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Cante Alentejano ou cantares de rapazes alentejanos: o Alentejo pode ser moda pop ou a tradição está a definhar?

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Cante Alentejano ou cantares de rapazes alentejanos: o Alentejo pode ser moda pop ou a tradição está a definhar?

À boleia de artistas como os Vizinhos, Buba Espinho ou Bandidos do Cante, o Alentejo está nas bocas da pop portuguesa e a região nas do mundo. Doze anos depois de o Cante Alentejano ter sido classificado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, as novas gerações de artistas por ele inspiradas têm chegado à rádio e aos ouvidos do país de forma inédita. Num painel do Talkfest, na passada sexta-feira, a pergunta era: “O Alentejo está na moda?” Mas o debate passou rapidamente a choque civilizacional entre dois Alentejos. Lembrando a canção: “tu na tua e eu na minha”

Os números não mentem. ‘Pôr do Sol’, dos eborenses Vizinhos, um dos grandes êxitos do ano transato, já atingiu o estatuto de quíntupla platina e, mesmo tendo sido lançado há precisamente um ano, ainda ocupa os vinte primeiros lugares na lista das canções mais escutadas em streaming, em Portugal, segundo dados da Audiogest. ‘Tu Na Tua’, dos ÁTOA com Luís Trigacheiro e Buba Espinho, é já tripla platina, seguindo-lhe as pisadas. A vitória de ‘Rosa’, dos Bandidos do Cante, no Festival da Canção fez-se com o segundo lugar atribuído pelos votos do júri e o primeiro lugar dado pelo televoto.

O Alentejo, região impressionantemente esquecida, alvo ao longo de gerações das mais esdrúxulas piadas, está na moda. Se não a sua gastronomia, as suas paisagens, as suas gentes, está na moda pela força da sua música, e não só pelas mãos e vozes dos grupos supracitados. O ano desta viragem, ou viagem, para leste talvez seja o de 2014, quando o Cante Alentejano foi classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

Mas será que aquilo que escutamos nestes exemplos de pop portuguesa contemporânea é Cante? Mais que responder à pergunta “o Alentejo está na moda?”, mote de um painel patrocinado pelo Turismo do Alentejo e do Ribatejo e composto por historiadores e músicos, aquilo a que assistiu o Talkfest, cimeira em torno da música e dos festivais realizada em Lisboa na passada sexta-feira, foi a um choque civilizacional: entre os novos, que erguem com orgulho uma gigante bandeira alentejana, e os mais velhos, que lamentam que a tradição propriamente dita esteja, apesar das “modas”, a perder-se – sem recuperação aparentemente à vista.

O músico Buba Espinho foi um dos oradores da conferência “Alentejo Amplificado: do cante à nova geração da música portuguesa”, reconhendo o novo ‘culto’ que é prestado ao Alentejo: “Sinto que sim, que está na moda. Há alguns anos que as pessoas olham para a região, não só para o Cante, mas também para a gastronomia, para aquilo que é a calma de viver e de passar pelo Alentejo. Tudo isso traz muita vontade a quem está de fora, a quem não é alentejano, principalmente, a visitar-nos, a ouvir-nos.”

Enquanto músico, Espinho assumiu que uma das suas “missões” foi sempre a de levar a sua região “ao máximo de lugares”. E salientou que esta paixão pelo Alentejo por parte de quem não lá nasceu ou residiu não é nova, lembrando o sucesso alcançado por Vitorino, nos anos 70, com ‘Menina Estás à Janela’. “Não tem a ver só com os artistas da nova geração, ou só com os nossos mestres, com os grupos corais que começaram este movimento de cantar a nossa terra. Nós, jovens com outras energias, com outras musicalidades, estamos a continuá-lo à nossa maneira.

“Cante e canto são dois campeonatos”

Pedro Mestre, que além de músico é também investigador, sendo nome de destaque quando o assunto é viola campaniça, fez notar que, antes da distinção atribuída pela UNESCO, houve todo um trabalho que precisou de ser feito. Há duas décadas, Mestre começou a ensinar o Cante nas escolas, numa altura em que falar desta tradição “era raro”. “Ninguém sabia o que era o Cante, a não ser nas aldeias, os que o cantavam. Eram os meus alunos do primeiro ciclo quem levavam o Cante para casa, eram eles quem faziam os pais refletirem” sobre a música.

As primeiras pedras desse trabalho também já tinham sido colocadas por José Francisco Guerreiro, historiador e apresentador do programa “Património”, da Rádio Castrense. A par de Mestre, foi sua, ao longo da conversa, a principal voz dissonante. “O Cante Alentejano é uma coisa, os cantares são outra”, começou por dizer. “Não se deve chamar Cante ao que não é o Cante Alentejano, ao que saia dos parâmetros daquilo que é classificado como Cante. Não é correto usar-se a designação Cante para valorizar aquilo que já tem valor”.

“Não vivemos todos no mesmo Alentejo. Custa-me ver tantos foguetes lançados em volta do Cante e haver todos os dias grupos corais a recusar atuações, por falta de elementos ou de convites” Pedro Mestre, músico e investigador

João Direitinho, vocalista dos ÁTOA, foi o primeiro a admitir que aquilo que o grupo toca não é Cante. “Mas crescemos com muita influência do Cante”, contou. “Cante e canto são dois campeonatos”, retorquiu José Francisco Guerreiro. “Não concorrem um com o outro”. E lamentou: “sei que os cantos, ou cantares, estão de vento em popa. Mas a outra parte etnomusical, a que foi inscrita como Património Imaterial, está a correr graves riscos de colapsar”.

O historiador descreveu um futuro negro para esta tradição. “Em Castro Verde, à data da classificação da UNESCO, havia nove grupos corais. Hoje, há dois e meio”, desabafou. “Não há um plano de salvaguarda para o Cante Alentejano. Todos lhe voltaram as costas, nada se faz em prol desse património. A própria sedução que os cantos”, como José Francisco Guerreiro descreveu este tipo de grupos, “fazem relativamente ao Cante… É muito mais agradável estar num grupo de canto, com saídas e deslocações. E os grupos corais vão-se eclipsando”.

“A maioria dos grupos corais poderia fazer cinquenta atuações por ano. Hoje, fazem cinco, a maioria no seu concelho ou freguesia”, afirmou Pedro Mestre, que logo atirou: “Não estamos a falar do mesmo Cante. Não vivemos todos no mesmo Alentejo. Custa-me ver tantos foguetes lançados em volta do Cante e haver todos os dias grupos corais a recusar atuações, por falta de elementos ou de convites. Esta é a realidade. O que a Comunicação Social passa são só os que estão no auge”. Algo que, note-se, é transversal a qualquer estilo ou género musical. Pedro Mestre não se diz contra esta ênfase em certos artistas em detrimento de outros, mas ressalvou: “os grupos corais estão em vias de extinção”.

Buba Espinho procurou defender-se, destacando os “Alentejos e educações diferentes” entre si e os dois outros convidados do painel. “O Cante que me foi passado é outra coisa. Não é meu, nem do João [Direitinho], nem de ninguém. O que me ensinaram foi que o que interessa é fazer música e estarmos juntos”. Para o músico, foram também os media quem arranjaram “formas de empacotar os artistas”. “Nasci na cidade, não tive contacto com o campo, mas o que o meu pai [Luís Espinho, dos Adiafa] me ensinou é que o Cante é inclusivo. Faço a minha música, não estou a seduzir ninguém.”

Música para turista cantar

Correto ou não, ortodoxo ou não, o Cante – ou pelo menos esta palavra – é o que tem sido utilizado para promover não só estes novos artistas como a região em si. Para José Manuel Santos, Presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo, esta música “sempre foi um instrumento, um expoente máximo, daquilo que é a identidade da cultura alentejana”. “É muito interessante verificar que este fenómeno foi um movimento espontâneo”, destacou. “Há trabalho feito por municípios, por associações, mas não há uma rede de património, uma política que tenha sido desenhada para que o Cante fosse um grande sucesso”.

Esta colagem do Cante ao turismo terá contribuído para que, recentemente, o Alentejo obtivesse reconhecimento além-fronteiras: nos prémios atribuídos pela Forbes Travel, a região foi finalista na categoria de Melhor Destino Internacional, tendo por companhia o Japão e o Chile, o grande vencedor. “O Alentejo não está na moda, é a moda”, acrescentou José Manuel Santos, que espera que a escolha de Évora como Capital Europeia da Cultura, em 2027, possa colocar ainda mais holofotes sobre a região.

O Presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo não se esquivou ao choque entre gerações, afirmando que é preciso “contextualizar o Cante”. “É impossível querermos que o Cante tenha o mesmo grupo de cantadores. A estrutura socioeconómica do Alentejo tem mudado muito”, disse. “Claro que devíamos ter uma rede de apoio ao Cante, e falta estabelecer isso na região. Ainda há muito trabalho a fazer, mas não sinto, com toda a honestidade, esse pessimismo relativo ao futuro do Cante”.

Amanhãs que não cantam

Porém, sem que esse trabalho seja efetivamente feito, José Francisco Guerreiro não vê motivos para otimismos. “Todos nos regozijámos com a classificação da UNESCO, mas o estado, a partir do momento em que ela se deu, desapareceu. Não houve nenhum passo dado, nenhum estudo da realidade do Cante”, afirmou. “Sou coordenador do Observatório e Centro de Documentação do Cante Alentejano, em Castro Verde; tenho uma atualização global dos grupos corais, tanto dos novos como dos que deixaram de existir [Guerreiro não avançou, no entanto, com números]. É por isso que estou perplexo. Não concordo que uma determinada Câmara Municipal faça um evento intitulado ‘Semana do Cante Alentejano’ e depois convide artistas que não o cantam”.

Revelando que procurou incentivar o Cante, em 2012, também através de ações escolares – e “nem todas mantiveram esse projeto” –, Buba Espinho referiu a vitória dos Bandidos do Cante no Festival da Canção 2026 como um “orgulho do caraças”. José Francisco Guerreiro voltou a precisar: “O que sinto em perigo não são os cantadores, mas o Cante. Parto com a realidade estatística: o número de grupos corais vai descendo”. E também valorizou essa vitória: “Um grupo coral podia participar no Festival da Canção. Não o fez, ganhou outro grupo. Ainda bem”.

José Manuel Santos defende que a discussão entre Cante e cantos acaba por não fazer sentido ante a modernidade. “Quando a Carminho canta com a Rosalía, aquilo é fado? As coisas evoluem”, argumentou. Guerreiro insistiu: “nem tudo o que se ensina é Cante, a questão é essa. Não pode haver evolução nesse sentido. Há outros cantares. Só queria que se desse outro nome”. Apetece dizer: “Tu na tua e eu na minha.”

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Mais 1 ano e acaba, o problema é que parece que a moda agora virá com a música tradicional do Minho, que os DAMA trouxeram, espero que seja apenas uma ou outra música e não aconteça o mesmo que com o cante alentejano

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pera.. a ver se percebo.. a malta fica chateada por artistas de 2026 pegarem em musicas tradicionais de regiões portuguesas e fazerem música?

é isso? porquê?

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Citação de hugoooo_17, há 5 minutos:

pera.. a ver se percebo.. a malta fica chateada por artistas de 2026 pegarem em musicas tradicionais de regiões portuguesas e fazerem música?

é isso? porquê?

Também não entendo. Não gostar é ok, eu também não gosto. Mas daí a fazer celeuma disso...

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Musica pop cantada por Alentejanos.

Mas como não tem qualidade têm que dizer que é Cante Alentejano para conseguirem valorizar um bocadinho.

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a dar-te um beeeeijo, ani-nhado ao teu peeeeito

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Mil vezes a modernização dos costumes nacionais, do que a adaptação das modas estrangeiras.

O resto é uma questão de gosto.

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Há uns dias estava a fazer uma viagem de carro de uma hora e mudei a estação de rádio porque iam passar Vizinhos pela segunda vez em meia hora.

Na segunda estação estava a passar Vizinhos. Mudei para uma terceira estação e... acertaram, também estava a passar Vizinhos.

Sim, é uma moda um pouquinho irritante.

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Citação de Black Hawk, há 11 minutos:

Há uns dias estava a fazer uma viagem de carro de uma hora e mudei a estação de rádio porque iam passar Vizinhos pela segunda vez em meia hora.

Na segunda estação estava a passar Vizinhos. Mudei para uma terceira estação e... acertaram, também estava a passar Vizinhos.

Sim, é uma moda um pouquinho irritante.

Faz-me lembrar já há uns 10 anos estava eu a almoçar no carro e passou a "All of Me" do John Legend 3 vezes em 30 minutos na RFM ou na Comercial.

Eu sei, eu sei, erro meu ter metido nessas emissoras, mas ainda assim

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Não consigo ouvir mais estas músicas alentejanas. Parecem sempre a mesma coisa 3/4 gajos a cantar sempre com o mesmo ritmo, timbre e a falar do mesmo.

Abençoada M80 

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Citação de Alonso., há 2 minutos:

Não consigo ouvir mais estas músicas alentejanas. Parecem sempre a mesma coisa 3/4 gajos a cantar sempre com o mesmo ritmo, timbre e a falar do mesmo.

Abençoada M80 

Já teve melhores dias em minha opinião.

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Citação de kareca, há 1 hora:

Antena3 passa capitao faustolikes. 

 

Citação de Alonso., há 1 hora:

Não consigo ouvir mais estas músicas alentejanas. Parecem sempre a mesma coisa 3/4 gajos a cantar sempre com o mesmo ritmo, timbre e a falar do mesmo.

Abençoada M80 

é isto

monocórdicos como tudo, letras sem sentido nenhum, só mesmo para rimar

m*rda de música

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como não ouço rádio não fazia ideia deste fenómeno, felizmente.. mas faz lembrar há uns anos quando houve uma inundação de músicas fusão rap+fado

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Citação de saidex, há 1 hora:

e o fenómeno barbara deslandes

Tinoco...

Mas estes conseguem ser mais irritantes ainda

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Citação de Hammerfall, há 11 minutos:

Tinoco...

Mas estes conseguem ser mais irritantes ainda

o fenómeno é todas as bárbaras quererem ser a deslandes mas sim, concordo, com estes ainda está pior, sempre a ouvi-los em todas as rádios e a toda a hora

Editado por saidex

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Citação de saidex, há 6 minutos:

o fenómeno é todas as bárbaras quererem ser a deslandes mas sim, concordo, com estes ainda está pior, sempre a ouvi-los em todas as rádios e a toda a hora

Basta fazer uma música sobre como devias ter traído o teu ex por ele não ter feito tudo o que tu querias nem te ter tratado como uma princesa 

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O maior cancro das rádios nem são as músicas, é que teve a brilhante ideia de passar os áudios que os ouvintes enviam

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Citação de xicantonio, há 4 minutos:

O maior cancro das rádios nem são as músicas, é que teve a brilhante ideia de passar os áudios que os ouvintes enviam

Principalmente esta nova modinha e dar exposed á vida privada e íntima dos outros 

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Citação de xicantonio, há 21 minutos:

O maior cancro das rádios nem são as músicas, é que teve a brilhante ideia de passar os áudios que os ouvintes enviam

e vocês colocam primeiro o leite ou os cereais? És daqueles que mete apenas 20 euros de combustível ou enches por completo?

É de um encher de chouriços que dá vergonha alheia

Editado por Alonso.

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Citação de Alonso., há 9 minutos:

e vocês colocam primeiro o leite ou os cereais? És daqueles que mete apenas 20 euros de combustível ou enches por completo?

É de um encher de chouriços que dá vergonha alheia

Cereais

É conforme

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