Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

Atingimos o número redondo de 50 Capítulos 🥳

Mantendo-me fiel à promessa, mais uma atualização que se lê num instante apesar de ser sobre os dois jogos mais importantes de todo o save. Ou pelo menos os mais mediáticos.

 

oDSi6qf.jpg

Capítulo L - O grande tubarão branco

 

O automóvel estacionou num largo alcatroado e dos assentos traseiros saíram os seus dois ocupantes. O primeiro a sair falava acaloradamente ao telemóvel, não passando despercebido a ninguém o sotaque abrasileirado do seu português, mas era o seu acompanhante quem chamava a atenção. Jovem, aparentando talvez uns 21 ou 22 anos de idade, alto e esguio, olhava em silêncio para a fachada exterior do Estádio da Medideira, como que avaliando o desafio em que se metera.

Juntos entraram nas instalações da casa ancestral do Amora Futebol Clube, percorrendo alguns corredores mal iluminados até desembocarem numa sala minúscula onde os aguardavam três indivíduos. Precipitaram-se para os cumprimentar calorosamente, trocaram algumas palavras de circunstância com os recém-chegados e sentaram-se em volta de uma mesa ocupada com duas pilhas de folhas sobre cada qual pousavam canetas com o símbolo do clube.

O jovem leu na diagonal algumas das páginas. Olhou em sua volta com um ar neutro e fixou por fim o olhar no seu acompanhante. O agente também acabara de consultar algumas das folhas e acenou-lhe positivamente, dando o seu aval ao conteúdo.

Pegou na caneta e rubricou o seu nome em todas as folhas: Gabriel Pereira Minas.

Naquela tarde de segunda-feira, dia 11 de Janeiro de 2021, Gabriel Capixaba estaria longe de imaginar que apenas seis anos depois de assinar por um desconhecido clube português do terceiro escalão nacional estaria a representar o seu emblema no mítico Estadio Santiago Bernabéu.

 

 

O Amora cresceu para além da imaginação de todos desde esse dia. Alguns meses depois de assinar contrato, Gabriel Capixaba viu surgirem Bilbo Himura e Frodo Zarco com um discurso ambicioso. A transformação operada no Maior da Margem Sul levou o modesto clube das margens da Baía do Seixal desde a Liga 3 até à Segunda Liga, primeiro, e depois até à Primeira Liga.

Já no convívio dos grandes, o Amora conquistou o seu lugar e ia já na terceira temporada consecutiva na maior competição nacional. Mas não se pense que ia sobrevivendo; não, a equipa da Medideira era já uma habitual presença nos primeiros lugares e logrou até estrear-se em grandes títulos, ao conquistar a Taça de Portugal em Maio de 2026 e a Taça da Liga em Janeiro de 2027.

Com estas prestações, Gabriel Capixaba, promovido a capitão depois de Joca ter pendurado as botas, estreou-se por fim nas competições europeias. O Amora excedeu-se novamente ao vencer o seu grupo na Liga Europa, batendo Sevilla, Napoli e Hajduk, e conquistou meritoriamente a presença nos Oitavos-de-Final da segunda mais importante prova de clubes do futebol europeu.

Já se adivinhava que aí chegados, Frodo Zarco e companhia teriam tarefa complicada. O Amora era como um peixinho num grande lago de tubarões. Não se lhe adivinhava vida fácil, mas o sorteio foi particularmente aziago. Ao caminho do Amora saiu o maior de todos eles, o grande tubarão branco que todos os ocupantes do lago temiam.

O Real Madrid Club de Fútbol.

Há pouco a dizer quanto ao seu palmarés. Não por ser modesto, nem por sombras! Era mais por o currículo de Los Blancos ser tão extenso que dispensava grandes apresentações. Só Ligas dos Campeões eram dezasseis, as mais recentes em 2022, 2024 e 2026, às quais ainda se somavam três Ligas Europa, a última das quais levantada em 2023.

Sim, leram bem. O Real Madrid era o campeão europeu em título, tendo conquistado a Liga dos Campeões transacta. A defesa do título na presente época terminou precocemente na Fase de Grupos, onde Los Blancos viram-se ultrapassados por Liverpool e Benfica, caindo na Liga Europa.

Ninguém sabia bem ao certo como aquele tubarão branco surgiu naquele lago, mas ele lá estava, exibindo a sua barbatana à superfície e enchendo de terror todos os que a viam.

 

tiz40jL.gif

O capitão Gabriel Capixaba marcou o livre que manteve vivas as esperanças do Amora na eliminatória

 

Ganhar é a matriz do ADN do Real Madrid. Se os deuses do futebol os lançaram para o lago menor da Liga Europa, restava ao grande tubarão branco devorar os restantes ocupantes daquele charco em que por ora nadavam. Começando pelo peixinho de água doce que era o Amora.

O Maior da Margem Sul sentiu o momento. A jogar contra aquele que será porventura o maior clube do mundo, o Amora entrou a medo. O grande tubarão branco cheirou o sangue e atacou sem piedade aquele peixinho oriundo de uma cidade cuja população não era sequer suficiente para encher o Estadio Santiago Bernabéu. Aos 25' já venciam por dois golos e a tendência parecia ser o avolumar do resultado.

O Amora reencontrou-se depois do segundo golo. Ou então o Real Madrid sentiu que o peixinho não era ameaça e levantou o pé. Fosse como fosse, o resultado não alterou mais a favor dos madridistas. E, como tantas vezes acontece, isso deu azo a que o peixinho desferisse uma mordidela nas espessas escamas do tubarão.

O livre de Gabriel Capixaba já em tempo de compensação terminou dentro da baliza de Thibaut Courtois, deixando tudo em aberto para a segunda mão.

O Amora saiu vivo do Estadio Santiago Bernabéu.

 

WohNJ8M.jpeg

O Amora recebia o ilustre Real Madrid no novíssimo Estádio da Medideira...

09CA75V.jpeg

... onde onze peixinhos ambicionavam emboscar e derrotar o grande tubarão branco

 

Os bilhetes foram colocados à venda nas plataformas online e esgotaram em poucos minutos.

Os 14.120 adeptos nessa noite na Medideira criaram um ambiente diferente daquele a que o Real Madrid estava habituado. As bancadas estavam quase coladas ao relvado, característica do antigo Estádio da Medideira que os responsáveis do Amora se esforçaram por não apagar com a requalificação para o novo recinto do Maior da Margem Sul. Era um apoio incessante e popular, nada parecido ao ambiente elitista e urbano mais habitual em clubes de topo.

Talvez confusos com o que os rodeava, os craques madridistas sofreram para estancar a euforia amorense. Impulsionados pelo apoio dos seus, os homens de Frodo Zarco atacavam cada bola como se disso dependessem as suas vidas. Cada tentativa de saída desde trás do Real Madrid morria sob a pressão do Amora, cada duelo individual resultava tendencialmente na conquista da bola pelos da casa.

O peixinho ia dando pequenas mordidelas no grande tubarão branco que, atordoado, não conseguia revidar.

Faltava, porém, o golo que empatasse a eliminatória.

Apesar da fúria com que atacava, o Amora não encontrava brechas que lhe permitisse furar definitivamente a defesa do campeão europeu. Gabriel Capixaba, Filipe Diogo e Vítor Ferraz, os três principais criativos do Maior da Margem Sul, tentavam encontrar o espaço para servir o goleador Diego Raposo, ou descobrirem eles próprios o caminho para a baliza. Odailson e Lucas Silva, os dois laterais ofensivos, davam largas ao caudal ofensivo e esforçavam-se para alcançar a linha de fundo. A partida já chegara a meio da segunda parte e, até àquele momento, nada resultara.

 

TLmOfIf.jpeg

Gabriel Capixaba, chegado à Medideira em Janeiro de 2021, era em 2027 o capitão de equipa

 

Nova iniciativa de Lucas Silva pela esquerda, combinando com Filipe Diogo, entusiasmou os adeptos. O lateral brasileiro conquistou a linha de fundo e cruzou, mas a bola foi bloqueada e perdeu-se pela linha de fundo. Os adeptos acotovelavam-se nas primeiras filas das bancadas próximas da bandeirola de canto em que Filipe Diogo acomodou a bola. Poucos na Medideira estavam sentados - a motivação de estarem a viver o jogo mais importante da história do Amora era demasiado esmagadora para permitir que estivessem confortavelmente sentados.

Filipe Diogo levantou um braço, sem dúvida uma mensagem em código para as torres do Amora que subiram à área de Thibaut Courtois. Nélson Victor e Manuel Díaz, os centrais do Maior da Margem Sul, eram marcados homem-a-homem. A bola foi batida para o segundo poste. Nélson Victor atacou o primeiro poste e ficou fora da jogada, mas Manuel Díaz saltou no local onde a bola caiu.

A Medideira ficou em suspenso a assistir ao central espanhol do Amora a dar uma tolada na bola, na direção da baliza. Davide Calabria deu o corpo às balas, atravessando-se à sua frente. A redondinha bateu no italiano.

Se a eliminatória estava a ser alvo de uma analogia com lagos, peixinhos e tubarões, o que se seguiu foi a erupção de um vulcão subaquático que provocou um tsunami de euforia.

 

vpwKo1F.gif

Manuel Díaz correspondeu ao cruzamento de Filipe Diogo para dar a vantagem no jogo, e o empate na eliminatória, ao Amora

 

O golo seria atribuído a Davide Calabria, ficando registado como autogolo, mas a autoria moral era de Manuel Díaz. O central espanhol marcava aos compatriotas e empatava a eliminatória, dando finalmente o tão ambicionado golo ao Amora.

O grande tubarão branco estava encurralado. Perdia na Medideira, um estádio que nem sabia que existia até àquela noite, e nos minutos que se seguiram o cenário não melhorou. Aquele estranho ambiente tornou-se ainda mais opressivo. O relvado tremia com a vibração dos saltos dos adeptos. Os peixinhos continuavam a atacá-lo por todos os lados ao mesmo tempo.

Quando um predador natural, um superpredador ou predador alfa, se vê sozinho numa luta contra vários oponentes que sozinhos nem sequer seriam adversários, o desfecho poderá ser um de dois: ou os oponentes o atacam em simultâneo, ferindo-o progressivamente enquanto evitam que ele responda, até este se ver manietado; ou o predador alfa consegue abocanhá-los um a um até ganhar supremacia na batalha.

O tubarão branco é um prepador alfa. Os peixinhos da Margem Sul, não. Até ali estavam a conseguir dar algumas mordidelas que incomodavam o tubarão e conseguiam esquivar-se à sua resposta. Mas o grande tubarão branco é colossal e bastaria uma dentada para desfazer os peixinhos.

Bastaria uma dentada.

Uma dentada.

Uma.

 

HPR6qSV.gif

Harry Kane e o Real Madrid precisaram apenas de um remate enquadrado em todo o jogo para marcar

 

Novamente em vantagem na eliminatória, o Real Madrid puxou dos galões e não deu mais margem para veleidades. O Amora tanto lutou, tanto batalhou, tanto pugnou por aquele golo que, ao sofrer o empate, colapsou emocionalmente. Não mais esteve perto do golo e o jogo acabaria empatado na Medideira.

Bastou uma dentada do grande tubarão branco para terminar a luta.

 

 

O árbitro apitou para o final do jogo e, como se de um sinal se tratasse, os jogadores do Amora tombaram no relvado.

Não era só cansaço físico de um jogo intenso em que deixaram a pele em campo. Era também cansaço mental e desilusão - principalmente desilusão. Estiveram tão próximos de forçar o prolongamento ao campeão europeu Real Madrid apenas para verem esse feito negado no único remate enquadrado sofrido.

Nessa hora valeram os adeptos. A Medideira em peso, todas as 14.120 almas aí presentes, os da casa e os visitantes, aplaudiram de pé o seu esforço. As vitórias morais valem o que valem - zero para o palmarés e as estatísticas -, mas alimentam a alma quando se reconhece que fez-se de tudo para evitar a derrota. E eles fizeram-no.

A volta olímpica à Medideira ajudou a curar as feridas da eliminação e a fomentar o espírito de união entre a equipa e os adeptos. União que era de aço, assente na belíssima campanha de estreia do Amora nas competições europeias, na conquista da Taça da Liga há pouco mais de um mês e naquilo que o Maior da Margem Sul continuava a fazer na Primeira Liga.

 

Vih3VWv.jpeg

Prints destes jogos em spoiler no final do Capítulo

cn9gbhI.jpeg

 

Uma quebra recente nos resultados resultou na fuga de Sporting e Benfica, mas o título também não era a luta do Amora. Essa estava bem encaminhada para ser ganha com a almofada pontual sobre o Vitória, surgindo no horizonte uma outra algo inesperada: a luta pelo acesso à Liga dos Campeões, a apenas um ponto de distância.

O tropeção no Estoril quebrou uma série de onze jogos sem sofrer golos para a Primeira Liga e a derrota frente ao Benfica pôs fim a uma sequência de catorze jogos consecutivos sem perder para a mesma competição - tanto o último golo sofrido como a última derrota para a Primeira Liga tinham sido a 08 de Novembro de 2026, há cerca de três meses, quando o Vizela bateu o Amora por 1-0.

Faltavam cinco jornadas para o término da Primeira Liga. O Amora ainda acalentava a esperança de marcar presença na Liga dos Campeões. Para isso, seria necessário ultrapassar o Porto, terceiro classificado. E, com um pouco de sorte, essa discussão até poderia ser resolvida entre ambas as equipas.

É que Amora e Porto defrontar-se-iam na Medideira na última jornada do campeonato.

 

[Em spoiler, prints dos jogos disputados para a Primeira Liga e alguma contextualização dos mesmos]

Foi uma história bonita, esta da campanha europeia do Amora. Tivemos azar no sorteio e não nego que aquilo que escrevi a certo ponto no Capítulo foi mesmo a minha percepção: quando vi o resultado em 2-0 aos 25' da 1ª mão pensei que íamos ser pulverizados.

Tanto no golo de livre do Gabriel Capixaba como no do Manuel Díaz, injustamente considerados autogolos, dei um berro a olhar para o smartphone. O golo do Harry Kane deixou-me aziado o resto do dia como se tivesse acontecido na realidade.

Foi uma pena.

 

Primeira Liga - 24ª jornada

T3rhSUh.jpeg

Relatório do jogo

 

Vínhamos de onze jogos sem perder e sem sofrer golos. Voltámos a conceder golos e quase perdemos. Quase.

Fomos ao Estoril apenas três dias depois da final da Taça da Liga contra o Porto - que vencemos, como se recordarão do último Capítulo. Mas a Final Four obrigou a dois jogos em três dias, e antes disso a sete jogos em vinte dias, pelo que tinha toda a gente em claras dificuldades físicas.

A equipa que entrou em campo estava toda remendada. Perdia e perdia bem ao intervalo. Ao longo da segunda parte senti que já podia lançar alguns dos principais nomes e com isso fomos em busca do resultado. Um dos que entrou foi o Vítor Ferraz: marcou um golo e fez uma assistência.

O golo que marcou foi este tomahawk que o guarda-redes nem viu.

 

1lguha5.gif

 

Dadas as circunstâncias, não posso desdenhar o empate obtido. Este resultado acaba por ser consequência do nosso próprio sucesso. Foi o preço a pagar pelo título de Campeão de Inverno; foi o preço a pagar pela Taça da Liga.

 

Primeira Liga - 25ª jornada

emp05IQ.jpeg

Relatório do jogo

 

Depois do empate no Estoril, tivemos uma semana para remendar feridas e reequipar as tropas. Já ninguém se lembrava do que era ter uma semana para preparar um jogo! Com efeito, a equipa voltou a ser mandona e o Boavista foi facilmente batido.

O Nélson Victor voltou a marcar num pontapé de canto e o Diego Raposo estava com tanta vontade de marcar que empurrou um adversário para poder meter a bola na baliza, esquecendo-se que havia VAR. Vá lá que mais tarde voltou a marcar e esse foi limpinho.

Duas notas sobre este jogo:

1) se olharem habitualmente para as estatísticas já devem ter notado que tenho sempre muitos cantos, mas que marco pouco dessa forma. Recentemente têm caído alguns golos de canto, o Nélson Victor marcou dois aqui, o Manuel Díaz marcou ao Real Madrid, o Raul Zovo marcou dois ao Casa Pia para a Taça da Liga. Continuam a ser poucos, mas agrada-me começar a ver algum aproveitamento - e houve sequência nos próximos jogos.

2) o Gabriel Capixaba recuperou da lesão que o afastou de alguns jogos de Janeiro, Taça da Liga incluída. Voltou a ser convocado neste jogo, entrou aos 79' e... foi expulso aos 80' por mandar uma cotovelada num adversário. É assim, eu também estou fulo com o Boavista porque me sacam muitas vezes pontos, mas porra, não era caso para tanto.

 

Primeira Liga - 26ª jornada

9fLUrY0.jpeg

Relatório do jogo

 

Mais uma semana de recuperação entre jogos e lá fomos a Braga. Nunca sei o que hei de esperar de jogos contra os Guerreiros do Minho, tão depressa somos atropelados como os atropelamos.

Neste caso, caiu para nós. Foi parecido ao da Meia-Final da Taça da Liga, disputado e com poucas oportunidades de parte a parte. Concluímos as nossas, uma delas novamente num canto e lá está, o Nélson Victor. Está a tornar-se um jogadorzão. E tem boa liderança, é bem capaz de vir a dar capitão.

 

Primeira Liga - 27ª jornada

6vkNJ4Y.jpeg

Relatório do jogo

 

E pronto, depois de catorze jogos sem perder, eis que caímos aos pés do Benfica... outra vez. Teria de ver os registos, mas tenho... errr... 99% de certeza que ainda não lhes ganhei. Por outro lado, tenho 100% de certeza que já perdi uns quantos jogos com eles pela margem mínima com golos nos descontos.

E tenho certeza disto porque até o @Lavrador uma vez comentou isso mesmo LOL

Não há muito a reclamar aqui, o Benfica mereceu ganhar. O golo caiu no minuto 90' como poderia ter caído antes, só custa mais por ter sido mesmo ao cair do pano... e da forma como foi.

Primeiro, quero só mostrar o nosso golo, principalmente a visão de jogo do nosso jovem médio defensivo Dino Leão. Encaixa que nem uma luva a jogar como organizador ambulante no vértice recuado do terreno, é um regalo vê-lo jogar.

 

gHvaGF0.gif

 

E depois... pah, foi assim que perdemos no minuto 90'.

 

1z3x5GS.gif

 

Desde a perda de bola à forma, da charutada que isola o avançado à saída aparvalhada do nosso guarda-redes Manuel Baldé, só não atirei o smartphone à parede porque ele custou-me dinheiro.

Diga-se que o Benfica já não é campeão desde 2019, ou seja, ainda não foi campeão neste save. Este ano estão a disputar o título com o Sporting e podem quebrar um jejum de oito anos.

 

Primeira Liga - 28ª jornada

DndJkQt.jpeg

Relatório do jogo

 

Falando em golos nos descontos, ora...

Voltámos a jogar com o Braga - eram eles o jogo em atraso que tinha no final da primeira volta. Já comentei atrás que nunca sei o que esperar de jogos contra eles. Os dois anteriores foram divididos e com poucas oportunidades; este foi dividido, sim, mas resultou em quatro golos.

Dos quatro golos, quero partilhar esta jogada individual do Filipe Diogo. Vibes de Ronaldo contra a Espanha - aquele que o Nani depois meteu a cabeça -, se fecharem os olhos dá para imaginar o nó no adversário que acabou com a carreira dele e o remate em arco ao ângulo com o guarda-redes especado a ver a bola passar por cima dele.

 

ouq2DQZ.gif

 

Que maravilha.

O Galeno é outro que está na minha lista negra de gajos que me encavam com frequência. Demos a volta na segunda parte com este golo, apenas para voltar a claudicar na reta final, tal como tinha acontecido com o Benfica e voltou a acontecer mais tarde com o Real Madrid.

Deve ser a paga por termos empatado a final da Taça da Liga nos descontos ou assim.

 

Primeira Liga - 29ª jornada

lmIMN2p.jpeg

Relatório do jogo

 

Por fim, um empate a zero. Tudo o que é preciso saber quanto a este jogo é que disputou-se entre as duas partidas contra o Real Madrid.

Eu estava a pensar neles, os jogadores estavam a pensar neles, ninguém se lembrou que o jogo era para ganhar e a equipa que jogou foi literalmente os dez suplentes habituais.

Pronto, deu nisto.

Estamos bem classificados numa época de transição, relembro que no Verão perdemos mais de metade da equipa titular que foi sendo construída nos últimos anos. Se tivermos uma boa ponta final podemos disputar o acesso à Liga dos Campeões contra o Porto na última jornada.

Quero só realçar que há boas hipóteses de repetirmos a presença no Jamor. O Benfica foi eliminado da Taça de Portugal, Porto e Sporting já o tinham sido há uns tempos e já tinha falado disso. Chegaram à Meia-Final além de nós Braga, Portimonense e Gondomar.

O nosso adversário será o Gondomar. A duas mãos nem coloco a hipótese de não avançarmos até à Final. A confirmar-se, gostaria que fosse contra o Braga. Seria um melhor adversário e daria uma final mais interessante.

Mais sobre isto em futuras atualizações.

  • Concordo! 1

Compartilhar este post


Link para o post

Caíste de pé. Isso é o que importa. Mas também, fosga-se, que equipa do Real na Liga Europa!

 

Agora é para cima do Porto e tentar o 3º lugar.

Compartilhar este post


Link para o post

Autênticos heróis contra o Real e um mau alívio do gr acaba por ser aproveitado e o Kane lá acabou com o sonho. Equipa abalou um pouco na liga, mas segue na luta pelo top 3.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Bettencourt, há 11 horas:

Caíste de pé. Isso é o que importa. Mas também, fosga-se, que equipa do Real na Liga Europa!

 

Agora é para cima do Porto e tentar o 3º lugar.

Não é? À equipa de origem enfiaram Pau Torres, Davide Calabria, Koke, De Jong e Kane. Só naquela... não admira que tenham três Champions nestas cinco temporadas já concluídas do save.

Mas sofreram connosco! Ah pois!

Citação de cadete, há 5 horas:

Autênticos heróis contra o Real e um mau alívio do gr acaba por ser aproveitado e o Kane lá acabou com o sonho. Equipa abalou um pouco na liga, mas segue na luta pelo top 3.

O coitado do Manuel Baldé tanto tem salvo a equipa ao longo da época em tantos momentos, mas nesta atualização além desse erro ainda cometeu o que meti no gif do jogo contra o Benfica. Não merecia.

Aliás, não coloquei na atualização, mas ele foi bem queimado em praça pública:

rrVVEVh.jpeg

E claro que o defendi, que espécie de treinador não defende os seus?

HKi0lgD.jpeg

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Que bela eliminatória! O desfecho foi o esperado, a eliminação, mas deste uma boa réplica. Gosto de imaginar os Madridistas a chegarem a Amora, nem os telemóveis tiravam do bolso tal era o medo 😅

O campeonato tremeu um bocado mas tens margem de erro para o Vitória e estás colado ao 3º, portanto é o que se quer e o que é realista nesta altura (alias, nao deveria ser realista intrometeres-te no meio dos grandes, mas parece que é para aí que caminhas) 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de F. Mota, há 1 hora:

Que bela eliminatória! O desfecho foi o esperado, a eliminação, mas deste uma boa réplica. Gosto de imaginar os Madridistas a chegarem a Amora, nem os telemóveis tiravam do bolso tal era o medo 😅

O campeonato tremeu um bocado mas tens margem de erro para o Vitória e estás colado ao 3º, portanto é o que se quer e o que é realista nesta altura (alias, nao deveria ser realista intrometeres-te no meio dos grandes, mas parece que é para aí que caminhas) 

Nah, que quê, os meus conterrâneos são gente do bem. Alguma vez ouviste falar de alguma coisa estranha na Margem Sul? Nada! 😐

Ainda não fiz os jogos todo, mas o calendário não é propriamente difícil e acredito mesmo que isto vai dar para discutir o 3º lugar no último jogo. Ainda para mais o Porto está envolvido na Liga Europa - fun fact, saiu-lhes o Real Madrid nas Meias-Finais ahah

Pode ser que dê, era porreiro participar nas eliminatórias da Champs.

Compartilhar este post


Link para o post

Perdeste a eliminatória no único remate enquadrado? Bem, espero que o telemóvel tenha sobrevivido.

De resto, vamos ver. Esse ponto de desvantagem, principalmente jogando em casa vs. FCP, é super recuperável. É começares a inverter a tendência destes últimos resultados (e esperares que o Porto comece a escorregar para ganhares algum conforto).

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Maffu, Em 15/11/2022 at 20:57:

Perdeste a eliminatória no único remate enquadrado? Bem, espero que o telemóvel tenha sobrevivido.

De resto, vamos ver. Esse ponto de desvantagem, principalmente jogando em casa vs. FCP, é super recuperável. É começares a inverter a tendência destes últimos resultados (e esperares que o Porto comece a escorregar para ganhares algum conforto).

Sobreviveu pois, amigo. É velhinho mas é bom e custou dinheiro!

Compartilhar este post


Link para o post

oDSi6qf.jpg

Capítulo LI - O mata-mata

 

A bola foi bombeada para a área. Já não havia tempo para contemplações. Faltavam meros segundos para se cumprirem os três minutos de compensação decretados por Luís Godinho e era hora de colocar de parte qualquer nota artística; quanto mais depressa a bola chegasse à área, melhor.

Do outro lado também já não havia ordem que valesse. Chegados àquela fase com uma vantagem de apenas um golo, a ordem era defender, defender, defender! Todos os onze elementos vestidos de azul amontoavam-se na área à guarda de Manuel Baldé ou nas suas imediações. Era o sufoco final.

A bola caiu em chuveirinho na área e vários jogadores acotovelavam-se pela melhor posição para a atacar. Dois deles saltaram, nenhum conseguiu ganhar vantagem. O esférico ressaltou e pingou pela área. Os adeptos da equipa da casa levantaram-se, já imaginando um remate vitorioso que empatasse a partida, mas foi um elemento de azul quem chegou primeiro, aliviando a bola para onde estava virado.

O estrondo da bola a embater numa cadeira da bancada atrás da baliza foi audível por todo o estádio. O Tondela ganhava o pontapé de canto debaixo dos protestos do banco do Amora, cujos ocupantes estavam de pé a apontar para os respetivos pulsos, exigindo o final da partida. De nada lhes valeu; Luís Godinho apontou, impassível, para a bandeirola de canto. Seria certamente o último lance do jogo.

A tensão era sufocante. O Amora vencia em Tondela por três bolas a duas e não! podia! sofrer! o empate.

 

2O04wJ9.jpeg

O Amora vingou-se da eliminação na Liga Europa com uma sequência quase perfeita de resultados [prints dos jogos em spoiler no final do Capítulo, como é habitual]

 

Deixemos o pontapé de canto em Tondela em suspenso enquanto recordamos como o Amora chegou aos 90'+3 a defender a sua baliza como se disso dependesse a sua vida.

Dias depois do empate na Medideira contra o grande tubarão branco, os galáticos do Real Madrid, o Amora voltou aos relvados para novo jogo de mata-mata - expressão que entrou no léxico popular graças ao antigo selecionador nacional Luiz Felipe Scolari, que assim se referiu um dia aos jogos a eliminar. Na verdade não era bem mata-mata, pois a Meia-Final da Taça de Portugal é disputada a duas mãos, mas deixemos os preciosismos de lado.

O Amora foi a Gondomar defrontar a equipa local. Grande sensação da Prova Rainha, os gondomarenses alcançaram as Meias-Finais apesar de militarem apenas no Campeonato de Portugal, o quarto escalão nacional. Mas não se pense que foi obra do acaso! O Gondomar bateu várias equipas de escalões superiores ao seu, o expoente da campanha sendo uma chocante vitória sobre o próprio tricampeão nacional, Sporting Clube de Portugal, em pleno Estádio de Alvalade!

É certo que aqueles dois jogos valiam uma presença no Jamor para a grande festa do futebol português que é a Final da Taça de Portugal. Também é verdade que o Amora era o atual detentor do troféu da Prova Rainha, tendo por isso responsabilidades acrescidas na defesa do seu estatuto de campeão em título. No entanto, o Amora estava envolvido em algo mais importante: um possível e inédito apuramento para a Liga dos Campeões.

Por esse motivo, Frodo Zarco deu aos elementos menos utilizados do plantel a responsabilidade de levar o Maior da Margem Sul à final, resguardando as suas principais armas para o ciclo final de jogos da Primeira Liga. Não se pode dizer que se tenha arrependido. Com maior ou menor dificuldade, o Amora superiorizou-se ao Gondomar e carimbou o passaporte com o visto que garantia a viagem para o Jamor - a segunda em dois anos.

Surpreendentemente, na outra Meia-Final entre Portimonense e Braga a sorte sorriu aos algarvios. A eliminatória pareceu decidida para os bracarenses depois de uma vitória por dois golos na Pedreira, porém, uma reviravolta épica em Portimão resultou no apuramento dos alvinegros.

Amora e Portimonense seriam, assim, adversários no Jamor em Maio na disputa da ambicionada fruteira, troféu que o Amora pretendia conquistar para a que já detinha não se sentir tão solitária na sala de troféus da Medideira.

 

Qqyx3Wr.gif

Théo Lameira marcou o único golo da segunda mão, confirmando a vitória numa eliminatória que já estava praticamente decidida mesmo com o empate a zero...

W31P5kW.jpeg

... e que ditou o apuramento para a final, a disputar-se em Maio com o Portimonense como adversário

 

Enquanto os elementos menos utilizados do Amora discutiam a qualificação para a Final da Taça de Portugal, os habituais titulares, o onze de gala do Amora, atacava os últimos jogos da Primeira Liga sabendo que não podiam ceder pontos. O Porto estava a apenas um ponto de distância no terceiro lugar e era essencial chegar à 34ª e última jornada do campeonato a uma distância de três ou menos para os dragões.

Afinal de contas, Amora e Porto mediriam forças na Medideira na 34ª jornada da Primeira Liga.

Cada jogo foi encarado como uma final. Como um mata-mata. Não havia espaço para falhar sob pena de a Liga dos Campeões tornar-se uma miragem.

O primeiro adversário era um dos pesadelos habituais de Frodo Zarco. O Vizela bateu o Amora na primeira volta, havendo assim um fator adicional de motivação para esse desafio da 30ª jornada - todos queriam vingar a desfeita sofrida no norte do país.

Essa vontade redundou numa vitória tranquila do Maior da Margem Sul. O subcapitão Martim Maia, nessa tarde titular como médio defensivo por castigo de Dino Leão, abriu as contas ainda dentro dos dez minutos iniciais com um golo de belo efeito e Vítor Ferraz confirmou o triunfo na marcação de uma penalidade que ele próprio sofrera. Estava vencido o primeiro mata-mata.

 

tDKYJw9.gif

Martim Maia, um dos poucos resistentes do plantel original de Frodo Zarco juntamente com Lucas Silva e Gabriel Capixaba, deu o mote para a fase final da temporada com um tiraço do meio da rua

 

Batida uma das bestas negras do Amora, seguiu-se outra que, embora não fosse habitual vencerem a equipa da Margem Sul, era porém comum criar imensas dificuldades. O Penafiel obrigou o Amora a ir a prolongamento na Final da Taça de Portugal em Maio do ano passado e já esta época havia logrado empatar na Medideira, forçando um empate a zero à equipa de Frodo Zarco.

Não desta vez. O goleador Diego Raposo e o maestro Vítor Ferraz deram ao Amora uma vantagem de dois golos - este último pelo segundo jogo consecutivo a marcar de grande penalidade - e nem o tento solitário de Ronaldo Tavares colocou em causa uma vitória justa no Estádio Municipal 25 de Abril.

A tensão acumulava-se entre jogadores, responsáveis técnicos e adeptos do Amora. Faltavam três jogos para disputar e a pressão de não poder falhar era avassaladora - ninguém na Margem Sul estava habituado àquilo. Era um mundo novo e inexplorado para o Amora Futebol Clube.

Se foi por isso que o Maior da Margem Sul empatou na recepção ao Famalicão? É possível; o golo dos famalicenses surgiu de um erro defensivo pouco comum da então melhor defesa da Primeira Liga. Apesar de restar quase todo o jogo para recuperar, o melhor que o Amora conseguiu foi empatar por intermédio do capitão Gabriel Capixaba ainda durante a primeira parte.

O Amora procurou durante o segundo tempo chegar ao golo que garantisse os três pontos, mas ele não só não surgiu, como poderia ter acontecido na sua própria baliza. O empate final acabou por ser justo e assim, na sua própria casa, Frodo Zarco viu dois pontos fugirem-lhe.

 

se1lt6d.gif

Gabriel Capixaba concluiu com classe uma boa jogada ofensiva do Amora no empate com o Famalicão, insuficiente para o objetivo de alcançar os três pontos

 

Os adeptos do Tondela estavam todos em pé nos seus lugares. No seu canto, os do Amora também não aguentavam sentados. Era um daqueles momentos em que as emoções estavam à flor da pele, algo que só uma grande modalidade como o desporto-rei poderia proporcionar.

Pode soar estranho o porquê de tamanha ansiedade por causa de um resultado de um só jogo, mas é que aquela partida poderia valer muito. E, do lado dos amorenses, havia um motivo muito válido para o justificar.

 

4OHVACC.jpeg

Apesar de ainda estar envolvido na Liga Europa, o Porto não cedeu qualquer ponto nos quatro jogos que disputou para a Primeira Liga

 

Pois é verdade: o Porto venceu todos os jogos que disputou para a Primeira Liga, incluindo-se nesse lote a difícil deslocação a Alvalade. Pelo meio bateu ainda o Feyenoord nos Quartos-de-Final da Liga Europa, sendo emparelhado com o Real Madrid nas Meias-Finais - saindo da primeira mão dessa eliminatória a única derrota dos dragões neste período.

Com estes resultados, o Porto alargou a sua vantagem sobre o Amora de um para três pontos após o empate do Maior da Margem Sul com o Famalicão na 32ª jornada. Tendo vencido também o Portimonense na 33ª jornada, o Porto tinha provisoriamente seis pontos de avanço para o Amora.

E, assim, se explica a tremideira do Amora nos minutos finais em Tondela. O Amora tinha obrigatoriamente de vencer. Qualquer resultado que não a conquista dos três pontos deixaria o Amora a uma distância inalcançável do Porto no confronto entre ambos na última jornada.

Essa tremideira poderia ter sido evitada. O Amora abriu o marcador à passagem da meia hora de jogo por intermédio do inevitável Diego Raposo e alguns minutos depois Nélson Victor foi à área adversária ensinar como se faz, deixando os azuis da Margem Sul com uma vantagem de dois golos ao intervalo.

 

frhPYO4.gif

Diego Raposo voltou a demonstrar o seu sentido de oportunidade, aproveitando um deslize dos defesas do Tondela para colocar o Amora em vantagem

 

Seria de esperar que uma equipa coesa como o Amora gerisse o jogo na segunda parte e garantisse tranquilamente a conquista dos três pontos. E em larga medida até o estava a fazer, controlando o ritmo da partida em posse e impedindo o Tondela de visar a baliza à guarda de Manuel Baldé.

O inesperado aconteceu perto da hora de jogo quando Edouard Traoré encontrou as redes num remate a trinta metros de distância, surpreendendo o guardião guineense do Amora. Completamente contra a corrente do jogo, o Tondela reentrava na luta pelo resultado.

Nessa hora, o jovem onze do Amora revelou toda a coragem e personalidade da Margem Sul. Papou Mendes repôs a vantagem nos dois golos de diferença e Jéferson entrou em campo para fazer o quarto golo do Amora, infelizmente anulado pelo VAR por fora-de-jogo do avançado brasileiro. Não que fosse grande motivo de preocupação: o Amora vencia 1-3 em Tondela e o jogo entrava no período de compensação.

Mas os deuses do futebol ainda não estavam satisfeitos e tinham um último desafio para o Maior da Margem Sul. No primeiro minuto da compensação decretada pelo árbitro Luís Godinho, uma desatenção defensiva concedeu o espaço necessário a Jhon Murillo para reduzir a desvantagem.

O cronómetro indicava que ainda haveria dois minutos para jogar. O jogo estava relançado e o Tondela tinha um último pontapé de canto a seu favor para chegar ao empate.

 

Y92d3mn.gif

Papou Mendes apareceu na área para voltar a dar ao Amora uma vantagem de dois golos...

64YOTiT.gif

... mas Jhon Murillo aproveitou um erro defensivo para reduzir já na compensação

 

Era o último lance do jogo. Onze elementos do Amora estavam na área, dispostos a dar a vida pela defesa da sua baliza se tanto fosse necessário. O Tondela atacava com dez, incluindo o guarda-redes que deu um sprint até à área contrária em busca de um momento de glória. Só o marcador do canto estava fora do atafulhado retângulo que constituía a grande área.

E ele lá estava junto à bandeirola de canto. Moi Gómez, veterano extremo espanhol de 32 anos de idade e antigo internacional sub21 por nuestros hermanos, levantou os dois braços antes de correr para a bola e cruzar com precisão para a molhada.

Alguém vestido de amarelo desviou ao primeiro poste. A inflexão na trajetória da bola apanhou desprevenidos a maior parte dos vinte e um jogadores que por lá pululavam. A redondinha sobrevoou várias cabeças e foi bater no relvado do outro lado da área. A ela acorreram duas almas.

A do Tondela foi mais lesta. Captou a bola com o seu pé direito sob forte pressão do defensor do Amora, rodopiou em busca da linha de fundo e voltou a meter a bola na molhada. O cruzamento saiu a meia altura e Manuel Díaz, central amorense, mergulhou para a interceptar, cabeceando em frente.

Frodo Zarco não respirava no banco; parecia um sapo inchado, as bochechas infladas de tal forma que se poderia pensar que se alguém as picasse com um alfinete, explodiriam como um balão. O perigo ainda não tinha passado. O alívio de Manuel Díaz devolveu a bola de volta ao mesmo que havia feito o cruzamento, o qual não hesitou e a devolveu para o aglomerado colorido em frente da baliza.

Desta vez nenhum defesa a conseguiu interceptar.

A bola ultrapassou a primeira linha defensiva do Amora, descrevendo um arco em direção ao segundo poste. Vinte elementos estavam dentro da grande área de Manuel Baldé - todos menos o marcador do canto e o que havia acabado de cruzar a bola. De alguma forma, nenhum conseguiu evitar que o esférico saísse diretamente pela linha de fundo do outro lado da grande área.

Ainda os elementos do banco do Amora não tinham reunido a coragem para voltar a respirar quando Luís Godinho apitou pela última vez.

Toda em pé, em claro sofrimento com as incidências daquele último lance, a comitiva do Amora invadiu o relvado do Estádio João Cardoso celebrando uma fulcral vitória para as contas do campeonato. Inesperadamente sofrida, sim, mas conquistada.

 

BuBry6l.jpeg

Relatório do jogo

bvi3Ljr.jpeg

As contas da Primeira Liga com apenas um jogo por disputar

 

Era quase inverossímil como numa temporada em que o Amora já defrontara Real Madrid, Sevilla, Napoli, Sporting, Benfica ou Porto; numa temporada em que até já vencera a Taça da Liga; fosse uma vitória em Tondela a gerar os mais exuberantes festejos que se viram até ali.

Mas o futebol é assim. Inesperado e imprevisível, e também por isso apaixonante e a maior modalidade desportiva do planeta.

É que aquela vitória permitia ao Amora encarar o Porto na última jornada com a certeza de que uma vitória daria o acesso à Liga dos Campeões - a mais importante competição desportiva de clubes do mundo.

Seria uma autêntica final; um verdadeiro mata-mata. "O sonho comanda a vida", escreveu um dia António Gedeão. E o do Amora estava bem vivo.

 

[Em spoiler, prints dos restantes jogos deste ciclo]

Desta vez deixo mesmo só os prints, até porque abordei o Capítulo de forma diferente e basicamente já falei dos jogos todos. Mas acho interessante que fiquem aqui as estatísticas destes jogos para quem tiver curiosidade.

 

Taça de Portugal - Meia-Final - 1ª Mão

viNbBPb.jpeg

Relatório do jogo

 

Primeira Liga - 30ª jornada

tfSi6Et.jpeg

Relatório do jogo

 

Primeira Liga - 31ª jornada

6oHcuf4.jpeg

Relatório do jogo

 

Primeira Liga - 32ª jornada

mKlFlYm.jpeg

Relatório do jogo

 

Taça de Portugal - Meia-Final - 2ª Mão

O8E5yjc.jpeg

Relatório do jogo

 

Primeira Liga - 33ª jornada

BuBry6l.jpeg

Relatório do jogo

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Tudo em aberto e só dependes de ti! Muito complicado, mas possível, já dizia o emplastro que o Porto é m*rda portanto...

E a luta pelo título também está engraçada, bora Benfica!

Compartilhar este post


Link para o post

Que final mais emotivo que nos espera e com esperança de Champions. Isso contra o Portimonense é para acreditar na vitória.

Compartilhar este post


Link para o post

Caíste de pé (e de que maneira) perante o Real Madrid, que é tão somente o vencedor da Liga dos Campeões da época passada. No campeonato, as coisas estão completamente ao rubro (quer na luta pelo título), quer em termos de luta pelo 3º lugar. Embora não me pareça fácil, acredito que possas chegar ao 3º lugar 😉 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de F. Mota, Em 18/11/2022 at 10:19:

Tudo em aberto e só dependes de ti! Muito complicado, mas possível, já dizia o emplastro que o Porto é m*rda portanto...

E a luta pelo título também está engraçada, bora Benfica!

Não posso responder ao que diz o emplastro porque, como diria o outro, ficaria em grande perigo 😐

Como estou a fazer capítulos mais pequenos do que antes nem falei disso, mas sim, a luta pela Primeira Liga está ao rubro.

O Benfica recebe o Nacional que é de longe o último classificado e já foi despromovido - e este nabo perdeu dois pontos com eles quando lá fui...

O problema é que dependem de o Sporting perder pontos, já que estes têm vantagem no confronto direto. O tricampeão nacional vai a Paços de Ferreira.

De notar que ainda não joguei a última jornada para não dar pistas do desfecho, sei tanto quanto vocês.

Citação de cadete, Em 18/11/2022 at 19:16:

Que final mais emotivo que nos espera e com esperança de Champions. Isso contra o Portimonense é para acreditar na vitória.

Ficarei extremamente aborrecido se não ganharmos a final contra o Portimonense. Oportunidade única para sacar duas Taças consecutivas, isto não se pode desperdiçar.

Citação de Martini Branco, Em 18/11/2022 at 20:23:

Caíste de pé (e de que maneira) perante o Real Madrid, que é tão somente o vencedor da Liga dos Campeões da época passada. No campeonato, as coisas estão completamente ao rubro (quer na luta pelo título), quer em termos de luta pelo 3º lugar. Embora não me pareça fácil, acredito que possas chegar ao 3º lugar 😉 

Opa, basta ganhar. "Basta" com aspas, claro. Mas é fixe já estar num ponto em que olho para um jogo contra um dos grandes e já não vou naquela "se empatar até não é mauzito...", não, já vou a olhar para ganhar.

Bem, vamos lá atacar estes dois jogos, ando há mais de uma semana a coçar-me todo com vontade de o fazer, mas não queria avançar antes de postar esta última atualização 😁

Desejem sorte ao Maior da Margem Sul!

#omaiordamargemsul #coracaodeamora

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Grande demonstração do Amora perante o poderoso Real Madrid! A equipa joga um futebol muito positivo como se pode retirar dos gifs que vais colocando (vou sempre falar disto ahah) e do grande jogo que fez na segunda mão frente aos madrilenos! Infelizmente a qualidade individual faz a diferença (e que diferença) e Kane chutou friamente o Amora para fora da competição.

No campeonato, esta última sequência quase perfeita ainda não chegou para ultrapassar o Porto que não se quis ficar e tem somado vitórias atrás de vitórias. A possibilidade histórica do Amora chegar à Liga dos Campeões é grande e, como tal, é compreensível todo o nervosismo vivido por adeptos, jogadores, treinador, etc....nos últimos minutos frente ao Tondela.

Como costumas dizer...o save por vezes dá pormenores fantásticos para a tua história e aqui tens mais um...a "final" contra o Porto na última jornada!

Adversário simpático nas meias finais, que não só, permitiu rodar a equipa, como ajudou a preparar os últimos desafios com outra cara! O Gondomar não facilitou mas a segunda linha foi suficiente para carimbar o passaporte! E olha, mais uma final!

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Maffu, Em 20/11/2022 at 15:18:

Menos de 5 é derrota.

Hm... Hmmmmm... Olha...

 

img%5D

Capítulo Especial - A mensagem nas redes sociais

 

O treino já tinha terminado há alguns minutos. Frodo Zarco e o seu adjunto Edson "Léléco" Baessa, o afroastro como era conhecido, eram os únicos que ainda deambulavam pelo bem tratado relvado da Medideira. Arrumavam alguns pinos - pinos literais, não em sentido figurado, até porque no Amora atual só havia jogadores de qualidade - e trocavam algumas impressões sobre o jogo do dia seguinte contra o Porto.

Quando terminaram as suas tarefas e regressaram ao balneário estacaram, surpreendidos com uma inopinada visão. O grupo de trabalho estava todo reunido num círculo fechado, rindo-se como perdidos em torno de algo que Frodo Zarco não conseguia identificar. O subcapitão Martim Maia foi o primeiro a detectar a sua presença e tossiu discretamente, chamando a atenção dos colegas de equipa que, aos poucos, recuperaram a compostura.

Levado pela curiosidade, o treinador aproximou-se da roda em busca do motivo da risota. "Um smartphone", percebeu. Os jogadores estavam a rir-se de algo que tinham visto no telemóvel de algum deles. Não tinha dúvidas que seria o do Jéferson ou do Odailson, os dois principais palhacitos do grupo.

Observou-os em silêncio. Um silêncio ensurdecedor que deixou os jogadores desconfortáveis, não porque Frodo Zarco fosse severo e casualmente não entrasse nas brincadeiras daquele jovem grupo de trabalho, mas porque dava ideia que se estavam a rir de algo relacionado com o jogo do dia seguinte.

Foi Nélson Victor quem, por fim, tomou a iniciativa de explicar a situação.

"Mister, estamos a ver por curiosidade comentários à publicação do clube sobre o jogo nas nas redes sociais e um tal 'Maffu' comentou que 'menos de 5 é derrota'."

Os jogadores estavam ainda a conter o riso e desmancharam-se novamente à lembrança do comentário. Esperavam que Frodo Zarco se risse com eles, mas o treinador limitou-se a aguardar que aquele ataque amainasse antes de falar.

"E estão a rir-se disso porquê?"

Aquela simples declaração foi atirada com tal naturalidade que os apanhou de surpresa. Calaram-se subitamente, como se as palavras tivessem o efeito de uma chicotada.

"Ah... Mister... Este Maffu está a dizer que menos de cinco contra o Porto é derrota...", arriscou Diego Raposo à laia de justificação. "O Porto... menos de cinco ao Porto...".

"Parece-vos impossível?"

Silêncio absoluto. Um silêncio chocado e estarrecido.

"Não esperava uma reação dessas da vossa parte. Vocês têm de se convencer que já não são uma equipa pequena. Já são vistos como uma equipa de topo, de vocês esperam-se grandes coisas."

Fez um compasso de espera para os jogadores interiorizarem as suas palavras antes de continuar.

"As expectativas dos adeptos são elevadas. Esse comentário é a prova disso. A maioria de vocês não estava cá nessa altura, mas aqui o Martim Maia, o Gabriel Capixaba, o Lucas Silva e até o Papou Mendes, que estão cá desde o início, podem confirmar que tempos houve em que os adeptos nem contra o Porto B esperavam que ganhássemos."

Os quatro jogadores mencionados acenaram positivamente com a cabeça.

"Hoje, os adeptos não só já acreditam que podemos derrotar o Porto, como o exigem. Cinco pode ser um exagero, uma hipérbole, mas o que isso mostra é que a malta da nossa cidade tem confiança em vocês para passarmos o Porto a ferro."

Léléco, ao seu lado, sorriu discretamente. Por momentos foi transportado para quando era jogador e o seu então treinador Frodo Zarco lhe fez um discurso parecido antes de um decisivo jogo contra o Rio Ave que poderia valer o título da Segunda Liga - aquele que foi o seu último jogo enquanto jogador profissional.

"Essa confiança não nos foi dada; foi conquistada. Por vocês. Foram vocês, pelo vosso trabalho, pelo vosso suor, querer e ambição, que conquistaram o respeito dos adeptos. Não são só os adeptos; eu próprio não exijo menos de vocês do que uma vitória clara amanhã. E se vocês não acreditam que o podem fazer, não estão cá a fazer nada."

Deu um passo em frente antes de continuar.

"Os adeptos podem contar convosco? Eu!", e deu especial ênfase ao seu pronome, "Eu! Posso contar convosco? Posso contar que acreditam em vocês?"

O silêncio manteve-se durante uns segundos até ser quebrado pelo capitão. Gabriel Pereira Minas, mais conhecido por Gabriel Capixaba, aclarou a garganta e anunciou sonoramente "conte comigo, Mister".

Um a um, os jogadores seguiram o exemplo do capitão e juntaram-se ao anúncio. Frodo Zarco aguardou que todos eles reagissem e, quando todos o fizeram, sorriu aberta e triunfalmente.

"Menos de cinco é derrota!", gritou.

"Menos de cinco é derrota!", responderam os jogadores num coro que ressoou pelos corredores da Medideira.

Quando o balneário esvaziou, Léléco aproximou-se de Frodo Zarco.

"Frodo, quase foi preciso chamar a equipa de limpeza. A miudagem quase se mijou pelas pernas abaixo quando lhes perguntaste do que se estavam a rir", adiantou, em tom jocoso.

"Tem de ser, eles têm de se habituar a verem-se como uma equipa grande. Eles já o são, só ainda não se aperceberam disso. Quando se aperceberem, serão imparáveis."

Léléco observou o olhar resoluto de Frodo Zarco com admiração. Não admirava que o Amora tivesse crescido um pouco mais todos os anos. O homem sabia conquistar o respeito dos jogadores e fazê-los excederem-se ano após ano.

Faltava um dia para aquela "final" contra o Porto e o Amora estava em brasa.

 

Citação de Kluivert, há 41 minutos:

Grande demonstração do Amora perante o poderoso Real Madrid! A equipa joga um futebol muito positivo como se pode retirar dos gifs que vais colocando (vou sempre falar disto ahah) e do grande jogo que fez na segunda mão frente aos madrilenos! Infelizmente a qualidade individual faz a diferença (e que diferença) e Kane chutou friamente o Amora para fora da competição.

No campeonato, esta última sequência quase perfeita ainda não chegou para ultrapassar o Porto que não se quis ficar e tem somado vitórias atrás de vitórias. A possibilidade histórica do Amora chegar à Liga dos Campeões é grande e, como tal, é compreensível todo o nervosismo vivido por adeptos, jogadores, treinador, etc....nos últimos minutos frente ao Tondela.

Como costumas dizer...o save por vezes dá pormenores fantásticos para a tua história e aqui tens mais um...a "final" contra o Porto na última jornada!

Adversário simpático nas meias finais, que não só, permitiu rodar a equipa, como ajudou a preparar os últimos desafios com outra cara! O Gondomar não facilitou mas a segunda linha foi suficiente para carimbar o passaporte! E olha, mais uma final!

Não é? O ano passado o último jogo foi contra o Vitória, estávamos os dois a disputar o 4º lugar. Este ano o último jogo é contra o Porto, estamos ambos a disputar o 3º lugar. Perfeito, nem dá para pedir melhor LOL

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

oDSi6qf.jpg

Capítulo LII - A jovem raposa

 

A jogada era promissora e as bancadas voltaram a agitar-se. Um seu colega progredia com a bola pela zona central, ligeiramente descaído para a direita. Ele tinha aquela movimentação tão mecanizada que nem precisou de pensar no que fazer; instintivamente, recuou no terreno em relação à sua posição habitual na frente de ataque e procurou dar uma linha de passe ao companheiro que tinha a bola.

Apesar de ter encontrado o espaço para receber a bola de forma segura, o seu colega decidiu progredir um pouco mais. Dino Leão, assim se chama ele, combinou curto com o maestro Vítor Ferraz e este com o lateral Odailson. A defesa do Porto acabou por conseguir tapar os espaços e os seus colegas tiveram de atrasar a bola para a defesa, procurando reiniciar o lance. Muito para seu desagrado, diga-se, já que lhes tinha oferecido uma boa linha de passe.

Mas não era apenas esse o motivo. Já se tinha apercebido que Théo Lameira vestira a camisola de jogo e perfilava-se na linha lateral, pronto a entrar. Isso era habitualmente sinal da sua saída de jogo. E ele não queria sair. Queria jogar mais. Queria fazer a diferença!

O lance ainda decorria. A bola percorreu toda a defesa do Amora desde a direita até à esquerda, onde o lateral Lucas Silva subia agora na sua posse passando à distância de um braço de Théo Lameira. O quarto árbitro já tinha a placa pronta nas suas mãos - deveria ser a sua última oportunidade.

Lucas Silva tentou passar um adversário. Este entrou de carrinho e desviou ligeiramente a bola. A redondinha percorreu a linha lateral durante alguns metros, parecendo não querer sair, até que lá se decidiu e a transpôs. Ato contínuo, o árbitro apitou enquanto apontava para a linha lateral.

Moveu o seu olhar para junto de Théo Lameira e viu o quarto árbitro levantar a placa eletrónica com o número nove estampado a vermelho. E pronto, era o que temia, era hora da sua saída. Iniciou a longa procissão até ao local enquanto ouvia uma voz difundida pela instalação sonora da Medideira.

"Sai com o número nove: Dieeeego! Rapoooosoooo!"

 

udHPeLJ.jpeg

Diego Raposo, aqui caracterizado no início da temporada, era agora aos 21 anos o goleador de serviço do Amora

 

A imagem de um jovem nascido no seio de uma família pobre há de ser um dos clichés mais prementes quando se conta a história de um futebolista. E não é que Diego Raposo cumpria todos os estereótipos possíveis?

Família pobre dos subúrbios de uma cidade brasileira?  ✔️

Jogou futebol nas ruas com uma bola velha já a perder a camada exterior?  ✔️

Jogava descalço porque não havia dinheiro para calçado?  ✔️

Diego Raposo cresceu na pequena cidade de Araraquara, no interior do estado brasileiro de São Paulo. Pequena para os padrões brasileiros, claro, pois com mais de duzentos mil habitantes ainda era pelo menos quatro vezes mais populosa do que a Cidade de Amora.

Oriundo de uma família de parcos recursos, o jovem Diego conheceu desde cedo as agruras da vida. O seu pai tinha dois ou até três trabalhos para conseguir sustentar a família enquanto a mãe se afadigava por garantir a educação da prole - Diego Raposo tinha vários irmãos, tanto mais velhos como mais novos do que ele. Aprendeu pelo exemplo o que significava cuidar da família e as responsabilidades que isso acarretava.

Como tantos outros jovens, Diego começou a dar pontapés na bola antes sequer de começar a andar - ou assim diziam os seus pais, o que era discutível. O futebol era o seu escape; a sua paixão. Não é fácil explicá-lo a quem não passou pelas dificuldades do jovem Diego, mas na rua a bola era um elemento de equilíbrio social.

Mal a bola começava a rolar, não havia ricos nem pobres, classe alta ou classe baixa. Quem era bom, era bom; quem não o era, nem todo o dinheiro deste mundo os salvaria de levarem uns quantos túneis e nós cegos. Diego Raposo adorava jogar à bola não só por amar futebol, mas pela sensação de liberdade que disso retirava. Durante aquelas horas ele era o Cristiano Ronaldo, o Leo Messi, o Bilbo Himura ou o Neymar Jr. Não havia pobreza ou dificuldades; era idolatrado e tinha o mundo a seus pés.

 

kow0Pms.jpeg

Diego Raposo estreou-se no futebol a representar a Ferroviária de Araraquara

 

Sonhando seguir os passos do seu ídolo máximo, um então jovem promissor avançado do Santos chamado Neymar Jr - ou não fosse toda a sua família torcedora do Santos, uma das principais equipas de São Paulo - Diego começou a jogar nas camadas jovens da Ferroviária, um dos principais clubes da sua Araraquara natal. O seu talento não passou despercebido e aos 15 anos já se havia estreado pela equipa principal, jogando no Campeonato Paulista.

Mas as dificuldades familiares avolumavam-se. O seu pai já não tinha estofo físico para manter os vários empregos que garantiam o sustento familiar e a Ferroviária não lhe pagava para lá jogar. O menino tentou a sua sorte na formação do Santos, mas era apenas mais um entre tantos jovens talentosos, não se destacando por aí além.

Voltou a casa derrotado para encontrar a sua família num aperto ainda maior do que aquele em que a deixara quando foi à procura da sua sorte. Não havia outra hipótese: o clã Raposo seguiu o exemplo de tantos outros que nesse período de inícios da década 2020s emigrou para Portugal em busca de melhores condições de vida.

Quis o destino que o local de aportagem fosse uma pequena cidade confortavelmente instalada nas margens de uma baía, algures na margem esquerda do estuário do Tejo.

 

sEdt8aQ.jpeg

Hf0UYhq.jpeg

Diego Raposo chegou à Cidade de Amora em 2023 [ocultei os números da época corrente para não denunciar cenas; spoilers!]

 

Foi em conversa com compatriotas já instalados na Margem Sul há mais tempo que tomou conhecimento do clube da terra. Uma equipa modesta, embora orgulhosa, que então militava na Segunda Liga. Mais admirado ficou ao saber que Bilbo Himura, um dos seus ídolos de infância, o havia adquirido.

"Amora Futebol Clube, é isso aí?"

Tentou a sua sorte. Compareceu a um treino de captação e impressionou pela sua velocidade e agressividade com e sem bola. Não saiu sem assinar contrato para integrar a equipa de júniores e assim, de um momento para o outro, o sonho de seguir as pisadas do ídolo Neymar Jr ganhou tração.

A evolução foi rápida. Em 2023, com 17 anos, saltou dos Sub19 para a equipa Sub23 numa questão de semanas, e daí chegou a estrear-se na equipa principal e até marcou um golo! Em 2024, aos 18 anos, a estrutura amorense entendeu que o seu talento merecia mais do que a equipa Sub23 e foi emprestado ao Farense, juntamente com o seu colega de equipa Manuel Baldé. Juntos tornaram-se figuras centrais de uma campanha que quase levou os algarvios à Primeira Liga - o sonho só caiu na última jornada.

O treinador Frodo Zarco não mais abdicou dele. Em 2025, então com 19 anos, integrou a equipa principal do Amora. Não era fácil entrar numa equipa onde o seu concorrente direto era Leonardo Brandão, o apelidado Cavaleiro da Medideira. Ainda assim, o menino Diego brilhou nas oportunidades que teve e apontou 14 golos em várias competições.

Quando, no Verão de 2026, Leonardo Brandão foi um dos vários jogadores do Amora que abandonaram a Medideira, Diego Raposo teve finalmente a sua oportunidade. E não a desperdiçou.

 

414SBev.gif

A sua velocidade aliada a um espírito agressivo de disputar cada bola davam a Diego Raposo um sentido de oportunidade que lhe permitia marcar golos como este ao Sporting, na 17ª jornada...

frhPYO4.gif

... ou este ao Tondela, na 33ª jornada

 

Os colegas debatiam exaustivamente como haveriam de chamar ao menino Diego. Havia quem lhe chamasse a "jovem raposa", fazendo um trocadilho entre o seu apelido e a matreirice popularmente atribuída ao animal. Outros apelidavam-no de "rato de área", mais ou menos pelo mesmo motivo.

Frodo Zarco intrometeu-se um dia na discussão dos seus jogadores para anunciar a sua analogia.

"A mim tu pareces o 'Levezinho da Medideira'."

Os jogadores entreolharam-se, confusos.

"O quê, mister?"

"O 'Levezinho da Medideira'. Sabem, por causa do Liedson, que era conhecido como 'Levezinho' e também era raçudo e oportunista como o Diego."

Diego Raposo foi o porta-voz das dúvidas dos colegas.

"Mister... Quem é o Liedson? Nunca o vi jogar, é algum futebolista antigo?"

Frodo Zarco, que jogou várias vezes contra Liedson ao longo da sua carreira futebolística, sentiu-se envelhecer vinte anos num instante.

Fosse como fosse, e sem haver um consenso quanto ao seu epíteto, Diego Raposo levava 18 golos apontados na temporada e era o goleador de serviço do Maior da Margem Sul nas vésperas da recepção ao Porto. Disputava-se a última jornada da Primeira Liga e em caso de vitória, o Amora garantiria a qualificação para as eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões.

 

5L06rM1.jpeg

O Estádio da Medideira recebia um jogo grande...

VTI0ctP.jpeg

... cujo prémio seria a qualificação para a Liga dos Campeões

 

Havia muito em jogo. Fama, sim, orgulho, claro, mas principalmente dinheiro. Muito, muito dinheiro a distribuir pela qualificação para a Liga dos Campeões.

Talvez por isso, a imprensa decidiu intrometer-se e iniciou uma campanha de desestabilização nos dias que antecederam aquele mata-mata.

O alvo? Podem imaginar.

 

YnEOvXb.jpeg

Diego Raposo foi o alvo principal de uma campanha de desestabilização antes do jogo...

AkUMC04.jpeg

... campanha essa que foi claramente identificada pelos responsáveis do Amora, os quais protegeram de imediato a jovem raposa

 

"Isto faz parte do jogo", explicou docemente Frodo Zarco aos seus jogadores antes de o jogo começar. "Eles sabem que somos uma ameaça real a fazer balançar o domínio dos três grandes", anunciou de seguida, antes de concluir. "Vamos mostrar-lhes que nada nos abala, vamos?"

"Menos de cinco é derrota!", gritaram a uma só voz, apropriando-se de um comentário de um adepto nas redes sociais [explicação uns dois posts acima deste Capítulo].

Os jogadores entraram em campo em brasa, juntando-se a uma Medideira que estava a ferver. O Porto nem soube ao certo o que lhes passou por cima. Nem a matrícula conseguiram tirar!

O domínio do Amora foi de tal forma avassalador que quando Diego Raposo fuzilou o guarda-redes italiano Palmieri pela primeira vez, a única surpresa foi ter passado tanto tempo até surgir o primeiro golo. Quando, na segunda parte, Diego Raposo voltou a surgir na cara do italiano para aumentar a vantagem, dando sequência a um bom lance de envolvimento coletivo do Amora, nenhuma alma teve o desplante de desenhar o mais breve sinal de espanto no seu rosto.

 

EczVM6O.gif

Diego Raposo abriu as contas no final da primeira parte após a assistência primorosa de Filipe Diogo...

5IMY28l.gif

... e voltou a molhar o biscoito na segunda parte

 

O Porto estava perdido em campo. A perder por dois golos e parecendo incapaz de reagir, os jogadores iam sofrendo sob a pressão do Amora. A miudagem sabia que "menos de cinco é derrota" e nunca levantaram o pé do acelerador. Queriam mais!

Diego Raposo, em especial, estava endiabrado. Tinham mexido em nervos que não deveriam mexer. Ele tinha passado por tentas dificuldades durante a sua infância, viu o seu pai a destruir o corpo acumulando vários empregos para sustentar a família e tinha vindo para Portugal para lutar por melhores condições de vida. Quem era um "portuga" qualquer para se arrogar ao direito de criticar o seu empenho em campo?

Estava em brasa. A jovem raposa não parava, sempre em busca de novas oportunidades de roubar os ovos ao seu adversário.

À procura da mínima oportunidade de faturar.

 

megObcR.gif

A jovem raposa voltou a dar uso do seu sentido de oportunidade, aproveitando um erro contrário para concluir um merecido hattrick

 

"Sai com o número nove: Dieeeego! Rapoooosoooo!"

Foi com alguma frustração que recebeu ordem de saída do relvado. Diego Raposo queria mais. Os três golos não chegavam para abafar a sua fúria incontida. Mas entendeu a decisão de Frodo Zarco. O Amora vencia por três golos sem resposta. Théo Lameira merecia a oportunidade de também ele brilhar, tal como ele próprio tivera quando substituía Leonardo Brandão.

Toda a plateia na Medideira estava de pé. Ovacionavam-no como um ídolo. Naquele momento recordou-se dos tempos em que um jovem Diego jogava nas ruas de Araraquara e não era nem rico nem pobre, fingindo ser como o seu ídolo Neymar Jr, idolatrado e com o mundo a seus pés.

Saiu do relvado abraçando Théo Lameira e rapidamente foi envolvido pelos braços de um sorridente Frodo Zarco. Acenou para as bancadas enquanto os adeptos cantavam de volta a sua música.

 

"Ohhhhhh! Diego Raposo!

Uh! Ah!

Faz o gooooool!

Diego! Faz o gooooool!"

 

Foi já do banco de suplentes que viu o Porto implodir por completo e cometer uma grande penalidade que o seu substituto Théo Lameira converteu, aumentando a vantagem para escandalosos quatro golos de diferença.

"Mister! Menos de cinco é derrota!", exclamou para um extasiado Frodo Zarco.

O quinto golo surgiria, sim, mas na baliza errada. O Porto não saiu da Medideira sem pelo menos apontar um tento de honra, o qual foi sarcasticamente festejado pelos adeptos do Amora.

A Medideira estava ao rubro e pior ficou quando, segundos após o apito final do árbitro João Bento, soou nas instalações sonoras o desejado hino pelo qual todos lutaram por ouvir.

O hino mais arrepiante do futebol. O Amora estava na Liga dos Campeões.

 

 

A festa do Amora misturou-se com a do Benfica, que aproveitou o empate do Sporting em Paços de Ferreira para colocar um ponto final a um longo jejum de oito temporadas sem alcançar a honra maior do futebol português. Parabéns pelo título, António Silva! Uma vez amorense, sempre amorense!

Mas não se pense que a dor leonina perduraria por muito tempo. O Sporting perdeu a hipótese de alcançar o tetracampeonato nessa tarde, mas daria alguns dias depois motivos de festa a todos os seus adeptos espalhados pelos quatro cantos do mundo.

 

NPd941y.jpeg

O grande tubarão branco, Real Madrid, carrasco do Amora na Liga Europa, caiu aos pés do Sporting na final disputada em Belgrado

 

Jogadores, equipa técnica e adeptos ficaram longos minutos em comunhão na Medideira, celebrando o 3º lugar final na Primeira Liga - melhor resultado de sempre do Maior da Margem Sul.

Foi nessa altura que Frodo Zarco piscou o olho ao seu adjunto Léléco e chamou a atenção dos seus jogadores para proferir algumas palavras.

"Malta, boa vitória! Mostraram que são capazes de vencer qualquer equipa."

"Ehhhh!", reagiram os jogadores com satisfação.

"Mas o plano não era este. 'Menos de cinco é derrota', não era assim?"

Os jogadores entreolharam-se, avaliando se o treinador estava a falar a sério.

"O resultado final foi 4-1. Ora, quatro menos um dá três. Três é menor do que cinco. Logo, perdemos, pelo que podem começar a correr."

"O Mister está a zoar connosco..."

Frodo Zarco interrompeu Diego Raposo.

"Menos queixumes e mais corrida. Vá, toca a correr!", e pontuou a ordem com um pontapé no rabo de Diego Raposo e uma gargalhada.

E foi assim que os jogadores do Amora terminaram o último jogo da Primeira Liga correndo em volta do relvado da Medideira debaixo de uma ovação em pé de todos os adeptos. Em amena cavaqueira, trocando piadas e rindo como perdidos, com a leveza da sensação do dever cumprido.

O sonho estava conquistado. A Liga dos Campeões esperava pelo Maior da Margem Sul.

 

**********

 

Alguns dias depois, a equipa responsável pela comunicação e redes sociais do Amora organizou um pequeno evento que se tornaria viral.

Na Medideira não se esquece quem nos ajuda. Os jogadores e a equipa técnica também não e, por isso, o treinador Frodo Zarco e o capitão Gabriel Capixaba marcaram presença para entregar a um improvável herói, @Maffu, um presente pelo seu inadvertido papel na galvanização da equipa.

Além de uma camisola autografada por todos os jogadores e um bilhete de época para a temporada seguinte, @Maffu foi ainda presenteado com uma famosa fotografia com os três melhores jogadores da história recente do futebol mundial: Leo Messi, Cristiano Ronaldo e Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol.

 

fWgTZIW.jpeg

 

Obrigado, @Maffu!

  • Like 2

Compartilhar este post


Link para o post

Grande Joca, mas Diego Raposo é a história de muitos brasileiros (e não só), que sonham vingar na Europa para tirar a família da miséria. Raposo está tirando a família de lá e soube mostrar respeito ao mister depois das palavras de apoio. Está jogando muito o levezinho. Eita o Sporting, vai lá vai.

Compartilhar este post


Link para o post

f*da-se 4-1?

Monte de cepos, próxima pré-epoca é dobro do trabalho físico pra aprenderem a não desiludir.

Aposto que tiraste o Raposo só para não chegar qos 5, muito desiludido com este treinador.

Aperta com eles Sá Hawk.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de cadete, há 9 horas:

Grande Joca, mas Diego Raposo é a história de muitos brasileiros (e não só), que sonham vingar na Europa para tirar a família da miséria. Raposo está tirando a família de lá e soube mostrar respeito ao mister depois das palavras de apoio. Está jogando muito o levezinho. Eita o Sporting, vai lá vai.

Derrotaram o Real Madrid, eu não consegui e o Porto também não. Ao fim de 40 participações na Liga Europa o Sporting lá a ganhou!

Citação de Maffu, há 7 horas:

f*da-se 4-1?

Monte de cepos, próxima pré-epoca é dobro do trabalho físico pra aprenderem a não desiludir.

Aposto que tiraste o Raposo só para não chegar qos 5, muito desiludido com este treinador.

Aperta com eles Sá Hawk.

Tirei-o para não correr o risco de ficar 5-0 e ter de te pagar, obviamente, oras 🙂

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post

Final epico para levar de vencido o Porto e trazer os lugares da Champions todos para Lisboa

Como isso esta para o ano ja se espera que ganhes o campeonato!

Compartilhar este post


Link para o post

Final de época absolutamente estupendo com Raposo a pegar na batuta e a dar o 3º lugar aos homens de Zarco!

Alegria e loucura total na Medideira. Creio que foi o culminar de uma época muito positiva.

Compartilhar este post


Link para o post

Grande final de temporada, jogo todo teu do início ao fim! Diego Raposo a ser Diego Raposo, grande jogo e grande temporada em geral, apareceu sempre que foi preciso. Champions here we go! 😎

Nota para o Benfica 😍

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Burkina2008, há 20 horas:

Final epico para levar de vencido o Porto e trazer os lugares da Champions todos para Lisboa

Como isso esta para o ano ja se espera que ganhes o campeonato!

Opa, olhando para a classificação não posso não pensar o mesmo. Ficámos a cinco pontos do Benfica.

Analisando os jogos ao longo do ano encontro a derrota com o Vizela (15º) e os empates a zero com Penafiel (12º) e Nacional (18º), bastava um golo em cada um destes jogos e estavam aí cinco pontos.

Faltou-nos ser mais incisivos em vários destes jogos contra equipas mais modestas. Também foi o primeiro ano a titular de mais de metade do meio-campo ofensivo e ataque (Diego Raposo, Vítor Ferraz, Filipe Diogo), acredito que na próxima época se marque mais golos.

E quem sabe, não andamos longe do topo, pode ser que dê...

Citação de Martini Branco, há 18 horas:

Final de época absolutamente estupendo com Raposo a pegar na batuta e a dar o 3º lugar aos homens de Zarco!

Alegria e loucura total na Medideira. Creio que foi o culminar de uma época muito positiva.

E ainda podemos ir sacar outro título, na Taça. Estamos na final.

Citação de F. Mota, há 6 horas:

Grande final de temporada, jogo todo teu do início ao fim! Diego Raposo a ser Diego Raposo, grande jogo e grande temporada em geral, apareceu sempre que foi preciso. Champions here we go! 😎

Nota para o Benfica 😍

Meh, o Benfica. Ainda não lhes consegui ganhar e encavam-me sempre nos últimos minutos dos jogos.

Poder-se-ia pensar que quero ganhar a Taça porque é um título, mas na verdade quero é ser apurado para a Supertaça para acertar contas com eles 😎

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...