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Cinema | Discussão Geral

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Citação de bmfpcdm, Em 23/10/2019 at 15:45:

Só porque falhas são apontadas a um filme, não significa que as suas competências deixam de ser reconhecidas. Essa é a beleza da atitude do Jonathan Demme face às críticas, pois ele reconheceu que quem criticou "Philadelphia" tinha razão em exigir mais e melhor; e em menos de uma década tens o exemplo de "Before Night Falls", que tem pouco ou nenhum pudor no retrato da homossexualidade.

Edit: Já agora, se alguém ficou curioso sobre aquele pedido de desculpa ao Larry Kramer, naquela citação da entrevista da Rolling Stone ao Jonathan Demme. Deixo aqui o ponto de vista dele (Larry Kramer) sobre o filme para oferecer o contexto.

From the Archives: Playwright and gay activist Larry Kramer explains why he hated Jonathan Demme’s ‘Philadelphia’

I fervently believe that the first decent movie in which a male star like Tom Hanks makes love, in a bed, naked, with another male star, like Tom Cruise, in the same bed, also naked, and they embrace and they talk to each other in an adult fashion, doing the same things straight lovers do in every single movie, TV show and commercial, it will make a fortune.

Pelo menos acertou na mouche, se formos a ver o êxito de bilheteira que foi o Brokeback Mountain. 

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Citação de Rōnin, há 4 horas:

I fervently believe that the first decent movie in which a male star like Tom Hanks makes love, in a bed, naked, with another male star, like Tom Cruise, in the same bed, also naked, and they embrace and they talk to each other in an adult fashion, doing the same things straight lovers do in every single movie, TV show and commercial, it will make a fortune.

Pelo menos acertou na mouche, se formos a ver o êxito de bilheteira que foi o Brokeback Mountain. 

Ter ainda em consideração que o Jake Gyllenhaal e o Heath Ledger, infelizmente, não estavam sequer perto do nível de estrelato do Tom Hanks, ou do Tom Cruise; mas sim, é um excelente exemplo do quão infundada é a ideia de que um filme que leve a sério o retrato de uma relação homossexual, se sujeita a não ter uma audiência e a limitar a carreira dos respetivos atores.

___________________

Edit: A conversa tem spoilers, btw.

 

Editado por bmfpcdm

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É um canal com um conteúdo muito bom, mas este vídeo em particular é fantástico.

Editado por Keef

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"For me, water means a lot of things. It's my belief that human beings are just like plants. They can't live without water or they'll dry up. Human beings, without love or other nourishment, also dry up. The more water you see in my movies, the more the characters need to fill a gap in their lives, to get hydrated again."

~ Tsai Ming-Liang

#HappyBirthday (Born on 27 October 1957)

Image from: Stray Dogs (2013)

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Gostei do Dolemite, não sendo nada de especial é entretido e dá um certo saudosismo ver o Eddie Murphy e o Wesley Snipes em destaque.

  • Concordo! 1

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Citação de frnk th tnk, há 47 minutos:

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"For me, water means a lot of things. It's my belief that human beings are just like plants. They can't live without water or they'll dry up. Human beings, without love or other nourishment, also dry up. The more water you see in my movies, the more the characters need to fill a gap in their lives, to get hydrated again."

~ Tsai Ming-Liang

#HappyBirthday (Born on 27 October 1957)

Image from: Stray Dogs (2013)

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"The Hole"

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O Segredo dos Seus Olhos é genial e fiquei fã do Darín, só vendo três filmes dele, atorzão. Acabei de ver agora o Relatos Selvagens e também gostei bastante, embora o coloque abaixo deste e do Nove Rainhas em termos de gosto pessoal. Espero conseguir ver A Aura ainda hoje, é outro dos trabalhos muito bem cotados do Fabián Bielinsky e conta com a participação do Darín, portanto será tempo bem gasto.

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Citação de bmfpcdm, há 5 horas:

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Ever since I've become a filmmaker, I'm traveling the world a lot. I feel like I'm a citizen of the world, yet there's no single place that I can put my roots down and call home. I don't own anything. I'm not a homeowner. I've always rented and never stayed in one place for long. Almost every time I rent a place, I have some sort of water leakage or flooding. Whenever that happens, I just move somewhere else. Even when I moved to Paris, my apartment started leaking after a month. Maybe the leaking is just part of my life, doomed to follow me around.

~ Tsai Ming-liang

#HappyBirthday (Born on 27 October 1957)

Journey to the West (2014)

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Vi o "The Mirror" do Tarkovsky.

Sinceramente nem sei bem o que dizer. Falando da experiência pela qual passei ao ver o filme, devo dizer que foi bastante agradável. Gostei muito do filme, há cenas que capturam uma beleza incrível, é um filme fortíssimo a nível poético. A última cena então foi qualquer coisa de indescritível, foi algo quase divinal, algo que me tocou diria até num nível espiritual. Dei por mim colado ao PC muito próximo de começar a chorar. Não sentia algo desta índole desde que vi a sequência do Star Gate no 2001. 

No entanto é claramente daqueles casos em que não me sinto completamente esclarecido sobre o que acabei de ver. E apesar de ser uma obra que dificilmente vá oferecer uma resposta universal definitiva dado o quão pouco linear e fragmentado o seu enredo é, sinto que me escaparam determinados detalhes. Desde que vi o filme já vi alguns video essays sobre o dito cujo que realmente me deixaram um quanto mais confortado, provavelmente deveria ter analisado um bocado o background do Tarkovsky porque parece-me algo essencial para a compreensão do filme. Contudo ao mesmo tempo penso se o autor fez "The Mirror" com o objetivo de ter elementos alegóricos passíveis de análise e estudo ou se realmente deve ser encarado "apenas" como uma experiência críptica por natureza que deve ser contemplada e sorvida e que não oferece nenhuma resposta, à imagem do que é a vida. 

I don't know, tenho mesmo que rever isto. 

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Citação de Pablo Honey, há 21 horas:

Vi o "The Mirror" do Tarkovsky.

Sinceramente nem sei bem o que dizer. Falando da experiência pela qual passei ao ver o filme, devo dizer que foi bastante agradável. Gostei muito do filme, há cenas que capturam uma beleza incrível, é um filme fortíssimo a nível poético. A última cena então foi qualquer coisa de indescritível, foi algo quase divinal, algo que me tocou diria até num nível espiritual. Dei por mim colado ao PC muito próximo de começar a chorar. Não sentia algo desta índole desde que vi a sequência do Star Gate no 2001. 

No entanto é claramente daqueles casos em que não me sinto completamente esclarecido sobre o que acabei de ver. E apesar de ser uma obra que dificilmente vá oferecer uma resposta universal definitiva dado o quão pouco linear e fragmentado o seu enredo é, sinto que me escaparam determinados detalhes. Desde que vi o filme já vi alguns video essays sobre o dito cujo que realmente me deixaram um quanto mais confortado, provavelmente deveria ter analisado um bocado o background do Tarkovsky porque parece-me algo essencial para a compreensão do filme. Contudo ao mesmo tempo penso se o autor fez "The Mirror" com o objetivo de ter elementos alegóricos passíveis de análise e estudo ou se realmente deve ser encarado "apenas" como uma experiência críptica por natureza que deve ser contemplada e sorvida e que não oferece nenhuma resposta, à imagem do que é a vida. 

I don't know, tenho mesmo que rever isto. 

O "The Mirror" é o filme mais "dificil" do Tarkovsky, na medida em que é o que se mais afasta da estrutura tradicional e é completamente baseado em valores pessoais dele. É uma amalgama de sonhos e memórias da vida dele expostas em filme, são coisas muito privadas e que teem realmente um significado próprio mas que só ele saberá. O mesmo se passaria contigo ou comigo se fizéssemos um filme sobre as nossas memórias e sonhos, são coisas pessoais nossas, nós sabemos o que aquilo significa para nós e quando partilhamos com outros não dá para passar o sentimento, passa uma descrição, uma tradução do que foi, mas nunca aquele impacto. E é aqui que entra uma filosofia pessoal do Tarkovsky que sempre achei imensa piada que é a ideia de transmitir um sentimento/beleza/esplendor a partir desses mesmos valores/objectos pessoais, que se baseia no facto que se, por exemplo, a imagem dum copo de água sobre um fundo azul tiver um significado e um impacto profundo em mim, eu filmando essa imagem e metendo a num filme, neste caso, o espectador irá sentir algo profundo com essa imagem, porque tem esse valor para ti, embora não seja o mesmo sentimento/valor que o autor teve. Mas é uma ideia bem bonita e eu acredito nela, é o poder da transmissão da beleza que nos toca. A beleza no fundo é uma expressão, também, ela mostra-se ao humano em formas e linguagens especificas dele em que lhe sejam possíveis percepcioná-la. Seja no cantar dos pássaros, no correr dos rios, na forma das nuvens, no sorriso das pessoas, ou num memória de infância, num certo objecto que nos remete a uma memória, são coisas que criam valores em nós e que também nos moldam e é bonita a ideia de fazer um filme baseado nessa premissa de passar objectos interiores como memórias e sonhos e conseguir estabelecer uma ponte para que mais pessoas apreciem esse abstracto e estabeleçam com ele os seus próprios valores. Acaba por ser uma dança entre a obra e o espectador. E é esse o valor de uma obra de arte que é viva, que é a possibilidade de criar frutos, de estabelecer novas ideias na mente de quem vê, de ramificar.

E fico muito contente com a tua partilha. O cinema é isto. A expressão de um universo para outro com a esperança de expandir. É uma ponte

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Ontem revi, “The Wicker Man” (terceira vez), e só melhora a cada visionamento. O choque e conflito das duas religiões e filosofias de vida, sem que nenhuma das duas ceda (embora o Howie vacile a certa altura, mas sem capitular), foi o que me fascinou mais desta vez; e só desta vez reparei no paralelo entre a escritura (1 Corinthians 11:23–26), lida pelo Howie no início do filme, e as circunstâncias do final do filme.

______________________

 

Editado por bmfpcdm

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Vi o Dances With Wolves pela primeira vez, aproveitando ter passado no Cinemundo esta semana. O filme é porreiro, mas não senti que fosse tudo aquilo que sempre ouvi dizer sobre ele.

Não sou grande especialista em cinema, pelo que não posso dar opiniões fundamentadas sobre o estilo de realização e tudo o mais. No entanto, na perspetiva de um espetador comum, gostei da forma como o filme conseguiu transmitir a sensação arrebatadora da dimensão do espaço. Sentimos que o mundo envolvente é gigantesco e como a personagem está isolada do mundo exterior, e o melhor de tudo é que o faz sem ser necessário explicá-lo.

Isto é um dos pontos que geralmente me deixam insatisfeito na ficção atual, ou seja, a tendência de tudo nos ser explicado em detalhe, como se fôssemos crianças. Aqui, não: a sensação de imersão surge naturalmente e sempre como um extra nas cenas, nunca como foco principal. Não é necessário a personagem dizer quão arrebatadora é a visão de uma manada de búfalos quando nós próprios o sentimos ao vê-la pela primeira vez.

A história é bem contada e gosto como os primeiros contactos com os nativos se desenrolam, sentindo-se também no próprio desenrolar das cenas - e novamente sem ser necessário descrevê-lo em excruciante detalhe. A dificuldade de comunicação fez-me lembrar o Arrival, com a necessidade de se ir aprendendo aos poucos uma forma de se comunicar, embora aqui lá tenham recorrido à artimanha de meterem lá pelo meio uma personagem que já tinha os básicos de ambas as línguas.

Agora, sobre a história... meh. E "meh" porque tenho três problemas com o filme (e aqui devo passar para spoiler, já é um filme com trinta anos mas pode haver quem, como eu até agora, ainda não o tenha visto).

Começando pela big picture. O filme propõe-se contar uma história, mas esta não chega, na verdade, a lugar algum. A introdução da personagem principal na tribo não serve qualquer propósito na história. Ele chega, torna-se membro da tribo, casa e parte com a mulher. E fica-se por aqui.

Já que o filme em momento algum quis ser historicamente realista (já lá vou), estava à espera que aquele encontro pudesse vir a ter alguma consequência, que servisse de ponte entre os colonizadores norte-americanos e os Sioux ou que ajudasse estes a rechaçarem a expansão, criando uma espécie de história alternativa. Mas não. No final, fiquei com a sensação que tudo aquilo foi inútil. Até a personagem principal, no final, vai embora com destino incerto, sendo que não retornou aos Sioux e também não poderia retornar aos EUA... para onde foi, ao certo?

O segundo ponto é mesmo o irrealismo histórico. O filme abdicou disso no momento em que cria uma personagem que parece saída dos finais do século XX e não de meados do século XIX. Uma personagem da época teria uma visão dos índios bem diferente: eram vagabundos, eram selvagens, eram inimigos a abater. No entanto, esta personagem principal quis conhecê-los, quis ser amigo deles, tentou comunicar com eles... parece ter um código de valores saídos da atualidade e não da época em que a história se passa.

O mesmo se aplica aos Sioux. Foram dos mais ferozes povos nativo-americanos, em constantes guerras com outros povos nativos e com os colonizadores, mas aqui são retratados como um povo pacífico constantemente atacados por outras tribos (Pawnee, segundo me pareceu). Na verdade, eles eram os invasores (não eram originários daquela região) e eram eles, geralmente, quem atacava as outras tribos da região, não o contrário. Foi esse, aliás, um dos principais motivos para as tribos da região se aliarem aos EUA contra eles.

Neste caso, com um homem branco ali, sozinho, que até ameaça um deles na primeira vez que se encontram, não me parece provável que decidissem falar pacificamente com ele...

Mas houve uma cena em especial que me deixou desconfortável: quando a tribo revela saber que o homem branco viria com base num capacete que tinham em posse deles. Ora, aquele capacete era utilizado pelos conquistadores espanhóis, e fazia parte do vestuário destes até uns 150 anos antes do período em que o a história do filme tem lugar. Percebo a ideia, mas não há qualquer registo de estes alguma vez terem penetrado tão longe no interior dos atuais EUA no período em que aquele adereço era utilizado.

Seja como for, passando para o terceiro ponto: tropes. Muitos e variados, mas o principal e mais batido acaba por ser o do tipo branco que, repleto de ideais típicos do homem atual, vai para lá e acaba por se tornar um deles (Pocahontas anyone?), revoltando-se contra os seus. História mais do que batida.

Anyway, o filme até é muito bom, principalmente se o tomarmos por aquilo que ele é: um épico que não pretende ser historicamente realista e que propõe uma narrativa baseada no que poderia ter sido se fosse esta a abordagem, e que pretende apenas contar a história de um homem no Oeste americano e das suas relações com os povos nativos, sem que essa sirva qualquer propósito de uma maneira geral na relação entre estes e os colonizadores.

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Citação de Black Hawk, há 11 minutos:

Vi o Dances With Wolves pela primeira vez, aproveitando ter passado no Cinemundo esta semana. O filme é porreiro, mas não senti que fosse tudo aquilo que sempre ouvi dizer sobre ele.

Não sou grande especialista em cinema, pelo que não posso dar opiniões fundamentadas sobre o estilo de realização e tudo o mais. No entanto, na perspetiva de um espetador comum, gostei da forma como o filme conseguiu transmitir a sensação arrebatadora da dimensão do espaço. Sentimos que o mundo envolvente é gigantesco e como a personagem está isolada do mundo exterior, e o melhor de tudo é que o faz sem ser necessário explicá-lo.

Isto é um dos pontos que geralmente me deixam insatisfeito na ficção atual, ou seja, a tendência de tudo nos ser explicado em detalhe, como se fôssemos crianças. Aqui, não: a sensação de imersão surge naturalmente e sempre como um extra nas cenas, nunca como foco principal. Não é necessário a personagem dizer quão arrebatadora é a visão de uma manada de búfalos quando nós próprios o sentimos ao vê-la pela primeira vez.

A história é bem contada e gosto como os primeiros contactos com os nativos se desenrolam, sentindo-se também no próprio desenrolar das cenas - e novamente sem ser necessário descrevê-lo em excruciante detalhe. A dificuldade de comunicação fez-me lembrar o Arrival, com a necessidade de se ir aprendendo aos poucos uma forma de se comunicar, embora aqui lá tenham recorrido à artimanha de meterem lá pelo meio uma personagem que já tinha os básicos de ambas as línguas.

Agora, sobre a história... meh. E "meh" porque tenho três problemas com o filme (e aqui devo passar para spoiler, já é um filme com trinta anos mas pode haver quem, como eu até agora, ainda não o tenha visto).

 

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Começando pela big picture. O filme propõe-se contar uma história, mas esta não chega, na verdade, a lugar algum. A introdução da personagem principal na tribo não serve qualquer propósito na história. Ele chega, torna-se membro da tribo, casa e parte com a mulher. E fica-se por aqui.

Já que o filme em momento algum quis ser historicamente realista (já lá vou), estava à espera que aquele encontro pudesse vir a ter alguma consequência, que servisse de ponte entre os colonizadores norte-americanos e os Sioux ou que ajudasse estes a rechaçarem a expansão, criando uma espécie de história alternativa. Mas não. No final, fiquei com a sensação que tudo aquilo foi inútil. Até a personagem principal, no final, vai embora com destino incerto, sendo que não retornou aos Sioux e também não poderia retornar aos EUA... para onde foi, ao certo?

O segundo ponto é mesmo o irrealismo histórico. O filme abdicou disso no momento em que cria uma personagem que parece saída dos finais do século XX e não de meados do século XIX. Uma personagem da época teria uma visão dos índios bem diferente: eram vagabundos, eram selvagens, eram inimigos a abater. No entanto, esta personagem principal quis conhecê-los, quis ser amigo deles, tentou comunicar com eles... parece ter um código de valores saídos da atualidade e não da época em que a história se passa.

O mesmo se aplica aos Sioux. Foram dos mais ferozes povos nativo-americanos, em constantes guerras com outros povos nativos e com os colonizadores, mas aqui são retratados como um povo pacífico constantemente atacados por outras tribos (Pawnee, segundo me pareceu). Na verdade, eles eram os invasores (não eram originários daquela região) e eram eles, geralmente, quem atacava as outras tribos da região, não o contrário. Foi esse, aliás, um dos principais motivos para as tribos da região se aliarem aos EUA contra eles.

Neste caso, com um homem branco ali, sozinho, que até ameaça um deles na primeira vez que se encontram, não me parece provável que decidissem falar pacificamente com ele...

Mas houve uma cena em especial que me deixou desconfortável: quando a tribo revela saber que o homem branco viria com base num capacete que tinham em posse deles. Ora, aquele capacete era utilizado pelos conquistadores espanhóis, e fazia parte do vestuário destes até uns 150 anos antes do período em que o a história do filme tem lugar. Percebo a ideia, mas não há qualquer registo de estes alguma vez terem penetrado tão longe no interior dos atuais EUA no período em que aquele adereço era utilizado.

Seja como for, passando para o terceiro ponto: tropes. Muitos e variados, mas o principal e mais batido acaba por ser o do tipo branco que, repleto de ideais típicos do homem atual, vai para lá e acaba por se tornar um deles (Pocahontas anyone?), revoltando-se contra os seus. História mais do que batida.

Anyway, o filme até é muito bom, principalmente se o tomarmos por aquilo que ele é: um épico que não pretende ser historicamente realista e que propõe uma narrativa baseada no que poderia ter sido se fosse esta a abordagem, e que pretende apenas contar a história de um homem no Oeste americano e das suas relações com os povos nativos, sem que essa sirva qualquer propósito de uma maneira geral na relação entre estes e os colonizadores.

 

Já viste "The New World", do Terrence Malick? Tenho curiosidade em saber a tua opinião sobre essa abordagem mais realista da história da Pocahontas. Eu vi este ano pela primeira vez, a versão mais longa, e gostei bastante. 

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Citação de bmfpcdm, há 15 minutos:

Já viste "The New World", do Terrence Malick? Tenho curiosidade em saber a tua opinião sobre essa abordagem mais realista da história da Pocahontas. Eu vi este ano pela primeira vez, a versão mais longa, e gostei bastante. 

Não, mas vou tentar encontrar por aí para ver e digo alguma coisa.

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Vi o Ken Park

Há um par de meses postei aqui que tinha visto o Spring Breakers e na altura referi que gosto imenso do The Kids. Longe de ser perfeito, mas é um filme que tenho num lugar especial no meu coração. Fiquei curioso ao descobrir a existência do Ken Park, o realizador e o argumentista são os mesmos e o tone transmitido pela sinopse era semelhante ao Kids.

Verdade seja dita, as semelhanças são notórias - o mood low budget, o grupo de adolescentes em destaque, o sexo e as drogas, etc. - mas Ken Park, para além de ser menos bem escrito, parece-me pega no fator choque e naquilo que é cru em The Kids e eleva-os a níveis completamente exacerbados. Há aqui cenas que foram mesmo muito difíceis de ultrapassar, principalmente porque achava que os actores eram menores de idade. O Kids tem este problema também, mas lá o sexo não é tão omnipresente nem explícito como é em Ken Park. Dei por mim a questionar muitas das vezes as condições éticas da produção já que na minha cabeça eram rapazes de 15/16 anos que estavam a fazer aquilo tudo à frente de uma câmara e de uma crew e por consequente, milhares de pessoas em salas de cinema. Eu sou um gajo que raramente se sente afetado com aquilo que se passa num filme, isto é, sei compreender que aquilo que estou a ver é um trabalho de ficção e que não é real. Por isso várias formas de violência no cinema nunca me afetaram ao ponto de fazer reduzir o valor global da obra. Sinto que este foi dos poucos filmes onde isso aconteceu. 

Longe de ser um mau filme a meu ver, tirando um par de cenas até se viu relativamente bem. Mas há aqui coisas que realmente não quero ver no meu cinema. 

 

Ah, e esta semana tmb vi o "Paris, Texas". Que filme lindo <<3 

Editado por Pablo Honey

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Citação de Pablo Honey, há 4 horas:

Vi o Ken Park

Há um par de meses postei aqui que tinha visto o Spring Breakers e na altura referi que gosto imenso do The Kids. Longe de ser perfeito, mas é um filme que tenho num lugar especial no meu coração. Fiquei curioso ao descobrir a existência do Ken Park, o realizador e o argumentista são os mesmos e o tone transmitido pela sinopse era semelhante ao Kids.

Verdade seja dita, as semelhanças são notórias - o mood low budget, o grupo de adolescentes em destaque, o sexo e as drogas, etc. - mas Ken Park, para além de ser menos bem escrito, parece-me pega no fator choque e naquilo que é cru em The Kids e eleva-os a níveis completamente exacerbados. Há aqui cenas que foram mesmo muito difíceis de ultrapassar, principalmente porque achava que os actores eram menores de idade. O Kids tem este problema também, mas lá o sexo não é tão omnipresente nem explícito como é em Ken Park. Dei por mim a questionar muitas das vezes as condições éticas da produção já que na minha cabeça eram rapazes de 15/16 anos que estavam a fazer aquilo tudo à frente de uma câmara e de uma crew e por consequente, milhares de pessoas em salas de cinema. Eu sou um gajo que raramente se sente afetado com aquilo que se passa num filme, isto é, sei compreender que aquilo que estou a ver é um trabalho de ficção e que não é real. Por isso várias formas de violência no cinema nunca me afetaram ao ponto de fazer reduzir o valor global da obra. Sinto que este foi dos poucos filmes onde isso aconteceu. 

Longe de ser um mau filme a meu ver, tirando um par de cenas até se viu relativamente bem. Mas há aqui coisas que realmente não quero ver no meu cinema. 

 

Ah, e esta semana tmb vi o "Paris, Texas". Que filme lindo <<3 

Os filmes do Larry Clark acabam por focar-se sempre na mesma temática. O Kids foi o que funcionou melhor, graças ao guião do Harmony Korine, e se gostaste do Kids, recomendo-te que vejas o Gummo, o primeiro filme que o Harmony Korine realizou, é muito bom, é diferente do Kids mas tem uma crueza que está presente nos dois.

E não podes vir aqui deixar um texto sobre o Ken Park e uma nota de rodapé sobre o Paris, Texas ahah. Tens que desenvolver.

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Txii, o Ken Park, já não me lembrava dele. Tenho o DVD em casa, comprei há anos num pacote juntamente com outro filme dele(Bully). Comprei porque tinha visto o Kids na escola e de facto é um filme que marca. O Ken Park é mais chocante e muito centrado no sexo, até demasiado. Pelo que li na altura era também esse o objectivo do Larry Clark, mostrar um mundo mais decadente do que o do Kids, onde o papel dos pais era inexistente ou muito negativo. Na altura não me fez confusão como ao Pablo Honey mas também não era muito mais velho que as personagens.

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