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Black Hawk

[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

Publicações recomendadas

Sinceramente não estava á espera de uma final tão complicada tendo em conta o adversário, mas a forma como aconteceu acaba por se rum tanto épica, com o prolongamento e ao golo do Joca no seu último jogo e por consequente a sua maior conquista e do clube. Não sei se ianda será possivel mas gostava de ver os atributos dele antes de se retirar.

Acaba por ser uma época incrivel, taça mais um 4º lugar muito positivo, estou muito curioso para ver como este Amora cheio de meninos se vai portar nas competições europeias e como vai reagir a um calendário mais preenchido.

Na tua opinião quem é o jogador mais imprescindivel da equipa? 

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Final épica mesmo e com conquista merecida. Amora nas bocas do mundo...e para ficar.

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Como já devem ter dado conta, não tenho postado atualizações. A verdade é que estamos em Agosto, tenho tido pouco tempo para jogar e menos ainda para escrever.

Atingimos o primeiro highlight da história com a última atualização, pareceu-me um bom momento para respirar um pouco e fazer outras coisas. Parecendo que não, o save leva sete meses e durante este tempo fiz atualizações regulares de três em três ou quatro em quatro dias com textos que não andam longe da dimensão de alguns capítulos de Game of Thrones.

Tenciono prosseguir quando tiver maior disponibilidade para jogar (e principalmente para escrever, que é o que ainda consome mais tempo).

Agradeço os posts que fizeram, prometo que quando retomar a história respondo a todos. E deixarei bastantes prints, de jogadores atuais, de novos e de antigos, que não estando já na equipa continuo a acompanhá-los.

Editado por Black Hawk
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Malta, uma ajuda. Onde é que fazem upload de imagens e gifs?

Costumo fazer no Imgur, mas a App de há uns tempos para cá dá um erro qualquer e não faz os uploads. O Imgur diz que é um erro identificado com utilizadores Android e que estão a tentar resolver, mas ainda nada.

Há alguma outra App que permita fazer upload rápido de vários ficheiros em simultâneo?

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Citação de Black Hawk, há 10 horas:

Malta, uma ajuda. Onde é que fazem upload de imagens e gifs?

Costumo fazer no Imgur, mas a App de há uns tempos para cá dá um erro qualquer e não faz os uploads. O Imgur diz que é um erro identificado com utilizadores Android e que estão a tentar resolver, mas ainda nada.

Há alguma outra App que permita fazer upload rápido de vários ficheiros em simultâneo?

Eu continuo a usar o Imgur mas faço pelo PC. Tenta o https://imageshack.com/, era o que usava antes

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Citação de F. Mota, há 9 horas:

Eu continuo a usar o Imgur mas faço pelo PC. Tenta o https://imageshack.com/, era o que usava antes

Exige registo ou há alguma opção para usar anonimamente?

Não que me faça diferença, desde que seja gratuito e permita carregar imagens e gifs sem limites, está bom.

Editado por Black Hawk

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Citação de Black Hawk, Em 14/09/2022 at 19:57:

Exige registo ou há alguma opção para usar anonimamente?

Não que me faça diferença, desde que seja gratuito e permita carregar imagens e gifs sem limites, está bom.

Uso este https://pt.imgbb.com/

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Faz hoje exatamente dois meses que decidi fazer uma pausa no save. Tenciono retomá-lo e, para esse efeito, vou fazer uma espécie de rewind do save até ao momento - afinal de contas, isto começou em Janeiro.

Vai ter cinco partes, uma por cada temporada, nos quais resumirei os 42 capítulos da história, perfeito para quem quiser recordar ou para quem não tiver acompanhado e o queira fazer sem estar a ler tudo.

O primeiro tem alguma contextualização e apresentação das duas personagens principais e de alguns jogadores, por isso será mais longo que os próximos, mas ainda assim será mais curto que os capítulos habituais.

 

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Rumo ao Oásis - parte 1

 

Capítulos de referência:

Introdução

Capítulo I - Frodo Zarco

Capítulo II - O capitão Joca

Capítulo III - O matador renascido

Capítulo IV - O Estádio da Medideira

Capítulo V - Espírito Azul, parte 1

Capítulo V - Espírito Azul, parte 2

Capítulo VI - Uma torrada e um galão

 

"... Martim Maia joga curto no outro Martim [Watts]. Rodopia a 'unidade de potência' sobre o adversário, sai o Amora para mais um ataque, NÃO DE-SIS-TE o maior da Margem Sul! Olha Martim Watts com a bola! Progride em zona central, leva um adversário à ilharga, solta no menino Jéferson, combina de primeira com Diego Raposo, NÃO CON-SE-GUE fazer passar a bola... [nota-se a desilusão na voz do locutor seguida por um súbito entusiasmo]... mas sobrou para Joca! Olha Joca! Olha Joca! Joca! Joca!... Jooooooooca! [ouvem-se em fundo gritos de golo dos comentadores] Goooooooolo! Amora, Amora, Amoooooora! Gooooooooolo... [falha a voz ao narrador e ouvem-se em fundo os festejos dos adeptos no estádio]... Está feito! O capitão Joca coloca FI-NAL-MEN-TE o Amora em vantagem no Jamor!..."

Narração em direto do golo de Joca na final da Taça de Portugal por uma rádio regional da Margem Sul

 

O dia 24 de Maio de 2026 será uma data que amorense algum jamais esquecerá. Foi nessa gloriosa tarde que o Maior da Margem Sul, o centenário Amora Futebol Clube, conquistou o seu primeiro grande troféu nacional.

Um feito notável para qualquer clube. Bem, para qualquer clube, não; para os Três Grandes do futebol português, vencer uma Taça de Portugal não passaria de uma nota de rodapé em compêndios repletos de conquistas, títulos nacionais e até europeus. Porém, para um modesto clube como o Amora, discretamente instalado nas margens da Baía do Seixal, esse era o seu maior momento de glória.

Mais ainda quando olhamos para trás e nos apercebemos que há não mais de cinco anos o Amora militava no terceiro escalão do futebol português, e há pouco mais de uma década andava perdido e à beira da extinção nos campeonatos distritais da Associação de Futebol de Setúbal.

Como foi que um clube tão modesto surgiu de rompante entre a elite do futebol português, revelando-se como a maior força além dos Três Grandes e intrometendo-se na discussão por troféus que deveriam estar fora do seu alcance? O meu nome é Black Hawk e essa é a história que vos convidamos a recordar. E, como todas as histórias, começam pelo princípio.

E o princípio é Bilbo Himura.

 

Bilbo Himura, o Battosai

Bilbo Himura é um dos nomes intemporais do futebol português. Não se admirem pelo apelido estranho - dizem que o pai do pai do avô de Bilbo era japonês. Se lhe corria nas veias algum sangue nipónico, ter-se-á diluído por completo com o tempo; a aparência de Bilbo é tão portuguesa quanto a de qualquer outro português, se é que existe alguma coisa que se possa caracterizar como "aparência portuguesa". O importante a ressalvar é que Bilbo Himura nasceu em Lisboa, como tantos outros portugueses, filho de naturais da Margem Sul.

Foi na pacata Cidade de Amora que cresceu e revelou jeito para dar pontapés na bola. Rapidamente a sua estreita amizade com o esférico chamou a atenção de outros clubes mais poderosos que o levaram do Amora Futebol Clube, num caminho que o faria representar vários dos mais reputados clubes europeus. Conquistou títulos nacionais em catadupa em diversos países, várias Ligas dos Campeões Europeus e estava inclusivamente em campo a representar a selecção de todos nós quando Éder marcou o golo mais importante da história do futebol português.

Aqui que ninguém nos ouve, há muitos que continuam plenamente convencidos que ele foi o maior talento da sua geração, mas saiu prejudicado nessas contas por não marcar tantos golos como um certo astro madeirense - e sabemos como tantas vezes se valoriza mais os golos marcados do que quem cria as ocasiões para isso acontecer.

Aviso desde já que também posso estar a ser parcial. Fui dos primeiros a ver o Bilbo correr atrás de uma bola ainda ele era um pirralho pouco maior do que ela, pelo que a minha opinião será enviesada pelo meu afecto pelo Bilbito, como lhe chamava a mãe quando estava bem disposta. Quando não estava bem disposta e aparecia de chinelo na mão à procura dele porque já era noite e ainda não tinha voltado a casa... não posso citar aqui o que a boa senhora proferia, isto pode ser lido por menores de idade.

Mas já estou a divagar e não vos quero maçar com memórias que me são queridas, mas que aos leitores podem não ser interessantes. O que importa para o caso é que Bilbo Himura foi um dos melhores jogadores de sempre do futebol português. Terminada a carreira, voltou à sua terra natal para o que todos julgavam ser uma reforma antecipada. Não estava destinado a sê-lo.

 

"O meu sonho é dar aos jovens da Margem Sul, como eu fui um dia, as condições para fintarem a pobreza, os vícios e os maus caminhos. Para que possam prosperar, terem esperança e um rumo para uma vida melhor. Criar um Oásis no deserto da Margem Sul"

Bilbo Himura durante a conferência de imprensa em que anunciou a aquisição do Amora Futebol Clube

 

Naquela tarde de 30 de Julho de 2021, a sala de imprensa do Estádio da Medideira foi pequena para a enxurrada de jornalistas que a invadiu. Não é que a imprensa estivesse particularmente interessada nos destinos do Amora Futebol Clube; muitos dos jornalistas até devem ter precisado de um GPS para saberem ao certo como raio chegar a um certo sítio chamado Medideira. Era a presença de Bilbo Himura, o Battosai, como lhe chamavam, que os atraía como o mel atrai formigas.

As formigas eram mais que muitas, acotovelando-se para encontrarem um espaço em que pudessem erguer microfones, telemóveis ou máquinas fotográficas. Alguns nem falavam português. Imaginem, jornalistas internacionais a virem de propósito a Portugal para uma conferência de imprensa na Medideira. Se me tivessem contado que isso um dia aconteceria, ia atrás deles com um pau para lhes bater porque estavam a mentir e mentir é feio. [Dou reputação a quem reconhecer esta referência]

 

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O Estádio da Medideira em dia de jogo, situado nas margens da Baía do Seixal, em plena Margem Sul; naquele dia, se calhar nem as bancadas seriam suficientes para albergar todos os jornalistas que surgiram

 

Lá estou eu a divagar de novo. Regressando ao ponto: Bilbo Himura, no dia 30 de Julho de 2021, anunciou ao mundo que comprou o Amora Futebol Clube.

Quem sonhou com investimentos megalómanos apanhou uma tremenda desilusão. Bilbo Himura foi claro desde o primeiro dia: iria regularizar as avultadas dívidas do clube, investir nas infraestruturas do clube... e era isso. O orçamento do Amora continuaria a depender dos retornos publicitários, das quotizações dos sócios e das receitas de bilheteira. O eventual sucesso do clube deveria depender do sucesso do seu projecto desportivo e não da injeção de capitais.

O foco do projeto, que ficaria popularmente conhecido como Projecto Oásis, seria a aposta na formação de jogadores. Ou, como Bilbo Himura tão eloquentemente afirmou: "dar aos jovens da Margem Sul, como eu fui um dia, as condições para fintarem a pobreza, os vícios e os maus caminhos."

Quando o plantel do Amora reuniu no relvado da Medideira para a primeira sessão de trabalho com a nova equipa técnica, no dia seguinte ao da conferência de imprensa de Bilbo Himura, o cenário era... bem, digamos que ninguém tinha propriamente grandes expectativas para a nova temporada.

 

O plantel principal do Amora Futebol Clube 2021/22

Aqui convém relembrar o que foi o Amora na época anterior à da entrada em cena de Bilbo Himura.

O Amora 2020/21 foi uma equipa que orgulhou os amorenses. Treinado por Bruno Dias, o Amora disputou o Campeonato de Portugal, então o terceiro escalão nacional. Foi um ano de mudanças. A Federação Portuguesa de Futebol anunciou a criação da Liga 3, que passaria a ser o novo terceiro escalão do futebol português. O primeiro classificado de cada grupo do Campeonato de Portugal teria presença garantida na nova competição, podendo ainda discutir a promoção à Segunda Liga numa segunda fase de grupos em que participavam os primeiros de todas as Séries.

Apesar do bom futebol praticado ao longo da temporada, o Amora terminaria apenas num honroso segundo lugar atrás do Vitória Futebol Clube - que na época anterior tinha alcançado a manutenção na Primeira Liga, sendo despromovido na secretaria para o Campeonato de Portugal. Falhado o acesso à fase de apuramento para a Segunda Liga, o Amora disputou a fase a promoção à Liga 3, vencendo o seu grupo com distinção - e assim garantiu a sua presença na Liga 3 na sua época de estreia.

 

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O Amora falhou o apuramento para a Fase de Promoção à Segunda Liga ao terminar em segundo lugar na Fase Regular, atrás do Vitória FC...

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... assegurando o apuramento para a Liga 3 na fase seguinte após vencer o seu grupo

 

A equipa apresentava resultados dentro de campo, mas o ambiente nos bastidores não era o melhor. A Direcção do Amora tornou-se instável e a indefinição quanto ao futuro do clube levou à implosão dessa brilhante equipa treinada por Bruno Dias. Além do próprio treinador e respetiva equipa técnica terem saído do clube, todos excepto seis jogadores procuraram outras paragens. Sim, leram bem: apenas ficaram seis jogadores.

Foi uma debandada geral dos bons valores do plantel, incluindo jogadores como Alexsandro e Bruno Langa, ambos com destino ao Chaves da Segunda Liga; Aloísio Souza, que também foi disputar a Segunda Liga, neste caso ao serviço do Estrela da Amadora; João Sousa, que rumou ao Alverca; Fábio Pala, novo reforço do Real SC; Tiago Feiteira, que se mudou para os vizinhos do Oriental Dragon; Landinho, que reforçou o Fafe; Henrique Brito, que encontrou em Felgueiras a sua nova casa; ou o goleador Matheus Souza, que se mudou para o Lusitânia de Lourosa.

[Neste ponto quero só comentar que se calhar muitos não sabiam que o Alexsandro, hoje jogador do Lille depois de brilhar um ano no Chaves, e o Bruno Langa, atual titular no Chaves da Primeira Liga, tiveram nessa época do Amora as suas rampas de lançamento]

A nova temporada foi planeada à pressa e muitos dos reforços foram os possíveis dada a instabilidade quanto ao futuro do clube. Quando Bilbo Himura anunciou a aquisição do clube, faltavam apenas duas semanas para o primeiro jogo oficial da temporada. Os bons jogadores já tinham clube - não havia tempo para retoques de última hora, o Amora teria de ir à guerra com o que tinha.

 

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O novo grupo de trabalho reunido naquela amena manhã de 31 de Julho de 2021, no dia seguinte à conferência de imprensa de Bilbo Himura, tinha apenas seis caras que transitavam do plantel anterior: David Grilo, Pedro Farrim, Hélio Cruz, Gildo, Joca e Gabriel Capixaba eram os seus nomes. Os restantes elementos do plantel de vinte e sete jogadores eram, na sua maioria, autênticas incógnitas.

Aliás, a nova equipa técnica não demorou mais de uma semana de treinos a identificar que apesar dos muitos jogadores no plantel, a maioria das posições carecia de qualidade e profundidade.

 

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O relatório da equipa técnica era bastante conclusivo quanto às limitações e deficiências do plantel...

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... e as expectativas para a nova temporada refletiam essa percepção

 

Ainda assim, nem tudo era mau. A nova equipa técnica teve tempo para realizar dois jogos amigáveis nas duas semanas que antecederam a 1ª jornada da Liga 3 e foi perceptível que alguns jogadores destacavam-se e seriam figuras de proa do novo Amora - e, como sabemos hoje, todos eles marcaram o trajeto do Maior da Margem Sul até à conquista da Taça de Portugal.

 

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David Grilo era um dos jogadores que transitava da época anterior. Seguro entre os postes e uma voz sempre ativa na organização defensiva, o guardião era um dos preferidos dos adeptos.

 

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O experiente central Juary, que também podia jogar na lateral direita, rapidamente tornou-se uma das vozes fortes no balneário. Dono de uma técnica aceitável, dava opções para a equipa sair a jogar apoiado desde trás.

 

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Como contraponto a Juary, Rony Fernandes era um rochedo. Alto, forte e entroncado, dava poderio aéreo no centro da defesa sem ser um estorvo com a bola nos pés.

 

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O lateral Lucas Silva era talvez a grande contratação do Amora para a nova temporada - uma das poucas coisas bem feitas no planeamento desta temporada. Veloz e bem dotado tecnicamente, poderia fazer toda a ala esquerda funcionando como um ala ofensivo.

 

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Martim Maia, jovem médio defensivo proveniente do futebol polaco, prometia ser um pêndulo no meio-campo amorense graças à sua qualidade técnica. Também não passou despercebido a ninguém que havia nele muito talento para polir.

 

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O veterano Léléco era uma das poucas certezas do novo Amora. Depois de várias temporadas a espalhar magia na Olhanense, onde chegou a ser capitão de equipa, o afroastro, como ficaria conhecido pelo grupo de trabalho em homenagem ao seu penteado afro, encheria o relvado da Medideira com o seu perfume a bom futebol.

[Léléco tem um capítulo que lhe é dedicado (embora seja de um ponto mais adiantado da história, já na segunda época) - ver Capítulo X - O afroastro]

 

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No ataque, Gabriel Capixaba. O extremo brasileiro era outro dos jogadores que tinham ficado do plantel anterior. Jovem, rápido e com boa qualidade técnica, tinha faro para o golo e invadia muitas vezes a área em movimentos diagonais a partir do flanco.

[Gabriel Capixaba tem um capítulo que lhe é dedicado (embora seja de um ponto mais adiantado da história, já na terceira época) - ver Capítulo XV - Gabriel, o capixaba]

 

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O ataque do Amora tinha ficado órfão de Matheus Souza e não seria fácil fazê-lo esquecer. Flávio Silva foi um dos reforços cujo objetivo passaria por consegui-lo. Embora tenha passado pelas formações de Sporting e Benfica, com algum sucesso especialmente nos júniores das águias, tardava em explodir no futebol sénior, acumulando passagens sem deixar marca por vários clubes. Aos 25 anos, o Amora seria o seu sexto clube desde que terminou a sua formação.

Flávio Silva teria um início de época algo discreto, em particular porque se lesionou com alguma gravidade. Quando voltou à competição, foi conquistando o seu espaço aos poucos até se tornar indispensável à equipa, ganhando a alcunha de matador renascido entre os colegas - e que rapidamente foi adoptada pelos adeptos.

[Flávio Silva tem um capítulo que lhe é dedicado - ver Capítulo III - O matador renascido]

 

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Joca.

Que há a dizer sobre Jorge Monteiro, conhecido por Joca entre os amigos e no mundo do futebol?

Joca era aos 29 anos de idade o capitão do Amora. Nascido na região, começou a jogar pelo Amora aos seis anos de idade, cumprindo todos os escalões de formação com a camisola azul. Estreou-se pela equipa principal aos 19 anos. Jogou como amador nos campeonatos distritais quando o Amora esteve à beira da extinção. Nesse período, Joca tinha de trabalhar de noite pois os treinos apenas podiam ser feitos durante o dia - o Amora não tinha dinheiro para pagar a eletricidade necessária para a iluminação artificial que lhes permitisse treinar à noite.

Nunca saiu, mesmo quando surgiram propostas de outros clubes. Continuou no Amora apesar das dificuldades e acompanhou o regresso do Maior da Margem Sul aos campeonatos nacionais. Em 2021, com mais de vinte anos consecutivos de casa, era o capitão de pleno direito do Amora e um dos seus melhores jogadores.

[Joca tem um capítulo que lhe é dedicado - ver Capítulo II - O capitão Joca]

 

Reforços

 

A temporada principiou sem que o Amora trouxesse reforços de monta; como já foi referido, as novas Direcção e equipa técnica chegaram duas semanas antes do primeiro jogo oficial e não havia jogadores livres que pudessem dar um incremento de qualidade individual ao plantel. Contratar com custos associados estava fora de questão - Bilbo Himura não iria injetar dinheiro para esse efeito e o Amora não tinha recursos para isso.

Assim, apenas dois novos jogadores foram inscritos já com a temporada a decorrer. Ambos jovens e sem clube, a ponderar terminarem as suas carreiras, o Amora deu-lhes a mão e uma segunda oportunidade para vingarem enquanto profissionais.

Também era esse o objetivo do Projeto Oásis, não era? Abrir portas aos jovens e dar-lhes a oportunidade de terem um futuro. Essas duas contratações mostraram desde o início a verdadeira face do projeto - e hoje sabemos como, para o bem e para o mal, o novo Amora foi ortodoxo na sua implementação.

 

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O central João Carvalho foi a primeira cara nova a entrar. Com apenas dezoito anos, o menino provinha de uma família carenciada da região e abandonou um interessante percurso pelas camadas jovens para começar a trabalhar para ajudar no sustento familiar. Foi a proposta do Amora que o fez retornar ao futebol.

Era um calmeirão com cara de menino. Alto, embora franzino, tinha alguma velocidade e margem para evoluir. E oh!, se evoluiu. Com um regime de treinos específico e a alimentação adequada, o menino franzino cresceu em largura e massa muscular. Quando foi necessário entrar na equipa devido a uma vaga de lesões, fê-lo com tamanha autoridade que não mais saiu do lugar e obrigou o Amora a mover Juary de central para a lateral direita.

Seria um dos elementos preponderantes da primeira fase desta história, como terão oportunidade de perceber.

 

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O outro reforço foi Papou Mendes. Médio internacional pelas seleções jovens de Portugal, de ascendência guineense, seria várias vezes opção a saltar do banco durante os jogos para o lugar de Fidelis Irhene.

Não brilhou como João Carvalho na sua primeira temporada, mas a sua qualidade técnica e a sua velocidade natural, que lhe permitia cobrir um grande raio de ação em campo, não passavam despercebidas.

Acabaria por ser preponderante em grande parte desta história, mesmo que inicialmente a sua contribuição tenha sido algo discreta.

 

A equipa técnica do Amora Futebol Clube

 

Por esta altura, julgo ser relevante introduzir aquela que será porventura a personagem principal desta história: Frodo Zarco.

Frodo Zarco é amigo de infância de Bilbo Himura. Eram inseparáveis; quem viveu na Cidade de Amora em finais dos anos 1980s, inícios de 1990s, recordar-se-á decerto de os ver juntos a deambular pelas ruas da Cruz de Pau. Ora a jogar às escondidas, ora a pedalar nas suas velhas bicicletas BMX, a maioria das vezes a correr atrás de uma bola - que tanto podia ser uma bola de futebol à qual já faltava a camada exterior como uma bola de ténis, uma bola saltitona ou uma lata comprimida com o formato de um disco, qualquer outra coisa que desse para chutar.

Estão a ver aqueles momentos em que estão entre amigos a relembrar antigos jogadores de quem já não se lembravam? O Frodo Zarco foi um desses jogadores que se destacou o suficiente para chamar a atenção durante a sua carreira, mas não tanto ao ponto de perdurar na memória após pendurar as botas. Enquadra-se ali na bitola de nomes como o Bilro ou o Abílio; jogadores que todos conhecem, mas em quem não se pensa diariamente e que causam ataques de nostalgia quando são relembrados.

Enquanto Bilbo Himura saiu do Amora ainda adolescente para integrar a formação de um dos grandes de Lisboa, Frodo continuou e terminou a sua formação pelo Amora, estreando-se pela equipa principal do Maior da Margem Sul aos 19 anos. Não tardaria a chamar a atenção de outros clubes e teve uma carreira interessante, passando por Estrela da Amadora - onde conquistaria o primeiro título da sua carreira como campeão da Segunda Divisão -, Belenenses e Académica.

Foi nos estudantes que viveu o seu maior momento de glória enquanto futebolista, conquistando a Taça de Portugal numa final épica no Estádio do Jamor, frente ao Sporting - final em que entrou já na fase final do jogo, contribuindo com a sua inteligência tática no meio-campo quando a Briosa tentava a todo o custo preservar a vantagem mínima alcançada pelo golo de Marinho.

 

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Frodo Zarco fez parte da equipa da Briosa que venceu a Taça de Portugal em 2012

 

Coimbra foi uma espécie de segunda casa para Frodo Zarco, onde viveu alguns dos melhores anos da sua carreira. Infelizmente para ele, não duraria para sempre. As lesões atacaram-no fortemente. No seu último ano em Coimbra, precisamente no ano da conquista da Taça de Portugal, Frodo passou mais tempo lesionado do que a jogar. A sua periclitante condição física ditou a decisão da Académica em não lhe renovar o contrato e, assim, a final da Taça de Portugal foi o seu último jogo pela Briosa.

Já a entrar nos trintas, Frodo Zarco prosseguiu a sua carreira na Olhanense, onde ficaria apenas uma temporada e acabaria dispensado pelo mesmo motivo. Dir-se-ia que um jogador inteligente como ele perceberia que talvez fosse altura de terminar ali a sua carreira, mas o amor ao futebol era mais forte do que a razão - e quem o poderia censurar?

Depois de um ano no Algarve, voltou para perto de casa, aceitando uma proposta do Atlético, recém-promovido à Segunda Liga. Mas os seus últimos anos enquanto futebolista foram penosos. Ele tentou, a sério que tentou, mas os joelhos não queriam colaborar. Duas épocas no Atlético e uma última no Oriental, todas na Segunda Liga, fizeram-no render-se às evidências: jogar futebol profissional já era mais um sofrimento do que um prazer.

Frodo Zarco, então com 33 anos, colocou um ponto final na sua carreira de jogador.

Foi previdente. Sabendo que o fim eventualmente chegaria, Frodo investiu na sua formação enquanto ainda era profissional, acumulando cursos de gestão desportiva e de treinador. Há quem diga que todo o Projecto Oásis foi desenhado por si e que Bilbo Himura, cuja amizade nem a distância logrou afetar, apenas deu o nome, a cara e, claro, o dinheiro. [mais sobre isto na introdução do Capítulo XIX - O centésimo jogo].

Se é verdade, fica ao critério de cada um. O que sabemos é que quando Bilbo Himura tomou as rédeas do Amora, foi Frodo Zarco a sua primeira e única escolha para treinador principal. Hoje sabemos que foi uma decisão afortunada - um autêntico EuroMilhões que saiu ao Amora -, mas na altura fez os adeptos torcer o nariz.

"Um treinador sem experiência?", perguntavam uns tantos, desagradados.

"Belo tacho que o Frodo recebeu do amigo", reclamavam outros quantos, insatisfeitos.

"Vamos lá ver se isto não nos sai caro", temiam quase todos, ansiosos.

Não dava para os condenar - as dúvidas eram legítimas. Era o primeiro trabalho dele não só como treinador, mas como membro de uma equipa técnica.

Frodo Zarco não demoraria muito a responder às reservas de todos os amorenses.

 

O percurso do Amora em 2021/22

O contexto descrito nos parágrafos anteriores deixaram os amorenses com o legítimo receio de uma desgraça na nova temporada. Os primeiros jogos vieram colocar alguma água na fervura. Mesmo sem deslumbrar, o Amora somou alguns pontos nos primeiros jogos e mostrava algum potencial para ir evoluindo ao longo do ano, o que fez crescer alguma expectativa entre os adeptos.

À 5ª jornada, e apesar de uma derrota com o Real SC e um empate caseiro perante o Cova da Piedade, o Amora era 3º classificado na Zona Sul da Fase Regular da nova Liga 3. A equipa não praticava um futebol espetacular, mas demonstrava competitividade. Os jogos eram renhidos, mas a atitude do Amora em campo fazia os adeptos acenar com a cabeça em sinal de aprovação.

Um jogo em especial serviu para unir definitivamente adeptos e equipa. A 26 de Setembro de 2021, o Amora recebeu o Anadia para a 2ª Eliminatória da Taça de Portugal. O Anadia era outra equipa da Liga 3 - disputava a Zona Norte - e o que poderia ter sido uma eliminatória tranquila, a julgar pela superioridade nos primeiros minutos, rapidamente transformou-se num pesadelo.

A equipa era competitiva, como já referido, mas nesse dia foi-o em demasia. Aos 27 minutos de jogo, Gildo Lourenço entrou de forma demasiado impetuosa sobre um adversário e viu o cartão vermelho direto. O extremo chorou ao sair, foi ovacionado pelos adeptos e o resto do jogo foi um teste de personalidade à resiliência do Maior da Margem Sul.

A equipa soube sofrer. A equipa demonstrou espírito de entreajuda. A equipa conseguiu manter a sua baliza inviolada. No desempate da marca de grandes penalidades, o Amora foi mais forte e derrotou o Anadia depois de estar mais de noventa minutos em campo com menos uma unidade.

Nessa tarde de início de Outono de 2021, o Amora ganhou uma equipa e a confiança dos adeptos.

 

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O jogo tem um dedicado - ver Capítulo I - Frodo Zarco

 

A trajetória do Amora na Taça de Portugal prosseguiria com vitórias sobre Lourinhanense e Mirandela, terminando na 5ª Eliminatória nos Barreiros às mãos do primodivisionário Marítimo. Uma derrota por duas bolas sem resposta em que o Amora venderia cara a eliminação, caindo de cabeça erguida.

Mas a Taça de Portugal não era o objetivo; a Liga 3 era. E nessa, o Amora foi crescendo. Aparte ocasionais desaires, o Amora foi-se assumindo como um improvável candidato à subida. Continuava a não ser uma equipa de maravilhar por aquilo que Jorge Jesus um dia definiu como nota artística, mas a competência defensiva e coesão entre os setores foi fazendo a diferença e lançou os azuis da Margem Sul para os primeiros lugares da tabela.

À 17ª jornada, quando faltavam seis jogos para o final da Fase Regular - que tinha um total de 22 jornadas - o Amora deslocava-se ao Bonfim para defrontar o Vitória FC.

Era um jogo importante por vários motivos. Desde logo pela rivalidade local. O Amora era uma equipa modesta que tinha apenas três presenças na Primeira Liga no seu historial - na já distante década de 1980s. O Vitória, por oposição, era uma equipa histórica do futebol português, com Taças de Portugal e da Liga conquistadas e dezenas de presenças no Convívio dos Grandes. Mais importante, o Amora foi batido pelo Vitória na época anterior e nunca tinha vencido os sadinos em jogos oficiais. 

Os adeptos setubalenses podiam menosprezar o Amora e tinham todo o direito em fazê-lo: quem eram aqueles pés-rapados vindos daquela malcheirosa Baía do Seixal para se outorgarem ao direito de acharem que podiam ser rivais deles?

Mas a realidade no início de 2022 era outra. Vitória e Amora estavam separados por apenas um ponto e ambos ocupavam lugares de acesso à Fase de Promoção da Liga 3. Os adeptos do Amora sentiam que o Vitória já não estava num patamar superior e podiam encará-los sem receios. O Amora tinha toda a legitimidade para sonhar alto e encarar o Vitória de igual para igual naquela tarde de 02 de Janeiro de 2022.

A equipa entrou no Bonfim com a garra que a caracterizava. E tal foi a intensidade e vontade de vencer cada bola e cada duelo que, aos 22', João Varudo entrou de forma demasiado ríspida sobre um adversário. Tal como contra o Anadia, o Amora viu-se reduzido a dez unidades - o lateral, que nesse dia substituía o indisponível Lucas Silva, foi expulso.

Quando se pensaria que o Amora estava perdido, o impensável aconteceu. Os jogadores continuaram a demonstrar a atitude que os caracterizava e não viraram a cara à luta. De forma algo surpreendente, o Amora resistiu até ao intervalo e, no início da segunda parte, o capitão Joca estreou-se a marcar na temporada, colocando o Maior da Margem Sul em vantagem.

O Vitória ficou atordoado com o golo e nunca recuperou verdadeiramente. Na fase final do jogo recorreram a todos os truques do playbook do futebol: trocaram defesas e médios por avançados, colocaram centrais na área e despejaram bolas na área de David Grilo. A coesão e personalidade competitiva do Amora salvaram os três pontos.

 

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[Este jogo tem um capítulo dedicado - ver Capítulo II - O capitão Joca

 

Foi a primeira vitória de sempre do Amora sobre o Vitória em jogos oficiais. Nesse dia, o Amora assumiu definitivamente a sua candidatura à subida de divisão. Se após a vitória sobre o Anadia criou-se a percepção que o Amora tinha uma equipa, a vitória sobre os sadinos, em especial nas condições adversas em que foi conquistada, criou uma onda azul que só pararia com a subida de divisão.

 

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O Amora venceria a Zona Sul da Fase Regular da Liga 3...

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... e depois a Fase de Promoção, conquistando a promoção à Segunda Liga quase trinta anos depois

 

A equipa estava em ponto rebuçado . David Grilo liderava uma defesa onde a dupla João Carvalho e Rony Fernandes garantia segurança. O lateral Lucas Silva dava largura e profundidade pela ala esquerda e Martim Maia era o pêndulo no vértice recuado do meio-campo, enquanto Fidelis Irhene fazia o trabalho sujo que permitia a Léléco, o afroastro, espalhar magia na construção de jogo. Joca e Gabriel Capixaba eram setas apontadas à área adversária a partir dos flancos, combinando bem com o goleador Flávio Silva, o matador renascido.

 

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O onze mais utilizado por Frodo Zarco ao longo da temporada; de realçar ainda a importância de jogadores que não aparecem na imagem, como Juancho e Gildo Lourenço, extremos que eram as alternativas diretas a Joca e Gabriel Capixaba

 

Conquistada a promoção à Segunda Liga, faltava apenas decidir o campeão da primeira edição da Liga 3.

Quiseram os deuses do futebol que o adversário do Amora fosse a outra equipa da Margem Sul. Não o Vitória; o Sporting B, sediado em Alcochete. Os miúdos do Sporting conseguiram o apuramento na Fase Regular a partir do mesmo grupo do Amora, vencendo depois o outro grupo da Fase de Promoção - com ambos já promovidos, a final destinava-se apenas a decidir o título.

A final disputou-se no Estádio do Restelo e foi um jogo extenuante. [nota: ingame, o jogo foi disputado no Campo do Vale de Abelhas, em Paio Pires. Como isto não é um estádio digno de uma final da Liga 3, para efeitos de história mudei-o para o Restelo] O Amora chegou ao intervalo a perder por um golo sem resposta, fazendo apenas dois remates e sendo claramente dominado em todas as vertentes do jogo.

A segunda parte foi outra história.

Os comandados de Frodo Zarco voltaram do balneário como se fossem uma equipa completamente diferente. O que lá aconteceu ninguém sabe, mas quando Flávio Silva, o matador renascido, voltou a deixar a sua marca ao empatar a final logo no início da segunda parte, ninguém ficou admirado tal o sufoco que o Sporting B estava a sentir.

O Amora cresceu no jogo, impulsionado pelos quase cinco mil adeptos que tinham atravessado o Rio Tejo a partir da Margem Sul, e aos 66 minutos um herói improvável, Juancho, desferiu a cabeçada que colocou o Amora na frente do marcador.

O resto do jogo foi o habitual do Maior da Margem Sul: muito espírito de sacrifício, entreajuda entre os jogadores e uma atitude competitiva que já era imagem de marca daquela equipa. O Amora sofreu - soube sofrer - e garantiu a vitória e respetivo título de campeão da Liga 3.

 

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O Amora venceu a Liga 3 ao bater o Sporting B na final...

 

[A final tem um capítulo dividido em duas partes que lhe é dedicado - ver Capítulo V - Espírito Azul, parte 1 e Capítulo V - Espírito Azul, parte 2]

 

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... após uma temporada em que Flávio Silva foi o goleador de serviço, com os extremos Gabriel Capixaba, Joca, Gildo e Juancho a destacarem-se também nesse aspeto, mostrando como o Amora privilegiava o jogo interior dos seus extremos...

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... e também no capítulo das assistências, os extremos, em simultâneo com o criativo Léléco e o lateral Lucas Silva, destacavam-se nessa função

 

A festa prolongou-se pela noite dentro na Medideira e pelas ruas da Cidade de Amora. Afinal, seria a primeira vez em cerca de trinta anos que o Amora voltaria a disputar os campeonatos profissionais. Hoje sabemos que coisas maiores estavam no caminho do Maior da Margem Sul, mas na altura parecia a todos que aquele teria sido um feito histórico.

E em bom rigor, até foi. Com base na informação que havia na altura, ninguém esperava mais. Mas deixaremos essas histórias para outra altura.

Por hoje, deixamos Frodo Zarco, Bilbo Himura e o Amora a celebrar os feitos de uma promoção inesperada, sem desconfiarem que aquele era um pequeno degrau de uma longa escadaria que haveriam de trepar.

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Notável até ao momento. Vamos continuar esta saga rumo a mais títulos. 

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Ainda me lembro disto, tou mesmo a ver o tempo que vais demorar a dar recap à final da Taça dividida em dois posts 😂

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Citação de cadete, Em 21/09/2022 at 10:52:

Notável até ao momento. Vamos continuar esta saga rumo a mais títulos. 

 

Citação de Banks29, Em 21/09/2022 at 11:21:

Que venham mais títulos nesta notável carreira até agora.

É o objetivo!

Citação de F. Mota, Em 21/09/2022 at 18:05:

Ainda me lembro disto, tou mesmo a ver o tempo que vais demorar a dar recap à final da Taça dividida em dois posts 😂

Vai num capítulo só. Na primeira temporada também dividi a final da Liga 3 em dois posts e neste recap foi em poucos linhas 😁

Citação de Burkina2008, há 23 horas:

Eu quero é updates mais recentes!

A seu tempo, pah. Também tenho de orientar o save, não entrava nele há dois meses e aquilo está uma confusão, muito jogador para colocar, muitas mudanças.

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Bom relembrar os primeiros tempos na Medideira e as proezas que foram sendo conseguidas 😉

O Rony e o Flávio são dois ícones do clube na primeira época, já para não falar do grande Joca!

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Segundo recap, este relativo à segunda temporada. A principal curiosidade é o print original de alguns dos meninos quando chegaram à Medideira, muito antes de se tornarem lendas do clube. Foi a temporada mais difícil do save e aquela em que pensei a certo ponto se isto não ia correr extremamente mal.

Tenciono colocar os restantes recaps ao longo desta semana e voltar às atualizações normais na seguinte.

Entretanto estou a tentar meter ordem no save. Depois da pausa estou um pouco perdido e a tentar perceber a lógica de algumas das decisões que tomei - e a ponderar seriamente se o Black Hawk de há dois meses não estava doido da cabeça.

 

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Rumo ao Oásis - parte 2

 

Capítulos de referência:

Capítulo VII - A revelação de Bilbo

Capítulo VIII - Memorial da Medideira

Capítulo IX - É tudo contra o Amora

Capítulo X - O afroastro

Capítulo XI - Rivalidades revisitadas

Capítulo XII - A guitarrada nostálgica

Capítulo XIII - Dores de crescimento

 

O cronómetro já ultrapassava os noventa minutos regulamentares. Todos aguardavam pelo apito final do árbitro. Não havia muito mais a disputar, na verdade. O resultado no marcador apontava uma vitória clara da equipa da casa por quatro bolas a uma e os seus adeptos estavam ansiosos para celebrar. Já a equipa visitante, essa só desejava o fim daquele tormento.

O árbitro apitou e os adeptos da equipa da casa não tardaram a invadir o relvado, extasiados pela bem sucedida campanha que culminou com a subida à Primeira Divisão. A sua alegria não podia ser mais equidistante do estado de espírito fe jogadores e adeptos da equipa visitante. Abandonavam o recinto cabisbaixos, resignados com a confirmação da descida de divisão.

Naquele dia 28 de Maio de 1995, os amorenses não poderiam imaginar que aquela derrota frente ao Campomaiorense seria o último jogo do Amora na Segunda Divisão durante quase trinta anos. E era plausível que acreditassem num rápido regresso: o Amora disputou a Segunda Divisão em 1992/93, sendo despromovido apenas para voltar em 1994/95. No entanto, de 1995 em diante o Amora entrou num longo declínio que quase custou a sua própria existência e cuja derrocada apenas parou quando deu por si nos campeonatos distritais.

A repetição desse cenário era aquilo que o Amora de Frodo Zarco procurava evitar em 2022/23. O Maior da Margem Sul pretendia afirmar-se definitivamente nos campeonatos profissionais e não voltar à toada de constante sobe e desce que viveu nos anos 1980s e 1990s. E, de facto, o Verão de 2022 foi um período de mudanças para o Amora.

Curiosamente, porém, essas mudanças ocorreram maioritariamente fora das quatro linhas.

 

A Medideira e o Projecto Oásis

As duas primeiras grandes iniciativas de Bilbo Himura enquanto proprietário do Amora visavam garantir a sustentabilidade do clube a longo prazo. Dizia Bilbo que não queria sucessos artificiais, isto é, que fossem sustentados num súbito investimento financeiro impossível de suportar a longo prazo. Tinha razão, claro está; quantas vezes não vemos clubes a subir na hierarquia do futebol português, crescendo numa bolha de investimento privado que, uma vez rebentada, leva a que os clubes impludam, sem meios de suportar os custos operacionais, até ao ponto de desaparecerem?

A primeira das ações de Bilbo foi garantir a remodelação do Estádio da Medideira. Casa histórica do Amora - na verdade, a única que alguma vez conheceu -, era o coração pulsante do Amora. Muitos podem não entender qual a importância de uma infraestrutura de betão armado e cimento frio, mas para quem ama um clube, um estádio não é apenas algo material; é um ser vivo com voz e personalidade própria, com memória e memórias que marcaram e marcam o clube, os adeptos e a cidade.

A Medideira, na verdade, não é propriedade do Amora desde que o clube perdeu a sua posse após a grave crise financeira que atravessou já no século XXI. Passou do Amora para um dos seus credores, sendo mais tarde recuperado pela Câmara Municipal do Seixal, essa sim a atual detentora - e o fantasma de a situação repetir-se levava a Autarquia a não querer ceder a posse do estádio. Sendo impossível recuperá-lo para o clube, Bilbo chegou a acordo com a Autarquia para uma remodelação repartida entre as duas partes e que consistia na construção de duas bancadas novas atrás de cada uma das balizas, além de alguns retoques para dar um ar rejuvenescido à velhinha bancada central.

Dizem as más línguas que Bilbo e Câmara terão contribuído com aquilo que tinham: Bilbo com o dinheiro e a Câmara com boa vontade. Se é verdade, não o sei e o Bilbo nunca o confirmou - mas também nunca o negou.

Com tudo isto, a Medideira aumentou a sua capacidade para 8500 lugares e recebeu permissão para acolher jogos da Segunda Liga, o que garantiria que o Amora pudesse jogar verdadeiramente em casa, para enorme alegria de todos os amorenses. Mais importante, o Amora teria na sua casa histórica uma fonte de receitas e rendimentos com que suportar o seu próprio projeto desportivo.

[Isto está mais detalhado no Capítulo VIII - Memorial da Medideira]

 

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Uma das novas bancadas, no caso a situada atrás da baliza sul; do outro lado do campo erguia-se a sua irmã gémea...

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... as quais permitiriam agora à Medideira acolher até um máximo de 8500 espetadores

 

A outra grande iniciativa de Bilbo Himura tinha a ver com a expansão do Projecto Oásis.

Não era segredo que a base de todo o projeto passava pela formação. "O desporto é uma das melhores ferramentas de integração social", repetiam muitas vezes Bilbo e Frodo. "Não queremos formar apenas atletas; queremos formar homens. Homens responsáveis e integrados na sociedade, garantindo-lhes um futuro, no desporto e na vida", reforçavam.

A construção desse objetivo começou a desenhar-se com o início das intervenções para a construção de uma Academia nos arredores da Cidade de Amora, junto ao Complexo Municipal de Atletismo Carla Sacramento. O projeto previa a edificação de campos de futebol e centros de alto rendimento destinados a várias modalidades, seguindo o modelo de vários dos maiores clubes mundiais. 

Enquanto esse grande passo não era completado, Bilbo não ficou parado. Com a promoção do Amora à Segunda Liga, o Maior da Margem Sul tornou-se elegível para participar na Liga Revelação e rapidamente foram cumpridas as formalidades para a inscrição do clube.

Assim, o Amora teria uma equipa Sub23 onde os jovens talentos poderiam evoluir, espreitando a promoção à equipa principal. E, claro, estava aberto o caminho para a valorização de jovens talentos que trouxessem rendimento desportivo e mais-valias financeiras com futuras vendas para clubes de outra dimensão.

[nota: a versão Mobile do FM não tem equipas júniores nem campeonatos Sub23. Os regens surgem no início da época com 16 anos (em número aleatório, pelo que percebi são entre um a quatro ou cinco por época). O Amora tem uma equipa B ingame, mas que não está incluída em nenhum campeonato e não tem jogos visíveis, embora os jogadores acumulem estatísticas que me levam a pensar que joguem "nas sombras". A equipa Sub23 a que me refiro é essa equipa B, mas para efeitos de história é interpretada desta forma]

 

A equipa Sub23

O plantel original para a estreia do Amora Sub23 na Liga Revelação teria quinze jogadores. Parecia um plantel curto - e era -, mas tratava-se apenas do núcleo duro. Ao longo da temporada, alguns jogadores das camadas jovens foram sendo promovidos para alguns jogos em específico, garantindo experiência de jogo a um nível mais elevado - e garantindo também o número de jogadores necessários em todas as convocatórias.

Estes quinze jogadores eram uma mistela de miúdos promovidos dos próprios escalões de formação do Amora e outros que eram refugo de outros clubes. Pode parecer que estou a ser insultuoso, mas não; a maioria dos jogadores que surgiram tinham sido dispensados dos seus clubes de formação, ou pelo menos foram informados pelos seus clubes que não contavam com eles.

Costuma dizer-se que muitas vezes é da quantidade que surge a qualidade. Isto não é assim tão linear, mas a avaliar pelo que hoje sabemos, podemos considerar que há verdade nisso.

 

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O plantel da equipa Sub23 com a respetiva avaliação da equipa técnica após os primeiros treinos; todos os jogadores tinham entre 16 e 19 anos de idade

 

Olhando em retrospetiva, é aterrador recordar como alguns desses jogadores alguma vez pensaram que poderiam ser futebolistas profissionais. Estive presente no primeiro jogo do Amora Sub23, disputado no Centro de Treinos do Serrado [campo secundário do Amora com relvado sintético a uns 200 ou 300 metros da Medideira], e juro que alguns tinham de pisar a bola para a parar porque nem uma recepção orientada conseguiam fazer!

Seja como for, pelo meio do caos havia algum talento. Pronto, concedo; havia imenso talento. Não em quantidade, mas um pequeno punhado dos meninos revelou jeito para a coisa. Alguns foram promovidos à equipa principal ainda com a temporada a decorrer, tornando-se a seu tempo figuras preponderantes dos sucessos do Amora até hoje.

Novamente com a ajuda da retrospetiva, citemos os nomes a recordar, pois falaremos muitas vezes deles daqui em diante.

 

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Isaac Monteiro, defesa central de 18 anos

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Tiago Louro, lateral esquerdo de 18 anos; curiosamente, um lateral esquerdo destro

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Martim Watts, médio ofensivo de 16 anos

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Leonardo Brandão, avançado de 19 anos

 

Eu sei o que estão a pensar: "isso é o melhor dessa equipa?!?". Não eram; muitos destes não foram especialmente cotados nos primeiros treinos e alguns nem sequer eram titulares. Mas coisa curiosa sobre os jovens jogadores: são como os ovos Kinder, nunca sabemos qual o brinde até os abrirmos. Não abrindo-os literalmente, credo! O que quero dizer é que muitas vezes os jovens mais talentosos desiludem enquanto os outros menos interessantes revelam-se verdadeiros diamantes em bruto.

Estes quatro meninos são bons exemplos disso.

[neste ponto estou a rir-me porque quem acompanha o save há algum tempo e sabe o que estes quatro meninos se tornaram, deve estar a olhar para os prints e a pensar "porra, eles eram assim? Como raio... mas... hum?" É que foi a minha reação ao recuar na história para ir buscar os primeiros prints deles ahah]

[Tenho a apresentação dos novos jogadores jovens mais detalhada no Capítulo VII - A revelação de Bilbo]

 

O plantel principal do Amora Futebol Clube 2022/23

Uma coisa que têm de entender quanto ao Bilbo Himura é que ele é teimoso como uma mula. Estão a ver quando uma mula decide não se mexer, puxamos-lhe as rédeas com toda a força e o raio do bicho continua imóvel, como se fosse para marcar uma posição?

Assim era Bilbo.

O Amora subiu inesperadamente à Segunda Liga com uma equipa que muitos julgavam apenas razoável até para o patamar da Liga 3. Era esperado que o Amora se reforçasse bem, melhorando a qualidade individual do plantel para o novo desafio que se aproximava. Era o que qualquer clube faria, certo?

Não Bilbo. Ortodoxo na sua ideia de seguir o plano delineado, não investiu um cêntimo na construção do plantel - como se recordarão, ele defendia que o Amora teria de alcançar as suas conquistas com base no mérito desportivo e afastava liminarmente qualquer injeção de dinheiro.

O sucesso teria de ser obtido com um plano sustentável.

Ora, o Amora por si só quase não gerava recursos para a Liga 3, quanto mais para a Segunda Liga. O pouco que conseguiu reunir serviu para o orçamento da equipa Sub23, pelo que faltava pilim para contratar reforços. A rede de observadores montada por Frodo Zarco ainda lhe propôs alguns nomes de jogadores que estariam livres para assinar a custo zero, mas os interessantes pediam bem além do que o Amora poderia suportar e os outros... digamos que mais valia continuar com os que já conhecia da época anterior.

Notavelmente, o Amora disputaria a Segunda Liga com a mesma equipa que conquistara a promoção na época anterior na Liga 3.

Bem, tecnicamente, isto não é inteiramente verdade. O Amora disputaria a Segunda Liga praticamente com a mesma equipa que conquistara a promoção na época anterior na Liga 3. Isto porque um jogador saiu. Um jogador importante, alguém que tinha muitos anos de casa.

Mais de vinte anos depois de ter entrado no Amora, Joca deu o salto há muito aguardado para outros patamares.

 

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Joca deu o salto para o Famalicão, clube pelo qual poderia disputar a Primeira Liga

 

Não tenho registos para o confirmar, mas os valores envolvidos na venda de Joca poderão muito bem ter sido algum recorde histórico de vendas de um clube acabado de sair do terceiro escalão nacional - e se não foi, há de ter andado lá próximo.

Joca merecia esta oportunidade. Deu muito da sua vida ao Amora e chegava a hora de tentar outros voos. Os deuses do futebol, porém, são perversos. Na altura, a saída de Joca a todos soava a despedida; ninguém imaginava que o capitão voltaria e que marcaria alguns anos depois, qual Éder da Medideira, o golo mais importante da história do Maior da Margem Sul.

A receita desta venda pagava por inteiro, e com excedentes, o orçamento salarial do plantel do Amora. Sim, era o quão modesto este clube era: o orçamento salarial do Amora era inferior a 750 mil euros anuais. Seria de pensar que com estas receitas extraordinárias se investisse em reforços, mas a nossa mula favorita recusou. Ao invés, decidiu premiar os jogadores do plantel com aumentos salariais - no Amora, valoriza-se quem trabalham bem e contribui para o sucesso coletivo.

Foi então assim, com a mesma equipa da época anterior à excepção de Joca, que o Amora partiu para os primeiros jogos oficiais. Uma temporada que se adivinhava dificílima, com a esmagadora maioria do plantel a jogar a um nível competitivo que nunca haviam experienciado nas suas carreiras.

Com o tempo, alguns dos jovens dos Sub23 teriam oportunidade de integrar o plantel e fazerem as suas estreias. Lá chegaremos.

 

A campanha do Amora 2022/23

O Maior da Margem Sul começou a temporada fazendo a sua estreia absoluta na 1ª Eliminatória da Taça da Liga. Esta competição previa duas primeiras eliminatórias a eliminar, a apenas uma mão, com os sobreviventes a garantirem o apuramento para a Fase de Grupos - na qual já participavam os três grandes do futebol português.

O adversário foi o Mafra. Era um bom teste para a nova temporada. Os mafrenses tinham acabado de subir à Primeira Liga e defrontar um adversário desse patamar competitivo logo a abrir a temporada poderia dar uma ideia do nível em que se encontrava o Amora.

E a rapaziada bateu-se bem! O jogo terminaria com um empate sem golos que levou a decisão para a marca de grandes penalidades. O Mafra acabaria por vencer, prosseguindo para a 2ª Eliminatória, mas o Amora deixou uma excelente imagem, a qual dava confiança para as duras batalhas que havia a travar nos meses seguintes.

O capital de crédito conquistado nesse jogo, porém, rapidamente se desvaneceu. Uma derrota clara na estreia da Segunda Liga às mãos do Académico de Viseu deu o mote para o que seria uma catastrófica primeira metade de temporada. Não que o Amora jogasse mal - em muitos dos jogos bateu-se meritoriamente, de igual para igual com os adversários. Mas a diferença de andamento competitivo e, por muito que me custe dizê-lo, de qualidade individual, causando erros individuais que custavam pontos, atiraram o Amora para o fundo da tabela.

 

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Sem vitórias e em último lugar com sete jogos disputados

 

Por esta altura, o Amora parecia ir direitinho, como um calhau a afundar-se ao ser lançado num lago. Os comentadores desportivos eram unânimes, profetizando uma curta passagem do Maior da Margem Sul na Segunda Liga. A tensão adensava-se. A ansiedade era palpável.

Os resultados continuavam a não sair. Além de ser o lanterna vermelha na Segunda Liga, o Amora seria ainda eliminado da Taça de Portugal na 3ª Eliminatória. Tal como na Taça da Liga, às mãos de outro primodivisionário, no caso o Arouca.

Foi preciso esperar até 22 de Outubro de 2022 para a equipa de Frodo Zarco dar os primeiros sinais de vida. Na recepção à Académica, um jogo algo emocional para Frodo Zarco por ter passado bons anos com o símbolo da Briosa ao peito enquanto jogador, o Amora por fim venceu!

Léléco, o afroastro, e Flávio Silva, o matador renascido, marcaram os dois golos de uma vitória tranquila sobre os conimbricenses, fazendo surgir sorrisos entre jogadores e adeptos. Não era suficiente, nem sequer tirava o Amora da zona de despromoção, mas era o primeiro grito de revolta de um grupo de trabalho que tinha mais qualidade do que aquilo que a classificação dava a entender.

 

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A tão aguardada primeira vitória surgiria apenas na 11ª jornada

 

Foi o momento de inflexão na rota descendente do Amora. Não que tenha passado a ganhar jogos consecutivos de repente. Notava-se, isso sim, um crescimento dos jogadores, como se aos poucos estivessem a ganhar a estaleca que lhes faltara até aí.

Uma segunda vitória surgiu na recepção ao Feirense, à 14ª jornada, reforçando a confiança dos jogadores, e finalmente, mesmo a fechar a primeira volta, o Amora irrompeu à superfície, surgindo à tona das revoltas águas da despromoção. Uma vitória inesperada em Alcochete, frente ao Sporting B, permitiu ao Amora sair da zona de despromoção pela primeira vez na temporada.

 

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O Amora conquistou em Alcochete a sua primeira vitória fora de casa em jogos da Segunda Liga desde 1992...

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... catapultando o Maior da Margem Sul para fora dos lugares de despromoção

 

Os analistas e comentadores desportivos em geral tiveram dificuldades em analisar aquilo que aconteceu ao Amora na segunda volta. Depois de quase uma volta inteira a suster a respiração debaixo da linha de água, era expectável que os azuis da Margem Sul descessem ou, pelo menos, permanecessem nessa luta durante o resto da temporada.

Mas não foi bem isso que aconteceu. Logo após a vitória em Alcochete, o Amora entrou num ciclo auspicioso, somando nos onze jogos seguintes um total de 23 pontos, resultado de sete vitórias, dois empates e duas derrotas, dezassete golos marcados e apenas seis sofridos.

Os comentadores tentaram explicar o fenómeno com a moral, a confiança e outras patacoadas do género, mas aqui que ninguém nos ouve, eles são uns pategos que não viam a verdade nem que ela lhe acertasse em cheio nas fuças.

O que aconteceu é que Frodo Zarco reinventou a equipa. O Amora continuava a ser uma adversário competitivo como o havia sido na Liga 3, pelo que os seus jogos eram habitualmente equilibrados e renhidos. Porém, a menor qualidade individual de alguns dos seus jogadores, em especial na defesa, levava a que alguns erros individuais resultassem em golos dos adversários e pontos perdidos.

A necessidade de os proteger desses erros levou a que Frodo recuasse o médio defensivo para terceiro central. Com mais um elemento no centro da defesa, o Amora passava a ter um homem extra para cobrir eventuais lapsos de julgamento ou de posicionamento. A linha defensiva recuou também no terreno, reduzindo o espaço para os adversários explorarem as suas costas.

O sistema tornou-se duplamente eficaz. Se defensivamente resolveu alguns dos problemas mais sérios da equipa, ofensivamente permitiu que gazelas como Gabriel Capixaba e Juancho, os habituais extremos da equipa desde a saída de Joca, tivessem espaço para fazer aquilo em que eram verdadeiramente bons: correr com a bola tendo espaço livre para galgar metros.

Quase do dia para a noite, o Amora tornou-se uma equipa sólida defensivamente e eficaz no contra-ataque, apanhando de surpresa os seus adversários.

 

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Frodo Zarco investiu num sistema mais defensivo a partir de Janeiro, abandonando o anterior 4123 para jogar num 523 que se desdobrava em 343 em momento ofensivo

 

Não foi apenas no sistema tático que o Amora mudou. Chegado a Janeiro, logo após a vitória sobre o Sporting B na 17ª jornada, Frodo Zarco promoveu mudanças no próprio plantel que, sabemo-lo hoje, foram decisões que transformariam o Amora rumo àquilo que é hoje.

Frodo Zarco era presença habitual nos jogos da equipa Sub23 e até dos júniores. Sempre que o tempo e o calendário da equipa principal lho permitiam, lá estava ele a acompanhar os jovens talentos, tirando notas num caderno que o acompanhava para todo o lado. Assim, não admirou ninguém que à primeira oportunidade tenha começado a chamar alguns dos meninos para os treinos da equipa principal.

Mas não ficou por aí. Os meninos, cinco na primeira vaga de promoções, não iam apenas treinar ou fazer número; alguns deles começaram a integrar as convocatórias da equipa principal e, a seu tempo, a jogar!

Simão Rosete, lateral direito, e Gustavo Pinto, defesa central, conquistaram até a titularidade ao longo da fase final da temporada.

Tiago Louro foi sendo lançado em vários jogos para a posição do desgastado Lucas Silva, que fazendo toda a ala esquerda terminava os jogos exausto; Martim Watts foi sendo usado na mesma lógica, substituindo habitualmente o veterano Léléco que já não tinha a disponibilidade física de outrora; Flávio Silva foi afetado por constantes limitações físicas ao longo da temporada, o que foi permitindo a Leonardo Brandão somar precioso tempo de jogo.

Mais para o final da temporada, Frodo Zarco promoveu mais dois meninos que ainda foram a tempo de se estrearem pela equipa principal: o extremo Abas Djaló e o central Isaac Monteiro.

[a negrito os nomes a reter dos meninos que serão importantes na história - são os mesmos cujo print deixei anteriormente neste capítulo]

 

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A classificação à 28ª jornada refletia a melhoria do Amora desde o final da primeira volta

 

O reformatado e rejuvenescido Amora chegou à 28ª jornada com onze pontos de vantagem para a linha de água, o que não garantia ainda a permanência, mas praticamente colocava um ponto final nessa discussão. Ainda mais notável, estava a apenas três (!!!) pontos do lugar de acesso ao Playoff de Promoção à Primeira Liga!

O entusiasmo extravasou os limites do razoável. Os treinos passaram a contar com a presença de público. Os adeptos falavam abertamente das hipóteses do Amora lutar pela promoção. Era impossível a euforia não chegar ao seu grupo de trabalho.

Frodo Zarco tentou colocar-lhe um travão, fechando as portas da maior parte dos treinos e deixando claro a quem o quisesse ouvir que a promoção não! era! objetivo! O seu plantel, jovem e inexperiente, não estava preparado para lidar com aquela pressão adicional e ele sabia-o.

Foi tarde demais. O Amora defrontava na fase final da temporada equipas como o Vizela, o Benfica B, o Boavista ou o Feirense, todos eles no top5 da tabela. Três derrotas e um empate nessa sequência de jogos trouxe os adeptos de volta à realidade. Surgiram críticas à atitude de vários jogadores e dúvidas sobre o talento dos meninos.

Honra seja feita a Frodo Zarco: ele defendeu-os como um leão! Ele poderia criticar os seus meninos - e dizem-nos os passarinhos que quando tem algo a dizer, di-lo na cara seja de quem for -, mas ai de quem os criticasse de fora! [Mais sobre isto no Capítulo XIII - Dores de crescimento]

Por outro lado, o Amora terminaria a temporada tranquilamente em posição intermédia da tabela, garantindo a manutenção ainda com jogos por disputar. Na última jornada, uma vitória na recepção ao Sporting B, com um golo solitário de Gabriel Capixaba no último lance do desafio, assegurou a metade superior da tabela.

 

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A segunda metade da temporada foi diametralmente oposta à primeira volta, catapultando o Amora para um inesperado 8ª lugar final

 

A manutenção do Amora poderia passar despercebida a muitos, mas os amorenses sabiam a importância do que acabara de ser alcançado. Há trinta e nove anos - 39 anos! - que o Amora não conseguia tal feito. Desde 1985 em diante, sempre que o Maior da Margem Sul subia ao segundo escalão do futebol português, era despromovido na temporada seguinte.

Por isso, naquele dia houve celebração. Sem contratações para a equipa principal, com a mesma equipa que tinha disputado a Liga 3 na época anterior e apenas com a injeção de alguns meninos que nunca haviam disputado um jogo de futebol sénior. Foi na raça e no querer.

Podiam contar com o Amora; estávamos de volta às competições profissionais e, desta feita, para ficar.

 

Destaques e estatísticas

Como deu para perceber, a temporada do Amora não terminou bem da mesma forma que começou. Alguns jogadores de quem se esperava serem figuras de proa, perderam influência; outros de quem não se esperava tanto, ou que nem faziam parte do plantel, foram bem a tempo de deixar a sua marca.

 

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As estatísticas ordenadas pelo número de jogos disputados [sem distinção de titularidade ou suplente utilizado]

 

O Amora disputou 38 jogos oficiais ao longo da temporada: 34 para a Segunda Liga, 3 para a Taça de Portugal e 1 para a da Liga. Sem surpresas, nove jogadores disputaram pelo menos trinta jogos ao longo da temporada - tratou-se do núcleo duro de Frodo Zarco, os seus jogadores de confiança.

Gabriel Capixaba foi a grande figura. Assumiu a braçadeira de capitão após a saída de Joca e foi o líder da equipa em campo, apenas falhando uma partida. Foi o melhor assistente, o jogador com a melhor classificação média e um dos melhores marcadores.

Ainda no que respeita ao ataque, Juancho assumiu a posição do capitão Joca e revelou veia goleadora, ficando a apenas um golo do melhor marcador Flávio Silva. O matador renascido teve diversos problemas físicos ao longo da época e acabou a temporada com um modesto número de golos concretizados, compensando no capítulo das assistências para os colegas.

Neste ponto, note-se a importância da alteração estratégica operada por Frodo Zarco a meio da temporada. Gabriel Capixaba marcou o seu primeiro golo apenas na 17ª jornada e também Juancho faturou a maioria dos seus golos na segunda volta, ambos aproveitando as rápidas transições que o Amora privilegiou nessa fase.

Léléco foi o maestro no meio-campo, João Carvalho (o jovem reforço da época passada) e Rony Fernandes os dois centrais indiscutíveis e Martim Maia terminou a temporada como terceiro central, ele que era médio defensivo como se recordarão.

Notem a curiosidade de David Grilo ter perdido a titularidade para o seu habitual suplente Guilherme Fernandes. Tal deveu-se a uma lesão grave que o afastou durante quatro meses. O jovem guardião esteve à altura, coincidindo a sua titularidade com o período em que o Amora começou a obter resultados, pelo que continuou na baliza mesmo após o regresso de David Grilo.

Mas o destaque, esse, tem de ir para os meninos - e um em especial destaca-se claramente.

 

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Papou Mendes cresceu para tornar-se no polvo do meio-campo do Amora

 

O menino que foi o segundo reforço do Amora na época passada começou a temporada atrás de Fidelis Irhene na hierarquia. Mas o menino foi impressionando, tanto nos treinos, como nos jogos quando entrava a partir do banco. A meio da temporada foi testado a titular, agradou a Frodo Zarco e não mais saiu.

Sobre os outros meninos, todos eles fizeram vários jogos - a maioria a sair do banco [são os últimos cinco da tabela, excluindo David Grilo, ou seja, do Martim Watts para baixo]. O avançado Leonardo Brandão até contribuiu com dois golos (ambos numa vitória 2-0 no terreno do Estrela da Amadora) e uma assistência! Não aparecem na lista, mas os meninos Abas Djaló ainda fez três jogos e Isaac Monteiro jogou os últimos dez minutos da derradeira jornada.

Todos eles cumpriram e ganharam o direito de fazer parte do plantel na nova temporada.

Foi com este clima de esperança e muita curiosidade quanto ao crescimento dos meninos que o Amora foi de férias. Havia a clara percepção que o Amora tinha potencial de crescimento. Os meninos estavam a crescer e a ganhar preponderância. Os mais velhos tinham maior andamento competitivo.

Até onde poderia o Amora chegar na época seguinte? Poderia a luta pela promoção à Primeira Liga estar ao seu alcance? Afinal de contas, se a equipa conseguisse fazer ao longo de todo o ano o que acabara de fazer na segunda volta desta temporada, a matemática não enganava...

E, como hoje sabemos, não era um devaneio.

 

O Mundial 2022

 

Deixo só um extra que não tem a ver com o Amora, mas que considero relevante referir: a participação de Portugal no Mundial 2022. O infame Mundial do Qatar que tanta polémica causou e que encheu o mundo de vergonha - mas no qual Portugal participou e que foi a última competição internacional de Cristiano Ronaldo, segundo melhor jogador português de sempre atrás de Bilbo Himura, como é sabido.

Pronto, volto a reforçar que não sou particularmente isento nas minhas apreciações, mas nem sequer me passa pela cabeça que alguém pense o contrário. O Bilbo foi o melhor jogador de sempre, ponto!

Esclarecida essa formalidade, passemos à história: Portugal teve um ano de 2022 caótico. Como se recordarão, Fernando Santos abandonou a seleção depois de uma fase de qualificação desastrosa. Jorge Jesus, escolhido para o substituir, conseguiu reunir as hostes lusitanas e alcançar o apuramento à justa.

Mas... o impensável aconteceu. Já na antecâmara do Mundial, o controverso Jorge Jesus decidiu surpreender o país ao anunciar o abandono do futebol com efeitos imediatos. Alegou motivos pessoais, ninguém entendeu ao certo o que aconteceu, mas algo era garantido: Portugal não tinha selecionador.

[Maior contextualização disto tudo em Capítulo X - O Afroastro (sobre a saída de Jorge Jesus) e Capítulo XI - Rivalidades revisitadas (sobre o que se segue e o Mundial em si), cujas leituras recomendo - modéstia à parte, acho que ficaram giros]

A tão curta distância do Mundial já não havia tempo para um seleccionador que montasse uma equipa à sua imagem - não que Fernando Santos alguma vez... ah, não importa, passemos à frente. Como estava a dizer, talvez por não haver tempo para montar um projeto com cabeça, tronco e membros, a Federação Portuguesa de Futebol contratou...

 

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Isso mesmo. Jorge Costa, o Bicho, antigo internacional e histórico defesa central e capitão do Futebol Clube do Porto. Talvez a ideia passasse por alguém com pulso forte e capacidade de liderança, capaz de organizar o grupo de trabalho num objetivo comum?

Quero dizer... pela sua qualidade enquanto treinador não foi, não é? Que outra interpretação poderíamos retirar?

Seja como for, Portugal apurou-se para os Oitavos com um 2º lugar num grupo onde constavam Espanha - o vencedor do grupo -, Coreia do Sul e Jamaica. México foi o adversário que se seguiu, sendo despachado pelos lusitanos. Destino igual teve o Perú, adversário nos Quartos.

Subitamente, Portugal estava nas Meias-Finais. Estão a ver quando se encontra um porco no topo de uma árvore? Ninguém sabe bem ao certo como é que o bicho foi lá parar, mas o certo é que lá estava. Foi assim que todos nos sentimos quando Portugal chegou àquela fase do Mundial.

O adversário não podia ser mais apropriado e vinha novamente do outro lado do Atlântico: a Argentina de Leo Messi.

Os deuses do futebol, na sua inesgotável sapiência, por vezes descobrem formas de nos provar a sua fina ironia. Leo Messi e Cristiano Ronaldo foram os dois melhores jogadores mundiais dos últimos quinze anos, apenas atrás de Bilbo Himura. Não reclamem, é verdade. Vá, seja como for, toda a gente ansiou durante esse tempo por um confronto entre Portugal e Argentina numa grande competição.

Em 2022, na despedida dos dois astros do futebol mundial, estes defrontaram-se nas Meias-Finais de um Mundial.

Foi o jogo mais visto da história do futebol.

 

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Sim, estou ciente da também fina ironia do destino de ter sido o Rafa, o mesmo Rafa que IRL abandonou a seleção, a marcar estes golos ahah

 

E acabaria por cair para Portugal e Cristiano Ronaldo.

Batido Leo Messi e a Argentina, faltava a Portugal defrontar um obstáculo rumo a um feito inédito: o título de campeão mundial.

Lembrem-se, recordem que os deuses do futebol são donos de um poço inesgotável de ironia do mais fino quilate. Portugal na sua primeira final de um Mundial; quem mais poderia ser o adversário?

 

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Pois é, Portugal bateu nuestros hermanos na final, três padeiradas a duas no desempate por grandes penalidades.

Com Jorge Costa promovido a figura não apenas do Porto, mas a herói nacional, e com Cristiano Ronaldo a despedir-se do futebol internacional com o título mundial, deixo-vos por hoje.

Tenho de ir limpar uma lágrima marota que está a brotar. Já sei que fico emocional quando me recordo daquela dia, por que diabos fui falar disto...?

Editado por Black Hawk
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Portugal a vencer um campeonato do Mundo, uma novidade nunca antes vista

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Terceiro recap, relativo à temporada 2023/24, a segunda na Segunda Liga. Foi a temporada em que os meninos começaram de facto a entrar na equipa e em que o projeto começou a tomar forma.

 

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Rumo ao Oásis - parte 3

 

Capítulos de referência:

Capítulo XIV - O filho pródigo

Capítulo XV - Gabriel, o capixaba

Capítulo XVI - O próximo passo

Capítulo XVII - Unidade de Potência

Capítulo XVIII - O quarto grande

Capítulo XIX - O centésimo jogo

Capítulo XX - O capitão Mareta

Capítulo XXI - O maior da Margem Sul

 

"O Amora parece estar a reerguer-se para voltar a ser o que era no meu tempo, as pessoas da cidade estão outra vez a unir-se em torno do clube. Tenho 81 anos, tudo o que quero quando morrer é saber que o meu Amora, a quem dediquei grande parte da minha vida, fica cá e fica bem"

Excerto do discurso da antiga glória do Amora, Mareta, proferido aos

jogadores antes do desafio em Matosinhos contra o Leixões,

a contar para a 31ª jornada da Segunda Liga

 

Já falei da importância da Medideira, casa histórica e coração pulsante da mística e tradição amorense, e do Projeto Oásis, quer na vertente da formação e da aposta na juventude, quer na construção das infraestruturas que serviriam de base a todo esse projeto.

No Verão de 2023, não houve mudanças significativas a reportar nesse aspeto. A Medideira continuava como a tínhamos deixado no resumo anterior, com as suas duas bancadas novas e uma capacidade máxima de 8500 lugares. A Academia continuava a ser construída no Complexo Municipal de Atletismo Carla Sacramento, crescendo e ganhando uma face cada vez mais visível a cada dia.

Desses aspetos não há muito a acrescentar, pelo que por hoje falo-vos só um pouco sobre a mística do Amora. "Que mística tem um clube como o Amora Futebol Clube?", perguntar-me-ão alguns de vocês. "Mística tem o Benfica, o Sporting ou o Porto", acrescentarão outros. E aceito que assim pensem.

Mas pensem comigo por um momento: já imaginaram as lutas que um clube como o Amora teve de travar somente para existir e não desaparecer? Clubes grandes, com muitos associados e poder para negociar com entidades e influenciar decisões, não têm a sua mera existência em risco. Para clubes modestos como o Amora, cada dia é mais um capítulo de luta pela sobrevivência.

 

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O capitão Mareta é uma das lendas do Amora

 

Já tive oportunidade de relatar como aos fundadores do Maior da Margem Sul eram de origens humildes. De tal forma o eram que demorou-se cinco anos a conseguir garantir um espaço onde construir a sua casa. O Campo da Medideira original era a coisa mais simples que poderão imaginar: um retângulo de terra batida com marcações e terrenos baldios em seu redor. As pessoas assistiam aos jogos em pé - só quase quarenta anos depois foi construída a bancada, já na década de 1960s, a mesma que ainda hoje está de pé.

Sabem de onde veio o dinheiro para a construção dessa bancada? Dos sócios, dos adeptos, das pessoas humildes que contribuíam com o que tinham. Os responsáveis do Amora, jogadores e alguns voluntários, andaram a bater de porta em porta a pedir donativos para reunir dinheiro. Venderam-se rifas. Quando se reuniu o dinheiro para avançar com a construção da bancada... não era suficiente para pagar a pedreiros. Os mesmos voluntários, jogadores e dirigentes que andaram de porta em porta colocaram a mão na massa e ajudaram nas obras, com a ajuda dos populares que estivessem dispostos a fazê-lo.

A mística do Amora é essa: a união dos amorenses. O conjunto de pessoas que contribuía com o pouco que tinha para ajudar um clube que nada possuía. Hoje, quando o Amora entrava em campo, não representavam apenas uma entidade desportiva; representavam o esforço de todos aqueles que contribuíram para a sua sobrevivência e crescimento ao longo dos seus cem anos de história.

Representavam pessoas como Mareta, que jogou no Amora durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, recusando propostas mais vantajosas de outros clubes por amor à casa. Que ajudaram o clube com o que tinham, que por vezes não era mais do que boa vontade e força braçal.

Por esse motivo, Mareta, ao dirigir-se aos jogadores no balneário antes de um decisivo confronto contra o Leixões, chocou os jogadores ao revelar de forma emocionada e sincera aquilo que queria: "Tenho 81 anos, tudo o que quero quando morrer é saber que o meu Amora, a quem dediquei grande parte da minha vida, fica cá e fica bem"

[mais sobre isto em Capítulo XX - O capitão Mareta - e só acrescentar que a citação é real, foi proferida por Mareta numa entrevista que está disponível no Youtube. É esta a mística do Amora: as suas pessoas e as suas gentes]

 

Amora Sub23

Perdoem-me o devaneio: já devem ter percebido que sou muito dado a divagações. Voltando aos acontecimentos, comecemos pelo cerne do Projeto Oásis e falemos da equipa Sub23.

O plantel do Amora Futebol Clube Sub23 sofreu uma razia com a promoção de sete jogadores à equipa principal, como vos relatei na história anterior. Por esse motivo, o Amora procedeu a nova vaga de promoções das camadas jovens e recrutou ainda jovens de outras equipas que, tal como há um ano, não tinham futuro assegurado para prosseguirem as suas carreiras.

Dos nove novos elementos da equipa, destaco os quatro que, como sabemos hoje, revelaram-se figuras centrais dos sucessos do Amora nos anos seguintes:

 

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Odailson de Souza Lima, lateral direito francês com ascendência brasileira de apenas 17 anos

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Dino Leão, médio defensivo de 17 anos

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Jéferson Araújo Santos, possante extremo brasileiro de 17 anos

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Diego Carlos Oliveira Raposo, veloz e agressivo avançado de 17 anos

 

Olhando para estes meninos, uma coisa era já evidente: o Amora cresceu. Comparando-os com os meninos que entraram na equipa Sub23 há um ano, estes já eram de outro patamar. Se tivessem sido recrutados no início desta história quando o Amora disputava a Liga 3, não só seriam de imediato recrutados para o plantel principal como poderiam perfeitamente entrar no onze inicial.

No entanto, apenas dois anos volvidos, no Verão de 2023, seriam integrados no plantel Sub23. Haveriam de ter tempo para deixarem as suas marcas. Uns mais cedo do que outros, e com especial destaque para Odailson - mas já lá iremos.

 

Plantel Principal do Amora Futebol Clube 2023/24

A segunda metade da temporada 2022/23 foi, como vimos, muito bem conseguida. Vários jogadores destacaram-se ao serviço do Amora e, como é comum nestes casos, começaram a gerar cobiça entre clubes mais abonados financeiramente.

Mas não foi apenas ao serviço do Amora que alguns deles se destacaram.

Lembram-se de João Carvalho? A primeira contratação do Amora na primeira temporada, o menino de 18 anos alto e franzino que tinha colocado em pausa a sua carreira para ajudar no sustento familiar? Pois bem, o menino tornou-se um homem. O regime de treinos especializado providenciado pelo Amora fê-lo ganhar massa muscular e tornar-se num central forte e autoritário em campo.

A excelência das suas exibições não passou despercebida à seleção nacional e João Carvalho começou a ser chamado à seleção Sub21. No final da temporada surgiu o prémio merecido: a convocação para o Europeu Sub21 que se disputaria nesse Verão.

O menino chegou, viu e venceu. Assumiu a titularidade e foi uma das figuras da seleção que conquistou um inédito título europeu na categoria Sub21.

Claro está que, depois disto, o Amora já era demasiado modesto para ele.

 

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João Carvalho foi figura de destaque na gloriosa caminhada da seleção portuguesa Sub21 rumo à conquista do Europeu...

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... e convenceu o Boavista a abrir os cordões à bolsa e levá-lo da Medideira por um valor recorde na história do Amora

 

Custou perder o menino, mas foi uma venda recorde na história do Amora, batendo a de Joca ao Famalicão um ano antes. E era bom vê-lo voar. O menino iria disputar a Primeira Liga num clube histórico. Tinha todo um futuro pela frente e foi o Amora quem lho providenciou.

Foi o primeiro grande sucesso do Projeto Oásis.

Infelizmente, a razia não ficou por João Carvalho. Vários jogadores foram alvo de cobiça alheia. O Amora tentou reter alguns dos jogadores para os quais não tinha alternativa direta pronta entre a miudagem dos Sub23, mas não teve como evitar as saídas de mais dois habituais titulares.

 

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O guarda-redes Guilherme Fernandes convenceu quando substituiu David Grilo e proporcionou um importante encaixe financeiro...

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... Juancho decidiu anunciar que queria um novo desafio na sua carreira, saindo para representar a Briosa...

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... o Feirense foi um dos clubes que apresentou propostas formais por Gabriel Capixaba, as quais chegaram aos 1,3 milhões de euros...

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... mas acabaria por se comprometer a continuar na Medideira

 

Dos vários jogadores cobiçados, o Amora acabaria por perder o guarda-redes Guilherme Fernandes e Juancho. Gabriel Capixaba esteve em risco de sair, mas o Amora conseguiu à justa convencê-lo a permanecer na Medideira. Foi uma das melhores notícias que Frodo Zarco poderia receber, pois o extremo brasileiro era um dos, se não mesmo o jogador mais influente do plantel.

Feitas as contas, o Amora safou-se bem. Embora Guilherme Fernandes tivesse convencido no período em que assumiu a titularidade, o Amora tinha em David Grilo um guarda-redes de qualidade, pelo que a sua saída não foi um grande transtorno. Já Juancho, que até era um dos desequilibradores habituais no ataque, podia de facto ser uma perda significativa.

Poderia, mas acabou-se por nem se dar conta da sua ausência. "E porquê?", perguntam vocês.

Ora, porque...

 

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Joca foi dispensado pelo Famalicão menos de um ano depois de ter sido contratado...

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... o Amora, atento à situação contratual de um dos seus símbolos, não perdeu tempo...

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... e trouxe Joca de volta a casa; como é visível, um ano a jogar e treinar num patamar competitivo superior fez-lhe bem

 

... porque o capitão Joca estava de volta! Cerca de um ano depois de sair, Joca viu o Famalicão dispensá-lo. Foi uma decisão que, olhando em retrospetiva, fez todo o sentido, mas na altura apanhou Frodo Zarco de surpresa.

A verdade é que Joca não se deu bem com a súbita diferença de andamento. Saltar da Liga 3 para a Primeira Liga aos 29 anos de idade não seria propriamente fácil. Joca acabou por disputar apenas cinco jogos na Primeira Liga e, com o final da temporada a aproximar-se, começou a ser cada vez menos provável que continuasse em Famalicão.

O Amora estava atento e preparava-se para tentar garantir os seus serviços para a nova temporada. Frodo Zarco e Bilbo Himura analizavam a hipótese de tal acontecer por empréstimo, ou eventualmente negociando a aquisição do seu passe desportivo por um valor reduzido, quando a notícia da sua dispensa a custo zero lhes chegou.

Não perderam tempo. A Medideira teria sempre as portas abertas para acolher os seus filhos pródigos; Joca tinha imensa estima pelo seu clube de sempre, o clube da sua cidade. O acordo foi fácil e o resto, o resto é história, como se costuma dizer.

[ver Capítulo XIV - O filho pródigo]

De resto não houve mais mexidas a assinalar. As figuras principais continuavam a ser as que apresentei na primeira temporada, às quais se juntavam os meninos que referi no resumo da época passada.

Relembro alguns deles (prints atualizados conforme os atributos no início desta temporada):

 

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O lateral esquerdo Lucas Silva

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O médio Papou Mendes, cujo crescimento surpreendeu tudo e todos

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O pêndulo Martim Maia, também ele notoriamente mais desenvolvido no início da sua terceira época na Medideira

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O veterano Léléco, que surpreendeu ao anunciar que se retiraria no final da temporada

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O extremo Gabriel Capixaba, principal motor ofensivo da equipa

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E Flávio Silva, o matador renascido, à procura de voltar a ser o goleador de serviço depois de uma temporada algo decepcionante

 

Para terminar, e antes de passar à temporada do Amora, referir apenas que o veterano Léléco, o afroastro, anunciou a sua intenção de terminar a carreira no final da temporada.

Desde que chegou a Portugal, Léléco fez toda a sua carreira desportiva em escalões inferiores - foi com o Amora que chegou aos campeonatos profissionais. Infelizmente, chegou já em fase descendente. Não me interpretem mal, continuava a espalhar magia nos relvados, mas a disponibilidade física já não era a de outros tempos.

Embora tenha jogado apenas três anos no Amora, o seu nome perdurará na história do Maior da Margem Sul por motivos que hão perceber.

 

A temporada do Amora Futebol Clube 2023/24

Com a segunda volta da temporada anterior ainda bem presente na memória, o Amora iniciou a campanha com esperanças num ano mais tranquilo e livre de sobressaltos. Alguns, poucos, sonhavam com algo mais; não Frodo Zarco. O plantel era jovem e não queria colocar-lhes essa pressão.

Seja como for, o Maior da Margem Sul entrou em campo no final de Julho para o primeiro jogo oficial da temporada. Tal como na época anterior, o adversário na 1ª Eliminatória da Taça da Liga vinha da Primeira Liga. O Moreirense veio à Margem Sul e bateu o Amora por 3-2, em noventa minutos equilibrados que poderiam ter caído para qualquer lado.

O Amora deixava boas impressões, mas o jogo teve um preço elevado: Flávio Silva lesionou-se logo no primeiro minuto da partida, ficando afastado durante dois meses com uma distensão na virilha. Tornava-se um problema recorrente para o matador renascido, que já na época anterior sofrera diversos problemas físicos menores que foram afetando as suas performances, e que pioraria ao longo deste ano com algumas paragens prolongadas. Esta foi apenas a primeira delas.

Como se costuma dizer, o azar de uns é a oportunidade de outros. Leonardo Brandão, o menino Léo como lhe chamavam os colegas, aproveitou as ausências de Flávio Silva para ir crescendo em qualidade e preponderância na equipa.

 

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Leonardo Brandão tinha crescido desde a sua chegada ao Amora; a temporada 2023/24 foi a de afirmação enquanto jogador de primeira equipa

 

Afastado da Taça da Liga, o Amora iniciou a campanha na Segunda Liga com uma série de resultados razoáveis. A equipa apresentou-se notoriamente crescida em relação ao que era no mesmo período do ano passado e rapidamente foi perceptível que a despromoção não seria um fantasma. À 10ª jornada, o Amora tinha já tantos pontos quantos em toda a primeira volta da época anterior, ocupando o top5 da classificação e obtendo algumas vitórias notáveis, em especial ao derrotar a B SAD, grande favorita à promoção, em pleno Estádio do Jamor [ver Capítulo XV - Gabriel, o capixaba].

Apesar do choque que esse resultado provocou, foi na Taça de Portugal que o Amora alcançou a maior vitória deste período. Chegado à 3ª Eliminatória da Prova Rainha, o Maior da Margem Sul recebeu o Tondela, equipa que então figurava entre os lugares cimeiros da Primeira Liga e que contava com alguns jogadores de qualidade, entre os quais Rafinha - sim, esse mesmo, o antigo jogador de Barcelona, PSG ou Inter.

Foi um daqueles jogos para recordar. O Amora resistiu estoicamente, aguentando vagas de ataques sucessivas do seu adversário, preservando o nulo no final do tempo regulamentar. A resistência amorense quebrou no final do primeiro tempo do prolongamento, mas foi nessa altura que os meninos deram uma resposta à altura, mostrando que estavam prontos para outros voos. Isaac Monteiro, primeiro, e Leonardo Brandão, depois, dois meninos promovidos dos Sub23 na época anterior, marcaram os golos com que o Amora virou o jogo.

A pressão final do Tondela provocou o pânico na área do Amora, mas o Maior da Margem Sul sobreviveu e conseguiu um inesperado apuramento para a fase seguinte da Taça de Portugal [sobre este jogo, ver Capítulo XVI - O próximo passo].

 

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O menino Isaac Monteiro aproveitou a saída de João Carvalho para se afirmar no onze titular...

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... e foi decisivo na estrondosa vitória sobre o Tondela, marcando o golo do empate já na segunda parte do prolongamento

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À 10ª jornada, o Amora já parecia lançado para uma temporada bem sucedida

 

Aproveitando o embalo, despacho já o tema da Taça de Portugal para depois nos centrarmos na Segunda Liga.

O Amora prosseguiu na competição após a vitória sobre o Tondela, calhando-lhe em sorte o Merelinense, adversário que pouca oposição apresentou perante a equipa de Frodo Zarco. Uma vitória por três golos sem resposta e estava o Maior da Margem Sul nos Oitavos da Taça de Portugal.

Aqui a história era outra. O Amora foi a Vila do Conde defrontar o Rio Ave, companheiros da Segunda Liga e um osso duríssimo de roer - em especial no seu terreno. Mas o crescimento da miudagem era cada vez mais visível e, numa exibição de enorme personalidade, o Amora não sofreu qualquer golo que colocasse em causa o tento madrugador de Flávio Silva. O matador renascido, por infelicidade, lesionou-se mais tarde nesse mesmo jogo - mais uma ausência prolongada -, mas Leonardo Brandão entrou para o seu lugar e colocou logo de seguida a vantagem nos dois golos, decidindo a eliminatória.

Com este resultado, o Amora de Frodo Zarco igualava a melhor prestação de sempre do clube nesta competição: a do Amora de Jorge Jesus, que em 1992/93 alcançou os Quartos, onde haveria de tombar às mãos do Benfica de Toni e em que nomes como Aleksabdr Mostovoi, Sergei Yuran ou os jovens Paulo Sousa, João Vieira Pinto e Rui Costa faziam os adeptos sonhar.

Os deuses do futebol colocaram o Vitória SC, o de Guimarães, portanto, no caminho do Amora. Foi um dia de festa na Medideira, que encheu como um ovo para a recepção ao então 3º classificado na Primeira Liga, cujo plantel repleto de estrelas como Alex Telles, Otávio, Rochinha, El Shaarawy e Divock Origi atestava a magnitude do desafio que Frodo Zarco e seus meninos teriam pela frente.

O sonho de alcançar as Meias da Taça de Portugal tornou-se bem real quando Papou Mendes colocou o Amora em vantagem ainda durante o primeiro tempo. O ambiente efervescente na Medideira sofreu um baque quando o Vitória SC, ferido no seu orgulho, foi em busca do prejuízo e virou o jogo ainda antes do intervalo.

Os meninos bateram-se bem, deram tudo o que tinham e remeteram o adversário para dentro da sua área. O Amora terminou a partida com 57% de posse de bola, o que era um indicador da ambição amorense. Infelizmente, o resultado não mexeria mais.

O Amora despediu-se da Taça de Portugal de cabeça erguida, igualando a melhor prestação da sua história e, mais importante, deixando claro que aquele plantel estava preparado para voos mais elevados.

 

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O Amora foi eliminado da Taça de Portugal pelo Vitória SC após uma campanha de sucesso que igualava a melhor da história do clube

 

A campanha na Taça de Portugal não foi um sucesso isolado. Era um sintoma do bom momento vivido pela equipa de Frodo Zarco, que continuou a somar sucessos na Segunda Liga. Aos cinco jogos sem perder que o Amora somava à 10ª jornada somaram-se mais seis - quatro vitórias e dois empates - e, subitamente, o Amora era o líder destacado à 16ª jornada.

O fecho da primeira volta disputava-se em Vila do Conde. O Rio Ave era um adversário direto: três pontos separavam as duas equipas na tabela. O Amora já lá tinha vencido esta época para a Taça de Portugal, como anteriormente vos referi, mas desta vez o jogo revestia-se de um carácter especial: era um jogo em que a personalidade do Amora seria testada. Desta vez jogava como líder do campeonato, com toda a responsabilidade que isso acarretava, e ansiava-se pela resposta dos meninos perante esse fardo.

A equipa deu uma resposta firme e um dos meninos em especial revelou toda a sua personalidade e qualidade nessa tarde.

O Rio Ave até entrou a vencer na partida. O que parecia ser um rude golpe nas aspirações do Amora teve como resposta uma tenacidade que já era imagem de marca dos azuis da Margem Sul. Gabriel Capixaba empatou o jogo ainda antes do intervalo e o Amora colocou os vila-condenses em sentido durante grande parte do desafio. O resultado, porém, não sofria alterações e o jogo avançava rapidamente para a sua reta final.

Algures a meio da segunda parte, Frodo Zarco fez entrar Martim Watts. A unidade de potência, como lhe chamavam os colegas em referência ao seu apelido - um watt é uma unidade de potência que mede a quantidade de energia que algo precisa para funcionar, ou assim me explicaram, não percebo muito do assunto -, resolveu o jogo em poucos minutos, fazendo a assistência para o segundo golo e marcando ele próprio o terceiro.

 

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Martim Watts, na altura com apenas 18 anos

 

Decerto se recordarão de vos ter falado dele anteriormente. Foi um dos reforços para a equipa Sub23 na época passada e foi promovido à equipa principal em Janeiro de 2023, a meio da temporada, tendo disputado dezasseis jogos até final da temporada. O seu estilo de jogo fazia jus ao epíteto unidade de potência: embora jovem, era já um jogador muito dinâmico a oferecer linhas de passe constantemente e a ligar o jogo, fazendo o meio-campo funcionar num modo que não tardou a gerar comparações ao estilo de João Moutinho.

Quase um ano passou desde a sua estreia, mas o menino ainda não tinha marcado qualquer golo ou feito qualquer assistência. Nessa tarde fez ambas e foi o melhor em campo, ganhando o embalo para conquistar a titularidade que não mais perdeu até hoje, como sabemos.

A vitória em Vila do Conde foi a afirmação definitiva do Amora como candidato à subida. Um conjunto anormal de resultados, tanto do Amora como de adversários diretos, permitiu ao Maior da Margem Sul cavar um inesperado fosso de sete pontos para o primeiro adversário fora dos lugares de acesso à Primeira Liga.

Os dados estavam lançados e o Amora não mais podia recusar o estatuto conquistado dentro de campo.

[Mais sobre Martim Watts, o jogo com o Rio Ave e este ciclo em Capítulo XVII - Unidade de Potência]

 

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O Amora bateu o Rio Ave com uma exibição de luxo de Martim Watts...

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... e deu de súbito consigo numa posição bem confortável na classificação

 

Os meus netos dizem-me muitas vezes que "com grandes poderes vêm grandes responsabilidades". Não faço ideia de onde trouxeram eles essa ideia - eu amo os catraios, mas aqueles cabeças ocas não são assim tão inteligentes para inventarem algo assim tão simples e profundo. Seja como for, isso aplica-se na perfeição ao que se seguiu.

Com a entrada na segunda volta e na liderança da Segunda Liga, o Amora deu por si a ser temido pelos adversários. Estão recordados de ter referido como na época passada Frodo Zarco implementou um 523 defensivo e de contra-ataque, certo? Pois bem, os adversários do Amora começaram a entrar mais retraídos em campo. Como consequência, o Maior da Margem Sul deixou de poder explorar tantas vezes o contra-ataque em que era tão letal e os resultados...

Bem, os resultados caíram a pique. Nos primeiros sete jogos da segunda volta, o Amora venceu apenas duas vezes, tendo empatado em três ocasiões e perdido duas vezes. A vantagem pontual trazida de Vila do Conde quase desapareceu. A Medideira vivia um período ansioso, talvez até receoso.

Frodo Zarco foi distinguido no último desses sete jogos, no início da partida da 24ª jornada diante do Casa Pia por ocasião do seu centésimo jogo oficial como treinador do Amora. Uma tarde de festa que quase se tornou num pesadelo, mas os meninos lá conquistaram uma suada vitória pela margem mínima [ver Capítulo XIX - O centésimo jogo].

Sentia-se que o Amora vivia um momento delicado.

 

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A tendência de crescimento do Amora foi quebrada após o início da segunda volta

 

Diz-se que o treinador recolheu aos balneários no final do jogo e ficou longamente sentado, sozinho, a observar o troféu comemorativo do seu centenário que segurava entre as suas mãos. Provavelmente preocupado com as exibições da equipa; certamente a ponderar o que fazer para inverter a tendência.

No jogo seguinte, o Amora que surgiu em campo surpreendeu toda a gente. Em vez dos habituais três centrais, Frodo Zarco colocou apenas dois em campo. Os laterais continuavam a jogar como autênticos alas ofensivos, sendo compensados pela descida do médio defensivo. Era este o equilíbrio de toda a equipa: sem bola, era um médio defensivo de cobertura aos centrais; com bola, descia quase ao nível deles, permitindo que os laterais subissem sem preocupações.

Martim Maia, o pêndulo da equipa, cumpria este papel com distinção.

Mas não foi apenas no aspeto tático que Frodo Zarco inovou. Martim Watts assumiu definitivamente a titularidade na posição de Léléco, dando vivacidade e simplicidade de processos que o veterano afroastro já não garantia nesta fase final da sua carreira.

Enquanto isso o menino Odailson, que foi um dos reforços desta temporada para a equipa Sub23, assumiu a titularidade na lateral direita. Apesar da sua tenra idade, o menino era extrovertido e um espalha-brasas espetacular de se ver, não receando progredir com a bola ao longo da linha como se fosse um extremo.

Tal como fizera há um ano, Frodo Zarco reinventou o Amora a meio da temporada, não tendo receio de mudar quando sentiu que não iam no caminho certo. E mais importante, não hesitou na hora de lançar os meninos. De que outra forma um projeto assente na formação poderia vingar?

 

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O novo esquema tático de Frodo Zarco surpreendia pelo desenho arrojado, o qual previa apenas dois defesas centrais e laterais subidos, numa espécie de 2323

 

Fosse por o novo esquema tático ser mesmo muito bom ou por os adversários terem sido apanhados desprevenidos e não saber como o contrariar, certo é que os resultados não tardaram a surgir. Os seis jogos seguintes contaram-se por vitórias - que somavam-se à obtida frente ao Casa Pia, a do centésimo jogo de Frodo Zarco, perfazendo um total de sete vitórias consecutivas.

Uma em especial merece especial destaque. O Amora deslocou-se na 29ª jornada a Oliveira de Azeméis para defrontar um aflito Oliveirense, num jogo que à partida parecia simples para o Maior da Margem Sul. As coisas começaram a complicar-se quando Gabriel Capixaba contraiu uma lesão, algo incomum para o influente extremo brasileiro. A equipa acusou a sua ausência e o jogo parecia destinado a um frustrante empate a zero.

Diego Raposo, outro dos reforços desta época para a equipa Sub23, já treinava com a equipa principal há algum tempo embora ainda não se tivesse estreado. Nesse dia, o menino foi chamado devido à ausência de Flávio Silva, novamente lesionado.

Lançado na reta final do jogo quando o Amora sufocava a Oliveirense, foi ele quem surgiu ao segundo poste após a marcação de um pontapé de canto, a aproveitar um desvio de um colega, para dar a vitória no último minuto do tempo regulamentar.

Não só o menino Diego Raposo marcou na sua estreia, como o Amora vencia um jogo marcado pela perda do seu melhor jogador. Nesse dia sentiu-se que a promoção já não fugiria ao Amora; os deuses do futebol pareciam ter tomado a sua decisão.

 

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A vitória à 29ª jornada, com golo do menino Diego Raposo na sua estreia, deixava o Amora com um pé na Primeira Liga

 

Claro está que faltava confirmar matematicamente a promoção.

Esse dia chegaria a 20 de Abril de 2024. Disputava-se a 31ª jornada e o Amora foi a Matosinhos defrontar o Leixões. A acompanhá-los, uma autêntica onda azul invadiu o Parque da Cidade do Porto, primeiro, para depois rumar até ao Estádio do Mar onde esperavam poder celebrar o regresso do Amora à Primeira Liga depois de mais de quarenta anos desde a sua última presença no convívio dos grandes.

Embalados pelo massivo apoio dos seus adeptos e com as emotivas palavras da velha glória Mareta a aquecer-lhes o coração, o Amora entrou determinado a resolver rapidamente a questão. Sem Gabriel Capixaba e Flávio Silva, ambos lesionados, mas com seis meninos no onze inicial, o Maior da Margem Sul arrumou a questão com golos de três desses meninos: Leonardo Brandão, Papou Mendes e Odailson.

O terceiro golo quebrou o espírito competitivo da equipa. O Leixões reduziu e poderia ter marcado mais vezes na fase final do encontro. Mas quem poderia cobrar isso aos meninos? Depois de uma longa e extenuante temporada, depois de toda a pressão física e psicológica a que estiveram sujeitos, naqueles minutos finais já os meninos estavam ansiosos pelo apito final do árbitro para poderem celebrar.

O Amora estava de volta à Primeira Liga.

[Mais sobre este jogo e informações sobre Mareta em Capítulo XX - O capitão Mareta]

 

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A vitória sobre o Leixões foi o passo decisivo...

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... para a confirmação matemática da promoção à Primeira Liga

 

A festa foi longa e prolongada. A Medideira encheu para receber os seus heróis e as ruas da Cidade de Amora foram pequenas para acolher a enxurrada de foliantes que celebrava um feito inédito para muitos deles. O Amora tinha marcado presença pela última vez na Primeira Divisão em 1983. A maioria das pessoas que ainda guardavam memórias vívidas disso andaria agora na casa dos 50s e muitos, 60s anos de idade!

Acalmada a onda de euforia, foi hora de voltar ao trabalho. A promoção estava assegurada, mas faltavam três jogos para terminar a temporada. Esses três jogos decidiriam o título de campeão da Segunda Liga.

Conquistá-lo não seria um feito inédito; o Amora já o fizera em 1980. Mas havendo possibilidade de igualar a maior conquista da história do clube e entrar na galeria de heróis da Margem Sul, quem quereria desperdiçar essa oportunidade?

A série de vitórias foi expandida para oito na recepção ao Vilafranquense, num jogo que marcou o regresso à Medideira após a confirmação da promoção. Leonardo Brandão e Léléco foram os marcadores - o menino Léo já ia em três jogos consecutivos a marcar, o afroastro a mostrar que a idade é apenas um número.

No entanto, a deslocação a Alcochete na 33ª jornada marcaria o final da série de vitórias consecutivas. Os leõezinhos chegaram ao intervalo a vencer e o Amora apenas conseguiu resgatar um ponto graças a mais um golo de Leonardo Brandão, que já ia numa série de quatro jogos consecutivos a marcar.

Foi assim que chegámos à última jornada. Amora e Benfica B discutiam o título da Segunda Liga: o Maior da Margem Sul na recepção ao Rio Ave, as aguiazinhas - reforçadas com vários elementos da equipa principal, em especial Everton Cebolinha, Jota e Taarabt - na deslocação a Chaves. Em igualdade pontual na tabela, servia o confronto direto para desempatar - e esse era desfavorável ao Amora.

Frodo Zarco repetiu o onze que garantiu a subida em Matosinhos - o mesmo é dizer que estavam novamente seis meninos no onze inicial: Isaac Monteiro, Odailson, Papou Mendes, Martim Watts, Abas Djaló e Leonardo Brandão. No banco de suplentes ficava Gabriel Capixaba, recuperado da lesão poucos dias antes, a tal que sofreu frente à Oliveirense na 29ª jornada. Com ele, também estavam Flávio Silva e Léléco.

Ignoremos por agora as contas do título. O jogo marcava outro momento digno de ser mencionado: seria o último jogo da carreira profissional de Léléco, o afroastro.

 

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Léléco terminava a sua carreira aos 33 anos

 

O médio fez apenas três temporadas no Amora, mas foi um dos elementos mais fiáveis e influentes de toda a caminhada do Amora até à Primeira Liga. Uma voz sempre respeitada no balneário, um amigo sempre disponível, um animador sempre pronto a arrancar sorrisos e gargalhadas.

Foi um professor para muitos dos meninos. Martim Watts, para quem perderia o lugar, e Papou Mendes aprenderam imenso com ele. Muito do crescimento destes meninos deveu-se a ele, sempre pronto para dar dicas e mostrando como se fazia, liderando pelo exemplo. Foi um mentor para ambos.

Perdeu a titularidade com o decorrer da temporada, mas nunca deixou de trabalhar e correspondeu com a dedicação de sempre quando foi chamado.

Léléco seria para sempre recordado na Medideira.

Não vos quero maçar muito com recordações desse jogo. Teve transmissão televisiva e podem sempre ir ver o que aconteceu e as emoções vividas ao longo do jogo em maior detalhe [ver Capítulo XXI - O maior da Margem Sul]. O Amora adiantou-se cedo no marcador pela unidade de potência, Martim Watts de seu nome, mas o Rio Ave empatou contra a corrente do jogo antes do intervalo.

A 45' do final da temporada, o Amora empatava e o Benfica B vencia em Chaves. Teria de haver uma inversão dos resultados em ambos os jogos para haver festa na Medideira.

Leonardo Brandão voltou a marcar no início da segunda parte - era o quinto jogo consecutivo a faturar para o menino. A atenção dos adeptos e até dos próprios jogadores pareceu desviar-se para longe dali, para 450 quilómetros de distância onde o Benfica B ainda vencia o Chaves.

Subitamente, a Medideira irrompeu em celebrações. Primeiro quando Gabriel Capixaba foi chamado para aquecer; depois, meros segundos depois, quando a notícia do golo do empate do Chaves correu pelas bancadas como fogo em mato seco. Ainda os adeptos celebravam o primeiro golo quando os flavienses passaram para a frente do marcador.

Com o Benfica B a perder em Chaves e o Amora a vencer na Medideira, Frodo Zarco lançou os seus jogadores mais experientes: Gabriel Capixaba, Flávio Silva e Léléco entraram em campo com o objetivo de meter a miudagem em ordem. O Amora não podia correr o risco de sofrer o golo do empate, o qual o deixaria à mercê do Benfica B também voltar à igualdade - e esse cenário daria o título aos encarnados. Aquele momento era delicado e exigia homens de barba rija.

Gabriel Capixaba demorou cinco minutos a marcar o terceiro para o Amora no seu regresso após um mês de paragem forçada, selando o destino do jogo. Faltava a confirmação da derrota, ou no limite do empate, do Benfica B.

O tempo foi passando sem desenvolvimentos. Ambos os jogos entraram na compensação e já se celebrava na Medideira quando o Amora ganhou um livre frontal, à entrada da área.

Era o último lance da temporada. Ninguém impediu Léléco de pegar na bola. Seria a sua última intervenção da carreira. O afroastro bateu uma folha seca ao ângulo superior esquerdo da baliza. O guarda-redes nem sequer esboçou uma reação.

Estas coisas não se inventam. Léléco, no seu último pontapé enquanto futebolista profissional, marcou um golaço e saiu carregado em ombros, um herói improvável na festa do título do Maior da Margem Sul.

 

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A vitória folgada sobre o Rio Ave...

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... garantiu a conquista do título da Segunda Liga

 

Recordado o percurso do Amora de Frodo Zarco e Bilbo Himura na terceira temporada do Projeto Oásis, é justo citar aqueles que mais contribuíram para este desfecho.

[Infelizmente não tirei prints na altura, por isso apenas posso fazer um resumo]

Flávio Silva foi afetado por várias lesões ao longo da temporada, mas nos períodos em que jogou foi decisivo. Terminou a temporada com apenas 29 jogos, mas marcou em 17 ocasiões e ainda fez 2 assistências. Foi a melhor temporada da sua carreira no que a registos de golos diz respeito.

O seu substituto habitual, e que na reta final da temporada assumiu a titularidade por direito próprio, marcando golos em vários jogos consecutivos, foi o menino Leonardo Brandão. Terminou a época com 10 golos e 7 assistências em 31 jogos, abrindo o apetite dos adeptos para a próxima temporada.

Gabriel Capixaba voltou a ser o jogador mais influente da equipa. Beneficiou da novidade implementada por Frodo Zarco para esta temporada ao colocar o Amora a jogar com extremos de pé invertido. A partir da direita, Gabriel Capixaba fazia mais movimentos interiores e surgia mais vezes em zonas de definição, acabando por isso com 13 golos e 10 assistências.

Do outro lado aconteceu o mesmo com Joca, que partindo da esquerda para o centro usou o seu pé direito para somar 9 golos e 9 assistências.

Léléco terminou a carreira com 6 golos e 3 assistências, isto apesar de ter perdido a titularidade para Martim Watts e por isso apenas ter disputado 25 jogos. Falando em Martim Watts, a unidade de potência que até à 16ª jornada não tinha contribuições diretas para golo ainda foi a tempo de terminar com 3 golos e 2 assistências.

Destaques individuais finais para Papou Mendes, cujo crescimento era notório e que contribuiu com 5 golos e 4 assistências nos 39 jogos que disputou; e para os laterais, que tão importantes eram na manobra ofensiva do Maior da Margem Sul, que somaram 8 assistências no caso de Lucas Silva e 2 golos e 4 assistências no caso de Odailson, o menino que entrou de rompante no onze inicial ainda a tempo de fazer 24 jogos 

Sobre os meninos, o Amora era cada vez mais o reflexo do seu projeto. Nos últimos jogos, o Amora atuava já com mais de meia equipa abaixo dos 21 anos de idade.

Isaac Monteiro afirmou-se definitivamente no centro da defesa; Odailson na lateral direita; Papou Mendes e Martim Watts eram intocáveis no meio-campo. Leonardo Brandão terminou a temporada como titular na frente do ataque e parecia improvável que isso mudasse no ano seguinte.

A estes juntavam-se uma série de nomes que acumularam muitos minutos como alternativas aos habituais titulares, como o lateral esquerdo Tiago Louro, o central Gustavo Pinto ou o extremo Abas Djaló - sem esquecer o menino Diego Raposo, que marcou na sua estreia à 29ª jornada.

Coletivamente, o Amora foi pelo segundo ano consecutivo a melhor defesa da Segunda Liga.

Por hoje deixo-vos com mais um feito histórico protagonizado por Frodo Zarco e Bilbo Himura. Repetir a conquista da Segunda Liga mais de quarenta anos depois e regressar à Primeira Liga pela primeira vez desde 1983 parecia a todos o ponto alto deste projeto.

Hoje sabemos que coisas melhores estavam a caminho. Mas na altura ninguém sonhava com isso. Lá chegaremos.

Editado por Black Hawk
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Tens uma ótima academia e apesar de um começo modesto e de um início de segunda volta onde o ritmo foi quebrado, acabaste por vencer a segunda liga com alguma tranquilidade. O que importava era subir de divisão.

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A academia e os miúdos apareceram e lembro-me de esta terceira época ao comando do Amora ter sido de grande sucesso. Fizeste uma segunda volta magistral na 2ª Liga e conseguiste acabar como campeão! 😉 

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Citação de Biri Biri Jr, Em 29/09/2022 at 14:07:

Tens uma ótima academia e apesar de um começo modesto e de um início de segunda volta onde o ritmo foi quebrado, acabaste por vencer a segunda liga com alguma tranquilidade. O que importava era subir de divisão.

E nesta altura ainda estava a ser construída. Só na 4ª temporada, no próximo recap, é que houve o primeiro investimento a sério nas condições de formação.

Citação de Martini Branco, há 7 horas:

A academia e os miúdos apareceram e lembro-me de esta terceira época ao comando do Amora ter sido de grande sucesso. Fizeste uma segunda volta magistral na 2ª Liga e conseguiste acabar como campeão! 😉 

Lembro-me do pessoal na altura já a meio da época comentava que ia subir e eu, eterno pessimista, a pensar com os meus botões "sei não, ainda pode correr mal..." Ahah

Felizmente, correu bem.

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Quarto de cinco recaps, este relativo à temporada 2024/25 em que o Amora regressou à Primeira Liga após 41 anos de ausência.

Foi a temporada em que os meninos mais velhos se afirmaram definitivamente na equipa principal e os mais novos começaram também a despontar.

Falta um recap, será lançado em breve e depois retornamos a capítulos novos.

 

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Rumo ao Oásis - parte 4

 

Capítulos de referência:

Capítulo XXII - Um Oásis no deserto da Margem Sul

Capítulo XXIII - O viveiro das trutas

Capítulo XXIV - O lago dos tubarões

Capítulo XXV - O mundo sabe que...

Capítulo XXVI - O Cavaleiro da Bola Redonda

Capítulo XXVII - A Luz do farol

Capítulo XXVIII - O avançado móvel

Capítulo XXIX - Sinais de terra

Capítulo XXX - O fim de um ciclo

 

O Amora Futebol Clube na Primeira Liga, dá para acreditar? Parece coisa daqueles jogos que os meus netos jogam no computador em que passam horas a olhar para gráficos coloridos e caricas a chutar um pixel branco. Um save, acho que é o que eles lhe chamam, seja lá isso o que for.

Mas desta vez era real. O Amora estava de regresso à Primeira Liga, mais de quarenta anos depois. E não era só o Amora; era toda a Margem Sul que voltava a estar representada. A verdadeira Margem Sul - a dos concelhos próximos do Tejo, não as zonas de Setúbal e Sesimbra que já são alentejanos para nós - uma região com mais de 500 mil habitantes que não era representada no convívio dos grandes há quatro décadas. Inacreditável.

O Amora estava de volta para dar alegrias a todos nós. Estava de volta com um projeto estruturado, com ambição, com futuro. Desta vez não seria uma passagem efémera, como um cometa que surge de vez em quando e volta a desaparecer na obscuridade do espaço sideral. Desta vez voltávamos para ficar.

Ou pelo menos assim esperamos.

 

O Projecto Oásis

O Verão de 2024 foi animado na Cidade de Amora. Enquanto os jogos não começavam, o Maior da Margem Sul foi anunciando os resultados do Projecto Oásis ao mundo. O Centro de Formação Carla Sacramento, assim se chamava a nova Academia do Amora, foi apresentado ao público.

Localizado nas imediações do Complexo Municipal de Atletismo Carla Sacramento, era composto por diversos pólos desportivos dedicados a várias modalidades com centros de alto rendimento, vários campos de futebol, dormitórios, refeitórios... Enfim, tudo aquilo que possam imaginar num espaço dedicado à formação desportiva, social e cívica dos futuros homens e mulheres de amanhã.

Foi uma grande conquista de Bilbo Himura, que usou de toda a sua influência para conseguir aquele milagre.

 

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O Amora finalmente conseguiu a aprovação para investir nas condições de treino...

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... e de formação de novos talentos

 

Na altura não fazíamos ideia porque era algo que estava no segredo dos deuses, mas sabemos hoje que já havia planos para uma intervenção de fundo na Medideira que mudaria a face da casa histórica do Amora.

As obras começariam ainda com a época a decorrer e tornou necessário o Amora jogar em casa emprestada durante a segunda volta [não ingame, só para efeitos da história]. A nova Medideira e toda a zona envolvente, incluindo o Centro de Treinos do Serrado já existente, tornar-se-iam a seu tempo um autêntico pólo desportivo e social na Margem Sul.

 

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O Centro de Treinos do Serrado já existia...

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... e o seu relvado sintético era casa habitual de jogos das camadas jovens, dos Sub23 e da equipa feminina

 

Mas voltaremos a essas transformações futuramente.

 

A equipa Sub23

Nova temporada, nova transformação no plantel da equipa que militava na Liga Revelação. Com a promoção contínua de jovens jogadores promovida por Frodo Zarco, a equipa todos os anos sofria nova revolução com a entrada de mais jovens talentos.

Para esta temporada, porém, surgiu uma inovação. A subida à Primeira Liga e o aumento da reputação do Amora permitiram ao Maior da Margem Sul encontrar um clube parceiro para a rodagem de jovens talentos. O escolhido acabou por ser o União de Santarém, da Liga 3.

 

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Vários dos jogadores mais velhos do plantel Sub23 que ainda não tinham convencido Frodo Zarco rumaram para o Vale do Tejo, procurando fazer nome e crescer num patamar competitivo superior ao da Liga Revelação. Isso também abriu espaço a que talentos mais jovens pudessem jogar regularmente pela equipa Sub23, evoluindo ao jogarem num escalão etário mais exigente do que os da sua idade.

Houve algumas excepções. Alguns jogadores foram emprestados a outros clubes, fosse por o União de Santarém já ter boas opções para as suas posições, fosse por já justificarem um patamar competitivo superior ao da Liga 3.

Deixo-vos os dois exemplos mais claros disto: Manuel Balde e Diego Raposo.

 

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Manuel Balde, guarda-redes com enorme potencial...

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... e a jovem promessa Diego Raposo

 

Manuel Balde foi uma aposta fora do comum para o que vinha sendo habitual dentro do Projecto Oásis. Contratado neste Verão já com 21 anos, a ideia passava por tê-lo com David Grilo no plantel principal com vista a assumir a titularidade no futuro.

No entanto, uma oportunidade de negócio que surgiria levou a que perdesse espaço e o empréstimo surgiu como a melhor solução para ter tempo de jogo. Que oportunidade de negócio, perguntam vocês? Já lá iremos.

O nome Diego Raposo já vocês reconhecem. Na época passada, o menino de 17 anos marcou na sua estreia, um golo que valeu uma vitória sem a qual o título da Segunda Liga poderia ter escapado ao Amora.

Tapado por Leonardo Brandão e Flávio Silva, o menino apresentava já demasiada qualidade para continuar a jogar na Liga Revelação, que não lhe apresentava desafios que o fizessem crescer. Tal como Manuel Balde, oempréstimo para um clube onde jogasse regularmente num ambiente competitivo mais exigente era a melhor via para o seu desenvolvimento.

Ambos foram emprestados ao Farense, da Segunda Liga, e seriam figuras numa campanha bastante positiva dos algarvios.

No que respeita aos que ficavam na equipa Sub23, destaque para alguns meninos que eram caras novas:

 

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Nelson Victor, central promissor de 17 anos

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João Carlos Miguel, médio todo-o-terreno de 17 anos

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Filipe Diogo, exuberante extremo de 17 anos

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Vitor Ferraz, médio tecnicista de 17 anos

 

Permitam-me só acrescentar que esta foi uma das gerações jovens mais talentosas que vi surgirem na Medideira em toda a minha vida. Estes quatro meninos apareceram aqui com 17 anos e dois anos depois já faziam parte do plantel que conquistou a Taça de Portugal, o que só atesta a enorme qualidade desta fornada.

Mas estamos a adiantar-nos. Passemos ao plantel principal, onde também havia novidades.

 

O plantel principal do Amora Futebol Clube 2024/25

Agora era a sério. O Amora estava entre a elite do futebol português. A Primeira Liga, o convívio dos grandes, era o maior desafio do Projeto Oásis até à data.

O Amora chegou a esta fase sem fazer qualquer contratação para a sua equipa principal. O núcleo duro da equipa ainda era o mesmo que tinha disputado o primeiro treino sob as ordens de Frodo Zarco no final de Julho de 2021. Jogadores como David Grilo, Juary, Rony Fernandes, Lucas Silva, Martim Maia, Joca, Gabriel Capixaba ou Flávio Silva continuavam a marcar presença regular no onze inicial ou, pelo menos, numa primeira linha de alternativas aos habituais titulares.

É verdade que ao longo dos três anos anteriores, marcados pela ascensão da Liga 3 até à Primeira Liga, estes jogadores evoluíram bastante. Não eram os mesmos que disputaram a Liga 3 naquela primeira temporada; eram hoje mais experientes, mais evoluídos tecnicamente e com outro andamento competitivo. Mas agora iriam estrear-se num nível que, porventura, jamais teriam sonhado disputar.

Frodo Zarco e Bilbo Himura reconheciam isto. Sabiam que a primeira temporada na Primeira Liga seria crítica e que alguns destes nomes poderiam não corresponder às exigências.

Também os meninos eram uma incógnita. Quase metade do plantel principal era na altura formado por jovens jogadores lançados por Frodo Zarco após passarem pelos Sub23. Alguns impuseram-se com naturalidade no onze inicial, outros denotavam dificuldades em assumirem o seu lugar, mas era inegável que elevaram o nível global do plantel.

Mas não era suficiente. Havia posições onde a qualidade disponível era curta e não havia meninos prontos a dar o salto. Tornava-se inevitável o reforço de algumas posições. O Amora fez um esforço financeiro significativo para preservar alguns dos seus melhores talentos, inclusivé melhorando justamente os seus contratos, pelo que não havia dinheiro para contratações.

Foi necessário seguir por um caminho que Frodo Zarco, por convição, não concordava, mas que teve de aceitar.

 

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Luiz Felipe foi reforço para a baliza...

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... António Silva, central do Benfica, foi emprestado ao Amora...

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... tal como o lateral Diogo Travassos, pelo Sporting

 

Leram bem: o Amora trouxe três reforços externos às suas camadas jovens e dois deles nem sequer eram dos quadros do clube.

Luiz Felipe era um talentoso guarda-redes brasileiro. Proveniente da B SAD, perdera a titularidade no seu anterior clube após o controverso clube ter contratado Cláudio Ramos. O seu contrato terminou no final da temporada e o Amora viu a oportunidade de trazer competição a David Grilo.

Não é que David Grilo não fosse um bom guarda-redes. Ele era-o, de facto. Mas numa posição tão delicada, ter dois bons guarda-redes parecia a todos ser uma mais-valia.

Já António Silva era um relativamente desconhecido central do Benfica [ahahahah] que, embora tenha dado provas de ter talento nas camadas jovens, tardava em dar o salto para a equipa principal [ihihihih]. Tinha representado o Zorya, da Ucrânia, na última temporada e não parecia opção para a equipa principal do Benfica.

O Amora tinha nesta altura um menino a despontar chamado Isaac Monteiro, titular indiscutível no centro da defesa em dupla ora com Rony Fernandes, ora com Juary. Estes dois faziam parte da equipa de Frodo Zarco desde o primeiro dia e... como dizer isto sem os menosprezar... temia-se que a Primeira Liga pudesse ser um passo maior do que a amplitude das suas pernas. Não havendo um jovem central pronto a lutar pela titularidade, António Silva faria esse papel enquanto não surgisse um novo talento na formação do Amora.

A mesma lógica servia a Diogo Travassos. O Amora há muito tinha problemas na lateral direita da sua equipa. Joel Monteiro, Pedro Albino, o jovem Simão Rosete e o próprio Juary foram cumprindo na posição ao longo dos anos, embora sem deslumbrar, deixando sempre a sensação que o Amora jogava coxo - principalmente quando do outro lado havia Lucas Silva a dar enorme dinâmica à ala esquerda.

A ala direita do Amora melhorou visivelmente com a promoção de Odailson na temporada anterior, mas o menino... bem, era um menino. Não tinha ainda a capacidade física de enfrentar toda uma temporada como titular, bem como cometia ainda os erros normais da idade. Diogo Travassos era um dos bons elementos habituais do Sporting B e poderia assegurar a rotação na posição sem variações de qualidade.

Foram estas as grandes novidades para a nova temporada num plantel que, de outra forma, mantinha a estrutura base da época anterior e que tão bons resultados apresentou.

 

A Taça de Portugal

Igualado o feito histórico de alcançar os Quartos da Taça de Portugal na época anterior, o melhor registo da história do clube, o Amora partia para esta temporada com o objetivo de bater esse recorde e chegar a uma inédita presença nas Meias-Finais da Prova Rainha.

O percurso foi algo acidentado. A estreia do Maior da Margem Sul na edição deste ano colocou a Sanjoanense no caminho. Um adversário de escalões inferiores que deveria ter sido despachado facilmente e acabou por ser uma dor de cabeça para os amorenses, tendo sido necessário o desempate por grandes penalidades para garantir o apuramento.

Seguiram-se Leiria e Nacional, ambos da Segunda Liga. A deslocação a Leiria saldou-se numa vitória por 4-2 que, em boa verdade, não reflete as dificuldades do jogo. Os leirienses estiveram a vencer por 2-0 e só uma tarde inspirada de Leonardo Brandão permitiu a reviravolta - nessa tarde, o menino Léo apontou o primeiro hattrick da sua carreira.

A recepção ao Nacional, a contar para os Oitavos, obrigou a novo desempate por penalidades. Gabriel Capixaba foi o primeiro a pegar na bola, mas falhou, deixando o Amora com um pé fora da Taça. Felizmente, David Grilo defendeu duas penalidades e mais nenhum jogador do Amora as desperdiçou.

E assim, independentemente das dificuldades em lá chegar, o Amora estava de volta aos Quartos da Taça de Portugal...

 

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O Vitória SC voltou a ser o adversário do Amora nos Quartos

 

... e quiseram os deuses do futebol que Amora e Vitória SC voltassem a cruzar-se nesta fase, desta vez no Estádio D. Afonso Henriques. Foi um jogo equilibrado onde a diferença na qualidade Individual dos jogadores fez a diferença. O Amora ainda reduziu na fase final e atirou uma bola à trave nos descontos, mas foi novamente eliminado pelos vimaranenses.

Há um ano, o Amora sentiu a sensação de dever cumprido ao igualar a melhor prestação de sempre da dua história. Desta vez não foi bem assim. Os amorenses queriam mais e, em bom rigor, chegar ali já não era novidade.

Ficava a boa imagem demonstrada em campo e a promessa de que na próxima temporada o Amora estaria de volta para lutar por outros voos [epic foreshadowing ihih].

 

A Taça da Liga

Recordemos o seguinte: o Amora apenas tinha participado rm duas edições desta competição e em ambas tinha sido eliminado na 1ª Eliminatória. Dois jogos, duas derrotas, nenhuma vitória. Para esta edição, o Amora tinha o objetivo de pelo menos passar a 1ª Eliminatória e, assim, estrear-se a vencer na Taça da Liga.

Esse objetivo foi atingido. O Amora bateu o Vitória FC - o de Setúbal - por duas bolas sem resposta na Medideira. Uma vitória saborosa, que demonstrava como o equilíbrio de forças entre os dois clubes se invertera nos últimos anos: o Amora já não era o parente menor na relação entre os dois emblemas.

 

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De notar que o Vitória FC subiu da Liga 3 na temporada anterior, pelo que estava já na Segunda Liga

 

Na 2ª Eliminatória, o Amora deslocou-se a Chaves. O Maior da Margem Sul tinha muito a agradecer aos flavienses pelo seu papel na conquista do título da Segunda Liga, depois de estes baterem o Benfica B na última jornada. Sem essa vitória, o Amora não teriam conquistado o título.

Mas amigos, amigos, negócios à parte, como sempre ouvi dizer. O Amora foi a Chaves e não lhes fez qualquer concessão, derrotando-os também por 2-0 com golos de Joca e Gabriel Capixaba.

 

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Uma vitória tranquila do Maior da Margem Sul em Chaves

 

Com estas duas vitórias, o Amora - que, recorde-se, até aqui ainda nem uma vitória tinha nesta competição - viu-se de repente na Fase de Grupos da Taça da Liga!

 

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Sporting e Académica eram os adversários do Amora

 

O cenário não era propriamente animador. A Académica não assustava - por mais icónico que fosse o emblema conimbricense, não deixava de ser uma equipa da Segunda Liga a quem o Amora vencera as últimas quatro partidas disputadas. Mas o Sporting era o campeão nacional e o Amora teria de o defrontar em pleno Estádio de Alvalade!

Há quem prefira enfrentar os desafios mais difíceis no final. Frodo Zarco, e sei disto porque o próprio mo confidenciou, prefere despachar logo as principais dificuldades. Há uma certa lógica nisto: é preferível enfrentar o adversário mais difícil primeiro enquanto é possível surpreender do que defrontá-lo no final quando este já sabe o que precisa para seguir em frente.

Com efeito, o Amora foi a Alvalade logo na 1ª jornada da Fase de Grupos da Taça da Liga. Gabriel Capixaba gelou Alvalade com um golaço de livre direto no final da primeira parte, permitindo ao Amora chegar ao intervalo na liderança do marcador. O Sporting empatou logo no início do segundo tempo e passou largos períodos de tempo a tentar concretizar a reviravolta no marcador, mas o Amora salvou o empate na casa do campeão nacional.

Um resultado chocante que deixou o país perplexo e colocava o Amora na discussão pelo apuramento para a Final Four.

[Há um capítulo dedicado a este jogo - ver Capítulo XXV - O mundo sabe que...].

 

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O momento de inspiração de Gabriel Capixaba permitiu ao Amora sair com um ponto de Alvalade

 

A surpresa estava feita e o Sporting ficou em apuros. Na 2ª jornada, o campeão nacional foi a Coimbra cumprir a sua obrigação de vencer a Académica, mas fê-lo por magro 2-1. Isto colocava o Sporting na liderança do grupo, sim, mas agora o Amora sabia que precisava apenas de vencer a Briosa por dois golos de diferença para garantir o apuramento.

Era a isto que Frodo Zarco se referia quando dizia preferir despachar desde logo as dificuldades. Num cenário inverso em que fosse o Sporting a disputar o último jogo, os leões poderiam carregar sobre o adversário sabendo exatamente qual o resultado de que necessitavam. Mas assim o Amora despachou cedo o jogo mais difícil e tinha a vantagem de saber qual o resultado que precisava no jogo mais fácil.

A 17 de Dezembro de 2024, o Amora recebeu a Académica. Precisava de dois golos para passar à Final Four; marcou quatro. Leonardo Brandão voltou a apontar um hattrick e o Maior da Margem Sul eliminava o campeão nacional Sporting da Taça da Liga.

 

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Uma goleada com marca de Leonardo Brandão

 

A Final Four da Taça da Liga disputava-se em Janeiro de 2025, estando esta edição sediada no Estádio da Luz. O adversário do Amora na Meia-Final? O Futebol Clube do Porto, treinado por Roberto Mancini.

O Porto não era um desconhecido do Amora. Nesta temporada de estreia na Primeira Liga já se tinham defrontado duas vezes antes deste jogo, ambos para a Primeira Liga e ambos com empates a duas bolas - já lá iremos.

O Amora sentiu a pressão do momento. Os meninos entraram receosos em campo e foram sufocados pela incessante pressão dos dragões, capitalizada pelo golo de Luis Díaz aos 12 minutos. A partir daí, o Amora reagiu e foi melhorando à medida que o tempo foi passando. Acabaria por chegar ao empate no segundo tempo por intermédio do seu capitão Joca.

O jogo entrou numa fase algo equilibrada e que fazia adivinhar novo empate entre os dois clubes - e consequente desempate da marca das grandes penalidades. Não estava destinado: Evanilson descobriu a baliza do Amora com um remate a vinte metros de distância e, aos 88 minutos, o Porto carimbava o passaporte para a final 

 

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O Amora sentiu o apuramento para a final ao seu alcance

 

O sonho do Amora terminou de forma crua e abrupta na reta final do jogo [ver capítulo dedicado ao jogo - Capítulo XXVII - A Luz do farol].

Restou o orgulho pelo percurso protagonizado até à Final Four da Taça da Liga, que resultou numa presença inédita nessa fase avançada da competição. Era também a confirmação do crescimento do Amora enquanto equipa, no geral, e dos seus meninos, em particular.

Terminadas as aventuras em ambas as Taças, o Amora concentrava-se a partir de então na Primeira Liga, cujo grande objetivo da temporada - a manutenção - estava longe de estar alcançado aquando desta Final Four.

 

O Amora Futebol Clube na Primeira Liga

Primeira presença na Primeira Liga em mais de quatro décadas... Última presença em 1983... Estreia da esmagadora maioria dos jogadores no convívio dos grandes... Já devem saber de memória estas conversas. Foi algo muito explorado na altura e já vos referi isso novamente, não vos vou massacrar mais com o assunto.

Resta apenas dizer que, na altura, Frodo Zarco disse aos jornalistas como esperava uma temporada difícil na mesma linha da temporada 2022/23, quando o Amora passou metade do ano em zona de despromoção na Segunda Liga depois de subir da Liga 3. Não duvido que o tenha dito aos jogadores também e que todos estivessem alertados para as dificuldades que iriam enfrentar. Seria uma temporada longa e era importante não desistir aos primeiros percalços que, inevitavelmente, acabariam por surgir.

Felizmente para todos, não foi preciso esperar onze jogos para a primeira vitória surgir como em 2022/23.

O Amora regressou a jogos da Primeira Liga com a recepção ao Gil Vicente. Sentiu-se que os jogadores acusaram a pressão do momento. À excepção de Joca e Luiz Felipe, era o primeiro jogo de todos eles na Primeira Liga. O ritmo era mais elevado, a visibilidade era outra e havia uma pressão inerente que os condicionava mentalmente. O jogo refletiu isto e o empate a zeros não surpreendeu ninguém.

Seja o que for que tenha acontecido durante a semana que se seguiu a esse jogo, a equipa que foi aos Açores disputar a 2ª jornada não parecia a mesma. Papou Mendes marcou o primeiro golo do Amora na competição e Leonardo Brandão deu continuidade à veia goleadora que trazia da Segunda Liga, marcando os restantes dois golos da goleada 3-0 imposta pelo Amora ao Santa Clara.

Foi um início de temporada frenético. O Amora desdobrou-se em jogos de várias competições e quase não houve tempo para treinar. Aos jogos da Taça da Liga e da Taça de Portugal de que já falámos, incluindo a ida a Alvalade, somaram-se desafios contra Porto, Benfica e Braga - tudo isto nos primeiros quarenta e cinco dias da temporada.

A recepção ao Porto foi o primeiro jogo grande do Amora. Desde 2000 que o Amora não defrontava um dos três grandes do futebol português - na altura o Amora foi à Luz jogar para a Taça, um cujo que... errr... não vale a pena falarmos disso - e a Medideira vestiu-se a rigor para tão distinta ocasião.

O Amora bateu-se bem e demonstrou a raça que caracterizava o Maior da Margem Sul sob a liderança de Frodo Zarco. Na ausência de qualidade individual ao nível do adversário, o Amora respondia com espírito de entreajuda e muito sacrifício. Por duas vezes o Porto colocou-se na dianteira do marcador, por duas vezes o Amora respondeu com a igualdade - resultado com que o jogo chegaria ao seu final.

A mesma garra e competitividade foi evidenciada em Braga, de onde o Amora voltou com novo empate, mas nem toda a força de vontade do mundo foi suficiente para evitar uma derrota às mãos do Benfica. O Amora sofria a primeira derrota da temporada à 6ª jornada, num jogo em que as estatísticas são elucidativas sobre o desempenho do Maior da Margem Sul.

[Sobre este ciclo, ver Capítulo XXIV - O lago dos tubarões].

 

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O Amora roubou dois pontos ao Porto no primeiro jogo grande da temporada...

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... e protagonizou uma meritória exibição frente ao Benfica apesar de não ter sido suficiente para pontuar...

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... mas que não beliscava o positivo arranque de temporada do Maior da Margem Sul

 

Estão a ver os registos do Amora à 6ª jornada? Quatro empates, sete golos marcados e seis sofridos em seis jogos? Isto foi a norma ao longo de toda a temporada.

Já anteriormente vos disse que o Amora era uma equipa competitiva. Não é exagero dizê-lo: os jogos em que a equipa de Frodo Zarco entrava tendiam a ser equilibrados. Fosse o adversário o Benfica, o Porto ou a Sanjoanense, as estatísticas terminavam quase sempre a denotar enorme equilíbrio tanto na posse de bola, como no número de remates. Raramente um jogo do Amora resultava num domínio claro deste ou num sufoco defensivo dos meninos de Frodo Zarco; o Amora não marcava muitos golos por jogo, mas por outro lado também não os sofria em catadupa 

Isto era em simultâneo a maior qualidade e defeito do Maior da Margem Sul. Por um lado, permitiu ao Amora arrancar pontos perante adversários contra os quais se esperavam claras derrotas; por outro, também significava perdas de pontos em jogos onde se poderia ter obtido valiosas vitórias.

De batalha campal em batalha campal, em jogos intensos e entretidos para os espetadores, o Amora foi somando pontos e principalmente empates - oh!, tantos e tantos empates. Não foi por acaso que o Maior da Margem Sul ficou conhecido nessa temporada como a equipa dos empates.

 

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No final da primeira volta, o Amora somava dez empates em dezasseis jogos - tinha um em atraso

 

Como já deverão ter percebido por esta altura, o Amora era uma equipa sui generis. Bastava olhar para os adversários diretos na luta pela manutenção para perceber as diferenças, em particular no número de empates, derrotas e golos sofridos. Tornou-se um adversário chato de defrontar, extenuante para os adversários pela solidez e coesão defensivas.

Honra seja feita ao Amora, em nenhum momento até ali a equipa ocupou uma das posições de despromoção. Infelizmente, porém, as poucas vitórias que a equipa ia amealhando não permitiam descolar definitivamente da linha de água, que assim permanecia sempre à vista como uma ameaça sempre presente a martelar no subconsciente de todos.

O final da primeira volta e início da segunda - o mesmo é dizer os meses de Dezembro e Janeiro - foram o período crítico da temporada. O Amora disputou doze jogos em cinquenta e dois dias, ou seja, noventa minutos de competição a cada quatro dias em jogos de três competições distintas. Frodo Zarco teve de rodar o plantel em todos os jogos, mas este era curto tanto em números, como em qualidade.

O resultado prático foi o Amora sair deste ciclo infernal com as já faladas eliminações das Taças de Portugal e da Liga, mas também mais cinco empates para a Primeira Liga - um deles a duas bolas no Dragão - e uma derrota em Alvalade pela margem mínima...

 

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Mais cinco empates nos seis primeiros jogos da segunda volta

 

... o que deixava o Amora ainda mais próximo da linha de água.

Vistas as coisas em retrospetiva, pois hoje já sabemos como terminou a temporada, o Amora acabou por resistir heroicamente à fase mais exigente da temporada. Disputou várias competições em simultâneo quando o seu plantel não estava preparado para isso, alcançando fases adiantadas das Taças e nunca caindo na zona de despromoção.

Ultrapassado este período, restava ao Amora os jogos do campeonato. Não é bonito dizê-lo, pois significa que o Maior da Margem Sul viu-se eliminado das restantes competições, mas poder concentrar-se única e exclusivamente no campeonato foi para todos um alívio.

Deixemos essas contas de parte por um momento para falarmos dos intérpretes, que têm merecido pouca atenção. Afinal de contas, são eles os responsáveis pelos resultados de que vos tenho falado.

Na baliza, Luiz Felipe conquistou naturalmente a titularidade, relegando David Grilo para o banco de suplentes.

Isaac Monteiro era já uma certeza no onze titular. O menino começava até a chamar a atenção de outros clubes e da própria seleção nacional, passando a figurar nas convocatórias para o escalão Sub21 - juntamente com Martim Watts e Tiago Louro, dos quais já falarei.

António Silva, o desconhecido central [muahahah] emprestado pelo Benfica, era o seu habitual colega de posição... quando as lesões o permitiam. O menino teve alguns contratempos físicos e nem sempre estava disponível, sendo a sua posição assegurada ocasionalmente por homens da casa: Juary e Rony Fernandes.

Nas alas, Odailson ia rodando com o outro jovem emprestado, Diogo Travassos, não se notando grandes diferenças entre os dois. Na ala esquerda, Lucas Silva foi perdendo o estatuto de indiscutível e Tiago Louro foi ganhando mais e mais minutos, começando a crescer em preponderância para a equipa.

Como vos disse há pouco, o menino até começou a ser chamado para a seleção nacional Sub21.

 

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Tiago Louro ganhou protagonismo ao longo da temporada

 

Do meio-campo para a frente, o cenário era sensivelmente o mesmo da época anterior. Martim Maia era o habitual médio defensivo, embora o menino Dino Leão começasse a somar minutos na posição; os meninos Papou Mendes e Martim Watts eram os vértices mais adiantados do setor intermédio; Joca e Gabriel Capixaba continuavam a ser os avançados interiores responsáveis pela criação ofensiva.

No ataque, Flávio Silva continuava a sofrer lesões em catadupa e raramente foi opção ao longo deste período, perdendo definitivamente a corrida da titularidade. Essa estava entregue, e bem entregue, a Leonardo Brandão, que já levava dezassete golos marcados em todas as competições no final de Janeiro.

[Leonardo Brandão tem um capítulo que lhe é dedicado - ver Capítulo XXVI - O Cavaleiro da Bola Redonda].

 

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Leonardo Brandão passava de promessa a certeza

 

Havia, porém, um caso que intrigava os amorenses.

O menino Jéferson, cujo nome hoje em dia todos sabemos e cuja qualidade é de conhecimento geral, era nesta altura um desconhecido do grande público. Quem acompanhou os jogos da Liga Revelação em 2023/24, portanto na época anterior a esta de que vos falo, reconhecia o seu talento. Dono de um fino recorte técnico no trato da bola, possuidor de uma visão de jogo formidável e com um físico estupendo, o menino espalhou magia pelos relvados da equipa Sub23 de tal forma que ninguém colocou em causa a sua promoção ao plantel principal para esta temporada.

No entanto, chegado a Janeiro de 2024, Jéferson passava algo anónimo pelos relvados da Primeira Liga, tardando em colocar em prática o talento que lhe era reconhecido. Com sete meses já feitos na temporada, não tinha golos e assistências nem vê-las.

Frodo Zarco continuava a apostar no menino. O nosso treinador deveria ver alguma coisa que mais ninguém via, ou talvez o menino deslumbrasse nos treinos, sei lá eu. Fosse como fosse, Jéferson ia somando minutos embora não impressionasse.

Hoje, olhando e comparando os casos, acredito que fosse alguma espécie de bloqueio mental semelhante ao que afetou Martim Watts. A unidade de potência também demorou quase um ano inteiro a estrear-se a marcar e a assistir, mas quando o fez houve um click que o lançou definitivamente na sua carreira.

Talvez Jéferson só precisasse desse click. E ele acabaria por surgir de forma inesperada.

 

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Jéferson foi surpreendentemente convocado para o Campeonato Sul-Americano Sub20...

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... competição em que se sagrou campeão sul-americano...

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... tendo sido totalista e fazendo três assistências

 

A chamada de Jéferson à seleção Sub20 do Brasil surgiu do nada. Ninguém a esperava, nem o próprio Jéferson, mas foi uma boa oportunidade para o menino. É certo que desfalcou o Amora numa fase importante da temporada, mas permitiu-lhe sair para um novo local, limpar a cabeça e representar o seu país, o que é sempre um sonho para qualquer jogador.

A sua participação foi um sucesso. Brilhou, foi um dos jogadores mais influentes na caminhada do Brasil até ao título, e o menino que regressou estava mudado. Mais confiante, mais extrovertido... parecia outro.

 

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Jéferson, o jovem extremo que era um dos mais promissores meninos do Amora

 

Frodo Zarco gostou do que viu na semana de treinos após o seu regresso e lançou-o no onze inicial na deslocação a Paços de Ferreira, em jogo a contar para a 27ª jornada.

O menino retribuiu com uma tremenda exibição, marcando os golos com que o Amora recuperou de uma desvantagem de dois golos para somar mais um empate - sim, outro - e um ponto que ajudava a equipa a afastar-se da linha de água e da despromoção.

Nesse dia, Jéferson assumiu-se definitivamente como jogador da primeira equipa, somando mais golos e assistências até ao final da temporada, e o Amora ganhou um novo talento para a linha ofensiva que se tornaria fulcral para os sucessos futuros do Maior da Margem Sul, como futuramente veremos.

[Capítulo dedicado a Jéferson em Capítulo XXVIII - O avançado móvel].

 

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Os dois golos de Jéferson foram fulcrais para evitar a derrota...

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... contribuindo com mais um ponto para a fuga à despromoção

 

Tal como Jéferson, o Amora ia soltando-se em campo. Respirava-se confiança e tranquilidade na Medideira. A equipa ia somando pontos e exibições cada vez mais expressivas, conseguindo em alguns jogos soltar-se e dominar os seus adversários.

Isto foi particularmente evidente quando o Amora se deslocou à Luz. O Benfica estava envolvido numa luta a quatro pelo título de campeão nacional - com Sporting, Porto e Braga - e venceu o Amora, mas sofreu como poucas vezes se viu num jogo na sua Catedral.

Não muito tempo depois, o Amora foi a Guimarães para outro jogo de elevado grau de dificuldade. O Vitória local era a besta negra do Amora, responsável pela eliminação do Maior da Margem Sul da Taça de Portugal dois anos consecutivos, como se recordarão. Desta vez, porém, o Vitória não estava a lidar com o mesmo Amora de outrora. Desta vez, o Vitória apanhou um super Amora, cujo crescimento era cada vez mais visível.

 

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O Amora saiu da Luz com um resultado injusto...

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... e foi o Vitória quem pagou essa fatura, com três meninos a brilharem na estrondosa conquista do Castelo

 

Estes resultados, alicerçados no crescimento de meninos como Isaac Monteiro, Odailson, Tiago Louro, Papou Mendes, Martim Watts, Jéferson e Leonardo Brandão, todos eles enquadrados pela experiência de nomes como Luiz Felipe, Lucas Silva, Martim Maia, Joca e Gabriel Capixaba, permitiram ao Amora chegar à 31ª jornada com a manutenção quase garantida.

Esse quase dependia exclusivamente do Amora. Vencendo esse jogo, estava feito. O problema é que o adversário era o campeão nacional Sporting, líder do campeonato e que não podia dar-se ao luxo de perder pontos.

A partida foi disputada no Estádio do Restelo - que era o palco dos jogos do Amora há algum tempo devido às obras em curso na Medideira de que já vos falei, e cujo resultado haveremos de cobrir futuramente [isto só para efeitos da história, ingame continuámos a jogar na Medideira].

O Amora entrou a ganhar na partida, mas Tiago Tomás empataria o jogo. Apesar do pressing imposto pelo Sporting em busca da vitória, o Amora salvou o empate - outro, sim. Resultado que não foi suficiente para garantir a manutenção em campo, mas o empate do Penafiel no último jogo dessa jornada garantiu a tão desejada e ambicionada permanência do Amora no convívio dos grandes.

[Este ciclo é tema no Capítulo XXIX - Sinais de terra].

 

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Graças ao ponto conquistado na recepção ao Sporting...

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... o Amora garantiu a manutenção à 31ª jornada

 

Estava alcançado o grande objetivo da temporada. E que temporada foi! Dura, longa, extenuante. O Amora atingiu pela primeira vez na sua história a Final Four da Taça da Liga e voltou a igualar o seu recorde na Taça de Portugal com a chegada aos Quartos da Prova Rainha. O que se podia pedir mais para a primeira temporada no regresso à Primeira Liga?

Bem, havia algo que se podia. Se o Amora batia, ou pelo menos igualava, recordes nas outras competições, porque não na Primeira Liga? O melhor registo de sempre do Maior da Margem Sul foi o 11º lugar conquistado na já distante temporada 1981/82, era o Mestre José Moniz o treinador. O Amora de Frodo Zarco em 2024/25 era 12º e estava a apenas um ponto do 11º lugar - e o 10º a apenas três de distância.

Não valeria a pena tentar entrar para a história do Amora?

Foi com essa ambição que Frodo Zarco e seus meninos entraram para os três jogos finais. Deram tudo o que tinham para bater o registo dessa histórica equipa do Amora de 1981/82.

Um empate e duas vitórias depois, os resultados colocaram um sorriso na face de todos os amorenses que voltavam a ver o seu Amora brilhar entre a elite do futebol português.

[Fase final da temporada é destaque no Capítulo XXX - O fim de um ciclo].

 

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A classificação final da Primeira Liga, com o Sporting a sagrar-se bicampeão nacional e o Amora a alcançar o seu melhor resultado de sempre

 

O Amora terminava o ano em crescendo depois de um período crítico na passagem do ano.

Não foi uma equipa espetacular de ver jogar - marcou poucos golos e raramente se viu a cair sobre os adversários com grande volume de jogo ofensivo. Em compensação, o Maior da Margem Sul apresentava imenso rigor em campo. O equilíbrio, a coesão e a segurança defensiva foram imagens de marca dos homens de Frodo Zarco, cujo registo defensivo acabou entre os melhores da Primeira Liga.

 

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O Amora foi a terceira melhor defesa da Primeira Liga, um registo pouco habitual em equipas de meio da tabela

 

Anteriormente referi como Frodo Zarco disse aos jornalistas que esperava uma temporada parecida à 2022/23, a sua primeira na Segunda Liga. De certa forma, foi mesmo isso que aconteceu. O Amora não figurou em lugares de despromoção como havia acontecido nessa campanha, mas também não se afastou muito deles até finais de Janeiro.

A partir daí, tal como em 2022/23, o Amora disparou na tabela classificativa até terminar tranquilamente na metade superior da classificação. Fruto do crescimento da equipa e dos meninos, notório à medida que a temporada foi avançando.

Foi portanto um ano de consolidação e crescimento. O Amora fixou raízes na Primeira Liga e poderia agora crescer assente numa estrutura sólida, a qual era composta pela qualidade da sua juventude.

Isaac Monteiro, Martim Watts e Tiago Louro afirmaram-se definitivamente na primeira equipa, conquistando ainda um lugar nas convocatórias da seleção nacional Sub21. O mesmo pode ser dito de Odailson, que no seu caso era chamado à seleção Sub21 da França.

Abas Djaló não impressionou e inclusivé perdeu espaço na equipa após a explosão de Jéferson, mas ainda assim tornou-se internacional pela Guiné-Bissau, acompanhando Juary que já era presença assídua na seleção do seu país.

 

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Vários elementos do plantel passaram a ser chamados para compromissos internacionais

 

No que respeita aos destaques individuais durante esta temporada:

 

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Não foi surpresa para ninguém que os jogadores mais utilizados acabassem por ser Papou Mendes e Martim Watts, ambos no meio-campo, e Gabriel Capixaba, Leonardo Brandão e Joca no ataque. Tenho falado imenso de todos eles e não é por acaso: todos eles fazem parte do núcleo duro da equipa e são dos elementos em que Frodo Zarco mais confia.

No setor mais defensivo, Luiz Felipe foi o dono da baliza e o menino Isaac Monteiro o habitual líder da defesa - não fez mais jogos porque também foi algo afetado por lesões. Não tanto como António Silva, porém, que embora fosse titular sempre que possível acabou por ter um registo modesto de jogos feitos.

Destaque ainda para o extremo equilíbrio do número de jogos dos laterais: Odailson e Diogo Travassos à direita, Lucas Silva e Tiago Louro à esquerda.

O médio defensivo Dino Leão e o avançado interior Jéferson, dois dos meninos lançados nesta temporada, somaram vários jogos e mais para o final da temporada foram inclusivé titulares, tendo ambos demonstrado qualidade e deixado água na boca dos adeptos. No espetro oposto, Abas Djaló e Armando Cristóvão foram dois meninos que desiludiram e não fariam parte do plantel no ano seguinte.

Falando em números, Leonardo Brandão, Joca e Gabriel Capixaba foram autênticos monstros no ataque e Martim Watts começava a acumular números interessantes.

Termino numa nota triste. Ao longo destes anos de que vos falei, o Amora manteve um núcleo duro no grupo de trabalho que acompanhou Frodo Zarco desde o primeiro dia. Os amorenses viram os elementos desse núcleo duro crescer, tornarem-se melhores jogadores; habituaram-se a eles; acarinhavam-nos.

Infelizmente, o crescimento súbito e desmedido do Amora não foi acompanhado pelo desses jogadores. Na Segunda Liga ainda renderam, mas já era perceptível que estavam bem espremidos, isto é, no limite das suas capacidades. Com a subida à Primeira Liga, essas limitações foram claramente expostas.

Não foi agradável para ninguém, mas chegou a hora da despedida. Era melhor para todos, clube e jogadores, seguirem os seus caminhos.

 

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David Grilo fez 104 jogos pelo Amora ao longo de quatro anos e meio, três e meio com Frodo Zarco ao leme (saiu para o Salgueiros em Janeiro)

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Juary, um dos capitães da equipa, alcançou a marca redonda de 100 jogos pelo Amora na sua despedida

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O longilíneo central Rony Fernandes aproveitou a sua estatura para ajudar a equipa com golos em todas as temporadas na Medideira

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Apesar dos números mais modestos em comparação com os seus colegas, Fidelis Irhene ainda fez mais de 50 jogos

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Flávio Silva marcou 42 golos na sua passagem pela Margem Sul, sendo ainda o melhor marcador do Amora neste período

 

Ficavam as memórias e uma porta sempre aberta para todos eles. Afinal de contas, todos eles conquistaram justamente o estatuto de heróis da Medideira.

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Tanto recap quando toda a gente sabe que o que tás a fazer é gravar antes dos jogos, sair se perderes, voltar a abrir -> repeat até ganhar. Tem é sido dificil ganhar 😎

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