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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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Citação de jplobo, há 26 minutos:
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Opinião

Em busca do Santo Graal

Entre 2000 e 2022, segundo os dados da Comissão Europeia, Portugal foi a terceira economia da UE que menos cresceu em termos reais.

Ricardo Paes Mamede
Ricardo Paes Mamede
9 de Janeiro de 2023, 6:29
 

O crescimento da economia portuguesa tornou-se uma busca pelo Santo Graal. A aventura é menos divertida do que o filme homónimo dos Monty Python e menos excitante do que as sagas de Indiana Jones. Em comum têm a obsessão dos protagonistas por um qualquer elemento mágico, capaz de trazer a prosperidade a quem dele se apodere.

A preocupação com o crescimento do país tem razão de ser. Entre 2000 e 2022, segundo os dados da Comissão Europeia, Portugal foi a terceira economia da UE que menos cresceu em termos reais (cerca de 0,8% ao ano, em média). Pior só a Itália e a Grécia, onde hoje se cria por ano quase a mesma riqueza que se criava na viragem do século.

Por estranho que pareça, não há ainda um consenso sobre a razão desta paralisia. Em parte, isto deve-se à lógica da disputa partidária: diferentes explicações servem para culpar diferentes governos pelo mau desempenho passado. É também uma questão ideológica: cada leitura sobre os determinantes da evolução económica vem acompanhada de julgamentos de valor sobre o modo como a sociedade deveria ser organizada.

As narrativas motivadas pela disputa partidária ou por questões ideológicas são tão eficazes nas redes sociais quanto incapazes de oferecer uma explicação convincente para o fenómeno em causa. Exemplos não faltam.

No período da troika, a elevada dívida pública era vista como a raiz dos nossos problemas. Mas antes da crise financeira internacional de 2007/2008 a dívida do Estado em percentagem do PIB era bastante moderada (72,7%) e alinhada com a média europeia. Acresce que a maioria dos países que sofreram intervenções externas no período tinha rácios de dívida pública inferiores ao português e abaixo da média da UE. De resto, o aumento da dívida pública dos países é quase sempre um sintoma das suas dificuldades económicas – e não apenas uma causa. Se queremos perceber por que razão a dívida portuguesa é tão elevada, temos de perceber porque é que a economia não cresce – tanto ou mais do que o inverso. Fazer da redução do rácio da dívida o Santo Graal da economia portuguesa não nos levará longe.

Dez anos passados, é mais habitual apontar-se a elevada “carga fiscal” (isto é, o valor das receitas fiscais e contributivas em percentagem do PIB) como factor decisivo do baixo crescimento. No entanto, durante a primeira década do século, quando a estagnação portuguesa foi mais acentuada, a “carga fiscal” manteve-se estável e abaixo da média da UE, bem como de vários países de dimensões semelhantes que tiveram desempenhos económicos muito mais favoráveis no período (como a Áustria e a República Checa, por exemplo). Por contraste, depois de a “carga fiscal” em Portugal ter aumentado muito em 2013, para fazer face à explosão da dívida pública durante a crise, a economia nacional cresceu a ritmos modestos mas muito superiores aos da década anterior. Quem quer fazer da redução da “carga fiscal” o Santo Graal da economia portuguesa talvez precise de olhar melhor para os números.

Outra explicação popular – e populista – para a estagnação da economia portuguesa é a corrupção. Pela sua natureza, medir a corrupção é um problema: depende mais de percepções do que de factos objectivos. É sintomático que os inquéritos internacionais revelem uma desproporção enorme entre a percentagem de pessoas que consideram existir muita corrupção em Portugal e aquelas que alguma vez tiveram conhecimento de um caso concreto em primeira mão. Tendo isto presente, vale a pena assinalar que Portugal aparece numa posição mais favorável no índice de percepção de corrupção da Transparência Internacional do que a generalidade dos países da Europa de Leste, cujo crescimento foi muito superior ao português na última década. Isto não significa que a corrupção é irrelevante em Portugal ou que faz bem às economias, muito menos às democracias. Significa apenas a necessidade de produzir explicações mais elaboradas para um processo que não é simples.

Segundo uma análise menos simples mas mais coerente com os factos, a estagnação da economia portuguesa desde 2000 é explicada pela combinação de três factores principais: o perfil de especialização de partida, a liberalização financeira da década de 1990 e a sucessão de choques externos ocorridos desde então.

A estagnação da economia portuguesa desde 2000 é explicada pela combinação de três factores principais: o perfil de especialização, a liberalização financeira da década de 90 e a sucessão de choques externos

Desde a década de 1960, a economia portuguesa funcionou como reserva de mão de obra barata da Europa Ocidental. Foi uma estratégia eficaz mas desqualificada de industrialização, que deixou marcas negativas duradouras e foi deixando de funcionar à medida que a globalização avançava e o próprio país se desenvolvia. No final da década de 1980, as elites locais optaram pela liberalização geral da economia, com o sector financeiro à cabeça. A explosão de crédito que se seguiu traduziu-se em ritmos de crescimento notáveis. Mas deixou atrás de si um lastro de dívida privada, que era já muito acentuada na viragem do século. Nos anos seguintes, o que poderia correr mal correu mesmo: a China invadiu a UE de produtos que concorriam directamente com a indústria portuguesa; o alargamento a Leste afastou do país o tipo de investimento estrangeiro que era mais frequente por estas bandas; a forte apreciação do euro entre 2002 e 2008 dificultou ainda mais a vida à indústria nacional; a crise energética de 2004-2008 (com o preço do barril de petróleo a atingir 140 dólares) e a crise financeira internacional que se seguiu deram a estocada final numa economia já muito endividada perante o exterior. Desde aí temos estado a recuperar lentamente, à boleia de uma sobre-especialização arriscada no turismo e enfrentando uma pandemia e a guerra na Ucrânia.

Apesar de tudo, a economia portuguesa dá hoje sinais de estar mais bem preparada do que no passado para lidar com os desafios actuais: nas qualificações das pessoas, nos níveis de capitalização das empresas, nas dinâmicas de inovação e internacionalização, e não só. Mas as debilidades da sua estrutura produtiva persistem. A isso acresce um endividamento externo que é hoje muito superior ao de 2000 e uma situação demográfica desfavorável. Lidar com tudo isto não vai ser fácil. Exige um rumo claro, persistência nas opções estratégicas, capacidade e disponibilidade para identificar e corrigir erros – e esperar que os choques futuros não sejam demasiado violentos. Seria mais fácil oferecer-vos aqui um qualquer Santo Graal como solução para o crescimento da economia portuguesa, mas tenho de vos contar uma coisa: o Santo Graal não existe.

O autor é colunista do PÚBLICO e escreve segundo o novo acordo ortográfico

 

Muito obrigado!

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O gajo foi um jovem suburbano que estudou na mesma escola xunga de odivelas em q eu estudei 😎

Editado por Plagio o Original

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Malta de perto da fronteira deixou de compensar abastecer na Espanha, não? Já estamos no dia 9 e os preços praticados são mais altos que em Portugal 😔

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Santo Graal: reduzir o salário mínimo para 300 euros mensais, o capitalismo adapta-se e o turismo explode ainda mais, tornando Portugal no melhor destino do mundo. 

Se vendemos praia e bitoques, não vale a pena aumentar salários. Não vamos criar a Tesla ou a Apple. Vamos criar um Aquashow ou uma m*rda assim. Então não vale a pena ter preços ao nível de destinos turísticos melhores. 

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Não sei se acompanharam o debate da liderança da IL mas fica aqui o highlight:

 

Tem aqui o debate na totalidade se quiserem assistir (o clipe surge no vídeo na parte final aos 36:10): 

https://sicnoticias.pt/pais/2023-01-09-Lideranca-da-Iniciativa-Liberal-Rui-Rocha-e-Carla-Castro-frente-a-frente-81b0ed0f

 

Não sei como é o terceiro candidato que não esteve neste debate mas a Carla Castro parece-me menos preparada que o Rui Rocha mas parecem-me os dois um downgrade em relação ao Cotrim.

Editado por HappyKing

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Citação de HappyKing, há 8 horas:

Não sei se acompanharam o debate da liderança da IL mas fica aqui o highlight:

 

Tem aqui o debate na totalidade se quiserem assistir (o clipe surge no vídeo na parte final aos 36:10): 

https://sicnoticias.pt/pais/2023-01-09-Lideranca-da-Iniciativa-Liberal-Rui-Rocha-e-Carla-Castro-frente-a-frente-81b0ed0f

 

Não sei como é o terceiro candidato que não esteve neste debate mas a Carla Castro parece-me menos preparada que o Rui Rocha mas parecem-me os dois um downgrade em relação ao Cotrim.

Vi ontem um bocadinho do debate e confirmou a visão que tinha: o Rui Rocha é um Cotrim mais troglodita, a Carla Castro está no partido errado.

Estou curioso para ouvir mais do outro candidato (não me recordo o nome). Do que li, vai mais ao encontro do que acho que seria o melhor para a IL

Edit: o 3° candidato é o José Cardoso 

Editado por Gilberto Carlos

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Citação de Gilberto Carlos, há 1 minuto:

a Carla Castro está no partido errado.

Porque dizes isso?

Citação de Gilberto Carlos, há 1 minuto:

Estou curioso para ouvir mais do outro candidato (não me recordo o nome)

José Cardoso se não me engano mas apresentou a candidatura muito tarde. Duvido que tenha uma % significativa de votos.

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Citação de HappyKing, há 8 horas:

Não sei se acompanharam o debate da liderança da IL mas fica aqui o highlight:

 

Portanto:

  • congelar a despesa;
  • baixar carga fiscal;
  • não é preciso cortar nada.

É isto? Se sim, onde é que se assina para este génio da Economia ser PM já hoje?

Editado por Ghelthon

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Citação de HappyKing, há 5 minutos:

Porque dizes isso?

 

Porque se nota que veio do Chega. Não consegue defender ideia nenhuma, as poucas que tem, baralha-as todas.

 

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Citação de Alonso., há 14 horas:

Malta de perto da fronteira deixou de compensar abastecer na Espanha, não? Já estamos no dia 9 e os preços praticados são mais altos que em Portugal 😔

Yup, o governo espanhol acabou com as ajudas.

Durante o primeiro trimestre mantêm as ajudas no gasóleo profissional mas as empresas só recebem o desconto na devolução do IVA. Pelo meio estão a cometer uma ilegalidade porque só está a ser válido para empresas espanholas o que vai contra as normas da união europeia.

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Carla Castro, a mulher que quando acabava uma frase pegava na caneca da SIC e bebia um golo do que estava lá dentro.

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Citação de Ghelthon, há 1 hora:

Portanto:

  • congelar a despesa;
  • baixar carga fiscal;
  • não é preciso cortar nada.

É isto? Se sim, onde é que se assina para este génio da Economia ser PM já hoje?

Eu sei que era sarcasmo, mas ficar com a ideia de que ele acha que não é preciso cortar nada é enganadora. O congelamento de despesa que ele refere é em valor absoluto (é a reposta à forma como reduziria a despesa dos atuais ~48% para os tais 35%). Ora, isto implica ter a economia a crescer os tais 3%, mas ter os salários estagnados durante anos, e ter uma degradação dos serviços, tendo em conta que a inflação não vai ser sempre 0, mas o dinheiro para gastar é sempre o mesmo. Ou seja, acabam por existir cortes.

Só depois da despesa chegar aos 35% é que seria possível congelar o valor relativo, e ter o absoluto a crescer ao ritmo da economia.

Editado por jplobo
Typo
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Citação de Puto Perdiz, há 1 hora:

Carla Castro, a mulher que quando acabava uma frase pegava na caneca da SIC e bebia um golo do que estava lá dentro.

e que numa frase dizia 1 ou 2x robustez. 

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Citação de jplobo, há 1 hora:

Eu sei que era sarcasmo, mas ficar com a ideia de que ele acha que não é preciso cortar nada é enganadora. O congelamento de despesa que ele refere é em valor absoluto (é a reposta à forma como reduziria a despesa dos atuais ~48% para os tais 35%). Ora, isto implica ter a economia a crescer os tais 3%, mas ter os salários estagnados durante anos, e ter uma degradação dos serviços, tendo em conta que a inflação não vai ser sempre 0, mas o dinheiro para gastar é sempre o mesmo. Ou seja, acabam por existir cortes.

Só depois da despesa chegar aos 35% é que seria possível congelar o valor relativo, e ter o absoluto a crescer ao ritmo da economia.

Obviamente. Não fiz contas, mas não acho que seja preciso para perceber que aquilo é wishful thinking e nunca iria funcionar.

Quer dizer, iria funcionar dentro de uma certa ideologia - aquela que delapida os serviços públicos.

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Citação de Ghelthon, há 9 minutos:

Presidente da Câmara de Espinho detido por corrupção (jn.pt)

Tu ru ru ru ru, another one bites the dust

O Observador diz que o ex-presidente e atual vice do PSD, o Pinto Moreira, também é visado. Em teoria factos de 2018 na altura em que o atual presidente exercia arquitetura.

Ao que o Observador apurou, Joaquim Pinto Moreira do PSD também é visado nesta investigação. Antigo presidente da Câmara Espinho é hoje vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD e foi escolhido pelo partido para liderar a comissão de Revisão Constitucional na Assembleia da República. Foi algo de buscas judiciais mas ainda não terá sido constituído arguido.

Editado por HappyKing

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Citação de Ghelthon, há 4 horas:

Obviamente. Não fiz contas, mas não acho que seja preciso para perceber que aquilo é wishful thinking e nunca iria funcionar.

Quer dizer, iria funcionar dentro de uma certa ideologia - aquela que delapida os serviços públicos.

Eu diria que nem ele acredita naquilo. Pareceu-me que ia explicar que cortes teriam que ser feitos no momento em que o vídeo foi cortado.

Essa parte da conversa que está em vídeo é um mundo idílico que ele sabe que não existe.

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É mais um 'ele diz o que os seus eleitores querem ouvir'. 

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Citação de Castor, há 41 minutos:

Eu diria que nem ele acredita naquilo. Pareceu-me que ia explicar que cortes teriam que ser feitos no momento em que o vídeo foi cortado.

Essa parte da conversa que está em vídeo é um mundo idílico que ele sabe que não existe.

Ele diz, literalmente, que se congelar a despesa e o país crescer 3% ao ano, não precisa de fazer cortes.

Mesmo assumindo que o país cresceria esses 3% anuais, achar que consegue não fazer cortes e baixar impostos ao mesmo tempo é completamente wishful thiking.

Se diz as coisas sem acreditar, é só mais um aldrabão.

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1 - Cortar no investimento público

2 - Serviços públicos pioram progressivamente 

3 - "O Estado não consegue resolver os problemas dos portugueses"

4 - Privatiza-se tudo

 

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Citação de Ghelthon, há 2 horas:

Ele diz, literalmente, que se congelar a despesa e o país crescer 3% ao ano, não precisa de fazer cortes.

Mesmo assumindo que o país cresceria esses 3% anuais, achar que consegue não fazer cortes e baixar impostos ao mesmo tempo é completamente wishful thiking.

Se diz as coisas sem acreditar, é só mais um aldrabão.

Se o país crescer 3% ao ano a carga fiscal pode baixar mantendo a despesa.

Editado por Castor

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