Poeira Publicado 15 Setembro 2013 Japoneses? Podem fechar. Nakamura :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Su1 Publicado 15 Setembro 2013 Xiii, grande tópico, ainda não tinha visto. A minha primeira paixoneta no futebol foi o Brasil do WC 98. Tinha apenas 8 anos e sei de cabeça algumas coisas. O Brasil no estava no grupo do Marrocos, Escócia e Noruega. No primeiro jogo ganhou 2-0 e o primeiro golo foi do trinco César Sampaio após um canto. Acho que foi contra a Escócia. Lembro-me de eles ganharem 3-2 à Dinamarca. Na altura gostava deles porque o meu pai disse que como Portugal não estava lá tínhamos de apoiar os nossos irmãos. :lol: Grande equipa que tinham... Taffarel, Cafú, Aldair, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Bebeto... enfim. Fiquei tão triste quando levaram 3-0 frente à França. Aí comecei a odiá-los, então depois chegou o Euro 2000 e pqp, ainda fiquei mais a detestá-los porque até estava a gostar bastante da Itália do Euro 2000, porque tinham a melhor defesa que eu já vi a jogar à bola. Pagliuca, Zambrotta, Nesta/Costacurta (não me recordo qual deles ao certo), Cannavaro e Maldini. Que p*ta de parede, não passava nada ali. Foi a primeira vez que comecei a gostar do lado defensivo do futebol. Mas esse WC98 teve alto impacto na minha infância porque foi aí que despertei o meu gosto pela bola. Precisamente uns meses antes do torneio tinha começado a ir ao Estádio das Antas ver o maior. Com 8 anos só queria era ver futebol. Fosse um Portugal - França ou um Estrela da Amadora - Farense. E nesse WC fiquei a conhecer jogadores como o Zidane, Henry, Davor Suker, Trezeguet, Djorkaeff, aqueles Brasileiros que mencionei, Schmeichel, Tomasson, Batistuta, Bierhoff, Matthaus, Vieri, etc... Não estava habituado a ver jogadores desse calibre. WC 98 e Euro 2000, que nostalgia. :heart: Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 15 Setembro 2013 Menino :razz: Andas desatento :grin: Compartilhar este post Link para o post
Wesley Pentz Publicado 15 Setembro 2013 Lembrei-me agora que em puto tive uma panca pelo Nuremberga por causa do Vittek e do Mintal :lol: Compartilhar este post Link para o post
Su1 Publicado 15 Setembro 2013 (editado) Menino :razz: Andas desatento :grin: Adoro este tópicos. :mrgreen: Principalmente pela malta mais velha (como tu :mrgreen:) que chega aqui com as máquinas da altura e há sempre um ou outro que fico a conhecer. Editado 15 Setembro 2013 por Jack van Su1 Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 15 Setembro 2013 Adoro este tópicos. :mrgreen: Principalmente pela malta mais velha (como tu :mrgreen:) que chega aqui com as máquinas da altura e há sempre um ou outro que fico a conhecer. :angry: até parece Su1 :heart: Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 15 Setembro 2013 Grande tópico Diogo. Obrigado Vision :) A ideia foi do nosso Vaart, contribui sempre que quiseres :compinchas: Compartilhar este post Link para o post
silentz Publicado 15 Setembro 2013 Jon Dahl Tomasson Marco Delvecchio Fredrik Ljungberg Compartilhar este post Link para o post
GF6 Publicado 15 Setembro 2013 Quem não se lembra deste? :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
migalhasn1 Publicado 15 Setembro 2013 Já os puseram por aqui, penso eu, mas são dois dos meus jogadores preferidos de sempre e não posso deixar de lhes dar mais uma pequena homenagem. Os principais culpados por eu ter ficado horas agarrado à PS durante alguns anos. :grin: e Compartilhar este post Link para o post
Shabby Publicado 15 Setembro 2013 Como os milionários do City ficaram a conhecer o Sporting Na época de 2011/12 o Sporting depois de ganhar tranquilamente o Grupo D da Liga Europa, qualificou-se para os oitavos de final da competição, eliminando o Legia de Varsóvia, mercê de um empate a duas bolas na Polónia e de uma vitória por 1-0 em Alvalade. O sorteio já tinha determinado que o vencedor desta eliminatória iria defrontar nos quartos de final, o clube que sobrevivesse ao embate entre o FC Porto, detentor do título em disputa e os milionários do Manchester City, que na altura lideravam a Premier League e que depois de ganharem por 2-1 no Dragão, despacharam os Campeões de Portugal com um claro 4-0, no City of Manchester Stadium, onde no final da época viriam a festejar o título de Campeões de Inglaterra. O Sporting estava há muito afastado da discussão da Liga portuguesa, dividindo o 4º lugar do campeonato com o Marítimo, e em consequência desses maus resultados, tinha recentemente trocado de treinador, com o despedimento de Domingos Paciência que fora substituído por Ricardo Sá Pinto, que até aí treinava os Juniores do Clube. O Manchester City, um Clube com poucas tradições na Europa, apesar de contar com uma vitória na Taça das Taças em 1970, vinha da 1ª fase da Liga dos Campeões, e em 2008 fora comprado pelo multimilionário Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, que investiu milhões atrás de milhões, no reforço de uma equipa que era comandada pelo italiano Roberto Mancini e onde no meio de uma verdadeira constelação de estrelas, se destacavam jogadores como Kun Agüero, Mario Balotelli, David Silva e Yaya Touré. Assim praticamente ninguém acreditava noutro desfecho para esta eliminatória, que não fosse a passagem dos ingleses sem grandes dificuldades, e em Portugal até se dizia em jeito de brincadeira, que seria melhor para o Sporting perder por falta de comparência, do que sujeitar-se a uma humilhação. Do lado inglês este confronto foi encarado com alguma sobranceria, principalmente depois dos 6-1 ao FC Porto, que era o líder do Campeonato português, e o avançado bósnio Edin Džeko, chegou mesmo a afirmar que não conhecia nenhum jogador do Sporting, apesar de poucos meses antes enquanto representava a Selecção do seu país, ter sido goleado por Portugal, com Rui Patrício e João Pereira no onze nacional. Para além disso, também o médio Samir Nasri fez declarações onde mostrava alguma arrogância e menosprezo em relação ao Sporting. O primeiro jogo realizou-se em Lisboa, o Sporting vinha de uma derrota em Setúbal, a primeira sob o comando de Sá Pinto, mas mesmo assim compareceram em Alvalade mais de 34 mil espectadores, uma casa razoável atendendo às circunstâncias. O jogo começou com uma oportunidade de golo para cada lado, que os guarda redes resolveram, mostrando o porquê de estarem ambos entre os melhores do mundo na difícil missão de defender a baliza, mas no resto a 1ª parte foi morna, com o City em traje de passeio, convencido que o talento dos seus jogadores faria a diferença, enquanto o Sporting revelava algum receio, mas com o passar do tempo, a equipa começou a desinibir-se, com Matías Fernández a gozar de grande liberdade nas zonas próximas do avançado holandês Van Wolfswinkel. Assim o intervalo chegou com um zero a zero, que era sem dúvida o resultado que melhor se ajustava aos acontecimentos. No recomeço não se verificaram alterações, até que no minuto 51, o Sporting beneficiou de um livre descaído para lado esquerdo da área adversária. Matías Fernández bateu de forma traiçoeira, obrigando Joe Hart a uma excelente defesa, mas a bola sobrou para Xandão, que à segunda, e de calcanhar, fez um golo de belo efeito, que correu o mundo pela sua espectacularidade e pela sensação do resultado que traduziu. Esperava-se uma reacção do City, mas foi o Sporting que se entusiasmou, e o 2-0 poderia ter acontecido. Entraram então em acção os treinadores, com Sá Pinto a preferir jogar pelo seguro, enquanto Mancini lançava o jovem avançado Balotelli, e finalmente o City tomou conta das operações, empurrando o Sporting para a sua área, pelo que o empate chegou a estar à vista, mas o jogo chegou ao fim com a vitória do Sporting por 1-0, a premiar a excelente exibição realizada. O jogo da 2ª mão realizou-se em Manchester, no dia 15 de Março de 2012, e apesar da derrota sofrida em Lisboa, os jogadores do City não pareciam ter ficado muito impressionados com a equipa do Sporting, e continuaram a revelar algum excesso de confiança. Sá Pinto optou e muito bem, por uma estratégia destemida, na procura de um golo que parecia fundamental para passar esta eliminatória, pois a defesa do Sporting não era o sector mais forte de uma equipa que dificilmente iria resistir 90 minutos sem sofrer um golo, daí que fosse muito importante marcar primeiro que o adversário e se possível na 1ª parte. Esta estratégia surpreendeu completamente a equipa do Manchester City e tivemos um Sporting descarado e atrevido, já a respirar alguma confiança, conseguindo superiorizar-se ao seu adversário, atingindo o primeiro objectivo com inteiro mérito, quando eram decorridos 33 minutos de jogo, novamente através de um livre convertido por Matías Fernández, desta vez directamente para o fundo da baliza de Joe Hart. Os sportinguistas começaram a acreditar. Sete minutos depois, Izmailov entra pela direita e coloca a bola com precisão, fora do alcance de Joe Hart, para Van Wolfswinkel emendar à boca da baliza, aumentando para três os golos de vantagem do Sporting. Agora só se pedia que o intervalo chegasse. E chegou. A eliminatória parecia resolvida, o relógio era agora o principal aliado do Sporting, e ao contrário do que se previa o City nem conseguiu entrar forte na 2ª parte. Eles também pareciam já não acreditar. Mas ao 55 minutos, Mancini lançou o possante avançado bósnio Džeko, que baralhou a até aí muito segura defesa leonina, e 5 minutos depois Kun Agüero beneficiou da liberdade que nunca tinha tido até aí, e marcou o primeiro do City. Reagiu de imediato Sá Pinto, fazendo entrar Renato Neto para o lugar do desgastado Matías Fernández e trocando Diego Capel por Jeffrén. Percebia-se a estratégia, numa altura em que era preciso dar músculo ao meio campo e sabendo-se que o chileno não tinha pilhas para um jogo inteiro, enquanto o ex Barcelona estava moralizado pelos golos que tinha marcado na última jornada do Campeonato, e poderia ser importante numa altura em iam haver mais espaços nas costas da defesa do City. No entanto não resultou, a equipa começou a recuar muito, passando a jogar praticamente com seis defesas e deixou de ter capacidade para guardar a bola, ao mesmo tempo que fisicamente se ia abaixo. Faltavam 15 minutos para o fim quando Kun Agüero fez precisamente o mesmo que Matías Fernández tinha feito na 1ª parte, tentando sacar um penálti, sendo que o chileno até foi tocado, enquanto em relação ao argentino ficaram algumas dúvidas, mas quem não hesitou foi o árbitro, que no primeiro caso mostrou amarelo ao jogador do Sporting, e no segundo apontou para a marca do penálti, onde Balotelli não perdoou. Estava reaberta a eliminatória e os sportinguistas voltaram a temer o pior. Entretanto Sá Pinto já tinha voltado a mexer na equipa, fazendo entrar Carrillo para o lugar do esgotado Van Wolfswinkel, uma alteração que também não resultou, pois o peruano a jogar no meio, esteve como peixe fora da água e a única coisa que fez foi colocar Agüero em jogo, no lance do terceiro golo, mesmo que fosse imperdoável que num canto, o argentino estivesse completamente sozinho no 2º poste. Parecia que este não era o dia de Sá Pinto, pois já Renato Neto ficara ligado ao golo do empate, num lance em que entrou de uma forma pouco prudente, e agora ainda faltavam mais de 10 minutos para o fim e bastava um golo ao City, para passar para a frente da eliminatória. Os sportinguistas habituados a sofrer, resistiram e sofreram até ao fim, pois a verdade é que Balotelli teve o apuramento na cabeça a 2 minutos dos 90, e quando o tempo de compensação já se tinha esgotado aconteceu o momento que marcará eternamente esta histórica eliminatória. Na sequência de um canto do lado esquerdo do ataque inglês, com o guarda redes Joe Hart em plena área do Sporting, a bola chegou até à cabeça do nº1 da Selecção de Inglaterra, que qual ponta de lança, rematou com precisão, mas Rui Patrício, num gesto quase instintivo, levantou o seu braço direito e desviou o esférico com a ponta dos dedos, evitando o golo que seria um castigo injusto para toda a sua equipa, da qual foi mais uma vez o herói. Soou então o apito final, que deixou os sportinguistas em euforia, com um resultado que espantou toda a Europa e que afinal apenas foi a confirmação de que o Sporting se dá muito bem com os ingleses, e um justo castigo para a arrogância de um grupo de jogadores milionários, que assim ficaram a conhecer o Sporting Clube de Portugal, que não tendo a fortuna de um Sheikh, tem a riqueza de uma história que o Manchester City nunca terá. De regresso a Lisboa, a comitiva leonina era aguardado por alguns milhares de sportinguistas, que aguentaram até de madrugada para saudarem os seus heróis. A 13 de Maio de 2012 este fantástico feito do Sporting ganhou ainda mais significado, pois nesse dia o Manchester City sagrou-se campeão de inglaterra, 44 anos depois de o ter feito pela última vez. Recente, mas inesquecível. Compartilhar este post Link para o post
Lebohang Publicado 15 Setembro 2013 Falaram do Japão. Philippe Trousier Treinador do Japão entre 1998 e 2002 Como futebolista foi um jogador bastante modesto, passando por clubes um tanto ou quanto desconhecidos (Angouleme, Red Star e Rouen). Como treinador acabou por comprovar ter mais jeito. Começou a treinar em clubes com pouco estatuto em França (Alençon, Red Star e Creteil Lusitanos). Um dia, com 33 anos, farto de "responder às perguntas sempre chatas de jornalistas chatos" agarrou numa mochila, demitiu-se dos Lusitanos e... foi para África. :lol: Acabou por chegar à Costa do Marfim, onde descobriu que o ASEC tinha ficado sem treinador. Candidatou-se ao lugar e foi aceite. Durante três anos não perdeu um único jogo no Campeonato (105 jogos, para ser mais exato), ganhando três campeonatos seguidos. Chegou a selecionador da Costa do Marfim e ainda andou por mais alguns países africanos (África do Sul, Marrocos, Burquina Faso e Nigéria). Sempre à aventura em África. :lol: Chamaram-lhe de "O Bruxo Branco", pelos resultados que obtia e pelas extravagâncias que tinha. No Burquina levava os jogadores a sessões de feitiçaria e exorcismo e obrigava-os a comer peixe cru. No Líbano tirou o dinheiro e documentos dos jogadores e deixou-os num dos mais perigosos bairros de Beirute, dizendo à equipa que quem chegasse primeiro ao hotel era titular. Exercícios de sobrevivência, dizia ele. Acabou por perder o brilho na sua última experiência em África (selecionador da África do Sul), onde foi vítima de uma campanha xenófoba (um pouco aquilo que aconteceu ao Carlos Queirós). Apesar de adorar o continente africano, onde dizia que "em África quando se perde não é preciso dar explicações ou responder a perguntas estúpidas" rumou ao Japão, para treinar a seleção nipónica. Manteve o estilo pouco ortodoxo e métodos de trabalho rígido no Japão. Treinos ás 7 da manhã, por exemplo que segundo ele "robustecia o carácter". No início os japoneses odiavam-no. Depois começaram a adorá-lo, onde o chamaram de "O Boina Verde"!! :lol: Era ele (tirando o Nakata) que mais dinheiro em patrocínios recebia no Japão em termos de seleção japonesa. Após uma derrota contra a França, aumentou a carga física num treino e insultou Morioka, que tinha caído no chão a queixar-se da coxa, dizendo que na seleção do Japão "não havia espaço para meninas, apenas para super-homens." No Mundial de 2002, a jogar em casa e depois de uma frustrante estreia no França 98' (derrotas com a Argentina, Croácia e Jamaica (:lol:!!, que tinha recrutado jogadores meses antes do CM em desespero para aumentar a qualidade da seleção)), a seleção do Japão teve um começo bastante agradável (empate 2-2 contra a Bélgica) antes de somar as suas primeiras vitórias numa fase final de um CM e conseguir seguir para os oitavos (1-0 à Rússia e 2-0 à Tunísia). No entanto o sonho acabou precisamente aí, pois perdeu 1-0 contra a Turquia. Depois da experiência no Japão passou pelo Qatar (selecionador), Marselha, um clube japônes e o Shenzen Ruby, onde treina atualmente. Compartilhar este post Link para o post
Refutador Publicado 15 Setembro 2013 O Trousier tinha um parafuso a menos. Compartilhar este post Link para o post
andriy pereplyotkin Publicado 16 Setembro 2013 O Trousier tinha um parafuso a menos. Um? :lol: Compartilhar este post Link para o post
johan Publicado 16 Setembro 2013 MANCHESTER UNITED 2×1 BAYERN MÜNCHEN 1999 Data: 26 de maio de 1999 Local: Estádio Camp Nou, Barcelona, Espanha. Árbitro: Pierluigi Collina (ITA) Público: 90.245 As equipas: Manchester United FC-ING: Schmeichel; Gary Neville, Johnsen, Stam e Irwin; Ryan Giggs, Beckham, Butt e Blomqvist (Sheringham); Yorke e Cole (Solskjaer). Técnico: Sir Alex Ferguson. FC Bayern München-ALE: Kahn; Linke, Matthäus (Fink) e Kuffour; Babbel, Jeremies, Effenberg e Tarnat; Basler (Salihamidzic), Jancker e Zickler (Scholl). Técnico: Ottmar Hitzfeld. Inesquecível, era tão menino e sofri como gente grande a ver isto. Compartilhar este post Link para o post
Refutador Publicado 16 Setembro 2013 O Kahn era um dos meus guarda-redes preferidos, adorava o gajo. :prayer: Compartilhar este post Link para o post
Enzo Dios Perez Publicado 16 Setembro 2013 (editado) Esse United - Bayern foi das coisas mais épicas a que assisti no futebol. Na altura adorava o United, foi um momento inesquecível. E quem se lembra deste jogo? Espetacular, foi o ano em que a final da Taça Uefa arrumou a final da Champions a um canto. Javi Moreno Editado 16 Setembro 2013 por Andrea Pirlo Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 16 Setembro 2013 5º Episódio - 1946 Peyroteo na Defesa Contra Aeronaves Lisboa deixou-se tomar por um suave toque de fervor, que aqueceu em emoção e expetativa aqueles dias frios de fevereiro de 1946. Uma equipa de futebol da Royal Air Force, vencedora da célebre Batalha de Inglaterra e força muito importante no decorrer da II Grande Guerra, decidira jogar em Portugal. Para defrontar a famosa equipa da RAF, no Estádio Nacional, a Seleção Militar portuguesa. Ribeiro dos Reis, nessa altura com o posto de major, foi o selecionador. Não se fez rogado e mobilizou os nossos militares há muito tempo afastados das casernas: Azevedo; Cardoso e Feliciano; Manuel Marques, Francisco Ferreira e Serafim; Mário Coelho, Quaresma, Peyroteo, Salvador e Rogério. Estágio se fez, em Venda do Pinheiro. Sempre em festa. Peyroteo emulou com Armandinho, tocando variações à guitarra, em direto para a Emissora Nacional, acompanhado à viola pelo seu colega do Sporting, Juvenal, que ficara suplente. Mateus, outro dos suplentes, cantou de tal modo o fado da Maria Alice que o convidaram a deixar a bola e dedicar-se às canções... Ao contrário do que acontecera com o contingente da RAF, onde se misturavam jogadores de grande categoria e heróis de guerra, os futebolistas selecionados por Ribeiro dos Reis, embora sem batalhas travadas, também tiveram direito a referências militares. Nem podia ser de outra maneira. À exceção de Quaresma, com o posto de sargento, e de Manuel Marques, cabo, eram soldados rasos. Curiosamente, Peyroteo tinha especialidade a condizer. Pertencia à... «Defesa contra Aeronaves». E, para se manterem as aparências, chegaram ao Jamor em carro militar, fardados a preceito, dos pés à cabeça. Antes da partida se iniciar, diante de 60 mil espetadores, foi-lhes comunicado que a todos ficariam pertencendo as camisolas, os calções, as meias e até os atilhos das botas. E por isso, rezam as crónicas, explodiu-se de alegria no balneário! A Seleção Militar, que não era mais do que a portuguesa, empatou a um golo com a equipa da RAF, cuja figura mais fulgurante era Stanley Matthews, um dos mais apaixonantes jogadores mundiais. Coube a Serafim marcá-lo. E, apesar de se queixar de «má circulação no pé direito» houve-se bem no duelo. No final, feliz, desabafaria: «Matthews pôs-me o juízo em água.» Uma fantochada e «A Bola» suspensa Uma esquadra inglesa fundeou no Tejo e o povo foi admirar os barcos à zona ribeirinha. Todos se recordavam da auréola de prestígio que a equipa da RAF tinha deixado em Lisboa. «Altas esferas» cogitaram impressionante ardil: convidar os marinheiros para um jogo de futebol que «promovesse» a seleção nacional mais do que promovera contra a equipa da RAF. O selecionador nacional, Tavares da Silva, convocou «team» forte, como se estivesse em vias de disputar o Campeonato do Mundo! E pelo receio de os ingleses possuirem, naqueles barcos cinzento-azulados, futebolistas de eleição, jogou todos os seus melhores trunfos, para a caricata campanha do Estádio Nacional. «A Bola» pôs o jogo a ridículo: «Onze marinheiros da Home Fleet perderam por 11-1 com uma equipa constituída pelo selecionador nacional.» A ironia assim posta nos comentários foi considerada altamente ofensiva da dignidade nacional. De véspera chovera torrencialmente. Houvera já quem percebesse o logro e, por isso, os bilhetes, a 60 escudos, ficaram assustadoramente por vender. No último dia, os homens da FPF andaram num virote a oferecê-los para que, ao menos, as bancadas se enchessem. Encheram, porque as nuvens negras esmaeceram. Árbitro «belga» que não o era e os sorridentes homens da faina A seleção foi apelidada, primeiro, de Seleção de Novos, depois de Não Internacionais, e acabou por ser um Grupo de Não Internacionais Menos Um - já que Feliciano foi chamado à última hora, para reforçar a defesa! Convocados foram os guarda-redes Capela e Barrigana, os defesas Vasco, Cerqueira e Elói, os médios Mateus, Grazina (com 35 anos, na seleção dos...Novos), José Lopes e Francisco Lopes, e os avançados Jesus Correia, Araújo, Patalino, Salvador, Rogério, Júlio e Lourenço. Os cuidados chegaram ao ponto de fazer estagiar a equipa, durante três dias, na Costa da Caparica, naturalmente para se habituar ao ar do mar e, assim, ganhar mais hipóteses de vencer os marinheiros ingleses. E, pasme-se, os dirigentes da Federação suspenderam todas as provas oficiais no país e mandaram vir um árbitro «belga», que mais não era do que o portuguesíssimo Carlos Canuto, a quem «A Bola» chamou de Charles Canuto. Mas não foi possível salvar a face, fosse a quem fosse, responsável por uma autêntica fantochada. Aliás, o interior-direito Araújo, do F.C. Porto, antes da partida, intrigado, deixou descair: «Mas eu não os conheço». Pudera! Eram homens de faina, habituados apenas a jogos entre amigos, chamados, assim, para espanto seu, a servirem de parceiros em «jornada de promoção do futebol». Entraram, sorridentes, sem que o sorriso se perdesse no chorrilho dos golos, na farsa. E farsearam, gozando. Todas essas recambolices se desmontaram em «A Bola», que por isso mesmo foi suspensa pela Censura durante um mês por «falta de respeito para com um país Velho Aliado e para com Sua Majestade, a Rainha...». Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 Compartilhar este post Link para o post
silentz Publicado 16 Setembro 2013 (editado) Fran González Ciro Ferrara Editado 16 Setembro 2013 por silentz00 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 17 Setembro 2013 6º Episódio - 1946 Rapto desfeito por falso telegrama No final da época de 1945-46, apesar da CUF jogar na II Divisão, Travassos sentira já que atingira o trampolim. Quentes sonhos o enleavam. Gostaria muito de jogar de leão ao peito, mas estranhava que do Sporting só tivesse recebido convite definitivo para o atletismo, depois de ter corrido uma prova de 100 metros em 11 segundos, a apenas quatro décimos de Tomás Paquete que, nessa mesma competição, estabelecera novo recorde ibérico... O campeonato de futebol tivera já o seu ponto final. A Taça de Portugal não. O F.C. Porto que viera a Lisboa defrontar o Atléticoenviou um emissário ao promissor Travassos que, depois de passar pela dura labuta dos estaleiros, trabalhava nas oficinas da CUF como aprendiz de mecânico. Pouco demorou a conversa. Pediu 20 contos de luvas e casa montada no Porto. Que sim, que sim... Portistas quebraram o «cerco» de Torres, mas... O rumor chegou aos dirigentes do Sporting que, para evitarem o cerco a Travassos, o levaram para Torres Vedras, onde permaneceu, quase em clausura, durante quinze dias. Libertaram-no apenas para participar numa prova de atletismo e... desapareceu. Um diretor portista descobrira-o, levara-o de imediato para o Porto, hospedando-o num hotel, com direito a tratamento VIP. E, ao aperceberem-se de que o Sporting jogaria em Coimbra, não fosse o diabo tecê-las, acharam ainda mais prudente escondê-lo em Escaramão, aldeia minhota que nem no mapa se vislumbrava. Duas semanas lá esteve, em dourado «sequestro». Mas, de súbito, ardeu-lhe o «coração de leão» e escreveu a um dos irmãos a dizer onde estava e a pedir que, de combinação com dirigentes do Sporting, arranjassem forma de ludibriar os «raptores» nortenhos. Um telegrama lhe enviaram, exigindo que se deslocasse urgentemente a Lisboa para se sujeitar a inspeção militar. A caminho, o portista de Escaramão levou-o ao Lima, onde lhe colocaram papéis à frente, para assinatura imediata. Disse que não poderia fazê-lo, que só com autorização dos pais e etc... etc... etc... Para Lisboa partiu, mas com escolta de dirigente portista, com menção de só o largar na sua própria casa. Os pais não perderam tempo a informá-lo de que a CUF prometera já castigar Travassos pela «fuga» e processar criminalmente os seus «raptores», autorizando apenas a sua transferência para o Sporting. No dia seguinte, na presença de Ribeiro Ferreira e de Guilherme Correia César, José Travassos assinava a ficha pelo Sporting, a troco de 20 contos - e com a promessa de um ordenado mensal de 700 escudos. A CUF, apesar de autorizar a transferência, despediu-o dos seus quadros. Desempregado ficou. No novo clube lhe arranjariam, pouco depois, emprego na «Frigidaire». E, não muito tempo volvido, para que ficasse ainda mais preso ao Sporting, os seus dirigentes facilitaram a abertura da «Cofril», empresa de construções e reparações de frigoríficos, em sociedade com Manuel Vasques, outro «violino», que ao Sporting chegara no mesmo ano, oriundo igualmente da CUF. A dentadura britânica A 19 de setembro o Benfica venceu o Charlton, finalista da Taça de Inglaterra em futebol, por 2-1, em jogo disputado no Estádio Nacional. Façanha heróica se considerou. O Presidente da República Óscar Carmona, na tribuna de honra, «sentiu o orgulho de ser português». Nas bancadas o Rei de Itália, com as suas princesas sem trono à ilharga, também vibrou com o jogo. Mas ninguém se apercebeu de insólita rábula: com o jogo quase a terminar, os ingleses, cavalgantes, tentando evitar a humilhação de perder em Lisboa. O seu ponta-esquerda entrou em duelo aéreo com Jacinto que, subitamente, sentiu objeto frio entrando-lhe pela camisola. Parou, perscrutou e... descobriu a dentadura do adversário. Correu para ele, estendeu-lhe a mão, apresentou-lhe os dentes. Sorridente, de boca desdentada, o britânico ciciou: «Thank you, sir». E, fleumaticamente, voltou a colocar a dentadura. Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 18 Setembro 2013 7º Episódio - 1947 Não foi um desafio. Foram... dez a fio A anedota perdurou no tempo: aquilo não foi um desafio, foram... dez a fio. E a pátria humilhada. Na tribuna de honra, lívido, incrédulo, o Marechal Carmona, entre uma submissa corte de ministros, secretários de estado, diretores gerais, que, como os outros 60 mil, peregrinaram ao Jamor na ânsia de feito épico, a troco de 50 escudos... Antes, era verdíssima a esperança, no estágio da Venda do Pinheiro. Não havia jogador que pensasse na derrota. Nem sequer Travassos, que lá chegara exausto da recruta, onde perdera quatro quilos. Na véspera do jogo, Peyroteo tocou piano, Amaro, Moreira, Serafim, Francisco Ferreira e Vasco jogaram bilhar, horas a fio. Pequena fricção apenas quando Augusto Silva, treinador de campo, recusou, por questão de disciplina, a Peyroteo e Amaro dispensa de algumas horas para se deslocarem ao Pavilhão dos Desportos, onde se disputava o Campeonato do Mundo de hóquei em patins. Antes de subirem ao relvado, Tavares da Silva, o selecionador, ordenou aos pupilos que «cumprissem o seu dever, que não se recriminassem, que não lançassem censuras uns aos outros e que obedecessem a Cardoso». Ordem e... patriotismo, pois. «Sabemos que temos valor, é pois necessário demonstrá-lo, por isso lutai galhardamente pela camisola que trazeis vestida». Nas crónicas se diz que os corações bateram mais depressa, os peitos encheram-se de ar e alguns olhos também de lágrimas. Mal sabiam o que os esperava... Azevedo aborrecido por o selecionador não lhe ter dito para se aleijar... No primeiro lance do desafio, o primeiro golo de Inglaterra. Depois, a farândola deles. Até 10. Aos 27 minutos de jogo já os ingleses ganhavam por 4-0. Tavares da Silva troca de guarda-redes: Capela para o lugar de Azevedo. O sportinguista saiu mais condoído de alma do que de outra coisa: «O selecionador podia ter dito para eu me magoar e eu, que diabo, magoava-me. Agora ser substituído assim, perante o público...» Entretanto Feliciano partira a cabeça, jogando alguns minutos com sangue a escorrer-lhe pela cara. Talvez nunca, como naquele momento, desejasse ser substituído, mas... Desconcertante: pouco depois, o selecionador grita para dentro do relvado: «Cardoso, magoa-te e sai do campo e diz ao Amaro para tomar conta da equipa.» Ao intervalo, 5-0. Golos de Mortensen, Lawton (3) e Finney. Capela, que ainda só sofrera um, sentira-se em pânico. Diz para Rogério: «Não calculas o meu estado. O chão fugia-me debaixo dos pés e só via aqueles tipos à minha frente.» Na cabina, nervos em franja. Ninguém tocou nas laranjas, no chá, nas laranjadas... Na segunda parte, dose repetida. mais cinco golos, marcados por Mortensen (3), Lawton e Matthews. Peyroteo, ante os apupos do público, desabafou: «Ontem aclamavam-me, hoje cortavam-me a cabeça se fosse preciso.» De súbito, houve quem quisesse transformá-los em proscritos. Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira, perfeitamente a par do movimento oficial que acusava os jogadores de mau comportamento desportivo, tentaram pôr água na fervura de mais uma invasão da área desportiva. Ribeiro dos Reis escreveu: «Não se exagere, os nossos jogadores não valem tão pouco como o resultado deixa transparecer.» Cândido de Oliveira utilizou o desastre nacional para colocar, de novo, dedo na pústula: «A treinar com o relógio no pulso, ou uma vez por semana, e a jogar ao domingo, depois de uma semana inteira a serrar madeira, a cavar, a carpintejar - ou a jogar hóquei... nunca poderemos igualar, no domínio técnico, ou no domínio da ciência do futebol, aquelas máquinas-de-jogar-futebol que são 100 por cento profissionais, como os Lawtons, os Matthews, os Imbellonis, os Martinos, os artistas que o futebol pode criar.» No rescaldo do jogo, num artigo denominado «Depois do Temporal», Cândido de Oliveira afirmou: «O selecionador não foi o responsável.» Foi uma atitude digna de mestre Cândido, dado o permanente estado polemista sustentado por ele e por Tavares da Silva. E explicou, com a desenvoltura que lhe era peculiar: «O futebol é, para os ingleses, o jogo desportivo nacional por excelência. É praticado por todos, desde os colégios dos nobres às escolas dos plebeus e, pode acrescentar-se, ele constitui, na sua estrutura, na sua organização e, até, nas suas consequências, um dos sólidos esteios do espírito democrático do seu povo.» Subtilmente, enquanto defendia o selecionador da forte derrota, o democrata Cândido de Oliveira igualava os colégios dos nobres e as escolas dos plebeus no democrático interesse pelo futebol. Entretanto tomava-se conhecimento de que tinham sido suspensos os jogadores da Seleção Nacional, até à conclusão de um inquérito ordenado pela FPF, não podendo, por isso, atuar pelos seus clubes no... Campeonato Nacional. O comunicado, assinado pelo dr. Faco Viana, secretário-geral daquele organismo, indiciava «falta de necessária correção desportiva»! Stuart, o gigante e o pigmeu... Na sua primeira página desse dia, «A Bola» publica uma foto de João Azevedo, guarda-redes nacional, sentado na relva, com legenda cruciante: «A primeira vítima da superioridade indiscutível dos ingleses: João Azevedo, guarda-redes nacional, foi mandado sair do campo quando o resultado estava em 4-0.» Ao lado, uma ilustração de Stuart Carvalhais: um gigante chutando à baliza defendida por um pigmeu. Bem ao seu jeito. Nos primeiros dias de junho sentiu-se, finalmente, a mão pesada do nepotismo que chegara ao futebol, expressa no despacho exarado pelo Ministro da Educação: «Em resultado do inquérito por motivo de factos relacionados com o último desafio Portugal - Inglaterra, em futebol, foram punidos com um ano de suspensão o capitão da equipa nacional, Álvaro Cardoso; com seis meses, o jogador Manuel Capela e com dois jogos de suspensão os seguintes jogadores: Travassos, Vasques, Peyroteo, Azevedo, Vasco de Oliveira, Francisco Ferreira, Amaro, Moreira, Rogério e Barbosa. Foram isentos de culpa os jogadores Albano, Jesus Correia, Feliciano, Patalino, Araújo e Pacheco.» Cardoso jogou mais um ano, por ter recorrido da sentença, despedindo-se,m então, em glória, após a final da Taça de 1948. Mas à Seleção nunca mais voltaria. Até deu PIDE!... Em torno da derrota histórica diante da Inglaterra se acastelaram boatos e suspeições. Chegou-se, por exemplo, a dizer que os futebolistas haviam feito exigências de dinheiro e como a FPF não os atendera, tinham entrado em campo dispostos a perder. Sempre o negaram, admitindo, isso sim, que, perante a elevada valia do antagonista, sugeriram à Federação a atribuição de um prémio simbólico de presença que, em caso de derrota, seria de cem escudos. Cem escudos era o que cada selecionado recebia, por dia, de ajudas de custo, durante o período que estivesse ao serviço de Portugal. Mas, pior do que a recusa do prémio foi terem sido distribuidos aos futebolistas bilhetes para cabeceiras que eles próprios tinham pago ao preço de bancadas! Fez-se o jogo. E foi o que foi... À noite os jogadores recusaram-se a participar no banquete de honra, realizado no Avenida Palace Hotel, simplesmente por não aceitarem que «a Federação arrecadasse seis ou sete centenas de contos e os obreiros dessa receita recebessem cem escudos - menos do que qualquer arrumador ou alugador de almofadas» e ainda que «a FPF tivesse vendido os piores bilhetes de entrada no Estádio aos amigos e familiares dos jogadores.» O Governo tomou a decisão como maldosa e excessivamente contestatária. E, por isso, quis impor a sua ordem. Os jogadores tiveram de explicar-se na PIDE. Todos acabaram castigados, menos um: Jesus Correia que, como alibi para a sua não participação no banquete do Avenida Palace, disse que não fora porque tivera de jogar... hóquei em patins. Peyroteo jurou que «nunca houve exigências de dinheiro» e que nem sequer se combinou o boicote ao banquete. «Cada um resolveu como lhe deu na real gana» e... apanhou três jogos de suspensão. No entanto, admitiria, também, que quando o primeiro desabafou «não sei falar inglês e os dirigentes portugueses decerto não terão prazer em falar-nos» - todos aquiesceram e decidiram ir para as suas próprias casas afundar a mágoa da tarde mais terrível das suas vidas. Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945 4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946 Compartilhar este post Link para o post
Shabby Publicado 19 Setembro 2013 Então? Perdeu-se o gás? Vai já outra história sportinguista. 10-1 no Porto A 2ª edição do Campeonato da I Liga ia animada quando, no dia 22 de Março de 1936, o Sporting se deslocou ao Ameal para defrontar o FC Porto, em jogo a contar para a 1ª jornada da 2ª volta daquela competição, da qual os portistas eram campeões em título. No jogo da ronda inaugural o Sporting tinha ganho por 3-2 e, à excepção da derrota no Campo Grande com o Benfica e de um empate no Bessa, a prova até nem estava a correr mal aos Leões, pelo que esta deslocação ao Porto era muito importante no sentido de manter a equipa na corrida pelo título. O Sporting, orientando pelo treinador-jogador Wilhelm Possak que foi o autor do único golo dos Leões, alinhou com Dyson; Vianinha e Jurado; Abelhinha, Rui Araújo e Galvão; Carneiro, Pireza, Wilhelm Possak, Francisco Lopes e Mourão. O jogo ficou marcado por um lance ocorrido aos 30 minutos da 1ª parte, quando o FC Porto já ganhava por 2-1. Pinga lançou Santos que se isolava, mas uma saída destemida do guarda-redes Dyson, apesar de evitar o golo, deixou-o sem sentidos, acabando por sair de maca a caminho do hospital. Na altura não eram permitidas substituições e assim Carneiro foi para a baliza, onde sofreu 4 golos em apenas 9 minutos. Com 1-6 ao intervalo, a equipa reduzida a dez e desmoralizada, a 2ª parte foi um martírio. Carneiro lá ia defendendo conforme podia e o jogo caminhava para o fim já com um humilhante resultado de 7-1. O Sporting voltou a desorganizar-se e nos últimos minutos sofreu mais 3 golos, que resultaram num impensável 10-1. O Boletim do Sporting publicou uma crónica do jogo enviada por Carlos Correia: "A meio do primeiro tempo, com o resultado em 1.2, e jogando, pelo menos, em equilíbrio, ficámos privados da colaboração de Dyson, fortemente magoado, ao realizar uma defesa arriscada, com uma bolada que o atingiu no rosto e que o deixou positivamente knock-out, só recuperando os sentidos trinta e cinco minutos depois. Apesar da boa vontade de Rui Carneiro, improvisado em guarda-redes, ficámos praticamente reduzidos a nove unidades. O desastre era inevitável, e foi-o mesmo, não obstante o espírito de sacrifício dos nossos dez representantes. A luta tornou-se inglória e altamente desigual, e dificilmente o moral dos jogadores leoninos podia resistir como resistiu: com uma nobreza e galhardia que podem constituir a nossa única satisfação na infelicidade que nos perseguiu. Fizemos o resto do match, pelo menos tecnicamente, de igual para igual, mas os nossos adversários, na dúzia de vezes que apontaram ao alvo com boa direcção, não tiveram dificuldades em marcar mais oito pontos. E a história do encontro fica feita, se bem que só o resultado fique para a história... Temos a impressão firme - que o decorrer do próprio jogo confirmou - que se não fosse o percalço que nos forçou a jogar três quartas partes do desafio sem goal-keeper, o resultado podia ter sido muito diferente. Ganharíamos? Será ousado afirmá-lo. Mas pode garantir-se que o triunfo podia pender para qualquer dos lados sem diferença excessiva. Prejudicados, no goal-average, com este resultado catastrófico, só nos resta ambicionar que atinjamos o final do torneio sem necessidade de desempate. Pra isso confiemos que os nossos jogadores, esforçando-se ao máximo pela vitória, anulem os efeitos da infelicidade de que fomos vítimas no campo do Ameal, na tarde de 22 de Março de 1936." Compartilhar este post Link para o post
Ed Publicado 19 Setembro 2013 A lenda do bigode e do rabo de cavalo faz 50 anos, Parabéns Seaman. :prayer: Compartilhar este post Link para o post