Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Pan

Estórias da História

Publicações recomendadas

Há uns tempos falou-se do mito das cores da bandeira nacional e na altura referi que faria uns posts sobre outros mitos quando tivesse tempo. Pois bem, há muitos mitos na nossa historiografia: uns escandalosos, ao ponto de inventarem situações/acontecimentos; outros menores, fruto de má interpretação das fontes ou que por falta delas acabou por levar ao que poderemos designar por "encher buracos"; e alguns que por qualquer motivo passaram por tradição oral e chegaram aos dias de hoje, sendo assumidos como verdadeiros quando não o são. A minha ideia é abordarmos alguns de forma que haja pelo menos um de cada categoria.

 

Como disse, são muitos os mitos. Alguns são "inofensivos" e não dão um post - como por exemplo a alimentação; sendo a batata autóctone do continente americano, torna-se óbvio que antes das viagens dos Descobrimentos esta não fazia parte da dieta europeia, ao contrário do que por vezes se vê em filmes e séries - porém alguns são uma dor de cabeça porque desvirtuam por completo o nosso passado e têm origem na ideia (errada) que a História serve para legitimar nacionalidades, nacionalismos e outras parangonhas. E muitas deles continuam a ser ensinados nas escolas, infelizmente.

 

Acho que podemos começar pelas nossas origens. Em qualquer meio de comunicação que faça algum trabalho ou reportagem sobre a selecção nacional de futebol, por exemplo, é frequente depararmos com expressões do género "os jogadores lusos" ou "os lusitanos". Todos sabemos, por certo, que estas adjectivações têm por base os Lusitanos, conjunto de povos que terá habitado a Lusitânia, território que se crê ter ficado compreendido entre os rios Douro e Tejo, entrando ainda pelo que são hoje as regiões espanholas de Castela e Leão e Estremadura. Viviam em castros (povoações no topo de colinas), geralmente muralhadas e de difícil acesso, desenvolveram a pastorícia e a agricultura, e adoravam deuses ligados à Terra e à fecundidade. Ficaram famosos pela tenaz resistência à invasão romana, tendo Viriato ficado como um dos grandes chefes militares da História.

 

Claro que a existência dos Lusitanos em si não é um mito; está bastante bem documentada, tanto em fontes arqueológicas como escritas, ironicamente pelos seus próprios invasores, e mesmo tendo em conta a forma como os romanos conseguiam tomar mitos e lendas por certas ou moldar algumas estórias de forma a cumprir determinados objectivos políticos, não há qualquer razão para duvidar da sua existência.

 

Já da nossa ascendência... sim, e bastante. Depois de derrotados os Lusitanos, os romanos iniciaram uma campanha de "romanização" das suas províncias exteriores à Itália. A Hispânia não foi excepção. Durante os séculos de ocupação romana houve fenómenos de aculturação, migrações de diferentes povos, invasões de tribos bárbaras do centro-norte europeu; já depois da queda do Império Romano do Ocidente, fixaram-se por cá Suevos e Visigodos; mais tarde surgiram as invasões muçulmanas e posterior Reconquista Cristã, responsáveis pela chegada à Península Ibérica de vários vagas de norte-africanos e europeus além-Pirinéus; juntemos-lhe umas pitadas de invasões normandas; passagem (algumas amigáveis, outras nem tanto) de cruzados, ingleses, franceses; fixação de africanos, asiáticos e americanos trazidos (à força ou não) pelos próprios portugueses; e outras que ou tiveram pouco impacto ou não vale a pena referi-las, e temos aqui um bom caldo genético.

 

Afinal quanto há em nós dos Lusitanos? Ao longo de dois mil anos os nativos que os romanos encontraram na região onde hoje temos o nosso país praticamente desapareceram. Ainda antes da saída de cena dos romanos, já a cultura e os costumes lusitanos haviam sido dizimados - os seus deuses praticamente deixaram de ser adorados, a sua língua desaparecera. Depois da influência de Roma passaram incontáveis povos e culturas, línguas e religiões, pelo nosso território. Nós não somos "Lusitanos", nem sequer somos seus descendentes; somos, porém, seus herdeiros, mas isso somos também de todos os outros que por cá passaram.

 

Para encontrar a origem desta colagem temos de recuar até ao século XIX. Com o surgimento dos Nacionalismos, os vários Estados-Nação europeus tentaram criar uma identidade nacional, racial e étnica, que os justificasse e legitimasse (e que tanto contribuíram para as barbáries durante a primeira metade do século XX). Foi um fenómeno que atravessou a Europa: os franceses encontraram as suas origens entre as tribos francas que ocuparam a actual França; os alemães em figuras como Armínio e nas tribos germânicas; os italianos... nem é preciso dizer no quê; e nós, bem, nós temos a figura do intrépido Viriato e os valentes Lusitanos. E se nos lembrarmos do Estado Novo e da sua tendência para reescrever a História de Portugal e firmar mitos com objectivos políticos, e temos então Portugal e os Portugueses como descendentes de Viriato e dos Lusitanos.

 

Este nem é dos piores mitos, não se tratando de algo que seja ensinado nas escolas (penso eu) e também porque (imagino) a maioria dos portugueses não ache que somos mesmo descendentes directos dos Lusitanos, porém é uma associação recorrente e não deixa de ser um erro comum.

 

PS: Só por curiosidade, não há qualquer fonte que nos diga ser Viseu o local de origem de Viriato, ou sequer que tenha habitado na Serra da Estrela. Tudo o que sabemos deste homem foi escrito por autores romanos através do "diz que disse". Mas isso são outros quinhentos.

Compartilhar este post


Link para o post

Com esta história toda do Eusébio, deparei com o nome de Sidónio Pais no Panteão. Mas o gajo não foi um ditadorzeco que foi deposto?

Compartilhar este post


Link para o post

Foi um presidente da republica a quem Pessoa chamou de Presidente-Rei. Exerceu o poder de forma ditatorial, sim.

Compartilhar este post


Link para o post

Puro, achas que o Fernão mente?

 

Mentia e não era pouco :mrgreen:

 

Com esta história toda do Eusébio, deparei com o nome de Sidónio Pais no Panteão. Mas o gajo não foi um ditadorzeco que foi deposto?

 

Em teoria sim, ele foi uma espécie de ditador que tomou o poder após uma revolução, contrariou a Constituição que ironicamente ajudara a elaborar e alterou-a em proveito próprio. Acabou por ser assassinado. A questão, e não o quero estar a defender ou criticar, é se ele foi um ditador no sentido que geralmente se atribui ao termo. É que no fundo foi ele quem tornou a escolha do Presidente da República responsabilidade dos cidadãos através de sufrágio popular (algo que ainda não era feito e ele próprio foi eleito depois desta inovação), concentrando nessa figura os poderes do Estado (fazendo do PR uma espécie de rei absoluto, mesmo que eleito pelo povo). Ou seja, ele dava o poder supremo ao Presidente da República, mas também o tornava escolha directa do povo.

 

O ponto essencial aqui é o contexto da política nacional neste período. A Primeira República foi um desastre político ambulante, entre 1910 e 1926 teve oito Presidentes da República diferentes e alguns quarenta Governos! Esta alteração acabava, ou procurava acabar, com a intriga que fazia os Governos cairem, literalmente, dias depois de tomarem posse.

Compartilhar este post


Link para o post

A Primeira República foi desastrosa. Vi um documentário sobre isso e joguei as mãos à cabeça com a quantidade de Governos que existiram, e que, às vezes, nem uma semana (ou um mês) duravam.

Compartilhar este post


Link para o post

O Sidónio Pais nasceu em Caminha, já muitas e boas vezes urinei nas ruínas da casa onde nasceu. Agora fecharam aquilo e vão fazer uma espécie de casa-museu, julgo.

Editado por Perdigas

Compartilhar este post


Link para o post

A Primeira República foi desastrosa. Vi um documentário sobre isso e joguei as mãos à cabeça com a quantidade de Governos que existiram, e que, às vezes, nem uma semana (ou um mês) duravam.

 

Dois deles nem chegaram a tomar posse porque foram derrubados antes disso :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Continuando na história dos mitos nacionais.

 

Mitos fundacionais

 

a) Ourique

 

Isto é um assunto polémico, como o são todos os mitos fundacionais de qualquer nação. Uma das primeiras preocupações de qualquer nação/reino/regime/instituição é o de criar uma história ou justificação que a legitime, muitas vezes recorrendo-se a lendas, mitologias ou simplesmente manipulando a real história de determinados acontecimentos. Portugal não foi excepção. No outro post sobre os Lusitanos referi que no século XIX diversos Estados-Nação o fizeram recorrendo à herança cultural de povos que outrora habitaram os seus territórios (a França com os francos, a Itália com os romanos, a Alemanha com as tribos germânicas...) com o objectivo último de criar uma identidade nacional e promover o nacionalismo; isto também foi verdade na hora de legitimar e impor um novo regime, tanto aos olhos do povo como dos reinos vizinhos.

 

Portugal surge pela primeira vez na História no século IX. Longe de ser um reino independente, era um condado sem qualquer história ou tradição. Até onde a memória ia, o território havia sido habitado por bárbaros, romanos, mais bárbaros e finalmente árabes. Não havia qualquer esboço de algo que tivesse sido um estado nesta região nos últimos mil anos.

 

Com o avanço da Reconquista Cristã, o território da Península Ibérica foi sendo recuperado aos mouros, porém esta era uma guerra longe e difícil, com avanços e recuos, conquistas e derrotas. Coimbra, por exemplo, foi conquistada pelos mouros em 711 e recuperada pelos cristãos, apenas para ser perdida novamente em 987; apenas em 1064 se deu a reconquista definitiva da cidade, e mesmo assim foi a fronteira sul da Cristandade ibérica durante quase cem anos. Eventualmente, o Condado Portucalense voltou a ser integrado no Condado da Galiza.

 

O campo de batalha era gigantesco, do Atlântico ao Mediterrâneo, e tornava-se impraticável enfrentar os mouros com uma frente única cristã. Dessa forma, o Condade Portucalense voltou a surgir em finais do século XI, tendo sido atribuído por Afonso VI de Leão e Castela ao conde D. Henrique. Todos conhecem, presumo, a história do conde D. Henrique e do Condado Portucalense sob o seu domínio, a sucessão de D. Teresa e a luta do filho que resultou na independência de Portugal, pelo que vou passar à frente e ir agora direito ao ponto: qual a justificação para a existência de Portugal?

 

Para a questão popular, surgiu uma justificação simples: a Divina Providência. Quando D. Afonso Henriques e os bravos portugueses foram enfrentar um poderoso exército de cinco reis muçulmanos, surgiu-lhes Jesus Cristo a anunciar a sua vitória e o nascimento de um novo reino protegido por Deus e com um importante desígnio a cumprir. A Batalha de Ourique ainda hoje é ensinada e tomada por facto, quando na verdade esta é muito discutível. A sua existência nem é contestada, mas a dimensão da mesma poderá ter sido enormemente hiperbolizada, sendo o mais provável que se tenha tratado de uma escaramuça na sequência de um raid de cavalaria em território inimigo para pilhar e saquear as população locais. Tendo encontrado alguma resistência, provavelmente em maior número, tiveram de se bater com os muçulmanos e conseguiram uma vitória inesperada.

 

Seja como for, a partir dos séculos XIV e XV a batalha e o milagre surgem como provas da legitimidade do reino de Portugal, sancionadas por Deus e portanto incontestável. Convém também relembrar que o reino de Portugal viveu momentos muito complicados nos séculos referidos, entre crises sociais, guerras e mudanças de dinastia, pelo que era fulcral encontrar algo que justificasse não só o reino, como os monarcas.

 

Este não é tanto um mito daqueles que nos ensinam, mas antes um mito fundacional. Não deixa de ser mito :mrgreen:

 

b) Fundação de Portugal

 

Este sim já entra no campo dos mitos da História. A versão "oficial" é a de D. Afonso Henriques ter derrotado a mãe, D. Teresa, em S. Mamede, proclamando-se rei daí em diante até que em 1143 se assinou o Tratado de Zamora que tornou Portugal independente. Mais recentemente surgiu a teoria da Primeira Tarde Portuguesa, que atribui a independência prática de Portugal à data da batalha de S. Mamede.

 

Eu designo-as mitos porque isto é basicamente um exercício de revisionismo histórico. Não é possível determinar uma data específica para a fundação de Portugal. A mais aceitável, chamemos-lhe assim, seria 1143 com o reconhecimento do reino de Portugal por Afonso VII - porém Afonso VII era à data Imperador da Hispânia, pelo que o reconhecimento de D. Afonso Henriques como rei não significava que o mesmo fosse independente, mas antes um rei vassalo do imperador de todos os reinos cristãos da Península Ibérica, ou seja, reconhecia a autonomia e não a independência de Portugal. Também poderemos adoptar 1179 como a data da nossa independência, com a emissão da bula Manifestis Probatum onde o Vaticano, principal referência internacional para a arbitragem de conflitos, reconhecia o reino de Portugal. Não podemos é ignorar que nessa altura já Portugal era na prática um reino independente, não devendo vassalagem a ninguém uma vez que o imperador Afonso VII morrera entretanto.

 

Na prática, o que isto significa é que a necessidade de encontrar uma ruptura, um ponto específico no tempo onde Portugal surge, é um combate perdido à partida. A ideia de Portugal não surgiu num ponto específico, não houve um momento no qual alguém se tenha lembrado em criar um novo reino; foi uma ideia, um ideal nascido ao longo do tempo, à medida que os acontecimentos se revelaram. Foi a conclusão lógica de um processo que começou com a morte do conde D. Henrique, passou pela insatisfação para com as políticas de D. Teresa e sua aproximação aos condes galegos, as intrigas dos infanções (a nobreza da região do Douro e do Minho) para trocar D. Teresa por seu filho D. Afonso Henriques, e finalmente com a batalha pela legitimação do próprio D. Afonso Henriques como conde que levou ao conflito com seu primo Afonso VII e mais tarde a autoproclamar-se rei dos portugueses. Nenhuma data específica marca o momento em que isto aconteceu; simplesmente aconteceu.

 

Para concluir, só uma nota: D. Afonso Henriques não bateu na mãe, obviamente, nem a prendeu até à morte como é habitual dizer-se. Após a batalha de S. Mamede há provas documentais da presença de D. Teresa na Galiza, incluindo assinaturas da própria. Depois do conflito que os opôs, D. Afonso Henriques votou a mãe ao exílio, ou então esta refugiou-se na Galiza. Seja como for, não houve nenhum badalado caso de violência entre mãe e filho; apenas duas facções que se opuseram e calhou serem lideradas por eles, resultando na vitória de um sobre o outro. Desengane-se quem queira justificar o desvario nacional com a violência doméstica de D. Afonso Henriques, se somos desvairados da cabeça é mesmo por culpa própria :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

que por falta delas acabou por levar ao que poderemos designar por "encher buracos"

 

A título de curiosidade, a isso chama-se confabulação.

Compartilhar este post


Link para o post

manuscrito_SAPO.jpg

 

Foi recentemente descoberta esta gravura a ilustrar um manuscrito português do século XVI, ao que tudo indica. O interessante da gravura é que retrata o que aparenta ser um canguru, num período anterior ao da descoberta do continente por holandeses ou ingleses, suportando a tese (que para mim é mais do que óbvia) de os portugueses terem sido os primeiros europeus a desembarcarem no continente australiano.

Compartilhar este post


Link para o post

Porque o tamanho importa :mrgreen:

 

Portugal era um pequeno reino com pouca mão-de-obra. Não havia recursos naturais nem humanos para sustentar uma exploração intensiva dos territórios descobertos, razão pela qual optámos pelo controlo das rotas comerciais e de pontos específicos de grande interesse económico, ao invés da ocupação efectiva dos territórios.

 

O mais provável é que os primeiros marinheiros a lá chegar tenham achado aquilo um enorme pedaço de nada. Para começar era longe de tudo, obrigaria a um enorme investimento para manter rotas regulares entre a Austrália e Portugal; o investimento em si até poderia ter sido feito se houvesse expectativas de obter retorno, porém o que encontraram foi um território vastíssimo mas desolado, quente, sem sinais de recursos minerais e/ou naturais. O clima também não seria nada propício e não se conhecia absolutamente nada do território, não se sabia se haveria nativos, se estes seriam perigosos, como obter fontes de abastecimento de água, que espécies de cereais conseguiriam subsistir naquele solo. Seria necessário investir recursos materiais e humanos na exploração do território, no estudo da geografia, do clima, das bacias hidrográficas. Era um risco demasiado elevado e potencialmente desastroso.

 

E depois havia outras questões: Portugal na época já tinha a costa brasileira para explorar, e essa sim mostrava alguns sinais de vir a dar retorno; os pontos onde se fixaram mercadores nacionais em África revelaram-se bons investimentos; o comércio na Índia permitia obter lucros astronómicos, mesmo com as frequentes perdas de mercadorias devido a naufrágios e pirataria na longínqua rota do Cabo; e pouco acima da Austrália estavam as Ilhas Molucas, onde facilmente se obtia especiarias para venda por valores absurdos nos mercados europeus. Em comparação com tudo isto, a Austrália não tinha qualquer interesse e os parcos recursos humanos seriam melhor empregues noutros lados.

Compartilhar este post


Link para o post

 

:handclap: :handclap:

 

Não sabia esse fato acerca da batalha de Ourique.

 

Há uns meses atrás li um livro sobre a vida do D.Afonso Henriques que mete lá cada história que não lembra a nínguém. O livro em causa é O Reino de José Manuel Marques. É um romance histórico, logo maior parte das coisas devem de ser mentira.

Compartilhar este post


Link para o post

É normal que sejam, são romances baseados em acontecimentos verídicos mas não têm qualquer compromisso com a realidade histórica. Nem têm de ter. Nesse livro ele é mesmo filho do conde D. Henrique ou foi trocado pelo filho do Egas Moniz à nascença? :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Porque o tamanho importa :mrgreen:

 

Portugal era um pequeno reino com pouca mão-de-obra. Não havia recursos naturais nem humanos para sustentar uma exploração intensiva dos territórios descobertos, razão pela qual optámos pelo controlo das rotas comerciais e de pontos específicos de grande interesse económico, ao invés da ocupação efectiva dos territórios.

 

O mais provável é que os primeiros marinheiros a lá chegar tenham achado aquilo um enorme pedaço de nada. Para começar era longe de tudo, obrigaria a um enorme investimento para manter rotas regulares entre a Austrália e Portugal; o investimento em si até poderia ter sido feito se houvesse expectativas de obter retorno, porém o que encontraram foi um território vastíssimo mas desolado, quente, sem sinais de recursos minerais e/ou naturais. O clima também não seria nada propício e não se conhecia absolutamente nada do território, não se sabia se haveria nativos, se estes seriam perigosos, como obter fontes de abastecimento de água, que espécies de cereais conseguiriam subsistir naquele solo. Seria necessário investir recursos materiais e humanos na exploração do território, no estudo da geografia, do clima, das bacias hidrográficas. Era um risco demasiado elevado e potencialmente desastroso.

 

E depois havia outras questões: Portugal na época já tinha a costa brasileira para explorar, e essa sim mostrava alguns sinais de vir a dar retorno; os pontos onde se fixaram mercadores nacionais em África revelaram-se bons investimentos; o comércio na Índia permitia obter lucros astronómicos, mesmo com as frequentes perdas de mercadorias devido a naufrágios e pirataria na longínqua rota do Cabo; e pouco acima da Austrália estavam as Ilhas Molucas, onde facilmente se obtia especiarias para venda por valores absurdos nos mercados europeus. Em comparação com tudo isto, a Austrália não tinha qualquer interesse e os parcos recursos humanos seriam melhor empregues noutros lados.

 

Obrigado ;)

 

Os primeiros a lá chegarem devem ter achado mesmo que aquilo era uma ilha só de rochedos porque nem se deram ao trabalhar de "declarar" que encontraram aquilo. Mas também se pensarmos que os navegadores faziam comércio na Indonésia, muito provavelmente foram eles a dizerem que havia uma ilha gigante em baixo.

Compartilhar este post


Link para o post

É normal que sejam, são romances baseados em acontecimentos verídicos mas não têm qualquer compromisso com a realidade histórica. Nem têm de ter. Nesse livro ele é mesmo filho do conde D. Henrique ou foi trocado pelo filho do Egas Moniz à nascença? :mrgreen:

 

Eu acho que é do D.Henrique.

Compartilhar este post


Link para o post

Porque é que na antiga versão do hino nacional, "A Portuguesa", se faz referência aos ingleses como "bretões"?

Porque não "britânicos", ou mesmo "ingleses"?

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bret%C3%B5es

"Os bretões (Breizhiz, Bretoned) são os integrantes de um grupo étnico que habita a região da Bretanha, na França. Sua origem vem dos grupos de falantes do britônico que colonizaram a área, vindos do sudoeste da Grã-Bretanha em duas ondas migratórias ocorridas do século IV ao VI. "

Compartilhar este post


Link para o post

Contra os Bretões

Marchar Marchar

 

Acho que ficava melhor assim. Então contra a Inglaterra no Euro 2004 era um mimo :mrgreen:

 

 

Edit: É provavel que tenha essa referencia aos Ingleses por causa do Ultimato Ingles

Editado por Hawkeye

Compartilhar este post


Link para o post

Contra os Bretões

Marchar Marchar

 

Acho que ficava melhor assim. Então contra a Inglaterra no Euro 2004 era um mimo :mrgreen:

 

 

Edit: É provavel que tenha essa referencia aos Ingleses por causa do Ultimato Ingles

Exacto, o Ultimato foi humilhante e originou revolta popular.

Mas porquê "bretões"!?

Compartilhar este post


Link para o post

Por sermos os Lusitanos talvez

 

Mas o Puro é que poderá dizer isso :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

×
×
  • Criar Novo...