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[FM Mobile 2022] Um oásis no deserto da Margem Sul

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Mais uma vez dás-me a volta à cabeça durante a leitura...Quando tudo começa, pensei que o Lameira seria lançado à procura da vitória, afinal o resultado já estava "feito".

Quanto ao Diego Raposo, não sei se já se tinha mencionado por aqui (talvez sim) mas estava a ler a descrição do miúdo, depois os gifs de golos que fez durante a época e penso: "qual raposa isto é um rato de área, é o Liedson!" Parágrafo seguinte, pumbas!

Mas que senhora coça no FC Porto (ainda é o Kroos o treinador?), que ninguém se meta com o Amora quando estes precisam de vencer! Que venha a estreia na competição maior de clubes! Antes disso....ainda há uma final para vencer!

Em termos de mercado, irás conseguir segurar os jogadores ou vais permitir que saiam caso surjam propostas interessantes?

Sporting a sportingar no campeonato mas a conseguir uma vitória histórica na final da Liga Europa!

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Citação de Kluivert, há 7 horas:

Mais uma vez dás-me a volta à cabeça durante a leitura...Quando tudo começa, pensei que o Lameira seria lançado à procura da vitória, afinal o resultado já estava "feito".

Quanto ao Diego Raposo, não sei se já se tinha mencionado por aqui (talvez sim) mas estava a ler a descrição do miúdo, depois os gifs de golos que fez durante a época e penso: "qual raposa isto é um rato de área, é o Liedson!" Parágrafo seguinte, pumbas!

Mas que senhora coça no FC Porto (ainda é o Kroos o treinador?), que ninguém se meta com o Amora quando estes precisam de vencer! Que venha a estreia na competição maior de clubes! Antes disso....ainda há uma final para vencer!

Em termos de mercado, irás conseguir segurar os jogadores ou vais permitir que saiam caso surjam propostas interessantes?

Sporting a sportingar no campeonato mas a conseguir uma vitória histórica na final da Liga Europa!

Ah pois, escrevi aquilo como "red herring" para parecer que estava a fazer um mau jogo e que a equipa estava atrás do resultado. Sneaky, sneaky 😁

Opa yah, ele é o Liedson, é exatamente o estilo. Mais rápido, vá, mas no resto é igual. Na minha cabeça, quando imagino os lances, é o Liedson a participar. Fun fact, quando participa o Filipe Diogo é o Figo que imagino.

Tive o cuidado de evitar cláusulas nas renovações e quero preservar toda a gente. Esta época tive de refazer quase tudo por causa das muitas saídas, agora quero dar seguimento ao que foi feito. Há ali um ou dois jogadores que não me chateio muito se saírem caso surjam propostas porque tenho alternativas, mas de preferência queria manter exatamente o mesmo plantel, sem saídas ou entradas.

É claro que isto depende das propostas que chegarem e da pressão dos jogadores para saírem, mas fizemos quase 100M em vendas o ano passado, devemos ser a equipa financeiramente mais sólida de Portugal.

Yah, o Toni Kroos ainda é o treinador do Porto. Marcelo Gallardo e Antoine Griezmann ainda são os de Benfica e Sporting, respetivamente.

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Capítulo LIII - A geração de 2026

 

Longe iam os tempos em que jogar no Estádio Nacional do Jamor era por si só um prémio. Noutros tempos, estar ali exigia competência desportiva; era uma presença que se conquistava. Só duas equipas resistiam do massacre que eram as eliminatórias da Prova Rainha para marcar presença na verdadeira festa que era a Final da Taça de Portugal.

Ao abandonar os balneários para entrar no recinto do Jamor, porém, Frodo Zarco sentiu que aquilo agora se tornara em algo mais mundano. Não que o Amora não tivesse conquistado a presença naquele jogo por mérito desportivo, pois fizera-o. A diferença era que o Estádio Nacional abergava agora mais jogos, servindo de palco alternativo para equipas da região que por qualquer motivo não o pudessem fazer nas suas casas respetivas.

A conclusão a que chegava Frodo Zarco era que perdera-se um pouco a magia do que era jogar ao Jamor.

Os seus devaneios foram interrompidos pelos aplausos dos adeptos do Amora, os quais aos poucos já iam colorindo de azul a curva norte, ali perto da saída dos balneários. Acenou-lhes vigorosamente enquanto os ouvia entoarem o seu nome, ao mesmo ritmo que um dia ouvira os adeptos do Chelsea cantarem o nome de José Mourinho - ao ritmo de La donna è mobile.

 

"Fe-ro-do Zaaaarco!

"Fe-ro-do Zaaaarco!

Fe-ro-do Zaaaarco!

Fe-ro-do Zaaaarcoooo!"

 

O treinador não pôde deixar de sorrir não só por sentir o carinho dos seus adeptos, mas principalmente por imaginar as voltas que terão dado para conseguirem encaixar o seu nome na estrutura silábica daquele cântico. Acabaram por adulterá-lo um pouco para o encaixar, mas não se importava. Ele perdoava-lhes, claro. Perdoava-lhes tudo. Eles estavam em todo o lado e acompanhavam a equipa com uma dedicação a toda a prova. De alguma forma, Bilbo Himura conseguira recriar o espírito bairrista que outrora existira entre as gentes da Cidade de Amora em torno do seu Amora Futebol Clube.

Frodo Zarco conseguia ver que também os adeptos do Portimonense iam enchendo a sua bancada, do outro lado do estádio, onde o preto claramente dominava entre as suas gentes. O ambiente estava a compor-se para mais um grande espetáculo de futebol.

 

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O Amora voltava a marcar presença no Jamor para a sua segunda Final da Taça de Portugal consecutiva

 

Escusado será dizer-se que aquela era uma final inédita na história da Taça de Portugal.

O Amora marcava presença pela segunda vez naquela festa. Campeão em título da Prova Rainha, o Maior da Margem Sul venceu o Penafiel na edição anterior e tinha, portanto, a pressão de defender esse estatuto.

Do outro lado, o Portimonense de Paulo Sérgio, que era treinador dos algarvios há sete anos e alguns meses, estreava-se na final desta prova. Os seus adeptos viviam um sonho semelhante ao dos amorenses no ano anterior e aproveitavam cada momento daquela experiência. Acreditavam piamente que a fruteira seguiria com eles no regresso para Portimão - e quem os poderia censurar por sonhar?

O treinador do Amora caminhava lentamente pelo relvado enquanto os seus jogadores faziam exercícios sob as ordens da sua equipa técnica. De olhos fixos no relvado e perdido nos seus pensamentos, quase lhe passavam despercebidos os gritos que soavam da bancada central.

"Frodo! Frodo? FRODO, CARAI!"

Olhou, sobressaltado, naquela direção e viu Bilbo Himura com as mãos em concha em torno da boca. Em seu redor estava um grupo de pessoas que Frodo Zarco de imediato reconheceu. Um sorriso relampejante desenhou-se-lhe no rosto.

"Mister! Boa sorte!"

Frodo Zarco aproximou-se deles e abraçou-os um por um.

"Parabéns pelo título, António. Bem merecido."

António Silva, central do Benfica que uns dias antes se tornara campeão nacional, agradeceu-lhe. O menino deixara saudades na Medideira. Representou o Amora durante duas temporadas por empréstimo dos encarnados, tendo vencido a Taça de Portugal pelo Maior da Margem Sul. A sua presença ali mostrava que o Amora deixara a sua marca no jovem central.

E não fora só nele. Vários antigos jogadores estavam naquele grupo com Bilbo Himura. Tiago Louro, Juary, Rony Fernandes e David Grilo também lá estavam. Até Flávio Silva, o matador renascido, tinha viajado desde a Dinamarca para assistir àquele jogo.

Em amena cavaqueira, Frodo Zarco e os seus antigos jogadores trocavam algumas memórias, histórias do balneário que um dia partilharam. Bilbo Himura falava ao telemóvel e, quando terminou a chamada, abordou Frodo Zarco com um sorriso prazenteiro.

"Nem imaginas quem aí vem. Devem estar a aparecer, o Joca foi buscá-los aos camarotes para te virem dar uma palavrinha..."

Olhou para cima e viu o capitão Joca descer filas com dois homens atrás de si. Ficou derretido.

Martim Watts e Leonardo Brandão.

Frodo Zarco estava de coração cheio. Os seus meninos, até os que jogavam lá longe - no caso de Watts e de Brandão, em Inglaterra - voltaram de propósito para estarem presentes naquele momento histórico do Maior da Margem Sul.

Lá haveria maior motivo de orgulho do que saber que os seus meninos reconheciam a importância que ele e o Amora tiveram nas suas carreiras?

 

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Os onzes escalados por Frodo Zarco e Paulo Sérgio foram anunciados uma hora antes do apito inicial do árbitro

 

Tudo muito bonito, mas o relógio não parava e era hora de Frodo Zarco concentrar-se naquilo para que ali estava: conquistar mais um título para o Amora. Podiam estar na bancada alguns dos nomes mais emblemáticos da caminhada do Amora rumo ao topo da hierarquia do futebol português nos últimos anos, mas as figuras de destaque desta história eram os meninos que agora se encaminhavam para os balneários após concluírem os exercícios de aquecimento.

A Geração de 2026.

O Verão de 2026 foi caótico na Medideira com a saída de vários dos jogadores mais importantes do plantel. Ninguém lhes guardava rancor por isso. Os meninos formaram-se no Amora, conquistaram a titularidade na equipa principal sob a batuta de Frodo Zarco, alcançaram um inédito 4º lugar na Primeira Liga e venceram a Taça de Portugal, o primeiro grande título do Maior da Margem Sul. Era compreensível que sentissem o término desse ciclo das suas carreiras e buscassem agora prossegui-las noutras paragens e contextos competitivos.

Por maior que tenha sido o drama que então se viveu na Medideira, a verdade é que também foi isso que permitiu a ascensão da Geração de 2026. Meninos como Nélson Victor, Octávio Sousa, Vítor Ferraz, Filipe Diogo e Diego Raposo aproveitaram a oportunidade para ascender e conquistar as vagas deixadas livres, melhorando ainda mais os resultados dos colegas com a conquista do 3º lugar na Primeira Liga e respetivo acesso às eliminatórias da Liga dos Campeões. E, naquela tarde de Maio, poderiam repetir o feito dos seus antigos colegas e conquistar novamente a Taça de Portugal.

O Amora ia para o jogo quase na sua máxima força. E frise-se o quase porque, infelizmente, os deuses do futebol decidiram pregar uma partida a alguém que merecia estar ali naquele momento. Lucas Silva, lateral esquerdo que fazia parte da equipa de Frodo Zarco desde o primeiro treino que este orientara na Medideira, lesionou-se alguns dias antes do jogo e era baixa.

Na época anterior era suplente de Tiago Louro e viu do banco os seus colegas baterem o Penafiel, mas para esta final estava escalado para a titularidade. Seria o jogo mais importante da sua carreira...

 

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Lucas Silva lesionou-se e era baixa para a final

 

O árbitro João Pinheiro olhou para os seus auxiliares, depois para os bancos de suplentes e por fim para o seu relógio. Levou o apito à boca e soprou com convição. Rolava a bola no Jamor. Jogava-se a final da Taça de Portugal!

Alguns minutos antes, no balneário, Frodo Zarco foi parco em palavras. Não tinha muito a dizer aos jogadores, certamente nada que eles já não soubessem. A equipa do Portimonense foi analisada exaustivamente durante a semana e todos sabiam o que fazer em campo.

Frodo Zarco apenas quis transmitir aos seus jogadores uma muito simples instrução.

"Há um ano estivemos aqui e sofremos para ganhar. Foram precisos quase cento e vinte minutos para marcarmos um golo. Deixámos o jogo prolongar-se desnecessariamente e corremos o risco de perdê-lo. Aprendam com os erros, é para isso que eles servem. Este ano não! vamos! facilitar! Certo? É para entrar com tudo e resolver isto cedo. Somos o Amora, somos os campeões disto, é essa a nossa obrigação."

Se os jogadores ficaram motivados com as suas palavras, Frodo Zarco não o poderia garantir. No entanto, a entrada em campo do Amora poderia sugerir haver ali alguma relação causa-efeito em ação.

A pressão alta aliada à impetuosidade com que os jogadores disputavam todos os lances divididos impediam o Portimonense de ultrapassar uma linha imaginária situada trinta metros além da sua baliza. Frequentemente, os defesas e médios algarvios viam-se obrigados a despachar a bola para onde estavam virados, terminando esta nos pés do guarda-redes Iuri Lourenço, dos centrais Nélson Victor ou Manuel Díaz, ou até diretamente na bancada central.

Novamente, o Portimonense tentou sair a jogar apoiado. Diego Raposo caiu em cima do adversário sem lhe dar quartel e este não teve outra alternativa que aliviar pela linha lateral. Frodo Zarco acenava com a cabeça instintivamente, agradado. Olhou para o seu relógio: 4'. O Amora estava por cima do jogo.

O lançamento foi rapidamente efetuado por Filipe Diogo. A bola não tardou a chegar ao endiabrado Diego Raposo pela esquerda. Alcançada a linha de fundo, cruzou ao primeiro poste onde aparecia Filipe Diogo, que não sendo exímio no jogo aéreo fez porém o possível para a desviar na direção da baliza. O guardião adversário, Jonathan Simmo, deu um passo atrás, levou as mãos à bola e agarrou-a.

Os jogadores do Amora viraram-se todos para o árbitro em simultâneo. Tinha entrado, não tinha? Jonathan Simmo foi lesto a esticar os braços para dentro das quatro linhas, mas o passo atrás que havia dado deixara-o dentro da baliza... ou assim juravam todos os que equipavam de azul!

O experiente árbitro João Pinheiro olhou para o pulso, levou o apito à boca e apontou para o grande círculo central do relvado. A tecnologia da linha de golo não mentia: era golo do Amora.

 

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O Amora desfez o nulo no marcador com um golo caricato

 

Bendita nova tecnologia! Aos 5', o Amora vencia no Jamor com um golo que não foi celebrado de imediato - "um golo ao retardador", como diria um antigo treinador de Frodo Zarco -, mas que deixou em êxtase os adeptos assim que o árbitro o confirmou.

Não foram só eles. Os jogadores em campo continuavam a carregar e Filipe Diogo, em especial, estava a ser um autêntico quebra-cabeças para os seus opositores. O golo havia sido atribuído ao guarda-redes apesar de ter sido o seu cabeceamento a dar-lhe origem; desde então que o herdeiro da camisola de Joca, número sete estampado nas costas, ia destruindo a carreira dos adversários que lhe saíam à frente como se procurasse vingança pela desfeita.

Filipe Diogo trocou as voltas ao lateral do Portimonense em novo slalom pela esquerda. Este, provavelmente já irritado com a ginga do menino, não esteve com meias medidas e rasteirou-o quando ele entrava na área. A queda de Filipe Diogo deu-se já dentro da grande área. Surgiu um clamor na bancada atrás da baliza; os Espírito Azul e a Juventude Amorense pediam penalidade. O árbitro apontava para o auricular, sossegando os jogadores do Amora que o rodeavam.

A resposta veio não muito tempo depois: foi fora da área. Gabriel Capixaba, que aguardava com a bola debaixo do braço na marca de grande penalidade, acenou em sinal de reprovação e encaminhou-se para o local indicado pelo árbitro. Ele próprio bateria o livre - um livre lateral a meros centímetros da linha delimitadora da grande área. Meteu a bola na molhada e Mutombo, defesa adversário, foi o mais forte na sua busca.

Mutombo fez o movimento para a tirar da área, mas incompreensivelmente acertou de esguelha na bola. A redondinha ficou perdida à entrada da pequena área perante a perplexidade geral dos jogadores de ambas as equipas. O mais rápido a recuperar da estupefação foi Filipe Diogo. O menino nem pensou duas vezes: encheu o pé direito e disparou em frente.

Nem viu se havia alguém à sua frente. Se não estivesse, era golo; se estivesse, o mais provável é que entrasse na baliza com ela.

Não estava e aquele seria mesmo dele.

 

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Filipe Diogo aproveitou o ressalto para alargar a vantagem do Amora

 

Era difícil imaginar naquele momento um desfecho diferente do da vitória do Amora na Taça de Portugal. A vencer por dois golos ainda antes do primeiro quarto de hora de jogo, a equipa manietava por inteiro o Portimonense e jogava com confiança. Frodo Zarco sentia-o e os adeptos também, cantando e celebrando como se já estivesse tudo decidido.

Os algarvios acabariam por começar a subir as suas linhas, nem que fosse porque era impossível ao Amora manter aquele ritmo alucinante na pressão durante todo o jogo. Mas mesmo assim era o Amora quem ia criando perigo, aproveitando o balanceamento ofensivo do adversário para lançar incisivos ataques rápidos que exploravam o desposicionamento defensivo dos algarvios.

Até que chegou o minuto 22'.

Esse minuto foi o expoente de todo o crescimento, afirmação e sucesso da Geração de 2026. Toda a ligação entre os jogadores, as rotinas treinadas, a mecanização de princípios e espírito de equipa construídos ao longo do ano atingiram o seu apogeu nesse minuto.

Nem há palavras para lhe fazer a devida justiça.

 

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O Amora praticamente fechou a discussão com um brilhante golo de envolvimento coletivo

 

A bola entrou depois do imparável disparo de Diego Raposo e toda a equipa, suplentes e equipa técnica incluída, correram para uma celebração coletiva na pista de atletismo junto dos adeptos do Amora.

A bola passou pelos pés dos dois médios mais ofensivos e pelos três avançados antes de entrar na baliza adversária! Que desenho coletivo! Que movimentação! Que deleite!

Frodo Zarco estava extasiado com o que tinha visto, refletindo com os seus botões como aquele golo era o epílogo perfeito para uma temporada de sucesso. O 3º lugar na Primeira Liga. A vitória na Taça da Liga. A campanha na Liga Europa que só terminou às mãos do Real Madrid. A Muralha de Aço que permitiu ao Amora ser a melhor defesa do campeonato. E agora aquele golo no último jogo do ano que valeria mais um título.

Sim, mais um título - a vencer por três golos, o jogo estava mais do que decidido. O Amora aliviou imenso a pressão a partir daí, o que ajudou a que as estatísticas finais fossem bem diferentes do que se ia desenhando aos 22' de jogo. Ninguém lhes levou a mal. Era uma equipa jovem, muitos deles a terminar agora a primeira temporada como titulares nas suas carreiras. Estavam já distraídos com a iminência da conquista da Taça de Portugal. Estavam mais inclinados para iniciar os festejos do que para jogar seriamente.

Frodo Zarco compreendia-o - ele próprio já estava algo desconcentrado. Tal como não se chateou quando o Portimonense reduziu na segunda parte, ou quando esteve quase a marcar um segundo golo.

Nada disso importava. Importava, sim, que quando João Pinheiro apitou para o final, o Amora era bicampeão da Taça de Portugal!

 

 

Sobre a festa da vitória, nada haverá a dizer que já não tenha sido dito de outras festas. Houve festejos com os adeptos e com a comitiva, cânticos de celebração, o treinador foi atirado ao ar e apanhou com um balde de água fria e gelo pela cabeça abaixo. Gabriel Capixaba liderou a equipa na subida da bancada até ao camarote onde vários dignitários, incluindo o presidente da República Portuguesa, parabenizaram os jogadores pela sua vitória.

Há um ano, Joca foi o herói e o responsável pela honra de erguer a fruteira. O capitão retirou-se do futebol profissional depois desse jogo, tendo Gabriel Capixaba herdado a braçadeira de capitão. O brasileiro nascido e criado no estado do Espírito Santo ergueu o troféu para gáudio de todos os amorenses - os que estavam no Jamor e os que já enchiam as ruas da cidade para mais uma noite de celebrações.

Naquela tarde terminava a temporada 2026/27. Num ano que se adivinhava crítico, o ano do Voo de Ícaro [ver Capítulo XLI - O Voo de Ícaro], o Amora terminava afinal com a afirmação da Geração de 2026, a qualificação para a Liga dos Campeões e mais dois títulos para a sala de troféus do Amora, à qual já só faltavam a Supertaça e principalmente a Primeira Liga.

Mas isso já é sonhar alto demais, onde já se viu o Amora lutar pelo título... Mas seria? Seria mesmo impossível? O Amora terminou esta temporada a cinco pontos do campeão Benfica. Apenas cinco pontos. Frodo Zarco não conseguia evitar relembrar alguns pontos perdidos contra adversários da metade inferior da tabela e ponderar como teria sido a história se o desfecho nesses jogos tivesse sido outro. Cinco pontos...

Estaria na hora de dar o próximo passo e fazer o impossível?

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Adeptos também encantados com a conquista do Amora. Vitória justíssima num palco que já não tem mesmo a magia de outros tempos. Quando um B-SAD da vida joga lá como a sua casa, diz tudo do que se tornou o Estádio Nacional.

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Mais uma moeda, mais uma volta no carrossel. De novo a conquistar o Jamor, o mais importante é o troféu para o museu - começa a ser pequeno para as conquistas atuais e para as esperadas no futuro.

Agora, já se percebeu que de taças percebes tu. E de campeonato nacional?

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Que entrada! Equipa praticamente na máxima força não deu qualquer hipótese ao Portimonense, para alegria dos ex-jogadores presentes na bancada! O terceiro golo é a definição do que é o Amora de Frodo Zarco!

Estou bastante curioso pela próxima temporada, pois acredito que, com as mexidas certas, a equipa está no ponto para se intrometer na luta pelo primeiro lugar! Esperemos que esta geração aceite ficar, pelo menos, mais um aninho na equipa para levar ao topo do futebol português!

Que venham os próximos capítulos!

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Citação de cadete, Em 27/11/2022 at 10:33:

Adeptos também encantados com a conquista do Amora. Vitória justíssima num palco que já não tem mesmo a magia de outros tempos. Quando um B-SAD da vida joga lá como a sua casa, diz tudo do que se tornou o Estádio Nacional.

 

Citação de F. Mota, há 12 horas:

Mais uma moeda, mais uma volta no carrossel. De novo a conquistar o Jamor, o mais importante é o troféu para o museu - começa a ser pequeno para as conquistas atuais e para as esperadas no futuro.

Agora, já se percebeu que de taças percebes tu. E de campeonato nacional?

Errr... está mais complicado. Mas temos vindo sempre a subir, havemos de lá chegar. Espero eu 😐

Citação de Kluivert, há 2 horas:

Que entrada! Equipa praticamente na máxima força não deu qualquer hipótese ao Portimonense, para alegria dos ex-jogadores presentes na bancada! O terceiro golo é a definição do que é o Amora de Frodo Zarco!

Estou bastante curioso pela próxima temporada, pois acredito que, com as mexidas certas, a equipa está no ponto para se intrometer na luta pelo primeiro lugar! Esperemos que esta geração aceite ficar, pelo menos, mais um aninho na equipa para levar ao topo do futebol português!

Que venham os próximos capítulos!

Vou avançar hoje para a nova época e fazer a pré-temporada. O ideal seria nem mexer na equipa: ninguém entrar e ninguém sair. Mas não sei, andam a aparecer bolinhas verdes nos nomes dos jogadores, é como cogumelos.

Como no teu save ensinaste-me o truque para lidar com as rejeições das vendas, vou tentar preservar o máximo de jogadores possível. Acho que este pode ser o ano do assalto ao título.

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Citação de cadete, há 3 minutos:

Nem tive direito a resposta 😁 Deves ser adepto da B-SAD. 🤣

Opa! Meti um 💪 mas ele não ficou lá LOL wtf

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Final no Jamor... Mais uma para o Amora... E quem diria que a final ficaria resolvido após pouco mais de 20 minutos de jogo. Entraste com tudo e focado em decidir rapidamente o jogo. O resultado não poderia ter sido melhor. Vitória final por 3x0, onde a segunda parte foi uma mera formalidade (controlaste o jogo).

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Citação de Martini Branco, Em 28/11/2022 at 15:51:

Final no Jamor... Mais uma para o Amora... E quem diria que a final ficaria resolvido após pouco mais de 20 minutos de jogo. Entraste com tudo e focado em decidir rapidamente o jogo. O resultado não poderia ter sido melhor. Vitória final por 3x0, onde a segunda parte foi uma mera formalidade (controlaste o jogo).

Foi a antítese da final do ano anterior. Desta vez resolveu-se cedo, nem foi preciso prolongamento e dois Capítulos para a cobrir 😁

Citação de Bettencourt, Em 28/11/2022 at 17:20:

Jogaste a segunda parte por obrigação.

Boa caneca. Agora quero ver é este Amora na champions! 

Já lá iremos. Até já sei quem é o adversário da primeira de duas eliminatórias que temos de passar para chegar à fase de grupos, mas essa novidade fica para o próximo capítulo.

(criar suspense eheh)

Citação de Banks29, há 8 horas:

Que grande final que acaba com a merecida conquista

Merecida e justa!

Devo publicar o próximo Capítulo este noite ou amanhã de manhã, vai servir para fechar a época e lançar a nova temporada.

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Capítulo LIV - Fazer o impossível

 

"Passemos à próxima categoria", anunciou a apresentadora. Era uma esbelta morena que fazia furor enquanto modelo naquele ano de 2027, embora destoasse um pouco naquela tarefa, sem qualquer sucesso em ocultar que lia diretamente do teleponto, soando o discurso um tanto artificial. "E para apresentar os candidatos, quem melhor do que um dos treinadores mais carismáticos do futebol português. Uma das figuras mais relevantes, por vezes controversa, mas que marcou o nosso futebol..."

Frodo Zarco remexeu-se, divertido, ao ouvir aquela descrição.

"... connosco nesta noite... Jorge! Jesus!"

O antigo treinador, que se reformara por motivos pessoais em 2022 [ver Capítulo X - O afroastro], surgiu no palco debaixo dos aplausos de toda a plateia. Aplausos de pé, diga-se. Por mais que tenha criado anticorpos de forma algo generalizada enquanto esteve no ativo, ninguém esquecia os sucessos e principalmente as caricaturas que protagonizou - e que continuavam a ser relembradas frequentemente mesmo cinco anos depois de desaparecer do radar do grande público.

Envergando um fato janota bem à sua medida, Jorge Jesus e a sua icónica cabeleira branca aproximaram-se do microfone. Agradeceu os aplausos e iniciou um breve discurso, aproveitando para relembrar os tempos em que vencera distinções em galas como aquela. "Vintage JJ", pensou Frodo Zarco com os seus botões, sorrindo ao ouvir aquela que era uma das suas referências enquanto treinador fazer algo que lhe era tão característico: roubar o protagonismo para si.

A plateia da Gala Anual da Liga Portugal 2027 escutava Jorge Jesus, silenciosamente. A cerimónia já ia avançada e a maioria dos prémios já tinham sido atribuídos. O goleador do Sporting Tiago Tomás foi um dos que passou pelo palco para receber um troféu, ao tornar-se o melhor marcador da Primeira Liga com 20 golos - Abel Ruiz, do Vitória SC, e Diego Raposo finalizaram o pódio, no caso do menino do Amora com 18 golos. Outro que por lá passou foi Gonçalo Ramos, vencedor do prémio de melhor jogador da Primeira Liga, galardão sem dúvida atribuído pela importância que teve na conquista do título pelo Benfica.

Sobre estes prémios, Frodo Zarco nada teve para os contestar. Já outros eram para si absolutamente incompreensíveis.

 

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Nenhum jogador do Amora foi selecionado para a equipa do ano...

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... e nem o facto de o Amora dar cartas com uma equipa muito jovem motivou a atribuição de um prémio de jogador jovem do ano para a Medideira

 

Frodo Zarco até conseguiu manter a compostura quando foram anunciados os onze eleitos para o onze do ano. Sorriu para si próprio, trocando olhares cúmplices com Bilbo Himura e Joca, que o acompanhavam na cerimónia, todos entendendo que o nome "Amora Futebol Clube" não teria a influência de outros clubes.

Já quando foi anunciado Robson Casimiro como jogador jovem do ano, Frodo Zarco não pôde evitar um esgar de desaprovação e um cristalino acenar negativo de cabeça, pouco importado que as câmaras captassem a sua reação. Não que Robson Casimiro não fosse um grande talento - porque o era, tratava-se de um daqueles talentos geracionais que iria sem dúvida figurar no lote dos melhores jogadores do mundo muito em breve. Mas para quem treinava e via em ação talentos como Odailson, Nélson Victor, Dino Leão, Vítor Ferraz, Diego Raposo ou Filipe Diogo, era caricato não ver um deles reconhecido com esse prémio.

Em especial Filipe Diogo. O menino fazia coisas com a bola que mais ninguém em Portugal sequer sonhava serem possíveis. Os grandes tubarões da Europa rondavam já em seu torno, sondando o Amora para garantir o concurso de um dos maiores talentos da sua geração.

O desagrado de Frodo Zarco apenas foi suavizado quando foi anunciado o vencedor da categoria de golo do ano. Filipe Diogo, ora quem mais, foi chamado ao palco e recebeu o Prémio Fernando Gomes, como era conhecido em homenagem ao saudoso Bibota.

 

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O golo marcado por Filipe Diogo ao Braga em jogo a contar para a 28ª jornada da Primeira Liga foi distinguido com o prémio de golo do ano

 

Ainda antes da entrada de Jorge Jesus no palco, houve um prémio especial atribuído à seleção portuguesa de Sub21, vencedora uns dias antes do Europeu da categoria. Entre os vários jogadores que subiram para a homenagem contavam-se nada menos do que nove jogadores do Amora, recém-coroados campeões da Europa: os laterais Rodrigo André e Octávio Sousa, o central Nélson Victor, os médios Dino Leão, João Carlos Miguel e Vítor Ferraz, e os avançados Roberto Leal, Théo Lameira e Filipe Diogo.

Parabéns, campeões! #madeinmedideira #fabricadetalentos #projetooasis

Faltava atribuir apenas um prémio. Jorge Jesus recebeu o envelope, abriu-o de forma descuidada, quase com desprezo, e sorriu desdenhosamente ao ver o seu conteúdo. Olhou para a plateia e anunciou:

"O treinador do ano... Frodo Zarco!"

As câmaras focaram de imediato o surpreendido treinador do Amora. Por aquela não esperava! Depois de os seus meninos serem preteridos em quase todas as categorias em benefício de jogadores dos três grandes, Frodo Zarco estava plenamente convencido que o prémio seria atribuído a Marcelo Gallardo. Afinal de contas, o argentino acabara com um jejum de oito anos do Benfica.

Felicitado pelo amigo Bilbo e por Joca, levantou-se do seu assento e percorreu a galeria até ao palco. Abraçou Jorge Jesus, deu dois beijos na modelo-apresentadora - fazendo um esforço hercúleo por ignorar o extenso decote do seu vestido, não queria ter de dormir no sofá naquela noite! - e olhou para a estatueta que agora segurava na mão.

 

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"Muito boa noite! Ufff... não esperava esta. A sério! Não se riam. É mesmo verdade. Se nenhum dos meus jogadores mereceu sequer uma distinção na equipa do ano, também não esperava entrar nestas contas..."

Um burburinho nervoso percorreu a plateia na galeria ao escutarem aquela alfinetada. Soou uma gargalhada. Reconheceu-a prontamente, já a ouvia desde miúdo - o riso de Bilbo Himura era inconfundível para ele. 

"... é que se este prémio me está a ser atribuído, devo-o por inteiro aos meus jogadores. Pode parecer um cliché, mas é inteiramente verdade. Sou um orgulhoso treinador de um plantel jovem e cheio de talento que me surpreende um pouco mais a cada dia. Sou um treinador melhor porque trabalho com os melhores. Este..." anunciou enquanto levantava a estatueta, "é deles. Obrigado, malta, por um ano fantástico. E que o próximo nos reserve ainda mais sucesso."

Aquela última frase não era mera formalidade. Frodo Zarco esperava realmente poder contar com a sua equipa para mais uma temporada. Era já uma mensagem para os seus jogadores e tinha origem em algo que aconteceu no dia seguinte à conquista da Taça de Portugal.

Depois de uma noite longa de celebrações após a final da Prova Rainha, toda a equipa do Amora reuniu-se para um jantar de confraternização para terminar a época. Não só jogadores, equipa técnica e dirigentes, mas também o staff - roupeiros, tratadores do relvado, as equipas de marketing e conteúdos digitais, até as equipas de limpeza marcaram presença. Afinal de contas, todos contribuíram para o sucesso da equipa.

A certa altura do jantar, Frodo Zarco pediu a palavra e todos no grande salão de eventos pararam para o ouvir.

"Malta, muitos duvidaram que fosse possível repetir o sucesso do ano passado. Até nós! Saíram muitos jogadores. Disseram que não seríamos capazes de estar ao mesmo nível, que íamos envergonhar o país nas competições europeias."

O silêncio era sepulcral, embora algumas cabeças acenassem positivamente, concordando.

"Mostrámos a garra de que é feita a malta da Margem Sul. Não só não fizemos pior, como fomos um pouco mais além! A todos vocês, o meu obrigado! Estamos todos de parabéns!"

A sala levantou-se para um brinde. Copos foram erguidos e despejados pelas goelas abaixo. Não havia regras. Era um dia de festa.

"Mas agora...", Frodo Zarco fez um compasso de espera enquanto a sala voltava a silenciar-se para o escutar, "... agora temos um desafio ainda maior pela frente. Ficámos em terceiro lugar no campeonato, ganhámos as duas Taças, vamos à Liga dos Campeões. O próximo ano é o verdadeiro desafio para todos nós. Vamos enfrentar as melhores equipas da Europa e podemos fazer ainda melhor no campeonato."

Notou alguma agitação nas mesas.

"Bem sei que muitos de vocês andam a ser sondados por outros clubes. Eles seriam parvos se não o fizessem, fosse eu treinador de outra equipa e quereria ter-vos na minha equipa também. Mas o trabalho que fizemos, aquilo que conquistámos, é só o início. O trabalho não está finalizado."

Fez uma pausa dramática para todos os jogadores assimilarem a mensagem.

"Quero chegar mais longe. Quero derrotar as maiores equipas da Europa que tiverem o azar de se cruzar connosco. Quero ganhar aquilo que todos nos dizem ser impossível e que só os três grandes podem conseguir. E quero fazê-lo convosco, porque também sei que vocês não são de deixar um trabalho a meio."

Levantou o seu copo.

"O primeiro passo está dado. Vamos ao próximo. Posso contar convosco para no próximo ano fazermos o impossível?"

Frodo Zarco entendeu que a maioria dos jogadores hesitava. Não se quereriam comprometer com a permanência na Medideira, o que era perfeitamente compreensível - muitos deles já andavam a ser sondados por grandes clubes europeus.

O treinador do Amora montara-lhes uma armadilha para tentar levá-los a comprometerem-se por mais um ano no Maior da Margem Sul. Lançara primeiro o engodo com os elogios e agora atirara o isco. Morderiam eles?

O primeiro a levantar-se foi Martim Maia. O subcapitão do Amora, que estava na equipa desde o primeiro treino de Frodo Zarco, anunciou com convição um sonoro "sim!". Um a um, vários jogadores levantaram-se e foram anunciando a intenção de continuar e fazer o impossível. Fosse por se sentirem pressionados para não serem os únicos a ficarem calados ou por convição, nenhum faltou.

"Morderam o isco", pensou um aliviado Frodo Zarco enquanto bebia do seu copo. Era a melhor notícia que poderia ter recebido.

Mas a verdade é que, apesar do pacto firmado nessa noite, não foi fácil garantir a permanência de todos.

 

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Roberto Longo voltou para a sua Itália natal onde representará a Juventus

 

O central italiano Roberto Longo foi a baixa de vulto em relação ao plantel que terminou a temporada. Chegado à Medideira no Verão de 2025 depois de nunca se ter imposto na AS Roma, clube pelo qual foi formado, beneficiou das saídas de Isaac Monteiro e de António Silva para ascender à titularidade no início da temporada 2026/27.

Fazendo dupla com o jovem Nélson Victor no centro da defesa do Maior da Margem Sul nos primeiros meses da temporada, as exibições catapultaram-no para a Squadra Azzurra, estreando-se como internacional. No entanto, uma lesão inoportuna promoveu a titularidade de Manuel Díaz, cuja parceria com Nélson Victor foi tão eficaz que não mais se desfez.

Tendo perdido a titularidade no Amora e com a presença na seleção italiana em risco, a proposta da Juventus acabou por surgir como uma benção para todos. Roberto Longo poderia voltar a casa e logo para representar um dos grandes clubes de Itália, resolvia-se um potencial foco de instabilidade no plantel e ainda davam entrada 11 milhões de euros nos cofres do clube.

 

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A saída de Roberto Longo abriu portas à promoção do promissor Vitorino Aranha

 

Não foi uma saída que preocupasse Frodo Zarco. Nélson Victor e Manuel Díaz davam-lhe todas as garantias e o jovem Raul Zovo aprendera imenso durante a sua primeira temporada no plantel principal. Além disso, foi a oportunidade perfeita para integrar Vitorino Aranha na equipa.

O jovem Vitorino era nascido e criado na Cidade de Amora. Entrou no clube com apenas nove anos de idade [é regen do Amora] e cumpriu todos os escalões de formação. Na época anterior foi emprestado ao clube parceiro do Maior da Margem Sul, o Covilhã, onde apesar da tenra idade impôs-se com naturalidade no emblema da Segunda Liga.

Era um dos bons valores emergentes da formação do Amora e teria agora a oportunidade de mostrar que as expectativas em seu redor não eram infundadas.

Mais preocupante foi a vaga de ataques aos principais elementos do plantel. Tal como há um ano, o sucesso do Amora atraiu predadores certamente já cientes do talento que ia emergindo nas margens da Baía do Seixal.

 

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Filipe Diogo foi o principal alvo do plantel do Amora, recebendo propostas de vários clubes entre os quais esta milionária oferta do Sevilla...

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... também Dino Leão foi cobiçado por uma vasta panóplia de emblemas, tendo a melhor proposta sido colocada em cima da mesa pelo grande tubarão branco, o Real Madrid...

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... vários clubes da Premier League sondaram o maestro Vítor Ferraz, embora apenas o Chelsea tenha apresentado uma proposta formal...

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... e até o guarda-redes suplente Iuri Lourenço foi cobiçado, o qual, diga-se, não reagiu muito bem à rejeição da proposta leonina

 

Uma promessa é uma promessa e, apesar dos valores milionários apresentados por estes jogadores [e por outros que não foram colocados neste Capítulo, estes foram apenas os mais assediados], ninguém demonstrou o menor sinal de insatisfação por verem as propostas rejeitadas - à excepção de Iuri Lourenço. Deve ser do nome [shots fired cof cof].

O que muito satisfez Frodo Zarco. Era sinal que estavam motivados em fazer o impossível.

Assim, com todo o plantel que fez a temporada anterior à sua disposição - à excepção de Roberto Longo, que como vimos saiu para a Juventus -, o Amora preparou a nova época com uma série de jogos amigáveis destinados a melhorar a condição física e testar novas ideias para uma temporada longa e difícil.

 

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A pré-época do Amora foi quase imaculada

 

Os resultados foram promissores. Todos os jogadores tiveram oportunidade de acumular preciosos minutos de jogo. Mais importante: ninguém teve lesões ou problemas físicos. A equipa estava no ponto para atacar a nova temporada e fazer o impossível.

Fazer o impossível. Esse era o lema da equipa para a temporada 2027/28. Fazer o impossível na Primeira Liga melhorando ainda mais o terceiro lugar alcançado. Fazer o impossível na Liga dos Campeões começando por conquistar o apuramento para a Fase de Grupos.

E fazer o impossível logo no primeiro teste do Amora Futebol Clube. Afinal de contas, tratava-se de uma de duas competição nacionais que faltavam na sala de troféus da Medideira.

 

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#omaiordamargemsul #coracaodeamora #fazeroimpossivel

 

[Em spoiler, estatísticas do plantel relativas à época que terminou, algumas curiosidades sobre jogadores atuais e antigos, uma novidade quanto às instalações do clube e os prints dos novos regens da formação]

Antes de mais, e para concluir definitivamente a temporada 2026/27, deixo os números da época que terminou.

 

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O Amora fez 53 jogos ao longo da temporada. Como é perceptível, procedi a uma extensa rotação para gerir os índices físicos de todo o plantel. Todos os jogadores fizeram muitos jogos, ninguém se pode queixar do tempo de jogo que teve.

O Jéferson acabou por ser o jogador mais utilizado apesar de não ter sido titular na maioria dos jogos. Mas o menino é rijo e não se lesionou ao longo da época, pelo que foi quase sempre opção a saltar do banco, ora para o lugar do Gabriel Capixaba, ora do Filipe Diogo, ou a titular em rotação com o primeiro.

Aliás, olhando para os números dá para perceber as opções principais que segui. Jéferson, Théo Lameira, Octávio Sousa e Martim Maia são os habituais suplentes que mais vezes rodaram com os titulares ou que saltavam quase sempre do banco, acabando todos com assinalável número de jogos.

Já agora, estas imagens permitem ver outra das características desta equipa: todos os jogadores de campo fizeram pelo menos uma assistência e só cinco não marcaram golos - os quatro laterais e o médio defensivo Dino Leão.

Isto mostra como todos remam para o mesmo lado, não dependemos de individualidades. Somos uma equipa.

 

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Claro que somos uma equipa, mas depois há critérios em que uns se destacam mais do que outros. No caso dos golos, os dois avançados ficaram milhas à frente do resto da equipa.

Mas isto é um registo estranho para o que era habitual nos anos anteriores. Se repararem, os avançados interiores - Gabriel Capixaba, Filipe Diogo, Jéferson e Roberto Leal - concretizaram muito menos do que era habitual. Chegámos a ter épocas com Gabriel Capixaba e Joca a fazerem cerca de 15 golos cada, mas esta época foi-nos muito mais difícil marcar.

Atribuo isso à falta de ligação entre os jogadores e à inexperiência de mais de metade da equipa. Passámos uma fase de quase dois meses a ganhar jogos por 1-0, como se recordarão, e isso acaba por justificar os números globalmente mais modestos.

 

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Nas assistências, surpresa! João Carlos Miguel, box-to-box habitualmente suplente do Papou Mendes, no topo da lista!

Não se admirem, ele fez muitos jogos a titular nas Taças de Portugal e da Liga e somou várias aí. Mas anotem o nome, está a começar a ameaçar a titularidade do Papou Mendes.

De resto, tudo muito equiparado com os quatro avançados interiores todos no top6 de assistências, já que na função deles são os principais agitadores no último terço do terreno, e bons números dos laterais suplentes Rodrigo André e Octávio Sousa, bem como do Papou Mendes.

Fiquei algo desiludido com os números do Vítor Ferraz, afinal ele é o médio mais criativo da equipa, e do Odailson, o nosso lateral direito, mas o que eles dão à equipa, e que vejo no motor de jogo, não se mede em números.

O Odailson dá uma profundidade absurda pelo corredor direito, muitas vezes leva a bola em frente galgando metros diretamente até ao último terço. Depois acaba por não ter contribuição direta nos golos, mas inicia muitos dos nossos lances ofensivos dessa forma.

Já o Vítor Ferraz desbloqueia muitos lances na zona central descobrindo linhas de passe para os colegas mais adiantados ou simplesmente oferecendo linhas de passe aos colegas, um pouco como o Martim Watts fazia. Tem de melhorar no ataque a zonas de finalização, mas estamos a trabalhar nisso.

Agora deixo duas notícias relevantes de dois nossos antigos jogadores.

 

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Juary Soares, nosso central entre 2021 e 2025, que acompanhou a subida da equipa desde a Liga 3 até à Primeira Liga, terminou a sua carreira de futebolista.

Figurará para sempre no coração de todos os amorenses, afinal de contas foi uma das principais personagens durante boa parte desta aventura.

Obrigado, Juary! E boa sorte para as tuas futuras iniciativas!

 

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Já o António Silva, que esteve connosco dois anos entre 2024 e 2026 por empréstimo do Benfica e que se sagrou campeão nacional pelos encarnados esta época, saiu para o Barcelona.

E qual é a curiosidade aqui? É que vai reencontrar na cidade condal o Isaac Monteiro, com o qual fez dupla no centro da defesa do Amora durante dois anos.

E esta, hem?

 

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E aqui aquela que é talvez a cena mais relevante deste spoiler: o Frodo Zarco decidiu insistir com o Bilbo Himura e, face aos lucros avultados com as vendas do Verão anterior, pediu para melhoras as infraestruturas.

A resposta foi positiva e num investimento total avaliado em 18 milhões de euros, eis que...

 

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... o Maior da Margem Sul dispõe agora de condições de treino e de formação de topo mundial ao nível dos maiores e melhores clubes do mundo, recebendo a certificação 5 estrelas da UEFA e da FIFA.

Isto era um dos objetivos do save conforme expostos no primeiro post. Tudo pronto para formar e desenvolver os maiores talentos do futebol mundial.

 

Falando nisso, e para terminar, deixo a nova fornada de regens.

 

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O primeiro destaque é o Agostinho Aranha, irmão mais novo do Vitorino Aranha que acabou de ser promovido à equipa principal conforme viram no Capítulo. OK, nada no jogo dá essa ideia, mas para a nossa história vai ser, até são ambos defesas e tudo.

Devo confessar que estou muito curioso para ver a evolução do Raí Lotitto, que me parece ser o maior talento desta geração.

Todos estes jogadores vão jogar na equipa Sub23 fazendo parte de um plantel em que também vão estar os regens do ano passado - e portanto a cumprir o segundo na equipa. Os mais velhos, ou seja, os jogadores que faziam parte dos Sub23 que ainda não chegaram ao plantel principal - com idades entre os 18 e os 20 anos - foram emprestados ao Covilhã, o nosso clube parceiro.

Vou acompanhar a temporada deles com muita curiosidade, quero ver se lutam para subir à Primeira Liga.

E pronto, é isto, agora vou jogar contra o Benfica, ainda não fiz o jogo, e dentro de alguns dias trago feedback da nossa segunda participação na Supertaça Cândido de Oliveira.

 

"A! Mo! Ra!

Bum! Bum! Bum!"

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Foi uma ótima temporada, como já tinhamos visto. O prémio acaba por ser justo, e peca por escasso o número de prémios que foram para Amora, mas enfim, é mostrar a todos que estiveram enganados nas votações! E vais poder fazê-lo com a mesma equipa deste ano que acabou, ótimo sinal! Não esperava que resistisses a todos os assédios do mercado, esperava ver pelo menos uma grande venda (não conto os 11M como grande), mas se deu para segurar, melhor! É sem desculpas no próximo ano!

Vamos ver o que vem aí das novas fornadas do Amora, com as melhores instalações possíveis

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Claro que o JJ é todo janota e os grandes têm muita influência no futebol português. A pré-época deixou bons indicativos e já estou ansiando pela supertaça.

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Os grandes quiseram ir todos comprar à Praceta Estevão Amarante?

Boa pré-época, siga Amora de Champions! Siga! 

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Estava eu desiludido pelo Vitorino Aranha não ser guarda-redes e a perder toda a vontade de ler o que quer que fosse, quando leio que o irmão TAMBÉM NÃO É GUARDA-REDES.

Para mim o save está arruinado. Uma pena.

Condenado aos Jogos Terminados.

Ainda para mais quando é certinho que vamos ter de ler como os pontas de lanças adversários "caíram na teia" ou semelhante.

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Já agora, se não tiveres feito ainda e eu tenha-me esquecido, podes mostrar o Robson Casimiro, o que ganhou o prémio de jovem jogador do ano? Fiquei curioso como se compara aos meninos da Margem Sul

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Sai Longo, entra Aranha... Até parece uma profecia. Mas agora mais a sério... o Aranha irá evoluir e poderá tornar-se num central interessante. Quando à Gala de Prémios, deixei de dar qualquer importância a isso nos meus saves. É surreal como outras equipas colocam jogadores com tanta facilidade e as nossas equipas não. Já tive jogadores com classificações médias absurdas e que não figuravam nas equipas do Ano (caso do Pedro Nuno no meu Falkirk foi gritante e absurdo). Os prémios são o que são e valem o que valem. Não só merecias ter jogadores no melhor onze, como tinhas vários candidatos ao prémio de jovem jogador do ano. Enfim...

Vários jogadores foram naturalmente assediados por grandes clubes europeus e existiram aí propostas muito tentadoras do ponto de vista financeiro. Mas que compreendo perfeitamente que tenham sido declinadas. Há o objetivo de chegar ao título de campeão nacional e para isso será fulcral ter e contar com os melhores jogadores. Pena que o Iuri Lourenço se tenha armado em burro e tenha ficado indignado por não sair para Alvalade.

A pré-temporada acabou por ter vários jogos e foi muito simpática em termos de resultados. É importante que assim seja, pois terás que bater o Benfica na Supertaça Cândido de Oliveira.

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Citação de F. Mota, há 14 horas:

Foi uma ótima temporada, como já tinhamos visto. O prémio acaba por ser justo, e peca por escasso o número de prémios que foram para Amora, mas enfim, é mostrar a todos que estiveram enganados nas votações! E vais poder fazê-lo com a mesma equipa deste ano que acabou, ótimo sinal! Não esperava que resistisses a todos os assédios do mercado, esperava ver pelo menos uma grande venda (não conto os 11M como grande), mas se deu para segurar, melhor! É sem desculpas no próximo ano!

Vamos ver o que vem aí das novas fornadas do Amora, com as melhores instalações possíveis

Manter o plantel era chave para esta nova temporada. Não queria passar pelo que foi esta época.

Não sei como é na versão PC, mas no Mobile os jogadores jovens demoram imenso a ganhar consistência exibicional. O Martim Watts e o Jéferson, para dar dois exemplos, demoraram cerca de um ano a marcar um golo, por exemplo, e eu via no motor de jogo que jogavam fixe, mas na hora de rematar ou assistir parecia que se encolhiam. Por acaso é algo que aprecio, pois na realidade também não é normal os jovens chegarem e darem cartas logo de início.

Isto para dizer que nesta época que terminou tive de lançar muitos jovens no onze inicial porque saiu muita gente e não queria passar por isso de novo na nova época. Com um ano em cima, os meninos estão prontos para fazer uma temporada em grande. Quero lutar pelo título, este save leva dez meses, estou cansado de ser underdog 😁

Citação de Banks29, há 13 horas:

Bons prémios e boa pré-época, vamos ver o que se segue agora.

Segue-se fazer o impossível, ora pois ahah

Citação de cadete, há 11 horas:

Claro que o JJ é todo janota e os grandes têm muita influência no futebol português. A pré-época deixou bons indicativos e já estou ansiando pela supertaça.

Por acaso deixou mesmo.

Estou a testar variantes à tática habitual, não no desenho tático mas na mentalidade, largura da equipa e estilo de passe e temporização, precisamente para evitar aqueles empates a zero contra equipas mais fracas.

É certo que os adversários iniciais eram fraquitos, mas já vi volume de golos anormal para este Amora. E quando o nível subiu, a equipa não tremeu.

Citação de Bettencourt, há 11 horas:

Os grandes quiseram ir todos comprar à Praceta Estevão Amarante?

Boa pré-época, siga Amora de Champions! Siga! 

Imagina o caricato da situação, emissários do Real Madrid, Chelsea e outros que tais chegarem em altos carrões a uma praceta pequenita com prédios antigos a toda a volta.

"Viemos parar ao fim do mundo", hão de ter pensado eles.

Citação de El Shafto, há 5 horas:

Estava eu desiludido pelo Vitorino Aranha não ser guarda-redes e a perder toda a vontade de ler o que quer que fosse, quando leio que o irmão TAMBÉM NÃO É GUARDA-REDES.

Para mim o save está arruinado. Uma pena.

Condenado aos Jogos Terminados.

Ainda para mais quando é certinho que vamos ter de ler como os pontas de lanças adversários "caíram na teia" ou semelhante.

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Já agora, se não tiveres feito ainda e eu tenha-me esquecido, podes mostrar o Robson Casimiro, o que ganhou o prémio de jovem jogador do ano? Fiquei curioso como se compara aos meninos da Margem Sul

Páras de estragar as minhas piadas futuras? ffs

Acho que partilhei num Capítulo anterior em que jogámos contra o Sporting, mas já não sei aonde. Partilho de novo, tal como ele está no início da nova época.

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Pah, é craque, não há muito a dizer. Olha-me para os atributos mentais do bicho. E os técnicos. E os físicos. Todos, na verdade. Vá lá que só tem finta 14, se não até em Mordor entrava diretamente pelo Black Gate.

Citação de Martini Branco, há 3 horas:

Sai Longo, entra Aranha... Até parece uma profecia. Mas agora mais a sério... o Aranha irá evoluir e poderá tornar-se num central interessante. Quando à Gala de Prémios, deixei de dar qualquer importância a isso nos meus saves. É surreal como outras equipas colocam jogadores com tanta facilidade e as nossas equipas não. Já tive jogadores com classificações médias absurdas e que não figuravam nas equipas do Ano (caso do Pedro Nuno no meu Falkirk foi gritante e absurdo). Os prémios são o que são e valem o que valem. Não só merecias ter jogadores no melhor onze, como tinhas vários candidatos ao prémio de jovem jogador do ano. Enfim...

Vários jogadores foram naturalmente assediados por grandes clubes europeus e existiram aí propostas muito tentadoras do ponto de vista financeiro. Mas que compreendo perfeitamente que tenham sido declinadas. Há o objetivo de chegar ao título de campeão nacional e para isso será fulcral ter e contar com os melhores jogadores. Pena que o Iuri Lourenço se tenha armado em burro e tenha ficado indignado por não sair para Alvalade.

A pré-temporada acabou por ter vários jogos e foi muito simpática em termos de resultados. É importante que assim seja, pois terás que bater o Benfica na Supertaça Cândido de Oliveira.

Os prémios por vezes parecem algo aleatórios. Julgo que são atribuídos mais por reputação do que outra coisa, por exemplo, o melhor jogador do ano foi o Harry Kane, que aqui está no Real Madrid e que como vimos disputou apenas a Liga Europa...

Já agora, e em resposta também a algo que foi referido num comentário anterior, foi fácil resistir às propostas. No Verão passado, quando perdi sete ou oito jogadores, fizemos quase 100 milhões de euros em vendas. Por esta altura, o Amora deve ser a equipa financeiramente mais sólida de Portugal neste save.

O único motivo para vender jogadores é se eles fizerem pressão para sair. Nenhum fez, só o Iuri Lourenço ficou insatisfeito, por isso tranquilo. Fiquei um pouco admirado, confesso, esperava que tivesse revolta generaliza... Mas não. Boa.

No próximo Verão logo se vê, aí sou capaz de já ter de deixar uns quantos irem. Não faz mal, há outros a surgir que terão qualidade também.

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Gostei bastante desta tua atualização, senti alguma frescura e leveza se assim se pode dizer.

O teu save leva uma evolução natural e portanto percebo perfeitamente a decisão de manter a base da equipa nesta altura. Se queremos ganhar, é necessário fazer esse esforço e recompensamos os jogadores mais tarde!

Quanto a jogadores: a dupla Aranha tem tudo para ser um sucesso no futuro. E estou como tu em relação a esse Raí, parece que vai ter uma boa evolução.

Eu fico todo contente com os jovens que me aparecem mas depois vejo miúdos tipo esse Robson.... é que nem há comparação 😅

No entanto, aprendi algo contigo...o fato de estar mais atento ao motor de jogo dá-me outras ilações que vão para além do perfil do jogador.

A pré-época muito positiva deixa roda a gente curiosa pela época que aí vem!

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"Impossivel". f*da-se, quem espeta 4 no Porto ganha 30 jogos num ano. Menos que 30 vitórias é um falhanço.

 

#EspetaIssoNoBalenário.

 

Also, pobres jogadores, escravos da margem sul que não podem sair que o Big Bad Boss não deixa. Era chegares ao balenário e estar tudo a cantar o Grandola Vila Morena para correrem contigo.

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Citação de Kluivert, há 23 horas:

Gostei bastante desta tua atualização, senti alguma frescura e leveza se assim se pode dizer.

O teu save leva uma evolução natural e portanto percebo perfeitamente a decisão de manter a base da equipa nesta altura. Se queremos ganhar, é necessário fazer esse esforço e recompensamos os jogadores mais tarde!

Quanto a jogadores: a dupla Aranha tem tudo para ser um sucesso no futuro. E estou como tu em relação a esse Raí, parece que vai ter uma boa evolução.

Eu fico todo contente com os jovens que me aparecem mas depois vejo miúdos tipo esse Robson.... é que nem há comparação 😅

No entanto, aprendi algo contigo...o fato de estar mais atento ao motor de jogo dá-me outras ilações que vão para além do perfil do jogador.

A pré-época muito positiva deixa roda a gente curiosa pela época que aí vem!

Foi uma atualização muito leve, sem grandes prosas ou descrições. Também era essa a ideia, para fechar a temporada e começar a nova.

O Lotitto - já nem lhe chamo outra coisa, o nome já é carinhoso por si próprio ahah - é de longe o melhor regen que já apanhei neste save. Noutras épocas saltava direto para o plantel principal.

O melhor regen que apanhei no Amora, bem entendido. Já vi outros noutras equipas, em especial Sporting e Benfica, que valham-me os deuses do futebol...

Opa yah, quantas vezes não abdico das avaliações dos jogadores na hora de trocar jogadores. Um avançado interior que não esteja a fazer nada e tenha nota 6, se calha fazer uma assistência na marcação de um canto passa para 8. É parvo, mas prefiro muito mais vez os jogos com o motor de jogo alargado e ir avaliando a participação deles e avaliar eu próprio o que estão a fazer ou não.

Até nos jovens jogadores. Se lanço um jogador, vejo que ele dá linhas de passe, quando tem a bola é dinâmico e tenta fazer passes inesperados, mesmo que os falhe e demore a marcar e a assistir, ganha logo créditos sobre outros que não se mexem ou que tendo a bola, passam logo para trás e não arriscam.

Foi o que safou o Martim Watts e o Jéferson, por exemplo. E vai safando o Vítor Ferraz, cujos números são modestos mas depois vejo-o a participar bem em quase todos os lances ofensivos...

Citação de Maffu, há 20 horas:

"Impossivel". f*da-se, quem espeta 4 no Porto ganha 30 jogos num ano. Menos que 30 vitórias é um falhanço.

 

#EspetaIssoNoBalenário.

 

Also, pobres jogadores, escravos da margem sul que não podem sair que o Big Bad Boss não deixa. Era chegares ao balenário e estar tudo a cantar o Grandola Vila Morena para correrem contigo.

Maffuzinho, 90 pontos no Mobile? I mean... No Mobile de vez em quando há jogos aleatórios em que juro que a ideia que dá é que o motor de jogo está a tentar propositadamente prejudicar o jogador.

Nunca mais me esqueço de um período de jogos numa época anterior em que em todos houve um defesa adversário a tirar a bola com um chutão que foi na direção da minha baliza do outro lado do campo. À terceira deu golo, uma charutada de 80 metros, e nunca mais aconteceu. Se não foi propositado, foi então uma coincidência de proporções cósmicas.

Se chegar ao balneário e estiverem a cantar o Grândola Vila Morena, canto com eles. Música mais linda. Quer dizer, eu não, o Frodo Zarco, não somos a mesma pessoa 😐

...

Editado por Black Hawk

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Capítulo LV - As cabeças da Hidra

 

Agachou-se nos limites da sua área técnica. Percorrera quilómetros dentro daquele retângulo sem se dar conta, vivendo intensamente as incidências daquele jogo caótico. Saltou, correu, esbracejou, gritou e insultou. Não esteve quieto um único minuto desde o apito inicial do árbitro.

Naquele momento, agachou-se instintivamente e colocou a sua mão direita na relva enquanto a sua mão esquerda alcançava a sua boca. Sem dar por isso, roía a unha do polegar. Que se lembrasse, nunca tivera aquele hábito; isto é, nunca até se ter tornado treinador. Não fazia ideia quando tal acontecera, mas volta e meia dava consigo a roer uma unha em momentos de tensão.

Momentos de tensão como aquele.

O adversário carregava com tudo naqueles momentos finais da partida. O Amora ia rechaçando como podia, apenas para voltar a assistir a nova vaga que caía inevitavelmente sobre a área amorense. Manuel Baldé já negara o golo a Darwin Nunez com uma intervenção do outro mundo e Manuel Díaz tirara um golo cantado do pé direito do miúdo-maravilha Dione Neves. Mas o Benfica não desistia - e o Amora sofria para preservar o resultado.

A bola passou a um metro de si. O jogador encarnado progrediu ao longo da linha e despejou novamente em busca de um cabeceamento dos seus avançados. Frodo Zarco roía a unha do polegar esquerdo e apertava um tufo de relva com a sua mão direita. Eram reações naturais de alguém a quem até o ar faltava tal a ansiedade que lhe apertava o peito.

 

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Amora e Benfica disputavam a Supertaça Cândido de Oliveira em pleno Estádio Nacional do Jamor

 

O Amora, bicampeão da Taça de Portugal, voltava a marcar presença no jogo que principiava a época desportiva nacional. A Supertaça Cândido de Oliveira disputava-se pela 49ª vez na sua história e nesse ano jogava-se no Estádio Nacional do Jamor; o mesmo recinto onde há cerca de dois meses o Amora batera o Portimonense para revalidar o título da Prova Rainha.

O objetivo? Vencer pela primeira vez o troféu, depois de na sua estreia há um ano este lhes ter escapado em favor do então tricampeão nacional Sporting Clube de Portugal.

Do outro lado, desta vez, estava o outro estarola da Segunda Circular: o Sport Lisboa e Benfica. Marcelo Gallardo liderara as águias ao título de campeão nacional, colocando um ponto final a um jejum de oito anos, e tinha em mãos um dos mais impressionantes plantéis jamais vistos no futebol português.

Havia uma certa unanimidade entre a imprensa quanto ao favoritismo do Benfica versão 2027/28 para a revalidação do título de campeão nacional. Os encarnados dispunham de um plantel onde abundava a qualidade e havia desta em quantidade. Se um jogador estivesse indisponível, havia mais um ou dois que assegurariam a mesma posição sem quebra de rendimento.

Tinham ainda um equilíbrio quase perfeito entre experiência acumulada - assegurada por jogadores como Diego Llorente, Julian Weigl, Anthony Martial ou Gonçalo Guedes - e a irreverência acrescentada por jovens que despontavam e faziam sonhar os adeptos - casos de talentos como Dione Neves ou Diego Moreira.

Frodo Zarco fizera as delícias da imprensa há um ano quando recorreu à analogia do Voo de Ícaro para descrever os acontecimentos do Verão de 2026 na Medideira [ver Capítulo XLIII - O Voo de Ícaro]. Um ano passou e o treinador do Amora não desiludiu, recorrendo a outra analogia para descrever o Benfica como uma Hidra, monstro mitológico com várias cabeças à qual nasciam duas novas de cada vez que uma era cortada. Assim considerava ele o Benfica: por cada baixa na equipa, apareciam duas novas alternativas tão boas quanto a primeira.

 

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Gonçalo Ramos era a principal figura do Benfica, tendo sido considerado o melhor jogador da Primeira Liga 2026/27...

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... na sua sombra, e cada vez ameaçando mais roubar-lhe o protagonismo, ia surgindo a principal esperança do futebol português, o prodígio Dione Neves [aparte, suspeito seriamente que este seja o regen do Cristiano Ronaldo]...

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... e o elegante extremo Diego Moreira, um dos principais municiadores ofensivos da equipa

 

A tarefa do Amora afigurava-se, como se compreende, quase impossível. Mas "fazer o impossível" era o lema do Maior da Margem Sul para esta temporada e, como tal, os jogadores no relvado e os adeptos que preenchiam completamente o topo norte do Jamor acreditavam piamente que seria desta: a Supertaça teria como destino a sala de troféus da Medideira.

E diga-se que o Amora dava muito boa conta de si. Perante a constelação de estrelas que tinha pela frente, os meninos saídos da Fábrica de Talentos da Medideira souberam manietar o Benfica durante a primeira meia hora. Monopolizando a posse de bola e gerindo o ritmo do jogo a seu gosto, o Maior da Margem Sul ia controlando o rumo dos acontecimentos como pretendia.

Faltava, porém, surgirem as ocasiões de golo. E quando surgiram foi, infelizmente, do outro lado do campo.

Uma primeira ameaça materializou-se numa excelente combinação entre Anthony Martial e Dione Neves. A bola sobrou para o remate do extremo Diego Moreira, o que proporcionou o primeiro grande momento da noite ao guarda-redes Manuel Baldé, autor de uma impressionante intervenção.

Olhando em retrospetiva, esse lance acabou por ser o foreshadowing do que aconteceria apenas dois minutos depois. Novamente com Anthony Martial e Dione Neves na jogada, o francês cruzou para a pequena área onde o prodígio nacional falhou a conclusão por pouco. Falhou ele, não desperdiçou Diego Moreira. O extremo internacional Sub21, ao segundo poste, encostou facilmente o seu pé direito na bola perdida para dar a liderança da partida ao campeão nacional.

 

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Diego Moreira, oportuno, surgiu ao segundo poste para inaugurar o marcador

 

Comentavam os especialistas radiofónicos e televisivos que aquele poderia ser o ponto de viragem do jogo. Caso os tivesse ouvido, Frodo Zarco não teria discordado. Em pé, pensativo, com a mão direita aberta a cobrir-lhe o queixo, remoía com os seus botões como a equipa precisava de personalidade para reagir àquele contratempo.

Não se admirou ao ver Filipe Diogo pegar na batuta da equipa. O seu miúdo-maravilha, herdeiro da camisola sete que pertencera ao capitão Joca, podia não ser o capitão, mas era o líder de facto da equipa. Em momentos de aflição, era a ele quem os colegas buscavam - e o menino não se escondia. Bem pelo contrário, era nesses momentos que surgia a pedir a bola, funcionando como um farol para os colegas e assumindo a responsabilidade de os guiar.

Frodo Zarco não podia deixar de notar com cada vez maior insistência as semelhanças de Filipe Diogo com Luis Figo, tanto no estilo de jogo como na personalidade em campo. Nem cinco minutos haviam passado desde o golo do Benfica e já ele tinha arrancado duas ou três iniciativas que colocaram os encarnados em sentido, não lhes permitindo descansar sobre a vantagem obtida.

E mais uma vez, o Amora recuperou a bola e foi a ele quem os colegas procuraram para dar seguimento ao lance ofensivo. Filipe Diogo fletiu para o centro, ainda bem distante da baliza. Confiante nas suas capacidades, decidiu-se por visar a baliza mesmo dali. Filipe Diogo foi o feliz vencedor do prémio de golo do ano na Gala da Liga Portugal 2026/27 [ver Capítulo LIV - Fazer o impossível, onde também há um gif desse golo] e parecia querer repetir o feito logo no primeiro jogo da temporada.

Como se costuma dizer, há momentos de génio que valem o preço do bilhete. Este foi um deles.

 

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Filipe Diogo restabeleceu a igualdade em mais um momento Filipomenal

 

Enganavam-se os comentadores: aquele sim, foi o ponto de viragem do jogo. Não seria fácil explicar o motivo, mas o golaço de Filipe Diogo fez o Benfica crescer enquanto o Amora foi-se retraindo. Não foi algo súbito; o Benfica não começou a sufocar o Amora de um momento para o outro. Era, porém, notório como o Benfica ia tendo a bola mais tempo em seu poder e recuperava-a em zonas cada vez mais adiantadas do terreno. Já o Amora ia-se limitando a contra-ataques que, por sua vez, tornavam-se cada vez mais esporádicos à medida que o cronómetro avançava.

Foi assim até que o tempo regulamentar se esgotou, felizmente para os da Margem Sul sem mexidas no marcador. O prolongamento que se seguiu manteve a mesma toada, embora a pressão do Benfica fosse falhando com o avançar do tempo. Efeitos do desgaste natural de um jogo intenso e de ser a primeira partida oficial da temporada - ninguém estava verdadeiramente preparado para disputar 120' naquela fase da temporada.

O cronómetro marcava 118' e, sem ninguém saber bem ao certo como ou de onde, o Benfica voltou a carregar forte sobre o Amora. Darwin Nunez, recém-entrado na partida e talvez por isso mais fresco, furou por entre João Carlos Miguel e Martim Maia - que também tinham saltado do banco - e disparou com violência para nova grande defesa de Manuel Baldé. A bola sobrou para a recarga de Dione Neves e já os adeptos do Benfica erguiam os braços quando Manuel Díaz surgiu vindo do nada para lhe negar a recarga, com uma entrada de carrinho in extremis.

Talvez tenha sido esse lance o responsável pela revitalização do Benfica, que subitamente caiu sobre a esfalfada defensiva do Amora. Vaga após vaga, o Amora limitava-se a tentar sobreviver. Frodo Zarco era a imagem da preocupação, agachado na sua área técnica, roendo a unha do seu polegar esquerdo e agarrando um tufo de relva com a sua mão direita.

A bola caiu em chuveirinho na área do Amora, Nélson Victor apenas conseguiu aliviar debilmente a bola, mas não a afastando da área. Julian Weigl foi o primeiro a alcançá-la e disparou, valendo a oposição de Martim Maia a bloquear o remate. No meio da confusão, vários jogadores de ambas as equipas digladiavam-se pela bola que rolava solta na área e foi por fim Lucas Silva quem a pontapeou para fora de campo.

Fábio Veríssimo levou o apito à boca e deu por concluído o prolongamento da Supertaça Cândido de Oliveira. Quase todos os jogadores em campo caíram de imediato no relvado, prostrando-se, ofegantes.

A decisão teria lugar pela marcação de grandes penalidades.

 

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Cento e vinte minutos não bastaram para decidir o vencedor da Supertaça

 

Frodo Zarco manteve-se agachado na mesmo posição durante mais alguns segundos. Dez? Vinte? Não saberia dizer; foi o suficiente para reencontrar a respiração depois de Fábio Veríssimo ter terminado a partida. Estava exausto. Foram 120' intensos de um jogo que a espaços pareceu uma batalha medieval. Ele não a disputou dentro de campo, é certo, mas não estivera parado um segundo até àqueles momentos finais. E ao cansaço físico somava-se o desgaste mental - e era esse, principalmente esse, que o deixava derreado.

As equipas médicas e os próprios jogadores suplentes de ambas as equipas prestavam auxílio aos jogadores, tentando oferecer algum conforto às dores musculares que todos sentiam. Frodo Zarco dedicou alguns minutos a distribuir palavras de congratulação aos seus jogadores, elogiando a entrega de todos. Eles mereciam-no - haviam deixado tudo em campo.

Recuperados os jogadores, a equipa do Amora reuniu-se num círculo em frente ao banco de suplentes.

"Isto agora não tem nada que saber. Treinámos penalidades, mas não há como treinar para estes momentos. Não vou forçar ninguém a bater penalidades. Vocês é que sabem como se sentem e com que confiança estão para assumir essa responsabilidade", informou Frodo Zarco antes de concluir. "O que acontecer agora, acontece. Batemo-nos de igual para igual contra eles, eles são os campeões nacionais e o que fizemos já é motivo de orgulho. Independentemente do resultado final, estou orgulhoso de todos vocês."

O capitão Gabriel Capixaba, que foi substituído durante a segunda parte do jogo e não poderia obviamente marcar uma penalidade, falava com os colegas, incentivando-os. Frodo Zarco aguardava pela reação dos seus meninos, genuinamente curioso por ver quem daria o primeiro passo.

Não se poderia dizer que ficasse admirado quando se ouviu por fim uma voz.

"Eu bato a primeira."

Filipe Diogo chegou-se à frente, colocando-se no centro do círculo. Frodo Zarco ocultou um sorriso orgulhoso. Em poucos segundos, Jéferson, Odailson, João Carlos Miguel e Théo Lameira seguiram-lhe o exemplo. Seriam eles os cinco marcadores do Maior da Margem Sul.

"Não vale a pena inventar muito. Não hesitem, não pensem muito e não entrem em jogos com o guarda-redes. Escolham já o lado para onde vão chutar e quando for a vossa vez peguem na bola, corram e chutem sem pensar duas vezes."

Este foi o conselho de Jorge Monteiro, Joca para os amigos e no mundo do futebol, antigo capitão e novo diretor-desportivo do Amora. Retirado do futebol profissional em 2026 - saindo em grande ao marcar no seu último jogo o golo que garantiu o primeiro título da Taça de Portugal para o Maior da Margem Sul [ver Capítulo XLI - A festa do futebol e Capítulo XLII - Movidos a adrenalina] - Joca passou um ano a concluir os estudos para assumir o cargo de diretor-desportivo, contribuindo agora com a sua experiência para ajudar a equipa naquele momento delicado.

Os cinco marcadores designados do Amora e Joca falavam entre si enquanto se fazia o sorteio com os capitães - que no caso do Amora era Martim Maia, uma vez que Gabriel Capixaba fora substituído. Ditou o sorteio que as penalidades fossem marcadas na baliza sul, atrás da qual estavam os adeptos do Benfica, e que fossem os encarnados a dar início às hostilidades - e Julian Weigl seria o primeiro. O Benfica estaria a dar preferência à experiência e optou pelo internacional alemão para colocar o Benfica na frente do marcador.

 

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Manuel Baldé teria nas suas mãos a função de negar o máximo de golos possíveis aos marcadores do Benfica

 

Manuel Baldé e o treinador de guarda-redes Manuel Aleixo trocaram um olhar de relance que não passou despercebido a Frodo Zarco. O que estariam eles a tramar?

O alemão partiu para a bola e rematou com o seu pé direito. Manuel Baldé havia apontado com a mão para a sua direita, mas no momento decisivo permaneceu no mesmo lugar. O remate foi forte, mas na sua direção, pelo que o guineense rechaçou-o para o lado.

Soaram gritos de júbilo do outro lado do estádio. Eram os adeptos do Amora a festejar a defesa do seu guarda-redes! Frodo Zarco voltou a olhar para Manuel Aleixo. O seu treinador de guarda-redes erguia o dedo polegar da mão direita na direção de Manuel Baldé.

"Isto foi planeado entre eles?", questionava-se Frodo Zarco, assombrado. Mas teria de deixar essa questão para mais tarde, pois algo mais importante merecia agora a sua atenção.

Filipe Diogo já percorria o terreno para bater a sua penalidade. Colocou a bola no relvado com carinho, recuou com calma, exalando confiança por todos os poros. Ignorando as recomendações do anterior dono da sua camisola sete, encarou o guardião André Gomes antes de arrancar para a bola.

Inspirado pelo que Manuel Baldé fizera momentos antes, André Gomes também optou por ficar no centro da baliza. Desta vez, porém, Filipe Diogo seguiu as recomendações de Joca e chutou para o lado que havia escolhido. A bola entrou no canto superior esquerdo, a um nível que nenhum guarda-redes chegaria mesmo adivinhando a sua intenção.

O jovem prodígio do Amora retornou para o meio-campo exibindo um punho bem erguido em sinal de festejo, tendo concluído a primeira série de penalidades.

 

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Julian Weigl e Filipe Diogo deram início às hostilidades no desempate por grandes penalidades

 

Ainda com os adeptos do Amora a celebrar, o lateral Pedro Pereira colocou a bola na marca. Cabia-lhe a responsabilidade de empatar o marcador.

Não era claro se o jogador encarnado estaria confiante ou não. Manteve uma expressão neutra enquanto recuava para dar balanço, olhando fixamente a bola, ignorando a baliza e Manuel Baldé entre os postes. Arrancou de súbito como se tivesse apanhado um choque elétrico e disparou forte. Manuel Baldé voltou a esperar, optando por não tentar adivinhar um dos lados.

A bola saiu fora do seu alcance.

Do dele e da baliza. A redondinha subiu e passou por cima da trave, ressaltando duas vezes na pista de atletismo atrás da baliza antes de bater no muro de pedra que a separava das bancadas - bancadas essas onde os adeptos do Benfica desesperavam com novo desperdício.

Era difícil manter uma postura neutra. Os jogadores do Amora no círculo central festejaram e abraçaram-se, cientes que poderiam alcançar já de seguida uma margem bem significativa sobre o Benfica. Todos os jogadores excepto Jéferson, claro, pois esse já lá ia para a área com o objetivo de fazer o segundo golo do Amora.

Jéferson tinha um histórico algo irregular na marcação de penalidades. Embora tenha crescido para se tornar um dos jogadores mais consistentes e confiáveis do plantel, não costumava ser muito eficaz da marca dos onze metros.

De qualquer forma, o menino foi o segundo jogador da equipa a assumir a responsabilidade de bater uma penalidade e já aguardava pela indicação de Fábio Veríssimo para correr para a bola. O árbitro consentiu e Jéferson lá foi.

Frodo Zarco, sentado no banco de suplentes, arreganhou os lábios. Jéferson denunciou demasiado a sua intenção; até ele à distância percebeu para onde iria rematar. O menino inclinou todo o seu corpo para a direita e chutou para o lado esquerdo.

Se Frodo Zarco o viu do seu banco, André Gomes, a onze metros deles, também leu a intenção do seu oponente. O guarda-redes do Benfica estirou-se para a sua direita e abriu bem a mão, esticando os dedos para bloquear a bola.

 

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Pedro Pereira e Jéferson foram os batedores na segunda série

 

Os gritos de regozijo dos adeptos do Amora foram a confirmação para Frodo Zarco de que os seus olhos não o haviam enganado: apesar de denunciado, o remate foi bem colocado e atingiu as redes da baliza.

A expressão aliviada de Jéferson no seu regresso ao círculo central contrastava com a preocupação estampada no rosto de Darwin Nunez. O avançado uruguaio quase tinha decidido a Supertaça aos 118' com um remate potente apenas negado por uma estrondosa defesa de Manuel Baldé, mas agora, no início da terceira série de grandes penalidades, a sua equipa estava numa posição assaz periclitante.

O internacional uruguaio partiu para a bola. Apesar da expressão fechada e preocupada, e de Manuel Baldé ter adivinhado o lado do remate, desta vez encontrou as redes da baliza. O Benfica reduzia a desvantagem.

Era a vez de Odailson. Francês de ascendência brasileira, já com 37 internacionalizações pela seleção Sub21 gaulesa, o lateral do Amora celebrara 22 anos de idade na véspera do jogo. Vencer a Supertaça seria um fabuloso presente de aniversário e ele estava em condições de deixar o Amora muito próximo desse objetivo.

Seguindo mais uma vez o exemplo dos colegas, Odailson correu para a bola e desferiu um remate seco para a sua esquerda. Era a terceira penalidade do Amora e todas elas foram executadas para o mesmo lado.

André Gomes deu um passo à sua esquerda, mas nem se atirou. Percebendo que fora enganado pelo lateral do Amora, fechou os olhos em frustração e foi assim que ouviu as celebrações da claque do Maior da Margem Sul.

 

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Darwin Nunez e Odailson tomaram para si a responsabilidade de bater a terceira série de penalidades

 

À partida para a quarta série, uma coisa era garantida: se o Benfica falhasse ou o Amora marcasse, a Supertaça seguiria para a Medideira. O Amora dispunha de dois match points para decidir o jogo sem necessitar da quinta série.

Caberia a Rafael Brito manter o Benfica na corrida. O médio defensivo, oriundo da formação das águias, olhou para Manuel Baldé antes de partir para a bola. Arrancou e bateu com o seu pé direito, apontando também para o seu lado direito. Manuel Baldé adivinhou o lado, mas não lhe chegou.

O Benfica salvava o primeiro match point.

Seguia-se o segundo. João Carlos Miguel, com 20 anos de idade e um dos mais promissores jogadores oriundos da Fábrica de Talentos da Medideira, ia ganhando cada vez mais espaço na equipa e ameaçava até a titularidade de Papou Mendes - a qual deixara de ser um dado adquirido depois de pelo menos cinco épocas em que fora inquestionável.

O menino tinha toda a pressão sobre si. Era um título que estava em jogo. Um título que o Amora nunca tinha conquistado. Um título que o Amora falhara há um ano quando perdeu com o Sporting.

Frodo Zarco tentou evitá-lo, a sério que tentou, mas no momento em que Fábio Veríssimo apitou e João Carlos Miguel deu início à sua corrida, deu consigo de olhos fechados e ouvidos apurados.

Ouviu gritos. Não saberia dizer se dos seus ou dos outros.

Abriu os olhos.

 

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A quarta série de penalidades foram resposabilidade de dois médios: Rafael Brito e João Carlos Miguel

 

Teve pena por Théo Lameira, que seria o quinto batedor de penalidades do Amora.

Afinal de contas, o menino Théo não teria a oportunidade de ser o herói. João Carlos Miguel bateu para a sua esquerda, tal como os colegas antes dele, garantindo a vitória do Amora.

Ao abrir os olhos, Frodo Zarco só viu um monte de camisolas azuis a correrem desenfreadamente na direção de uma outra que percorria a linha de fundo na direção da bandeirola de canto. No momento em que o seu cérebro processou a informação, foi arrancado do banco por alguém que o puxou violentamente e o abraçou com vigor. Segundos depois, toda a sua equipa técnica estava envolvida no mesmo abraço, alguns chorando de alegria.

O Amora vencia a Supertaça Cândido de Oliveira.

 

 

Pela segunda vez em pouco mais de dois meses, os jogadores do Amora subiram a escadaria da bancada central do Jamor até aos camarotes onde lhes foi entregue um troféu, desta vez o da Supertaça.

Numa demonstração de união entre o grupo de trabalho, coube a Martim Maia, enquanto subcapitão, erguer o troféu. Uma honra justa para um dos elementos mais sólidos da equipa, presente no balneário do Amora desde o primeiro treino de Frodo Zarco, e um bonito gesto de Gabriel Capixaba. Depois de erguer os troféus da Taça da Liga e da Taça de Portugal na época anterior, decidiu dar a oportunidade a Martim Maia de também o poder fazer.

Frodo Zarco e Joca ficaram propositadamente para trás, deixando que os jogadores fossem os elementos em destaque naquele momento de glória. Era o momento que precisava para esclarecer uma dúvida.

"Joca, se o Théo Lameira tivesse batida a quinta penalidade também teria atirado para a esquerda, não?"

"Teria sim, Mister Frodo", respondeu Joca, rindo-se ao perceber que Frodo Zarco entendera o plano. Aquilo tinha sido decidido na conversa que os cinco tiveram com Joca durante o sorteio, tal como desconfiava.

 

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Os adeptos do Amora começavam a habituar-se a títulos; entre Maio 2026 e Julho 2027, o Amora somava duas Taças de Portugal, uma Taça da Liga e uma Supertaça

 

E foi assim que o Maior da Margem Sul fez o primeiro impossível, batendo o Benfica na Supertaça numa noite agradável no último dia de Julho de 2027.

Não houve tempo para grandes festejos. Não que eles não tenham existido - houve champanhe, cerveja, música e muita animação pela madrugada fora -, mas no dia seguinte a folga foi inexistente e treinou-se como estava previsto.

Afinal de contas, havia jogos a disputar e objetivos a cumprir. O primeiro destes, de resto, obrigaria a duas eliminatórias com quatro jogos pela frente. Era esse o número de desafios que separava o Amora da Fase de Grupos da Liga dos Campeões.

 

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O Amora tinha trezentos e sessenta minutos a separá-lo dos tubarões europeus e finda a epopeia da Supertaça nada mais passava pela cabeça dos jogadores do que lá chegar.

 

#MaiorDaMargemSul #CoracaoDeAmora #FazeroImpossivel

Editado por Black Hawk
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