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Eden Hazard

[Núcleo] Gil Vicente FC

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Ultrapassamos a Cova da Piedade, nos penalties.

 

Este tipo de jogos são sempre complicados, chatos e estivemos com um pé fora da Taça. Felizmente tudo correu pelo melhor.

 

O problema foi a expulsão do Avto, que assim falhará o jogo com o Marítimo. É pena porque estava numa excelente forma.

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Citação do jornal "A Bola" online

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«Hoje sei usar as minhas qualidades como nunca» - César Peixoto


Nem o passado como jogador, nem o mediatismo levam César Peixoto a acomodar-se. Continua determinante e a fazer valer a experiência. Satisfeito por ter permanecido em Barcelos, elogia o risco de Fiusa na revolução operada no plantel e a contratação de João de Deus, com quem tem relação extremamente cúmplice.

Em algum momento imaginava que fosse tão produtiva a sua decisão de continuar a representar o Gil Vicente?

- Para mim é ótimo com esta idade ainda poder ajudar o Gil acrescer e a ser a equipa mais surpreendente do campeonato. É muito mais difícil estar a jogar bem numa equipa com as pretensões modestas do Gil, sem os argumentos que outros têm, e influenciar positivamente o rendimento da equipa. Isso ainda me dá mais alegria pelo que estamos a fazer.

O que é que, afinal, explica os extraordinários resultados alcançados pela equipa?

- Principalmente tenho de enaltecer o trabalho diário, o profissionalismo de todos, do roupeiro ao presidente, passando pelos jogadores, pelos técnicos e por quem nos apoia. Há uma grande união de todo o grupo, um sentimento de luta e conquista. Têm sido esses os nossos trunfos. Estamos todos a remar para o mesmo lado e essa vontade de vencer está expressa nos resultados.

E o 4.º lugar, somado à presença na Taça de Portugal e Taça da Liga, admite pensamentos mais ambiciosos?

- É um momento de pôr os pés bem assentes no chão e saber o terreno que pisamos. Estamos muito bem, mas vamos ter agora jogos muito difíceis, um deles com o Sporting. O que estamos a viver é bom, prova o valor e qualidade de todos, mas vamos jogo a jogo atrás dos nossos objetivos. Nas Taças a ideia é ir o mais longe possível, até pelo bem que isso faz às dinâmicas de grupo, permitindo aos que jogam menos também terem as suas oportunidades. É importante para a motivação de todos e é muito positivo ter toda a gente contente.

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João de Deus em entrevista: «Sou apenas mais um»

Os métodos, os pormenores e os objetivos do técnico do Gil Vicente, a maior surpresa da Liga até ao momento

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Parte I

 

O relógio fugia um pouco das duas da tarde quando o Maisfutebol é recebido por João de Deus, no seu gabinete no Cidade de Barcelos. Em cima de uma mesa, que vai servir de apoio a uma conversa que durou mais de uma hora, apenas três coisas: a velhinha prancheta, um computador e um ipad.

 

Passado, presente e futuro lado a lado como cenário de uma entrevista que também caminha pelos mesmos moldes. João de Deus mostra ser um treinador de pés bem assentes na terra, consciente de que os resultados ajudam à tranquilidade que o clube vive, que sabe de onde veio, reconhece o meio em que está e não se preocupa com o que está para vir.

 

Com o Gil Vicente vai estabelecendo um elo de ligação cada vez mais forte. Ajudou ao melhor arranque de sempre da equipa na Liga, acredita na manutenção e não quer falar em muito mais do que isso.

 

Prefere, por exemplo, abordar o dia a dia. E o gosto pelo futebol. E as ideias diferentes que não nascem só de si. «Toda a gente na equipa técnica vai dando ideias e saem sempre coisas boas», explica.

 

Vem isto a propósito de uma tarde no rio, em prova de caiaques que o plantel cumpriu recentemente. «Os jogadores já sabem que quando há uma pausa do campeonato, depois de uma folga de três dias o primeiro treino será diferente. Só não sabem o quê. Já fizemos caiaque, paintball, beach soccer...», explica.

 

Apenas um dado curioso. Entre muitos. João de Deus não esconde alguns dos seus métodos de trabalho. A meio da conversa, por exemplo, sacia a curiosidade do Maisfutebol quando fala em rever o trabalho diário. «Filma os treinos?», perguntámos. «Querem ver?»

 

E o seu computador começa a mostrar imagens em câmara lenta de um exercício, com notas de rodapé sobre o que determinado jogador fez certo ou errado. Mais um pormenor, claro. João de Deus é homem destes pormenores para o mesmo objetivo de todos: ganhar.

 

Quando decidiu que queria ser treinador de futebol?

Quando tive o meu primeiro computador os jogos eram sempre de estratégia de futebol. Era sempre a mesma coisa. Gosto do fenómeno. Gosto do jogo, de estudar, de interagir, de conversar sobre futebol. Tivemos agora esta paragem de uns dias. No sábado, depois do jogo, estive excelente com a família. No domingo, excelente com a família. Segunda-feira, excelente com a família mas a faltar qualquer coisa. Terça-feira, excelente com a família mas a faltar muita coisa. E quarta-feira quando aqui cheguei para trabalhar vim satisfeito. E reparei que não devo ter sido o único a passar por isto: cheguei meia hora antes da hora marcada e já cá estavam todos.

 

Sente que é melhor treinador do que foi jogador?

(Risos)

 

Não estamos a desvalorizar o João de Deus como jogador, atenção...

 

(Mais risos) Como jogador não era muito competente. Tenho isso bem presente. Até porque em termos daquilo que são as qualidades inatas para a prática... Não consigo dar dez toques com o pé direito, por exemplo. Sinceramente não consigo fazer esse paralelismo. O que é um bom treinador? Bom é o que ganha e mau o que perde? Parece-me redutor. Há o trabalho de campo, capacidade de observação, deteção de talentos, conhecimento de outras área inerentes ao processo de treino, relações interpessoais. É um conjunto de valências que torna difícil dizer se alguém é bom treinador ou mau treinador.

 

Quando era jogador já dava por si a questionar opções dos treinadores e a pensar como faria se fosse o João de Deus a decidir?

 

Um dos grandes problemas é que eu pensava muito pouco o jogo. Diziam-me corre para ali, ou chuta para ali e eu fazia o que me mandavam. E bem. Mas a verdade é que não tinha uma grande leitura do que estava a acontecer e porque era assim.

 

Que balanço faz dos primeiros cinco meses de Gil Vicente?

Para já, é um balanço muito positivo. Extravasando aquilo que são os resultados, eu costumo dar importância às relações interpessoais e às sinergias que se vão estabelecendo entre o grupo e a estrutura em si. Também tenho consciência que de alguma forma os resultados ajudam a potenciar tudo isto.

 

Como é o relacionamento com o presidente António Fiusa?

Se os resultados ajudarem, as relações tendem a ser melhores. Mas há uma coisa que já percebemos um no outro. Ele compreende a minha necessidade de ganhar e eu compreendo a necessidade dele de fazer crescer e evoluir o clube. A relação acaba por ser boa porque cada um, à sua maneira, quer melhorar. Mesmo que, por vezes, eu pudesse não estar tão motivado ou não estar com tanta vontade de fazer mais e melhor, sentir-me-ia impelido a fazê-lo porque vejo que quem manda quer que isto ande para a frente.

 

E vai andar para a frente até onde? Esta equipa tem condições para jogar na Europa ou para fazer a melhor classificação de sempre?

Não me parece que seja possível suplantar o Gil Vicente do Álvaro Magalhães. Em primeiro lugar porque a equipa tinha um belíssimo treinador nessa altura e depois porque os nomes dos jogadores que compunham aquele elenco são de altíssimo nível. Por muito bem que façamos este ano, nunca conseguiremos estar ao nível daquela equipa que, salvo erro, fez 5º lugar com 50 pontos. Um absurdo... Está completamente fora de questão. Somos conscientes e sabemos que este momento é bom mas, como todos os outros, vamos ter momentos menos bons. E estamos preparados para eles. Estamos mais perto da meta da manutenção e esse é o nosso foco, nada mais. Temos 30 pontos como meta e vamos tentar isso. Mas queremos jogar bom futebol e divertir-nos a ajudar. Se conseguirmos tudo isso, a nossa época está conseguida.

 

Quais são os pontos fortes do Gil Vicente?

Numa coisa a nossa equipa é forte: a equipa é muito unida, não só dentro do campo, mas também fora dele. Conseguimos com alguma facilidade encontrar focos de amizade que extravasam esta questão de trabalharmos todos para a mesma instituição. Conseguir levar isso para dentro do campo acaba por ser uma mais valia e é a nossa maior virtude, se calhar a única grande virtude que temos. Eles são capazes de sofrer uns pelos outros e têm este ideal da amizade e da união.

 

O Draman, que foi dispensado, não se enquadrava nesse espírito de união?

Se perpetuamos um ambiente salutar e se tenho um indivíduo que não concorre para essa harmonia e que não está enquadrado com esta dinâmica de grupo que se gerou está fora, está eliminado. Dar exemplo ao balneário? Não preciso de lhes mostrar nada. Os jogadores do Gil são inteligentes e percebem que o que nos torna mais fortes tem de ser intocável e as nossas fragilidades têm de ser escondidas. Foi uma questão pacífica.

 

O João de Deus também é um dos pontos fortes deste Gil Vicente?

Sou apenas mais um, entre todos os que compõem este grupo. Tenho a certeza que em qualquer organização a soma das partes faz o todo e de certeza que existem momentos em que a equipa técnica consegue potenciar jogadores, mas também tenho a convicção que os jogadores fazem de nós melhores.

 

Como é o seu dia a dia no Gil Vicente?

Acordo às 8h, às 8h45 tomo o pequeno-almoço com o grupo, às 9h treino e depois almoço, sempre que possível, com os restantes membros da equipa técnica. Depois, à tarde, aproveito para ver adversários, ver jogos, ver todo o trabalho que o Pedro Pinto, que é o nosso técnico de observação me põe no computador, e que é uma base importante. Ia agora mesmo ver o treino de hoje, fragmentar o treino e amanhã de manhã antes do treino eles já estão a ver momentos do treino e a ver aquilo que fizerem bem e mal.

 

Parte II

 

O êxito imediato de João de Deus ao serviço do Gil Vicente fez aguçar a curiosidade de todos em torno deste técnico ainda jovem que, no seu primeiro ano na Liga principal, consegue levar a equipa ao quarto lugar, na nona jornada.

 

António Fiusa já lhe colocou um rótulo: um milhão de euros. O treinador agradece, mas não se entusiasma por aí além.

 

Pelo meio da conversa fala ainda de algo que não parece mas é: o Gil ainda não perdeu em casa, mas a vida tem sido sempre muito complicada.

 

O presidente António Fiúsa disse que o João de Deus estava salvaguardado com uma cláusula de um milhão de euros. Este número dá-lhe mais responsabilidade?

 

Não me dá responsabilidade nenhuma. É exatamente a mesma do dia em que cá cheguei. O que quero é chegar ao fim do contrato e que as pessoas que apostaram para mim digam: valeu a pena apostar neste indivíduo.

 

A estabilidade do Gil, de quem não se ouve falar de problemas com salários em atraso, por exemplo, ajuda no seu trabalho?

 

Não há nenhum clube em Portugal que viva desafogadamente. Todos têm problemas. Felizmente o presidente e a direção têm conseguido ultrapassar esses problemas, com maior ou menor dificuldade. Isso é determinante para que as cabeças estejam sempre limpas.

 

O Gil ainda não perdeu em casa. Vai ser difícil ganhar em Barcelos?

Vai ser difícil ganhar ao Gil em Barcelos e também vai ser difícil ao Gil ganhar em Barcelos. Em casa, ganhámos um jogo por mais de um golo de diferença. Com uma pontinha de sorte poderíamos ter ganho o que empatámos [ndr. Olhanense] e com uma pontinha de azar poderíamos ter perdido quase todos os que ganhámos. É muito equilibrado.

 

Festejaram muito os triunfos com Braga e Académica...

 

Somos conscientes e sabíamos que estes jogos estavam num grupo terrível de quatro, junto com as deslocações à Luz e ao Dragão. Se não ganhássemos aqueles jogos poderíamos ficar em maus lençóis. E, depois, com o Braga foi realmente espetacular e mesmo com a Académica, porque também foi com um a menos, também foi espetacular. Foi mais por isso que festejámos assim.

.

Foi um desafio a construção do plantel? Foram contratados 16 reforços, foi uma aposta de risco?

Este é o segundo ano que o Gil Vicente tem o departamento de scouting, que faz uma triagem sobre os melhores jogadores que jogam nas divisões abaixo. Naturalmente que quando cheguei havia uma listagem de jogadores identificados. Vinha de um clube de Segunda Liga, conhecia a realidade e sabia, por exemplo, que o Diogo Viana não era um jogador para ver se vai dar ou não vai dar. Não há dúvidas em relação a um Diogo Viana, a um Vítor Gonçalves, a um [Leandro] Pimenta ou a um Simi. Por aí, foi um trabalho muito bem feito pelo scouting. Acredito que não tenha sido uma aposta de risco. Depois há jogadores que vieram com quem já trabalhei, com o Caleb por exemplo. Antes de ir para o Atlético esteve a fazer uma experiência na Oliveirense, por isso o Jorge Silva já o conhecia. Também já tinha trabalhado com o Pimenta e com o Avto.

 

Houve uma mudança evidente de paradigma na política de contratações do ano passado para este ano. Foi uma junção de vontades do clube e do João de Deus?

Ao criar um departamento de scouting obviamente que o mercado nacional fica muito mais coberto e eu também não escondo que prefiro trabalhar com atletas que estão adaptados à nossa realidade do que com os outros que terão que vir de fora e necessitam de se adaptar a esta realidade. Foi uma junção de ideias.

 

Que papel tem João Vilela no seu Gil Vicente, ele que foi utilizado em todos os jogos. Foi João de Deus que conseguiu potenciar o melhor João Vilela de sempre?

 

«O João é um grande jogador. O João Vilela não é um grande jogador este ano, já no tempo em que estava no Benfica se dizia que o João Vilela ia ser um grande jogador. Por este ou por aquele fator não conseguiu nestes anos ter aquele destaque que merece, porque tem competências para isso. Este ano as coisas estão-lhe a correr bem, fez uma pré-época muito boa, é importante na nossa equipa e ele também sente isso. Isso traz um acréscimo motivacional. É fruto do trabalho dele e da vontade que tem em chegar aquele patamar que um dia lhe disseram que poderia chegar.

 

Peks foi associado ao Manchester City, Diogo Viana já confirmou publicamente o interesse do Parma antes de rumar ao Gil Vicente e Avto estreou-se pela seleção da Geórgia no Gil. São os jogadores mais valiosos do plantel?

 

E o Vítor Gonçalves? E o Simi? E o Nélson Agra? E o Pimenta? E o Paulinho? A verdade é que nós, se considerarmos o Alphonse e o Ely, que são dois ativos do clube que estão emprestados, temos onze jogadores jovens até à casa dos 23 anos que têm uma grande margem de progressão. Agora, precisam de ter sorte, não ter lesões, não haver muitos castigos. Precisam que os Adrianos, os Vilelas, os Danielsons, os Halissons e os Césares lhes passem um suporte para eles se sentirem cada vez mais confortáveis. Se assim for poderão ser jogadores importantes no futuro do clube.

 

Sorriu quando se falou no Diogo Viana e na sua ida para o Parma. Há alguma história por trás do ingresso dele no Gil Vicente?

O Diogo Viana escolheu bem, escolheu aquele que é o clube certo para ele crescer e ele cresce a jogar consecutivamente e a fazer minutos atrás de minutos. Esse é o crescimento que ele precisa. Costuma falar-se em dar um salto maior do que a perna. A mim o que me alegra é que ele na altura com o «El Dourado» na frente, preferiu o passo mais sustentado e a verdade é que a aposta se revelou acertada e está a fazer um início de campeonato muito bom. Acima de tudo percebe a importância que tem dentro da sua equipa. Um jogador que se sente importante está mais motivado para trabalhar e está mais perto do sucesso.

 

Nos últimos anos em Portugal criou-se a norma de formar jogadores para posteriormente vender. Com tantos exemplos de jogadores com potencial pode ser também um caminho de sustentabilidade do clube?

 

Não sei o que é que será o Gil Vicente em termos de política desportiva no futuro, o que eu sei é que em termos presentes, o clube organizou-se bem. Fez um trajeto que está inerente àqueles que acabam por ter sucesso. Tem uma política de recrutamento criteriosa. Gostava de ver estes meninos a crescer todos juntos e aqui no clube, mas a isso só o presidente é que poderá dar resposta.

 

Parte III

 

A carreira como treinador de futebol de João de Deus não começou por acaso, mas começou por um acaso. «Estava no sítio certo à hora certa», assumiu.

 

Depois de deixar de jogar em 2004, no V. Setúbal, ficou no clube como preparador físico, integrado na equipa técnica de José Couceiro e, mais tarde, José Rachão, na equipa que venceria o Benfica de Giovanni Trapatonni na final da Taça de Portugal.

 

Quatro anos mais tarde, e já depois de ter passado também por Angola, pelo Interclube, com as mesmas funções, João de Deus chega a Cabo Verde a assume a seleção de futebol. Como? Ele explica.

 

O João de Deus fez um percurso, enquanto treinador, que não é muito normal. Passa de preparador físico a selecionador de Cabo Verde. Acredita que esse foi um momento chave na sua carreira?

 

Em conversas com amigos costumo dizer que tudo são janelas de oportunidade, depois nós podemos aproveitá-las ou não. O que se passou com a situação de Cabo Verde foi exatamente isso. Cabo Verde perdeu na altura o selecionador. Carlos Alhinho saiu e a seleção caiu num vazio técnico. O adjunto, o Zé Rui, pegou na equipa. Ele é de Setúbal e costumava ver os nossos treinos e ficou responsável pelo processo de treino desse microciclo de trabalho. Queria por tudo em prática sozinho. Eu achei que não era exequível e como era o mês de férias do Vitória, ofereci-me para o auxiliar. Fizemos um jogo treino com Portugal, as coisas acabaram por correr bem, e lá está: foi uma janela de oportunidade.

 

Sente que tem alguma fatia de mérito destes êxitos recentes da seleção de Cabo Verde?

 

O grande mérito do que está a acontecer tem que ser dado a quem criou o projeto, mas é certo que era preciso pô-lo em prática. As bases foram lançadas, fez-se um trabalho sério e criterioso no desenvolvimento do futebol do país. Foram dez projetos que foram criados, com valências tão díspares como a alteração do modelo competitivo, como criação de um modelo de jogo para todos os escalões, formação de treinadores e por aí fora. Mas também é preciso perceber que já saí de Cabo Verde vai para três anos e a verdade é que a federação e a seleção não pararam de crescer desde essa altura. O mérito é de quem continuou com o caminho que estava definido, neste caso o presidente da federação Mário Silva e o Lúcio Antunes, que era meu adjunto e deu seguimento ao que estava definido.

 

Deu-se depois a passagem pelo Ceuta, de Espanha. Acha que foi a escolha certa?

 

Foi a escolha certa, mais que não seja porque nós aprendemos com o sucesso e com o insucesso. Mas eu tenho a convicção que há insucessos que são determinantes para o nosso crescimento. O insucesso de Ceuta foi fundamental para o amadurecer de ideias, definição de conceitos e conhecimento do que é isto do mundo do futebol. Nessa perspetiva foi extraordinário. Não correu bem por eu não estar adaptado. Em Espanha não é fácil para nós [portugueses]. Nesta área do futebol ainda mais difícil se torna porque eles são os campeões, têm as grandes equipas, os grandes jogadores e nós somos os portugueses...

 

No Ceuta acabou por ter uma célebre eliminatória com o Barcelona de Guardiola na Taça de Espanha. Como se monta uma equipa do Ceuta para travar aquela que para muita gente é a melhor equipa de sempre?

 

Monta-se mas não se trava (Risos). Olhando para o momento friamente, foi uma pena eu não estar adaptado ao contexto porque nem consegui usufruir desse momento. Não me deu a satisfação, nem a vontade, nem o desejo de fazer bem, de ser competente e de tentar ganhar como por exemplo no nosso último jogo com o Cova da Piedade. E quando digo isto não estou a desconversar, nem a mentir. É mesmo assim. O facto de estar tão desajustado da realidade acabou por me abstrair desse que momento que deveria ter sido marcante e não foi.

 

Sentia-se mais motivado para defrontar o Cova da Piedade do que o Barcelona?

 

Muito mais! Em termos de preparação estamos muito mais focados no adversário. Tanto o Cova da Piedade como todos os nossos adversários de campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga.

 

Depois do Ceuta, regressa a Portugal e faz um percurso em crescendo. Começa no Farense, depois dois clubes de Segunda Liga, Atlético e Oliveirense. Foi uma evolução importante para lançar as bases para o que seria o João de Deus na Primeira Liga?

 

Acredito que não sou muito diferente do treinador que era em Faro, tenho é mais ferramentas ao meu dispor. Por exemplo, em Faro era um problema para fazer uma coisa corriqueira de todos os treinadores em Portugal que é uma observação dos adversários. As equipas quando trabalham no Campeonato Nacional de Seniores têm muito mais dificuldades para fazer observação e análise, porque os jogos não são filmados e não há tantos meios à disposição. Acredito que quem é privilegiado de poder chegar a esta realidade depois de ter passado por outras realidades deve entender que isto é uma oportunidade para ser agarrada com ambas as mãos. Nos escalões secundários existem tantos treinadores com muitas competências e são tão capazes...Só precisam é de uma oportunidade.

 

Qual a maior ambição da sua carreira?

 

Ora aí está algo que nunca pensei. Não consigo fazer futurologia. A nossa sociedade está de tal forma que vocês poderem estar aqui a fazer o vosso trabalho e eu poder estar aqui a fazer o meu trabalho é uma sorte. Felizes daqueles que estão a trabalhar. Mais do que pensar no futuro, se sonho chegar aqui ou acolá, é arrepiar caminho no presente para ter o meu posto de trabalho. O futuro é hoje. É preparar um bom treino amanhã para depois melhorarmos no jogo e tentarmos ganhar.

 

Parte IIII

 

Foi, de longe, a pergunta do Maisfutebol que exigiu a pausa maior para pensar a resposta. Quisemos saber quais são as referências de João de Deus no futebol e o treinador do Gil Vicente assumiu dificuldades para responder.

 

Mas fê-lo. Cristiano Ronaldo, José Mourinho, Jorge Jesus, uma nova geração de treinadores e os seus jogadores, para João de Deus sempre os melhores do mundo.

 

O técnico perspetivou também a luta pelo título e diz que não faz sentido andar à procura de um novo Mourinho. Há casos que, garante, são mesmo especiais e não se repetem com facilidade...

 

Quem são as suas referências ou ídolos no futebol?

 

(Longo silêncio) É uma pergunta difícil (Novo silêncio). Os nossos contextos são sempre muito relevantes. Eu acho sempre que os meus jogadores são os melhores. Portanto, referências em termos de jogadores? Temos o melhor do mundo, o Ronaldo, e esse tem de ser preservado e referido em todos os momentos. Em termos de treinadores, acho que os portugueses são competentes. O maior ícone de todos é o Mourinho. É o melhor, está a anos luz dos outros todos. Mas temos outros treinadores muito bons. (Nova pausa). Em Portugal gosto muito do Jesus. Acho que é um grande treinador de futebol. Um homem com um conhecimento grande. Depois vejo treinadores mais jovens, como o [Paulo] Fonseca, o Marco [silva], o Nuno [Espírito Santo], o Rui Vitória que são bons. Olho e vejo que são treinadores que vão elevar bem alto o nome do nosso país. Os nossos ídolos são os que ganham mais vezes. Em crianças somos do clube que ganha mais vezes, por exemplo. Funcionamos todos assim. É inerente ao ser humano. Portanto há os ícones, Ronaldo e Mourinho, depois estes treinadores que falei, e não me posso esquecer do Pedro Martins, e depois os meus jogadores.

 

Em jeito de provocação: o João de Deus é o segundo melhor treinador de Setúbal?

 

Não. (Risos). Há uma coisa que vocês se calhar não têm presente: Setúbal é uma terra de muitos treinadores. É verdade que tem o melhor do mundo, mas tem também grandes treinadores no presente e teve no passado. Dizer isso é quase leviano. Existe um longo caminho que tenho de percorrer para poder sequer ser comparado a um Carlos Cardoso e por aí fora.

 

Acha que em Portugal os clubes ainda andam à procura do novo Mourinho, como parecia ser moda há uns anos?

Dificilmente no próximo milénio vai aparecer um treinador como Mourinho. É um indivíduo que nasceu com a felicidade de congregar em si todas as competências que vínhamos falando. Digo no próximo milénio e acho que já estou a ser generoso. Mas é evidente que há com certeza treinadores que vão ser bons. Alguém tem alguma dúvida que o Marco [silva] vai ser um treinador de excelência? Ou se olharmos para o Rui Vitória, qual é a dúvida? Ou para o Nuno [Espírito Santo]? Ou para o Pedro [Martins]? São jovens, ganham, as equipas jogam bem. É uma questão de tempo para terem reconhecimento.

 

A nível de discurso nota-se que, quando os resultados não são positivos, o João de Deus destaca sempre o que a equipa pode aprender com a situação. É um otimista por natureza?

 

Sempre otimista, sempre a ver as coisas pelo lado positivo. Perdemos no Benfica e tirando o jogo do Olhanense, em que nos deixámos empatar no último minuto, qual foi a outra vez em que chegamos perto do fim a ganhar e não ganhámos? Ganhámos sempre. Isso foi aprendizagem. Se tivéssemos ganho o jogo ao Benfica, muito provavelmente já tínhamos tido alguns momentos depois em que não ganhávamos

 

Como perspetiva o resto do campeonato, nomeadamente na luta pelo título?

 

O Benfica e o F.C. Porto são fortíssimos. São equipas com argumentos diferentes dos demais. O Sporting tem crescido muito este ano, já é uma equipa que mete respeito. Ainda não tinha referido o Leonardo Jardim, mas quem sobe uma equipa da II Divisão B para a II Liga, depois daí para a I Liga e depois na I Liga faz um grande trabalho e agora faz o trabalho que está a fazer, tem de ser um treinador de altíssimo nível. Não sei é se é suficiente para esgrimir argumentos com Benfica e F.C. Porto. Depois Estoril, Sp. Braga, Nacional, V. Guimarães e Rio Ave lutam pela Liga Europa. Todas as outras lutam para não descer e vai ser até à última jornada.

 

@ Maisfutebol

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Benfica

Nacional

Gil Vicente

Leixões

 

Grupo da Taça da Liga.

 

Datas

 

29/12 ou 30/12 - GIL VICENTE - Leixões

 

15/01 ou 16/01 - Nacional - GIL VICENTE

 

25/01 ou 26/01 - Benfica - GIL VICENTE

 

Muito complicado.

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João de Deus: «Não nos é favorável pois nunca vencemos na Madeira. São doze derrotas e quatro empates, por isso prevejo um jogo muito complicado. O Marítimo ocupa uma posição na classificação que não é condizente com o seu real valor. Apenas pensamos nos 17 pontos que temos e não nos interessa quem está atrás ou à frente.»

 

Adriano; Gabriel; Halisson; Danielson; Luís Martins; Luan; Peixoto; Vilela; Vitor Gonçalves; Diogo Viana; Paulinho

 

Deve ser isto.

 

Desde que estamos na primeira divisão, nunca vencemos no estádio do Marítimo e duvido que seja hoje. Eles precisam urgentemente de pontos e não acho que facilitem. Dá empate ou derrota. Mas espero chegar aqui e dizer que estava redondamente enganado, mas é um campo extremamente complicado e é normalíssimo pensar desta forma. Veremos o que a partida de amanhã nos reserva.

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Guest trz

Tinhas razão :mrgreen:

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Não era assim tão difícil de adivinhar. ;)

 

Jogos como este ainda vão acontecer mais algumas vezes esta temporada.

Editado por Frank Lampard

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Citação do jornal "A Bola" online

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Diogo Viana renovou até 2016

O médio Diogo Viana, um dos jogadores em destaque no Gil Vicente, acertou a renovação contratual com os gilistas.

O jogador, que estava ligado ao clube até 2015, renovou contrato por mais uma temporada, até 2016. Para o dobro passou a cláusula de rescisão, cifrando-se agora nos cinco milhões de euros.

As negociações já decorriam há algum tempo, com a Direção do clube a pretender blindar o jogador e afastar atenções de eventuais clubes interessados no jogador. Recorde-se que Everton e Swansea já foram associados ao médio português.

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:lol:

 

 

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Citação do jornal "A Bola" online

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Fiusa assegura contratações

 

Sem querer retirar confiança a Paulinho, avançado que tem ficado encarregue de colmatar a ausência de Bruno Moraes, que foi operado a uma rotura ligamentar e não volta a jogar até final da época, é certo que o Gil Vicente vai contratar um substituto do experiente brasileiro em janeiro.

 

António Fiusa afirmou que vai efetuar «alguns pequenos acertos no plantel» na reabertura do mercado, mas também salientou que as recuperações de lesões serão cruciais, nomeadamente os casos de Pedró, que está a treinar-se de forma condicionada e de Keita, ainda parado, a recuperar de uma intervenção cirúrgica.

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Tenho um jogador meu que ainda o apanhou no Gil como presidente, diz que é uma peça :lol: Basicamente ninguém o leva a sério, pelo que percebo.

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Li no O Jogo hoje que o Everton tem 5M para dar pelo Viana. Isso tem fundo de verdade? :o

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o toquezinho dele todo abichanado :lol:

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Li no O Jogo hoje que o Everton tem 5M para dar pelo Viana. Isso tem fundo de verdade? :o

Já li algures uma notícia semelhante mas em que o clube interessado era o Swansea. Parece-me falso.

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Citação do jornal "A Bola" online

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Avto é a outra jóia com cláusula de cinco milhões de euros

Avto foi o último reforço a chegar a Barcelos, talvez o mais difícil de contratar por estar vinculado à Oliveirense. Mas o extremo-esquerdo georgiano, que havia trabalhado com João de Deus em Oliveira de Azeméis na temporada anterior, impôs-se no galo com relativa facilidade.

O avançado é titular indiscutível no ataque e, ontem, o treinador, questionado sobre o retorno do atleta às opções após ter cumprido um jogo de castigo, respondeu de forma taxativa: - Avto está à minha disposição para o jogo com o Belenenses e voltará a ser titular, obviamente. Recentemente Diogo Viana, uma das estrelas do Gil Vicente, protagonizou renovação de contrato que deu nas vistas ao duplicar a cláusula de rescisão, que subiu aos cinco milhões de euros.

No entanto, há outro senhor que goza de igual blindagem no plantel gilista: Avto está vinculado por quatro épocas e tem, também, cláusula de rescisão de cinco milhões de euros.

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Em declarações no Future Football Congress, na Maia, João de Deus teve especial cuidado em diminuir expetativas em relação ao lugar que o Gil Vicente vai conseguir à 30.ª jornada, apesar de ser quarto classificado neste momento.

 

Europa? João de Deus assumiu: «O Gil Vicente não tem capacidade para ir à Europa. Não tem plantel, não tem orçamento, não tem infra-estruturas para conseguir um lugar europeu

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Só tive oportunidade de ler agora a entrevista do João de Deus. Se ele for fiel ao que disse, é, e será, um excelente treinador. Um discurso interessantíssimo.

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