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Estórias da História

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The Bretons are an ethnic group located in the region of Brittany in France. They trace much of their heritage to groups of Brittonic speakers who emigrated from southwestern Great Britain, including Cornwall, in waves from the 3rd to 9th century (most heavily from 450 to 600) into the Armorican peninsula, which was subsequently named Brittany after them.[5]

 

http://en.wikipedia.org/wiki/Breton_people3

 

http://en.wikipedia.org/wiki/A_Portuguesa#Mirandese_Translation

http://en.wikipedia.org/wiki/Britonia

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Não sei se houve algum motivo especial, talvez fosse para evitar colocar um verso onde se incitava explicitamente à luta contra um aliado, deixando um sentido meio dúbio uma vez que os bretões tanto poderão ser os ingleses, como os antigos povos bretões, como os habitantes da Bretanha francesa... ou então por soar mais culto. Não sei :mrgreen:

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Pois, dá que pensar. Acho que foi a pior fase da velha aliança, mas a coisa lá resistiu.

Estava-me a fazer alta confusão :lol:

 

E já agora, muito se diz, e possivelmente com toda a razão, que a Inglaterra fartou-se de nos roubar e explorar com a dita aliança Luso-Britânica.

Mas, assim de cabeça, se eles não tivessem interferido a nossa favor na Batalha de Aljubarrota, e nas invasões Napoleónicas, possivelmente nem havia Portugal.

Ou é exagero? É que claro que ajudaram com interesse (directo, em nos gamar, e indirecto ao prejudicar as outras grandes forças inimigas), mas não terá sido uma ajuda crucial?

Ou será impossível de determinar?

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Pois, dá que pensar. Acho que foi a pior fase da velha aliança, mas a coisa lá resistiu.

Estava-me a fazer alta confusão :lol:

 

E já agora, muito se diz, e possivelmente com toda a razão, que a Inglaterra fartou-se de nos roubar e explorar com a dita aliança Luso-Britânica.

Mas, assim de cabeça, se eles não tivessem interferido a nossa favor na Batalha de Aljubarrota, e nas invasões Napoleónicas, possivelmente nem havia Portugal.

Ou é exagero? É que claro que ajudaram com interesse (directo, em nos gamar, e indirecto ao prejudicar as outras grandes forças inimigas), mas não terá sido uma ajuda crucial?

Ou será impossível de determinar?

 

Nós é que fomos os maiores burros de sempre no Tratado de Methuen.

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Nós é que fomos os maiores burros de sempre no Tratado de Methuen.

 

Roubadinhos à força toda como dizia o outro

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Roubadinhos à força toda como dizia o outro

 

Porque deixámos. Trocar vinho por panos, epá.

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Mas é possível dizer se a ajuda inglesa naquelas 2 grandes batalhas (que me lembre, foram as 2 mais vistosas em que eles nos ajudaram) foi determinante?

 

Quantos aos roubos, ya, pretty much. Dá a entender que o português sempre foi mau gestor, mesmo do pior que pode haver.

Aliás, lembro-me de uma das professoras de história usar uma das expressões que mais usava, que era algo do tipo: "Os ingleses ajudaram-nos, mas não foi pelos nossos lindos olhos" - Usava esta dos "lindos olhos" em tudo o que era matéria. Cenas que ficam :mrgreen:

 

É exagerado dizer-se que, se não fossem os ingleses a ajudar, teríamos perdido aquelas batalhas cruciais?

Ou nem fizeram nada de mais e, dado o que nos roubaram, não temos nada que lhes "agradecer"?

 

Tou chei de parguntas!

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Mas é possível dizer se a ajuda inglesa naquelas 2 grandes batalhas (que me lembre, foram as 2 mais vistosas em que eles nos ajudaram) foi determinante?

 

Quantos aos roubos, ya, pretty much. Dá a entender que o português sempre foi mau gestor, mesmo do pior que pode haver.

Aliás, lembro-me de uma das professoras de história usar uma das expressões que mais usava, que era algo do tipo: "Os ingleses ajudaram-nos, mas não foi pelos nossos lindos olhos" - Usava esta dos "lindos olhos" em tudo o que era matéria. Cenas que ficam :mrgreen:

 

É exagerado dizer-se que, se não fossem os ingleses a ajudar, teríamos perdido aquelas batalhas cruciais?

Ou nem fizeram nada de mais e, dado o que nos roubaram, não temos nada que lhes "agradecer"?

 

Tou chei de parguntas!

 

Opá, eu acho (Puro, corrige-me se estiver enganado) que eles foram essenciais nas lutas contras a invasões francesas (talvez com outras pretensões mais do que ajudar), especialmente na primeira.

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Pois, dá que pensar. Acho que foi a pior fase da velha aliança, mas a coisa lá resistiu.

Estava-me a fazer alta confusão :lol:

 

E já agora, muito se diz, e possivelmente com toda a razão, que a Inglaterra fartou-se de nos roubar e explorar com a dita aliança Luso-Britânica.

Mas, assim de cabeça, se eles não tivessem interferido a nossa favor na Batalha de Aljubarrota, e nas invasões Napoleónicas, possivelmente nem havia Portugal.

Ou é exagero? É que claro que ajudaram com interesse (directo, em nos gamar, e indirecto ao prejudicar as outras grandes forças inimigas), mas não terá sido uma ajuda crucial?

Ou será impossível de determinar?

 

uma ajuda que beneficia a Inglaterra. Eles mais que uma vez se opuseram aos Espanhóis e aos Franceses. Portugal era aliado no papel, mas no fim de contas era subserviente na prática.

Editado por Victarion

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Os ingleses foram essenciais por uma razão bastante simples: porque escolhemos eles.

 

Nós não tínhamos condições para ser neutrais, apesar de na altura Portugal ter feito um bom contorcionismo ao tentar fazer a paz com a França mas ao mesmo tempo não prejudicar a Inglaterra, algo que à partida era impossível. E mais impossível ficou com o rompimento de relações entre a Espanha e a Inglaterra e a aproximação dos espanhóis à França.

 

A certa altura, com as pressões do eixo franco-espanhol, as coisas ficaram claras:

 

1. Portugal aliava-se à França e tinha as colónias atacadas pelo Reino Unido.

 

2. Portugal mantinha a aliança com a Inglaterra, entrava em guerra com a França e era ocupada por Espanha (visto que os espanhóis já tinham tropas na fronteira há algum tempo).

 

Escolhemos a segunda e a França e Espanha entraram em Guerra connosco, com as tropas espanholas a invadirem Portugal. A partir desse episódio (Guerra das Laranjas) Portugal aliou-se à Inglaterra e ficou sempre sob fogo da França e da Espanha.

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basicamente, Portugal paga pela má conquista de territórios na altura do Condado Portucalense. Tivessem arranjado mais território e impedido Castela de ter crescido...a história seria outra em quem manda na Península Ibérica.

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Não tinhas massa humana para combater mais na Península.

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Não acho que tenhamos sido roubados, overall, na aliança com os britânicos. Aliás, bem pelo contrário, em minha opinião até saímos bastante beneficiados. Reparem, Portugal era um pequeno reino da periferia da Europa, vizinho de um reino poderoso (que no século XV ocupava quase toda a Península Ibérica e nos séculos XVI e XVII grande parte da Europa ocidental). Para resistir a esta ameaça a melhor solução passava por sermos demasiado relevantes no contexto internacional para que a nossa morte acontecesse. Isso foi possível com a aliança luso-britânica: a Grã-Bretanha tinha assim um porto seguro no quintal das traseiras de Espanha, e em contrapartida assegurava a nossa sobrevivência contra a vontade dos franceses e dos espanhóis.

 

Claro que sendo eles uma grande potência comercial, económica e marítima, e nós na maior parte do tempo uns bananas sem ter onde cair mortos, eram eles quem ditavam as regras. Ocasionalmente puxavam pelos galões e nós, como a parte mais fraca e mais necessitados dessa aliança, tivemos de ceder em muitas ocasiões. Methuen foi uma delas, a outra foi o mapa cor-de-rosa. E houve outras situações, menos relevantes no cômputo geral. Mas talvez tenham sido "pequenos" preços a pagar pela nossa existência até hoje.

 

Já agora, Portugal tentou ocupar mais espaço na Península Ibérica. O nosso Afonsinho chegou a invadir Badajoz, sendo que isso lhe dava logo posse de metade da Andaluzia, mas correu mal, partiu o joelho e foi capturado. Nunca mais foi o mesmo depois disso.

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"Mas talvez tenham sido "pequenos" preços a pagar pela nossa existência até hoje."

Basicamente queres dizer que, roubados ou não, sem a aliança com os britânicos, possivelmente nem havia Portugal.

 

Por acaso pus-me a pensar nisto (ando numa de séries "antigas"), e foi à conclusão que cheguei.

Eles usaram-nos, sim, mas sem o contributo deles podíamos ter morrido enquanto país...

 

Gostei da conversa, deu para mudar a minha perspectiva perante esta aliança, que ainda é a mais antiga em vigor.

Obrigado, maltinha x)

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Não acho que tenhamos sido roubados, overall, na aliança com os britânicos. Aliás, bem pelo contrário, em minha opinião até saímos bastante beneficiados. Reparem, Portugal era um pequeno reino da periferia da Europa, vizinho de um reino poderoso (que no século XV ocupava quase toda a Península Ibérica e nos séculos XVI e XVII grande parte da Europa ocidental). Para resistir a esta ameaça a melhor solução passava por sermos demasiado relevantes no contexto internacional para que a nossa morte acontecesse. Isso foi possível com a aliança luso-britânica: a Grã-Bretanha tinha assim um porto seguro no quintal das traseiras de Espanha, e em contrapartida assegurava a nossa sobrevivência contra a vontade dos franceses e dos espanhóis.

 

Claro que sendo eles uma grande potência comercial, económica e marítima, e nós na maior parte do tempo uns bananas sem ter onde cair mortos, eram eles quem ditavam as regras. Ocasionalmente puxavam pelos galões e nós, como a parte mais fraca e mais necessitados dessa aliança, tivemos de ceder em muitas ocasiões. Methuen foi uma delas, a outra foi o mapa cor-de-rosa. E houve outras situações, menos relevantes no cômputo geral. Mas talvez tenham sido "pequenos" preços a pagar pela nossa existência até hoje.

 

Já agora, Portugal tentou ocupar mais espaço na Península Ibérica. O nosso Afonsinho chegou a invadir Badajoz, sendo que isso lhe dava logo posse de metade da Andaluzia, mas correu mal, partiu o joelho e foi capturado. Nunca mais foi o mesmo depois disso.

 

É verdade que foram os espanhóis que os atacaram depois de eles tomarem a cidade?

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Porque o tamanho importa :mrgreen:

 

Portugal era um pequeno reino com pouca mão-de-obra. Não havia recursos naturais nem humanos para sustentar uma exploração intensiva dos territórios descobertos, razão pela qual optámos pelo controlo das rotas comerciais e de pontos específicos de grande interesse económico, ao invés da ocupação efectiva dos territórios.

 

O mais provável é que os primeiros marinheiros a lá chegar tenham achado aquilo um enorme pedaço de nada. Para começar era longe de tudo, obrigaria a um enorme investimento para manter rotas regulares entre a Austrália e Portugal; o investimento em si até poderia ter sido feito se houvesse expectativas de obter retorno, porém o que encontraram foi um território vastíssimo mas desolado, quente, sem sinais de recursos minerais e/ou naturais. O clima também não seria nada propício e não se conhecia absolutamente nada do território, não se sabia se haveria nativos, se estes seriam perigosos, como obter fontes de abastecimento de água, que espécies de cereais conseguiriam subsistir naquele solo. Seria necessário investir recursos materiais e humanos na exploração do território, no estudo da geografia, do clima, das bacias hidrográficas. Era um risco demasiado elevado e potencialmente desastroso.

 

E depois havia outras questões: Portugal na época já tinha a costa brasileira para explorar, e essa sim mostrava alguns sinais de vir a dar retorno; os pontos onde se fixaram mercadores nacionais em África revelaram-se bons investimentos; o comércio na Índia permitia obter lucros astronómicos, mesmo com as frequentes perdas de mercadorias devido a naufrágios e pirataria na longínqua rota do Cabo; e pouco acima da Austrália estavam as Ilhas Molucas, onde facilmente se obtia especiarias para venda por valores absurdos nos mercados europeus. Em comparação com tudo isto, a Austrália não tinha qualquer interesse e os parcos recursos humanos seriam melhor empregues noutros lados.

Tretas!! Tiveram foi medo dos cangurus :mrgreen:

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Mas é possível dizer se a ajuda inglesa naquelas 2 grandes batalhas (que me lembre, foram as 2 mais vistosas em que eles nos ajudaram) foi determinante?

 

Quantos aos roubos, ya, pretty much. Dá a entender que o português sempre foi mau gestor, mesmo do pior que pode haver.

Aliás, lembro-me de uma das professoras de história usar uma das expressões que mais usava, que era algo do tipo: "Os ingleses ajudaram-nos, mas não foi pelos nossos lindos olhos" - Usava esta dos "lindos olhos" em tudo o que era matéria. Cenas que ficam :mrgreen:

 

É exagerado dizer-se que, se não fossem os ingleses a ajudar, teríamos perdido aquelas batalhas cruciais?

Ou nem fizeram nada de mais e, dado o que nos roubaram, não temos nada que lhes "agradecer"?

 

Tou chei de parguntas!

Eu lembro-me de ler nos documentos do livro de História que os ingleses tinham bons arqueiros que nos enviaram - 600 se não me engano - mas que também tinham um barco à espera deles caso os frances passasem as linhas de Wellington(?).

Na minha opinião acho que fomos um bocado "roubados" pelos Ingleses e que eles não foram lá muito correctos em certas situações (Só de pensar no Ultimato Britânico até reviro os olhos xD), mas também quem éramos nós para andarmos sozinhos, desde que eles não inventem mais m*rda está tudo bem.

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É verdade que foram os espanhóis que os atacaram depois de eles tomarem a cidade?

 

Creio que sim, mas haviam dois exércitos: um muçulmano e um espanhol.

 

Havia um tratado (Tratado de Sahagun) entre Castela e Leão que dividia os territórios que ainda faltavam conquistar aos Muçulmanos entre eles. Creio que também havia outras cláusulas, como não prestar auxílio ao D. Afonso Henriques e até uma divisão dos territórios portugueses entre eles.

 

Essa região onde estava inserida Badajoz era de D. Fernando, Rei de Leão. Ao ver que D. Afonso Henriques estava prestes a atacar a cidade partiu para auxiliar os muçulmanos, mais numa ótica de defesa de um futuro território do que propriamente atacar um exército católico. Creio que até se aconselhou com clérigos, que disseram que não era contrário à religião católica um auxílio aos muçulmanos naquela situação.

 

O exército português foi surpreendido pelo duplo ataque (o de Leão e um exército muçulmano) e ficou desorganizado, retirando de forma desordenada. D. Afonso Henriques muito provavelmente ficou ali no meio da confusão e partiu a perna (acho que caiu do cavalo ao tentar passar uma porta).

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Aproveitando a base dos mitos e entrando na teoria da conspiração: apresento D. Sancho II, «o Capelo», quarto rei da primeira dinastia de Portugal. Ficou para a história como um rei inútil - rex inutilis - tendo sido excomungado e substituído por seu irmão D. Afonso (que viria a ser coroado como Afonso III).

 

D. Sancho II era uma criança quando chegou ao trono e herdou um reino devastado por várias situações. Para começar, Portugal acumulava vários anos da más colheitas agrícolas; a consequência lógica sendo o aumento de preços dos alimentos e fome. Em pleno curso da Reconquista (Sancho II chegou ao trono em 1223, escassos 38 anos após a morte de seu avô Afonso Henriques), a economia nacional ainda estava focada na guerra, as pilhagens como fonte de receitas e a atribuição de terras o melhor meio de conceder privilégios à nobreza. Porém, a Reconquista sofrera um abrandamento significativo após a morte de Afonso Henriques - já se dava voz a algum descontentamento entre a nobreza, as intrigas apareciam de todos os lados.

 

Este era o estado do reino. Podemos acrescentar um outro pormenor, importantíssimo mais para a frente, que foi a excomunhão de seu pai, D. Afonso II, e consequente anulação do casamento do qual nasceu. Já lá vamos.

 

Assumiu então Sancho II o trono, possivelmente sendo ainda menor e provavelmente sem qualquer cerimónia de investidura. Além de tudo o que já foi relatado, Sancho II herdou ainda várias querelas com clérigos e com a própria família - um cocktail jeitoso em que o rapaz se viu envolvido. Ainda assim, Sancho II resolveu meter mãos à obra e foi à guerra, literalmente. Sob a sua liderança, Portugal avançou pelo Alentejo e Algarve, tendo chegado tão longe quanto o Sotavento Algarvio, conquistando, por exemplo, Tavira.

 

Apesar dos sucessos militares, a intriga interna continuava. Sancho II não tinha a capacidade de gerir estes conflitos palacianos, era acima de tudo um rei-guerreiro. Nobreza e Clero conspiravam, levando as suas preocupações ao Vaticano, fazendo propaganda contra o rei, e finalmente é emitida a bula onde se decide a excomunhão de Sancho II, devido à sua incapacidade de governar e manter a paz interna, indicando-se também a questão de não ter sido investido e o casamento do qual nasceu não ser válido. Além disso, aproveitavam para lançar propaganda sobre o povo, acusando o rei de todos os males do reino e de estar a ser castigado por Deus, algo justificado por ainda não ter tido filhos, nem sequer bastardos. Seria impotente por castigo divino, dizia-se.

 

É aqui que entra Afonso, seu irmão, conde de Bolonha por ter casado com Dona Matilde, viúva de Filipe Hurupel, essa sim condessa de Bolonha. Não bastava destituir um rei, era necessário escolher quem o substituísse. Assim, o papa Inocêncio IV indicou D. Afonso como o sucessor ideal para governar e defender o reino. Uma série de emissários portugueses foram a Paris para ouvir o futuro rei garantir a devolução de todos os privilégios retirados por D. Sancho II a clérigos, nobres e cavaleiros e, agradados com o que ouviram, aclamaram-no rei.

 

Como Sancho II não saiu por sua livre vontade, criou-se então uma situação de guerra civil. Apesar de excomungado, Sancho II, apoiado por Castela, insistiu em vencer todas as batalhas que teve contra os homens do irmão Afonso, mantendo-se teimosamente no trono. Perante a impossibilidade de o vencer pelas armas, Afonso pediu ao papa que anulasse o casamento de Sancho II e Mécia Lopes de Haro, sob a base de estes serem primos e de tal não ser permitido pelas leis canónicas - algo que Inocêncio IV solicitamente fez, anulando o matrimónio.

 

Mais batalhas houve e Sancho II continuava imbatível. Finalmente, um golpe à melhor maneira da ficção virou o tabuleiro: Afonso III conseguiu infiltrar homens seus na corte portuguesa e estes raptaram a rainha. Sancho II perseguiu os raptores que se refugiaram no castelo de Ourém, mas o castelo nunca lhe abriu as portas e tornou-se hostil à presença do rei, tendo este de fugir. Excomungado, sem mulher e subitamente sem apoios, uma vez que Castela lhe retirou a aliança, Sancho II ainda venceu mais algumas batalhas até que eventualmente abandonou Portugal, humilhado e exausto, mesmo nunca tendo sido derrotado no terreno. Morreria no ano seguinte ao do exílio, diz-se que de depressão.

 

A historiografia real não perdeu tempo em demonizar D. Sancho II, acusando-o de tudo e mais alguma coisa que aconteceu em Portugal durante o seu reinado: crises, fomes, maus anos agrícolas, impotência, loucura... dá para perceber o objectivo. Inversamente, D. Afonso III foi um rei grandioso que trouxe a paz de volta e tudo harmonizou. Muitas destas manipulações chegaram aos dias de hoje, é comum dizer-se que Sancho II era impotente, louco e um mau administrador.

 

Seria? A verdade é que herdou um reino já refém das intrigas de nobres e cleros, insatisfeitos com a centralização de poderes que se procurava realizar; pela ausência de novas terras, benefícios e fontes de rendimento, motivadas em grande parte por não haver conquistas e, por conseguinte, novas terras para distribuir e lucros de saques e pilhagens. Aliás, a certa altura alguns nobres e até a própria Coroa pilharam terras de cristãos portugueses, aliados e vassalos, para conseguir alguns rendimentos em períodos mais aflitivos. Quando Sancho II pegou em armas e avançou a Reconquista, concedeu muitas terras e honrarias às Ordens Militares que o ajudaram nessas incursões, deixando de lado a nobreza mais tradicional e o próprio clero.

 

A excomunhão do rei foi bem cozinhada. Os relatórios enviados pelo clero nacional ao papado revelam a demonização de Sancho II, procurando claramente a sua excomunhão, levantando a questão de até que ponto esta ter sido forçada pelo clero nacional como oposição a um rei que não lhes era subserviente. A instabilidade social poderá ter sido também motivada por uma nobreza insatisfeita e intriguista, por motivos já indicados.

 

O mais curioso de toda esta história é a coincidência de todos estes acontecimentos. Já em Portugal, Afonso III procurava vencer o irmão (que era apoiado por Castela) mas era sempre derrotado. Pediu ao papa que anulasse o casamento por Sancho II e Mécia Lopes de Haro serem primos, e o papa fez-lhe a vontade. Castela retirou o apoio a Sancho II. A rainha foi raptada por homens de Afonso III e levada para o castelo de Ourém, que lhe pertencia, e no entanto o castelo deu abrigo aos raptores. Mécia Lopes de Haro viveu ainda muitos anos nas terras do seu cunhado... em Castela, os mesmos que retiraram o apoio a Sancho II e assinaram uma aliança com Afonso III. Não consta que alguma vez tenha feito algo pela memória do seu esposo.

 

Tenha sido vítima de intrigas e jogadas de bastidores ou não, Sancho II foi incapaz de lidar com os acontecimentos. A historiografia não lhe faz justiça ou, pelo menos, acusa-o de coisas das quais não terá sido culpado, porém a verdade é que sendo um óptimo rei-guerreiro, o último rei conquistador da primeira dinastia, era fraco na gestão de intrigas e jogos de bastidores. E isso custou-lhe tudo: o reino, a mulher, a honra.

 

PS: Só por curiosidade, Afonso III tornou-se rei e de imediato casou, ele que já era casado com D. Matilde. A sua nova esposa, D. Beatriz de Gusmão, tinha nove anos e era filha do rei Afonso X, o mesmo que retirou o apoio a Sancho II quando este era atacado por Afonso III, e que acolheu a rainha raptada de Portugal. E para concluir, tal como D. Sancho II e Mécia Lopes de Haro, D. Afonso III e D. Beatriz de Gusmão eram primos, se bem que agora isso já não seria problema para ninguém.

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há provas de que foi mesmo demonização fabricada?

e o que aconteceu ao outro casamento do Afonso III?

mas não foi Afonso III o último rei conquistador, já que tomou conta dos Algarves?

qual era a diferença de idades entre os irmãos? e entre o Afonso e a miúda, quando se casaram?

e porque é que houve tanta intriga e ruindade espalhada na corte antes do Sancho II ser decretado rei?

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há provas de que foi mesmo demonização fabricada?

e o que aconteceu ao outro casamento do Afonso III?

mas não foi Afonso III o último rei conquistador, já que tomou conta dos Algarves?

qual era a diferença de idades entre os irmãos? e entre o Afonso e a miúda, quando se casaram?

e porque é que houve tanta intriga e ruindade espalhada na corte antes do Sancho II ser decretado rei?

 

Ena :happy:

 

Por partes então.

 

há provas de que foi mesmo demonização fabricada?

e porque é que houve tanta intriga e ruindade espalhada na corte antes do Sancho II ser decretado rei?

 

Não sei se te referes aos relatórios, em falta de melhor palavra, apresentados ao papa enquanto D. Sancho II era rei, se à Historiografia Real posterior, se a ambas. A todas elas a resposta é não - daí eu ter falado em "teoria da conspiração". Temos de ver vários contextos para entender a big picture.

 

Portugal quando surgiu, era um condado e estava entalado entre vários "inimigos": Leão e Castela, Galiza, Taifas muçulmanas. A guerra foi uma constante desde 1100 or so, até 1249 quando chegámos às praias do barlavento do teu burgo. E por guerra não me refiro a guerras como tivemos com Castela e Espanha, mas a escaramuças praticamente diárias, pilhagens e saques constantes em terras fronteiriças, etc, etc, cujo resultado era o lucro das pilhagens e novos territórios. A Nobreza e o Clero estavam nas nuvens, pois o(s) rei(s) tinha(m) de os compensar constantemente e isto era uma fonte de rendimentos cuja torneira nunca fechava.

 

Acontece que Afonso Henriques morreu e o filho D. Sancho I, não tendo ignorado a guerra (por essa altura fomos vencer batalhas a Sevilha e na volta apanhámos com Almançor, o terror do magrebe, fuck Slimani), dedicou-se mais à reorganização do território e à criação das bases de uma economia nacional, apoiando imenso os mercadores. A torneira fechou ligeiramente, apesar de ter continuado a pingar. Sucedeu-lhe D. Afonso II que entendeu por bem continuar e radicalizar o trabalho de seu pai, atacando deliberadamente os privilégios concedidos à Igreja e à Alta Nobreza. Tinha boas razões para isso, tanto uns como outros tinham demasiado poder e muitas vezes o monarca era refém deles. A certa altura esticou demasiado a corda, decidiu mexer no dinheiro da Igreja e aplicá-lo noutras áreas; acabou excomungado e odiado por nobres e clérigos.

 

Quando o filho Sancho II assume o trono, era isto Portugal: um reino onde havia um processo de centralização de poderes em curso, atacando-se privilégios e fontes de rendimento. A Nobreza ficou furiosa, o Clero mais ainda, e se os primeiros ainda se controlavam, os outros ao fazerem queixa ao papa levaram à excomunhão do rei. Chato nisto tudo é que mesmo assim, Sancho II continuou a ignorá-los a todos e os despojos das guerras que empreendeu (as terras conquistadas e as pilhagens) foram atribuídas maioritariamente às Ordens Militares que o apoiaram na empreitada.

 

Com tudo isto quero responder desde logo às duas questões mais importantes que colocaste: o contexto está já respondido; quanto ao resto, não há provas da demonização, porém ela não só é natural neste contexto, como provável. A forma como foi exposta a situação do reino e a acção do rei foram claramente hiperbolizadas, e tendo em conta a guerra aberta entre o monarca e o clero nacional o objectivo seria óbvio. Já agora uma outra coincidência engraçada: D. Sancho II foi deposto no Concílio de Lyon, o mesmo onde também foi excomungado o imperador do Sacro-Império Frederico II Hohenstaufen, curiosamente por motivos muito semelhantes. Se o momento foi escolhido para influenciar a decisão papal, não sei, mas...

 

e o que aconteceu ao outro casamento do Afonso III?

 

O casamento foi repudiado por Afonso III, alegadamente porque D. Matilde não podia ter filhos e o rei teria de ter descendência legítima. Ela não aceitou, o papa também não, mas depois de muita polémica D. Matilde morreu e o casamento de Afonso III com D. Beatriz de Gusmão lá foi oficializado.

 

mas não foi Afonso III o último rei conquistador, já que tomou conta dos Algarves?

 

Afonso III foi o último rei da reconquista, mas eu não queria dizer isso. Eu pretendia referir que Sancho II foi o último rei-guerreiro, dentro daquela imagem do rei medieval guerreiro que despreza as intrigas e jogos de bastidores. Um Robert Baratheon, com a diferença de este não ter tido filhos :mrgreen:

 

Afonso III já era diferente, pouco parecido com o irmão.

 

qual era a diferença de idades entre os irmãos? e entre o Afonso e a miúda, quando se casaram?

 

Os irmãos tinham menos de um ano de diferença. Entre Afonso III e Beatriz de Gusmão já era doentio, ele tinha 43 e ela... 9 anitos.

Editado por BlackHawk

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