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Mourinho escreve prefácio de livro de Manuel Sérgio, «O Futebol e Eu»

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Não me devo ter explicado totalmente bem, o que eu quero saber é o que é um extremista do futebol bem jogado seguindo os melhores princípios. Melhor dizendo, quero saber o que é um futebol bem jogado e quais são os melhores princípios.

Bom futebol é aquele que aproxima(rá) a tua equipa do sucesso. Como disseste, e bem, de seguida:

 

Não estás a percebê-la de todo. O bom futebol é aquele que consegue conjugar o talento individual existente numa equipa e colocá-lo ao serviço do coletivo. Não se trata de uma questão de estilos ou sistemas táticos. Trata-se de utilizar, inteligentemente, todos os recursos de forma a alcançar a vitória.

De acordo. Mas isso só não chega. Tu, como treinador, deves tentar o possível para enquadrares o teu modelo aos jogadores que tens. Mas não podes nunca viver só no presente. Tens de antecipar o futuro e ter em conta, para além daquilo que a tua equipa pode fazer agora, dentro dos problemas que consegue resolver e das qualidades que possuí, aquilo que podes fazer para alcançares níveis mais elevados no teu jogo. E claro que o estilo de jogo influência nesse aspeto. Como o Poeira disse e muito bem, nem todos os estilos de jogo representam o mesmo índice probabilístico de sucesso. Existem 1001 estilos de jogo diferentes que podem ganhar a curto prazo, mas o que realmente importa é ter em conta o todo, como presente e futuro. Isto para dizer que o sucesso imediato de uma equipa não deve ser o ponto principal de análise mas sim a qualidade das suas ideias.

 

Um treinador, por muito que tente, terá sempre condicionado o seu trabalho por inúmeras coisas, por fatores externos. Daí ser importante julgá-lo, acima de tudo, pelas ideias que coloca em campo. Como tal, o conceber ideias de forma a que cresças para seres mais forte. Se eu te perguntasse o que é ser mais forte, o que me dirias? Na minha opinião é, acima de tudo, assumir uma postura pró-ativa. Pró-ativa no sentido de seres tu a ditar o rumo do jogo. De ser a tua equipa a criar as condições de sucesso e de anulares ao máximo condicionantes que não controlas. Se abdicares de ter bola, por exemplo, podes controlar, de certa forma, alguns aspetos do jogo. Mas estás invariavelmente a dar mais hipóteses ao adversário de conseguir chegar a bom-porto do que se assumisses as despesas do jogo, porque sem bola é impossível marcar. O mesmo vale para a pressão, por exemplo. Se pressionares mais em cima, as tuas hipóteses de recuperares a bola em zonas mais perigosas para o adversário é maior. Mais: condicionas a construção do adversário aos elementos mais recuados, que normalmente são os menos hábeis nesse aspeto. E impedes que ele circule em posse perto da tua área. Novamente, quanto mais e melhor condicionares o espaço ao teu adversário, mais pró-ativo está a ser e mais tomas as rédeas do jogo.

 

Agora, voltamos ao ponto acima. Se não tiveres jogadores tecnicamente capazes de circularem a bola com qualidade ou de aguentarem a pressão de assumir o jogo, ou se tiveres jogadores que não percebem os timings de pressão e as dinâmicas posicionais inerentes a uma boa pressão, é claro que tens de te ajustar. Mas esse não é o fundamental: o fundamental é a tua ambição em quereres mais. De arranjares ideias e conceberes uma operacionalização para teres essa atitude pró-ativa. De não te acomodares em gerir apenas aquilo que tens mas aquilo que podes vir a ter. E, em equipas de grande poderio financeiro, este ponto é ainda mais vincado porque tens acesso a jogadores que equipas ditas "mais pequenas" não tem, logo as tuas hipóteses de criares um grupo que almeje essa mentalidade é (muito) maior.

 

O futebol é demasiado complexo para dizer que apenas existe uma maneira de vencer. Existem inúmeras. Mas dessas inúmeras algumas são mais válidas que outras porque proporcionam mais hipóteses de venceres. E mesmo que no fim acabes por perder, isso não significa que estás no mau caminho. O pragmatismo de olhar apenas ao resultado de algo no momento é um caminho perigoso.

 

Voltando ao "extremista do futebol bem jogado seguindo os melhores princípios". Podia-te dar mais exemplos de princípios que, corretamente aplicados, dão mais hipóteses de vencer mas de nada me valia estar a debitar conceitos sem os explicar e como o tempo não é muito e o post já vai longo fico-me pelos 2 acima. Esses, para mim, são ideias de jogo mais válidas que outras pela justificação que te dei. Aplicá-las ou não depende do momento mas ponderando bem, de certeza que concordarás comigo que, a longo-prazo, esse é o caminho. Um extremista dessas ideias é isso mesmo: alguém que defende ideias, que a meu ver são as melhores, mas que vê esse caminho como único. Se está errado? Depende da situação e da sua aplicabilidade. Mas numa perspectiva de evolução do futebol e do futuro? Sim, sem dúvida que concordo.

Editado por Don Andres

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Ia responder antes, mas fiquei sem tempo e entretanto o Don Andres respondeu muito bem. Não tenho nada para acrescentar.

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Subscrevo tudo o que o Don Andres tem dito por aqui.

 

O EntreDez tem reflexões absolutamente fantásticas sobre o jogo. É dos blogues de futebol que procura ir mais ao fundo das questões(mais até que o Lateral Esquerdo, muito referido aqui e outro blog que acompanho), mas concordo que existe algum fundamentalismo(aquela das câmaras de gás é evidente) nas suas análises e a postura do Nuno é tudo menos políticamente correta. Mas, como espaço pessoal que é, tem os traços todos da pessoa que nele escreve. Os bons e... os maus.

Editado por AndreSCP7

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Folgo muito em saber. :D

Quando for assim pergunta, não precisas de te acanhar.

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Após tantos anos, finalmente percebi a ideia. Há formas de jogar que são mais válidas que outras porque têm associada uma probabilidade de vitória superior à de outras formas de jogar. Que ideia ridícula.

 

Uma coisa é gostar-se mais de um determinado estilo de jogo. É normal e saudável, é como gostar mais de loiras ou morenas, altas ou baixas. Outra coisa completamente diferente é dizer que esse estilo é indiscutivelmente melhor que os outros, usando como argumento a mentira do parágrafo acima. Para mim é até um insulto à inteligência de quem o profere.

 

Na minha opinião, todos os estilos de jogo são igualmente válidos. Cabe a cada treinador fazer o seu melhor dadas as suas preferências quanto ao estilo de jogo e dadas também, e em grande parte, as características dos jogadores que tem à disposição.

Editado por kaRam

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Após tantos anos, finalmente percebi a ideia. Há formas de jogar que são mais válidas que outras porque têm associada uma probabilidade de vitória superior à de outras formas de jogar. Que ideia ridícula.

 

Uma coisa é gostar-se mais de um determinado estilo de jogo. É normal e saudável, é como gostar mais de loiras ou morenas, altas ou baixas. Outra coisa completamente diferente é dizer que esse estilo é indiscutivelmente melhor que os outros, usando como argumento a mentira do parágrafo acima. Para mim é até um insulto à inteligência de quem o profere.

 

Na minha opinião, todos os estilos de jogo são igualmente válidos. Cabe a cada treinador fazer o seu melhor dadas as suas preferências quanto ao estilo de jogo e dadas também, e em grande parte, as características dos jogadores que tem à disposição.

 

Discordo completamente. É óbvio que existem estilos de jogo que dão-te menos probabilidade de vitória que outros. Põe uma equipa a jogar em W-M rígido dos anos 30. Ou em pontapé para a frente **todas as jogadas** estilo o que algumas equipas extremistas praticavam em Inglaterra e na Escandinávia no final dos anos 80. Agora compara com uma equipa num modelo moderno de posse, ou num modelo moderno de transições num 4-3-3... é óbvio o que é melhor.

 

Por alguma razão existe evolução no futebol. Esta é muito lenta e por fases, e às vezes estilos antigos renascem e têm sucesso porque já ninguém se lembra como é que há 30 anos atrás esse estilo tinha sido anulado. Mas no geral, certos modelos morreram por completo... não é devido a modas mas sim porque os modelos novos são superiores.

Editado por noikeee

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O Jesus esteve presente no lançamento do livro hoje e fez um discurso. O Manuel Sérgio também discursou. Mas deve ter fumado do bom antes, pela parte que passou agora na Sporttv.

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Discordo completamente. É óbvio que existem estilos de jogo que dão-te menos probabilidade de vitória que outros. Põe uma equipa a jogar em W-M rígido dos anos 30. Ou em pontapé para a frente **todas as jogadas** estilo o que algumas equipas extremistas praticavam em Inglaterra e na Escandinávia no final dos anos 80. Agora compara com uma equipa num modelo moderno de posse, ou num modelo moderno de transições num 4-3-3... é óbvio o que é melhor.

 

Por alguma razão existe evolução no futebol. Esta é muito lenta e por fases, e às vezes estilos antigos renascem e têm sucesso porque já ninguém se lembra como é que há 30 anos atrás esse estilo tinha sido anulado. Mas no geral, certos modelos morreram por completo... não é devido a modas mas sim porque os modelos novos são superiores.

Nem faço ideia do que são esses dois estilos que estás a falar, mas porque é que um estilo de futebol direto, quando bem implementado, é menos válido que um estilo de futebol de passes curtos e circulação de bola lenta?

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Bom futebol é aquele que aproxima(rá) a tua equipa do sucesso. Como disseste, e bem, de seguida:De acordo. Mas isso só não chega. Tu, como treinador, deves tentar o possível para enquadrares o teu modelo aos jogadores que tens. Mas não podes nunca viver só no presente. Tens de antecipar o futuro e ter em conta, para além daquilo que a tua equipa pode fazer agora, dentro dos problemas que consegue resolver e das qualidades que possuí, aquilo que podes fazer para alcançares níveis mais elevados no teu jogo. E claro que o estilo de jogo influência nesse aspeto. Como o Poeira disse e muito bem, nem todos os estilos de jogo representam o mesmo índice probabilístico de sucesso. Existem 1001 estilos de jogo diferentes que podem ganhar a curto prazo, mas o que realmente importa é ter em conta o todo, como presente e futuro. Isto para dizer que o sucesso imediato de uma equipa não deve ser o ponto principal de análise mas sim a qualidade das suas ideias.

 

O bom futebol é aquele que te leva ao sucesso, totalmente de acordo. Porém, há várias maneiras de o alcançar, sendo todas elas válidas, por mais que tu queiras acreditar que não e me tentes convencer disso. Além disso, considero a afirmação que tu fazes relativamente aos estilos de jogo e probabilidades de vitória, um tanto ou quanto reducionista. E, se há coisa que o futebol não é, é reducionista. É uma ciência, sim eu considero o futebol uma ciência, demasiado complexa e na qual é impossível de controlar todas as variáveis. Sim, porque se fossemos a analisar essa premissa relativamente aos estilos de jogo e probabilidades de vitória, no que concerne ao Porto x Bayern, talvez fosse esperado um resultado totalmente diferente daquele que se registou. Ou seja, partindo dessa premissa reducionista (i.e., certos estilos de jogo têm uma maior percentagem de vitória), podemos dizer que o registado na 4.ª feira serve perfeitamente para a refutar. Por outro lado, os treinadores vivem do sucesso e o sucesso só se alcança com vitórias, por muito interessante e esteticamente bonito que seja um estilo de jogo, se ele não obtiver resultados a curto-prazo, o treinador está condenado ao fracasso no clube onde está. Parecendo que não, há uma grande diferença entre o mero analista, que analisa o jogo pelo jogo, e o treinador de futebol, que depende do jogo para ter sucesso na sua vida profissional.

 

Um treinador, por muito que tente, terá sempre condicionado o seu trabalho por inúmeras coisas, por fatores externos. Daí ser importante julgá-lo, acima de tudo, pelas ideias que coloca em campo. Como tal, o conceber ideias de forma a que cresças para seres mais forte. Se eu te perguntasse o que é ser mais forte, o que me dirias? Na minha opinião é, acima de tudo, assumir uma postura pró-ativa. Pró-ativa no sentido de seres tu a ditar o rumo do jogo. De ser a tua equipa a criar as condições de sucesso e de anulares ao máximo condicionantes que não controlas. Se abdicares de ter bola, por exemplo, podes controlar, de certa forma, alguns aspetos do jogo. Mas estás invariavelmente a dar mais hipóteses ao adversário de conseguir chegar a bom-porto do que se assumisses as despesas do jogo, porque sem bola é impossível marcar. O mesmo vale para a pressão, por exemplo. Se pressionares mais em cima, as tuas hipóteses de recuperares a bola em zonas mais perigosas para o adversário é maior. Mais: condicionas a construção do adversário aos elementos mais recuados, que normalmente são os menos hábeis nesse aspeto. E impedes que ele circule em posse perto da tua área. Novamente, quanto mais e melhor condicionares o espaço ao teu adversário, mais pró-ativo está a ser e mais tomas as rédeas do jogo.

 

Então, mas se defendes que há um estilo de jogo que apresenta uma maior percentagem de vitória, será muito fácil aplicá-lo, tipo chapa 5, e obter os resultados desejados. Ou talvez, a perspetiva que acima mencionas só sirva para explicar um ínfimo conjunto de fatores, porque como tu dizes, e bem, um treinador vê o seu trabalho afetado por uma panóplia de fatores. Ademais, analisar o trabalho de alguém pelas suas ideias, do ponto de vista do analista, é totalmente válido, porém há uma coisa que não se pode nunca esquecer, o foco deve estar na vitória, porque um clube vive de vitórias em campo e não de vitórias morais (i.e., não adianta um clube ser o melhor do mundo no futebol sem balizas, por exemplo, porque isso não lhe trará títulos). E, aqui, já estamos a entrar na questão dos gostos (i.e., futebol de posse de bola vs. futebol de não posse de bola ou, resumindo, Guardiola vs. Mourinho, por exemplo) e aí não vou, sequer, argumentar. Porque, para mim, o bom futebol é aquele que consegue conjugar, de forma eficaz, a qualidade individual com a qualidade coletiva. E essa conjugação advém do trabalho efetuado pelo treinador. A questão estética do futebol é muito interessante, mas, analisando as coisas friamente, as equipas vivem é de vitórias.Portanto, o bom futebol, para mim, tanto pode adotar o estilo de jogo A ou B, desde que respeite as premissas que menciono acima.

 

Agora, voltamos ao ponto acima. Se não tiveres jogadores tecnicamente capazes de circularem a bola com qualidade ou de aguentarem a pressão de assumir o jogo, ou se tiveres jogadores que não percebem os timings de pressão e as dinâmicas posicionais inerentes a uma boa pressão, é claro que tens de te ajustar. Mas esse não é o fundamental: o fundamental é a tua ambição em quereres mais. De arranjares ideias e conceberes uma operacionalização para teres essa atitude pró-ativa. De não te acomodares em gerir apenas aquilo que tens mas aquilo que podes vir a ter. E, em equipas de grande poderio financeiro, este ponto é ainda mais vincado porque tens acesso a jogadores que equipas ditas "mais pequenas" não tem, logo as tuas hipóteses de criares um grupo que almeje essa mentalidade é (muito) maior.

 

Mais uma vez, voltamos à dimensão estética da prática do futebol. Eu, como treinador, posso não querer adotar um estilo de posse, por exemplo, e conseguir bons resultados na mesma, uma vez que consegui perceber como conjugar o talento individual dos meus jogadores com a dimensão coletiva. A minha ideia de jogo, desta forma, passaria, antes de tomar qualquer decisão sobre o estilo de jogo a utilizar, por uma análise das qualidades dos meus jogadores e da dinâmica existente na equipa, só aí, através da conjugação destes fatores, é que eu desenharia o estilo de jogo que, na minha opinião (e logo, subjetiva), me pudesse levar à vitória de forma mais eficaz.

 

O futebol é demasiado complexo para dizer que apenas existe uma maneira de vencer. Existem inúmeras. Mas dessas inúmeras algumas são mais válidas que outras porque proporcionam mais hipóteses de venceres. E mesmo que no fim acabes por perder, isso não significa que estás no mau caminho. O pragmatismo de olhar apenas ao resultado de algo no momento é um caminho perigoso.

 

Sim, o futebol é demasiado complexo para dizer que existe apenas uma maneira de vencer, todavia tu tens vindo a advogar que existe uma melhor maneira que as outras, isso não é estranho? Além disso, todos os estilos de jogo são válidos, desde que conduzam à vitória. Podes assumir o estilo de jogo que tu achas que tem mais hipóteses de te levar à vitória e conseguires zero titoli. Aí, ele deixa de ser o estilo de jogo com maior probabilidade de vitória, possivelmente porque o quiseste implementar como se fosse chapa 5 e te esqueceste de considerar o contexto e dinâmica (enquanto grupo) da equipa.

 

Voltando ao "extremista do futebol bem jogado seguindo os melhores princípios". Podia-te dar mais exemplos de princípios que, corretamente aplicados, dão mais hipóteses de vencer mas de nada me valia estar a debitar conceitos sem os explicar e como o tempo não é muito e o post já vai longo fico-me pelos 2 acima. Esses, para mim, são ideias de jogo mais válidas que outras pela justificação que te dei. Aplicá-las ou não depende do momento mas ponderando bem, de certeza que concordarás comigo que, a longo-prazo, esse é o caminho. Um extremista dessas ideias é isso mesmo: alguém que defende ideias, que a meu ver são as melhores, mas que vê esse caminho como único. Se está errado? Depende da situação e da sua aplicabilidade. Mas numa perspectiva de evolução do futebol e do futuro? Sim, sem dúvida que concordo.

 

Infelizmente, não concordo contigo. O estilo de jogo a adotar depende dos jogadores que tens, da equipa que tens e do contexto em que estás inserido. Não há uma fórmula mágica, em termos de estilo de jogo, que garanta uma superioridade perante todas as outras. Sim, porque o futebol está em constante mutação e o que hoje te leva à vitória e ao sucesso, amanhã poderá não te levar. Aí, terás que te adaptar e re-inventar. Algo que não está ao alcance de todos. Ademais, não existem dogmas, ou seja verdades universais e inquestionáveis, portanto o que é dado como fórmula mágica hoje poderá ser totalmente esmiuçado, detalhado e dissecado amanhã, perdendo todos os seus segredos.

 

A bold está a minha contra-argumentação.

Editado por Vaart

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5 páginas depois ainda não percebi do que se fala aqui

 

Como eu diria se isto se tratasse de Psicologia, é uma questão de escolas.

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vaart em relação ao primeiro ponto: maior probabilidade não significa 100% de probabilidade. o jogo do porto x bayern não prova nada, é um jogo...

 

quanto à discussão no geral, parece-me óbvio que como em todas as ciências e todos os desportos há ideias mais e menos válidas, se não há paciência para as implementar a culpa não é das ideias mas sim das pessoas.

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vaart em relação ao primeiro ponto: maior probabilidade não significa 100% de probabilidade. o jogo do porto x bayern não prova nada, é um jogo...

 

Nem eu disse isso, acho é que não se pode adotar uma perspetiva tão reducionista das coisas quando se está a analisar um fenómeno tão complexo (o futebol).

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Nem eu disse isso, acho é que não se pode adotar uma perspetiva tão reducionista das coisas quando se está a analisar um fenómeno tão complexo (o futebol).

 

Sim, porque se fossemos a analisar essa premissa relativamente aos estilos de jogo e probabilidades de vitória, no que concerne ao Porto x Bayern, talvez fosse esperado um resultado totalmente diferente daquele que se registou. Ou seja, partindo dessa premissa reducionista (i.e., certos estilos de jogo têm uma maior percentagem de vitória), podemos dizer que o registado na 4.ª feira serve perfeitamente para a refutar.

 

ou seja, dizer que jogar em posse dá uma maior probabilidade de vitória é reducionista, mas utilizar 1 jogo para o refutar não é? para refutar esta ideia precisas de um argumento à altura do que foi utilizado para a defender.

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ou seja, dizer que jogar em posse dá uma maior probabilidade de vitória é reducionista, mas utilizar 1 jogo para o refutar não é? para refutar esta ideia precisas de um argumento à altura do que foi utilizado para a defender.

 

Utilizei uma amostra reduzida, é totalmente verdade, mas, como tenho visto pouco futebol, foi aquela que estava mais à mão.

 

Por outro lado, o argumento dele não é totalmente sólido, basta que alguém tenha a paciência (e memória) para evidenciar, historicamente, que nem sempre o tipo de futebol ou estilo de jogo que ele defende teve a maior probabilidade de vitória.

 

Isto é uma questão de escolas, agora, o que mais me irrita e até acho que roça a desonestidade intelectual, é alguém tentar provar e impôr que há modelos e estilos de jogo mais válidos que outros, isso é totalmente subjetivo e depende do trabalho do treinador e jogadores. O futebol, tal como qualquer outra ciência, está sujeito à mudança e o que é válido hoje poderá não o ser amanhã. E, assim, lá vão os dogmas todos por água abaixo. Há que ter bom-senso. Os gostos, tal como qualquer outro critério, são subjetivos.

 

Agora, a opinião dele é válida, não nego isso, contudo ele não pode afirmar com toda a certeza e até alguma arrogância que o que ele defende está totalmente certo e que tudo o que está do outro lado da "barricada" está totalmente errado. Como já disse, lido mal com os dogmas, é um defeito pessoal, portanto acho que todos os argumentos são passíveis de refutação e melhoria. Ele defende aquele estilo de jogo porque é apaixonado por ele, mas não tem legitimidade para o colocar num patamar superior, quase inalcançável, a todos os outros.

Editado por Vaart

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O Vaart exprimiu na perfeição aquilo que penso sobre este assunto.

 

Por brincadeira deixo abaixo uma lista dos campeões internacionais dos últimos 20 anos, para o caso de alguém se querer divertir a "categorizar" cada um com um estilo de jogo específico e fazer uma tabela de distribuição de frequências.

 

Alemanha (2014)

Real Madrid (2014)

Bayern München (2013)

Espanha (2012)

Chelsea (2012)

Barcelona (2011)

Espanha (2010)

Inter (2010)

Barcelona (2009)

Espanha (2008)

Manchester United (2008)

Milan (2007)

Itália (2006)

Barcelona (2006)

Liverpool (2005)

Grécia (2004)

FC Porto (2004)

AC Milan (2003)

Brasil (2002)

Real Madrid (2002)

Bayern München (2001)

França (2000)

Real Madrid (2000)

Manchester United (1999)

França (1998)

Real Madrid (1998)

Borussia Dortmund (1997)

Alemanha (1996)

Juventus (1996)

Ajax (1995)

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Do que me lembro, e tirando o Chelsea de 2012 e a Grécia de 2004 (e mesmo esta última até aceito uma opinião contrária), todas essas equipas e selecções tinham/têm em comum o facto de serem equipas que executavam com uma qualidade altíssima as suas ideias de jogo. E portanto, umas mais, outras menos, mas todas elas acabaram por ser justas vencedoras. A questão fulcral é mesmo essa: eu prefiro um estilo, mas não tenho problemas nenhuns em reconhecer mérito a outros estilos, desde que sejam executados com grande qualidade.

 

Agora, quando vejo uma equipa que não joga propriamente no estilo que aprecio, e que também não tem grande qualidade dentro do seu estilo de jogo, fica-me muito difícil conseguir elogiar.

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5 páginas depois ainda não percebi do que se fala aqui

Ok, não sou o único...

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Após tantos anos, finalmente percebi a ideia. Há formas de jogar que são mais válidas que outras porque têm associada uma probabilidade de vitória superior à de outras formas de jogar. Que ideia ridícula.

 

Uma coisa é gostar-se mais de um determinado estilo de jogo. É normal e saudável, é como gostar mais de loiras ou morenas, altas ou baixas. Outra coisa completamente diferente é dizer que esse estilo é indiscutivelmente melhor que os outros, usando como argumento a mentira do parágrafo acima. Para mim é até um insulto à inteligência de quem o profere.

 

Na minha opinião, todos os estilos de jogo são igualmente válidos. Cabe a cada treinador fazer o seu melhor dadas as suas preferências quanto ao estilo de jogo e dadas também, e em grande parte, as características dos jogadores que tem à disposição.

Mais ridícula do que definir o estilo de jogo de acordo com gostos pessoais? Ao menos deste lado da discussão tenta-se argumentar a favor de determinado estilo baseando-se em benefícios ou malefícios do mesmo, não porque se gosta de ver um grande passe longo ou uma boa troca de bola em espaços curtos.

 

Nem faço ideia do que são esses dois estilos que estás a falar, mas porque é que um estilo de futebol direto, quando bem implementado, é menos válido que um estilo de futebol de passes curtos e circulação de bola lenta?

Porque com bola és tu que ditas o jogo. És tu que geres os ritmos, que aceleras quando queres acelerar, que temporizas quando assim o entendes. Que levas a circulação para onde queres que o adversário se desloque, para atraíres e depois explorares outras zonas. Porque desgastas o adversário por ter de correr atrás da bola, algo que emocionalmente desgasta muito mais que "descansar com bola". Tudo benefícios que não tens acesso quando jogas apenas em transição.

 

Mais: jogar em posse não é só passes curtos e circulação lenta. Isso é apenas uma possível variante que podes utilizar, se assim o entenderes. Ter a bola é ter o objeto que orienta o jogo, com todos os benefícios que daí podes retirar se houverem ideias de qualidade.

 

Por brincadeira deixo abaixo uma lista dos campeões internacionais dos últimos 20 anos, para o caso de alguém se querer divertir a "categorizar" cada um com um estilo de jogo específico e fazer uma tabela de distribuição de frequências.

 

Alemanha (2014)

Real Madrid (2014)

Bayern München (2013)

Espanha (2012)

Chelsea (2012)

Barcelona (2011)

Espanha (2010)

Inter (2010)

Barcelona (2009)

Espanha (2008)

Manchester United (2008)

Milan (2007)

Itália (2006)

Barcelona (2006)

Liverpool (2005)

Grécia (2004)

FC Porto (2004)

AC Milan (2003)

Brasil (2002)

Real Madrid (2002)

Bayern München (2001)

França (2000)

Real Madrid (2000)

Manchester United (1999)

França (1998)

Real Madrid (1998)

Borussia Dortmund (1997)

Alemanha (1996)

Juventus (1996)

Ajax (1995)

Curioso é que nessa lista só apresentas resultados de competições a eliminar. Competições onde se determina quem passa baseado em fases de 2 jogos. Se realmente queres deduzir a qualidade de jogo de uma equipa baseando-te só em resultados ao menos vai buscar os resultados de campeonatos, onde ao longo de 30 e tal jogos as regularidades de uma equipa têm tempo suficiente para se manifestarem. Não é por acaso que é em Taças e competições a eliminar que os clubes mais pequenos e\ou com menor qualidade de jogo conseguem as suas grandes conquistas.

 

Vaart, mais logo respondo-te.

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Do que me lembro, e tirando o Chelsea de 2012 e a Grécia de 2004 (e mesmo esta última até aceito uma opinião contrária), todas essas equipas e selecções tinham/têm em comum o facto de serem equipas que executavam com uma qualidade altíssima as suas ideias de jogo. E portanto, umas mais, outras menos, mas todas elas acabaram por ser justas vencedoras. A questão fulcral é mesmo essa: eu prefiro um estilo, mas não tenho problemas nenhuns em reconhecer mérito a outros estilos, desde que sejam executados com grande qualidade.

 

Agora, quando vejo uma equipa que não joga propriamente no estilo que aprecio, e que também não tem grande qualidade dentro do seu estilo de jogo, fica-me muito difícil conseguir elogiar.

 

Se há seleção que executou de forma perfeita as suas ideias de jogo foi a Grécia. Eu acho que o grande problema desta discussão é que está-se a levar a definição de ideias de jogo para um sinónimo de futebol bem jogado/bonito. Quando o futebol feio pode ser também ele eficaz em determinados contextos e trazer consigo um grande peso de ideias de jogo. Não são as mais corretas à vista de uns, mas são ideias de jogo.

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Por má explicação minha ou má interpretação tua, todo o teu post parte da premissa que eu me defino como "anti-futebol de posse", o que está completamente errado. Assim sendo, não faz sentido elaborar uma resposta ao mesmo, pois seria uma perda de tempo tanto para mim a escrever como para ti a ler.

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Se há seleção que executou de forma perfeita as suas ideias de jogo foi a Grécia. Eu acho que o grande problema desta discussão é que está-se a levar a definição de ideias de jogo para um sinónimo de futebol bem jogado/bonito. Quando o futebol feio pode ser também ele eficaz em determinados contextos e trazer consigo um grande peso de ideias de jogo. Não são as mais corretas à vista de uns, mas são ideias de jogo.

Se eu defendesse o contrário, tinha incluído ali também o Inter do Mourinho, por exemplo. Ou o Atlético do Simeone, que não ganhou nenhuma competição a eliminar mas ganhou um campeonato ao Real e ao Barça. Não os incluí porque acho que, mesmo sendo um "futebol feio", era um futebol que era executado quase na perfeição. Não vejo o mesmo no caso do Chelsea do Di Matteo ou da Grécia campeã europeia.

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