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Sumudica by Night

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Futre :heart:

 

A história da contratação do Porfírio está engraçada e ainda deve ser uma coisa atual. Porque é que esse gajo nunca se impôs em lado nenhum? Pelo que ouço, tinha bastante qualidade.

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Futre :heart:

 

A história da contratação do Porfírio está engraçada e ainda deve ser uma coisa atual. Porque é que esse gajo nunca se impôs em lado nenhum? Pelo que ouço, tinha bastante qualidade.

 

tens mp

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Tenho estado toda a tarde a ler estas entrebistas, fantásticas! :p

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#32. Pacheco. “Chamei um táxi e apresentei-me na Luz”

 

Que personagem. :lol:

 

Como era o Vata?

 

Um excelente finalizador. Um toque dava golo, na boa. Ele nem sequer era titular do Benfica. Nessa época, tem mais jogos a suplente a titular e é o melhor marcador do campeonato.

 

Ainda fala com o Vata?

 

Acho que ainda está na Austrália e sou amigo dele no facebook. Se ele falava pouco português naquela altura, agora então deve ser uma maravilha [mais um sorriso de Pacheco].

 

Se ele era angolano, como é que não falava português?

 

Ele falava francês. Se é angolano, só se nasceu lá no interior interior interior, na última palhota antes da fronteira do Zaire. Ele falava muito mal português. Era uma pessoa muito engraçada. Tinha as suas limitações, muito curiosas.

 

Tais como?

 

Ele não tinha carta e guiava um Renault 5, só com duas mudanças. A primeira e a segunda. Por isso, demorava oito horas a chegar à Póvoa.

 

Do Varzim?

 

Sim, ele veio do Varzim para o Benfica. Também não sabia estacionar. Daí que chegasse sempre mais cedo que todos os outros ao Estádio da Luz. Arrumava o carro de frente, sem qualquer manobra, e pronto. Às vezes, o carro ia abaixo no Marquês de Pombal e ele ligava à malta a dizer ‘epá, venham cá e tirem-me daqui’.

 

(...)

 

O Coroado disse-nos isto: ‘ao minuto 90, há um lance na área do Torreense, gera-se uma confusão e é daí que sai o vermelho para o César Brito, por palavras. O Pacheco, que até nem estava ali, veio a correr na minha direção e disse-me na cara, neste português, ‘meu filho da p*ta, não tens colhões para me mostrar o vermelho’

 

Foi quase assim, mas não foi assim. Então, o Coroado estava a fazer uma arbitragem à Coroado, uma pessoa sempre apaixonada pelo Benfica e ainda hoje se vê nas suas apreciações semanais nos jornais. Ele conseguiu expulsar o Paulo Sousa e depois não assinala uma falta mais que evidente sobre o César Brito à entrada da área. O César manda-o literalmente para aquele sítio e o Coroado expulsa-o. Isto à falta de dois minutos. Era um jogo decisivo por questões do título com o Porto. A ideia que tenho do que lhe disse ‘porra, para estares a fazer essa m*rda, expulsa toda a gente’ e ele dá-me o vermelho. Eu estava ali no meio de muitos e só usei a linguagem que eles também usam connosco.

 

(...)

 

No campo então, imagino.

 

Não imaginas não, ò Rui. Nesse dia do César Brito, vi o [árbitro] Carlos Valente ser apertado por tudo e todos.

 

Quem?

 

O senhor Octávio, o senhor Inácio, o guarda Abel e por todos aqueles polícias fardados que viravam as costas e diziam ‘dá-lhe agora’. Estavam todos feitos e viravam costas nesses momentos mais fortes.

 

Quem era o seu habitual marcador, João Pinto?

 

Exacto. Ainda há umas semanas, alertaram-me para um Benfica-Porto na RTP Memória. Acabou 1-1, golos do Jaime Magalhães e Diamantino. Trinta anos depois, estava a sentir-me incomodado com tanta pancada que apanhei. Nas primeiras quatro ou cinco vezes em que toquei na bola, sofri falta. Seguido, sem parar. Foi assim até ao fim do jogo. Esse jogo deve ter roçado as 70 faltas e um só cartão amarelo. Digamos que aquilo parecia o Canelas numa versão mais soft.

 

(...)

 

Segue-se então o Casino Salsburgo.

 

Joguei cá, ganhámos 2-0 e até mandei uma bola ao poste. Acho. A minha memória ficou selectiva. Para manter a minha sanidade mental, tive de esquecer muita coisa a partir daí.

 

E depois lá, na Áustria. O que se passou?

 

O supra-sumo da bananeira Manuel Fernandes convenceu o Bobby Robson a jogar com três centrais e perdemos 3-0. Saí do onze, de repente, e lembro-me do Sousa Cintra dizer na viagem de volta, no avião, que o treinador não tinha nada que me tirar. E também me lembro dele despedir o homem no avião. Se já estava chateado, mais chateado fiquei quando o homem saiu.

 

(...)

 

E o Queiroz?

 

No primeiro jogo, em casa, com o Beira-Mar, tirou-me. No segundo, na Luz, também. No terceiro, idem idem. A partir daí, tchau. Logo na primeira semana disse que o Sporting tinha esquerdinos a mais. Porra, é a alegria de qualquer treinador ter abundância de esquerdinos.

 

[...]

 

Qual foi a maior barraca de todas?

 

Um dia, Berti Vogts disse mal do Queiroz e colei a reportagem no meu cacifo. No outro dia, um jogador qualquer disse mal do Queiroz e colei a reportagem no meu cacifo. Mais à frente, lia uma reportagem qualquer a criticar o Queiroz e colava-a no cacifo. O gajo viu aquilo e chamou uma reunião de emergência. Chega lá o Cintra com aquela conversa ‘temos de estar unidos, isto é uma família, vamos lá ganhar’. Olha para o meu cacifo e pergunta-me o que é aquilo. E eu ‘isto são mensagens de solidariedade para com a minha pessoa que, infelizmente, só vêm de fora. Aqui dentro, estou sozinho e abandonado Ou você está esquecido que queria aterrar aqui de helicóptero ao meu lado e há três meses que não o vejo.’ O Cintra pediu-me para arrancar aqueles recortes e eu ‘não vou arrancar nada, isto é o meu cacifo e eu é que sei’.

 

Grande tourada.

 

O Queiroz estava lá e quis acabar com a discussão. ‘Eu até me vou sentar para ficar ao vosso nível’, disse. Desceu do trono, a criatura. Começa a falar com a malta. Ou a tentar. O Balakov começou a distribuir fruta. Depois foi o Marinho. Quando a cegada acabou, falei com ele e disse-lhe isto: ‘Fui o primeiro jogar a rescindir unilateralmente com o Benfica para assinar pelo Sporting e o mister saiu da seleção depois de dizer aquilo de varrer a porcaria depois do Itália-Portugal. Tanto eu como o mister, só temos esta salvação aqui do Sporting. Vamos lá esquecer as nossas m*rda.’

 

E então?

 

Foi a pior coisa que fiz. Nunca mais fui tido nem achado. De suplente a esquecido. E desprezado.(...)

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#33. Vítor Oliveira. “Na estreia, empatámos 6-0 na Luz”

 

Em 1975, o Vítor sai do Leixões, na 1.ª divisão, e assina pelo Paredes, da 2.ª. Porquê?

 

O Paredes estava a começar a aparecer. A cidade cresceu muito com a indústria do mobiliário, havia algum dinheiro e tinha acabado de subir da 3.ª para a 2.ª. Fez-se um investimento grande e, de uma assentada, o Paredes levou quatro/cinco jogadores de Matosinhos. Ainda hoje me recordo da assinatura do contrato com o Paredes. Estávamos numa salinha da sede, que ainda hoje existe, e, de repente, soa a sirene. Havia um incêndio nas proximidades, os diretores do Paredes eram bombeiros e a assinatura foi adiada por um dia.

 

E assinou?

 

Sim, sim. No dia seguinte, tudo assinado. Cheguei a casa, já noite alta, e apanhei o meu pai a sair para o mar. Perguntou-me que tal tinha sido o dia. Os meus pais, honra lhes seja feita, nunca se meteram na minha vida profissional. Deram-me sempre uma liberdade enorme. Bom, perguntou-me como tinha corrido o dia. Disse-lhe que tinha assinado pelo Paredes e ele questionou essa opção com aquela pergunta sacramental do ‘vais ganhar quanto?’. 14 contos. Era um contrato muuuuito bom, muito mais do que ganhava no Leixões na 1.ª divisão. O meu pai começou então a fazer-me perguntas sobre onde é que era Paredes? Ali ao pé de Penafiel, a uns 40 km do Porto, disse-lhe. E ele, já de saída: “Jogar, não jogas grande coisa, mas és fino para fazer contratos”.

 

:prayer: :lol:

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“Jogar, não jogas grande coisa, mas és fino para fazer contratos” :lol: :lol:

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Quais são os rituais do clube e dos jogadores do Sichuan? (há diferenças em relação a Portugal)

Parabéns pela pergunta. Quando digo que a escolha de uma ideia de jogo, de um “modelo de Jogo”, também tem a ver com a religião, a cultura e até as crenças e rituais. Muitos nunca conseguem entender esse detalhe maiúsculo. No fundo, o conhecimento só será válido se o conseguirmos aplicar. Claro que diferentes culturas têm diferentes rituais e se é verdade que o futebol é um desporto universal, convém sempre recordar que o homem é mais universal que o futebol. Já tive de parar treinos para orações, perder e sorrir porque o budismo diz que será melhor na próxima vez. Já tive um jogo em que não falei com os jogadores ao intervalo porque eles tinham de rezar e ainda jogaram melhor na segunda parte do que na primeira. Ainda bem que não falei para não estragar o que estava bem ahahahah.

 

:heart:

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O Nalitzis, nossa senhora. Ele até fazia coisas boas nos treinos, só que depois…

:lol:

 

Bonitas as palavras sobre o Porto

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Para 2005-06, o Porto aposta no Co Adriaanse. Que tal?

Vou dizer-te uma coisa e até me podem achar que sou maluco em dizer isto: foi dos melhores treinadores que apanhei. Ele tratava-te, pfffff.

 

Então?

Dizias bom dia e ele nada. Nada mesmo, nem… Nada é nada. Estavas em estágio, entravas no mesmo elevador que ele e ele nem ai nem ui. Nada, passava-lhe completamente tudo ao lado. Chegavas ao campo e não tinhas aquecimento. E foi o único ano em que não tivemos uma única lesão. E agora explica-me isto? Explica-me.

 

Muito interessante. Por acaso, gostei do trabalho que o Co Adriaanse fez por cá. Claramente, estava um passo à frente da maioria.

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Alguma vez teve propostas para sair do Sporting?

Algumas, sim.

 

Mas nunca saiu?

Não, o Sporting é uma paixão. Só joguei em três clubes e aquele em que acumulei mais jogos foi o Sporting.

 

Nada o demove, nem dinheiro?

Das propostas tive, a maioria era para pagar mais, só que…

 

Só que?

Devo ser um homem à antiga porque nunca me movi por dinheiro. Ou melhor, entendo que o dinheiro não é tudo na vida. Não sou hipócrita nem daqueles que dizem que o dinheiro não é importante. Claro que é. Só que nunca andei atrás dele. Dei sempre o máximo, quer no Sporting quer na seleção e não o fiz pelo dinheiro.

:heart:

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