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Jorge Jesus: "Hoje qualquer coisa que se possa dizer contra um negro é sempre sinal de racismo. Se disser o mesmo contra um branco já não é"

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Em Ponta Delgada a Antero de Quental (betinhos, papás ricos) fica a 1km de distancia da Domingos Rebelo (classe média-baixa).

 

Editado por Seferogol

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Citação de Seferogol, há 28 minutos:

Em Ponta Delgada a Antero de Quental (betinhos, papás ricos) fica a 1km de distancia da Domingos Rebelo (classe média-baixa).

 

Aqui estamos a falar de 50 metros. Entre as duas há uma rua e um edifício, apenas.

Para evitar confusões, até os horários de saída eram diferentes em ambas as escolas, lol.

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Em Coimbra, a Escola Secundária Infanta Dona Maria (37ª no ranking total de 2020; 1ª no ranking de escolas públicas 2020) dista exactamente uma passadeira da Escola Secundária Avelar Brotero (166ª no ranking total de 2020; 105ª no ranking de escolas públicas 2020).

Há uns 20 anos era notório: "boas famílias" para um lado, "más famílias" para o outro. Agora já estou bastante distante dessa realidade mas penso que essa diferença ficou mais ténue - continuando a existir.

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Citação de Tio Hans, há 1 hora:

Há mais algum sítio no Porto com duas secundárias quase coladas?

Rodrigues de Freitas vs Carolina Michaelis, a separação "classista" nunca foi tão pronunciada mas chegou a existir. Mas ya, no caso do Clara de Resende é chocante.

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Citação de Almeno, há 3 horas:

RIP

Fechou no ano a seguir 😂

Faca no pescoço no dia que fui conhecer a escola/ver o meu horário ❤️

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Citação de antifa, há 6 horas:

Deixa-me adivinhar. Clara de Resende vs Fontes Pereira de Melo

Andei nas duas. 😎

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Por acaso, nesse aspeto, Viseu é uma ótima cidade. Como é pequena, esses critérios da localização praticamente não contam e uma pessoa entra onde quiser. O liceu tem a fama de ter muitos alunos a saírem para grandes cursos, e de facto a exigência é muita, mas acaba por ser tudo devido a explicações (ou seja, é só para quem pode). Mas depois também há mais duas escolas secundárias onde dá para ter uma educação decente e favorável a continuar os estudos, se possível. 

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Citação de andre26, Em 10/12/2020 at 23:37:

Nope, acima de tudo sei que foi bastante cringe e não faria de novo nem faz parte da minha personalidade algo do género. Uma pessoa com 13 anos tinha muito para aprender e viver.

A possível justificação é que eram pessoas com as quais me indentificava e tentava ter conversas. Claro que para aí metade preferia gozar comigo também do que falar mas pronto.

o forum tinha um ambiente um bocado toxico na altura (e eu era tão culpado como todos os outros, havia coisas que pensando bem não voltava a postar agora)

ainda há um bocado aquela cena típica de forum online de querer ganhar o argumento aos outros em vez de conversar (o próprio formato dos forums leva a isso), e quando vês pessoal a postar coisas estapafúrdias todos os dias é difícil não tirar do sério e não partir para o gozo, mas no geral já acalmou um bocado

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Citação de antifa, Em 11/12/2020 at 11:57:

Deixa-me adivinhar. Clara de Resende vs Fontes Pereira de Melo

Se achas que o Clara é beto, espera até conheceres o Garcia

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Citação de Tio Hans, Em 11/12/2020 at 13:41:

Há mais algum sítio no Porto com duas secundárias quase coladas?

Agora não. Na altura que andava no Pires de Lima, o Alexandre Herculano e o Rainha ainda partilhavam alguns anos escolares. Agora já não existe Rainha, é a DREN.

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Citação de Ion Timofte, há 8 horas:

Se achas que o Clara é beto, espera até conheceres o Garcia

Metade da minha turma no 1º ano da faculdade era do Garcia e outra escola semelhante (eles já se conheciam todos). A outra metade era malta vinda de fora do Porto.

Pqp a segregação que aquela malta fazia.

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Lisboa no meu tempo era, tudo o que era beto, estava no privado ate ao 9o ano. Do 10o ao 12o, ia-se para o Maria Amalia, Pedro Nunes, Rainha D. Amelia, Rainha D. Leonor ou (raramente) Sec. do Restelo.

As outras escolas todas eram de evitar

Editado por Burkina2008

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Citação de Descartes, Em 11/12/2020 at 04:03:

 

Estamos a falar de coisas diferentes, acho eu. A maior facilidade em ter bom aproveitamento escolar por parte de alunos provenientes de classes económicas mais favorecidas não é um achismo. É um facto. Está mais do que estudado. E não tem nada a ver com os pobres serem geneticamente burros ou os ricos inteligentes, nada disso. Há burros e inteligentes em todos os estratos sociais em igual proporção (isto sim é um achismo mas não devo fugir muito à verdade).

A questão é outra e explica-se rapidamente. Está mais que provado que uma criança que cresce num ambiente em que existem muitos livros, arte, música, que frequente desde cedo museus, teatros, que viaje com regularidade, que conviva com culturas diferentes, tem maior propensão a que o seu cérebro evolua mais favoravelmente no que respeita à aprendizagem futura. E quem tem mais condições para fazer esse tipo de consumos não são os pobres; está mais do que provado que quando os pais têm possibilidade de passar mais tempo de qualidade com os filhos estes têm mais facilidade na aprendizagem, e os pobres têm em média, empregos que os impossibilitam de passar o tempo necessário com os filhos; está mais do que provado que os pais com mais qualificações (em média os que têm melhores condições económicas) são um complemento fundamental à escola na ajuda que podem proporcionar às crianças; e, finalmente, está mais do que provado que as famílias com maior condição económica podem, caso tal se justifique, comprar explicações individuais, colocar os filhos em grupos de estudo ou outras modernices que agora existem gerando maior capacidade para os filhos terem melhor aproveitamento.

Concordo contigo que a Escola deveria ter condições e capacidade para diminuir este fosso. Dedicando particular atenção àqueles que não dispõem destas facilidades por forma a não os deixar para trás. Infelizmente a nossa Escola, com maiúscula, não está preparada para este efeito. Tem a ver com política (faltam medidas a sério para promover o sucesso escolar) e tem a ver com vaidades. O Diretor da Escola que fica nos primeiros lugares do ranking, o Ministro e o Secretário de Estado que ficam orgulhosos com os bons resultados do PISA ou com as medalhas nas Olimpíadas, o pai babado porque o filho estuda no melhor Colégio Privado das redondezas e ficará, decerto, muito bem posicionado para entrar numa das melhores Universidades Públicas do país e por aí fora... E tudo isto se conjuga para que, de facto, a Escola não seja aquilo que poderia ser. O que nos vai valendo é que, felizmente, o melhor que existe nas Escolas ainda são os professores. Na sua esmagadora maioria pessoas dedicadas e competentes que vão tentando remar contra a maré apesar de serem constantemente vilipendiados pelos políticos que os dirigem, pela sociedade que não lhes dá o devido reconhecimento e até pelo próprio sindicato que os usa como bem quer, lá está, para satisfazer vaidades pessoais.

Só agora li a tua resposta com a devida atenção.

Sim, tudo o que tu dizes é verdade e não acho que estejamos a falar de coisas diferentes, apenas de vertentes diferentes.

Sem me alongar muito, tu, pelo decorrer do tópico, discutes o aproveitamento académico, mas eu quis inserir o cultivo de valores na discussão. Mais do que diminuir as disparidades e equilibrar as condições e oportunidades, a Escola deve dar também um grande enfoque ao aspeto humano do aluno. E, da mesma forma que tu muito bem observas sobre a importância da diversidade de estímulos para o desenvolvimento intelectual, é igualmente imprescindível ao desenvolvimento humano um contacto abrangente com pessoas e realidades distintas. Ora, parece-me que estratificar os jovens através de critérios além do aproveitamento não é a melhor maneira de proporcionar estímulos variados às suas bússolas morais.

E julgo que saberás melhor do que eu a importância de um forte suporte de valores e moral na aplicação prática do conhecimento teórico. Se saber é poder e o poder corrompe, saber poder sem corrupção é importantíssimo. E isto tanto é válido para o filho do Sr Engº, como para a filha da peixeira. O que ambos têm em comum é a igual capacidade de transmissão de bons valores aos seus filhos, independentemente da conta bancária. Como tal, a Escola deve promover o desenvolvimento intelectual e humano, garantindo assim que todas as realidades económico-sociais têm a mesma oportunidade de aprendizagem. Mútua.

A questão dos professores é o reflexo da nossa sociedade. Estão abandonados a si mesmos, vítimas das próprias competências teóricas, sócias e humanas. São quase uns párias a quem poucos querem dar ouvidos porque não gostam do lhes dizem. Não estão contaminados pelo intragável "politicamente correto" e por isso são constantemente confrontados. Chegamos a um ponto em que os pais confiam aos professores os filhos para educar, mas não lhes admitem que tentem dar educação às crianças.

E com isto lá acabei por me alongar. 😅

Editado por John Bonifácio

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A Liga das Opiniões Extraordinárias

Rogério Casanova
12 Dezembro 2020 — 00:20
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Apesar de todo o tempo que dedicam nos bastidores a operações mundanas como elaborar regimes de abdominais e planear dietas, ou a gestos mais esotéricos como inverter triângulos e imaginar falsos noves, um treinador de futebol é avaliado essencialmente de acordo com as suas duas funções mais visíveis e fáceis de assimilar: 1) seleccionar os jogadores para um jogo e gesticular enquanto eles ganham, perdem ou empatam; 2) encarnar uma "personalidade" na televisão e falar sobre o que aconteceu no jogo anterior ou o que pode acontecer no jogo seguinte.

Embora o seu sucesso profissional esteja exclusivamente dependente da acumulação de estatísticas associadas à primeira função, a pegada cultural que deixa na segunda não é menos importante na maneira como o consenso formado pelos adeptos e pela imprensa desportiva se habitua a pensar nele. Um treinador é "bom" ou "mau" por causa dos resultados, mas também por causa da sua personalidade. Só que um dos segredos mal guardados sobre este processo é que a reacção à personalidade exibida nas conferências de imprensa é quase sempre determinada pelo que acontece no campo.

Qualquer treinador agrada aos adeptos quando reage a vitórias conclusivas, qualquer treinador irrita quando reage a um ciclo de maus resultados. A personalidade de Mourinho parece autoconfiança sobrenatural quando ganha, e insegurança delirante quando perde; as simplicidades bucólicas de Bruno Lage ou Rui Vitória são vistas como "lufadas de ar fresco" enquanto as coisas correm bem e tornam-nos insuportáveis quando deixam de correr.

Possivelmente um caso único no fenómeno desportivo, Jorge Jesus sempre teve o condão de conseguir irritar os adeptos do clube que treina mesmo quando os resultados são óptimos. É um talento especial, indissociável da sua absoluta certeza de que nunca cometeu um erro na vida, e do tom confiante com que transmite sempre a ideia de que nenhum dos seus interlocutores - reais ou imaginários - está equipado para conversar sobre futebol ao seu nível. Isto talvez seja verdade, mas paradoxalmente também o tornou beneficiário da boleia reputacional concedida aos treinadores mais hábeis a fugir ao discurso tradicional. Num meio onde as expectativas são tão baixas, a mera capacidade para não usar todas as semanas as frases "pensar jogo a jogo", ou "respeitar o adversário", ou "o futebol são onze contra onze" é vista como sinal de uma personalidade vívida e apelativamente heterodoxa.

É por esse motivo, e por algumas proezas avant-garde de dicção e sintaxe, que Jorge Jesus foi sendo encarado, por vários anos e em mais do que um país, como uma pessoa extremamente interessante, apesar de, como é natural, compreensível e nada problemático, não ter quaisquer opiniões informadas ou interessantes sobre nada que não esteja directamente relacionado com futebol.

Nesta semana, não pela primeira vez e não pela última, alguém lhe pediu para ter uma opinião sobre um assunto indirectamente relacionado com futebol: o incidente entre um quarto árbitro romeno e um treinador camaronês que levou à interrupção e ao adiamento de um jogo da Liga dos Campeões. A sua resposta, entre pausas, sopros e filosóficas esfregas de rosto, foi qualquer coisa como isto: "Hoje está muito na moda isso do racismo... Como cidadão tenho direito a pensar à minha maneira... Hoje qualquer coisa que se possa dizer contra um negro é sempre sinal de racismo... A mesma coisa contra um branco já não é racismo... Está-se a implantar essa onda no mundo..."

Jorge Jesus tem um trabalho interessante e tem sido invulgarmente bom a fazê-lo, mas nada na sua resposta é interessante ou invulgar. A começar pelo facto de ser uma resposta e não uma opinião. O que Jesus disse não é uma "opinião sobre" o racismo, não mais do que a recente tirada de Cristiano Ronaldo sobre os testes PCR era uma "opinião sobre" epidemiologia. Dizer que o "racismo está na moda" não é ter uma opinião, mas confessar a ausência de uma opinião, desabafada por alguém que, como a maioria das pessoas, é refém de opiniões invisíveis que herdou, opiniões que não procurou, mas que o encontraram a ele.

É, portanto, a reacção de alguém a quem foi pedida uma opinião, e que descobriu não ter uma, porque nunca foi necessário ter uma. É possível que Jorge Jesus tenha vivido sessenta anos de vida sem ouvir a palavra "racismo" mais de quinze vezes e sem ter pensado no assunto mais de quinze segundos. Nos últimos tempos ouve a palavra com mais frequência e conclui vagamente que o assunto "está na moda". Porque é que estará "na moda"? Não faz a menor ideia. Lembra-se de ter ouvido algumas coisas, talvez na televisão, umas contra, outras a favor, algumas queixas legítimas, alguns exageros. Mas o importante é que um assunto que não lhe diz directamente respeito (não sendo ele racista, nem vítima de racismo) está agora a infringir o seu direito de pensar nas coisas que quer, e à sua maneira.

Também isto não é invulgar nem interessante. Encarar a exigência de formar uma opinião sobre um assunto desagradável como uma inconveniência é uma reacção comum de qualquer pessoa habitualmente protegida pela magia sociocultural de nunca ter de pensar naquilo que não quer pensar. Essa magia tem muitos nomes ("privilégio" é um deles), porque dar nomes às coisas e usar esses nomes é dos poucos actos disponíveis para quem se depara individualmente com problemas colectivos de intratável complexidade.

Para qualquer modalidade de activismo político definida como a vontade de ter razão na internet, classificar a manifestação de um problema representa um sucesso prefabricado. Isso ajuda, entre outras coisas, a consolidar a falsa e redutora ideia de que o racismo é um problema predominantemente individual e verbal, e que "racista" é algo que uma pessoa é ou não é em função dos seus bons ou maus sentimentos, ou do seu bom ou mau vocabulário. Se o racismo é aquilo que é mau, "racista" depressa se torna aquilo que ninguém é, e aceitar estes termos implica aceitar automaticamente todos os debates tautológicos que eles autorizam.

Qualquer debate filtrado através deste aparato se transforma numa crise de sobreprodução: excesso de incidentes, excesso de tópicos, excesso de interpretações, excesso de slogans, excesso de memes, excesso de significado. Cada novo escândalo tem um prazo de validade mais reduzido e desvaloriza mais depressa. A "moda", a "onda que se implanta no mundo" é esta, pelo menos vista da perspectiva normativa em relação à qual todas as outras são um desvio.

E dessa perspectiva, a de quem nunca precisou de pensar em nada disto, o que se sente não é o eclodir espontâneo de opiniões melhores, mas uma ansiedade de baixa frequência que facilmente resvala para mentalidade de cerco, e que empurra pessoas como Jorge Jesus - que se encontram na posição de repetir coisas que até há pouco tempo eram indizíveis, mas que agora fazem parte da política e da televisão - na direcção de um reaccionarismo passivo de que nunca foram suficientemente informados para escolher. Quem escolheu e disponibilizou essas opiniões, e quem as torna aceitáveis, são outros. Também têm nomes, e sabemos perfeitamente quem são; o campeonato em que jogam é diferente.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-dez-2020/a-liga-das-opinioes-extraordinarias-13130878.html?target=conteudo_fechado

Essencialmente acho que concordo a 100% com isto.

Editado por Wincing Hálldor

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