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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de Mayday, há 38 minutos:

Pois, mas é muito por causa dessa maneira de ver as coisas que o racismo é sistémico. Há empresas que não contratam negros ou ciganos, não porque sejam racistas, mas porque têm receio que atraiam problemas raciais. 

Tu não é racista mas se calhar não contratas um negro para a tua farmácia porque há clientes que vão deixar de lá ir, assim como assim, não é que sejas racista, mas não prejudicas o negócio.

Essa neutralidade é, na minha opinião, e sem ofensa, uma cobardia que só prejudica quem acaba por sofrer de racismo. 

Mas isso para mim é ter actos racistas. Para mim não ser racista é não ter actos racistas. Não tem nada a ver com ser neutro, porque como é que se é neutro? Ou a atitude é racista ou não é! Eu só acho que por contratar negros (que até é algo em que não deveria constatar) não estou a ser anti-racista, simplesmente não estou a ser racista. Para mim, para ser anti-racista, teria que estar envolvido em garantir que os outros negócios à minha volta eram corretos e ter acções em prol da diversidade no local de trabalho.

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Citação de Mayday, há 15 minutos:

Os que não são racista nem são anti-racistas acabam por cair mais 

A ideia de que ser-se anti-racista exige envolvimento social é tanto verdade como mentira, porque não é obrigatório que se tenha que ir a manifs, como dizem aqui, mas obriga a que, nas nossas comunidades, nos nossos bairros, nos nossos trabalhos, o sejamos, e o que o racismo sistémico nos mostra é que normalmente esta neutralidade reforça essas práticas de discriminação.

É como a lojista que não é racista com ciganos mas se não meter o sapo à porta há clientes que não entram se virem um cigano lá dentro.

A neutralidade cai sempre para o lado dos mais fortes, inevitavelmente. 

Não te torna racista, mas torna-te muitas vezes conivente, mais que não seja pela inacção.

Se as minhas ações não são racistas, como me torno conivente com isso pela inacção, tendo em conta, tal como disse no meu post que a minha inacção é simplesmente a não participação em manifs, posts no facebook e coisas do género.
Não me consigo ver como conivente com base nisso apenas. Menos válido com quem faz muito mais que eu pela causa ? Sem dúvida. Conivente com isso, não.
Ser conivente é ser tolerante com o crime que é o racismo e eu não o sou.
 

EDIT: Estamos todos a dizer a mesma merda mas a querer atribuir nomes diferentes. 😅
Mas como é óbvio continuo a não achar justo estar no mesmo patamar de luta que muita gente que tanto faz pela causa. Mas sim, anti-racismo ou não racismo é basicamente a mesma coisa.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 5 minutos:

Eu compreendo perfeitamente mas por isso é que temos de continuar a trabalhar para que o racismo passe a ser realmente mal visto e para que as pessoas ajam sobre ele de forma activa. Não precisam de se organizar, basta que condenem e não facilitem esse tipo de comportamentos. Não ser racista e ser anti-racista devem ser tão próximo de sinónimos quanto possível.

 

Pá, isso acho que já vem de associares radicalismo a algo mau por natureza 😄 Para mim radicalismo é uma postura bem clara que, em princípio, exige algum tipo de revolução para mudar o status quo. E no racismo acho que isso é plenamente necessário, de tão entranhado que está na edificação da sociedade.

Pronto, para mim é a verdade. Se há sítios no mundo onde os brancos serão alvo de discriminação? Talvez. Se a sociedade ocidental se construiu sobre uma ideia de superioridade dos brancos face a toda e qualquer minoria? É certo.

É a tal questão defensiva de que falava. A malta sente-se atacada por ouvir que os brancos são racistas.

Racismo há em todas as raças, como há pessoas boas, pessoas más, burras, ou inteligentes. Eu não digo que os brancos não são racistas, eu digo-te é que não é exclusivo dos brancos, e dizer que é exclusivo dos brancos, é racista.

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Citação de Pickle Rick, há 37 minutos:

Nos casos que deste ele está a tomar uma atitude racista pois está a descriminar, mesmo que indiretamente alguém com base na sua cor.
Eu percebo o que o Smash está a dizer, eu sou anti-racismo, pelo menos é o que considero mas não tenho proatividade social suficiente para me envolver na luta afincada de tal causa. Não consigo ir a manifestações, não consigo fazer posts nas redes sociais, não consigo ter essa voz mais ativa na sociedade que muita gente, e bem, tem, mas seja neste tema ou noutro qualquer.
Agora não considero que isso me torne racista porque as minhas ações não o são, tal como acho extremamente injusto para quem luta ativamente por tais causas estar no mesmo nível de combate ao racismo que eu porque no final do dia, a posição que tomam será muito mais importante para o mundo que a minha.
Não é só uma questão de neutralidade, é uma questão de diferentes níveis de combate ao problema.
Eu se vir alguém sofrer de racismo, intervenho porque acho que é uma questão de respeito e um principio básico de qualquer ser-humano mas lá está, não me peças para partilhar coisas do BLM, ir a manifestações ou produzir discursos, não sou capaz de nada disso.

O Smash deu exemplos um pouco mais flagrantes onde a neutralidade é mais óbvia e aí concordo que acaba por ser um problema, mas convém também entender se é algo inconsciente, se é consciente. Isto é um problema extremamente complexo que não se pode limitar a acusações às pessoas porque podemos também acabar por radicalizá-las, educar será sempre a forma mais duradoura de remediar um problema com centenas de anos de história.
E eu concordo com o facto de apenas existirem dois lados nesta luta, ou és anti ou não mas também entendo um pouco daquilo que o Smash está a tentar dizer.

Casualmente racista não sei se existe mas o fumador social é algo que pode derivar da pressão social que é um problema comprovado em Psicologia e que efetivamente existe.

Acho que não fui eu que dei esses exemplos.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 23 minutos:

Pronto, para mim é a verdade. Se há sítios no mundo onde os brancos serão alvo de discriminação? Talvez. Se a sociedade ocidental se construiu sobre uma ideia de superioridade dos brancos face a toda e qualquer minoria? É certo.

É a tal questão defensiva de que falava. A malta sente-se atacada por ouvir que os brancos são racistas.

Não vejo qualquer problema em dizer que há racismo sistemático por parte de todas as etnias em zonas onde estas são a maioria, e não perceber isso e estar a vontade com dizer é olhar para algo com apenas o filtro que quer. Posso ser activamente anti-racista e dizer que há racismo sistemático da mesma raça que acho que é alvo de racismo... mas aí, o problema é que esse argumento é muitas vezes usado como whataboutism e desculpas subconscientes, porque hei de achar que deve haver racismo sistemático e institucionalizado na minha sociedade de brancos sobre negros por exemplo se no sítio x o contrário acontece... ou seja, uma coisa não justifica a outra, são as duas más.

Anyway, essa parte da discussão são autenticos peanuts para o que interessa e é trazida quase sempre como tentativa de desviar e não duma forma honesta.

  • Concordo! 3

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Citação de andriy pereplyotkin, há 4 horas:

Boa tarde.

O radicalismo dá para os dois lados. 

Mas deduzo que aches que quem seja minoria não possa ser racista. Isso é coisa de brancos.

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Citação de Rōnin, há 2 minutos:

O radicalismo dá para os dois lados. 

Mas deduzo que aches que quem seja minoria não possa ser racista. Isso é coisa de brancos.

Radicalismo anti-racista é uma cena em que me revejo, acho que é necessário.

 

Acho que os brancos não são discriminados no emprego, na saúde, na educação, na visibilidade e em todos os sectores da sociedade por serem brancos. Acho que as minorias tendem a ser.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 39 minutos:

 

Pronto, para mim é a verdade. Se há sítios no mundo onde os brancos serão alvo de discriminação? Talvez. Se a sociedade ocidental se construiu sobre uma ideia de superioridade dos brancos face a toda e qualquer minoria? É certo.

É a tal questão defensiva de que falava. A malta sente-se atacada por ouvir que os brancos são racistas.

É preciso enumerar etnias, raças ou religiões(que também está relacionado) em várias regiões fora da Europa que são perseguidas, chacinadas? Ou sociedades fora da europa que são organizadas por castas? Ou protestos que muitas vezes até levam a massacres de pessoas de determinadas etnias? Sabias que existem ainda sociedades praticam escravatura que é fortemente ligado à cor da pele

Quando dizem que há racismo em todo o lado porque é que achas que as vítimas só podem ser brancas? O mundo é muito mais complexo do que isso.

E existe racismo sim, e é um problema, mas na generalidade dos Países Europeus é onde existe mais abertura para discutir soluções e onde se têm feito progressos.

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Racismo manifesta-se através de estruturas de poder. 

Um caso que salta à vista é o dos israelitas e dos palestinianos colonizados. 

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Citação de ascom, há 2 minutos:

É preciso enumerar etnias, raças ou religiões(que também está relacionado) em várias regiões fora da Europa que são perseguidas, chacinadas? Ou sociedades fora da europa que são organizadas por castas? Ou protestos que muitas vezes até levam a massacres de pessoas de determinadas etnias? Sabias que existem ainda sociedades praticam escravatura que é fortemente ligado à cor da pele

Quando dizem que há racismo em todo o lado porque é que achas que as vítimas só podem ser brancas? O mundo é muito mais complexo do que isso.

E existe racismo sim, e é um problema, mas na generalidade dos Países Europeus é onde existe mais abertura para discutir soluções e onde se têm feito progressos.

Não precisas de enumerar nada, até porque eu falei da sociedade ocidental e tenho em crer que a Joacine está no parlamento a lutar pela melhoria de uma dessas e que, quando emite críticas, se refere à mesma.

Um bom ponto de partida era não irmos até ao Congo ou à Índia para tentar provar que os outros são tão racistas quanto nós. Podíamos assumir só que somos e começar a trabalhar nisso em vez de continuarmos a debater o óbvio. Só nos desgastamos todos e não fazemos nada de útil.

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Citação de Lip McBoatface, há 39 minutos:

Não vejo qualquer problema em dizer que há racismo sistemático por parte de todas as etnias em zonas onde estas são a maioria, e não perceber isso e estar a vontade com dizer é olhar para algo com apenas o filtro que quer. Posso ser activamente anti-racista e dizer que há racismo sistemático da mesma raça que acho que é alvo de racismo... mas aí, o problema é que esse argumento é muitas vezes usado como whataboutism e desculpas subconscientes, porque hei de achar que deve haver racismo sistemático e institucionalizado na minha sociedade de brancos sobre negros por exemplo se no sítio x o contrário acontece... ou seja, uma coisa não justifica a outra, são as duas más.

Anyway, essa parte da discussão são autenticos peanuts para o que interessa e é trazida quase sempre como tentativa de desviar e não duma forma honesta.

 

Citação de Che, há 11 minutos:

Racismo manifesta-se através de estruturas de poder. 

Um caso que salta à vista é o dos israelitas e dos palestinianos colonizados. 

São estas duas coisas

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Citação de noikeee, há 9 horas:

Não concordo. 

Há um espectro bastante grande de vários níveis de racismo, que vai desde o mais grave, das pessoas de extrema direita e que cometem actos de violência física sobre etnias que consideram inferiores; passando por quem discrimina vocalmente; até às pessoas que se consideram anti-racistas mas discriminam inconscientemente ou p.ex. se calhar se afastam dum estranho com pele escura se se cruzarem à noite; ou fazem piadas sobre "pretos" mas não acreditam em racismo e apenas o fazem num grupo reduzido entre pessoas que sabem que não são racistas; ou coisas ambíguas que podem ou não ser interpretadas como racistas, como a famosa piada do Bernardo Silva com o Mendy. Ou tanta gente que eu conheço que são casualmente racistas mas têm bom coração, e apenas o são porque foram educadas assim e nunca tiveram a experiência de conviver rotinamente de igual para igual com pessoas de outras etnias, e seriam facilmente convertidas ao longo do tempo com essa experiência. 

Simplificar um problema extremamente complexo a "ou tas connosco ou tas contra nós" é reduzi-lo a uma infantilidade, faz-me lembrar o discurso do George W Bush no início da guerra do Iraque, "either you're with us or without us". Há pessoas que são racistas convictas e completas causas perdidas. Há pessoas que não são causas perdidas porque nem sequer se dão de conta que estão a ser racistas. Há actos ambíguos que podem ser interpretados como racistas, mas cuja intenção não é racista, ou se calhar é mas inconscientemente, ou ninguém sabe se é e depende do caso e das relações interpessoais que existem. Há pessoas que têm carisma e a espinha dorsal para serem activistas anti racistas, ou tomar pequenos gestos contra o racismo no dia a dia, e há pessoas que nem sequer têm capacidade intelectual para o fazer ou pensar profundamente no tema, ou interesse em causas sociais, mas não deixam de ser pessoas com algum valor. É tudo muitíssimo mais complexo do que isso. 

Mas lá que Portugal tem muuuuuuito que evoluir em termos de aceitar e integrar completamente pessoas de todas as etnias, tem... Isso não discordo minimamente contigo... 

Ta visto que nas ilhas o racismo tem todo um espectro de tons...sobretudo o racista mas so as vezes.

Citação de kareca, há 2 horas:

a definição disso é que o contrário não pode existir porque os brancos nunca foram oprimidos/escravizados por negros. 

Esta parte não é verdade, os Mouros fizeram isso aos brancos, mas claro que já não esta na memoria colectiva

Citação de Che, há 1 hora:

Racismo manifesta-se através de estruturas de poder. 

Um caso que salta à vista é o dos israelitas e dos palestinianos colonizados. 

Ai é mais uns serem uns grandes interesseiros...

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A questão é que movimentos como BLM não abordam o racismo, meramente, de um ponto de vista geral, abstrato e filosófico; focam-se, especificamente, no impacto - presente nas sociedades ocidentais - do racismo sistémico/institucional sobre as minorias, que as tende a prejudicar, ao mesmo tempo que tende a beneficiar a maioria branca.

Nos EUA há um forte componente histórico associado ao racismo sistémico/institucional, como por exemplo: a escravatura; discriminação durante os 'homestead acts'; segregação; prática de 'redlining'; etc. Toda uma série de iniquidades que se têm vindo a acumular ao longo da curta história do país, e que agora em plena pandemia se tornam por demais óbvias as desigualdades resultantes do efeito cumulativo dessas injustiças.

A discussão agora passa por retificar essas iniquidades, seja através de programas de reparação; reformulação do financiamento público das escolas; revisão, ou fim, da política da guerra às drogas; redução do financiamento policial e reorientação desses fundos para as comunidades empobrecidas; etc.

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Citação de andriy pereplyotkin, há 7 horas:

Algum desses momentos de espectro te torna algo que não racista ou não-racista? Tudo isso é verdade e em nada contraria o que disse. Nem tão pouco disse que qualquer acto racista te torna racista, porque infelizmente e da forma como está embrenhado na sociedade, acabávamos por ser todos em merdinhas que nem nos apercebemos. Mas só te podes posicionar como uma coisa ou outra, não dá para assumir um posicionamento neutro.

E regressando ao ponto de partida da discussão, não vejo onde o radicalismo da Joacine foi um "problema" e gostava que me explicassem bem isso. Não sei o que disse ou fez que tenha prejudicado a causa. Parece-me apenas que temos por hábito ser defensivos quando se discutem temas destes.

 

Boa tarde.

O "posicionamento neutro", ou se calhar não "neutro" mas intermédio ou menos radical, é p.ex. lutar contra o racismo em certas ocasiões, mas não partir sempre do princípio de procurar sempre a interpretação racista em todas as ocasiões. Ou ser contra o "cancelamento" de personalidades tidas pela multidão desvairada das redes sociais como racistas, pura e simplesmente por uma questão da liberdade de expressão.

Isto da "cancel culture" é algo que não tem sido um grande problema em Portugal mas tem sido noutros países. A título de exemplo, já chegou ao ponto de várias personalidades intelectuais como o Noam Chomsky (deves saber quem é, esquerdista radical mas um tipo imensamente inteligente e que aprecio muito), Fareed Zakaria, Francis Fukuyama (personalidades neoliberais do centro-direita), assinarem conjuntamente uma carta a expressar grande preocupação com este clima de debate intelectual que ao mínimo deslize, seja por questão de ser interpretado racismo ou qualquer outra "falha moral" tornada pública e/ou viral, censura imediatamente as pessoas: https://harpers.org/a-letter-on-justice-and-open-debate/ (aliás isto já deu uma ganda volta, com críticas radicais na imprensa a pedir que se censure esta carta o que é francamente irónico; ou com pessoas a abandonarem a sua assinatura na carta depois de descobrirem que a JK Rowling também assinou, o que é ainda mais irónico e demonstra uma falta de princípios gritante).

Se calhar tou a dar aqui uma ganda volta e a trocar de assuntos mas acho que isto do "ou tás connosco ou tás contra nós" é um pouco a mesma mentalidade da tal "cancel culture", "ou tás em linha com as opiniões que são correctas ou és um inimigo das opiniões correctas", que considero simplesmente tóxica e improdutiva.

---

Em relação à minha crítica à Joacine, que considero a eleição dela uma oportunidade perdida, é que para bem ou para o mal, foi a primeira política eleita portuguesa de etnia negra, activista assumida e comprometida com o tema, que teve visibilidade quase de abrir telejornais - julgo que existe um ou outro deputado de etnia negra, e temos outros casos de minorias p.ex. o nosso actual primeiro-ministro como é sabido tem alguma ascendência indiana, mas foi a primeira a ser colocada como cara do anti-racismo.

Isto deveria ter sido, tinha tudo para ter sido, uma oportunidade de ouro. Como é óbvio, as pessoas de etnia negra são sub-representadas na política portuguesa. Poderia ter sido o nosso momento tipo Civil Rights Movement, com o devido exagero porque não somos os USA dos anos 60 com segregação legislada, mas em muitas coisas estamos sei lá, nos anos 70 ou 80. As pessoas de etnia negra (ou outras ex. ciganos) são sistematicamente discriminadas e tratadas silenciosamente como cidadãos de 2ª em Portugal, como de certo concordarás. O activismo anti-racismo e a visibilidade em cargo de poder ou pelo menos em cargo de voz política activa, é bem vindo e necessário em Portugal.

O problema é que ao ser a 1ª, ela tornou-se no "modelo" magnificado, caricaturado, estereotipado para a sociedade, do que é que é o anti-racismo e do que é que se reivindica. Talvez até mesmo para muita gente que nunca sequer interagiram por mais de 5 segundos com alguém negro, tornou-se no exemplo do que é que "as pessoas negras pensam" (como se isso fosse homogéneo). E o que é que viram nela, algo de sensato que conseguiu explicar o problema e convencer a sociedade a evoluir? Não, viram alguém a magnificar ainda mais o estereótipo, que já existia e que é profundamente errado, de que o racismo vem na maior parte das próprias pessoas negras que se vitimizam... porque ela o fez em várias ocasiões.

É obviamente injusto caracterizar as pessoas de toda uma etnia pelas acções de uma pessoa, nem sei se é justo para a Joacine, apesar de se ter candidatado e assumido até certo ponto voluntariamente o papel, pôr-lhe esse peso nas costas. Mas infelizmente é assim que o ser humano em massa funciona e hoje em dia com as redes sociais ainda mais - funciona por caricaturas, estereótipos, simplificações, frases de 1 linha, títulos do artigo e não os detalhes do artigo. Ela seria sempre atacada violentamente na posição que ocupou, como um tipo completamente super-conciliador como o Obama o foi, pura e simplesmente por ser a 1ª pessoa de etnia negra a ocupar uma posição que até aí não tinha acontecido. O problema é que em vez de dar o exemplo e provar os estereótipos errados, mandou ainda mais achas para a fogueira.

Ah e eu tenho outro problema com ela que foi de ter arrasado com o Livre, que poderia ser uma mais-valia para a política portuguesa por ser um partido de esquerda europeísta, mas isso sou eu que sou fanboy assumido da União Europeia e por mim se nos pudéssemos ver livres do BE e do PCP por uma esquerda mais sensata, assino logo já agora.

A única coisa que lhe dou mérito é ter contribuído em trazer o racismo para a arena pública como tema importante, pronto ok, já foi alguma coisa.

 

Citação de Burkina2008, há 1 hora:

Ta visto que nas ilhas o racismo tem todo um espectro de tons...sobretudo o racista mas so as vezes.

Tá visto que agora que aprendeste que sou da Madeira, não falas doutra coisa.

Primeiro, tenho a certeza absoluta que não escrevi nada racista, ou que desculpabilize o racismo (pelo menos certamente não é essa a intenção!!).

Segundo, não tenho problema absolutamente nenhum em admitir que aqui na Madeira no geral o povo madeirense provavelmente é consideravelmente mais racista do que p.ex. as pessoas da Grande Lisboa. Tal como o mesmo se aplica se comparares as pessoas do interior com as da Grande Lisboa. Isto porque, tal como se vê como padrão em todo o mundo Ocidental, em todas as áreas que existe menor multi-culturalismo, menor diversidade e integração de minorias étnicas, o preconceito é maior - se não convives com as pessoas tens muito maior probabilidade de acreditar em todo o tipo de estereótipos absurdos sobre elas! E eu devo contar pelos dedos das mãos o número de vezes que tive conversas com pessoas negras aqui na ilha em toda a minha vida (fora da ilha se calhar já falei mais vezes, antes que venha algum engraçadinho "então se não conheces pessoas negras como é que tens opinião sobre este assunto"). Não há substancial população negra, ou muçulmana/árabe, ou cigana, ou qualquer destas outras minorias que existem de forma mais pronunciada nos centros urbanos no continente, na Madeira. Logo, naturalmente, há mais racismo, infelizmente.

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Citação de noikeee, há 26 minutos:

foi a primeira política eleita portuguesa de etnia negra

não foi.

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Citação de noikeee, há 13 minutos:

O "posicionamento neutro", ou se calhar não "neutro" mas intermédio ou menos radical, é p.ex. lutar contra o racismo em certas ocasiões, mas não partir sempre do princípio de procurar sempre a interpretação racista em todas as ocasiões. Ou ser contra o "cancelamento" de personalidades tidas pela multidão desvairada das redes sociais como racistas, pura e simplesmente por uma questão da liberdade de expressão.

Isto da "cancel culture" é algo que não tem sido um grande problema em Portugal mas tem sido noutros países. A título de exemplo, já chegou ao ponto de várias personalidades intelectuais como o Noam Chomsky (deves saber quem é, esquerdista radical mas um tipo imensamente inteligente e que aprecio muito), Fareed Zakaria, Francis Fukuyama (personalidades neoliberais do centro-direita), assinarem conjuntamente uma carta a expressar grande preocupação com este clima de debate intelectual que ao mínimo deslize, seja por questão de ser interpretado racismo ou qualquer outra "falha moral" tornada pública e/ou viral, censura imediatamente as pessoas: https://harpers.org/a-letter-on-justice-and-open-debate/ (aliás isto já deu uma ganda volta, com críticas radicais na imprensa a pedir que se censure esta carta o que é francamente irónico; ou com pessoas a abandonarem a sua assinatura na carta depois de descobrirem que a JK Rowling também assinou, o que é ainda mais irónico e demonstra uma falta de princípios gritante).

Se calhar tou a dar aqui uma ganda volta e a trocar de assuntos mas acho que isto do "ou tás connosco ou tás contra nós" é um pouco a mesma mentalidade da tal "cancel culture", "ou tás em linha com as opiniões que são correctas ou és um inimigo das opiniões correctas", que considero simplesmente tóxica e improdutiva.

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Em relação à minha crítica à Joacine, que considero a eleição dela uma oportunidade perdida, é que para bem ou para o mal, foi a primeira política eleita portuguesa de etnia negra, activista assumida e comprometida com o tema, que teve visibilidade quase de abrir telejornais - julgo que existe um ou outro deputado de etnia negra, e temos outros casos de minorias p.ex. o nosso actual primeiro-ministro como é sabido tem alguma ascendência indiana, mas foi a primeira a ser colocada como cara do anti-racismo.

Isto deveria ter sido, tinha tudo para ter sido, uma oportunidade de ouro. Como é óbvio, as pessoas de etnia negra são sub-representadas na política portuguesa. Poderia ter sido o nosso momento tipo Civil Rights Movement, com o devido exagero porque não somos os USA dos anos 60 com segregação legislada, mas em muitas coisas estamos sei lá, nos anos 70 ou 80. As pessoas de etnia negra (ou outras ex. ciganos) são sistematicamente discriminadas e tratadas silenciosamente como cidadãos de 2ª em Portugal, como de certo concordarás. O activismo anti-racismo e a visibilidade em cargo de poder ou pelo menos em cargo de voz política activa, é bem vindo e necessário em Portugal.

O problema é que ao ser a 1ª, ela tornou-se no "modelo" magnificado, caricaturado, estereotipado para a sociedade, do que é que é o anti-racismo e do que é que se reivindica. Talvez até mesmo para muita gente que nunca sequer interagiram por mais de 5 segundos com alguém negro, tornou-se no exemplo do que é que "as pessoas negras pensam" (como se isso fosse homogéneo). E o que é que viram nela, algo de sensato que conseguiu explicar o problema e convencer a sociedade a evoluir? Não, viram alguém a magnificar ainda mais o estereótipo, que já existia e que é profundamente errado, de que o racismo vem na maior parte das próprias pessoas negras que se vitimizam... porque ela o fez em várias ocasiões.

É obviamente injusto caracterizar as pessoas de toda uma etnia pelas acções de uma pessoa, nem sei se é justo para a Joacine, apesar de se ter candidatado e assumido até certo ponto voluntariamente o papel, pôr-lhe esse peso nas costas. Mas infelizmente é assim que o ser humano em massa funciona e hoje em dia com as redes sociais ainda mais - funciona por caricaturas, estereótipos, simplificações, frases de 1 linha, títulos do artigo e não os detalhes do artigo. Ela seria sempre atacada violentamente na posição que ocupou, como um tipo completamente super-conciliador como o Obama o foi, pura e simplesmente por ser a 1ª pessoa de etnia negra a ocupar uma posição que até aí não tinha acontecido. O problema é que em vez de dar o exemplo e provar os estereótipos errados, mandou ainda mais achas para a fogueira.

Ah e eu tenho outro problema com ela que foi de ter arrasado com o Livre, que poderia ser uma mais-valia para a política portuguesa por ser um partido de esquerda europeísta, mas isso sou eu que sou fanboy assumido da União Europeia e por mim se nos pudéssemos ver livres do BE e do PCP por uma esquerda mais sensata, assino logo já agora.

A única coisa que lhe dou mérito é ter contribuído em trazer o racismo para a arena pública como tema importante, pronto ok, já foi alguma coisa.

Acho a ideia de "cancel culture" uma piadola de mau gosto quando quem se f*de é sempre o mesmo. É só grandes nomes cancelados e sem comida no prato, upa upa.

 

Eu concordo plenamente com a ideia de que a eleição de Joacine era uma grande oportunidade. E concordo que as pessoas olharam para ela e adensaram estereótipos. Mas, e é essa parte que é "engraçada", eu acho que isso é demonstrativo do preconceito das pessoas e não do trabalho dela. A oportunidade de ouro de que falas estava destinada ao fracasso porque as pessoas estavam preparadas para a crucificar. E mal cometeu os primeiros erros, levou com porrada a um nível que nenhum outro deputado levou. Depois, mal o trabalho ficou feito, acabou a cobertura. Há 3 deputados únicos, mas parece que ela deixou de ser ao fim de um mês. Teve, por exemplo, várias propostas relevantes aprovadas sobre as alterações à Lei da Nacionalidade e não me lembro lhe passarem cartão nenhum.

Uma nota apenas sobre o bold. Talvez se vitimizem porque são vítimas. Mas a malta quer é Obamas a dar a outra face.

 

Quanto ao Livre, diria que eles é que se arrasaram. Não podem fazer listas por directas e não querer construir através das pessoas. É a vidinha, que se orientem.

  • Concordo! 1

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Citação de Puto Perdiz, há 16 minutos:

não foi.

 

Citação de noikeee, há 44 minutos:

foi a primeira política eleita portuguesa de etnia negra, activista assumida e comprometida com o tema, que teve visibilidade quase de abrir telejornais

 

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Há três deputadas negras no parlamento só nesta legislatura.

 

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Citação de andriy pereplyotkin, há 13 minutos:

Acho a ideia de "cancel culture" uma piadola de mau gosto quando quem se f*de é sempre o mesmo. É só grandes nomes cancelados e sem comida no prato, upa upa.

 

Eu concordo plenamente com a ideia de que a eleição de Joacine era uma grande oportunidade. E concordo que as pessoas olharam para ela e adensaram estereótipos. Mas, e é essa parte que é "engraçada", eu acho que isso é demonstrativo do preconceito das pessoas e não do trabalho dela. A oportunidade de ouro de que falas estava destinada ao fracasso porque as pessoas estavam preparadas para a crucificar. E mal cometeu os primeiros erros, levou com porrada a um nível que nenhum outro deputado levou. Depois, mal o trabalho ficou feito, acabou a cobertura. Há 3 deputados únicos, mas parece que ela deixou de ser ao fim de um mês. Teve, por exemplo, várias propostas relevantes aprovadas sobre as alterações à Lei da Nacionalidade e não me lembro lhe passarem cartão nenhum.

Uma nota apenas sobre o bold. Talvez se vitimizem porque são vítimas. Mas a malta quer é Obamas a dar a outra face.

Criticar o "cancel culture" é uma questão de princípios de liberdade de expressão. Tenho a certeza que esta crítica vai ser mais cedo ou mais tarde adoptada por quem não deveria (ex o pessoal afecto a broncos como o Trump) e que se irá perder a nuance do argumento. Mas lá que está a aparecer um problema cultural está. Evidentemente não exclui que exista problemas maiores na sociedade, como o racismo.

Eu não ando a ver a ARTV para saber o trabalho diário da Joacine, a minha percepção do trabalho dela vem dos media e é condicionado por momentos "fantásticos" como de apelidar o Daniel Oliveira de racista. Se tem estado a fazer um bom trabalho desde então e nada veio bater à comunicação social isso já não sei.

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a Joacine estava lá para tentar ser eleita e depois ser kickada e dar lugar a outro gajo. O objectivo do Livre foi sempre esse, foi por isso que começaram, passado pouco tempo, os ataques dos avençados deles na CS. Quando foi o tal comício do Livre para a tirar de lá foi vergonhoso o Rui Tavares comentar no seu espaço semanal da rtp3.

edit: também é verdade que ela se meteu a jeito

Editado por Puto Perdiz

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Prova disso é que a Joacine vai ter uma grande vitória no parlamento amanhã ao fazer aprovar uma proposta de alargamento do acesso à naturalização das pessoas nascidas em Portugal após o 25 de abril de 1974 e antes da entrada em vigor da lei da nacionalidade em 1981 e não está a ter ou vai ter impacto mediático por ter sido ela.

Era uma das suas grandes bandeiras. E em simultâneo vão aprovar-se alterações à lei da nacionalidade, o que lhe dá o pleno.

O trabalho dela quase que ficou feito em meia legislatura.

Editado por Mayday

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Citação de noikeee, há 2 horas:

Isto da "cancel culture" é algo que não tem sido um grande problema em Portugal mas tem sido noutros países. A título de exemplo, já chegou ao ponto de várias personalidades intelectuais como o Noam Chomsky (deves saber quem é, esquerdista radical mas um tipo imensamente inteligente e que aprecio muito), Fareed Zakaria, Francis Fukuyama (personalidades neoliberais do centro-direita), assinarem conjuntamente uma carta a expressar grande preocupação com este clima de debate intelectual que ao mínimo deslize, seja por questão de ser interpretado racismo ou qualquer outra "falha moral" tornada pública e/ou viral, censura imediatamente as pessoas: https://harpers.org/a-letter-on-justice-and-open-debate/ (aliás isto já deu uma ganda volta, com críticas radicais na imprensa a pedir que se censure esta carta o que é francamente irónico; ou com pessoas a abandonarem a sua assinatura na carta depois de descobrirem que a JK Rowling também assinou, o que é ainda mais irónico e demonstra uma falta de princípios gritante).

A carta da Harper é vaga como tudo, logo eu entendo como normal e uma demonstração de fieldade aos seus princípios que signatários que defendem os direitos transexuais ao saberem, posteriormente, que a Rowling a assinou se distanciem, pois ela foi criticada por posições problemáticas sobre a matéria - não foi censurada ou silenciada -, nomeadamente no que diz respeito aos espaços públicos exclusivos a mulheres, tal como a sua defesa da posição da Maya Forstater: de que pessoas não podem alterar o sexo biológico, logo pessoas transexuais podem ser tratadas com linguagem relativa ao sexo biológico, ou seja tratar mulheres trans como se fossem homens, e homens trans como se fossem mulheres.

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Citação de bmfpcdm, há 27 minutos:

A carta da Harper é vaga como tudo, logo eu entendo como normal e uma demonstração de fieldade aos seus princípios que signatários que defendem os direitos transexuais ao saberem, posteriormente, que a Rowling a assinou se distanciem, pois ela foi criticada por posições problemáticas sobre a matéria - não foi censurada ou silenciada -, nomeadamente no que diz respeito aos espaços públicos exclusivos a mulheres, tal como a sua defesa da posição da Maya Forstater: de que pessoas não podem alterar o sexo biológico, logo pessoas transexuais podem ser tratadas com linguagem relativa ao sexo biológico, ou seja tratar mulheres trans como se fossem homens, e homens trans como se fossem mulheres.

É vaga propositadamente porque não pretende se referir a um assunto em concreto, uma opinião em específico, mas ao clima generalizado.

Não achas irónico que alguém que assine uma carta a defender o direito das pessoas de terem liberdade de expressão para se poderem desviar das opiniões tidas como "correctas" sem serem "canceladas", imediatamente retiram a assinatura logo que descobrem que alguém também assinou que foi recentemente "cancelada" por ter a opinião "incorrecta"?

É que ser cancelado é basicamente isto, não é só ser censurado ou silenciado, é ser distanciado pelos outros que não se querem associar a tal pessoa, mesmo em assuntos que não tem nada a ver com o assunto em questão no qual foi expressa uma opinião controversa. Tu podes ter uma opinião horrível em relação a política que me choque e eu ache ofensivo, que não é por isso que tenho necessariamente de me distanciar das opiniões que tenhas sobre futebol, só para não ficar associado a ti.

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