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[Serie A] Todas as Jornadas

Publicações recomendadas

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US SASSUOLO

 

Estádio: Mapei Stadium - Città del Tricolore (Reggio Emilia)

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Posição na Última Temporada:

Presidente: Carlo Rossi

Treinador: Roberto de Zerbi

Capitão: Francesco Magnanelli

Palmarés: 1 Serie B (2012-13), 1 Supercoppa da Serie C (2008)

 

A MÁQUINA DE FAZER FUTEBOL

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Também a cumprir o seu centenário está a Unione Sportiva Sassuolo, o clube que é propriedade da conhecida Mapei tem sido um dos projetos mais atraentes do futebol italiano nos últimos anos, trazendo sangue novo à liga. Durante grande parte do século XX, o Sassuolo foi um clube de pequena expressão, disputando campeonatos regionais e a Serie D (à altura o quinto escalão). Foi apenas em 1998 que o Sassuolo iniciou a sua caminhada em relação ao mais alto nível do calcio, curiosamente num ano em que apenas foi promovido à Serie C2 (quarto escalão) na secretaria devido a desistências, após ter perdido o play-off de promoção frente ao Trento em penalties.

Foi com Massimiliano Allegri no banco neroverde que o Sassuolo alcançou pela primeira vez a promoção à Serie B em 2007-08 terminando na primeira posição da Serie C1, com três pontos de vantagem sobre a Cremonese e 5 sobre o Cittadella, a outra formação promovida, num campeonato que continha também o Hellas Verona (17º). Em 2009-10, o Sassuolo chegaria ao play-off de promoção, mas foi eliminado pelo Torino, sendo que em 2013, Eusebio di Francesco levaria os sassoleses à Serie A, acabando como campeão da segunda liga, com mais 3 pontos que o Verona e 5 que o Livorno. A partir daí, o Sassuolo, devido ao estilo de jogo extremamente arriscado que tanto trazia grandes vitórias como pesadas derrotas: estilo que deu frutos quando o 6º lugar em 2015-16 levou este pequeno clube aos palcos euroeus. Quem atravessou todo este processo foi o histórico capitão do Sassuolo, Francesco Magnanelli, contratação neroverde em 2005 para a época que se avizinhava na Serie C2, levando a um percurso que já o fez entrar em campo pelo emblema da Emília-Romanha por 498 ocasiões.

O Sassuolo tem sido também um clube relativamente nómada: o estádio do Sassuolo até à subida à Serie B foi o Enzo Ricci, mas devido à lotação reduzida, cerca de 4000 lugares, os neroverdi utilizaram o estádio do Modena nessa época. Na chegada à Serie A, o clube mudou-se para o Stadio Città del Tricolore, da Reggiana (chamado assim por a bandeira italiana ter sido criada em Reggio Emilia), devido à MAPEI, proprietária do Sassuolo, ter adquirido o estádio, acrescentando-lhe o nome de MAPEI Stadium, algo que enfurece os adeptos da Reggiana até aos dias de hoje.

A contratação de Roberto de Zerbi para o banco do Sassuolo foi uma forma de dar sequência à filosofia posta em prática pelos neroverdi e também uma mostra de coragem da direção do clube que não teve medo em apostar num treinador que, no capítulo dos resultados, teve pouco sucesso no Benevento na época anterior, numa temporada em que o clube giallorosso acabou destacado na última posição. Sob o comando do antigo jogador de Napoli e CFR Cluj, a época raramente viu um Sassuolo muito consistente a nível de resultados, tendo sido só no pós-confinamento que se viu a melhor versão da equipa, que passou o lockdown na 15ª posição e terminou a época na 8ª, incluindo empates a três bolas contra Inter e Juventus, assim como uma vitória gorda por 5-0 ao Genoa, através de um estilo muito positivo, com a equipa a ser o 6º melhor ataque da Serie A.

Num plantel com a defesa a ser comandada pelo veterano guarda-redes Consigli, houve vários destaques individuais: Locatelli, médio de 22 anos da formação do Milan, fez uma época brilhante no meio do terreno, chegando inclusive à squadra azzurr (estreou-se na partida da Liga das Nações frente aos Países Baixos) e fez esquecer Stefano Sensi, que saiu no verão para a Internazionale; o avançado Domenico Berardi, avançado também internacional italiano que já era figura-chave do Sassuolo; o extremo marfinense Jérémie Boga, de 23 anos e da formação do Chelsea, que marcou por 11 vezes, e uma das grandes “revelações” da época, o avançado Francesco Caputo, ponta de lança de 33 anos na sua segunda época consecutiva de Serie A, melhor marcador da equipa com 21 tentos, tendo também ele conseguido a sua primeira chamada pela equipa de Mancini, não tendo, no entanto, somado minutos.

Para a próxima época, Defrel assinou em definitivo depois de ter feito a última época emprestado pela Roma, tal como o extremo eslovaco Haraslín, enquanto Ayhan (Düsseldorf) e Chiriches (Napoli) reforçaram o setor recuado. Babacar terá novo empréstimo: depois do Lecce, onde não impressionou, segue-se o Alanyaspor.

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Análise Tática ao Sassuolo de De Zerbi (BTL, em italiano)

Editado por Wincing Hálldor
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Gosto da filosofia do Sassuolo. Em Itália então, bem era preciso mais projetos assim. E têm um excelente onze para a sua realidade.

Sorry Ilido.

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Citação de Wincing Hálldor, há 11 minutos:

Já agora, tenho de pedir desculpas antecipadas porque o texto de amanhã vem extraordinariamente longo lol

É sobre quem?

 

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Citação de Wincing Hálldor, há 7 minutos:

Spezia. Depois fica só a faltar Torino e Udinese.

Devias fazer uma página no FB com isso. 

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Tenho uma caixa de foguetes para rebentar quando o Sassuolo descer/quando o Benfica for campeão europeu, whichever happens first.

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SPEZIA CALCIO

 

Estádio: Alberto Picco (La Spezia), temporariamente Dino Manuzzi (Cesena)

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Posição na Última Temporada: 3º na Serie B

Presidente: Stefano Chisoli

Treinador: Vincenzo Italiano

Capitão: Claudio Terzi

Palmarés: 1 Divisione Nazionale* (1944, enquanto VVFF Spezia), 3 Promozione/Seconda Divisone/Prima Divisione [2º escalão] (último em 1928-29), 3 Serie C (último em 2011-12), 3 IV Serie/Serie D/Serie C2 (último em 1999-00), 2 Coppa Serie C (último em 2011-12), 2 Supercoppa Serie C (último em 2012)

*não reconhecido como título máximo

 

A ESTREIA DE UMA ÁGUIA “SPEZIALE”

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Entre as 20 equipas que farão parte desta temporada da Serie A, apenas uma será estreante. O Spezia chega à Serie A depois de um inesperado terceiro lugar e de uma vitória intensa na final do play-off. As “pequenas águias” disputam normalmente os seus jogos em casa no Alberto Picco, em La Spezia, numa das regiões mais belas da bota da Europa e muito visitado, devido também a ser a província na qual se localizam as Cinqueterre, um dos pontos turísticos mais notáveis da Ligúria. Desta feita, devido às obras do terreno, jogarão no início do campeonato os jogos na qualidade de visitado no Dino Manuzzi, em Cesena.

O ponto mais alto da história futebolística da cidade tomou forma em 1944. Contextualizando: no início da década, Benito Mussolini insistiu que o futebol deveria sem qualquer margem para dúvidas continuar a ser disputado, dado que o Duce acreditava que se aquele que era o passatempo preferido de muitos italianos permanecesse imutável, seria mais fácil para o povo acreditar que os anos de guerra teriam a leveza que prometera. Assim foi, com os campeonatos e a taça a decorrerem dentro da normalidade, ignorando a situação caótica em que a Itália se encontrava em termos bélicos até ao ano de 1943. A época de 1942-43 foi disputada regularmente, com o Torino a vencer o scudetto, mas já aí se tornavam claros os riscos vigentes, com por exemplo o Palermo a ser forçado a desistir da Serie B devido à Sicília se ter tornado já palco de guerra. Palco esse que em 1944 já estava estendido a todo o país, não havendo condições de se disputar um campeonato nacional. Todavia, era pedir demasiado à Itália que o futebol deixasse de ser uma realidade, e assim, numa das mais estranhas épocas desportivas, o torneio nacional dividiu-se em dois, que por sua vez estavam divididos em vários. Um deles, o torneio da Alta Itália (ou da República de Salò, o estado fantoche da Alemanha Nazi entre 1943 e 1945) realizou-se com 7 torneios distintos, representantes de cada uma das regiões que funcionavam como fase preliminar da fase final com os clubes classificados. Logicamente, muitos dos clubes iam desistindo ao longo da época, como é o caso dos representantes de Roma, a Lazio, que depois da libertação da capital, não puderam disputar a fase interregional.

Em Spezia, surgia uma equipa denominada Vigili del Fuoco La Spezia, um conjunto que englobava vários jogadores do Spezia, alguns jogadores que representavam outras equipas por Itália fora (algo comum, dado que não era um campeonato a funcionar, digamos, nos trâmites normais, não obstante as regras de inscrição existentes) e, como o nome indica, jogadores de uma equipa local de bombeiros. O VVFF Spezia venceu as duas fases de grupos regionais (onde defrontou principalmente equipas de escalões inferiores, à exceção do Modena, da Serie A), ganhando o direito de derrotar o Bologna na final, com o primeiro jogo anulado devido a mau comportamento dos adeptos com o Spezia a vencer 1-0 e o Bologna a renunciar ao segundo. Na primeira fase inter-regional, o Spezia deveria defrontar a Lucchese, vencedora do grupo da Toscânia, mas esta renunciou devido a não conseguir viajar.

Na fase final, disputada em Milão, o Spezia defrontava o Torino (que acabou à frente de Juventus, Ambrosiana-Inter e Varese na fase anterior) e o Venezia (que prevaleceu sobre a Ampelea, a Triestina e o desistente Verona). Um empate na primeira jornada frente ao Venezia foi o suficiente para que o Spezia defrontasse o Grande Torino de Pozzo com possibilidade de vencer pela primeira vez o campeonato nacional, e, assim foi, com contra-ataques mortíferos o VVFF Spezia surpreenderia o campeão italiano com uma vitória por 2-1, conseguida na primeira parte, que tornou irrelevante a vitória por 5-2 do Toro na última jornada. O Spezia tornou-se assim campeão de Itália, mas sentir-se-ia angustiado pela quebra da promessa da federação italiana de contabilizar este torneio como oficial, algo que só aconteceria em 2002, mas atribuindo-lhe um valor simbólico, inferior ao do scudetto regular.

A partir de 1951, o Spezia foi presença nas divisões inferiores, entre Serie D, C2 e C1, chegando apenas em 2006 à Serie B com uma vitória no seu grupo da Serie C1, acabando à frente do Genoa, a quem foram subtraídos três pontos. Esta fase de sucesso foi sol de pouca dura, com o Spezia a salvar-se no playout no primeiro ano e a descer no segundo, declarando falência. Renasce na Serie D em 2008 e chega quatro anos depois à Serie B, onde se tornaria uma presença regular até à epoca presente.

No início de 2019-20, o Spezia contrataria o antigo treinador do Trapani e ex-médio de ambos os rivais de Verona, Vincenzo Italiano. Sairiam duas das figuras da época anterior: o lateral Augello, para a Sampdoria, e o avançado Okereke, para o Club Brugge (onde marcaria 9 golos em 17 jogos da Pro League); chegavam Scuffet, Marchizza, Ragusa e Ricci por empréstimo e Krapikas e Burgzorg em definitivo. Os 4 pontos somados nos primeiros 7 jogos indicariam que o Spezia provavelmente poderia não chegar ao objetivo play-off da época. No entanto, entre a 8ª e a 25ª jornada, o clube sofreria apenas 1 derrota, passando dos lugares de despromoção até à 3º posição. À 34ª jornada, o Spezia vence em Livorno e recupera o terceiro posto que havia perdido, de onde não sairia até ao final da época, mesmo com uma fase titubeante de resultados, sempre com a segurança do play-off, fase em que foi eliminado na época anterior logo no primeiro jogo.

Play-off esse para qual o Spezia se qualificaria na melhor posição, dado que o 3º em caso de empate na eliminatória qualifica-se contra todos os outros clubes. Depois de uma primeira ronda em que o Frosinone bateu o Cittadella e o Chievo eliminou o Empoli com um empate a uma bola após prolongamento, o Spezia iria defrontar os veroneses. A desilusão pareceu imediata: após apenas 9 minutos da primeira mão, as pequenas águias encontravam-se a perder por 2-0 no Bentegodi. O facto de não terem sofrido mais nenhum golo serviria de consolo para o segundo jogo, não obstante estar pela frente um adversário mais batido nestas andanças e com muitos anos de Serie A. O ativo foi aberto pelo Spezia logo aos 2 minutos através internacional búlgaro Galabinov, ele que tinha marcado 5 dos 6 golos desta temporada nos últimos dois meses de torneio. Um bom começo de segunda parte viu dois golos de rajada por Maggiore e Nzola obrigar o adversário a marcar dois, apenas conseguindo um golo de honra nos descontos. Seguia-se o Frosinone, que eliminou a equipa-sensação da temporada, o Pordenone, com uma vitória por dois golos no terreno dos neroverdi a eliminar a derrota da primeira mão por 0-1. O ganês Edwin Gyasi marcou o único golo da partida no Benito Stirpe, dando ao Spezia todas as condições para seguir em frente. Algo que diminuiu de probabilidade quando o sueco Rohdén marcava pelo Frosinone no Alberto Picco à hora de jogo, levando a meia hora de nervos, frustração e tensão, com muitos ataques da equipa visitante a obrigarem a um recuo quase fatal do Spezia que acabou por aguentar até ao apito final.

O Spezia de Italiano apresentou um futebol bastante positivo durante toda a temporada, apoiado numa frequente procura de triangulações e da superioridade numérica, com a equipa sempre disposta num 4-3-3, de onde o guarda-redes Scuffet procurava sair a jogar, dando condições aos centrais para iniciar a manobra ofensiva. Os golos foram partilhados pelos avançados, com nenhum a figurar no top da lista de melhores marcadores: Gyasi faturou por 9 ocasiões, os emprestados Ragusa e Nzola por 8 e Galabinov por 7. Bartolomei, médio-centro do conjunto liguriano, conseguiu chegar aos dois dígitos no capítulo das assistências.

Tal como o Verona, o Spezia perderá vários elementos da equipa do ano passado devido ao final dos empréstimos, com Scuffet, Vitale, Nzola, Ragusa, entre outros a serem devolvidos ao clube-mãe. A contratação mais sonante do Spezia é a do guarda-redes proveniente do PSV, Jeroen Zoet, ao qual se juntam quatro defesas: Ismajli (Hajduk), Sala (SPAL) por transferência permanente, e Dell’Orco e Marchizza, ambos emprestados pelo Sassuolo, o último a repetir o empréstimo da época passada.

Com um plantel largamente repetente do ano passado, é provável que haja algum pessimismo quanto às hipóteses de manutenção do Spezia, mas será sem dúvida uma das equipas mais interessantes de seguir da próxima campanha.

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Análise Tática (talvez um pouco limitada) ao Spezia de Italiano (AIAPC, em italiano)

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TORINO FC

 

Estádio: Olimpico Grande Torino (Turim)

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Posição na Última Temporada:16º

Presidente: Urbano Cairo

Treinador: Marco Giampaolo

Capitão: Andrea Belotti

Palmarés: 7 Serie A (último em 1975-76), 3 Serie B (último em 2000-01), 5 Coppa Italia (último em 1992-93), 1 Taça Mitropa (1990-91)

 

UM PEQUENO TORO

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É quase imposível a referência ao Torino sem a invocação de uma das piores tragédias da história do futebol. Uma história que começou no Luigi Ferraris, de Génova, quando, num amigável de seleções, Portugal foi derrotado pela Itália por quatro bolas a uma, não obstante ter inaugurado o marcador. O encontro da squadra azzurra, cujo núcleo era constituído por jogadores da melhor equipa italiana da época, o Grande Torino, levou a que o presidente do Toro e parte constituinte da nova comissão técnica da seleção italiana, Ferruccio Novo, tenha ficado impressionado com um dos jogadores da seleção das quinas, o médio Francisco Ferreira, capitão luso e do Benfica.

Foi em sua honra que foi disputada a derradeira partida do Grande Torino, devido às pobres condições financeiras pelas quais passavam os jogadores em Portugal, comparativamente a outros países de maior dimensão futebolística, como a Itália, a França ou Inglaterra, o capitão do Toro, Valentino Mazzola, sensibilizou-se para ajudar Chico, organizando um amigável entre o Toro e o Benfica, realizado no Jamor. O Benfica acabou por superiorizar-se ao emblema italiano, num espectáculo de futebol que terminou com o marcador a ditar 4 para os lisboetas, 3 para os turineses. No final do jogo, houve uma insistência de Ferreira para que Mazzola ficasse pela capital portuguesa mais um par de dias para retribuir a generosidade, mas devido ao calendário interno do Torino, a quem faltavam dois jogos para garantir um quinto scudetto, acabaria por tal ser impossível, passando apenas aquela noite em Portugal, antes da partida para casa.

O desastre de Superga foi o ponto final da era de sucesso do Torino e quiçá daquela era do calcio. Tudo o que viria depois seria diferente. Principalmente para os granata, que, nos anos seguintes, entrariam numa descida gradual de estatuto até à descida para a Serie B. Foi apenas nos anos 70 que se voltou a ver um Toro competitivo, conquistando o sétimo scudetto da história em 1976: a equipa liderada pelo ex-milanista Gigi Radice, e potenciada pelo goleador máximo Paolino Pulici, venceria o seu último scudetto até hoje com um empate em casa frente ao Cesena, beneficiando da escorregadela dos vizinhos bianconeri em Perugia. O Torino por breves instantes voltaria a provar o sucesso na era de ouro moderna do calcio, os anos 90. Em 1990 foram promovidos à Serie A, em 1991 terminaram o campeonato em lugares europeus, em 1992 eliminaram o Ajax antes de cair perante o Real Madrid na final da Taça UEFA e em 1993 sagraram-se vencedores da Coppa Italia, eliminando Monza, Bari, Lazio e Juventus, antes de chegar à final contra a Roma.

O jogo da primeira mão no Delle Alpi, na altura casa partilhada entre Toro e Juve, redundou numa vitória caseira por 3-0 aplicada pela equipa comandada por Emiliano Mondonico aos romanos de Vujadin Boškov. A equipa granata contava com o ícone do futebol belga Enzo Scifo, enquanto que na equipa da capital já brilhavam Aldair, Peruzzi, Mihajlović e Hässler. O jogo decisivo foi bastante mais complicado para o Torino: Giannini marcaria o primeiro de três pontapés de penálti aos 22 minutos, o Torino respondeu por Silenzi aos 45’, antes de Rizzitelli e um novo castigo máximo de Giannini levarem o jogo para o resultado de 3-1. Silenzi, que curiosamente era natural de Roma, reduziu a desvantagem, mas o terceiro penálti de Giannini e um tento de Mihajlović levariam os giallorossi à distância de um golo, que nunca chegaria.

Esta seria a última época de verdadeiro sucesso do Torino. Em 2004-05, o Toro seria segundo na Serie B, mas viu a sua promoção anulada por motivos financeiros, obrigando à substituição por outra entidade em seu lugar, que se começou por chamar SCC Torino antes de voltar à designação habitual. No ano seguinte, o Torino seria promovido, ao vencer a final do play-off ao Mantova.

Os granata cairiam em 2009 para a Serie B, subiriam de novo em 2012 e primodivisionários permaneceram até hoje, com o melhor registo a ser dois sétimos lugares: no primeiro deles, ano de capocannoniere de Ciro Immobile, com 22 golos, o Torino conseguiu o acesso à fase de grupos da Liga Europa, eliminando os suecos do Brommapojkarna com uma agregado de 7-0 e os croatas do Split com 1-0, antes de terminar no segundo lugar do grupo, atrás do Club Brugge, e adiante às formações nórdicas do HJK e do FCK. Seguiu-se uma competitiva eliminatória contra o Athletic: 2-2 na primeira mão em Turim, 2-3 em Bilbau, com Matteo Darmian a decidir a passagem do Toro, mas nos oitavos, os italianos seriam derrotados pelo Zenit de André Villas-Boas, com a expulsão de Benassi em São Petersburgo a anteceder os golos de Witsel e Criscito, que foram apenas amenizados no Olimpico pelo golo tardio de Kamil Glik. 

Em 2019-20, o Torino começou a época com sinal menos, sendo eliminado no play-off de acesso à Liga Europa pelo Wolverhampton, após vitórias sobre Debrecen e Shakhter Soligorsk. O início de campeonato foi mais aceitável, com a vitória sobre o Bologna à 19ª jornada, a 12 de janeiro, a deixar os granata em 8º lugar, longe da luta pela manutenção e perto de lugares europeus. A pequena série de jogos que seguiu este encontro foi, no entanto, desastrosa: derrota contra o 15º Sassuolo por 2-1, derrota caseira por 0-7 contra a Atalanta, eliminação da taça por 4-2 após prolongamento aos pés do Milan e uma derrota estrondosa em Lecce, contra o 17º classificado, por quatro bolas a zero. Perante este cenário, o Torino despede Walter Mazzarri e traz Moreno Longo, ex-jogador do Torino que não treinava há duas épocas, quando saiu do Frosinone. A maior mudança operada foi a transição de um sistema de dois médios em apoio a Belotti, para uma dupla de avançados, com Simone Zaza a apoiar o Gallo. A alteração surtiu pouco efeito: desde a entrada de Longo, com uma paragem pandémica pelo meio, o Torino apenas somou mais 3 vitórias até ao final da época, contra Udinese, Brescia e Genoa, terminando a temporada num desagradável 16º lugar.

Andrea Belotti foi destacadíssimo o melhor elemento do Toro, mais uma vez, tendo marcado 16 golos, e logo de seguida, Simone Verdi, extremo que chegou em definitivo este verão e que estava emprestado pelo Napoli, assim como o guarda-redes mais de vinte vezes internacional por Itália, Stefano Sirigu. Para o banco, foi contratado Marco Giampaolo, que, na época passada, desiludiu enquanto comandante dos rossoneri, mas fez um trabalho notório na Sampdoria, algo que os adeptos do Torino esperam que se volte a repetir, com Giampaolo a ser um treinador também de futebol positivo e posicional. O treinador nascido em Bellinzona, na Suíça, contará com um trio de reforços: Karol Linetty, médio polaco que chega da Samp, assim como Mergim Vojvoda, lateral direito kosovar que militava no Standard, e o já conhecido Ricardo Rodríguez, lateral esquerdo internacional pela Suíça que chega do Milan, depois de ter alinhado um par de meses pelos holandeses do PSV antes da interrupção definitiva da Eredivisie.

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Análise Tática à Sampdoria de Giampaolo (AIAPC, em italiano)

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JUSTIÇA PARA O SPEZIA!! 

Acho que não custava muito reconhecerem-lhe a m*rda do scudetto de 44. 

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UDINESE CALCIO

 

Estádio: Friuli (Udine)

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Posição na Última Temporada:13º

Presidente: Franco Soldati

Treinador: Luca Gotti

Capitão: Kevin Lasagna

Palmarés: 1 Prima Divisione (1929-30), 1 Coppa Italia Serie C (1977-78), 1 Taça Mitropa (1979-80), 1 Taça Intertoto (2000), 1 Taça Anglo-Italiana (1978)

 

ZEBRAS PERDIDAS 

Apesar da Udinese ser um clube com considerável antiguidade, fundado no final do século XIX como parte da Sociedade Udinese de Ginástica e Esgrima, foi apenas no final dos anos 70 que a turma de Udine se começou a estabelecer no futebol italiano. Uma dupla promoção em 1977-78 e 1978-79 levaria o clube a tornar-se primodivisionário pela primeira vez desde 1962, tendo pelo meio vencido a já pouco prestigiada Taça Anglo-Italiana ao Bath enquanto emblema de Serie C, mas voltando a vencer um troféu internacional em 1980 quando bateu os húngaros do Debrecen na final da Taça Mitropa em 1980, também já esta sem o prestígio de antes, esta que foi em tempos a mais importante prova de clubes na Europa, nas décadas que antecederam a criação da Taça Europeia.

A Udinese chega mesmo a um 6º lugar em 1983, mas a partir de 1987, quando é punida devido ao caso Totonero-bis (em conjunto com Perugia, Lazio, Vicenza, Cagliari, Palermo e Triestina (todos de Serie B) e Cavese e Foggia, da Serie C2), torna-se um clube iô.-iô, saltitando entre as duas principais divisões. É também neste período que Giampaolo Pozzo se torna proprietário da Udinese, algo que se mantém até hoje (tendo no século XXI assumido a propriedade do Watford, de Inglaterra, e, durante um período, do Granada). A subida definitiva dá-se em 1994-95, quando é segunda classficada da Serie B, a um ponto do Piacenza e com mais 2 e 4 que Vicenza e Atalanta, as outras formações promovidas. Desde então, a Udinese tem sido presença sem falha na Serie A, com dois períodos de maior destaque.

O primeiro deles, a segunda metade da década de 90, tem o seu pico no terceiro lugar conquistado na Serie A de 1997-98, num plantel que tinha jogadores como Jorgensen, Appiah, Amoroso e Bierhoff, dos mais reconhecíveis, e que era treinado por Alberto Zaccheroni, que se sentaria ainda no banco de Milan, Lazio, Inter, Torino, Juventus, e da seleção do Japão, onde venceu uma Taça das Nações da Ásia e uma Taça da Ásia Oriental. O alemão Bierhoff seria o capocannonieri com 27 golos, encabeçando uma lista altamente luxuosa de melhores marcadores: Ronaldo, Baggio, Batistuta, Del Piero, Montella, Pippo Inzaghi e Dario Hübner eram os nomes que se seguiam. Com mais 5 pontos que a Udinese acabou a Inter e com mais 10, a campeã Juventus. de Marcello Lippi, que perderia a final da Liga dos Campeões para o Real Madrid.

O segundo, os primeiros três anos da década de 2010, com um quarto, terceiro e quinto lugares consecutivos, com jogadores como Alexis Sánchez, Handanović, Isla, Asamoah, Benatia, Allan e, claro, o eterno capitão Antonio di Natale, que é não só o jogador com mais presenças dos bianconeri de Udine (446), como é também o melhor marcador, com 227 golos, ultrapassando em larga margem o herói das décadas 30 e 40, Walter D’Odorico, que faturou 109 golos. A Udinese, treinada por Francesco Guidolin, chegou duas vezes ao play-off de entrada na Champions mas foi impedida de disputar a fase de grupos, primeiro pelo Arsenal (0-1 e 1-2) e depois pelo SC Braga, tendo empatado por duas vezes a uma bola e perdido nos penatlies no play-off de entrada.

Desde então pouco de significante há a referir, começando uma série de épocas sem brilho e sem sucesso, terminando sempre abaixo do 13º lugar. 2019-20 não foi uma exceção: à 9ª jornada, a Udinese perde por 7-1 no terreno da Atalanta, antes de ser derrotado em casa pela Roma, levando ao despedimento do técnico Igor Tudor. O cruise control que se seguiu, já sob o comando do primeiramente interino Luca Gotti, nunca levou a Udinese abaixo da linha de água. A Udinese foi o 2º pior ataque da liga (apenas à frente do Brescia), foi a 4ª equipa com menos posse de bola e a 3ª equipa com menos ocasiões flagrantes criadas. Apenas a vitória frente à Juventus da 35ª jornada atenuou aquela que foi uma época insonsa em Udine.

O melhor marcador foi o internacional italiano Kevin Lasagna, com 10 golos, mas o destaque manteve-se o mesmo em relação às épocas anteriores: Rodrigo de Paul, 7 golos e 6 assistências na Serie A, foi o jogador que mais se destacou, e parece que a contínua falta de ambição da Udinese o está a empurrar finalmente para a porta de saída, com o internacional argentino a ser muito cobiçado pelo Leeds United e pela Roma. Juan Musso, guarda-redes, também ele internacional pela seleção das Pampas, foi essencial para muitos dos pontos conquistados pela turma de Udine, enquanto Seko Fofana fez uma época bastante competente, mas já se encontra fora do clube, vendido por 10 milhões ao Lens. Na direção contrária aparecem Ouwejan, lateral-esquerdo proveniente do AZ, e o destaque, Fernando Forestieri, antigo ponta de lança de Carlos Carvalhal no Sheffield Wednesday, e que saiu dos owls neste mercado (marcou apenas 2 golos na última edição do Championship), tendo estado a treinar com o Watford durante alguns dias antes de rumar ao clube-irmão italiano.

Se se confirmar a saída do dínamo atacante da equipa nas últimas épocas De Paul, a juntar à perda de Fofana, é provável que a Udinese necessite de reforços urgentes para conseguir montar uma equipa competitiva para evitar cair na luta pela manutenção.

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Análise Tática à Udinese de Gotti (AIAPC, em italiano)

Editado por Wincing Hálldor
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O Samir não será titular? Acho que o gajo tem sido desaproveitado q.b. ali.

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Citação de Poeira, há 22 minutos:

O Samir não será titular? Acho que o gajo tem sido desaproveitado q.b. ali.

Tens razão, sim. Com o Nuytinck de volta de lesão não sei, mas acredito que sim. Aliás tenho de corrigir ali o esquema porque obviamente o Ouwejan não deve jogar no centro da defesa, mas sim tirar o lugar ao Marvin, e ficam os três postos de centrais para Nuytinck, Becão, Ekong, Samir e De Maiò.

Editado por Wincing Hálldor

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GUIA (JÁ MEIO DESATUALIZADO) DO WINCING PARA A SERIE A 2020/21

28/8 - Atalanta

29/8 - Benevento

30/8 - Bologna

31/8 - Cagliari

1/9 - Crotone

2/9 - Fiorentina

3/9 - Genoa

6/9 - Verona

7/9 - Inter

8/9 - Juventus

9/9 - Lazio

10/9 - Milan

11/9 - Napoli

12/9 - Parma

13/9 - Roma

14/9 - Sampdoria

15/9 - Sassuolo

16/9 - Spezia

17/9 - Torino

18/9 - Udinese

 

Outros links:

Calendário oficial Serie A 2020/21 (cortesia do Diogo)

"Tabellone" do Mercado de Transferências da Gazzetta dello Sport

Jogadores a Observar por Rodrigo Ferreira, no Twitter

Behind the Lines, Análises Táticas em Italiano de várias equipas

 

Espero que tenham gostado pessoal, sim, mesmo aqueles que faziam logo scroll para o bonequinho do onze. Da minha parte, posso dizer que foi divertido e que se tiverem aprendido qualquer coisa de interessante já é bom.

PS: No próximo fim-de-semana se calhar ainda trago mais qualquer coisa, mas não prometo nada lol.

Editado por Wincing Hálldor
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o onze da udinese é relativamente fraco. Tenho os posto quase sempre junto com o genoa para irem de sopas, mas as equipas que vêm da serie b andam a ser mais fracos que estas

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Pois, eu se tivesse de apostar diria que: (sem ordem específica)

Campeão - Juve

Champions - Atalanta, Inter, Milan

Liga Europa - Lazio, Napoli

1ª metade da tabela - Cagliari, Roma, Sassuolo, Torino

2ª metade da tabela - Bologna, Benevento, Fiorentina, Samp, Verona

Luta pela manutenção - Crotone, Parma

Despromoção - Genoa, Spezia, Udinese

Editado por Wincing Hálldor

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@Wincing Hálldor Muitos parabéns pelas análises, estão fabulosas 😉

A minha previsão top 5:

Juventus, Roma, Inter, Milan, Nápoles.

Descem Udinese, Crotone e Spezia.

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Citação de Wincing Hálldor, há 10 minutos:

Se é com isto que a Roma pensa atacar os lugares de Champions então boa sorte. Coitado do Fonseca que vai ter de salvar a pele com omoletes vegan.

epah que não goste da Premier League aceito e compreendo

mas qual é o teu problema com vegans? 😠

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Citação de a.lopes, há 32 minutos:

epah que não goste da Premier League aceito e compreendo

mas qual é o teu problema com vegans? 😠

Absolutamente nenhum. Até tenho amigos que são!!!!!1

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