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André Villas-Boas: “É o caminho que tenho de cumprir: estar preparado para ser o próximo presidente do FC Porto. Tenho essa ambição”

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André Villas-Boas: “É o caminho que tenho de cumprir: estar preparado para ser o próximo presidente do FC Porto. Tenho essa ambição”

Desde 2021, quando deixou o banco do Marselha, que André Villas-Boas se tem preparado para o que diz ser o seu desígnio: tornar-se presidente do FC Porto. Em entrevista à Tribuna Expresso, não confirma se será já em 2024 que irá a eleições, mas admite ter “equipas preparadas”, “ideias” e “projetos”. Fala do apoio que tem sentido nas ruas e lamenta certas críticas que lhe foram dirigidas por Pinto da Costa, que diz serem “injustificáveis”. Na parte II da conversa, a publicar na 6.ª feira, o homem que venceu a Liga Europa pelos dragões fala das contas do FC Porto e do mistério que é para si a não renovação de Sérgio Conceição.

No próximo ano vai votar nas eleições do FC Porto como mais um sócio ou como um sócio que tem o seu nome no boletim de voto?
O meu papel tem de ser preponderante nas eleições. Isso já o assumi publicamente. Porque sou sócio desde que nasci e devo isso ao FC Porto. É a nossa responsabilidade exercer o direito de voto e assim será. Se é para confirmar que votarei nessas eleições, evidentemente que sim, sejam elas em abril ou em junho, ou quando os sócios do FC Porto decidirem que será a data para o processo eleitoral. O meu caminho até aqui tem sido um caminho de preparação que me pode colocar perante ser candidato nas próximas eleições, ou não.

Então ainda não decidiu.
É uma decisão que exige ponderação, pensamento e esse, pelo menos, é o caminho que eu tenho que cumprir. Ou seja, estar preparado para ser o próximo presidente do FC Porto. Agora, é um cargo que exige máximas responsabilidades. Exige também uma equipa profissional e de créditos formados por trás. Toda a construção do que será a futura vida do Futebol Clube do Porto tem de acontecer com passos firmes, bem pensados, estruturados, com rigor. E acho que é isso mesmo que tem que ser levado bem em conta. São essas questões que ditam a apresentação de uma candidatura às próximas ou às seguintes eleições.

E nestes anos é esse trabalho que tem vindo a fazer, essa preparação para ser presidente do FC Porto?
Eu tenho o defeito de ser muito exigente comigo mesmo e cargos desta dimensão exigem preparação em aspetos em que cada um se acha menos dominante. O aspecto desportivo está dentro de mim porque fui treinador-adjunto das camadas jovens do FC Porto. Fui scout, fui analista, preparei adversários, fui treinador-adjunto e fui treinador principal. Portanto, o meu objetivo aqui é cumprir-me e especializar-me nas tarefas que eu não domino, tal como me especializei nas tarefas que não dominava antes para esses cargos todos que vos falei. Nesse sentido, tenho muita sede de procurar o que são as melhores práticas de mercado, onde é que estão os melhores cursos de gestão executiva e por causa disso tomei a liberdade de continuar a educar-me preparando-me para outras funções. Há muita transversalidade entre as coisas, entre as lideranças desportivas e as lideranças empresariais. Daí que, no aspecto da liderança em si, há coisas novas que eu descobri que me dão uma visão um bocadinho mais macro dos fenómenos. Felizmente, na Universidade de Columbia [em Nova Iorque] havia espaço para um perfil como o meu, que foi considerado até como um outsider face ao que se encontra em cursos de gestão executiva. E assim o fiz, tenho dedicado esta parte da minha vida não só à minha família, mas também à minha reeducação.

Mas essa educação foi feita com um propósito, não é? Ou seja, não pelo gosto abstrato de aprender mas para se preparar para ser presidente do FC Porto.
Sim, porque eu nunca o escondi. O que me faltará decidir são os timings e esses vários timings têm que ir de encontro ao respeito pela época desportiva do FC Porto. Eu tenho essa ambição, nunca a escondi, é pública, tenho o máximo respeito pelo presidente Jorge Nuno Pinto da Costa e tenho que estar pronto para o substituir à altura caso assim desejem os sócios.

Caso o timing seja 2024 já não há muito tempo para decidir se sim ou não.
Agora vai à Assembleia Geral uma votação para a mudança da data das eleições [de abril para junho] e do processo eleitoral e os sócios hão-de decidir. Eu tenho que estar pronto para todos os cenários.

Na sua sensibilidade de treinador acredito que preferiria que fosse em junho e não em plena época.
São ambas disruptivas, no fundo, porque se for em abril o anúncio da data das eleições teria de ser em fevereiro e aí os candidatos entrariam em campanha. Da mesma forma, no caso de junho entraríamos em campanha em alturas decisivas. Eu acho que há algo que nos distingue muito que é a cultura FC Porto, onde o FC Porto está acima de qualquer candidato e a sua importância acima de qualquer candidato. Todos nós queremos que esta época desportiva termine com o FC Porto campeão nacional. Além de ser uma obrigação e normalmente uma responsabilidade de todos os treinadores que lá estão, torna-se cada vez mais importante tendo em conta a mudança dos quadros competitivos europeus, a injeção de capital que os novos quadros competitivos trazem e, no fundo, a sustentabilidade financeira do FC Porto para os próximos anos.

Portanto, não tem ainda definida nenhuma data limite para acertar essa decisão?
Eu acho que aqui estamos um pouco sujeitos também aos timings ditados pela Assembleia Geral do FC Porto. Tenho de planear para essa eventualidade. Tenho timings decididos para apresentações de candidaturas, quando é que as iria lançar, equipas, propostas, todas as ideias que me invadem, pelo sócio dedicado que sou do FC Porto e pela experiência que tenho acumulada tanto desportivamente como esta que começo a construir no aspeto mais da gestão. Portanto, não posso negar que tenho datas em mente, tenho equipas preparadas, tenho ideias e pessoas e tenho projetos, mal de mim se não estivesse à altura de poder corresponder a um cargo desta dimensão.

Caso o André avance, a equipa está, então, definida?
Acho que o que estão definidos são perfis. E esses perfis têm de ter créditos firmados e serem pessoas de excelência tendo em conta o desafio e o nível de organização. E o clube e o que ele significa.

Já passaram 12 anos desde 2011, como é que sente o seu nome entre as bases do FC Porto, entre os sócios e os adeptos?
Felizmente tenho sentido esse apoio e não posso ficar indiferente ao apoio que tenho sentido porque tem sido permanente. Tem-se refletido mais nas redes sociais para os outros, para o público, mas eu tenho sentido pessoalmente à medida que vou caminhando na minha cidade e deslocando-me de um sítio para o outro. Que as pessoas vejam em mim competências profissionais e emocionais para liderar algo desta dimensão é para mim já um fator muito gratificante. Eu tenho sentido esse apoio, não fico indiferente a ele e acho que é isso que tem propagado esta insistência do meu nome nos meios de comunicação social, nas redes, nos sócios, etc. Portanto eu só posso ficar lisonjeado, orgulhoso e honrado com tamanho apoio. Isso também eleva o sentido de responsabilidade para a missão em causa.

E como é que um portista e portuense tão dedicado foi vendo e ouvindo mensagens mais ou menos diretas de algum desagrado do atual presidente em relação a si? Chegou a falar de um desentendimento que tiveram.
Sim, mas isso são desentendimentos desportivos que são fruto de alguns desencontros e tomadas de posição públicas de ele para mim e não no sentido contrário. Tínhamos estado juntos na final da Liga dos Campeões, no Porto, entre Chelsea e Manchester City, mas a verdade é que tirando o evento trágico da morte do Fernando Gomes não nos temos cruzado porque o único espaço que frequentamos, digamos assim, na cidade de Porto é o Estádio do Dragão e ele está numa ponta e eu estou na outra. As suas tomadas de posição públicas são a sua opinião e eu tenho a máxima opinião dele e tenho o máximo respeito pelo que ele fez pelo FC Porto. Pelos momentos que vivemos juntos vejo com alguma surpresa determinados ataques de personalidade que acho que são injustificáveis e penso que não serão o reflexo do que ele realmente sente por mim. Registro-os, mas isso não muda em nada a opinião que tenho sobre o presidente Pinto da Costa e fiz questão de esclarecer tudo isso num documentário que ele está a preparar sobre a sua vida e que irá para a Netflix ou alguma destas empresas novas de streaming. As histórias que ele poderá tentar ou estará a tentar vender a público sobre nossos desencontros não existem da forma que ele as quer vender.

Acha que mais do que um ataque de personalidade ou ao antigo treinador é já um certo instinto competitivo de ataque ao possível adversário?
Talvez, mas isso só o próprio poderá responder. Acho que o presidente tornou bem claro recentemente que quem quiser que ele saia pode esperar sentado. O presidente projeta a sua continuidade para os próximos anos e depois caberá aos sócios eleger quem é que querem como presidente para os próximos anos. Acho que o presidente não precisa de achincalhar adversários tão alto está o seu pedestal e tudo o que ele atingiu no futebol no FC Porto e nem penso que se dedique a ataques pessoais pensando ou projetando algo deste género. Se poderá pela primeira vez encontrar nas próximas eleições um rival do ponto de vista mediático, desportivo, de competências técnicas ligadas ao desporto que são parecidas com as suas? Potencialmente.

Para alguém que terá crescido a ver o presidente como um ídolo e que, no seu caso, até trabalhou com ele, custar-lhe-ia entrar nesse embate?
Não, não. Se me estão a perguntar se o que me impede de apresentar uma candidatura é a presença do presidente Pinto da Costa diria que não.

Teve muitas propostas para voltar a treinar desde que saiu de Marselha, em 2021?
Sim, felizmente sim.

E vê-se como um treinador em pausa ou como um ex-treinador?
À medida que fui caminhando no mundo não tive a minha família ao meu lado em todos os clubes que orientei. Na Rússia não estiveram comigo, em Marselha não estiveram comigo. Estiveram comigo em Londres e na China, portanto eu tenho-me dedicado a estar mais perto da minha família. Entretanto criei um novo desafio que foi lançar a Race for Good que é a minha instituição de sociedade social, da qual eu muito me orgulho. A Race for Good tem ocupado a maior parte do meu tempo e tenho-me dedicado a ela a 100% porque gosto de cumprir os meus objetivos sociais e tenho-me dedicado bastante à sua dinâmica. Felizmente fui recebendo convites porque a minha carreira me permite continuar a receber convites, permite-me continuar a escolher e a ser específico sobre o que quero ou não abraçar. Tive convites de clubes e convites de seleções, mas como tenho encontrado este conforto familiar e estes desafios pessoais de preparação para outros cargos, e também o desenvolvimento das minhas competências humanas e profissionais, decidi fazer uma pausa pelo menos até junho de 2024.

Falou-se de Argentina e Japão.
O Japão terá sido o mais próximo. A Argentina também. Infelizmente foi com alguma mágoa que não cheguei a acordo nem com um nem com o outro Na Argentina era no Boca Juniors e no Japão com a seleção. Na nossa carreira de treinador a gente passa muito por estas situações: entre partilha de corpo comum de ideias até chegar ao acordo final há muitos obstáculos a passar e no que toca especificamente a esses dois acabou por não acontecer, mas foram fases interessantes da minha vida. A fase de preparação para esses projetos também foi interessante.

Já percebemos que a questão de 2024 ainda é uma dúvida, mas ir a umas eleições agora não seria uma boa forma de, pelo menos, testar águas?
Discordo. Conhecendo o FC Porto como conheço, o FC Porto precisa ser uma força avassaladora em todos os sentidos e acho que o próximo presidente do Porto tem que ser escolhido de forma unânime. De todas as formas isso pode acontecer em batalhas mais difíceis e mais equilibradas tendo em conta a pessoa que lá está, o presidente que é, o que representa e se o mesmo se apresenta a sufrágio ou não. No entanto, esta é a leitura que eu sempre tive do Futebol Clube do Porto. Nós somos mais fortes quando estamos unidos, somos mais fortes quando temos um objetivo bem definido e claro, somos mais fortes quando temos um inimigo específico para abater. Encontramos muitas forças nas agressões dos nossos rivais, digamos assim, e penso que é isso que torna no fundo o Futebol Clube do Porto num clube diferente dos outros, onde persiste uma mística, certos valores, certa cultura que é imutável no tempo.

Nessa lógica de união, teme que o seu nome seja um pouco associado a uma certa divisão, uma certa oposição?
Não, não penso dessa forma. Penso numa projeção no tempo dos valores do FC Porto. Eu acho que no caso do perfil do presidente do Futebol Clube do Porto, ou do próximo presidente, ele tem que obedecer a um conhecimento da cultura, dos valores do FC Porto como poucos têm e isso está presente evidentemente nos sócios, mas depois há uns que poderão estar mais capacitados para os executar que outros.

Olhando para 2028 veria numa figura como Rui Moreira essa capacidade ou acha que é um perfil demasiado político?
Sim, nós felizmente temos muitos perfis e candidatos que podem aparecer a sufrágio com essa capacidade representativa destes valores do FC Porto. Se Rui Moreira o deseja ou não penso que já ficou publicamente bem esclarecido por ele que esse tempo já passou, que esse desejo já passou, pelo menos entendendo ou fazendo bem jus às suas palavras. Não quer dizer que não apareça, mas deixou isso bem claro. Eu acho que sim, acho que no seio do FC Porto se podem encontrar pessoas interessantes que podem perfilar-se para tal.

E as críticas de adeptos como Fernando Madureira afetam-no?
Não. Reparem, eu não tenho essa ideia porque também aí há opiniões díspares. O mesmo já teve declarações mais positivas. Com a eventual possibilidade de eu me candidatar às eleições em 2024, tomou desde já uma escolha, sem saber se eu me apresento ou não. Não é que o mesmo já não tenha dito que eu tenho o perfil, porque também já o disse. Agora, que tenha tomado uma escolha acho perfeitamente natural, cada um escolhe o presidente com o qual se revê. Acho que neste momento há apenas um candidato às eleições de 2024 que é o Nuno Lobo. Há uma comissão de candidatura do presidente Pinto da Costa que se tem dedicado a recolher assinaturas com algumas figuras políticas.

Quando fala da preparação que está a fazer, ela tem sido meramente académica ou tem já visitado clubes, falado com dirigentes?
Felizmente, como gosto de entender e perceber o fenómeno, tenho sido convidado para fazer preleções na UEFA nos vários campos, ou seja, não só no que está relacionado com o desportivo mas no que são as lideranças futuras e novas dinâmicas que estão a marcar o futebol atual.

Tem um modelo de presidência?
Eu acho que os clubes de associados têm uma vantagem competitiva enorme relativamente às propriedades e às propriedades que são detentoras de muitos clubes. Nós temos a capacidade de projetar no tempo os nossos valores e a nossa cultura, que são imutáveis e intocáveis. E aqui falo, por exemplo, no caso do Real Madrid, do Barcelona, do Ajax, do Athletic Bilbao, Real Sociedad e de alguns clubes alemães que se mantêm dentro dos 51% a 49% de propriedade. Nós somos capazes de projetar isto em valores e em cultura no tempo. Os clubes que pertencem a propriedades não o conseguem fazer porque as propriedades estão em mutação, um proprietário vende a outro e depois vende a outro e um clube que foi um clube de membros pode estar nas mãos de um chinês, como de um russo, como de um americano e estão sempre a transformar as suas culturas.

Vê-se as dificuldades que o seu ex-clube, o Chelsea, está a ter na transição de proprietários.
Precisamente. O único clube assim em que poderemos ter um enquadramento diferente de projeção de uma cultura e de valores, neste caso cultura Barça, é o Manchester City, que manteve na sua organização estrutural durante mais de dez anos estes três gestores, entre CEO, direção desportiva e treinador, com ligação anterior ao Barça. E formataram, no fundo, o conceito de valores do Manchester City, não que no Manchester City se tivesse jogado sempre um futebol de posse de bola e de domínio como se joga agora, mas porque os mesmos ditaram a implementação dessa cultura futebolística. O que é que acontece aos clubes dos associados?

Sim.
Se não se reformatarem sobre o seu modelo operativo e organizacional poderão estar sujeitos à ameaça autêntica das propriedades. Todos estes clubes vivem no limite da sobrevivência financeira por terem durante anos prevaricado com os seus modelos operacionais. Têm muitos mais gastos do que lucros e encontram-se em situações financeiras muito débeis. E aqui falo especificamente, ou podemos dar como exemplo, o caso do Barcelona atualmente. Felizmente o futebol caminha no sentido da boa governance e da boa gestão e, para licenciar estes clubes para a competição, as ligas, tanto as europeias ou no caso do Barcelona a espanhola, são cada vez mais rigorosas com esta gestão e isso obriga a uma série de compromissos e comportamentos futuros. Agora, eu acho uma vantagem competitiva enorme que tem que ser capitalizada. Nós no mundo do futebol atualmente temos um CEO que pode ter estado no Manchester United que vai para o Chelsea e do Chelsea vai para a Roma. Sendo mais específico: temos o Tiago Pinto que estava no Benfica e agora está na Roma, tivemos o Antero Henrique que esteve no FC Porto e depois no Paris Saint-Germain, temos o Monchi que estava no Sevilha e foi para a Roma e voltou para o Sevilha, isto nos diretores desportivos. Nós temos uma vantagem competitiva em Portugal: tanto o Benfica, como o Sporting e o FC Porto obedecem aos seus associados, os clubes são dos seus associados e os valores estão imutáveis no tempo.

É um modelo que pretende manter?
Sem dúvida.

Leia na sexta-feira a parte II da entrevista a André Villas-Boas

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Palavras bonitas é a especialidade dele, vamos é mete-las em pratica crl

#AVB2024

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O André ser candidato à presidência do Porto no próximo ano é o segredo mais mal guardado a seguir ao Marques Mendes ser candidato a Presidente da República.

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Eu acho que há algo que nos distingue muito que é a cultura FC Porto, onde o FC Porto está acima de qualquer candidato e a sua importância acima de qualquer candidato.

Realmente um exclusivo do Porto

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Citação de HappyKing, há 6 horas:

O André ser candidato à presidência do Porto no próximo ano é o segredo mais mal guardado a seguir ao Marques Mendes ser candidato a Presidente da República.

O Record já dá como certo...

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Mal posso esperar para o ver abandonar a presidência a meio do mandato porque se aborreceu e acha mais aliciante tentar ser actor na série Mentes Criminosas. 

O avb é um boémio. Será interessante ver uma personagem do género no futebol. Já temos o Rui Costa, que é decente. O massagista varandas, que é uma pessoa em condições, o avb se não for o típico labrego vai ajudar a melhorar o clima no futebol português 

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Citação de Tio Hans, há 11 minutos:

O Record já dá como certo...

Ele deixa isso praticamente implícito na entrevista quando afirma que tem datas previstas para cada coisa (onde penso que se inclui o anunciar da candidatura).

Portanto, não posso negar que tenho datas em mente, tenho equipas preparadas, tenho ideias e pessoas e tenho projetos, mal de mim se não estivesse à altura de poder corresponder a um cargo desta dimensão.

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Citação de kareca, há 1 hora:

vai vai, só a PJ é que tira o velho de lá. Como o bigodes.

Por isso é que ele não sai. No dia em que sair pelo próprio pé ou for corrido é preso.

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Vocês estão a esquecer-se de um pormenor, o velho já não pode ir preso. É essa a diferença entre ele e o Vieira

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Citação de Tio Hans, há 23 minutos:

E a segunda parte da entrevista?

O Jogo tem parte das declarações no site, são bem mais agressivas para a atual administração do que as da primeira parte. 

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André Villas-Boas: “Choca-me a forma leviana, de bom tom e de cavaqueira com que se apresentam contas de €50 milhões de prejuízo”

Na 2.ª parte da entrevista à Tribuna Expresso, André Villas-Boas critica severamente a situação financeira do FC Porto, que aponta à atual gestão, sublinhando que é uma “péssima mensagem” para os adeptos os prémios avultados pagos à administração. Fala ainda do seu modelo para a formação, do “ponto de vergonha” que é a ausência de futebol feminino sénior no FC Porto e da estranheza que lhe causa Sérgio Conceição ainda não ter renovado.

Como olha para a entrada de investimento estrangeiro nas SAD?
Para mim é o caso evidente da falência dos modelos operacionais anteriores. Para mim não é um passo para a modernidade e não o entendo como um passo para a modernidade, entendo como uma falência das gestões anteriores, que podem ter trazido sucesso desportivo mas acabaram por arrasar os seus clubes do ponto de vista financeiro, metendo a sua sustentabilidade financeira e a sua viabilidade e sobrevivência em causa. O recorrer a vendas de capitais e linhas de crédito não passa, no fundo, de tentar salvar anos de gestão que não funcionaram.

É o que está a acontecer ao FC Porto neste momento? Já olhou para o último Relatório e Contas da SAD?
No fundo, sim. O FC Porto juntou a sua dívida financeira €150 milhões de prejuízo nos últimos 10 anos e tem capitais próprios negativos de 175 milhões de euros. O que é um bom cenário futuro? É a nova regulamentação sobre o fair play financeiro que obriga os clubes a constantemente, anualmente, evoluírem sobre os capitais próprios. O estádio do FC Porto, por exemplo, ainda pertence ao seu clube e poderá ser transitado para a SAD e a partir daí haver logo um benefício em termos de capitais próprios, um pouco em linha com o que se passa no Sporting. Há maneiras de fazer os capitais próprios negativos do FC Porto evoluírem e não parecerem tão drásticos e chocantes como estão atualmente. Agora, o FC Porto tem um passivo absurdo e o que é claro é que os modelos operacionais que estão em funcionamento nos últimos 10, 12 anos não funcionam, porque levam o FC Porto a um ponto sem retorno e penso que é isso que deixa os sócios cada vez mais desgastados e a razão pela qual se revoltam. Eu acho que enquanto há normas e normativas externas ao FC Porto que obrigam o FC Porto a reformatar-se sob a boa governança, as mesmas não deviam ser só externas, deviam ser internas. E o FC Porto tem que se perspectivar daqui para a frente para uma nova fase da sua vida onde os seus modelos organizativos e operacionais funcionem de modo a que os mesmos tenham sustentabilidade dentro destes modos do associativismo, que é o que todos nós queremos.

Olhando para a equipa do FC Porto que levou à conquista da Liga Europa, há nomes como James Rodríguez, Falcao ou Hulk, jogadores desejados por outros clubes cá e que escolheram o FC Porto, dando depois retorno financeiro na venda. O que é que se passou daí para a frente para o FC Porto ter deixado de ter tanta capacidade de convencer estes talentos a ir para o Dragão e não para outros clubes?
Isso poderá ser um dos campos onde há muito espaço de evolução. O FC Porto sempre marcou a diferença pelo seu scouting, por encontrar os melhores nos diferentes sítios do planeta, nomeadamente na América do Sul, na América Central, e trazê-los para o FC Porto. Algumas situações destas ainda acontecem mas cada vez com menos frequência, muito provavelmente por perda de capacidade competitiva financeira, isso não há dúvida. Outra das razões é o crescimento monstruoso das estruturas que estão nos grandes clubes europeus. Ou seja, encontrar talento agora é muito mais difícil. Um Endrick ou um Vinicius Jr. neste momento já não fazem ponte num clube português, vão diretamente para o Manchester City, Real Madrid ou Barcelona. O acesso ao talento é cada vez mais competitivo e difícil, porque os outros clubes vão-se tornando cada vez mais fortes e poderosos e com redes de observadores e de scouts em todo o mundo. Acresce ao facto dos campeonatos brasileiro, mexicano e norte-americano estarem também eles em crescimento de valor e terem muito mais capacidade de reter talento em vez de os exportar. Antes nós competíamos a nível salarial ou oferecíamos melhores condições salariais aos jogadores brasileiros e vinham os melhores jogadores brasileiros para Portugal. Agora isso já não acontece porque o mercado brasileiro começa a pagar muito mais do que o mercado português. Temos que nos renovar sobre a nossa capacidade de scouting, as redes de scouting e saber precisamente onde é que nos podemos antecipar.

E acha que nesse sentido o FC Porto continua sempre a olhar para o Brasil, Argentina, Colômbia, México e deveria olhar mais para o Japão, África, etc?
Há outros mercados que podem crescer. Naturalmente a facilidade da língua aqui conta muito porque a adaptação é imediata e nós sempre tivemos mais facilidade em ir buscar seja latinos, seja brasileiros e incorporá-los dentro das nossas ligas. Eu acho que o crescimento vem muito dos países nórdicos, há cada vez mais um influxo dos jogadores dos países nórdicos. Mas eu continuo a acreditar que há talento em todo o lado. O que ganhou mais preponderância foi a capacidade dos clubes apostarem na sua formação e trazerem valor da sua formação e esse é um campo onde o FC Porto ainda pode evoluir mais e esperemos que evolua mais quando tiver a sua academia pronta.

Na sua preparação como é que arquitetaria o seu modelo de formação?
A formação obedece a um modelo muito específico que tem de respeitar valores e culturas do clube, mas deve estar totalmente independente do futebol sénior. A formação não deve obedecer a comportamentos de treino ou de estruturas do que se passa no futebol sénior. Aqui há uns anos havia a mania que todas as equipas de formação deveriam jogar como a equipa principal e depois acontecia que passado seis meses o treinador da equipa principal era despedido e vinha outro qualquer com um sistema diferente e as equipas tinham que obedecer de outra forma. Eu acho que os projetos de formação têm que obedecer a períodos de 12 anos, que é o tempo que demorará um jogador de 8 anos a atingir a sua maturidade e passar finalmente a profissional, esperando que o mesmo passe a profissional dentro da equipa que o formou. Para que isso aconteça, esses valores, não só de cultura de clube mas também de método, devem estar imutáveis e devem respeitar essa progressão. É quase como uma projeção da evolução dos jogadores desde a sua base até ao aspeto profissional. Isso é muito difícil de fazer, mas é mais fácil de fazer nos nossos clubes ou nestes clubes que permanecem dentro do associativismo, porque há uma certa identificação com a marca, com o símbolo, com a cultura, com os valores. O processo metodológico deve obedecer a essa progressão natural dos jogadores e projetá-lo sempre a 12 anos.

Vê-se que está muito atento ao mercado de diretores, portanto presumo que não o chocaria algo que ainda não vemos muito em Portugal que seria contratar um CEO dinamarquês ou um diretor de formação espanhol. Isso seria algo dentro do seu plano?
No aspeto da gestão das equipas isso poderia acontecer. No que toca ao aspeto desportivo eu acho que seria importante que houvesse uma identificação muito forte e um conhecimento muito forte da cultura do clube.

Faz falta, olhando para esse ciclo mais longo, uma espécie de nova Visão 611 para a formação?
Sim, mas diferente, bastante diferente. Em primeiro lugar não nos podemos esquecer da quantidade de anos que são necessários para recuperar do atraso que temos por causa da academia. Há um atraso evidente de infraestruturas e isso significa que os jovens atualmente não se encontram em condições de explorar ao máximo as suas capacidades, sejam pessoais, profissionais ou desportivas, porque também estão sempre em movimento em diferentes ambientes. Em vários escalões de formação os jogadores estão em movimento para arranjar o sítio onde se treinam, estão em diferentes infraestruturas. Não é que isso seja impeditivo para a formação de alguns, mas podemos formá-los muito melhor e muito mais rápido com acesso às melhores condições como um clube como o FC Porto necessita. Em primeiro lugar há aqui um atraso específico relacionado com a construção das academias e de quando é que finalmente o FC Porto vai ter acesso às melhores infraestruturas e quanto tempo é que demorará a montar essas estruturas. A partir daí há um projeto de formação que tem que ser cumprido e estipulado, principalmente um projeto metodológico. Nós temos a felicidade enquanto treinadores de futebol em Portugal de termos na nossa formação acesso à melhor educação e ao conhecimento dos melhores métodos e práticas do mercado. Uma criança agora que termina ou que está no seu 10.º ano quer ser treinadora de futebol, não quer ser jogadora de futebol. Isso acontece, por exemplo, nos meus sobrinhos que desde muito cedo desejaram ser treinadores de futebol, em vez de serem jogadores.

Voltando um bocadinho ao tema das contas. A questão dos prémios aos administradores, de 1,16 milhões de euros, mesmo sabendo que são referentes à temporada 2021/22, em que o FC Porto foi campeão e teve lucros, não passam uma má mensagem aos adeptos face a uma situação financeira tão grave do clube?
É uma péssima mensagem. O que deveria ter acontecido era a existência de ponderadores negativos, o que no panorama financeiro do clube do FC Porto retiraria todo e qualquer direito à premiação. O que me parece é que há ponderadores positivos que estão relacionados com a parte desportiva, que acabam por premiar os administradores quando o clube se encontra em ruína absoluta. O que é que acontece no FC Porto e que eu acho que tem levado à saturação das pessoas: há uma grande disparidade entre sucesso desportivo e desequilíbrio financeiro e isso corresponde especificamente à gestão da organização. O FC Porto tem gastos absurdos não só na sua massa salarial, mas também nos seus serviços externos, nos comissionamentos, na administração. Há uma série de poupanças que são evidentes e fáceis de fazer, havendo desejo para que as mesmas aconteçam. E acho que isso não aconteceu no caso desta administração. Mas, digo-vos sinceramente, o que mais me choca é a forma leviana e de bom tom e de cavaqueira com que se apresentam contas de 50 milhões de euros de prejuízo. Isso é grave e acho que é isso que leva à saturação atual porque não pode ser tão fácil e tão gozão apresentar umas contas destas. E é isso que leva à revolta das pessoas e a um desejo sentido de mudança. Todos nós enfrentamos dificuldades na nossa vida eu acho que nenhum de nós é capaz de na nossa gestão familiar endividar as nossas famílias a um ponto de não retorno porque o que todos nós queremos é o bem da nossa família, é o bem dos nossos filhos e projetar o desenvolvimento humano, pessoal e de riqueza dos seus filhos para o futuro. No caso do FC Porto estamos quase em ponto de não retorno. Havendo a continuação de uma gestão destas no futuro entraremos em ponto de não retorno, porque os ativos do FC Porto estão hipotecados, o estádio está hipotecado. Portanto, o Futebol Clube do Porto neste momento não é dos seus sócios: é dos bancos, é dos fornecedores, é dos clientes. As receitas futuras estão cada vez mais antecipadas, o que por si só também é uma prevaricação com o futuro do Futebol Clube do Porto. Eu entendo que haja players internacionais, como no caso da Legends, capazes de operar no mercado em termos comerciais e ter um poder de atração, explicação do projeto e poder antecipar receitas ao FC Porto ficando com os direitos e com a contraparte destas receitas futuras, o que poderá vir a acontecer neste acordo que o FC Porto poderá assinar. Mas será talvez o caminho mais perigoso a seguir porque depois já não resta nada. O único que faltará antecipar são as receitas televisivas futuras da centralização de direitos televisivos.

Pode dar exemplos de coisas que têm de ser mudadas no imediato?
Falemos do que é intocável: a obrigação de ser campeão. O FC Porto não pode construir um modelo só dependente das receitas da UEFA e televisivas. Tem de arranjar um crescimento de marca, maneiras de criar valor e de se organizar internamente para que, um dia, caso algum descalabro aconteça — particularmente uma não qualificação europeia —, o FC Porto possa sobreviver sem essas receitas. Estar, durante os últimos 20 anos, somente sustentado nas receitas da UEFA e nas vendas de jogadores ditou esta perda constante de valor até ao ponto quase de não retorno.

Como vê o facto de Sérgio Conceição ainda não ter renovado contrato?
Não deixa de ser surpreendente. É muito estranho, numa relação tão amorosa como a que o Sérgio tem com o FC Porto e que o seu presidente tem com o seu treinador, que ainda não tenha havido espaço para uma renovação. Teria sido de grande sentido de oportunidade fazer a renovação após o jogo com o Inter, não só pelo que ele representa para nós, portistas, pelo seu sucesso, mas também pelo sentido de oportunidade, já que é quando estamos mais isolados e tristes que pode surgir um abraço amigo e uma confiança no trabalho para o futuro. É uma pergunta que tem de ser feita ao presidente do FC Porto e ao treinador. Certamente responderão que o foco tem de estar no campeonato. Surpreende-me que ainda não tenha acontecido, desconheço as intenções do presidente e do treinador, porque eles não falam do assunto e é tabu há bastante tempo. Tenho pena que assim seja porque o Sérgio, além de tecnicamente muito competente, projeta os valores do FC Porto de uma forma única.

Que opinião lhe causam os quase divórcios regulares entre Pinto da Costa e Sérgio Conceição?
[Longo silêncio] … Acho que, naturalmente, uma pessoa que se vê, às vezes, isolada na gestão da organização se encontre, por vezes, em situações de poder absoluto e daí achar que é dona da comunicação da sua própria organização. Isto é muito normal nos treinadores, principalmente nas propriedades, já que, como o dono não está presente, a grande comunicação é feita pelos treinadores, visto que os CEOs ou presidentes não estão tão presentes na comunicação. Se a comunicação não for ditada a partir do topo, o treinador rege-a. Como conhecedor do fenómeno diria que esses desencontros têm a ver com a falta de comunicação interna. Dá-me a entender que, no FC Porto, a comunicação está perdida, faz-se a partir das vontades e desejos do treinador. Penso que não deveria ser assim, porque uma organização deveria obedecer a determinados parâmetros de comunicação e creio que as divergências internas acontecem por via de falta de entendimento comunicacional entre as partes.

Numa eventual presidência do André, imaginaria Sérgio Conceição a adaptar-se a essa mudança de paradigma na comunicação?
Estamos a entrar no campo do muito hipotético: de eu ser presidente, de ele ter renovado como treinador, são muitas hipóteses.

Mas no seu modelo organizativo…
No modelo organizativo que projeto, evidentemente, não poderia ser de outra forma, ainda por cima com a exposição a que o treinador está sujeito. Cabe ao clube defender, e não expor, o seu treinador. Há uma certa liberdade, por vezes, porque as perguntas são diferentes e os acontecimentos sucedem minuto a minuto, o que obriga o treinador a ter a capacidade de improviso. Posso falar-lhe das minhas experiências no FC Porto, entre o “miúdo” e o “graúdo” [referência a uma polémica com Jorge Jesus em 2010/11], que correspondem à minha forma e gosto por comunicar e ao que ia sucedendo…

… e também a tentar arranjar um inimigo externo, no caso com o Jesus?
Sim, no fundo é competição, e daí que a última pessoa de quem eu esperava receber mensagem no final da época [em 2010/11] era do Jorge Jesus. E recebi, o que iniciou uma bela amizade entre os dois graças à capacidade de separar o aspeto competitivo do respeito pelo profissional. Mas o objetivo das organizações, quando têm alguém tão mediaticamente exposto, é ter uma via comunicacional específica, orientada pelo topo, e esses são os caminhos que seguimos para a nossa organização.

Acha imperativo o FC Porto passar a ter futebol feminino sénior?
É importante haver estruturas para tal. No caso das modalidades, e na preparação de um candidato, é muito fácil ser populista e lançar as modalidades todas antes de saber se são possíveis. As modalidades, normalmente, são prejuízo para os clubes, um prejuízo aceite porque serve a sociedade, a cidade e a região. O FC Porto, enquanto instituição, deve promover o crescimento social e humano das pessoas, mas os modelos operacionais têm de funcionar, o ideal era que as modalidades fossem auto-sustentáveis. No caso do futebol feminino, é mais paradigmático porque corresponde a anos e anos de atraso e falta de visão e antecipação, o que poderá estar relacionado com a falta de infraestruturas para o receber. É uma urgência absoluta que se criem todos os escalões de formação, no FC Porto, no futebol feminino.

Sente que, ao não apostar no futebol feminino, e pegando nessa vertente social, o FC Porto está a falhar à região?
Sim, é um ponto de vergonha. E deveria ser um ponto de honra. Eu também vejo cada vez mais mulheres presentes no Estádio do Dragão e um universo e um público femininos cada vez mais ativos no FC Porto. A entrada no futebol feminino sénior terá de ser feita com uma equipa para ganhar.

O futuro próximo das competições europeias apresenta várias incógnitas. Falou da Superliga como “uma ameaça” e para o ano começará uma nova Champions. Como olha para o FC Porto neste contexto tão incerto?
O FC Porto deveria ter um papel fundamental nos locais decisores. Não me parece que o tenha feito na Associação Europeia de Clubes, por exemplo.

Ao contrário do Benfica [Rui Costa é membro da direção e Domingos Soares Oliveira fazia parte do conselho executivo].
Por exemplo. Há um papel preponderante a ter nas reuniões da UEFA ou encontros de presidentes, a nível nacional e internacional. A perda de competitividade de Portugal no nosso ranking está muito relacionado com o fator de multiplicação dos pontos atribuídos à Liga Conferência, mas agora recuperar a posição será difícil. O que se está a passar no futebol atual é muito disruptor. Apesar de haver entendimento na ECA relativamente à importância da FIFA e da UEFA como organismos máximos, nada nos diz que as propriedades não possam decidir voltar a avançar para a criação de uma Superliga.

Haverá uma decisão por parte do Tribunal de Justiça da União Europeia do caso Superliga em breve [a 21 de dezembro].
A UEFA capitalizou a falta de plano comunicacional por parte da Superliga aquando do lançamento, fazendo-o à meia-noite ou uma da manhã. Para nós, mais românticos do futebol, o que se registou foi a negação das pessoas desse modelo, o que se tornou na primeira vitória dos campeonatos europeus como os reconhecemos. Mas um proprietário dos EUA, saudita ou do Catar não sente essas restrições, aceita as penalizações — os jogadores irão aceitar ou não, mas encontrarão aqueles que aceitem. Há uma ameaça presente atual e gostava que o FC Porto tivesse tido outro papel nas decisões do futebol, tenho pena que não assuma tal preponderância e, se a está a assumir, que não a comunique de forma mais evidente com os seus sócios. Não podemos, depois, contra-argumentar se não estamos presentes nesses organismos decisores. O risco existe e parece-me claro que, no futuro, os nossos grandes de Portugal, e incluindo aqui clubes como SC Braga e Vitória SC, poderão sofrer muito com a criação de um fosso cada vez maior, ao mesmo tempo que entramos na centralização dos nossos direitos televisivos. Temos de perceber como é que criamos valores da nossa Liga, que tem sido marcada por problemas operacionais, logísticos, de arbitragem e escândalos sem fim. Como criamos valor de um produto que cada vez menos gente quer consumir? Isso ficou evidente no intervalo que o presidente da Liga atribuiu para a venda dos direitos televisivos, entre €250 milhões a €500 milhões, isto é, uma coisa ou metade dessa coisa. Numa altura em que os direitos franceses estão com dificuldades em serem vendidos, em que os italianos estão abaixo do valor e em que toda a gente consome entretenimento e há muitos players que captam a atenção dos nossos jovens.

A centralização dos direitos televisivos parece-lhe essencial? O presidente do Benfica já disse que, se se sentir prejudicado, não irá cumprir a lei.
Mas o Benfica tem tendência para estar acima da lei ou de prevaricar com a lei em várias situações, o que não pode acontecer. Há aqui um bem comum, em que as rivalidades têm de entender qual o bem comum de todos, da nossa Liga. Se formos incapazes de fazer isso estamos no caminho errado, portanto essa mensagem não é correta. Acho bem mais digna a atitude do SC Braga, apresentando alternativas a quadros competitivos, mesmo que não sejam aceites, mas lançando-as para discussão, do que essas tomadas de posição.

O que achou do Mundial 2030?
Buff… Gostava de ter recebido a candidatura de Portugal e Espanha como única. É o Mundial da Península Ibérica, foi construído e proposto dessa forma, ganhou o seu direito e foi escolhido como palco do Mundial. A introdução de mais um sem-número de países não passa de uma tentativa de atribuí-lo à Arábia Saudita em 2034. O futebol corresponde a estes interesses económicos de forma cada vez mais declarada, às vezes sendo refém dos mesmos. A aposta da Arábia Saudita através do desporto é evidente e clara, sendo que o mesmo já aconteceu com a China e terminou rapidamente. Esses países obedecem a certos comportamentos e culturas e quando se prevarica com esses comportamentos e culturas as coisas podem descambar, são países de uma sensibilidade diferente.

Esteve em 2017 na China a treinar.
Acabou por rapidamente se extinguir a aposta, por haver prevaricações com a cultura e por ser um campeonato onde a corrupção estava instalada e isso ficou evidente a nível federativo e de organização. Não quer dizer que seja o caso na Arábia Saudita, mas o facto de o mesmo fundo público ser dono de quatro clubes é um princípio de prevaricação com as regras normais de competitividade, legalidade e integridade no desporto. Quanto ao Mundial, parece-me uma solução encontrada para atribuir o seguinte à Arábia Saudita. Não recebi com tanto entusiasmo como recebi o Euro 2004.

Acha que esta incursão saudita também durará pouco, como na China?
Claro que as razões são financeiras, quem for para a Arábia Saudita mais vale admiti-lo. A Arábia Saudita começa, também, a ser inundada de formadores nas diferentes áreas: já chegaram os treinadores e os jogadores, vão começar a chegar os CEOs, diretores de formação, etc. Será um caso parecido com o que aconteceu no Catar pré-Mundial, em que houve 12 anos de investimento futebolístico. O que pode desequilibrar isto tudo são as diferenças dos quatro clubes do fundo soberano para os outros, com massas salariais muito diferentes, o que pode fazer com que esses se destaquem em 20 ou 30 pontos dos outros todos, levando à perda de interesse num fenómeno que deixa de ser real. É um processo novo, que contribui para a tal instabilidade e insegurança num futebol que se move por interesses financeiros específicos, penalizando as culturas.

Haverá mudanças na liderança da FPF em 2024. Pedro Proença e Luís Figo, dois nomes falados, seriam do seu agrado?
Penso que sim. Para já, como não houve anúncios de candidaturas, é difícil projetar equipas ou ideias. Neste momento, estaria um bocadinho mais preocupado com a Liga, em como estas mudanças podem trazer disrupção ao produto da Liga e, em consequência, ao FC Porto. São dois bons nomes, um com mais provas dadas na gestão e outro mais como referência do desporto, que naturalmente traria consigo equipas competentes.

Tem alguma relação, ou que relação pretende ter caso seja presidente do FC Porto, com Frederico Varandas e Rui Costa?
Agora não tenho nenhuma. Mas creio que destas cimeiras de presidentes da Liga têm saído bastantes debates sobre o futuro do futebol português e é assim que deve ser. Temos de ter capacidade de entendimento do fenómeno e do bem comum para todos e, se para que esse bem comum aconteça são necessárias reuniões mais ou menos assíduas com os outros presidentes, que assim seja.

Tem investido bastante tempo na sua fundação, quer explicar como funciona?
É uma ideia parecida com a Laureus, utilizando os embaixadores do desporto para ações sociais. A Race for Good é um facilitador para ter experiências únicas, que podem ser uma aula de surf com o Frederico Morais, sentar-se num carro com o António Félix da Costa ou o Sebastian Ogier, transformando essas experiências, de valor económico variado, em donativos, funcionando quase como um intermediário das instituições. E fazemos algo interessante: na primeira ação conjunta, o donativo obtido é doado em 50% à Race for Good para distribuição nas suas instituições e em 50% numa instituição à escolha do embaixador. A cada embaixador correspondem ligações emocionais a determinadas instituições, por exemplo o Miguel Oliveira é uma associação de Almada.

Pessoalmente, tem cumprido então o que queria desse lado da sua vida?
Vejo-o como uma obrigação e sentido de vida. Quando treinava o Marselha, no Rali de Monte Carlo comprei o espaço publicitário do carro vencedor do ano anterior em WRC 2 e decorei-o com a Race Africa, com o objetivo de aumentar a sensibilidade para o trabalho da Race Africa e, também, de atingir €6.000, o que me parecia um objetivo fácil de cumprir. A verdade é que não atingimos esse valor e as doações que arranjámos foi entre mim e os meus amigos, que metemos dinheiro para que a coisa não fosse tão má. Foi um tiro furado. Então resolvi mudar esta ideia, usando experiências a que as pessoas não têm acesso e que as tornam mais predispostas a doar. No caso do Rali de Portugal, vendi o espaço publicitário do meu carro a empresas e só aí conseguimos €75 mil de uma vez em donativos. No Dakar usei outra maneira, levando o nome das instituições no meu carro, o que resultou em zero donativos.

É mais fácil preparar-se para um Dakar ou para ser presidente do FC Porto?
Não tem nada a ver. O Dakar ia-me tirando a vida, mas salvou-me a vida ao mesmo tempo. Tenho um acidente à 4.ª etapa e sou retirado de helicóptero. Nas radiografias que fizemos, não se detetou a fratura que sofri na coluna. Na altura não era permitido que retomasse a corrida, mas agora já seria permitido retomar. Voltei para Portugal pensando que não tinha fraturado a coluna. Passando umas semanas da recuperação do espasmo muscular que sofri, liguei aos meus amigos e fui andar de mota. Mal arranquei, o assento da mota bateu-me no rabo e senti o impacto todo nas costas. Tinha a L1 fraturada. Tombei de dores, fiz exames e nesses exames, felizmente, a ressonância magnética detetou um tumor na tiróide, que tive de retirar imediatamente e que não teria sido detetado caso não tivesse havido o acidente. Há histórias curiosas. Felizmente, no Dakar não me deixaram retomar.

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"Portanto, o FC Porto neste momento não é dos seus sócios: é dos bancos, é dos fornecedores, é dos clientes."

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É pena esta entrevista não sair no jornal o jogo ou no Jn.

Metade dos sócios não vão saber da mesma

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"Mas o Benfica tem tendência para estar acima da lei ou de prevaricar com a lei em várias situações, o que não pode acontecer."

 

Ah, está feito o remate final para a candidatura.

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Citação de Duda34, há 9 minutos:

"Mas o Benfica tem tendência para estar acima da lei ou de prevaricar com a lei em várias situações, o que não pode acontecer."

 

Ah, está feito o remate final para a candidatura.

Está no ponto para representar bem o clube 

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Citação de quimmanel, há 46 minutos:

É pena esta entrevista não sair no jornal o jogo ou no Jn.

Metade dos sócios não vão saber da mesma

Verdade seja dita, se saísse no OJogo metade das m*rda eram deturpadas ou tiradas do contexto.

O AVB terá muito tempo para converter mentecaptos. Comunicação é o nome do meio dele.

Citação de Duda34, há 26 minutos:

"Mas o Benfica tem tendência para estar acima da lei ou de prevaricar com a lei em várias situações, o que não pode acontecer."

 

Ah, está feito o remate final para a candidatura.

A sério que descobriram hoje que o André tb recorre muito a essa estratégia do centralismo lisboeta, do Benfiquistão e que segue à risca o lema do "contra tudo e contra todos"? Fá-lo é com outra classe.

Aliás, na época em que conquistou tudo no Porto andou sempre com essa bandeira do "grito de revolta" (palavras dele) contra aquilo que tinha acontecido na época anterior, no caso do túnel.

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Excelente entrevista. Comunicar é com o AVB e está muito bem aconselhado. O mais difícil vai ser garantir a segurança dele e da família e evitar trafulhices nas eleições.

A propósito, vejam isto a partir dos 16 minutos (mas não vejam mais nada, pela vossa saúde).

 

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Citação de Banks29, Agora:

Dos 16 até que minuto mais ou menos ?

só um minutinho +-. Tb n vejas mais q podes apanhar doenças.

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