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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Gilberto Carlos, há 2 horas:

O problema no interior não é se tem condições básicas: internet, luz, etc. 

São os acessos com o resto do país. Não há comboios, não há transportes públicos. E não vou dizer que os acessos por carro são maus, porque pode apenas ser eu a ter azar e a apanhar apenas estradas esburacadas 

Há transportes públicos, porém na cidade a frequencia é menor, diria que é de 30 em 30 minutos, para fora da cidade, há uma boa variedade de horários, isto falando em autocarros.

Falando em Chaves, diria que o ponto fraco é a distância para o aeroporto e para os grandes eventos e claro, os empregos, porque restaurantes, cafés, bares, etc, tens muitos à escolha, é uma cidade como qualquer outra do litoral, com menos habitantes, porque tal como eu, a maioria dos jovens vai para o litoral, porque são poucos os empregos de qualidade.

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Citação de Alonso., há 1 hora:

Adorava era ter a oferta cultural que essas cidades possuem e acima de tudo os transportes!

Acima de tudo é isto e serviços do estado com qualidade.

Editado por kareca

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Citação de Gilberto Carlos, há 2 horas:

O problema no interior não é se tem condições básicas: internet, luz, etc. 

São os acessos com o resto do país. Não há comboios, não há transportes públicos. E não vou dizer que os acessos por carro são maus, porque pode apenas ser eu a ter azar e a apanhar apenas estradas esburacadas 

Eu diria que o problema é ainda mais a falta de hospitais e escolas. Viver no interior trabalhando remotamente pode ser viável, mas se tiveres família ou a pensar ter família e começas a pensar no que é melhor para os teus filhos..

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Viver no interior enquanto são jovens autónomos é muito bonito mas depois quando tiverem filhos a terem que ir para o litoral estudar ou quando forem velhos terem o hospital a 30KM já não acharão muita piada.

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Citação de Lebohang, há 1 minuto:

Viver no interior é muito bonito mas depois quando tiverem filhos a terem que ir para o litoral estudar ou quando forem velhos terem o hospital a 30KM já não acharão muita piada.

Eu cresci numa aldeia a 60km do Porto e 30km da praia, portanto litoral. Atualmente o hospital com o mínimo de serviços fica a 23 km desse mesmo sítio.

No interior, a não ser que se viva numa capital de distrito, não há-de ser melhor.

Deve ser lindo acordar com a criança KO às 5 da manhã, como já me aconteceu, e ainda ter de me enfiar no carro meia hora para chegar a um hospital...

 

 

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Citação de noikeee, há 1 hora:

Eu diria que o problema é ainda mais a falta de hospitais e escolas. Viver no interior trabalhando remotamente pode ser viável, mas se tiveres família ou a pensar ter família e começas a pensar no que é melhor para os teus filhos..

Em Tavira não tens problemas com as escolas. Para além do público e se tiveres dinheiro podes colocar o teu filho a estudar numa escola internacional com o currículo inglês. 

Em termos de serviços públicos o que não há cá encontras em Faro, que é a meia hora/45 minutos de carro ou comboio. Mas notários, fazer passaportes, cc, certidões e afins tens tudo cá. 

Em termos culturais o município sofre muito da sazonalidade, eles estouram o orçamento quase todo no verão. Pode ser que com a construção do cineteatro as coisas se alterem. Em Faro, sim há todas as semanas ofertas culturais, mas em termos de música é necessário ir a Lisboa ou Porto para ver determinados espectáculos. 

 

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Citação de Ego Sum, há 27 minutos:

Eu cresci numa aldeia a 60km do Porto e 30km da praia, portanto litoral. Atualmente o hospital com o mínimo de serviços fica a 23 km desse mesmo sítio.

No interior, a não ser que se viva numa capital de distrito, não há-de ser melhor.

Deve ser lindo acordar com a criança KO às 5 da manhã, como já me aconteceu, e ainda ter de me enfiar no carro meia hora para chegar a um hospital...

 

 

Quando se fala em viver no interior, não se fala em ir para as aldeias mais remotas ou vilas e cidades mais pequenas, pode muito bem ser para as principais cidades, Vila Real, Chaves, Bragança, Viseu, wtv...chegas mais rápido ao hospital que nas grandes cidades.

Agora claro que se for algo mais grave em que o hospital não tenha esse serviço, já terá de ser transportado para o Porto por exemplo, mas isso acontece no litoral também.

Citação de Puto Perdiz, há 1 minuto:

Em Tavira não tens problemas com as escolas. Para além do público e se tiveres dinheiro podes colocar o teu filho a estudar numa escola internacional com o currículo inglês. 

Em termos de serviços públicos o que não há cá encontras em Faro, que é a meia hora/45 minutos de carro ou comboio. Mas notários, fazer passaportes, cc, certidões e afins tens tudo cá. 

Em termos culturais o município sofre muito da sazonalidade, eles estouram o orçamento quase todo no verão. Pode ser que com a construção do cineteatro as coisas se alterem. Em Faro, sim há todas as semanas ofertas culturais, mas em termos de música é necessário ir a Lisboa ou Porto para ver determinados espectáculos. 

 

É basicamente como as principais cidades do interior, o pessoal é que olha para o interior e pensa que é tudo como as aldeias remotas, e que as principais cidades são tipo Montalegre, Lamego e afins.

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Citação de Ricardo Pinto, há 1 hora:

Há transportes públicos, porém na cidade a frequencia é menor, diria que é de 30 em 30 minutos, para fora da cidade, há uma boa variedade de horários, isto falando em autocarros.

Falando em Chaves, diria que o ponto fraco é a distância para o aeroporto e para os grandes eventos e claro, os empregos, porque restaurantes, cafés, bares, etc, tens muitos à escolha, é uma cidade como qualquer outra do litoral, com menos habitantes, porque tal como eu, a maioria dos jovens vai para o litoral, porque são poucos os empregos de qualidade.

Ou seja, está longe do aeroporto e dos grandes eventos culturais, mas está tudo bem porque podes beber um fino à noite e comer uma alheira ao fim-de-semana?

Estou radicado em Coimbra há uns 15 anos. Esta cidade não tem emprego qualificado. Vais às ofertas de emprego e há muitas lojas de centros comerciais e cafés a oferecer vagas a... errr... "colaboradores"... em turnos rotativos de 8 horas com possibilidade de ser mais após o fecho do estabelecimento, sem folgas ao fim-de-semana, e em troca dessa "colaboração" recebem o salário mínimo no final do mês.

Os imóveis na cidade, seja para compra ou para arrendamento, estão a preços absurdos para uma cidade em que a esmagadora maioria da oferta de trabalho é não qualificada e paga o salário mínimo ou pouco mais.

A rede de transportes públicos urbanos é risível, os autocarros são velhos e estão recorrentemente atrasados. Os que asseguram o transporte para as aldeias nos arredores é ainda pior e tem horários execráveis. Se morares fora da cidade e te atrasares um pouco à noite ao sair do trabalho, passas a noite no banco da paragem do autocarro que é um mimo.

O comércio na cidade está morto e enterrado. Afastaram as pessoas da cidade para dar prioridade à praga dos ALs e ao arrendamento aos estudantes, agora não há ninguém para dar vida ao comércio. Andar a pé na baixa da cidade a partir das 18 horas é um exercício tirado de um filme de terror, um gajo tem medo de andar sozinho pois parece o ambiente de um filme pós-apocalíptico.

Os grandes eventos culturais raramente passam por aqui. A maioria são da cena underground ou amadores. Salvo alguns eventos (teatro ou stand up, por exemplo) que percorram o país, quase todos centram-se em Lisboa, Porto ou Braga. Queres ir a um festival de música mais mainstream ou a eventos de artistas internacionais, salvo raríssimas excepções tens de pegar no carrinho e fazer pelo menos 200 kms (ida e volta) se for no Porto, que se for em Lisboa é o dobro. É que nem a p*ta de um jogo de futebol em condições se vê aqui, a Académica está na Liga 3 e a equipa mais próxima do topo é o Arouca.

As únicas coisas que prosperam nesta cidade são os serviços de saúde, há um dos melhores hospitais públicos do país e ainda uma carrada de hospitais e clínicas privadas (embora por mim estas pudessem arder todas, mas isso já tem por base problemas más experiências que tive na minha família e que me levam a odiar esses fias da pega que os pariu com todas as fibras do meu corpo), e a vida noturna, o que é natural dado haver aqui uma grande concentração de estudantes. Agora, para malta a partir dos 30s que trabalha e quer constituir família e construir um futuro, a vida noturna está bem lá no fundo da lista de prioridades.

Repara, estou a falar de Coimbra. É supostamente uma das principais cidades portuguesas e nem é considerada interior do país. Não estou a falar de uma aldeia do interior ou sequer de uma capital de distrito de Trás-os-Montes, do Alentejo ou da Beira Interior; isto é em plena Beira Litoral. Não há aqui nada de jeito a acontecer. Está distante de tudo o que é relevante, sejam acontecimentos desportivos, culturais, políticos, wtv. Queres fazer qualquer coisa ou tratar de alguma coisa -> road trip!

Acho muito bem que se defenda as nossas terras, as que nos viram nascer ou nas quais construímos as nossas vidas, mas não vale a pena querermos defender o indefensável: quem tiver como ambição querer ter um qualidade de vida, ou seja, viver um pouco e não apenas ir vivendo, ter a acesso a cultura, entretenimento, serviços de qualidade e isso tudo, não é em Coimbra, na Covilhã ou em Portalegre que o vai conseguir. Quem não for tão exigente se calhar adapta-se bem ao ritmo e à vivência delas, mas são um downgrade gigantesco em quase todos os parâmetros da vida contemporânea.

A única coisa que me agarra a Coimbra são questões familiares das quais não posso afastar-me, caso contrário há muito teria deixado esta aldeola mascarada de cidade.

Editado por Black Hawk
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Citação de Ego Sum, há 31 minutos:

Eu cresci numa aldeia a 60km do Porto e 30km da praia, portanto litoral. Atualmente o hospital com o mínimo de serviços fica a 23 km desse mesmo sítio.

No interior, a não ser que se viva numa capital de distrito, não há-de ser melhor.

Deve ser lindo acordar com a criança KO às 5 da manhã, como já me aconteceu, e ainda ter de me enfiar no carro meia hora para chegar a um hospital...

 

 

Ora bem. Quando começarem a ter filhos passa-vos logo esse apelo pelo interior.

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Citação de Puto Perdiz, há 3 minutos:

Em Tavira não tens problemas com as escolas. Para além do público e se tiveres dinheiro podes colocar o teu filho a estudar numa escola internacional com o currículo inglês. 

Em termos de serviços públicos o que não há cá encontras em Faro, que é a meia hora/45 minutos de carro ou comboio. Mas notários, fazer passaportes, cc, certidões e afins tens tudo cá. 

Em termos culturais o município sofre muito da sazonalidade, eles estouram o orçamento quase todo no verão. Pode ser que com a construção do cineteatro as coisas se alterem. Em Faro, sim há todas as semanas ofertas culturais, mas em termos de música é necessário ir a Lisboa ou Porto para ver determinados espectáculos. 

 

Lá voltamos à questão do que é "o interior" e de como para mim faz todo o sentido investir em cidades de média dimensão como Tavira, que essas sim têm todas as condições para viveres e construir família, e não numa aldeola com cabras e a 2 horas de carro dum hospital... Não tem absolutamente nada a ver. Portanto sim concordo contigo

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Citação de Black Hawk, há 6 minutos:

Ou seja, está longe do aeroporto e dos grandes eventos culturais, mas está tudo bem porque podes beber um fino à noite e comer uma alheira ao fim-de-semana?

Estou radicado em Coimbra há uns 15 anos. Esta cidade não tem emprego qualificado. Vais às ofertas de emprego e há muitas lojas de centros comerciais e cafés a oferecer vagas a... errr... "colaboradores"... em turnos rotativos de 8 horas com possibilidade de ser mais após o fecho do estabelecimento, sem folgas ao fim-de-semana, e em troca dessa "colaboração" recebem o salário mínimo no final do mês.

Os imóveis na cidade, seja para compra ou para arrendamento, estão a preços absurdos para uma cidade em que a esmagadora maioria da oferta de trabalho é não qualificada e paga o salário mínimo ou pouco mais.

A rede de transportes públicos urbanos é risível, os autocarros são velhos e estão recorrentemente atrasados. Os que asseguram o transporte para as aldeias nos arredores é ainda pior e tem horários execráveis. Se morares fora da cidade e te atrasares um pouco à noite ao sair do trabalho, passas a noite no banco da paragem do autocarro que é um mimo.

O comércio na cidade está morto e enterrado. Afastaram as pessoas da cidade para dar prioridade à praga dos ALs e ao arrendamento aos estudantes, agora não há ninguém para dar vida ao comércio. Andar a pé na baixa da cidade a partir das 18 horas é um exercício tirado de um filme de terror, um gajo tem medo de andar sozinho pois parece o ambiente de um filme pós-apocalíptico.

Os grandes eventos culturais raramente passam por aqui. A maioria são da cena underground ou amadores. Salvo alguns eventos (teatro ou stand up, por exemplo) que percorram o país, quase todos centram-se em Lisboa, Porto ou Braga. Queres ir a um festival de música mais mainstream ou a eventos de artistas internacionais, salvo raríssimas excepções tens de pegar no carrinho e fazer pelo menos 200 kms (ida e volta) se for no Porto, que se for em Lisboa é o dobro. É que nem a p*ta de um jogo de futebol em condições se vê aqui, a Académica está na Liga 3 e a equipa mais próxima do topo é o Arouca.

As únicas coisas que prosperam nesta cidade são os serviços de saúde, há um dos melhores hospitais públicos do país e ainda uma carrada de hospitais e clínicas privadas (embora por mim estas pudessem arder todas, mas isso já tem por base problemas más experiências que tive na minha família e que me levam a odiar esses fias da pega que os pariu com todas as fibras do meu corpo), e a vida noturna, o que é natural dado haver aqui uma grande concentração de estudantes. Agora, para malta a partir dos 30s que trabalha e quer constituir família e construir um futuro, a vida noturna está bem lá no fundo da lista de prioridades.

Repara, estou a falar de Coimbra. É supostamente uma das principais cidades portuguesas e nem é considerada interior do país. Não estou a falar de uma capital de distrito de Trás-os-Montes, do Alentejo ou da Beira Interior; isto é em plena Beira Litoral. Não há aqui nada de jeito a acontecer. Está distante de tudo o que é relevante, sejam acontecimentos desportivos, culturais, políticos, wtv. Queres fazer qualquer coisa ou tratar de alguma coisa -> road trip!

Acho muito bem que se defenda as nossas terras, as que nos viram nascer ou nas quais construímos as nossas vidas, mas não vale a pena querermos defender o indefensável: quem tiver como ambição querer ter um qualidade de vida, ou seja, viver um pouco e não apenas ir vivendo, ter a acesso a cultura, entretenimento serviços de qualidade e isso tudo, não é em Coimbra, na Covilhã ou em Portalegre que o vai conseguir. Quem não for tão exigente se calhar adapta-se bem ao ritmo e à vivência delas, mas são um downgrade gigantesco em quase todos os parâmetros da vida contemporânea.

A única coisa que me agarra a Coimbra são questões familiares das quais não posso afastar-me, caso contrário há muito teria deixado esta aldeia mascarasa de cidade.

Não conheço Coimbra (acho que é a maior cidade portuguesa onde nunca estive), entendo a tua frustração, mas penso que há aqui algumas vertentes diferentes

Primeiro a questão de ser uma cidade de estudantes, vai ter sempre particularidades complicadas devido a isso.. eu acredito que isso encareça muito as rendas e também aumente muito a confusão à noite na cidade

Segundo, se não tem oportunidades económicas, é precisamente isso que está a faltar, temos de trazer mais atrativos a localidades como estas. Como o fazer exatamente, não sei. Começar por incentivos a actividades económicas produtivas que já existam na zona talvez

Terceiro, eu acho que a questão da cultura e entretenimento é importante quando somos jovens mas vai perdendo alguma relevância à medida que vamos envelhecendo - mas eu nunca vivi numa cidade grande como Lisboa ou Porto e não sou propriamente virado para a cultura e artes, portanto posso não entender particularmente bem esse atrativo 

Quarto, apesar de ser uma discussão um pouco a parte,estávamos também um pouco a falar de quais as localidades que atraem trabalhadores *remotos*, de facto eu penso que é um pouco difícil puxa-los para sítios como Coimbra, eu acho que tens alguns tipos diferentes de nómadas/remotos:

A) o pessoal, jovem sobretudo, que procura a azáfama e a oferta cultural das cidades grandes

B) o pessoal que já tem alguma idade e não tem filhos para criar e quer desstressar e por isso até quer viver no meio das cabras no nada

C) o pessoal que não quer pagar rendas altas no centro das cidades, e quer um pouco de menos stress mas também quer acessibilidades para criar família

Eu penso que estes do tipo c) não é impossível serem atraídos por locais como Coimbra (não fosse ser uma cidade estudantil) mas admito que localidades mais costeiras e/ou mais turísticas sejam mais procuradas..

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Citação de stelfans, há 27 minutos:

 

Ora bem. Quando começarem a ter filhos passa-vos logo esse apelo pelo interior.

O que se está a discutir é isso.

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Citação de noikeee, há 17 minutos:

Terceiro, eu acho que a questão da cultura e entretenimento é importante quando somos jovens mas vai perdendo alguma relevância à medida que vamos envelhecendo - mas eu nunca vivi numa cidade grande como Lisboa ou Porto e não sou propriamente virado para a cultura e artes, portanto posso não entender particularmente bem esse atrativo 

Esse ponto depende dos interesses das pessoas, nunca será uma questão de ser jovem/velho ou ter/não ter filhos.

Eu tenho 2 crianças e ficar longe dos centros de cultura e entretenimento seria um travão para me mudar para fora de um grande centro urbano.

Minhas ricas rodas de samba nos Domingos de verão em que vamos com as crianças e amigos, ouvir boa música, beber cerveja e comer feijoada.

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Devo ser um privilegiado, até porque a primeira decisão que tomei quando soube que ia ser pai foi vir para o interior.

Eu de resto, acho uma piada porque no meu grupo de colegas de trabalho sei que a grande oferta cultural se resume a ir ver os filmes da Marvel ao Shopping e passar o domingo com as mulheres nesse mesmo Shopping. Passa também por perderem mais do que uma hora nos transportes públicos, mais do que eu perco a fazer 100km para ir ao trabalho. Passa por não aproveitarem os restaurantes de qualidade ou o teatro porque simplesmente, apesar de receberem 'bem', tem que pagar rendas astronomicas. E pelas empresas que passei, dos colegas que conheci, isto foi mais regra do que excepção.

Anyway, o apoio ao interior não é para o Manel que nasceu no Porto vir começar a plantar batatas numa aldeia que nem apanha mais do que os 4 canais. Mais interessante que isso seria para o Zé da aldeia não ter necessidade de ir para o Porto para trabalhar na teleperformance ou a repor caixas no continente.

 

Só num aparte, e continuando a ignorância das pessoas, o restaurante dos meus pais recebe centenas de pessoas semanalmente e não há um dia que passe sem que as pessoas se apresentem como "sou do Porto". O simples facto de acharem que as pessoas não conhecem Amarante, S.João da Madeira, Maia, Valongo, Gondomar, Gaia, sei lá. Ficam genuinamente supreendidas quando o meu pai conhece a terra de onde são e lhes consegue dar pontos de referência da cidade deles, como restaurantes que os pŕóprios sabem que são bons mas nunca visitaram. Turistas de baloiços e passadiços ❤️

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Citação de Black Hawk, há 1 hora:

Ou seja, está longe do aeroporto e dos grandes eventos culturais, mas está tudo bem porque podes beber um fino à noite e comer uma alheira ao fim-de-semana?

Estou radicado em Coimbra há uns 15 anos. Esta cidade não tem emprego qualificado. Vais às ofertas de emprego e há muitas lojas de centros comerciais e cafés a oferecer vagas a... errr... "colaboradores"... em turnos rotativos de 8 horas com possibilidade de ser mais após o fecho do estabelecimento, sem folgas ao fim-de-semana, e em troca dessa "colaboração" recebem o salário mínimo no final do mês.

Os imóveis na cidade, seja para compra ou para arrendamento, estão a preços absurdos para uma cidade em que a esmagadora maioria da oferta de trabalho é não qualificada e paga o salário mínimo ou pouco mais.

A rede de transportes públicos urbanos é risível, os autocarros são velhos e estão recorrentemente atrasados. Os que asseguram o transporte para as aldeias nos arredores é ainda pior e tem horários execráveis. Se morares fora da cidade e te atrasares um pouco à noite ao sair do trabalho, passas a noite no banco da paragem do autocarro que é um mimo.

O comércio na cidade está morto e enterrado. Afastaram as pessoas da cidade para dar prioridade à praga dos ALs e ao arrendamento aos estudantes, agora não há ninguém para dar vida ao comércio. Andar a pé na baixa da cidade a partir das 18 horas é um exercício tirado de um filme de terror, um gajo tem medo de andar sozinho pois parece o ambiente de um filme pós-apocalíptico.

Os grandes eventos culturais raramente passam por aqui. A maioria são da cena underground ou amadores. Salvo alguns eventos (teatro ou stand up, por exemplo) que percorram o país, quase todos centram-se em Lisboa, Porto ou Braga. Queres ir a um festival de música mais mainstream ou a eventos de artistas internacionais, salvo raríssimas excepções tens de pegar no carrinho e fazer pelo menos 200 kms (ida e volta) se for no Porto, que se for em Lisboa é o dobro. É que nem a p*ta de um jogo de futebol em condições se vê aqui, a Académica está na Liga 3 e a equipa mais próxima do topo é o Arouca.

As únicas coisas que prosperam nesta cidade são os serviços de saúde, há um dos melhores hospitais públicos do país e ainda uma carrada de hospitais e clínicas privadas (embora por mim estas pudessem arder todas, mas isso já tem por base problemas más experiências que tive na minha família e que me levam a odiar esses fias da pega que os pariu com todas as fibras do meu corpo), e a vida noturna, o que é natural dado haver aqui uma grande concentração de estudantes. Agora, para malta a partir dos 30s que trabalha e quer constituir família e construir um futuro, a vida noturna está bem lá no fundo da lista de prioridades.

Repara, estou a falar de Coimbra. É supostamente uma das principais cidades portuguesas e nem é considerada interior do país. Não estou a falar de uma aldeia do interior ou sequer de uma capital de distrito de Trás-os-Montes, do Alentejo ou da Beira Interior; isto é em plena Beira Litoral. Não há aqui nada de jeito a acontecer. Está distante de tudo o que é relevante, sejam acontecimentos desportivos, culturais, políticos, wtv. Queres fazer qualquer coisa ou tratar de alguma coisa -> road trip!

Acho muito bem que se defenda as nossas terras, as que nos viram nascer ou nas quais construímos as nossas vidas, mas não vale a pena querermos defender o indefensável: quem tiver como ambição querer ter um qualidade de vida, ou seja, viver um pouco e não apenas ir vivendo, ter a acesso a cultura, entretenimento, serviços de qualidade e isso tudo, não é em Coimbra, na Covilhã ou em Portalegre que o vai conseguir. Quem não for tão exigente se calhar adapta-se bem ao ritmo e à vivência delas, mas são um downgrade gigantesco em quase todos os parâmetros da vida contemporânea.

A única coisa que me agarra a Coimbra são questões familiares das quais não posso afastar-me, caso contrário há muito teria deixado esta aldeola mascarada de cidade.

Eu não estou a querer dizer que viver no interior, estou a dar o exemplo de Chaves, é igual a viver no litoral, não é, estamos mais longe dos melhores e maiores eventos culturais, em termos hospitalares, estamos pior que Coimbra.

Diria que estamos melhores a nível de habitação, antes do Covid estava muito pior. 

O que estou a defender é que as principais cidades do interior estão muito longe de ser o que o pessoal de Lisboa e Porto pensam, que têm ideia de serem sitios desertos, sem nada para oferecer e sem serviços.

Claro que não tem o mesmo nível de oferta das principais cidades do Litoral, é normal, é onde está a maioria da população.

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Citação de Plagio o Original, há 2 minutos:

Os coldplay vão a coimbra

Mais uma razão para ninguém querer viver em Coimbra 

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Citação de Ego Sum, há 1 hora:

Esse ponto depende dos interesses das pessoas, nunca será uma questão de ser jovem/velho ou ter/não ter filhos.

Eu tenho 2 crianças e ficar longe dos centros de cultura e entretenimento seria um travão para me mudar para fora de um grande centro urbano.

Minhas ricas rodas de samba nos Domingos de verão em que vamos com as crianças e amigos, ouvir boa música, beber cerveja e comer feijoada.

No interior não há feijoada, não há cerveja e não há musica 😪

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Citação de Alonso., há 1 minuto:

No interior não há feijoada, não há cerveja e não há musica 😪

N tem samba, tem pimba

Cornos cosmopolitas

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Citação de Alonso., há 8 minutos:

No interior não há feijoada, não há cerveja e não há musica 😪

Tens de me apresentar as terras onde têm esse tipo de eventos organizados todos os domingos de Verão com uma Orquestra Bamba Social da vida a tocar. Eu não as conheço, gostaria de lá ir. O Porto só começou a ter há tipo 5 anos.

O concelho onde cresci tem 71.000 habitantes e se lá passasse um André Sardet da vida durante o ano era um marco.

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Coimbra estagnou porque teve um governo local que parece que via a estagnação como uma coisa boa. Acho que facilmente nos próximos 10 anos vamos assistir a um desenvolvimento semelhante ao que teve Braga

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Citação de Ego Sum, há 2 minutos:

Tens de me apresentar as terras onde têm esse tipo de eventos organizados todos os domingos de Verão com uma Orquestra Bamba Social da vida a tocar. Eu não as conheço, gostaria de lá ir. O Porto só começou a ter há tipo 5 anos.

O concelho onde cresci tem 71.000 habitantes e se lá passasse um André Sardet da vida durante o ano era um marco.

O Domingão não conta, pois não?

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Citação de Black Hawk, há 2 horas:

Estou radicado em Coimbra há uns 15 anos. Esta cidade não tem emprego qualificado. Vais às ofertas de emprego e há muitas lojas de centros comerciais e cafés a oferecer vagas a... errr... "colaboradores"... em turnos rotativos de 8 horas com possibilidade de ser mais após o fecho do estabelecimento, sem folgas ao fim-de-semana, e em troca dessa "colaboração" recebem o salário mínimo no final do mês.

yah, aqui também é assim. A maioria dos empregos são desse tipo

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Citação de Ego Sum, há 1 hora:

Esse ponto depende dos interesses das pessoas, nunca será uma questão de ser jovem/velho ou ter/não ter filhos.

Eu tenho 2 crianças e ficar longe dos centros de cultura e entretenimento seria um travão para me mudar para fora de um grande centro urbano.

Minhas ricas rodas de samba nos Domingos de verão em que vamos com as crianças e amigos, ouvir boa música, beber cerveja e comer feijoada.

Sim claro que depende da personalidade de cada um, dos interesses e prioridades de cada um, não estou a dizer que é obrigatório ser jovem e solteiro e sem descendentes para gostar de entretenimento e oferta cultural e vida urbana, isso seria parvo.

Só queria dizer que as prioridades da vida *tendem* a mudar com a idade e com os filhos, não que tem necessariamente de ser assim para todos.

Vou dar o meu exemplo pessoal, é um pouco diferente porque nunca vivi fora da Madeira que tem as suas particularidades também, mas mudei-me da terra dos meus pais no oeste da ilha para o Funchal em 2012 com 26 anos, na altura pensava que nunca na vida voltaria para trás, precisava dum sítio com mais vida e menos mentalidade rural. Hoje passado 11 anos já começo a pensar que aquilo por lá é porreiro, com menos confusão e não assim tão longe das acessibilidades e oferta cultural podendo me deslocar ocasionalmente para o Funchal, e se calhar um dia no futuro com facilidades de fazer mais trabalho remoto (tou em regime híbrido), voltar para lá é uma opção real. Claro que isto é um exemplo que não tem nada a ver com mudar de Lisboa para Tavira ou Coimbra, aliás a própria terra dos meus pais evoluiu muito neste espaço de tempo, mas é apenas um exemplo de como as prioridades podem mudar com o tempo e a idade.

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Prefiro plantar batatas do que ir ao shopping ou aos festivais. Podem-me dar os apoios.

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