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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

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Capítulo XXXII - Palavra de capitão

 

Estava uma manhã agradável na Medideira. A vaga de calor que assolava o país há mais de um mês ainda não se fazia sentir, muito por culpa do céu encoberto por uma espessa camada de nuvens acinzentadas que ocultavam o sol. A proximidade da Baía do Seixal dava uma sensação de frescura que Frodo Zarco imaginava que não duraria muito. Assim que o céu abrisse, o sol abraçaria a Terra com o insuportável calor habitual em inícios de Agosto.

Percorria o relvado do novo Campo N°3 sem um rumo definido, perdido nos seus pensamentos, aproveitando a tranquilidade do momento. A Medideira tornara-se consideravelmente mais movimentada desde a inauguração do novo Complexo há cerca de um mês. O Retail Park era um sucesso de popularidade, sendo visitado massivamente por amorenses movidos pela novidade do novo espaço comercial. O parque ribeirinho tornou-se um dos locais favoritos para famílias passarem um agradável final de tarde. O espaço amplo era convidativo para as crianças esgotarem as suas baterias, correndo, empoleirando-se nas diversões do parque infantil e improvisando jogos de futebol com pedras a servir de balizas, ou para os donos passearem os seus amigos de quatro patas, atirando bolas que os patudos perseguiam, agitando as caudas. Algumas famílias levavam toalhas e sentavam-se à sombra das árvores em piqueniques, outras relaxavam nas esplanadas da zona de restauração, degustando travessas de caracóis com cerveja fresca a acompanhar, numa azáfama que não raras vezes durava até ao pôr do sol, que naquela altura do ano acontecia já o dia ia bem avançado.

"Não sei se isto foi boa ideia", ponderava por vezes Frodo Zarco. Numa perspectiva de aproximação do clubes aos amorenses, o novo Complexo da Medideira cifrava-se num retumbante sucesso. O aumento de volume de visitantes, atraídos pelos novos espaços, implicou também maior quantidade de adeptos a acompanhar os treinos - em especial entre faixas etárias mais jovens, que depois conviviam nas esplanadas ou jogavam futebol no parque ribeirinho. Eram adeptos que ficavam habituados a acompanhar a equipa e que ficavam fidelizados.

Por outro lado, a Medideira passara a ser mais barulhenta e movimentada, criando mais distracções na hora de preparar a equipa. Frodo Zarco, enquanto treinador, não apreciava essa nova faceta da casa do Amora.

Foi interrompido nas suas divagações pelo som de passos atrás de si. Um ligeiro vislumbre fê-lo perceber quem se lhe dirigia.

"O relvado está aprovado?"

"O relvado é bom. O ruído é que..."

"Ainda estás com essa conversa?", retorquiu Bilbo Himura, exasperado, parando ao seu lado. "Estás a ouvir?", questionou subitamente, apontando com o dedo indicador para o ar.

Frodo Zarco olhou para ele.

"Estou a ouvir o quê?"

"Precisamente, nada. De que barulho te queixas tu? Está tudo tão tranquilo", respondeu-lhe o amigo com ar malicioso. "A única forma de conseguirmos a colaboração da Câmara era criarmos aqui uma área que servisse toda a população além do futebol. De manhã ainda é tranquilo, de tarde pode ter mais movimento, se for preciso podemos treinar no Centro de Treinos no Serrado ou na Academia Carla Sacramento."

 

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Após os acordos para arrancarem as obras no Complexo Municipal da Medideira...

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... o Amora dispunha agora de condições de treino quatro estrelas, vendo ainda a sua reputação aumentada para três estrelas, ao nível da maioria das equipas da Primeira Liga

 

Frodo Zarco sabia que aquilo era verdade: o Amora dispunha agora de infraestruturas incomparavelmente melhores do que quando pegara na equipa em 2021. E ele próprio apreciava a nova zona que nascera nas margens da Baía do Seixal.

O primeiro grupo de jogadores irrompeu no relvado. Frodo Zarco e Bilbo Himura voltaram-se para ver um grupo de nove ou dez jogadores em amena cavaqueira, dialogando sem grandes preocupações com o tom de voz. Entre eles estavam algumas das novidades do novo plantel do Amora.

"Sempre pensei que ele só se reformava depois de treinar a Selecção!", exclamava António Silva.

"Oh, o Jorge Costa foi campeão do mundo, só sai de lá quando quiser. Ele não quis esperar."

"E pode sempre sair da reforma para treinar a Selecção, não é?"

"Roberto, tu foste treinado por ele, sabias que ele se ia reformar?"

 

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O Special One colocou o ponto final a uma bem sucedida carreira...

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... e embora o treinador do Porto, Roberto Mancini, tenha sido apontado como favorito a substitui-lo, numa reviravolta inesperada assinou pelo Manchester United

 

Roberto Longo não conseguia responder à questão. Não só porque não sabia a resposta, como por estar em Portugal há pouco mais de um mês, ainda não sendo fluente na língua de Camões. O grupo chegou próximo de Bilbo Himura e Frodo Zarco e foi o treinador quem acorreu em seu auxílio.

"O Bilbo também foi treinado pelo Mourinho quando esteve no Inter. És amigo dele, sabias de alguma coisa?"

"Não, o gajo aparentemente não disse a ninguém. Se calhar nem ele sabia, sempre foi assim meio avariado", disse Bilbo, gerando risos entre os jogadores, "às tantas acordou um dia com os pés fora da cama e decidiu do nada acabar com a carreira".

A cavaqueira durou mais um pouco, por momentos esquecidas hierarquias - pareciam apenas amigos que se tinham juntado numa manhã de Agosto de 2025 para conversar.

Frodo Zarco não pôde deixar de notar como os novatos já pareciam integrados e falavam sem rodeios com os colegas que já faziam parte da casa há mais tempo. O ambiente no seu grupo de trabalho continuava a ser bom, o que facilitava w integração dos novos jogadores.

 

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Manuel Baldé foi integrado na equipa depois de um bem sucedido empréstimo ao Farense...

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... tal como o lateral Simão Rosete, que esteve emprestado ao Leiria...

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... António Silva continuava na Medideira, novamente por empréstimo do Benfica

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... ao qual se juntava o reforço Roberto Longo...

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... e a promoção em definitivo do talentoso Nélson Victor

 

Luiz Felipe continuava a ser o guarda-redes principal da equipa. Já na época anterior o havia sido, cedendo apenas a titularidade a David Grilo em jogos das Taças. A saída deste último em Janeiro, porém, criou um sério problema a Frodo Zarco, deixando-o com apenas um guardião para a segunda metade da temporada. Ponderou-se por essa altura fazer retornar Manuel Baldé do seu empréstimo ao Farense, mas o guineense estava a dar tão boa conta de si no Algarve que pareceu uma má decisão chamá-lo de volta para se sentar no banco o resto da temporada. A posição acabou por ser ocupada pelos jovens dos Sub23.

Para a nova temporada, Manuel Baldé integraria o plantel do Amora e daria luta a Luiz Felipe pela titularidade na baliza dos azuis da Margem Sul.

A defesa continuava a ser o pesadelo de Frodo Zarco. Depois de uma temporada em que o sector foi varrido por lesões, diversas saídas deixaram a defesa do Amora esburacada. Juary Soares e Rony Fernandes saíram em definitivo, procurando novos desafios, e os emprestados Diogo Travassos e António Silva retornaram a Sporting e Benfica, respectivamente, após cumprido o ano de empréstimo previsto.

Perante a possibilidade de ter de enfrentar a nova temporada com apenas Odailson para a lateral direita e Isaac Monteiro para o centro da defesa, o Amora procurou alternativas.

As primeiras foram encontradas entre os jovens do plantel. Simão Rosete rodou durante uma temporada na Segunda Liga, sendo um dos elementos em destaque no Leiria. Não conseguiu ajudar os leirienses a evitar a despromoção, mas a utilização regular ajudaram-no a maturar e a evoluir consideravelmente. O jovem, agora com 20 anos, regressava à equipa principal depois de ter chegado a fazer doze jogos entre o final da temporada 2022/23 e o início de 2023/24, embora na altura não impressionando.

Nélson Victor era um jovem bastante promissor que foi promovido dos Sub23 na fase final da temporada quando a manutenção foi assegurada. Surpreendeu de tal forma que não só acabou convocado para o Europeu Sub21 que Portugal venceu, como conquistou o seu lugar no plantel principal para a nova temporada.

Mas não era suficiente. Isaac Monteiro e Nélson Victor não chegavam para dar cobertura a uma temporada inteira. Não havendo mais soluções na equipa Sub23 que dessem garantias no imediato, sondou-se o mercado em busca de jogadores disponíveis. Os observadores do departamento de prospecção procuraram, indagaram, viram jogos e surgiram com várias sugestões. Uma delas chamou a atenção: Roberto Longo.

 

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Roberto Longo foi pouco utilizado por José Mourinho

 

O central italiano de 24 anos era treinado por José Mourinho na AS Roma, clube em que foi formado. Apesar do talento que sempre lhe foi apontado desde tenra idade, não conseguiu conquistar o agora ex-técnico português. Com o contrato a terminar nesse Verão de 2025, clube e jogador concordaram que o melhor para ambas as partes seria seguirem caminhos distintos.

Foi aí que surgiu o Amora. Agora um clube mais respeitado após a boa temporada em 2024/25, com um projecto sólido e atractivo para o futuro, o maior da Margem Sul bateu alguma concorrência e destacou-se aos olhos de Roberto Longo como uma boa opção para relançar a sua carreira - e, quem sabe, chegar à selecção principal transalpina.

Garantido o central italiano, sobrava ainda uma vaga por preencher no centro da defesa. Nenhuma das restantes alternativas apresentadas pelos observadores impressionou o exigente Frodo Zarco. Por outro lado, o treinador do Amora mantinha a situação de António Silva debaixo de olho.

O central do Benfica tinha passado um ano em cheio na Medideira. Titularíssimo no centro da defesa, a dupla feita com Isaac Monteiro foi tão imponente que o Amora terminou a temporada como a terceira melhor defesa da Primeira Liga. Esperava-se que as suas prestações fossem a rampa necessária para se assumir na equipa da Luz... mas Marcelo Gallardo não contava com ele e nenhum clube apresentou os mais de 20 milhões de euros exigidos pelo Benfica. A pedido de Frodo Zarco, o Amora sondou uma possível renovação do empréstimo, com o qual todos concordaram.

A confirmação de António Silva, a juntar à continuidade dos laterais esquerdos Lucas Silva e Tiago Louro, fechou o sector do Amora para a nova temporada. Assim nenhum clube rapinasse Tiago Louro ou Isaac Monteiro, dois elementos que eram por esta altura desejados por vários clubes.

 

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João Carlos Miguel era uma das novidades no meio-campo...

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... a par de Vítor Ferraz

 

O treino já se iniciara e fazia-se um exercício de posse entre vários elementos. Dino Leão e Martim Maia, os dois médios mais defensivos do Amora que já faziam parte do plantel, corriam atrás da bola, tentando-a recuperar à vez aos outros médios que a faziam circular com apenas um toque. Martim Watts e Papou Mendes, que apesar de jovens já tinham alguma experiência, faziam-no quase instintivamente. João Carlos Miguel e Vítor Ferraz davam o seu melhor por impressionar a equipa técnica.

Eram ambos miúdos. Com apenas dezoito anos de idade, ambos tinham impressionado na estreia pelos Sub23, sendo os eleitos por Frodo Zarco para integrarem o plantel nos lugares deixados vagos pelas saídas de Fidelis Irhene e Armando Cristóvão - o primeiro após terminar contrato, o segundo prestes a ser emprestado depois de não ter impressionado na temporada anterior.

João Carlos Miguel era um menino, mas fisicamente já era imponente. Rápido, resistente e agressivo, destacou-se nos Sub23 como um autêntico carregador de pianos da equipa, enchendo o campo graças ao enorme raio de acção que era capaz de garantir.

Já Vítor Ferraz era diferente; era, usando a infame expressão da moda, diferenciado. Dono de uma capacidade técnica fora do comum para alguém tão jovem, o menino fazia o que queria com a bola nos pés na Liga Revelação - até porque ninguém lha conseguia tirar. Tal tinha sido a magnitude das suas exibições que cedo se adivinhou a sua promoção à equipa principal. Quando Frodo Zarco a anunciou ninguém ficou propriamente surpreendido.

O treinador-adjunto Léléco, o afroastro, e o preparador Bruno Caires [esse mesmo em que estão a pensar] puxavam pelos meninos. A bola circulava rapidamente. Martim Watts, Papou Mendes, novamente Martim Watts, João Carlos Miguel, Martim Watts, Vítor Ferraz... e o miúdo com um toque subtil fez um túnel a Dino Leão, chegando a bola tranquilamente até Papou Mendes.

O grupo cercou Dino Leão e foram distribuídas palmadas amigáveis na cabeça do médio, pena prevista a quem levava um túnel naquele exercício. O também menino Dino Leão, recém-coroado campeão da Europa de Sub21 por Portugal, fugiu-lhes debaixo de um coro de risos e aplausos dos cerca de uma centena de adeptos que assistiam ao treino àquela hora da manhã.

Frodo Zarco estava descansado quanto ao meio-campo para a nova temporada. Dino Leão, Martim Maia, Papou Mendes e João Carlos Miguel podiam fazer todas as posições do triângulo intermédio habitual do Amora, enquanto Martim Watts e Vítor Ferraz ofereciam propensão ofensiva e criatividade pela zona central.

 

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Filipe Diogo era um dos principais talentos da nova geração do Amora...

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... e Diego Raposo seria a alternativa directa a Leonardo Brandão

 

Luiz Felipe e Manuel Baldé ocupavam já as suas posições para os exercícios de finalização com que se concluiria o treino daquela manhã. Os exercícios previam sequências de passes destinadas a mecanizar certos movimentos colectivos e seriam concluídos com remates em zona frontal.

Joca, Gabriel Capixaba e Jéferson continuavam na equipa depois de terem sido os destaques do Amora enquanto avançados interiores. Com eles continuava o avançado Leonardo Brandão, melhor marcador da equipa, apesar do assédio de que continuava a ser alvo por outros clubes.

No ataque surgiam duas novidades: Filipe Diogo e Diego Raposo. Ambos eram jovens e tinham passado pela equipa Sub23, mas tinham seguido caminhos distintos até lá chegar.

Filipe Diogo foi promovido directamente à equipa principal após apenas uma temporada nos Sub23. Um pouco como o médio Vítor Ferraz, impressionou na Liga Revelação com a sua velocidade, aliada à técnica apurada e à surpreendente apetência para marcar golos. O menino não fazia nada mal em campo e deixava água na boca dos adeptos em todos os campos pelos quais passava.

Já o avançado Diego Raposo vinha de uma época de empréstimo ao Farense, onde fez companhia a Manuel Baldé. Tal como o colega, foi um dos elementos em destaque na campanha dos algarvios na Segunda Liga que falharam a promoção por um ponto. Apesar dos seus 19 anos, tinha já uma maturidade fora do comum.

Este era o plantel do Amora Futebol Clube para a nova temporada 2025/26. Um plantel equilibrado e com várias soluções para enfrentar as várias frentes num ano em que o objectivo era fazer melhor em todas as competições. Frodo Zarco, em especial, acreditava num inédito apuramento para as competições europeias.

Mas não o dizia em voz alta, claro. Não queria assustar os meninos. Deixaria que espalhassem magia em campo e que se apercebessem por eles próprios que o céu era o limite para eles.

 

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A avaliação do plantel segundo Edson Léléco Baessa, o afroastro

 

 

O treino terminou e os jogadores juntaram-se no círculo central. Os adeptos levantavam-se das suas cadeiras, aguardando porém a saída dos jogadores para tentarem trocar algumas palavras. Bilbo Himura mantivera-se à margem do relvado para não incomodar o treino, sentado no banco de suplentes, mas agora aproximava-se do grupo de trabalho.

Frodo Zarco notou a seriedade no seu olhar. Estranhou.

"Malta, juntem-se, quero dar uma palavrinha."

Era o capitão Joca quem falava. Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol, esperava de mãos na cintura que se formasse uma roda em seu redor.

"Estamos a treinar há um mês e tal. Temos aqui muita miudagem, boa miudagem", disse, sorrindo para os meninos enquanto os colegas soltavam rugidos de aprovação. "Já tenho uns quantos anos de casa..."

"Mais de vinte anos, já sabemos essa bodega de trás para a frente!", interrompeu-o Gabriel Capixaba para riso geral.

"Mais de vinte anos, é verdade", continuou Joca quando os risos cessaram. "Tive dezenas... não, centenas de colegas de equipa. Posso-vos dizer com orgulho que, por aquilo que vi este mês, temos o grupo de trabalho mais talentoso com que já tive o orgulho de partilhar o balneário."

Os colegas reagiram com aprovação às palavras do capitão.

"É para mim um prazer ser o capitão desta equipa."

"Prazer tem-se na cama, oh Joca!", acrescentou uma voz não identificada, mas que Frodo Zarco tinha a certeza que não poderia ser outro que não Léléco.

"Olha aí, que temos aqui miúdos que não têm idade para essas coisas!", atalhou Joca, entrando na brincadeira. "Continuando, dizia que é um praz... uma 'honra'", e frisou bem esta palavra, "capitanear esta equipa. Vejo aqui muita qualidade e futuro. Sinto que o nosso futuro está seguro. Vamos conseguir grandes coisas."

>> "Quando se chega à minha idade em que as pernas começam a pesar e já custa correr atrás de gazelas como o Capixaba ou o Louro", continuou, "é bom saber que o futuro está assegurado. Dediquei quase toda a minha carreira ao Amora e dei tudo por este clube. Quero sair em grande enquanto não sou um estorvo."

Fez uma pausa antes de concluir.

"Este será o meu último ano no futebol."

 

 

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Fez silêncio. Um silêncio de tal forma ensurdecedor que ouvia-se à distância o chapinhar das águas da Baía do Seixal ao sabor da brisa que soprava.

Frodo Zarco demorou alguns segundos a processar o que ouvira e por fim olhou para Bilbo Himura. O amigo devolveu-lhe o olhar. Ele sabia. O sacana já sabia e era por isso que ali estava.

Os colegas reagiram com alguma estupefacção. Estavam chocados. Joca tinha 32 anos. Nada fazia prever que anunciasse o término da sua carreira tão cedo. Tantos jogadores continuam a brilhar a alto nível bem avançados na casa dos trintas...

Joca afastou as reclamações. Garantiu que fora uma decisão ponderada e era irrevogável. Aquele seria o seu último ano enquanto futebolista.

"Quero dizer", intrometeu-se Bilbo Himura, aproximando-se ainda mais da roda de jogadores, "que encontrei poucos exemplos de dedicação como a do Joca ao longo da minha carreira. É um orgulho ter-te como capitão do Amora e quero que saibas que esta será sempre a tua casa. Serás sempre bem-vindo."

Bilbo Himura aplaudiu-o e os restantes jogadores juntaram-se à ovação.

"Se é essa a tua decisão, Joca", acrescentou Frodo Zarco, "só me resta agradecer por tudo o que deste e ainda irás dar pelo Amora. Neste momento falham-me as palavras que gostaria de dizer num momento como este, apanhaste-me de surpresa e sou futebolista e treinador, não um poeta", riram-se todos, aliviando a tensão. "Cabe-nos a nós fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para fazer desta época um grande sucesso e dar ao Joca uma despedida em grande como ele merece."

Os jogadores concordaram e cumprimentaram Joca, seguindo depois para os balneários em conjunto, como uma equipa. Os elementos da equipa técnica de Frodo Zarco também foram abandonando até ficar este e Bilbo Himura no relvado, sozinhos.

"Tu já sabias disto."

"Soube hoje de manhã, ele falou comigo em privado."

"Porque não me contaste?"

"E perder a oportunidade de ver essa tua fronha feia com um ar de espanto?"

"Bilbo..." Frodo Zarco não estava com disposição para brincadeiras.

"Ele pediu-me para não o dizer a ninguém, queria ser ele a dar a notícia. Que querias que eu fizesse?"

Frodo Zarco encolheu os ombros. "Quis dar a notícia ele próprio, como um verdadeira líder", pensou.

Não podia contestar a decisão de Joca. Sairia enquanto elemento importante da equipa. Nem todos conhecem o timing certo para terminar. Ele próprio não soubera parar quando deveria, terminando a carreira em agonia quando os seus joelhos já suplicavam o final da sua carreira.

Se Joca sentia que era o momento certo, restava apoiar a sua decisão e agradecer aos deuses do futebol por lhe terem proporcionado a honra de o ter treinado.

 

 

Em spoiler deixo transferências, regens e algumas apreciações

 

 

Desta vez optei por um modelo diferente de apresentação do plantel. Dei destaque apenas às novidades da equipa, os jogadores que já faziam parte já são conhecidos de quem acompanha. De qualquer forma, se quiserem algum print de alguém é só pedir.

Como deu para perceber e procurei transmiti-lo na história, a notícia do Joca apanhou-me de surpresa. Confesso que não esperava que se retirasse tão cedo. Já tinha comentado há uns dias que ele não queria renovar, mas pensei que eventualmente mudasse de opinião.

De qualquer forma, acho que há qualidade na miudagem para assumirem o lugar dele. Desde logo o Jéferson, o Filipe Diogo também pode ser parte do futuro se evoluir como espero, e há mais uns miúdos em que tenho esperança.

Gosto do meu plantel para a nova época e quero atacar os lugares de acesso às competições europeias. A Direcção só pede um lugar a meio da tabela, mas acho que temos qualidade para mais.

 

 

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Como anunciado, foram várias as saídas de jogadores que fizeram parte da história até ao momento.

A mais dolorosa foi o Flávio Silva. O matador renascido foi o homem-golo do Amora até ao momento e acabámos por encontrar um bom clube para ele: os dinamarqueses do Midtjylland. Proporcionou ainda um bom encaixe financeiro.

O Abas Djaló foi outro que deu um bom lucro, ingressando nos austríacos do LASK Linz. Não esperava que rendesse uma soma tão elevada, mas sendo jovem e internacional pela Guiné-Bissau até faz sentido.

O Rony Fernandes prossegue a carreira no Arouca, da Segunda Liga, patamar competitivo em que será craque. Já o Juary não sei explicar bem o motivo, mas atraiu o interesse do Genk, da Bélgica. Tendo em conta a idade já não poderia render um valor elevado, quis apenas garantir que encontraria um bom clube para ele.

Os restantes jogadores que saíram foi por terminarem contrato, jogadores com quem não contava. Mais uma vez, o Genk decidiu vir cá às compras e levou o Diogo Aqueu, o que muito me surpreendeu.

 

 

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O Armando Cristóvão não me convenceu nesta época que terminou, mas continuo a acreditar que tem potencial. O IFK apresentou uma proposta para o levar por empréstimo e parece-me uma boa oportunidade. A mesma coisa para o João Gonçalinho, que vai para a Bulgária.

Coloquei seis jogadores no nosso clube parceiro de Santarém. São jovens que já fizeram um ano nos Sub23, mas que não estão no nível de subir à equipa principal.

Restam-me sete jogadores que quero emprestar, mas que queria metê-los num patamar competitivo superior à Liga 3. São jovens que me parecem mais promissores, mas que à data desta atualização (início de Agosto) ainda não encontrei colocação para eles. Em último caso posso emprestá-los ao Santarém ou mantê-los nos Sub23, mas ainda tenho esperança de não ser necessário.

Darei novidades em futuras actualizações.

 

 

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Marcos Jaime

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Cristiano Bernardino

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Silvério Teixeira

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Paulo Cameirão

 

 

Por fim, os novos meninos da formação.

Como disse anteriormente, deixei de contratar jovens a outras equipas. A partir daqui, valho-me dos regens que o jogo me der. Desta nova fornada, o Paulo Cameirão parece especialmente interessante, o Marcos Jaime também é promissor e o Silvério Teixeira talvez possa dar qualquer coisa.

 

 

Editado por Black Hawk
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Com o aumentar da reputação do clube e as novas instalações, é normal aumentar também o interesse no clube. Cabe agora ao Frodo adaptar-se a este novo ambiente. Curioso ver o Mourinho reformar-se sem treinar a seleção e o Mancini deixar o lugar vago no Porto, por momentos ainda pensei que houvesse interesse em treinar os dragões. Agora que o plantel está apetrechado à maneira do Mister, é tentar ter uma época tranquila.

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Interessantes reforços  e com as subidas de reputação e de qualidade do clube, é normal que estes reforços comecem a ser ainda melhor. 

Já foi o Mourinho ? Reformou-se cedo.

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Citação de cadete, Em 04/06/2022 at 10:02:

Com o aumentar da reputação do clube e as novas instalações, é normal aumentar também o interesse no clube. Cabe agora ao Frodo adaptar-se a este novo ambiente. Curioso ver o Mourinho reformar-se sem treinar a seleção e o Mancini deixar o lugar vago no Porto, por momentos ainda pensei que houvesse interesse em treinar os dragões. Agora que o plantel está apetrechado à maneira do Mister, é tentar ter uma época tranquila.

Interesse meu em treinar o Porto? Nah! 😁

Citação de Banks29, Em 04/06/2022 at 18:16:

Interessantes reforços  e com as subidas de reputação e de qualidade do clube, é normal que estes reforços comecem a ser ainda melhor. 

Já foi o Mourinho ? Reformou-se cedo.

Os treinadores reformam-se cedo na versão Mobile. Já o Fernando Santos e o Jorge Jesus também se reformaram. E estão a começar a aparecer ex-jogadores como treinadores.

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Capítulo XXXIII - O jogo de xadrez

 

"Bem-vindos à Medideira."

Bilbo Himura saiu das instalações do estádio, acompanhado pelo presidente do Amora e alguns dirigentes, na direcção da comitiva que acabava de chegar. Dirigiu-se de mão estendida ao indivíduo que a liderava. Alto e esguio, impecavelmente vestido com um fato por certo dispendioso e com uma gravata verde, de óculos escuros e cabelo rapado, o indivíduo apertou-lhe a mão. Sorriu-lhe.

"Boa tarde, Bilbo. É um gosto voltar a esta casa."

Distribuíram-se cumprimentos entre os elementos das duas comitivas sob o olhar curioso dos adeptos que já andavam pelo Complexo da Medideira àquela hora. Faltavam ainda várias horas para o começo do jogo, mas já havia apoiantes de ambas as equipas a rondar pelas zonas envolventes do estádio. A maioria estava, porém, do outro lado do recinto, no parque ribeirinho e na zona de restauração, pelo que as duas comitivas apenas eram solicitadas por um ou outro grupo de adeptos e pelas máquinas fotográficas dos jornalistas presentes.

"Espero que tenham feito boa viagem. Venham, não fiquemos aqui", convidou Bilbo. "Vamos entrando, organizámos uma visita para conhecerem o novo estádio e depois vamos jantar antes do jogo."

"Gosto do que fizeram com a Medideira", comentou Frederico Varandas, olhando em volta enquanto entravam no átrio da entrada do estádio. Fizeram um óptimo trabalho com a requalificação do estádio."

"Ainda não viste nada, Fred. Isto é basicamente um estádio novo. Não é Alvalade", riu-se Bilbo, "mas estamos muito orgulhosos da nossa nova casa.

"E devem estar. Passei por cá muitos anos e a diferença é assombrosa. É um orgulho para nós sermos o primeiro 'grande' a jogar aqui... pena que vocês tenham de perder na vossa estreia em jogos grandes contra nós" acrescentou maliciosamente o presidente do Sporting.

Bilbo riu-se.

"Antes de mais, o primeiro grande que aqui jogou foi o Amora", corrigiu Bilbo, piscando-lhe o olho. "Depois, talvez tenham uma surpresa mais logo..."

Bilbo Himura e Frederico Varandas eram velhos conhecidos e a cumplicidade entre os dois era evidente.

 

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A Medideira recebia o primeiro dos três grandes após a requalificação de que fora alvo

 

Era dia de jogo, como anunciava a célebre música de apoio das claques do Sporting. Mais: era dia de jogo grande. O Amora recebia o Sporting a contar para a 8ª jornada da Primeira Liga, naquele que era, de facto, a primeira visita de um dos três grandes do futebol português à nova Medideira. A partida era aguardada com enorme ansiedade pelos adeptos do Amora. Os ingressos foram disponibilizados nas bilheteiras e desapareceram em poucas horas. Ninguém queria perder aquele momento.

A expectativa era justificada. O Amora, depois de alcançar a melhor classificação da sua história na Primeira Liga no seu regresso após mais de quatro décadas de ausência, era a equipa sensação até ao momento. Não obstante a juventude do plantel e o reduzido orçamento, provavelmente o mais baixo das dezoito equipas em competição, o maior da Margem Sul surgia nesta fase madrugadora da temporada infiltrado entre os grandes do futebol português, deixando críticos e adeptos em geral sem palavras.

A surpresa era justificada e não apenas pelos resultados alcançados. O Amora de 2024/25, que terminara em 9° lugar, era aquilo a que se chama na gíria futebolística uma equipa chatinha. Sólido defensivamente e atacando pela certa, o Amora de Frodo Zarco ficou conhecido como a equipa dos empates - epíteto mais do que justificado pelos vinte e um empates alcançados em trinta e quatro jogos. Foi uma equipa que sofria poucos golos, mas que também poucas vezes fazia balançar as redes alheias.

Na nova temporada 2025/26, porém, o Amora explodiu. A equipa mantinha a sua coesão defensiva, mas cresceu ofensivamente ao ponto de ser o melhor ataque da Primeira Liga à 7ª jornada. O trio de ataque Joca/Gabriel Capixaba/Leonardo Brandão jogava quase de olhos fechados, trocando as voltas às defesas adversárias com as suas movimentações sem bola, apoiados pela posse segura da dupla Martim Watts/Papou Mendes no meio-campo e frequentemente abastecida por Odailson e Tiago Louro, os quais davam profundidade com as suas progressões ao longo das linhas laterais. Outros nomes, com especial destaque para o avançado interior Jéferson e o ponta-de-lança Diego Raposo, iam rodando e contribuindo para o sucesso ofensivo da equipa.

Com efeito, o Amora chegava à 8ª jornada, em que recebia o Sporting, com uma série de seis jogos sem perder, apenas por duas vezes marcando menos de dois golos.

 

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Uma sequência de seis jogos sem perder permitiu ao Amora intrometer-se inesperadamente entre os primeiros lugares...

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... gerando dúvidas entre os comentadores sobre até onde poderia chegar este Amora

 

Se este era o cenário em vésperas da recepção ao Sporting para a 8ª jornada, ninguém que assistiu à primeira meia-hora da nova temporada adivinharia que tal fosse possível. Com efeito, o Amora deslocou-se ao Bessa para a jornada inaugural da temporada 2025/26 e, passados trinta minutos, era goleado pelo Boavista de Ricardo Sá Pinto por copiosos três golos sem resposta.

Um antigo treinador de Bilbo Himura dizia com frequência que é nas adversidades que se distinguem os jogadores bons dos bons jogadores. Se a premissa era essa, os seus mostraram a fibra de que era feitos ainda no Bessa, recuperando a desvantagem de três golos para a margem mínima e apenas um punhado de boas intervenções do guarda-redes boavisteiro Mamardashvili impediu uma recuperação épica do maior da Margem Sul .

As dúvidas legítimas sobre qual a versão do Amora seria a verdadeira - a da primeira meia-hora do Bessa ou a dos sessenta minutos seguintes - foram respondidas na semana seguinte. O Amora estreou a nova Medideira em jogos oficiais na recepção ao Marítimo com um atropelamento aos madeirenses, que regressaram à Pérola do Atlântico sem sequer saber a matrícula do que os atingiu. Com uma série de jogadas de envolvimento colectivo ofensivo, o Amora construiu uma goleada histórica: a maior desde que Frodo Zarco assumiu o comando da equipa e também o resultado mais dilatado do Amora na Primeira Liga em toda a sua história.

 

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O segundo golo do Amora na goleada ao Marítimo, da autoria do médio Papou Mendes, demonstrativo de um bom movimento ofensivo que envolveu os três sectores: Tiago Louro (defesa), Joca (ataque) e o próprio Papou Mendes (médio)

 

Com o embalo da goleada, o Amora partiu para o resto de Agosto e a maioria de Setembro com uma série de bons resultados. A equipa manteve o nível defensivo da época passada, com cerca de um golo sofrido por jogo, mas aumentou a sua produção ofensiva. O maior número de golos marcados permitiu transformar alguns dos empates habituais da época anterior em vitórias e o Amora chegava ao jogo contra o Sporting a bater-se quase de igual contra os grandes na classificação.

 

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Gabriel Capixaba marcou o decisivo golo da vitória sobre o Estoril num portentoso pontapé de livre directo...

 

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... e Diego Raposo aproveitou uma oferta do guarda-redes Mika para garantir mais três pontos no confronto contra a Belenenses SAD

 

As bancadas azuis da Medideira iam ganhando vida à medida que se aproximava a hora prevista para o início do jogo. Foi feita uma campanha de sensibilização antes do jogo com o intuito de evitar ao máximo a presença de adeptos do Sporting na bancada central, instando-os a ocuparem lugar na bancada atrás da baliza norte. Como resultado, havia uma clara mancha verde nesse sector que destoava do azul maioritário no resto do estádio - embora, ainda assim, fossem visíveis alguns pontos verdes misturados no oceano de azul.

Nas primeiras filas, um grupo de crianças animadas iam dando espectáculo. "Supermágico Amooooora", gritavam nas suas vozes agudas, contagiando outros em seu redor. A distribuição de bilhetes por crianças e adolescentes das escolas da região continuava a ser prática habitual. Não era um acto inocente - a ideia era habituá-los a irem à Medideira e, dessa forma, fidelizá-los ao Amora a longo prazo. A sua presença era habitualmente notada e dava um ar de jovialidade às bancadas, num cenário pouco habitual noutros recintos desportivos.

"Não é apenas em campo que vocês têm miudagem", gracejou Frederico Varandas ao chegar ao camarote, olhando para a origem dos cânticos.

Bilbo Himura respondeu-lhe algo que o fez rir. Os dois sentaram-se lado a lado num dos camarotes VIP da bancada central, aguardando a entrada das equipas em campo. A música propagada pela instalação sonora foi interrompida subitamente e começaram a soar os acordes iniciais da Marcha da Amora. Ambos se levantaram e, com eles, o resto dos mais de catorze mil adeptos, quase quinze mil, que ocupavam totalmente a lotada Medideira.

 

"Amora, tu és Rainha,

O rio beija teus pés!

P'ra sempre tu serás minha,

Adoro-te como és!"

 

"Sporting!

Sporting!"

 

O ruído não permitia qualquer conversa naquele período. As equipas entravam em campo, ordenadas atrás da equipa de arbitragem. Nas bancadas erguiam-se cartolinas azuis, previamente deixadas com esse intuito, oferecendo uma bonita coreografia às câmaras televisivas da DesportoTV.

O espectáculo estava lançado. Era hora de os principais intervenientes assumirem o protagonismo.

 

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Onzes iniciais de Amora e Sporting

 

Os protagonistas não entraram em campo com o mesmo entusiasmo dos adeptos.

Embora fosse por esta altura o melhor ataque da Primeira Liga, o Amora não abandonara a sua matriz mais calculista. Privilegiando a posse de bola e a solidez da sua estrutura, não era habitual ver os azuis da Margem Sul a partirem para um ataque desenfreado à baliza adversária. Já o Sporting, as estatísticas falavam por si: em seis jogos (tinham um em atraso), a formação de Ronald Koeman tinha seis golos marcados e apenas um sofrido. O primeiro quarto de hora foi jogador a baixo ritmo, as equipas estudando-se mutuamente, não arriscando expor-se em demasia.

Como tantas vezes acontece neste estilo de jogos, a acção surgiu inesperadamente sem que algo o fizesse prever.

O Amora trocava a bola na sua zona central. Martim Watts, sob pressão, variou rapidamente o flanco de jogo para a esquerda, encontrando Tiago Louro. O lateral esquerdo lançou na profundidade para Joca. Pressionado nas costas por Le Normand, Joca fez uma finta de corpo que lhe permitiu vencer a batalha dos capitães - Joca e Le Normand eram os capitães das duas equipas -, ganhar a linha de fundo e cruzar para a pequena área.

O lance foi tão rápido que apanhou todos desprevenidos, desde adeptos a jogadores - mas não Leonardo Brandão. O cavaleiro da Medideira antecipou-se à marcação e desferiu uma golpada com a testa, fazendo a bola entrar no ângulo superior esquerdo da baliza do desamparado Egribayat.

A Medideira irrompeu em celebrações. Os dez jogadores de campo precipitaram-se na direcção de Leonardo Brandão, que celebrava junto aos adeptos na bandeirola de canto, sob o olhar próximo dos sportinguistas na bancada norte. Bilbo Himura fez um esforço sobrehumano para não celebrar efusivamente no camarote, mantendo algum decoro na presença da comitiva leonina. Apenas não conseguiu evitar erguer um punho cerrado. Frederico Varandas não reagiu de todo.

 

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Leonardo Brandão deu a vantagem ao Amora

 

O golo desbloqueou o jogo. O Sporting libertou-se das suas amarras e partiu em busca do empate, o que paradoxalmente deixava espaço para o Amora sair rapidamente a partir de trás. No meio deste período de anarquia, com imensas perdas de bola de parte a parte, foi o Sporting quem aproveitou.

O Amora tentou sair a jogar curto entre os seus elementos mais recuados. A troca de bola acabou interceptada por Matheus Nunes e o internacional português não perdeu tempo em isolar Tiago Tomás. Na cara de Luiz Felipe, o goleador leonino atirou fora do seu alcance e restabeleceu a igualdade no marcador.

Há erros que não se podem cometer quando se enfrenta o bicampeão nacional, ainda para mais quando este é uma equipa tão cínica no momento da finalização.

O golo do Sporting teve o condão de restabelecer o ritmo baixo na partida. O que até servia o Amora, interessado em meter gelo para anular a diferença na qualidade individual dos intérpretes, mas resultou em mais um período pouco interessante de troca de bola inócua, muitos duelos individuais na zona central e pouca fluência ofensiva.

Só mesmo um lance individual poderia desbloquear o jogo.

 

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Estava reposta a vantagem no marcador.

Leonardo Brandão correu em celebração para a bandeirola de canto mais próxima, sem se dar conta que ali estava de frente para as claques do Sporting - que reagiram, insultando-o. Tiago Louro foi o último a chegar à roda e foi saudado efusivamente pelos colegas. Era ele a grande estrela daquele lance. Fazendo uso da sua velocidade, o lateral ultrapassou dos adversários, criando o desequilíbrio e permitindo a Leonardo Brandão, no meio de uma carambola com o central Tomás Ribeiro, finalizar com sucesso.

Bilbo Himura, desta vez, sorriu maliciosamente para Frederico Varandas. Tiago Louro interessava publicamente ao Sporting, que já por diversas vezes enviara observadores a jogos do Amora para avaliar o jovem lateral internacional Sub21. Inclusivé, durante o jantar antes do jogo, o tema "Tiago Louro" foi abordado sucintamente, tendo o presidente do Sporting sondado a disponibilidade do Amora para a negociação do seu passe.

Depois daquela primeira parte, Tiago Louro talvez tivesse passado a ser prioridade para o bicampeão nacional.

 

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Tiago Louro era desejo antigo do Sporting

 

O intervalo chegou sem novidades após o segundo golo de Leonardo Brandão.

O jogo não teve propriamente motivos de interesse para o espectador ocasional aparte os três golos marcados, havendo a contabilizar apenas cinco remates no total entre as duas equipas. Para os treinadores e apaixonados pela vertente táctica do jogo, porém, foram quarenta e cinco minutos bem disputados, quase como uma partida de xadrez em que cada movimentação é pensada com vários lances de antecedência, antecipando-se potenciais consequências e possibilidades.

 

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As estatísticas ao intervalo atestavam o equilíbrio no terreno de jogo

 

A segunda parte, pasme-se, seguiu a mesma linha do primeiro tempo.

O Sporting tinha a obrigação de pegar no jogo e ir em busca do empate e até algo mais. Tratava-se do bicampeão nacional e declarado candidato ao título, cujo estatuto obrigava a vencer um adversário modesto como o Amora... mas a matriz de jogo do Sporting era demasiado semelhante à do Amora. Não sendo uma equipa montada para sufocar o seu adversário com vagas ininterruptas de ataques, os leões, mais talhados para explorar os espaços em transições rápidas, sofriam perante a bem organizada estrutura amorense.

Não é que o Amora tivesse recuado para a sua defesa. Não, o Amora continuava a procurar ter a bola em sua posse; simplesmente arriscava menos do que antes, se é que isso fosse possível, não se expondo em nenhum momento. Odailson e Tiago Louro deixaram de avançar tanto, Papou Mendes e Martim Watts continham-se mais nas suas acções.

Como o fizera noutros jogos contra os grandes, o Amora baixava o ritmo de jogo propositadamente, entoando uma cantiga de embalar destinada a adormecer o seu adversário. Frodo Zarco evitou mexer na estrutura da sua equipa, limitando-se a trocar as peças do seu tabuleiro de xadrez. Martim Watts saiu, dando o seu lugar a Martim Maia para dar maior consistência na disputa de duelos individuais, evitando a saída do Sporting no contra-ataque. Joca deu o seu lugar a Jéferson, que entrou para dar velocidade ao ataque e com instrucções para acompanhar as subidas do ala adversário. O jovem João Carlos Miguel entrou, estreando-se em jogos contra grandes, quando Papou Mendes começou a denotar fadiga física.

Havia nervosismo na bancada: os amorenses sentiam a proximidade da vitória, a primeira contra um grande para a Primeira Liga em mais de quatro décadas, e temiam perdê-la; os sportinguistas viam o tempo esgotar-se e a proximidade da primeira derrota da temporada, ficando mais frustrados a cada lance infrutífero e soltando impropérios.

No camarote VIP, o nervosismo era mais contido, mantendo Bilbo Himura e Frederico Varandas uma postura diplomática que os fazia parecer quase indiferentes aos acontecimentos, mas os sinais eram visíveis ao olhar mais atento: Frederico Varandas cruzava e descruzava as pernas, ocasionalmente desbloqueando o ecrã do seu smartphone; Bilbo Himura tamborilava com os dedos no seu próprio joelho, agarrando-se ao corrimão de metal da protecção à sua frente cada vez que o Sporting se aproximava da área de Luiz Felipe.

O marcador no novo ecrã gigante da Medideira atingiu o minuto 90. O quarto árbitro levantou uma placa electrónica com o número quatro estampado a vermelho. Era o tempo de compensação dado pelo árbitro. O tempo que separava o Amora da vitória frente ao Sporting.

O Sporting carregava agora com mais intensidade. O burburinho das bancadas não impediam Bilbo Himura de ouvir os gritos de Frodo Zarco no relvado. Observou o amigo enquanto este corria ao longo da linha, já distante da sua área técnica, proferindo abertamente a sua revolta com a postura dos seus jogadores ao recuarem quase para dentro da sua própria grande área naqueles momentos finais do jogo.

E quem os poderia censurar? Estavam a sentir a pressão do momento.... mas o que é certo é que estavam a dar a possibilidade de o Sporting despejar bolas na área, colocando diversos elementos à procura de qualquer abertura para restabelecer o empate.

E de repente...

 

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... as emoções estavam à flor da pele das quinze mil almas que enchiam a Medideira de vida.

O golo gerou um sonoro rugido dos leões que ocupavam a bancada norte, logo atrás da baliza em que Tiago Tomás restabelecera a igualdade. Os jogadores do Amora rodearam logo o árbitro Carlos Macedo, pedindo fora-de-jogo, tentando este acalmá-los apontando para o intercomunicador na sua orelha.

A decisão do VAR demorou apenas trinta segundos, mas pareceu uma eternidade. Quando o árbitro se afastou para ouvir o que lhe era dito desde a Cidade do Futebol e retornou para levantar um braço, confirmando o fora-de-jogo, a Medideira ex-plo-diu. Pessoas abraçavam-se nas bancadas, saltando como loucas, bandeiras eram brandidas com vigor e cachecóis começaram a rodar em movimentos circulares por novos e velhos, homens, mulheres e crianças.

O árbitro não demorou muito mais a dar por concluído o encontro. Logo após o apito final, foguetes foram lançados algures nas imediações do estádio, reforçando as celebrações dos adeptos dentro do estádio.

O Amora vencia, por fim, um grande para a Primeira Liga, mais de quatro décadas depois da última vez que tal tinha acontecido.

 

 

A vitória sobre o Sporting fez as delícias dos adeptos rivais e seria, sem surpresas, manchete dos vários meios de comunicação social no dia seguinte.

Permitia ainda ao Amora escalar a um improvável 2° lugar na classificação, dando seguimento à sequência de bons resultados alcançados no arranque da nova temporada - embora tanto Benfica como Sporting pudessem ultrapassar o Amora se vencessem os jogos que tinham em atraso.

 

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O Amora era 2° classificado à condição...

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... perseguindo o líder Porto, agora sob a liderança do estreante Toni Kroos

 

Frodo Zarco bem procurava meter água na fervura, mas o entusiasmo dos adeptos era imparável. Havia até quem acreditasse já numa possível luta a quatro pelo título. Entre o grupo de trabalho, porém, as expectativas eram mais modestas. Seria uma longa temporada, haveria bons e maus momentos, mas não dava para fazer previsões a tão longo prazo.

Citando a célebre afirmação de Ruben Amorim, num já distante ano de 2021, o Amora iria viver "jogo a jogo".

 

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Frodo Zarco tentava manter a racionalidade apesar da euforia entre os amorenses

 

Bilbo Himura encaminhou Frederico Varandas para fora do camarote VIP e em direcção à saída da Medideira. Visivelmente satisfeito, por oposição à expressão mais fechada do presidente do Sporting, ofereceu-lhe uma camisola do Amora personalizada e aceitou o convite para visitar formalmente Alvalade no próximo desafio entre as duas equipas.

E a verdade é que não faltaria muito para os dois emblemas voltarem a enfrentar-se.

 

Em spoiler, prints e considerações sobre os restantes jogos e os empréstimos de jogadores jovens

 

Antes de mais, e porque o tinha prometido, sobre os empréstimos... acabei por não conseguir colocar as minhas jovens promessas num patamar superior ao da Liga 3. Assim sendo, enviei-os para Santarém, onde jogarão pelo nosso clube parceiro da Liga 3, e mandei retornar alguns dos que tinha enviado anteriormente para não termos mais do que um jogador por posição.

No final da temporada vou terminar a parceria com eles para tentar acordo com uma equipa da Segunda Liga.

Antes de passar aos jogos do Amora, só realçar que o Benfica venceu a Supertaça ao Sporting.

 

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Como dá para perceber, o Benfica reforçou-se bem. Entre a lista de reforços está Anthony Martial, que é uma besta para o nível da Primeira Liga.

Numa próxima actualização abordarei esse tema, se tal se justificar.

 

 

A estreia na Primeira Liga foi terrível. Aos 32 minutos perdíamos 3-0. O resultado, embora surgido de dois remates de longe e uma penalidade num contra-ataque a um canto nosso, acaba por expressar o que foram os primeiros trinta minutos: tínhamos zero remates e pouco mais de 30% de posse de bola.

Reagimos e fizemos o suficiente para empatar, mas o guarda-redes deles sacou três paradas impressionantes na fase final que o evitou.

 

 

Exigia-se uma resposta à entrada em falso no Bessa e, bem, a equipa esmerou-se. Nem há muito a dizer, basta ver as estatísticas do jogo.

 

 

Este foi um daqueles empates que doem. A ganhar desde o início do jogo, dominámos largamente (61% de posse de bola), não demos espaços, o Penafiel fez um remate de longe em todo o jogo. Já a terminar fizeram um segundo remate, uma charutada do Danilo Pereira (sim, esse mesmo) a 30 metros da baliza que lhes deu o empate.

 

 

Regresso à Medideira e nova vitória, que surgiu naturalmente face ao que foi o jogo. O Gabriel Capixaba marcou um golaço de livre directo (cujo vídeo deixei no capítulo) e o golo sofrido no final ainda deu algum nervosismo, mas não afectou a vitória.

 

 

No Jamor, a Belenenses SAD acabou por dar mais trabalho do que esperava dado que estão a fazer um mau campeonato. A unidade de potência, Martim Watts de seu nome, marcou cedo, mas o jogo esteve sempre no limbo, poderia ter caído um golo para qualquer lado.

Acabou por cair para nós num lance caricato, uma oferta do guarda-redes Mika (cujo vídeo deixei no capítulo) que permitiu ao Diego Raposo, que por essa altura já tinha substituído um desinspirado Leonardo Brandão, marcar o seu segundo golo no campeonato.

 

 

O Famalicão está a anos-luz do que fez no ano passado, acusaram a saída do Sérgio Conceição para Guimarães. Ainda assim, roubaram-nos dois pontos graças a um bom remate do Ivo Rodrigues já na segunda parte. O resultado acabou por ser justo.

 

 

A recepção à primodivisionária Académica, de regresso ao convívio dos grandes depois de quase uma década de ausência, pareceu-me o jogo ideal para rodar quase toda a equipa e dar oportunidades aos jovens do plantel - e por motivos de que falarei no próximo capítulo.

Assim, malta como o lateral Simão Rosete, o central Nélson Victor, os médios João Carlos Miguel e Vítor Ferraz e os avançados Filipe Diogo e Diego Raposo foram titulares.

A miudagem fez uma óptima exibição, chegámos a uma vantagem segura ainda na primeira parte com mais dois golos do Diego Raposo, que nesta altura demonstra ser uma alternativa muito válida ao Diego Raposo.

Infelizmente, tanto ele como o Filipe Diogo lesionaram-se, embora sem gravidade. O Diego Raposo ficou dez dias de fora, falhando a recepção ao Sporting, o Filipe Diogo nem lesionado esteve, foi mais fadiga muscular do que outra coisa.

 

 

Por fim, a vitória sobre o Sporting, a qual foi o destaque do capítulo.

Editado por Black Hawk
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Excelente arranque de temporada mas ainda é o inicio, a equipa se mantiver esta forma de certeza que irá lutar pelo título. 

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Que início muito forte mesmo, com destaque para essa vitória contra os Leões. Antes, já havias humilhado o meu Marítimo (shame on you). Achas que conseguirás manter o ritmo e disputar o título com o FCP?

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Falando do plantel, o Balde ainda é jovem e poderá ser uma boa alternativa ao guarda-redes brasileiro!

Na defesa, penso que consegues juntar um quarteto muito equilibrado! Acho que vais ter boas dores de cabeça. Independentemente de quem jogar, estarás bem servido e daqui a uns anos vamos ver o Nélson Victor como capitão!

O meio campo parece-me ser o sector mais estável e onde era necessário apenas trazer alguma soluções e usaste os jovens nesse sentido. (Que é o objetivo do save). Quando li Bruno Caires remeteu-me para o velhinho cm 01/02 😅

E na frente... muita qualidade / potencial! Temos já com créditos firmados Capixaba, Jeferson, o capitão Joca, Brandão e agora dois miúdos de quem se espera muito!

Quem será a estrela desta época? O capitão diz e bem, o futuro está assegurado!

E quanto à nova fornada....temos, como dizes, Jaime e Cameirão "à cabeça"!

Começaram os jogos oficiais e já dá para ver algumas diferenças! O Amora quer controlar o jogo, a equipa aparece mais lançada para a frente e isso também se revê nas estatísticas de alguns jogos. Tudo isso levou a uma grande entrada, onde se destaca um bom resultado perante o Sporting e a goleada ao Maritimo!

Acabaram por pagar caro a má entrada diante do Boavista e fica atravessado aquele empate em Penafiel!

Agora vamos aguardar para ver se a equipa consegue manter o nível ou se aparecem aquelas sequências de empates 😅 Mas tou a ver que o nível está alto na liga. Esse Benfica 😬

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A base do sucesso tem sido a estabilidade que tu dás aos jogadores e ao plantel. Os jogadores já se conhecem e tens uma base de trabalho muito sustentável, humilde e em que os jogadores dão o melhor em prole do clube. Tens jogadores que já são parte da mobília e que estiveram nas várias etapas de crescimento do clube, desde a velhinha Medideira até este novo Estádio dos "novos ricos" da Margem Sul.

A entrada na época desportiva não foi boa e o Sá Pinto pôs-te a dançar a 3 tempos em 30 minutos de jogo no Bessa. A equipa reagiu ainda aí e a verdade é que podia e merecia ter pontuado. Não reagiu aí? Reagiu de seguida! Excelentes resultados averbados e que culminaram com uma excelentíssima vitória perante o Sporting (2x1) em que estreaste o estádio em jogos grandes e conseguiste calar o "Fred" que já vinha de papo cheio a pensar que eram favas contadas.

Sinto que podes qualificar-te para as competições europeias 😉 E tu? O que sentes?

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Citação de Banks29, há 11 horas:

Excelente arranque de temporada mas ainda é o inicio, a equipa se mantiver esta forma de certeza que irá lutar pelo título. 

 

Citação de cadete, há 10 horas:

Que início muito forte mesmo, com destaque para essa vitória contra os Leões. Antes, já havias humilhado o meu Marítimo (shame on you). Achas que conseguirás manter o ritmo e disputar o título com o FCP?

Respondendo a ambos, julgo que não. Ainda não estamos nesse patamar. Principalmente se o Porto (ou os outros grandes, ainda vai tudo muito próximo na classificação) começarem a estabilizar os resultados. Nós havemos de passar por momentos mais tremidos, é natural num plantel jovem ainda em evolução.

Diria, porém, que vou mais pela linha da resposta ao próximo quote...

Citação de Martini Branco, há 8 horas:

A base do sucesso tem sido a estabilidade que tu dás aos jogadores e ao plantel. Os jogadores já se conhecem e tens uma base de trabalho muito sustentável, humilde e em que os jogadores dão o melhor em prole do clube. Tens jogadores que já são parte da mobília e que estiveram nas várias etapas de crescimento do clube, desde a velhinha Medideira até este novo Estádio dos "novos ricos" da Margem Sul.

A entrada na época desportiva não foi boa e o Sá Pinto pôs-te a dançar a 3 tempos em 30 minutos de jogo no Bessa. A equipa reagiu ainda aí e a verdade é que podia e merecia ter pontuado. Não reagiu aí? Reagiu de seguida! Excelentes resultados averbados e que culminaram com uma excelentíssima vitória perante o Sporting (2x1) em que estreaste o estádio em jogos grandes e conseguiste calar o "Fred" que já vinha de papo cheio a pensar que eram favas contadas.

Sinto que podes qualificar-te para as competições europeias 😉 E tu? O que sentes?

... é por aqui, sim. Nisto eu acredito. O Braga começou muito mal a época, nem aparece na metade superior da tabela, o que abre mais uma vaga para a luta nas competições europeias. Ainda vai tudo muito junto na classificação, as diferenças são pequenas, mas imagino Amora a lutar com Vitória e Boavista pelos lugares entre 4° e 6°. Sinto que já estamos nesse patamar.

E se algum grande claudicar em algum momento, talvez dê para arriscar mais qualquer coisa, mas por esta altura não me parece provável.

Mas sei lá, na primeira época também não contava ganhar a Liga 3 e na terceira não contava sacar o título da Segunda Liga. Aliás, os resultados têm sido assim: uma época de superação, outra de consolidação, a seguinte de superação, outra de consolidação. Esta é a quinta época, se seguir o mesmo critério será de superação. Vamos ver 😁

Citação de Kluivert, há 10 horas:

Falando do plantel, o Balde ainda é jovem e poderá ser uma boa alternativa ao guarda-redes brasileiro!

Na defesa, penso que consegues juntar um quarteto muito equilibrado! Acho que vais ter boas dores de cabeça. Independentemente de quem jogar, estarás bem servido e daqui a uns anos vamos ver o Nélson Victor como capitão!

O meio campo parece-me ser o sector mais estável e onde era necessário apenas trazer alguma soluções e usaste os jovens nesse sentido. (Que é o objetivo do save). Quando li Bruno Caires remeteu-me para o velhinho cm 01/02 😅

E na frente... muita qualidade / potencial! Temos já com créditos firmados Capixaba, Jeferson, o capitão Joca, Brandão e agora dois miúdos de quem se espera muito!

Quem será a estrela desta época? O capitão diz e bem, o futuro está assegurado!

E quanto à nova fornada....temos, como dizes, Jaime e Cameirão "à cabeça"!

Começaram os jogos oficiais e já dá para ver algumas diferenças! O Amora quer controlar o jogo, a equipa aparece mais lançada para a frente e isso também se revê nas estatísticas de alguns jogos. Tudo isso levou a uma grande entrada, onde se destaca um bom resultado perante o Sporting e a goleada ao Maritimo!

Acabaram por pagar caro a má entrada diante do Boavista e fica atravessado aquele empate em Penafiel!

Agora vamos aguardar para ver se a equipa consegue manter o nível ou se aparecem aquelas sequências de empates 😅 Mas tou a ver que o nível está alto na liga. Esse Benfica 😬

O Baldé está a ser o guarda-redes das Taças. Ainda não falei delas, mas também já joguei para a da Liga e a de Portugal. Deve ser no próximo capítulo. Até ver, está a dar conta do recado. Se calhar até podia ser titular e nem notaria a diferença, mas o Luiz Felipe, por enquanto, tem estado impecável.

Os meninos também se estão a dar bem. Coisa curiosa, todos eles, desde o início do save, demoraram a destacar-se. Independentemente de atributos mais ou menos elevados, parece haver uma curva de crescimento que todos eles seguem: primeiro mais reservados em campo, quase nem se dando por eles além de um ou outro apontamento de classe, depois vão começando a interagir mais e surge um click de repente em que começam a ser influentes.

Já foi assim com o Papou Mendes, com o Martim Watts, o Isaac Monteiro, o Tiago Louro, o Dino Leão, o Jéferson e o Leonardo Brandão. Parece-me demasiada coincidência para ser... bem, coincidência lol. Notaste o mesmo no teu save? Será transversal aos FMs? É que me parece bem realista, os putos na realidade também não chegam aos seniores e rebentam com tudo logo nos primeiros jogos.

Não me fales em sequências de empates. Ainda tenho pesadelos com os vinte e tal do ano passado. Nunca tinha visto nada assim... Quero é ganhar jogos. Nem me importo de perder mais, desde que também ganhe mais. Estou é farto de empates.

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Capítulo XXXIV - O carácter cíclico da História

 

"Malta, no ano passado não perder aqui era uma opção. Este ano não é. Já não somos os 'garotinhos' de há um ano. Isto é para 'ganhar'."

Deu especial ênfase ao verbo ganhar para que a mensagem lhes entrasse nos ouvidos. Os jogadores escutavam-no em silêncio. Não saberia dizer se a mensagem estava a ser bem acolhida, mas pouco lhe importava; eles tinham de a ouvir.

É um cliché dizer-se que a História repete-se. Para muitos intelectuais, os acontecimentos do passado têm tendência a repetir-se em ciclos, numa sucessão de acontecimentos que, embora únicos, reflectem regressões a outros períodos históricos, gerando comparações com o passado. Para os defensores destas teorias, a História não avança de forma linear, mas antes repete-se em sequências semelhantes. Um pouco como a trajectória de um planeta em torno do Sol que, avançando sempre na sua viagem, retorna sempre eventualmente ao mesmo ponto.

Frodo Zarco não tinha competências para saber se isso era verdade. Ele era treinador de futebol, não historiador. No entanto, não podia deixar de notar o quão semelhante era a situação da sua equipa naquele momento em comparação com aquela em que estivera há praticamente um ano.

Talvez a História se repetisse mesmo. Não o saberia dizer, mas também não lhe importava. O que procurava era uma resposta da sua equipa para alcançar um resultado diferente naquela noite, e por isso fez algo que não lhe era habitual: exigiu aos seus jogadores uma vitória. Logo ele, que tantas vezes no passado desvalorizou o resultado, exigindo aos seus homens apenas compromisso e entrega.

Os jogadores regressaram ao relvado para disputar a segunda parte sob o seu olhar atento. Dependiam apenas deles próprios para alcançar novo apuramento para a Final Four da Taça da Liga, repetindo o feito da época anterior. Mas para isso acontecer, a equipa teria de fazer melhor ali do que fizera há um ano.

Será que a História se repetiria?

 

 

As duas primeiras fases da Taça da Liga disputaram-se, como era habitual, antes de iniciar a Primeira Liga. Apesar de ter alcançado um histórico 9° lugar na época anterior, o melhor registo de sempre do Amora não o isentou de participar na Primeira Eliminatória - benesse reservada aos primeiros oito classificados da Primeira Liga.

Tal como no ano passado, o Amora teve como adversário na primeira ronda uma equipa da Segunda Liga - e tal como então, obteve a qualificação para a fase seguinte. O jogo esteve longe de ser tranquilo. Disputado numa noite quente e chuvosa de finais de Julho de 2025, a equipa ainda estava longe de ter os níveis competitivos apurados e sofreu às mãos do Moreirense. Um golo tardio de Joca resolveu uma eliminatória que se caísse para o lado contrário também não teria ficado mal atribuída.

A Segunda Eliminatória colocou o Tondela no caminho dos amorenses. Num jogo de perfil semelhante ao anterior, um golo solitário de Jéferson garantiu o apuramento para a Fase de Grupos da Taça da Liga. A exibição foi a possível para essa fase da temporada: baixo ritmo competitivo de ambas as equipas, poucas ideias e muito suor - os 27° de temperatura registados na Beira Alta nessa tarde de inícios de Agosto de 2025 também não ajudaram ao espectáculo.

Seja como for, com maior ou menor nota artística, o Amora avançou para a Fase de Grupos e o sorteio colocou-o num cenário estranhamente familiar.

 

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O Sporting era o cabeça-de-série do Grupo A

 

Se a História não se repete, os deuses do futebol teriam pelo menos um sentido de humor bastante irónico.

O Sporting Clube de Portugal voltou a calhar em sorte ao Maior da Margem Sul. "Saiu-nos a fava", dizia-se em cafés e jardins da cidade de Amora. Era difícil pensar de outra forma, afinal o Sporting era o actual bicampeão nacional e o adversário que todos queriam evitar. Não que Porto, Braga e Benfica, os outros cabeças-de-série, não fossem adversários de respeito. Porque eram. Mas - e havia um grande mas em todos eles -, não eram, à data do sorteio, tão assustadores quanto o Sporting.

Os motivos eram simples de explicar.

O Sporting era bicampeão nacional. Manteve o núcleo duro que os guiou nesse feito - é importante realçar que o Sporting não conquistava dois títulos nacionais em anos consecutivos desde 1954, ano em que foi tetracampeão -, Ronald Koeman continuava ao comando da equipa e tinha um lote de jovens talentos a despontar, dos quais se destacavam os médio Robson Casimiro (com apenas 17 anos) e Kiko Félix, e os avançados Rodrigo Ribeiro e Youssef Chermiti.

O Benfica atravessava uma seca de títulos nacionais que já durava desde 2019. Eram seis longos e penosos anos a fracassar no ataque ao título mais desejado e a pressão sobre a equipa era enorme. Apesar de manter o treinador, o galardoado Marcelo Gallardo, e de contarem com jogadores de qualidade como Anthony Martial, Moussa Wagué, Jordan Pickford, Nathan Aké ou Darwin Núnez, os encarnados eram uma incógnita.

Das duas equipas do norte, desconfiava-se por motivos distintos. O Porto perdeu o treinador Roberto Mancini e a nova opção, o ex-jogador Toni Kroos, estreava-se na função, não se sabendo ao certo o que poderia surgir dali. Já o Braga, que esteve a poucos minutos de vencer a Primeira Liga e a Taça de Portugal na época anterior, mas que acabou por perder ambas (ver Capítulo XXX - O fim de um ciclo), não tinha o estatuto dos três grandes e era sempre incerto se iria ter um ano próximo destes ou mais modesto.

Quase incógnito no sorteio, o Farense surgia como terceiro ocupante do Grupo A. "A História repete-se!", diriam alguns quando o Farense, da Segunda Liga, calhou em sorte a Sporting e Amora - no ano anterior também houvera uma equipa da Segunda Liga no grupo, na altura a Académica.

E foi com o Farense que o Amora se estreou em jogos da Taça da Liga na nova versão da Medideira.

 

 

Tal como na edição anterior da Taça da Liga ("a História repete-se!"), o Amora iria a Alvalade e recebia a equipa da Segunda Liga. Desta vez, porém, invertia-se a ordem dos jogos ("não há cá repetições da História!"), o que fazia deste jogo potencialmente decisivo: caso em Alvalade houvesse empate, o apuramento seria potencialmente decidido pela diferença de golos com que Amora e Sporting vencessem o Farense.

Claro que para isso era importante vencer de facto o Farense. Foi um Amora na máxima força o que entrou em campo, apenas com a habitual troca de guarda-redes que levava Manuel Baldé a defrontar a equipa em que rodou por empréstimo na época transacta. E a equipa encarou o jogo com toda a seriedade, ciente da importância de vencer bem, marcando dois golos antes da meia hora.

Quem assistia ao jogo poderia pensar que estava feito o caminho para uma vitória folgada. Talvez os jogadores o tenham pensado também, já que aliviaram a pressão, esquecendo-se talvez que o Farense era uma equipa de qualidade - na altura ocupavam a quarta posição no segundo escalão. Os algarvios aproveitaram a complacência dos da casa e chegaram ao empate antes do intervalo.

Um resultado que era totalmente justo.

 

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Martim Watts selou a vitória do Amora com um belo remate de fora da área

 

Frodo Zarco puxou o lustro aos seus jogadores durante o intervalo e o Amora foi demolidor no segundo tempo. Leonardo Brandão, em tempos o menino Léo mas hoje já o Cavaleiro da Medideira, viu um golo ser-lhe anulado no que foi a ameaçada para o que faria pouco depois; Martim Watts, a unidade de potência do meio-campo, ampliou a vantagem pouco depois.

O resultado poderia, e deveria, ter sido mais dilatado, mas alguma displicência na finalização impediram um marcador mais folgado. O Amora chegaria à 2ª jornada na liderança do grupo, com mais um jogo do que o Sporting, sabendo que caso empatasse em Alvalade teria de ficar a aguardar pela última jornada e rezar que o Sporting não vencesse o Farense por três golos de diferença.

A vitória em Alvalade, porém, daria o apuramento directo.

 

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A 2ª jornada da Fase de Grupos da Taça da Liga levava o Amora a Alvalade

 

Aquele era um cenário estranhamente familiar para Frodo Zarco. Há cerca de um ano, o Amora disputou em Alvalade um decisivo jogo para a Fase de Grupos da Taça da Liga (ver Capítulo XXV - O mundo sabe que...). Na altura, o empate serviu para deixar o Amora com pé e meio na Final Four, mas naquela noite de 29 de Outubro de 2025 poderia não ser suficiente.

"Malta, no ano passado não perder aqui era uma opção. Este ano não é. Já não somos os 'garotinhos' de há um ano. Isto é para 'ganhar'."

Foi esse o essencial da mensagem de Frodo Zarco para os seus jogadores ao intervalo. O Amora jogava encolhido num Alvalade a rebentar pelas costuras, chegando ao final da primeira parte sem saber ao certo como não tinha visto as suas redes balançar um punhado de vezes. O turco Egribayat, na baliza oposta à de Manuel Baldé, poderia ter levado uma cadeira para se sentar enquanto assistia à partida, tal fora a inoperância ofensiva dos seus adversários.

Os primeiros minutos da segunda metade deram a Frodo Zarco a sensação que talvez a conversa ao intervalo não surtira efeito. O Sporting continuava dono da bola e rondava o meio-campo defensivo do Amora, embora sem criar perigo. Mas havia sinais de vida: uma tentativa de sair a jogar apoiado desde trás em vez de uma charutada para lado nenhum, uma subida da linha defensiva que contrariava o instinto de sobrevivência de recuar mais e mais, um cartão amarelo a Nuno Mendes por travar uma saída para o ataque de Martim Watts, um remate deste à entrada da área que saiu a rasar a barra...

Eram apenas sinais. Não eram ocasiões de golo. Não era supremacia no terreno de jogo. Eram apenas sinais. Mas, por vezes, pequenis sinais são indicadores de tendências de jogo, e o coração de Frodo Zarco dizia-lhe que havia margem para ter esperança.

O primeiro grande lance de ataque do Amora desenhou-se aos 55 minutos. Martim Watts, sempre ele a gerir o ritmo do jogo amorense, descobriu Odailson junto à linha. O jovem lateral francês, internacional Sub21 pelos gauleses, teve espaço para progredir e não se fez rogado, cavalgando até à linha de fundo.

Levantou a cabeça antes de decidir. Viu Leonardo Brandão ser alvo de marcação cerrada. Joca surgia ao segundo poste, perseguido de perto pelo ala do Sporting. Papou Mendes aparecia à entrada da área, de braço no ar pedindo um cruzamento atrasado. Olhou e decidiu não endereçar a bola a qualquer um deles.

Em vez disso, centrou ao primeiro poste. Gabriel Capixaba leu a sua intenção e antecipou-se a Jonny, saltando para alcançar a bola. Desviou-a subtilmente para a encaminhar até ao segundo poste, mas Jonny estava no caminho. O rumo da bola foi desviado pelo defesa leonino na direcção da baliza à guarda de Egribayat.

Alvalade gelou. Cinquenta mil pessoas olhavam, estupefactas, para os festejos dos homens de azul no relvado e as exuberantes celebrações das centenas de adeptos visitantes no canto do topo norte.

Desafiando toda a lógica, o Amora vencia em Alvalade.

 

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Gabriel Capixaba marcava um raro golo de cabeça

 

Os jornalistas teriam dificuldades em colocar por palavras como o Amora se colocara em vantagem naquela noite. O Sporting dominava o jogo em toda a linha. Tinha perto de dez remates feitos, algumas ocasiões de golo desperdiçadas e vantagem na posse de bola. O Amora tinha dois remates e... um golo. Nada mais, nada menos.

A história do jogo mudou radicalmente com aquele cabeceamento de Gabriel Capixaba. O Sporting, cuja percentagem de posse de bola rondava os 55% até esse momento, passou a ter mais dificuldades em manter o domínio da redondinha. A percentagem dessa estatísticas foi equilibrando, reflectindo a postura mais assertiva do Amora. Mais confiantes, os azuis da Margem Sul conseguiam agora circular a bola num ritmo lento, obrigando o adversário a correr atrás dela, irritando jogadores e adeptos adversários que aos poucos iam cedendo à frustração, cometendo erros provocados pela ansiedade.

O Sporting sentia o jogo fugir-lhe à medida que o cronómetro nos ecrãs gigantes ia avançando, enquanto o Amora ganhava confiança a cada lance disputado.

Já o jogo entrava na sua fase final quando o Sporting deu sinais de vida. Matheus Nunes rodou sobre Papou Mendes, serviu Skoglund que de imediato tentou isolar Youssef Chermiti. A bola tabelou em Isaac Monteiro, que pressionava Skoglund, e foi Chermiti o mais rápido a chegar ao ressalto.

Na cara de Baldé, o jovem avançado leonino rematou com a força dos cinquenta mil que enchiam Alvalade. A bola acertou em cheio no peito de Baldé, que encheu a baliza com a mancha feita após uma rápida saída da baliza. Isaac Monteiro aliviou a bola para longe.

O lance animou os adeptos e os jogadores. O Sporting de imediato lançou nova vaga por intermédio de Matheus Nunes. O internacional português descobriu novamente Chermiti dentro da área e o menino, nas costas da defesa amorense, contornou Baldé.

Sem oposição, Chermiti só teve de encostar.

Há alturas em que a História parece de facto repetir-se. Há cerca de um mês, o Amora vencia o Sporting na Medideira (ver Capítulo XXXIII - O jogo de xadrez) até um golo tardio recolocar o empate no marcador. O golo, tal como na Medideira, foi celebrado efusivamente até se perceber que havia dúvidas sobre a legalidade do lance.

O árbitro aguardou pela análise do VAR sob o olhar ansioso dos jogadores. Quando a decisão lhe foi revelada, ergueu um braço. O golo estava anulado.

 

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O Sporting deu sinais de vida com uma dupla ocasião de golo aos 84 minutos

 

O balde de água fria não imobilizou o Sporting. Tendo sentido o sabor a sangue, o bicampeão nacional caiu em cima do Amora nos minutos finais.

Mas o tempo passava rapidamente - embora não na perspectiva do Amora, obviamente. Já se jogava o tempo de compensação e o Amora tinha onze jogadores dentro da grande área quando Kiko Félix descobriu Skoglund na área. O avançado rematou em zona frontal, um pontapé com selo de golo, mas que encontrou a oposição de Tiago Louro, que apesar de ser lateral esquerdo já ocupava terrenos centrais como se fosse central. A bola saiu pela linha de fundo para desespero dos adeptos.

Animaram-se quando viram o guarda-redes Egribayat a correr o campo todo, juntando-se aos colegas na área do Amora. O canto foi marcado e o próprio Egribayat tentou ganhar o lance, mas quem saltou mais alto foi Diego Raposo. O avançado do Amora, que entrara para o lugar de Leonardo Brandão, aliviou a bola para fora da área. Kiko Félix foi o mais rápido a chegar e não perdeu tempo a disparar.

O potente remate foi defendido para a frente por Baldé. Vários jogadores do Sporting precipitaram-se para a recarga. Frodo Zarco arrepiou-se e o burburinho nas bancadas deu lugar a um disforme rugido de excitação. Já um adversário se preparava para finalizar quando Baldé se atirou em frente, sem qualquer preocupação com o seu bem estar físico e correndo o risco de ser pontapeado, caindo em cima da bola.

À distância, do outro lado do campo, os adeptos do Amora ouviam-se. Aquele fora talvez a última oportunidade do Sporting. O jogo estava a terminar. Não haveria tempo para mais.

Ou haveria?

Baldé demorou a repor a bola em jogo. Quando o fez, o Sporting rapidamente voltou ao ataque, para desespero de Frodo Zarco que não acreditava como a sua equipa perdera a bola tão depressa.

Um passe em profundidade, Skoglund ganhou as costas da defesa e gerou-se o pânico entre os amorenses. O avançado estava isolado! Na cara de Baldé, Skoglund preparava-se para rematar quando se ouviu um apito.

Bandeirola no ar.

Fora-de-jogo!

Estava feito, tempo de compensação esgotado. Baldé nem precisou de marcar o livre pois o árbitro apitou pela última vez.

O Amora sobrevivia à pressão final e saía de Alvalade com o apuramento para a Final Four!

 

 

Em boa hora o Amora venceu em Alvalade, pois o Sporting foi a Faro vencer por três golos de diferença num jogo que já não contava para muito mais além do amor próprio. Caso o Amora tivesse empatado em Alvalade, não teria conseguido passar.

A vitória em Alvalade marcou também a primeira vez que o Amora venceu um dos três grandes no recinto de um deles, depois de já ter alcançado empates anteriormente em Alvalade e no Dragão. Estava ainda alcançado o objectivo de pelo menos igualar a prestação da época passada na Taça da Liga.

Olhando às estatísticas, parecia inacreditável como o Amora saía de Alvalade com uma vitória. Sob qualquer ponto de vista, o Sporting deveria ter vencido o jogo ou, eventualmente, empatado. Mas é essa a matriz do Amora: uma equipa que sabe sofrer quando tal é necessário. Só assim um modesto clube que há quatro décadas não chegava à Primeira Liga poderia escalar tão rapidamente desde a Liga 3 até ao ponto actual de conseguir vencer duas vezes o bicampeão nacional no espaço de um mês.

Ainda hoje Frodo Zarco não saberá dizer se a História é cíclica e se repete, ou se é linear e todos os acontecimentos, embora influenciados pelo passado, são novos e únicos. Naquela noite, a História repetiu-se com o apuramento do Amora, mas obtido por a História não se repetir ao vencer em Alvalade.

Frodo Zarco não dedicaria nenhum momento do seu tempo a pensar naqueles assuntos; não tinha qualquer intenção de desvendar os segredos da historiografia. O Amora estava na fase seguinte da Taça da Liga e isso era tudo o que lhe interessava.

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que grande fase de grupos, a vitória contra o Sporting é fantástica apesar do domínio dos leões no jogo. 

E o percurso até esta fase de grupos também foi muito boa apesar de por esta altura já se esperar que Tondela e Moreirense estejam ao alcance do Grande Amora.

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Até agora tudo 5 estrelas na competição. Os de Alvalade até já tremem quando ouvem o nome Amora.

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Estás a fazer do Sporting uma "passadeira". O Fred já deve tremer cada vez que sabe que terá o Amora pela frente. Foi uma excelente fase de grupos da Taça da Liga, deixando o Farense também para trás. Antes disso, nas duas primeiras eliminatórias, também estiveste em grande nível. A equipa está num momento de forma muito bom e acredito que possa cair o primeiro troféu este ano, para os lados de Amora (quem sabe uma das Taças). 

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Obrigado, pessoal.

Aproveito só para deixar uma curiosidade, que é para perceberem as dificuldades com que me debato neste momento pelo facto de estarmos a ter resultados positivos.

Os quadrados verdes à esquerda, no menu de selecção, significa que os jogadores têm clubes interessados.

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Digamos que lá mais para a frente vou ter umas semanas divertidas a tentar defender-me do "rapinanço" alheio...

E o azul no Gabriel Capixaba significa que embora não tenha interessados, quer mudar-se para um clube maior.

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Respondendo à tua questão, sinto precisamente o que falámos há tempos. Estar muito atento ao motor de jogo e perceber as ações dos jogadores. Mas sim, parece que os jogadores demoram o seu tempo para cumprirem com o o seu potencial. Por exemplo, para defesa direito tenho o Germano Redondo e o Fabinho (que não tem de perto os atributos do miúdo) e sinto que para certos jogos o Fabinho cumpre melhor com o que pretendo. Como atualmente tenho o Manuel Amorim para a frente mas o Leandro Antunes continua aquela máquina.

Às vezes até me parece injusta a avaliação do preparador que dá apenas 2* para a capacidade atual, mas depois vês em campo que realmente o jogador ainda não está pronto.

Voltando ao teu save, eu odiava esses primeiros jogos da taça da liga. Supostamente adversários mais acessíveis e os jogos paravam sempre no mesmo, pouco interesse e ganhos por margens mínimas.

Diante do Farense, não fosse aquela fase de relaxe, o resultado final poderia ter sido outro. Algo que acaba por não ser importante visto que conseguiste aguentar o Sporting nos instantes finais, apesar de mais um pequeno susto 😅 

Sentes que a equipa está a ir na direção que pretendias? Isto é, em relação ao sistema de jogo e os respetivos comportamentos em campo, ser uma equipa mais de posse, etc...ou sentes que antes as ideias pareciam encaixar melhor?

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Citação de Kluivert, Em 14/06/2022 at 01:22:

Respondendo à tua questão, sinto precisamente o que falámos há tempos. Estar muito atento ao motor de jogo e perceber as ações dos jogadores. Mas sim, parece que os jogadores demoram o seu tempo para cumprirem com o o seu potencial. Por exemplo, para defesa direito tenho o Germano Redondo e o Fabinho (que não tem de perto os atributos do miúdo) e sinto que para certos jogos o Fabinho cumpre melhor com o que pretendo. Como atualmente tenho o Manuel Amorim para a frente mas o Leandro Antunes continua aquela máquina.

Às vezes até me parece injusta a avaliação do preparador que dá apenas 2* para a capacidade atual, mas depois vês em campo que realmente o jogador ainda não está pronto.

Voltando ao teu save, eu odiava esses primeiros jogos da taça da liga. Supostamente adversários mais acessíveis e os jogos paravam sempre no mesmo, pouco interesse e ganhos por margens mínimas.

Diante do Farense, não fosse aquela fase de relaxe, o resultado final poderia ter sido outro. Algo que acaba por não ser importante visto que conseguiste aguentar o Sporting nos instantes finais, apesar de mais um pequeno susto 😅 

Sentes que a equipa está a ir na direção que pretendias? Isto é, em relação ao sistema de jogo e os respetivos comportamentos em campo, ser uma equipa mais de posse, etc...ou sentes que antes as ideias pareciam encaixar melhor?

Opa, deixa-me ver se consigo explicar isto... em jogo corrido, durante digamos 75 minutos, a equipa está a equilibrar o jogo contra qualquer adversário. Seja o Farense da Segunda Liga ou o bicampeão Sporting (por algum motivo não consigo deixar de os descrever desta forma ihih), os jogos são relativamente equilibrados, raramente temos menos posse e quando isso acontece é à justa. Nesse aspecto, está bom.

Mas depois tenho uma dificuldade que ainda não consegui corrigir. Nos últimos 15 minutos se estiver a ganhar, aquela fase em que os adversários vão com tudo para cima de nós para procurar o golo, sofremos pa carago! A linha defensiva abre buracos, os defesas são lentos a reagir a passes para as costas da linha defensiva, os centrais afastam-se, eu sei lá. Já experimentei defesa subida e baixa, pressão alta ou sem pressão, não consigo corrigir isto. Qualquer Zé Marreco encarna de repente no prime Ronaldo e começa a destruir a minha defesa. Não percebo.

Já tive jogos em que terminei com linha de cinco atrás e de quatro à frente deles (cinco defesas e quatro médios defensivos) só pelo desespero de não sofrer um golo nos descontos, e mesmo assim os espaços surgem...

Não sei se é falha minha (o mais provável), se é dos jogadores ainda não estarem num patamar elevado e cometerem erros individuais, mas na próxima época vou correr o risco de andar a brincar com as instruções em busca de alguma estabilidade.

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É perfeitamente natural que dado o excelente trabalho que tem sido realizado, haja a pretensão por parte de outros clubes, nos teus jogadores. É sinal de que as coisas têm sido feitas como deve de ser e que o clube está a crescer muito, como também os jogadores.

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Para esses casos, costumo "apertar" a equipa; mexer numa função ou outra de jogadores (por exemplo passar o ala para defesa lateral); por volta dos 75' (nunca antes disso) meter a equipa a perder tempo e passe misto.

Também mexo na linha defensiva (normalmente baixa) e na pressão (a meio campo).

Não é nenhuma ação 100% milagrosa mas acho que surte o efeito desejado. Também já aconteceu fazer isso e dois minutos ter que mudar tudo outra vez para ir em busca de um golo 😅

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Citação de Martini Branco, há 1 hora:

É perfeitamente natural que dado o excelente trabalho que tem sido realizado, haja a pretensão por parte de outros clubes, nos teus jogadores. É sinal de que as coisas têm sido feitas como deve de ser e que o clube está a crescer muito, como também os jogadores.

Nunca me tinha era acontecido ter praticamente metade da equipa a ser cobiçada. Se começam todos a fazer birra para sair (olá Capixaba...) estou bem lixado.

Citação de Kluivert, há 1 hora:

Para esses casos, costumo "apertar" a equipa; mexer numa função ou outra de jogadores (por exemplo passar o ala para defesa lateral); por volta dos 75' (nunca antes disso) meter a equipa a perder tempo e passe misto.

Também mexo na linha defensiva (normalmente baixa) e na pressão (a meio campo).

Não é nenhuma ação 100% milagrosa mas acho que surte o efeito desejado. Também já aconteceu fazer isso e dois minutos ter que mudar tudo outra vez para ir em busca de um golo 😅

Eu já nem sei o que fiz, já foi tanta coisa e ainda não descobri nada lol

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Capítulo XXXV - Ao ritmo do berimbau

 

"Bota fogo, cara!"

"Vai! Vai! Vai!"

"Dá-lhe, carai!"

Um animado grupo de jogadores formou uma roda no centro do relvado em torno de um dos colegas. Batiam palmas em sua volta, encorajando-o, proferindo palavras de incentivo. Um deles segurava um smartphone que difundia uma música ritmada e animada. O homem no centro sorria para os colegas do alto dos seus 197 centímetros de altura, como que provocando-os para obter mais palavras de incentivo.

De súbito, sem grande aviso prévio, deu um salto. Apoiou as duas mãos no chão e girou o corpo num movimento lateral, aterrando do outro lado do círculo. Os colegas reagiram com aplausos. Ao ritmo do berimbau, difundido pelo smartphone que Joca segurava, Luiz Felipe ia executando vários movimentos acrobáticos típicos da Capoeira, uma espécie de arte marcial que é também uma expressão cultural brasileira oriunda dos povos escravizados de origem africana.

E ele lá seguia, ora apoiando as duas mãos no chão e fazendo uma espécie de roleta, ora apoiando apenas uma mão no chão e fazendo a perna deslizar pouco acima do solo num movimento horizontal, encadeando movimentos acrobáticos, gingando num ritmo sincronizado ao ritmo do berimbau.

O grupo aplaudiu a exibição de Luiz Felipe. Não admirava que o guarda-redes amorense brilhasse entre os postes na Medideira; para quem faz movimentos daqueles ao som do berimbau, realizar defesas num relvado parecia brincadeira de criança. Mas havia quem não estivesse convencido. No meio da roda, um elemento parecia pronto a provar que também era capaz de fazer o mesmo: nada mais, nada menos, do que o italiano Roberto Longo.

Não é de bom tom perpetuar estereótipos, mas neste caso aplicavam-se na perfeição: o italiano Roberto Longo era tão expansivo e extrovertido como era habitual caracterizar os da sua terra natal. Quando chegou, fruto das limitações linguísticas no domínio da língua de Camões, Longo ainda demorou a integrar-se. Assim que começou a atinar com o português, porém, libertou-se das amarras que o prendiam e era já um dos animadores do grupo.

 

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Roberto Longo não demorou a familiarizar-se com a língua portuguesa

 

Impulsionado pelos colegas de equipa, sempre preparados para levar um colega a fazer disparates para galhofa colectiva, Roberto Longo dirigiu-se para o centro da roda. Fez alguns movimentos com os braços, como que para os aquecer, e deu uma primeira cambalhota acrobática. Entusiasmado, deu uma segunda na direcção contrária, e quando tentou dar uma terceira... Trocou os pés pelas mãos e estatelou-se ao comprido, embatendo em cheio com as costas no chão.

Os colegas explodiram numa ruidosa gargalhada colectiva enquanto Roberto Longo se levantava, disparando impropérios num italiano cerrado. Curioso como podemos falar várias línguas, mas na hora de praguejar fazemo-lo sempre na nossa língua nativa. Luiz Felipe rolava pelo relvado, mal conseguindo respirar no meio das gargalhadas. Frodo Zarco já estava agarrado à barriga, que lhe doía de tanto rir, e alguns jogadores seguravam-se mutuamente no meio da galhofa. Eventualmente, o próprio Roberto Longo foi vencido pelos colegas e juntou-se-lhes, rindo de si próprio.

Pareciam um bando de perdidos do juízo. Era bom sinal. O ambiente no grupo de trabalho era alegre e jovial. Respirava-se confiança e camaradagem. Para isso, muito contribuía a fantástica campanha que estavam a protagonizar na primeira metade da temporada.

 

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A campanha do Amora na Primeira Liga era tema de discussão frequente entre os especialistas

 

Dando seguimento ao bom arranque, culminado pelas duas vitórias sobre o bicampeão nacional Sporting, o Amora continuou a surpreender adeptos, adversários e especialistas na análise desportiva. Chegando à 8ª jornada, em que venceu o Sporting, com sete jogos consecutivos sem perder, o Amora somou mais cinco sem conhecer o amargo sabor da derrota - incluindo quatro vitórias nesse ciclo. E para esse sucesso, muito contribuiu a preponderância de Luiz Felipe entre os postes.

Luiz Felipe foi a primeira contratação do Amora sob o Projecto Oásis que não se enquadrou na filosofia subjacente ao plano de Frodo Zarco e Bilbo Himura. Chegado ao clube com 27 anos (agora já com 28), não sendo formado no clube ou contratado com o objectivo de evoluir nas camadas jovens, o gigante brasileiro entrou com o objectivo de assumir a titularidade numa posição em que não havia jovens talentos prontos a assumir o lugar.

A verdade é que não só assumiu o lugar, como se tornou um dos elementos mais importantes da equipa. O gigante brasileiro era um gato na baliza, defendendo com agilidade felina e dando a segurança defensiva que permitia à equipa atacar sabendo que tinham cobertura atrás. Em diversas ocasiões, as intervenções de Luiz Felipe foram decisivas para garantir vitórias e empates, primeiro na temporada 2024/25 e agora rm 2025/26, contribuindo para que o Amora fosse regularmente uma das melhores defesas do país - apenas batida pelos próprios grandes.

 

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A exibição de Luiz Felipe em Braga valeu-lhe reconhecimento incondicional por todo o país... e não só

 

Logo na jornada seguinte à vitória sobre o Sporting, o Amora foi a Braga roubar três pontos num jogo em que só uma exibição portentosa de Luiz Felipe salvou o Maior da Margem Sul de uma derrota.

As prestações de Luiz Felipe não passavam despercebidas e o interesse dos grandes no seu concurso era um dos segredos mais mal guardados do futebol português. Mas o reconhecimento não se ficava pelas fronteiras do nosso pequeno rectângulo a que chamamos Portugal.

Oh, não. Nem por sombras.

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Luiz Felipe segurou a vitória em Braga com defesas como esta parada a Galeno...

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... ou esta defesa à guarda-redes de Andebol perante Elis...

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... e ainda esta defesa com a ponta dos dedos...

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... mas brilhou ainda noutros jogos, como a evitar o golo a Gélson Dala...

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... ou a segurar os três pontos defendendo à queima-roupa um desvio infeliz de Roberto Longo para a própria baliza...

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... tudo intervenções que valeram a Luiz Felipe o prémio de ser convocado para a selecção principal do Brasil

 

As exibições de Luiz Felipe no Amora atravessaram o Atlântico e chegaram até Daniel Alves. A antiga estrela do Barcelona, agora seleccionador brasileiro, convocou Luiz Felipe pela primeira vez para a canarinha para dois encontros particulares de preparação para o Campeonato do Mundo, que se disputaria no final da temporada nos Estados Unidos da América e no México.

A probabilidade de ser de facto convocado para a maior competição do mundo do futebol era remota. A de ser utilizado numa selecção que contava com dois dos melhores guarda-redes da atualidade, Alisson e Ederson, não era muito maior.

E, no entanto...

 

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Vários jogadores do Amora marcaram presença nas suas selecções, o mais notável sendo o próprio Luiz Felipe pela selecção principal do Brasil

 

17 de Novembro de 2025. Uma data que Luiz Felipe não mais irá esquecer. Estavam decorridos 64 minutos de jogo quando o guardião amorense foi chamado a entrar no particular contra os Emirados Árabes Unidos, cumprindo o sonho de menino de qualquer brasileiro: representar a selecção principal do escrete canarinho.

Frodo Zarco assistiu ao jogo pela televisão e o orgulho não lhe cabia no peito quando o seu Luiz Felipe entrou em campo. No final do jogo, emocionou-se ao ligar ao seu jogador e ouvi-lo do outro lado da linha chorando de alegria.

Luiz Felipe merecia tudo aquilo. Era um rapaz humilde, trabalhador e esforçado. Tinha imensa qualidade e não deixava que isso lhe subisse à cabeça. Fora uma das melhores contratações do Amora em todo o seu reinado enquanto treinador do clube.

O Amora perdeu apenas dois jogos em toda a primeira volta e muito disso devia-se a Luiz Felipe. O primeiro logo na primeira jornada, no Bessa, e depois disso foram precisos mais treze jogos para os azuis da Margem Sul voltarem a saber o que era perder. E, mesmo assim, não foi num jogo qualquer.

 

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O Amora caiu na Luz com o golo solitário do jogo já nos descontos, colocando fim a uma série de doze jogos sem perder na Primeira Liga

 

Em mais um episódio que deixa dúvidas sobre o carácter cíclico da História, o Amora foi à Luz cair às mãos do Benfica num jogo que parecia tirado a papel-químico do da época passada. Tal como então, o Amora jogou descomplexado, apresentando mais qualidade na posse e criando mais perigo do que o adversário... mas perdendo num golo de contra-ataque contra a corrente do jogo.

 

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Luiz Felipe ainda evitou o golo do Benfica, como nesta parada cara-a-cara com Darwin Núnez...

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... mas nada conseguiu fazer quando João Resende lhe surgiu isolado já no período de descontos após um erro inacreditável do lateral Simão Rosete, que jogava na ausência do castigado Odailson

 

A derrota na Luz foi difícil de digerir, mas não apagava a percepção de que o Amora estava a fazer uma temporada bastante acima de todas as expectativas.

E se, no início da temporada, os objectivos declarados eram apenas um lugar tranquilo a meio da tabela, tornava-se difícil, em meados de Dezembro de 2025, não pensar em vôos mais altos. Quiçá aqueles que Frodo Zarco já no início da temporada imaginava estarem ao alcance dos seus meninos, embora não o dissesse em voz alta para não os assustar.

A Europa.

 

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A primeira volta terminou com a recepção ao Vitória SC

 

Embora faltasse cerca de metade da Primeira Liga para disputar, um adversário em especial parecia assumir-se como principal rival do Amora: o Vitória Sport Clube de Sérgio Conceição.

Os vimaranenses não eram um adversário desconhecido do Amora. Bem pelo contrário, eram até uma espécie de besta negra para o Maior da Margem Sul, responsável pelas eliminações do Amora dos Quartos-de-Final da Taça de Portugal nas duas temporadas anteriores, as quais impediram a equipa de Frodo Zarco de alcançar a melhor prestação de sempre do clube na dita competição.

Nesta temporada, o Vitória SC voltava a surgir no caminho do Amora, embora agora na luta pelos primeiros lugares do campeonato. Os adeptos podiam sonhar com a intromissão entre os três grandes , mas Frodo Zarco sabia que a tendência natural seria esses distanciarem-se e deixarem aos outros a luta pelo título de melhor dos restantes. Era nessa qualidade que a equipa de Sérgio Conceição surgia como principal obstáculo ao Amora.

Quando os dois se enfrentaram na Medideira, a 12 de Dezembro de 2025 em jogo a contar para a 17ª jornada, já Luiz Felipe era internacional brasileiro. A sua presença na baliza dava confiança à equipa para enfrentarem um adversário que tinha mais estatuto, mais meios financeiros e melhores individualidades do que o Amora.

Mas o Amora tinha um internacional brasileiro que defendia a sua baliza ao ritmo do berimbau. Iam ter medo do quê?

O jogo prometia. Apesar de nenhum dos três grandes estar envolvido, a audiência televisiva foi uma das melhores da temporada. Eram duas das equipas mais excitantes da Primeira Liga, que jogavam futebol positivo e ameaçavam por essa altura a supremacia dos três estarolas.

Como tantas vezes acontece em jogos deste perfil, porém, acabou por ser uma partida algo fechava e quezilenta. As equipas sentiam que havia mais a perder do que a ganhar. Só na segunda parte surgiu acção próxima das balizas e esta terminou tão depressa quanto começou, com dois golos em rápida sucessão no que foi, no geral, um jogo tenso, mas pouco espectacular.

A divisão de pontos acabou por ser consensualmente aceite como o resultado justo e natural de noventa minutos que poderiam ter sido melhor aproveitados por ambas as equipas.

 

 

A primeira volta fechava com o Amora num surpreendente 2º lugar... que um olhar mais atento deixava perceber que era fruto da discrepância de partidas disputadas por todas as equipas. Aliás, na metade superior da tabela apenas uma equipa terminava a 17ª jornada com dezassete jogos disputados - um cenário algo incaracterístico para a Liga Portuguesa.

Porto e Sporting eram por esta altura os dois primeiros classificados da Primeira Liga na prática: vencendo os jogos em atraso, disparavam na liderança da competição, deixando a restante concorrência para trás. O Benfica estava mais atrasado, mas vencendo os seus jogos também ficaria a morder os calcanhares do Maior da Margem Sul.

Mas essa também não era a luta do Amora. O título era impensável e não passava pela cabeça do grupo de trabalho. O importante nesta fase era notar como inesperadamente aparecia no degrau imediatamente inferior ao da luta pelo título, surgindo apenas Vitória SC, Paços de Ferreira e Boavista como ameaças na luta pelos lugares europeus.

Por isso o ambiente na Medideira era bom e recomendava-se. Naquela tarde de meados de Dezembro, o plantel descomprimia depois de uma sessão de treino algo intensa incentivando a demonstração de Capoeira de Luiz Felipe e rindo-se com a tentativa desastrada de Roberto Longo imitá-lo. Para seu azar, a mesma foi filmada e partilhada nas redes sociais do clube, tornando-se viral.

E havia mesmo motivos para sorrir. Com a melhor prestação de sempre na Primeira Liga a desenhar-se no horizonte e a presença garantida na Final Four da Taça da Liga, jogadores e adeptos do Amora sentiam que o céu era o limite.

E ainda havia a Taça de Portugal, mas essa é uma história para contar noutra altura.

 

Em spoiler, jogos deste período com breves comentários sobre os mesmos e alguns gifs com lances ofensivos de destaque

Apesar de ter havido jogos das Taças, deixarei apenas os jogos da Primeira Liga. Os da Taça da Liga já foram destacados anteriormente e os da Taça de Portugal falarei noutra altura.

Antes de passar aos jogos, só referir que me foi dada nova melhoria nos escalões de formação a meu pedido.

 

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Estamos a ficar com uma das melhores Academias de Formação do país. Ansioso pela nova temporada para ver se me surgem novaa trutinhas.

 

 

O primeiro jogo deste ciclo foi falado no Capítulo. O Braga foi globalmente mais forte e criou várias ocasiões de golo, mas um punhado de boas intervenções de Luiz Felipe, como demonstram os gifs deixados anteriormente, mesclados com acerto na finalização a capitalizar bons lances ofensivos da equipa...

 

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... como neste caso, garantiram três pontos importantes num dos terrenos mais complicados da temporada.

 

 

A recepção ao Santa Clara deu a vitória mais tranquila deste ciclo. Leonardo Brandão fez mais um hattrick e aproveito para deixar o lance do seu terceiro golo...

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... não só por lhe ter garantido o hattrick, mas principalmente por ter sido um bom desenho colectivo e a primeira assistência da carreira do menino Vítor Ferraz, que tem sido boa alternativa ao Martim Watts.

 

 

Em Vizela fizemos uma exibição terrível. As estatísticas falam por si mesmas, fomos completamente inoperantes no aspecto ofensivo. O jogo acaba por ser salvo com esta obra-prima do menino Jéferson...

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... um tomahawk candidato a melhor golo da temporada.

 

 

O jogo em Portimão foi mais um daqueles em que isto poderia ter corrido extremamente mal, mas acabou por correr bem. E até parecia que ia dar uma vitória tranquila, com uma boa entrada em campo cujo climax foi este belíssimo golo de Martim Watts.

 

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Mas que acabou por se complicar e não fossem as intervenções de Luiz Felipe, cujos gifs deixei no Capítulo, e teríamos perdido pontos aqui.

 

 

Na recepção ao Tondela, repetimos a exibição cinzenta de Portimão. Entrámos a perder e dar a volta revelou-se uma tarefa hercúlea. Acabámos por ser eficazes e resolvemos o jogo com um golo de Roberto Longo no seguimento de um canto.

O Odailson foi expulso com vermelho directo no final da partida, o que não influenciou o resultado final do jogo, mas foi decisivo para o jogo seguinte...

 

 

... porque fomos perder à Luz com um golo nos descontos fruto de um erro individual do Simão Rosete, que o substituiu.

Não tenho muito a dizer sobre este jogo, fiquei demasiado aziado e ainda me irrito quando me lembro. Perdemos. Siga.

 

 

A resposta à derrota na Luz surgiu apenas nos segundos 45 minutos na Madeira. O Marítimo vencia e convencia ao intervalo, mas fomos implacáveis na segunda parte e virámos o jogo.

Quando o Marítimo foi em busca do empate, aproveitámos e matámos o jogo no contra-ataque.

 

 

E, por fim, a recepção ao Vitória SC que deu num jogo tristonho. Aguerrido e intenso, mas triste e cinzentinho.

E assim chegámos ao final da primeira volta envolvidos na luta pelos primeiros lugares, muito provavelmente andaremos na luta pelos lugares europeus até final da temporada. Mais do que isso parece-me altamente improvável.

Estamos a marcar mais golos e a sofrer na mesma linha do que sofriamos no ano passado, o que tem permitido transformar em vitórias jogos que no ano passado dariam empates.

Mas estamos a ser algo inconsistentes com jogos que são vencidos (ou não) em pequenos detalhes. O que é natural, estamos a creacer

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Muitíssimo bem e em grande forma, a manteres o clube na luta pelos primeiros lugares. Com grande qualidade e vários jogadores em forma: nesta última série foi o guardião Luiz Felipe a dar nas vistas e de que maneira (valendo-lhe um bilhete para o escrete). Nesta série de resultados, destacam-se: a boa campanha na Taça de Portugal, onde poderá ser sensato o Amora querer chegar ao Jamor, e a vitória no Minho frente ao Braga! 

Pena o empate com o Vitória de Guimarães, mas dada a qualidade dos vimaranenses e as incidências do jogo, parece-me um resultado justo (tu próprio o afirmas).

Até onde vai este Amora?

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Para a primeira metade da época estás muito bem mas o ideal será perceber o quanto bem depois de todos os jogos em atraso feitos. Mas acredito que vai ser uma temporada de sucesso porque a equipa parece-me estar em grande nível.

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Capítulo XXXVI - A verdade no fundo do copo

 

Levantou-se e deu mais uma volta pelo quarto. Era uma divisão de dimensões consideráveis para o que estava habituado a frequentar em instalações hoteleiras. A cama era larga e comprida, estendendo-se de uma das paredes laterais até quase ao centro do espaço, com duas estruturas enfaixadas na parede de cada lado da cabeceira onde poisavam comandos para a TV e o ar condicionado e um telefone. A parede oposta à porta era totalmente envidraçada e estava tapada por oponentes cortinados que raspavam no chão. Dois luxuosos sofás e uma secretária atafulhada de cadernos, folhas rabiscadas e um computador portátil, completavam a decoração.

Percorreu a extensão do quarto pela milionésima vez nessa noite, contornando a cama e voltando para trás quando chegou à porta, sentindo os pés acariciados pelos tapetes de pêlo comprido no processo. A luz de presença oferecida pelos candeeiros de parede era ténue, apenas uma sugestão de claridade apontada para as paredes brancas que deixavam Frodo Zarco numa espécie de penumbra. Não precisava de mais; na verdade, aquele ambiente reflectia o seu estado de espírito. Não estava propriamente alegre nem triste, animado ou desmotivado. Estava... vazio. Ansioso seria talvez o termo.

Terminou nova ronda e sentou-se num dos sofás, estrategicamente voltados para a parede envidraçada. Os cortinados continuavam cerrados e ali ficou a olhar para o tecido de um tom esverdeado escuro. Quem o observasse, pensaria que estaria a ponderar nos grandes enigmas da existência humana quando, na realidade, estava tão vazio de ideias quanto um ser humano pode estar em algum momento da sua vida.

O silêncio foi quebrado por uma batida rítmica na porta. Sobressaltou-se, apesar de estar à espera daquela visita.

"Quem é?", perguntou, inutilmente. Reconhecera a batida na porta, era o sinal que usavam desde a infância.

"Sou o Génio da Lâmpada, venho conceder-te três desejos... quem pensas que é, carai?"

"Entra", respondeu secamente, sem se voltar para ver quem entrava.

Bilbo Himura entrou com um embrulho nas mãos, fechando a porta atrás de si antes de estacar espantado com o ambiente depressivo que encontrou. A cama estava feita, mas a colcha tinha sinais de alguém se ter deitado nela recentemente. A TV estava desligada, não havia qualquer som ambiente e a ténue luz dos candeeiros de parede mal iluminavam o aposento. Passou pela secretária e viu vários cadernos espalhados e folhas com campos de futebol desenhados e ideias soltas posteriormente riscadas.

"Estou a ver que tens estado a pensar no jogo de amanhã", comentou, tentando ler algumas das coisas que Frodo Zarco escrevera. "Já descobriste como vais parar o...".

Estacou petrificado quando Frodo Zarco se voltou para olhar para ele.

"Frodo, tu estás 'branco'! Devo chamar alguém para te ver?"

"Não! Quer dizer... não sei... Deveria ver alguém ou...?"

Bilbo Himura riu-se.

"Frodinho... Oh, meu pateta." Bilbo Himura percorreu o que lhe faltava e colocou-lhe uma mão no ombro. "Estás a ter um ataque de ansiedade, é isso?"

Não lhe respondeu.

"É a tua primeira final de uma grande competição como treinador. Estás nervoso e ansioso. Tem calma, pah, a primeira vez é mesmo assim."

"Também ficaste assim na tua primeira vez?"

"Pior ainda. Na minha primeira final da Liga dos Campeões vomitei no balneário antes do jogo. Teve de vir o Sir Alex Ferguson, abençoado seja o homem, falar comigo para me tranquilizar", acrescentou Bilbo Himura, soltando uma gargalhada ao reviver as memórias daquele momento.

"Nunca me contaste isso!", exclamou Frodo Zarco, chocado.

"Achas que queria deixar essa imagem de fraqueza no dia em que ganhei a minha primeira Liga dos Campeões? O que ficou para a História foi termos ganho ao Chelsea e eu ter marcado uma das penalidades decisivas. O resto... não importa."

 

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Relatório do jogo

O Amora garantiu o acesso à final da Taça da Liga após ultrapassar o Braga na Meia-Final

 

Mantiveram-se em silêncio durante alguns minutos. Frodo Zarco parecia estar a reflectir no que o amigo lhe confidenciara, enquanto este, sentado no outro sofá, permanecia ali pacientemente, percebendo como a sua mera companhia e presença o ajudariam a ultrapassar aquele momento.

"É a primeira grande final do Amora."

"É verdade."

"O Porto tem o Toni Kroos como treinador. O homem está farto de ganhar grandes competições. Os jogadores deles estão habituados a lidar com a pressão destes momentos."

"Também é verdade."

Frodo Zarco voltou-se na direcção do amigo.

"Como é que é suposto estar calmo? Temos uma equipa de meninos. Os mais velhos também nunca jogaram uma final. É suposto eu, enquanto treinador, estar lá para os guiar e dar dicas de como lidar com este momento. Que raio tenho eu para lhes dizer?", perguntou então um honesto Frodo Zarco, deitando abaixo as paredes que ocultavam as suas fragilidades.

Bilbo Himura não lhe respondeu de imediato. Permaneceu calado durante o que lhe pareceu uma eternidade antes de finalmente o mirar de soslaio, com um sorriso a bailar-lhe nos lábios.

"Estás a... como é que se diz isto em português... oh, what the hell, estás a overthinking this. É normal antes do jogo pensarmos demasiado. No que pode correr bem, no que pode correr mal, especialmente no que pode correr mal, no que vão pensar os adeptos, se vamos ser elogiados ou criticados, se a imprensa vai dizer que não estivemos à altura", adiantou, levantando dedos à medida que ia apresentando mais opções, "mas tudo isso passa quando a bola começa a rolar. Nesse momento, esqueces os adeptos, os amigos, a imprensa e as dúvidas. É um jogo com noventa minutos, onze de cada lado e uma bola. É isso que tens de dizer aos jogadores."

Julgou ter visto um rasgo de esperança na face branca de Frodo Zarco.

"Frodinho, sempre foste o overthinker entre nós. Eu queria era jogar, não pensava em nada mais excepto nos minutos antes do jogo quando me batia, de repente, que ia haver jogo. Tu é que estás sempre a pensar demais, já quando eras jogador parecias mais treinador do que jogador, e sofres por antecipação. Se forem como eu, os jogadores a esta hora devem estar a dormir e ainda nem pensaram bem no assunto. Amanhã vão pensar nisso, e quando estiverem nervosos vais estar lá tu para os acalmar."

"Estou a ter um ataque de pânico, como raio vou ser convincente na hora de os acalmar? Achas que vão acreditar em mim?"

"Pegaste na miudagem e não só os guiaste à final da 'Caricada', como os levaste às Meias-Finais da Taça de Portugal. Isso não responde à tua questão?"

 

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O Amora eliminou o Famalicão nos Quartos-de-Final da Taça de Portugal

 

Reflectindo sobre aquele argumento, Frodo Zarco concordou qur alguma coisa deveria estar a fazer bem. O Amora pré-Projecto Oásis tinha os Quartos-de-Final como melhor prestação de sempre na Taça de Portugal, quando em 1993 a equipa então treinada por Jorge Jesus caiu aos pés do Benfica. Nas duas últimas épocas, o Maior da Margem Sul igualou sempre essa marca, mas foi em ambas ocasiões eliminado pelo Vitória SC.

Nesta época, porém, o Amora bateu o seu melhor registo histórico ao eliminar o Famalicão, alcançando o inédito feito de chegar às Meias-Finais da Prova Rainha.

"O que vale é que vinha preparado para isto...", Bilbo Himura interrompeu a introspecção de Frodo Zarco. Levantou-se e pegou no embrulho que deixara em cima da secretária. "Vou apresentar-te ao segredo que me ajudou nestes anos todos nas vésperas de jogos grandes. Além disso, está na hora de colocar alguma cor nessa carinha branca que aí tens..."

Frodo Zarco olhou para as mãos do amigo e ficou chocado.

"Whiskey?!?"

"Não é whiskey; é Cardhu", contrapôs Bilbo Himura, fingindo ter ficado ofendido.

Serviu o conteúdo da garrafa em dois copos e sentou-se, inalando o aroma que exalava do que segurava na sua mão.

"Isto não é...", Frodo Zarco hesitou, procurando as palavras, "pouco profissional, digamos, beber álcool na véspera de um jogo?"

"Frodinho, meu palerma, tive este ritual antes de cada final que disputei. Tive colegas que ouviam música, outros wue viam vídeos motivacionais, o Cristiano andava com tabelas nutricionais e horários para saber quando comia e quando se devia deitar. Eu bebia um copo de Cardhu. Achas que me saí mal?"

Teve de concordar que a carreira de Bilbo Himura foi bem sucedida. Talvez o seu ritual o ajudasse mesmo. Bebeu um pouco do conteúdo do copo, fazendo a cara feia que é habitual em quem não está habituado a saborear whiskey e que provocou risos ao seu amigo.

"Amanhã é um grande dia. Hoje precisas de relaxar. Vais dormir como uma pedra e amanhã estás como novo", disse, levantando-se de seguida. "E vamos dar alguma cor a este quarto também, isto está demasiado depressivo." E abriu os cortinados.

Perante eles surgiu uma vista magnífica da cidade de Lisboa. O sol há muito se escondera no horizonte. A cidade era uma moldura de luzes coloridas na bruma da noite, assinalando casas e hotéis ao longo das colinas. Algumas luzes amareladas e avermelhadas em rápido movimento denunciavam o trânsito numa das artérias rodoviárias da cidade. A chuva que caía, natural no final de Janeiro, criava pequenas gotículas que desciam pelos vidros, apressadas como se estivessem numa corrida para ver quem os percorria primeiro.

Ambos forçaram a vista para ver, à distância, a Margem Sul. Era apenas uma sugestão de luzes, mas via-se, para além da Ponte 25 de Abril e do Rio Tejo, algumas luzes nas encostas de Almada.

"Como será que a malta está a viver isto?"

"Na Margem Sul?", questionou Bilbo Himura, obtendo um aceno de cabeça em sinal positivo de Frodo Zarco. "Não faço ideia. É a primeira vez que uma equipa da região chega a uma final de uma Taça. Bem, aparte o Vitória, mas esses são de Setúbal, não são bem Margem Sul... tu percebes o que quero dizer."

Frodo Zarco percebia. E concordava. O Amora iria disputar a final da Taça da Liga e era a primeira equipa do concelho do Seixal, em particular, e de todos os restantes concelhos da Margem Sul no geral, a fazê-lo - aparte Setúbal. A pressão era imensa e era um dos motivos para estar tão ansioso.

Mas o whiskey, verdade seja dita, estava a ajudá-lo.

"Frodo, não penses demasiado nisto. Ganhar será bom, sim, mas não será o fim do nosso projecto se isso não acontecer. É só mais um passo, um passo que queríamos dar, mas um passo apenas. Coisas boas hão de vir depois, seja qual for o resultado de amanhã. Temos a Taça de Portugal e o campeonato."

Emborcou o último golo do seu copo antes de completar.

"Em especial o campeonato. Esse é o nosso objectivo principal. Temos a Europa à porta e isso ninguém nos vai tirar."

 

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Havia verdade naquelas palavras. As Taças eram importantes, sim, mas era a Primeira Liga o objectivo. Alcançar o apuramento para as competições europeias era o próximo passo lógico para o crescimento do Amora.

O Maior da Margem Sul já não era apenas um epíteto fanfarrão usado nas redes sociais do clube. Em Janeiro de 2026, o Amora era verdadeiramente uma equipa reputada e temida pelos seus adversários. Os seus jogadores cresciam em visibilidade e tornavam-se apetecíveis para outros clubes, e, na mesma medida, os próprios jogadores começavam a sonhar com outros palcos em que pudessem brilhar.

Tornou-se recorrente o reconhecimento de observadores de outros clubes na Medideira, avaliando os jogadores de Frodo Zarco como potenciais reforços. Na verdade, se os rumores fossem verdadeiros haveria interessados em metade do plantel! Frodo Zarco não saberia dizer quantos daqueles clubes avançariam com propostas concretas, mas alcançar as competições europeias e dar aos seus jogadores o palco para as disputarem sem terem necessidade de saírem para lá jogar, isso seria essencial para evitar uma debandada generalizada.

Infelizmente, para um dos jogadores já não iria a tempo. O Barcelona, há muito interessado em Isaac Monteiro e após vários meses de observações, avançou mesmo com uma proposta concreta para a aquisição do menino. A proposta apresentada tinha valores irrecusáveis para um emblema modesto como o Amora e o próprio jogador não queria perder aquele comboio. Quem sabe se passaria novamente...

A única coisa que o Amora conseguiu garantir foi o adiar da saída do jogador. As negociações foram complexas: o Barcelona queria levar o jogador no imediato; o jogador queria cumprir o sonho de menino de jogar por um clube daquela dimensão; o Amora não queria perder o fabuloso encaixe financeiro do negócio, mas pretendia evitar a saída de um elemento fulcral do plantel a meio da temporada.

Acabou-se por encontrar um consenso entre todas as partes: Isaac Monteiro sairia do Amora no final da temporada por um valor de 22,5 milhões de euros, salvaguardando o clube da Medideira um encaixe de 25% de uma futura transferência. Acabou por ser um negócio que agradou a todas as partes envolvidas.

 

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Uma grande parte dos jogadores do Amora tinham interessados nos seus concursos [bolas verdes à esquerda]...

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... e até jogadores ainda à procura de se afirmarem tinham observadores atentos à sua evolução...

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... felizmente, apenas Isaac Monteiro foi alvo de uma proposta concreta...

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... tendo as negociações permitido alcançar condições vantajosas para o Amora

 

"Frodo, relaxa, descansa, amanhã vai ser um dia de emoções ao rubro", recomendou Bilbo Himura enquanto se levantava. "Não penses demasiado, esquece estas folhas riscadas que para aqui tens."

Frodo Zarco nem teve tempo para reclamar. Bilbo Himura pegou nas suas folhas, amachucou-as e deitou-as dentro do saco em que trouxera o whiskey.

"Até amanhã!", e, dito isto, fechou a porta atrás de si.

Frodo Zarco ficou a olhar para a porta durante alguns segundos. Encolheu os ombros e voltou a recostar-se no sofá, olhando pela janela para a noite escura de Lisboa. A chuva caía agora com maior intensidade, com bátegas que batiam com estrondo nas janelas envidraçadas diante de si.

Esticou-se para apanhar a garrafa e deitou mais algum conteúdo no copo. Bebeu-o lentamente enquanto observava as luzes, agora difusas à distância por acção da cortina de chuva que se abatia sobre a cidade.

Bilbo Himura tinha razão. Tinha de relaxar naquela noite. O dia seguinte seria longo e emotivo.

 

 

Em spoiler, jogos deste ciclo e alguns dados adicionais

 

Os meses de Dezembro e Janeiro foram, como é habitual, um período de sobrecarga competitiva. Entre 19 Dezembro e 27 Janeiro, exactamente quarenta dias, disputámos dez jogos: dá exactamente um jogo a cada quatro dias.

Como consequência, não repeti o onze uma única vez em jogos consecutivos. Toda a gente jogou. Rodei sempre cinco a seis jogadores de um jogo para o seguinte. Para complicar ainda mais as contas, os dois médios centro habitualmente titulares nos vértices mais avançados do triângulo do meio-campo, Martim Watts e Papou Mendes, lesionaram-se e falharam vários jogos.

O resultado prático foi uma ligeira quebra nos resultados para a Primeira Liga. Em sete jogos, vencemos quatro e perdemos três. Curiosamente, não empatámos nenhum, o que é uma inflexão total do que fizemos na época passada em que o resultado padrão era o empate.

Com isto, Sporting e Porto afastaram-se (o que já era esperado), o Benfica passou-nos (o que era expectável) e o Vitória SC aproximou-se, mas já temos um fosso significativo para Paços de Ferreira e Boavista na luta pelos lugares europeus. Isto ao mesmo tempo que temos a final da Taça da Liga e as Meias-Finais da Taça de Portugal.

Acho que estamos bem. Muito bem, até.

O maior problema está a ser gerir as expectativas dos jogadores. O Isaac Monteiro, como mostrei no Capítulo, está de malas feitas para Barcelona e cumprirá o resto da época por cá antes de entrar no avião, mas está com a cabeça no Barcelona. O Capixaba tem sido elogiado e já declarou publicamente que quer sair para um clube maior. Volta e meia aparecem notícias do interesse de alguém em algum jogador e este fica logo meio distraído com a atenção da imprensa.

Ir às competições europeias é essencial para garantir que os jogadores não queiram forçar saídas para outros clubes com maior visibilidade. Temos de lhes dar esse nível competitivo agora, caso contrário haverá uma debandada e não tenho por agora jovens prontos a entrar na equipa que os substituam, o que seria catastrófico...

Já agora, o Diogo Travassos, que na época passada esteve emprestado pelo Sporting, saiu para o Bayern por 24M. Tendo em conta que não jogou pela equipa principal do Sporting, posso reclamar o nosso mérito na valorização do menino. Não que nos tenha rendido dinheiro, claro, mas fico algo orgulhoso de o ter ajudado a dar esse passo pois foi a representar o Amora que valorizou o suficiente para o Bayern o ter contratado.

Bem, passando aos jogos, deixo os prints e uma breve descrição para os enquadrar, como é habitual (vou saltar os jogos da Taça de Portugal porque lhes darei atenção noutro Capítulo).

 

 

A segunda volta começou com a recepção ao Boavista. Tínhamos contas a ajustar com os boavisteiros depois da derrota no Bessa na primeira jornada.

Dominámos um jogo em que não houve grandes ocasiões, mas em que um esforço final nos garantiu os três pontos. Foram justos.

 

 

Quatro dias depois fomos à Capital do Móvel e voltámos com uma derrota. O jogo foi intenso e teve cinco golos. Andámos sempre atrás do prejuízo, empatámos por duas vezes, na fase final quando poderia ter caído para qualquer dos lados - e desperdiçámos duas boas ocasiões para passar para a frente - foram os da casa que marcaram o golo decisivo num lance algo fortuito.

Era importante vencer o Paços de Ferreira porque estavam nesta fase a realizar uma grande recuperação e a começar a aproximar-se dos lugares europeus, mas não conseguimos.

O Icardi que marcou o segundo golo deles é quem estão a pensar, sim.

 

 

Último dia do ano 2025, recepção ao Futebol Clube do Porto.

Tivemos um início horrível. No primeiro lance dividido, aos 23 segundos de jogo, o António Silva caiu mal e lesionou-se. Logo depois, o Yussuf Poulsen abriu o activo. Por esta altura, passou-me pela cabeça que iríamos levar uma tareia, mas a miudagem mostrou carácter e foi em busca do empate. O Nélson Victor, apesar dos seus 18 aninhos, entrou bem no centro da defesa e o Leonardo Brandão marcou o golo da praxe - vai destacado na liderança dos melhores marcadores.

O jogo continuou equilibrado até que o Martim Watts sofreu uma entrada dura e saiu lesionado. Quebrámos com a segunda lesão no jogo, não só porque me limitou as opções para mexer na equipa como a perda da nossa unidade de potência afectou a nossa performance.

Ainda assim, parecia tudo encaminhado para o empate quando o Pepê marcou de cabeça já nos descontos, tal como havia acontecido na Luz recentemente. Estive uns bons minutos a olhar para o smartphone a tentar ganhar coragem para prosseguir depois de mais um baque nos momentos finais do jogo, principalmente porque ainda tinha a memória fresca das derrotas na Luz e em Paços de Ferreira, na jornada anterior, também já no final.

Mais grave ainda, perdi o Martim Watts por três semanas.

 

 

Três dias depois do desaire contra o Porto, recebemos o Penafiel. Rodei praticamente toda a equipa, até porque estavam todos desgastados do esforço físico contra os dragões, mas a miudagem deu uma boa resposta.

O Diego Raposo vai marcando sempre que tem hipótese de jogar no lugar do Leonardo Brandão e só tenho pena de não poderem jogar os dois em simultâneo.

 

 

A deslocação ao Estoril deu-nos o terceiro desaire deste ciclo. O resultado foi justo. Tivemos a segunda parte para recuperar o resultado, mas fomos algo inconsequentes ofensivamente.

Talvez fruto da juventude do plantel, vamos do oito ao oitenta com alguma facilidade. Em alguns jogos dominamos o adversário de alto a baixo, noutros nem perigo criamos.

Ou então é o treinador que é um nabo, que é o mais provável.

 

 

Olhem aqui, do oito ao oitenta. Depois de no Estoril termos feito uma exibição ofensiva algo medonha, fomos a Coimbra golear a Briosa.

Três golos dos meninos, o Diego Raposo novamente a aproveitar a oportunidade ao entrar para o lugar do Leonardo Brandão logo no início da segunda parte.

A Briosa por esta altura luta para não descer e não sei se se aguentam para a próxima época...

 

 

E aqui mais um exemplo do que é ir do oito ao oitenta... no mesmo jogo.

Isto foi o último jogo antes da Final Four da Taça da Liga, que se disputava alguns dias depois, por isso rodei a maior parte da equipa. Mesmo assim, demos um banho de bola ao Famalicão. O Diego Raposo marcou dois golos, ambos anulados pelo VAR, o Roberto Longo marcou um golo de cabeça que, esse sim, foi validado, e tudo parecia certo para a vitória.

Do nada, o Famalicão foi uma vez lá à frente, um sujeito com um nome estranho que mais parece um gangster dos anos 50 saca de uma charutada a trinta metros da baliza e empata no único remate à nossa baliza.

Felizmente, o Diego Raposo não estava satisfeito com os dois golos anulados e sacou de um coelho da cartola já no final. Por uma vez na vida, fomos nós a garantir uma vitória nos últimos minutos.

 

 

Por fim, a vitória sobre o Braga na Meia-Final da Taça da Liga.

Um jogo sem grande história, felizmente. Marcámos dois golos na primeira parte nos que terão sido os dois lances ofensivos dignos de registo em toda a primeira parte de ambas as equipas. Metemos gelo na segunda parte, o Braga está muito, muito longe do nível que demonstraram na época passada, e a vitória foi mais tranquila do que imaginei.

Após o jogo, o Carlos Carvalhal foi despedido. Um pouco inglório, é verdade, dado que na época passada estiveram quase a ser campeões e a vencer a Taça de Portugal, mas este ano andam perdidos a meio da tabela... As coisas são como são.

Já tive Martim Watts e Papou Mendes para este jogo, mas ficaram ambos no banco pois acabaram de recuperar das lesões que os afectaram. Conto com eles para a final.

No próximo capítulo, a final da Taça da Liga.

Editado por Black Hawk
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A equipa está a atravessar uma grande fase mesmo, ideal seria agora alargar vantagem sobre o Vitória e acredito que o consigas. 

Nas Taças continuas em grande e numa delas até vais disputar a final, acredito que possas sonhar.

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