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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Jimpo, há 21 minutos:

A educaçao e desenvolvimento nao sao lineares, nem continuos. Estas a assumir que a criança vai ter sempre um estimulo de aprendizagem igual (de nivel alto) durante toda a sua vida e que ira ser sempre em crescendo, quando nao se pode dizer que seja verdade. 

Não é isso que o Heckman defende no trabalho que lhe valeu o Nobel. Fala-se em rentabilidade de investimento e de que esse investimento é mais rentável porque o que aquela aprende nesses período facilita a aprendizagem e desenvolvimentos posteriores. Quando investes quando a criança já está no secundário ou acima já estás praticamente a remendar o que investimento que faltou atrás. 

Citação de Jimpo, há 25 minutos:

Para mais os estudos de onde sao tiradas as conclusoes sao de estudos em que pegam em crianças de meio desfavorecidos (que nao é sinonimo de pessoas desempregadas penso eu) e lhe sao dadas educaçao de alto nivel e principalmente individualizada. 

É totalmente falso. Aliás um dos maiores benefícios das creches é precisamente o oposto disso. 

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Citação de HappyKing, há 4 minutos:

 

É totalmente falso. Aliás um dos maiores benefícios das creches é precisamente o oposto disso. 

The Abecedarian Project was a carefully controlled scientific study of the potential benefits of early childhood education for poor children. Four cohorts of individuals, born between 1972 and 1977, were randomly assigned as infants to either the early educational intervention group or the control group.

  • Children from low-income families received full-time, high-quality educational intervention in a childcare setting from infancy through age 5.
  • Each child had an individualized prescription of educational activities.

é um dos estudos em que ele se apoia.

Citação de HappyKing, há 6 minutos:

Não é isso que o Heckman defende no trabalho que lhe valeu o Nobel. Fala-se em rentabilidade de investimento e de que esse investimento é mais rentável porque o que aquela aprende nesses período facilita a aprendizagem e desenvolvimentos posteriores. Quando investes quando a criança já está no secundário ou acima já estás praticamente a remendar o que investimento que faltou atrás. 

Exacto, investimento. Nao é qualidade. Ou consegues dizer que a criança que teve esse investimento todo na fase de desenvolvimento vai continuar a ter essa performance numa escola em que nao haja prof titular e o substituto venha de 5 em 5 dias, que haja greves todos os meses, que o curriculo nao seja dado até ao fim?

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Citação de Jimpo, há 20 minutos:

 

Enquanto se continuar a ver isto na perspectiva dos pais e não na perspectiva das crianças e das vantagens para as mesmas vais continuar sem perceber o que está em causa. 

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@HappyKing o outro estudo que ele da enfase é este

Perry Preschool Project

Em um país onde a escolaridade só é obrigatória a partir dos 5 anos, 123 afro-americanos de 3 e 4 anos, provenientes de famílias de baixa renda, foram selecionados. Em seguida, 58 participaram do programa, enquanto 65 serviram como grupo de controle. O foco era o aprendizado ativo, no qual os alunos participavam de atividades que envolviam a tomada de decisões e a resolução de problemas. Professores também eram enviados às casas dos pais para acompanhá-los. Posteriormente, as crianças ingressaram em um currículo escolar normal, sendo acompanhadas em vários estágios de suas vidas. (esta traduzido pelo chatgpt de frances para portugues porque na pesquisa rapida que fiz so encontrei em frances)

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Citação de Jimpo, há 18 minutos:

Each child had an individualized prescription of educational activities.

Isto não é uma educação individualizada no sentido de que estão isolados e tem uma educadora só para eles. É que a Maria de 2 anos não pode fazer as mesmas atividades educacionais que o Martim que tem 3 anos nem a Joana que tem 1. É adaptar as atividades das crianças ao seu desenvolvimento atual. Isto é feito nas creches e feito em creches em Portugal.

Citação de Jimpo, há 15 minutos:

 

Que em nenhum momento fala em educação individualizada. 

Citação de Jimpo, há 18 minutos:

Exacto, investimento. Nao é qualidade. Ou consegues dizer que a criança que teve esse investimento todo na fase de desenvolvimento vai continuar a ter essa performance numa escola em que nao haja prof titular e o substituto venha de 5 em 5 dias, que haja greves todos os meses, que o curriculo nao seja dado até ao fim?

Como é que daquilo que eu escrevi se chega sequer a este exemplo? Onde é que este exemplo está relacionado com o que escrevi?  O que o homem defende é relativamente simples: Um euro investido na mesma criança é melhor investido quando ela tem 1 ano do que quando ela tem 5 e ainda melhor do que quando ela tem 15. 

Editado por HappyKing

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Citação de Jimpo, há 39 minutos:

é isto que me tem feito confusao e que tenho tentado explicar o meu ponto de vista do porquê nao me chocar a questao da decisao nos Açores

O que acontece com uma vantagem da creche gratuita pra quem esta desempregado (e que ha um partido que nao quer que eles tenham direito) é que o maior da imagem (com salarios muito mais alto que a norma) continua com a caixa debaixo dos pes porque nao lhe faz diferença pagar creche, o mais pequeno (desempregado/RSI) podes dar 2/3 caixas e ele continua sem ver o jogo porque o problema principal que é ter emprego continua sem o ter, e quem esta no meio que é quem tem salarios normais/normais baixos fica sem caixa e fica ao nivel do mais pequeno.

é nivelar por baixo. é dizer "olhe que quem esta desempregado esta ao mesmo nivel de um trabalhador com salario ate 1000 euros". Claro, quem tem salario até 1000 euros é arrastado para o nivel de quem tem um income mais baixo.

Quem mais vai sofrer com a falta de lugar na creche, é quem tem salarios normais.

A nao ser que sejam criadas muito mais vagas. E como isso nao se faz de um dia para o outro..

É tudo uma questão de definirmos o que é a caixa. E, claramente, a caixa significa coisas diferentes para nós os dois.

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Citação de HappyKing, há 22 minutos:

Como é que daquilo que eu escrevi se chega sequer a este exemplo? Onde é que este exemplo está relacionado com o que escrevi?  O que o homem defende é relativamente simples: Um euro investido na mesma criança é melhor investido quando ela tem 1 ano do que quando ela tem 5 e ainda melhor do que quando ela tem 15. 

Porque tens de continuar a ter qualidade no ensino para os ganhos terem efeito.

um exemplo: Tenho a minha filha numa escola primaria de aldeia onde sao poucos alunos e ha um acompanhamento maior e os alunos saem bem preparados. Quando passar para o 5° ano tem de ir para a escola da cidade maior aqui perto e nao vai ter prof de Musica ou de Ingles durante 6 meses (e isto que estou a dizer é real)

o investimento a partir do 5° ano é mais pequeno, mas o euro investido no inicio que teve resultado, deixa de ter efeito para a frente.

ou posso estar mesmo a ver mal o cenario que ja tou cansado do dia 😁

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Citação de Jimpo, há 20 minutos:

Porque tens de continuar a ter qualidade no ensino para os ganhos terem efeito.

Mas não é isso que está em causa. Ninguém está a dizer que o restante ensino não tem de ter qualidade.

A única coisa que está em causa é o retorno que retiras do investimento nas diferentes fases de ensino face a um custo de oportunidade que existe. 

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Citação de Jimpo, há 45 minutos:

 

um exemplo: Tenho a minha filha numa escola primaria de aldeia onde sao poucos alunos e ha um acompanhamento maior e os alunos saem bem preparados. Quando passar para o 5° ano tem de ir para a escola da cidade maior aqui perto e nao vai ter prof de Musica ou de Ingles durante 6 meses (e isto que estou a dizer é real)
😁

tenor.gif

 

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Citação de Jimpo, há 4 horas:

é isto que me tem feito confusao e que tenho tentado explicar o meu ponto de vista do porquê nao me chocar a questao da decisao nos Açores

O que acontece com uma vantagem da creche gratuita pra quem esta desempregado (e que ha um partido que nao quer que eles tenham direito) é que o maior da imagem (com salarios muito mais alto que a norma) continua com a caixa debaixo dos pes porque nao lhe faz diferença pagar creche, o mais pequeno (desempregado/RSI) podes dar 2/3 caixas e ele continua sem ver o jogo porque o problema principal que é ter emprego continua sem o ter, e quem esta no meio que é quem tem salarios normais/normais baixos fica sem caixa e fica ao nivel do mais pequeno.

é nivelar por baixo. é dizer "olhe que quem esta desempregado esta ao mesmo nivel de um trabalhador com salario ate 1000 euros". Claro, quem tem salario até 1000 euros é arrastado para o nivel de quem tem um income mais baixo.

Quem mais vai sofrer com a falta de lugar na creche, é quem tem salarios normais.

A nao ser que sejam criadas muito mais vagas. E como isso nao se faz de um dia para o outro..

Mas fica sem caixa porquê?

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Citação de Descartes, há 4 horas:

Mas fica sem caixa porquê?

Porque tens guito para as m*rda do dia a dia e mais nada (se é que sequer chega a cobrir os essenciais), e depois ainda tens de pagar creche a 100%, e mais tudo o que seja a 100% pois deixas de ter os benefícios do estado.

O pessoal que anda ali na casa dos 1000/mês que começa a deixar de ter direito aos benefícios é o que mais se f*de. Se calhar tem menos rendimento disponível por mês para a sua família, do que uma pessoa com subsídio desemprego e creche de borla...

Editado por noikeee
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Citação de noikeee, há 11 minutos:

O pessoal que anda ali na casa dos 1000/mês que começa a deixar de ter direito aos benefícios é o que mais se f*de. Se calhar tem menos rendimento disponível por mês para a sua família, do que uma pessoa com subsídio desemprego e creche de borla...

Que conta é essa em que uma pessoa com 1000€/mes (este valor é impossível ser duas pessoas, certo?) e filho não tem benefícios (bonito eufemismo para ajuda social)?

Editado por kareca
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Citação de noikeee, há 40 minutos:

Porque tens guito para as m*rda do dia a dia e mais nada (se é que sequer chega a cobrir os essenciais), e depois ainda tens de pagar creche a 100%, e mais tudo o que seja a 100% pois deixas de ter os benefícios do estado.

O pessoal que anda ali na casa dos 1000/mês que começa a deixar de ter direito aos benefícios é o que mais se f*de. Se calhar tem menos rendimento disponível por mês para a sua família, do que uma pessoa com subsídio desemprego e creche de borla...

Deixa de ter? Mas que benefícios são esses que deixa de ter?

Para que fique ainda mais claro: que benefícios tinham essas pessoas que deixaram de ter porque passou a haver creches gratuitas para outros?

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Se há coisa que irrita é falarem do subsídio de desemprego como se fosse um valor solidário mensal dado pelo Estado quando não é mais do que o usufruto de um direito social que resulta dos descontos feitos.

O subsídio de desemprego é um direito dos trabalhadores, não é caridade estatal.

Uma distorção que se normalizou à boleia de uma narrativa anti-Estado. 

Editado por HappyKing
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Citação de HappyKing, há 8 horas:

Se há coisa que irrita é falarem do subsídio de desemprego como se fosse um valor solidário mensal dado pelo Estado quando não é mais do que o usufruto de um direito social que resulta dos descontos feitos.

O subsídio de desemprego é um direito dos trabalhadores, não é caridade estatal.

Uma distorção que se normalizou à boleia de uma narrativa anti-Estado. 

E pior do que isso é falar-se como se durasse para sempre e fosse o dobro do que a pessoa ganhava enquanto trabalhava...

Editado por Ghelthon

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Citação de challenger, há 20 horas:

Efeito Mercadona mas é na Polónia que é de onde vem maior parte da faturação e lucros. Pelo que li têm cada vez mais concorrência lá. Havia muitas localidades onde só eles tinham supermercado e que agora começa a haver supermercados de outras marcas.

Se bem que cá também deve haver esse efeito mas não deve ter grande impacto nas contas. Eu já não faço lá compras regulares há anos e sinto que estão a ficar para trás em relação à concorrência, mas é apenas a minha percepção.

O que me explicaram há un anos (e que eu não confirmei), é que o Pingo Doce tem que investir muito mais dinheiro nas lojas do que a concorrência, nomeadamente o Continente. Isto porque, como já referiram por aí, o Pingo Doce é uma gigantesca amálgama de supermercados todos debaixo da mesma marca. Tens os Pingos Doces antigos, tens os antigos Feira Nova, tens os antigos Plus e, destes, muitos deles em lojas de prédios pré-existentes, todas diferentes, com áreas e configurações diferentes. E têm gasto rios de dinheiro a fechar lojas, abrir outras, remodelar a maioria do que têm, etc.

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

O que me explicaram há un anos (e que eu não confirmei), é que o Pingo Doce tem que investir muito mais dinheiro nas lojas do que a concorrência, nomeadamente o Continente. Isto porque, como já referiram por aí, o Pingo Doce é uma gigantesca amálgama de supermercados todos debaixo da mesma marca. Tens os Pingos Doces antigos, tens os antigos Feira Nova, tens os antigos Plus e, destes, muitos deles em lojas de prédios pré-existentes, todas diferentes, com áreas e configurações diferentes. E têm gasto rios de dinheiro a fechar lojas, abrir outras, remodelar a maioria do que têm, etc.

O da Boavista fechado bem me está a lixar.

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Lembro-me de um Pingo Doce ao lado do estádio do Salgueiros e aquela m*rda era um apartamento, ridiculamente pequeno. Nunca tinha estado num supermercado tão apertado e tão mau, pior que qualquer Minipreço a que já tenha ido.

Por curiosidade fui ver e entretanto construíram um grande de raiz quase no mesmo sítio.

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Citação de noikeee, há 18 horas:

Porque tens guito para as m*rda do dia a dia e mais nada (se é que sequer chega a cobrir os essenciais), e depois ainda tens de pagar creche a 100%, e mais tudo o que seja a 100% pois deixas de ter os benefícios do estado.

O pessoal que anda ali na casa dos 1000/mês que começa a deixar de ter direito aos benefícios é o que mais se f*de. Se calhar tem menos rendimento disponível por mês para a sua família, do que uma pessoa com subsídio desemprego e creche de borla...

Fora que em Portugal temos salários muito baixos e escalões de impostos muito apertados, é muito facil uma pessoa ser considerar como "estando bem na vida" e continuar a ter um salário mediano que em qualquer outro país da Europa lutaria para não passar fome, e aqui também. Daí também este tema é sempre complicado porque existe muito pouca literacia financeira. Não consigo dizer a partir de que valores se pode considerar que já se consegue respirar a viver em Portugal, mas que custa bastante custa. 

Na Holanda, por exemplo, por 1640€ andas a dobrar t-shirts na Zara. Claro que isto dito a seco pode dizer muito e pouco ao mesmo tempo e convem ter contexto, mas o nível de vida não é assim tão diferente, há imposto pesados também, mas as coisas funcionam e como tal não te sentes tão incomodado por esses impostos, e o que recebes dá muito mais oxigénio para o dia a dia do que aqui.

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São realidades diferentes, os Países Baixos já andam no capitalismo há 400 anos e não tiveram uma ditadura até aos anos 70 (tiveram uma invasão até 1945), têm um país completamente plano e geograficamente está super bem ligado às maiores economias europeias, é dos países mais centrais na Europa sem ter de partilhar toda a fronteira só com um país e estar vedado do centro da Europa pelos Pirinéus (e sim, sabe apostar estrategicamente, com por exemplo o Porto de Roterdão ser há décadas o ponto de contacto comercial com os Estados Unidos).

É irónico a diminuição do saudosismo como assunto tabu quando essa malta desconsidera o efeito que a ditadura teve no atraso de desenvolvimento nosso em relação ao resto da Europa Central (analfabetismo e literacia, desenvolvimento de indústria avançada, entre outras coisas), na consequência que esse isolamento teve em ficar de fora do plano Marshall e no estatuto de pária internacional devido à recusa em ceder independência às colónias nos anos 60.

Já passaram 50 anos, portanto não faltaram oportunidades de apanhar o resto (por mais no cantinho que estejamos, também temos uma posição estratégica decente relativamente às Américas), mas entrámos na corrida mais tarde.

Editado por Lip McBoatface
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Citação de Lip McBoatface, há 2 horas:

São realidades diferentes, os Países Baixos já andam no capitalismo há 400 anos e não tiveram uma ditadura até aos anos 70 (tiveram uma invasão até 1945), têm um país completamente plano e geograficamente está super bem ligado às maiores economias europeias, é dos países mais centrais na Europa sem ter de partilhar toda a fronteira só com um país e estar vedado do centro da Europa pelos Pirinéus (e sim, sabe apostar estrategicamente, com por exemplo o Porto de Roterdão ser há décadas o ponto de contacto comercial com os Estados Unidos).

É irónico a diminuição do saudosismo como assunto tabu quando essa malta desconsidera o efeito que a ditadura teve no atraso de desenvolvimento nosso em relação ao resto da Europa Central (analfabetismo e literacia, desenvolvimento de indústria avançada, entre outras coisas), na consequência que esse isolamento teve em ficar de fora do plano Marshall e no estatuto de pária internacional devido à recusa em ceder independência às colónias nos anos 60.

Já passaram 50 anos, portanto não faltaram oportunidades de apanhar o resto (por mais no cantinho que estejamos, também temos uma posição estratégica decente relativamente às Américas), mas entrámos na corrida mais tarde.

Concordo com tudo, mas em relação ao Bold, Portugal não ficou de fora do Plano Marshall.

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Eu fiquei sem vontade de continuar a discussão ontem porque senti que estava sozinho contra 30 e a ser mal interpretado, e mandei umas papaias sem sequer pensar muito a fundo no assunto, mas vou tentar explicar o ponto de vista.

 

Citação de kareca, há 22 horas:

Que conta é essa em que uma pessoa com 1000€/mes (este valor é impossível ser duas pessoas, certo?) e filho não tem benefícios (bonito eufemismo para ajuda social)?

Não estava a falar num cenário super específico, mas tens imensas possibilidades, seja em casal ou não, tendo 1 filho ou 2 ou x. O que eu estou a pensar é que tipicamente as pessoas elegíveis para apoios sociais são as que têm rendimentos no nível do salário mínimo, abaixo do salário mínimo  (pessoas sem rendimentos ou com biscates/trabalhos part time), ou muito pouco acima. Se começas a te afastar do salário mínimo...

"Benefícios" opa talvez eu tenha sido um pouco infetado por corporate speak porque tenho ouvido esta palavra muitas vezes ultimamente no emprego, não era nesse sentido. "Benefício" no sentido que é um valor que recebes ou algum tipo de vantagem preferencial que recebes sobre outras pessoas, apenas isso, não estou a utilizar a palavra para fazer um juízo de moral

 

Citação de Descartes, há 22 horas:

Deixa de ter? Mas que benefícios são esses que deixa de ter?

Para que fique ainda mais claro: que benefícios tinham essas pessoas que deixaram de ter porque passou a haver creches gratuitas para outros?

Deixa de ter, no sentido de: se não tiveres emprego e passares a ter; ou passares a ter um salário superior ao máximo elegível para um determinado benefício/apoio social, passas a deixar de ser elegível para o obter

Estou a falar de coisas desde as creches gratuitas; subsídio de desemprego ou RSI; escalão social na escola; livros gratuitos; bolsas escolares; programas de apoio à habitação; habitação social; apoios tanto estatuais como camarários (algo que existe aqui na Madeira nalguns sítios) ou até mesmo de instituições etc

É evidente que muitas destas prestações sociais são justíssimas não contesto isso, têm de haver e estimo muito que vivamos numa sociedade que as tem ao contrário de p.ex USA; aliás até acredito que até seja degradante as pedir e haja imensas pessoas que não usufruam do que tem direito por vergonha (ou por desconhecimento que existem). Estou apenas a constatar que em teoria é possível existir situações em que ao aumentares de rendimento perdes rendimento por deixares de ser elegível para apoios. Isso é um desincentivo ao trabalho e à produtividade que tem de ser ponderado na sociedade ao legislar apoios; vocês podem argumentar que há outras coisas muito mais nobres que pesam muito mais, certíssimo, tudo válido, mas não vão-me dizer que evitar estas situações o quanto possível não é também algo desejável...

O meu ponto de vista é pura e simplesmente: atenção a tentar evitar estas situações em que aumentas de rendimento e perdes de rendimento, em que a tua família como um todo passa a ganhar mais X e perde um apoio social que vale Y, em que Y é maior que X. Porque essas situações geram revolta profunda na sociedade. Não sou contra apoios sociais nem acho que quem usufrui dos mesmos é necessariamente "malandros" (aliás a larga maioria certamente que os não será). E concordo plenamente com a esquerda que no capitalismo dinheiro gera dinheiro, e quem não tem acesso ao mesmo vai ficando cada vez mais para trás na sociedade e terá de haver sempre mecanismos para lutar para isso. Tanto numa perspetiva moral de justiça, como até numa perspetiva fria e calculista de direita (!) de tirares mais produtividade económica da sociedade, se as crianças menos afortunadas também lhes sejam dadas as condições para atingirem o seu potencial quando um dia forem adultos.

 

Citação de HappyKing, há 22 horas:

Se há coisa que irrita é falarem do subsídio de desemprego como se fosse um valor solidário mensal dado pelo Estado quando não é mais do que o usufruto de um direito social que resulta dos descontos feitos.

O subsídio de desemprego é um direito dos trabalhadores, não é caridade estatal.

Uma distorção que se normalizou à boleia de uma narrativa anti-Estado. 

Certíssimo que é um direito social nisso tens razão. Em que eu e tu e qualquer pessoa temos direito de o usufruir, e nos deixa a todos um pouco mais descansados caso algo corra mal nas nossas vidas.

Mas outra coisa que a mim me irrita é este tipo de respostas, "ah falam como se fosse", isso é um argumento de colocar palavras na boca das outras pessoas, e uma bela forma de desvirtuar os argumentos com que não se concorda para os fazer pior do que são. É uma tática de argumentação de fórum um bocado manhosa

 

Citação de Ghelthon, há 13 horas:

E pior do que isso é falar-se como se durasse para sempre e fosse o dobro do que a pessoa ganhava enquanto trabalhava...

Claro que não mas olha que existirão algumas pessoas que não pensam 2 anos à frente do seu futuro, e ficam contentes por tentar usufruir de prestações temporárias o máximo possível, esquecendo-se do longo prazo... Quando legislas tens de pensar no incentivo criado ou retirado também a essas pessoas, e não apenas a assumir que os seres humanos vão agir sempre racionalmente e para benefício próprio a longo prazo... (lá está o crl da palavra "benefício" outra vez, desculpem...)

Estás no país em que há pessoas que rejeitam aumentos por subir de escalão...

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Citação de noikeee, há 7 horas:

Eu fiquei sem vontade de continuar a discussão ontem porque senti que estava sozinho contra 30 e a ser mal interpretado, e mandei umas papaias sem sequer pensar muito a fundo no assunto, mas vou tentar explicar o ponto de vista.

 

Não estava a falar num cenário super específico, mas tens imensas possibilidades, seja em casal ou não, tendo 1 filho ou 2 ou x. O que eu estou a pensar é que tipicamente as pessoas elegíveis para apoios sociais são as que têm rendimentos no nível do salário mínimo, abaixo do salário mínimo  (pessoas sem rendimentos ou com biscates/trabalhos part time), ou muito pouco acima. Se começas a te afastar do salário mínimo...

"Benefícios" opa talvez eu tenha sido um pouco infetado por corporate speak porque tenho ouvido esta palavra muitas vezes ultimamente no emprego, não era nesse sentido. "Benefício" no sentido que é um valor que recebes ou algum tipo de vantagem preferencial que recebes sobre outras pessoas, apenas isso, não estou a utilizar a palavra para fazer um juízo de moral

 

Deixa de ter, no sentido de: se não tiveres emprego e passares a ter; ou passares a ter um salário superior ao máximo elegível para um determinado benefício/apoio social, passas a deixar de ser elegível para o obter

Estou a falar de coisas desde as creches gratuitas; subsídio de desemprego ou RSI; escalão social na escola; livros gratuitos; bolsas escolares; programas de apoio à habitação; habitação social; apoios tanto estatuais como camarários (algo que existe aqui na Madeira nalguns sítios) ou até mesmo de instituições etc

É evidente que muitas destas prestações sociais são justíssimas não contesto isso, têm de haver e estimo muito que vivamos numa sociedade que as tem ao contrário de p.ex USA; aliás até acredito que até seja degradante as pedir e haja imensas pessoas que não usufruam do que tem direito por vergonha (ou por desconhecimento que existem). Estou apenas a constatar que em teoria é possível existir situações em que ao aumentares de rendimento perdes rendimento por deixares de ser elegível para apoios. Isso é um desincentivo ao trabalho e à produtividade que tem de ser ponderado na sociedade ao legislar apoios; vocês podem argumentar que há outras coisas muito mais nobres que pesam muito mais, certíssimo, tudo válido, mas não vão-me dizer que evitar estas situações o quanto possível não é também algo desejável...

O meu ponto de vista é pura e simplesmente: atenção a tentar evitar estas situações em que aumentas de rendimento e perdes de rendimento, em que a tua família como um todo passa a ganhar mais X e perde um apoio social que vale Y, em que Y é maior que X. Porque essas situações geram revolta profunda na sociedade. Não sou contra apoios sociais nem acho que quem usufrui dos mesmos é necessariamente "malandros" (aliás a larga maioria certamente que os não será). E concordo plenamente com a esquerda que no capitalismo dinheiro gera dinheiro, e quem não tem acesso ao mesmo vai ficando cada vez mais para trás na sociedade e terá de haver sempre mecanismos para lutar para isso. Tanto numa perspetiva moral de justiça, como até numa perspetiva fria e calculista de direita (!) de tirares mais produtividade económica da sociedade, se as crianças menos afortunadas também lhes sejam dadas as condições para atingirem o seu potencial quando um dia forem adultos.

 

Certíssimo que é um direito social nisso tens razão. Em que eu e tu e qualquer pessoa temos direito de o usufruir, e nos deixa a todos um pouco mais descansados caso algo corra mal nas nossas vidas.

Mas outra coisa que a mim me irrita é este tipo de respostas, "ah falam como se fosse", isso é um argumento de colocar palavras na boca das outras pessoas, e uma bela forma de desvirtuar os argumentos com que não se concorda para os fazer pior do que são. É uma tática de argumentação de fórum um bocado manhosa

 

Claro que não mas olha que existirão algumas pessoas que não pensam 2 anos à frente do seu futuro, e ficam contentes por tentar usufruir de prestações temporárias o máximo possível, esquecendo-se do longo prazo... Quando legislas tens de pensar no incentivo criado ou retirado também a essas pessoas, e não apenas a assumir que os seres humanos vão agir sempre racionalmente e para benefício próprio a longo prazo... (lá está o crl da palavra "benefício" outra vez, desculpem...)

Estás no país em que há pessoas que rejeitam aumentos por subir de escalão...

Só diria que há um erro base nesse raciocínio. É que os grandes prejudicados com essa perda de subsídios/aumento de valores em creches/jardins de infância, não são as pessoas que se apregoa que vivem de subsídios ou que têm pouco, mas sim quem anda ali na classe média. Para os casos que as pessoas gostam de chamar de subsídio-dependentes, um ordenado digno nunca será inferior aos supostos subsídios, nem uma pessoa sairá alguma vez prejudicada por ganhar mais no emprego e receber menos subsídios. Quem "sofre" com isso é quem já está num patamar superior, que anda ali entre os 3 e 4 escalões de abono.

E depois, faz-me confusão meteres sempre o subsídio de desemprego no meio. Uma pessoa só é elegível para esse subsídio tendo trabalhado x tempo e se a perda de emprego não for por decisão própria. Por isso não sei porque é que anda sempre nestas conversas. Por este andar daqui a pouco começa-se a questionar as pessoas que estão de baixa.

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Citação de smashing_pumpkin, há 52 minutos:

Só diria que há um erro base nesse raciocínio. É que os grandes prejudicados com essa perda de subsídios/aumento de valores em creches/jardins de infância, não são as pessoas que se apregoa que vivem de subsídios ou que têm pouco, mas sim quem anda ali na classe média. Para os casos que as pessoas gostam de chamar de subsídio-dependentes, um ordenado digno nunca será inferior aos supostos subsídios, nem uma pessoa sairá alguma vez prejudicada por ganhar mais no emprego e receber menos subsídios. Quem "sofre" com isso é quem já está num patamar superior, que anda ali entre os 3 e 4 escalões de abono.

E depois, faz-me confusão meteres sempre o subsídio de desemprego no meio. Uma pessoa só é elegível para esse subsídio tendo trabalhado x tempo e se a perda de emprego não for por decisão própria. Por isso não sei porque é que anda sempre nestas conversas. Por este andar daqui a pouco começa-se a questionar as pessoas que estão de baixa.

Isto devia ser o banner deste tópico 

Editado por Petar Musa

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Citação de challenger, há 12 horas:

Concordo com tudo, mas em relação ao Bold, Portugal não ficou de fora do Plano Marshall.

ah, então tenho de investigar isso, tinha ideia que tinha ficado de fora. Obrigado!

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