Ir para conteúdo
What

Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de antifa, há 50 minutos:

Calma, 1 a 3 milhões (!?!?!?) de pessoas daqui a meia dúzia de meses e tudo o que há é um descampado em cima de uma lixeira?

 

dis-gon-b-gud-this-is-going-to-be-good.g

em França tens 2 milhões de pessoas a protestar na rua por reformas de pensões, cá é para ir ver o Papa. inserir meme do Marcelo

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Mayday, há 13 horas:

Mas que raio vai acontecer nesta cidade?

fdx, vão tirar a bandeira de portugal para meter duas fotos do papa? pró crl

Citação de Burkina2008, há 8 horas:

Para mim quando chegassem as facturas dessas palermices destes evento religioso, o Estado e/ou a CML, mandavam um de volta a factura com um cartaozinho com a cara de Jesus Cristo e a frase "Obrigado, Deus te pague"

quando cravo alguma coisa digo sempre "Deus te pague que agora não tenho dinheiro"

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de SAS_Robben, há 13 horas:

Vai ser giro ver Lisboa em pleno Agosto receber mais de um milhão de jovens. A cidade vai ficar num pandemónio. Vai ser bom é para os senhorios a alugar quartos a 500 euros por noite.

boa altura para meter férias

Compartilhar este post


Link para o post

O Moedas foi uma desilusão enorme. Não em relação à campanha eleitoral, em que mostrou logo que era um idiota, mas em relação à ideia que muita gente (eu incluido) tinha em relação a ele há 4 ou 5 anos: Que era alguém competente e com mundo. Não dá uma para a caixa.

  • Concordo! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Apocalypse Now, há 7 minutos:

boa altura para meter férias

tinha ideia que quase todo o pessoal de lisboa metia férias em agosto

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Mayday, há 13 horas:

Mas que raio vai acontecer nesta cidade?

Isto parece a gozar.

Compartilhar este post


Link para o post

Também estou a adorar estes renders que parecem dos anos 90. Com tanto milhão para aqui e para ali parece que encomendaram isto ao sobrinho que é jeitoso com computadores.

  • Like 3

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Puto Perdiz, há 18 minutos:

esse segundo palco tem pinta de ainda ser mais caro que o outro

Mas esse palco era a alternativa?

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de antifa, há 10 minutos:

Também estou a adorar estes renders que parecem dos anos 90. Com tanto milhão para aqui e para ali parece que encomendaram isto ao sobrinho que é jeitoso com computadores.

Foi feito no Minecraft este.

  • Like 1

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Black Hawk, há 23 horas:

Tem a sua piada que há cerca de 100 anos havia uma discussão muito parecida. Ninguém o era, mas... Ninguém concordava, mas... Mas... Mas... Mas...

acho que muita gente confunde cultura com raça. Por exemplo quem trabalha com clientes/pessoas de vários países culturalmente diferentes, sabe que existem diferenças naquilo que é o caso esperado, mas obviamente não são todos assim. Pegando por exemplo em Angola, tens estrangeiros que foram para lá e absorveram a cultura de trabalho deles por estarem lá há tanto tempo, não é uma questão de raça. Assim como tens lá malta, angolanos ou estrangeiros, que trabalham mais que muitos daqui, por exemplo, tou mesmo a referir ao caso esperado do contexto em que estava envolvido.

Quem nunca foi a angola (também só fui a luanda) não consegue entender o que estou a falar, porque aquilo é tão surreal que ninguém vai acreditar sem lá ter ido. Quando eu digo que esperava 40-45minutos por uma caipirinha ou café, não estou a exagerar. Ou esperar 15 minutos pelo troco quando só estou eu lá dentro. Se viveste aquela cultura o tempo todo, é normal que seja essa a realidade que conheces e o que assumes como sendo o normal, digo eu, acho que tem 0 a ver com raça.

É como aqui em portugal que há a ideia que os funcionarios publicos nao fazem um crl, e na verdade há uns que têm de trabalhar por 2 ou 3 pessoas e que fazem as coisas avançar. Muita gente está la desmotivada/acomodada e nao faz um crl, é verdade, mas não são todos.

 

  • Concordo! 5

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Gilberto Carlos, há 32 minutos:

Mas esse palco era a alternativa?

não, este é outro palco que vai ser utilizado na cidade de Lisboa. Em vez de segundo palco talvez fosse mais correcto dizer palco secundário

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Puto Perdiz, há 1 hora:

não, este é outro palco que vai ser utilizado na cidade de Lisboa. Em vez de segundo palco talvez fosse mais correcto dizer palco secundário

Porra, organizar o Europeu é uma brincadeira ao pé disto 

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Puto Perdiz, há 2 horas:

não, este é outro palco que vai ser utilizado na cidade de Lisboa. Em vez de segundo palco talvez fosse mais correcto dizer palco secundário

mas de quantos palcos é que o papa precisa?

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Apocalypse Now, há 6 minutos:

mas de quantos palcos é que o papa precisa?

não é só o Papa que vem cá. O Papa é só o cabeça de cartaz.

é uma espécie de SuperBock em Sotck, aqui deve ser o JMJ Vaticano em Stock

  • Like 5

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Brahimi, há 4 horas:

O Moedas foi uma desilusão enorme. Não em relação à campanha eleitoral, em que mostrou logo que era um idiota, mas em relação à ideia que muita gente (eu incluido) tinha em relação a ele há 4 ou 5 anos: Que era alguém competente e com mundo. Não dá uma para a caixa.

O Moedas só tem feito m*rda nos últimos dias mas não foi ele que trouxe as JMJ para Lisboa. Assim como o Biden levou com os risos do Trump quando foi a retirada do Afeganistão já no mandato Biden.

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Lebohang, há 1 hora:

 

Spoiler

Chega sereno, Chega histriónico: a “taberna” e a dupla personalidade no Parlamento

Episódios e apartes constantes, deselegância, má educação, obsessão pelas redes sociais, misoginia, violência física. Os 12 deputados do Chega têm um estilo nunca visto na Assembleia da República.

 

Este mês, quando André Ventura disse aos gritos, na Assembleia da República (AR), que o Presidente Lula da Silva é “um bandido”, o insulto foi título de notícias nos media portugueses e até num jornal regional brasileiro: “Parlamento de Portugal tem discussão após ultradireitista xingar Lula.”

Se a intenção era dar nas vistas, o presidente do Chega teve êxito. Se era sobrepor-se a tudo o que acontecesse nesse dia no Parlamento, também.

Que o diga Carlos Guimarães Pinto, deputado da Iniciativa Liberal (IL): “Há dias, fiz uma intervenção a propor a eliminação das multas astronómicas pelo atraso de pagamento de portagens, um trabalho longo que fizemos para garantir que podia ser aprovado”, conta ao PÚBLICO.

No dia seguinte, o projecto de lei passou com os votos a favor da IL, PCP, BE, Livre e Chega.

“Mas à noite, no telejornal que vi, só saiu Ventura a chamar ‘bandido’ a Lula da Silva, o que, em termos de conteúdo, não tem qualquer efeito na vida dos portugueses. Ventura sabia a resposta que ia ter, sabia que o presidente da Assembleia iria interromper e dizer alguma coisa, sabia que ia criar um episódio. É essa a estratégia: a tentativa permanente de criar episódios. Estamos sentados ali ao lado e sentimos com antecedência o momento em que vai haver uma intervenção do Chega com o objectivo de criar um episódio que passe nos telejornais. Como duram 30 segundos, são fáceis de pôr nos telejornais. Entretém. O que tem substância é ofuscado.”

O padrão

O PÚBLICO falou com mais de 15 deputados, da esquerda à direita, sobre o primeiro ano do Chega como terceira força política no Parlamento e todos concordam que esta é uma característica central.

É mais evidente — e frequente — desde que passou de um para 12 deputados, a seguir às eleições legislativas de Janeiro de 2022. “Há episódios todas as semanas”, “às vezes todos os dias”, dizem os deputados.

À procura de um retrato do estilo do Chega no Parlamento, os deputados ouvidos falam de um padrão que inclui permanentes incidentes artificiais, permanentes apartes para interromper os discursos dos colegas, permanentes gestos deselegantes ou mal-educados, permanente obsessão por “trabalhar para as redes sociais” e aparecer nos telejornais. Isto pontuado por misoginia e violência física.

“É um estilo muito agressivo, no sentido mais neutro da palavra, que às vezes me obriga a recorrer ao artigo 89.º do regimento [da AR, sobre o "modo de usar a palavra"], o que é bastante raro”, diz Augusto Santos Silva, presidente da AR, que sublinha o facto de o padrão no Parlamento português ser a “cordialidade, civilidade e até consideração pessoal entre bancadas”.

A violência física

Nos últimos meses, houve pelo menos quatro relatos de cenas violentas que envolveram deputados do Chega.

A 6 de Janeiro, Rui Afonso, deputado do Chega, e Jerónimo Fernandes, dirigente do partido no Porto, discutiram num corredor da AR. Segundo o Observador, “trocaram palavras ofensivas que se ouviram noutros gabinetes e houve contacto físico agressivo entre os dois”. Na altura, o jornal entrevistou fontes do Chega que confirmaram que “o nível de voz subiu, houve ameaças e empurrões”.

A 25 de Agosto, o Diário de Notícias noticiou que Bruno Nunes, deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do partido, agrediu fisicamente o seu colega Gabriel Mithá Ribeiro, também deputado, numa reunião do grupo parlamentar.

A 22 de Julho, o Observador noticiou que o líder parlamentar do partido, Pedro Pinto, ameaçou Nuno Saraiva, assessor do grupo parlamentar do PS, num corredor da AR. "Segundo os vários relatos de pessoas que assistiram, o deputado dirigiu-se ao assessor, encostou a cabeça à de Nuno Saraiva e disse: ‘Tens muito a crescer para me chamares fascista’ e ‘parto-te a tromba’.”

A 9 de Junho, Pedro Frazão, do Chega, e André Coelho Lima, do PSD, “pegam-se no corredor da Assembleia”, noticiou a CNN.

A misoginia

“No plenário, a misoginia dos deputados do Chega é muitíssimo visível: quando é uma deputada a falar, fazem aquele gesto com os dedos a abrir e a fechar, e é uma barulheira”, diz Isabel Moreira, do PS. “Com a Inês de Sousa Real [PAN], há sempre o dobro do barulho e da confusão. Com a Alma Rivera [PCP], é uma loucura. Sempre que fala, há guinchos, gargalhadas, gestos a ridicularizar”, diz Moreira, na AR há mais de dez anos. “Antes do Chega, o Parlamento não tinha isto. Sempre houve divergências, mas nunca este desrespeito. As pessoas sempre se ouviram umas às outras. Os deputados do Chega estão sempre a tentar arranjar incidentes, numa constante tentativa de boicote do normal funcionamento dos trabalhos.”

Uma das técnicas são os apartes. Não os apartes clássicos, sublinham os deputados, previstos no regimento. O artigo 89.º diz que “o orador não pode ser interrompido”, mas não considera interrupções “as vozes de concordância, discordância ou análogas”. Com o Chega, é diferente. São apartes nunca ouvidos na AR.

— Mas tu, o que é que tu queres?!

— A si, não vou responder, basta ver como envergonha as mulheres de cima do púlpito!

— Aí vem o peixe-balão!

— Ó borboleta!

— Lá vem este!

— O que é que ele vai dizer agora?!

— Nem parece que só come vegetais!

— Vai-te embora, palhaço!

— Miserável! Seu miserável!

Os deputados do Chega gozam com o sotaque dos deputados do Norte — e gritam “segurââânça!”, “segurââânça!”, a imitar o deputado que está a falar sobre segurança —; gozam com o corpo das colegas deputadas; gozam com o estilo dos colegas homens. De forma ostensiva. “Não falam para o lado num tom de voz normal. Gritam”, diz Guimarães Pinto. “Uma coisa é um aparte, outra é gerar ruído de tal forma que o orador não consegue continuar”, diz Pedro Delgado Alves, do PS.

Em casa, quando vemos na televisão, não se percebe a confusão. Nem quem está a falar se apercebe. “É preciso estar lá. Na televisão, só se ouve o som do microfone”, diz um deputado. É nas bancadas que a confusão é perceptível.

“Mais do que os apartes, os deputados do Chega dão nas vistas ao nível do gesticular”, diz Artur Soveral Andrade, do PSD. “Percebe-se que lhes dá gozo provocar, dar umas ‘caneladas’. Digamos que, no gesticular, no Chega há uma hiperactividade — para ser simpático.”

A taberna

Já houve pateadas conjuntas, do BE à IL, para criticar o Chega. E já houve ovações de pé conjuntas, do BE à IL, para apoiar alguém que criticou o Chega. Foi o que aconteceu quando André Coelho Lima, social-democrata, disse: “Vocês querem tornar o Parlamento numa taberna, mas nós não vamos deixar!”

Todos notam também como os deputados únicos são o alvo predilecto do Chega. “Os apartes misóginos à Inês de Sousa Real são constantes”, diz um deputado. “E o Rui Tavares, mal passam dez ou 20 segundos do seu tempo, já está um deputado do Chega aos gritos: ‘Olha o tempo! Olha o tempo!’." Em regra, até antes de ele começar a falar: “Mal se ouve ‘tem a palavra o senhor deputado Rui Tavares’, um deputado do Chega diz: ‘Para quê?!’, ‘Para quê?!’.”

Para além dos “gritos”, “vozearia” e “barulho” constantes, é comum os deputados do Chega baterem com as mãos nas mesas. “Fazem do hemiciclo uma taberna”, dizem vários deputados, fazendo eco da expressão de Coelho Lima.

A dupla personalidade

O episódio do “bandido”, o da galinha, o do “miserável” e tantos outros têm uma característica em comum: aconteceram no plenário, na sala do hemiciclo, onde estão as televisões. O que nos leva a outra característica do Chega na AR: a dupla personalidade. “O que se passa nas reuniões plenárias não tem nada a ver com o que se passa nas comissões”, diz o social-democrata Soveral Andrade.

Nas comissões, os deputados do Chega assumem outra personalidade, dizem muitos. Os mesmos que, nos plenários, são histriónicos vestem a pele de deputados discretos, diligentes e cooperantes. “Eles estão a aguentar-se e começam a ter capacidade de elaboração técnica”, diz uma deputada do PS.

“No plenário há o teatro, os berros, a agressividade. Nas comissões, a postura é mais construtiva”, diz Soveral Andrade. “Na Comissão de Agricultura e Pescas, eu sou o primeiro vice-presidente e o Pedro dos Santos Frazão, do Chega, é o segundo vice-presidente. Ele nunca criou nenhum obstáculo. No plenário, ele é mais excitado; na comissão, é tranquilo, nada de passar linhas vermelhas, é igual aos outros partidos.”

Todos os deputados ouvidos identificam Frazão, eleito por Santarém — que este fim-de-semana recebe a 5.ª convenção nacional do partido —, como um dos deputados mais agressivos do Chega.

Sérgio Sousa Pinto, do PS, presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, diz o mesmo do seu vice do Chega: “Diogo Pacheco de Amorim é muito civilizado e colaborante, ajuda-me, é diligente, é sempre uma voz moderada e ponderada.”

Este contraste revela outra coisa, diz um deputado socialista: “A liderança absolutamente unipessoal do Chega.” Ao contrário do que acontece noutros partidos, diz, há decisões tomadas em comissões com o acordo do deputado do Chega da comissão ou o acordo do líder parlamentar do Chega fechado em conferência de líderes que, mais tarde, são rebatidas porque, entretanto, Ventura disse que era contra. O incidente sobre a redacção final da lei da eutanásia foi público.

O padrão inclui mais uma particularidade: os deputados do Chega não vão à cantina. Há uma cantina e um restaurante, conhecido como “restaurante dos deputados”. A cozinha é a mesma, a comida é a mesma, os pratos do dia são os mesmos, com a diferença de que na cantina cada um leva o seu tabuleiro para a mesa (e custa cinco euros) e no restaurante há empregados a servir (e custa o dobro). Os deputados do Chega preferem o restaurante. “Nunca os vi na cantina”, dizem deputados de todos os partidos. “Sentem-se bem nos espaços do poder. O discurso é anti-sistema, mas a prática é de quem gosta de fazer parte do sistema. André Ventura anda de motorista e guarda-costas”, diz Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda.

E uma última característica: são a única bancada parlamentar na qual todos os homens usam sempre gravata.

 

 

  • Like 3

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de HappyKing, há 57 minutos:

 

  Ocultar conteúdo

Chega sereno, Chega histriónico: a “taberna” e a dupla personalidade no Parlamento

Episódios e apartes constantes, deselegância, má educação, obsessão pelas redes sociais, misoginia, violência física. Os 12 deputados do Chega têm um estilo nunca visto na Assembleia da República.

 

Este mês, quando André Ventura disse aos gritos, na Assembleia da República (AR), que o Presidente Lula da Silva é “um bandido”, o insulto foi título de notícias nos media portugueses e até num jornal regional brasileiro: “Parlamento de Portugal tem discussão após ultradireitista xingar Lula.”

Se a intenção era dar nas vistas, o presidente do Chega teve êxito. Se era sobrepor-se a tudo o que acontecesse nesse dia no Parlamento, também.

Que o diga Carlos Guimarães Pinto, deputado da Iniciativa Liberal (IL): “Há dias, fiz uma intervenção a propor a eliminação das multas astronómicas pelo atraso de pagamento de portagens, um trabalho longo que fizemos para garantir que podia ser aprovado”, conta ao PÚBLICO.

No dia seguinte, o projecto de lei passou com os votos a favor da IL, PCP, BE, Livre e Chega.

“Mas à noite, no telejornal que vi, só saiu Ventura a chamar ‘bandido’ a Lula da Silva, o que, em termos de conteúdo, não tem qualquer efeito na vida dos portugueses. Ventura sabia a resposta que ia ter, sabia que o presidente da Assembleia iria interromper e dizer alguma coisa, sabia que ia criar um episódio. É essa a estratégia: a tentativa permanente de criar episódios. Estamos sentados ali ao lado e sentimos com antecedência o momento em que vai haver uma intervenção do Chega com o objectivo de criar um episódio que passe nos telejornais. Como duram 30 segundos, são fáceis de pôr nos telejornais. Entretém. O que tem substância é ofuscado.”

O padrão

O PÚBLICO falou com mais de 15 deputados, da esquerda à direita, sobre o primeiro ano do Chega como terceira força política no Parlamento e todos concordam que esta é uma característica central.

É mais evidente — e frequente — desde que passou de um para 12 deputados, a seguir às eleições legislativas de Janeiro de 2022. “Há episódios todas as semanas”, “às vezes todos os dias”, dizem os deputados.

À procura de um retrato do estilo do Chega no Parlamento, os deputados ouvidos falam de um padrão que inclui permanentes incidentes artificiais, permanentes apartes para interromper os discursos dos colegas, permanentes gestos deselegantes ou mal-educados, permanente obsessão por “trabalhar para as redes sociais” e aparecer nos telejornais. Isto pontuado por misoginia e violência física.

“É um estilo muito agressivo, no sentido mais neutro da palavra, que às vezes me obriga a recorrer ao artigo 89.º do regimento [da AR, sobre o "modo de usar a palavra"], o que é bastante raro”, diz Augusto Santos Silva, presidente da AR, que sublinha o facto de o padrão no Parlamento português ser a “cordialidade, civilidade e até consideração pessoal entre bancadas”.

A violência física

Nos últimos meses, houve pelo menos quatro relatos de cenas violentas que envolveram deputados do Chega.

A 6 de Janeiro, Rui Afonso, deputado do Chega, e Jerónimo Fernandes, dirigente do partido no Porto, discutiram num corredor da AR. Segundo o Observador, “trocaram palavras ofensivas que se ouviram noutros gabinetes e houve contacto físico agressivo entre os dois”. Na altura, o jornal entrevistou fontes do Chega que confirmaram que “o nível de voz subiu, houve ameaças e empurrões”.

A 25 de Agosto, o Diário de Notícias noticiou que Bruno Nunes, deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do partido, agrediu fisicamente o seu colega Gabriel Mithá Ribeiro, também deputado, numa reunião do grupo parlamentar.

A 22 de Julho, o Observador noticiou que o líder parlamentar do partido, Pedro Pinto, ameaçou Nuno Saraiva, assessor do grupo parlamentar do PS, num corredor da AR. "Segundo os vários relatos de pessoas que assistiram, o deputado dirigiu-se ao assessor, encostou a cabeça à de Nuno Saraiva e disse: ‘Tens muito a crescer para me chamares fascista’ e ‘parto-te a tromba’.”

A 9 de Junho, Pedro Frazão, do Chega, e André Coelho Lima, do PSD, “pegam-se no corredor da Assembleia”, noticiou a CNN.

A misoginia

“No plenário, a misoginia dos deputados do Chega é muitíssimo visível: quando é uma deputada a falar, fazem aquele gesto com os dedos a abrir e a fechar, e é uma barulheira”, diz Isabel Moreira, do PS. “Com a Inês de Sousa Real [PAN], há sempre o dobro do barulho e da confusão. Com a Alma Rivera [PCP], é uma loucura. Sempre que fala, há guinchos, gargalhadas, gestos a ridicularizar”, diz Moreira, na AR há mais de dez anos. “Antes do Chega, o Parlamento não tinha isto. Sempre houve divergências, mas nunca este desrespeito. As pessoas sempre se ouviram umas às outras. Os deputados do Chega estão sempre a tentar arranjar incidentes, numa constante tentativa de boicote do normal funcionamento dos trabalhos.”

Uma das técnicas são os apartes. Não os apartes clássicos, sublinham os deputados, previstos no regimento. O artigo 89.º diz que “o orador não pode ser interrompido”, mas não considera interrupções “as vozes de concordância, discordância ou análogas”. Com o Chega, é diferente. São apartes nunca ouvidos na AR.

— Mas tu, o que é que tu queres?!

— A si, não vou responder, basta ver como envergonha as mulheres de cima do púlpito!

— Aí vem o peixe-balão!

— Ó borboleta!

— Lá vem este!

— O que é que ele vai dizer agora?!

— Nem parece que só come vegetais!

— Vai-te embora, palhaço!

— Miserável! Seu miserável!

Os deputados do Chega gozam com o sotaque dos deputados do Norte — e gritam “segurââânça!”, “segurââânça!”, a imitar o deputado que está a falar sobre segurança —; gozam com o corpo das colegas deputadas; gozam com o estilo dos colegas homens. De forma ostensiva. “Não falam para o lado num tom de voz normal. Gritam”, diz Guimarães Pinto. “Uma coisa é um aparte, outra é gerar ruído de tal forma que o orador não consegue continuar”, diz Pedro Delgado Alves, do PS.

Em casa, quando vemos na televisão, não se percebe a confusão. Nem quem está a falar se apercebe. “É preciso estar lá. Na televisão, só se ouve o som do microfone”, diz um deputado. É nas bancadas que a confusão é perceptível.

“Mais do que os apartes, os deputados do Chega dão nas vistas ao nível do gesticular”, diz Artur Soveral Andrade, do PSD. “Percebe-se que lhes dá gozo provocar, dar umas ‘caneladas’. Digamos que, no gesticular, no Chega há uma hiperactividade — para ser simpático.”

A taberna

Já houve pateadas conjuntas, do BE à IL, para criticar o Chega. E já houve ovações de pé conjuntas, do BE à IL, para apoiar alguém que criticou o Chega. Foi o que aconteceu quando André Coelho Lima, social-democrata, disse: “Vocês querem tornar o Parlamento numa taberna, mas nós não vamos deixar!”

Todos notam também como os deputados únicos são o alvo predilecto do Chega. “Os apartes misóginos à Inês de Sousa Real são constantes”, diz um deputado. “E o Rui Tavares, mal passam dez ou 20 segundos do seu tempo, já está um deputado do Chega aos gritos: ‘Olha o tempo! Olha o tempo!’." Em regra, até antes de ele começar a falar: “Mal se ouve ‘tem a palavra o senhor deputado Rui Tavares’, um deputado do Chega diz: ‘Para quê?!’, ‘Para quê?!’.”

Para além dos “gritos”, “vozearia” e “barulho” constantes, é comum os deputados do Chega baterem com as mãos nas mesas. “Fazem do hemiciclo uma taberna”, dizem vários deputados, fazendo eco da expressão de Coelho Lima.

A dupla personalidade

O episódio do “bandido”, o da galinha, o do “miserável” e tantos outros têm uma característica em comum: aconteceram no plenário, na sala do hemiciclo, onde estão as televisões. O que nos leva a outra característica do Chega na AR: a dupla personalidade. “O que se passa nas reuniões plenárias não tem nada a ver com o que se passa nas comissões”, diz o social-democrata Soveral Andrade.

Nas comissões, os deputados do Chega assumem outra personalidade, dizem muitos. Os mesmos que, nos plenários, são histriónicos vestem a pele de deputados discretos, diligentes e cooperantes. “Eles estão a aguentar-se e começam a ter capacidade de elaboração técnica”, diz uma deputada do PS.

“No plenário há o teatro, os berros, a agressividade. Nas comissões, a postura é mais construtiva”, diz Soveral Andrade. “Na Comissão de Agricultura e Pescas, eu sou o primeiro vice-presidente e o Pedro dos Santos Frazão, do Chega, é o segundo vice-presidente. Ele nunca criou nenhum obstáculo. No plenário, ele é mais excitado; na comissão, é tranquilo, nada de passar linhas vermelhas, é igual aos outros partidos.”

Todos os deputados ouvidos identificam Frazão, eleito por Santarém — que este fim-de-semana recebe a 5.ª convenção nacional do partido —, como um dos deputados mais agressivos do Chega.

Sérgio Sousa Pinto, do PS, presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, diz o mesmo do seu vice do Chega: “Diogo Pacheco de Amorim é muito civilizado e colaborante, ajuda-me, é diligente, é sempre uma voz moderada e ponderada.”

Este contraste revela outra coisa, diz um deputado socialista: “A liderança absolutamente unipessoal do Chega.” Ao contrário do que acontece noutros partidos, diz, há decisões tomadas em comissões com o acordo do deputado do Chega da comissão ou o acordo do líder parlamentar do Chega fechado em conferência de líderes que, mais tarde, são rebatidas porque, entretanto, Ventura disse que era contra. O incidente sobre a redacção final da lei da eutanásia foi público.

O padrão inclui mais uma particularidade: os deputados do Chega não vão à cantina. Há uma cantina e um restaurante, conhecido como “restaurante dos deputados”. A cozinha é a mesma, a comida é a mesma, os pratos do dia são os mesmos, com a diferença de que na cantina cada um leva o seu tabuleiro para a mesa (e custa cinco euros) e no restaurante há empregados a servir (e custa o dobro). Os deputados do Chega preferem o restaurante. “Nunca os vi na cantina”, dizem deputados de todos os partidos. “Sentem-se bem nos espaços do poder. O discurso é anti-sistema, mas a prática é de quem gosta de fazer parte do sistema. André Ventura anda de motorista e guarda-costas”, diz Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda.

E uma última característica: são a única bancada parlamentar na qual todos os homens usam sempre gravata.

 

 

Surpreendentemente o Ventura foi reeleito pela 6 ou 7 vez. Ele não se cansa desta fantochada?

 

. Mais do que ser Oposição, Ventura quer liderar um Governo e promete que isso vai acontecer, mais tarde ou mais cedo: "Que o teto me caia aqui em cima se nós não havemos de ser um dia líderes de um Governo".

 

Quando é que o teto cai?

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de Ticampos, há 40 minutos:

Quando é que o teto cai?

Líderes tenho mais dúvidas mas pertencer a um governo será nas próximas eleições, PSD + Chega.

Compartilhar este post


Link para o post
Citação de HappyKing, há 1 hora:

Líderes tenho mais dúvidas mas pertencer a um governo será nas próximas eleições, PSD + Chega.

Gostava de ver o PSD a reerguer-se de uma aliança dessas.

Compartilhar este post


Link para o post

Gostava de saber quem são os cerca de 2% de votantes no congresso do chega que se dão ao trabalho de ali estar e não votar Ventura. Votando em branco ou nulo. Qual é mesmo o objectivo?

Citação de Black Hawk, há 2 minutos:

Gostava de ver o PSD a reerguer-se de uma aliança dessas.

Gostava de ver a democracia portuguesa a reerguer-se de uma aliança dessas.*

Editado por Ticampos

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...