migxstoper Publicado 13 Janeiro 2018 Ninguém é parvo a esse ponto. Mas tem piada o treinador que não aguenta em lado nenhum, também ter estado pouco tempo em prova :mrgreen: Esse lado nenhum é no Chelsea? Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 13 Janeiro 2018 Esse lado nenhum é no Chelsea? Ilhas Virgens Britânicas < 1 ano Académica < 1 ano Porto = 1 ano Chelsea < 1 ano Tottenham = 1 ano e meio Zenit = 2 anos e meio Shanghai SIPG = 1 ano Compartilhar este post Link para o post
migxstoper Publicado 13 Janeiro 2018 Ilhas Virgens Britânicas < 1 ano Académica < 1 ano Porto = 1 ano Chelsea < 1 ano Tottenham = 1 ano e meio Zenit = 2 anos e meio Shanghai SIPG = 1 ano Agora se decidires contextualizar era mais interessante do que ir ao google pesquisar isso. Compartilhar este post Link para o post
Mesut Ozil Publicado 13 Janeiro 2018 A final de Dublin ainda lhe está atravessada. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 13 Janeiro 2018 (editado) Agora se decidires contextualizar era mais interessante do que ir ao google pesquisar isso. Eu não fui ao Google, sei de cabeça. Eu disse que ele não aguenta tempo em lado nenhum e os dados estão aí, olha que crl :lol: O máximo que esteve num clube foram 2 anos e meio na Rússia, sendo que na maior parte dos clubes esteve um ano ou menos. Eu não mencionei se ele saía por vontade própria ou se era corrido ;) A final de Dublin ainda lhe está atravessada. Que gozo :lol: Eu adoro o AVB, já o defendi montes de vezes aqui no fórum e já escrevi várias vezes que aquele Porto foi a melhor equipa que vi em Portugal. Não tenho nada atravessado, bem pelo contrário, oxalá perdesse sempre "bem" como naquele ano. Editado 13 Janeiro 2018 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 20 Outubro 2018 André Villas-Boas vai participar no Baja de Portalegre, mas desta vez na competição de motas. Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 20 Outubro 2018 Há realmente qualquer coisa de deslumbrante em ser-se rico e estar-se a cagar. 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 22 Dezembro 2018 Na ausência de melhor tópico... André Villas-Boas com proposta de oito milhões (Al-Nassr) para ser rival de Jesus Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 22 Dezembro 2018 O Al-Nassr bem tenta contratar um português mas não está nada fácil. Compartilhar este post Link para o post
pedropb13 Publicado 22 Dezembro 2018 (editado) Se o AVB for para lá, o JJ volta a Portugal no dia seguinte, nem que seja para o Amora. Ainda deve estar traumatizado :mrgreen: Editado 22 Dezembro 2018 por pedropb13 Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 22 Dezembro 2018 Citação de pedropb13, há 8 minutos: Se o AVB for para lá, o JJ volta a Portugal no dia seguinte, nem que seja para o Amora. Ainda deve estar traumatizado :mrgreen: São best friends os gajos, acho que até em 2011 eram. Compartilhar este post Link para o post
FabioK Publicado 22 Dezembro 2018 O villas boas foi ao cu do jesus e nem pediu para usar vaselina. Nesse ano comeu o de cebolada por completo Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 22 Dezembro 2018 Citação de pedropb13, há 28 minutos: Se o AVB for para lá, o JJ volta a Portugal no dia seguinte, nem que seja para o Amora. Ainda deve estar traumatizado :mrgreen: "Nem que seja"? 1 Compartilhar este post Link para o post
FabioK Publicado 22 Dezembro 2018 Citação de Black Hawk, há 1 hora: "Nem que seja"? Qual é a tua 'ligação ' ao amora mesmo? Tu não és do norte? Compartilhar este post Link para o post
Kendrick Lmao Publicado 22 Dezembro 2018 Citação de Che, há 1 hora: São best friends os gajos, acho que até em 2011 eram. yep, o villas boas falou disso na entrevista ao porto canal recentemente salvo erro Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 24 Maio 2019 André Villas-Boas: “Tenho ambição ainda de treinar no Japão e na América do Sul. Mas não quero treinar mais do que cinco, seis anos” Dá para perceber o porquê quando se vê as fotos dos bólides na garagem do homem. Compartilhar este post Link para o post
Sumudica by Night Publicado 24 Maio 2019 Depois, quem conseguir, metam aqui o resto da entrevista. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 24 Maio 2019 Citação de Sumudica by Night, há 6 minutos: Depois, quem conseguir, metam aqui o resto da entrevista. Edit: Não está completa aí. 1 Compartilhar este post Link para o post
HIM Publicado 24 Maio 2019 Esse gajo é um patrão... andou meia dúzia de anos a puxar pelo nome e agora vive que nem um rei a fazer o que quer... Compartilhar este post Link para o post
jean-luc godard Publicado 24 Maio 2019 (editado) Podem meter reps. Quando quiserem coisas do expresso, mandem mp ou identifiquem me. É um dos treinadores mais conhecidos do mundo e ainda conta treinar mais cinco ou seis anos, antes de se reformar. O sonho começou aos 17, numa conversa de elevador com o vizinho que acabara de se mudar para o mesmo prédio POR JOÃO PACHECO (TEXTO) E RUI DUARTE SILVA (FOTOGRAFIAS) Sente-se bem aqui, entre carros e motos de coleção. Na garagem nova, o treinador André Villas-Boas guarda preciosidades e curiosidades como a moto que era do piloto Cyril Despres, de quando o Dakar não chegou a partir de Lisboa. Ou o bilhete de quando tinha 11 anos e foi ver pela primeira vez uma corrida de Fórmula 1, no Autódromo do Estoril. O antigo observador de José Mourinho fala sobre corridas de moto e de carro com o mesmo à vontade com que relata aventuras profissionais em Portugal, no Reino Unido, na Rússia e na China. Ou nas Ilhas Virgens Britânicas, onde jogava pela equipa dos jamaicanos. Antes de falarmos sobre o mister Bobby Robson, pode contar-me a história daquela moto do seu pai? Sim, a moto já estava em caixas. Conseguimos encontrar o antigo proprietário, pela matrícula. Ainda ninguém tinha dedicado o tempo e o custo de a recuperar. Encontrei o proprietário e montámos a moto que era do meu pai durante a juventude, onde ele andava com a minha mãe. Tenho duas ou três fotos sentado em cima da moto, com cinco ou seis anos. Nós somos muito agarrados às raízes, de certa forma ao nosso fado e à nossa saudade. Recuperar estas coisas tem um grande significado emocional. E eu — da mesma forma — espero passar também aos meus. Principalmente ao meu filho Frederico, que há de ser o mais dedicado a estas coisas quando crescer. De vez em quando pega na moto que era do seu pai e vai dar uma volta? Sim, outro dia levei a minha filha e foi uma experiência curiosa. Ela adorou. É uma dois e meio, mas é uma moto bastante calma. Como é uma moto inglesa, a caixa e o travão estão invertidos. Ainda não é como as motos atuais: a caixa fica do lado direito e o travão fica do lado esquerdo. Requer sempre algum cuidado quando se está a conduzir.Ela obviamente não sabe a carga emocional que traz: voltar a trazer um filho numa moto que foi do seu avô... Mas eu sei e acho que isso é valioso. Poderíamos ficar aqui a falar só sobre carros e motos durante muito tempo. Vamos agora à sua experiência como piloto de motos. Aos 17 anos, participava no campeonato de todo o terreno. Diz-se “todo o terreno”? Sim, aos 17 anos participava no campeonato nacional de todo o terreno. No Troféu XR, que na altura tinha sido criado. Só fiz duas provas desse campeonato, porque foi numa altura em que me comecei a envolver com o futebol. Mais tarde — a preparar-me para a terceira prova — acabei por partir o braço numa pista de motocrosse. E a partir daí deixei. Mas esse Troféu XR foi a primeira prova ou envolvimento numa competição de todo o terreno. Fui um bocadinho também buscar as raízes do meu tio. Pedro Villas-Boas. Sim, Pedro Villas-Boas. E a última que fiz — porque achava que era algo que tinha que concretizar — foi a de Portalegre, em outubro do ano passado. Que fiz questão de fazer de moto. Terminar um [Baja] Portalegre é sempre algo emblemático. Principalmente de moto, que é bem mais complicado. Fui castigado muitas vezes. Não só pelas asneiras que fazia, mas também pelas notas que tirava. Nunca chumbei, mas os meus primeiros e segundos períodos eram às sete e oito negativas” Era mesmo bom como piloto de todo o terreno em moto? Não, provavelmente agora sou melhor. Porque tenho mais tempo e dedico-me bastante a sair com as minhas motos do monte, no Gerês. Saía muito aqui em Valongo, quando tinha as motos aqui. Mas agora felizmente fui capaz de cumprir outro dos meus objetivos de vida, que era ter uma casa no Gerês, que é uma terra que tem muito significado para mim. Porque o meu pai me levava para lá em passeios a pé. A mim e aos meus irmãos, desde que éramos muito novos. Tive sempre uma relação sentimental muito forte com o Gerês e com a natureza. Mais tarde — quando deixei de ir com o meu pai — passei a ir com o meu carro. Com o meu UMM, com as minhas motos. A nossa família é originalmente de Caminha, a família Villas-Boas. Mas tínhamos uma quinta em Guimarães. E então eu levava as motos daqui para Guimarães e depois fazia o trajeto Guimarães-Gerês permanentemente. Em moto ou em jipe. Qual era o jipe? Era o UMM. Foi o primeiro carro que eu tive e o primeiro carro que eu comprei. Também pertencia ao meu primo. E antes pertencia ao meu tio. O primeiro carro que comprou... Legalmente. O primeiro carro que comprei legalmente. [risos] Porque os outros comprava-os, mas não tinha carta. Eram carros que eu comprava de sucata, no Castelo do Queijo — eu e um amigo meu. E partíamos para a aventura. Um dos objetivos era meter um carro em Guimarães, para depois fazermos um bocadinho de rally-cross. Mas esse partiu o motor na viagem. Eram carros que custavam 20 contos... O primeiro foi um [Fiat] 127, que fizemos o favor de espetar contra três ou quatro carros estacionados. O que resultou num castigo severo por parte dos meus pais. Foi trabalhar para a fábrica da família. Não é uma fábrica da família, pertence a um proprietário alemão. É uma fábrica de construção de peças para automóveis. O meu pai é administrador dessa empresa há muitos anos, desde que saiu da antiga Imoaço. É uma fábrica de fundição de peças de alumínio. E esse foi o castigo. Ia para lá fingir que trabalhava? Não tanto. Quando passava o administrador... Havia que fazer. Mas tinha mesmo um horário de trabalho a cumprir? Tínhamos. Entrávamos às oito e saíamos às seis da tarde. Foi um castigo de 15 dias. Ou melhor, foram as férias da Páscoa todas — na altura, no ensino secundário. E foi duro. Hoje em dia compreende essa educação rígida do seu pai? Compreendo, compreendo. E aceito. Acho que acabou por me formar enquanto pessoa. São experiências de forte carga emocional e de exigência. Eu fui castigado muitas vezes. Não só pelas asneiras que fazia, mas também pelas notas que tirava. Nunca chumbei, mas os meus primeiros e segundos períodos eram sempre às sete e oito negativas. Deixava tudo para a última e acabava por passar o ano sempre à rasca. Fui cumprindo com os meus objetivos escolares, até ao 12º. Mas pronto, era sempre castigado nas férias de Natal ou nas férias da Páscoa. Aos 17 anos, andava a fazer todo o terreno com motos, partiu um braço e teve a sorte que o mister Bobby Robson fosse viver para o prédio onde vivia. Sim. Isso foi uma daquelas coisas que traçam o destino de uma pessoa. A primeira vez que o vi, estava ele precisamente a voltar de ter visto o seu apartamento, no oitavo andar. Cruzámo-nos brevemente, a entrar e a sair do elevador. Eu morava no segundo andar. E achei assim estranho... Tinha-me parecido ele, mas não me tinha dado conta. E depois, começámos — nós e todas as pessoas que habitavam ali na Rua Tenente Valadim — a apercebermo-nos da sua presença. O motivo que nos uniu foi o Domingos Paciência, que depois se vem a tornar fundamental também na minha própria história. Mas vamos à sua história inicial com o Bobby Robson. Ele aturou-o ao ponto de o levar aos treinos do Futebol Clube do Porto? Foi. Acho que essa frase acontece de uma forma espontânea, pelo seu cavalheirismo. Ele não estava a contar que eu fosse aparecer no dia seguinte. Acho que foi uma daquelas frases-chave que tu dás para te livrares de alguém, quando estás com pressa. Qual foi a frase? A frase foi: “Amanhã apareces aqui às nove da manhã, vens comigo ao treino e eu explico-te”... Paixão O treinador na sua nova garagem, no Porto, onde guarda algumas preciosidades e curiosidades E faltaste às aulas. Faltei às aulas e fui. Estava em êxtase por estar na presença do treinador do Porto. Eu era um adepto ferrenho do Porto. E ter a oportunidade de conviver com um treinador de futebol do meu clube de coração, ver os jogadores profissionais, entrar no seu ambiente... Era algo a que uma pessoa simplesmente não tinha acesso. E o Bobby Robson tinha razão em deixar o Domingos a jogar um pouco menos do que queria? Foi na altura em que o Porto contratou o Yuran e o Kulkov ao Benfica. E havia quase como que... Não uma obrigação, mas esperava-se muito da inclusão do Yuran e do Kulkov. Pelo peso que eles tinham tido no Benfica e pelo rendimento que podiam ter pelo Porto. O Domingos nessa altura era um jogador-superstição, que entrava do banco e marcava. Eu — como era adepto ferrenho dele — sentia mais na pele a frustração de não o ver jogar desde início. Mais do que propriamente sentir que ele também era útil nessa função. Como treinador, mais tarde acabei por perceber que há jogadores que não aguentam ou a carga ou a pressão de jogar como titulares — não que fosse esse o caso do Domingos, obviamente — mas que têm um rendimento especial através do banco. São capazes de entrar a determinado ritmo do jogo e fazer a diferença. E isso acontecia nessa altura com o Domingos, que tinha mais golos do que o Yuran começando como titular. E, nessa altura, como é que conseguiu convencer os teus pais a — em vez de ir para a faculdade — fazer um curso de treinador no Reino Unido? Como é que eu hei de explicar? Digamos que foi quase como uma benesse. Não é fácil encontrar uns pais que tenham permitido que isso acontecesse. Principalmente com o passado que eu tinha — do miúdo rebelde, digamos assim. Eles fizeram essa aposta um bocadinho contra a opinião familiar, contra a opinião das pessoas com quem falaram. Na altura, não ficava muito bem ter um filho treinador. Estamos a falar de uma altura em que não tinham aparecido — ou contavam-se pelas mãos — treinadores que tivessem singrado sem carreira profissional de jogador. Eles deram-me a oportunidade de largar um projeto de jornalismo — eu ia entrar na Escola Superior de Jornalismo do Porto —, permitindo que tomasse essa opção. Foi algo que se tornou decisivo. Porque normalmente encontras uma barreira aí que não és capaz de vencer. E não te é permitido levar avante esse sonho. Ainda por cima, a decisão obrigava a um dispêndio económico acentuado. Foi viver para o Reino Unido? Não fui viver para o Reino Unido, mas os cursos que o Robson me recomendou eram os cursos escoceses e ingleses. Obrigavam a viagens para a Escócia e para Inglaterra. Houve um período em que estive na Escócia durante três meses. Tirei o curso e fui para o Ipswich Town, para um estágio que o Robson me tinha arranjado. E depois voltei a Portugal. É sempre um dispêndio económico, uma aposta que normalmente não se dá a um miúdo. Mas que levou a sério? Sim, eu levei a sério. Com muitos percalços pelo caminho. Estamos a falar de cursos de iniciação ao mundo do treino e dos exercícios de futebol. E fiz muitos cursos paralelos: na Escócia, em Inglaterra e em Portugal. Todos do mesmo nível, repetindo o nível. Não procurando nem pedindo equivalência, mas apenas para ganhar conteúdo, networking, informação. E assim foi, os percalços foram esses. Foram as primeiras desilusões: não passar... Era um miúdo de 18 anos, pouco aceite pelas pessoas que tiravam o curso. Eram pessoas de 35, 40, 50 anos. Como é que conseguiu entrar tão novo para o curso? Eram cursos também frequentados por estrangeiros. E há sempre um italiano ou um grego ou um turco que te acha piada e que te abraça. Ainda hoje são amigos meus. Acho que foi criando amizades com os outros. Deixaram-no entrar. Sim, tentando envolver-me com eles. Foi importante. Eu era um miúdo de escola muito fechado sobre mim próprio e este passo — na passagem para uma profissão que te obriga a comunicar e a ser extrovertido — acabou por resultar muito bem. Foi outra das transformações pessoais que fui notando ao longo da minha vida e que é curiosa. Porque nada tem a ver com o meu passado escolar e com a pessoa ou criança que eu era enquanto adolescente. Por falar nisso, depois começou a trabalhar com jovens, no Futebol Clube do Porto. Depois, sim. Regressei em outubro. Dos cursos na Escócia e em Inglaterra, o primeiro foi em junho. Depois, sigo para Inglaterra e faço o curso Inglês. O resultado não é dado imediatamente, é só dado por volta de março. Vou para o Ipswich Town e fico lá com o George Burley — que era o treinador — a acompanhar os treinos diários dos putos da liga profissional. Morava em casa de uma família que os meus pais arranjaram. E havia outro miúdo que jogava no Ipswich que morava nessa casa também — eu partilhava o quarto com ele. Depois volto para Portugal e o Robson convence o Joaquim Pinheiro e o Reinaldo Teles a darem-me a função de colaborador no escalão mais inferior das camadas jovens do Futebol Clube do Porto, que é as Escolas. Há as Escolinhas, Infantis, Iniciados, Juvenis, Juniores... Escolas era o escalão inferior, para miúdos entre os 8 e os 10 anos. E eu era o colaborador. Basicamente, o faz-tudo. Algum desses miúdos chegou a futebolista profissional? Desses não, dessa geração acho que não. Provavelmente, profissional sim. Mas não com expressão internacional. Mais tarde, sim. O início é aos 8 e 10 anos. E enquanto jovem, a tua carreira passa por tantas mutações que há muitas coisas que podem ditar ou não o facto de o conseguires. Acho que o salto mais difícil é sempre dos 18 anos, para as camadas seniores. É onde se perdem os grandes talentos do futebol jovem. Esse é o salto mais difícil. Nós em Portugal temos a mania que a nossa formação de futebolistas profissionais é ótima, a nível mundial. É só uma mania ou confirma? Sem dúvida — fruto da explosão do José Mourinho — nós temos a melhor escola de treinadores que há no mundo. Como tiveram os holandeses e os italianos há uns anos. A nossa é a escola mais forte, muito fruto da multidisciplinaridade do José Mourinho enquanto treinador de futebol.Tudo isso levou à explosão do treinador português e ao culto que o treinador português tem. Passámos a um período em que os treinadores — principalmente em Portugal — deixaram de ser só os que vêm da carreira desportiva enquanto jogador. As crianças e os jovens começam a querer ser treinadores de futebol. Um bocadinho como eu quis ser aos meus 17 anos. Agora é comum ver um miúdo que termina o secundário e querer ser treinador de futebol. Eu tenho esse caso na minha família, porque um sobrinho meu quer seguir precisamente esses passos. Fruto da explosão do Mourinho nós temos a melhor escola de treinadores no mundo. Como tiveram os holandeses e os italianos” Agora há tanto um desejo aos 12 e 13 anos de querer ser jogador de futebol como também de querer ser treinador de futebol. Sim, agora é uma novidade. É o desenvolvimento e a explosão do treinador de futebol. Que chega a várias áreas de domínio. Mas que principalmente treina bem, orienta bem, tem liderança, tem capacidade de adaptação a vários países. Um bocadinho fruto do nosso passado enquanto exploradores e descobridores. Acho que somos capazes de nos adaptar a diferentes culturas. Isso acabou por levar a uma melhor qualidade do treino e em consequência disso à formação de grandes talentos. Não é uma questão de sorte termos tanto talento jovem, é mesmo a qualidade do treino? Não sei, porque repara que depois de a Alemanha ter falhado o Mundial, houve uma reforma de quadros competitivos, de quadros de formação. Foi um pouco como o que se está a passar na Holanda e em Itália, que falharam o Mundial e o Europeu. Há sempre reformas e investigação. Tenta-se perceber por que é que se falha. No caso da Alemanha em particular, eles responderam depois dessa reforma com uma geração de talentos única que entretanto terminou, faz dez anos. E agora encontram-se outra vez num vazio. Pode ser geracional, também. Um pouco como os belgas: têm agora esta geração de ouro, que está para terminar. E olhando para o campeonato belga e para os próximos jogadores jovens belgas, não se vê outra geração em formação. A China gostaria de reproduzir estes modelos de sucesso na formação. Sim, mas eu posso dizer que a China não consegue. Eles são late-developers... Não sei como é que vai traduzir isso em português... Desenvolvem-se mais tarde. Ou começam mais tarde o desenvolvimento das suas capacidades. Aos 16 anos não há miúdos. Quer dizer, há escolas anteriores a isso, mas como não há cultura de futebol anterior a isso, não há vontade dos pais de os meter no futebol. Tenta-se criar essa cultura com o investimento que tem sido feito no futebol chinês. O que não permite o desenvolvimento melhor do futebol chinês é que — como em muitas outras áreas da economia chinesa — o futebol chinês quer comprar tudo imediatamente. E o melhor produto. Então, a Federação Chinesa quer comprar as opiniões da Federação Holandesa, da Federação Alemã, do Barcelona, do Bayern de Munique... E não é capaz de chegar a um consenso sobre qual é o melhor caminho, porque cada uma responde à cultura em que está inserida e recomenda perante a cultura que está enraizada. Eles basicamente não sabem o que hão de fazer. Quando esteve lá a treinar, as regras mudaram ao longo da época. Permanentemente. É uma tentativa de ajustar e de forçar o imediato. Mas uma cultura não responde a forçar o imediato. Corresponde a estabelecer algo a longo prazo, que os chineses não são capazes de ver. E por isso pecam. E o que a China quer — como Governo — é ter uma seleção nacional que possa ganhar uma grande competição internacional, já? Não, eu acho que o que a China quer é candidatar-se ao Mundial, pelo que me dá a entender. E nesse Mundial — um pouco à imagem do Qatar — ser capaz de responder com uma seleção nacional à altura. Não necessariamente ganhar... Não, não, acho que não. Os ginastas e os atletas chineses estão sujeitos a um regime intenso. E eles também estão a tentar implementar isso no futebol. É um regime que começa desde a infância. Começa desde a infância, com horários de treinos absurdos, com disciplina mental de treino... Mas o futebolista responde no futebol a um processo caótico que faz parte do seu próprio jogo. É um processo que envolve criatividade. Os movimentos não são perfeitos, estão intimamente relacionados com a tua criatividade e a tua qualidade técnica e de excelência. Passar esse tipo de metodologia é difícil para os treinadores chineses. Vou dar-lhe um exemplo: na época passada, os jogadores — se não me engano entre os 21 e os 24 anos — foram chamados para um regime militar. Para sobreviverem durante duas semanas a um regime militar no Tibete. Os jogadores profissionais? Os jogadores profissionais. Houve uma seleção de alguns jogadores que esteve duas semanas fechada, em regime militar. Cabelo rapado, horário militar, treino militar... Mas eles estavam a jogar assim tão mal? Não, mas é para lhe dar uma ideia de que quando o Governo tem uma ideia, vê essa ideia e obriga... Os chineses têm que a cumprir. É a tentativa de reprogramar ou reformatar os jogadores de futebol a esse regime a que eles estão habituados. De treino, de intensidade de treino. De obrigar os atletas à perfeição. Voltando à sua história pessoal, trabalhou sete anos com o José Mourinho. Lembra-se ainda do resultado do jogo Salgueiros-Beira-Mar, o primeiro que fez como observador para ele? O Salgueiros-Beira-Mar terminou 2 a 2, se não me engano. Foi o primeiro. Eu estava a tirar — com o meu empresário atual, Carlos Gonçalves — um curso de Direção Desportiva do Johan Cruyff. O Porto vai jogar a Belém, na altura, nos primeiros seis meses do José Mourinho no Porto. Nós já nos conhecíamos, de quando ele era adjunto do Bobby Robson. E eu estava na formação e sabia da importância que ele atribuía à preparação dos jogos e à observação dos adversários. Pedi-lhe uma oportunidade para lhe fazer uma observação de um jogo e preparar-lhe um adversário. E assim foi, no dia seguinte mandou-me uma mensagem. Mandou-me ir ver o Salgueiros-Beira-Mar, com o Silvino. Acabei por fazer um relatório que lhe agradou. E até ao fim dessa época fiz observação dos adversários do Porto sem ninguém saber. Sem ninguém da estrutura do Porto saber. Fazia-o a título individual para o José Mourinho. Sabia ele e a sua equipa técnica. Pedi [ao Mourinho] uma oportunidade para fazer a observação de um jogo. Acabei por fazer um relatório que lhe agradou” Era um espião. Era um espião. E continuei para a época seguinte, que foi a época em que nós ganhámos a Taça UEFA e o campeonato. O José Mourinho comunica à direção que me quer incluir e a direção acaba por me manter em part-time. Em part-time na observação de adversários para a equipa sénior e também nas camadas jovens, nos Juvenis. Acumulei as duas funções, com muito gosto, porque me mantive relacionado com o campo. Mas com a equipa sénior também. E é o início da minha história com ele. Voltando um bocado atrás, como foi a experiência de treinar nas Ilhas Virgens? Na altura estava com 21 anos. Já tinha saltado vários escalões do Porto e queria algo mais. Uma pessoa — quando é jovem — aspira sempre a tudo o mais rápido possível. E eu era esse miúdo irrequieto. Sempre fui irrequieto nos meus desejos e na vontade de saltar e acho que isso se traduz na minha carreira enquanto profissional. Sentia que não estava a evoluir na previsão da carreira que eu queria, que me estava a atrasar. Nos iniciados tens a equipa que joga o [Campeonato] Distrital e a equipa que joga o [Campeonato] Nacional. É assim que normalmente acontece. E eu nem era treinador da equipa que jogava o Nacional, nem era treinador da equipa que jogava o Distrital. Era colaborador dessa equipa técnica. Não me era dado o cargo de nenhuma equipa. Como tinha tirado o curso com a Federação Inglesa, tinha acesso a uma revista que era a revista da Associação de Treinadores da Federação Inglesa. Normalmente vinha com alguns classificados, job adverts. E a certa altura aparecia lá nas últimas páginas o anúncio das Ilhas Virgens Britânicas. Para coordenar todo o futebol juvenil e participar na pré-qualificação para o Mundial de 2002, como treinador-adjunto. Achei piada e decidi enviar o meu currículo. Enviei-o por fax, na altura. E recebi uma chamada mais tarde do Charlie Cook, o tipo que acabou por me contratar. Era o diretor dessa Federação, que me quis entrevistar ao telefone. Combinámos uma hora, entrevistou-me e acabou por dizer que lhe agradava o perfil. Convidou-me a ir para lá. Lembra-se do nome de alguma equipa que jogasse lá? Na altura o acesso à internet era limitado, agora toda a informação está na internet. E eu... Foi às escuras? Fui às escuras. Pensava que ia encontrar algo minimamente estruturado. Mas foi curioso, que eu chego e depois é que me vou adaptando à realidade do que era aquela vida. As Ilhas Virgens Britânicas são um país que pertence à Commonwealth... A praia é boa? As praias são excelentes. Aliás, é um dos grande paraísos do mundo. E é um paraíso de vela. Mas o futebol não era profissional. O futebol não era profissional. Havia a equipa da polícia, a equipa dos bombeiros, a equipa dos jamaicanos que moravam na ilha... A ilha principal tinha seis mil habitantes. Eu jogava pela equipa dos jamaicanos, vá-se lá saber por quê... [risos] Quando eu cheguei arranjei uma equipa para jogar. Era tudo a nível amador. Tínhamos um campo, não era sequer um estádio. Não tinha bancadas e tinha um tartan de críquete no meio do campo. De relvado e de pedra, passava de repente para um tartan de críquete. Era assim de absurdo. Ficou lá pouco tempo? Na altura fiquei horrorizado, quando dei com aquilo. Eu chego de fato, todo bonito e sou recebido pelo Charlie Cook, de chinelos e de calção de banho. Tinha feito Porto-Paris, Paris-São Martinho, São Martinho-Ilhas Virgens. E chego lá de noite, com o fato da viagem... E pronto, achei curioso. Mas segui. Parti à aventura e estava a achar piada. Levou-me para a casa que ambos partilhávamos. Era um apartamento, ele tinha um quarto e eu tinha outro. E depois de pousar as malas em casa, levou-me para ver um jogo. Era a polícia contra os bombeiros, um jogo de topo. [risos] E assim foi, deparo-me com aquele cenário. Na altura foi difícil, foi estranho. Mas fui-me habituando. Davam-me liberdade para estabelecer o plano de treino para a equipa principal, que era treinada por um treinador local. Na equipa principal só o guarda-redes tinha nascido nas Ilhas Virgens. O resto pertencia à Commonwealth. Tive liberdade para estabelecer um plano para as camadas jovens e um plano para as escolas. Visitei as escolas todas da ilha e implementámos um plano com o ministro do Desporto e com o Governo. O Chelsea pagou a minha cláusula de rescisão, que se mantém até hoje como a mais alta paga por um treinador” Depois acabou por substituir o treinador principal? Não, eu não substituo o treinador principal. Substituo o Charlie Cook, que sai da direção desportiva da Federação. O Charlie Cook vai para as Ilhas Turcas e Caicos e eu fico com a sua função. Fui convidado pelo presidente para assumir o cargo [de diretor], basicamente as mesmas responsabilidades. O Charlie já me traz para lá com isso em mente. Ou melhor, já tinha decidido que saía e foi-me ajudando na transição. E assim ele acaba por sair e eu fico com aquelas funções. Foram sete meses. Por volta de março, escrevi uma carta ao Elídio Vale, do Porto. Pensei que também não era o caminho que queria seguir. E pergunto ao Elídio Vale se haveria hipóteses de regressar às camadas jovens. E se eles estariam interessados. Ele disse que sim. E passado pouco tempo de eu regressar, regressa o José Mourinho ao Porto. A seguir a sete anos de trabalho com José Mourinho, teve a sua primeira oportunidade como treinador principal, na Académica. A equipa era muito bem treinada já do ano anterior, pelo Domingos, que entretanto tinha saído para o Braga. A Académica estava numa altura de maus resultados com o Rogério Gonçalves, que ditou a sua saída. Foi tudo muito fácil. A equipa era a última classificada, mas apenas a três pontos da linha de água. E com um calendário relativamente favorável. Ou seja, com adversários diretos nos próximos jogos. Tirando o Porto, no Estádio do Dragão. Que foi o meu terceiro jogo. Correu tudo muito bem. Eu estava em Milão, vim reunir com o José Eduardo Simões em Coimbra, mostrei-lhe o projeto que eu tinha para a Académica, discutimos um pouco de ideias... Ele gostou da forma como eu apresentei e decidiu apostar. Acho que foi corajoso, porque não é fácil. Eu tinha um passado ligado à observação. Mas também ligado ao José Mourinho, o que sem dúvida me abriu as portas imediatamente. O fascínio da imagem do José Mourinho e das pessoas associadas a ele — eu e o Rui Faria, principalmente — permitiu abrirem-se rapidamente uma série de portas. Depois ganhou quase tudo o que havia para ganhar no Futebol Clube do Porto. Quantos títulos? Quatro. Quatro em cinco. E esse quinto custou-me, porque eu queria muito ganhar a Taça da Liga. Se fôssemos às meias-finais, se nos qualificássemos na fase de grupos, estávamos emparelhados com o Benfica. Haveria mais dois jogos Porto-Benfica nesse ano, o que teria sido excecional. E poderia ter acontecido também na Liga Europa, quando o Braga elimina o Benfica. E foi nessa altura que experimentaste o sistema de rega do Estádio da Luz, não foi? Foi por volta dessa altura. Fez agora oito anos desse dia: 3 de abril, foi quando fomos campeões na Luz. Foi um ano muito especial. Juntou-se uma equipa de talento absurdo com uma vontade de vencer enorme. E conseguimos ganhar tudo. Menos a Taça da Liga, que nos custou. A mim mais, pessoalmente. Porque eu queria ganhar tudo. Foi pena. Tomaste a opção certa ao ir para o Reino Unido nessa altura? Sim. Eu conheço os adeptos do Porto melhor que ninguém, porque sou adepto. E sei como os adeptos reagem e as exigências que são montadas. Há uma série de decisões que levam à minha saída, que não têm necessariamente a ver só com o convite do Chelsea. Nem necessariamente com as histórias que foram contadas à volta da minha saída, mas que não são para aqui chamadas. Mas o Chelsea pagou a cláusula de rescisão. Sim, o Chelsea pagou a minha cláusula de rescisão. Porque assim tinha de ser. Eu — a sair do Porto — não sairia de outra forma. A não ser com o pagamento dessa cláusula, que se mantém até hoje como a mais alta paga por um treinador. Quinze milhões? Quinze milhões a pronto. [risos] Como é que foi? Chegaram com uma mala cheia de dinheiro? Não, foi por transferência bancária. Mas foi uma decisão que eu acabei por ter que tomar. Nessa altura já estava a viver um ano de uma carga emocional bastante forte, principalmente por essas razões que te estava a dizer. Por ser mais adepto do Porto do que treinador. Cada vitória, cada remate... Por mim era vivido enquanto adepto. Foi uma altura difícil da minha vida. Em outubro nasceu a minha segunda filha, a Carolina. Além da exigência profissional, havia a obrigação enquanto pai. Mas eu sonhava. Sonhava o treino. Sonhava vencer. Sonhava os jogos, a preparação dos jogos. Essa intensidade jamais a consegui voltar a viver, porque ao treinador juntava-se a carga emocional de ser adepto do clube. E foi uma discussão que eu só consegui ter com o Pep Guardiola, porque ele também tem exatamente a mesma associação com o Barça. Não há nada melhor. Não há nada melhor. E não há nada mais exigente, ao mesmo tempo. Tenho ambição ainda de treinar no Japão, na América do Sul... No entanto, não quero treinar mais do que cinco, seis anos” Depois, o que é que poderia ter feito melhor no Reino Unido, no Chelsea e no Tottenham? Olha, isso é imprevisível. Porque quando tu és despedido em março, nunca sabes o que é que podes fazer melhor. Obviamente, podes evitar as derrotas anteriores. Mas eu saí do Chelsea e éramos quintos classificados. O Chelsea — depois de mim — esteve a lutar para não descer de divisão. E terminou campeonatos em sexto e em sétimo lugar, que ditaram na mesma a saída dos treinadores. Aquela minha equipa foi campeã europeia, e digo-te sinceramente que não foi uma equipa montada para ser campeã europeia. Nos últimos 12 anos, foi o ano em que o Chelsea menos investiu na construção de uma equipa. Se me recordo, eu saio e no ano seguinte o Chelsea despende 150 milhões, passados dois anos despende 180 milhões, passados três anos despende 200 milhões... Só para tu estabeleceres uma comparação com os 80 que nós gastámos. E desses oitenta, cinquenta foram só num jogador — que foi o [Juan] Mata. Falharam muitas coisas nesse ano. Falhou imediatamente a minha relação com o dono, que se esfriou por promessas não cumpridas. No Chelsea, falhou-nos a regularidade em termos de resultados. Éramos muito irregulares: ganhávamos dois para perder um. Ou ganhávamos dois para empatar dois. Tínhamos esse percurso. Mas trouxe-me muito mais ensinamentos como treinador e como líder do que a experiência no Futebol Clube do Porto. Principalmente na forma como mais tarde acabei por lidar com as pessoas, com os presidentes. E na forma como eu agora escolho os meus próximos passos. Nessa altura nós falhámos muitas coisas. Falhámos a contratação de dois jogadores do Porto, falhámos a contratação do [Luka] Modrić pelo Tottenham... E acabámos com uma equipa que era boa, mas que naturalmente não era uma equipa formatada para ganhar a Liga dos Campeões, que — felizmente para eles — conseguiram. E também com muito mérito do [Roberto] Di Matteo. A Liga dos Campeões e a Taça [de Inglaterra]. Eu olho para trás com alguma mágoa. A seguir ao Chelsea e ao Tottenham, foi treinar na Rússia. Como foi? Foi um passo que eu adorei. Foram dois anos e meio excelentes. Com vários títulos. Infelizmente, não conseguimos um segundo título de campeão por pura aselhice, nos primeiros seis meses. Houve aselhice dos jogadores? Não, aselhice de todos. Infelicidade, digamos. Azar. Sim, azar. Nós tínhamos tudo para ganhar esse campeonato e depois sofremos. Com o Dínamo de Moscovo, perdemos um jogo em casa que acabou por ditar a nossa perda do campeonato. Foi a única derrota, nessa sequência de jogos. Mas foi um período muito feliz da minha vida. Agora guardo grandes recordações e eles também de mim. No Zenit sou conhecido como o “treinador dos recordes”. Porque — além desses títulos — conquistámos uma série de recordes: número de vitórias, número de vitórias na Europa, na Liga dos Campeões... Golos marcados... E depois, porquê a China? Foi um convite económico daqueles que são impossíveis de recusar. Obviamente que não há na minha decisão a ideia de “vou para um grande projeto desportivo”, porque essa não é a realidade. Mas a proposta económica era absurda e tinha que ser aceite. Pelo meu bem-estar económico e pela minha família. Acabou por se tornar uma ótima experiência. Porque o jogador chinês é puro no seu desenvolvimento. Não tem hábitos, não tem maus hábitos. E tem poucos conhecimentos na sua formação. Como ela entra tarde, aos 16 anos... Tem muito poucos conhecimentos táticos. Enquanto treinador, isso permite desfrutar de voltar a ensinar. Tu, enquanto treinador profissional num campeonato de topo, já deixas de ensinar. Os jogadores praticamente já vêm feitos e tu tens que os moldar. Mas acima de tudo tens que os motivar. E a tua liderança tem que ser cativante e carismática. A tua relação com a imprensa tem que ser da mesma forma. Estás envolvido em muitas outras áreas que te tiram o prazer enquanto treinador. E ali voltas a sentir-te treinador. Ou seja, o que ensinas reflete-se em campo. Reflete-se na sua evolução técnica e tática. E os prazeres associados a isso são iguais aos que eu sentia enquanto treinador de jovens. Teve que construir muita coisa na estrutura do clube. Se calhar é difícil que os outros entendam. Mas é como um arquiteto olhar para o seu produto final — fruto do seu trabalho, digamos assim. Agora, a minha saída deve-se ao facto de não me quererem lá na China. Na Federação chinesa manda na minha opinião o Evergrande, que paga ao selecionador nacional. Ou pagava ao selecionador nacional [Marcello] Lippi para lá estar. E agora colocou o treinador da sua equipa — o Guangzhou Evergrande — o [Fabio] Cannavaro como selecionador nacional. Na Federação manda o Guangzhou Evergrande e não me queriam lá. Fui suspenso na totalidade oito jogos, na China. E simplesmente não me sentia desejado. Da mesma forma que fui para lá pela oferta económica, da mesma forma prescindi da renovação do meu contrato. Porque quando uma pessoa não se sente desejada, não há dinheiro que pague isso. Cheguei a ser suspenso por postar em defesa do Oscar, que foi suspenso oito jogos por jogar à bola. É um lance de alguma agressividade, mas o Oscar tenta jogar na bola e é suspenso oito jogos. Eu faço um post em defesa do jogador no Instagram e sou suspenso por esse post, que na China é proibido. [risos] Não há acesso ao Instagram na China. Vive-se na China coisas absurdas. Por esse post fui suspenso dois jogos. E depois mais tarde fui suspenso por seis jogos e nem me deram direito a defesa. Foi por um gesto que eu faço assim para o árbitro, em Italiano é “O que é que estás a fazer?” E os chineses entenderam que aquilo que eu estava a dizer era: “Foste comprado.” A seguir, foi fazer o Dakar. Chegou a ter medo nalguma parte? No Dakar não tinha medos. O Dakar era um objetivo de vida que eu tinha que cumprir. E que vou cumprir, hei de terminá-lo. Não foi o último Dakar, irei fazer outros. Estaria mais preparado para fazer o Dakar neste ano que passou — de 2019 — do que no de 2018. Saí da China em novembro diretamente para Marrocos, para começar a treinar. Foi pouco tempo de treino. E infelizmente ditou um erro na quarta etapa. Acabei por fraturar uma vértebra e tive que abandonar. E da próxima vez vai de moto ou de carro? Não, será de carro. De moto é impossível, obrigaria a uma preparação enorme. E é o grande desafio do Dakar, são os heróis das motos. Porque são eles que se levantam às três da manhã e que se mantêm em horários absurdos. Vivem uma solidão tremenda, para chegar até ao fim. E agora? Toda a gente sabe que se quer reformar cedo como treinador de futebol. Ainda vai voltar a treinar mais alguma vez? Sim. Eu felizmente não tenho fronteiras nem limites. Tenho ambição ainda de treinar no Japão, na América do Sul... Acho que são projetos que eu gostava de concluir. No entanto, não quero treinar mais do que cinco, seis anos. Potencialmente, o meu próximo passo poderá ser o último. Depende de onde eu vier a terminar. Se correr muito bem, pode ficar cinco anos no mesmo sítio? Depende, depende. Como estava a dizer, as minhas decisões de carreira são muito ditadas pelo miúdo irrequieto que eu sempre fui. Sou de testar novas coisas e de mudar, estar sempre em mudança. E a moto do seu pai vai consigo para o próximo desafio ou fica aqui na garagem? Não, as motos ficam aqui. Esta garagem ficou concluída agora há pouco tempo, faz seis meses. Era algo que eu já tinha também como objetivo e agora ficam aqui. São as relíquias que se vão guardando. Eu sou muito agarrado ao passado. Tenho uma série de coleções de diferentes coisas: de bilhetes, de envelopes, de vinho, de carros, de motos. E são coisas que depois uma pessoa tem vontade de passar aos filhos. E depois os filhos naturalmente hão de fazer essa gestão, se hão de achar piada ou não. São essas memórias que eu quero passar aos meus filhos. E depois cabe a eles ter ou não essa paixão que eu tive por estas coisas do passado Editado 24 Maio 2019 por Syn 18 Compartilhar este post Link para o post
Josep Publicado 27 Maio 2019 E leva o Ricardo Carvalho como adjunto. Compartilhar este post Link para o post
JonasThern Publicado 27 Maio 2019 Eu li numa noticia que ia ganhar 600 mil mês? Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 27 Maio 2019 Citação de JonasThern, há 1 hora: Eu li numa noticia que ia ganhar 600 mil mês? Como é que havemos de saber se leste tal coisa? 10 Compartilhar este post Link para o post