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Mourinho escreve prefácio de livro de Manuel Sérgio, «O Futebol e Eu»

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Citação do jornal "A Bola" online

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José Mourinho

«Mais um livro do Prof. Manuel Sérgio, mais umas páginas que vou ler, mais umas lições que vou receber de um filósofo do desporto, que vem ensinando aos seus leitores o que o desporto tem de mais profundo, de mais científico, de mais autêntico. O José Peseiro, meu colega na universidade e também treinador de futebol, já disse publicamente que só agora, como profissional do desporto e com a cabeça a embranquecer, é que passou a entender verdadeiramente o que o Prof. Manuel Sérgio nos ensinava nas aulas. Eu digo o mesmo. Mas, o que nos ensinava ele? Que não sabe de Desporto quem sabe só de Desporto, porque está na prática desportiva tudo o que é tipicamente humano.

E, ao dizer isto, aconselhava-nos a ler os grandes autores que nos mostram o que é a vida e quem nos ensina o que é a vida está a ensinar-nos o que é o desporto. Repetia, muitas vezes, que Desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo e que deveria ser estudado como se estuda uma ciência humana. Para ele, o treinador do futuro teria de ser um homem culto: com prática constante do futebol, mas também com grande erudição, no que respeita às grandes correntes do pensamento. E, a coroar tudo isto, tinha uma opinião, para o tempo curiosa: o treino, no futebol, ou é com bola, ou não é treino. E dava o exemplo do pianista que não se prepara, saltando e correndo, mas tocando piano. Discordava, muito frontalmente, do biologismo que dominava o treino, dizendo que era a complexidade humana que estava em jogo, na prática do desporto. Dava-nos uma síntese do cartesianismo, para concluir que a Educação Física é um produto do “erro de Descartes”. De quando em vez, falava de um ou de outro filósofo, mas não estou agora em condições para relatar, com verdade, tudo o que a sua erudição espantosa nos apresentava. Não tenho receio em acrescentar que foi um dos professores de maior e melhor cultura que tive, durante a minha vida de estudante liceal e universitário.

E uma faceta curiosa no seu ensino: procurava mostrar a filosofia como um dos fundamentos do desporto. Por isso, vários treinadores dele se aproximavam e aproximam, surpreendidos com as suas ideias, que ele não perde o ensejo de referir que só terão algum valor, se confirmadas na prática. Não esqueço uma das suas frases preferidas: “A prática é o critério da verdade”.

Nasceu, na freguesia da Ajuda, em Lisboa, a poucos metros do Estádio José Manuel Soares, ou das Salésias e, desde criança, se habituou a conviver com jogadores de futebol. E até com jogadores de mais três modalidades, em que o Belenenses daquele tempo se distinguia: o andebol de onze, o basquetebol e o râguebi. Não tendo praticado desporto federado, sente-se perfeitamente à vontade, no trato com os praticantes ou ex-praticantes de qualquer modalidade desportiva. Não é o intelectual distante, é o companheiro próximo de todos os desportistas. Nunca faltávamos às suas aulas, por dois motivos: os conteúdos eram diferentes das outras aulas e ele sabia despertar o interesse dos alunos por tudo o que dizia. É de facto um grande comunicador! As suas aulas e os seus livros permitiram-nos e permitem-nos o contacto direto com os nomes mais sonantes da Filosofia e da Cultura. Um ponto ainda eu quero referir: muito antes de António Damásio, Manuel Sérgio falava nas aulas do “erro de Descartes”, quando nos dizia que a expressão “educação física” aparece, pela primeira vez, em França, no século XVIII. Para ele, a Educação Física é uma expressão que reflete o dualismo antropológico de Descartes.

Sou treinador de futebol, sem tempo e grande jeito, para a escrita. Sou um prático mas que não descura uma constante informação. E fui aluno do Prof. Manuel Sérgio e sou seu leitor, com grande proveito meu. Julgo, por isso, ser meu dever afirmar, publicamente, que o seu conceito de motricidade humana, que ele começou a teorizar, em 1979, ou seja, há 36 anos, se confirma inteiramente, nos dias de hoje: o desporto só como ciência humana se pode entender; a sua metodologia é a específica das ciências humanas.

O trabalho epistemológico que fez foi verdadeiramente inovador, no desporto e até na cultura, em Portugal. Só uma grande ignorância deixará de reconhecer isto mesmo. Termino dizendo, sem problemas, que Manuel Sérgio é um dos grandes teóricos mundiais do Desporto. Se acaso se pudesse fazer uma competição, eu propunha esta: comparem a obra dele, com a de qualquer outro autor, em qualquer língua, que tenha escrito sobre esta problemática. Não é o primeiro, em erudição e inovação? Mas está no pódio, com toda a certeza.

Sou um homem grato a Manuel Sérgio. Ele não me ensinou técnica, nem tática. Mas ensinou-me esta coisa simples: o Desporto é muito mais do que uma Atividade Física e só como ciência humana deverá estudar-se e praticar-se. E isso bastou-me para que o futebol, para mim, passasse a ser uma atividade de meridiana compreensão e de significação e sentido verdadeiramente humanos. Como obra da autoria de Manuel Sérgio, este é um livro que lerei atentamente, porque sei que da sua leitura sairei mais homem e mais treinador de futebol.»

José Mourinho, atual treinador do Chelsea, é o autor do prefácio do livro do Professor Manuel Sérgio, “O Futebol e Eu”

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Até estava a escrever coisas com sentido e com uns argumentos decentes, mas depois... :lol:

 

Para o professor Manuel Sérgio, o currículo de Mourinho fala por si. Com um currículo destes, tem necessariamente de ser bom treinador e de ter boas ideias sobre o jogo. Não interessa muito como e com que meios conseguiu o que conseguiu. O que interessa é que teve sucesso. Há cerca de três quartos de século, também houve quem tivesse dominado a Europa quase toda. Por isso, para o professor Manuel Sérgio, a máquina nazi também deve ser elogiada. Não interessa o poderio bélico desigual; só interessa o sucesso das manobras militares. O que Mourinho fez no Porto, e também na sua primeira passagem no Chelsea, é evidentemente invejável. O que fez depois disso é banal. E é-o não porque passou a ter piores resultados (o que aconteceu), mas porque passou a conceber o jogo de maneira diferente, ou seja, porque passou a teorizar de maneira diferente.

 

Não obstante, acha-se um intelectual de primeira água. Muito da sociedade contemporânea se explica pelo tipo de fénomeno que o professor Manuel Sérgio afinal incorpora: uma pessoa que dá ares de saber alguma coisa, mas que não sabe nada, e que de repente chega a milhares de outras. O melhor que podia fazer o professor Manuel Sérgio era, por isso, pedir que o empalhassem.

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Aqui há tempos li um texto num blog a rasgar o Manuel Sérgio e em parte consegui concordar com aquilo.

x2.

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Cruzei-me com ele uma ou duas vezes ao longo do meu percurso académico, tem coisas com as quais concordo e outras com as quais discordo, afinal ninguém consegue reunir total consenso quanto às ideias que defende, mas há uma frase, que até está na reportagem, que me recordo muitas vezes: A prática é o critério da verdade.

Editado por Vaart

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Eu leio muita porcaria todos os dias mas essa comparação do domínio do Mourinho com o domínio nazi entra directamente no hall of fame do mês.

Que se considere o trabalho no Inter e no Real banal é legítimo, é a opinião do autor ele lá sabe.

Agora a dita comparação, à primeira leitura ainda acreditei ter sido feita por manifesta falta de argumentos ou honestidade intelectual, depois comecei a desconfiar que é só mais um 'argumento' de quem acredita que no desporto praticado lealmente há gente do lado certo e errado da história e que em campo se faz uma luta do bem contra o mal.

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A justificação também é muito boa.

Não és o primeiro a vir aqui queixar-se das minhas comparações. A única coisa que possa dizer é que uma comparação é uma comparação. Se eu quisesse dizer que eram duas coisas iguais, não fazia uma comparação. Fiz uma comparação e pressuponho que as pessoas saibam como funciona uma comparação. Neste caso, a comparação era entre o sucesso futebolístico do Mourinho e o sucesso militar dos nazis. Servia para dizer que, tal como os nazis rapidamente conquistaram meia-europa porque tinham um poderio bélico extraordinário, o Mourinho conquistou coisas nos últimos anos basicamente porque treina equipas com grandes recursos. A comparação não vai mais longe do que isto, e não sei bem o que foi que tu achaste nela.

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o problema do Manuel Sérgio, para esse blog, é que é um acérrimo defensor do Mourinho. Se fosse do Guardiola já não havia problema nenhum.

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o problema do Manuel Sérgio, para esse blog, é que é um acérrimo defensor do Mourinho. Se fosse do Guardiola já não havia problema nenhum.

 

É a tal questão da honestidade intelectual.

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Entre10, lateral esquerdo e posse de bola :heart:

 

So pérolas. É sempre engraçado ver que os que se auto-intitulam reis do futebol "pensado" e onde a inteligência reina são na realidade os que mais mente fechada apresentam.

Para eles só o futebol que lhes agrada é válido e tudo o resto é nojento.

Editado por SAS_Robben

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É sempre engraçado ver que os que se auto-intitulam reis do futebol "pensado" e onde a inteligência reina são na realidade os que mais mente fechada apresentam.

Para eles só o futebol que lhes agrada é válido e tudo o resto é nojento.

 

Touché.

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EÉ sempre engraçado ver que os que se auto-intitulam reis do futebol "pensado" e onde a inteligência reina são na realidade os que mais mente fechada apresentam.

 

Pensado à maneira deles. É tudo gente muito dogmática.

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Sem qualquer tipo de ironia, acho sempre curioso ver a reação das pessoas quando algum texto do EntreDez é (mais) divulgado. Nos anos em que já acompanho o trabalho do Nuno por lá, ainda estou para encontrar alguém na caixa de comentários com capacidade e argumentos suficientes para contradizer aquilo que foi escrito por ele (num aparte, concordando ou não com aquilo que ele diz, acho sempre muita piada à forma como ele consegue "destruir" quem é mais critico a contradizê-lo :lol: )

 

Não é fácil de ler o blog dele. Eu próprio por vezes tenho que ler e reler para compreender certas coisas. E sim, é um extremista do futebol bem jogado seguindo os melhores princípios, tudo o resto ele age com sobranceria. Mas com isso de parte é dos sítios com mais qualidade de ideias. E sempre justificando, mais comparação menos comparação nazista. E isso é que dá piada à coisa.

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é um extremista do futebol bem jogado seguindo os melhores princípios

 

E isso é o quê? :-k

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Os melhores princípios têm que ser os que o dito cujo refere. Se forem outros perdem toda a credibilidade mesmo que resultem na prática.

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ainda estou para encontrar alguém na caixa de comentários com capacidade e argumentos suficientes para contradizer aquilo que foi escrito por ele (num aparte, concordando ou não com aquilo que ele diz, acho sempre muita piada à forma como ele consegue "destruir" quem é mais critico a contradizê-lo :lol: )

Eu descobri hoje que este blog existia, mas se é com 'argumentos' como o que o Sumudica postou que ele destrói quem o contradiz acho que estamos apresentados. :lol:

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E isso é o quê? pensativo.gif

Alguém que, apesar de conseguir argumentar com base em boas ideias, transparece sobranceria e até arrogância. Mas isso não é necessariamente mau. É desconfortável para quem discorda? Sem dúvida. Se me perguntares se eu me revejo nesse tipo de abordagem ou se acho que é a melhor maneira de escrever? Não, não acho. Mas o "sumo" está lá. O futebol pode não ser uma ciência exata mas quanto melhor forem as ideias maior é a probabilidade de sucesso. Se quem fala ou escreve de forma desagradável apresenta os melhores argumentos, pode perder leitores, ser criticado ou não ser levado a sério, mas não perde a razão.

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Não perde a razão porque nunca a teve.

 

Qual é a razão para falar no poderio bélico do Mourinho e esquecer o poderio bélico do Guardiola, que foi eliminado pelo primeiro?

 

Que raio...

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Não consegui concordar com 90% do texto, mas tudo bem...

 

Ah, e o poderio bélico do Mourinho no Inter era fenomenal, o Bayern do Heynckes e o Barcelona do Guardiola mijaram-se todos!

Editado por Carlos Gouveia

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