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Tópico da Política, Ambiente e Economia

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A consoladora redondeza da Terra

Qualquer "debate" com André Ventura nunca será sobre outra coisa que não as coisas que André Ventura quer dizer na televisão, e o que ele quer dizer nunca é sobre política, mas sobre tudo aquilo que começa no sítio onde a política acaba.

Rogério Casanova
22 Fevereiro 2020 — 00:12
André Ventura

André Ventura

© Leonardo Negrão/Global Imagens

Nesta semana, centenas de milhares de portugueses tiveram oportunidade de ver alguém a explicar na televisão que 1) ele não é racista, e 2) Portugal, tal como ele, também não é racista. Não foi a primeira vez que esta pessoa foi à televisão explicar que nem ele nem Portugal são racistas; também não será a última. Há vários anos que é possível ver a mesma pessoa numa parte diferente da televisão, onde, em vez de explicar que não é racista e que Portugal não é racista, costuma explicar outro género de coisas, aos gritos. As explicações costumam versar temas como "ISTO ALGUMA VEZ É PENÁLTI?" "VAI CHAMAR PALHAÇO À TUA TIA!" ou "ANÍBAL! ANÍBAL! NÃO ME INTERROMPAS! ANÍBAL!"

A pessoa que comentava penáltis e especulava sobre laços de parentesco de palhaços tornou-se entretanto deputado, e o aparato jornalístico-televisivo nacional auto-impôs-se a tarefa de o submeter à única forma de escrutínio que hoje em dia conhece: o escrutínio que consiste em apontar periodicamente uma câmara a alguém e perguntar-lhe "qual é a sua opinião sobre este assunto?" O assunto designado da semana era "o racismo", portanto as opções eram apenas duas. O inquirido pode achar que o racismo é bom, ou pode achar que o racismo é mau.

Que o racismo é mau foi uma mensagem transmitida com tamanho sucesso ao longo das últimas décadas que se tornou quase consensual, mesmo entre pessoas que de vez em quando se comportam como se o racismo fosse bom, ou pelo menos neutro. O gesto reflexo de qualquer racista é precisamente negar que o seu racismo é racista. "Racista" passou a significar apenas aquilo que ninguém é, porque o racismo é mau e o racista não acredita ser mau. A alternativa óbvia é passar a achar que o problema real não é "o racismo", mas sim outro, e "a hipocrisia" é sempre um candidato viável.

Os painéis de comentário futebolístico são a academia perfeita para desenvolver dois talentos específicos muito úteis na arte de substituir um problema por outro: a capacidade para continuar a gritar coisas na televisão enquanto outras pessoas gritam coisas diferentes; e a capacidade paralela - comum, aliás, à maioria dos adeptos de futebol, mesmo os que não vão à televisão - para conseguir blindar qualquer opinião através do recurso constante a situações hipotéticas, imaginando o que diriam pessoas imaginárias nas circunstâncias por si imaginadas. O que diria o adepto do clube x se situação y fosse com ele? E o que diria a imprensa se esta falta fosse cometida pelo jogador y em vez do jogador z? O que estas pessoas ou instituições imaginárias diriam ou não diriam é sempre, imagine-se, muitíssimo hipócrita.

É esta longa e árdua formação profissional que permite a André Ventura dizer coisas muito alto e muito depressa, sem que essas coisas mantenham em nenhum momento a mais ténue relação com o assunto supostamente em causa. É o que lhe permite, por exemplo, a propósito dos insultos racistas de que Marega foi alvo, comentar que "António Costa não fez um tweet quando um bombeiro foi agredido, porque não dava jeito" ou que "qualquer dia não podemos dizer paciência de chinês porque vem logo uma comissão meter-nos um processo". Semanticamente, as frases cumprem a mesma função de "não falas daquele fora-de-jogo de Setembro em Vila do Conde porque não dá jeito!" ou "qualquer dia não se pode tocar em nenhum jogador que é logo penálti!" Respeitam a melodia do tema com uma letra improvisada. Permitem que o racismo continue a ser mau, ao mesmo tempo que é despromovido à condição de falso problema e substituído por outro, que é o problema de "qualquer dia ser tudo racismo".

André Ventura faz várias coisas, mas nenhuma delas é complicada. E a mais simples e mais pertinente é esta: selecciona algumas coisas que não costumavam ser ditas na televisão e depois vai à televisão dizê-las

Também presente no estúdio, Miguel Sousa Tavares interpretou o mesmo papel que Ricardo Sá Fernandes interpretara duas semanas antes: a voz condescendente e apenas levemente exasperada do adulto na sala, cumprindo a sua cândida utopia de que as "ideias" se derrotam em duelos do séc. XIX, com luvas, cartolas, regras, árbitro e elevação, e provavelmente alheio ao facto de o espectáculo, para quem assistia de fora, se assemelhar a um debate entre estatísticas do Pordata e uma resma de manchetes em caixa alta. "Vivemos num dos países mais seguros do mundo", explicou, de forma adulta. "Vamos ser sérios, Miguel, vamos deixar de ser hipócritas", ouviu. "A maioria agora sente-se a minoria, Miguel, quando é ao contrário nunca é racismo, Miguel", ouviu. "Os portugueses que pagam impostos estão fartos disto", ouviu.

O debate durou 15 minutos e conseguiu não ser sobre racismo, nem sobre Marega, nem sobre futebol, nem sequer sobre política, porque qualquer "debate" com André Ventura nunca será sobre outra coisa que não as coisas que André Ventura quer dizer na televisão, e o que ele quer dizer nunca é sobre política, mas sobre tudo aquilo que começa no sítio onde a política acaba: o reino da sensação e do atavismo, da irritação espontânea, da comichão do momento - de algo que pode assumir várias formas e ser provocado por vários assuntos, mas que se pode resumir quase sempre da mesma maneira: a autocomiseração impotente e recursiva de quem acredita que há demasiadas coisas irritantes a ser ditas por pessoas irritantes - na televisão, nos jornais, nas redes sociais - e portanto precisa de que alguém diga as coisas opostas para aliviar essa irritação.

André Ventura faz várias coisas, mas nenhuma delas é complicada. E a mais simples e mais pertinente é esta: selecciona algumas coisas que não costumavam ser ditas na televisão e depois vai à televisão dizê-las. Que as coisas que diz sejam falsas, ou que as diga de uma forma transparentemente performativa, é quase irrelevante, porque a melhor resposta encontrada até agora pelas pessoas que não são André Ventura é aparecer ao lado dele na televisão a reiterar, de modo igualmente performativo, as verdades bem-comportadas que sempre foram ditas na televisão. O racismo existe e é mau: xeque-mate.

Kierkegaard conta, num dos seus textos menores, a história de um louco que conseguiu fugir de um hospício. A caminho da cidade mais próxima, é assaltado pelo receio de ser recambiado caso suspeitem de que ele é louco, portanto decide-se a convencer toda a gente da sua sanidade, através "da verdade objectiva daquilo que diz". O resultado prático desta decisão é que, ao visitar um amigo, ou ao cruzar-se com estranhos na rua, não faz outra coisa a não ser repetir "A Terra é redonda! A Terra é redonda!". O desgraçado é prontamente internado outra vez.

Uma quantidade considerável de pessoas que costumam dizer coisas na televisão (e nos jornais, e nas redes sociais) foi-se convencendo gradualmente de que identificar e classificar algo desagradável é o mesmo que torná-lo inoperante. Os explicadores profissionais dos "perigos do populismo" na imprensa, normalmente mais interessados em procurar analogias do que raízes, estiveram nos últimos anos demasiado entretidos com outra figura do futebol português para perceberem que quem se desmarcava e seguia isolado era quem já fazia parte do mesmo sistema, alguém cuja ambição nunca se esgotou em dizer apenas mal dos árbitros na televisão, quando há tanta coisa que se pode dizer na televisão, e tanto problema para substituir pelo problema da "hipocrisia".

 

O venturismo não existe politicamente, porque só existe no ecrã, e apenas em reacção a algo predefinido, a algo que já irritou alguém, algures: a sua substância resume-se a dizer na televisão aquilo que ninguém dizia na televisão, e a confiar na propensão de algumas pessoas para interpretar aquilo que ninguém dizia como algo crucial que se pretendia ocultar. O arsenal retórico disponível para combater isto é, pelos vistos, reiterar a confortável verdade de que a Terra é redonda, perguntar a André Ventura se ele acha bem ou mal que a Terra seja redonda, e ouvir tranquilamente a sua resposta - na televisão, e todas as semanas. Claro que a Terra é redonda, concorda ele. Não há problema nenhum com coisas redondas, alguns dos meus melhores amigos são redondos. Mas muitas outras coisas são quadradas e sobre isso ninguém fala porque não dá jeito. Vamos ser sérios, chega de hipocrisia. Qualquer dia é tudo redondo, e os portugueses que pagam impostos estão fartos.

Escreve de acordo com a antiga ortografia

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/22-fev-2020/a-consoladora-redondeza-da-terra-11848175.html

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Finalmente os negacionistas também já criaram um ídolo composto por tudo aquilo que a acusam a greta de ser. 

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Citação de Mayday, há 5 horas:

Finalmente os negacionistas também já criaram um ídolo composto por tudo aquilo que a acusam a greta de ser. 

antes havia uma americana toda "the south willl rise again", mas foi banida do youtube.

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Citação de Puto Perdiz, Em 25/02/2020 at 12:41:

perdeu a florida com essa

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

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Citação de El Colosso, há 15 minutos:

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

A maior parte dos hispânicos que abandonaram Cuba são anti-Castro, portanto saíram de Cuba e foram para os EUA. Mas sim, o problema é que essas gerações ainda dominam os EUA e vai demorar uns 10/15 anos até perderem a sua importância atual bastante decisiva.

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Citação de El Colosso, há 3 horas:

O pessoal cubano anti-Castro é quase todo na sua totalidade Republicano, e isso é nas gerações mais antigas. Nas gerações mais novas, os democratas têm grande parte da população hispânica da Florida (que agora é cada vez mais porto-riquenha e dominicana)

Eu gosto muito do Bernie, se bem que acho que a sua idade é "demasiado" avançado e tenho alguma dificuldade em o imaginar nos palcos do mundo. Quero também deixar claro que acho o melhor dos candidatos.

No entanto, esta história para mim prova de certa forma de que ele não terá grande hipóteses. Para o americano médio qualquer tipo que diga que quer aumentar os impostos aos ricos, que quer aumentar a despesa na Segurança Social e que quer um sistema como o Europeu dificilmente não será considerado um marxista.

Ainda nem estamos no confronto com o Trump e já está a ser catalogado por todos os lados como um velho louco comunista que vai destruir os ideais americanos.

Um bom exemplo é o de um jornalista da ABC que foi "apanhado" em camarâ a dizer isto:

“I think there should be national health insurance,” Wright argues. “I’m totally fine with reining in corporations, I think there are too many billionaires, and I think that there’s a wealth gap. That’s a problem.”

Resultado, foi marcado como socialista\comunista e já foi suspenso (também por se declarar no video contra o Trump)

Editado por SAS_Robben

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Citação de Plagio o Original, há 9 horas:

 

Spoiler
Reportagem

“Há cada vez mais desigualdade no Porto. Não se pode viver aqui”

Na ilha do Beco do Paço, o anúncio do fim dos contratos instalou o medo. Senhorio vai realojar dois inquilinos, os restantes ficam por sua conta. Câmara do Porto não garante casas no imediato e todos recusam ir para albergues. E agora? “Vou para a rua dormir e pedir… é o que me resta”

Mariana Correia Pinto (texto) e
Paulo Pimenta (fotografia)
26 de Fevereiro de 2020, 7:18
 
O silêncio de Mamadou Samba é ensurdecedor. Empurra a porta vermelha de entrada na sua ilha e caminha lentamente pelo longo e estreito corredor, entre electrodomésticos velhos, malas vazias, móveis, sacos, bacias, cobertores, vasos pouco floridos. Caminha alheio à conversa acesa entre os vizinhos, como se ignorasse um filme demasiadas vezes repetido na TV. Os contratos de arrendamento de quem ainda ali habita foram cessados. O prazo dado pelo senhorio já passou. Mas, sem alternativa à vista e numa angústia crescente, resistem à saída. Mamadou Samba, boina preta e olhar deserto, permanece introspectivo. Passa pelos vizinhos, abre a porta de casa, puxa uma cadeira para o corredor. A sua imagem, sentado e de cigarro na mão, é a metáfora perfeita do fim. Numa revolta taciturna, desorientada e já sem forças. “Está tudo igual”, acaba por dizer, minutos depois.

“Tudo igual” é sinónimo de interrogação profunda quanto ao tempo por vir. A dias do último Natal, quando o PÚBLICO ali entrou pela primeira vez e a notícia indesejada trazida pelo senhorio causava inquietação, as palavras já lhe faltavam. “Querem tirar a gente à toa”, contava, desnorteado, enquanto exibia a sua “casa-bunker: Metros quadrados contados na palma de uma mão, cozinha a que não se pode chamar cozinha, sem casa de banho, colchão no chão e paredes enegrecidas pela humidade. Mamadou Samba chegou há 11 anos ao Beco do Paço, pequena artéria portuense sem saída nem honras de toponímia para lá da designação do lugar. Cobravam-lhe 125 euros mensais por aquele pedaço de casa que não é casa, “é um buraco”, a poucos passos do Hospital de Santo António. Paga água, luz, medicação, faz as refeições num albergue na Praça da República. Sobra pouco para lá da promessa de resistir: “Não saio, daqui não saio.”

É uma frase repetida por quase todos. Não por teimosia ou capricho, mas por um sentimento de atropelo e ausência de opções. Ana Sousa fora a primeira a dar por estranhos no corredor da ilha, apressando-se a chamar o companheiro. “Ele fala melhor”, justifica-se. António Santos tem frases assertivas e 51 anos de uma vida nunca em linha recta. Há meses diagnosticaram-lhe duas hérnias na coluna e indicaram-lhe o caminho do bloco operatório. O patrão mostrou-lhe o caminho da rua. Sem emprego nas obras nem direito a subsídio de desemprego, sobrevive com o Rendimento Social de Inserção (RSI): menos de 200 euros que não lhe permitem itinerário algum.

Ana Sousa vem de telemóvel na mão para mostrar a impossibilidade matemática da sobrevivência. Todos os dias procuram um tecto novo, antevendo o momento em que a polícia invada a ilha e os obrigue a sair. Arrendar uma casa no Porto é pura utopia para o casal, ambos com RSI — “Pedem 600, 800, 1000 euros...” — e mesmo uma simples cama revela-se uma busca inglória. “Quartos para casal são 375”, responderam-lhe por sms quando tentou saber mais sobre um anúncio online: “260 euros”, lê-se noutra mensagem, com o aviso pronto de seguida, “só para solteiros”.

No início de Janeiro, António Santos entregou os papéis de pedido de casa na empresa municipal de habitação do Porto, consciente da ausência de direitos na sua ilha por não ter um contrato há anos suficientes. A lei só obriga o senhorio, que o PÚBLICO não conseguiu contactar, a realojar dois inquilinos e é para eles que tem procurado alternativa. Para António, a resposta do município chegaria um mês depois: a candidatura não atingia a “pontuação mínima para a qualificação e atribuição de uma habitação em regime de arrendamento apoiado”. Jurando ter apenas o RSI como rendimento e explicando ter feito o pedido apenas para ele porque a companheira estava, naquela altura, ausente, aponta a frase na carta e questiona: “Será que não tenho direito por não ter dinheiro? Ou acham que tenho a mais?”

Quem não cumpre a matriz do regulamento da Domus Social é geralmente convidado pela autarquia a fazer uma candidatura ao Porto Solidário, projecto municipal de apoio ao pagamento da renda ou empréstimo bancário que aumentará a sua dotação para dois milhões e prevê auxiliar mil famílias na nova edição. “Mandaram-me procurar uma casa, que depois apoiavam. E onde estão as casas?!”

A diferença entre rendas e rendimentos é crescente. O aviso é de académicos e foi comprovado recentemente por uma equipa de investigadores da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, que relatam uma frequente incapacidade de famílias com rendimentos médios de aceder a um apartamento dito mediano. Para quem fica abaixo desses, o drama agrava-se. Isso mesmo está dito na Estratégia Local de Habitação, elaborada pelo próprio município para concorrer ao Programa de Apoio ao Acesso à Habitação 1.º Direito. Analisando o segundo quintil, correspondente a rendimentos mais baixos, revelaram a quase completa incapacidade dessas pessoas para aceder ao mercado: só numa tipologia T0 é possível pagar, em todas as freguesias do Porto, uma renda definida pela ONU e pelo 1.º Direito como comportável (aquela que não compromete a satisfação de outras necessidades básicas).

No Porto, a habitação social é a finta mais comum ao problema: 30 mil pessoas vivem em bairros camarários e cerca de mil já tiveram direito a uma casa, mas aguardam por ela numa lista de espera com tempo estimado de três anos. O número não mostra todo o universo carente de um tecto, como revelou a própria autarquia num estudo de 2017 realizado a pedido do Governo, apontando para o dobro a quantidade de famílias em “privação severa de habitação”. Para alguns, o caminho parece barrado nas duas vias: numa, um mercado privado escasso ou com preços inacessíveis, noutra uma resposta social incapaz de abraçar todos. Sobram, depois, o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, que terá cerca de mil casas no Porto e respostas de emergência social recusadas por muitos: dormir em albergues ou pensões é, para eles, uma não-solução. A habitação, direito constitucional, deve ser garantida, em primeiro lugar, pelo Governo, têm repetido o executivo de Rui Moreira e a oposição. Mas, na ilha do Carregal, na freguesia do centro histórico, a Constituição não passa da porta.

No fio da navalha

António Santos chega-se à casa da vizinha do lado. “Oh Sãozinha, anda cá fora!” Maria da Conceição abriga-se no número cinco da ilha por caridade. Ser dependente do tio António Moura Pinto — um dos dois inquilinos que serão realojados pelo senhorio, pela idade e por terem contratos antigos — nunca esteve nos seus planos. Trabalha há mais de 20 anos a fazer limpezas num colégio privado do Porto onde a mensalidade mais baixa não anda muito longe do salário mínimo e a máxima lhe daria condições de uma vida folgada. Maria da Conceição deixou de conseguir pagar os 300 euros do quarto a que chamava casa, na Ribeira, quando uma cirurgia à mão esquerda a forçou a ficar de baixa. Agora, nem esse rendimento tem.

A pernoitar entre as paredes do tecto da filha e a minúscula casa do tio, onde a cama é curta para o seu tamanho, diz ter perdido a chegada de uma carta registada com convocatória para a junta médica. Faltou, perdeu direitos. Maria da Conceição tem 66 anos, entregou os papéis para a reforma, mas pondera todos os dias voltar ao colégio, contra indicação médica e apesar da falta de força. Na bacia pousada no corredor, pode ilustrar a sua incapacidade: “Pus ali a roupinha de molho e agora nem consigo torcê-la. Esta minha mão está muito mal...”

Como o vizinho, também ela pediu uma habitação camarária em Janeiro. O processo está em análise, mas, conhecendo o desfecho do caso de António Santos, teme o pior. “E se não tiver casa?”, pergunta sem aguardar réplica. O descrédito na democracia cresce e o medo da mudança instala-se. Maria da Conceição orgulha-se da nova cidade, bonita e cobiçada, mas questiona a utilidade da sua beleza se não a puder viver também. “É tudo para turista ver”, reclama, falando dos preços das habitações e dos “hostels por todo o lado.”. O regulamento para o Alojamento Local está a ser redigido há quase um ano pela câmara, que determinou a suspensão temporária de novos registos no centro histórico e na freguesia do Bonfim, onde o número de AL é já superior ao de habitações, até à sua conclusão. No estudo-base para a elaboração do regulamento, sobressaíam dados agridoces. A reabilitação urbana no Porto fez-se graças ao turismo, quis sublinhar o executivo. Mas a expulsão de moradores por causa desse mesmo motor económico foi significativa — 57% dos AL haviam ocupado casas onde morava gente —, apontaram outras forças políticas.

Na ilha, a discussão afasta-se de dados, mas recheia-se de realidade. E da impressão de uma vida sentenciada: sem pilares, de pobreza entranhada, às vezes geracional, mas nunca voluntária. “Vou para a rua viver e pedir… é o que resta”, acrescenta Maria da Conceição, como se respondesse, com receio, à sua pergunta anterior. “Ninguém quer viver assim, mas aqui chegámos...” Ao lado, António Santos acena de cabeça baixa e resume a sua dor: “Há cada vez mais desigualdade no Porto. Não se pode viver aqui.

 

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Por isso é que não dava jeito ao PS baixar o IVA da luz. O excedente orçamental já tinha destinatário.

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Citação de ascom, há 57 minutos:

Espertos. Siga dar cabo do candidato mais votado do nosso partido, porque claramente isso não vai levar os nossos eleitores a não votar ou a votar no outro partido.

Citação de Bashir, há 1 minuto:

Eish, essa notícia é mesmo para matar os capitalistas todos que a lerem...

Mas o último parágrafo é bastante elucidativo: é interessante o congelamento por 5 anos mas, se os preços continuarem a subir durante esse tempo, no final dos 5 anos os aumentos serão brutais.

Editado por Ghelthon

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Daqui a 5 anos não há capitalismo. Ou não existirão senhorios. Lei da bala

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Citação de ascom, há 6 horas:

Não percebo como esta malta acha que ao fazerem isso iam estar a aumentar as probabilidades de ganhar ao Trump. Tudo aquilo que eles temem com uma nomeação Sanders era o que ia acontecer se levassem isso avante.

Para não falar que o Bernie Sanders é o único candidato democrata que vai batendo o Trump em sondagens na Pensilvânia, Michigan e Wisconsin.

Editado por JackBauerPT

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Com isto do Coronavirus ninguém tem prestado atenção ao que está a acontecer na Síria. 22 soldados turcos foram mortos e guerra com a Rússia já não é tão improvável como há uns tempos. 

Entretanto a Turquia abriu as fronteiras  e vai deixar refugiados passar para a Europa nas próximas 72 horas. Surreal.

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Citação de JackBauerPT, há 10 minutos:

Não percebo como esta malta acha que ao fazerem isso iam estar a aumentar as probabilidades de ganhar ao Trump. Tudo aquilo que eles temem com uma nomeação Sanders era o que ia acontecer se levassem isso avante.

Para não falar que o Bernie Sanders é o único que vai batendo o Trump em sondagens na Pensilvânia, Michigan e Wisconsin.

Ele dão por perdida a presidência se for o Sanders e preferem tentar ganhar a House e o Senado. As eleições aqui são muito importantes. O Senado pode bloquear juízes que o Trump indique e quem ganhar estas eleições para a House vai poder redesenhar os distritos eleitorais fazendo gerrymandering para os próximos 10 anos. Se for o Sanders o candidato, até podem ganhar a presidência( ou não) mas o Senado e a house ficam muito complicados. 

Ainda por cima com dois dos maiores contribuidores dos democratas a esbanjarem dinheiro nas suas próprias candidaturas não vão ter muito interesse apoiar o Sanders. 

Editado por ascom

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Citação de ascom, há 3 minutos:

Ele dão por perdida a presidência se for o Sanders e preferem tentar ganhar a House e o Senado. As eleições aqui são muito importantes. O Senado pode bloquear juízes que o Trump indique e quem ganhar estas eleições para a House vai poder redesenhar os distritos eleitorais fazendo gerrymandering. Se for o Sanders o candidato, até podem ganhar a presidência( ou não) mas o Senado e a house ficam muito complicados. 

Ainda por cima com dois dos maiores contribuidores dos democratas a esbanjarem dinheiro nas suas próprias candidaturas não vão ter muito interesse apoiar o Sanders. 

Se for nomeado o candidato mais próximo de bater o Trump ficam mais perto de perder a House e o Senado, mas se for nomeado um outro candidato cagando na democracia e no voto popular ficam mais perto de manter a House e controlar o Senado? Gostava que alguém mais entendido me explicasse o porquê.

O Bloomberg disse que ia colocar dinheiro no candidato democrata fosse ele qual fosse, mas não estou a ver um gajo como o Sanders a aceitar.

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A força aérea da Rússia bombardeou um edifício onde estavam soldados Turcos, na região de Afrin, Síria, onde a Turquia apoia os rebeldes islamitas.

Fala-se em 50 soldados Turcos regulares mortos. Há rumores da Turquia declarar guerra à Síria. Isto aconteceu agora mesmo. Erdogan vai falar na TV.

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Citação de antifa, há 7 minutos:

A força aérea da Rússia bombardeou um edifício onde estavam soldados Turcos, na região de Afrin, Síria, onde a Turquia apoia os rebeldes islamitas.

Fala-se em 50 soldados Turcos regulares mortos. Há rumores da Turquia declarar guerra à Síria. Isto aconteceu agora mesmo. Erdogan vai falar na TV.

Acabaram de anunciar que vão retaliar. 

Para já parecem estar a atacar zonas kurdas

Editado por ascom

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Citação de ascom, há 3 minutos:

Acabaram de anunciar que vão retaliar. 

Para já parecem estar a atacar zonas kurdas

Acho que é tudo rumores para já. Está a decorrer uma reunião no palácio presidencial, só depois deve acontecer alguma coisa. Os rumores agora vão ser mais que muitos...

A Turquia fez bluff e perdeu, a Rússia não está para brincadeiras. A Turquia apoia um exército de terroristas num território onde entrou ilegalmente, ainda para mais têm surgido vídeos dos seus soldados a tentar abater caças russos. Não há grande defesa possível, é meter o rabo entre as pernas e voltar para casa. Mas claro que antes vão fazer estardalhaço para a coisa não cair mal dentro de casa.

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Citação de antifa, há 1 hora:

Acho que é tudo rumores para já. Está a decorrer uma reunião no palácio presidencial, só depois deve acontecer alguma coisa. Os rumores agora vão ser mais que muitos...

A Turquia fez bluff e perdeu, a Rússia não está para brincadeiras. A Turquia apoia um exército de terroristas num território onde entrou ilegalmente, ainda para mais têm surgido vídeos dos seus soldados a tentar abater caças russos. Não há grande defesa possível, é meter o rabo entre as pernas e voltar para casa. Mas claro que antes vão fazer estardalhaço para a coisa não cair mal dentro de casa.

Um F-16 turco foi abatido no espaço aéreo sírio. 

Rumores de que amanhã a Turquia pode ser declarada Guerra.

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