meninos ouviram-no. Entraram dominadores para o segundo tempo e aos 59 minutos Papou Mendes recebeu um cruzamento atrasado de Odailson e, à entrada da área, desferiu um golpe certeiro que deixou o Amora com pé e meio na Primeira Liga.

Só para tirar as dúvidas, não muito tempo depois o próprio Odailson, que já assinara as duas assistências, colocou o seu nome na lista de marcadores na recarga a um remate de Martim Watts.

Os jogadores jogavam bem e com confiança. O adversário parecia atarantado em campo. Das bancadas ouviam-se não apenas os Espírito Azul, mas todos os novecentos amorenses a gritar apaixonadamente o nome do seu clube e da sua cidade. Vinha bem lá do fundo da alma, um sentimento durante muitos anos recalcado por desilusões, agora livre para toda a gente ouvir, para difundir sonoramente pelo mundo.

Era o espírito amorense em todo o seu esplendor.

 

"Amora! Amora! Amora!"

 

O treinador observava e escutava em silêncio. O que via em campo, o que ouvia das bancadas... virou costas ao relvado, olhou para os ocupantes do seu banco de suplentes e disse simplesmente, com um ostensivo sorriso nos lábios e a voz a falhar-lhe, toada pela emoção:

"Está feito, estamos na Primeira Liga."

Os jogadores em campo também o sentiam. Os índices de concentração baixaram e o espírito competitivo foi esmorecendo. Lances simples eram perdidos pela busca da nota artística; demasiadas bolas eram dadas ao adversário na tentativa de malabarismos escusados; mesmo na defesa o rigor desapareceu, permitindo ao Leixões alcançar um golo de honra e mais algumas oportunidades.

Noutros momentos, Frodo Zarco teria ficado furioso com o que estava a acontecer. Naquela tarde, não. Ele próprio estava já algo distraído, ansioso pelo apito final do árbitro que significaria o libertar das amarras. Queria dar largas à emoção recalcada. Queria gritar e espernear e festejar. Queria...

O árbitro apitou e um rugido percorreu a bancada tomada de assalto pelas forças amorenses. Frodo Zarco ajoelhou-se no relvado e não se conteve; lágrimas jorraram pelas suas faces. Levou as mãos à cara para as segurar, mas era uma torrente demasiado forte para ser contida.

O Amora estava na Primeira Liga.

 

 

Foi de certa forma poético que a promoção à Primeira Liga tenha sido confirmada com o contributo decisivo dos meninos. Odailson com um golo e duas assistências, Leonardo Brandão e Papou Mendes com um golo cada, Martim Watts a fazer o remate que permitiu a recarga de Odailson para o seu golo. Cresciam visivelmente a cada jogo e tornavam-se cada vez mais figuras não só do futuro, mas também do presente.

E não apenas do Amora. As boas exibições dos seus meninos chamavam também a atenção dos seleccionadores nacionais. Odailson e Isaac Monteiro foram chamados a representar as selecções de Sub21 de França e Portugal, respectivamente.

 

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Odailson continua a ser chamado à selecção francesa de Sub21...

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... e Isaac Monteiro estreou-se pela selecção Sub21 portuguesa

 

Esta análise fez Frodo Zarco muitas, mas mesmo muitas, horas depois do apito final do árbitro. Naquele momento só pensava em celebrar. Celebrar com os seus jogadores, com a sua equipa técnica, com os responsáveis do Amora e com os adeptos, aquela maravilhosa massa humana que os acompanhou na aventura que foi a subida do Amora desde a Liga 3 até à Primeira Liga.

"'Mister'! Pega o cara ae!", gritava Gabriel Capixaba, meio a coxear, instigando os colegas a apanharem Frodo Zarco. Ainda procurou fugir, mas eles eram demasiados; agarraram-no e atiraram-no várias vezes ao ar, os braços e as pernas a mexerem-se como se fosse uma marioneta sem controle sobre os seus membros.

"Wooo! Wooo! Wooo!", entoavam os seus jogadores a cada lançamento ao ar.

De seguida foram ter com os adeptos. Ainda estavam na bancada que lhes fora destinada, tendo sido aí contidos pela acção dos seguranças e pelo vislumbre do material do corpo de intervenção da PSP que os controlava de perto, evitando-se uma tentativa de invasão de campo.

 

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Festejava-se um feito pelo qual o Amora esperou 41 longos anos

 

Frodo Zarco só podia imaginar o que estaria a acontecer naquele momento na Margem Sul, a mais de 300 quilómetros de distância. O que imaginava não andava longe da verdade. As ruas da cidade de Amora foram invadidas por foliões vestidos de azul, brandindo bandeiras, cachecóis e outros adereços.

Muitos deles celebravam algo que nunca tinham visto. O Amora Futebol Clube estivera pela última vez na Primeira Liga em 1983, ano em que foi despromovido para nunca mais voltar. Foram quarenta e um anos (41 anos!) de ausência e sofrimento, por vezes caindo até ao fundo do futebol português, ao inferno das competições distritais, tendo corrido várias vezes sério risco de fechar portas.

Muitos dos que festejavam nas ruas naquela tarde, homens e mulheres na casa dos trinta ou quarenta anos, nunca tinham visto o Amora na Primeira Liga. Cresceram, tornaram-se adultos, tiveram filhos e envelheciam já sem que tivessem tido esse gosto. Festejavam agora a promoção acompanhados pelos filhos, alguns deles lamentando por pais e avós que partiram antes de poderem testemunhar o Amora de novo no topo do futebol português.

Quarenta e um anos é demasiado tempo. É uma eternidade. É uma vida.

 

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A inesperada sequência de vitórias alcançadas...

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... permitiu a Frodo Zarco conquistar o seu segundo prémio mensal da carreira...

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... e ao Amora uma merecida promoção e a recuperação da liderança

 

A festa prolongou-se pela noite. Uma parte da massa humana que enchia ruas e avenidas concentrou-se nas imediações da Medideira quando começaram a surgir notícias de a comitiva do Amora já ter atravessado a Ponte Sobre o Tejo para o lado da Margem Sul - era já quase meia-noite.

Quando o autocarro entrou na cidade é que os jogadores deram conta do que os aguardava. Milhares de pessoas enchiam as ruas, atravessando-se à frente do autocarro e batendo nas laterais e até nos vidros, em absoluta loucura. Muitos dos jogadores nunca imaginaram fazer parte de algo assim - cenários destes só os viam em clubes grandes quando ganhavam campeonatos ou competições europeias.

A Direcção do Amora antecipara aquela situação e à chegada à Medideira já as bancadas, previamente abertas, estavam cheias e a abarrotar à espera dos jogadores. Estes entraram em campo para confraternizar com eles, acabando tudo numa amigável invasão de campo a que se seguiu um cortejo num autocarro descapotável pelas ruas da cidade.

A festa terminou já havia uma unha de claridade a desenhar-se a nascente por cima da linha do horizonte, sugerindo o iminente nascimento do sol.

Esgotado física e mentalmente, Frodo Zarco caiu na sua cama já o sol subia visivelmente no céu claro de uma radiosa manhã de Domingo, em Abril de 2024. Percorreram-lhe ideias e imagens pela cabeça, como rápidos flashes, momentos antes de adormecer.

O discurso de Mareta. Os golos dos seus meninos. Os festejos no final do jogo e as lágrimas emocionadas de Mareta quando a promoção foi confirmada. Os milhares que encontrou nas ruas à chegada à Margem Sul. Os seus filhotes equipados a rigor com o equipamento do clube e uma expressão orgulhosa nas suas pequenitas e infantis faces.

Adormeceu com um sorriso nos lábios e a sensação de dever cumprido.

 

Em spoiler, como habitual, os restantes jogos do período deste Capítulo e descrições para os contextualizar

 

Este ciclo de jogos parece brilhante, mas esteve bem longe de o ser. As vitórias foram suadas, conquistadas na raça e pela qualidade de jogadores como Gabriel Capixaba e Joca, que estão claramente a mais na Segunda Liga.

Os jogos foram maioritariamente divididos. A alteração táctica com a saída de Juary da defesa e a entrada de Martim Maia para o meio-campo fez exactamente aquilo que descrevi no Capítulo. A equipa tornou-se mais eficaz na circulação de bola, mas demos mais espaços atrás para os adversários explorarem.

Felizmente, os resultados foram bons, mas alguns jogos foram um sobressalto permanente até ao apito final.

 

 

O resultado obtido em Leiria não reflecte o pânico que foi este jogo - aliás, basta ver as estatísticas.

Foi a primeira vez que entrámos esta época em 4123 e até à meia-hora de jogo tínhamos zero remates. Foi nessa altura que o Gabriel Capixaba fintou o lateral leiriense ainda na linha de meio-campo, arrancou em velocidade, o central que surgiu para a dobra não teve pernas para o acompanhar e abrimos o activo.

A segunda parte foi terrível, desperdiçámos vários lances ofensivos e o Leiria a partir de certa altura caiu-nos em cima. Tiveram três ocasiões inacreditáveis de golo que não concretizaram nos minutos que precederam novo golo do Gabriel Capixaba.

Melhor o resultado do que a exibição, mas aceitámos de bom grado os três pontos... até porque o Benfica B foi perder a Coimbra e viu interrompida uma sequência de cinco vitórias consecutivas, o que nos permitiu encurtar a desvantagem para apenas três pontos - tecnicamente quatro pois eles têm vantagem no confronto directo.

 

 

Na semana seguinte, novo jogo cujo resultado é bem enganador. O Penafiel jogou de igual para igual na Medideira - o que era esperado, é um adversário directo na luta pelos primeiros lugares e vinha numa fase muito positiva - e até esteve a ganhar por culpa de uma penalidade estúpida cometida pelo Martim Maia.

Não pude deixar de pensar que dificilmente daríamos a volta, sempre tivemos alguma dificuldade em virar jogos em que entrámos a perder, mas Joca e Gabriel Capixaba pegaram na bola e levaram-nos a uma grande vitória.

É daqueles jogos que se fosse treinador do Penafiel teria ficado furioso, o resultado mais justo teria sido o empate.

Foi também neste jogo que perdemos o Flávio Silva.

 

 

Pelo terceiro jogo consecutivo, Gabriel Capixaba e Joca guiaram-nos para a vitória. Foi o primeiro jogo em que me senti descansado desde o final da primeira volta. Marcámos três golos e o Farense só criou perigo na fase final, tendo obtido um golo já nos descontos.

 

 

O descanso que foi o jogo em Faro permitiu-nos respirar antes de recebermos a Briosa. A Académica vinha de uma série de vários jogos consecutivos sem perder e as estatísticas reflectem muito bem o equilíbrio que pautou os noventa minutos.

O golo solitário do menino Léo valeu-nos a quarta vitória em outros tantos jogos sobre a Académica desde que subimos à Segunda Liga, o que não deixa de ser uma estatística curiosa dado serem um adversário de elevado grau de dificuldade.

 

 

E chegámos ao jogo em que senti pela primeira vez que não só a promoção não nos fugia, como o próprio título do Benfica B não estava garantido.

A lesão do Gabriel Capixaba deixou-me desolado e preocupado. Tem sido essencial à equipa, quer pelos golos e assistências, que pelos desequilíbrios que cria e que são visíveis no motor de jogo apesar de não contarem para as estatísticas.

O Abas Djaló entrou e até fez um bom jogo, mas é um downgrade ao brasileiro e isso notou-se no que foi o jogo. A Oliveirense luta para não descer e não lhes conseguimos criar perigo, foram muitos os lances de ataque que não chegaram a ter conclusão, cruzamentos não correspondidos, passes entrelinhas perdidos.

Marcámos um golo na recta final que foi anulado e pensei que fosse a pedra de toque para um frustrante empate, mas o menino Diego Raposo, repescado da equipa Sub23 pela ausência do Flávio Silva, marcou o seu primeiro golo na sequência de um pontapé de canto aos 89 minutos.

Que forma de se estrear a marcar enquanto profissional!

O facto de termos sacado uma vitória num jogo em que perdemos o nosso jogador mais influente, tendo surgido após um pressing final em que criámos vários lances ofensivos, mostrou-me que a equipa está em ponto rebuçado: quem vier, morre.

 

 

E o jogo seguinte, frente ao Académico de Viseu, acentuou essa percepção. Fomos melhores, Léo e Watts marcaram os golos de uma vitória mais curta do que merecíamos e o Paul Ayongo voltou a molhar a sopa contra nós. Se não me falham as contas, é o sexto golo que nos marca em quatro jogos.

Enquanto vencíamos na Medideira, o Benfica B empatou finalmente depois de quatro vitórias consecutivas após a derrota em Coimbra. Foi na recepção ao Sporting B e não poderia estar mais grato aos meninos de Alcochete, pois ficámos a apenas um ponto da liderança.

Após este jogo fomos a Leixões, jogo central do Capítulo, em que assegurámos a promoção à Primeira Liga ao alcançar a oitava vitória consecutiva.

Enquanto celebrávamos esse feito, o Benfica B perdeu não muito longe, em Vila do Conde, e recuperámos a liderança catorze jogos depois - perdemo-la na 18a jornada precisamente ao perder contra eles no Seixal.

Faltam três jogos e dependemos apenas de nós para somar à promoção um impensável título na Segunda Liga. Mas, desta vez, o calendário é duro e vai ser uma tarefa imensamente difícil.

Cá estarei para contar como foi no próximo Capítulo.

Editado por Black Hawk
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Que lindo. Isso foi arrasar tudo quem apareceu pela frente. Capitão Mareta parece aquele amigo da tasca da esquina.

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Que reta da equipa, fantástico mesmo e a promoção já está no bolso, vamos lá garantir o título.

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O Mareta que eu sinceramente nem conhecia, descreve bem os sacrificios do passado em equipas mais pequenas (alias até devem existir ainda casos mais ou menos semelhantes, nao a parte de o jogador também ser ajudante de pedreiro).  Penso que o discurso foi inspirador sobretudo pelo amor ao clube e isso depois viu-se em Matosinhos!

É um enorme feito do Amora e coroado com uma vitoria sem contestacao em Matosinhos. Tambem obvio excelentes os premios individuais e chamadas a seleccao....mas agora vem o mais dificil, jogar na primeira liga!

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Que 7 jornadas finais excelentes ❤️ Porra! Excelentíssimo trabalho, culminado com uma vitória excelente em Matosinhos, no velhinho Estádio do Mar! Tiveste ali uma fase da época bastante turbulenta e todos vimos e apontamos para tal, contudo, estes 7 últimos jogos roçaram o brilhante. Subida de divisão, título conquistado e venha a próxima etapa. 

Vamos com tudo! 

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Citação de cadete, há 13 horas:

Que lindo. Isso foi arrasar tudo quem apareceu pela frente. Capitão Mareta parece aquele amigo da tasca da esquina.

Não sejas mauzinho, o homem é uma lenda do Amora 😁

Citação de Banks29, há 9 horas:

Que reta da equipa, fantástico mesmo e a promoção já está no bolso, vamos lá garantir o título.

Dependemos só de nós apesar de haver jogos difíceis, principalmente os dois últimos. Mas depois falarei disso no próximo capítulo.

Citação de Burkina2008, há 9 horas:

O Mareta que eu sinceramente nem conhecia, descreve bem os sacrificios do passado em equipas mais pequenas (alias até devem existir ainda casos mais ou menos semelhantes, nao a parte de o jogador também ser ajudante de pedreiro).  Penso que o discurso foi inspirador sobretudo pelo amor ao clube e isso depois viu-se em Matosinhos!

É um enorme feito do Amora e coroado com uma vitoria sem contestacao em Matosinhos. Tambem obvio excelentes os premios individuais e chamadas a seleccao....mas agora vem o mais dificil, jogar na primeira liga!

Muitos clubes sobreviveram pela carolice de pessoas como o Mareta. Aliás, acho que todos os clubes de pequena e média dimensão têm figuras destas que fizeram a diferença em certos momentos.

Pessoalmente conheço alguns da região de Coimbra que investiram pessoalmente, dinheiro do próprio bolso a fundo perdido, que andaram a bater porta a porta, a organizar festas, bailes, rifas, etc, tudo o que pudessem salvar o clube.

No FM isto é dificílimo de emular e não quis perder a oportunidade para adicionar este layer à história - modéstia à parte, acho que foi uma óptima adição para dar alguma perspectiva das dificuldades destes clubes na história deste save.

Citação de Martini Branco, há 8 horas:

Que 7 jornadas finais excelentes ❤️ Porra! Excelentíssimo trabalho, culminado com uma vitória excelente em Matosinhos, no velhinho Estádio do Mar! Tiveste ali uma fase da época bastante turbulenta e todos vimos e apontamos para tal, contudo, estes 7 últimos jogos roçaram o brilhante. Subida de divisão, título conquistado e venha a próxima etapa. 

Vamos com tudo! 

Calma, vais demasiado depressa! Ainda faltam três jogos e o título está em disputa! 😁

Mas que os deuses te oiçam!

Citação de Hórus Eyes, há 1 hora:

Parabens pela subida

Até que enfim uma equipa do concelho Seixal na 1°Liga 🤟🤟

Confesso que me foquei tanto no tempo em que o Amora esteve sem jogar na Primeira Liga que nem me lembrei do concelho do Seixal, mas estive a cuscar registos e realmente o Amora foi o último representante não apenas do concelho do Seixal, como de toda a Margem Sul - excluindo o Vitória FC, que isso são outros quinhentos.

É demasiado tempo. Foi em 1983, fará para o ano 40 anos que a região está a seco. E fará mesmo, não há ninguém na Segunda Liga, sequer.

Lá está, é o título do save: Um oásis no deserto da Margem Sul. A região tornou-se um deserto autêntico em termos desportivos. É triste...

Btw, és representante do concelho? 😉

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Capítulo XXI - Um último livre

 

O regresso dos jogadores ao relvado foi aplaudido pela entusiástica plateia que enchia a Medideira.

Os ingressos para a 34a e derradeira jornada da Segunda Liga desapareceram das bilheteiras da Medideira assim que foram colocados à venda. Eram cerca de sete mil e oitocentos - os restantes não foram disponibilizados por questões de segurança relacionados com as obras em curso - e acreditavam num milagre.

"Um milagre", reflectia Frodo Zarco, sentado no banco de suplentes. Era isso que o Amora precisava. Faltavam quarenta e cinco minutos para terminar a época. A promoção já estava assegurada desde a 31a jornada, mas ainda havia uma ínfima possibilidade de alcançar o título da Segunda Liga. Seria a cereja no topo de um belo e delicioso bolo que a sua equipa confeccionara durante aquela temporada.

No entanto, e apesar de terem saído de Matosinhos com a liderança da competição e dependendo apenas de si próprios, o cenário ao intervalo da última partida não era nada animador.

 

 

O Amora deu continuidade à série de oito vitórias consecutivas que tivera o seu início frente ao Casa Pia (ver Capítulo XIX - O centésimo jogo) ao bater o aflito Vilafranquense, valendo-se de um golo do afroastro Léléco, que ainda espalhava classe nos seus últimos jogos da carreira.

Mas faltavam dois jogos de considerável grau de dificuldade. Logo no primeiro deles, na deslocação à vizinha vila de Alcochete para defrontar a equipa B do Sporting Clube de Portugal, o Amora viu ser interrompida a sua série de vitórias consecutivas. O melhor que os amorenses conseguiram trazer de volta foi um empate, alcançado pelo golo de Leonardo Brandão já durante a segunda parte - o menino Léo, refira-se, continuava em grande forma e somava o seu quarto jogo consecutivo a marcar, tendo facturado cinco vezes nos últimos seis jogos.

Para complicar a situação, as notícias que chegaram do Seixal davam conta de o Benfica B ter vencido o Estrela, o que os colocava em igualdade pontual com o Amora à partida para a última jornada - mas com vantagem no confronto directo.

O Amora partia para a última jornada sabendo que para alcançar o título teria de esperar que o Benfica B perdesse pontos em Chaves - e teria de fazer melhor do que os encarnados na recepção ao Rio Ave.

 

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O onze do Amora para o jogo decisivo da temporada

 

O Amora entrou bem e chegou a uma madrugadora vantagem por intermédio de Martim Watts. Controlando o jogo durante os primeiros quarenta e cinco minutos, dava a sensação que a equipa iria rumo a uma tranquila vitória, mas João Teixeira empatou perto do intervalo no único lance de ataque digno desse nome dos vila-condenses, resultado com que se chegou ao intervalo na Medideira.

Enquanto isso, as notícias de Chaves não eram as mais animadoras: o Benfica B vencia ao intervalo. Não só o Amora não cumpria a sua obrigação, como os rivais na luta pelo título da Segunda Liga não facilitavam.

Foi com este cenário que o Amora entrou em campo para disputar os derradeiros quarenta e cinco minutos da Segunda Liga. Antes de esperar por um milagre providenciado pelos deuses do futebol, precisavam de fazer a sua parte e derrotar o Rio Ave na Medideira.

 

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Frodo Zarco foi distinguido pelo segundo mês consecutivo, terceiro da carreira

 

O recém-eleito melhor treinador do mês de Abril, mês em que o Amora venceu todos os jogos que disputou, não pediu muito aos seus jogadores no balneário. A equipa estava bem em campo e sofrera um golo algo fortuito, pelo que se persistisse naquilo que estava a fazer a vitória acabaria por surgir. Era apenas necessário dar continuidade à garra e abnegação que demonstraram na primeira parte.

Os frutos surgiram logo na fase inicial do segundo tempo. Tal como haviam feito na primeira parte, os seus meninos voltaram a marcar aos oito minutos de jogo, desta vez por intermédio de Leonardo Brandão que aumentava para cinco as jornadas consecutivas a encontrar o fundo das redes adversárias.

Os festejos efusivos dos adeptos nas bancadas não ocultavam o facto de haver enorme ansiedade no ar. Naquele momento jogava-se em dois campos: ali, na Medideira, contra o Rio Ave, mas também a 450 quilómetros de distância, em Chaves, onde o Benfica B continuava a vencer.

Um pouco por toda a bancada eram visíveis pessoas distraídas com as incidências da partida em Trás-os-Montes. Os mais velhos tinham pequenos rádios que colavam ao ouvido, num cenário que parecia tirado de outros tempos, como se fosse uma visão do passado. Já os mais novos recorriam a auriculares enfiados nos ouvidos ou até aos smartphones, cujas aplicações permitiam receber actualizações dos resultados em tempo real.

 

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Leonardo Brandão, aqui representado com os atributos à data de início da temporada, era o homem-golo do Amora neste final de época

 

A tensão adensava-se com o passar dos minutos. O Amora vencia, mas o marcador permanecia na margem mínima. Um lance fortuito como o que resultara no golo do Rio Ave na primeira parte poderia deitar tudo a perder. Simultaneamente, a desejada notificação de golo do Chaves não surgia.

A ansiedade constante foi quebrada subitamente por uma onda de aplausos que sobressaltou todos os presentes. Jogadores em campo e adeptos nas bancadas olharam em volta, tentando perceber o que estaria a acontecer. Os aplausos foram crescendo de intensidade, como que contagiando todos os presentes.

Era golo? O que se passava?

Pessoas levantavam-se e ovacionavam algo ou alguém. Gabriel Capixaba! O brasileiro percorria a linha lateral em direcção à zona de aquecimento e os adeptos reagiram por impulso, aplaudindo o seu regresso e criando um falso alarme na Medideira.

O jogador fez uma meia vénia para a bancada, levando a mão ao peito. Sim, o Capixaba estava de volta!

 

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Gabriel Capixaba voltou a treinar sem limitações a tempo do último jogo

 

A boa notícia alastrara como fogo em mato seco durante a semana: Gabriel Capixaba fora dado como apto poucos dias antes da última jornada e reforçava as ambições do Amora. Não voltava nas melhores condições; o mês de paragem forçada deixara-o sem ritmo competitivo e por esse motivo Frodo Zarco deixou-o no banco de suplentes.

Mas a influência de Gabriel Capixaba entre os amorenses era inegável. A sua mera presença na lista de convocados animava adeptos e inspirava a equipa. A sua chamada para exercícios de aquecimento gerou uma onda de entusiasmo na Medideira.

Onda de entusiasmo subitamente interrompida por gritos. Pessoas isoladas tapavam os ouvidos, escondendo os auriculares para ouvir melhor. Outras olhavam para os seus smartphones. A notícia correu depressa e em menos de nada festejava-se golo na Medideira.

O Chaves acabara de empatar e o Amora estava momentaneamente de regresso à liderança da Segunda Liga.

É difícil descrever o que passava pela cabeça de adeptos, jogadores e equipa técnica naquele momento. Os índices de concentração caíram a pique. Por momentos, o jogo na Medideira parecia quase algo distante, como uma música de fundo que nem nos apercebemos que estamos a ouvir.

Durante vários minutos, a cabeça esteve a 450 quilómetros de distância. Poderia ter corrido muito mal, pois o Rio Ave aproveitou para se apoderar da bola e remeter o Amora para a sua defesa.

Valeu a pena.

E valeu a pena porque menos de cinco minutos depois do primeiro golo, o Chaves voltou a marcar, confirmando a reviravolta no marcador.

"Obrigado a quem estiver aí em cima!", orava um agitado Frodo Zarco, incapaz de se manter quieto. Faltavam vinte minutos - apenas vinte minutos! - para o final dos jogos e a inesperada reviravolta das sortes de Amora e Benfica B deixara-o siderado. Nem acreditava que aquilo estava a acontecer. Era um sonho? Se se beliscasse, acordaria?

Não, não era um sonho. Apercebeu-se disso quando o Rio Ave criou uma ocasião de golo. Não foi flagrante, daquelas de levar as mãos à cabeça, mas poderia ainda assim ter valido o empate.

Foi esse o momento que o trouxe de volta à realidade. Aquilo era bem real. O Benfica B perdia em Chaves, mas tinham mais do que qualidade suficiente para recuperar pelo menos até ao empate. Caso isso acontecesse, o Amora não! podia! empatar!

Tentou recuperar a concentração dos seus jogadores, mas a montanha-russa de emoções daquela segunda parte levara a melhor sobre eles. Eram meninos! Estavam em campo seis miúdos por ele lançados que, por mais maturidade que tivessem demonstrado ao longo da época, não deixavam de ser jovens ainda inexperientes.

Aquele momento pedia homens.

Frodo Zarco chamou os três homens que aqueciam e decidiu lançá-los de uma só vez a quinze minutos do final. Gabriel Capixaba, Léléco e Flávio Silva ouviram as suas instruções que, trocando por miúdos, se resumiam a uma simples frase.

 

"Metam a miudagem na ordem e resolvam isto de uma vez por todas!"

 

Os meninos Abas Djaló, Martim Watts e Leonardo Brandão deram o seu lugar aos mais rodados e experimentados colegas de equipa. Não era exagero: os três homens que entraram faziam parte da equipa de Frodo Zarco desde o primeiro dia e foram pedras basilares nos sucessos do Amora até aí.

O Amora terminaria a temporada com a sua equipa de gala. Os três já citados juntavam-se a Joca, Papou Mendes, Lucas Silva, Martim Maia, Rony Fernandes e David Grilo, nomes que faziam parte do projecto de Bilbo Himura e Frodo Zarco desde o primeiro dia. Dos meninos, apenas Odailson e Isaac Monteiro permaneciam em campo.

 

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Léléco, também representado com os atributos de início de época, fazia o seu último jogo profissional

 

A experiência de Léléco no meio-campo permitiu à equipa recuperar algum controlo do jogo. A ligação quase umbilical entre Gabriel Capixaba, Joca e Flávio Silva transformou o ataque do Amora. Nem cinco minutos haviam passado e uma triangulação entre os três recém-entrados deixou Gabriel Capixaba isolado na cara do guarda-redes Léo Vieira.

Após um mês de paragem forçada, ele vinha cheio de fome de golo. Desferiu um potente disparo que só as redes seguraram e... e...

Estão a imaginar a reacção da Medideira.

Absoluta apoteose. Pura loucura. Total insanidade.

Os dez minutos seguintes foram simultaneamente os mais demorados e os mais rápidos da vida de Frodo Zarco. Os mais demorados porque os viveu em constante sobressalto, sempre temendo que a qualquer momento surgissem más notícias de Chaves. Os mais rápidos porque muitos anos depois não saberia dizer o que acontecera naquele período de tempo - nada além de um ensurdecedor ruído que enchia a Medideira como se um esquadrão de jactos a sobrevoasse a baixa altitude.

Mas as notícias que temia não surgiam. Os minutos passaram, o quarto árbitro levantou a placa com o tempo de compensação e as notícias tardavam a aparecer.

O Amora dominava agora largamente um rendido Rio Ave. Os vila-condenses tiveram um mau final de temporada, estavam remetidos para o meio da tabela e só queriam que aquilo terminasse rapidamente.

Papou Mendes ganhou uma falta a vinte e cinco metros da baliza já na compensação. Ninguém ousou tocar na bola. Léléco disputava os últimos minutos da sua carreira e aquela era dele. Um último livre, uma última oportunidade para ver o afroastro em acção.

O livre até pedia um batedor destro, tão desviado para a esquerda que a bola estava colocada. A distância era significativa para a forma de Léléco bater a bola - o afroastro marcou vários golos de livre pelo Amora, mas geralmente mais perto da área.

Mas a bola era dele. Deu impulso e bateu-a, fazendo-a contornar a barreira pelo lado de fora, descrevendo um arco na direcção do ângulo esquerdo do poste mais próximo.

O guarda-redes nem fez menção de se fazer à bola.

Desta vez, Frodo Zarco correu como um desalmado pelo relvado. Sentia demasiadas emoções naquele momento para serem contidas. Aproximou-se do molho de jogadores que rodeavam Léléco, que ficara parado de braços no ar após a bola entrar na baliza, e atirou-se para cima deles, derrubando uns quantos com o impulso que trazia.

Que forma de terminar uma carreira.

Senhoras e senhores, ajoelhem-se perante Léléco, o afroastro.

 

 

O apito final do árbitro foi acolhido com um rugido das bancadas, mas nada estava confirmado.

Ainda se jogava em Chaves.

O Everton poderia fazer das suas.

O Jota poderia desfazer a defesa do Chaves.

O Taarabt poderia inventar qualquer lance de génio.

Poderiam.

Mas não o fizeram.

 

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O Amora sagrava-se campeão da Segunda Liga, repetindo o feito alcançado em 1980.

A invasão de campo foi inevitável. Quem conseguiria parar aquela torrente de gente que se precipitou pelo relvado dentro com a força de uma enxurrada?

As celebrações que as ruas da cidade de Amora testemunharam aquando da confirmação da promoção à Primeira Liga repetiram-se: ruas cheias, o desfile do autocarro descapotável, pessoas de todas as idades na mais absoluta loucura.

 

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Frodo Zarco estava no centro das atenções. Os amorenses reconheciam o seu papel e liderança na obtenção daquele feito histórico. O treinador parecia a criança que há trinta anos festejou o último título do Amora - na altura, o título da II Divisão B. Apoderando-se de um megafone, cantou com os adeptos. Dançou no meio deles. Foi atirado ao ar. Roubaram-lhe peças de roupa e deu por si semi-nú nas ruas da cidade.

Que lhe importava isso? Estava na sua terra, a festejar mais uma página de glória do seu clube entre a sua gente.

Quarenta e um anos depois, o concelho do Seixal voltaria a ter um clube na Primeira Liga. Quarenta e um anos depois, o Amora Futebol Clube estava de volta à Primeira Liga.

Naquele dia, finalmente, o Amora podia legitimamente dizer que era o maior da Margem Sul.

 

Em spoiler o balanço da época que terminou e um conjunto de curiosidades do save

 

Ora bem, primeiro de tudo quero expressar a minha surpresa com o desempenho da equipa. Imaginava que iria andar pela metade superior da tabela, possivelmente intrometendo-me na luta pela promoção, mas não que desse para vencer a Segunda Liga.

Acabámos a temporada com onze jogos consecutivos sem perder: entre a 24a e a 32a jornada foram nove vitórias seguidas, empatámos na 33a jornada e vencemos a última. Nem pensar que imaginava que isto fosse possível, mas a equipa reagiu muitíssimo bem àquela espécie de 4123 com laterais adiantados que implementei na 25a jornada.

Infelizmente avancei no jogo tempo suficiente para o ecrã do plantel já não mostrar as estatísticas dos jogos oficiais para vos mostrar um print: mostra-me as estatísticas dos jogos não oficiais, possivelmente porque após o final da Segunda Liga fiz dois jogos amigáveis para ver os miúdos dos Sub23 ao vivo - já falarei disso. Assim tem de ir por extenso:

- Sem surpresas, o Gabriel Capixaba foi o jogador mais influente, tendo alcançado 13 golos e 10 assistências em 35 jogos; o Joca terminou com números próximos: 9 golos e 9 assistências em 39 jogos;

- Apesar das lesões, o Flávio Silva teve a sua melhor época da carreira com 17 golos marcados (e 2 assistências) em 29 jogos; o menino Leonardo Brandão, Léo para os amigos, fez 31 jogos e tem um impressionante registo para a idade: 10 golos e 7 assistências;

- É uma pena que o Léléco se esteja a reformar, porque mesmo menos utilizado e decaindo de forma ainda marcou 6 golos e fez 3 assistências nos 25 jogos que disputou; números em linha com os de Papou Mendes (5 golos e 4 assistências em 39 jogos, mas ele é mais um médio todo-o-terreno do que Léléco) e melhores que os do Martim Watts (3 golos e 2 assistências em 28 jogos, mas realçando-se até à 17a jornada era habitual suplente e não tinha golos nem assistências);

- por fim, a preponderância dos laterais no processo ofensivo do Amora: Lucas Silva pela esquerda com 8 assistências (não marcou qualquer golo nos 34 jogos que disputou) e Odailson pela direita com 2 golos e 4 assistência em apenas 24 jogos.

Passando a prints:

 

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Como se pode ver, não somos propriamente a mais prolífica das equipas. Ainda assim, a evolução desde a época passada é notória: passámos de 38 golos marcados em 2022/23 para 63 em 2023/24. Experiência acumulada, maior ligação entre os jogadores, crescimento de vários dos meninos e até dos jogadores mais velhos, são estes alguns dos motivos que encontro para isto.

O que me deixa mais orgulhoso é a distribuição de golos por praticamente toda a equipa. Nenhum dos meus jogadores marcou mais de 15 golos para a Segunda Liga, mas todos os jogadores com pelo menos dez jogos disputados marcaram pelo menos um golo, excepto os guarda-redes e alguns defesas menos utilizados: Juary, Gustavo Pinto, Pedro Albino e Tiago Louro. A excepção foi o Lucas Silva, mas esse fez oito assistências, está mais do que desculpado.

Também no capítulo das assistências há uma distribuição por todo o plantel. Excluindo-se da equação os jogadores com menos de dez jogos, apenas o central Gustavo Pinto não fez qualquer assistência. A sério, até o guarda-redes David Grilo fez uma - se bem se recordam, foi referida no Capítulo em que aconteceu.

 

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Defensivamente, voltámos a ser os melhores. Sofremos mais quatro golos que na época passada, não estou satisfeito com a quantidade de golos sofridos, mas olhando para os números das outras equipas parece-me mais algo endémico à versão mobile do que de falha nos processos de jogo.

Se calhar tenho de fazer pazes com o facto de nunca ir ter uma defesa a sofrer poucos golos como em versões anteriores do jogo...

 

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Aqui trago-vos uma curiosidade: a primeira imagem é o número de cartões amarelos vistos na Segunda Liga, a segunda é o de cartões vermelhos.

 

Conseguimos ser a melhor defesa sem ter de recorrer a faltas, antijogo e cenas do género. Tenho imenso orgulho nesta estatística.

 

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Joca e Gabriel Capixaba foram os representantes do Amora na Equipa do Ano da Segunda Liga. Acho honestamente que Lucas Silva e Papou Mendes deveriam lá estar também, mas aquilo que os vejo fazer tão bem no motor de jogo não dá bónus para a classificação de jogo, por isso acabam por ser prejudicados.

 

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O Sporting de Ronald Koeman conquistou o título de campeão nacional, três anos depois do último título conquistado por Ruben Amorim.

O Benfica de Marcelo Gallardo liderou a competição durante quase toda a segunda volta (depois de a roubarem ao Vitória que tinha sido líder durante grande parte da primeira volta), mas o Benfica (e o Vitória também, como se vê) acabou por sucumbir a uma série de oito vitórias consecutivas do Sporting que incluiu uma goleada 4-1 no Derby Eterno em Alvalade.

Entretanto, não tinha olhado para o Tondela desde que os vencemos para a Taça de Portugal, na altura estavam na metade superior da tabela e não consigo expressar a minha surpresa quando os vi relegados para a Segunda Liga no playoff de manutenção.

 

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Naquilo que foi uma temporada do caraças para o Sporting, eis a dobradinha na final frente ao Vitória, que depois de nos eliminarem despacharam também a Académica para lá chegar.

 

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E o mesmo Sporting já tinha vencido a Taça da Liga em Fevereiro, conquistando as três competições nacionais em disputa.

 

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Como já referido, o Tondela desceu após perder no playoff de manutenção, pelo que o Penafiel se juntou a Amora e Belenenses SAD na promoção à Primeira Liga.

 

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Na final da Liga 3, o Covilhã derrotou o Varzim e sagrou-se campeão da competição, sucedendo a Amora e Leiria na lista de vencedores.

 

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E o Vitória FC conseguiu finalmente subir de divisão, batendo o Vilafranquense com facilidade no playoff que decidia a última vaga da Segunda Liga.

 

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Deixo-vos também os vencedores das provas continentais e internacionais de clubes (o Zebre que venceu a Liga Europa é a Juventus, é como se chama na versão Mobile).

Por fim, e como disse lá para cima, fiz dois jogos amigáveis contra equipas da Liga 3 para testar os meus jogadores dos Sub23. Eles andaram o ano todo a ser despachados por equipas B e Reservas de outros clubes (2 empates e 32 derrotas nos 34 amigáveis que lhes marquei ao longo do ano).

Achei isto estranho pois não tinha ideia de a miudagem ser assim tão má. Pois bem...

 

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vs Torreense

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vs Real Massamá

 

...não são assim tão maus.

Estão pelo menos no ponto de disputar jogos contra adversários da Liga 3 de igual para igual. Será o treinador-adjunto que os treina nos Sub23 que é mau? Serão resultados aleatórios? Será que as equipas de Reservas contra quem jogam são compostas pelos suplentes das equipas principais e os pobres miúdos andaram a defrontar equipas de nível de Primeira e Segunda Liga?

Não sei responder, mas fico mais tranquilo, confesso que os resultados dos meus Sub23 me preocupavam mais do que deveriam.

Adicionalmente, notem a assistência destes dois jogos, cheira-me que vem aí novo boost de assistência média como é habitual quando se sobe de divisão no FM. Estou a contar que com isso venha nova expansão do estádio, tal como aconteceu quando subimos à Segunda Liga. Já deixei pistas nos dois últimos Capítulos para essa possibilidade e tudo ahah

E pronto, não sei mais que diga. Façam like e carreguem no sino do subscribe para receberem as notificações a cada novo vídeo... errr isto não é YouTube 😁

Até à próxima época.

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Direcção e adeptos em êxtase com a conquista fantástica do maior da margem sul. Capixaba regressou a tempo.

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40 anos depois completo extase!

A coisa a entrada para a ultima jornada ainda podia dar para o torto mas com esse 4-1 com golos de jogadores como Capixaba e Leleco (que ja sao parte da historia do Amora) acaba por te dar o mitico titulo.

Curioso agora para entender como vai ser a tua vida na primeira liga!

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