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Rui Cardoso

Oficina de Escrita

Publicações recomendadas

 

nota-se :axe:

Fizeste-me lembrar uma amiga minha que tem no facebook.

"Saiam ai de traz suas bichas licenciadas.."

"O que?? Só com 21 e já acabas-te o curso??"

 

Pelos visto ela é que mostra que ainda não "aca-bou" o ensino do Português :lol:

 

Tive mesmo vontade de comentar isso no perfil dela :lol:

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Já não escrevo nada à tanto tempo...

... e que saudades eu tenho. A última coisa que me saiu foi um poema em inglês que acabei por o perder. Foi pena. Ultimamente tem-me dado vontade de escrever de novo, mas as ideias não correm, o papel não fixa a tinta da caneta, as teclas recusam-se a obedecer ao caos que sentem na ponta dos meus dedos. Não lhes censuro o medo. Soubessem elas o quanto me assusta esta fome de criatividade! Sinto que da cabeça não fluem os impulsos majestosos ou do peito se soltam paixões algumas. Tudo virou às avessas e o meu pensamento já não sente e os meus pés já não aquecem. Ninguém. Olhos mudos esmagam a parte de mim onde os sonhos são felizes. Sou feliz. De noite. Sou fraco como o coração que colapsa de esforço diante a tua sombra. E sorrio. Lembras-te do perfume que nos impregnou os corpos, suados, exaustos e insaciáveis? Ah, se estas teclas deixassem o que não as fazia chorar de tanto amor e gratidão! E gratidão. E amor... Vou-me agora que já me puxam as pernas de novo para a luz pálida e sufocante. É tempo de retomar o fôlego e sair da água fria. Vou deitar-me e pensar numa forma de me encontrar com quem fui perdendo por entre as falhas deste meu caminho. Talvez te encontre a ti. Talvez reencontre os pedaços de mim e me torne uno outra vez. Talvez. Quem sabe não volta o coração a bater valoroso, o peito a escudar estórias de fábula e os meus olhos quebrem o selo e deixem inundar de água esta mente perra e poeirenta. Quem sabe a caneta flua e as teclas se encham daquela coragem que vocifera aos ventos que eu ainda não morri. Ainda não. Não, ainda não morri...

 

 

 

A culpa é vossa... :)

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Gostei!

 

Btw, deu-me isso ao ler o teu texto, nunca têm aquela impressão de que a escrever com papel e caneta flui melhor do que num teclado? Não sei porque, mas além de ser mais natural, sai tudo muito melhor.

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Monday Morning

 

Ver-te acordar é prolongar um pouco mais a sensação de te ter comigo. Os instantes em que ainda tranquila, dormes profundamente, com o teu vício tão vulgar quanto único de ter a mão junto ao rosto. A tua pele a respirar os primeiros raios de luz, que teimam em furar pelos estores entreabertos convidando a manhã a entrar, sem grandes pressas. E vais acordando, aos poucos. Um movimento mais forte, um suspiro mais profundo, um encolher último antes do bom dia que me lanças, surpresa e contente por me teres lá, mas chateada logo a seguir, quando me perguntas a brincar porque raio te estou a ver e não a fazer o pequeno-almoço.

Há-de haver tempo para isso. Por enquanto, tempo de amar mais um pouco, estender a noite contra a manhã que dança lá fora e pedir, com todas as forças, para que a rotina da responsabilidade não se apresse a roubar-nos este momento, tão nosso, mas de ninguém.

 

Hoje é de noite e tenho pena de não acordares por cá amanhã.

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Desconhecia este tópico, mas sem dúvida que vai já para os meus favoritos.

 

A escrita é uma actividade que eu muito aprecio como passatempo, especialmente quando aliada à música. Tantas "letras" de músicas que eu já escrevi só para tentar eludir o tempo morto passado em aulas, ou tentar ao menos desabafar comigo próprio. Amanhã escrevo aqui um poema que escrevi, estranhamente, fora do tempo de aulas, numa daquelas epifanias de escritor.

 

E já agora gostei desse texto, Fabinho (um pseudónimo mais artistico já vinha a calhar :mrgreen: )

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Eu não quero ser o mar

Viver do ir e voltar

Quero ser capaz de escolher por onde quero andar

Poder escolher entre a luz do dia e a escuridão do luar

 

Quero ser terra amaldiçoada que não te atreves a pisar

Que sintas um pouco disto e te deixes sufocar

O meu olho esquerdo já não se deixa enganar

E o direito carrega os sonhos que temes realizar

 

Quero sentir o peso da tua consciência

É a fonte para o meu ódio se saciar

Não há aqui nenhuma ciência

Apenas esta raiva que tende a aumentar

 

Quero hoje seja um ponto final

Não quero mais que uses seres humanos para brincar

Como folhas de papel que dobras para rasgar.

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Isso do Fabinho é culpa de uns certos chicos-espertos que eram mods... :mrgreen:

 

(btw, fogo, como o tempo passa rápido! Parece que ainda foi ontem e já nenhum deles está na moderação... :|)

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13th,

"as teclas recusam-se a obedecer ao caos que sentem na ponta dos meus dedo"

adorei esta parte. :prayer:

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Ainda bem que estou tão mal.

Isto já não passa de uma obsessão,

Sempre que sorrio perco a razão.

É melhor deixar como está

Fazer-me temer o dia de amanhã.

 

Isto já nem é agonia,

É apenas bendita melancolia.

Há quanto tempo não a via?

Há quanto tempo a queria?

 

Cada trago do teu amor tão desejado

Só me faz ficar feliz,

Incapacitado, bloqueado.

 

És uma borracha, um corrector

Só és graça quando infliges dor!

E aí está a graça

De amar alguém que de amado não passa.

 

Conduzir os dedos, guiando a linha escura

Só tem razão quando a razão me tortura.

 

Se tu sabes?

Talvez saibas.

Se eu sei?

Quero lá saber.

Afinal este poema agradece ao sofrer.

E perece perante o teu ser

 

Se só por querer não te vou ter,

Prefiro só querer,

Pois assim não te vou ter.

E posso continuar a espremer

Tudo o que de valor posso escrever.

 

Pois aí está a graça,

De amar alguém que de amado não passa,

Aí está a graça

De ter folha, caneta e tristeza em massa.

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Ora bem, vim desenterrar este. Inspirei-me no tópico da Poesia, sim :mrgreen:. E deixo aqui um texto meu já com alguns meses, mas que acho que ficou relativamente fixe. Nem sei se já o meti por aqui, se calhar :mrgreen: Está curto, mas gosto muito dele, sempre que tenho desses dias lembro-me deste texto.

Páginas brancas

 

Desde que metes o pé, tens uma sensação instintiva de impotência para contigo e para quem te rodeia, e ages sem saberes bem se estás a fazer bem, ou mal. Precisas de um impulso, de uma mão para te puxar para a realidade que é o dia que estás a viver. As pessoas estão cá, mas os sorrisos não parecem os mesmos, aos teus olhos. E no meio de tanta vida, de tanta rotina do cidadão vulgar, das conversas de café que observas e vives, o dia passou num piscar de olhos. Não houve tempo para o viveres, ou pensares se pelo menos há maneira de escapares de tão estranho pensamento. Se a vida fosse um livro, e cada página fosse um dia...arrancava as páginas destes dias. Brancas. Páginas brancas.

 

Porque não, nestes dias, correr para o desconhecido? Apanhar um comboio, procurar o infinito. Procurar a alma. No final, o sentimento de prenúncio desse medo a sussurrar ao ouvido: “amanhã será melhor”. E não faltaria a tinta…

 

Infelizmente, a impotência levou-me aqui. Deitado na cama, a escrever um estúpido e insignificante lamento. Não sei se o dia de amanhã vai correr bem. Na verdade nem quero saber. Não estou curioso, nem ansioso. Fechar os olhos para passar para a página seguinte era o que mais queria neste momento.

 

(Na verdade, parece que consegui escrever uma página do livro para todos os dias que já foram e irão ser assim)

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Deixo aqui um texto que fiz em Língua Portuguesa II. A professora deu achas (protagonista - Orfeu, filho do rei da Trácia, Eagro, e da musa Calíope), e nós, alunos, tinhamos de acender a fogueira. À nossa maneira, mas num texto narrativo. Dispôs o texto assim para marcar os parágrafos.

 

 

 

Orfeu

As letras não escolhem espaço nem tempo. Muito menos escolhem pessoas. A história que hoje vos conto reporta-nos à Grécia antiga, ainda antes daquela que é conhecida como a primeira democracia do mundo. O protagonista, esse, é Orfeu, um poeta avant garde. Mas deixemo-nos destes estrangeirismos que podem provocar confusão de lado. Orfeu era um homem diferente do seu tempo, um homem avançado para a sua época, um homem um tanto ou quanto incompreendido. Era filho do rei da Trácia, Eagro, e da musa Calíope, mas valha-nos a verdade: era mais sapo que príncipe.

 

Mas desengane-se quem, porventura, pense que Trácia era uma linda terra digna de sete contos de fada. Não. Relatos hão em que isso se comprova. “É um horror!”, disse uma senhora essa época, naquela que foi a primeira espécie de entrevista - terra pioneira, esta Grécia. Este horror reporta-nos para uma realidade que, embora suja e mascarada, estava longe de ser irreal. O verniz com forte odor a crime e perdição percorria as longas e afiadas unhas de uma senhora chamada corrupção. Ela mesmo, que rondava as ruas ilusoriamente limpas e sãs de um aparente modelo de cidade. Os senhores ricos só se lembravam de ser filósofos quando “um” favor cheiinho daquele reles odor lhes era apresentado; mas os ricos senhores, filósofos verdadeiros de uma vida cheia de dissabores, eram quem mais sofria os duros golpes de chicotes de outra senhora chamada injustiça.

 

O sapo - perdão, príncipe - Orfeu descansava no seu quarto numa certa manhã de um certo dia. Não havia a segunda-feira, a terça, a quarta, a quinta, nem todos os dias que hoje designamos com facilidade e pragmatismo. Mas sabia-se que era verão; o sol era pujante e bastante quente, e o céu, azul, havia ordenado um descanso às nuvens. Esta atitude, de completa introspecção, era assaz comum em Orfeu. Não é que fosse desinteressado pela sua futura cidade, mas havia algo nele diferente.

 

- Ai... - Suspirava o príncipe da Trácia. - Como seria bom se, ao invés deste crime que é a falsidade e a impureza, fosse a inspiração e a genuidade a correr nas veias do meu berço...

 

Assim permanecera durante uns bons minutos. Mas sempre com as suas pena e tinta preta à mão, que, uma vez em contacto com o pergaminho que na sua secretária - uma espécie de - se encontrava, davam azo a um elegante matrimónio onde a partilha de bens apenas se resumia no prazer de muitos a ler a obra de um. Este era um velho hábito de Orfeu. Perante a podridão que vadiava em Trácia, o príncipe pegava na pena, molhava-a na tinta preta e escrevia no pergaminho. As letras lançavam-se numa voluptuosa dança de vaivém de sensações, abalos e inquietações.

 

Mas claro que este quadro de doce harmonia entre a ilustre escrita de Orfeu e as suas reflexões não se coadunava com a realidade daquela localidade helénica. Agenor, um plebeu destemido - ou não significasse o seu nome bravura -, assumia-se farto de toda esta “inércia”, dizia, por parte de Orfeu.

 

- Isto basta! - Exclamou um furioso Agenor a um conjunto numeroso de plebeus, numa espécie de sindicato (outro pioneirismo desta Grécia!). - Ele é um príncipe, não um inútil!

 

- Agenor, esse tom! - Bradou Melpone, uma simples jovem.

 

- Não quero saber! Ele vai ser, dentro em breve, rei da nossa querida Trácia. Não era suposto fazer alguma coisa para acabar com todos estes subornos, com toda esta maldita corrupção? É que a própria palavra parece querer pagar-nos para não ser pronunciada... Reparem: se isto assim continuar, nós nunca conseguiremos ser alguém na vida. E não é por culpa nossa.

 

O clima era este. A tensão e a revolta aumentavam a cada dia que passava. Orfeu sabia disto. Sabia que o seu futuro povo esperava mundos e fundos dele. Mas sobre isso apenas sorria. Sorria porque, no fundo, estava a lidar com o problema de uma outra forma. Pegava na sua pena macia, molhava-a na tinta preta melosa, libertava todos os seus pensamentos e mais alguns da sua inteligente cabeça e transpunha-os para o pergaminho desejoso de vida. Exacto, o velho hábito de Orfeu. Contra todas as críticas. Como sempre fazia.

 

Apesar de todas as más-línguas e condenações a que foi severamente sujeito, Orfeu não se mostrou inerte, não; apenas fez o que o seu dom gentilmente lhe ordenou. Com aquilo a que muitos chamaram de inércia - outros, mais brejeiros, preguiça -, Orfeu construiu um autêntico templo, um legado de poemas candidamente concedidos a gerações posteriores. Tanto que bem podia ler-vos agora um que tenho à mão, mas há-de ficar para outra altura. Mas, retomando a ideia, foi este espírito de Orfeu, este constante sofrer pela reprovação e continuar na mesma a fazer o que de mais genuíno há no mundo - escrever -, que deu origem à malograda revista “Orpheu”, imensos séculos mais tarde (vêem? O legado deixado pelo príncipe da Trácia perdurou mesmo no tempo...), cujo intuito era, precisamente, exaltar o modernismo das artes em Portugal, contra todas as críticas - e existiram bastantes. Orfeu foi, terminando, um exemplo, um modelo. Foi a imagem de que a escrita, ela mesmo, é sempre um triunfo. Sempre.

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Essa história inventaste, baseando-te no mito, certo?

Não percebo nada de mitologia grega, ao contrário de ti, por isso inventei tudo. :lol: A professora queria que incluíssemos no texto a ideia de que Orfeu era um poeta grego e filho do rei da Trácia (Eagro) e da musa Calíope. O resto inventávamos.

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Não percebo nada de mitologia grega, ao contrário de ti, por isso inventei tudo. :lol: A professora queria que incluíssemos no texto a ideia de que Orfeu era um poeta grego e filho do rei da Trácia (Eagro) e da musa Calíope. O resto inventávamos.

 

ah, é que disseste ali umas coisas que eu já estava a pensar "que barbaridades!! :mad:"

:mrgreen:

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ah, é que disseste ali umas coisas que eu já estava a pensar "que barbaridades!! :mad:"

:mrgreen:

LOL foi mesmo coisas que inventei. Não te preocupes, que não tenciono assassinar a mitologia grega. :p

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twenty ten -10

 

Há dias em que é preciso saber desistir. Ir arrumar o sótão, último andar da cabeça, e libertar espaço para novas sucatas. É díficil, contudo, deixar ir a velha caixa de brinquedos, as camisolas manchadas da lama de Março, deixar até a década da nossa infância, seja ela qual for. É difícil perder as recordações daquele amor de Verão, do qual já mal nos lembramos do nome e os traços da cara se perdem como areia por entre os dedos e, apenas permanecem os traços irregulares, caligrafia eterna das cartas de paixão naíf.

Cometemos, não raras vezes, esse erro. O de precisar de ter algo para reconhecer (ou relembrar) que aquela pessoa é nossa, quando tudo o que é realmente preciso, que constrói aquilo que somos é aquilo que pensamos e (achamos que…?) sentimos com quem nos mexe o ser.

Podemos desistir de tudo, menos de quem somos e o que já vivemos. E há dias em que isso é f*dido.

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Só para dizer que o melhor texto que alguma vez li aqui no CMPT foi um do lookalike a falar sobre o inverno acho eu. Já lá vão uns 2 anos que o li, mas lembro-me do texto e estava brutal.

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Só para dizer que o melhor texto que alguma vez li aqui no CMPT foi um do lookalike a falar sobre o inverno acho eu. Já lá vão uns 2 anos que o li, mas lembro-me do texto e estava brutal.

Genial esse :prayer:

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Deixo aqui dois textos que eu escrevi para o meu blog...

 

Paraíso

 

Se realmente existisse e eu pudesse escolher como seria…

 

O local seria o bar de um amigo do meu pai (tio de três dos meus irmãos) nos Açores. É um bar pequeno, recluso, fica nos pés de uma encosta, adjacente a uma praia tem uma esplanada e em frente um curto jardim.

 

Seria uma noite de Verão… Uma eterna noite de Verão, em que logo após a minha morte acordaria no topo da estrada que leva até à praia. Desorientado, sem saber bem onde estava, olharia à minha volta, a estrada estaria deserta e iluminada apenas por uma enorme lua cheia e um céu sideral. No meio do absoluto silêncio da noite uma música inconfundível tomaria início, “La Foule” de Édith Piaf (a primeira música cantada por Édith Piaf que eu ouvi, no filme “My Summer of Love”). Eu começaria a seguir o som pela berma da estrada, encosta abaixo até chegar a uma escadaria que me levaria directamente ao bar e por esta altura La Môme Piaf estaria a cantar “Non, Je Ne Regrette Rien” no pequeno jardim.

 

A esplanada estaria cheia de pessoas, velhos amigos, familiares, e a longa noite poderia iniciar-se. Ao longo do serão vários músicos e bandas tocariam, The Polyphonic Spree, Bobby McFerrin, Pink Floyd, Air, The Killers, José González, Kings of Leon, Pixies, The Smashing Pumpkins, David Fonseca, UNKLE, Radiohead, etc., também haveria a oportunidade de expandir os meus gostos musicais, experimentado música clássica, jazz, etc., e não esquecer uma dança com Édith Piaf (nos meus sonhos ela deve-me uma dança). Teria a oportunidade de recordar amizades há muito perdidas (como por exemplo, voltar a ver o João Manuel, o meu primeiro melhor amigo que infelizmente morreu muito novo, com 8 ou 9 anos) e também conhecer a mulher, literalmente, dos meus sonhos (eu tive dois sonhos em que uma paixão gigantesca tomou conta de mim, algo inexplicável que provavelmente foi uma partida do meu cérebro pois não acredito que algo tão intenso possa acontecer na realidade, a primeira vez tinha uns 13 anos, na segunda uns 17 ou 18, essa experiência faz-me sempre lembrar o livro “Em Busca De Uma Voz Distante” de Taichi Yamada). Mais tarde prolongadas conversas com génios do passado (tais como, Platão, Aristóteles, Confúcio, Leonardo da Vinci, René Descartes, Isaac Newton, Albert Einstein, Vincent van Gogh, Pablo Picasso, Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Federico Fellini, etc.) tomariam lugar. Haveria também tempo e espaço para ver filmes e séries (“Oldboy”, “A Tale of Two Sisters”, “My Sassy Girl”[original], “Malice in Wonderland” [2009], “8 ½”, “12 Angry Men”, “Casablanca”, “Seinfeld”, “Friends”, “Scrubs”, etc.) e independentemente da quantidade de vezes que os visualizássemos a sensação seria sempre como se fosse a primeira vez. Por vezes faríamos pausas para simplesmente ouvirmos as ondas do mar a rebentar na areia escura, apreciarmos a lua e as constelações e os seus reflexos no oceano, não haveria distracções como o álcool ou qualquer outra droga e também não haveria comida (eu detesto comer). Provavelmente aconteceria muito mais, afinal seria uma eternidade, mas por agora não me consigo lembrar de mais nada relevante.

 

Peço a quem quer que esteja a ler isto, que feche os olhos (mas só depois de acabar de ler esta frase), deixe a sua mente vaguear e me conte como seria o seu Paraíso.

 

...

 

Estará a chover? O céu estará pelo menos encoberto? Se calhar deveria perguntar-me se será no Inverno, Outono, Primavera ou Verão. Deveria planear ou simplesmente esperar que o dia chegue? E como saberei que o dia chegou? Como é que se sabe que a hora chegou? Como? Chumbo? Gravidade? Fogo? Água? Corda? Drogas? Gás? Sim, gás! Sulfeto de hidrogénio? Dióxido de carbono? Monóxido de carbono? Hélio? Quem é que eu estou a enganar? A mim próprio? Sempre foi nitrogénio! 12 ou 15 segundos… Depois apenas alguns minutos… E já está. Fácil… Tão fácil. Dizem que se sente euforia… Confiança. Terei de ter uma razão? Existir não é suficiente? A inevitabilidade associada não serve de desculpa? Porquê tanto medo? É tabu. Se eu escrevesse a palavra, o ritmo cardíaco de quem estivesse a ler iria subitamente aumentar… Quem sabe, já aumentou. Tanto medo de algo, tão natural… Humano. A tristeza, compreendo… O medo, não. É a incerteza! É isso que me assusta, e a todos eles… O quando… O como… O quanto… Vamos sofrer. Tudo isso nos aterroriza, e por isso têm medo, ignorando assim o inevitável. Para encobri-lo, o medo, criam histórias… Deuses. Crenças que não só acalmam o sentimento de impotência… Como também controlam multidões. Lá vão eles, ordeiramente, seguindo os sacerdotes… Medrosos. Se os Deuses deles existissem, estariam desiludidos… As suas criações, com tanto terror… Não vivem. Afinal, essa é a razão pela qual somos finitos… Viver. O fim é o início… Morrer para viver.

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Editei porque posso vir a ser publicado e não quero arriscar quaisquer problemas. No entanto ainda é prematuro…

Editado por bmfpcdm

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Eu gostei, mas acho que os nomes em estrangeiro retiram muita magia aos textos em português... Não sei porque não escrever nomes portugueses, mas tu é que sabes...

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