kareca Publicado 14 Março 2024 (editado) Aquela história da Camara de Lobos é interessante (e que foi a primeira capital da Madeira) Editado 14 Março 2024 por kareca Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 14 Março 2024 (editado) Citação de Lebohang, Em 13/03/2024 at 11:21: Como a conquista de Ceuta deu início à expansão portuguesa, apenas 30 anos depois da batalha de Aljubarrota Ainda ando a ganhar força para conseguir ouvir um episódio inteiro desse podcast, mas os senhores têm voz de soneca. Sei que a maioria de vocês não gostam, mas o Rui Ramos coloca bem melhor a voz no seu podcast Editado 14 Março 2024 por Petar Musa Compartilhar este post Link para o post
Ed Publicado 15 Março 2024 Citação de antifa, Em 14/03/2024 at 08:46: Mais um episódio muito bom. Gosto da forma descontraída com que desmontam os mitos da história, por exemplo como o início das descobertas foi um acaso. Também não fazia ideia daquela questão do Infante D. Henrique ter sido convidado para liderar exércitos por 3 ou 4 nações diferentes após a conquista de Ceuta, e dá para imaginar como a história podia ter sido diferente se isso tivesse acontecido em vez de se ter focado no mar. Btw fiquei curioso com a descoberta da Madeira e como a ilha seria antes de chegarem lá, há um algum texto porreiro a contar isso? Há os livros "Ilhas de Zargo", não faço a mínima se continuam a ser vendidos ou não. Se já vieste cá, o mais fácil será a comparação com a linha da Laurissilva expandida até ao mar. Citação de kareca, Em 14/03/2024 at 09:00: Aquela história da Camara de Lobos é interessante (e que foi a primeira capital da Madeira) Machico. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 15 Março 2024 Citação Os planos de Franco para invadir Portugal Durante séculos, o “perigo castelhano” foi uma constante, com as intermináveis guerras de fronteira a frustrarem os planos de Castela sobre Portugal; quimeras de uma União Ibérica idealizada em Espanha como solução de grandeza. Franco também a sonhou, chegando a planear a invasão de Portugal, mas a derrota do III Reich obrigou-o a despertar para a realidade. AMEAÇA O avanço da Alemanha a leste foi acolhido com entusiasmo em Espanha e nasceu uma divisão de voluntários, a Divisão Azul, cujos soldados, nas estepes da Rússia, cantavam versos como: “Só esperamos a ordem/ que nos dê o nosso general/ para apagar a fronteira/ de Espanha com Portugal” O sonho de unir a Península Ibérica sob uma única coroa é tão antigo como a sua história. Tentado por romanos, visigodos e mouros, revelou-se tão sedutor como impraticável, mas conseguiu perdurar ao longo do tempo. Fiéis à sua fama, os povos ibéricos resistiram ferozmente a todas as formas de domínio exterior, numa tradição que popularizou heróis como Viriato, o chefe lusitano que se revelou o terror das legiões romanas, e Pelágio, o nobre visigodo que travou a expansão do Al-Andalus. No século XII a ideia parecia cada vez mais longínqua, com a Reconquista a desmantelar o Califado Almóada e a península transformada num retalho de reinos e principados. Foi nessa época conturbada que um jovem nobre venceu a sua mãe na Batalha de São Mamede e assumiu o poder do Condado Portucalense, com o título de D. Afonso Henriques. No século seguinte, o condado foi reconhecido como Reino de Portugal e o seu território foi-se definindo ao ritmo da Reconquista para sul, empurrando as forças muçulmanas até ao Algarve ao mesmo tempo que se desenhava a fronteira com o Reino de Castela. A península parecia destinada a voltar ao mosaico que a tinha caracterizado na era pré-romana, com vários reinos cristãos a repartirem os territórios recém-conquistados, mas Castela acabou por se tornar hegemónica após absorver os reinos de Galiza e Leão; ganhando um poder acrescido que despertou o ideal da União Ibérica e a ambição de se tornar a única coroa em toda a península. Nascia assim o “perigo castelhano” que foi uma constante durante a Idade Média, com lutas dinásticas e guerras fronteiriças a marcarem a tensão entre os dois reinos, mas apesar de todos os esforços, Castela revelou-se incapaz de dominar Portugal. A solução acabaria por chegar através dum casamento que uniria as coroas de Castela e Aragão, em 1469, com o reinado dos reis católicos a marcar o início da era de ouro da história espanhola. Em 1492, não só a armada de Cristóvão Colombo alcançou as Américas como chegava ao fim a resistência do Reino Nacérida, concluindo-se de forma vitoriosa a Reconquista com a queda do último reduto muçulmano em Granada. Em 1512, a monarquia católica passou a ser a monarquia de Espanha e Portugal era agora o último entrave à concretização da União Ibérica. Onde falhou a guerra, venceu a diplomacia, com a morte de D. Sebastião a abrir uma crise de sucessão prontamente aproveitada por D. Filipe II para assumir o Reino de Portugal, em 1580, e criar a União Ibérica num modelo que concedia a Portugal uma larga autonomia. Seria sol de 60 anos de dura. Em 1640, uma revolta rebenta em Lisboa e dá lugar à Guerra da Restauração, seguindo-se 28 anos de uma luta intensa pontuada por cinco derrotas do exército espanhol que culminaram no tratado de paz de 1668. Portugal voltava a ser independente, mas Espanha continuou a sonhar com a União Ibérica, um sonho que se tornou pesadelo no início do século XIX. Deslumbrado pelo poder militar do império francês, D. Carlos IV decide aliar-se a Napoleão Bonaparte para invadir Portugal, acedendo a deixar entrar os exércitos franceses no seu território na crença que o ajudariam a alcançar Lisboa, mas acabando por ver os gauleses marcharem sobre Madrid para o depor e ao seu filho. Foi o princípio da derrocada espanhola que levaria ao fim do império e à perda do estatuto de grande potência, numa longa série de humilhações que culminou com a estrondosa derrota face aos Estados Unidos, em 1898. IRREDENTISMO IBÉRICO Ao iniciar-se o século XX, os sectores mais radicais da sociedade espanhola acreditavam que o retorno à grandeza de Espanha só seria possível mediante a União Ibérica, e é nesse ambiente de irredentismo com tons de xenofobia, que um jovem cadete galego ingressa na Academia de Toledo, onde muitos defendiam que a absorção de Portugal e Marrocos seriam a solução para os problemas de Espanha. Em 1907, Francisco Franco iniciou a sua longa carreira militar no seio duma instituição marcada pelo revanchismo e chefiada por um rei que não escondia o seu desejo de reinar sobre o país vizinho, uma ambição que se tornou mais clara três anos mais tarde, quando a revolução de 5 de outubro instaurou a República em Portugal e a crónica instabilidade política e social abalavam a integridade do novo regime. Em Espanha a situação deu lugar a um discurso iberista público, tanto nas arengas de quartel como nas primeiras páginas dos jornais, e José María Salaverría, correspondente do “ABC” que andava em Portugal a acompanhar a revolução, não se coibiu de desabafar numa das suas crónicas como “parece inverosímil que Espanha, passando por épocas de tanto poder, se distraíra em empresas estéreis e absurdas, enquanto abandonava a espanholização do Norte de África e do reino português. A história de Espanha, e mesmo a história total do mundo, ter-se-iam transformado, se Portugal e o Norte de África chegassem a espanholizar.” Era uma opinião partilhada por outros colegas, como Luis del Olmet, para quem “a oportunidade aparece propícia, fácil. Portugal, dominado por uma revolução acéfala, imoral, atrabiliária, que descompôs e aniquilou o país, estende-nos os braços.” Mas estas crónicas tendiam a omitir um fator de importância histórica, a profunda e arreigada hispanofobia que grassava em Portugal. Marcos Blanco-Belmonte veio a Portugal auscultar a opinião dos portugueses e teve uma profunda desilusão: “Se no povo português existe hoje um sentimento forte e bem definido, é o da repulsa em espanholizar-se. A tutela britânica, a anarquia com os seus excessos, os espancamentos de maçons e carbonários, a ditadura de qualquer género… tudo aceitaria Portugal antes de aceitar a espanholização!” A campanha mediática na imprensa continuou durante anos, mas realizar a União Ibérica estava fora do alcance das depauperadas forças espanholas, como ficou patente em 1921, quando todo um exército espanhol foi aniquilado em Annual em mais uma humilhação que abalou o país. A guerra no Rif mostrava a debilidade do exército, mas também foi a oportunidade para Franco se destacar ao ponto de se tornar o general mais jovem da Europa e comandar a temível Legião Espanhola. Em 1936, quando parte do exército tenta um golpe militar que falha e dá lugar a uma mortífera guerra civil, Franco torna-se líder dos rebeldes e encontra em Portugal um aliado da primeira hora. O Governo de Salazar autoriza o envio de munições quando estas estavam quase a esgotar-se, permite que os portos nacionais recebam armamento alemão que é transportado até à fronteira e fecha os olhos às campanhas que angariam portugueses para servir nas bandeiras da Legião. Franco e os nacionalistas tinham uma dívida com o Portugal do Estado Novo, mas a gratidão pelo apoio não alterava os planos que incluíam Portugal como parte de um futuro império destinado a recuperar a grandeza da Espanha. SEGREDO Franco e Salazar em 1940. Salazar fechara os olhos às campanhas que angariavam portugueses para servir nas bandeiras da Legião, mas a gratidão pelo apoio não alterava os planos de Franco, que incluíam Portugal como parte de um futuro império destinado a recuperar a grandeza da Espanha A Falange, principal força política do bando nacional, era abertamente fascista e defendia a União Ibérica nas suas publicações, e mesmo entre os militares espanhóis era tema recorrente quando se cruzavam com os portugueses da Missão Militar Portuguesa de Observação em Espanha, que deixou registo de vários incidentes nos relatórios enviados para Lisboa. O capitão Luís Sousa conversou com diversos oficiais em 1937, e no seu relatório deixou um alerta para “as palavras dos mais entusiastas, muitos deles com representação nos meios nacionalistas, acerca dos seus ideais imperialistas e da necessidade de abolir fronteiras entre Portugal e Espanha”, uma ideia que o capitão rebatia recordando a história “em que nós portugueses para honra e glória nossa firmamos a nossa indiscutível independência”. Apesar de todas as desconfianças, as duas ditaduras acordaram em assinar o Tratado de Amizade e Não-Agressão Luso-Espanhol, a 17 de março de 1939, num passo destinado a serenar as relações entre ambos. Duas semanas mais tarde a guerra civil chegou ao fim com a vitória dos rebeldes e Espanha passou a viver a paz dos vencedores (e a repressão dos vencidos). Era um momento difícil, com o país arrasado pelo conflito e o exército a sofrer uma rápida desmobilização, mas o imperialismo continuava a marcar o tom dos discursos e o comportamento do caudilho levantava suspeitas sobre o futuro. A 25 de agosto, Teotónio Pereira – embaixador de Portugal em Madrid, enviou uma mensagem a Salazar para dar-lhe conta dos seus receios sobre Franco: “Confesso a V. Ex.ª que cada vez tenho mais apreensões sobre as ideias do “Generalíssimo”. Acho-o enamorado do poder e do poder pessoal. De todos os que governam a Espanha é ele que me diz coisas mais estranhas e que fala a linguagem mais próxima do eixo.” AS GRANDES TENTAÇÕES Essa estranheza só se acentuaria a partir de 1 de setembro de 1939, quando os exércitos do III Reich invadiram a Polónia acreditando que a impunidade do passado continuaria, mas acabando por iniciar a Segunda Guerra Mundial quando a França e o Reino Unido declararam guerra aos nazis. Enquanto se preparava para o pior, o mundo assistia ao poder destruidor da Blitzkrieg e a situação interna espanhola foi seguida de forma atenta pelo embaixador português, que temia a influência da Falange no governo, mas não deixava de comentar com Salazar que “o Generalíssimo tem muito mais de Sancho Pança do que de D. Quixote.” Os primeiros meses da guerra foram indecisos e pareciam confirmar a sua tese, mas tudo mudou em maio de 1940, quando a grande ofensiva do III Reich sobre a França surpreendeu o mundo pela rapidez e aparente facilidade com que a Wehrmacht derrotou o poderoso exército gaulês, trazendo o exército hitleriano até à fronteira espanhola. A retumbante vitória dos nazis despertou uma reação eufórica entre os fascistas espanhóis que acreditavam ter chegado a altura de se juntarem a alemães e italianos para repartir a Europa e as suas colónias em África. Era uma euforia prematura, e deu lugar ao desencanto, quando a todo-poderosa Luftwaffe foi batida pela Royal Air Force nos céus de Inglaterra. Humilhado pela derrota estratégica que quebrara o mito de invencibilidade das armas alemãs, Hitler não iria ficar parado e os meses seguintes foram de azáfama na Europa ocupada. Não só o exército do III Reich se mantinha intacto, como tinha sido alvo de uma importante expansão com todo o material capturado nos campos de batalha franceses. Centenas de milhares de soldados foram sendo transferidos para a Europa Central, onde novas batalhas estavam prestes a ser travadas. A notícia da derrota alemã na Batalha de Inglaterra acabou por ter um profundo impacto em Espanha, com a exaltação belicista a arrefecer apesar do calor tórrido daquele verão, mas os mais irredentistas continuavam a sonhar, a aguardar pela oportunidade de recriar o império espanhol sob a sombra do espectro nazi. Foi então acordado um encontro entre Franco e Hitler para determinar as condições da entrada da Espanha na guerra. A 23 de outubro de 1940, os dois ditadores encontraram-se em Hendaia, na França ocupada, vindo acompanhados pelos ministros Serrano Suñer e Von Ribbentrop, duas personagens habituadas aos jogos de bastidores que não tiveram problemas em dialogar entre si, com o espanhol a comentar que “ninguém poder deixar de dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência.” Já o diálogo entre Franco e Hitler ficou marcado pelo azedume, com Hitler profundamente irritado pela longa lista de exigências que lhe é apresentada pelo congénere galego, comentando no retorno à Alemanha que preferia “que lhe arrancassem quatro dentes a voltar a encontrar-se com Franco.” Apesar da resistência em entrar na guerra numa fase em que o seu desfecho ainda não era certo, Franco não deixou de preparar a entrada no conflito e um dos planos elaborados pelo seu Estado-Maior ia ao ponto de detalhar a invasão de Portugal. Entregue a 18 de dezembro de 1940, o plano pressupunha um ultimato ao governo português, seguido da invasão ao fim de apenas 24 a 48 horas, ao estilo hitleriano, que deveria envolver cerca de 250 mil homens apoiados pela aviação e por vários grupos de blindados que avançariam sobre Lisboa, usando a força bruta para eliminar a resistência o mais rapidamente possível. Delineado poucos meses após o “Generalíssimo” ter firmado um protocolo adicional para reforçar o tratado de não-agressão com Portugal, o plano revelou o lado traiçoeiro do regime franquista que há muito se receava em Lisboa. EUFORIA A LESTE Seguiram-se meses num compasso de espera que parecia eternizar-se, até que chegou o dia que mudaria a história do conflito. A 22 de junho de 1941, mais de três milhões e meio de soldados do Eixo invadiram a União Soviética sob o mote da guerra ao comunismo. O seu impacto em Espanha foi imediato, com a Falange a apelar à intervenção e as ruas a encherem-se de milhares de manifestantes que declaravam a sua vontade de marchar sobre Moscovo. Franco percebeu a oportunidade que tinha diante de si e acedeu ao envio de uma divisão de voluntários para combater na frente leste e marcar a presença espanhola no que se acreditava ser uma vitória certa. O embaixador português seguiu atentamente a formação da Divisão Azul e o seu envio para a linha da frente, escrevendo a Salazar sobre o papel da Falange e a personalidade do comandante eleito para a liderar em combate: “O general Muñoz Grandes é aquele mesmo general que há dois meses me fez as declarações que V. Ex.ª conhece. Muita coragem, mas muito pouco conhecedor de política. No fundo, um homem ingénuo.” Talvez Teotónio Pereira não estivesse enganado quando à ingenuidade ou à falta de habilidade política de Muñoz Grandes, mas não deixava de ser um dos mais dos mais fervorosos apoiantes da União Ibérica e possuía uma vasta influência não só entre o meio castrense, mas também entre a Falange. A Divisão Azul acabou por se converter no baluarte ideológico dos que propunham a intervenção no conflito e muitos dos seus membros eram destacados militantes da Falange, um núcleo duro que tinha planos bem concretos e inspirava as letras das canções que os soldados entoavam nas longas marchas pelas estepes russas, uma das quais versava sobre o grandioso destino imperial que aguardava a Espanha fascista: “Nas estepes da Rússia/ Espanha luta com ardor,/ unida com a Alemanha/ por uma Espanha melhor./ E quando a Espanha voltarmos/ de novo queremos lutar/ e expulsaremos o inglês/ do Penedo de Gibraltar./ O nosso grito de vitória/ no mundo inteiro o ouvirão/ quando recuperarmos/ todo o Marrocos e Orão/ Só esperamos a ordem/ que nos dê o nosso general/ para apagar a fronteira/ de Espanha com Portugal/ E quando isso conseguirmos,/ alegres podemos ficar,/ por termos conseguido/ fazer uma Espanha imperial”. CONFLITO Um golpe militar falhado em 1936 dá lugar a uma mortífera guerra civil em Espanha, e Franco torna-se líder dos rebeldes, encontrando em Portugal um aliado de primeira hora As canções começaram a esmorecer durante o duro inverno de 1941/42, quando os exércitos nazis foram travados às portas de Moscovo e os sonhos imperiais dos falangistas começaram a esfumar-se, uma situação seguida à distância por Teotónio Pereira, que estava plenamente consciente do valor da Divisão Azul para os planos belicistas da Falange. O embaixador não foi brando com o seu comandante: “Bravo e simples, como um bom subalterno, mas inteiramente desprovido de miolos e de ideias” — porém, o general não era tão desprovido de ideias como a descrição indica. A 8 de abril de 1942, Muñoz Grandes escreve a partir da Rússia uma carta ao general Varela, ministro do exército, onde discorre a sua visão sobre o futuro do seu país: “Gibraltar, Portugal e Marrocos são necessários, vitais para Espanha, mas não se conseguirão sem guerra.” O objetivo estava plenamente traçado e Muñoz Grandes acentua que “a instrução militar deve ser muito intensa, a fabricação de guerra ao máximo e a preparação da nossa juventude para tal empresa não admite demora”. Longe dos corredores de poder em Madrid, e sob forte influência nazi, Muñoz Grandes começava a mostrar sinais duma ambição que despertou a atenção de Franco, sempre alerta para qualquer adversário interno. O general era uma figura famosa em Espanha, apoiado pela ala mais radical da Falange, sendo forte a suspeita de que Hitler e o Governo nazi viam em Muñoz Grandes uma alternativa a Franco, o que levou o caudilho a enviar o general Esteban Infantes com ordens para o substituir. Esteban Infantes assumiu o comando da unidade em dezembro de 1942, numa altura em que derrota nazi começava a desenhar-se no horizonte. Os Aliados bombardeavam a Alemanha tanto de dia como de noite e o 6º Exército estava cercado em Estalinegrado, definhando gradualmente até sucumbir a 2 de fevereiro de 1943. Uma semana mais tarde foi a vez da Divisão Azul sofrer uma hecatombe. No dia 10, o Exército Vermelho iniciou um prolongado bombardeamento de artilharia contra a ala direita da divisão, seguiram-se vagas de infantaria e tanques que submergiram as trincheiras dos defensores. A resistência dos cerca de 5 mil espanhóis que guarneciam aquele sector foi acirrada, mas o rolo compressor soviético conseguiu tomar as primeiras linhas de defesa e a cidade de Krasny Bor. Quase 4 mil espanhóis (e alguns portugueses) foram mortos, feridos ou capturados, forçando os alemães a intervir para conter a avalancha soviética. A notícia do desastre espalhou-se por uma Espanha que ficou em estado de choque com a enorme quantidade de mortos sofridos num só dia, e para o Governo de Franco ficou claro que era tempo de aceitar a realidade. O FIM DO SONHO O espírito cauteloso de Franco tinha-o feito adiar a entrada de Espanha na guerra até ao momento em que a vitória fosse certa, mas com a queda de Estalinegrado e a Batalha de Krasny Bor, ficou claro que a única certeza era a derrota do III Reich e os elevados custos que uma aliança com os nazis iria ter para o seu regime. Dali em diante, a sua política passou por gerir o difícil equilíbrio entre a necessidade de manter uma relação estável com o Eixo e continuar com a neutralidade que lhe permitia evitar a ira dos Aliados. A Divisão Azul continuou na linha da frente até finais de 1943, sendo substituída pela Legião Azul quando já se adivinhava o fim do Cerco de Leninegrado. De menor tamanho e moral reduzida, a Legião teve vida curta e em abril foi dissolvida. No seu retorno não houve canções imperiais sobre apagar a fronteira de Espanha com Portugal e os líderes falangistas primaram pela ausência, ser pró-nazi tinha passado de moda. Franco não conseguiu cumprir o sonho de anexar Portugal, mas a sua vingança fez-se em Olivença — cidade reivindicada por Portugal, mas sob administração espanhola desde 1801. Ali se falava de forma corrente o português oliventino, idioma que também era visível nos apelidos e nas placas das ruas, assim como nas raízes culturais que perduravam e faziam do oliventino uma identidade única na península. Nos anos 40, a par da repressão política que custou a vida a vários oliventinos que tinham resistido ao golpe militar, o regime franquista conduziu uma agressiva campanha de aculturação forçada: reprimindo o uso do português, apagando o idioma luso das placas das ruas e procurando eliminar qualquer vestígio cultural que recordasse a história daquela região. Talvez não seja exagerado classificar como genocídio cultural a campanha de erradicação da cultura oliventina em prol duma castelhanização homogeneizadora, um modelo que poderia ter servido de exemplo para Portugal, se Franco e os nacionalistas espanhóis tivessem cumprido o sonho da União Ibérica. A realidade é que as ditaduras ibéricas se viram forçadas a adaptar-se aos novos tempos da Guerra Fria, sendo toleradas devido ao seu anticomunismo militante, apesar de serem anacronismos de uma era fascista. Espanha foi perdendo os sonhos imperiais e optou por apostar na economia, enquanto Portugal arrastou-se numa guerra colonial que corroeu o regime até o derrubar, a 25 de abril de 1974. Nesse momento em que os ventos da liberdade voltavam à península, alguns reacionários espanhóis ainda sonharam com uma intervenção militar sobre o vizinho que serviria de prenúncio para a sua anexação, mas nessa altura já Franco era uma sombra de si mesmo, falecendo no ano seguinte e abrindo caminho para o retorno da democracia a Espanha. Morreu o ditador, mas o ideal iberista está longe de desaparecer. Basta ver os mapas com que o Vox — partido espanhol de extrema-direita — representa a península, ou o discurso de alguns dos seus militantes, são sinais claros de que o ideal de uma União Ibérica se mantém vivo na atualidade, fantasias de quem não consegue aceitar a realidade. 1 Compartilhar este post Link para o post
a.lopes Publicado 25 Março 2024 Top row (left to right): King Haakon VII of Norway, King Ferdinand I of Bulgaria, King Manuel II of Portugal, Kaiser Wilhelm II of Germany (King of Prussia), King George I of Greece, King Albert I of Belgium Bottom row (left to right): King Alfonso XIII of Spain, King George V of the United Kingdom, King Frederick VIII of Denmark O nosso rei era Sportinguista, 100% 1 1 Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 25 Março 2024 Citação de Petar Musa, Em 14/03/2024 at 11:43: Ainda ando a ganhar força para conseguir ouvir um episódio inteiro desse podcast, mas os senhores têm voz de soneca. Sei que a maioria de vocês não gostam, mas o Rui Ramos coloca bem melhor a voz no seu podcast Eu ouço esse. O Rui Ramos não me irrita, o JMT interromper e tentar completar tudo o que o RR diz é que sim. Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 25 Março 2024 Citação de Mica, há 14 minutos: Eu ouço esse. O Rui Ramos não me irrita, o JMT interromper e tentar completar tudo o que o RR diz é que sim. E falha 100% das vezes 😂 1 Compartilhar este post Link para o post
La Flame Publicado 25 Março 2024 Citação de a.lopes, há 6 horas: Top row (left to right): King Haakon VII of Norway, King Ferdinand I of Bulgaria, King Manuel II of Portugal, Kaiser Wilhelm II of Germany (King of Prussia), King George I of Greece, King Albert I of Belgium Bottom row (left to right): King Alfonso XIII of Spain, King George V of the United Kingdom, King Frederick VIII of Denmark O nosso rei era Sportinguista, 100% E o George V 100% micou uma dama. 1 Compartilhar este post Link para o post
Mica Publicado 25 Março 2024 (editado) Citação de Petar Musa, há 45 minutos: E falha 100% das vezes 😂 A cena do RR ser um bocado para o parcial...pah pessoalmente nunca ouvi nada de transcendente. Recordo-me de um que ele diz que o Salazar não foi fascista, mas a realidade é que não o era no sentido original do termo, visto que o fascismo pressupõe o uso da política como meio de propagação do regime e o Salazar nunca foi muito à bola com política. Interpretei dessa forma esse episódio em específico. O Resto é História tem outra vantagem, é que assim que o JMT deixa o RR falar, a explicação flui. No "A história repete-se", apesar de curtir o Henrique Monteiro, ele e o Loureço Pereira Coutinho divagam muito e entram muito para o lado cómico. E perco-me totalmente na parte inicial com o briefing do LPC. (parece alguns dos episódios do Matraquilhos com o Fragoso ali a falar incessantemente) Editado 25 Março 2024 por Mica Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 25 Março 2024 Citação de Mica, há 40 minutos: A cena do RR ser um bocado para o parcial...pah pessoalmente nunca ouvi nada de transcendente. Recordo-me de um que ele diz que o Salazar não foi fascista, mas a realidade é que não o era no sentido original do termo, visto que o fascismo pressupõe o uso da política como meio de propagação do regime e o Salazar nunca foi muito à bola com política. Interpretei dessa forma esse episódio em específico. O Resto é História tem outra vantagem, é que assim que o JMT deixa o RR falar, a explicação flui. No "A história repete-se", apesar de curtir o Henrique Monteiro, ele e o Loureço Pereira Coutinho divagam muito e entram muito para o lado cómico. E perco-me totalmente na parte inicial com o briefing do LPC. (parece alguns dos episódios do Matraquilhos com o Fragoso ali a falar incessantemente) A unica coisa em que acho o RR parcial é a falar de algum assunto económico dos ultimos 100. Mas são mesmo muito raras exceções. Além disso, sempre concordei com ele nesses pontos excecionais 😄 E agora que falas no Matraquilhos, a razão de ter deixado de ouvir é a mesma por não conseguir acompanhar o "A história repete-se" Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 25 Março 2024 Citação de a.lopes, há 9 horas: Top row (left to right): King Haakon VII of Norway, King Ferdinand I of Bulgaria, King Manuel II of Portugal, Kaiser Wilhelm II of Germany (King of Prussia), King George I of Greece, King Albert I of Belgium Bottom row (left to right): King Alfonso XIII of Spain, King George V of the United Kingdom, King Frederick VIII of Denmark O nosso rei era Sportinguista, 100% A título de curiosidade o George V do UK e o Wilhem II eram primos diretos e o Frederick VIII da Dinamarca era irmão do George I da Grécia e pai do Haakon VII da Noruega. Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 25 Março 2024 Citação de Lebohang, há 3 horas: A título de curiosidade o George V do UK e o Wilhem II eram primos diretos e o Frederick VIII da Dinamarca era irmão do George I da Grécia e pai do Haakon VII da Noruega. E o Manel não fazia a mínima ideia do que estava ali a fazer. Mas gostou de Inglaterra. Cinco meses depois foi para lá definitivamente e nunca mais voltou. Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 25 Março 2024 Que saudades de ter um filho primo tio do pai como figura máxima do país! Compartilhar este post Link para o post
challenger Publicado 21 Abril 2024 A história dos portugueses que combateram pela Galiza republicana Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 22 Abril 2024 Citação de challenger, há 10 horas: A história dos portugueses que combateram pela Galiza republicana Na história da resistência civil galega e das vítimas da repressão franquista exercida depois de julho de 1936 na Galiza há centenas de emigrantes portugueses cuja atuação permanece quase desconhecida Na madrugada de 30 de setembro de 1936, pouco antes das 6h da manhã, cinco homens desceram de uma camioneta no largo fronteiro ao convento franciscano de Ourense, conhecido como Campo de Aragón, onde fora morto, uns dias antes, o governador civil republicano Gonzalo Martín March. Iam acompanhados por um médico militar, um capelão e um pelotão de fuzilamento. Naquela zona alta da cidade, de onde se podia avistar quase todo o casario, os homens foram dispostos lado a lado. Às 6h da manhã em ponto, ainda noite cerrada, ouviu-se uma descarga de tiros. Os cinco homens tombaram no chão. O médico deu uns passos até junto dos corpos, ainda quentes, e certificou-se de que todos estavam mortos — mais tarde, nos registos de óbito, escreveu unicamente que morreram “em consequência de hemorragia interna”. Estava consumada a sentença de morte a que estes trabalhadores tinham sido condenados seis dias antes, num Conselho de Guerra que os julgara pelo crime de rebelião militar. Ainda durante a manhã, os corpos foram inumados na vala comum do cemitério de São Francisco, aberta naquele verão de 1936 e na qual era proibido colocar lápides ou flores. Enterradas na terra existiam apenas pequenas placas de latão com números. Naquele último dia de setembro, sob as tabuletas 919 e 922, foram enterrados dois portugueses. Joaquim Salgado Lopes e João Gonçalves de Jesus não se conheciam antes de 18 de julho, quando o país foi surpreendido pela notícia de que uma intentona militar eclodira no protetorado espanhol em Marrocos e avançava velozmente para as regiões peninsulares. Partilhavam não apenas a nacionalidade mas também as origens de pobreza e miséria que levaram milhares de portugueses a emigrar no primeiro quartel do século XX. Salgado Lopes, nascido na aldeia de Gémeos (Guimarães), trabalhava à jorna nos campos de A Gudiña, na raia galega, a sudeste da capital provincial (Ourense), e Gonçalves de Jesus, natural de São Pedro de Agostém (Chaves), era carpinteiro e vivia com dois filhos, depois de enviuvar, na paróquia ourensana de A Vilavella. No dia em que foram fuzilados, o primeiro tinha 24 anos e o segundo 41. O encontro destes concidadãos aconteceu em A Gudiña na semana do golpe militar que deu início a uma fratricida Guerra Civil. Joaquim e João faziam parte de um grupo de cerca de 300 trabalhadores que, em poucas horas, se converteram em combatentes improvisados. As suas armas eram caçadeiras e espingardas usadas na caça, que nem todos sabiam manusear, algumas ferramentas de trabalho e doses generosas de coragem e desespero que os levaram a tentar travar a sedição contra o Governo da Frente Popular (FP), eleito em fevereiro. OS PORTUGUESES NA GUERRA CIVIL ESPANHOLA Em Ourense, como nas restantes províncias galegas (Pontevedra, Corunha e Lugo), surgiram núcleos de resistência popular logo no fim de semana de eclosão da intentona, com sindicatos e partidos afetos à coligação de esquerda da FP a decretarem uma greve geral e a convocarem os civis para a defesa da República: em muitas localidades foram organizados pequenos comités de guerra e de abastecimentos e procurava-se recolher o maior número possível de armas e munições. Entre os nativos mal se distinguiam os emigrados portugueses, fluentes no galego e inteiramente adaptados aos lugares de acolhimento. Pequenos exércitos de trabalhadores dirigiram-se depois para as capitais provinciais em camionetas de caixa aberta — eram padeiros, jornaleiros, mineiros, ferreiros, canteiros, trabalhadores da construção da ferrovia, operários, pescadores, peixeiras, entre muitos outros obreiros, debilmente armados e apostados em morrer em defesa da República. Algumas dezenas de veículos seguiram em direção a A Gudiña, onde subsistia um importante núcleo de carabineiros republicanos. De Campobecerros, lugar que distava cerca de 30 quilómetros da vila, partiram ao anoitecer do dia 22 (quarta-feira) mais emigrantes lusos, que se juntaram a Joaquim e João. Entre eles estavam António, José e Emílio, que, um mês mais tarde, seriam assassinados pelos sublevados num caminho rural. COMBATER E MORRER PELA REPÚBLICA Nas carroçarias das camionetas, galegos e portugueses levavam consigo material confiscado em lojas e casas particulares: armas, pacotes de dinamite, fios de mecha, garrafas com detonadores, bombas caseiras feitas com latas de conservas vazias e rações de combate (pêssegos em calda e conservas de peixe). Ao sair de Campobecerros lançaram uma bomba para o interior da igreja, destruindo os vitrais, o telhado e algumas paredes. Quando chegaram a A Gudiña reuniram-se aos trabalhadores procedentes de outras zonas e aos militares que se mantinham fiéis à República. Cortaram as comunicações telegráficas e telefónicas, destruíram a ponte de acesso à vila, postaram sentinelas em diversos locais e dormiram ao relento, aguardando os revoltosos. No dia seguinte, pela manhã, alguns dos homens retornaram a Campobecerros em busca de mais armas e mantimentos, passando ainda pelas aldeias de Cerbedelo e Camba. Um ferreiro português de 27 anos, Joaquim Afonso, tentou aproveitar o momento para fugir à mobilização popular contra os rebeldes: enrolou na cabeça um pano encharcado em aguardente e disse aos companheiros que estava doente. Não resultou. Ele e o irmão, Emílio Afonso, voltaram a embarcar nos veículos em direção a A Gudiña, mas a vida de ambos acabou por ter diferentes desfechos. Durante os anos da guerra e até 1945, no período do primeiro franquismo, mais de mil portugueses foram vítimas da repressão política, militar e económica instaurada na Galiza Por volta do meio-dia de quinta-feira (23), um grande grupo de militares, carabineiros, Guardia de Asalto, Guardia Civil e falangistas entrou em A Gudiña com recursos bélicos e humanos incomparavelmente superiores aos dos republicanos. Os trabalhadores, porém, não esmoreceram nem desmobilizaram — um capitão da Guardia Civil contou mais tarde ter encontrado um “fortíssimo grupo de extremistas”. Enquanto a imprensa portuguesa noticiava que na região de Ourense imperava o “sossego absoluto”, decorriam confrontos nas ruas e arredores da capital e em A Gudiña, onde os tiroteios duraram algumas horas. Terminaram quando os carabineiros se renderam. Aos civis era impossível conter o poder de fogo dos insurretos. Joaquim e João tentaram sair da vila, mas não conseguiram: o primeiro foi capturado numa rua e o segundo numa área de vegetação cerrada, onde procurara ocultar-se. Ambos estavam desarmados. No dia seguinte foram transportados, juntamente com mais trabalhadores presos, para Ourense, onde a Guardia Civil apresentou o espólio bélico apreendido aos republicanos após os confrontos: um revólver, uma pistola automática, algumas dezenas de cartuchos e uma caixa com documentos da Casa del Pueblo. Estas ‘provas’ foram suficientes para o juiz de instrução ordenar a prisão preventiva de todos na cadeia provincial e serviram para decretar, num Conselho de Guerra realizado a 24 de setembro, a sentença de morte a cinco réus, entre os quais estavam o jornaleiro e o carpinteiro portugueses. Seis dias depois, por volta das 2h da manhã, Joaquim Salgado Lopes, João Gonçalves de Jesus, Francisco Dominguez N., Antolín Martínez Basalo e José Ramón Barja García foram retirados das suas celas na cadeia de Ourense e levados para a capela da prisão, onde puderam receber “auxílios religiosos”. Quatro horas depois foram fuzilados no Campo de Aragón. Os irmãos Joaquim e Emílio Afonso conseguiram fugir após os enfrentamentos, mas optaram por caminhos distintos. O ferreiro atravessou a fronteira e procurou refúgio na sua terra, Chaves, enquanto Emílio, que trabalhava na construção ferroviária e estava sindicalizado na anarquista Confederación Nacional del Trabajo (CNT), embrenhou-se com mais companheiros nos montes ourensanos e passou à condição de foragido. Retornar a Portugal foi também a escolha de Jacinto Alves, um jornaleiro de 30 anos que, tal como Joaquim Afonso, conseguiu escapar da perseguição dos rebeldes após os confrontos em A Gudiña. No mesmo dia em que o tribunal militar sublevado decretou a morte de Salgado Lopes e Gonçalves de Jesus, a 24 de setembro, Jacinto escreveu desde a aldeia transmontana de Rebordondo uma carta a uma vizinha galega de Portocamba: “[...] Inteirei-me de algumas notícias de que mataram alguns companheiros meus; quem mo disse foi o padeiro que estava a cozer o pão em Portocamba. [...] Assim, eu quero que me mande dizer quais foram dos meus companheiros os que mataram, os portugueses a uma parte e os espanhóis a outra. [...]” Entre os companheiros portugueses que tinham sido mortos estavam Emílio Afonso, José Maria Pena, ambos naturais do concelho de Chaves, e António Ribeiro, de Mirandela, todos operários da construção da via-férrea Ourense-Zamora. Escondidos nas cercanias montanhosas de Campobecerros e Portocamba, não muito distantes dos familiares e vizinhos que lhes garantiam clandestinamente apoio alimentar, os três cidadãos nacionais foram capturados durante uma batida da Guardia Civil e de falangistas na tarde de 20 de agosto. Num ato que viria a repetir-se muitas vezes durante os anos da Guerra Civil, foram imediatamente mortos, provavelmente com um ou mais tiros na cabeça, e enterrados em lugar desconhecido. Os óbitos nunca foram oficialmente registados. Em finais de 1936, o pároco de Campobecerros identificou um caminho rural, entre a povoação e a aldeia de Portocamba, como o lugar de inumação dos portugueses, mas é também possível que tenham sido sepultados numa vala comum situada no exterior do cemitério local. Emílio, José Maria e António fazem parte da interminável lista de desaparecidos da Guerra Civil espanhola, estimados em mais de 100 mil, cujas mortes nunca foram registadas. No caso dos emigrados portugueses, continua a ser impossível obter o número de desaparecidos no conflito, porque a grande maioria vivia clandestinamente em Espanha, sem qualquer documento identificativo, e as afinidades linguísticas e outras permitiam que os nacionais não se distinguissem dos nativos. MORTOS, PRESOS, EXPULSOS E ESPOLIADOS Pouco antes da eclosão da guerra, dezenas de milhares de portugueses residiam nas quatro províncias galegas. Na Corunha, em Pontevedra e em Ourense, as representações consulares contabilizavam, em 1934, mais de 17 mil emigrados legalizados, mas o verdadeiro número era inescrutável. Em geral, a colónia era pobre, composta maioritariamente por homens com pouca ou nenhuma instrução escolar, refratários ou desertores. A maioria tinha entre 20 e 50 anos, casavam na Galiza e constituíam famílias numerosas. As mulheres emigradas, em idade jovem, acumulavam o labor doméstico com o trabalho nas hortas e a criação de animais destinados à subsistência familiar; outras eram criadas de servir, costureiras e peixeiras. Procediam sobretudo dos distritos de Viana do Castelo e de Braga e estabeleciam-se nas províncias de Pontevedra e Ourense, embora existissem também importantes núcleos de serradores no interior galego, nomeadamente em Lugo, provenientes de Leiria. Encontravam-se portugueses em todas as modalidades laborais, da construção civil à pesca, passando pela venda ambulante, o operariado fabril e a agricultura. Eram “pacíficos” e “humildes” — como os descreveu Manuel Saragga Leal, cônsul na Corunha —, sem qualquer poder reivindicativo, incapazes da “mais insignificante influência”. Em junho de 1941, o padeiro Manuel da Silva Alves, pai de sete filhos, morreu por “avitaminose” na ilha-prisão para presos políticos de San Simón, na ria de Vigo No entanto, à data das eleições gerais de fevereiro de 1936, que deram a vitória à Frente Popular, muitos destes trabalhadores estavam já incorporados na cultura proletária galega, filiados sobretudo nos sindicatos agregados à UGT e à CNT. Durante a II República, possuir um cartão do sindicato não só abria as portas do mercado laboral como também evitava perder o emprego, mesmo estando ilegal no país. Não significa isto que as massivas adesões de emigrados às organizações sindicais estavam isentas de carga ideológica, mas a causa primária da filiação era arranjar trabalho. A noção de pertença a um coletivo com poder para reclamar justiça social e económica obedeceu a um processo gradual que, em julho de 1936, levou centenas de portugueses, homens e mulheres, a largarem os campos, as fábricas, as obras e as minas e a mobilizarem-se em defesa de um país que não era o seu. Durante os anos da guerra e até 1945, no período do primeiro franquismo, mais de mil portugueses foram vítimas da repressão política, militar e económica instaurada na Galiza logo a partir dos últimos dias de julho de 1936: foram julgados em tribunais militares, condenados à morte ou a longas penas de reclusão, paseados, “sacados” das cadeias e para sempre desaparecidos, espancados e torturados, presos em campos de concentração, sujeitos a trabalhos forçados, repatriados, exilados, mortos nas prisões por privação de cuidados médicos e alimentação, espoliados de bens e dinheiro, incorporados compulsivamente no exército nacionalista, desterrados, impedidos de ter empregos públicos ou subvencionados pelo Estado... Este catálogo de punições não se aplicava somente aos nacionais que tinham pegado em armas ou apoiado ativamente a resistência popular mas também aos que tinham um cartão do sindicato ou possuíam “antecedentes” (participação em greves e manifestações, por exemplo): um carpinteiro de 30 anos, nascido em Caldas das Taipas, Artur Sousa, residente em Peares, foi morto com três tiros na cabeça, no meio de um monte, porque levava no bolso a cédula da UGT; José Prego, um pedreiro emigrado em Leiro, esteve preso mais de dois anos em Ourense por estar filiado num sindicato socialista da construção civil; as irmãs Assunção e Esperança Rodrigues, que viviam em Porriño e acorreram a Vigo para ajudar na construção de barricadas, foram julgadas e condenadas a 15 anos de prisão por terem “auxiliado a rebelião”; um pedreiro anarquista, António Teixeira, que vivia em Lugo, foi sentenciado a 30 anos de cadeia por ter participado no confisco de armas, sendo a sua família espoliada de todos os bens por decisão do Tribunal de Responsabilidades Políticas, institucionalizado em 1939 para condenar à penúria os familiares dos derrotados. Tementes da violência franquista, alguns viveram como toupeiras: o jornaleiro transmontano António Branco sobreviveu três anos, entre 1936 e 1939, numa divisão clandestina da casa que partilhava com a sua companheira, em Oímbra, temendo represálias por ser comunista; José Vides escondeu-se na parede falsa de uma casa em Cancillós durante dois anos, tendo sempre consigo uma caçadeira carregada com dois cartuchos; e José Dias, um anarquista que integrou as colunas de mineiros que tentaram debelar a rebelião na Corunha, ocultou-se num sótão entre 1936 e 1937, ano em que foi denunciado e preso. A “PACIFICAÇÃO” DA GALIZA Na Galiza, um território onde não existiram frentes da guerra como nas vizinhas Astúrias, por exemplo, foi bastante evidente a violência arbitrária, sistemática e desproporcional perpetrada pelos sublevados contra a população. Contra tanques e canhões, forças de artilharia e aviação, os populares brandiam caçadeiras e espingardas, foices e enxadas, e tentavam travar o passo dos sublevados com a explosão de pontes e a construção de barricadas com sacos de areia e de terra. Ainda em 1936, o processo de “pacificação” do território, segundo o léxico franquista, traduziu-se na execução dos governadores civis das quatro províncias, na aniquilação da elite política e intelectual, na proibição da língua galega e na revogação do estatuto autonómico aprovado em referendo a 28 de junho. Mas também na desmesurada violência, que foi persistente durante as primeiras semanas da guerra e que nunca estancou nos meses e anos seguintes, não distinguindo nacionalidades. Na repressão exercida sobre portugueses, isso mesmo é verificável na atuação dos tribunais militares, nos processos de responsabilidades políticas que condenavam à miséria as famílias dos condenados (vivos ou mortos), espoliando-os e atribuindo-lhes sanções económicas hereditárias e sem prazos prescricionais, fazendo perdurar os castigos por várias gerações, e nos atos de violência arbitrária. Ao início da noite de 15 de setembro de 1939, João Sousa, um jornaleiro nascido em Galegos (Barcelos) que conduzia a sua bicicleta numa estrada de San Miguel de Tabagón (Pontevedra), onde residia, foi mandado parar por dois militares. Fizeram-lhe algumas perguntas, mas o emigrado mal teve tempo para responder — começaram a bater-lhe, usando os punhos e as coronhas das pistolas. Em seguida levaram-no para o alojamento do quartel de O Rosal, fecharam portas e janelas, despiram-no e começaram a chicoteá-lo com um cinturão de couro. Faziam-no à vez: quando um ficava cansado, continuava o outro. De vez em quando largavam o cinturão e usavam novamente as coronhas das armas e ainda as esporas das botas. Não se sabe quanto tempo durou o espancamento. João Costa, que teria 37/38 anos, foi transportado dali para o hospital e ficou internado durante várias semanas. O seu corpo e cara eram uma manta de feridas, equimoses e escoriações. O Julgado Militar de Vigo abriu um inquérito, mas os certificados médicos e o depoimento de uma vizinha do quartel, que contou ter ouvido a “pancada” e o choro do português, de nada valeram — a sindicância foi arquivada definitivamente e no processo pode ler-se que João Costa ficou ferido na sequência de uma queda da bicicleta, por sua vez causada pelo “abuso de bebida”. Durante os anos da guerra e já na vigência da ditadura franquista sucederam-se inquéritos similares, abertos pela justiça militar, que terminavam com o arquivamento ou a ilibação total dos responsáveis. No período de maior carência alimentar em Espanha, no pós-guerra, ao aumento do contrabando na fronteira correspondeu mais vigilância e mais repressão, que, em muitos momentos, resultou na morte de portugueses em solo galego. Por vezes, estas mortes suscitavam alguns protestos do Governo nacional, mas as respostas variavam entre o “lamentável incidente” e o “estrito cumprimento do dever” por parte das forças militares. 32 VALAS COMUNS E QUASE 5 MIL MORTOS EM CINCO MESES Em setembro de 1936, Salvador Nunes Teixeira, governador civil de Bragança, informou o Executivo de que “em muitas povoações” da Galiza reinava “o terror” devido às “camionetas da morte”, que visitavam amiúde as povoações. Eram conduzidas por falangistas, que atravessavam as localidades durante a noite, detinham à força homens e mulheres e transportavam-nos para locais isolados, onde habitualmente os matavam. Os corpos eram depois abandonados nas bermas das estradas, nos campos, atirados a poços e ao mar. Por vezes, os desaparecidos eram mais tarde localizados nas cadeias locais e provinciais. Nos primeiros meses da guerra, os livros de registos das principais prisões galegas apresentam números descomunais. Centenas de portugueses foram detidos: clandestinos que viviam há 30 anos na Galiza, “indesejáveis”, sindicalizados, “agitadores marxistas”... Nos meses seguintes verificaram-se poucos períodos de abrandamento, e os números explodiram novamente após a queda completa da Frente Norte, em outubro de 1937, quando foram transferidos para as cadeias galegas prisioneiros de guerra asturianos, bascos, cantábricos e também portugueses. Fábricas, conventos, lazaretos, quartéis e até barcos foram convertidos em espaços de reclusão e campos de concentração. Quando a guerra terminou, em abril de 1939, as prisões galegas, tal como de toda a Espanha, estavam sobrelotadas, eram insalubres, tinham falta de cuidados médicos e de alimentação. Em junho de 1941, o padeiro Manuel da Silva Alves, pai de sete filhos, morreu por “avitaminose” na ilha-prisão para presos políticos de San Simón, na ria de Vigo; um mês antes, no mesmo lugar, morreram mais dois nacionais por fome e falta de cuidados médicos: José Vale, um jornaleiro algarvio que vivia em Cartaya (Andaluzia), e Luís Conceição, um mineiro residente em Oviedo. Até aos dias de hoje foram oficialmente identificadas na Galiza 32 valas comuns (em todo o país estão registadas, por agora, 4265), estimando-se que entre julho e dezembro de 1936 os sublevados terão matado cerca de 5 mil pessoas, maioritariamente através de execuções extrajudiciais. O contraste com a violência republicana é tanto mais evidente porquanto os resultados das investigações patrocinadas pelos próprios franquistas revelaram-se embaraçosos: entre julho de 36 e abril de 39, a “dominação vermelha” matou 91 pessoas nas quatro províncias galegas. Entre milhares de vítimas da repressão franquista na Galiza estão portugueses (muitos ainda por identificar) que merecem ser resgatados ao esquecimento. Este é um pequeno contributo. Este artigo apresenta a súmula de uma investigação realizada nos últimos cinco anos para efeitos de doutoramento 2 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 8 Maio 2024 [A História repete-se] Será que os lusitanos foram mesmo antepassados dos portugueses? 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 24 Julho 2024 [A História repete-se] Que importância teve a Ordem dos Templários na fundação de Portugal? Compartilhar este post Link para o post
Jimpo Publicado 8 Agosto 2024 Historia do caraças que me foi contada por uma paciente agora, vou escrever para nao me esquecer. Pai checo nascido em 1917, que fez o exército russo na parte de contraespionagem. Durante a segunda guerra não esteve de acordo com práticas russas e para fugir ao exército russo alistou-se na legião estrangeira russa, dai passou para a legião Checoslováquia com mais 5 camaradas para participar na libertação do país. Como viu a coisa mal parada e foi avisado que os russos iam assassinar os que tinham fugido, ele e outro amigo fugiram para Inglaterra para se juntar a De Gaulle que tinha feito o chamamento, os 3 que ficaram na Checoslováquia foram assassinados. Através da legião francesa, foi mandado para África para combater. Acabada a guerra deixou a legião e ficou sem nacionalidade, era considerado refugiado checoslovaco, foi viver para a África Equatorial Francesa, hoje a zona da República Centro Africana, esta minha utente nasceu la e até aos 20 anos não teve nacionalidade, foi-lhe recusada 5 vezes até que casou e conseguiu a nacionalidade por casamento. Foi chamado pelo cônsul e ameaçada que durante 10 anos se acontecesse algo de grave, lhe tiravam a nacionalidade. Durante toda a vida o pai dela foi monitorizado tanto pelos russos como pelos franceses, considerado como um possível espião. Morreu em 1985, a minha utente diz que só começou a sentir-se mais tranquila após 1989 em termos de ser monitorizada. Incrível. 9 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 21 Agosto 2024 [A História repete-se] D. Dinis, o primeiro rei português a saber ler e escrever, compôs várias canções trovadorescas de amor, amigo e escárnio e maldizer Compartilhar este post Link para o post
Jimpo Publicado 22 Agosto 2024 Curti muito do episodio do A Historia repete-se sobre os cataros e sobre a India britanica apesar de sentir que haveria muito mais a explorar mas é impossivel em episodios de uma hora. Dava jeito que fizessem parte 1 e 2 àas vezes. Sobre os cataros, estou nessa regiao de frança e ja tinha visto para fazer o roteiro dos castelos cataros 1 Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 28 Agosto 2024 O desta semana é sobre a Lei Seca, Máfia e Al Capone. Partilha aí @Lebohang, estou sem acesso 😁 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 28 Agosto 2024 [A História repete-se] A "Lei Seca", a Máfia e Al Capone: os loucos anos de 1920 nos Estados Unidos Compartilhar este post Link para o post
Hawkeye Publicado 30 Agosto 2024 Citação de Lebohang, Em 28/08/2024 at 16:20: [A História repete-se] A "Lei Seca", a Máfia e Al Capone: os loucos anos de 1920 nos Estados Unidos A melhor cena do Al Capone foi dele ter ajudado a por datas de validade nos produtos porque um familiar dele morreu por consumir algo estragado Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 11 Setembro 2024 [A História repete-se] Revoltas, impostos, poder e intrigas: a verdadeira história da queda do al-Andalus 1 Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 11 Outubro 2024 DNA study confirms Christopher Columbus’s remains are entombed in Seville Scientists have ‘definitively’ proved identity of remains – with navigator’s precise origins to be revealed Scientists in Spain claim to have solved the two lingering mysteries that cling to Christopher Columbus more than five centuries after the explorer died: are the much-travelled remains buried in a magnificent tomb in Seville Cathedral really his? And was the navigator who changed the course of world history really from Genoa – as history has long claimed – or was he actually Basque, Catalan, Galician, Greek, Jewish or Portuguese? The answer to the first question is yes. The answer to the second is … wait until Saturday. The long-running and often competitive theorising has not been helped by his corpse’s posthumous voyages. Although Columbus died in the Spanish city of Valladolid in 1506, he wanted to be buried on the island of Hispaniola, which is today divided into Haiti and the Dominican Republic. His remains were taken there in 1542, moved to Cuba in 1795, and then brought to Seville in 1898 when Spain lost control of Cuba after the Spanish-American war. On Thursday, after two decades of DNA testing and research, the forensic medical expert José Antonio Lorente said the incomplete set of remains in Seville Cathedral were indeed those of Columbus. “Today, thanks to new technology, the previous partial theory that the remains in Seville are those of Christopher Columbus has been definitively confirmed,” said the expert, who led the study at the University of Granada. The conclusion followed comparisons of DNA samples from the tomb with others taken from one of Columbus’s brothers, Diego, and his son Fernando. The knottier question of the explorer’s precise origins will be revealed in Columbus DNA: His True Origin, a special TV programme shown on Saturday 12 October, the date when Spain celebrates its national day and commemorates Columbus’s arrival in the New World. While myriad claims have been made about where the navigator was from – the theories include Italy, Sweden, Norway, Portugal, France, Greece, Scotland and a handful of different Spanish regions – the programme-makers insist they now have the answer. “Twenty-five possible origins and eight finalists but there can be only one,” Spain’s state broadcaster, RTVE, said in a statement. Lorente, who described the investigation as “very complicated”, remained tight-lipped about its conclusions. “There are some really important results – results that will help us in multiple studies and analyses that should be evaluated by historians,” he told reporters on Thursday. He has, however, been previously quite blunt that he believed Columbus was Genoese, saying in 2021: “There is no doubt on our part [about his Italian origin], but we can provide objective data that can … close a series of existing theories.” The scientist has also pointed out that parts of Columbus could still be in the Caribbean. In 1877, an excavation of Santo Domingo Cathedral in the Dominican Republic unearthed a small lead box of bone fragments marked: “Illustrious and distinguished male, Christopher Columbus.” Those remains are now buried at the Faro a Colón monument (Columbus Lighthouse) in Santo Domingo Este. Lorente said that as both sets of bones were incomplete, both could belong to the explorer. If, as the programme and the attendant hype suggest, the fascination with Columbus remains undimmed, so, increasingly, does the controversy over his legacy. In 2015, Ada Colau, then the mayor of Barcelona, joined many on the Spanish left in decrying the 12 October celebrations. “Shame that a nation celebrates a genocide and, on top of that, with a military parade that costs 800,000 euros,” she tweeted. José María González Santos, the then mayor of Cádiz, agreed. “We never discovered America, we massacred and suppressed a continent and its cultures in the name of God,” he said. “Nothing to celebrate.” Four years ago, a statue of Columbus in Richmond, Virginia, was torn down, set ablaze and thrown into a lake. A sign reading “Columbus represents genocide” was then placed on the spray-painted foundation that once held the figure. 1 Compartilhar este post Link para o post