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Sumudica by Night

O regresso do Mourinhismo

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O regresso do Mourinhismo: como o futebol feio de França e Portugal deu cabo dos românticos

De 2014 para cá os maiores troféus acabaram nas mãos de quem não tem medo de jogar feio e a partir de uma acampamento em frente à própria baliza: adeus ao tiki-taka, bem-vindo de volta, autocarro.

 

Podia tudo ter sido muito diferente: quando Mario Gotze se isolou, dominou de peito e depois, esticando o pé direito, colocou em jeito fundo das redes, ninguém imaginava que os próximos quatro anos nos trouxessem fruta feita, foram designar o regresso do resultadismo ao trono do futebol mundial.

 

Era suposto – entre outras predições que pareciam inabaláveis – que, depois do golo decisivo na final do Campeonato do Mundo de 2014, Gotze viesse a ser o novo Messi, um Messi menos Gaudi e mais Bauhaus, mas ainda assim um Messi, para mais sendo treinado por Pep Guardiola, o homem que é responsável pela “criação” do argentino e que entretanto se mudara para a Baviera.

 

O futebol perfumado venceria; e Leonel, depois de coleccionar Champions e Bolas de Ouro, imitaria Maradona, conduzindo a Argentina ao Campeonato do Mundo após cerca de apenas um milhão de passes à entrada da área adversária. O tiki-taka, na sua versão espanhola ou na versão alemã espalhar-se-ia pelo mundo e a ribalta seria ocupada por milhões de rapazes de escassos centímetros e imenso labor na ponta da bota. O futebol físico, bruto, defensivo, estava enterrado, tornar-se-ia apenas memória desses tempos obscuros em que os humanos, ainda pouco esclarecidos, não haviam descoberto a languidez de uma finta, a delicadeza de uma trivela.

 

Não foi bem assim: a Mario traiu-o o corpo – o ano passado foi descoberto que o internacional germânico sofre de uma estranha forma de mialgia que o cansa para lá do que seria esperado num desportista profissional. Ainda não há diagnóstico oficial mas o futebol de toque no pé também parece sofrer do mesmo: de 2014 para cá os maiores troféus do desporto-rei acabaram nas mãos de quem não tem medo de jogar feio, longo e a partir de uma acampamento acantonado em frente à própria baliza: adeus ao tiki-taka, bem-vindo de volta, autocarro.

 

Em tempos idos, os Europeus e os Mundiais ainda eram a melhor forma de aferir a variedade futebolística à face da Terra, as diferenças entre os estilos: em 1986 ainda se podia dizer que os ingleses jogavam longo, que os italianos praticavam o catenaccio, que os argentinos (ou um em particular) tinham magia, por oposição aos alemães, mecanizados mas limitados na capacidade de improviso.

 

Vinte e oito anos mais tarde é difícil dizer o mesmo – e se tinham saudades da expressão “num mundo globalizado” pois aqui vem ela: num globalizado e pós-lei Bosman, os jogadores circulam quase livremente, levando para outros países as características do seu país de origem, que por sua vez é “colonizado” pelos estrangeiros que para lá vão jogar. Além disso, os seleccionadores nacionais não são obrigatoriamente do país que treinam e, como se não bastasse, todos os jogos e mais alguns são transmitidos na televisão e os treinadores imitam-se mutuamente.

 

Mas o tiki-taka não ia tomar conta do mundo?

De modo que não é certo que possamos tirar ilações extraordinariamente conclusivas de um Mundial. É melhor olhar para os dados: Portugal venceu o Europeu de 2016 montado num autocarro; França saca o Mundial sem sair da tracção atrás. Na Champions as últimas três edições pertenceram ao Real Madrid e a de 2015 a um Barça, de Luis Enrique, que rejeitou a posse de bola em troco de um jogo mais directo.

 

Um par dessas finais, o Real venceu-as ao Atlético de Madrid, que não tem orçamento para lutar com Real, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique ou mesmo qualquer um dos clubes ingleses mais ricos, mas compensa esse (relativo) défice financeiro com as exactas características que permitiram as conquistas de Portugal e França: tremenda organização defensiva, recusa de arriscar, fisicalidade sempre presente, intensidade ao máximo, medo algum de baixar linhas e sofrer.

 

As três selecções que mais quiseram jogar com a bola no pé durante o Mundial, Brasil, Bélgica e Croácia, saíram de mãos a abanar, as duas últimas batidas por uma França cujo primeiro golo em ambos os jogos foi uma bola parada – no que podia ser um decalque do livro de regras de Diego Simeone: sai pela certa, quando houver espaço, sai rápido e se não puderes avançar saca uma falta e sobe os homens altos.

 

O que aconteceu? Como foi isto possível? Mas então o tiki-taka não ia tomar conta do mundo? A ideia, falsamente atribuída a Pep Guardiola, quando foi Luis Aragonés, no Europeu de 2008, a cunhá-la, era bonita: assumir o lado mais técnico do jogo, privilegiar as tabelinhas, o jogo entre as linhas defensivas do adversário, o jogo anterior (ao invés dessa doença chamada cruzamento compulsivo), a inteligência táctica, a movimentação ofensiva constante, a posse com a bola a circular rápido.

 

Aragonés pode tê-la assumido primeiro mas foi de facto Guardiola a levar a ideia ao extremo e desde que o catalão pegou no Barcelona que parece que vivemos no mundo dele e de Leonel Messi – a esmagadora vitória do City na Premier este ano pareceu confirmar isso, mesmo dando de barato que ocasionalmente o City já arrisca uma bola longa e até presta atenção às segundas bolas. Naquele onze o médio defensivo era Fernandinho – que nunca havia jogado nessa posição e passou a carreira bem à frente no campo.

 

Olha-se para o meio-campo da Bélgica e não havia um médio defensivo; olha-se para o meio-campo da Croácia e vemos não um trinco a cortar e dar pau mas sim dois quase anões: Modric e Rakitic. Ambas as selecções privilegiaram a saída de bola, a circulação, a posse – e ambas foram dizimadas pelo bloco de cimento da França.

 

Vez após vez as equipas mais ofensivas têm falhado nos momentos decisivos: o City estraçalhado na Champions por um Liverpool que aposta tudo na intensidade; o próprio Liverpool passado a ferro por um Real que, apesar de Ronaldo, Modric, Isco e Toni Kroos, nunca assume qualquer tipo de ideologia futebolística, simplesmente se adapta ao adversário, anulando-o.

 

Não são apenas os colossos de pendor romântico que sofrem: os Spurs nunca viram o seu perfume estético confirmado com troféus; o Arsenal afundou-se num mar de equívocos; o Dortmund tornou-se no novo Arsenal; o Nápoles coleccionou falhanços consecutivos; a Roma fraquejou nos momentos vitais; e o Sporting é o Sporting.

 

Talvez tenhamos estado ligeiramente enganados acerca do poder do toque de bola, do fervor ofensivo, da positividade: logo no ano seguinte à primeira vitória do Barcelona de Guardiola na Champions, o Inter de Mourinho conquistou o troféu depois de uma meia-final em Camp Nou em que o autocarro se mitificou enquanto paradigma. O Barça recuperou a taça mas no ano seguinte, para equilibrar o karma, foi um Chelsea artilhado de retrancas e ferrolhos quem saiu vencedor, sobre um Bayern sedoso, que se vingaria no ano seguinte do ainda mais romântico Dortmund. E daí para cá só deu praticamente Real – uma equipa que em Kroos, Modric e Isco tem jogadores que gostam de assumir o jogo mas que é, antes de mais, uma equipa pragmática e resultadista.

 

Positivo, ofensivo e frontal? Isso não

Algo aconteceu. Durante algum tempo pareceu que o tiki-taka, enquanto filosofia vigente e popular e vencedora, poderia ceder o seu lugar cimeiro para a intensidade de Dortmund, Liverpool, Spurs; mas quem foi com os troféus para casa foram os fanáticos do ferrolho: a França joga com Kanté, Pogba e ainda Matuidi, mais preocupados em calafetar cada frincha que em abrir a janela alheia; Portugal foi campeão europeu com William, Adrien, Renato e André Gomes, emblema maior da recusa em ser positivo e ofensivo e frontal.

 

E se pode parecer injusto comparar troféus de selecções e troféus de clubes, convém fazer notar que são torneios como o Mundial, o Europeu e a Champions que chegam a toda a gente e criam mitos e narrativas – sem a Champions o Barcelona de Pep seria uma equipa de consumo interno.

 

Algo aconteceu: com o tempo, as equipas mais fracas aprenderam a posicionar-se ainda melhor contra os belos tratadores de bola; recuperaram técnicas antigas, como a marcação homem a homem, de modo a anular os mágicos; elevaram a sua condição física de modo a aguentar o desgaste de perseguir a bola; e aprimoraram ainda mais o contra-ataque.

 

E talvez o tiki-taka se tenha aburguesado – talvez estes jogadores, de Iniesta a Kroos, de Neymar a Hazard, já tenham ganho demais, dinheiro demais, campeonatos demais, seguidores do Instagram demais. A selecção espanhola caiu no fetichismo do passe, mas mesmo ao nível dos clubes parece faltar qualquer coisa: com a excepção do City de Guardiola às demais equipas dominadoras tem faltado talvez suor, talvez vertigem, talvez vontade, talvez imaginação.

 

Numa competição longa os Citys e os Barcelonas (enquanto houver Messi) ganharão a maior parte das vezes – mas nestas competições curtas, que poem frente a frente os melhores artistas, a cautela está de novo a compensar. A ratice vai destruindo a magia: sem espaço as equipas mais românticas lançam homens na frente e, para quem defende, surge finalmente o espaço: uma bola longa e está feito.

 

Talvez nunca tenha sido tão difícil o talento sobrepor-se ao tacticismo – e devagarinho a retranca voltou a impor-se à técnica. De uma estranha e irónica forma, Mourinho – o Mourinho das finais – parece ter voltado a sorrir.

 

Observador

Editado por Sumudica by Night

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Parece que ontem esteve a "chorar" na conferencia de imprensa.

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Mas acho que isso nunca foi novidade. De forma geral, esse tal "futebol feio", sempre funcionou melhor nas competições a eliminar. Já nas competições pautadas pela regularidade, venceram mais vezes as equipas com um futebol mais dominador e organizado.

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nao consigo perceber como é que se diz que uma equipa que mete autocarro ganha um jogo 4-3 e outro 4-2, mas se calhar o mal é meu

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nao consigo perceber como é que se diz que uma equipa que mete autocarro ganha um jogo 4-3 e outro 4-2, mas se calhar o mal é meu

Não tanto um autocarro, é mais por ter três poços de força no meio campo e nenhum deles é imaginativo com a bola e parecia que a França nunca saía da segunda mudança para ganhar. E também uma equipa que tem Griezmann, Giroud e Mbappé na frente arrisca-se a ganhar a qualquer selecção. Aquele plantel disfarça muita coisa.

Editado por JGabriel

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nao consigo perceber como é que se diz que uma equipa que mete autocarro ganha um jogo 4-3 e outro 4-2, mas se calhar o mal é meu

 

É um bocado exagerado, esta França não foi propriamente a Grécia do Rehaggel mas deu sempre a iniciativa de jogo às outras selecções p.ex. contra Argentina, Bélgica e Croácia, mantendo bloco baixo e tentando atacar só em transições. O que é uma estratégia de jogo um bocado negativa para uma equipa com tanto talento. Os jogos acabaram por dar muitos golos mas nunca viste a França atacar com muitos p.ex.

 

Não deixa de ser uma estratégia válida e que até faz algum sentido para quem tem Mbappé e Griezmann para lançar em velocidade.

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Não é só nas competições a eliminar. O nível geral da qualidade de jogo decresceu claramente de há uns anos para cá. Acaba por ser cíclico, pelo que nos diz a história. Mas é chato.

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Não tanto um autocarro, é mais por ter três poços de força no meio campo e nenhum deles é imaginativo com a bola e parecia que a França nunca saía da segunda mudança para ganhar. E também uma equipa que tem Griezmann, Giroud e Mbappé na frente arrisca-se a ganhar a qualquer selecção. Aquele plantel disfarça muita coisa.

Andaste a ouvir demasiado as idiotices do Carlos Daniel ou acreditas mesmo que o Pogba não é um jogador imaginativo?

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Não tanto um autocarro, é mais por ter três poços de força no meio campo e nenhum deles é imaginativo com a bola e parecia que a França nunca saía da segunda mudança para ganhar. E também uma equipa que tem Griezmann, Giroud e Mbappé na frente arrisca-se a ganhar a qualquer selecção. Aquele plantel disfarça muita coisa.

 

 

É um bocado exagerado, esta França não foi propriamente a Grécia do Rehaggel mas deu sempre a iniciativa de jogo às outras selecções p.ex. contra Argentina, Bélgica e Croácia, mantendo bloco baixo e tentando atacar só em transições. O que é uma estratégia de jogo um bocado negativa para uma equipa com tanto talento. Os jogos acabaram por dar muitos golos mas nunca viste a França atacar com muitos p.ex.Não deixa de ser uma estratégia válida e que até faz algum sentido para quem tem Mbappé e Griezmann para lançar em velocidade.

 

tipo, eu escrevi que o jornalista é parvo ao dizer que a frança jogava com o autocarro quando não joga, vocês concordam, dêem rep, não é preciso escreverem tanto para concordarem com o que digo

 

 

nao obstante, acho que qualquer um dos jogadores do meio campo da França é mais destrutor que construtor, sem dúvida, mas são imaginativos qb, especialmente o pogba. e o kante é imaginativo defensivamente. e a parte do bloco baixo é uma falácia, só o baixavam (e numa competição destas, não posso criticar) quando estavam confortáveis no jogo

 

 

escusado será também dizer, que, como é óbvio, quando li "E também uma equipa que tem... Giroud ... na frente arrisca-se a ganhar a qualquer selecção.", ri bastante

Editado por Grillo

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Andamos com uma vontade de nos colar ao futebol da França que até dói. A diferença de qualidade de jogo e dos intervenientes é grande.

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Andaste a ouvir demasiado as idiotices do Carlos Daniel ou acreditas mesmo que o Pogba não é um jogador imaginativo?

O Pogba não é um criativo, e é um 8 que mais depressa é 6 que 10. É por aí.

 

Este Mundial fez-lhe muito bem, e eu espero que ele próprio tenha compreendido porquê. É a jogar mais recuado, a construir e não a criar, que ele pode de facto ser de top mundial. Acho que aquele mediatismo todo e a ilusão das futuras Bolas de Ouro (que para mim não passa disso mesmo, uma ilusão) já se desvaneceu, e isso também o pode ajudar a evoluir para um patamar de excelência.

 

Já agora, a questão do bloco baixo não é exclusivo da França. Actualmente, as equipas que sobem o bloco e que procuram pressionar alto por definição são a excepção que confirma a regra.

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O artigo é só parvo. Ainda vou perceber onde é que a França montou o autocarro. :lol:

Deve ser por não darem três roletas e duas vírgulas.

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O Pogba não é um criativo, e é um 8 que mais depressa é 6 que 10. É por aí.

 

Este Mundial fez-lhe muito bem, e eu espero que ele próprio tenha compreendido porquê. É a jogar mais recuado, a construir e não a criar, que ele pode de facto ser de top mundial. Acho que aquele mediatismo todo e a ilusão das futuras Bolas de Ouro (que para mim não passa disso mesmo, uma ilusão) já se desvaneceu, e isso também o pode ajudar a evoluir para um patamar de excelência.

 

Já agora, a questão do bloco baixo não é exclusivo da França. Actualmente, as equipas que sobem o bloco e que procuram pressionar alto por definição são a excepção que confirma a regra.

Então quais são os médios imaginativos?

 

Tirando o Isco, que nem joga no meio-campo, e talvez o Modric e o De Bruyne porque são dois médios tão completos que neste momento é difícil compará-los a outros jogadores, tenho dificuldade em encontrar um médio com a imprevisibilidade de ações que o Pogba oferece (para o bem e para o mal). Mesmo no contexto limitado que o Deschamps o colocou, que o obrigou a marcar a diferença sobretudo pelo passe.

 

Criativo, construtor, o que seja... acho que estão as duas no espectro oposto do chavão do "poço de força".

 

Admito que ele até possa fazer a transição para um jogador mais contido, mas nunca vai deixar de ser um jogador criativo, independentemente da posição que ocupe.

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Andaste a ouvir demasiado as idiotices do Carlos Daniel ou acreditas mesmo que o Pogba não é um jogador imaginativo?

O Pogba? Não particularmente. Os pontos fortes dele estão longe disso. É o mais ofensivo dos três do meio-campo e está muito longe de ser um 10 ou algo próximo disso.

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O Pogba? Não particularmente. Os pontos fortes dele estão longe disso. É o mais ofensivo dos três do meio-campo e está muito longe de ser um 10 ou algo próximo disso.

Quais são os pontos fortes? E o que é que tem a ver a capacidade criativa de um jogador com a capacidade do mesmo de jogar a 10?

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É sempre a eterna questão, jogar futebol bonito e arriscar perder ou jogar pragmático para ganhar?

 

O Pogba é um criativo, não me f*dam. Se ele prefere jogar mais com o físico, isso já é com ele, mas um gajo que faz passes com a visão dele e a qualidade dele tem que ser um criativo. E eu nem gosto dele.

Editado por Almeno

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Não é só nas competições a eliminar. O nível geral da qualidade de jogo decresceu claramente de há uns anos para cá. Acaba por ser cíclico, pelo que nos diz a história. Mas é chato.

 

Se isso for assim, 2006 foi dominado pelo futebol defensivo, 2010 pelo tiki-taka, 2014 pela eficiência e 2018 pelo futebol defensivo. 2022...8)

2002 nem me recordo.

 

É sempre a eterna questão, jogar futebol bonito e arriscar perder ou jogar pragmático para ganhar?

 

O Pogba é um criativo, não me f*dam. Se ele prefere jogar mais com o físico, isso já é com ele, mas um gajo que faz passes com a visão dele e a qualidade dele tem que ser um criativo. E eu nem gosto dele.

 

E mesmo sendo, é um jogador que este Mundial comprovou que rende mais num duplo pivot e com tarefas mais defensivas.

Ele ainda muitas dificuldades em saber utilizar o criativo em função do que a equipa precisa, basta ver o que fez a época inteira no Manchester United. Dar-lhe total liberdade é o maior erro.

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O artigo é só parvo. Ainda vou perceber onde é que a França montou o autocarro. :lol:

Deve ser por não darem três roletas e duas vírgulas.

Porquê? Eu até acho que está muito bem escrito. E tem o condão de ir directamente à ideia principal ali abordada, em vez de se diluir nas protecções e nos resguardos relativos a todas as opiniões e todas as formas de jogar, que é algo que tem tentado assassinar a discussão do assunto.

 

A França não montou o autocarro, porque essa é uma expressão

 

Então quais são os médios imaginativos?

 

Tirando o Isco, que nem joga no meio-campo, e talvez o Modric e o De Bruyne porque são dois médios tão completos que neste momento é difícil compará-los a outros jogadores, tenho dificuldade em encontrar um médio com a imprevisibilidade de ações que o Pogba oferece (para o bem e para o mal). Mesmo no contexto limitado que o Deschamps o colocou, que o obrigou a marcar a diferença sobretudo pelo passe.

 

Criativo, construtor, o que seja... acho que estão as duas no espectro oposto do chavão do "poço de força".

 

Admito que ele até possa fazer a transição para um jogador mais contido, mas nunca vai deixar de ser um jogador criativo, independentemente da posição que ocupe.

Na França, nenhum. Mas a França não é o problema. Venceram o Mundial porque foram a melhor equipa. E seguiram uma tendência de jogo que se tem instalado nos principais palcos nos últimos anos e que está relativamente bem descrita no artigo:

[...]tremenda organização defensiva, recusa de arriscar, fisicalidade sempre presente, intensidade ao máximo, medo algum de baixar linhas e sofrer.[...]

...e à qual eu acrescentaria "espírito adaptativo, pragmatismo e eficácia no contra-ataque". Ou nos momentos de transição, que vai quase dar ao mesmo.

 

Esta tendência acaba por criar, posteriormente, uma ideia do meio-campo como uma zona maioritariamente de equilíbrios, de combate e de consistência defensiva. É por isso que o Isco não joga no meio-campo, e é por isso que ter um sector intermédio com um médio defensivo e dois médios declaradamente ofensivos passou a ser quase uma miragem (exceptuando o City, com Fernandinho-Silva-De Bruyne, há mais alguém que o faça de forma regular?).

 

O Pogba não encaixa no perfil de "tractor", obviamente, nem nunca se destacará por isso. Mas o facto dele ser um dos médios mais fortes do planeta no plano físico e atlético também tem o seu peso significativo. Não é, de todo, um Payet ou um Fékir, só para não sair da selecção francesa. E esses são médios criativos. Apesar desta tendência actual ditar que eles, para jogarem, tenham de o fazer muitas vezes fora do corredor central, e já como elementos do "ataque".

 

Por outras palavras: o Pogba acaba por ser mais criativo e imprevisível que a maioria dos médios neste contexto actual. Mas não o é quando comparado com médios que pertencem ao corredor central, mas que acabam por não jogar nessa zona, dado que os treinadores preferem a consistência defensiva, os equilíbrios e a fisicalidade em detrimento da imaginação, da qualidade na circulação de bola e das soluções mais criativas, mas igualmente com maior grau de risco. E é nesse contexto que eu o avalio, dado que não sou o maior dos fãs desta tendência actual.

 

É sempre a eterna questão, jogar futebol bonito e arriscar perder ou jogar pragmático para ganhar?

 

O Pogba é um criativo, não me f*dam. Se ele prefere jogar mais com o físico, isso já é com ele, mas um gajo que faz passes com a visão dele e a qualidade dele tem que ser um criativo. E eu nem gosto dele.

E por que razão não pode ser apenas um médio com boa visão de jogo e qualidade de passe?

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É sempre a eterna questão, jogar futebol bonito e arriscar perder ou jogar pragmático para ganhar?

 

A questão não é: a ou b. Há também c ou d.

 

Associou-se a ideia do futebol bonito ao futebol de posse quando está longe de ser apenas isso. O Portugal x Uruguai colocou a nu as diferenças de qualidade na prática de um futebol semelhante. A Espanha do tiki-taka foi uma mão cheia de nada neste Mundial, por exemplo.

 

Pode-se jogar bem e pragmaticamente.

 

E dizer que o Pogba não é criativo é crime. O que o homem faz sozinho no United e a dependência que o Mourinho tem dele deviam-lhe valer uma mini Bola d'Ouro.

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Não é só nas competições a eliminar. O nível geral da qualidade de jogo decresceu claramente de há uns anos para cá. Acaba por ser cíclico, pelo que nos diz a história. Mas é chato.

 

Posso ter a esperança de um dia os 10 clássicos voltem a ter espaço no futebol? :D

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Posso ter a esperança de um dia os 10 clássicos voltem a ter espaço no futebol? :D

Eu já não tenho muita, mas a esperança é a última a morrer :D

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O Pogba não encaixa no perfil de "tractor", obviamente, nem nunca se destacará por isso. Mas o facto dele ser um dos médios mais fortes do planeta no plano físico e atlético também tem o seu peso significativo. Não é, de todo, um Payet ou um Fékir, só para não sair da selecção francesa. E esses são médios criativos. Apesar desta tendência actual ditar que eles, para jogarem, tenham de o fazer muitas vezes fora do corredor central, e já como elementos do "ataque".

Já vi que discordamos em quase tudo no que toca a este assunto. :mrgreen:

 

Eu não me referia só à França. Mas também não me referia a médios ofensivos, como o Payet e o Fekir. O Fekir até acho que joga sobretudo como segundo avançado no Lyon. Isso deles poderem ou não jogar no meio-campo já é outra discussão, que não digo discordar inteiramente que eles possam jogar a todo o campo porque há exemplos de jogadores que fizeram essa transição com sucesso e para mim isso vai depender sobretudo do nível de intensidade de cada jogador e do contexto envolvente em que são inseridos.

 

Esta tendência acaba por criar, posteriormente, uma ideia do meio-campo como uma zona maioritariamente de equilíbrios, de combate e de consistência defensiva. É por isso que o Isco não joga no meio-campo, e é por isso que ter um sector intermédio com um médio defensivo e dois médios declaradamente ofensivos passou a ser quase uma miragem (exceptuando o City, com Fernandinho-Silva-De Bruyne, há mais alguém que o faça de forma regular?).

O Real. Que é a equipa referência deste ciclo.

 

Depois se não consideras o Kroos e o Modric como médios de teor ofensivo já é outra coisa, mas ambos nascem na posição 10.

 

O Bayern este ano chegou a jogar com um meio-campo ainda mais ofensivo que o do City também, com James e Muller.

 

E por que razão não pode ser apenas um médio com boa visão de jogo e qualidade de passe?

Porque ofensivamente ele é muito mais que isso. Tem drible/finta quase de atacante, sabe proteger a bola em zonas congestionadas, sabe jogar de maneira associativa nas imediações da área adversária (muito melhor do que perto da dele, diga-se), é um perigo com a bola nos pés à entrada da área, com capacidade de passe e remate muito acima da média, sabe jogar pelas linhas, tem jogo sem bola para se infiltrar na área numa jogada dum colega... é preciso continuar?

 

Depois também posso enumerar o que ele não é lá muito bom, começando pelo posicionamento, má gestão dos ritmos de jogo e a concentração de meter dó. Mas claro que com o Kante ao lado tudo fica mais fácil nesse aspecto.

 

Também posso referir o maior problema dele enquanto jogador ofensivo (destrói o ritmo de jogo da equipa quando se agarra demasiado à bola ou porque demora demasiado tempo a decidir) e por ele nunca ter corrigido isto é que nem acho assim tão mal passarem-no a orientar como um jogador mais amarrado, mas claramente que as grandes virtudes dele enquanto jogador apontam desde logo para um jogador ofensivo/criativo.

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Já vi que discordamos em quase tudo no que toca a este assunto. :mrgreen:

 

Eu não me referia só à França. Mas também não me referia a médios ofensivos, como o Payet e o Fekir. O Fekir até acho que joga sobretudo como segundo avançado no Lyon. Isso deles poderem ou não jogar no meio-campo já é outra discussão, que não digo discordar inteiramente que eles possam jogar a todo o campo porque há exemplos de jogadores que fizeram essa transição com sucesso e para mim isso vai depender sobretudo do nível de intensidade de cada jogador e do contexto envolvente em que são inseridos.

Estou certo que sim :mrgreen:

 

Eu sei, e eu nisso estou a concordar. Não é só a França, é algo que se generalizou por qualquer equipa/selecção. E eu referi o Payet e o Fekir porque esses são médios ofensivos e criativos para mim. Mas médios. Não avançados, ou falsos extremos. Esse é o papel que eles têm no contexto actual. O de médios é aquele que eu entendo que eles, e muitos mais como eles, deveriam ter. E nem considero que seja uma transição, porque as características deles apontam para isso.

 

A questão é que o contexto envolvente, na actualidade, é sempre este. É isso que se destaca. A tendência, no meio-campo, é equilibrar e eliminar riscos e pontos fracos (ou até menos fortes). Jogadores com o perfil do Payet ou do Fekir, no meio-campo, é um cenário impensável para muitos e muitos treinadores.

 

O Real. Que é a equipa referência deste ciclo.

 

Depois se não consideras o Kroos e o Modric como médios de teor ofensivo já é outra coisa, mas ambos nascem na posição 10.

 

O Bayern este ano chegou a jogar com um meio-campo ainda mais ofensivo que o do City também, com James e Muller.

Não considero. Há anos que vejo o Kroos como um...6,5. Prefiro 6, mas não me faz confusão que se considere que o seu espaço natural está uns metros mais à frente. E o Modric é um médio que preferiu transformar-se num jogador mais completo, em detrimento de maximizar todo o seu potencial ofensivo. Acho que ele poderia ser mais criativo, imprevisível e vertical, aqui e ali. Mas não deixa de ser um médio ofensivo de enorme qualidade e de top mundial, sim.

 

Não o usaram com regularidade, pelo menos durante um período significativo de tempo. Além disso, a realidade deles a nível interno é a que é. A época passada foi também um passeio, e talvez nem tanto por enorme mérito deles. Mas o Heynckes merece crédito pela intenção.

 

Ainda assim, e dada a tendência actual, até o próprio Nápoles do Sarri (que é provavelmente a equipa que mais de perto procurou seguir os princípios do que se intitula de "tiki-taka", nos últimos anos) tinha no seu meio-campo o Allan, como titular indiscutível. E o próprio Hamsik não é um criativo, ou não se destaca principalmente por esse aspecto do jogo. São contingências que os ciclos impõem. Eu prefiro declaradamente um treinador que viva e morra pelo futebol em que acredita, mas não os censuro se tiverem de fazer uma ou outra adaptação em face do que encontram pela frente, desde que não se descaracterizem substancialmente.

 

E é precisamente por isso que concordo que o Real será sempre a referência destes últimos anos no futebol, quando se olhar para trás na história, daqui por um par de décadas. E também aí o autor descreve muito bem o princípio-base da equipa enquanto o Zidane era o treinador:

[...]o próprio Liverpool passado a ferro por um Real que, apesar de Ronaldo, Modric, Isco e Toni Kroos, nunca assume qualquer tipo de ideologia futebolística, simplesmente se adapta ao adversário, anulando-o.[...]
[...]E daí para cá só deu praticamente Real – uma equipa que em Kroos, Modric e Isco tem jogadores que gostam de assumir o jogo mas que é, antes de mais, uma equipa pragmática e resultadista.[...]

No fundo, eu considero que estes ciclos (ou tendências, é igual) se dividem em duas grandes ideias fundamentais: ter como base ditar a forma como se joga, assumindo a iniciativa; ou ter como base esperar pelo erro adversário, adaptando-se em função das características do mesmo?

 

Porque ofensivamente ele é muito mais que isso. Tem drible/finta quase de atacante, sabe proteger a bola em zonas congestionadas, sabe jogar de maneira associativa nas imediações da área adversária (muito melhor do que perto da dele, diga-se), é um perigo com a bola nos pés à entrada da área, com capacidade de passe e remate muito acima da média, sabe jogar pelas linhas, tem jogo sem bola para se infiltrar na área numa jogada dum colega... é preciso continuar?

 

Depois também posso enumerar o que ele não é lá muito bom, começando pelo posicionamento, má gestão dos ritmos de jogo e a concentração de meter dó. Mas claro que com o Kante ao lado tudo fica mais fácil nesse aspecto.

 

Também posso referir o maior problema dele enquanto jogador ofensivo (destrói o ritmo de jogo da equipa quando se agarra demasiado à bola ou porque demora demasiado tempo a decidir) e por ele nunca ter corrigido isto é que nem acho assim tão mal passarem-no a orientar como um jogador mais amarrado, mas claramente que as grandes virtudes dele enquanto jogador apontam desde logo para um jogador ofensivo/criativo.

Não sei se terá o drible/finta que um criativo de top tem, até porque aquele corpanzil todo acaba por não ajudar. Se muitas vezes sai "da cabine telefónica", é porque o seu físico vem ao de cima na equação. Também não o vejo a chegar perto do nível de um Silva ou de um Isco (ou Iniesta, ou até um Modric) na forma como se associa perto da área adversária para ultrapassar adversários e criar oportunidades de golo. A capacidade de passe e de remate é indiscutível e a chegada à área adversária também, mas isso são dois dos aspectos que tradicionalmente melhor definem o médio "box-to-box", que é o perfil em que o encaixo.

 

Jogar com alguém mais preponderante em termos defensivos, no meio-campo, é precisamente o papel em que ele me parece encaixar melhor. Não como médio mais ofensivo, mas como aquele que liga a equipa, seja através do passe, seja sobretudo através do transporte. Mais amarrado, sim, para tentar controlar o seu principal defeito - a qualidade na decisão -, e com menos responsabilidades defensivas, aspecto onde ele só peca pela tal falta de concentração (e de interesse, em alguns casos) que referes.

 

À frente dele, e na esmagadora maioria dos contextos, há perfeitamente espaço para jogar um médio mais ofensivo, e depois um trio de ataque. Ou quatro jogadores mais ofensivos, basicamente.

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Andamos com uma vontade de nos colar ao futebol da França que até dói. A diferença de qualidade de jogo e dos intervenientes é grande.

é isso e o insistir de eles terem mil africanos quando a seleção Portuguesa tinha mais gente nascida fora de Portugal do que a da França :lol:

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