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Estórias da História

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Talvez este não seja o tópico adequado para isso, mas, tendo em conta o tema do tópico, gostava de vos perguntar uma coisa, em especial ao Puro, que me pareceu ter, ou estar perto disso, uma licenciatura em história.

É o seguinte, eu estou prestes a acabar uma licenciatura em Gestão de Operações de Voo, estou com bom aproveitamento etc, etc. Até me vejo a trabalhar nesta área, mas a questão é que sinto que talvez não tenha sido feito para isto, já que sou uma pessoa algo naturalmente ansiosa e que bloqueia nos momentos de decisão, mas, principalmente por sentir que não é disto que gosto de fazer.

Julgo já estarem a ver qual é a minha pergunta nesta altura, mas continuarei. Em termos disto, do que o meu futuro me diz respeito, sempre tive dois amores. Um seria tentar entrar numa Instituto Culinário e tirar um curso de chef, coisa que me dá muito prazer a fazer, ou então tirar um curso de uma coisa que sempre me fascinou, algo que sempre gostei de estudar e aprender mais. História. E então, a minha questão é, para quem tem um curso em história e outros que estejam por dentro do assunto, se gostou do curso, se o achou muito difícil, quais são os pré-requisitos para entrar e as saídas de trabalho possíveis com um curso destes

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Vamos lá introduzir um bocado de polémica e sensacionalismo ao tópico :mrgreen:

 

1418_map.jpg

 

Este é um mapa mundo feito na China. Obviamente representado com o mar da China ao centro, o mapa mostra um desenho já bastante fiel das costas de todos os continentes, incluindo o Golfo da Guiné, as Penínsulas Ibérica e Itálica, os Açores e até a Austrália.

 

O que é interessante neste mapa? A sua datação. Supostamente ele é de... 1418. Feito 82 anos antes de Pedro Álvares Cabral desembarcar no Monte Pascoal; 74 anos antes de Colombo pisar as Antilhas; cerca de 50 anos antes dos Corte-Reais chegarem ao Canadá.

 

Parece confirmar então que os chineses circundaram e cartografaram todo o mundo quando ainda os portugueses tinham medo de passar o Cabo Bojador, que fica perto das ilhas Canárias. Mas como? É aqui que isto fica mais interessante. A historiografia oficial não fala de nada disto; nem a chinesa. Tudo isto é especulação e nada tem uma sustentação sólida.

 

Como qualquer lenda, há uma base real. Zheng He foi um almirante chinês que liderou várias viagens exploratórias no início do século XV. A história oficial relata como o almirante em cerca de 30 anos fez sete viagens, chegando e explorando locais tão distantes como as ilhas indonésias de Java e Samatra, o Golfo de Bengala, Índia, Golfo Pérsico, Mar Vermelho (consta que visitou Meca) e a costa oriental de África, havendo fortes possibilidades de ter chegado a Moçambique.

 

Isto está tudo documentado. Aconteceu mesmo. Zheng He foi um grande navegador e as suas viagens ao longo do Índico permitiram aos chineses tomarem conhecimento e contacto com muitos dos povos que os portugueses encontraram quase 100 anos depois.

 

O mito começa em quem não acredita que os chineses se ficaram por aqui. Segundo estes teóricos, os chineses montaram uma armada gigantesca: mais de 100 navios tripulados por 25 mil pessoas. Para se perceber um pouco melhor a dimensão destes juncos (o nome dos navios), a imagem seguinte compara-os com a nau com que Colombo chegou às Antilhas.

 

ZhengHeShip.jpg

 

Assim, e resumindo massivamente os acontecimentos da viagem, esta frota terá dado a volta ao mundo, descobrindo e cartografando as costas de todos os continentes. Supostamente a armada dividiu-se várias vezes durante a viagem: alguns navios entraram no Mediterrâneo através do Golfo do Suez, visitaram Itália e daí seguiram até ao Oceano Atlântico; outros exploraram a costa ocidental de África; outros seguiram para a costa leste dos Estados Unidos, descendo o continente americano até ao Estreito de Magalhães; alguns descobriram o caminho de regresso à China navegando por norte da Escandinávia e Rússia; os que estavam no Estreito de Magalhães seguiram em dois grupos: uns foram até à Califórnia e daí para a China; os outros foram descobrir a Austrália antes de regressar à China.

 

Eu depois coloco as minhas opiniões sobre esta teoria. Que acham, tem pernas para andar? Acreditam que os chineses fizeram esta grande viagem?

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É um mapa que pode resultar de uma ação conjunta de várias expedições e da informação combinada de muita gente, mas acho plausível. Sinceramente, acho mesmo. Ia mudar completamente o paradigma dos Descobrimentos. Mas, por outro lado, tenho outra questão. Então porque apenas cartografaram e nunca tentaram usufruir do direito de descoberta ou colonizar? Há algo na cultura deles da altura que o impedisse?

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É um mapa que pode resultar de uma ação conjunta de várias expedições e da informação combinada de muita gente, mas acho plausível. Sinceramente, acho mesmo. Ia mudar completamente o paradigma dos Descobrimentos. Mas, por outro lado, tenho outra questão. Então porque apenas cartografaram e nunca tentaram usufruir do direito de descoberta ou colonizar? Há algo na cultura deles da altura que o impedisse?

 

Que paradigma?

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Que paradigma?

 

Que foi o Ocidente quem contribuiu com mais avanços de conhecimento de navegação e geografia na altura. Claro que tiveram uma importância maior pela forma como exploraram as potencialidades, mas perdes a categoria do First to Find.

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Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional (Parte 2)

 

Congresso de Génova – 1866

 

O 1º de 6 congressos concretizados pela Primeira Internacional entre 1866 e 1873 realizou-se entre 3 e 8 de Setembro de 1866. Nele, estiveram presentes 22 secções da Associação, representadas por 46 delegados (6 dos quais membros do Conselho Geral), e 11 sociedades afiliadas (sindicatos, principalmente suíços, e entidades de ensino), representadas por 14 delegados. Hermann Jung presidiu ao congresso, devido à sua capacidade linguística (era fluente em Inglês, Francês e Alemão).

 

Os pontos mais importantes da discussão foram os seguintes:

 

- Foi recomendada a aprovação das regras provisórias da Associação (ver no separador “Regras”) e a fixação da abertura do próximo congresso (em Lausanne) na primeira 2ª feira de Setembro de 1867. Foi ainda proposta a eleição do Conselho Geral e de um Secretário-geral com o salário semanal de 2 £, sendo o único funcionário remunerado na Associação.

 

- Dando seguimento à combinação de esforços internacional, foi proposta a realização de um inquérito estatístico sobre a situação das classes trabalhadoras de todos os países, a serem instituídas pelas próprias classes trabalhadoras. Foi também proposto que todos os ramos da Associação começassem imediatamente o trabalho e que o Congresso convidasse todos os trabalhadores da Europa e dos Estados Unidos da América a colaborar na recolha dos elementos estatísticos da classe trabalhadora. Todos os relatórios e provas deveriam ser encaminhados para o Conselho Geral, que os transformariam num relatório geral, colocando as provas num apêndice. Este relatório, juntamente com o seu apêndice, deveria ser publicado depois de ter recebido a ratificação do congresso. Esta proposta foi aprovada unanimemente pelo congresso.

 

- Declaração do congresso a favor da limitação legal da jornada de trabalho nas 8 horas. O trabalho nocturno seria permitido em casos excepcionais (negócios em dificuldades e sectores previstos na lei), com tendência a ser progressivamente suprimido. Esta proposta, no entanto, referia-se apenas a homens com mais de 18 anos de idade. As mulheres deviam ser rigorosamente excluídas de todo o trabalho nocturno e de todo o tipo de trabalho prejudicial à delicadeza do sexo ou em situações de exposição a efeitos tóxicos e outros efeitos delatórios. O congresso aderiu a estas propostas numa proporção de 5 para 1. Os delegados franceses estavam contra a jornada de 8 horas, pretendo que a limitação legal se estabelecesse nas 10 horas.

 

- Acerca das crianças e jovens trabalhadores, o congresso (que admitia que o trabalho prestado por eles era uma tendência legítima e progressista, ainda que distorcida pelo capital) dividiu-os em 3 classes diferentes, que seriam tratadas de formas também diferentes:

  • Dos 9 aos 12 anos, a jornada de trabalho seria limitada a 2 horas.
  • Dos 13 aos 15 anos, a jornada de trabalho seria limitada a 4 horas.
  • Aos 16 e 17 anos, a jornada de trabalho seria limitada a 6 horas, com uma pausa obrigatória de 1 hora para refeição ou descanso.

Com isto, o congresso pretendia evitar a utilização dos menores como meros instrumentos de acumulação de capital. Eles eram incapazes de agir por si mesmos e era dever da sociedade cuidar do seu bem-estar. O congresso declarou que nenhum pai e nenhuma entidade patronal teria permissão para usar trabalho juvenil, excepto quando combinado com educação (por educação, entendia-se a educação mental, física e técnica). O ensino técnico seria financiado por parte do dinheiro resultante da venda de produtos. O congresso concordou por unanimidade com estas propostas e acrescentou uma resolução no sentido de que a formação técnica dos menores fosse prática e teórica, realizada por escolas técnicas e não por capatazes ou supervisores fabris.

 

 

Regras

 

1 - Esta Associação é estabelecida para ser um meio central de comunicação e cooperação entre as Sociedades de trabalho existentes em diferentes países e visando a protecção, promoção e completa emancipação das classes trabalhadoras.

 

2 - O nome da Sociedade será: "A Associação Internacional dos Trabalhadores".

 

3 - O Conselho Geral é composto por homens que trabalhavam, pertencentes aos diferentes países representados na Associação Internacional. Será a partir dos seus membros que se elegerão um presidente, um tesoureiro, um secretário-geral e secretários correspondentes para os diferentes países. O congresso, entre outras funções, marca a data e o local do congresso seguinte. Os delegados reúnem-se na hora e local marcados sem qualquer tipo de convite especial. O Conselho Geral pode, em caso de necessidade, mudar o local mas não tem poder para adiar a data do congresso.

 

4 - Nos encontros anuais, o congresso receberá um relatório público de todas as transacções efectuadas pelo Conselho Geral. Em caso de urgência, pode convocar o congresso antes do prazo anual regular.

 

5 - O Conselho Geral deve formar uma agência internacional entre as diferentes associações de cooperação, para que os trabalhadores num país possam ser constantemente informados sobre os movimentos da sua classe em qualquer outro país, para que o inquérito sobre o Estado Social dos diferentes países europeus possa ser feito em simultâneo e sobre uma direcção comum, para que as perguntas de interesse geral debatidas numa sociedade possam ser veiculadas a todos e para que quando forem necessárias tomadas de posição, elas sejam simultâneas e uniformes entre as associações. Sempre que pareça oportuno, o Conselho Geral deve tomar a iniciativa das propostas a definir serem apresentadas antes às associações nacionais. Para facilitar a comunicação, o Conselho Geral deve publicar relatórios periódicos.

 

6 - Os membros da Associação Internacional devem usar todos os seus esforços para combinarem as sociedades de trabalhadores dos diferentes países em organismos nacionais, representados por órgãos centrais nacionais. É subentendido, no entanto, que a aplicação desta regra dependerá das leis particulares de cada país e que, além de obstáculos legais, nenhuma sociedade local independente será impedida de corresponder directamente com o Conselho Geral.

 

7 - Os vários ramos e secções deverão, localmente e tanto quanto a sua influência o permita, tomar a iniciativa, não só em todas as questões referentes à melhoria progressiva da vida pública, mas também na fundação de associações produtivas e outras instituições úteis para a classe trabalhadora. O Conselho Geral deve incentivar esta acção da melhor forma possível.

 

8 - Cada membro da Associação Internacional, ao mudar de um país para outro, receberá o apoio fraterno dos trabalhadores associados.

 

9 - Todos os que reconhecem e defendem os princípios da Associação Internacional dos Trabalhadores são elegíveis para se tornarem membros. Cada secção é responsável pela integridade dos membros que admite.

 

10 - Cada secção tem o direito de nomear o seu secretário correspondente.

 

11 - Enquanto unidos a um vínculo perpétuo de cooperação fraternal, as sociedades de trabalhadores, juntando-se à Associação Internacional, devem preservar as suas organizações existentes.

 

12 - Tudo o que não está previsto no presente regulamento será fornecido por regulamentos especiais sujeitos à revisão de todo o congresso.

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É um mapa que pode resultar de uma ação conjunta de várias expedições e da informação combinada de muita gente, mas acho plausível. Sinceramente, acho mesmo. Ia mudar completamente o paradigma dos Descobrimentos. Mas, por outro lado, tenho outra questão. Então porque apenas cartografaram e nunca tentaram usufruir do direito de descoberta ou colonizar? Há algo na cultura deles da altura que o impedisse?

 

Começando pelo final, e assumindo que isto teria acontecido mesmo: eles não teriam usufruido do direito de descoberta porque supostamente se "fecharam ao mundo", desprezando as descobertas realizadas.

 

Eu tendo a discordar. Usando o exemplo de Portugal e dos nossos Descobrimentos, parece-me metodologicamente impossível que isto tenha acontecido. Repara, Portugal não foi à descoberta do mundo "às apalpadelas", como nós quando vamos de carro e não conhecemos a estrada. Cada viagem permitia recolher novas informações. Foi necessário estudar ventos, marés, astros e até a fauna e a flora dos locais [por exemplo a passagem do Atlântico para o Índico foi uma dor de cabeça, foi preciso adaptar a tecnologia existente para as novas exigências de navegação naquele Oceano].

 

E o mais importante de tudo isto, e que nunca é referido nos livros e filmes, era preciso voltar. Foi a diferença entre o que "nós" fizemos para o que fizeram os Vikings. Nós não fomos às apalpadelas até ao ponto X para nunca mais lá conseguir voltar. Quando fomos, era sempre com o objectivo de voltar a casa e saber como regressar aos locais descobertos. Cartografando os novos territórios, fazendo mapas náuticos, conhecendo os ventos e as marés favoráveis, etc. Os chineses não fizeram nada disto; supostamente foram em frente e descobriram tudo sem qualquer preparação. É inverosímil, em minha opinião.

 

Já para não falar nas improbabilidades. Por mais que tente, não consigo imaginar um junco daquele tamanho a atravessar o Suez (na imagem do meu post anterior dá para perceber a dimensão do bicho em comparação com as naus que Colombo utilizou para chegar às Antilhas); além disso, um monte daqueles bichos a passearem-se pela Europa teria chamado a atenção e alguém haveria de registar esse acontecimento. E são demasiadas coincidências para tudo ter corrido bem. Era preciso eles terem acertado em todas as marés, todas as correntes, e todas as decisões que tomaram os levaram invariavelmente a descobrir algo importante. Quase como se alguém, vários séculos depois, tivesse feito o percurso já conhecendo o mapa mundo...

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Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional (Parte 3)

 

Evolução da Primeira Internacional

 

Após o congresso de Génova, houve uma discussão considerável sobre a Associação na imprensa burguesa e, especialmente, na imprensa francesa. Alguns dos jornais capitalistas chamaram a atenção das autoridades para a nova organização e exigiram medidas repressivas. Outros jornais (como o “La Liberté”) mostravam simpatia em relação a essas tentativas de emancipação da classe trabalhadora. Os jornais burgueses mostraram-se tolerantes, contribuindo para isso o facto dos princípios socialistas e revolucionários não se terem manifestado com suficiente clareza no primeiro congresso. Contudo, eles estavam longe de prever o futuro sucesso da Primeira Internacional.

 

Certos eventos de carácter social cedo revelaram estar mais alinhados com as posições de Marx e não tanto com as posições dos seguidores proudhonistas, doutrinários da mutualidade, crédito gratuito ou troca justa.

 

A Internacional foi conseguindo obter uma influência crescente, afectar as opiniões e despertar a simpatia de grande parte do povo através da participação activa em todas as manifestações do movimento operário, todas as manifestações de luta política e económica dos trabalhadores e, principalmente, a participação nas greves, que começaram a envolver massas mais amplas de trabalhadores. A crise económica de 1866 foi o factor principal no desenvolvimento dessas greves.

 

Sobre a crise de 1866 e respectivas greves:

 

As greves ocorridas entre 1866 e 1868 resultaram, em grande parte, da grave crise de 1866. Esta crise, que paralisou a indústria especulativa, levou vários empresários à falência devido às condições flutuantes do mercado financeiro, não estando em condições de cumprir as suas obrigações, firmadas num momento em que a onda especulativa estava no auge. Seguiu-se uma paragem total do comércio e a acumulação de ouro nos bancos, levando a economia à estagnação e à queda geral de preços (excepto no sector alimentar, onde se verificou o contrário). Outra das consequências foi, para além do óbvio aumento do desemprego, a redução dos horários de trabalho e consequente redução dos salários. A imprensa capitalista, a propósito das greves, insistiu na ideia de que a Primeira Internacional teria sido a principal instigadora.

 

Nas suas intervenções nas greves, a Associação teve 2 objectivos: impedir a importação de fura-greves e dar ajuda directa aos grevistas. Estas acções tornaram-na popular nos círculos da classe trabalhadora, que sentiam ter ao seu lado uma organização fiel ao proletariado e disposta a lutar bravamente pelos interesses dos trabalhadores. A este respeito, a greve dos trabalhadores do bronze em Paris (em Fevereiro de 1867) foi de grande importância. Numa situação de grande pressão exercida pelo patronato, foi pedida ajuda a Londres. O Conselho Geral, ciente de que os direitos dos trabalhadores estavam em causa, decidiu atribuir crédito ilimitado aos trabalhadores em causa e várias secções da Internacional noutros países juntaram-se aos companheiros franceses na luta. Em resultado disso, os patrões foram obrigados a fazer concessões. Na greve dos alfaiates ingleses, verificou-se de novo o espírito de entreajuda e solidariedade internacional. A Associação tinha sido então capaz de difundir entre as massas trabalhadoras o espírito e a prática da fraternidade do trabalho.

 

Os proudhonistas não ficaram agradados com o desenvolvimento do movimento grevista, que abalou com os seus ideais. Os pontos de vista dos seguidores de Proudhon eram agora vistos não como proletários, mas como pequeno-burgueses. Por outro lado, os britânicos estavam em destaque pelo apoio dado às greves e pelo facto de terem aprendido rapidamente a importância prática (e não só teórica) da Primeira Internacional.

 

A Associação, em resultado de tudo isto, ganhou novos afiliados, nomeadamente em França, Suíça, Bélgica e Itália.

 

 

Congresso de Lausanne – 1867

 

O congresso realizou-se entre 2 e 8 de Setembro de 1867. Estiveram presentes 71 delegados:

 

- 4 delegados membros do Conselho Geral;

- 2 delegados britânicos;

- 2 delegados italianos;

- 1 delegado belga;

- 6 delegados alemães;

- 18 delegados franceses;

- 38 delegados suíços.

 

Os seguidores proudhonistas, que estavam à beira da extinção, ganharam neste congresso um novo alento. Para tal contribuiu a fraca presença britânica e o apoio dos suíços de língua francesa.

 

Os pontos mais importantes da discussão foram os seguintes:

 

- Foi decidido o envio, por parte do Conselho Geral, de relatórios trimestrais para os comités dos diversos países e a criação de uma subscrição anual (paga trimestralmente) para o Conselho Geral.

 

- Um relatório efectuado por Charles Longuet (elemento proudhonista) recomendou a criação de bancos nacionais mutualistas para fornecer crédito gratuito aos trabalhadores. O crédito aos trabalhadores era visto como uma importante arma para a expansão da actividade cooperativa, tendo como objectivo final a emancipação da classe trabalhadora. Para evitar eventuais perigos no processo emancipatório, foi unânime a opinião de que o proletariado deve permanecer firmemente convencido de que a transformação social só pode ser efectuada de uma forma radical e definitiva por métodos que atuam na sociedade como um todo e em conformidade com a reciprocidade e a justiça.

 

- Em relação ao papel do Estado e interesses colectivos e individuais, foi adoptada uma resolução que apontava para a necessidade de todos os meios de transporte e de troca serem assumidos pelo Estado, com o objectivo de destruir o monopólio das grandes empresas. Esta perspectiva foi a primeira formulação concreta da ideia de colectivização dos meios de produção e de troca. De Paepe queria acrescentar à resolução um ponto a favor da nacionalização da terra. Contudo, após animada discussão, o ponto não foi incluído, tendo sido remetida a sua eventual incorporação para o congresso seguinte. Juntamente com a questão do Estado, surgiu a discussão acerca da necessidade ou não de envolvimento da classe operária na luta política, tendo sido definido, em resolução, que a privação de liberdade política era um obstáculo para a instrução social do povo e para a emancipação do proletariado e que a emancipação social dos trabalhadores não podia ser feita sem a sua emancipação política. O estabelecimento da liberdade política era, assim, absolutamente essencial como passo preliminar.

 

- Questões de guerra foram abordadas, com o Conselho Geral a repudia-las, para além de se declarar contra a existência de exércitos permanentes. Para a Associação, o fardo da guerra era sobretudo suportado pela classe trabalhadora e a paz armada paralisava as forças de produção, devido à ameaça permanente de conflito. O congresso emitiu ainda uma nota de apoio total ao Congresso da Paz, organizado pela Liga da Paz e da Liberdade e que se ia realizar a 9 de Setembro em Genebra. Marx, contudo, mostrava-se contra este entendimento entre a Primeira Internacional e a Liga da Paz e da Liberdade, que ele classificava como um grupo de charlatões da paz de índole burguesa.

 

- Por último, o congresso reelegeu o Conselho Geral, acrescentando um novo membro, oriundo do País de Gales e ligado à Liga da Reforma, uma organização criada para pressionar a existência de sufrágio universal na Grã-Bretanha. O congresso deliberou ainda que Bruxelas seria o local do próximo congresso.

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Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional (Parte 4)

 

Crescimento da Primeira Internacional

 

Após o Congresso de Lausanne, o crescimento da Associação acelerou e a sua influência estendeu-se a vários outros países, como a Áustria ou a Bélgica. O movimento grevista continuou a espalhar-se na Europa, proporcionando um solo favorável para a propaganda das ideias da Associação, que tentou intervir activamente em todas as greves, auxiliando os trabalhadores com dinheiro e conselhos. A única resposta dada pelo Governo em relação às reivindicações dos trabalhadores foi orquestrada com balas e baionetas. Após a derrubada da multidão faminta de Marchienne (Bélgica), o Conselho Geral fez um apelo em nome das vítimas e os trabalhadores britânicos responderam generosamente. Esta acção garantiu para a Primeira Internacional muitos apoiantes belgas.

 

Uma das greves mais célebres aconteceu na Primavera de 1868, por parte dos trabalhadores da construção civil de Genebra. As principais reivindicações eram o aumento em 20 % dos seus salários e a redução da jornada de trabalho de 12 para 10 horas. Perante a recusa dos patrões em discutir o assunto, os trabalhadores solicitaram ajuda à Primeira Internacional, que procurou negociar com o patronato. Mais uma vez, foi recusada qualquer tipo de negociação ou discussão, sobre o fundamento de que não tolerariam a interferência de uma organização externa nesta disputa. A partir daqui, o que começou por ser uma disputa entre os trabalhadores da construção e os seus empregadores, rapidamente evoluiu para uma guerra entre burguesia e proletariado. Foram concedidas aos trabalhadores em greve elevadas quantias monetárias e o Conselho Geral da Associação incentivou o apoio da população de Genebra à greve, facto que assustou fortemente a classe burguesa. Em resultado da forte pressão exercida, os empregadores acabaram por ceder, aumentando os salários em 10 % e reduzindo a jornada de trabalho para 10 horas. Esta greve aumentou o prestígio da Primeira Internacional e levou a uma notável expansão no número de membros. Também vários sindicatos uniram-se à Associação.

 

Contudo, nem só de aspectos positivos se fazia o desenvolvimento da organização. Na Grã-Bretanha, os sindicatos que estavam ligados à Associação viam-na como um meio para atingir os fins. A organização era vista como bastante importante no impedimento da importação de fura-greves estrangeiros, na ajuda da extensão do sufrágio e no fortalecimento do movimento cooperativo. Contudo, eles não tinham intenção de romper com a sociedade burguesa, antes pelo contrário. Eles estavam dispostos a comprometer-se com ela, desde que isso garantisse o futuro dos seus sindicatos. Em França, iniciou-se uma perseguição às estruturas locais da Associação, que foram ilegalizadas. Os seus membros foram multados ou mesmo presos.

 

Um outro acontecimento muito relevante no processo de crescimento da Associação foi a primeira participação de dois sectores do movimento operário alemão nas eleições para o parlamento da Alemanha do Norte, em Fevereiro de 1867. A Primeira Internacional, como um todo, falhou ao não ser a primeira a perceber o valor total desta forma de luta política.

 

 

Congresso de Bruxelas - 1868

 

O terceiro congresso da Primeira Internacional ocorreu em Bruxelas, entre 6 e 15 de Setembro de 1868. Estiveram presentes 99 delegados:

- 6 delegados membros do Conselho Geral;

- 18 delegados franceses;

- 5 delegados alemães;

- 7 delegados suíços;

- 2 delegados italianos;

- 1 delegado espanhol;

- 5 delegados britânicos;

- 55 delegados belgas.

 

O primeiro assunto a ser discutido foi a questão da guerra, criada pelos alemães tendo em vista a possibilidade de uma guerra entre Alemanha e França, uma ocorrência vista como provável no espaço de 2 anos. A pergunta foi formulada da seguinte maneira: "Que atitude cabe aos trabalhadores tomar em caso de guerra entre as potências europeias?". Nesta matéria, o congresso aprovou uma resolução com os seguintes pontos:

- A justiça deve regular as relações entre os grupos, povos e nações, tanto quanto entre os cidadãos;

 

- Embora a causa principal e persistente da guerra é a falta de equilíbrio económico, e que, portanto, nada pode pôr fim à guerra senão a reorganização social, uma causa adicional da guerra é o uso arbitrário da força que resulta da centralização e do despotismo;

 

- São, portanto, os povos que podem, doravante, diminuir a frequência dos episódios de guerra, opondo-se àqueles que fazem a guerra ou declaram guerra;

 

- A vida social não pode ser feita no caso da produção ser suspensa por um certo tempo. Assim, basta que os produtores cessem a produção para que se coloque um travão às empresas dos governos pessoais e despóticos;

 

- A Associação Internacional dos Trabalhadores convida todas as secções nos seus respectivos países, todas as sociedades da classe trabalhadora e todos os grupos de trabalhadores ou de qualquer outra espécie, para tomar a acção mais vigorosa com vista a evitar uma guerra entre os povos, que hoje não é mais do que uma guerra civil, já que, uma vez que seria travada entre os produtores, seria apenas uma luta entre irmãos e cidadãos;

 

- O Congresso tem confiança suficiente no espírito de solidariedade que anima os trabalhadores de todas as terras e a esperança de que o seu apoio não faltará a esta guerra dos povos contra a guerra.

 

Ainda sobre a questão da guerra, o congresso teve que definir a sua atitude para com a Liga da Paz e da Liberdade. A Internacional tinha sido novamente convidada a enviar uma delegação oficial ao 2º congresso da Liga. O congresso decidiu-se dissociar-se da Liga e não enviar uma delegação oficial. Contudo, os membros da Liga foram convidados a tornarem-se membros das secções da Primeira Internacional.

 

Uma questão que havia sido discutida nos 2 congressos anteriores da Associação foi reconsiderada neste congresso: a instrução integral dos trabalhadores. Chegou-se à conclusão que era impossível, no momento actual, organizar um amplo sistema nacional de ensino. Por isso, o congresso solicitou às várias secções a criação de cursos públicos de estudo, de acordo com um programa científico, técnico, educacional e produtivo, de forma a mitigar, dentro do possível, os defeitos da educação efectivamente recebida pelos trabalhadores. Como é evidente, a redução do dia de trabalho continuava a ser considerada uma condição prévia indispensável. Esta proposta foi unanimemente aceite.

 

No que diz respeito à mutualidade do crédito, os britânicos e os alemães eram contra a proposta efectuada pelos proudhonistas. Contudo, foi conseguida uma maioria que aprovou a resolução a favor da fundação de bancos mutualistas, com o objectivo de fornecerem, democraticamente, crédito em igualdade de condições a todos, com o objectivo de atingir o trabalho livre do domínio do capital. O congresso recomendou a discussão da resolução por parte de todas as secções da Associação, reservando a decisão final para o congresso seguinte.

 

Em relação à questão da cooperação, o comité do congresso expressou indignação com o espírito comercial exibido tanto pela cooperativas de produção como pelas de distribuição, propondo ao congresso uma resolução que indicasse às cooperativas os métodos a seguir, de forma a estarem de acordo com os princípios da Primeira Internacional e perseguirem o único objectivo de remover os meios de produção das mãos dos capitalistas para os de seus verdadeiros donos, os trabalhadores. A resolução continha os seguintes apontamentos:

- Toda a sociedade baseada em princípios democráticos rejeita qualquer tipo de imposição, qualquer que seja a sua forma, feita em nome do capital, seja ela uma renda, interesse ou lucro, deixando assim ao trabalho todos os seus direitos e a sua plena recompensa;

 

- As máquinas têm sido um dos mais poderosos instrumentos de despotismo e extorsão nas mãos do capitalista e os desenvolvimentos que ela traz são essenciais para a criação das condições necessárias para a substituição do sistema assalariado por métodos genuinamente sociais de produção. Além disso, as máquinas não vão estar ao serviço dos trabalhadores até que uma organização mais justa da sociedade o incentive;

 

- O congresso declara que só por meio de cooperativas e através da organização de crédito mútuo o produtor pode ser capaz de ganhar a posse de maquinaria e que os trabalhadores devem ter uma palavra a dizer em relação à introdução de máquinas nas empresas.

 

Em relação à temática da greve, a secção de Liège, fortemente influenciada pelos proudhonistas, revelou a sua oposição, descrevendo-a, em princípio, como um mal e quase sempre desastrosa nos seus efeitos. A secção de Bruxelas, não se demarcando da teoria proudhonista, procurou encontrar justificações para o recurso à greve. Por muito que fosse criticável, a greve era, reconhecidamente, um acto inevitável no contexto social contemporâneo. Tolain disse: “A greve é um acto de guerra mas, lado a lado com uma guerra má e injusta praticada por outros agentes económicos, é uma guerra em que as pessoas estão a defender os seus direitos, tornando-a uma guerra santa.”. O congresso revelou ainda a sua oposição à formação de conselhos de arbitragem para decidir sobre a oportunidade e a legitimidade da greve, com igualdade de representação entre empregadores e trabalhadores. O congresso considerava que esses conselhos de arbitragem deviam apenas consistir em trabalhadores organizados numa estrutura sindical. Além disso, o congresso declarou que, apesar das greves não poderem garantir a completa emancipação dos trabalhadores, eram muitas vezes necessárias de acordo com as condições reais da luta entre o trabalho e o capital. Surgiu ainda a recomendação de implementação de sindicatos em áreas de negócios que ainda não os possuíam.

 

Por último, a questão da propriedade da terra. Uma comissão especial de 9 membros elaborou uma resolução declarando que minas, pedreiras, caminhos-de-ferro, terras cultiváveis, florestas, canais, estradas, telégrafos e outros meios de comunicação deviam fazer parte da comunidade. Os proudhonistas, embora preparados para aprovar a socialização das máquinas e dos meios de produção industrial, opuseram-se definitivamente ao comunismo agrário. Contudo a oposição foi infrutífera, com a resolução a ser aprovada. Tendo em conta as diferenças amplas de opinião sobre a resolução, que marcou uma época no desenvolvimento do socialismo internacional, foi decidido que a questão deveria ser estudada mais uma vez e discutida de novo no próximo congresso.

 

Foram eleitos novos nomes para o Conselho Geral (Applegarth, Cowell Stepney, Johannard, Cohn, entre outros) e o local do próximo congresso foi fixado em Basileia.

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Estava aqui a ver o tópico e reparei no mapa chinês que o Puro falou.

Ora, sendo eu um estudante de Estudos Asiáticos, obviamente que já ouvi falar isto e vale a pena atalhar por aqui.

Os Chineses de facto tinham um enorme conhecimento do mundo, por volta do Século XV. Eram a potência hegemónica na Ásia em todos os domínios (comercial, financeiro, diplomático, político e por ai fora) tinham contactos com o continente africano e também com a Europa.

Aliás as próprias viagens do Zheng He eram sobejamente conhecidas (Zheng He ficou conhecido na Ásia Central e no Médio Oriente como Sanbao, dando origem à lenda do Sinbad que todos conhecemos) contudo estas viagens eram apenas a pontinha do icebergue.

Como é do conhecimento geral (porra, basta andar na rua e ver as milhentas lojas de Chineses :mrgreen: ) o povo Chinês sobretudo no Sul e na zona de Cantão, sempre foi um povo de emigrantes criando todo o chamado "Império Invisível" da Diáspora Chinesa.

Como explicar então o facto de eles depois terem ignorado esses conhecimentos cartográficos e de termos sido nós a chegarmos à Ásia em primeiro lugar e não o oposto.

Isto motiva-se por vários razões.

Em primeiro lugar, a China era um território (não lhe vou chamar país pelo facto da noção de país, para os Chineses ter apenas surgido no fim dos Qing e no início da República nos fins do Século XIX e princípios do XX) bastante mais rico que a Europa, tinha recursos e tinha uma enorme mão de obra. Por essa razão não tinha que ir procurar recursos no Ultramar.

Em 2º lugar, como já foi dito anteriormente, a China era a potência hegemónica e como tal, não precisava de procurar coisas em terras desconhecidas (entre os estados tributários arranjava-se sempre algo útil).

Em 3º lugar, os Europeus quando desembarcaram na China (os Portugueses, em 1º lugar, seguidos por outros) criaram uma péssima imagem (éramos antropófagos entre outros adjectivos "fofinhos") e sobretudo estabeleceram uma grande ligação com os Ming do Sul.

Com o advento da Dinastia Ming, no Século XVII, os Chineses desincentivaram o contacto directo com os povos Europeus e decidiram esconder essa cartografia (muito embora, depois tenham recebido outra mais avançada feita por Europeus de comitivas como as de Matteo Ricci) para evitar esses contactos directos.

Assim, os contactos passaram a ser feitos através de portos estratégicos, como Malaca ou Macau (entregue aos Portugueses para mediar o negócio da prata com o Japão, por exemplo).

Este isolamento também foi seguido pelo Japão, no Período Tokugawa.

 

Consequências para a China: A Europa desenvolveu-se e a partir do Século XIX tornou-se (pela 1ª vez na História) mais rica e poderosa que a China e conseguiu exercer uma influência que culminou com uma ocupação efectiva de alguns territórios Chineses, com os tratados desiguais etc.

 

Desde então a China tem sempre tentado desenvolver-se como forma de se "vingar" dessas humilhações do Século XIX, sendo o grande objectivo dos finais da Dinastia Qing (que recorde-se não era Chinesa mas Manchu) dos Republicanos, dos Nacionalistas e por fim, dos Comunistas. Mas isso fica para outras calendas :mrgreen:

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Ou seja, é bastante provável que tendo os meios "para", não se tenham feito ao mar como indicado por aquelas teorias. O que é plausível, pois uma viagem daquela dimensão teria mais do que indícios duvidosos.

 

Fez ontem, dia 15 de Julho, 914 anos que os Católicos conquistaram o Santo Sepulcro em Jerusalém. Segundo os relatos, a matança batalha foi de tal forma violenta que ao final do dia o sangue formava um rio nas ruas que chegava aos tornozelos dos Cruzados. Embora seja provável que estes relatos sofram de alguma hiperbolização para reforçar a ideia de ter havido imensas mortes, há relatos fidedignos dos abusos cometidos - os mais impressionantes, em minha opinião, são os que referem que os locais (muçulmanos, judeus e também cristãos) engoliram ouro para que não lho roubassem e os Cruzados cortaram-nos, literalmente, ao meio, para apanhar todas as peças preciosas de dentro dos seus corpos. Após esta batalha formou-se o primeiro Reino Latino de Jerusalém: Godofredo de Bouillon foi o seu primeiro "líder"; o seu irmão, Balduíno de Bolonha, foi o primeiro rei "per se" deste território. O reino durou quase 200 anos na posse dos cristãos.

 

Achei que os Católicos gostassem de saber :tongue:

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Muito bom, nem sabia que eles tinham descrição de mais batalhas.

 

Só tenho pena que eles não se afastem dos mitos criados em algumas batalhas, principalmente na de Aljubarrota, mas já era pedir demais.

Estava a perscrutar o tópico quando me deparei com este post. Que mitos de Aljubarrota Puro?

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A táctica do quadrado é mais um dos mitos da nossa história, como aliás quase tudo que envolve a batalha de Aljubarrota. A disposição táctica dos portugueses foi uma cópia da táctica que os ingleses usaram com sucesso nas batalhas de Crécy e Azincourt: infantaria apeada com lanças no centro, arqueiros - os longbowmens ingleses - e besteiros nas alas protegidos por estacas e fossos. Basicamente, a formação portuguesa era parecida com isto:

 

Arqueiros..............................................................Arqueiros

....Arqueiros.......................................................Arqueiros

......................Infantaria Infantaria Infantaria

 

Ou seja, nós nem usámos quadrado, nem usámos uma táctica nova. No que tivemos muito mérito foi na preparação da batalha: soubemos escolher o local perfeito, provocar os castelhanos a atacar no momento certo - errado para eles - e na hora perfeita: eles ficaram de frente para o sol, numa hora de muito calor em pleno Agosto, numa zona baixa em que tinham de subir uma ladeira para chegar aos portugueses, com fossos, covas-de-lobo e estacas pelo caminho. Ainda por cima a maior parte do exército franco-castelhano estava perdido no meio do matagal porque o exército português os obrigou a fazer um corta-mato, de maneira que a maior parte deles não teve tempo de chegar ao campo de batalha antes da vitória portuguesa.

 

E há a padeira, que obviamente não foi uma figura real.

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Os espanhóis tentarem ganhar sem os treinos do Zimene também é simplesmente ridículo, perderam e com justiça.

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Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional (Parte 5)

 

Comunismo vs. Proudhonismo e Enraizamento da Primeira Internacional na Sociedade

 

À medida que o tempo foi passando e sobretudo após o congresso de Bruxelas, as ideias comunistas implementaram-se entre a maioria dos seguidores da Primeira Internacional. No congresso de Bruxelas, os comunistas garantiram uma vitória notável. Para além de representarem a maioria dos delegados presentes, pela primeira vez a Primeira Internacional declarou-se abertamente a favor do comunismo, mesmo o comunismo agrário. Embora a questão da propriedade privada da terra não tivesse importância prática imediata, foi de enorme importância teórica e de importância teórica especial para os proudhonistas, no qual as realidades da luta e as modificações de pontos de vista foram minando a fé implícita nas suas capacidades.

 

No entanto, Marx e Engels não estavam absolutamente satisfeitos com os resultados do congresso, apesar de reconhecerem que um avanço considerável havia sido feito. Nesta altura, ainda não havia, na verdade, uma noção muito exacta de quão grande tinha sido a derrota infligida aos proudhonistas. Estes, por outro lado, ficaram preocupados com este triunfo do comunismo, pois isso representaria, provavelmente, o fim das suas próprias concepções ideológicas. A partir do congresso de Bruxelas, a importância da reacção de qualquer grupo de proudhonistas tornou-se irrelevante e os discípulos fiéis da doutrina foram reduzidos ao papel de críticos malévolos mas impotentes num movimento que perdia a sua influência.

 

O avanço real do movimento operário foi desmentindo a teoria de Proudhon. O amplo desenvolvimento da teoria da classe trabalhadora e a sua tendência geral de seguir a via do colectivismo (comunismo) fez os proudhonistas parecerem um vestígio fútil e até mesmo ridículo de dias anteriores. O programa de mutualismo tinha sido completamente destruído. Na prática, pouco mais se ouviu falar dele depois do congresso de Bruxelas. Agora que a necessidade da propriedade estatal dos meios de produção tinha sido reconhecida, com o corolário de que a classe trabalhadora devia aproveitar a autoridade do Estado, as ideias de alguns dos proudhonistas sofreram uma dura contrariedade. Ainda assim, no meio de todo este processo, começaria a desenhar-se um novo proudhonismo de esquerda.

 

Graças à sua propaganda activa, ao zelo incansável dos seus membros, às numerosas greves cujo sucesso era assegurado pelo seu trabalho, reuniões, jornais e manifestos, à sua poderosa organização, aos seus métodos de filiação e aos recursos disponíveis, a Associação continuava a evidenciar um progresso rápido.

 

O movimento grevista continuou activo durante 1869, espalhando-se um pouco por toda a Europa (Bélgica, Grã-Bretanha, França, Suíça ou Bélgica). Os conflitos assumiram um carácter mais agudo e, frequentemente, foram sinalizados pela intervenção das forças armadas do Estado, como é exemplo a greve dos mineiros britânicos ou das fiandeiras de seda francesas. Fiel às suas tácticas, a Primeira Internacional tentou participar activamente em todos estes desenvolvimentos do movimento de massas dos trabalhadores.

 

Consequentemente, a sua autoridade aumentou continuamente e o número de membros foi crescendo. Na Bélgica, o número de membros ultrapassou os 60 mil, enquanto na Hungria vários grupos socialistas aderiram à organização. Na Áustria, apesar da Associação ser ilegal (devido à impossibilidade de funcionamento de organizações estrangeiras naquele país), influenciou o movimento operário a assumir uma forma revolucionária mais vincada, para além do crescimento no número de apoiantes. Em Amesterdão (Holanda), foi formada, em 1869, a primeira filial da Associação, que se mostrou desde logo importante, nomeadamente no apoio à greve dos carpinteiros. A União Nacional do Trabalho (organização norte-americana) decidiu, em Agosto de 1869, enviar um representante oficial ao congresso da Primeira Internacional em Basileia.

 

 

Congresso de Basileia

 

O quarto congresso da Associação Internacional dos Trabalhadores teve lugar em Basileia, entre 6 e 12 de Setembro de 1869. Fizeram parte 75 delegados:

- 6 delegados britânicos;

- 26 delegados franceses;

- 5 delegados belgas;

- 2 delegados austríacos;

- 10 delegados alemães;

- 22 delegados suíços;

- 1 delegado italiano;

- 1 delegado espanhol;

- 1 delegado norte-americano;

 

Uma das questões mais marcantes em discussão foi a da legislação directamente encetada pelo povo (referendos e iniciativas populares, por exemplo). Os principais percursores da discussão, os delegados de Zurique, tinham visto o referendo ser introduzido na sua Constituição e consideravam que esse aspecto poderia ajudar a resolver várias questões de índole social, tentando assim familiarizar a Primeira Internacional acerca das vantagens inerentes ao processo. Bakunin e Hins opuseram-se à sugestão, uma vez que eram da opinião que a organização não devia participar em qualquer movimento político visando apenas a reforma do Estado burguês. A paixão emanada durante a discussão deste assunto foi ominosa, indicando que a Associação suportava, nesta altura, duas tendências políticas incompatíveis. Esta temática foi, portanto, uma antecâmara das divisões que estavam prestes a surgir dentro da organização.

 

Acerca da união dos trabalhadores em torno da Associação, todos reconheceram que era necessário reforçar esses laços e fortalecer o Conselho Geral, que era o elo de ligação entre eles. O congresso, desejando aumentar a unidade e a estabilidade organizacional da Primeira Internacional, adoptou uma resolução com os seguintes pontos:

- Cada nova secção ou sociedade que vem à existência e deseja juntar-se à Internacional, deve notificar imediatamente o Conselho Geral da sua adesão;

- O Conselho Geral tem o direito de aceitar ou recusar a filiação de cada nova sociedade ou secção, podendo ser objecto de recurso para o próximo congresso;

- O Conselho Geral, antes de aceitar ou recusar a filiação de uma nova secção ou sociedade, deve consultar o grupo, mantendo o seu direito de decidir o assunto provisoriamente;

- O Conselho Geral tem o direito de suspender, até o próximo congresso, uma secção da Internacional;

- Em caso de quaisquer disputas que possam surgir entre as sociedades ou secções de um grupo nacional ou entre os respectivos grupos nacionais, o Conselho Geral serve de mediador.

 

Sobre a questão da propriedade da terra, um comité especial composto por catorze membros submeteu duas resoluções para o Congresso:

- O congresso declara que a sociedade tem o direito de abolir a propriedade individual da terra, tornando-a propriedade comum;

- O congresso declara ainda que é essencial hoje que a terra seja propriedade comum.

Os proudhonistas parisienses reuniram-se para a defesa da propriedade privada da terra, mas não conseguiram exercer qualquer influência no rumo das votações das duas resoluções, que revelaram largas maiorias a favor. No que diz respeito à forma pela qual a sociedade deve organizar a produção agrícola, houve diferenças de opinião mas a maioria considerou que "o solo deve ser cultivado e explorado num ambiente de partilha e solidariedade”. Contudo, uma decisão ou votação foi adiada.

 

Outra temática importante gerou divisões no congresso: o direito à herança. De um lado, Bakunin defendia a abolição imediata do direito à herança, uma vez que constituía uma característica essencial da propriedade individual, contribuindo para a passagem da propriedade da terra e da riqueza social entre poucos em detrimento de muitos, sendo, consequentemente, um dos mais graves obstáculos à colectivização das terras. O direito à herança era, assim, um privilégio injusto e uma ameaça permanente à equidade social. Tendo o congresso adoptado o princípio de propriedade colectiva, seria lógico, para Bakunin, concordar com a abolição completa e radical do direito à herança. De outro lado, Marx via o direito à herança não como a causa, mas como o resultado legal do sistema económico existente. A abolição do direito à herança não podia servir-se como o ponto de partida da transformação social, pois a tentativa de trazer essa sequência seria falacioso na teoria e reaccionária na prática. O direito à herança só poderia ser atacado com sucesso durante uma fase de transição social, quando o proletariado alcançasse suficiente poder político para efectuar modificações radicais no sistema vigente. Assim, Marx era contra a abolição imediata do direito à herança. As votações sobre este assunto não foram conclusivas e nada foi decidido ou adoptado, portanto. Bakunin tinha então vencido esta pequena batalha perante Marx.

 

Sobre a importância dos sindicatos para o movimento da classe trabalhadora, a unanimidade foi restaurada. Todos os delegados chegaram a acordo quanto à necessidade de organização dos sindicatos e a formação de laços internacionais entre eles. Foram defendidos os pontos de vista criadores do que posteriormente ficou conhecido como "sindicalismo revolucionário". Uma federação de várias organizações da classe trabalhadora, agrupadas localmente e de acordo com as cidades a que pertenciam, constituiriam a comuna do futuro, uma federação de sindicatos industriais que constituiriam o futuro método de representação dos trabalhadores. Os conselhos e comissões regulariam as relações de trabalho que substituiriam as relações políticas existentes.

 

As questões dos créditos e da educação foram adiadas para o próximo congresso. Foi decidido que este se realizaria em Paris.

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Malta, já venho atrasado mas está a ser lançado no Expresso uma colecção com sete volumes intitulada "Grandes batalhas da nossa História". Foi ontem, sábado, lançado o primeio volume e comprei naquela da curiosidade; do que vi até ao momento está muito bom, é um volume pequeno, escrito de forma acessível e assertiva, por grandes especialistas da área e com o carimbo da Academia Portuguesa de História.

 

Para quem gostar de História Militar, aconselho vivamente. Eu próprio vou fazer a colecção completa.

 

21 Setembro: "A Definição de Fronteiras: 1096 - 1297"

27 Setembro: "Aljubarrota"

05 Outubro: "O Sonho da União Ibérica"

12 Outubro: "A Perda da Independência"

19 Outubro: "Restauração"

26 Outubro: "Guerra Peninsular"

02 Novembro: "Grande Guerra"

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É grátis, sim, pelo menos o primeiro volume foi e tinha a caixa arquivadora, uma mais-valia para quem gostar de ter os livros arrumados numa estante depois de os ler.

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Pessoal, ontem com uma conversa que surgiu à hora do jantar fiquei com curiosidade sobre a Guerra Fria. Alguém me pode dar umas luzes? O que a despoletou? Como foi resolvida? :compinchas:

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