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Mesut Ozil

Querido, vou mudar de casa

Publicações recomendadas

Citação de Robe, há 19 horas:

Desculpem o offtopic (Não sei se é neste tópico)

Quero colocar AC com duas máquinas e queria ter noção +/- do que esperar para começar a pedir orçamentos. Alguém passou pelo processo e consegue dar-me uma ideia? Não tenho pré-instalação.

Sem pré-instalação, coloquei 3 máquinas com 2 caixas exteriores em julho, antes do iva ter passado de 6 para 23%.

Foram 2600€

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Citação de Robe, há 19 horas:

Desculpem o offtopic (Não sei se é neste tópico)

Quero colocar AC com duas máquinas e queria ter noção +/- do que esperar para começar a pedir orçamentos. Alguém passou pelo processo e consegue dar-me uma ideia? Não tenho pré-instalação.

4 mil euros aqui (sem IVA), também sem pré instalação. 4 ACs gree pular monosplit, 3 de 12k Btu e 1 de 24k Btu. Instalação direta com a máquina exterior atrás da unidade interior e com tomada no local da instalação, se fosse para meter as máquinas no telhado eram mais 1500€. O engraçado é que um amigo meu tinha pré instalação e pagou 7 mil com o mesmo instalador e mesmas potências porque foi obrigado a meter unidades de cassete, porque era o que estava pré instalado, por isso nem sempre isso é vantajoso.

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Olá! Trabalhador Colaborador do comércio na área da bricolagem e cosntrução aqui.

Agora vão sentir uma grande diferença no preço porque o iva a 6% abrangia não só o equipamento como os complementares.
Recordo ainda que se não podes comprar o AC e depois ver quem é que te vais instalar o equipamento. Quando compras precisas de assinar um documento (DCI) em que é preciso dizer quem é a pessoa certificada que vai fazer o trabalho.

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Citação de pm2lp, há 4 minutos:

O engraçado é que um amigo meu tinha pré instalação e pagou 7 mil com o mesmo instalador e mesmas potências porque foi obrigado a meter unidades de cassete, porque era o que estava pré instalado, por isso nem sempre isso é vantajoso.

Isto tem um bocadinho que se lhe diga. Por estar pré-instalado não significa que as ligações já lá estivessem, muitas vezes significa "só" ter sitio destinado para as Unidades Interiores e Exteriores mais o caminho preparado para essas mesmas ligações. Acrescento também que ter unidades embutidas significa não ter masmarros no meio do espaço (para além de feiosos, mais expostos a pó e a tudo o que lhes possamos pousar em cima/à frente) e, deduzo, significa que as unidades exteriores não estarão espetadas logo atrás pelo exterior, mas sim num sitio dedicado em que não sejam tão visíveis e o barulho incomode menos. 

Não sem se isto se traduz nos +- 3k que referes de diferença, mas mais vantajoso é com certeza.

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Aqui aproveitei para comprar no último dia do IVA reduzido.

Penso que duas unidades + unidades exterior ficou nos 500€. Comprei na Castro Eletrónica.

Depois, andei a ver instaladores e todos pediram 1000€ para cima 🤣

Arranjei um que me fez por 70€, não tem certificado. 

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Citação de Alonso., há 2 horas:

Aqui aproveitei para comprar no último dia do IVA reduzido.

Penso que duas unidades + unidades exterior ficou nos 500€. Comprei na Castro Eletrónica.

Depois, andei a ver instaladores e todos pediram 1000€ para cima 🤣

Arranjei um que me fez por 70€, não tem certificado. 

Ou seja, se acontece alguma coisa devido ao ar condicionado, esquece lá os seguro e isso tudo

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Citação de Mafia_SCP, há 56 minutos:

Ou seja, se acontece alguma coisa devido ao ar condicionado, esquece lá os seguro e isso tudo

Não tenho garantia. Ar condicionado estraga fico sem direito a reclamar. No entanto ao preços que eles andam, para mim não me compensava sequer estar a pagar +1000 euros de instalação.

Houve um que até me queria levar dinheiro para carregar o AC 🤣

Ainda por cima uma instalação que os tubos tiveram menos de 3 metros. Rasguei a parede, o homem veio fazer as ligações.

Se avariar compro outro.

Editado por Alonso.

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Citação de Alonso., há 1 hora:

Não tenho garantia. Ar condicionado estraga fico sem direito a reclamar. No entanto ao preços que eles andam, para mim não me compensava sequer estar a pagar +1000 euros de instalação.

Houve um que até me queria levar dinheiro para carregar o AC 🤣

Ainda por cima uma instalação que os tubos tiveram menos de 3 metros. Rasguei a parede, o homem veio fazer as ligações.

Se avariar compro outro.

Por acaso achei a instalação mais complexa e demorada do que eu imaginava, testaram o tubos todos para fugas, depois a bomba de vácuo em cada unidade, no fim andaram com termometros a testar e calibrar tudo, se te fizeram isso por 70€ roubaste a pessoa em questão. 

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Li, nas últimas páginas, várias coisas interessantes e que gostava de comentar.

  1. Há uma forma simples de ver se os bancos acreditam na subida ou na descida das taxas de juro. Vejam os depósitos a prazo dos vossos bancos. Tendencialmente, os depósitos (ou outro género de aplicações) a prazos mais alargados tendem a ter taxas mais interessantes do que a prazos mais curtos, uma vez que garantem que o dinheiro fica do lado do banco mais tempo e o banco tem mais previsibilidade na sua actividade. Quando isto inverte, é sinal que os bancos acham que as taxas vão baixar. O meu banco oferece, neste momento, uma taxa menor a 6 meses do que a 3, o que significa que, claramente, acredita numa continuada descida das taxas de juro. No entanto, não se acreditem quando vos dizem que as taxas vão voltar a ser negativas. Isso são vendedores da banha da cobra. Ninguém consegue prever isso, salvo erro, taxas de juro negativas ocorreram uma vez e em consequência de duas crises brutais, do subprime e das dívidas públicas de vários países e será muito mau sinal se voltar a acontecer.
  2. Taxas fixas vs taxas variáveis - notem uma coisa, os bancos sabem mais disto do que o comum dos mortais. Em 90 e tal % dos casos, quem faz crédito a taxa variável vai pagar menos juros no longo prazo. Mas tem muito menos estabilidade, muito menos previsibilidade e dorme muito menos descansado. A taxa fixa significa pagar para ter menos risco e pode ser que se tenha sorte. É uma opção perfeitamente legítima. E, nunca se esqueçam, ninguém é obrigado a ficar com o crédito no mesmo banco até ao fim. Vão a outros bancos, usem plataformas tipo doutor finanças e conseguem mudar sem custos. É só mesmo as chatices e a burocracia que isso dá;
  3. O eterno problema da falta de casas. Há uma coisa que as pessoas tendem a esquecer-se, as casas são bens imóveis. Ou seja, se eu precisar de uma bicicleta e, por qualquer motivo não houver bicicletas no Porto, eu posso mandar vir de Coimbra, do Algarve ou da Alemanha. Mas se há falta de casas no Porto eu não posso mandar vir uma casa de uma aldeia que já só tem três habitantes perdida na Beira Baixa. E, portanto, conclusões como "há x casas em falta e há x-y airbnb ou x-z casas devolutas em Portugal" não funcionam e não fazem sentido. Na terrinha junto ao mar onde passo férias desde que nasci e onde os meus pais têm uma casa que foi constuída pelos meus avós, há vários airbnb. Um deles, o mais antigo, é uma casa que eu não me lembro de ver habitada, nem como casa de férias. Passei 30 anos da minha a ver aquela casa abandonada e a cair aos bocados. Hoje é um airbnb. Adiantava tirá-la desse mercado e metê-la à venda ou no mercado de arrendamento convencional? Provavelmente não. Quem a iria comprar seria alguém que queria uma segunda casa, para passar férias ou f-d-s, relativamente perto do Porto. Eu continuo na minha, e ainda ninguém me convenceu do contrário, o Estado deve actuar no mercado imobiliário como um actor igual a qualquer um de nós. Se o Estado começar a inundar o mercado de habitação com casas para as pessoas viverem, nem sequer precisa de baixar artificialmente os preços. Se essa oferta nova for suficiente para equilibrar a diferença entre procura e oferta de habitação, os preços baixam, naturalmente. Se não for, pelo menos o Estado ganha uma colossal fonte de receitas adicional, que lhe permite investir em vias de comunicação, habitação social, etc. Portugal ganha em qualquer dos cenários.
Editado por Tio Hans
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Citação de pm2lp, há 29 minutos:

Por acaso achei a instalação mais complexa e demorada do que eu imaginava, testaram o tubos todos para fugas, depois a bomba de vácuo em cada unidade, no fim andaram com termometros a testar e calibrar tudo, se te fizeram isso por 70€ roubaste a pessoa em questão. 

Não é roubar. Depende do sistema que estás a instalar. Da complexidade, etc.

O AC já vem carregados (distâncias pequenas 3/4Metros), ou seja é acima de tudo ligar tubagens e ver o local ideal de instalação.

Simplesmente fiz as furações e rasguei a parede e chão exterior não pretendia ter aquelas calhas. Passei o tubo, rebocar a parede e aproveitei para pintar (exterior) no interior ficou perto da furação nao tive que andar com obras.

Ainda passei fios da luz para meter o AC com um disjuntor próprio.

Por menos de 3 metros não tens de andar com testes xptos as máquinas já vem preparadas, nem precisas de fazer vácuo nisso.

Eu só dei a minha experiência para quem pretender fazer uma instalações com pouca distância do local interior e que saiba fazer o "mínimo" consegue poupar uns trocos.

Editado por Alonso.
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Vejo com muita dificuldade um cenário em que a situação do mercado normalize realmente sem ser com mexida artificial dos valores praticados e/ou limitação de investimento externo, nem que seja condicionado a determinadas zonas estratégicas. Da maneira como as coisas estão a funcionar aumentar a oferta só fará com que venha mais e mais procura com poder incomparavelmente superior ao cidadão comum em Portugal. 

No meu prédio tenho dois apartamentos que são ocupados para arrendamento de "curta duração", as in, só aceitam pessoas por um mínimo de 1 mês até ao máximo de 10 meses. Se abrir o site deles vejo mais uns 50 apartamentos espalhados em Lisboa. Se pensar num número comedido de empresas que praticam a mesma filosofia, o número de apartamentos em zonas residenciais (reforço para não andarmos a falar só de zonas propicias à segunda habitação, por exemplo) chega a totais assustadores. 

São muitas casas que na verdade mal chegam a entrar no mercado e que tornam esse aumento de oferta uma falácia se tal não for minimamente regulado. Isto é apenas um micro-exemplo, sei chegar aos Airbnbs, alojamento local, prédios e andares alocados a hosteis e, porque também importa, os chicos-espertos que remodelam o apartamento da avó que passou de t2 a t5 para ser alugado ao quarto. É a selva total, fazendo o exagero, e isso impossibilita que a lógica seja identificada como "excesso de procura portanto é aumentar a oferta". Parece-me demasiado simplista.

Eu não percebo de política a esse ponto portanto tenho muita dificuldade em propor soluções reais, mas continuo a achar que isto só vai lá com estratégias de fundo, e não com encharcar o mercado de mais oferta. Fazendo uma analogia com futebol, se eu estiver com falta de golos não é por encher o 11 de avançados que vou lá. 

Além de que às vezes até me assusto com esta história do fazer duplicar e triplicar o parque habitacional em tempos record. Se a qualidade de habitação na Casa comum em Portugal é o que é, eu até me benzo de pensar no estado em que vão estar metade destes apartamentos lambidos a gesso cartonado a esconder sabe-se lá o quê e todos corridos a caixilhos de pvc para criar ninhos de húmidade e fingir que assim resolvemos o problema térmico das casas...

Editado por Modulor

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Citação de Su1, Em 14/09/2025 at 08:43:

O timing para isso foi perfeito. 😅

Aproveito para partilhar a minha experiência de alguém que tem direito ao crédito jovem. É fixe não pagar IMT e imposto de selo, aí poupei logo ~7k mas os 100% financiamento não quer dizer que não precisem dos 10% de entrada. Eu por acaso tinha mas não queria mexer em poupanças, até que descobri que teria a possibilidade de dar os 10% de entrada mas ter na mesma o 100% de financiamento, sendo que recupero esse valor aquando a escritura. Só alguns bancos permitem, sendo o meu um deles (Montepio).

Por isso, não se iludam muito com os 100% de financiamento. Quem está a vender quer na mesma o sinal. Mesmo que não queira, vai aparecer alguém que dá e optam por essa proposta.

Depende sempre do vendedor. Eu beneficiei dos 100% e não tive que dar os 10%. Dei um sinal de 10k no CPCV que depois me foi devolvido na escritura e o banco pagou os 100% ao vendedor.

Mas sim, é muito difícil sem entrada na mesma. "Perdemos" vários negócios por causa disso, mas acabamos por ter sorte e comprámos a casa que gostamos mais LOL 

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E filtros/emulsores para torneiras retangulares? Onde arranjar?

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Vou meter 2 AC no apartamento e o eletricista recomendou HTW ou Jocel relação qualidade-preço.

Alguém conhece?

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Vou fazer a escritura dia 11, vamos embora. Comprei um T3 em Abril de 2022 por 225k, e foi avaliado esta semana por 405k. Parabéns aos envolvidos, está bonito isto.

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Citação de Solero, há 21 horas:

Vou fazer a escritura dia 11, vamos embora. Comprei um T3 em Abril de 2022 por 225k, e foi avaliado esta semana por 405k. Parabéns aos envolvidos, está bonito isto.

Comprei quase na mesma altura um T2. Vai fazer 4 anos agora, Dezembro 2021.

Primeira impressão: hey foi bom negócio, valorizou pa crl

Pensando mais do que 5 segundos nisso: fdx devia era ter esticado para um T3 na altura, agora um dia que queira um T3 tou f*dido

É daquelas coisas que à primeira vista parece bom mas no fundo estás a ser enr*abado. Só que ainda beneficias dum pouco de vaselina, o pessoal que não conseguiu comprar nada é sem vaselina mesmo.

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Citação de noikeee, há 3 horas:

Comprei quase na mesma altura um T2. Vai fazer 4 anos agora, Dezembro 2021.

Primeira impressão: hey foi bom negócio, valorizou pa crl

Pensando mais do que 5 segundos nisso: fdx devia era ter esticado para um T3 na altura, agora um dia que queira um T3 tou f*dido

É daquelas coisas que à primeira vista parece bom mas no fundo estás a ser enr*abado. Só que ainda beneficias dum pouco de vaselina, o pessoal que não conseguiu comprar nada é sem vaselina mesmo.

Eu andava a esfregar as mãos ao ver o preço que o meu podia valer para comprar casa. Esqueci-me foi que vou comprar casa em 2026/2027, não em 2022 

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Citação de Solero, Em 27/10/2025 at 14:50:

Vou fazer a escritura dia 11, vamos embora. Comprei um T3 em Abril de 2022 por 225k, e foi avaliado esta semana por 405k. Parabéns aos envolvidos, está bonito isto.

Vou inferir que compraste um T3 em planta, com uma entrada bastante generosa. É que nestes casos, quem der apenas 10 ou 20% corre o risco do construtor roer a corda, pagar o sinal em dobro, para depois vender por quase o dobro do que inicialmente contratualizado.

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Citação de noikeee, há 6 horas:

Comprei quase na mesma altura um T2. Vai fazer 4 anos agora, Dezembro 2021.

Primeira impressão: hey foi bom negócio, valorizou pa crl

Pensando mais do que 5 segundos nisso: fdx devia era ter esticado para um T3 na altura, agora um dia que queira um T3 tou f*dido

É daquelas coisas que à primeira vista parece bom mas no fundo estás a ser enr*abado. Só que ainda beneficias dum pouco de vaselina, o pessoal que não conseguiu comprar nada é sem vaselina mesmo.

Se tivesses esticado, depois vinha a inflação e a guerra da Ucrânia e a tua prestação duplicava, e em vez de ser com vaselina era fisting.

Não vale de nada pensar nesses "ses". E a melhor decisão foi mesmo teres comprado uma casa que consigas pagar, em vez de ficares a apodrecer eternamente numa casa arrendada.

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Citação de fornix, há 51 minutos:

Vou inferir que compraste um T3 em planta, com uma entrada bastante generosa. É que nestes casos, quem der apenas 10 ou 20% corre o risco do construtor roer a corda, pagar o sinal em dobro, para depois vender por quase o dobro do que inicialmente contratualizado.

Certo, foi isso mesmo. O construtor queria 30% à cabeça, mas acabámos por conseguir baixar para 22.5% com a primeira metade paga no imediato e a restante de 6 em 6 meses. 

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Prestação da casa quase não mexe até 2027

Com a Euribor a manter-se em torno dos 2%, famílias não deverão sentir grandes oscilações nas mensalidades da casa nos próximos dois anos

 

Spoiler

 

As prestações que as famílias têm de pagar ao banco pela casa deverão manter-se praticamente inalteradas nos próximos dois anos. Simulações feitas pelo Doutor Finanças para o Expresso, baseadas nos futuros da Euribor a seis meses, o indexante mais usado em Portugal nos contratos de crédito à habitação com taxa variável, indicam que os juros deverão situar-se em torno dos 2% no final de 2026 e dos 2,2% um ano depois, um patamar próximo daquele em que se encontram atualmente.

Os “futuros” refletem as expectativas dos mercados sobre o comportamento das taxas de juro e o rumo da política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Após dois anos de aumentos agressivos para conter a inflação e das subsequentes descidas dos juros nos últimos tempos, as previsões apontam agora para uma fase de estabilização. A tendência confirma que a autoridade monetária deverá manter uma postura cautelosa, mantendo os juros em níveis moderados enquanto a economia da zona euro recupera lentamente.

Evolução prevista das prestações até 2027 (Euribor a 6 meses)

Empréstimos a 30 anos, spread 1%

 


 

As simulações revelam variações muito ligeiras nas prestações até 2027, considerando um empréstimo a 30 anos com um spread (margem de lucro do banco sobre o crédito) de 1%. Para um valor em dívida de €100 mil, a mensalidade passará de cerca de €422 para €432. Se considerarmos um empréstimo com €150 mil por pagar, a prestação mensal subirá de €632 para quase €649.

Já se tivermos em conta um crédito à habitação com €250 mil por devolver ao banco, o valor mensal a suportar avançará de €1054 para €1081. São pequenas diferenças que, na prática, representam alguma estabilidade nos orçamentos familiares e o fim do ciclo de fortes oscilações que marcou o período que se seguiu ao conflito na Ucrânia (que foi marcado por elevadas taxas de inflação na zona euro entre os anos 2022 e 2023).

Comparando as projeções disponibilizadas pela plataforma Doutor Finanças com as da associação Deco para os contratos que serão revistos em novembro, o cenário é idêntico. A prestação média de um empréstimo de €250 mil com Euribor a seis meses deverá situar-se em cerca de €1067 no próximo mês, o que significa que, mesmo daqui a dois anos, o valor manter-se-á praticamente no mesmo nível. A confirmarem-se as previsões do mercado, o custo do crédito à habitação entra numa fase de normalização.

Prestações estabilizam em novembro

Em novembro, face a outubro, as prestações mensais praticamente não se alteram, para as mesmas condições de crédito consideradas nas simulações anteriores, segundo a Deco. As contas da associação de defesa do consumidor mostram que na Euribor a três meses a subida é quase impercetível: cerca de 16 cêntimos mensais num empréstimo de €100 mil e 41 cêntimos para €250 mil, com a taxa a passar de 2,027% para 2,030%, considerando o cálculo médio da Euribor até 27 de outubro.

Nos contratos indexados à Euribor a seis meses, os valores mantêm-se exatamente iguais aos de outubro, com a taxa estabilizada em 2,102%. Já na taxa a 12 meses, observa-se uma ligeira subida, de 2,172% para 2,187%, o que se traduz num acréscimo máximo de pouco mais de €2 na prestação mensal de um empréstimo de €250 mil. No conjunto, os números confirmam uma clara estabilização das taxas de juro, com variações que praticamente não têm expressão no orçamento das famílias.

Natália Nunes, coordenadora do gabinete de proteção financeira da Deco, confirma ao Expresso que “as decisões mais agressivas do Banco Central Europeu ficaram para trás” e que “entrámos numa fase de relativa estabilidade”. A expectativa, explica, é de que as taxas de juro se mantenham em valores “moderadamente elevados, entre os 2% e os 2,5% no final deste ano”, o que significa que o alívio nas prestações continuará a fazer-se de forma “muito gradual”.

Sobre-endividamento ataca classe média

Apesar desta pausa, muitas famílias continuam a sentir o peso do crédito na gestão mensal do seu orçamento. O aumento do custo de vida nos últimos anos - com preços mais altos na alimentação, energia e habitação - fez disparar as taxas de esforço e reduziu a margem financeira de milhares de agregados. Embora tenha havido alguma atualização salarial no país ao longo dos anos, os preços das casas dispararam, pressionando as famílias.

“O perfil do sobre-endividamento mudou. Deixou de estar associado apenas a situações de desemprego ou doença e passou a atingir famílias da classe média, que recorrem a crédito pessoal ou cartões para cobrir despesas básicas”, alerta Natália Nunes.

A Deco identifica também um fenómeno cada vez mais frequente: o chamado “sobre-endividamento oculto”. Trata-se de casos em que os consumidores conseguem evitar o incumprimento formal, mas à custa de cortar em bens e serviços essenciais, nomeadamente alimentação, saúde ou educação. Este comportamento, diz a responsável da associação, traduz um desequilíbrio profundo entre rendimentos e despesas, que se tornou estrutural.

As medidas públicas adotadas nos últimos anos, como a bonificação de juros ou o congelamento temporário das prestações, ajudaram a aliviar a pressão e evitar um aumento repentino dos incumprimentos, segundo Natália Nunes. No entanto, são soluções temporárias que não resolvem o problema de fundo, que é a fragilidade financeira de muitos orçamentos familiares.

Num contexto de inflação controlada e taxas estabilizadas, o desafio passa por garantir que as famílias não voltam a entrar em risco quando estas medidas terminarem. “É fundamental manter um acompanhamento contínuo e políticas que previnam o regresso ao incumprimento”, conclui a coordenadora da Deco.

 

Editado por kareca

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