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A controvérsia sobre um museu que ainda não existe: Descobertas ou Expansão?

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Citação do jornal "Expresso" online

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A controvérsia sobre um museu que ainda não existe. Descobertas ou Expansão?

Mais de oitenta académicos são contra a possibilidade de Lisboa vir a ter um "Museu das Descobertas". Numa carta, que o Expresso publica abaixo, explicam porque é que um museu dedicado à expansão portuguesa nunca deverá ter esta designação. A ideia de criar na capital uma instituição como esta foi defendida no programa eleitoral de Fernando Medina, eleito presidente da câmara de Lisboa. Os signatários da carta, na maioria historiadores e cientistas sociais, consideram o nome "Museu das Descobertas" um erro de perspectiva.

"Porque é que um museu dedicado à 'Expansão' portuguesa e aos processos que desencadeou não pode nem deve chamar-se 'Museu das Descobertas'?

A ideia de construir um 'Museu das Descobertas' na cidade de Lisboa, incluída no programa eleitoral de Fernando Medina de 2017, não é nova, e tem sido objecto, nas últimas semanas, de algumas reflexões no espaço público. Num momento em que a capital está a viver um surto de turismo e interesse internacional nunca visto, criar um museu sobre este período histórico pode parecer tentador.

Se existem vantagens na criação de um espaço museológico deste tipo, porque é que ele não deve intitular-se 'Museu das Descobertas'?

Desde logo, porque essa designação cristaliza uma incorrecção histórica, razão pela qual, como historiadores e cientistas sociais, não podemos estar de acordo com ela. Apesar do vocábulo 'descobrimento', no singular e no plural, ter sido utilizado nos séculos XV e XVI para descrever o facto de se terem encontrado terras e mares desconhecidos na Europa, a verdade é que, na quase totalidade dos casos, ele apenas se refere à percepção da realidade do ponto de vista dos povos europeus. É inquestionável que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia, para quem, naquela altura, vivia na Europa Ocidental. Precisamente porque um dos aspectos que resultou deste e de outros episódios de 'expansão' foi o contacto entre povos de culturas muito diversas, é que é tão importante considerar o ponto de vista e a percepção de todos os envolvidos. Para os não europeus, a ideia de que foram 'descobertos' é problemática.

Ter-se-ão os povos africanos, asiáticos e americanos, de histórias milenares, sentido 'descobertos' pelos portugueses? E como se sentirão hoje as populações oriundas desses territórios ao visitarem um espaço museológico que priva os seus antepassados de iniciativa histórica, reduzindo-os ao papel de objecto da acção descobridora, muitas vezes violenta, dos portugueses? Sabe-se hoje que, ainda antes da viagem de Vasco da Gama, os chineses ensaiaram programas de navegação que poderiam ter tido como resultado o descobrimento do caminho marítimo para a Europa. Se assim tivesse sucedido, os europeus da época ter-se-iam sentido 'descobertos' pelos chineses? E os europeus de hoje, incluindo os portugueses, sentir-se-iam bem com a existência, na China, de um museu que evocasse o modo como os chineses tinham posto os europeus na história do mundo?

Ou seja, parece evidente que um museu que visa promover, como se propõe no programa eleitoral de Fernando Medina, 'a reflexão sobre aquele período histórico nas suas múltiplas abordagens, de natureza económica, científica, cultural, nos seus aspectos mais e menos positivos, incluindo um núcleo dedicado à temática da escravatura' não deve chamar-se 'Museu das Descobertas'. Isso seria uma outra forma de reduzir a riqueza e complexidade dos factos históricos a um só ponto de vista – o português. Ou de privilegiar este ponto de vista, impondo-o a outros que dele não partilham. Seria, ainda, recorrer a uma expressão frequentemente utilizada durante o Estado Novo para celebrar o passado histórico, e que convoca, por isso mesmo, um conjunto de sentidos que não são compatíveis com o Portugal democrático. Seria, por fim, optar por uma via que se distancia de experiências museológicas contemporâneas que abordam processos históricos complexos e carregados de sentidos contraditórios e conflituosos.

Na última década, muitos museus, em vários lugares do mundo, têm sido espaços determinantes nas novas formas de pensar a história, quer através das suas instalações permanentes, quer através de exposições temporárias. Atribuir o nome de 'Descobertas' a um novo espaço museológico em Lisboa, ainda que nele se incluam múltiplas perspectivas, seria ignorar a riqueza dos debates e da investigação internacional e nacional que tem sido feita sobre o período histórico em questão e os vocabulários que lhe estão associados. E aquilo que tem sido feito são exercícios de reflexão crítica que conduziram à construção de histórias que não são 'nacionais', porque incluem pessoas e experiências de vários espaços geográficos. E que exigiram um grande rigor no momento de escolher as melhores palavras para designar e caracterizar essas histórias.

Os exemplos são inúmeros, e destacamos aqui apenas alguns. Em Washington inaugurou-se, em 2016, o National Museum of African American History & Culture; há mais de uma década abriu, no Brasil, o Museu Afro Brasil; e, em Liverpool, o International Slavery Museum pensa as histórias contrapostas da escravatura. Em muitos países têm-se multiplicado as exposições onde 'as palavras e as coisas' são o resultado de uma reflexão crítica. Porquê insistir, então, num nome que, em vez de valorizar, tanto quanto for possível, as experiências de todos os povos que estiveram envolvidos neste processo, valoriza somente um deles? Mesmo que a diversidade, a multiplicidade e 'os aspectos positivos e negativos' venham a ser exemplarmente narrados num futuro museu, não serão comprometidos pela opção de um nome que persiste numa imprecisão histórica?

Os argumentos enunciados contra a designação 'Museu das Descobertas' aplicam-se, igualmente, à designação 'Museu da Interculturalidade de Origem Portuguesa', já que a esta também subjaz uma narrativa sobre o passado português que peca por uma boa dose de mitificação. Os portugueses dos séculos XV a XVIII – bem como os dos séculos XIX e XX - nem sempre foram paladinos do diálogo intercultural. Muito frequentemente foram o contrário disto. Como se pode ver, a questão não é apenas a do nome, mas aquilo que o nome representa enquanto projecto ideológico.

Num momento em que se intensificam, em Portugal, os debates sobre a história colonial portuguesa, em que surgem grupos de afrodescendentes que querem uma história plural, em que a academia, jornalismo e sociedade civil começam a falar de forma mais crítica e mais aberta, é importante que um novo museu seja também o reflexo dessa riqueza problematizante. A questão não é apenas a do seu nome, mas aquilo que esse nome pode representar enquanto projecto ideológico.

Encontrar um outro nome que se possa tomar como ponto de partida para reflectir e para expor criticamente estes processos históricos, poderá exigir algum esforço. Mas não deixará de produzir resultados melhores do que o uso de uma expressão obsoleta, incorrecta, e carregada de sentidos equívocos."

Signatários: Alice Ramos, ICS-ULisboa; Ana Maria S. A. Rodrigues, FL-ULisboa; André Belo, Univ. Rennes II; Anna M. Klobucka, Universidade de Massachusetts Dartmouth (EUA); Ângela Barreto Xavier, ICS-ULisboa; António Camões Gouveia, CHAM/NOVA-FCSH; António Manuel Hespanha, CEDIS-NOVA; António Sousa Ribeiro, CES Coimbra/FLUC; Cátia Antunes, Univ. de Leiden; Cristiana Bastos, ICS-ULisboa; Cristina Nogueira da Silva, CEDIS/NOVA-FD; Diogo Ramada Curto, IPRI-NOVA FCSH; Elsa Peralta CEC-ULisboa; Fernanda Olival, CIDEHUS – Univ. Évora; Fernando Dores Costa, IHC/NOVA FCSH; Filipa Lowndes Vicente, ICS-ULisboa; Hermenegildo N. G. Fernandes, CH/FL-ULisboa; Hugo Gonçalves Dores, CES- Coimbra; Inês Beleza Barreiros, FCSH-UNL, New York University; Inês Galvão, ICS-ULisboa; Inês Ponte, ICS-ULisboa; Inocência Mata, FL-ULisboa; Isabel A. Ferreira Gould, CEC/FL-ULisboa, The Ohio State University; Isabel Castro Henriques, FL-ULisboa; Isabel Correa da Silva, ICS-ULisboa; Joacine Katar Moreira, CEI/ISCTE-IUL; Joana Cunha Leal, IHA/NOVA-FCSH; Joana Estorninho de Almeida, CEDIS NOVA; Joana Fraga, ICS-ULisboa; Joana Pontes, CEI/ISCTE-IUL; Joana Rita da Costa Brites, FLUC/CEIS20-UC; João Paulo Oliveira e Costa, CHAM/NOVA FCSH; João Vasconcelos, ICS-ULisboa; Jorge Vala, ICS-ULisboa; José Alberto Tavim, CH/FL-ULisboa; CIDEHUS-Univ. Évora; José Damião Rodrigues, CH/FL-ULisboa; José Manuel Sobral, ICS-ULisboa; José Pedro Monteiro, NOVA IHMT; José Neves, Dep. História - NOVA FCSH; José Silva Horta, FL-ULisboa; José Subtil, UAL; Luís Filipe Barreto, FL-ULisboa; Luís Trindade, Birkbeck, University of London; Luís de Moura Sobral, Université de Montréal; Mafalda Soares da Cunha, CIDEHUS-Univ. Évora; Magda Nico, CIES-IUL; Margarida Rendeiro, Universidade Lusíada/CHAM, FCSH-UNL; Maria-Benedita Basto, Lettres, Sorbonne Université, Paris; Maria Cardeira da Silva, CRIA/NOVA-FCSH; Maria do Carmo Piçarra, CECS-U.Minho / CFAC-U. Reading; Maria José Lobo Antunes, ICS-ULisboa; Mariana Pinto dos Santos, IHA, NOVA-FCSH; Marina Costa Lobo, ICS-ULisboa; Marta Lança, FCSH-UNL; Marta Macedo, ICS-ULisboa; Marta Rosales, ICS-ULisboa; Miguel Cardina, CES-Coimbra; Miguel Bandeira Jeronimo, CES-Coimbra; Miguel Vale de Almeida ISCTE-IUL/CRIA; Nélia Dias, ISCTE-IUL; Nuno Gonçalo Monteiro, ICS-ULisboa; Nuno Senos, NOVA FCSH; Patrícia Ferraz de Matos, ICS-ULisboa; Patrícia Martins Marcos, IHC-UNL; Paulo Jorge Fernandes, NOVA FCSH; Pedro Aires Oliveira, IHC-NOVA FCSH; Pedro Cardim, CHAM-NOVA FCSH; Pedro Magalhães, ICS-ULisboa; Pedro Ramos Pinto, University of Cambridge; Pedro Schacht Pereira, Ohio State University, CEC/FL-ULisboa; Ricardo Roque, ICS-ULisboa; Rita Almeida Carvalho, ICS-ULisboa; Roberta Stumpf, CHAM/NOVA FCSH; Rodrigo Lacerda, NOVA FCSH/CRIA; Rosa Maria Perez, ISCTE-IUL/CRIA; Rui Bebiano, FLUC/CES; Rui Costa Lopes, ICS-ULisboa; Rui Gomes Coelho, Rutgers University, EUA; Rui Tavares, historiador; Sérgio Campos Matos, FL-ULisboa; Susana Matos Viegas, ICS-ULisboa; Teresa Castro, Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3; Walter Rossa, Fac. Arquitectura/CES Coimbra; Vitor Serrão, ARTIS-IHA-FL-ULisboa; Zoltán Biedermann, University College London.

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Ter-se-ão os povos africanos, asiáticos e americanos, de histórias milenares, sentido 'descobertos' pelos portugueses? E como se sentirão hoje as populações oriundas desses territórios ao visitarem um espaço museológico que priva os seus antepassados de iniciativa histórica, reduzindo-os ao papel de objecto da acção descobridora, muitas vezes violenta, dos portugueses? Sabe-se hoje que, ainda antes da viagem de Vasco da Gama, os chineses ensaiaram programas de navegação que poderiam ter tido como resultado o descobrimento do caminho marítimo para a Europa. Se assim tivesse sucedido, os europeus da época ter-se-iam sentido 'descobertos' pelos chineses? E os europeus de hoje, incluindo os portugueses, sentir-se-iam bem com a existência, na China, de um museu que evocasse o modo como os chineses tinham posto os europeus na história do mundo?

 

Já sabia ao que vinha.

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Concordo com a lógica. Especialmente sabendo o que esses "descobrimentos" trouxeram como a destruição de parte da cultura nativa. Expansão adequa-se melhor.

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Concordo com a lógica. Especialmente sabendo o que esses "descobrimentos" trouxeram como a destruição de parte da cultura nativa. Expansão adequa-se melhor.

 

x2.

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Passaram-se quase 44 anos desde o 25 de Abril de 1974, mas as campanhas de exaltação da Pátria, no caso a força que se deu para perpetuar os feitos dos portugueses, continuam bem vincadas na memória colectiva.

 

Este assunto é complicado e percebe-se a força que se faz para se manter as ideias de "Descobrimentos". A história mundial é habitualmente vista de um ponto de vista eurocêntrico, países como o Brasil, por exemplo, adoptaram quase integralmente religião, cultura, ideias políticas, etc, etc, europeias, mas é altura de nos olharmos como um todo - como Humanidade. E, nessa perspectiva, focarmos os outros povos com desdém e considerá-los como espectadores do processo histórico, e a nós, europeus, como actores principais, já não deveria ter lugar na historiografia.

 

É tempo de evoluir.

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Museu da Expansão é o mais correcto. Quem conhece os meandros da academia irá concordar.

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Visitante

Concordo com Expansão. Mas compreendo porquê de chamarmos ao período "Descobrimentos", não tem só a ver os descobrimentos de novos povos, mas também de novas tecnologias, de novas rotas, novos hábitos, etc.

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É, o politicamente correcto. Quase tão irritante como a neura que alguns têm contra o politicamente correcto.

 

Isto é uma questão de Historiografia. Já há muito tempo que em História se batalha para que se utilize a designação correcta, pois o termo "Descobrimentos" não é correcto para descrever o que se passou. Ninguém foi em busca de novas terras por vontade de descobrir, por curiosidade ou vontade de alargar conhecimentos.

 

Mas yah, hurr durr politicamente correcto... :rolleyes:

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É, o politicamente correcto. Quase tão irritante como a neura que alguns têm contra o politicamente correcto.

 

Isto é uma questão de Historiografia. Já há muito tempo que em História se batalha para que se utilize a designação correcta, pois o termo "Descobrimentos" não é correcto para descrever o que se passou. Ninguém foi em busca de novas terras por vontade de descobrir, por curiosidade ou vontade de alargar conhecimentos.

 

Mas yah, hurr durr politicamente correcto... :rolleyes:

 

Mas quem diabo e que esta preocupa com o nome da p*ta de um museu. Sera que nao ha assuntos mais importantes para serem discutidos?

 

O que diabo interessa o nome? Alguns dos sitios foram descobertas de ilhas inabitadas, logo descoberta aplica-se, outras foram conquistas de portos estrategicos e dominacao e esclavizacao de povos ai existentes. Mudar o nome vai mudar alguma coisa nessa realidade?

 

Isto ser noticia e ridiculo, como e ridiculo tudo o que e adicionar o genero feminino a coisas que nunca o foram ou a maior parte do politicamente correcto.

 

Em economia ou contabilidade forense estas coisas chamam-se cosmetic changes, querendo dizer que no fundo tudo fica igual, apenas uma apresentacao mais para agradar aqui ou ali

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Mas quem diabo e que esta preocupa com o nome da p*ta de um museu. Sera que nao ha assuntos mais importantes para serem discutidos?

 

O que diabo interessa o nome? Alguns dos sitios foram descobertas de ilhas inabitadas, logo descoberta aplica-se, outras foram conquistas de portos estrategicos e dominacao e esclavizacao de povos ai existentes. Mudar o nome vai mudar alguma coisa nessa realidade?

 

Isto ser noticia e ridiculo, como e ridiculo tudo o que e adicionar o genero feminino a coisas que nunca o foram ou a maior parte do politicamente correcto.

 

Em economia ou contabilidade forense estas coisas chamam-se cosmetic changes, querendo dizer que no fundo tudo fica igual, apenas uma apresentacao mais para agradar aqui ou ali

 

É possível discutir mais que um assunto ao mesmo tempo.

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Mas quem diabo e que esta preocupa com o nome da p*ta de um museu. Sera que nao ha assuntos mais importantes para serem discutidos?

 

O que diabo interessa o nome? Alguns dos sitios foram descobertas de ilhas inabitadas, logo descoberta aplica-se, outras foram conquistas de portos estrategicos e dominacao e esclavizacao de povos ai existentes. Mudar o nome vai mudar alguma coisa nessa realidade?

 

Isto ser noticia e ridiculo, como e ridiculo tudo o que e adicionar o genero feminino a coisas que nunca o foram ou a maior parte do politicamente correcto.

 

Em economia ou contabilidade forense estas coisas chamam-se cosmetic changes, querendo dizer que no fundo tudo fica igual, apenas uma apresentacao mais para agradar aqui ou ali

 

O que é que importa se se chama Idade Média ao período entre os séculos V e XV? O que é que importa chamar Segunda Guerra Mundial à guerra de 1939-1945? O que é que importa se damos o nome correcto ao período em que Roma foi uma República e ao que foi um Império? O que raio é que os nomes importam? :rolleyes:

 

E não sei se deste conta, no meio das tuas certezas absolutas - talvez tenha passado despercebido porque já tinhas ocupado a única slot de atenção que existe na nossa cabeça - que isto é um texto de académicos ligados à História. O estudo da História foi/é a sua vida, pelo que o nome de um museu que deita abaixo uma vida de estudo, investigação e publicação é importante.

 

Mas que fique notada a forma como te diriges à área da história, seu estudo e importância. Nada que me surpreenda, de resto.

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É possível discutir mais que um assunto ao mesmo tempo.

:o

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O Burkina tem dificuldade em explicar-se mas no fundo o que ele quis dizer é que o nome correcto é Museu da Expansão.

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O que é que importa se se chama Idade Média ao período entre os séculos V e XV? O que é que importa chamar Segunda Guerra Mundial à guerra de 1939-1945? O que é que importa se damos o nome correcto ao período em que Roma foi uma República e ao que foi um Império? O que raio é que os nomes importam? :rolleyes:

 

E não sei se deste conta, no meio das tuas certezas absolutas - talvez tenha passado despercebido porque já tinhas ocupado a única slot de atenção que existe na nossa cabeça - que isto é um texto de académicos ligados à História. O estudo da História foi/é a sua vida, pelo que o nome de um museu que deita abaixo uma vida de estudo, investigação e publicação é importante.

 

Mas que fique notada a forma como te diriges à área da história, seu estudo e importância. Nada que me surpreenda, de resto.

 

De facto e tao importante que e um assunto que esta a gerar uma discussao... :funny:

 

A forma como me dirigo a historia e basicamente a mesma que a sociedade ve os seus estudiosos, 99% quando acabam o curso vao para professores (quando querem e fazer investigacao), desemprego ou caixas de supermercado (com todo o respeito que essas pessoas merecem)

 

Existem depois alguns iluminados que pensam que sao mais do que o grosso da sociedade e que pensam que quem esta mal nao sao eles, mas sim quem nao valoriza a historia, arquitectura, filosofia, sociologia, etc...mas no final ficam com a razao e os outros com $...

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Nem tenho palavras para qualificar esse último post do Burkina. Ou melhor, ter até tenho, mas acho que ia de BO. A forma como em duas frases denegriu todo o percurso académico e profissional de todos aqueles que estudaram história é nojenta, para ser simpático.

 

Os caixas de supermercado são tratados "com todo o respeito que merecem". Já quem estudou história não, esses que se f*dam.

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Quando se fala de Descobertas fala-se basicamente ou das Américas ou da costa africana desde o cabo Bojador até chegar a Sofala.

 

O velho mundo excluindo a África subsahariana que não tinha muito contacto com o resto, que correspondia a tipo 90% da população mundial (acho que até devia ser mais), não conhecia estes locais ou pelo menos não conhecia quase nada sobre eles. Para estes foi uma descoberta. Não foi só cena de colonizadores, foi basicamente quase toda a gente da Terra.

Para os outros que viviam isolados foi também uma descoberta, pois descobriram e tiveram confirmação que haviam terras para além das deles.

 

Quando se fala de sítios tipo Índia não se fala de Descobertas, ninguém diz descobriu-se a Índia, diz-se descobriu-se o caminho marítimo para a Índia, porque toda a gente do velho mundo excepto bla bla sabia onde ficava a Índia.

 

Expansão também é um termo que só se aplica a posteriori pois quando construímos o forte em Arguim era mais para comércio, não tínhamos nenhum conceito de expandir o país, era mais sacar dinheiro e procurar o Preste João para combater o Islão.

Em Marrocos sim era expansão, mas aí era no seguimento da Reconquista daí chamar-se a essa região Algarve D'Além-Mar em África. E ninguém diz que a era de Expansão começou em 1143 ou 868.

Só mais tarde é que verificámos que podíamos dominar mais a cena com uma expansão a sério pois tínhamos superioridade naval e as cidades-estado swahili pelo menos tinham algum custo benefício em conquistar dado o comércio entre a costa africana oriental e o resto do Índico.

A Mina também foi um forte para proteger o comércio e os sítios que colonizámos no verdadeiro sentido do termo antes de chegar ao ìndico eram desabitados (Cabo Verde, São Tomé, Príncipe e Anobom).

Editado por JFDCamara

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