Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
SAS_Robben

O Culto do Futebol

Publicações recomendadas

20º Episódio - 1952

 

Gare dos Inválidos e Luz... Traiçoeira

 

Como que por ironia do destino, o Sporting aterrou, em Paris, para a disputa da edição de 1952 da Taça Latina, tomando de seguida, a Gare dos... Inválidos, com uma baixa de monta: Manuel Marques que, por motivo de doença, tivera de ficar em Lisboa, obrigando os seus dirigentes, em situação de emergência, a solicitar os serviços de um massagista parisiense. Havia quem suspeitasse, também, que os jogadores do Sporting estavam já vergados de cansaço, pelo que vencer mais parecia uma qualquer irrazoabilidade. Mas, aquietando espíritos, Álvaro Cardoso, treinador, garantiu: «Ao contrário do que se tem dito, os jogadores não estão saturados de futebol e encontram-se todos em perfeita condição física».

 

Durou pouco o sonho: logo no primeiro encontro, contra o Olympique de Nice, derrota por 4-2. Aos 20 minutos de jogo já o Sporting perdia por 2-0. Só na segunda parte se encontraria mas uma farândola de golos falhados tudo deitaria a perder.

A noite e as bolas luminosas

 

Foi um jogo histórico, mas por outras razões: jogou-se, pela primeira vez, de noite. Sob iluminação elétrica ainda tosca, obviamente, e com bolas... luminosas.

 

Por isso Carlos Gomes, o guarda redes do Sporting, no final da partida não deixou de lançar a já esperada justificação para mais um insucesso do futebol português a viver, sucessivamente, de sebastianismo e desculpas de mau pagador e vitórias morais: «Joga-se realmente bem com esta temperatura, mas a luz artificial faz-nos estranhar muito. São precisos mil cuidados para seguir a trajetória da bola e, sobretudo, não olhar para o alto porque quando baixamos a vista, durante alguns segundos, perde-se o controlo do jogo...»

 

Mas, mais do que a revolucionária luz, foi um falhanço de Manuel Passos que abriu caminho à vitória dos franceses. Um desenlace que o abateu. «A bola tocou-me no estômago e quando me preparava para a despachar, fugiu-me e...»

 

«Merecíamos ter ganho»

 

Na partida para apuramento do terceiro classificado, mais uma derrota do Sporting, desta feita diante dos italianos da Juventus: 3-2. A equipa voltou a entrar em campo, estranhamente anestesiada, apática, dolente, como que enebriada ou hipnotizada pela luz dos holofotes do estádio. Aos 14 minutos já a Juventus vencia por 3-0. Reduziu o Sporting aos 30, por Martins. Aos 78 minutos, Martins voltou a marcar. Antes disso o árbitro espanhol Asensi, anula um golo sem que ninguém percebesse bem porquê. E nos últimos minutos o Sporting continuou a falhar golos, por imperícia, por infelicidade, por...

 

Álvaro Cardoso, no balanço de mais uma falhada Taça Latina, lamentou-se: «O Sporting teve infelicidade nos dois jogos em que tomou parte. Merecia melhor. E se quiser ir mais longe, creia que não exagero se afirmar que merecíamos ter vencido o torneio.»

 

Vitória sim, na tesouraria. O Sporting, apesar do último lugar, arrecadou cerca de 100 contos, líquidos, pela sua participação em Paris. Mas talvez toda a gente preferisse a outra vitória, porque poucos se conformavam que o Sporting, que tudo dominava no futebol português, estivesse, sucessivamente, na Taça Latina como Tântalo no seu suplício: sucesso a esgueirar-se, sempre, no último instante, com as esperanças renovadas e sempre frustradas...

 

Laranjas para o «Ti Chico»

 

O que valia é que em Portugal não era assim. E o Sporting somara mais um título. Com Carlos Gomes cada vez mais em voo fulgurante para a glória.

 

Iniciara-se no Barreirense, fascinado por Francisco Silva, guarda redes do clube, que haveria de ser suplente de... Azevedo na Seleção Nacional, e que, com ternura, chamava de... «Ti Chico». Desde miúdo que se punha, embevecido, atrás da sua baliza, desvanecendo-se com as suas defesas, oferecendo-lhe laranjas. Então, nem sonhava que lhe pudesse acontecer o que logo lhe aconteceu: campeão pelo Sporting, para onde fora, aos 19 anos, a troco de 45 contos, sendo 15 para si e 30 para o Barreirense.

 

 

«Loucura» Portista Para Ter Pedroto

 

José Maria Pedroto foi uma das figuras ilustres do futebol português. Começou a jogar no Leixões, a tropa levou-o a Vila Real de Santo António. Ao abrigo da lei militar, representou o Lusitano, nessa altura com uma equipa interessante. De tal modo que ao bater, surpreendentemente o Sporting, com o campeonato em fase decisiva, acabou por entregar, em bandeja de prata, o título ao Benfica. Foi de Pedroto o primeiro golo, batendo Azevedo com um tiro de 30 metros, que considerou, pela vida fora, um dos seus golos mais arrebatantes. Por isso recebeu 100 escudos. Era, aliás, o que arrecadava sempre que o Lusitano ganhava. Se empatasse embolsava 60; se perdesse, 20. E mais nada...

 

O golo a Azevedo retocou-lhe a aura. O Belenenses lançou-lhe o canto da sereia, como o Sporting lançaria a Caldeira. Os dirigentes do clube da Cruz de Cristo ofereceram-lhe 25 contos de luvas e mais 25 deram ao Lusitano. Consumou-se a transferência.

 

80 contos recusados por honra antes do recorde dos 500

 

Já depois do acordo selado, um diretor do FC Porto colocou-lhe nas mãos um cheque de 80 contos. Bastaria apenas dar o dito por não dito ao Belenenses. Mas não quis voltar com a palavra atrás e para as Salésias partiu. Reinsistiram os portistas, no final de 1952. Como se sentia bem, disse aos emissários que correram a aliciá-lo que só se mudaria se lhe dessem a «astronómica» verba de 150 contos. Estava empregado na Hidro-Elétrica do Zêzere, muito bem pago para empregado de escritório, o Belenenses também não pagava mal, por isso...

 

Os dirigentes do FC Porto correram às Salésias, oferecendo 500 contos. Embasbacaram os outros. E assim se fez a transferência-recorde do futebol português. Para o Belenenses 335 contos; para Pedroto, mais do que os 150 que ele exigira. Nunca em Portugal um futebolista recebera tanto...

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945

Episódio Anterior (19º) - 1951

Compartilhar este post


Link para o post

charlie-george-signed-arsenal-photo-cup.jpg

 

Charlie George, um grande avançado. Fez parte da equipa que venceu a primeira double em 71. Após terem vencido em White Hart Lane o título, venceram a FA Cup contra o Liverpool.

 

 

Na equipa que venceu o Liverpool estavam jogadores como Pat Rice (durante muitos anos adjunto do Wenger), George Graham (mais tarde viria a ser treinador e a conquistar a Taça das Taças pelo Arsenal), Charlie George (jogou a médio centro) e o capitão Frank McLintock.

 

soccer-football-league-division-one-arsenal-photocall-483x500.jpg

 

Liam Brady, um dos melhores médios centros que passou no Arsenal. Uma qualidade de passe incrível e um pé esquerdo soberbo. Apareceu numa fase menos boa do clube mas ainda foi importante em várias conquistas. Jogador bastante apetecível, acabou por sair para a Juventus e fez grande parte da carreira em Itália.

 

 

oldarsenal.jpg

 

Esta foi a base defensiva do Arsenal no início da década de 90 que culminou com a conquista Europeia frente ao Parma na Taça das Taças. Vitória por 1-0 com um grande remate do Alan Smith num jogo que estes senhores da defesa secaram a dupla Asprilla - Zola. A grande força no Arsenal de Graham estavam nestes 4 grandes defesas. Este quarteto defensivo apenas sofreu uma derrota na época 90/91.

 

arsenal-1994-european-cup.jpg

 

 

A primeira conquista Europeia foi em 1970 na Taça das Feiras (actual Taça Uefa) frente ao Anderlecht. Após terem perdido na primeira mão 3-1 em Bruxelas, conseguimos dar a volta e vencer 1-0 a 20 minutos do fim, conseguimos marcar mais dois golos e seguramos a Taça!

 

 

Para finalizar, mais um momento que nenhum Gunner pode esquecer. Faltava uma jornada para acabar o campeonato inglês. O Liverpool tinha uma vantagem de dois pontos e tinha acabado de vencer a FA Cup. Ia jogar a última jornada frente ao segundo classificado em casa, o Arsenal. Os Gunners precisavam de vencer 0-2 em Anfield Road para resgatar o título. O resultado dizia 0-1 aos 90' até que aparece o grande Michael Thomas...

 

 

LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!! Que momento mágico. Até dá direito a cambalhotas nos festejos. :D

 

Se entretanto me lembrar de mais coisas posto. :)

Editado por Jack van Su1

Compartilhar este post


Link para o post

Lembro-me tão bem disso :)

 

é sinal que está bem acima da média de idade do fórum :mrgreen:

Compartilhar este post


Link para o post

Ora bolas, Su1. Ia fazer uma coisa parecida nos próximos dias! :mrgreen:

 

Está muito fixe. Eu apenas acrescentaria aí o David Rocastle, o Rocky como era/é conhecido pelos adeptos. De resto, está impecável.

Compartilhar este post


Link para o post

é sinal que está bem acima da média de idade do fórum :mrgreen:

Mauuuu :angry: Não sou assim tão velho :mrgreen:

 

Belos contributos su1 e Descartes :)

Força Danskin :)

Compartilhar este post


Link para o post

Ora bolas, Su1. Ia fazer uma coisa parecida nos próximos dias! :mrgreen:

 

Está muito fixe. Eu apenas acrescentaria aí o David Rocastle, o Rocky como era/é conhecido pelos adeptos. De resto, está impecável.

Rocky!!! :( Estava naquela equipa que ganhou o título em Anfield Road. É pena como tudo acabou... :(

Compartilhar este post


Link para o post

Goalkeepers:

 

zp_Bob_Wilson_1969_70Csport_6335.jpg 6082528580_21739d9691_z.jpg

 

Bob Wilson. 1963-74. Foi o GK que ajudou o clube a vencer a Taça Uefa frente ao Anderlecht e a double no jogo que postei aí frente ao Liverpool. Nessa época foi considerado o melhor jogador do ano no clube. Apesar de ter nascido em Inglaterra, acabou por se internacionalizar pela Escócia e a estreia foi contra... Portugal.

 

Quem quiser ver um jogo inteiro do Bob Wilson pode assistir à segunda mão dos Quartos de final da Liga dos Campeões de 71/72 contra o Ajax de Cruyff:

 

 

pat-jennings.jpg mcdonald-s-teachers-ukcc-1-200406-079-edited.jpg

 

Pat Jennings. 1977-85. Mais uma lenda nas balizas do Arsenal 3 anos após a saída de Bob Wilson. Conhecido por trocar o Tottenham pelo Arsenal, os grandes rivais de Londres. Para além destes dois clubes também representou o Watford onde começou a carreira. Completou 119 presenças pela selecção Norte Irlandesa entre 64 e 86. Jogou no Mundial de 86 já com 41 anos. Na altura foi um recorde.

 

No Arsenal foi figura na equipa que três anos consecutivos chegou à final da FA Cup (1978, 79 e 80), no entanto, apenas ganhou uma delas ao Man Utd. Foi uma lenda no Arsenal mas também o foi no Tottenham onde conquistou vários títulos onde se destaca a Taça Uefa. Também conhecido por marcar um golo numa Charity Shield frente ao Man Utd, enquanto representava o Tottenham.

 

 

 

Big Pat :prayer:

 

9-lsh.jpg

 

David Seaman. 1990-03. O Guarda-redes invencível. Todos conhecem este jogador, fez parte dos Invincibles que venceram a Premier League 03/04 sem qualquer derrota. Também era o Guarda-redes que defendeu a baliza frente ao Parma na final da Taça das Taças em 94. Juntamente com Dixon, Bould, Adams e Winterburn, fizeram uma defesa temível nos anos 90. Mais tarde faria o mesmo com outros jogadores como o Kewon, Campbell, etc. 3 campeonatos, 4 FA Cups, 1 League Cup e 1 Taça das Taças. Juntamente com estes títulos no Arsenal, também junta 75 internacionalizações por Inglaterra.

 

A famosa defesa de Seaman ao cabeceamento Paul Peschisolido contra o Sheffield Utd para a FA Cup em 2002-03:

 

 

Compartilhar este post


Link para o post

Peschisolido :prayer:

 

O Seaman com o visual que tinha nessa foto parecia um ator porno :mrgreen:

Editado por Lleyton

Compartilhar este post


Link para o post

article-0-00C6644700000190-513_634x457.jpeg

 

“There is something really special about Arsenal Football Club… I was always told ‘Remember who you are, what you are, and who you represent: The Arsenal."

 

Mais do que um jogador fantástico, veloz, mortífero, com uma capacidade de passe brutal, ele era um verdadeiro gentleman do jogo. Honestidade, modéstia, respeito e lealdade. Tudo características que o definiam bem como ser humano.

 

Nunca teve uma vida fácil. Aos cinco anos perdeu o pai e isso, como é compreensível, afectou-o bastante. Mas nunca desistiu de lutar pelo sonho de jogar no clube de coração. Foi trazido para o clube pelas mãos do David Dein, tal como muitos outros que o seguiram, que depois de o ver jogar numa pequena localidade de Londres, ficou super-entusiasmado com ele, descrevendo-o na altura à mulher, como um miúdo saído do Brasil. Fez parte da grande equipa da formação que subiria aos séniores, onde chegou a partilhar o relvado com jogadores como o Tony Adams, o Niall Quinn, o Martin Hayes, o Paul Merson e o Michael Thomas. E essa era uma das razões pela qual toda a gente o venera. Amava o Arsenal como poucos.

 

Há alguns momentos que marcaram a sua passagem pelo clube. O jogo de estreia em '85 frente ao Newcastle. As meias-finais da Littlewoods Cup em '87 frente ao Tottenham onde foi decisivo. A final em Wembley contra o Liverpool. O golo que marcou na terceira ronda da League Cup em Anfield. O golo que marcou ao Boro em '88 onde passou por cinco jogadores antes de meter a bola na baliza. Os jogos contra o Chelsea. E claro, aquela noite maravilhosa em Liverpool. Com 22 anos de idade, estava no topo do mundo. Só que daqui para a frente, as coisas mudaram. E muito.

 

Falhou a convocatória para o Mundial de '90 e lesionou-se com gravidade no joelho direito, lesão essa que o prejudicou bastante. A velocidade que o caracterizava desapareceu e com ela, a confiança que bem o definia. Seria vendido no verão de '92 ao Leeds. Tal como o próprio referiu mais tarde, desiludido com a notícia, sentou-se no carro e começou a chorar. Jogar pelo Arsenal era tudo aquilo que ele queria e o sonho tinha acabado.

 

Não me parece relevante falar da sua passagem por clubes como o Manchester City, o Norwich e o Hull, mas uma coisa que é importante referir é que não há um adepto destes clubes que fale mal dele. Nenhum. Era verdadeiramente um exemplo.

 

Acabaria por falecer, vítima de cancro, aos 33 anos na manhã de um North London Derby em '01. Mais tarde nesse dia, os fãs das duas equipas acabariam por se juntar e prestar homenagem a um senhor do futebol. O jogo terminou com vantagem para a equipa da casa. Os golos foram marcados pelo Bobby Pirès, que envergava então a tão querida camisola número 7.

 

Compartilhar este post


Link para o post

Seaman, Dixon, Keown, Adams, Winterburn :prayer:

 

Isso sim era um Arsenal de macho

Compartilhar este post


Link para o post

Não sei se lembram mas há uns tempos anunciei aqui um projecto no meu ponto de vista interessante, pois bem o projecto está a correr bem e pode ser que até ao final do ano o poste aqui no forum :)

Compartilhar este post


Link para o post

So me lembro dele marcar um golo pelo Benfica e foi logo em Guimaraes :(

Compartilhar este post


Link para o post
21º Episódio - 1952

 

A Fuga dos Técnicos

 

O Benfica e o FC Porto iniciaram o ano de 1952 sem treinador. Estranho vírus se abateu sobre as duas equipas.

 

No início de dezembro de 51, no seguimento de derrota em Guimarães por 2-1, perante sinais de tempestade no Benfica, Ted Smith decidiu, com algum mistério, partir para Inglaterra, alegando problemas pessoais. Em Guimarães pedira aos seus jogadores que lhe dessem o prazer de sair com uma vitória, mas...

 

Quase três meses passados, quando já ninguém esperava por ele, surgiu na secretaria do clube, apresentando-se a Francisco Retorta, recém-eleito presidente da direção, para assumir o seu lugar de treinador. Como justificação para tão longa ausência o facto de as autoridades não lhe terem colocado o visto no passaporte com a necessária urgência...

 

No FC Porto o mistério foi maior. Aconteceu na altura da passagem de ano. O FC Porto liderava o campeonato no final da 1ª volta, com três pontos de avanço sobre o trio lisboeta B-S-B. Inesperadamente, o treinador argentino Vaschetto abandonou a cidade. De fuga se falou em surdina.

 

Moreira de Sousa, chefe da secção de futebol, tentou aquietar os espíritos: «Vaschetto está de férias e fui eu quem lhas concedeu.» Só não sabia que o técnico já nem sequer estava em Portugal. Acreditava que voltasse, ainda assim, «porque os seus fatos de verão e até as próprias mobílias ficaram no Porto e continuam a ser propriedade sua...»

 

Soube-se mais tarde que rumou ao México e o FC Porto colocou no seu lugar o espanhol Pasarin, que chegou ao Porto de olhos fechados e demorou a abri-los...

 

 

Jesus Correia Entre Dois Amores

 

No final de fevereiro o presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, capitão Santos Romão, solicitou à Direção Geral dos Desportos que determinasse que o sportinguista Jesus Correia não poderia participar em mais algum jogo de futebol, para que se preparasse convenientemente para o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins! Jesus Correia estranhou todo o processo, não calando o desabafo: «Grande parte dos meus proventos vêm do futebol e, portanto, se eu for impedido de praticar essa modalidade não sei o que acontecerá»...

 

Um mês decorrido e a DGD indeferiu a petição da FPP no sentido de Jesus Correia abandonar imediatamente a prática do futebol.

 

No início de outubro foi a vez do Sporting lançar um ultimato ao próprio Jesus Correia: ou futebol ou hóquei em patins! Uma semana depois a decisão tomada com alguma dor. Mas por sentimentalismo. Jesus Correia abandonou o futebol!

 

«Tenho 28 anos. Mercê de uma vida muito recatada, foi-me possível até esta idade jogar futebol e hóquei em patins sem quebra de forças. Os anos, porém, contam: 14 ao serviço do hóquei e 8 ao serviço do futebol. Quase todos os dias, às primeiras horas da manhã, treinos de futebol. Depois o emprego, que nunca quis nem quero deixar. À noite, hóquei - jogo ou treino... Tive de olhar pelo meu futuro e no hóquei descanso mais...»

 

«Necas» escolheu o outro amor. E não perdeu muito com isso. Para que assim fosse, um sócio do Paço de Arcos possibilitou-lhe que a construção de um prédio no valor de 550 contos se fizesse por 450.

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945

Episódio Anterior (20º) - 1952

Compartilhar este post


Link para o post

Nos últimos dias , ouvi tantas barbaridades que fiquei assustado. Tenho colegas meus que insistem em dizer que o Zidane não foi aquele jogador que toda a gente faz parecer e que foi inferior ao Figo, Totti ou Iniesta. :blink:

Compartilhar este post


Link para o post
22º Episódio - 1952

 

O Campeonato dos Quatro Grandes

 

O campeonato nacional de 1951-52 foi intensamente disputado entre as quatro melhores equipas portuguesas. Sporting, Benfica, Belenenses e FC Porto, qualquer um deles poderia ter festejado o título, tal foi o equilíbrio. No fim sorriu aquele que menos deslizes teve.

 

No final da 1ª volta o FC Porto liderava isolado com 3 pontos de avanço sobre os seus três rivais. O início do ano foi aziago para o FC Porto. À deserção do seu treinador Vaschetto para o México somou um conjunto de resultados negativos: derrotas em Braga e no Barreiro; empate com o Belenenses e nova derrota em Alvalade, por 2-1.

 

Neste último encontro, a contar para a 19ª jornada do campeonato, a figura foi Jesus Correia que marcou 2 golos. E também o árbitro Evaristo Santos, de Setúbal, que invalidou um muito discutido golo aos portistas. Outra vez os árbitros do Sado que, então, os portistas consideravam os seus «anjos negros»..

 

Mas o sonho desfeito do título ficou a dever-se, também, a um salto de Barrigana à Outra Margem e a um aparentemente inofensivo naco de presunto deglutido, em casa de um amigo, na véspera da partida. O fígado deu o flanco e foi o diabo. Durante a noite, cólicas fortíssimas reduziram Barrigana à expressão mais simples. «Não sei bem o que sentia. Fui atacado por tonturas e por má disposição geral, a tal ponto que as minhas tenazes não aguentaram as brasas atiradas à baliza»... E, desolado, deixou descair: «Esta derrota matou as nossas últimas esperanças»...

 

À entrada para a 22ª jornada, faltando apenas cinco para o final do campeonato, o Benfica liderava com dois pontos de avanço em relação aos três adversários. Era dia de Benfica - Sporting e ao comando técnico do Benfica regressava Ted Smith. Não foi feliz.

 

Em partida disputada no Estádio Nacional, o Sporting venceu por 3-2. Aos 30 minutos já os sportinguistas venciam por 3-0, mas depois foi o sofrimento e, mais que isso, um jogo cheio de casos.

 

Ao chegar à cabina do Sporting a notícia de que o Belenenses empatara em Marvila. Passos despiu precipitadamente o seu equipamento, lançou-o ao ar e bradou: «Somos campeões!» E, eufórico, acrescentou: «O Benfica teve muita sorte em marcar o primeiro golo numa grande penalidade que provoquei voluntariamente, julgando que estava fora da área. Se não o tivesse feito teria havido um resultado histórico.»

 

Félix, capitão do Benfica, ainda acreditava no título, atirando: «O resultado justo teria sido o empate, o primeiro golo do Sporting resultou de off-side nítido do Vasques, o fiscal de linha do lado da maratona perseguiu-nos sistematicamente e o árbitro não correspondeu à importância do encontro.»

 

O Benfica-Sporting bateu todos os recordes de bilheteira em jogos entre clubes nacionais, com uma receita de 536 contos, cabendo cerca de 180 contos a cada um.

 

No FC Porto renascia a esperança, ao bater o Boavista por 4-0. Fora um jogo muito tonitruante, porque os adeptos portistas, não se esquecendo de que, na primeira volta, os boavisteiros tinham celebrado a vitória com fogo-de-artifício, levaram para as bancadas do Lima morteiros, que incendiaram sempre que os seus avançados violaram as redes de Carlos, apesar de, antes de o jogo se iniciar, os juniores de ambas as equipas terem entregado aos respetivos capitães ramos de flores, num bonito gesto de fair-play.

 

E assim, com 4 jornadas para disputar, Sporting, Benfica e FC Porto lideravam com um ponto a mais que o Belenenses.

 

Até ao final do campeonato o Sporting beneficiou das escorregadelas do Benfica (empate no Estoril), do FC Porto (empates em Coimbra e na Covilhã e derrota no Estádio Nacional com o Benfica) e do Belenenses (derrota com o Salgueiros) e festejou o título, na última jornada, com uma vitória sobre o Barreirense no Campo D. Manuel de Melo, por 2-1.

 

 

Uma Taça Conquistada no Último Minuto

 

Se o Campeonato Nacional foi disputado com grande intensidade, a Taça de Portugal não lhe ficou atrás. Muito pelo contrário.

 

No dia 1 de junho jogou-se a primeira mão das meias finais. E logo duas surpresas. Nas Antas, estádio do FC Porto inaugurado três dias antes, os anfitriões bateram o Sporting por 2-0, com o resultado feito no primeiro quarto de hora da partida. No D. Manuel de Melo, o Barreirense, aproveitando-se de dois incríveis deslizes da defesa encarnada, bateu o Benfica por 2-1.

 

Passada uma semana, na segunda mão, enquanto o Benfica se desembaraçava facilmente do Barreirense, com uma vitória por 5-0, 97 minutos de luta dramática foram insuficientes para definir o segundo finalista da Taça. O Sporting venceu o FC Porto por 4-2, mas não bastou... Albano marcou o golo que tudo adiou já bem para além da hora, deixando Barrigana, Pinto Vieira, Bibelino e Monteiro da Costa em «estado de choque», como que fulminados pelo acontecimento, até porque aos quatro minutos de jogo já o FC Porto vencia por 2-0, a juntar aos outros dois golos de vantagem que trazia das Antas.

 

Três dias passados e, em Coimbra, o Sporting ganhou o direito de disputar a final, com uma vitória por 5-2. E, pasme-se, a exemplo do que já acontecera nos outros dois jogos, o FC Porto aos 15 minutos já vencia por 2-0...

 

A 15 de junho Final empolgante. Com vitória do Benfica por 5-4, num jogo épico marcado por três penalties, nove golos e... esplêndida arbitragem. A fibra dos benfiquistas superou a melhor técnica dos sportinguistas. A receita da final, disputada, naturalmente, no Estádio Nacional, com Craveiro Lopes na tribuna, ultrapassou os 683 contos, cabendo 200 a cada um dos finalistas!

 

O golo da vitória, obtido no último minuto, coube a Rogério. «Quando o Águas me passou a bola tive um pressentimento, vi a taça na minha frente, corri quanto pude, rematei e pareceu-me que a bola levou um século a chegar ao fundo da baliza»... Carlos Gomes, meia hora depois de o jogo terminar ainda tinha lágrimas ponteando-lhe no rosto. Não queria dizer nada... «apenas que fora um momento muito cruel».

 

Para além do golo assim sofrido, mesmo, mesmo à beirinha do fim, não se esquecia decerto do «frango» que consentira no remate de Corona e que deu nova alma ao Benfica, com 2-1...

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945

Episódio Anterior (21º) - 1952

Compartilhar este post


Link para o post

Ao ler os posts do Descartes, verifico que o Mário Wilson não mudou nem um bocadinho.

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante
Este tópico está impedido de receber novos posts.
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...