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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de Lebohang, há 3 minutos:

Chega praticamente a ser 2ª força política em Faro... 😵

não acredito muito nisso. Não me lembro do 3º partido mais votado em Faro ultrapassar os 15%, mas é possível que já tenha acontecido

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Citação de Puto Perdiz, há 44 minutos:

não acredito muito nisso. Não me lembro do 3º partido mais votado em Faro ultrapassar os 15%, mas é possível que já tenha acontecido

Atenção que estou a excluir OBNs, o Chega não chega por isso a tanta percentagem. Faro foi o melhor distrito deles com 12.3% portanto duplicando a votação nacional é normal que cresçam muito lá.

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Tinha de ser de Lourosa.
É a Flórida de Santa Maria da Feira.
Sempre que algo estúpido acontece e vai parar aos jornais, é lá

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não tenho opinião sobre estas medidas da habitação mas só pelo meltdown total do reddit português já vale a pena. Não me lembro de ver tantas referências à vuvuzela

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O nível político português atual é tão poucochinho. 

Para melhorar só o facto de isto não ser um cartaz real e ser apenas uma montagem parva por uma juventude partidária que mais parece uma associação de estudantes.

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Citação de HappyKing, há 53 minutos:

O nível político português atual é tão poucochinho. 

Para melhorar só o facto de isto não ser um cartaz real e ser apenas uma montagem parva por uma juventude partidária que mais parece uma associação de estudantes.

isso é montagem, certo?

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Citação de Puto Perdiz, há 2 minutos:

isso é montagem, certo?

Eu creio que sim. Seria demasiado mau caso não fosse o caso. 

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Citação de antifa, há 1 hora:

Serviços secretos iranianos, russos e chineses estão interessados em tecnologia portuguesa de ponta para fins militares. Há investigadores recrutados nas universidades e empresas e até suspeitas de soft power junto de dirigentes dos principais partidos políticos

A viagem de quatro dias de João F. a Isfahan, a terceira maior cidade do Irão, em junho de 2014, colocou o português no radar das secretas norte-americanas. Juntamente com um empresário turco, o engenheiro lisboeta foi encontrar-se com um homem chamado Reza, com a missão de instalar duas máquinas de corte e de polimento de lentes de um fabricante alemão. Aquele seria apenas o primeiro de vários negócios no Irão com tecnologia de ponta europeia e norte-americana que o Departamento de Estado dos EUA suspeita que viesse a ser usada em armamento. As desconfianças sobre o português cresceram depois deste alugar um pequeno armazém numa praceta do Cacém, em Sintra, para receber as máquinas industriais que teriam como destino final Isfahan, através de “complexas rotas marítimas” entre a Turquia e a China. Dois anos depois, uma máquina que ia ser importada de Nova Iorque para Lisboa pela empresa do engenheiro foi apreendida ainda no Aeroporto J.F.K., por se temer que fosse parar às mãos dos iranianos, e, meses depois, João F. foi mesmo detido nos EUA por suspeitas de conspiração. Foi depois libertado e hoje encontra-se em parte incerta.

Os serviços secretos portugueses produziram nesse ano um documento para o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) que referia indiretamente o caso. “No âmbito do acompanhamento dos programas de armas de destruição maciça há situações suspeitas de procurement [aquisição de material suscetível de ser usado em programas nucleares] em território nacional” por parte de países que usam “as suas redes de aquisição encoberta de materiais, equipamentos e tecnologia de uso dual e caráter sensível, suscetíveis de aplicação nos seus projetos militares clandestinos”, com recurso a “empresas de fachada” no Irão, Síria e Paquistão e “diversos intermediários sediados no estrangeiro” para a “prossecução de negócios de risco”.

O relatório referia também pela primeira vez um novo fenómeno: o do interesse de estudantes e cientistas provenientes de “países proliferantes” [com programa nuclear] pela frequência de cursos e de eventos académicos e científicos em Portugal, o que poderia significar um “risco” para a “transferência de conhecimento sensível”.

Desde a produção do relatório, o fenómeno “agudizou-se” e tornou-se “mais complexo”, de acordo com várias fontes próximas dos serviços de informações. “O Irão exerce influência em universidades e investigadores na área da engenharia em Portugal”, refere um responsável conhecedor do processo.

Como? Usam agentes secretos que, sob a cobertura de uma carreira diplomática ou académica, abordam professores e estudantes universitários portugueses envolvidos em projetos de nanotecnologia, engenharia aeroespacial ou fusão nuclear, muitos deles ligados a universidades norte-americanas, inglesas, espanholas ou francesas. E tentam seduzi-los com propostas de trabalhos científicos conjuntos. A sua missão é a de procurar know how muito especializado que os ajude a tornar ainda mais poderoso o temido programa nuclear do regime de Teerão.

Os cientistas mais fragilizados ou com menos escrúpulos acabam por aceitar as propostas de joint venture e quando dão por si estão a partilhar informação científica sensível. “As abordagens nem sempre são bem sucedidas. Mas há pessoas que numa determinada fase da vida se encontram mais vulneráveis, como por exemplo numa situação de divórcio ou de dívidas. Essas fraquezas são exploradas por estes recrutadores que tentam obter o máximo de informação pessoal sobre os seus alvos”, conta uma fonte que tem trabalhado na área da segurança interna e que pediu para não ser identificada.

Portugal trabalha com tecnologia de ponta “muito interessante para as potências inimigas”, ainda que esta não esteja no mesmo patamar dos norte-americanos. Mas está “facilmente disponível”, frisa um ex-responsável ligado às informações.

Um episódio que ilustra a importância do Irão para os aliados é o dos voos de uma companhia aérea privada iraniana que os Estados Unidos suspeitam que tem transportado terroristas da Síria e do Líbano para serem treinados na Venezuela. Em direção contrária, os seus aviões levam ouro e armas da América Latina para o Médio Oriente com a finalidade de financiar o Hezbollah e a Guarda Revolucionária do Irão em troca do petróleo de Teerão. Em abril de 2020, a Administração de Donald Trump apelou a vários países que interditassem o seu espaço aéreo a esta companhia. Suspeita-se que alguns destes voos possam ter sobrevoado a Península Ibérica, como rota alternativa.

OS INSTITUTOS DE INFLUÊNCIA CHINESA

Ao contrário dos iranianos, que atuam a solo, a inteligência chinesa em solo português usa a influência de institutos culturais sob a égide de Pequim para tentar saber os segredos de Estado em Portugal. Uma reportagem da revista “Sábado” no ano passado referia em concreto o papel do Instituto Confúcio como instrumento de propaganda chinesa, mas também de criação de agentes de influência dos interesses de Pequim para a recolha de informação sensível. E no facto de os serviços de informações portugueses estarem a monitorizar ações da embaixada chinesa em Lisboa.

As fontes contactadas pelo Expresso referem a existência de outras instituições em Lisboa que usam o mesmo modus operandi, havendo mesmo académicos portugueses no interior das suas hierarquias. “Os chineses abordam professores universitários para escreverem papers e artigos em conjunto, acabando por aceder a informação que estava vedada ao público; pagam-lhes viagens à China para conferências a coberto de um suposto intercâmbio cultural. E recebem dados da academia chinesa que publicam em trabalhos universitários dando uma imagem positiva da China. Há financiamentos de investigação, ou contratados como consultores para empresas com ligações à China”, conta um destes responsáveis.

A linha entre lobbiyng e espionagem é ténue é há suspeitas entre as forças e serviços de segurança de que muitos académicos portugueses trabalham em prol dos interesses de Pequim, podendo contornar por vezes a lei e violar segredos de Estado. “As secretas têm a perfeita noção de quem trabalha em Portugal para os serviços inimigos. Mas provar que trabalham para esses países é difícil. É preciso seguir a rota do dinheiro”, diz Luís Tomé, especialista em segurança, diretor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Autónoma de Lisboa e da sua unidade de investigação Observare.

Devido à presença de uma numerosa comunidade em território português, os serviços de segurança portugueses e a Polícia Judiciária suspeitam que a China exerça um poder igualmente sub-reptício, mas mais duro, sobre esses imigrantes. No final do ano passado, a organização não-governamental Safeguard Defenders revelou a existência de esquadras informais chinesas em todo o mundo, incluindo Portugal na lista. Estas esquadras servem para julgar e punir cidadãos chineses com problemas legais acusados de roubos, jogo ilegal, ou até de contestarem o regime, atuando fora da sua área de jurisdição e sem dar conhecimento das suas atividades aos países onde realizam estes tribunais ilegais. A ONG com sede em Madrid acusa Pequim de expatriar à força estes imigrantes. Depois das denúncias da Safeguard Defenders, dezenas de países abriram investigações formais, incluindo Portugal mas o Expresso sabe que até ao momento não há qualquer dado objetivo sobre estas atividades. Alegadamente, existem três destas esquadras em solo português: uma em Lisboa, outra no Porto e uma terceira na ilha da Madeira.

Nesta última, o Expresso descobriu várias incongruências que levantam suspeitas. Trata-se de associação chinesa que tem número de contribuinte e, no registo de pessoas coletivas, apresenta-se como uma organização com fins culturais e recreativos. E, embora tenha sido criada em 2019, na Ribeira Brava, onde tem a sede, ninguém lhe conhece atividade ou sabe quem são os dirigentes ou associados. Nem sequer os serviços municipais.

A embaixada chinesa em Lisboa foi referenciada por outras polícias estrangeiras por causa deste delicado dossiê no ano passado. No entender destas, os representantes de Pequim em Lisboa poderiam estar a dar apoio a estas atividades ilegais de repatriamento forçado. A informação foi partilhada entre as forças e serviços de segurança portugueses e é considerada “altamente sensível”.

No total, a Safeguard Defenders detetou 102 esquadras ilegais em 53 países. Um responsável desta ONG reconhece ao Expresso que, muitas vezes, é “bastante difícil” provar a existência destas esquadras. “As de Portugal parecem ser muito mais informais do que as de outros países, e sem escritórios físicos ou nomes inscritos. Em vez disso são apenas fachada para a associação que as dirige, que muitas vezes estão registadas noutros locais.”

Outra forma de Pequim chegar até informação considerada sensível é no jogo de soft power junto de dirigentes de partidos políticos. É aqui que entra a dança, com ritmos por vezes descompassados, entre poder económico e político. “A China é um gigante cada vez mais poderoso, que já há uma década que estende as suas mãos a empresas de sectores nevrálgicos em Portugal. E por vezes gosta de namorar o poder político”, lembra Hugo Costeira, presidente do Observatório de Segurança Interna.

Várias fontes referem nomes concretos de membros de partidos, sobretudo do chamado bloco central, que serão próximos do embaixador chinês e de empresários daquele país com negócios importantes em Portugal. Estes políticos servem sobretudo para “abrir portas” a novas parcerias entre empresários dos dois países, mas estas alianças causam “desconforto” entre as forças e serviços de segurança que temem que estas relações possam permitir a esta potência aceder a dossiers governativos considerados delicados.

Uma coisa é certa: a entrada em força da Huawei em Portugal bem como o investimento de muitos milhões de euros de grandes acionistas chineses em empresas com capital público é um espinho que continua cravado nas pastas da diplomacia norte-americana.

DESFILE DE ESPIÕES À BEIRA-MAR

Embora haja espionagem internacional em Portugal, hoje em dia o país está longe de ser um palco estratégico determinante nesta atividade a nível global. Mas Lisboa já foi o epicentro dos espiões de todo o mundo. Durante a Segunda Guerra Mundial, a posição de neutralidade assumida por Salazar e a localização privilegiada do país como ponto de partida para a América atraíram uma vaga de refugiados e muitas personalidades de relevo fugidas ao conflito, desde membros de casas reais europeias a diplomatas, banqueiros, homens de negócios e ex-governantes de países sob ocupação nazi, o que contribuiu para transformar a capital portuguesa num território incontornável para as principais redes de espionagem. Na época, Lisboa e a Linha do Estoril tornaram-se um verdadeiro enclave de agentes secretos. Tanto do lado dos aliados — sobretudo britânicos e americanos — como do lado dos alemães.

“Na maior parte dos casos estavam integrados nas respetivas embaixadas, mas havia também espiões duplos que faziam espionagem por conta própria e que chegavam a servir os dois lados”, conta a historiadora Irene Pimentel, autora do livro “Espiões em Portugal durante a II Guerra Mundial”. “Garbo”, nome de código do catalão Juan Pujol Garcia, foi um dos mais importantes agentes duplos que esteve sediado em Lisboa e que acabou por ter um papel fulcral no desfecho da guerra. O espanhol começou por oferecer os seus serviços aos ingleses, que não o quiseram, “vendendo-se” depois aos alemães. Mas os britânicos acabariam por recrutá-lo quando se aperceberam, através da interceção de telegramas, de que vendia informações falsas aos nazis. Dizia-lhes, por exemplo, que estava em Londres quando, na verdade, não saía de Lisboa, e usava um guia de viagens para o ajudar a descrever-lhes a vida na capital inglesa, onde nunca tinha estado. Passando a trabalhar para o MI5, sem que Berlim desconfiasse, “Garbo” acabou por convencer Hitler que o desembarque dos aliados iria ocorrer em Pas-de-Calais, no Noroeste de França, e não na Normandia, como acabou por acontecer, levando os germânicos a desviar muita da sua força para a outra localidade. No decurso da guerra, o ardiloso espião duplo acabou mesmo por ser distinguido com condecorações militares tanto por Hitler como por Churchill.

O sérvio Dusko Popov foi outro agente duplo que, a partir de Portugal, passava igualmente informações falsas aos alemães, enquanto trabalhava para os serviços secretos britânicos. E também ele haveria de ficar na história, ao servir de inspiração para a criação da personagem de James Bond, criada por Ian Fleming. Popov, um espião com fama de playboy e uma coragem à prova de bala, estava na altura hospedado no Hotel Palácio, no Estoril, onde conheceu Fleming, à época um oficial da marinha britânica ao serviço em Portugal. Na sua autobiografia, publicada 30 anos após o fim da guerra e já depois da morte de Fleming, Popov conta que foi nele que o romancista inglês se inspirou para criar o célebre 007 e garante que o Casino Estoril foi o local que serviu de inspiração para “Casino Royale”, o título do primeiro livro da saga. A tese haveria de ser confirmada num documentário da BBC, divulgado em 2020.

Não foi a única obra de ficção inspirada na intensa atividade de espionagem que então se verificava no país. Durante a Segunda Guerra Mundial, também Graham Greene, que viria a tornar-se um dos mais prestigiados escritores ingleses do século XX, trabalhou como agente secreto em Lisboa, assumindo, dentro do MI6, a responsabilidade pela contraespionagem britânica em Portugal. “Foi com base nos conhecimentos que adquiriu cá como espião que escreveu ‘O Nosso Agente em Havana’, uma das suas obras mais famosas e que, aliás, esteve para se chamar ‘O Nosso Agente em Lisboa’”, conta Irene Pimentel. Na mesma altura, muitos policiais de série B retrataram igualmente o ambiente vibrante que então se vivia em Portugal. Não é de estranhar. “Na época, o país era um autêntico forrobodó de espionagem de todos os lados”, brinca a historiadora.

Embora o termo espionagem remeta para um universo de grande secretismo, neste “forrobodó” muita da atividade era feita relativamente às claras. O Casino Estoril, por exemplo, era um dos locais onde mais fervilhava. Era lá que muitos agentes se encontravam para trocar informações, estabelecer contactos ou relações diplomáticas. Vários hotéis, tanto em Lisboa como na Costa do Sol, eram também pontos nevrálgicos para os serviços secretos. E, à época, alguns estavam assumidamente conotados com um ou o outro lado do conflito. O pequeno Hotel Atlântico, junto ao elevador de Santa Justa, e os dois hotéis Francoforte, ambos na Baixa, serviam de “quartel-general” para espiões alemães, enquanto o Hotel Palácio, no Estoril, ou o Avenida Palace, nos Restauradores, eram os preferidos dos aliados. Neste último, existia mesmo uma passagem secreta num corredor do 4º andar que ia dar diretamente à estação de comboios do Rossio, permitindo que agentes chegassem à capital, reunissem num dos quartos e voltassem a sair do país sem que ninguém os visse.

Os portugueses eram frequentemente recrutados como informadores pelos serviços secretos de ambos os lados. Prostitutas do Cais do Sodré, estivadores do porto de Lisboa e marinheiros, por exemplo, recebiam dinheiro para informar a intelligence dos movimentos de entrada e saída das embarcações germânicas ou aliadas, consoante quem lhes pagava. Muitos trabalhavam para os dois lados para ganhar mais, mas não eram propriamente bem vistos. “Um relatório dos serviços de espionagem britânicos referia que a primeira coisa que um português fazia quando era recrutado era contar à família e aos amigos”, diz Irene Pimentel. E, na sua autobiografia, o oficial das SS que dirigiu a inteligência nazi durante a Guerra, Walter Schellenberg, traçou igualmente um retrato pouco abonatório dos portugueses. Em 1940, Schellenberg viajou para Portugal para planear o rapto dos Duques de Windsor, então exilados na Linha do Estoril, montando, para isso, uma rede de informadores locais. Um dos portugueses encarregados de vigiar os passos dos duques decidiu recrutar a própria mulher e os filhos para o ajudarem, exigindo depois que os alemães comprassem sapatos para a família inteira de forma a compensar as solas que tinham gasto na missão, relatou, mais tarde, o nazi, para salientar que os portugueses eram miseráveis e se vendiam por tua e meia.

Inicialmente mais favorável aos alemães, Salazar estava atento a tudo e mandou a PVDE, antecessora da PIDE, reprimir a espionagem britânica em Portugal. Mais tarde, porém, acabou por facilitar a sua atividade, sobretudo a partir de 1943, quando os aliados derrotaram as forças do Eixo na campanha do Norte de África e começou a perceber-se que seriam os prováveis vencedores da II Guerra. Para a vitória final, em 1945, os russos viriam a ser decisivos, forçando a capitulação da Alemanha, embora a força dos seus serviços secretos tenha começado a desenhar-se sobretudo depois do fim da Guerra, com a criação do KGB, já nos anos 50.

Em Portugal, a espionagem soviética esteve especialmente ativa nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, quando muitos agentes de Moscovo operaram em Lisboa. Mas as tentativas de influência não terminaram com o fim da URSS. Há apenas seis anos, um ex-espião do SIS, Carvalhão Gil, foi preso e mais tarde condenado a oito anos de prisão por espionagem, depois de ter passado às secretas russas informações protegidas por segredo de Estado. E, depois disso, a atividade da intelligence russa intensificou-se ainda mais, nomeadamente com a pandemia.

OS CIBERVÍRUS DA COVID-19

A covid-19 trouxe não só mortes e confinamentos forçados, mas também novas oportunidades para espiões chineses e também russos, o terceiro e não menos importante inimigo no jogo de sombras das informações em Portugal. A pandemia obrigou universidades, institutos públicos e laboratórios a partilhar por via eletrónica informação sensível sobre vacinas, testes PCR e todo o tipo de dados pessoais da população, o que foi um chamariz para hackers a soldo de governos hostis aos países da NATO e da União Europeia. Foram públicos os ciberataques aos laboratórios Germano de Sousa, um dos mais importantes do país.

Uma fonte que passou pelo Governo nos últimos anos revela que foram trocadas “bastantes informações” sobre esta pasta “delicada e sensível”, a dos ciberataques russos, durante os dois anos pandémicos.

Com a guerra da Ucrânia, os cibercriminosos made in Moscow multiplicaram as suas atividades ilegais, tendo as últimas tido lugar em janeiro e fevereiro, com um ataque em grande escala na Europa a países que apoiam a Ucrânia e em Portugal aos sites da Direção-Geral de Saúde, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e servidores do Hospital Amadora-Sintra.

O especialista em cibersegurança Bruno Castro, CEO da empresa Visionware, suspeita que os promotores dos ciberataques são entidades ligadas ao Kremlin, que, de forma anónima, podem esconder-se atrás dos hackers. “Desta forma podem atacar países do Ocidente e evitar retaliações, que poderiam, de outra forma, levar até a uma guerra.” Ou seja, os mais temíveis piratas informáticos russos eventualmente atuam com o patrocínio não oficial do FSB (o antigo KGB), GRU (serviços secretos militares) e SVR (informações externas). E, movidos pelos milhares de dólares que ganham por cada ciberataque, acedem a bases de dados de instituições militares e governamentais e também de grandes empresas ocidentais.

Portugal também está no mapa destes ciberespiões e um dos casos mais graves passou-se com o ciberataque aos servidores do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), no ano passado. Eventualmente, os piratas informáticos terão vendido documentos da NATO exfiltrados nessa intrusão. Mas mesmo antes do início dos confrontos entre Moscovo e Kiev tinham sido já produzidos relatórios de segurança sobre a ciberameaça proveniente da Rússia.

Os espiões russos movem-se com facilidade por trás dos computadores, mas também andam disfarçados nas ruas de Lisboa, tendo em mente o recrutamento de agentes e a contraespionagem. “Por cá, procuram saber tudo sobre os meios operacionais militares. E querem saber das atividades dos americanos e da NATO na Península Ibérica. Alguns deles estão até ligados ao tráfico internacional de armas”, diz um ex-operacional dos serviços de informações.

Esta fonte garante que os operacionais de Moscovo têm uma atitude “mais agressiva” do que por exemplo os de Pequim ou Teerão. “Vão atrás das suas presas e usam todos os meios ilegais possíveis, como chantagem e ameaças às famílias. Exercem coação psicológica e ‘trabalham’ as questões mentais dos seus potenciais recrutados.” Haverá mesmo no nosso país “espiões adormecidos”, ou seja, russos que vivem em Portugal há vários anos com uma vida integrada e que são chamados a determinada altura para “atuar em nome da pátria”.

A guerra da Ucrânia e a posterior lista negra de oligarcas russos criada pela União Europeia e Estados Unidos tornou mais tensa a presença dos russos em Portugal. Dois meses depois do início do conflito, o Ministério dos Negócios Estrangeiros expulsou dez funcionários da embaixada russa em Lisboa, por “atividades contrárias à segurança nacional”. Um mês depois, foi a vez do Kremlin mandar para casa cinco diplomatas portugueses em Moscovo.

Nessa altura, as autoridades portuguesas detetaram a presença de dois cidadãos russos a observar as instalações militares na área da Grande Lisboa. A presença foi sinalizada e partilhada entre os serviços e forças de segurança. O Expresso revelou também um caso suspeito de um casal russo a trabalhar na Câmara de Setúbal que terá acedido a dados sensíveis de refugiados ucranianos da guerra. Um ano depois, a PJ continua a investigar e já fez várias buscas à autarquia para perceber o papel deste casal.

PALOP NA ZONA CINZENTA

Se os inimigos se atraem pelo know how académico e científico e pelas ligações económicas e políticas de um país que, sendo periférico, faz parte de duas das mais importantes alianças militares e económicas, a NATO e a União Europeia, o que vale Portugal para os aliados? “Continuamos a ser importantes para os espiões aliados porque Lisboa ainda domina a intelligence em África. Especialmente para franceses, ingleses e americanos que detêm importantes ativos naquele continente e ‘bebem’ muita da informação sensível que detemos sobretudo nos PALOP”, defende Hugo Costeira.

Uma outra fonte que trabalhou nos serviços de informações segue uma lógica semelhante: “Portugal serve de plataforma para todos os serviços de informações amigos e inimigos devido à sua geografia estratégica, próxima de África, e ao facto de receber todo o tipo de culturas, podendo estes operacionais atuar sem dar nas vistas.” Lembra que Lisboa é uma cidade tão aberta como Londres ou Paris, mas menos controlada do que estas. “Os agentes secretos vêm a Lisboa e ao Porto trocar informações com agentes de outros países. Nós fechamos sempre um pouco os olhos a essas atividades, o que nos traz muitas vantagens.” Em resumo, o que os atrai é Portugal ser um “país da NATO e de ter relações institucionais com África.”

Já Luís Tomé refere que os americanos, ingleses, franceses e alemães querem aproveitar investimentos em equipamentos militares e contratos de armas em Portugal. “Fazem lobbiyng junto das nossas forças armadas para fecharem contratos com determinadas empresas desses países.” E acrescenta: “Os nossos espiões confiam sobretudo nos americanos.” A CIA monitoriza as infraestruturas críticas em Portugal, como o porto de Sines e a Base das Lajes, nos Açores.

Mas acima de tudo, os espiões norte-americanos usam o nosso país para a contraespionagem, tentando saber o que russos, chineses e iranianos andam por cá a fazer. Ou seja, precisamente o mesmo que os inimigos tentam fazer em relação aos espiões aliados.

As secretas espanholas (Centro Nacional de Inteligência — CNI) e brasileiras (Agência Brasileira de Inteligência — ABIN) também estão bastante ativas em Portugal. As primeiras atuam numa lógica de “salvaguarda do perímetro da Península Ibérica”, enquanto as segundas monitorizam os poderosos cartéis de droga, numa altura em que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se implantou em Portugal, e também a atividade de grupos da extrema-direita ligados ao ex-presidente, Jair Bolsonaro, que se movimentam por cá junto da comunidade imigrante.

Já Angola e Moçambique tentam controlar, ainda que informalmente, os seus cidadãos nacionais, de forma a detetar esquemas de fuga ao Fisco e branqueamento de capitais, bem como pormenores dos negócios que fazem em Portugal e que escapam ao controlo de Luanda e Maputo. Mas querem sobretudo obter informação sobre a oposição política a viver em Lisboa para antecipar protestos e jogadas de bastidores. Ao contrário de iranianos, chineses ou russos, não têm interesse na espionagem tecnológica. Mas têm alguma proximidade com Moscovo, e uma parte da atividade de espionagem que aqui exercem é feita em joint venture com o Kremlin. Por outras palavras, jogam em vários tabuleiros.

Spoiler

LÉXICO DAS ‘SECRETAS’

AÇÃO CLANDESTINA
Operação executada de forma encoberta e secreta.

AGENTE ADORMECIDO
Agente clandestino colocado num país estrangeiro sob uma cobertura que lhe permite viver e trabalhar sem atrair atenções, e que em geral não conhece antecipadamente a missão exata que virá a desenvolver.

BANDEIRA FALSA
Truque utilizado pelos serviços de inteligência para levar um agente a acreditar que está a ser recrutado pelos serviços de outro país.

CONTRAESPIONAGEM
Conjunto de atividades que tenham por finalidade detetar e neutralizar a espionagem.

ESTAÇÃO
Filial de um serviço de inteligência no estrangeiro.

EXFILTRAÇÃO
Repatriamento de um agente secreto quando está numa situação de comprometimento iminente.

HUMINT
Informação obtida de notícias fornecidas por origens humanas.

MATÉRIA CLASSIFICADA
Informação que se for conhecida por pessoas não autorizadas pode pôr em perigo a segurança nacional.

OSINT
Notícias obtidas através de fontes abertas.

RAVEN
Espião do sexo masculino que se serve da possibilidade de atividade sexual, intimidade ou romance ou sedução para realizar espionagem.

SAFE HOUSE
Local seguro, casa ou alojamento, sem ligação aparente ao serviço de inteligência, utilizada no âmbito de atividades operacionais.

TARGETING
Fase inicial de um processo de recrutamento, caracterizada pela identificação de potenciais alvos a recrutar.

VULNERABILIDADES
Características conhecidas e desconhecidas de uma pessoa que podem ser manipuladas por um oficial de inteligência com vantagem operacional.

In “Inteligência”, de António Freitas, ed. Diário de Bordo

 

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A decisão do Cotrim faz cada vez mais sentido. Se era isto que o partido pretendia seguir ele não tinha esse estilo (completamente taberneiro).

E mesmo em interesse político não vejo que interesse tem a comparação com o PREC. É que a maior parte do eleitorado deles, mais jovem, nem deve fazer ideia o que foi o PREC.

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Citação de HappyKing, há 34 minutos:

 

A decisão do Cotrim faz cada vez mais sentido. Se era isto que o partido pretendia seguir ele não tinha esse estilo (completamente taberneiro).

E mesmo em interesse político não vejo que interesse tem a comparação com o PREC. É que a maior parte do eleitorado deles, mais jovem, nem deve fazer ideia o que foi o PREC.

É que a comparação, nem sentido faz.

Podem discordar da medida aplicada, mas que discordem com pés e cabeça.

Eu ainda não li o que vai ser aplicado, apenas li coisas de malta de direita, por isso, não tenho opinião porque, qualquer uma que tivesse, estaria profundamente enviesada 

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Citação de HappyKing, há 17 horas:

O nível político português atual é tão poucochinho. 

Para melhorar só o facto de isto não ser um cartaz real e ser apenas uma montagem parva por uma juventude partidária que mais parece uma associação de estudantes.

Será que o PSD tem assim tanta vergonha de admitir que vão coligar-se com o Chega. É que ao não admitirem o contrário, deduz-se automaticamente que é o que vai acontecer. Pobre país. 

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Citação de Ticampos, Em 18/02/2023 at 03:03:

Imagem

PAN fora do parlamento, PSD a ganhar todos os distritos, excepto Alentejo e Setúbal.

Como é que explicas essa variação de percentagens, por exemplo em Vila Real onde, há um ano, o PS ganhou com 41.29% vs 40.01%? É uma descida de 15%, parece-me demasiado num ano.

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Citação de Ghelthon, há 1 hora:

Como é que explicas essa variação de percentagens, por exemplo em Vila Real onde, há um ano, o PS ganhou com 41.29% vs 40.01%? É uma descida de 15%, parece-me demasiado num ano.

Cai +3% que a queda nacional. Justifica-se com um eleitorado mais centrao do que no sul por ex. Portanto a volatilidade é maior nesses partidos.

Editado por Ticampos

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Essa malta vive mesmo numa bolha se acha que o prec diz o que quer que seja a alguém. 

Lá porque no grupo de whatsapp do partido esse bitaite levou com bastantes emojis, não quer dizer que funcione. 

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Mas pior que a reação da IL, que já se espera e que diz pouco à generalidade dos portugueses, é a do PSD. Como é que o segundo maior partido reage de maneira parecida à IL, recorrendo aos mesmos chavões?! É que nem inteligentes são, porque a habitação é capaz de ser o maior problema do país, começa a pesar imenso na classe média, e as pessoas querem é ver soluções, nem que sejam mais radicais. 

O PSD, neste momento, só mete pena. E ainda bem que as sondagens mostram, precisamente, que não são eles a subir, mas sim o PS a descer. Não têm posições nem soluções sobre nada, só criticam e deitam abaixo. Estimo mesmo que se f*dam. Às vezes, até prefiro radicais de direita com ideias e propostas, que na questão das burocracias e no avançar dos projetos até acredito que tenham alguma razão, do que estes gajos que não dizem nem propõem nada. 

Há uns dias, o Daniel Oliveira dizia que a habitação foi o único direito que ficou esquecido para o mercado e que não foi salvaguardado pelo Estado, ao contrário da saúde e da educação, por exemplo. Acho que é a afirmação que melhor resume o problema, tendo em conta a dimensão global do problema da habitação. E é por isso também, que tenho bastantes reservas do mercado resolver por si só o problema.

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Citação de Gilberto Carlos, há 15 horas:

Podem discordar da medida aplicada, mas que discordem com pés e cabeça.

qual pés e cabeça?? a mesma direita que usou este mesmo tipo de argumentário quando foi da requisição temporária do ZMar para instalar os escravizados de Odemira?? Que até fez o inefável ex-Bastonário da Ordem dos Advogados (e perene manda-chuva da Associação de Proprietários de Lisboa) mandar o Conselho de Direitos Humanos da OA ir ao terreno em urgência, não pelos escravizados, mas pelos """"""""expoliados"""""""" do ZMar? O mesmo sujeito mundano que ontem já apareceu a debitar o mesmo argumentário de colagem directa destas medidas a qualquer coisa jacobino-bolshevik? Esta é a direita que temos. É a direita clickbait de Observador. Não dá para mais. Por alguma coisa não ganham eleições. Porque escolheram um caminho a roçar as fake news de facebook. Resultou em países onde a população é imensamente mais ignorante e menos escolarizada (EUA e Brasil) mas por cá, felizmente, as pessoas têm um bocado de dois dedos de testa, sabem ler e escrever mais ou menos, e esses truques muito baixos, muito facilmente desmontáveis, plenas mentiras e distorções, serve para o circlejerk Observadoriano mas não perpassa para o eleitorado. Continuem assim.

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Citação de Jpa, há 24 minutos:

Mas pior que a reação da IL, que já se espera e que diz pouco à generalidade dos portugueses, é a do PSD. Como é que o segundo maior partido reage de maneira parecida à IL, recorrendo aos mesmos chavões?! É que nem inteligentes são, porque a habitação é capaz de ser o maior problema do país, começa a pesar imenso na classe média, e as pessoas querem é ver soluções, nem que sejam mais radicais. 

Porque para o eleitorado que eles querem os chavões chegam. E porque quanto menos falarem melhor para eles porque o PS está a fazer o trabalho todo para eles. Só precisam de dizer meia dúzia de coisas que o povo goste de ouvir e está feito

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