ventura21 Publicado 30 Maio 2018 A maioria das pessoas que é contra, tenho ideia que nem sabem o porquê de ser contra, mas depois, se for preciso levam o seu Bobi ou o seu Tareco ao vet para acabar com o sofrimentos destes, ora porque são muito velhinhos e têm uma mobilidade reduzida ora porque tiveram um problema grave de saúde ou mesmo ambos. Posto isto, sou a favor, e é um coisa que tem de ser levada a referendo. Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 30 Maio 2018 (editado) Como referi não validei os dados de que ele fala. Se se verificassem a situação seria preocupante. Inevitavalmente e de um ponto de vista realístico tens o problema da eutanásia estar num "slippery slope". (https://www.researchgate.net/publication/280908459_Euthanasia_in_Belgium_and_the_Netherlands_On_a_Slippery_Slope Sobre a realidade holandesa (https://www.cbsnews.com/news/euthanasia-assisted-suicide-deaths-netherlands/ Euthanasia has become a common way to die in the Netherlands, accounting for 4.5 percent of deaths, according to researchers who say requests are increasing from people who aren't terminally ill. Requests from those who aren't terminally ill still represent a small share, but have been increasing, Van der Heide said. "When assisted dying is becoming the more normal option at the end of life, there is a risk people will feel more inclined to ask for it," she said. About 8 percent of the people who died in 2015 asked for help dying, the review showed. Van der Heide said about half of all requests are approved now, compared with about a third in previous years. Scott Kim, a bioethicist at the U.S. National Institutes of Health who was not part of the study, said the report raises concerns, particularly in regards to people seeking euthanasia due to age-related issues. Acho uma estupidez a expressão "despachar os velhos" e (mais uma vez), achei que teria sido para chamar a atenção. Se de facto esta realidade se verifica, percebo onde querem chegar. (Nota que o tens aí faz todo o sentido mas é sobre a realidade Belga) Poderás ainda ter situações mais sensíveis como estas (https://www.theguardian.com/world/2018/mar/12/dutch-prosecutors-investigate-euthanasia-cases-sharp-rise-docter-assisted-deaths-netherlands) que, não sendo materiais, levantam questões adicionais. Não te estava a descredibilizar, mas sim o autor do texto. Falar de casos raríssimos como mote para contrariar os casos de países em que a eutanásia é aplicável, sem qualquer fundamento pelos vistos, não faz grande sentido. Agora, há que realçar que a eutanásia não se foca só nas pessoas que irão morrer daqui a 1 mês ou que estejam com data contada para a sua morte, mas sim em quem tem sofrimento atroz, quer seja físico ou psicológico, sem perpectiva de recuperação ou melhorias. Embora o psicológico seja uma temática mais complexa. http://catholicherald.co.uk/news/2018/02/01/dutch-doctors-euthanise-29-year-old-woman-with-depression/ Não deves ter tendências suicidas, mas algo aí dentro não bate certo quando não entendes que o Estado deve proteger a vida e não promover a morte. Esse caso é raríssimo. É demasiado linear estarmos a discutir sem saber o caso concreto ou os relatórios médicos. Acho que ela até tem um documentário, a ver se vejo. Não me parece que seja uma promoção da morte, mas sim uma opção para haver alguma dignidade em algo que é inevitável. A maioria das pessoas que é contra, tenho ideia que nem sabem o porquê de ser contra, mas depois, se for preciso levam o seu Bobi ou o seu Tareco ao vet para acabar com o sofrimentos destes, ora porque são muito velhinhos e têm uma mobilidade reduzida ora porque tiveram um problema grave de saúde ou mesmo ambos. Posto isto, sou a favor, e é um coisa que tem de ser levada a referendo. Tens aí pessoas atrás contra que estão a explicar o ponto de vista. Esse argumento é que não faz sentido para ser algo a favor e não me parece uma questão suficientemente abrangente para ser levada a referendo. Editado 30 Maio 2018 por Koper Compartilhar este post Link para o post
Pickle Rick Publicado 30 Maio 2018 (editado) Por ideologia, acho que se o individuo X vive refém de uma doença incurável e apenas se limita a esperar pela morte a sofrer, merece ter o direito de terminar a sua vida com a menor sofrimento possível A nível pessoal, pela minha avó materna. Sofreu de paramiloidose, também conhecida "doença dos pezinhos", que a tornou tão frágil e dependente de 3ºs e de hemodiálise. Ainda fracturou a bacia numa queda que numa pessoa normal nem se magoava, lutou e sofreu bastante com a doença e outros problemas que teve, derivados da mesma, até que desistiu. Mas apesar de tudo, ela ainda conseguiu ter uma vida minimamente normal, quando comparada com outras situações que vemos nas notícias ou por aí. Acho que é um direito que todos nós devemos ter. De que serve ficar vivo apenas para estar vivo se o resto do corpo, ou partes dele, já morreram. Eu vi um tio, mais de um ano, (sem contar com o período doloroso de operações e recaídas) ligado às máquinas porque um tumor na cabeça, depois de momentos de esperança, o tornou praticamente num vegetal. Nos últimos dias de vida, quando desperto, o que conseguia fazer era deixar cair lágrimas quando nos ouvia a voz. Nada mais conseguia fazer. Mas não é só a situação próxima que me faz ser a favor. Seria a favor na mesma porque acho que é um assunto que "não nos diz respeito". Isto é, devíamos aceitar a despenalização da Eutanásia para que quem precisa dela a possa usar. Haver esse direito de escolha. Sem que as nossas ideologias, fanatismos ou ignorâncias se ponham no meio. É obviamente um assunto mais amplo que necessita de explicações mais detalhadas e precisas, mas acho que no mínimo o que devemos conseguir é consagrar esse direito de se poder escolher. Li um conto do James Salter que fala sobre os dias seguintes a um homem tomar a decisão de desligar as máquinas que mantêm a mulher em vida, são dias de angustia e sofrimento, mas não pude deixar de pensar no sofrimento dos familiares que ficaram a cuidar do meu tio até ao fim. São vidas que se puserem em suspenso, numa angustia e desespero sufocante que duram até hoje, mesmo depois da sua morte. A verdade é que até chegar a morte, cuidamos, mas, nesta situação nada podemos fazer. É um falso cuidar. É que o cuidar, para quem está ligado às máquinas, é deixá-lo num centro hospitalar (o melhor que o nosso bolso puder pagar) e ir lá visitá-lo. E depois é esperar. Nestas situações não é só o doente que espera pela morte e isso, inevitavelmente, marca-nos a vida toda. Pergunto se isto é vida? Que direito temos de decidir sobre o sofrimento alheio? Como nos arrogamos a posição de juiz de quem já não vê a luz, a alegria? Como subentendeu o Saramago no excerto que colocaram aqui, a eutanásia não é uma discussão sobre a vida em geral, mas sobre a morte em particular. Não me lembro de nenhuma experiência pela qual tenha passado que me tenha levado a pensar desta forma. O que sei é que a mera ideia de me fazerem de mim um assassino emocional dos meus entes queridos sem que eu, ou alguém a quem a minha vida tenha sido cedida, nada possa fazer me aterroriza. Não tive nenhuma situação extrema, mas não acho que seja necessário para ser a favor. Vivi a morte da minha mãe de relativamente perto (tinha 11 anos, portanto foi com um certo distanciamento próprio da idade, quer inato, quer forçado), imagino que ela tenha sofrido horrores com o cancro que a matou, mas não tenho noção, para ser honesto. Lembro-me mais ou menos do sofrimento que foi a remoção dos 2 peitos, a quimio, o alastrar do cancro à coluna e outros órgãos, a fase final em que ela mal se mexia e nem me conhecia... mas não consigo mesmo quantificar a dor que ela poderia estar a sentir. Não a conheci ao ponto de conhecer as ideologias dela a fundo, mas provavelmente seria contra a eutanásia e duvido que a quisesse. O facto de eu ser a favor da eutanásia não tem (felizmente) nada a ver com a minha experiência pessoal - é simplesmente algo que me parece óbvio. Da mesma forma que nunca experienciei um aborto, sou pessoalmente contra, mas ainda bem que hoje se pode fazer abortos legalmente em Portugal. Também felizmente consigo fazer algo que a maioria (pelos vistos) não consegue: permitir a escolha de cada um, mesmo sendo contra. Acho uma estupidez haver gente que faz questão de legislar contra algo que não afecta negativamente mais ninguém além da pessoa em causa que, supostamente, devia ter liberdade de escolha. Obrigado pelas respostas, perguntei mesmo porque noto que maior parte dos casos de quem está contra é de gente que nunca passou por situação semelhante. Eu também nunca passei por uma situação semelhante de ver alguém definhar mas sempre fui um defensor, mas algo tímido, da Eutanásia. Nunca foi um assunto que aprofundasse a 100% porque nunca tive "motivos" para tal. E só me sinto estúpido pelo pensamento um bocado egoísta. Neste momento, sou um defensor acérrimo. Em Abril fui parar ao hospital por ter acordado sem conseguir mexer uma perna. Um mês depois fui diagnosticado com Esclerose Múltipla Pseudotumoral. Apesar de neste momento me encontrar bem, e de ir começar a fazer a medicação auto-injetável que terei de cumprir obrigatoriamente de 15 em 15 dias até ao fim da minha vida de forma a tentar controlar a doença, tenho perfeita noção que sendo uma doença degenerativa cerebral, a medicação não trata a doença. É uma doença auto-imune, e como tal a única hipótese é tentar combater a mesma na esperança de que vá ficando controlada. Mas por ser uma doença auto-imune e por ser algo complicado de prever como e onde ataca, ainda por cima numa área tão delicada como o cérebro, tenho perfeita noção que daqui a 20 ou 30 anos, ou até antes, posso continuar a ter a minha normal, transformar-me num vegetal ou só não mexer uma mão. E é por ter noção disso que não quero ficar agarrado a uma vida de miséria sem qualquer vontade de viver, agarrado a um suporte de vida agoniado. Neste momento, passou a ser um assunto que me é importante, e lendo as opiniões da malta mais jovem, acredito que será uma questão de tempo até este mecanismo ser legal. Editado 30 Maio 2018 por Pickle Rick Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 30 Maio 2018 (editado) Esse caso é raríssimo. É demasiado linear estarmos a discutir sem saber o caso concreto ou os relatórios médicos. Acho que ela até tem um documentário, a ver se vejo. Não me parece que seja uma promoção da morte, mas sim uma opção para haver alguma dignidade em algo que é inevitável. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5530592/ Está longe de ser um caso raro. Aliás, ao ler este estudo fiquei estupefacto pelo número chegar a tantos: 70% (46 of 66) of patients were women, 32% were over 70 years-old, 44% were between 50–70, and 24% were 30–50. Most had chronic, severe conditions, with histories of attempted suicides and psychiatric hospitalizations. A majority had personality disorders and were described as socially isolated or lonely. Depressive disorders were the primary issue in 55% of cases. Other conditions represented were psychotic, PTSD/anxiety, somatoform, neurocognitive, and eating disorders, as well as prolonged grief and autism. Co-morbidities with functional impairments were common. A minority (41%) of physicians performing euthanasia/assisted suicide were psychiatrists. 18 (27%) patients received the procedure from physicians new to them, 15 (23%) of whom were physicians from the End-of-Life Clinic, a mobile euthanasia clinic. Consultation with other physicians was extensive, but 11% of cases had no independent psychiatric input and 24% of cases involved disagreement among consultants. The Review Committee found one case to have failed to meet legal due care criteria. Se num contexto consideravelmente melhor acontece isto, pergunto-me se não será promoção da morte a partir do momento em que temos um SNS no estado em que está e onde os cuidados paliativos estão longe de serem os ideais. EDIT - https://www.dutchnews.nl/news/2018/03/more-euthanasia-in-the-netherlands-nearly-all-cases-in-line-with-the-rules/ O ano passado foram 83 casos. Força aí Pickle Rick :compinchas: Daqui a 30 anos ainda estarás aqui a postar forte e saudável, isto se o servidor não for ao ar :mrgreen: Editado 30 Maio 2018 por Rōnin Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 30 Maio 2018 (editado) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5530592/ Está longe de ser um caso raro. Aliás, ao ler este estudo fiquei estupefacto pelo número chegar a tantos: Se num contexto consideravelmente melhor acontece isto, pergunto-me se não será promoção da morte a partir do momento em que temos um SNS no estado em que está e onde os cuidados paliativos estão longe de serem os ideais. EDIT - https://www.dutchnews.nl/news/2018/03/more-euthanasia-in-the-netherlands-nearly-all-cases-in-line-with-the-rules/ O ano passado foram 83 casos. Força aí Pickle Rick :compinchas: Daqui a 30 anos ainda estarás aqui a postar forte e saudável, isto se o servidor não for ao ar :mrgreen: 1,26% dos casos em 2017 foram de foro mental, pelos vistos. Isso é a minha definição de raro :mrgreen: mas obviamente que a tendência será aumentar, mesmo que lentamente, apesar de ser a causa mais reduzida de casos de eutanásia. São casos ainda mais complexos, porque acredito que seja ainda mais difícil conseguir autorização para obter autorização. Força nisso Pickle! Editado 30 Maio 2018 por Koper Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 30 Maio 2018 1,26% dos casos em 2017 foram de foro mental, pelos vistos. Isso é a minha definição de raro :mrgreen: mas obviamente que a tendência será aumentar, mesmo que lentamente, apesar de ser a causa mais reduzida de casos de eutanásia. São casos ainda mais complexos, porque acredito que seja ainda mais difícil conseguir autorização para obter autorização. Devias ir para a política :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
ventura21 Publicado 30 Maio 2018 Koper, a eutanásia não te parece suficientemente abrangente para levar a referendo? But why? É um tema tão ou mais complexo que o aborto, por exemplo. Porque a meu ver, uma decisão deste calibre passar por duas centenas de pessoas... cof cof. Aquelas duas centenas de pessoas não pensam como as restantes pessoas elegíveis para votar, tendo em conta que muitas vezes os deputados têm de seguir o sentido de voto do partido, mesmo que isso vá contra os seus ideias. Btw, adorei ver o CDS votar contra a eutanásia, por exemplo. Teve piada, aliás tem piada porque estes são os mesmos que votaram contra a legalização de uma droga leve (uso de cannabis para fins medicinais), no entanto, concordam que se deve tratar de um doente "doses de cavalo" para amenizar a dor porque todos "têm direito à vida". As camas que ficam ocupadas por malta que fase terminal ou por pessoas que estão 100% conscientes mas tiveram o azar de, sei lá, ficarem tetraplégicas e que preferem morrer do que a passar o resto da vida à espera de um milagre medicinal. Os hospitais poupariam imensos recursos humanos/financeiros que podem e devem ser canalizados para outras coisas. Aqui tens uma justificação mais ou menos decente, visto que a dos animais "não é suficiente". Agora se me perguntares como deve ser regulamentada... não faço ideia nenhuma. Compartilhar este post Link para o post
Koper Publicado 30 Maio 2018 O passo passa por se abrir a discussão da eutanásia. Isto foi o primeiro passo para se meter a opinião pública e as pessoas a falarem do assunto. O próximo é que, na próxima legislatura, os partidos comecem a inscrever isso nos programas políticos e a vincar as suas tendências. O aborto era um tema que afetava mais gente, mais fácil de ser colocado em referendo. Apesar de podermos vir todos a ter uma doença terminal ou ficarmos sem qualidade de vida, não é algo que, diretamente, vá incidir na vida dum grande número de pessoas, ao contrário do tema do aborto, que tem muito maior relevância nacional e prática na vida de todos nós. Depois, a eutanásia ainda não foi discutida o suficiente nem acho que a população esteja educada para ter uma ideia ou compreender a complexidade do tema, pelo menos por agora. É começar a discutir-se o tema, os partidos marcarem posições e, mais tarde ou mais cedo, parece-me que vai ser aprovada. Eu concordo que seja aprovada também :mrgreen: só que nunca se pode comparar o facto de acabar com o sofrimento de um cão com a prática de eutanásia numa pessoa. A eutanásia também deve sair cara, porque são precisos muitos recursos para tal. Ainda por cima num país burocrático como o nosso. O foco maior aqui tem de ser sempre a pessoa e a sua vontade, não o facto do Estado poupar ou não. Compartilhar este post Link para o post
John Bonifácio Publicado 30 Maio 2018 Muita força, Hugo! Espero que consigas entender a tua doença não pelo que ela é, mas por aquilo que te dá: uma oportunidade. A oportunidade. Agora tens a maior justificação de todas para não cederes um milímetro dos teus valores, dos teus desejos e objetivos a nada nem ninguém, sob nenhum contexto. É a maior e melhor das responsabilidades. A de seres fiel a ti mesmo e aos teus sonhos e de nunca deixares de os perseguir. Aquele abraço! Compartilhar este post Link para o post
Longineu Publicado 30 Maio 2018 Força aí, grande. :compinchas: Compartilhar este post Link para o post
pedritsh Publicado 30 Maio 2018 Se a pessoa estiver numa doença terminal e inconsciente, sem poder falar, a eutanásia funciona aqui? Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 30 Maio 2018 Já agora a título de curiosidade por causa dessa conversa do PCP e seu eleitorado... Referendo sobre o Aborto 1998. Beja: Não 7.114 Sim 25.477 (21.83 vs 78.17) Évora: Não 10.417 Sim 28.137 (27,02 vs 72,98) Setúbal: Não 37.534 Sim 169.742 (18,11 vs 81,89) Referendo sobre o Aborto 2007. Beja: Não 8.641 Sim 45.028 (16.10 vs 83.90) Évora: Não 13.312 Sim 48.274 (21.62 vs 78.38) Setúbal: Não 57.032 Sim 259.684 (18.01 vs 81.99) Dados interessantes mas podem estar um pouco enviesados por causa do apoio ao Sim do PCP... excepto os de Setúbal, zona de esquerda mais aberta do que o Alentejo. Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 30 Maio 2018 (editado) http://catholicherald.co.uk/news/2018/02/01/dutch-doctors-euthanise-29-year-old-woman-with-depression/ Não deves ter tendências suicidas, mas algo aí dentro não bate certo quando não entendes que o Estado deve proteger a vida e não promover a morte. Porque não ambos? Se um familiar meu tivesse tendências suicidas (e tenho), ficaria apaziguado se houvessem mecanismos que o impedissem de seguir em frente com o suicídio. Esta conversa de liberdade individual quando não nos toca tem muito que se lhe diga. E friso isto nos casos em que mencionaste e não nos de doença terminal, onde é preciso ter uma falta de compaixão monumental para não se dar a liberdade a essa pessoa de terminar de uma vez com o sofrimento e dor. O exemplo que deste do caso holandês não é grande coisa para justificar o que estás a dizer. Pelas tuas palavras até parece que basta uma pessoa ir ao hospital e é logo "eutanasiada", como quem leva uma vacina. E não é assim em lado nenhum - aliás, o exemplo holandês diz claramente "after winning an eight-year battle to end her life". Portanto, mesmo tratando-se "apenas" de um caso de depressão, o desejo de eutanásia não terá sido algo de momentâneo, pelo contrário. Novamente digo que tens (ou estás a passar, pelo menos) uma ideia errada do que é a eutanásia. Não é algo do momento, de certeza que as pessoas terão de passar por extensivas avaliações para terem a certeza, quer elas, quer os médicos, de que estão cientes do que estão a pedir e de que é mesmo isso que querem. E também de certeza que pessoas comprovadamente inimputáveis não poderão ser consideradas para a eutanásia. Mas agora deixa-me colocar-te um cenário, e espero que não me leves a mal: imagina que sabes que o teu familiar vai mesmo para a frente com o suicídio, no matter what. Não preferias que isso acontecesse de forma "controlada", vs um suicídio? Obrigado pelas respostas, perguntei mesmo porque noto que maior parte dos casos de quem está contra é de gente que nunca passou por situação semelhante. Eu também nunca passei por uma situação semelhante de ver alguém definhar mas sempre fui um defensor, mas algo tímido, da Eutanásia. Nunca foi um assunto que aprofundasse a 100% porque nunca tive "motivos" para tal. E só me sinto estúpido pelo pensamento um bocado egoísta. Neste momento, sou um defensor acérrimo. Em Abril fui parar ao hospital por ter acordado sem conseguir mexer uma perna. Um mês depois fui diagnosticado com Esclerose Múltipla Pseudotumoral. Apesar de neste momento me encontrar bem, e de ir começar a fazer a medicação auto-injetável que terei de cumprir obrigatoriamente de 15 em 15 dias até ao fim da minha vida de forma a tentar controlar a doença, tenho perfeita noção que sendo uma doença degenerativa cerebral, a medicação não trata a doença. É uma doença auto-imune, e como tal a única hipótese é tentar combater a mesma na esperança de que vá ficando controlada. Mas por ser uma doença auto-imune e por ser algo complicado de prever como e onde ataca, ainda por cima numa área tão delicada como o cérebro, tenho perfeita noção que daqui a 20 ou 30 anos, ou até antes, posso continuar a ter a minha normal, transformar-me num vegetal ou só não mexer uma mão. E é por ter noção disso que não quero ficar agarrado a uma vida de miséria sem qualquer vontade de viver, agarrado a um suporte de vida agoniado. Neste momento, passou a ser um assunto que me é importante, e lendo as opiniões da malta mais jovem, acredito que será uma questão de tempo até este mecanismo ser legal. Eish, right in the feels. A melhor das sortes, rapaz. :heart: Editado 30 Maio 2018 por Ghelthon Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 30 Maio 2018 O exemplo que deste do caso holandês não é grande coisa para justificar o que estás a dizer. Pelas tuas palavras até parece que basta uma pessoa ir ao hospital e é logo "eutanasiada", como quem leva uma vacina. E não é assim em lado nenhum - aliás, o exemplo holandês diz claramente "after winning an eight-year battle to end her life". Portanto, mesmo tratando-se "apenas" de um caso de depressão, o desejo de eutanásia não terá sido algo de momentâneo, pelo contrário. Novamente digo que tens (ou estás a passar, pelo menos) uma ideia errada do que é a eutanásia. Não é algo do momento, de certeza que as pessoas terão de passar por extensivas avaliações para terem a certeza, quer elas, quer os médicos, de que estão cientes do que estão a pedir e de que é mesmo isso que querem. E também de certeza que pessoas comprovadamente inimputáveis não poderão ser consideradas para a eutanásia. Mas agora deixa-me colocar-te um cenário, e espero que não me leves a mal: imagina que sabes que o teu familiar vai mesmo para a frente com o suicídio, no matter what. Não preferias que isso acontecesse de forma "controlada", vs um suicídio? Não é um só caso, são vários e às dezenas que contradizem aquilo que defendeste em relação à eutanásia aplicada em pessoas com problemas mentais. Não sei se o contexto dessa citação aplica-se dessa forma, porque pode querer dizer que ela procurou o suicídio durante 8 anos e não necessariamente que o tenha tentado fazer durante esse tempo todo através da eutanásia. Independentemente disso, demore 1 ano ou 8, não deixo de condenar esta prática neste tipo de pacientes. Levo a mal sim e nem respondo de tão absurdo que é. Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 30 Maio 2018 (editado) Pelo contexto da notícia depreendo que foi uma batalha jurídica de oito anos. Depreendo também que os médicos não quisessem realizar a eutanásia, e que o tribunal tenha dado razão à pessoa em causa. O grande problema é acharmos que somos melhores que os outros, e que algo que vá contra os nossos valores é errado. Se alguém (imputável) quiser a morte, deve poder tê-la da forma mais humana e indolor possível. O mesmo se aplica ao aborto, às drogas, etc. Podemos ser contra tudo isso, mas a decisão tem de ser do indivíduo. Outro argumento que adoro é aquele que diz que despenalizar a eutanásia é uma promoção à morte. Quando não é nada disso que acontece, obviamente. E escusam de vir com casos-limite para tentar descredibilizar a coisa. Esses casos existem em todas as áreas e é para lidar com eles que há leis, tribunais, comités de ética, etc. Editado 30 Maio 2018 por Ghelthon Compartilhar este post Link para o post
Almeno Publicado 30 Maio 2018 Hugo :heart: :( Tudo de bom amigo. Compartilhar este post Link para o post
sepa Publicado 31 Maio 2018 (editado) Acho que não podes colocar a eutanásia no mesmo saco do suicídio. Geralmente a eutanásia é definida para casos clínicos terminais e/ou sem cura, não é no sentido dos hospitais passarem a ser matadouros humanos. As coisas são diferentes, não podes comparar alguém que quer terminar o seu sofrimento físico e/ou psicológico porque sabe que vai morrer com alguém que "apenas" tem uma depressão. Mas, mesmo assim, prefiro muito mais a ideia de alguém no segundo caso poder "agendar" a morte, com toda a calma e rodeado dos que gosta, do que simplesmente parar o carro na Ponte 25 de Abril e saltar, ou tomar um frasco de comprimidos, ou dar um tiro na cabeça, ou cortar os pulsos. Claro que a eutanásia nunca funcionou nem vai funcionar assim mas, do meu ponto de vista, até nessa situação extrema é melhor. Naturalmente não podes colocar no mesmo saco. O meu receio é que tu o estejas a fazer quando dizes: De qualquer forma, a última decisão será sempre do paciente. Da mesma forma que nenhum paciente pode ser obrigado a efectuar um determinado tratamento, por que razão deverá ser obrigado a viver mais do que quer? E claro que eu entendo que a eutanásia não existe para transformar os hospitais em matadouros, ainda que, como suspeitam esteja a acontecer na Holanda, a linha que separa os casos clínicos terminais e/ou sem cura se comece a esbater. O problema principal parece-me ser a delicadeza da decisão do médico/enfermeiro que decide se o paciente tem ou não o "direito de morrer". O estado nao deve nunca de forma alguma sobrepor se a decisioes individuais que nao afectam directamente terceiros...algo nao bate bem na cabeca de pessoas que pensam que tem o direito de decidir pelos outros, seja na eutanasia, no aborto, nas drogas ou na orientacao sexual. Estamos no seculo XXI, parece incrivel como ainda existe tanta gente a viver mentalmente no seculo XIX Eu considero isto ponto assente, mas admito que não o seja para todos. Tendências suícidas exigem tratamento, e não desvalorização do problema e desresponsabilização à base do argumento "é uma decisão individual, não afeta a liberdade dos outros". A eutanásia/suicídio assistido não tem nada a ver com esta situação (ou não deveria, pelo que começo a perceber). De um ponto de vista obviamente mais dramático, aceitar o suicídio (puro e duro) como compreensível e "irrelevante" na esfera social, é mais uma evidência do nosso falhanço enquanto sociedade. Não te estava a descredibilizar, mas sim o autor do texto. Falar de casos raríssimos como mote para contrariar os casos de países em que a eutanásia é aplicável, sem qualquer fundamento pelos vistos, não faz grande sentido. Agora, há que realçar que a eutanásia não se foca só nas pessoas que irão morrer daqui a 1 mês ou que estejam com data contada para a sua morte, mas sim em quem tem sofrimento atroz, quer seja físico ou psicológico, sem perpectiva de recuperação ou melhorias. Embora o psicológico seja uma temática mais complexa. Eu sei que referias o autor, estava só a colocar o caveat que não validei essa informação. Relativamente à segunda frase, concordo com a complexidade e reconheço que o tema é demasiado complicado. De qualquer das formas, a eutanásia seria aceitável se, havendo cura provável, o paciente tivesse que passar por um período penoso e de sofrimento? Afinal que situações é que estamos a querer precaver com a despenalização da Eutanásia? Está relacionado com o sofrimento ou com a inexistência de cura? Ou basta a mera vontade do paciente independentemente da situação? O destino final é chegar ao ponto que o Burkina referiu? Editado 31 Maio 2018 por sepa Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 31 Maio 2018 Mas de onde é que apareceu essa ideia de que na Holanda e na Bélgica se perdeu o controlo da Eutanásia? Onde é que está algo credível que sustente essa ideia? Para já isso não passa de um argumento assustador a favor do não sem qualquer base de sustentação. É que até seria importante olhar para os outros exemplos de países que despenalizaram a Eutanásia, mas esse boato já tomou de assalto esta parte da discussão :lol: Compartilhar este post Link para o post
sepa Publicado 31 Maio 2018 Mas de onde é que apareceu essa ideia de que na Holanda e na Bélgica se perdeu o controlo da Eutanásia? Onde é que está algo credível que sustente essa ideia? Para já isso não passa de um argumento assustador a favor do não sem qualquer base de sustentação. É que até seria importante olhar para os outros exemplos de países que despenalizaram a Eutanásia, mas esse boato já tomou de assalto esta parte da discussão :lol: Apenas o artigo do Raposo, em que infelizmente não vêm mencionadas fontes, é que nos leva para esse sentido. Do meu lado e do Koper não há nenhuma referência ao descontrolo. Há apenas o meu ponto de tentar perceber se o que o Raposo refere é verdade e o do Koper a apresentar que na Bélgica não é bem assim. Adicionalmente, a expressão "perder o controlo" é demasiado subjetiva. A minha preocupação reside especialmente nestas situações: Latest end-of-life statistics from the Netherlands by Michael Cook | 5 Aug 2017 | 23 comments More statistics about euthanasia from the Netherlands, based on the latest figures from 2015. Nearly one death in 20 (4.5%) is now due to euthanasia. The figures come from a letter in the latest issue of the New England Journal of Medicine. “It looks like patients are now more willing to ask for euthanasia and physicians are more willing to grant it,” said lead author Dr. Agnes van der Heide of Erasmus University Medical Center in Rotterdam. But the statistics for euthanasia alone masks the proportion of end-of-life decisions in the Netherlands. The figures for some categories overlap, but 4.5% of all deaths happened through euthanasia, 0.1% through physician-assisted suicide; and 18.3% through “continuous deep sedation”. This last category is slippery and controversial. It accounts for nearly 1 death in 5 in the Netherlands. In some cases doctors agree that it is appropriate for refractory pain; but it can also be a form of “slow euthanasia” used to evade regulation and scrutiny. The statistics are based on a questionnaire given to all Dutch physicians which more than three-quarters answered. “Ending of life without an explicit patient request” accounts for 0.3% of all deaths. This has decreased since 1990, when the figure was 0.8%. But possibly some doctors are using continuous deep sedation instead. Bioethicists observed that the increase was to be expected. “Doctors become more confident in practicing euthanasia and more patients will start asking for it,” said Penney Lewis, co-director of the Centre of Medical Law and Ethics at King’s College London. Dr van der Heide suggested that the small but increasing number of euthanasia deaths for people who were not terminally ill was troubling. “When assisted dying is becoming the more normal option at the end of life, there is a risk people will feel more inclined to ask for it,” she said. Clique aquihttps://www.bioedge.org/bioethics/latest-end-of-life-statistics-from-the-netherlands/12378 Não é suposto que este seja o foco da discussão, mas não deixa de ter a sua relevância. Especial destaque deve ser dado ao estudo que o Ronin colocou aí (Clique aqui) em particular aos casos complicados da Tabela 3 a 5. Pegando na informação disponível e nas conclusões infra, eu admitiria que a situação é difícil. Se nestes casos apresentados, discordância em cada 1 de 4 casos não é alarmante, não sei o que é. At a Glance - Euthanasia and/or physician assisted suicide (EAS) of persons suffering from psychiatric disorders is increasingly practiced in some jurisdictions such as Belgium and the Netherlands but very little is known about the practice. - This study’s aim was to describe the practice by reviewing all available case summaries of psychiatric EAS in the Netherlands from 2011 to 2014 (66 cases). - Most patients who receive psychiatric EAS are women, of diverse ages, with a variety of chronic psychiatric conditions accompanied by personality disorders, significant physical problems, and social isolation/loneliness, often in the context of refusals of treatment. A minority who are initially refused EAS ultimately receive EAS through a mobile euthanasia clinic. - Given that the patients have chronic, complicated histories requiring considerable physician judgment, extensive consultations are common. But independent psychiatric input does not always occur; disagreement among physicians occurred in one in four cases; and the euthanasia review committees generally defer to the judgments of the physicians performing EAS. Também tens estudos que admitem que tudo está normal (Clique aqui). "Between 0.3% to 4.6% of all deaths are reported as euthanasia or physician-assisted suicide in jurisdictions where they are legal. The frequency of these deaths increased after legalization. More than 70% of cases involved patients with cancer. Typical patients are older, white, and well-educated. Pain is mostly not reported as the primary motivation. A large portion of patients receiving physician-assisted suicide in Oregon and Washington reported being enrolled in hospice or palliative care, as did patients in Belgium. In no jurisdiction was there evidence that vulnerable patients have been receiving euthanasia or physician-assisted suicide at rates higher than those in the general population." Não consegui aceder ao texto integral, embora gostasse de compreender qual a main motivation. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 31 Maio 2018 (editado) Para mim isso é um bocado chinês. Não sei reconhecer se essas fontes são fidedignas ou não e se os casos são assim tão leves como estão apresentados, por isso abstenho-me. Parece-me é que colocando as situações na balança doentes psíquicos vs doentes terminais, a balança penderá sempre para os segundos. Isto é, estes serão sempre os que mais se servirão da eutanásia. E parece-me injusto sequer colocar em foco um ou dois desses casos que possam ter acontecido, e que possam vir a acontecer, de forma a negativizar a Eutanásia quando sabemos que aqueles que precisam/querem e podem vir a precisar/querer (no caso das doenças terminais e doentes de cuidados paliativo, etc) serão em muito maior numero. Agora, também coloco as coisas desta forma, se uma pessoa com um registo de transtornos psíquicos graves e que já se tenha tentado suicidar duas ou três vezes, que o caso e o corpo clínico psiquiátrico que o acompanhe mostre que muito dificilmente a pessoa conseguirá retomar uma vida normal, se essa pessoa desejar recorrer à Eutanásia, deve poder fazê-lo. Claro que são casos extremos e pouco ou mais vou desenvolver, deixo apenas um exemplo. Mas deixo a pergunta: até que ponto uma doença psicológica não pode ser também uma doença (equiparável) terminal? É sempre muito bonito dizer que devemos ajudar, eu também acho que essa deve ser a atitude até ao limite, mas nós sabemos lá. Essa ajuda, o tratamento psicológico ou psiquiátrico, será sempre o primeiro passo, mas se calhar há um limite insuportável para estes doentes também. Se calhar são esses os casos citados nesses artigos. Editado 31 Maio 2018 por Mayday Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 31 Maio 2018 (editado) Sepa, por isso é que te disse que não se deve levar a sério o Raposo. Tens razão, não se deve descredibilizar uma fonte com base em acontecimentos anteriores, mas, e é um grande mas, se essa fonte repetidamente apresenta uma argumentação falaciosa e não sustentada por factos e evidências verificáveis, torna-se uma fonte pouco fiável. Isto em História tem um nome, mas é aqui que admito já estar bastante enferrujado na matéria e já não me lembrar do termo.Talvez alguém mais novo que ande em História, ou tenha concluído há menos tempo, me possa ajudar? :lol: Editado 31 Maio 2018 por Black Hawk Compartilhar este post Link para o post
Pickle Rick Publicado 31 Maio 2018 Força aí Pickle Rick :compinchas: Daqui a 30 anos ainda estarás aqui a postar forte e saudável, isto se o servidor não for ao ar :mrgreen: Hugo :cry: :heart: Força nisso Pickle! Eish, oh Hugo :heart: Força aí, grande. :compinchas: Eish, right in the feels. A melhor das sortes, rapaz. :heart: Hugo :heart: :( Tudo de bom amigo. Obrigado a todos pelas mensagens. :heart: Muita força, Hugo! Espero que consigas entender a tua doença não pelo que ela é, mas por aquilo que te dá: uma oportunidade. A oportunidade. Agora tens a maior justificação de todas para não cederes um milímetro dos teus valores, dos teus desejos e objetivos a nada nem ninguém, sob nenhum contexto. É a maior e melhor das responsabilidades. A de seres fiel a ti mesmo e aos teus sonhos e de nunca deixares de os perseguir. Aquele abraço! Claro que entendo, acho que nem existe outra forma de lidar com este tipo de doenças. Desde o dia em que fiz a primeira TAC e Ressonância Magnética até ao dia do relatório final, sensivelmente 1 mês e meio, só tive 20 minutos em que o mundo me desabou, que foi a viagem entre a CUF de Cascais e o Amadora-Sintra para ser internado. De resto, a solução passa por continuar a ser quem era, com o mesmo espírito e vontade. Neste momento o objectivo passa por aí e por tentar ir alertando para qualquer coisa relacionada com a doença. Compartilhar este post Link para o post
noikeee Publicado 31 Maio 2018 É esse o espírito e atitude :) que continues sempre assim, força! Compartilhar este post Link para o post