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Citação de bmfpcdm, há 18 minutos:

A do alcoolismo não foi descontextualizada, pois lembro-me bem de termos trocado vários comentários sobre o assunto. Se evoluiste entretanto, ótimo. Aplaudo.

A partir do momento em que apresentas a afirmação sem qualquer contexto, está descontextualizada. Tu lembras-te e eu não duvido que tais comentários tenham acontecido. Mas surgiram num determinado contexto que não apresentas. Sem isso, é chover no molhado. Até porque, se me permites a franqueza, eu coloco muitas reservas na tua capacidade de interpretação sobre o que eu escrevo quando se trata destas matérias sobre as quais denotas hiper-sensibilidade. Coloco-as agora e, por maioria de razão, coloco-as igualmente quanto a conversas ocorridas há vários anos.

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Citação de Jamarcus, há 58 minutos:

Ninguém é morto, perseguido ou insultado de forma constante por ser canhoto.

Há uns 50 anos as crianças eram agredidas por professores por serem canhotas e obrigadas a escrever com a direita.

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Citação de kareca, há 8 minutos:

Há uns 50 anos as crianças eram agredidas por professores por serem canhotas e obrigadas a escrever com a direita.

Depois parou-se com isso e, surpresa das surpresas, o números de pessoas canhotas aumentou e está estável prai desde os anos 80 ou 90. Como o número de pessoas LGBT está a "aumentar" e vai estabilizar

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Citação de El Colosso, há 5 minutos:

Depois parou-se com isso e, surpresa das surpresas, o números de pessoas canhotas aumentou e está estável prai desde os anos 80 ou 90. Como o número de pessoas LGBT está a "aumentar" e vai estabilizar

Só deixei um facto (ou fato como queiram, ainda pegam com isto também ou crl).

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Citação de kareca, há 1 minuto:

Só deixei um facto (ou fato como queiram, ainda pegam com isto também ou crl).

Eu sei, estava apenas a acrescentar mais informação a isso

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Citação de Descartes, há 44 minutos:

A partir do momento em que apresentas a afirmação sem qualquer contexto, está descontextualizada. Tu lembras-te e eu não duvido que tais comentários tenham acontecido. Mas surgiram num determinado contexto que não apresentas. Sem isso, é chover no molhado. Até porque, se me permites a franqueza, eu coloco muitas reservas na tua capacidade de interpretação sobre o que eu escrevo quando se trata destas matérias sobre as quais denotas hiper-sensibilidade. Coloco-as agora e, por maioria de razão, coloco-as igualmente quanto a conversas ocorridas há vários anos.

Encontrei o tópico. Aqui está o contexto:

Citação de Descartes, Em 17/07/2017 at 23:56:

 

Sabemos disso. E essa situação combate-se rebatendo cientificamente os argumentos. Não é mandando calar o homem. Mandá-lo calar até pode ser contra-producente. "O Dr. disse que a homossexualidade do meu Teobaldo pode ser curada, mas os bandidos do lobby gay calaram-no! Não querem que se saiba..."

 

 

 

Porque não acho, de todo, que as palavras dele legitimem posições discriminatórias. Muito pelo contrário até acho que a ideia da homossexualidade ser uma doença poderia gerar o efeito de aumentar a tolerância e a não descriminação. Aconteceu esse efeito quando os drogados passaram a ser toxicodependentes e quando os bêbados passaram a alcoólicos. Com a integração da toxicodependência e do alcoolismo na categoria de doenças tratáveis diminuiu a discriminação. Apareceram Centros de Reabilitação como cogumelos e a Sociedade passou a encarar os novos doentes com outros olhos. Mais tolerantes.

 

Estou convicto que poderia acontecer o mesmo com os homossexuais. Passariam a ser os "pobres infelizes que contraíram aquela maleita". Porque na minha opinião a intolerância decorre em boa parte do pensamento simplista do cidadão comum: se não é doença é escolha! Se é escolha podem ser criticados e desprezados. Afinal foram eles que escolheram essa vida...

 

A dificuldade da comunidade homossexual é conseguir passar a mensagem de que não se trata de doença nem de escolha. E é compreensível que não queiram ser tratados como coitadinhos e diminuídos que seria o que aconteceria caso fosse considerado doença.

 

Em suma, para mim não está em causa a legitimação de posições discriminatórias. Está em causa uma questão de afirmação própria de identidade e igualdade. Não aquela igualdade que se pretende para doentes ou deficientes físicos ou mentais mas uma igualdade de facto.

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Vou atirar lenha para a vossa fogueira porque é giro.

 

Primeiro abordar a questão das atletas trans. É uma questão 300x mais complexa do que a que estão a meter no tópico. Primeiro porque, antes de pensarmos porque razão existe este "ban" temos de pensar, porque razão existem categorias para mulheres. E, na maioria dos casos, estas categorias existem porque as mulheres NÃO PODIAM competir com os homens. Se, hoje em dia, existe um skill gap em várias modalidades entre homens e mulheres (e para este exercicio vamos usar o sistema binário de genero), há uns 100 anos atrás o skill gap era bastante menor. Nem as condições de treino nem a dedicação eram as mesmas. E, nessa altura, tens casos de algumas mulheres que conseguiam ir taco a taco com homens. Basta veres nos primórdios da MLB onde algumas mulheres ainda pitchavam. Ora, os homens não achavam muita piada a isso. E então deu-se um ban a que elas pudessem competir contra eles. (EDIT: E, generalmente, também competir entre elas, o que leva ao final de várias competições femininas e a possibilidade de elas competirem.) Passado vários anos começam a surgir algumas competições femininas até, eventualmente, se establecer, e em muitos paises ainda estão em fases primórdias, desportos para ambos os generos. Ou seja, existe uma necessidade de existir estas ligas para as mulheres puderem competir.

E, outra coisa importante que convém referenciar, o sexismo existe e ainda é bastante prevalente em vários mundos. Basta verem o caso dos eSports. Vejam a forma como alguem que tenha uma voz feminina ou seja uma mulher é tratada em qualquer ponto online e, talvez, comecem a perceber que os problemas que elas enfrentam e aforma como são tratadas é bastante diferente. E, em vários outros meios, encontras este paralelismo. Isto para dizer que há muito mais para se falar do que propriamente dum skill gap. (que, atenção, hoje em dia é mais que notório e torna praticamente impossível haver uma competição entre géneros justa).  E e neste skill gap que acaba por acontecer o ban.

 

Vamos a parte dos atletas transgenero. Isto é tudo muito engraçado porém, contudo, acho que a maior parte das pessoas não leu o comunicado a 100%. O ban que existe ocorre para atletas que tenham passado a puberdade e, após isso, tenham efectuado a transição. Ponto importante do comunicado: Até que novos estudos digam o contrário.

Porque o maior problema reside aqui. Não existe consenso cientifico nem existe base cientifica para defender qualquer posição. Isto porque não há dados suficientes para fazer essa mesma conclusão. A maior parte dos estudos sobre o tema ainda estão num patamar demasiado embrionário para tirarem uma conclusão definitiva. Há essa vantagem? Os 2 anos em controlo hormonal conseguem anular? Existe indícios que existe uma vantagem palpável?

Agora surge outra questão importante sobre este tema: quantos exemplos práticos têm que essa vantagem efectivamente tenha, em termos práticos, existido? Porque, curiosamente, apenas se ouve falar nos grandes sucessos e nos atletas trans que dominam tudo. Não tenho acesso, agora, aos dados mas há pouco tempo até saiu uma comparação onde, na maior parte dos casos, tinhas 1/2 atletas que apesar de claramente superiores aos resultados que detinham pré-transição, não conseguiam o dominio que lhes era esperado. Porque, sejamos sinceros, se as atletas trans fossem assim tão dominadores seria de esperar que, 4/5 anos após os primeiros "casos" (e chamo-lhe casos devido a dimensão mediática que tiveram) tenham sido reportados, as categorias femininas fossem já todas dominadas por esse tipo de atletas. Tal não é o caso. Mesmo, por exemplo, no caso do futebol, senão estou em erro, tiveste 1 atleta trans nos JO de Tóquio, senão me falha a memória na seleção canadiana. Se existe esse mega dominio e essa mega vantagem, então não existiram mais casos?

Mas, Maffu, existem muito menos atletas trans! Facto. Existem. E, também por ai, é dificil existir uma conclusão porque, efectivamente, há poucos dados sobre o assunto. Mas, também se diga, que não é fácil para uma mulher ser atleta. Podes também falar das dificuldades que boa parte dos desportos femininos têm em conseguir arranjar talento e, depois de o arranjar, em o manter porque, em vários paises, estes desportos são bastante sub-desenvolvidos. Basta ver o caso português aliás.

Conclusão real disto: Não há uma conclusão.

Há dois lados que defendem coisas sem que haja uma solução perfeita. Por um lado banir atletas trans é algo extremamente complexo que acaba por, de certa forma, ser um atentado a dignidade como pessoa. Estás basicamente a reafirmar que elas não têm os plenos direitos das mulheres e que acabam por ter de se cingir a padrões normativos. O que não é uma boa solução.

Por outro lado, é impossível, nesta altura, afirmar que existe uma comparação 1:1 em termos de competição entre alguém que tenha transicionado e alguém que não tenha. E, novamente é facto, que existem um número de atletas extremamente dominadoras.

Qual é a solução? Não tenho. Compreendo o ponto do ban, de salvaguardar o desporto feminino enquanto não há mais dados científicos para tomar uma decisão concreta, mas é uma decisão que vai depender muito mais do compasso moral de cada um do que de qualquer outro argumentos.

Outro ponto importante para acabar esta mini introdução. Os dados cientificos existem e os estudos sobre o impacto destes atletas existe. Sem qualquer dúvida. Agora, são estudos que estão na sua infância e que, devido ao numero reduzido de atletas, ainda vão ter uns belos anos a analisar mais e mais dados para terem uma conclusão que não seja tirada a primeira vista.

Falta, na verdade, falar no ponto ético número 2. Transição pré-puberdade ou não. Consegue uma criança tomar essa decisão ou deverá ser evitada até a sua maioridade? Tomando essa decisão e querendo reverter, como funciona essa reversão?

Novamente, não sei. Não consigo dar respostas satisfatórias. São casos extremamente complicados que, em muitos casos, vai do nosso compasso moral. E, acima de tudo, torna a maior parte destas discussões numa discussão de moralidade, onde há pouca abertura em querer ver o outro lado do compasso moral.

 

Citação de bmfpcdm, há 17 horas:

Não, ninguém nasce como mulher, ou homem. Preparem-se para um momento educacional aqui do guru do sítio.

Nós nascemos com órgãos sexuais, e com base nisso um género é-nos atribuído à nascença. Rapaz se o bebé nasceu com pila, rapariga se nasceu sem pila.

Se consideram estranho que eu me referi ao sexo de um bebé como a ausência da pila, não se preocupem, estão corretos em achar estranho; todavia a realidade é que ‘once upon a time’ só se considerava existir um único sexo… qual? *drum roll* O da pila! Nessa altura a vagina era considerada, nada mais, nada menos, do que uma pila invertida! *audience gasp* Mas há um ‘twist’ nesta história, a ciência ensinou-nos que o sexo feminino é o ‘default’, e que é o sexo masculino que deriva do sexo feminino, portanto a existir um único sexo, seria o da vagina. *audience claps* Há outro ‘twist’, no entanto, pois tudo isto tem base no pressuposto de que o sexo biológico é um binário, contudo isso está longe de ser verdade. A verdade é que há indivíduos intersexo, e o triste é que muitos destes bébes, ao longo da história e ainda hoje, foram/são submetidos a cirurgias desnecessárias logo após a nascença para que possam encaixar num conceito binário socialmente construído. Se há algo que eu desejo que retenham desta tangente histórica, é de que nem o sexo biológico se confina a um binário.

Continuemos, então. Na vasta maioria das vezes a criança ao se desenvolver acaba por se identificar com o género que lhe foi atribuído à nascença (com base no seu sexo biológico), porém isso nem sempre acontece. Por vezes, o género e o sexo biológico não se alinham, e esses indivíduos são transgénero; rapaz/homem transgénero é alguém que, apesar de ter nascido com sexo feminino,  não se identifica como rapariga/mulher, mas sim como rapaz/homem; rapariga/mulher transgénero é alguém que, apesar de ter nascido com sexo masculino, não se identifica como rapaz/homem, mas sim rapariga/mulher.

Há 1 falha neste argumento. Todo este argumento parte de um pressuposto: o genero é binário.

O maior problema aqui é quereres assumir que ou és homem ou és mulher. Tudo o resto é chutado para canto. Quando, na verdade, as coisas são bastante mais complexas.

O que também te falta dizer, se ai quiseres, além de entrar em pessoas agender ou não binárias, é que o genero, cada vez mais, se prova como algo que se assemelha mais a um espectro do que a um sistema binário. Novamente, voltamos ao problema que tivemos em cima, muita da argumentação cientifica que suporta esta teoria está a ser desenvolvida e confirmada agora.

Mais do que pensar "és homem ou mulher" pense-se, então, em toda a construção social que existe por volta do genero. E do impacto social que tal construção tem. E, atenção, em nenhum ponto quero dizer que há algum problema em se dizer que se é isto ou que se é aquilo.

 

Citação de Jimpo, há 6 horas:

Assumes também que haverá mais gente confusa?

Na adolescência principalmente onde a pessoa se procura e tenta encontrar com grupos mais parecidos connosco.

Vou falar da minha experiência, do modo como vejo o meu mundo pequeno que não é a realidade para dar uma pergunta/exemplo. O caso da colega de turma que aos 12 anos era emo, aos 13 gótica, aos 14 reggae e aos 15 punk, etc. Não pode esse aumento de pessoas não-binárias/transgénero/e tudo o mais ser também ligado a muita gente que se procura inserir num grupo e não consegue? 

Lembro-me de há uns meses terem feito uma reportagem na France Inter (rádio francesa declaradamente de esquerda) onde fizeram uma peça na Suécia que referiram como sendo um dos países onde a transição de género é dos mais fáceis em termos de acesso, e muito dos entrevistados criticavam essa facilidade porque 1- estavam ainda na adolescência quando ainda não eram formados como pessoas 2 - o acompanhamento psicológico não era o adequado. Um dos casos em questão, nasceu no sexo masculino, fez conversão aos 16/17, e voltou a fazer reconversão (?) por volta dos 25/26 porque afinal após chegar a adulto já se sentia como homem. Esse caso era alguém que tinha sido abandonado pelos pais, vivia em famílias de acolhimento, problemas de droga. Ou seja, alguém desfeito que nunca teve o acompanhamento psicológico adequado o que nunca o permitiu crescer como pessoa "normal". A peça era interessante e falava mais sobre o caso do perigo do mau acompanhamento psicológico e da sua importância. 

Resumindo a questão é: O aumento hoje em dia não pode estar muito direcionado com uma falha de inserção na sociedade no dito normal procurando todas as possibilidades para encaixar em algum lado? porque dá sempre a ideia que isto acontece muito mais em termos % nos USA que no resto do mundo. 

 

 

Vamos lá ver uma coisa. Nós estamos a tratar isto como se fosse uma escolha e se fosse "inserir num grupo". As coisas são muito mais complexas do que quereres "inserir em algo". O que acontece, em grande parte dos casos, é que tu tens de renegar quem és. Seja por pressão social, escolar, famililar (é tudo social seu nabo!!!), existe essa questão que acaba por te apagar um pouco a identidade. E ai há também uma razão, tu acabas por te moldar a sociedade a tua volta e acabas por, um pouco, ter de te encontrar dentro da sociedade. Ninguém é verdadeiramente livre para ser quem é, a nível social.

A questão de transicionar e retransicionar é extremamente complexa. E os números de quem depois faz o processo inverso são muito mas muito reduzido, num universo já de si reduzido.

O problema aqui é que, para muitos de nós, e aqui eu me incluo, é absolutamente impossível compreender a situação. É impossível porque não conseguimos projetar para a nossa realidade o que essas pessoas sentem.

Uma das coisas importantes sobre isso da identificação é que, para nós, não é sequer uma questão. É uma realidade. Para outras pessoas não é assim. E, aqui, ias precisas de ter uma pessoa trans que te explicasse. Porque por muito que ouça o "estar preso num corpo" ou o "identificar-se com outro genero" eu não faço ideia e nem acho que algum dia vá saber o que é. A questão é que isto vai para além do social.

E isso nota-se mais nos USA porque a questão é muito mais politizada lá do que cá. Tiveste essa discussão cá aquando da morte da Gisberta, que pouco ou nada se fez. E continua a ser uma população marginalizada. A grande questão é que, na maior parte dos casos, prefere-se ignorar do que os utilizar como arma de arremesso político.

Aliás, se fores a compreender, muita da discussão a volta das comunidade LGBT+ é única e exclusivamente politica, onde são usados como arma de arremesso (principalmente nos USA) para cada lado da barricada usar as suas narrativas para que a população os siga.

 

EDIT: Há muito termo errado ai, sejam felizes de me corrigir.

Editado por Maffu
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Ver discussões contigo é exasperante. Não tens argumentos decentes para defender o que acreditas, juntando ao facto de tens imensa dificuldade em compreender o que é escrito pelos outros.

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O Maffu ainda acreditar que alguém vai ler o testamento dele é sempre engraçado 

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Citação de Maffu, há 24 minutos:

Há 1 falha neste argumento. Todo este argumento parte de um pressuposto: o genero é binário.

O maior problema aqui é quereres assumir que ou és homem ou és mulher. Tudo o resto é chutado para canto. Quando, na verdade, as coisas são bastante mais complexas.

O que também te falta dizer, se ai quiseres, além de entrar em pessoas agender ou não binárias, é que o genero, cada vez mais, se prova como algo que se assemelha mais a um espectro do que a um sistema binário. Novamente, voltamos ao problema que tivemos em cima, muita da argumentação cientifica que suporta esta teoria está a ser desenvolvida e confirmada agora.

Mais do que pensar "és homem ou mulher" pense-se, então, em toda a construção social que existe por volta do genero. E do impacto social que tal construção tem. E, atenção, em nenhum ponto quero dizer que há algum problema em se dizer que se é isto ou que se é aquilo.

 

Eu sei disso, mas aceito a crítica. Eu quando mencionei que o sexo biológico não se confina a um binário, tive para escrever algo como "muito menos o género". Inicialmente até tinha a intenção de mencionar o conceito performativo da Judith Butler, mas a longa tangente histórica e a hora adiantada fez-me desistir da ideia.

Citação de Almeno, há 10 minutos:

O Maffu ainda acreditar que alguém vai ler o testamento dele é sempre engraçado 

Eu li.

Editado por bmfpcdm

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Citação de bmfpcdm, há 3 horas:

Encontrei o tópico. Aqui está o contexto:

Muito obrigado.

Portanto, um tópico sobre o Dr. Gentil Martins e as suas declarações polémicas em que descreveu a homossexualidade como anomalia, que originou uma queixa à Ordem dos Médicos. Um tópico em que eu, em inúmeros posts, afirmei discordância com a posição do Dr. Gentil Martins mas defendi que achava inconcebível que elas justificassem qualquer queixa à Ordem. Em que eu, num post em que rebatia a ideia de que essas declarações conduziriam a um agravamento das posições discriminatórias sobre os homossexuais, defendi que poderiam, pelo contrário, diminui-las a exemplo do que aconteceu com o alcoolismo e a toxicodependência quando passaram a ser consideradas doenças.

E tu retiras de tudo o que escrevi nesse tópico que eu defendia que seria benéfico para os homossexuais se a homossexualidade fosse vista pela sociedade como uma doença estilo o alcoolismo.

Quando eu digo, nesse mesmo post que citaste que :

A dificuldade da comunidade homossexual é conseguir passar a mensagem de que não se trata de doença nem de escolha. E é compreensível que não queiram ser tratados como coitadinhos e diminuídos que seria o que aconteceria caso fosse considerado doença.

E ainda:

Está em causa uma questão de afirmação própria de identidade e igualdade. Não aquela igualdade que se pretende para doentes ou deficientes físicos ou mentais mas uma igualdade de facto.

 

E tu, passados 7 anos, caracterizas o que disse como posições homofóbicas chocantes e pedes para que eu me retrate. E ainda reforças dizendo que as afirmações não estavam descontextualizadas porque te lembravas perfeitamente delas.

E agora queres o quê? Que te leve a sério?

 

Em todo o caso, aconselho a todos a leitura desse tópico, agora que o estive a reler. Foi uma conversa bastante interessante, com argumentos válidos e que contou com vários dos "melhores" users com que me cruzei aqui no fórum. Gostei bastante de voltar a ler.

Para quem quiser:

 

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Ainda com o gaslighting...

Isto são palavras tuas: "Muito pelo contrário até acho que a ideia da homossexualidade ser uma doença poderia gerar o efeito de aumentar a tolerância e a não descriminação."

Seja qual for o contexto, não fazem sentido nenhum. Foi uma tirada infeliz da tua parte. Não fazia mal nenhum, quase 6 anos depois (essa matemática vai mal), te retratares.

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Citação de bmfpcdm, há 13 minutos:

Ainda com o gaslighting...

Isto são palavras tuas: "Muito pelo contrário até acho que a ideia da homossexualidade ser uma doença poderia gerar o efeito de aumentar a tolerância e a não descriminação."

Seja qual for o contexto, não fazem sentido nenhum. Foi uma tirada infeliz da tua parte. Não fazia mal nenhum, quase 6 anos depois (essa matemática vai mal), te retratares.

Podem não fazer sentido na tua cabeça. Estás no teu direito.

Na minha cabeça o que não faz sentido é pegares nessa frase, sem valorizares o contexto, e afirmares que se trata de uma posição homofóbica chocante da minha parte.

Não me preocupa minimamente até porque vem de alguém que defende que o sado-masoquismo é aconselhável para construir uma relação sexual saudável.

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Citação de bmfpcdm, há 24 minutos:

Kink shaming, are we?

Nah é só mesmo bmfpcdm shaming...e com razao

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Precisam de explorar os horizontes. Lembrem-se sempre da palavra de segurança.

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Citação de Maffu, há 5 horas:

Vou atirar lenha para a vossa fogueira porque é giro.

 

Primeiro abordar a questão das atletas trans. É uma questão 300x mais complexa do que a que estão a meter no tópico. Primeiro porque, antes de pensarmos porque razão existe este "ban" temos de pensar, porque razão existem categorias para mulheres. E, na maioria dos casos, estas categorias existem porque as mulheres NÃO PODIAM competir com os homens. Se, hoje em dia, existe um skill gap em várias modalidades entre homens e mulheres (e para este exercicio vamos usar o sistema binário de genero), há uns 100 anos atrás o skill gap era bastante menor. Nem as condições de treino nem a dedicação eram as mesmas. E, nessa altura, tens casos de algumas mulheres que conseguiam ir taco a taco com homens. Basta veres nos primórdios da MLB onde algumas mulheres ainda pitchavam. Ora, os homens não achavam muita piada a isso. E então deu-se um ban a que elas pudessem competir contra eles. (EDIT: E, generalmente, também competir entre elas, o que leva ao final de várias competições femininas e a possibilidade de elas competirem.) Passado vários anos começam a surgir algumas competições femininas até, eventualmente, se establecer, e em muitos paises ainda estão em fases primórdias, desportos para ambos os generos. Ou seja, existe uma necessidade de existir estas ligas para as mulheres puderem competir.

E, outra coisa importante que convém referenciar, o sexismo existe e ainda é bastante prevalente em vários mundos. Basta verem o caso dos eSports. Vejam a forma como alguem que tenha uma voz feminina ou seja uma mulher é tratada em qualquer ponto online e, talvez, comecem a perceber que os problemas que elas enfrentam e aforma como são tratadas é bastante diferente. E, em vários outros meios, encontras este paralelismo. Isto para dizer que há muito mais para se falar do que propriamente dum skill gap. (que, atenção, hoje em dia é mais que notório e torna praticamente impossível haver uma competição entre géneros justa).  E e neste skill gap que acaba por acontecer o ban.

 

Vamos a parte dos atletas transgenero. Isto é tudo muito engraçado porém, contudo, acho que a maior parte das pessoas não leu o comunicado a 100%. O ban que existe ocorre para atletas que tenham passado a puberdade e, após isso, tenham efectuado a transição. Ponto importante do comunicado: Até que novos estudos digam o contrário.

Porque o maior problema reside aqui. Não existe consenso cientifico nem existe base cientifica para defender qualquer posição. Isto porque não há dados suficientes para fazer essa mesma conclusão. A maior parte dos estudos sobre o tema ainda estão num patamar demasiado embrionário para tirarem uma conclusão definitiva. Há essa vantagem? Os 2 anos em controlo hormonal conseguem anular? Existe indícios que existe uma vantagem palpável?

Agora surge outra questão importante sobre este tema: quantos exemplos práticos têm que essa vantagem efectivamente tenha, em termos práticos, existido? Porque, curiosamente, apenas se ouve falar nos grandes sucessos e nos atletas trans que dominam tudo. Não tenho acesso, agora, aos dados mas há pouco tempo até saiu uma comparação onde, na maior parte dos casos, tinhas 1/2 atletas que apesar de claramente superiores aos resultados que detinham pré-transição, não conseguiam o dominio que lhes era esperado. Porque, sejamos sinceros, se as atletas trans fossem assim tão dominadores seria de esperar que, 4/5 anos após os primeiros "casos" (e chamo-lhe casos devido a dimensão mediática que tiveram) tenham sido reportados, as categorias femininas fossem já todas dominadas por esse tipo de atletas. Tal não é o caso. Mesmo, por exemplo, no caso do futebol, senão estou em erro, tiveste 1 atleta trans nos JO de Tóquio, senão me falha a memória na seleção canadiana. Se existe esse mega dominio e essa mega vantagem, então não existiram mais casos?

Mas, Maffu, existem muito menos atletas trans! Facto. Existem. E, também por ai, é dificil existir uma conclusão porque, efectivamente, há poucos dados sobre o assunto. Mas, também se diga, que não é fácil para uma mulher ser atleta. Podes também falar das dificuldades que boa parte dos desportos femininos têm em conseguir arranjar talento e, depois de o arranjar, em o manter porque, em vários paises, estes desportos são bastante sub-desenvolvidos. Basta ver o caso português aliás.

Conclusão real disto: Não há uma conclusão.

Há dois lados que defendem coisas sem que haja uma solução perfeita. Por um lado banir atletas trans é algo extremamente complexo que acaba por, de certa forma, ser um atentado a dignidade como pessoa. Estás basicamente a reafirmar que elas não têm os plenos direitos das mulheres e que acabam por ter de se cingir a padrões normativos. O que não é uma boa solução.

Por outro lado, é impossível, nesta altura, afirmar que existe uma comparação 1:1 em termos de competição entre alguém que tenha transicionado e alguém que não tenha. E, novamente é facto, que existem um número de atletas extremamente dominadoras.

Qual é a solução? Não tenho. Compreendo o ponto do ban, de salvaguardar o desporto feminino enquanto não há mais dados científicos para tomar uma decisão concreta, mas é uma decisão que vai depender muito mais do compasso moral de cada um do que de qualquer outro argumentos.

Outro ponto importante para acabar esta mini introdução. Os dados cientificos existem e os estudos sobre o impacto destes atletas existe. Sem qualquer dúvida. Agora, são estudos que estão na sua infância e que, devido ao numero reduzido de atletas, ainda vão ter uns belos anos a analisar mais e mais dados para terem uma conclusão que não seja tirada a primeira vista.

Falta, na verdade, falar no ponto ético número 2. Transição pré-puberdade ou não. Consegue uma criança tomar essa decisão ou deverá ser evitada até a sua maioridade? Tomando essa decisão e querendo reverter, como funciona essa reversão?

Novamente, não sei. Não consigo dar respostas satisfatórias. São casos extremamente complicados que, em muitos casos, vai do nosso compasso moral. E, acima de tudo, torna a maior parte destas discussões numa discussão de moralidade, onde há pouca abertura em querer ver o outro lado do compasso moral.

 

Há 1 falha neste argumento. Todo este argumento parte de um pressuposto: o genero é binário.

O maior problema aqui é quereres assumir que ou és homem ou és mulher. Tudo o resto é chutado para canto. Quando, na verdade, as coisas são bastante mais complexas.

O que também te falta dizer, se ai quiseres, além de entrar em pessoas agender ou não binárias, é que o genero, cada vez mais, se prova como algo que se assemelha mais a um espectro do que a um sistema binário. Novamente, voltamos ao problema que tivemos em cima, muita da argumentação cientifica que suporta esta teoria está a ser desenvolvida e confirmada agora.

Mais do que pensar "és homem ou mulher" pense-se, então, em toda a construção social que existe por volta do genero. E do impacto social que tal construção tem. E, atenção, em nenhum ponto quero dizer que há algum problema em se dizer que se é isto ou que se é aquilo.

 

 

Vamos lá ver uma coisa. Nós estamos a tratar isto como se fosse uma escolha e se fosse "inserir num grupo". As coisas são muito mais complexas do que quereres "inserir em algo". O que acontece, em grande parte dos casos, é que tu tens de renegar quem és. Seja por pressão social, escolar, famililar (é tudo social seu nabo!!!), existe essa questão que acaba por te apagar um pouco a identidade. E ai há também uma razão, tu acabas por te moldar a sociedade a tua volta e acabas por, um pouco, ter de te encontrar dentro da sociedade. Ninguém é verdadeiramente livre para ser quem é, a nível social.

A questão de transicionar e retransicionar é extremamente complexa. E os números de quem depois faz o processo inverso são muito mas muito reduzido, num universo já de si reduzido.

O problema aqui é que, para muitos de nós, e aqui eu me incluo, é absolutamente impossível compreender a situação. É impossível porque não conseguimos projetar para a nossa realidade o que essas pessoas sentem.

Uma das coisas importantes sobre isso da identificação é que, para nós, não é sequer uma questão. É uma realidade. Para outras pessoas não é assim. E, aqui, ias precisas de ter uma pessoa trans que te explicasse. Porque por muito que ouça o "estar preso num corpo" ou o "identificar-se com outro genero" eu não faço ideia e nem acho que algum dia vá saber o que é. A questão é que isto vai para além do social.

E isso nota-se mais nos USA porque a questão é muito mais politizada lá do que cá. Tiveste essa discussão cá aquando da morte da Gisberta, que pouco ou nada se fez. E continua a ser uma população marginalizada. A grande questão é que, na maior parte dos casos, prefere-se ignorar do que os utilizar como arma de arremesso político.

Aliás, se fores a compreender, muita da discussão a volta das comunidade LGBT+ é única e exclusivamente politica, onde são usados como arma de arremesso (principalmente nos USA) para cada lado da barricada usar as suas narrativas para que a população os siga.

 

EDIT: Há muito termo errado ai, sejam felizes de me corrigir.

Mucho texto

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Citação de Descartes, há 52 minutos:

Não me preocupa minimamente até porque vem de alguém que defende que o sado-masoquismo é aconselhável para construir uma relação sexual saudável.

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Citação de Jimpo, Em 26/03/2023 at 08:40:

@bmfpcdm qual a porcentagem de pessoas que não se sentem sexo masculino ou sexo masculino, em que país isso acontece mais, tem havido aumento nos últimos 20/30 anos por exemplo, acontece mais num lado do globo que de outro? Há dados? 

Lembro-me de ter visto que sempre houve tribos perdidas no planeta em que existia homens que se vestiam de mulher, faziam os trabalhos que eram atribuídos a mulheres, não consigo ter a certeza se referiam que se sentiam como alguém do sexo feminino. 

Será impossível teres esses números. Da mesma maneira que homossexuais há 50 anos pareciam uma minoria ainda mais minoritária porque eram reprimidos, será o mesmo para essa minoria.

Quando andava na faculdade de economia há 15 anos haviam muito poucos homossexuais assumidos. Com o passar dos anos e com a sua normalização cada vez mais começaram a se assumir e consigo facilmente pensar em mais de 5 amigos em que isso aconteceu.

Curiosamente este fim de semana tive o primeiro caso próximo de pessoa que não se identifica com o género que nasceu. Estive com uma pessoa com quem era próximo na faculdade em que o look era homem clássico de barba, calças de sarja e camisa. Entretanto foi para fora há uns anos, apareceu de cabelo comprido, cara lisa como quem fez barba a laser e vestido de forma feminino (leggins justas e casaco de mulher que passa bem por hoodie). Não se identifica como homem e o único motivo para o ter feito no passado era vir de uma família altamente conservadora.

Ah e para quebrar o estereótipo, não se identificar com sendo do sexo masculino não implica ser gay. Este último não só continua a ter preferência sexual por mulheres como se casou com uma que conheceu já depois dessa "transformação".

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Se calhar já venho um pouco atrasado para a discussão, mas num dos posts do @bmfpcdm falou sobre os bebes nascerem com sexo biologico definido, mas não com identidade de genero (espero estar a usar os termos correctos)

Quais sao as diretrizes aconselhaveis para tratar a criança?

Assumindo neste caso que o bebe nasce com pila, os familiares devem referir-se ao bebe usando o pronome masculino ou isso é impingir uma identidade na criança?

Como farias @bmfpcdm se um dia decidires ser pai/mãe? 

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Citação de a.lopes, há 34 minutos:

Se calhar já venho um pouco atrasado para a discussão, mas num dos posts do @bmfpcdm falou sobre os bebes nascerem com sexo biologico definido, mas não com identidade de genero (espero estar a usar os termos correctos)

Quais sao as diretrizes aconselhaveis para tratar a criança?

Assumindo neste caso que o bebe nasce com pila, os familiares devem referir-se ao bebe usando o pronome masculino ou isso é impingir uma identidade na criança?

Como farias @bmfpcdm se um dia decidires ser pai/mãe? 

Tens um bebé e certamente já começaste a reparar que o bebé tem preferências. Tenho 3, 2 raparigas e 1 rapaz e sempre existiram diferenças óbvias. As 2 meninas pegam nos bebés para acarinhá-los, dão-lhes leitinho, tudo isso, a mais nova com 1 ano já fazia isso. Quem lhe dava a maior parte das vezes o biberão era o pai e não a mãe. Já o rapaz, também pega nos brinquedos da irmã mais velha mas as bonecas servem é para lutar umas com as outras. A minha mulher não usa muitas cores na roupa e muito menos se pinta, e as minhas filhas quanto mais brilhante e rosa melhor. E se pudessem ir para a rua todas pintadas tipo palhaços melhor ainda. A mais velha só quer vestidos e nunca viu isso na mãe. Por isso, na maioria das pessoas, há algo que já cria essa diferença de comportamentos, essa polaridade. Claro que há uma minoria de casos que são diferentes, mas será sempre errado julgar que uma menina gosta de bebés e um rapaz de lutas porque a sociedade assim o impõe.

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