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Pan

Estórias da História

Publicações recomendadas

Fico à espera da Parte II :)

 

Já sai fora da minha área de "especialidade".

 

É verdade que o Otelo, na hora da verdade, e após um ou outro contratempo, quis desistir?

 

Não faço ideia e não encontro nada ,nas obras que tenho, que indique para isso. O que sei é que, frequentemente, todos apontam o Otelo como o autor de toda a operação militar, mas o Luís Macedo teve uma grande preponderância ao tornar a operação mais eficaz e pragmática.

Editado por Vaart

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E passam hoje 76 e 27 anos de dois dos maiores massacres do século XX: Guernica e Chernobyl, respectivamente.

 

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Três nomes, três impérios (foram mais, mas isso agora pouco interessa) - Parte 1

 

Nota: Este "artigo" não pretende, de todo, ser demasiado sério ou historicamente relevante (salto muitos coisas que poderiam ser ditas, por exemplo, mas bem, foi o que eu fiquei a saber da história da cidade quando lá fui, complementado com alguma pesquisa). É mais para vos deixar a conhecer um pouquinho melhor a história (ou estória) de uma cidade que visitei e que adorei e que foi (e poderá voltar a ser) um ponto de referência no plano geopolítico mundial. Está dividido em duas partes, até porque ainda queria alterar umas coisitas mesmo no fim, sobre a situação actual.

 

Quando pensamos em impérios, a menos que estejamos a ler os Lusíadas para o exame nacional ou que sejamos saudosistas dos tempos em que mandávamos na pimenta, o Império Colonial Português, ainda que impressionante (principalmente pelo seu tamanho por com relação com a metrópole), não é o primeiro que nos vem à cabeça. Não andarei muito longe se disser que 90% de nós pensa no Império Romano. Mas houve outros que marcaram a história, pela sua longevidade, pelos seus objectivos, pelas suas figuras ou pelas suas batalhas. O Império Romano é um de muitos, tal como o foram o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano, o Império Francês de Napoleão ou mesmo, mais recentemente, o Império da Alemanha Nazi.

 

Se há uma cidade que percebe de Imperius (para além de Azkaban, que nem sei bem se é uma cidade, hei-de perguntar ao Hagrid, quando o vir na florista), Istanbul é essa cidade. Foi capital de quatro impérios (embora o chamado Império Latino, originado pela Quarta Cruzada, tenha pouca relevância histórica e temporal - 1204 a 1261) ainda que, curiosamente, não seja a capital da actual Turquia (para quem gosta de futebol é: Galatasay, Fenerbahçe e Besiktas contra Ankaraspor? bitch plese).

 

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Istanbul by night, com a ponte do Bósforo em primeiro plano. Conselho rápido, não bebam cerveja turca, vão por mim.

 

Mas quais foram então esses três impérios? Já lá vamos! Começar por dizer que a cidade começou por chamar Bizâncio (Blerghh, prefiro em inglês, Byzantinum), tendo sido fundada no século sétimo antes de Cristo, por colonizadores gregos, que tanto quanto sei se poderiam chamar Vascos Gamakis ou Dioculos Cachorropoulos. Oh, espera, não, foi mesmo um sujeito de meia idade, chamado Byzas (ou pelo menos assim reza a lenda - que envolve esta cidade, à boa maneira grega, metendo deuses, oráculos e o diabo a quatro) que humildemente lhe deu o nome em honra a si próprio. Se a moda pega em Portugal ainda temos um guna a formar Azeitão...

 

Com a expansão que, séculos mais tarde, o Império Romano foi tendo, a cidade foi tomada em 196 (já depois de Cristo) e chegou até a ser a capital do mesmo (não, nem sempre foi Roma), durante seis décadas e meia, no final do século quarto. Mas, para ser capital do Império Romano, a cidade teve que ser reconstruída, após a destruição causada pela sua ocupação pelas forças de Roma (Totti a rematar pedras com efeito contras as torres, enquanto o Di Canio gritava impropérios para os defensores da cidade que fugiam como meninos) e, como está bom de ver, foi projectada e executada ao bom estilo romano. As saunas e banhos públicos eram tantos que atraíram os Russel Crowes da altura e o imperador Constantino não pode ficar indiferente a toda esta animação. Mudou-se para lá de armas e bagagens, fazendo com que Byzantinum se tornasse então capital do império. Após a sua morte, a cidade mudou, pela primeira vez, de nome. Adivinhem lá, outro idiota com manias de grandeza a pôr-lhe o seu nome: Constantinopla, vindo de Constantino, como já perceberam (embora pudesse perfeitamente ser o Vítor Constâncio, já que referi um idiota e não a data - foi em 337).

 

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Aqui está um busto em honra de Constantino, (re)fundador de Constantinopla, que ficou conhecido por ser o primeiro imperador romano a aceitar a religião católica.

 

Com o final do século quarto, o foco dos Imperadores Romanos voltou-se para outras paragens mas a cidade manteve um importante estatuto, sendo considerada a capital do Eastern Roman Empire, hoje referido como Império Bizantino. Com as bases sólidas criadas por Constantino, Constantinopla foi prosperando, assentando o seu poder em três importantes pilares:

 

  • Vou a Espanha comprar caramelos e já venho:

 

Não era isto que acontecia (e acontece), mas é quase. Ainda hoje em dia, Constantinopla (ou Istanbul, se preferirem) marca a transição entre a Europa e a Ásia, para além de ter uma posição privilegiada para controlar TODO o Mar Negro, afinal de contas, a passagem pelo Bósforo tem, no seu ponto mais largo, apenas 750 metros de largura... Está bom de ver a importância geográfica e, sobretudo, em termos de comércio já que, num tempo em que a Ryanair ainda não era lowcost (e acho também que não existia, mas passemos à frente), controlar um ponto nodal de acesso de bens à Europa não era coisa pouca.

 

turkey_map.gif

 

  • U Mad Siza Vieira:

 

Para além da posição estratégica que ocupava, Constantinopla era também um marco no que à arquitectura (e outro património artístico) diz respeito. Deixo só aqui duas imagens as Muralhas (falarei a seguir mais em detalhe sobre elas) na zona do Portão Dourado (foto do início do século XX) e a Hagia Sophia (actualmente um museu, mas que serviu como basílica ortodoxa e, mais tarde, mesquita) construída, espantem-se, no século sexto!

 

istanbul_golden_gate_photo.JPG

 

exterior-sunset-c-hbetts.jpg

 

  • Fucking campers:

 

Estão a ver a batalha do Abismo do Elmo no LOTR: Two Towers? Agora imaginem isso em grande. Yap, aí têm Constantinopla. As muralhitas (construção humilde, eram três, atingindo qualquer coisa como 18 metros de altura) que defendiam a cidade eram colossais (ultimamente abomino esta palavra, mas não encontro melhor) e para, ajudar à festa, a cidade foi construída sobre sete colinas (não, não abri sem querer a página de Lisboa na wikipédia), de frente para o mar que era acessível apenas através do Mediterrâneo, sendo ainda protegida por uma estreita passagem chamada de "Corno Dourado". Com uma imagem é capaz de ser mais fácil perceberem:

 

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Esta coisinha aguentou com invasões atrás de invasões, caindo unicamente por duas ocasiões. A primeira das quais juntou meninos de Veneza, de França e os Flamengos. Mais do que a perda do controlo da cidade, a grande perda foi mesmo a cultural:

 

“For nine centuries, the great city had been the capital of Christian civilisation. It was filled with works of art that had survived from ancient Greece and with the masterpieces of its own exquisite craftsmen. The Venetians (...) seized treasures and carried them off to adorn (...) their town. But the Frenchmen and Flemings were filled with a lust for destruction. They rushed in a howling mob down the streets and through the houses, snatching up everything that glittered and destroying whatever they could not carry, pausing only to murder or to rape, or to break open the wine-cellars (...). Neither monasteries nor churches nor libraries were spared. In St. Sophia itself, drunken soldiers could be seen tearing down the silken hangings and pulling the great silver iconostasis to pieces, while sacred books and icons were trampled under foot. While they drank merrily from the altar-vessels a prostitute set herself on the Patriarch’s throne and began to sing a ribald French song. Nuns were ravished in their convents. Palaces and hovels alike were entered and wrecked. Wounded women and children lay dying in the streets. For three days the ghastly scenes (...) continued, till the huge and beautiful city was a shambles. (...) When order was restored, (...) citizens were tortured to make them reveal the goods that they had contrived to hide."

 

Sir Steve Runciman, historiador das cruzadas, sobre o saque de Constantinopla (1203)

 

Ainda assim, a cidade reergueu-se, as suas elites refugiaram-se, essencialmente em Niqueia preparando-se para retomar a cidade, o que aconteceu apenas em 1261, com a ajuda do Imperador de Niqueia e de países vizinhos como Epirus. No entanto a cidade estava ferida (de morte). Quando foi tomada, apenas 35 mil pessoas a habitavam, número que duplicou nos anos seguintes do seu reinado, para logo depois (como quem diz) ser novamente atormentada, desta vez pela Peste Negra. Quanto a cidade caiu, pela segunda e última vez, desta feita para as mãos dos Otomanos, apenas 50 mil pessoas restavam naquela que fora a maior cidade do século XII e uma inspiração para as grandes nações europeias. Foi em 1453.

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A questão é: quais as substâncias que influenciaram a escrita deste texto?

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Guest Dpitz
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Um dia de rebelião, não de descanso! Um dia não ordenado pelos indignos porta-vozes das instituições, que trazem os trabalhadores encadeados! Um dia no qual o trabalhador faça suas próprias leis e tenha o poder de executá-las! Tudo sem o consentimento nem a aprovação dos que oprimem e governam. Um dia no qual com tremenda força o exército unido dos trabalhadores se mobilize contra os que hoje dominam o destino dos povos de todas as nações.

 

Um día de protesto contra a opressão e a tirania, contra a ignorância e as guerras de todo tipo. Um día para começar a desfrutar de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para o que nos der gana.

(Panfleto que circulava em Chicago em 1885)

 

A cada ano, o 1o de Maio rememora o assassinato de cinco sindicalistas norte-americanos, em 1886, numa das maiores mobilizações operárias celebradas naquele país, reivindicando a jornada laboral de oito horas.

 

Em julho de 1889, o I Congresso da II Internacional acordou celebrar o 1o de Maio como jornada de luta do proletariado de todo o mundo e adotou a seguinte resolução histórica: “Deve organizar-se uma grande manifestação internacional numa mesma data de tal maneira que os trabalhadores de cada um dos países e de cada uma das cidades exijam simultaneamente das autoridades públicas limitar a jornada laboral a oito horas e cumprir as demais resoluções deste Congresso Internacional de Paris”.

 

Como em outras partes do mundo, a situação dos trabalhadores nos Estados Unidos no final do século XIX era muito difícil. Sem embargo, emigrantes de diversos países europeus iam para lá em busca de uma melhor situação econômica. Em 1886, um escritor estrangeiro retratou Chicago assim: “Um manto abrumador de fumo; ruas cheias de gente ocupada, em rápido movimento; um grande conglomerado de vias ferroviárias, barcos e tráfico de todo tipo; una dedicação primordial ao Dólar Todo-poderoso”. Era uma cidade com um proletariado de imigrantes, arrastado pelo capitalismo para a periferia duma cidade industrial. A grande maioria dos proletários, especialmente em cidades como Chicago, eram da Alemanha, da Irlanda, da Boêmia, da França, da Polônia ou da Rússia. Ondas de operários lançados uns contra os outros, comprimidos em tugúrios e açodados por guerras étnicas. Muitos eram camponeses analfabetos, mas outros já estavam temperados pelas lutas de classes.

 

No inverno de 1872, um ano depois da Comuna de Paris, em Chicago, milhares de operários sem lar e famintos por causa do grande incêndio, fizeram manifestações pedindo ajuda. Muitos levavam cartazes nos quais estava inscrita a consigna “Pão ou sangue”. Receberam sangue. A repressão policial os obrigou a refugiar-se no túnel sob o rio Chicago, onde foram tiroteados e golpeados.

Em 1877, outra grande onda de greves se estendeu pelas redes ferroviárias e desatou greves gerais nos centros ferroviários, entre eles Chicago, onde as balas da polícia dispersaram as enormes concentrações de grevistas daquele ano.

 

Daquelas lutas nasceu uma nova direção sindical, especialmente de imigrantes alemães, conectados com a I Internacional de Marx e Engels. O proletariado alemão tinha uma contagiosa consciência de classe: aprendida, moldada por uma experiência complexa, profundamente hostil ao capitalismo mundial. Como todos os revolucionários, eram odiados, temidos e difamados ao mesmo tempo. A seu lado estava um lutador oriundo dos Estados Unidos, Albert Parsons. Assim se deu uma fusão da experiência política de dois continentes, do tumulto da Europa e do movimento contra a escravidão dos Estados Unidos. Nos agitados anos da emancipação dos escravos, Parsons fora um republicano radical que havia desafiado a sociedade texana burguesa casando-se con uma escrava mestiça liberta, Lucy Parsons, que chegou a ser uma figura política por si mesma. Albert Parsons militou muito tempo na Liga das Oito Horas, mas até dezembro de 1885 escrevera em seu jornal Alarma: “A nós, da Internacional [fazia referência à anarquista IWPACOR] nos perguntam com frequência por que não apoiamos ativamente o movimento da proposta de oito horas. Coloquemos a mão naquilo que podemos conseguir, dizem nossos amigos das oito horas, por que se pedimos demais poderíamos não receber nada. Contestamos: porque não fazemos compromissos. Ou nossa posição de que os capitalistas não têm nenhum direito à posse exclusiva dos meios de vida é verdade ou não é.

Se temos razão, reconhecer que os capitalistas têm direito a oito horas de nosso trabalho é mais que um compromisso; é uma virtual concessão de que o sistema de salários é justo”. A imprensa anarquista sustentava: “Ainda que o sistema de oito horas se estabelecesse nesta tardia data, os trabalhadores assalariados… seguiriam sendo os escravos de seus amos”.

 

Após recuperar-se dos acontecimentos de 1877, o movimento operário se propagou como um incêndio incontrolável, especialmente quando se concentrou na demanda da jornada de oito horas.

Naquela época, havia duas grandes organizações de trabalhadores nos Estados Unidos. A Nobre Orden dos Cavalheiros do Trabalho (The Noble Orden of the Knights of Labor), majoritária, e a Federação de Grêmios Organizados e Trade-uniões (Federation of Organized Traders and Labor Union). No IV Congresso desta última, celebrado em 1884, Gabriel Edmonston apresentou uma moção sobre a duração da jornada de trabalho, que dizia: “Que a duração legal da jornada de trabalho seja de oito horas diárias a partir do 1o de Maio de 1886”. A moção foi aprovada e se converteu numa reivindicação também para outras organizações não afiliadas ao sindicato.

 

No 1o de Maio de 1886, os trabalhadores deviam impor a jornada de oito horas e fechar as portas de qualquer fábrica que não a aceitasse. A demanda de oito horas se transformaria, de uma reivindicação econômica dos trabalhadores contra seus patrões imediatos, na reivindicação política duma classe contra outra.

 

O plano recebeu uma tremenda e entusiástica acolhida. Um historiador escreve: “Foi pouco mais que um gesto que, devido às novas condições de 1886, se converteu numa ameaça revolucionária. A efervescência se estendeu por todo o país. Por exemplo, o número de membros da Nobre Ordem dos Cavalheiros do Trabalho subiu de 100.000 no verão de 1885 para 700.000 no ano seguinte”.

 

O movimento das oito horas recebeu um apoio tão caloroso porque a jornada de trabalho típica era de 18 horas. Os trabalhadores deviam entrar na fábrica às 5 da manhã e retornavam às 8 ou 9 da noite; assim, muitos trabalhadores não viam sua mulher e seus filhos à luz do dia. Os operários, literalmente, trabalhavam até morrer; sua vida era conformada pelo trabalho, por um pequeno descanso e pela fome. Antes que os trabalhadores como classe pudessem levantar a cabeça em direção a horizontes mais distantes, necessitavam momentos livres para pensar e formar-se.

 

Nas ruas, trabalhadores rebeldes cantavam:

 

Nós propomos refazer as coisas.

Estamos fartos de trabalhar para nada,

escassamente para viver,

jamais uma hora para pensar.

Antes da primavera de 1886 começou uma onda de greves em escala nacional. “Dois meses antes do 1o de Maio”, escreve um historiador, “ocorreram repetidos distúrbios [em Chicago] e se viam com frequência veículos cheios de policiais armados que corriam pela cidade”. O diretor do Chicago Daily News escreveu: “Se predizia uma repetição dos motins da Comuna de Paris”.

 

Em fevereiro de 1886, a empresa McCormick, de Chicago, despediu 1.400 trabalhadores, em represália a uma greve que os trabalhadores da empresa, dedicada a fabricar máquinas agrícolas, haviam realizado no ano anterior. Os Pinkertons, uma espécie de polícia privada empresarial, vigiavam todos os passos dos grevistas, foram contratados muitos espiões, mas a greve durou até o 1o de Maio. Ao manter-se a greve e aproximar-se a data chave que o IV Congresso havia sinalizado, ia-se associando a idéia de coordenar essas duas ações.

 

Nesse dia, 20.000 trabalhadores paralisaram em distintos Estados, reivindicando a jornada de oito horas de trabalho. Os trabalhadores em greve da empresa McCormick também se uniram ao protesto.

O 1o de Maio era o dia chave para exigir o novo horário; todos os comentários e expectativas estavam centralizadas naquela data, e se aproveitou mais ainda o descontentamento dos trabalhadores e a greve de Chicago.

 

Naquele dia os operários dos maiores complexos industriais dos Estados Unidos declararam uma greve geral. Exigiam a jornada laboral de oito horas e melhores condições de trabalho.

A imprensa burguesa reagiu contra os protestos dos trabalhadores; por exemplo, nesse mesmo dia o jornal New York Times dizia: “As greves para obrigar o cumprimento da jornada de oito horas podem fazer muito para paralisar a indústria, diminuir o comércio e frear a renascente prosperidade do país, mas não poderão lograr seu objetivo”. Outro jornal, o Philadelphia Telegram disse: “O elemento laboral foi picado por uma espécie de tarântula universal, ficou louco de remate. Pensar nestes momentos precisamente em iniciar uma greve para conquistar o sistema de oito horas…”.

 

Esse Primeiro de Maio de 1886 foi tão agitado como se havia prognosticado. Realizou-se uma greve geral em Wilkawee, onde a polícia matou 9 trabalhadores. Em Louisville, Filadelfia, San Luis, Baltimore e Chicago, produziram-se enfrentamentos entre policiais e trabalhadores, sendo o ato desta última cidade o de maior repercussão. Chicago, onde também estava a greve dos trabalhadores da empresa McCormick, foi o símbolo da luta e do sacrifício dos trabalhadores. Ali os acontecimentos foram especialmente trágicos. Para reprimir os grevistas, a burguesía urdiu uma provocação: em 4 de maio, na praça de Haymarket, onde se celebrava uma maciça assembléia operária, explodiu uma bomba. Era a senha para que os policiais da cidade e os soldados da guarnição local abrissem fogo contra os grevistas.

 

Os acontecimentos ocorridos nos Estados Unidos em maio de 1886 tiveram uma imensa repercussão mundial. No ano seguinte, em muitos países os operários se declararam em greve simultaneamente, símbolo de sua unidade e fraternidade, passando por cima de fronteiras e nações, em defesa de uma mesma causa.

 

Como resultado da greve, os patrões fecharam as fábricas. Mais de 40.000 trabalhadores se puseram em pé de guerra. Começou una repressão maciça não só em Chicago, principal centro do movimento grevista, senão que também por todo os Estados Unidos. A burguesia desatou uma de suas típicas campanhas de propaganda de ódio contra a classe operária e os sindicatos. Aos operários, os encarceravam às centenas.

 

Em 21 de junho de 1886, teve início o processo contra 31 responsáveis, que logo foram reduzidos a 8.

O sistema judicial fez o resto: passou por cima de sua própria legalidade e, sem prova nenhuma de que os acusados tivessem algo a ver com a explosão em Haymarket, ditou uma sentença cruel e infame: prisão e morte.

 

Prisão

 

• Samuel Fielden, inglês, 39 anos, pastor metodista e operário têxtil, condenado à cadeia perpétua.

• Oscar Neebe, estadunidense, 36 anos, vendedor, condenado a 15 anos de trabalhos forçados.

• Michael Swabb, alemão, 33 anos, tipógrafo, condenado à cadeia perpétua.

 

Morte na forca

 

Em 11 de novembro de 1887, consumou-se a execução de:

• Georg Engel, alemão, 50 anos, tipógrafo.

• Adolf Fischer, alemão, 30 anos, jornalista.

• Albert Parsons, estadunidense, 39 anos, jornalista, esposo da mexicana Lucy González Parsons, ainda que se tenha provado que não esteve presente no lugar, entregou-se para estar com seus companheiros e foi igualmente condenado.

• Hessois Auguste Spies, alemão, 31 anos, jornalista.

• Louis Linng, alemão, 22 anos, carpinteiro, para não ser executado suicidou-se em sua própria cela.

 

 

Aquele crime legal tinha um só objetivo: não permitir que se estendessem os protestos operários e atemorizar os operários por muito tempo. Um capitalista de Chicago reconheceu: “Não considero que essa gente seja culpada de delito algum, mas deve ser enforcada. Não temo a anarquía em absoluto, posto que se trata de um esquema utópico de uns poucos, muito poucos loucos filosofantes e, ademais, inofensivos; mas considero que o movimento operário deve ser destruído”.

 

Principais declarações dos processados

 

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Albert Parsons (1845-1887),estadunidense, jornalista

“Nos Estados do sul meus inimigos eram os que exploravam os escravos negros; nos do norte, os que querem perpetuar a escravidão dos operários.”

 

 

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August Spies (1855 -1887), alemão, jornalista

“Neste tribunal eu falo em nome duma classe e contra outra.”

 

 

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George Engel (1836-1887), alemão, tipógrafo

“Todos os trabalhadores devem preparar-se para uma última guerra que porá fim a todas as guerras.”

 

 

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Adolph Fischer (1858-1887), alemão, jornalista

“Sei que é impossível convencer os que mentem por oficio: os mercenários diretores da imprensa capitalista, que cobram por suas mentiras.”

 

 

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Luis Lingg (1864-1887), alemão, carpinteiro

“Os Estados Unidos são um país de tirania capitalista e do mais cruel despotismo policialesco.”

 

 

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Michael Schwab (1853-1898), alemão, tipógrafo

“Milhões de trabalhadores passam fome e vivem como vagabundos. Inclusive os mais ignorantes escravos do salário se põem a pensar. Sua desgraça comum os move a compreender que necessitam unir-se e o fazem.”

 

 

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Samuel Fielden (1847-1922), inglês, pastor metodista e operário têxtil

“Os operários nada podem esperar da legislação. A lei é somente um biombo para aqueles que os escravizam.”

 

 

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Óscar Neebe (1850-1916), estadunidense, vendedor

“Fiz o quanto pude para fundar a Central Operária e engrossar suas fileiras; agora é a melhor organização operária de Chicago; tem 10.000 afiliados. É o que posso dizer de minha vida operária.”

 

EDIT: retirado daqui

Editado por Dpitz

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http://www.triplov.com/historia/D-Sebastiao/Harold-Johnson/

 

HAROLD B. JOHNSON

Um pedófilo no palácio: ou o abuso sexual de El-rei D. Sebastião de Portugal (1554-1578).

In: Dois Estudos Polémicos. University of Virginia. Tucson, Fenestra Books, 2004.

 

Uma coisinha descontextualizada e insignificante talvez mas muito interessante.

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http://www.triplov.com/historia/D-Sebastiao/Harold-Johnson/

 

HAROLD B. JOHNSON

Um pedófilo no palácio: ou o abuso sexual de El-rei D. Sebastião de Portugal (1554-1578).

In: Dois Estudos Polémicos. University of Virginia. Tucson, Fenestra Books, 2004.

 

Uma coisinha descontextualizada e insignificante talvez mas muito interessante.

 

Já tinha lido um resumo sobre isso.

 

É interessante, mas os problemas de saúde dele podiam estar ligados a outros fatores que não abusos sexuais. Por exemplo, a consanguinidade. Ao contrário de uma pessoa "normal", com 2 pais, 4 avós, 8 bisavós e 16 trisavós, o D. Sebastião tinha 2 pais, 4 avós, 4 bisavós e 6 trisavós. O mesmo que dizer que à partida era bastante suscetível para ele ter vários problemas de saúde. No entanto, se não me engano, os sintomas eram mais ligados à área da coluna, pernas e outras doenças mentais.

 

No entanto não deixa de ser um tema interessante.

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Já tinha lido um resumo sobre isso.

 

É interessante, mas os problemas de saúde dele podiam estar ligados a outros fatores que não abusos sexuais. Por exemplo, a consanguinidade. Ao contrário de uma pessoa "normal", com 2 pais, 4 avós, 8 bisavós e 16 trisavós, o D. Sebastião tinha 2 pais, 4 avós, 4 bisavós e 6 trisavós. O mesmo que dizer que à partida era bastante suscetível para ele ter vários problemas de saúde. No entanto, se não me engano, os sintomas eram mais ligados à área da coluna, pernas e outras doenças mentais.

 

No entanto não deixa de ser um tema interessante.

Os problemas de Saúde é bastante provável. Consta que tinha 6 dedos num pé :medinho: (Já agora, falaram-me de uma lista que contém todos os defeitos físicos e marcas físicas que ele tinha. Data da altura em que ele supostamente apareceu em Itália, e a pedido do Papa foi feita essa lista para o identificar como sendo verdadeiramente D.Sebastião. Alguém sabe onde posso encontrar?)

 

Agora a gonorreia certamente que não advém disso. E até faz sentido. Podia não ser homossexual mas os traumas de ter sido abusado sexualmente podiam ser a desculpa para não querer o contacto com as mulheres. E a doença que contraiu também, pela 'vergonha'.

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Os problemas de Saúde é bastante provável. Consta que tinha 6 dedos num pé :medinho: (Já agora, falaram-me de uma lista que contém todos os defeitos físicos e marcas físicas que ele tinha. Data da altura em que ele supostamente apareceu em Itália, e a pedido do Papa foi feita essa lista para o identificar como sendo verdadeiramente D.Sebastião. Alguém sabe onde posso encontrar?)

 

Agora a gonorreia certamente que não advém disso. E até faz sentido. Podia não ser homossexual mas os traumas de ter sido abusado sexualmente podiam ser a desculpa para não querer o contacto com as mulheres. E a doença que contraiu também, pela 'vergonha'.

 

Não conhecia essa história dos seis dedos no pé. Apenas sei da consanguinidade porque o primo mais direto dele (Dom Carlos I, filho do Rei D. Filipe II de Espanha) teve vários problemas devido a isso.

 

E disse que esse estudo que deu em livro era interessante, porque apesar de ele tecnicamente poder ter alguns problemas genéticos esses sintomas não se enquadravam naquilo que outros membros da família tiveram.

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É uma vergonha pouco ter lido sobre o que está neste tópico. Tenho que ver se corrijo essa falha.

 

Bons posts, Mesquita e Dpitz.

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Guest Dpitz

É uma vergonha pouco ter lido sobre o que está neste tópico. Tenho que ver se corrijo essa falha.

 

Bons posts, Mesquita e Dpitz.

esqueci me de dizer isso. Gostei muito dos posts do Mesquita e do Vaart.

Pensava que o Mesquita ia falar do Império do Alexandre Magno :mrgreen:

Editado por Dpitz

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Já agora, se o Pan ou os moderadores actualizarem o 1º post, agradeço.

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Três nomes, três impérios (foram mais, mas isso agora pouco interessa) - Parte 2

 

Primeira parte aqui.

 

Durou menos de dois meses, o assalto final a uma cidade com quase dois milénios de existência. Foi em 1453 que Mehmed II, o Conquistador (hoje símbolo do clube de futebol Vitória CD, incorrectamente conhecido na comunicação social como Istanbul), conseguiu tomar a cidade de Constantinopla, transformando assim o movimento tribal num império que iria perdurar até ao século passado, quando surgiu a república da Turquia.

 

Mais do que o início de uma nova potência imperial, a tomada de Constantinopla marcou uma importante vitória do mundo islâmico já que a cidade que, recordem-se, devia o seu nome a Constantino, primeiro imperador romano a aceitar o Cristianismo, passou a ser controlado por muçulmanos e a Hagia Sophia, importante catedral ortodoxa, foi transformada numa mesquita.

 

Os Otomanos aproveitaram o controlo que a cidade lhes dava nas rotas comerciais que fluíam entre a Ásia e a Europa para entrarem num período de franca expansão, conquistando terrenos e acumulando vassalos em territórios do actual Egipto, Grécia, Síria, Sérvia, Israel, Roménia, Hungria, entre outros, muito devido à aliança criada com os franceses contra o Holy Roman Empire, que beneficiou ambos os lados, nomeadamente na tomada francesa de Nice e da Córsega e na conquista otomana de Esztergom, na actual Hungria.

 

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Galatasaray campeão, à frente de Olympiakos, Partizan e Cluj, com o Al-Ahly, CSKA de Sófia e Hapoel de Tel-Aviv na Liga Europa, o ano louco do futebol turco, em 1683!

 

Está bom de ver que, para além das guerras para a conquista deste sem número de territórios, também o status ameaçador que o Império Otomano ia ganhando gerava disputas com outras potências de então. Houve disputas com os polacos, com os húngaros (nas várias tentativas de tomada de Viena) mas bolas, vamos ser tugas e falar de nós! É verdade, eram tempos em que não só o Hugo Almeida forçava noites sem dormir aos turcos, mas antes todo um país estava numa acesa disputa com eles, disputa essa que atingiu o seu apogeu com as batalhas navais (sem papel quadriculado) que se disputaram no Oceano Índico, pelo controlo do comércio na região, alguns anos depois dos portugueses dobrarem o Cabo das Tormentas (fazendo dele o da Boa Esperança).

 

Com tanto território controlado e para defender, o Império Otomano também teve alguns períodos mais desfavoráveis, essencialmente durante a segunda metade do século XVII e grande parte do século XVIII. A primeira grande derrota (que começou a quebrar o mito da invencibilidade otomana) surgiu às mãos de uma aliança católica, liderada por Felipe II de Espanha (e primeiro de Portugal, depois de D. Sebastião ter dado numa de Rui Pedro, em Alcácer-Quibir, para nunca mais ser visto), às quais se seguiram avanços e recuos, até que o enorme falhanço no segundo cerco de Viena, frente a forças Germânicas, Húngaras e Austríacas fez com que os Otomanos cedem territórios, alguns de forma definitiva.

 

Outra grande ameaça surgia, pela mão da crescente nação Russa. Mesmo com a aliança com o rei Charles XII, da Suécia, as frentes de batalha eram demasiadas o que levou à perda de territórios da actual Sérvia para a Áustria, já no século XVIII, num tratado que tornou claro que o Império Otomano tinha agora uma postura claramente defensiva e a campanha europeia era extremamente improvável. Felizmente para os Otomanos, uma geração de paz pode surgir, muito graças à ascensão da Prússia, que tomava para si o foco de atenção de Austríacos e Russos, principais ameaças ao Império Otomano na altura, permitindo uma série de reformas educacionais, sociais e militares, que acabaram por não ir para a frente depois da oposição do "clero" otomano, muito conservador e opositor de uma Ocidentalização.

 

Mas esta paz durou apenas cerca de 30 anos, até que uma nova guerra com os Russos estava aberta, depois do ataque destes a Balta e, com uma série de derrotas que levaram a cedências, essencialmente de ordem religiosa, o império otomano percebeu que, para manter a sua dominância sobre partes do seu território, era necessária uma evolução tecnológica à semelhança do que os seus contemporâneos na Europa haviam feito.

 

Mas, mais uma vez, estas reformas não foram avante o que acabou por, anos mais tarde, resultar na independência da Sérvia, Wallachia, Moldávia e Montenegro, bem como na conquista (quer por via militar, quer diplomática) de territórios em Creta, no Egipto, nos Balcãs, etc, até que, no início do século XX, o Império Otomano via o seu tamanho reduzido a, basicamente, o tamanho da actual Turquia.

 

A entrada do Império Otomano na WWI, ao lado dos poderes centrais, apesar de nunca os ter colocado debaixo de uma guerra directa frente aos Estados Unidos da América, foi a machada final nos cerca de seiscentos anos de história, que culminou na independência da nação turca, em 1923, depois de guerras frente a russos, italianos, britânicos e aos outrora aliados franceses.

 

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Mustafa Kemal Atatürk, primeiro presidente turco, figura, ainda hoje, completamente venerada na Turquia (qualquer semelhança do senhor com Salazar é pura coincidência fotogénica).

 

Foi com a independência da Turquia que Constantinopla tomou a sua designação de Istambul que dura até aos dias de hoje. Apesar de ter deixado de ser capital, em favor de Ankara, no período da república, por volta da década de 40/50 Istanbul voltou a demonstrar a sua enorme força e foi-se tornando, cada vez mais, um ponto de atracção para pessoas de toda a Turquia que migravam para a metrópole, ajudando a fazer dela o que é hoje, em termos económicos, culturais e, sobretudo, sociais. A população na cidade cresceu de forma assustadora, de uns meros 500 mil habitantes, aquando da implementação da república, para uns estonteantes mais de 13 milhões de pessoas (e 24 milhões de benfiquistas) segundo os últimos dados, de 2010.

 

Istanbul é mesmo considerada a "capital europeia" da Turquia, por oposição a Ankara, na parte asiática e, numa Turquia que procura o acesso à União Europeia (embora algo esfriado nos últimos quatro ou cinco anos), o perfil cosmopolita e mais aberto de Istanbul será um factor extra de aproximação à Europa. A sua posição que é também, simultaneamente, próxima do Médio Oriente (a Turquia faz mesmo fronteira com o Iraque, o Irão e a Síria), bem como a sua presença na NATO, faz deles um ponto central de acesso do mundo ocidental a uma das mais problemáticas zonas de globo, dotando o país de um importante poder geopolítico que será, provavelmente, decisivo, no estabelecimento de uma posição de força do mundo ocidental caso o conflito, essencialmente com o Irão, estale, nos próximo anos/décadas.

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Já agora, se o Pan ou os moderadores actualizarem o 1º post, agradeço.

 

Como pediste com jeitinho, a ver se dou um jeito nisso, amanhã ou sexta, se mais ninguém se chegar à frente. :mrgreen:

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E passam hoje 76 e 27 anos de dois dos maiores massacres do século XX: Guernica e Chernobyl, respectivamente.

 

Massacre não me parece ser o termo mais correto para descrever Chernobyl. Catástrofe, calamidade, tragédia parecem-me muito mais adequados.

 

Já tinha lido um resumo sobre isso.

 

É interessante, mas os problemas de saúde dele podiam estar ligados a outros fatores que não abusos sexuais. Por exemplo, a consanguinidade. Ao contrário de uma pessoa "normal", com 2 pais, 4 avós, 8 bisavós e 16 trisavós, o D. Sebastião tinha 2 pais, 4 avós, 4 bisavós e 6 trisavós. O mesmo que dizer que à partida era bastante suscetível para ele ter vários problemas de saúde. No entanto, se não me engano, os sintomas eram mais ligados à área da coluna, pernas e outras doenças mentais.

 

No entanto não deixa de ser um tema interessante.

 

A consanguinidade é uma questão interessante por si só...

 

Vejamos... eu sou uma pessoa normal (se alguém tiver dúvidas pode fazer o mesmo exercício utilizando-se a si próprio como modelo ou, em alternativa, o Chico da mercearia):

 

Tenho:

2 pais

4 avós

8 bisavós

16 trisavós

32 tetravós

64 pais de tetravós

128 avós de tetravós

256 bisavós de tetravós

512 trisavós de tetravós

1 024 tetravós de tetravós

2 048 pais de tetravós de tetravós

4 096 avós de tetravós de tetravós

8 192 bisavós de tetravós de tetravós

16 384 trisavós de tetravós de tetravós

32 768 tetravós de tetravós de tetravós

65 536 pais de tetravós de tetravós de tetravós

131 072 avós de tetravós de tetravós de tetravós

262 144 bisavós de tetravós de tetravós de tetravós

524 288 trisavós de tetravós de tetravós de tetravós

1 048 576 tetravós de tetravós de tetravós de tetravós

2 097 152 na geração anterior

4 194 304 já se percebeu

8 388 608 vou começar a numerar as gerações que passaram

16 777 216 na 24ª geração

33 554 432 na 25ª

67 108 864 na 26ª

134 217 728 na 27ª

268 435 456 na 28ª

536 870 912 na 29ª

1 073 741 824 na 30ª

2 147 483 648 na 31ª

4 294 967 296 na 32ª

8 589 934 592 na 33ª

 

Ou seja, Considerando a minha normalidade, há 33 gerações eu tinha mais (muito mais) antepassados do que seres humanos a viver no mundo em pleno século XXI (em que todos os recordes populacionais são constantemente pulverizados. Se assumirmos (de uma forma simpática) que cada geração terá cerca de 30 anos isso quer dizer que há menos de 1000 anos havia na Terra aproximadamente 8,5 mil milhões de pessoas. Mais coisa menos coisa...

 

O que é que isto prova? Que, como é óbvio e verificável, a consanguinidade é que é a normalidade. A reprodução entre primos (mais ou menos afastados) é que representa a norma da nossa espécie (e de todas as outras, claro).

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Massacre não me parece ser o termo mais correto para descrever Chernobyl. Catástrofe, calamidade, tragédia parecem-me muito mais adequados.

 

Vejamos... eu sou uma pessoa normal (se alguém tiver dúvidas pode fazer o mesmo exercício utilizando-se a si próprio como modelo ou, em alternativa, o Chico da mercearia):

 

Certo. ;)

 

E gostei da consciência e auto-crítica. :mrgreen:

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(...)

A consanguinidade é uma questão interessante por si só...

 

Vejamos... eu sou uma pessoa normal (se alguém tiver dúvidas pode fazer o mesmo exercício utilizando-se a si próprio como modelo ou, em alternativa, o Chico da mercearia):

 

Tenho:

2 pais

4 avós

8 bisavós

16 trisavós

32 tetravós

64 pais de tetravós

128 avós de tetravós

256 bisavós de tetravós

512 trisavós de tetravós

1 024 tetravós de tetravós

2 048 pais de tetravós de tetravós

4 096 avós de tetravós de tetravós

8 192 bisavós de tetravós de tetravós

16 384 trisavós de tetravós de tetravós

32 768 tetravós de tetravós de tetravós

65 536 pais de tetravós de tetravós de tetravós

131 072 avós de tetravós de tetravós de tetravós

262 144 bisavós de tetravós de tetravós de tetravós

524 288 trisavós de tetravós de tetravós de tetravós

1 048 576 tetravós de tetravós de tetravós de tetravós

2 097 152 na geração anterior

4 194 304 já se percebeu

8 388 608 vou começar a numerar as gerações que passaram

16 777 216 na 24ª geração

33 554 432 na 25ª

67 108 864 na 26ª

134 217 728 na 27ª

268 435 456 na 28ª

536 870 912 na 29ª

1 073 741 824 na 30ª

2 147 483 648 na 31ª

4 294 967 296 na 32ª

8 589 934 592 na 33ª

 

Ou seja, Considerando a minha normalidade, há 33 gerações eu tinha mais (muito mais) antepassados do que seres humanos a viver no mundo em pleno século XXI (em que todos os recordes populacionais são constantemente pulverizados. Se assumirmos (de uma forma simpática) que cada geração terá cerca de 30 anos isso quer dizer que há menos de 1000 anos havia na Terra aproximadamente 8,5 mil milhões de pessoas. Mais coisa menos coisa...

 

O que é que isto prova? Que, como é óbvio e verificável, a consanguinidade é que é a normalidade. A reprodução entre primos (mais ou menos afastados) é que representa a norma da nossa espécie (e de todas as outras, claro).

 

Eu percebo o que queres dizer. E sim, tens razão, porque como é óbvio nós somos uma espécie que começou com um individuo lá atrás e que depois começou a espalhar-se pelo mundo fora, logo houve consanguinidade. Mas eu naquele caso específico falei até aos trisavós e não até à 14ª ou 15º geração. Muito provavelmente se for estudar uma árvore genealógica já não iremos ter esse número de antepassados mas sim um mais reduzido. O que eu digo é que é muito provável que boa parte da população consiga ter um número de pais (2), avós (4), bisavós (8 ) e trisavós (16) dentro desse "padrão", e não o número de 2, 4, 4 e 6 (acho que era isso). Depois, a partir de uma determinada geração é que esse número de antepassados começa a "estreitar".

 

Isto sou eu a dizer, mas é óbvio que há casos de casamentos de primos em primeiro grau (há países que proíbem, outros que não, outros em que têm que ir ao médico para ver o caso). Aí as coisas já não funcionam desta maneira.

 

E a consanguinidade tem tanto de positivo como negativo. A verdade é que na generalidade a espécie humana teve sucesso com a consanguinidade, mas esse caso da família do D. Sebastião foi um fracasso, visto que no auge da consanguinidade deles os que chegavam aos 8 já tinham uma data de problemas físicos e aos 20 já estavam desequilibrados mentalmente.

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Guest Dpitz

uma coisa engraçada que descobri ontem e que desconhecia:

 

A resistência espanhola a Napoleão em 1808

 

O quadro "O 3 de maio de 1808" foi pintado por Francisco Goya (1746-1828) em 1914, seis anos depois da dramática situação que narra, um dos momentos mais simbólicos da resistência espanhola à invasão das tropas de Napoleão Bonaparte. A este quadro liga-se um outro, "O 2 de maio de 1808" (pintado igualmente em 1814), que relata o primeiro episódio deste acontecimento, ocorrido na véspera, e presumivelmente presenciado pelo pintor. Na manhã de 2 de maio, o lugar tenente de Napoleão, o general Murat, seguido por uma coluna de cavalaria, foi atacado por um grupo de populares armados, enquanto atravessava a Porta do Sol em Madrid. Tendo rapidamente controlado a situação, os franceses, como represália pelo levantamento popular, ordenaram o fuzilamento de inúmeros civis. Estes massacres tiveram lugar durante do dia seguinte, em vários pontos da cidade, junto ao Convento de Jesus, no Bom Retiro, na Casa de Campo, em Santa Bárbara, na Porta de Segóvia e na montanha do Príncipe Pio, entre outros locais.

 

Anteriormente à ocupação francesa Goya mantinha alguma simpatia pelas ideias liberais, embora fosse pintor da corte. Para este artista a chegada do exército de Napoleão e a consequente queda da monarquia pareceu representar, num primeiro momento, a possibilidade de introdução do liberalismo no seu país. No entanto, o carácter destruidor que esta ocupação assumiu, associada a sangrentos massacres, frustraram qualquer esperança de libertação.

 

Os horrores e sofrimentos provocados pelos confrontos entre espanhóis e franceses durante a guerra, aos quais Goya teve oportunidade de assistir de forma directa, foram temas que o atormentaram e contribuíram para que, próximo do final da sua carreira, se tornasse pessimista e cínico relativamente à capacidade de destruição e ao ódio que a espécie humana era capaz de alimentar.

 

Antecedendo estas duas pinturas, a série de gravuras "Desastres de la Guerra" (desastres da guerra), realizadas em 1810, condensa uma abordagem ainda mais acutilante e emotiva relativamente a este momento de loucura da humanidade.

Após a expulsão dos invasores franceses e restaurada a monarquia, Goya conseguiu que o novo governo regente lhe atribuísse um subsídio financeiro para a realização das duas telas comemorativas dos brutais massacres.

 

O quadro "O 3 de maio de 1808" apresenta dimensões (266 por 406 centímetros), temática e estilo que lhe imprimem um impacto impressionante. A técnica utilizada, de carácter marcadamente expressionista, caracteriza-se por pinceladas rápidas e espontâneas, pela liberdade e violência do cromatismo e pelos barroquizantes e dramáticos contrastes de luz e sombra. Anunciada por alguns quadros anteriores, esta linguagem expressiva marcaria o derradeiro período criativo do pintor, aquele que mais profundamente o liga ao movimento romântico, do qual constituiu um dos mais brilhantes representantes.

 

Representando uma cena nocturna, a composição apresenta dois setores, a coluna de soldados franceses, imersos numa sombra acentuada pela frieza das cores, que contrasta com o grupo de condenados, inundados por uma intensa luz definidora de flamejantes amarelos e vermelhos. O ponto focal do quadro é precisamente a camisa branca de um dos condenados.

 

Os quadros "O 2 de maio de 1808" e "O 3 de maio de 1808", executados a óleo, sobre tela, encontram-se expostos no Museu do Prado, em Madrid.

 

Os quadros:

 

350px-El_dos_de_mayo_de_1808_en_Madrid.jpg

Dois de Maio de 1808

Data: 1814

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 266 cm × 345 cm

Localização: Museu do Prado, Madrid

 

 

goya.jpg

Os Fuzilamentos de 3 de Maio

Data: 1814

Técnica: Óleo sobre tela

Dimensões: 268 cm × 347 cm

Localização: Museu do Prado, Madrid

 

Já agora, faz hoje também 80 anos que o Hitler baniu os sindicatos alemães e 68 anos que os Soviéticos conseguiram conquistar Berlim.

Editado por Dpitz

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Massacre não me parece ser o termo mais correto para descrever Chernobyl. Catástrofe, calamidade, tragédia parecem-me muito mais adequados.

 

 

 

A consanguinidade é uma questão interessante por si só...

 

Vejamos... eu sou uma pessoa normal (se alguém tiver dúvidas pode fazer o mesmo exercício utilizando-se a si próprio como modelo ou, em alternativa, o Chico da mercearia):

 

Tenho:

2 pais

4 avós

8 bisavós

16 trisavós

32 tetravós

64 pais de tetravós

128 avós de tetravós

256 bisavós de tetravós

512 trisavós de tetravós

1 024 tetravós de tetravós

2 048 pais de tetravós de tetravós

4 096 avós de tetravós de tetravós

8 192 bisavós de tetravós de tetravós

16 384 trisavós de tetravós de tetravós

32 768 tetravós de tetravós de tetravós

65 536 pais de tetravós de tetravós de tetravós

131 072 avós de tetravós de tetravós de tetravós

262 144 bisavós de tetravós de tetravós de tetravós

524 288 trisavós de tetravós de tetravós de tetravós

1 048 576 tetravós de tetravós de tetravós de tetravós

2 097 152 na geração anterior

4 194 304 já se percebeu

8 388 608 vou começar a numerar as gerações que passaram

16 777 216 na 24ª geração

33 554 432 na 25ª

67 108 864 na 26ª

134 217 728 na 27ª

268 435 456 na 28ª

536 870 912 na 29ª

1 073 741 824 na 30ª

2 147 483 648 na 31ª

4 294 967 296 na 32ª

8 589 934 592 na 33ª

 

Ou seja, Considerando a minha normalidade, há 33 gerações eu tinha mais (muito mais) antepassados do que seres humanos a viver no mundo em pleno século XXI (em que todos os recordes populacionais são constantemente pulverizados. Se assumirmos (de uma forma simpática) que cada geração terá cerca de 30 anos isso quer dizer que há menos de 1000 anos havia na Terra aproximadamente 8,5 mil milhões de pessoas. Mais coisa menos coisa...

 

O que é que isto prova? Que, como é óbvio e verificável, a consanguinidade é que é a normalidade. A reprodução entre primos (mais ou menos afastados) é que representa a norma da nossa espécie (e de todas as outras, claro).

 

porra porque é q nunca me lembrei disto qto tava a tentar papar a minha prima :(

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Já agora, se o Pan ou os moderadores actualizarem o 1º post, agradeço.

 

Feito. Embora tenha algumas dúvidas na categoria onde pôr o post do Vaart sobre o 25 de Abril e o do Blackhawks sobre a Segunda República Espanhola.

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Guest Dpitz

Maio de 1962: mês de luta contra o fascismo português

 

Foi no mês de Maio de 1962 que mais de cem mil trabalhadores rurais do Alentejo e do Ribatejo, depois de terem recorrido à greve, puseram fim ao horário de trabalho medieval de «sol a sol» que vigorava nos campos. Enquanto os trabalhadores da indústria e do comércio tinham conquistado o horário de trabalho de 8 horas em Maio de 1919, na I República, os trabalhadores do campo só em 1962, durante o regime fascista, alcançaram esse objectivo. Essa vitória histórica do proletariado alentejano e ribatejano está indissoluvelmente ligada às jornadas comemorativas do 1.º de Maio, Dia Mundial do Trabalhador, que no ano de 1962 atingiram um dos pontos mais altos na luta contra o fascismo.

 

Ano crucial

 

O ano de 1962 foi um ano particularmente difícil para o regime fascista, que oprimia o povo português e os povos coloniais. O ano começou com o assalto ao Quartel de Beja, onde foi morto o subsecretário de Estado do Exército e gravemente ferido o capitão Varela Gomes, que chefiava a operação. Na sequência dessa acção foram presos várias

dezenas de antifascistas.

 

No dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, dezenas de milhar de mulheres manifestam-se no Porto, tendo a polícia

tacado a manifestação e ferido dezenas de manifestantes. Ainda no mês de Março, os estudantes de Lisboa declaramse em greve. Milhares de estudantes são presos e oitenta deles entram em greve de fome. Era o início da chamada «crise académica» de 1962, que vai ter profundas repercussões na juventude estudantil.

 

Também em Março inicia as suas emissões para Portugal a Rádio Portugal Livre, instalada em Argel. Em Abril tem lugar uma manifestação em Aljustrel contra a prisão pela PIDE (polícia política do fascismo) de quinze trabalhadores. A repressão policial abate-se sobre os manifestantes, sendo mortos os operários António Adangio e Francisco Madeira e

feridos outros.

 

No dia 1.º de Maio realiza-se em Lisboa a maior manifestação (essencialmente operária) que se fez na capital portuguesa durante o fascismo, e na qual participaram cerca de cem mil pessoas. Os manifestantes enfrentaram corajosamente as metralhadoras e os carros de assalto das forças policiais, que não hesitam em assassinar o operário tipógrafo Agostinho Fineza.

 

Em Junho é criada em Moçambique a FRELIMO, liderada por Eduardo Mondlane, e que resultava da fusão de diversas organizações que se opunham à presença do colonialismo português naquela colónia. Em Setembro começa a luta pela independência da Guiné e Cabo Verde, abrindo-se assim uma nova frente na guerra colonial. Finalmente, em Dezembro realiza-se em Argel a I Conferência das Forças de Oposição ao fascismo, que decidem criar a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), presidida pelo General Humberto Delgado.

 

Deste conjunto de acontecimentos verificados em 1962, há um que vai ser comemorado condignamente. Trata-se da luta estudantil, «a crise de 62». Uma grande exposição, debates, colóquios e livros temáticos vão assinalar a efeméride durante o mês de Março. Muitos dos protagonistas de então ocupam hoje lugares ao mais alto nível do Poder Central, caso do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, do Poder Regional e Local ou dos órgãos de comunicação social. É

lógico que a luta dos trabalhadores rurais pelas 8 horas seja igualmente recordada.

 

A luta pelas 8 horas

 

Qualquer trabalhador com consciência de classe sabe, por experiência própria e pela experiência colectiva, que o patronato aceita mais facilmente aumentar os salários do que reduzir a jornada de trabalho. É que, enquanto o crescimento dos salários é rapidamente anulado pelo aumento dos preços dos produtos, a redução da jornada de trabalho implica, de facto, uma redução dos seus lucros. Por isso, o patronato apôs sempre uma resistência encarniçada a qualquer redução do horário de trabalho.

 

A limitação legal da jornada de trabalho foi considerada, desde 1886, como a condição preliminar para o êxito de todos os outros esforços visando a emancipação dos trabalhadores. E essa luta foi, juntamente com a luta pelo salário, o objectivo principal das lutas operárias dos últimos 110 anos. Aliás, a luta pelo salário e pelo horário acompanham os sindicatos desde o seu nascimento. Esse objectivo mantém ainda hoje toda a sua actualidade, não já pelas 8 horas, mas sim pelas 35 horas semanais.

 

Desde os anos 40 que os trabalhadores rurais lutavam contra a exploração patronal e a repressão salazarista. A exemplo do que se passava nas fábricas e oficinas, desde 1945 começam a aparecer nos campos do Alentejo e Ribatejo as «comissões de unidade», que se passam a chamar «comissões de praça», «comissões de rancho» ou «comissões de herdade». Dirigidas e orientadas pelo PCP, as «comissões de praça de jorna» tornaram-se na principal forma de organização dos trabalhadores. Eram as «comissões de praça de jorna» que intervinham nas negociações, quer de salários, quer de horários de trabalho. Por outro lado, a praça de jorna torna-se no local onde se concentram os

trabalhadores e onde decorre todo o processo contratual. Aliás, as praças de jorna transformaram-se, elas próprias, no centro da luta, pois os lavradores tudo fazem para acabar com elas e, dada a resistência dos trabalhadores, tentam alterar o seu horário de funcionamento.

 

A mecanização da agricultura e a introdução da monda química, nos anos 50, começam a alterar as condições sociais, agravando o desemprego. Por isso, em 1960 surge no Alentejo e Ribatejo uma proposta para um contrato colectivo de trabalho, que incluía, entre outras, as seguintes reivindicações: salário mínimo de 30 escudos, para uma semana de seis dias, e horário de trabalho de 8 horas. Mas a luta pelo contrato não teve sucesso, até porque a organização corporativa salazarista nunca funcionou nos campos ao nível da contratação.

 

É neste contexto que surge a luta pelas 8 horas, a qual revestia também uma forma de combater o desemprego. Assim, não surpreende que sejam as 8 horas que vão dominar as greves de Abril-Maio de 1962. Essas greves abrangeram quase todo o Alentejo e parte do Ribatejo. Durante todo o mês de Maio um vasto movimento grevista varre os

campos, no qual participam mais de cem mil trabalhadores. Quando ele termina, a vitória era completa. Mas «não se trata de uma vitória qualquer. O horário de 8 horas não foi uma concessão dos agrários e do governo fascista, não foi o resultado de um longo processo de negociações e de pequenos passos. No mês de Maio de 1962, o proletariado

agrícola do Sul pela ampla mobilização das massas ”decretou” a aplicação imediata e irreversível do horário de 8 horas diárias nos campos do Sul.» (1)

 

Como escreveu em 1969 António Gervásio, um dos principais dirigentes do movimento grevista, «a vitória das 8 horas no campo constitui uma conquista histórica dos trabalhadores agrícolas do nosso país. Esta formidável conquista traduz da sua parte uma elevada maturidade política, um elevado grau de combatividade e de organização. (…) Hoje, o horário das 8 horas está generalizado a todo o Sul. Os trabalhadores agrícolas deixaram de trabalhar de sol a sol, graças à sua

heróica luta.» (2)

 

Recordar essa luta heróica é não só um dever de todos os trabalhadores, mas também uma forma de combater os que pretendem branquear o fascismo e apagar as lutas do proletariado contra a exploração e o salazarismo, pela democracia e a liberdade.

___________________________________

 

(1) António Gervásio. Lutas de Massas em Abril e Maio de 1962 no Sul do País, Lisboa, Editorial Avante!, 1996, p.13

(2) id., pp. 100 e 105

 

retirado daqui

 

Interesso-me bastante pela luta dos operários agrícolas no Alentejo e Ribatejo, se alguém quiser saber mais sobre isto também posso indicar algumas obras (curiosamente, ainda não li esta referência à obra do António Gervásio, li outras dele mas não essa).

 

Por vezes fala-se da luta pelas 8 horas e da crise académica (e de outras lutas que houve em Maio de 62) como actos isolados, mas a verdade é que só a existência deles no conjunto é que, provavelmente, deu frutos. Foi uma pressão enorme sobre Salazar e sobre o governo, havia manifestações do norte ao sul do país e até nas colónias (embora de forma diferente, óbvio). Foi a partir deste momento que, em Portugal, o povo em geral e os trabalhadores em particular, começaram a perder o medo do regime e começaram a engrossar as manifestações, os protestos, as concentrações, as lutas, e até a engrossar o próprio Partido Comunista Português.

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Feito. Embora tenha algumas dúvidas na categoria onde pôr o post do Vaart sobre o 25 de Abril e o do Blackhawks sobre a Segunda República Espanhola.

 

És grande! :heart: Obrigado!

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Associação Internacional dos Trabalhadores ou Primeira Internacional (Parte 1)

 

Objectivos, Origens e Fundação

 

A Associação Internacional dos Trabalhadores foi uma organização internacional que teve como objectivo a união de grupos socialistas, comunistas, anarquistas e organizações sindicais baseados na classe operária e na luta de classes.

 

Na sequência da insurreição polaca de Janeiro de 1863 contra o Império Russo, os trabalhadores londrinos apelaram ao Lorde Palmerston para intervir na Polónia, procurando, ao mesmo tempo, uma aproximação aos trabalhadores franceses. Em Julho de 1863, franceses e ingleses encontram-se em St. James’ Hall para prestarem homenagem à insurreição polaca e discutirem a necessidade de existir uma organização internacional, que, entre outras coisas, impedisse a importação de trabalhadores para romperem as greves, prática habitual dos patrões.

 

A 28 de Setembro de 1864, em St. Martin’s Hall, Londres, realiza-se um encontro internacional com a presença de owenistas ingleses, seguidores franceses de Pierre-Joseph Proudhon e Louis Auguste Blanqui, nacionalistas irlandeses e polacos, republicanos italianos e socialistas alemães (entre eles, encontrava-se Karl Marx). Esta reunião deu origem, de forma unânime, à Associação Internacional dos Trabalhadores.

 

Para além do propósito político associado, abordou-se também a questão das condições sociais gerais, concluindo-se que os operários de todos os países tinham as mesmas queixas e estavam à mercê dos mesmos males de base. Havia também concordância em termos de interesses. A recém-criada Associação teria sede em Londres e um comité composto por 21 elementos. A Associação elegeu ainda um Conselho Central provisório, mais tarde rebaptizado de Conselho Geral. Ao Conselho foi confiada a administração da Associação, a publicação de um discurso de posse com elementos programáticos e a elaboração de normas provisórias.

 

A 5 de Outubro, foi então constituído o Conselho Geral, composto por membros adicionais de outras nacionalidades, e estabelecida a base na sede da Liga Universal Para a Elevação Material das Classes Industriais, na 18 Greek Street. Diferentes grupos surgiram com propostas para a Organização. A primeira proposta foi endereçada por Louis Wolff, baseando-a nas regras e constituição da Associação dos Trabalhadores Italiana (uma organização mazzinista). John Weston, um owenista, surgiu com uma segunda proposta. Le Lubez adaptou a proposta de Wolff, criando uma terceira proposta. Marx rejeitou todas as propostas, achando-as inadequadas ao movimento operário contemporâneo. A quarta proposta, apresentada pelo próprio Marx, foi adoptada após longa discussão.

 

“The Address and Provisional Rules of the International Workingmen’s Association” resumia os resultados da experiência histórica da classe trabalhadora e, examinando a vida quotidiana dos trabalhadores, inferia os métodos que o proletariado devia adoptar na luta em prol dos seus interesses como classe. A partir da experiência inglesa, Marx demonstrou que não houve qualquer evolução na condição da classe operária entre 1848 e 1864, ao contrário do que se sucedeu com os capitalistas.

 

Nos primeiros tempos, o progresso do movimento foi mais lento do que se esperava. Devido a isso, o Conselho Geral decidiu que seria inconveniente realizar um congresso em 1865. Outras razões colocavam-se em destaque. Foi equacionada a realização do congresso em Bruxelas, mas o pouco aprofundamento das relações entre a classe operária e o carácter reaccionário do Governo belga (que nesse ano renovou a lei que permitia a livre expulsão de estrangeiros) impediu tal decisão. Para além disso, teria havido um confronto entre secções dos líderes da classe trabalhadora, sobre os princípios fundamentais subjacentes às tarefas da organização. Desta forma, em vez do congresso estatutário, foi convocada a 1ª conferência da Associação em Londres, de 25 a 29 de Setembro de 1865.

 

Foram tratados os seguintes assuntos:

- Influência desastrosa da autocracia russa sobre a Europa;

- Restauração da Polónia;

- Problemas de âmbito sindical;

- Criação de um fundo internacional para financiar a Associação;

- Decisão sobre o direito de voto no congresso (somente os delegados que representam oficialmente uma organização teriam direito de voto);

- Definição dos temas a abordar no congresso de 1866 e o local da sua realização (Génova foi a cidade escolhida).

 

Da conferência resultou um acordo geral sobre a questão fundamental quanto à função principal da Internacional. Como resultado, a organização recebeu um apoio mais amplo dos trabalhadores.

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