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Sumudica by Night

Questões do Forno Interno

Publicações recomendadas

#66. Tomé. “O João Rocha dobrava o prémio no pós-jogo”

 

Entrevista especial devido ao Porto-Liverpool.

 

Tomé foi um ex-jogador do Vitória FC e Sporting que marcou o golo da vitória na primeira eliminatória do Liverpool contra uma equipa portuguesa: 1-0 no Bonfim e 3-2 em Anfield na Taça UEFA 1969/70. Os "sadinos" seguiram em frente na prova devido aos golos fora.

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#67. Manuel Machado. “Empatei com o Porto. Porra, o Porto do Mourinho”

 

Na época seguinte é que as coisas saíram pior.

 

Saí a meio, por desgaste. Até acho que nem devia ter começado a época, mas comecei por questões do foro afetivo.

 

Qual era o problema?

 

A questão foi diagnosticada muito cedo. Da minha parte, em Agosto, soube identificar os problemas e transmiti-os ao Rui Alves. O problema é o depois, ‘o que é que eu vou dizer ao Luís Filipe, o que é que eu vou dizer ao Pinto da Costa, o que é que eu vou dizer ao senhor do Sporting, ao Bruno?’

 

Ah, já percebi, os empréstimos: Tobias Figueiredo, César e Tiago Rodrigues.

 

Pronto, ainda bem, porque nem vale a pena alongarmo-nos. Não era um problema técnico, era um problema de comportamentos e cumplicidade. Como as coisas não foram resolvidas em agosto, tivemos de aguentá-las até à reabertura do mercado, em janeiro. Só que não deu e saí do Nacional. E saí com o Nacional fora da linha de água. Tangencialmente, é certo, mas acima dos lugares de despromoção. Só que desce à 2.ª no final dessa época. Se me tivessem ouvido, o Nacional ainda estava a jogar na 1.ª. E digo-o de forma muito categórica, porque já tinha passado por situações idênticas e as correções feitas na janela de janeiro resultaram. Há aqui uma coisa que defendo: nunca desci uma equipa. Nunca.

 

Nem o Arouca nessa mesma época de 2016-17?

 

Nem o Arouca, amigo. E nada tenho a dizer sobre o Arouca. Era um clube organizado, com uma estrutura pequena e funcional. O presidente e o filho apareciam normalmente ao fim-de-semana, o plantel era bom e o resto também, desde o jardineiro até ao diretor de imprensa. O problema é que o Arouca tinha começado a época em julho, com a Liga Europa, e isso levou a um processo de esgotamento. Perdi o primeiro jogo, em Chaves, o segundo, em casa com o Belenenses, o terceiro, em Braga, o quarto, nos Barreiros, e o quinto, com o Porto, em casa. Dos cinco jogos, três fora de casa e com candidatos à Europa.

 

E a classificação?

 

Quando saio, o Arouca tem 27 pontos e abaixo da linha de água já estão Nacional mais Tondela. Se o Arouca desceu, não tenho nada a ver com isso, está a perceber? Em termos curriculares, eu não desci equipa nenhuma.

 

:mrgreen:

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Eu por acaso julgava que as pessoas iriam associar o Carlitos ao Carlitos também ex-Benfica, como esse, mas que depois andou pelo Basel, Sion, Hannover e Estoril.

 

Edit: Este Carlitos

 

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#69. Miguel Sousa Tavares. “O Porto devia ter um grande guarda-redes, um Rui Patrício”

 

Conhece a minha mãe?

 

[a cara indicia um não]

 

Maria João Lourenço. Entrevistou-o algumas vezes para a TV Guia nos anos 90.

 

O nome diz-me alguma coisa, de facto.

 

Já estamos em desvantagem, está a ver. Eu conheço a sua mãe desde os 13/14 anos, quando passei um trimestre a estudar “O Cavaleiro da Dinamarca” nas aulas de português.

 

E a sua mãe, o que faz agora?

 

É tradutora e revisora.

 

Traduz quem?

 

Murakami, Haruki Murakami.

 

Traduz do francês?

 

E não só: Inglês, alemão, espanhol, italiano [MST arregala os olhos]. Uma vez, trouxe-lhe um Murakami do Irão.

 

[MST sorri] Aí é indecifrável, imagino.

 

Mais complicado.

 

Tenho aí uns quatro ou cinco livros do Murakami. Gosto dele. Ora bem, diga lá. Disse-me ao telefone que era uma entrevista futebolística.

 

TIL A mãe do Rui Miguel Tovar é a tradutora dos livros do Murakami para português. Já tinha lido algumas entrevistas dela, por acaso, mas não sabia da relação familiar.

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Porra, já não me lembrava de nada do jogo da taça intercontinental de 2005. Sei que vi o jogo, mas só me lembrava de ir a penaltis e de os gajos do Once Caldas terem festejado tanto irem a penaltis que eu e o meu pai pensámos que havia alguma regra que desconhecíamos e eles já tinham ganho :funny:

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Bobó crl :heart:

Quem se lembra do filho dele? Ia ser a next big thing, até foi para o Chelsea e tudo, mas nunca mais ouvi falar dele :(

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Bobó crl :heart:

Quem se lembra do filho dele? Ia ser a next big thing, até foi para o Chelsea e tudo, mas nunca mais ouvi falar dele :(

Andou pela Finlândia, agora acho que estava pelas ligas inferiores de Inglaterra.

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Melhor excerto da entrevista:

 

E eles?

 

Alegaram que eu tinha um contrato e tinha de o cumprir. Disse-lhes que não, que havia alternativas. Só que eles mantiveram a sua e até me chegaram a dizer ‘não troques um elefante por uma formiga’, ao mesmo tempo que abriram as portas para conversações com outros clubes.

 

Que cambalacho.

 

Nesses dias, houve gente que soube desta confusão e falaram comigo.

 

Quem?

 

O presidente do Chaves, o presidente do Braga e o presidente do Marítimo. Eles do Porto ligavam-me para saber das novidades e diziam-me ‘não troques um elefante por uma formiga’. Um dia, enchi-me daquilo e disse-lhes ‘a formiga dá-me aquilo que o elefante não me dá, vou-me embora’. Ahahahahah.

 

E foste?

 

Para o Marítimo. A oferta do António Henriques era boa, ele falou com o Porto e fechou-se o acordo.

 

Voltaste ainda ao Porto?

 

No dia em que fui lá buscar a carta, antes de me apresentar no Marítimo, subi e vi umas botas bonitas da Adidas. Perguntei se podia levar umas e eles ‘se não quiseste ficar aqui, não há chuteiras para ti’. Agradeci, desci as escadas e voltei a subi-las. ‘Pega nas chuteiras e mete-as no cu’.

 

Ahahahahahahah, disseste tu?

 

Duas vezes. Pega nas chuteiras e mete-as no cu. O Bandeirinha até ouviu aquilo tudo e quis acalmar-me.

 

:lol:

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Nos primeiros treinos, às terças-feiras, havia corridas de 14 km e eu era o primeiro do pelotão, sempre. Então vinha do Porto e não ia jogar no Águeda?, era o que faltava. Chegou o primeiro jogo e eu no banco. ‘Vá lá, já sou a segunda opção’. À segunda jornada, vou para o banco de novo. É um jogo com a Académica e as coisas correm-nos mal. Durante a segunda parte, o José Carlos diz-me para aquecer. Levantei-me, dei um pico e disse-lhe ‘já está’. Ele perguntou-me ‘já está o quê’. E eu ‘já estou quente’. E ele, enervado, ‘aquece crl’. Lá andei eu às voltas até que entrei e nunca mais saí da equipa.

 

‘Eu mister?’. E ele: ‘Há outro Bobó aqui?’ Bem, eu de estômago cheio e a pensar como ia jogar assim. Nas instruções, antes de entrar, o Pedroto diz-me que vou jogar a ponta. ‘Não te quero a fazer maritangas, tu sais do drible e dá cacete; quando há flanqueamento do jogo, acompanha’. Entrei a medo e assim fiz: no primeiro flanqueamento, o Vermelhinho vai à linha do fundo, cruza e eu empurro para a baliza, 1-0. O Pedroto estava todo contente ‘estás a ver como é fácil?’ e eu ‘fácil o crl, entrei todo cagadinho’. Isto para dizer que o Pedroto é especial no aspecto da motivação, como o Alves e o Manuel José. E esse Boavista do Manuel José foi bem para a frente.

 

Um dia, perdemos 4-1 com o Chaves no Bessa. Um jogo incrível em que massacrámos o Chaves e eles, em contra-ataque, tau tau tau tau, 4-1. Chegámos todos tristes ao balneário e o major, que é canhoto, entra lá dentro e dá um valente pontapé a um caixote do lixo. O caixote bate no tecto e vai até ao lado do balneário. Depois vira-se contra a malta. O Manuel José defendia-nos, claro: ‘ei, major, fora daqui’. E ele ‘eu sou o presidente, eu mando em ti’ e o Manuel José ‘mandas em mim? Quero ver é se tens os colhões no lugar, fora daqui, já disse’. Ahahaha, era assim, às vezes era bera.

 

:lol:

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Quem eram os seus rivais?

Felizmente, nunca tive muita gente. Houve o Tozé, depois o Secretário, que ficou com o meu lugar quando me aleijei uma vez já em fim de carreira. O Secretário é meu amigo, mas toda a gente sabe que ele era fraquinho. Corria era muito.

 

:mrgreen:

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Fiz todos os jogos das eliminatórias, menos a final. Na semana anterior, fomos jogar a Alvalade. A gente não precisava desse jogo para nada e o Sporting tinha de ganhar para ir à UEFA. Ganharam 1-0, golo do Pedro Barbosa. E eu lesionei-me nesse jogo, com o filho da p*** do Beto.

 

:lol:

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#74. César Peixoto. “A minha relação com Mourinho era de amor-ódio”

 

E agora?

 

Não me treinava e queria sair. Imaginas as pessoas do Belenenses que iam ver os treinos, não imaginas? Ele não quer é treinar, que era um tangas e tal. A verdade é que não conseguia correr, só coxeava. No dia da apresentação do Porto, tudo se precipitou. Nem sequer dormi no hotel do Belenenses, em Gouveia. Fui para um apartamento, comi umas pizzas e disseram-me para estar ás oito da noite no café Vela Latina. Acho que era esse o nome. Quem ia lá estar? O Pinto da Costa. Eu cheio de medo, ahahahah. Às sete e meia, o Jorge Mendes leva-me ao Vela Latina e sento-me. Vê lá tu, nem tinha reparado que o Pinto da Costa estava ali a uns metros de nós. Apresentámo-nos e ele levou-me ao estádio, de carro. E levou-me ao balneário, onde estavam todos aqueles monstros sagrados da bola, como Baía, jorge Costa, Secretário, Paulinho Santos mais o Mourinho. Entrámos e ele diz ao pessoal ‘está aqui o homem’, como se eu fosse a cereja no topo do bolo.

 

(...)

 

Jogavas com ele [Mourinho]?

 

Era por fases. Ou jogava ou ia para o banco ou nem isso, ahahahah. A minha relação com o Mourinho era de amor-ódio, ahahahah. Ou tratava-me bem ou nem dizia o meu nome. Quando distribuía os coletes, era joga este, este, este e, depois, ‘joga o outro’ na minha direcção. Ahahahaha

 

Porquê, psicologia?

 

Perto do final da época 2003-04, quando estava a recuperar de outra lesão, contraída em Marselha, o Rui Faria chamou-me e disse-me a verdade, ahahah. Então, havia treinos em que apanhava porrada de meia-noite. Mesmo. Era mais o Secretário e o Jorge Costa, mas davam-me a sério. Porquê? Porque era individualista, gosta do um para um. Muito. Aliás, quando cheguei às Antas, o público comparava-me ao Futre pela velocidade e pelos dribles. Com as lesões e as cinco operações [César toca ao de leve nos dois joelhos], acabei a carreira a jogar de uma maneira mais cerebral.

 

E mais, e mais?

 

Nesses treinos, era só bater. Secretário, Jorge Costa, Secretário, Jorge Costa. Revezavam-se, ahahahahah. E o Mourinho nada, só dizia siiiiiga, siga. Quando eu fazia uma falta de nada ou nem sequer fazia falta, o Mourinho apitava. Bem, eu passava-me e mandava-o prò c*****. Banho, dizia-me eu. Quantas vezes fui para o banho, ahahahahah. Dizia eu, na parte final da última época do Mourinho, o Rui Faria chamou-me e disse-me ‘dou-te os meus parabéns; se há gajo aqui que levou porrada e foi massacrado durante dois anos, foste tu. Parabéns, porque aguentaste bem. É verdade que, às vezes, resmungavas e protestavas, mas aguentas-te. Queres saber uma coisa, era tudo combinado’. E eu ‘quê?’. E o Rui Faria ‘era tudo combinado entre nós e o Secretário e o Jorge Costa, eles davam-te forte para aprenderes a soltar a bola’. E era verdade, naquela altura agarrava-me muito à bola e o Mourinho gostava era do futebol do passe.

 

Lol

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