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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

muitas críticas aos jogadores mas treinador esteve bem ao defendê-los. Quanto à época, só tenho a dar os parabéns pois superaste as minhas expetativas.

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Excelente que a imprensa finalmente de alguma notariedade mais que merecida ao Amora.

Agora com isso tambem veem as criticas com um ou outro resultado menos bom. No final esse momento menos bom passou e o Amora conseguiu um lugar de consolidacao na divisao. Mas melhr do que tudo foi ver o benfica ficar em sexto...

Para o ano vamos ver se consegues fazer um pouco mais, será que vavos ver o presidente abrir os cordoes a bolsa?

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Citação de cadete, há 19 horas:

muitas críticas aos jogadores mas treinador esteve bem ao defendê-los. Quanto à época, só tenho a dar os parabéns pois superaste as minhas expetativas.

Grazie 🙂

Citação de Burkina2008, há 19 horas:

Excelente que a imprensa finalmente de alguma notariedade mais que merecida ao Amora.

Agora com isso tambem veem as criticas com um ou outro resultado menos bom. No final esse momento menos bom passou e o Amora conseguiu um lugar de consolidacao na divisao. Mas melhr do que tudo foi ver o benfica ficar em sexto...

Para o ano vamos ver se consegues fazer um pouco mais, será que vavos ver o presidente abrir os cordoes a bolsa?

Não. Até que estou satisfeito com a equipa. Tenho vários jovens, que na verdade não tenho como saber se vão evoluir ou não, mas há margem para evoluírem. Mesmo os habituais titulares cresceram imenso ao longo da época.

O objectivo por esta altura é consolidar, evoluir os miúdos, fazer algumas mais-valias para convencer a direcção a melhorar as condições de treino e de camadas jovens. São demasiados fraquitas para o nível em que estou, tem de ser a prioridade face aos objectivos declarados do save.

Mas ao contrário do habitual já fiz uma contratação!

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A imprensa e os "comentadeiros" ainda tentaram denegrir o clube e alguns dos jogadores que tem sido simbólicos na grande evolução do clube, ainda assim o nosso grande treinador mostrou-se firme, ficou do lado dos jogadores e conseguiu uma recuperação excelente.

Recuperaste muito em termos de resultados e a prova mais do que viva disso, é que acabaste por segurar-te no oitavo lugar da prova. Tratou-se de uma época de adaptação a esta nova realidade e creio que já na próxima temporada (com os ajustes certos e com reforços sérios e cirúrgicos) poderás atacar a subida de divisão! 

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Início péssimo, mas os miúdos conseguiram da a volta por cima e conseguiste manter o Amora na divisão. Boa sorte na próxima temporada e aguardo que os jovens jogadores continuem a evoluir.

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Capítulo XIV - O filho pródigo

 

"Pai! Pai! Quando é que ele entra?"

"Está quase, filho."

"A sério?"

"Vem já a caminho."

 

Os grandes olhos esverdeados que o fitavam faiscaram de entusiasmo. Era como ver-se a um espelho com ligação à sua infância. Os familiares e amigos que o conheceram enquanto criança diziam-lhe amiúde que o seu filho era uma cópia quase perfeita dele quando tinha aquela idade. Os amigos mais próximos aproveitavam para ironizar que pelo menos aquele era mesmo filho dele. Já a filha...

"Como raio é que um gajo com essa fronha tem uma filha com aquela carinha de anjo?"

"Oh, não pode ser dele. Aposto que é do padeiro."

"Do padeiro? Já viste o trombil dele? Ainda é mais feio do que o nosso Fuderito."

Ouvia a troça amigável dos seus amigos com gargalhadas e respondia-lhes à letra, mas tinha de reconhecer que a filha saíra inteirinha à mãe. O filho, esse, era a cara dele. Até na postura: travesso, irrequieto, sempre à procura de arranjar sarilhos. Frodo Zarco questionava-se por vezes que espécie de disparates o seu filho já protagonizara, recordando-se dos que fizera em criança com a companhia do seu bando (ver Capítulo VII - A revelação de Bilbo).

"Pippin, não te afastes muito. Tem juízo!"

Era o mesmo que falar com uma parede. Ele já lá ia, chutando uma bola pelo relvado fora. Rapidamente conseguiu organizar uma improvisada rabia com algumas das jogadores da equipa feminina do Amora. Elas iam brincando com a bola, fazendo pequenas fintas e escondendo a bola com um pé enquanto bloqueavam a criança com a outra perna. Pippin tentava dar pontapés na bola, mas as suas curtas pernas não tinham o alcance para lá chegar. Frodo Zarco e as jogadoras riam-se, e alguns adeptos na bancada mais próxima apoiavam o miúdo, espicaçando-o.

O número de adeptos aproximava-se do habitual em dias de jogo para aquele Dia de Amora. Bilbo Himura e a Direcção tinham organizado o calendário das várias equipas para um dia de celebração dedicado aos atletas das principais equipas de futebol do Amora. As jogadoras da equipa de futebol feminina que agora brincavam com Pippin já tinham sido apresentadas à plateia - a equipa principal de futebol feminino ia disputar novamente a Primeira Divisão Nacional - e agora era a vez da equipa de sub23 de futebol masculino.

 

Amora Sub23

O plantel Sub23 sofreu uma razia ao longo da época 2022/23. Diversos jogadores que o englobavam foram promovidos ao plantel principal ao longo do ano e a equipa acabou a jogar com imensos elementos das camadas jovens do clube. O que não foi uma má notícia; bem pelo contrário, significa que o trabalho foi bem feito e a equipa de Sub23 serviu o seu propósito enquanto rampa de lançamento para a equipa principal.

Frodo Zarco desconfiava que o treinador dos Sub23 teria em casa um altar dedicado a odiá-lo. A equipa estreou-se na época passada com jogadores pelo menos três ou quatro anos mais jovens do que os adversários. O início de época foi atribulado e sempre que a equipa começava a recuperar e alguns jogadores davam nas vistas, Frodo Zarco aparecia a rapiná-los, obrigando-o a recomeçar da estaca zero. O pobre homem devia ter pesadelos com ele.

Apenas sete jogadores passaram do plantel de 2022/23 para esta nova temporada, aos quais se juntaram nove novos elementos com idades entre os 16 e os 17 anos [offstory: três são regens e os restantes foram contratados a custo zero, mas para efeitos da história todos serão considerados como formados no Amora - terá de ser assim até conseguir que invistam nas condições das camadas jovens ingame].

Os meninos iam sendo chamados e eram vigorosamente aplaudidos por uma Medideira ainda não com a lotação habitual em dias de jogo, mas a aproximar-se rapidamente disso. A maioria deles entravam e agradeciam os aplausos, claramente constrangidos - não estavam habituados a ser alvo da atenção de tanta gente.

Frodo Zarco conhecia alguns deles e sabia que havia alguma qualidade entre os graduados de 2023/24. Iria seguir com elevado interesse a prestação da equipa, até porque entre aqueles meninos poderiam estar os reforços da próxima época.

[Deixo em spoiler no final do post os prints dos reforços e dos jogadores que passaram da época anterior, com os atributos à data de início desta temporada; se colocar spoilers a meio do post, todo o restante conteúdo fica dentro do spoiler...]

 

"Pai! É agora que ele vem?"

"É."

"A sério?"

"Não! Pára quieto agora, vem para aqui e porta-te bem."

"Awww..."

Pippin sentou-se, enfadado. Estava totalmente equipado à Amora: camisola oficial da nova temporada, calções e meias azuis, nem as chuteiras faltavam. Parecia um mini-jogador, pronto a saltar para dentro do relvado para jogar pelo seu clube do coração. Pippin era uma das faces de uma nova geração que se queria amorense: uma nova geração de crianças que se identificassem com o Amora, que em vez de serem de um dos Três Grandes e do Amora nas horas vagas, fossem do Amora a 100% - ou que mesmo tendo alguma afinidade com um dos Três Grandes fossem, pelo menos, maioritariamente do Amora.

Havia várias medidas em curso para o alcançar. Crianças e adolescentes até aos 18 anos tinham uma quota de sócio simbólica e estavam isentos de pagamento para praticar desporto no clube em qualquer modalidade. Eram várias as iniciativas para levar o Amora às escolas da região, com visitas de jogadores que faziam as delícias das crianças e torneios desportivos e acções sociais patrocinados pelo clube. Em todos os jogos distribuíam-se bilhetes pelas escolas, tornando-se habitual ver filas de crianças a torcer ruidosamente pelo Amora.

Esta aproximação do clube à juventude da Margem Sul visava fidelizar as crianças desde cedo, criando uma proximidade destas ao clube e o hábito de estarem presentes na Medideira desde tenra idade. Demoraria anos para saber o resultado destas iniciativas, mas os responsáveis do Amora estavam confiantes que criariam uma nova geração apaixonada pelo clube.

Olhando para o pequeno Pippin, sentado no banco com a expressão corporal de quem estava a um ténue estímulo de saltar dali, Frodo Zarco não podia deixar de pensar que talvez o clube estivesse no bom caminho.

O estímulo surgiu quando a música comercial projectada pela instalação sonora deu lugar a um conhecido ritmo de apoio ao Amora. Pippin levantou-se de imediato.

"É agora que ele vem?"

Frodo Zarco riu-se enquanto acariciava carinhosamente o cabelo revolto do filho. 

"Está quase."

Começava a apresentação do plantel principal do Amora Futebol Clube para a temporada 2023/24.

 

Guarda-Redes

"Com o número 1!", gritava o speaker cuja voz era proferida pelas instalações sonoras. "O nosso guardião... Daviiiiid Griiiilo!"

 

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O guardião de 26 anos será à partida o dono da baliza do Amora

 

David Grilo entrava no relvado, equipado com a camisola de guarda-redes desenhada para a nova temporada, cinzenta com faixas azuis em linhas irreverentes na zona das mangas e do colarinho. Titular na primeira época de Frodo Zarco, manteve a titularidade na segunda, já na Segunda Liga, até que uma lesão grave o retirou de acção durante vários meses.

Nesse período, o seu habitual suplente Guilherme Fernandes assumiu a titularidade com tamanha autoridade que não mais a perdeu... mas isso também chamou a atenção de outros clubes.

 

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O Basileia bateu à porta de Guilherme Fernandes

 

Guilherme Fernandes demonstrou interesse em dar o salto para o Basileia quando a proposta surgiu. Tendo duas boas opções para a baliza, o Amora aceitou deixar sair o jovem de 22 anos, fazendo um bom encaixe financeiro. David Grilo garantiria a manutenção da qualidade na baliza.

O guarda-redes suplente seria o jovem Martim Remédios, promovido do plantel Sub23, que teria a oportunidade de aprender com David Grilo tal como Guilherme Fernandes o fez nas duas épocas anteriores.

 

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Martim Remédios, de 18 anos, irá aprender com David Grilo

 

Defesas

"Com o número 14, sabem quem ele é... Juary!"

 

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O trintão Juary é um dos líderes do balneário

 

Juary entrou em campo e recebeu uma das maiores ovações da noite. Era um dos preferidos dos adeptos e não era por acaso. Ia cumprir a sua terceira temporada no Amora e era uma das principais vozes no balneário, sendo um dos capitães de equipa.

Agora já com 31 anos, Juary chegou a passar pela formação do Sporting CP e jogou na Segunda Liga pelo Mafra antes de o fazer agora também pelo Amora. É um dos poucos elementos do Amora que é internacional pelo seu país - no caso, pela Guiné-Bissau.

Há outro defesa internacional pelo seu país na equipa: João Carvalho foi convocado para o Campeonato da Europa de Sub21 e foi titular no centro da defesa de Portugal rumo à conquista do título europeu neste Verão.

Infelizmente, as suas performances convenceram os inúmeros interessados a avançar para a sua contratação e o Amora nada pôde fazer para impedir a sua saída - apenas garantir uma boa compensação pela perda de um dos esteios da equipa no último ano e meio.

 

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O FM Mobile não tem registos dos jogos do Euro Sub21, pelo que apenas consigo mostrar o relatório que me foi dado pela minha equipa técnica

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O Boavista adiantou-se na corrida e apresentou uma proposta concreta que João Carvalho quis aceitar...

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... e a venda fez-se por 1 milhão de euros, salvaguardando o Amora 25% de uma futura transferência

 

Com a saída de João Carvalho, Juary, Rony Fernandes e Gustavo Pinto parecem os prováveis eleitos para iniciar a temporada no onze titular, permanecendo o jovem Isaac Monteiro à espreita de qualquer chance para conquistar o lugar - e com os meninos dos Sub23 de prevenção.

Gustavo Pinto e Isaac Monteiro, aproveite-se para o realçar, são já promoções da equipa Sub23 da época passada: o primeiro terminando a temporada já como titular da equipa principal, o segundo sendo lançado nos minutos finais do último jogo.

 

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Rony Fernandes na sua terceira temporada na titularidade do Amora...

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... Gustavo Pinto ansioso por confirmar a sua titularidade nesta temporada...

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... e Isaac Monteiro à procura de se afirmar na equipa principal

 

Alas

"Com o número 17, o nosso todo-o-terreno mais rápido do que a própria sombra! Luuuuucas... Siiiilvaaaa!"

 

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O ala esquerdo Lucas Silva é essencial à manobra ofensiva da equipa

 

O lateral esquerdo Lucas Silva é o todo-o-terreno da ala esquerda do Amora. Indispensável à equipa, tem valências para jogar em toda a linha e a sua capacidade de progressão com bola em velocidade permite à equipa queimar linhas rapidamente e oferecer largura, libertando o avançado desse flanco para procurar jogo interior.

Ironicamente, apesar de fazer várias posições é precisamente a ala esquerdo que sente maiores dificuldades, situação que Frodo Zarco e a sua equipa técnica têm trabalhado com o jogador.

As restantes opções para as alas são completadas pelo competente Pedro Albino e pelos jovens Simão Rosete e Tiago Louro, ambos promovidos dos Sub23 à equipa principal durante a época transacta.

 

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Pedro Albino perfila-se como o provável titular à direita...

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... com o jovem Simão Rosete como alternativa...

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... e Tiago Louro como aposta para crescer na sombra de Lucas Silva

 

Médios

"Com o número 8... ele rouba qualquer bola, ele rouba toda a bola, ele rouba a vossa bola! Papooooou... Mendeeees!"

 

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Papou Mendes cresceu com a titularidade e é agora o motor incontestado do meio-campo

 

O meio-campo foi um dos sectores em que Frodo Zarco mais mudanças operou desde que assumiu o comando do Amora em 2021/22. Inicialmente jogando com um trio formado por Martim Maia, Fidelis Irhene e Léléco, cujas primeiras opções a saltar do banco eram Hélio Cruz e um então inexperiente e verdinho Papou Mendes, a mudança para o actual 523 implicou uma redução para apenas dois médios.

A evolução de Papou Mendes durante a temporada 2022/23 catapultou-o na hierarquia para a frente de todos eles e a assumir a titularidade ao lado de Léléco, remetendo Martim Maia e Fidelis Irhene para o banco de suplentes e Hélio Cruz acabou por sair do clube, completamente arredado das escolhas do treinador.

Frodo Zarco estava totalmente descansado quanto às suas opções para o centro do terreno. Com Papou Mendes e os restantes quatro elementos à sua disposição, dispõe de alternativas para qualquer abordagem que pretenda em qualquer momento - e com meninos nos Sub23 prontos a dar o salto.

 

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Martim Maia continua a ser uma opção fiável para o meio-campo...

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... assim como Fidelis Irhene...

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... Léléco naquela que será provavelmente a sua última temporada como futebolista...

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... e o jovem Martim Watts a espreitar a sua vaga

 

Avançados

"Pippinho. É agora, filho."

Nem precisava de o ter dito. O momento alto da noite chegou e todas as almas na Medideira o pressentiram.

"Com o número 7...", e o speaker fez um compasso de espera quando os adeptos começaram a reagiar entusiasticamente. "O momento que todos esperavam... dêem as boas-vindas ao nosso Jooooooca!"

Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol, emergiu do túnel dos balneários e entrou no relvado com um sorriso tímido no rosto. Mais de sete mil pessoas estavam de pé a aplaudi-lo como se de um rockstar se tratasse.

 

"E o Joquinha já voltou!

E o Joquinha já voltou!

E o Joquinha já voltoooou!

Oh! Ohhhhh! Oh! Ohhhhh!"

 

Frodo Zarco nem deu conta, mas Pippin já correra pelo relvado fora e chegou junto de Joca. Este reagiu com surpresa, mas ao reconhecer quem era o menino sorriu e deu-lhe a mão. Os dois percorreram o relvado até ao centro do terreno, agradecendo os aplausos.

Os ídolos são importantes no futebol. Todos crescemos a idolatrar jogadores, a viver as suas fintas, a deliciarmo-nos com os seus golos. Joca era o que mais próximo havia de um ídolo para os amorenses. Formado no Amora, cumprindo todos os escalões de formação e jogando pela equipa principal desde os 19 anos, representou as suas cores durante mais de vinte anos (ver Capítulo II - O capitão Joca).

A nova geração de amorenses que Bilbo Himura procurava fidelizar precisava de ídolos, de heróis com que se pudessem identificar. A reacção de Pippin Zarco era paradigmática.

O regresso de Joca enchia o coração da Medideira e servia como exemplo de dedicação e amor ao clube para os jovens amorenses.

 

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Jorge Monteiro está de volta à Medideira

 

Joca regressava depois de uma temporada fora do clube. Há menos de um ano aceitou a proposta do Famalicão e rumou ao clube da Primeira Liga, cumprindo o sonho pessoal de jogar entre os grandes do futebol português - e rendendo ao Amora um então valor recorde para o clube de 750 mil euros pela transferência.

No entanto, no Famalicão deparou-se com um plantel repleto de qualidade e não agarrou a titularidade, perdendo espaço ao longo da temporada. Frodo Zarco e Bilbo Himura estavam atentos à possibilidade de o trazer de volta à Medideira, acreditando que o jogador pudesse ficar disponível por empréstimo ou até por um valor reduzido para o seu regresso em definitivo.

Surpreendentemente, o Famalicão libertou o jogador a custo zero logo que a temporada terminou. Como o filho pródigo da parábola bíblica, Joca saiu de casa - a Medideira - em busca do sucesso, acabando por regressar para os braços da sua família.

Bem-vindo de volta a casa, Joquinha!

 

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Joca e Famalicão decidiram colocar um ponto final à ligação em menos de um ano...

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... e o Amora não perdeu tempo a trazê-lo de volta a casa

 

O regresso de Joca acabou por resolver a novela do Verão na Medideira. Juancho, o herói do Restelo cujo golo garantiu o título da Liga 3 (ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 2), anunciou publicamente querer deixar a Medideira para jogar num clube de maior dimensão [offstory: esqueci-me de tirar print disto].

Foi uma decisão que apanhou desprevenidos os responsáveis do Amora e Frodo Zarco em particular. No final da época transacta, Juancho foi um dos alvos da imprensa e o treinador protegeu-o das impiedosas críticas que lhe foram feitas. Nada fazia adivinhar o que se seguiria.

 

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Juancho optou pela Briosa e mudou-se para Coimbra

 

Com 27 anos, sem valor de mercado para render um bom encaixe financeiro e deixando o Amora sem margem negocial dada a sua insatisfação, os responsáveis amorenses optaram por deixá-lo sair por um valor algo abaixo do expectável pela perda de um titular. É postura da equipa não obrigar a ficar quem não quer estar. Lamentando-se a forma como saiu, agradeceu-se porém tudo o que fez pelo clube e desejou-se-lhe sorte para o seu futuro profissional.

Por outro lado, a sua saída ficou bem acautelada pelo regresso de Joca e pelas opções de qualidade disponíveis no plantel.

 

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Gabriel Capixaba seria um dos nomes fortes da equipa a par de Joca...

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... com Gildo Lourenço a oferecer-se como opção sempre válida...

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... e o jovem Abas Djaló, promovido dos Sub23, à procura do seu lugar

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O matador renascido Flávio Silva será o provável titular no centro do ataque...

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... mas terá de estar atento à ameaça do menino Leonardo Brandão

 

Apresentado o plantel da equipa profissional do Amora Futebol Clube para a temporada 2023/24, disputou-se um jogo de apresentação frente ao Portimonense. Os algarvios disputam a Primeira Liga e foram um óptimo teste para avaliar a preparação do maior da Margem Sul para os desafios que se avizinham.

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Um empate na apresentação a sócios e adeptos contra o primodivisionário Portimonense

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Belenenses SAD, Arouca, Leiria e Oliveirense são as novidades na Segunda Liga para a temporada 2023/24...

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... para a qual o Amora espera uma temporada mais tranquila do que a anterior

 

De mão dada com o filho Pippin, Frodo Zarco agradeceu aos adeptos os fervorosos aplausos que lhe foram dirigidos quando foi apresentado.

Tudo o que desejava era retribuir àquela inexcedível onda humana o sucesso que mereciam.

 

Como prometido, os prints dos Sub23, incluindo as novas caras (e algumas são bem promissoras, vale a pena dar uma cuscada).

A lista de reforços [incluindo regens, que são os de 16 anos]:

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Ludgero Pinho, Guarda-redes

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Octavio Campos, Central

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Odailson Souza Lima, Ala Direito

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Rui Hanne, Ala Direito

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Dino Leão, Médio

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José Rafael Veloso, Médio

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Armando Cristóvão, Médio

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Jéferson Araújo Santos, Extremo

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Diego Carlos Oliveira Raposo, Avançado

 

A lista de jogadores que continuam do plantel Sub23 da época anterior:

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Lucas Dias, Central

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Diogo Aqueu, Ala

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João Gonçalinho, Ala

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Rodrigo Pinheiro, Médio

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Tiago Torres, Extremo

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Vítor Melro, Extremo

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Robert Miller, Extremo

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Bem nos reforcos acho que o melhor foi mesmo o regresso do Joca. Fizeste algum encaixe financeiro mas tens de continuar a tirar nabos da pucara na equipa de sub-23....como disseste o treinador deles deve ter um boneco do Frodo Zarco para lhe fazer um vodoo

Quem sabe se o rebento Pippin um dia tambem nao veste essa bonita camisola do Amora de forma mais oficial. Boa sorte nessa nova época que me cheira vai continuar a ser dificil.

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Belos reforços e um excelente regresso do Joca, nas vendas estiveste bem em fazer algum dinheiro porque é importante para as finanças.

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Ainda em relação á época passada, grande sgeunda volta que fizeste, e o 8º lugar acaba por ser incrivel atendendo ao plantel que tinhas quando comecaste a época, mas a apostas nos miudos apesar de inicialmente nos fazer sofrer muito, acaba por surtir efeitos e a prova disso é ver agora na apresentação do plantel a evolução que eles tiveram!

Nota ainda para o regresso do Joca que é claramente a estrela da equipa e para as vendas que fizeste, financeiramente o clube deve estar super saudável!

Para esta época não te consigo dizer que o teu plantel tem qualidade para subir, mas creio que andarás sempre na metade superior tranquilamente.

Quantos aos sub 23, gosto muito do Odailson (DD), Dino Leao (Mdef), Armando (MAC), Jeferson (MAE) e Vitor Melro (MAE), e muito sinceramente acho que estes ja têm qualidade para dar o salto.

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A base do plantel é praticamente a mesma e acho isso um ponto benéfico para que a temporada possa ser mais positiva do que a anterior. Conseguiste capitalizar algum dinheiro importantíssimo para os cofres do clube, tendo paralelamente conseguido trazer um ou outro reforço interessantes (de onde se destaca obviamente o regresso do "velhinho" Joca. É um homem da casa e será um jogador fulcral na manobra ofensiva da equipa. "Bom filho a casa torna".

A formação de um clube é sempre importante, portanto, espero que possas aproveitar e melhorar alguns desses jovens talentos. 

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Citação de Burkina2008, há 14 horas:

Bem nos reforcos acho que o melhor foi mesmo o regresso do Joca. Fizeste algum encaixe financeiro mas tens de continuar a tirar nabos da pucara na equipa de sub-23....como disseste o treinador deles deve ter um boneco do Frodo Zarco para lhe fazer um vodoo

Quem sabe se o rebento Pippin um dia tambem nao veste essa bonita camisola do Amora de forma mais oficial. Boa sorte nessa nova época que me cheira vai continuar a ser dificil.

Opa, se tivesse como editar nomes e se chegar com o save a uns dez ou onze anos, era gajo para mudar o de um regen da altura para Pippin Zarco. Seria engraçado, mas até ao momento ainda não descobri nenhuma opção ingame na versão mobile para definir alcunhas 😁

Citação de Banks29, há 7 horas:

Belos reforços e um excelente regresso do Joca, nas vendas estiveste bem em fazer algum dinheiro porque é importante para as finanças.

E não só para as finanças, estou a ver se fazendo encaixes financeiros melhoram as malditas condições de treino e de formação, mas não há forma.

Já estive mais longe de pagar o extra que me permite fazê-lo, só custa € 0,99, mas quero que seja legítimo, não quero fazer batota.

Citação de Lavrador, há 5 horas:

Ainda em relação á época passada, grande sgeunda volta que fizeste, e o 8º lugar acaba por ser incrivel atendendo ao plantel que tinhas quando comecaste a época, mas a apostas nos miudos apesar de inicialmente nos fazer sofrer muito, acaba por surtir efeitos e a prova disso é ver agora na apresentação do plantel a evolução que eles tiveram!

Nota ainda para o regresso do Joca que é claramente a estrela da equipa e para as vendas que fizeste, financeiramente o clube deve estar super saudável!

Para esta época não te consigo dizer que o teu plantel tem qualidade para subir, mas creio que andarás sempre na metade superior tranquilamente.

Quantos aos sub 23, gosto muito do Odailson (DD), Dino Leao (Mdef), Armando (MAC), Jeferson (MAE) e Vitor Melro (MAE), e muito sinceramente acho que estes ja têm qualidade para dar o salto.

Também não sei se tem qualidade para subir. Se fizermos a média de pontos da segunda volta do ano passado, até dá, mas não me esqueço que nos jogos contra as equipas mais fortes a diferença de nível era considerável, até no motor de jogo foi visível.

Juntava aos nomes que mencionaste o avançado Raposo, parece ter já bons atributos. Alguns dos reforços podiam estar na equipa principal, mas por uma questão de coerência na história vou mantê-los pelo menos alguns meses nos Sub23. Alguns devem subir algures a meio da época se confirmarem o que espero deles - e já agora, quero ver os resultados da equipa com jogadores melhores. No ano passado andaram a ser passados a ferro nos amigáveis que lhes marquei, estou curioso para ver este ano.

Já agora, fun fact: o Odailson, se notarem no print, tem ordenado de titular (50 mil euros anuais). Isto foi porque assim que lhe meti os olhos não o quis perder. Os meus dois alas direitos estão abaixo do nível da equipa (o Albino é razoável, mas o Rosete é fraquito e começo a duvidar que evolua muito mais), nos Sub23 não tinha mais ninguém (o Hanne foi regen, apareceu-me só no verão) e não podia correr o risco de o deixar fugir.

Citação de Martini Branco, há 3 horas:

A base do plantel é praticamente a mesma e acho isso um ponto benéfico para que a temporada possa ser mais positiva do que a anterior. Conseguiste capitalizar algum dinheiro importantíssimo para os cofres do clube, tendo paralelamente conseguido trazer um ou outro reforço interessantes (de onde se destaca obviamente o regresso do "velhinho" Joca. É um homem da casa e será um jogador fulcral na manobra ofensiva da equipa. "Bom filho a casa torna".

A formação de um clube é sempre importante, portanto, espero que possas aproveitar e melhorar alguns desses jovens talentos. 

O Joca e principalmente a saída do Juancho trouxe ainda outro aspecto que me permite mudar um pouco a forma de jogar da equipa. Mas isso fica para o próximo capítulo, depois explico em maior detalhe.

Obrigado, malta!

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Jocaaa, Jocaaa, Jocaaa...que revolução que aconteceu na Medideira. Vamos fortes para a época. É para lutar pela subida?

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Capítulo XV - Gabriel, o capixaba

 

O cenário era penoso. Não era de todo inesperado; não, já se esperava que a assistência fosse diminuta, mas à hora de a bola começar a rolar no Estádio Nacional do Jamor, olhar para as bancadas daquela catedral do futebol fazia doer o coração.

O treinador do Amora fazia parte de uma geração para a qual jogar no Jamor era um dia especial. Para lá chegar - para conquistar o direito de lá jogar - tinham de chegar à final da Taça de Portugal. Jogar no Jamor era um prémio, algo conseguido por mérito desportivo e tremendamente difícil de alcançar - mais ainda para jogadores que, como Frodo Zarco, não passaram por um dos grandes do futebol português.

A sua única presença no Jamor como interveniente no jogo ocorreu em 2012. Fazia parte da equipa da Académica cuja mágica campanha os levou a disputar a final da Taça de Portugal contra o Sporting CP. Nessa tarde, perante uma assistência de 40 mil pessoas, sentiu todas as fibras do seu corpo vibrarem numa mistura de ansiedade, medo e entusiamo. O momento em que entrou já nos minutos finais da partida, numa altura em que a Briosa tentava desesperadamente agarrar-se à magra vantagem alcançada pelo golo de Marinho logo no início do jogo, foi a melhor sensação da sua carreira futebolística.

Hoje em dia, disputar o mesmo escalão competitivo da Belenenses SAD era garantia de pelo menos um jogo no Jamor, banalizando o mítico recinto e tirando algum do romantismo de lá jogar. Uma pena que assim fosse - pelo menos na percepção de Frodo Zarco.

 

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O Estádio Nacional do Jamor

 

Nesta tarde de início de Setembro de 2023, o panorama não poderia ser mais distinto do que o treinador amorense encontrou doze anos antes. Em vez dos quarenta mil apaixonados adeptos que o Jamor consegue acolher, um olhar astuto de Frodo Zarco calculava a assistência um pouco abaixo das mil pessoas - já contabilizando os cerca de cem bravos que atravessaram o Rio Tejo para apoiar o seu Amora.

O ambiente era frio e nem a agradável temperatura de 25° o aquecia. Os gritos dos jogadores sobrepunham-se aos dos adeptos. Ouviam-se os pontapés na bola. Era um ambiente que lembrava a Frodo Zarco os jogos à porta fechada durante os tempos da pandemia. Um arrepio frio percorreu-lhe a espinha quando fez a analogia na sua cabeça.

O início do jogo, que quase lhe passou despercebido tal a ausência de ruído vindo das bancadas, desviou-lhe a atenção das suas divagações.

 

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Onzes iniciais para o desafio a contar para a 4a jornada da Segunda Liga

 

O Amora enfrentava um adversário de respeito no contexto da Segunda Liga. A Belenenses SAD descera da Primeira Divisão na temporada anterior e apostara fortemente no seu regresso ao convívio dos grandes, catapultada pela injecção de capitais de novos investidores que lhes permitiu atrair jogadores de qualidade como os conceituados internacionais Cláudio Ramos e Eliaquim Mangala, defesas experientes como Raul Silva e Yohan Tavares, e ainda a temível dupla de ataque Alioune Ndour e Gonçalo Paciência - a qual somava entre si nove golos neste início de temporada, quase o dobro dos marcados por toda a equipa do Amora.

A Belenenses SAD trucidou todos os adversários que tiveram o azar de se lhes atravessar no caminho neste início de temporada... e o Amora era o próximo desgraçado da lista negra dos azuis do Jamor.

 

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O favoritismo estava totalmente do lado da equipa da casa...

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... o que era natural dado o arranque devastador de época que protagonizavam...

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... graças à qualidade dos seus jogadores

 

Com apenas cinco minutos jogados na primeira parte, o que passava pela cabeça de Frodo Zarco não há de ter sido muito diferente do que terão pensado todos os que assistiam àquele jogo: o Amora ia ser esfolado e triturado vivo.

Fazendo uso da qualidade técnica dos seus jogadores, a Belenenses SAD não demorou muito a colocar a bola na cabeça de Gonçalo Paciência e o internacional português levou bola e adversários à frente, marcando o primeiro golo logo nos momentos iniciais do jogo.

Depois de abrir a sua participação na Segunda Liga com três vitórias e catorze golos marcados, a Belenenses SAD parecia preparar-se para despachar outro adversário de forma categórica.

Frodo Zarco procurou chamar os seus jogadores à razão. Calhou o mais próximo de si ser Gabriel Capixaba.

"Gabriel! Um, dois, três, quatro, cinco, meia, sete, oito!"

A inusitada instrução fez rir os elementos do banco de suplentes e os jogadores mais próximos no relvado.

Era uma piada recorrente dentro do grupo de trabalho. A letra da famosa música de Gabriel, o Pensador, surgiu primeiro como uma piada, um trocadilho com o nome de Gabriel Capixaba que era usado para o picar. Com o tempo, estabeleceu-se como um mote motivacional entre os jogadores: molhar o biscoito e afogar o ganso, que na versão original têm outro tipo de conotação, surgiam no balneário do Amora como eufemismos para marcar golos e ganhar jogos.

O ambiente no balneário da Medideira era bom. Esta e outras piadas eram recorrentes e todos as acolhiam na desportiva.

"'tá na hora de molhar o biscoito!", respondeu Gabriel, o capixaba, ao seu treinador, sorrindo, embora na sua face houvesse nada mais do que determinação pura.

O avançado do Amora cumpria já a sua quarta época na Medideira. Natural do estado brasileiro de Espírito Santo, cujos naturais são conhecidos por capixabas - e por isso Gabriel Pereira Minas era conhecido no mundo do futebol por Gabriel Capixaba -, passou pela formação do Fluminense antes de rumar à Margem Sul.

Durante as três épocas anteriores foi habitual vê-lo a fazer a ala esquerda do ataque do Amora. Veloz e tecnicista, Gabriel Capixaba conquistou os adeptos com a intensidade que colocava no jogo sempre que a bola lhe chegava. Com ele não havia fintinhas curtas ou paragens para pensar e ler o jogo; todo ele era intensidade, velocidade e vertigem. Tal como os adeptos gostam.

 

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Os colegas reconhecem a liderança de Gabriel Capixaba

 

O avançado foi firmando a sua posição na hierarquia do balneário e era em Setembro de 2023 a voz dominante no grupo de trabalho. Posição conquistada pelas suas qualidades: pela ambição, pela vontade de querer sempre mais e de vencer. Um antigo treinador de Frodo Zarco dissera-lhe certa vez que a diferença entre um bom jogador e um jogador bom de bola era que estes últimos fazem uns malabarismos e até resolvem alguns jogos, mas são os primeiros quem assumem a responsabilidade nos momentos difíceis e decidem jogos contra todas as expectativas. Gabriel era isto mesmo: quando o mais fácil é esconder-se do jogo, o capixaba aparece a pedir a bola e a empurrar a equipa para a frente.

O Amora procurava reentrar no jogo e Gabriel Capixaba dava o mote.

 

"Dá linha, Léléco! 'tava pressionado, tu tem que dar linha de passe, pô!"

"Léo [Leonardo Brandão]! Arrasta os caras, carai. Puxa eles para abrir buraco para eu entrar!"

"Carai!", gritava Gabriel, estático, apontando com os dois braços esticados para o espaço livre nas costas do lateral adversário. "Juary, 'tava livre, cara! Mete a bola pelo ar, o cara 'tá dando espaço nas costas dele!"

 

Além de procurar constantemente a bola, procurando oferecer linhas de passe aos colegas e mantendo sempre um olhar atento a eventuais espaços que surgissem na defensiva adversária, Gabriel Capixaba dava instruções aos colegas, corrigindo decisões erradas e dando dicas. Era uma extensão de Frodo Zarco em campo.

Era um vencedor nato. E como todos os vencedores natos, era ambicioso e exigente. Com ele e com os colegas.

E com o Amora.

 

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Gabriel Capixaba começou a dar indirectas aos responsáveis  amorenses...

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... o cenário pareceu negro com o Estoril a atacar Gabriel Capixaba nos últimos dias de mercado...

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... e piorou quando o Feirense subiu a parada...

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... mas o jogador manteve-se fiel ao Amora

 

Totalmente integrado na Margem Sul, Gabriel Capixaba sentia-se em casa na Cidade de Amora. As propostas que surgiram no final do período de transferências eram tentadoras - afinal eram duas equipas da Primeira Liga -, mas o avançado não só não levantou ondas com a rejeição das propostas, como aceitou rubricar um novo contrato. Era agora, a par de Joca, o mais bem pago do clube. A sua única exigência foi a criação de uma cláusula de rescisão, que no caso ficou cifrada em 2,5 milhões de euros.

"'tá na hora de molhar o biscoito!", dissera-lhe Frodo Zarco logo após o golo de Gonçalo Paciência. E era mesmo hora disso. O Amora disputava o seu quinto jogo oficial da temporada e Gabriel Capixaba ainda não tinha molhado o biscoito uma única vez.

Em defesa do avançado, ele estava a jogar numa posição em que não estava totalmente rotinado. Ao longo das suas três temporadas na Medideira, Gabriel Capixaba fora dono do lado esquerdo do ataque do Amora. Jogando então no 433 instituído por Frodo Zarco, dava largura ao jogo e combinava bem com Lucas Silva, gerando o pânico no lado direito das defensivas adversárias.

Com a passagem para o 523 actual, Frodo Zarco pedia aos seus avançados interiores que jogassem mais por dentro do que antes. Havia um problema: Juancho. O avançado colombiano não tinha qualquer rotina a jogar pela esquerda, o que obrigava Frodo Zarco a utilizá-lo pela direita, onde Juancho tendia a puxar a bola para o seu pé dominante - o direito - e a procurar flanquear o jogo. Isso implicava que Gabriel tivesse de jogar pela esquerda, o que limitava o seu leque de opções. Não lhe era natural flectir para dentro, pois obrigava-o a usar o pé direito - que servia essencialmente para subir o degrau do autocarro.

A saída de Juancho e a maleabilidade táctica de Joca, que sentia-se tão bem à esquerda como à direita, abriu a vaga à direita para Gabriel, que agora podia procurar movimentos interiores a partir do flanco com outra naturalidade. O Amora tinha, finalmente, jogo interior e avançados com os quais Flávio Silva podia combinar.

Isto é, se Flávio Silva o pudesse ter feito.

 

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O matador renascido lesionou-se logo nos primeiros momentos do primeiro jogo da temporada

 

O melhor marcador do Amora nas duas últimas temporadas teve um início de época para esquecer. Durante a sua primeira disputa de bola contra o Moreirense, para a Taça da Liga, o matador renascido sentiu um estalo na virilha logo seguido por uma dor aguda. O médico da equipa recomendou a sua substituição imediata e o prognóstico após o jogo confirmou os receios que apertavam o peito de Frodo Zarco: ficaria fora de acção perto de dois meses.

A sua lesão promoveu a titularidade do menino Leonardo Brandão, que logo aproveitou para marcar na primeira jornada da Segunda Liga frente ao Benfica B. Um golo que na altura sentia-se ser o da vitória, mas uma equipa com nomes como Meité, Jota, Pizzi, Everton, Rodrigo Pinho e Seferovic, tinha mais do que argumentos para ainda salvar o empate na Medideira.

Joca inspirou o Amora à primeira vitória da temporada após uma derrota algo fortuita no Estádio José Gomes. A equipa chegava ao Jamor com quatro pontos já no bolso, mas com a sensação que podia ter feito mais e melhor, e Gabriel Capixaba, em especial, não tinha ainda deixado a sua marca nesta temporada.

Mas Gabriel não é de virar a cara à luta. Nos maus momentos, é daqueles jogadores que vão descobrir motivação onde outros apenas encontram frustração e autocomiseração. Lá andava ele, no relvado do Jamor, a pedir a bola e a empurrar a equipa para a frente.

 

"Desde pequeno eu vou à bola!

Largo tudo p'ra te ver!

Só quero que sues a camisola!

Sou do Amora até morrer!"

Bum! Bum! Bum!

 

Cantavam os Espírito Azul na zona norte do estádio, relembrando os jogadores que não estavam sozinhos. E a verdade é que o Amora soube estancar o ímpeto da Belenenses SAD após o golo inaugural, dividindo agora o jogo a meio-campo. Gabriel Capixaba e Joca deambulavam pela zona intermédia, procurando oferecer linhas de passe aos colegas e ocasionalmente tentando explorar o espaço dado pelas subidas dos alas adversários, embora sem grande sucesso nos primeiros vinte minutos.

O Amora tentava sair a jogar apoiado desde trás e Juary era o central mais rotinado nessa tarefa. O trintão levantou a cabeça e viu Gabriel. Passou-lhe fugazmente pela memória uma conversa anterior, levantou o queixo num sinal rapidamente reconhecido pelo capixaba e esticou a bola em profundidade, fazendo-a sobrevoar a subida defesa do adversário.

Gabriel Capixaba já lá ia em velocidade, chegando à bola antes dos defesas. Orientou a bola para o interior, os veteranos Yohan Tavares e Raul Silva não tiveram velocidade para o acompanhar e, na cara do prestigiado Cláudio Ramos, colocou a bola no canto inferior esquerdo, fora do seu alcance.

Estava molhado o biscoito.

A Belenenses SAD sentiu o toque, apercebendo-se subitamente que o jogo não estava ganho. O Amora era mais perigoso do que os primeiros vinte minutos deram a entender e Gabriel Capixaba, em especial, estava endiabrado. O jogador do Amora foi alvo de marcação cerrada nos minutos que se seguiram ao golo, caindo sempre pelo menos dois adversários em cima dele.

Mas o Amora tinha movimentações rotinadas a prevê-lo. Gabriel Capixaba recebia a bola, os adversários caíam-lhe em cima para não lhe dar margem de explorar a sua velocidade, e Léléco surgia a aproveitar o espaço para dar uma linha de passe curto. O afroastro recebeu a bola, fez um, dois, três compassos de espera e a oportunidade surgiu: endereçou a bola num passe de ruptura para a zona central da defensiva da Belenenses SAD, de onde previamente Leonardo Brandão havia arrastado os centrais abrindo o buraco por onde agora surgia Gabriel Capixaba.

Novamente na cara de Cláudio Ramos, Gabriel Capixaba imaginou que o guarda-redes iria abrir as pernas para cobrir os ângulos inferiores da sua baliza - afinal, tinha sido por aí que há pouco marcara. Arriscou e colocou-lhe a bola por entre as pernas.

Biscoito molhado pela segunda vez.

Ninguém imaginaria que depois da entrada fulgurante da Belenenses SAD nesta partida, o Amora chegaria ao intervalo na liderança do marcador. Nem Frodo Zarco, nem Gabriel Capixaba, nem os mais ferrenhos adeptos vindos da Margem Sul. E, no entanto, o Amora vencia por duas bolas a uma, contrariando todas as previsões pré-jogo.

Jogar-se com mil adeptos num estádio de futebol não é mau per se. Há muitas equipas que têm assistências menores e conseguem ter apoio intenso, daquele que galvaniza uma equipa e atemoriza os adversários. Mas uma coisa é ter mil adeptos num estádio de mil, dois mil ou até cinco mil lugares; outra bem diferente é ter mil adeptos num estádio com lotação para quarenta mil pessoas.

O ambiente era soturno. Havia apoio das bancadas, claro está, mas faltava a sensação de calor humano que emana de um estádio bem composto, em que a proximidade dos adeptos cria uma massa humana que age como uma só: uma pessoa toma a iniciativa de puxar pela equipa, outra segue o exemplo, depois outra e mais outra, e de repente são centenas ou milhares a uma só voz.

Nesta tarde em que a Belenenses SAD viu-se a perder em casa contra o Amora, faltou-lhes essa onda de apoio. Qualidade em campo, a Belenenses SAD tinha. Mas há momentos em que a qualidade não chega, uma equipa duvida das suas capacidades e precisa do décimo segundo jogador.

A Belenenses SAD sofreu um inesperado revés na sua confiança com a reviravolta do Amora. Sentiu que o Amora tinha armas para a ferir nas costas e nunca foi capaz de atacar com convicção pelo receio sempre presente de sofrer novo golpe. Não houve quem os empurrasse para a frente e, simultaneamente, quem amedrontasse os confiantes meninos da Margem Sul.

E o Amora aproveitou para alcançar uma inesperada vitória no terreno da equipa que partia da Pole Position para alcançar a promoção à Primeira Liga.

 

 

O Amora somava sete pontos em quatro jogos, mantendo-se no pelotão da frente da Segunda Liga à 4a jornada. Não é caso para ser subestimado - na época anterior, só à 11a jornada o Amora ultrapassou esse registo.

A Belenenses SAD, por seu turno, mantinha a liderança da Segunda Liga. Restava saber como reagiria a super-equipa do Jamor após o seu primeiro passo em falso na temporada.

Gabriel Capixaba era o centro das atenções no relvado. Os seus dois golos - os primeiros da temporada - tinham decidido a partida e ele era, naturalmente, o homem do jogo.

Trocava de camisola com Gonçalo Paciência quando Frodo Zarco se aproximou. O jogador ostentava a mesma expressão com que lhe respondera no início do jogo, quando este parecia mal encaminhado.

"Ganso afogado", disse-lhe Gabriel, o capixaba.

Frodo Zarco sorriu-lhe abertamente. Deuses, como ele adorava aquela equipa.

Editado por Black Hawk

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Boa entrada em cena, onde nem o fortíssimo Belenenses SAD que operou essa contratação sonante para uma 2ª Liga, te conseguiu tombar. Estás com 7 pontos e no meu entender há margem de manobra para melhorar o padrão exibicional e os resultados. Creio que este ano andarás na luta pelos lugares de subida ao principal escalão do futebol nacional.

Fizeste muitíssimo bem em manter o Capixaba e foi ele o herói num Jamor deserto (nojo dessa espécie de clube que lá joga)!!!

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"Vamu Capixaba". Esse clube que nem clube é, está a mais no futebol português...mas é só a minha opinião. O que interessa é o Amora e estamos no caminho certo para uma boa época.

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Citação de Martini Branco, há 14 horas:

Boa entrada em cena, onde nem o fortíssimo Belenenses SAD que operou essa contratação sonante para uma 2ª Liga, te conseguiu tombar. Estás com 7 pontos e no meu entender há margem de manobra para melhorar o padrão exibicional e os resultados. Creio que este ano andarás na luta pelos lugares de subida ao principal escalão do futebol nacional.

Fizeste muitíssimo bem em manter o Capixaba e foi ele o herói num Jamor deserto (nojo dessa espécie de clube que lá joga)!!!

 

Citação de cadete, há 14 horas:

"Vamu Capixaba". Esse clube que nem clube é, está a mais no futebol português...mas é só a minha opinião. O que interessa é o Amora e estamos no caminho certo para uma boa época.

Vá, não sejam assim 😁

Abstive-me de dar considerações pessoais sobre a Belenenses SAD apenas por respeito a um user que muito admiro e que é adepto. Já o fiz uma vez por cá, já expressei o que acho desta versão do Belenenses, mas não valia a pena explorar isso novamente. Há razões que só o coração entende, as coisas são como são.

Sobre o início, tirando o jogo contra o Chaves, que foi de sentido único, os restantes foram equilibrados e podiam cair para qualquer lado. E foram contra equipas que prevejo irem lutar pelos primeiros lugares, pelo que é um bom indício.

Só não gostei do que vi da minha defesa, que no ano passado foi sólida desde que passei para os três centrais, mas este ano abre buracos por todo o lado. Estou a tentar descobrir uma solução, não está fácil.

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Epá com esse super belenenses, quando comecei a ler deu a ideia de que apesar do estadio vazio e triste ia ser o Amora a conseguir sacar um brilharete.

A nivel de nomes em campo dificilmente podias fazer a diferenca mas o lider Capixaba que tinha um inicio de epoca apagado, resolveu mostrar porque existe interesse dos clubes da primeira.

Bom jogo boa vitoria e um inicio que não sendo brilhante, é bastante melhor do que na epoca passada!

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Citação de Burkina2008, há 2 horas:

Epá com esse super belenenses, quando comecei a ler deu a ideia de que apesar do estadio vazio e triste ia ser o Amora a conseguir sacar um brilharete.

A nivel de nomes em campo dificilmente podias fazer a diferenca mas o lider Capixaba que tinha um inicio de epoca apagado, resolveu mostrar porque existe interesse dos clubes da primeira.

Bom jogo boa vitoria e um inicio que não sendo brilhante, é bastante melhor do que na epoca passada!

Sim, o início foi razoável. Como disse na outra resposta, estou a ter dificuldades com a minha defesa (se calhar deixar sair o João Carvalho tem papel nisso), mas nota-se alguma evolução no aspecto ofensivo para contrabalançar. No geral, estamos melhores. Também mal seria se não estivéssemos.

Estou é a ficar frustrado com a evolução do save. Vou na terceira época, já embolsei 2,6 milhões de euros em vendas nas duas épocas anteriores, mas a Direcção não avança na melhoria das infraestruturas. Tendo em conta que o objectivo do save é formar os meus próprios jogadores (e não andar a rapinar os regens de outras equipas que elas não conseguem segurar), está a demorar a entrarmos no verdadeiro espírito do save.

Seja como for, o Capixaba finalmente teve o episódio que já merecia, é o líder do balneário, não o deixei sair porque as propostas surgiram nos últimos dias de mercado e não tinha como substituí-lo, mas até ele está insatisfeito com a falta de investimento e duvido que cá fique para o ano. O que vale é que aquele Jéferson que contratei para os Sub23 é uma versão jovem dele e com jeitinho para o ano entra directo na equipa. Só precisa de aprender a jogar para a direita, estou a tratar disso.

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Foi um bom inicio, não estás longe dos ,lugares de subida e isso é importante

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Capítulo XVI - O próximo passo

 

"Tira! Tira!"
"Cai-lhe em cima! Não dá espaço!"
"Pressiona! Não deixa virar!"
"Ganha! Ganha!"

O adversário rodopiou sobre o lateral e ganhou a linha de fundo. A bola sobrevoou a área sem que alguém lhe tocasse. Foi um jogador de amarelo a ficar com a sobra, para desespero dos adeptos, os quais já não tinham posição confortável para estar. Sentavam-se, remexiam-se nas cadeiras, levantavam-se para lançar alguns gritos para o relvado e voltavam-se a sentar, inquietos.

O jogador de amarelo recolheu a bola ainda dentro da grande área e voltou a cruzar para uma área onde estavam dez jogadores de azul. Tentavam resistir como podiam ao massacre de que estavam a ser alvo naquela recta final do jogo. Já não havia discernimento para mais do que ocupar os espaços à frente da baliza. Defesas, médios, avançados, naquele dramático momento estavam todos por igual na defesa da sua baliza.

O treinador violava ostensivamente os limites da sua área técnica, ignorando olimpicamente a perseguição que o quarto árbitro lhe movia. Gritava instruções para dentro de campo, sendo também ele ignorado pelos seus jogadores que nem tempo tinham para perceber o que se passava fora da sua própria área. Olhou para o relógio e ponderou seriamente se o mesmo não avariara no início do período de descontos.

O pânico na Medideira era quase palpável.

A bola foi devolvida por alguém vestido de azul que saltou mais alto do que toda a gente, levando um encontrão pelas costas e sofrendo uma cotovelada nas costelas que lhe iria doer quando se esfumasse o efeito da adrenalina que lhe corria nas veias. A bola percorreu uns vinte metros na direcção do meio-campo e já lá ia outro homem de amarelo recolhê-la com a intenção de lançar nova vaga.

Foi interrompido pelo apito do árbitro.

Os dez homens de campo que vestiam de azul caíram redondos no chão, exaustos física e mentalmente. Alguns ficaram deitados de costas, estáticos, podendo passar por manequins de plástico não fossem os rápidos movimentos do peito provocados pela respiração ofegante; outros conseguiam estar sentados, de mãos apoiadas no relvado atrás das costas abrindo as goelas para o ar entrar.

Tinham resistido ao assalto final do adversário. Foram vagas e vagas de ataque, bolas bombeadas na área, pontapés de canto, remates bloqueados pela floresta de pernas defensiva, numa guerra sem quartel a que, de alguma modo, sobreviveram.

Frodo Zarco entrou rapidamente em campo para tentar perceber em que estado estavam os seus guerreiros. Foi perseguido pela equipa médica e pelos outros jogadores, suplentes não utilizados ou já substituídos durante o jogo, que logo iniciaram os trabalhos de alívio e recuperação muscular dos colegas de equipa.

Este era um trabalho essencial e foi a prioridade de todos logo que soou o apito do árbitro. Era até mais importante do que qualquer instrucção ou correcção táctica. Recuperar fisicamente os jogadores podia fazer toda a diferenca. Afinal, ainda havia um prolongamento para disputar.

 

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Os onze iniciais de Amora e Tondela

 

O Amora alcançou a Terceira Eliminatória da Taça de Portugal e saiu-lhe na rifa o primodivisionário Tondela.

O futebol tem coisas curiosas. O Amora, instalado numa cidade com 50 mil habitantes, fazendo parte de um município que contava 166 mil pessoas e estando integrado na Área Metropolitana de Lisboa, enfrentava o Tondela, cuja cidade homónima alberga cerca de 5 mil pessoas e respetivo município conta com menos de 30 mil habitantes. No entanto, era o Tondela quem estava confortavelmente instalado a meio da tabela da Primeira Liga, enquanto o Amora só muito recentemente voltara à Segunda Liga.

Havia muito mérito na ascensão do Tondela na hierarquia do futebol português. O clube do distrito de Viseu soube capitalizar os seus recursos e fez um trabalho iniciado pelas bases, construindo um crescimento sustentado que deu frutos. Um pouco como o Amora procurava fazer nos anos mais recentes.

Este trabalho meritório chamou a atenção de investidores. Um consórcio de empresários brasileiros ligados ao Flamengo viu o Tondela como a equipa ideal para servir de catapulta de jovens talentos do país irmão no futebol europeu e a entrada de capitais permitiu-lhes atrair qualidade com que anteriormente nem sonhavam. Nos finais de 2023, o Tondela agregava um misto de juventude e experiência, dispondo de jovens jogadores de imenso potencial e de elementos mais experientes como André Almeida, Luis Neto ou Edgar Ié.

Mas nenhum tão mediático como o baladado Rafinha.

 

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O Tondela chocou Portugal ao garantir nos seus quadros o internacional brasileiro Rafinha

 

O médio brasileiro, com experiência de grandes palcos e passagens por clubes como Barcelona, Paris Saint-Germain e Inter, aceitou o desafio de ser a cara visível do novo projecto desportivo do Tondela, suportado pelo investimento de empresários seus compatriotas.

Felizmente para o Amora, Rafinha estava lesionado aquando da deslocação dos tondelenses à Medideira e era menos uma dor de cabeça para Frodo Zarco naquele momento. Não que tivesse falta delas - o que não lhe faltava era motivos para ter a cabeça a latejar.

O treinador percorria o relvado, passando por entre os seus jogadores que, deitados, eram massajados - uns por elementos da equipa médica, outros pelos colegas que não envidavam esforços para os ajudar. Distribuía palavras de ânimo e ia observando em que estado se encontravam para a meia-hora adicional que ainda teriam de jogar.

 

"Como vai isso, Juary? Tranquilo como o esquilo?"

"Bom jogo, Isaac. Pronto para mais?"

"Joca! 'bora, capitão, tens de dar o exemplo!"

"Gabriel! Isto não é hora de estar aí na descontra como a lontra. Há um ganso para afogar."

 

Os jogadores iam recuperando a respiração e aos poucos foram levantando-se. Os adeptos incitavam-nos - eram mais de sete mil e quinhentos e apoiaram a equipa durante todo o tempo regulamentar. Frodo Zarco não tinha dúvidas que a energia emanada das bancadas tinha feito toda a diferença para os seus meninos levarem o jogo até ao prolongamento. A união entre equipa e adeptos era de aço e só com esta entreajuda fora possível ao Amora chegar a finais de Outubro de 2023 na metade superior da tabela da Segunda Liga.

 

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As expectativas estavam em altas

 

Os bons resultados galvanizaram os adeptos e aumentaram as expectativas para a participação do Amora na Taça de Portugal. Todos acreditavam que o Amora podia enfrentar o Tondela e prosseguir até fases mais adiantadas da prova rainha das competições nacionais.

O jogo contra o Tondela era apenas o segundo da campanha do Amora na Taça de Portugal. O primeiro obstáculo implicou uma deslocação à Madeira, onde os amorenses encontraram uma equipa que não há muito tempo figurava na Primeira Liga, mas cuja crise financeira os fez tombar até aos campeonatos distritais.

O União do Madeira foi o adversário perfeito para Frodo Zarco rodar a equipa e dar oportunidade a vários elementos menos utilizados do plantel. Jogadores experimentados como Fidelis Irhene e Gildo voltaram ao onze, e jovens à procura de conquistar o seu espaço como Martim Remédios, Gustavo Pinto, Simão Rosete, Tiago Louro, Martim Watts, Abas Djaló e Leonardo Brandão, tiveram a sua oportunidade de brilhar.

 

 

A vitória foi natural e indiscutível dada a diferença de qualidade individual entre as duas equipas.

O jovem Isaac Monteiro, que começou a temporada a conquistar a titularidade na defesa apesar dos seus tenros 19 aninhos, estreou-se a marcar como profissional e apreciou tanto a sensação que repetiu o feito logo de seguida.

Abas Djaló, jovem extremo de 20 anos, aproveitou a oportunidade para também ele estrear-se a marcar. A alegria do seu primeiro biscoito molhado foi complementada dias depois com a chamada à selecção principal do seu país, obtendo eventualmente a sua primeira internacionalização pela Guiné-Bissau.

 

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A primeira internacionalização de Abas Djaló foi celebrada no grupo de trabalho

 

Eram vários os jovens que já faziam parte do plantel principal depois de se estrearem pela equipa de Sub23 na época anterior. Mas fazer parte do plantel não era suficiente: era preciso dar o passo seguinte, isto é, conquistar a titularidade, seguindo os exemplos do passado de João Carvalho, entretanto transferido para o Boavista, e de Papou Mendes, os primeiros exemplos de jovens que reivindicaram o seu espaço no onze do Amora.

Isaac Monteiro conseguiu-o com personalidade já com esta temporada a decorrer, fazendo companhia aos mais experimentados Juary e Rony Fernandes no centro da defesa. No entanto, os outros ainda procuravam a regularidade necessária para assumir a titularidade. Gustavo Pinto e Simão Rosete não estiveram à altura quando foram aposta; Tiago Louro, Abas Djaló, Martim Watts e Leonardo Brandão permaneciam à sombra de Lucas Silva, Joca, Léléco e Flávio Silva, respectivamente.

Não era isso que preocupava Frodo Zarco. Os meninos são jovens e trabalhadores, e isso por ora bastava-lhe. Teriam tempo para crescer até poderem assumir um papel mais preponderante na equipa. Até darem o próximo passo.

O que o preocupava naquele momento era o prolongamento já ter começado e o Amora estar a sentir as mesmas dificuldades com que terminara o jogo.

Poder-se-ia pensar que seria ele o culpado por isso. Afinal, só tinha feito uma substituição durante os primeiros noventa minutos, trocando o veterano Léléco por Martim Maia numa tentativa de dar maior consistência ao meio-campo. Mas um olhar mais atento fazia entender que os tondelenses estavam tão ou mais fatigados que os seus jogadores. A diferença era de andamento, habituação a um superior ritmo competitivo e, claro, de qualidade individual.

 

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O habitual dono da baliza do Amora em jogos das Taças

 

Os jogadores agrupavam-se no terreno para proteger a baliza do jovem Martim Remédios. Com 19 anos feitos há dias, o menino fazia o seu terceiro jogo pela equipa principal do Amora, depois de ter assumido a titularidade nos jogos contra Moreirense (Taça da Liga) e União da Madeira (Taça de Portugal).

Frodo Zarco manteve a aposta nele e não estava arrependido - a verdade é que o Amora não sofrera nenhum golo até ao momento. Durante o tempo regulamentar, defendeu os quatro remates enquadrados com a baliza que o Tondela havia feito, respondendo às dúvidas e receios que os adeptos tinham quando foi anunciado o onze inicial. O menino ganhava confiança à medida que o cronómetro avançava e até já dava instruções aos colegas da defesa, ouvindo-se a sua voz ecoar pela Medideira.

 

"Isaac! Faz a dobra! Ocupa o espaço!"

"Protege-lhe as costas, Juary!", gritou o menino após um cruzamento para o segundo poste em que surgiu um jogador do Tondela sozinho, acertando mal na bola para desperdiçar uma tremenda oportunidade de golo. "O Rony estava a marcar o gajo no meio, tens de proteger o espaço atrás dele!"

"Minhaaaaaaa!", rugiu Martim Remédios para que Rony Fernandes, o central que jogava no centro da tripla defensiva, saísse da frente, abrindo espaço para o guardião socar a bola para longe, levando o adversário à frente no seguimento do lance.

 

O Tondela já estivera perto do golo durante o prolongamento e de alguma forma aproximava-se o intervalo sem que a bola tivesse entrado na baliza. O discernimento naquela fase do jogo já não era o melhor. O Amora tentava defender a sua baliza, mas os espaços iam surgindo. Os defesas demoravam alguns décimos de segundo a mais a reagir aos estímulos, as pernas já não esticavam tanto e os saltos eram mais modestos do que o habitual.

Quando o cruzamento de Rafael Barbosa foi feito, o imponente Rony Fernandes não saltou tão alto como habitual. A bola não foi despachada da zona defensiva do Amora como sempre costumava fazer, caindo nas imediações da área. Papou Mendes demorou apenas uma fracção de segundo a mais a reagir, o tempo de uma piscadela de olhos que o impediu de chegar antes de Rúben Fonseca.

O jovem avançado do Tondela fazia o seu primeiro jogo da temporada, acabara de entrar e estava fresco. Encheu o pé e desferiu um golpe potencialmente fatal nas aspirações do Amora em continuar na Taça de Portugal.

O árbitro apitou para o intervalo do prolongamento e Frodo Zarco aproveitou para promover as duas substituições a que ainda tinha direito. Tinha pensado em lançar Martim Watts para refrescar a dupla de meio-campo e Leonardo Brandão para o ataque. No entanto, uma rápida conversa com Joca fê-lo entender que o capitão do Amora não aguentaria mais quinze minutos de futebol.

Assim, trocou os desgastados Joca e Flávio Silva pelos frescos Gildo e Leonardo Brandão, procurando dar velocidade e dinâmica na frente de ataque numa fase em que a defensiva do Tondela estaria desgastada - e com o bónus de passar Gabriel Capixaba para a esquerda, soltando-o contra o veterano André Almeida.

 

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O menino Léo foi lançado para os quinze minutos finais do prolongamento

 

O choque do golo sofrido era perceptível entre os jogadores. A sensação era a de o Tondela ter o jogo na mão. Não é fácil para uma equipa teoricamente inferior, que conseguiu em largos períodos equilibrar o jogo perante um adversário de escalão superior, reagir após sofrer um golo que tão arduamente lutaram para que não acontecesse.

O apoio das bancadas foi absolutamente essencial para recuperar os jogadores. Mesmo naquele momento, os adeptos acreditavam na equipa. Apoiavam os meninos. Empurravam-nos. Inspiravam-nos. Papou Mendes recuperou uma bola e eles festejaram como se fosse um golo. Lucas Silva correu ao longo da linha e o burburinho cresceu, havendo quem se levantasse das cadeiras. O cruzamento foi bloqueado e o Amora ganhou apenas um pontapé de canto, mas celebraram-no efusivamente enquanto Gabriel Capixaba corria para o marcar.

Frodo Zarco não resistiu a fechar os olhos para sentir o momento. É aquilo o que faz do futebol o desporto mais mediático do planeta. A vibração do estádio causada por sete mil pessoas em movimento nas bancadas, sentida até no relvado e que fazia Frodo Zarco tremer. O ruído de excitação de milhares de vozes em simultâneo. O ensurdecedor ecoar dos gritos de golo... ah? Golo?

Abriu os olhos para ver alguém de azul a correr ao longo da linha de fundo em direcção à bandeirola de canto, logo perseguido por nove colegas. Em fundo, uma massa disforme de pessoas celebrava na bancada, braços apareciam e desapareciam no meio do moshpit improvisado. Os elementos do seu banco de suplentes apareceram-lhe em corrida à sua volta, ultrapassando-o e invadindo o relvado.

O árbitro foi chamar os jogadores do Amora de volta para o seu meio-campo e percebeu que o marcador tinha sido Isaac Monteiro. O seu menino Isaac.

 

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O perfil de Isaac Monteiro no início da temporada

 

Soa estranho chamar menino a um calmeirão de um metro e noventa e três de altura, mas quando Isaac Monteiro deu uma corrida para abraçar o seu treinador, o sorriso era mesmo de menino. Com passagens pela formação de Sporting CP, Benfica e Belenenses (o clube, não a SAD) antes de chegar à formação do Amora, Isaac Monteiro crescia visivelmente a cada jogo e era já um dos preferidos dos adeptos.

O ambiente na Medideira era festivo. O Amora empurrava agora o Tondela para a sua defesa, surpreendidos com o ímpeto dos amorenses que ninguém julgara ser possível. Os jogadores ignoravam dores e cansaço muscular. Estavam a agir tocados a determinação pura.

No entanto, o jogo encaminhava-se para o final e o espectro das grandes penalidades começava a pairar sobre a Medideira. Metade da equipa que Frodo Zarco tinha em campo eram meninos e ele não sabia como reagiriam sob a pressão que caracteriza o desempate da marca dos onze metros.

Pelo menos alguns dos seus jogadores mais rodados ainda estavam em campo. Lucas Silva, Juary, Rony Fernandes, Papou Mendes ou Martim Maia talvez pudessem assumir a responsabilidade do momento. E, claro, Gabriel Capixaba, que continuava a correr aos 117 minutos de jogo como se tivesse começado mesmo agora. E ele lá ia em mais um sprint, ultrapassando o pobre André Almeida que já não tinha pernas para correr atrás de velocistas daqueles.

O desgaste também afectava os atletas do Tondela. André Almeida ficou para trás. Gabriel Capixaba cruzou a bola para o coração da área e o defesa ao primeiro poste saltou para a interceptar, mas os músculos não responderam da mesma forma e não chegou à bola. Leonardo Brandão, acabado de entrar, não tinha o mesmo problema, saltou nas costas do adversário e deu uma tolada na bola na direcção do poste mais distante.

O guarda-redes foi apanhado em contrapé, mas reagiu com um golpe de rins assinalável e desviou a bola com a ponta dos dedos. Sete mil e quinhentas almas seguiam o percurso da bola de boca aberta enquanto esta prosseguia o seu rumo, rodando sobre si própria, na direcção das redes da baliza. As redes agitaram-se no momento em que a Medideira explodiu.

Desta vez foi Frodo Zarco o primeiro a entrar dentro das quatro linhas, dando uma corrida de braços no ar e abraçando Martim Maia, o primeiro jogador com que se cruzou. Os restantes corriam na direcção de Leonardo Brandão. O menino Léo corria em ziguezagues, nem sabendo ao certo para onde ia no meio da euforia que o invadiu. Acabou por passar pelo meio de dois jogadores do Tondela que olhavam em volta, estupefactos com o que acabara de acontecer, e atirou-se aos adeptos que se acumulavam na primeira fila da bancada atrás da baliza.

Leonardo Brandão tinha 20 anos e permanecia à sombra de Flávio Silva. Nas vezes em que foi chamado, o menino tinha mostrado qualidade a espaços e até marcou alguns golos, faltando-lhe apenas regularidade nas suas exibições. Nesta tarde, era o herói do momento. Ele e Isaac Monteiro, os dois meninos vindos dos Sub23 que engendraram a inesperada reviravolta na Medideira.

Ainda havia jogo para disputar e o Tondela caiu com tudo em cima do Amora. Choviam bolas na área que dez homens de azul tentavam desesperadamente limpar. Não havia ordem - havia pânico e entreajuda. Muita entreajuda.

Os jogadores gritavam ordens e incentivos aos colegas. Frodo Zarco berrava instruções para o relvado que não eram ouvidas tal era o insurdecedor ruído que vinha das bancadas. Ninguém estava sentado na Medideira: fossem adeptos ou elementos dos bancos de suplentes, estavam todos de pé.

O Tondela bombeou novamente a bola para a área. Rony Fernandes aliviou. A bola foi devolvida para a área e Lucas Silva despachou-a para onde estava virado. Estava virado para a sua direita, pelo que a bola atravessou toda a pequena área do Amora. Um arrepio percorreu a espinha de todos os presentes na Medideira - milagrosamente, ninguém tocou na bola. Sobrou para um adversário do lado esquerdo da área. A bola foi cruzada, Isaac Monteiro ganhou o lance de cabeça, mas não a conseguiu tirar da área. Ficou a saltitar bem no centro da área e Salvador Agra rematou à queima-roupa.

Martim Remédios atirou-se como um guarda-redes de Andebol num acto de desespero e a bola acertou-lhe em cheio no peito. Salvador Agra ia para a recarga, que lhe foi negada por um carrinho tresloucado de Papou Mendes. O ressalto levou a redondinha até alguém de amarelo que atirou a contar para o poste mais próximo.

Novamente em desespero, Martim Remédios atirou-se de braços abertos para a sua direita. Nem viu a bola, mas esta acertou-lhe no ombro e saiu pela linha de fundo.

Respirou-se de alívio nas bancadas. No campo, nem por isso. Era pontapé de campo e desta vez estavam vinte jogadores na área do Amora. Até o guarda-redes adversário subiu - só o marcador do canto e um defesa tondelense, que estava à entrada da área, não estavam na confusão.

A bola foi cruzada. Um molho de jogadores saltou a disputá-la. Foi recambiada para o marcador do canto que a devolveu para a área. Um primeiro cabeceamento ao primeiro poste desviou-a para o segundo poste. A Medideira susteve a respiração. Alguém de amarelo já na pequena área encostou-lhe a testa. O percurso da bola foi interceptado por Lucas Silva em cima da linha de golo. No meio da barafunda, alguma alma caridosa disparou a bola para o ar na direcção da Baía do Seixal.

O treinador do Amora olhou para o árbitro. Este consultou o relógio. Virou-se de costas para a área do Amora.

O peito de Frodo Zarco encheu-se de euforia.

O árbitro apitou e apontou para o grande círculo do centro do relvado. Estava tudo terminado na Medideira.

O Amora eliminava o Tondela e prosseguia na Taça de Portugal.

 

 

Os jogadores deram uma volta olímpica ao relvado, sendo ovacionados de pé pela assistência da Medideira. O coração pulsante de todo o espírito amorense voltava a viver uma tarde de glória como há muito não se via. Foi a primeira vitória do Amora sobre uma equipa da Primeira Liga desde 1992 - na altura, o Amora então treinado por Jorge Jesus bateu o Chaves por 2-1.

 

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A vitória do Amora foi um dos destaques da imprensa...

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... e a Direcção ficou tão eufórica com o feito que disponibilizou verbas adicionais como prémio... pode ser pouco, mas quem dá o que tem a mais não é obrigado

 

A eliminação do Tondela às mãos do Amora juntou-se a outras surpresas, como as eliminações dos primodivisionários Moreirense, Mafra e Portimonense por Lusitânia de Lourosa, São João de Ver e Leça, respectivamente.

Para Frodo Zarco, esta vitória tinha ainda o gosto especial por ter sido orquestrada pelos seus meninos. Martim Remédios foi uma barreira na baliza, Isaac Monteiro e Leonardo Brandão marcaram os golos. Os três foram promovidos à equipa principal por si e iam dando cartas. Era o seu projecto, seu e de Bilbo Himura, a começar a dar frutos.

Era o próximo passo. O seu, o dos seus meninos e o do Amora. Há futuro na Medideira.

 

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Juntando à eliminação do Tondela, o Amora confundia os comentadores e permanecia no pelotão da frente da Segunda Liga, mordendo os calcanhares dos candidatos à promoção e começando a acreditar noutros vôos.

Frodo Zarco mal podia esperar para ver até onde os seus meninos conseguiriam ir.

 

Em spoiler, os habituais prints dos jogos da Segunda Liga com breves descrições para os enquadrar

 

 

A vitória sobre a Belenenses SAD que foi destaque do último capítulo foi seguida por confrontos consecutivos com os dois outros despromovidos da Primeira Liga. O primeiro foi o Arouca, que acabou por vencer na recta final de um jogo dividido que poderia ter caído para qualquer um dos lados.

 

 

O Nacional está mal classificado face às expectativas que alimentava de nova promoção, mas aqui demonstrou claramente que têm imensa qualidade. Falhámos a oportunidade de fazer o 2-0 e na resposta os madeirenses empataram também já na recta final.

 

 

Não temos conseguido reproduzir a solidez defensiva da época passada e pelo quarto jogo consecutivos voltámos a conceder golos - sétimo jogo em oito em que sofremos golos para a Segunda Liga.

 

Pelo menos os jogos são emocionantes. Estivemos três vezes em vantagem, das três vezes o Leiria empatou. Martim Maia marcou um golaço ao minuto noventa que desta vez garantiu a vitória e valeu um smartphone a voar nos festejos.

Não se preocupem, ele está bem de saúde. Velhinho, mas sólido.

 

 

A curta deslocação a Pina Manique acabou por ser mais complexa do que o esperado. Fomos melhores, sofremos o golo da praxe e acabámos o jogo a sofrer mais por receio da nossa própria instabilidade defensiva do que pelo perigo que o Casa Pia tenha criado.

 

 

O Penafiel surge esta época como claro candidato à subida e a ida ao norte do país ocorreu após o jogo contra o Tondela. Em teoria tivemos tempo para recuperar, mas os jogadores não estão habituados a jogos tão intensos e o prolongamento não ajudou. Alguns dos meninos e os mais veteranos - Léléco e Juary em especial - estavam exaustos.

 

Fizemos alguma rotação e como consequência a equipa esteve especialmente instável, resultando em mais um jogo emocionante para os adeptos e terrível para os treinadores. Estivemos a ganhar 0-2 e deixámos chegar ao 2-2, fizemos o 2-3 e sofremos a reviravolta para 4-3. A bola foi ao centro e o Gabriel Capixaba empatou no lance seguinte.

 

Aqui não quis saber mais disto e defendemos o resultado, não quis arriscar num jogo tão imprevisível.

 

 

Por fim, o Farense marcou o golo da praxe logo a abrir - com a curiosidade de ter sido marcado pelo João Varudo, nosso antigo jogador, talvez se lembrem dele por ter sido expulso no Bonfim (ver Capítulo II - O capitão Joca). E o gajo ainda teve a lata de festejar efusivamente o golo. Em defesa dele, foi um golaço de longe, merecia ser festejado. O *matador renascido* virou o jogo e garantiu uma suada vitória.

 

Foi o nono jogo em dez em que sofremos golos para a Segunda Liga e o décimo segundo em treze se contarmos com as Taças. Não estamos a acertar com a defesa e os jogos são sempre imprevisíveis como consequência disso. Estamos sempre de coração nas mãos, não confiamos em nós próprios. Em compensação, estamos a criar mais oportunidades e a marcar mais.

Editado por Black Hawk

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Tive muito para ler 😅

Em relação à última temporada tiveste uma recuperação brutal, onde a mudança do sistema tático acabou por ser determinante! Um sistema que me agrada bastante, no entanto, tive grandes dificuldades em manter a tal solidez defensiva que falas.

Aparentemente existe mesmo uma melhoria significativa nos jogadores que iniciaram esta caminhada ao leme de Frodo Zarco. Tenho ideia que no início o plantel parecia um pouco limitado e vejo agora os prints dos jogadores e parecem muito interessantes!

Gosto de ver essa aposta na miudagem e ver como vão tendo uma influência positiva na evolução do clube!

Fizeste umas vendas interessantes e o regresso do Joca é marcante! Capixaba agradece a mudança e já mostra no campo que pode render muito mais! Pena a lesão do Flávio Silva no início de época...mas voltou com tudo! E o miúdo Brandão teve a oportunidade de mostrar que pode ser uma ótima solução!

Tenho ideia que no meu save o Rafinha também veio parar a Portugal! Não tenho ainda grandes argumentos para concluir mas parece que na versão mobile tudo gira muito à volta do campeonato/país onde estamos.

Esta época, com a grande União aí pelo meio, o Amora está com um arranque muito positivo, tal como a imprensa já referiu! Estou muito curioso para saber se a equipa irá manter essa força e lutar por algo mais!

Agora uma dúvida..falas aí no calmeirão de 193.... dá para ver a altura dos jogadores? 😳 Ou faz parte da história?

E desculpa o comentário confuso mas eu próprio perdi-me no que queria falar 😅

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Citação de Kluivert, há 1 hora:

Tive muito para ler 😅

Em relação à última temporada tiveste uma recuperação brutal, onde a mudança do sistema tático acabou por ser determinante! Um sistema que me agrada bastante, no entanto, tive grandes dificuldades em manter a tal solidez defensiva que falas.

Aparentemente existe mesmo uma melhoria significativa nos jogadores que iniciaram esta caminhada ao leme de Frodo Zarco. Tenho ideia que no início o plantel parecia um pouco limitado e vejo agora os prints dos jogadores e parecem muito interessantes!

Gosto de ver essa aposta na miudagem e ver como vão tendo uma influência positiva na evolução do clube!

Fizeste umas vendas interessantes e o regresso do Joca é marcante! Capixaba agradece a mudança e já mostra no campo que pode render muito mais! Pena a lesão do Flávio Silva no início de época...mas voltou com tudo! E o miúdo Brandão teve a oportunidade de mostrar que pode ser uma ótima solução!

Tenho ideia que no meu save o Rafinha também veio parar a Portugal! Não tenho ainda grandes argumentos para concluir mas parece que na versão mobile tudo gira muito à volta do campeonato/país onde estamos.

Esta época, com a grande União aí pelo meio, o Amora está com um arranque muito positivo, tal como a imprensa já referiu! Estou muito curioso para saber se a equipa irá manter essa força e lutar por algo mais!

Agora uma dúvida..falas aí no calmeirão de 193.... dá para ver a altura dos jogadores? 😳 Ou faz parte da história?

E desculpa o comentário confuso mas eu próprio perdi-me no que queria falar 😅

Obrigado 💪

Sobre a altura do Isaac Monteiro, não diz e é algo que sinto falta no Mobile.

Nos regens vou, para efeitos da história, inventar um pouco na altura dos jogadores com base no atributo do Jogo Aéreo (que já li por aí que é a média de atributos escondidos de Impulsão e Cabeceamento), Força e Velocidade.

No entanto, o Isaac Monteiro não é regen e tem até uma página no ZeroZero. Quase todos os miúdos que contratei no início da segunda época para os Sub23 comeram o jogo e são reais: o Martim Watts está no júniores do Nacional apesar de ter 16 anos, o Abas Djaló também, o Simão Rosete está nas camadas jovens da Briosa, o Martim Remédios no Leixões, o Tiago Louro no Alverca e o Leonardo Brandão no Feirense.

Não consegui descobrir todos, mas alguns têm perfis relativamente preenchidos e dá para incorporar na história.

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Grande jogo frente ao Tondela com uma reviravolta fantástica no prolongamento.

No campeonato continuas bem e colado aos lugares de subida o que é importante.

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Enorme o jogo contra o Tondela nesse esforco final a mostrar juventude e que a equipa tem um futuro risonho. Se bem que se o Rafinha tivesse alinhado, poderia ter sido um jogo diferente...mas o que interessa é que tal como os outros que mencionaste, causaste surpresa e és um tomba gigantes. Quem sao os teus proximos adversarios?

No campeonato nota-se perfeitamente que a equipa esta época ja parte com outra experiencia e nao me admirava que ainda acabes a lutar pelos lugares de subida!

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Citação de Banks29, há 7 horas:

Grande jogo frente ao Tondela com uma reviravolta fantástica no prolongamento.

No campeonato continuas bem e colado aos lugares de subida o que é importante.

💪

Citação de Burkina2008, há 4 horas:

Enorme o jogo contra o Tondela nesse esforco final a mostrar juventude e que a equipa tem um futuro risonho. Se bem que se o Rafinha tivesse alinhado, poderia ter sido um jogo diferente...mas o que interessa é que tal como os outros que mencionaste, causaste surpresa e és um tomba gigantes. Quem sao os teus proximos adversarios?

No campeonato nota-se perfeitamente que a equipa esta época ja parte com outra experiencia e nao me admirava que ainda acabes a lutar pelos lugares de subida!

Se o Rafinha tem jogado era violentado à bruta. Se já sem ele foi o que foi... autch!

A equipa evoluiu, principalmente no ataque. Marcamos muito mais e a equipa é globalmente a mesma, só tem o Joca a mais. Mas nota-se que os jogadores estão melhores, é visível tanto nos atributos como no motor de jogo. Mesmo os mais velhos melhoraram por jogar num nível competitivo mais elevado.

Depois do Tondela (SPOILER! SPOILER!) caiu-me o Merelinense que nem foi grande desafio, agora saiu o Rio Ave fora de casa que já é bem difícil. Passando, chego aos Quartos-de-Final. Nem sei a última vez que o Amora lá chegou.

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