Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
SAS_Robben

O Culto do Futebol

Publicações recomendadas

Visitante

É do António Fidalgo que estão a falar? Se for ya, anda numa rádio qualquer, acho que é mesmo a RR.

 

Há uns anitos treinou aqui o Vianense, ainda conseguiu a promoção da III para II-B.

Depois foi-se embora quando pairava no ar que o Vianense poderia ser o satélite do Braga, salvoerro

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Quis o destino que na época de 1973-1974, o Atlético visse o sorteio para a Taça de Portugal definir-lhe como adversário, o Textáfrica, equipa de Vila Pery, Moçambique.

Naquele tempo algumas equipas dos territórios do Império eram apuradas para a Taça de Portugal. Foi assim que a equipa da Vila Pery se viu nestas andanças, selando o seu destino com o do Atlético clube de Portugal.

 

Este jogo teve uma particularidade, já que se tratou da última deslocação de uma equipa da Metrópole, como era referido na época o Continente, a territórios ultramarinos, em provas oficiais da Federação Portuguesa de Futebol.

 

O Atlético, que naquele ano disputava o Campeonato Nacional da II Divisão, protagonizando, nessa época, a sua última subida à I Divisão, por onde se iria manter por mais três derradeiras temporadas; havia defrontado, anteriormente, e vencido, a 11 de Novembro de 1973, o Futebol Clube de Alverca, na casa deste por 0-2, para a 2ª eliminatória, já que os clubes da sua divisão estavam isentos da eliminatória inicial. Igualmente, este jogo encerrou a curiosidade de ter sido a primeira vez que as duas equipas se defrontaram. À época, o Futebol Clube de Alverca disputava a 3ª Divisão Nacional.

 

Seguindo em frente, na 3ª eliminatória da Taça, a 27 de Janeiro de 1974, já com a revolução à porta, o Atlético recebeu e venceu, na Tapadinha, a União de Leiria, que era seu “colega de zona” na II Divisão; e na 4ª eliminatória afastaria o Sintrense, no pelado da Portela, por resultado idêntico (1-2).

 

Chegávamos então à 5ª eliminatória. Curiosamente, na época anterior 72-73, os caprichos dos sorteios da Taça já haviam feito com que o Atlético se deslocasse a África, só que daquela vez a Angola, onde defrontou e venceu (1-2) o Benfica de Huambo, no Estádio Cosme Damião, na Cidade de Nova Lisboa. Desta vez a África era outra, era a África Oriental Portuguesa, ou seja, Moçambique, onde o Atlético Clube de Portugal já estivera, em digressão, em 1951.

 

A história deste jogo é bastante atribulada já que estávamos em Moçambique, na Cidade de Vila Pery, em 1974, em pleno período de Guerra Colonial, numa zona muito próxima de uma das frentes do teatro de operações.

O jogo seria disputado a 7 de Abril de 1974, no campo do Soalpo, em Vila Pery, actual cidade de Chimoio, perante numerosa assistência, já que a vinda de uma equipa da Capital do Império suscitava sempre grande curiosidade que extravasava o fenómeno futebol.

 

O Atlético, apesar de ter vencido o encontro, já lá iremos, apresentou-se no terreno em condições físicas deficitárias, longe de serem as ideais para a prática de futebol, em resultado de uma atribulada viagem. A comitiva alcantarense viajou dia 4 de Abril, tendo chegao a Lourenço Marques, actual Maputo, de madrugada, ou seja, ás primeiras horas de 5 de Abril, sexta-feira.

 

Segundo os jornais da época, a comitiva do Atlético terá permanecido no Aeroporto Internacional de Lourenço Marques entre as 2.15 e as 4.00 da madrugada, só conseguindo-se um hotel para a equipa descansar pelos alvores da manhã.

Não deixa de ser curioso reparar que naquele tempo uma equipa de futebol partia para África sem reservas de hotel antecipadas, ou pelo menos isso acontecia com o Atlético; ou seja, passe o exagero, de Alcântara partia-se para lá do Cabo da Boa Esperança, sem saber o que encontrar, tal como no Sec. XV Gama o fez.

Esta é aliás uma situação referida pelos jornais da época, já que normalmente cabia ao Governo da Colónia salvaguardar a chegada e a estada das equipas metropolitanas. Estávamos, já se vê, a 5 de Abril de 1974, e por esta pequena amostra se vê que algo já não ia bem na vida do Império.

O Atlético não teve direito a qualquer recepção oficial à sua chegada, o que ia contra os preceitos da época, e também não havia hotel reservado pelo Governo da Província.

A comitiva do Atlético foi então repartida por dois hotéis onde pode de alguma forma repousar.

 

Ainda segundo a imprensa da época, apurou-se mais tarde que a Federação Portuguesa de Futebol cometera o lapso de não comunicar a presença do Atlético à Associação Provincial de Futebol de Moçambique (actual Federação Moçambicana de Futebol), daí a ausência do acompanhamento adequado. Ou seja o mal instalado partia da metrópole e não da província ultramarina.

Na sequência disto, foi sugerida à equipa do Atlético Clube de Portugal que partisse por via terrestre para Vila Pery, situação a que se opôs firmemente o chefe da comitiva, sr. Agostinho Gil, hoje um septuagenário estabelecido em Alcântara, com um negócio de drogaria, já que tal viagem, para além de desgastante, cerca de 1200 quilómetros, afigurava-se bastante perigosa pois tratava-se de atravessar um território em guerra. Foi então resolvida a situação através de um sistema de táxis aéreos. O Atlético viajou por terra até à Beira e daí tomou táxis aéreos para Vila Pery.

 

A equipa do Atlético chegou à terra do Textáfrica a meio da manhã de 7 de Abril, dia do jogo, estando este marcado para as 15 horas, dessa tarde, 14 horas em Lisboa.

Foi nestas condições, portanto, aquelas em que a equipa do Atlético defrontou o Textáfriaca, completamente arrasada duma venturosa viagem.

O jogo disputou-se sob fortes medidas de segurança asseguradas pelo Exército Português, já que Vila Pery era uma zona do conflito armado que grassava naquela província ultramarina.

 

Vamos então ao jogo.

O Atlético era na época treinado por Fernando Mendes e o Textáfrica por josef Fabian. Aqui há outra curiosidade. Josef Fabian era um húngaro dissidente que se radicara em Portugal, anos antes, para jogar futebol, tendo depois tornado-se treinador. Foi nesta faceta que passou pela Tapadinha, já que chegou a ser treinador do Atlético.

Apesar do desgaste físico da viagem, a equipa de Alcântara mostrou melhor futebol, melhor táctica, melhor técnica e mais velocidade, sendo este conjunto de factores uma fonte de preocupações para Josef Fabian e os seus jogadores.

 

Ou seja, o resultado final de 0-1, que já se fazia sentir ao intervalo, acabou por não ser, de forma alguma o espelho do jogo.

A bem escalonada defesa do Atlético, com Caló em tarde de inspiração, não permitia quaisquer infiltrações dos rapazes do textáfrica no último reduto alcantarense.

O jogo foi sempre controlado pelo Atlético e o resultado só não foi outro graças ao guarda-redes Maló, em exibição notável, que mais tarde haveria de ir para o Clube Académico de Coimbra (clube sucessor da Académica, no futebol profissional, durante o período 1974-1984)

 

Aos 31 minutos registou-se o golo do Atlético, O tento nasceu de uma jogada aparentemente inofensiva com Maló a cometer o seu único erro. Leitão, postado do lado direito, recebeu a bola de Clésio, que se encontrava na esquerda, com inteligência desviou a trajectória da bola introduzindo-a na baliza. Maló não contava com esta “finta”, acabando por ser mal batido.

 

No segundo tempo o Atlético voltou a ser a estrela do jogo, dispondo de boas oportunidades, nunca concretizadas e sempre negadas por Maló. Maló defendeu um remate à queima-roupa aos 70 minutos, e aos 80, Seidi enviou uma bola à trave. Pouco depois o mesmo Seidi era rasteirado na are, mas o árbitro não considerou e marcou livre à entrada desta, que Leitão cobrou de forma deficiente, para fora.

 

O Atlético foi o justo vencedor pois a sua superioridade foi evidente em todos os capítulos, inclusive no físico, apesar da desgastante viagem.

 

O Árbitro, originário da cidade angolana de Sá de Bandeira, actual Lubango, foi Hildebrando Monte e as equipas alinharam da seguinte forma.

Textáfrica – Maló; Mambo, Madeira, Vicente e Zeza; Sebastião, Bessa e Fernando Rodrigues; Paiva, Miguel e Zacarias.

Atlético – Lapa; Esmoriz, Caló, Candeias (cap.), e Franque; Mesquita e Nogueira; Seidi, Clésio, Leitão e Vasques. No inicio da 2ª parte Guaçu entrou para o lugar de Clésio, e três minutos depois Semedo substituía Nogueira.

 

Na época só eram permitidas duas substituições e, infelizmente, não conseguimos apurar as eventuais substituições ocorridas na equipa da casa, se as houve, já que nos anos 70 não era incomum efectuarem-se jogos sem se operarem substituições.

 

O Atlético continuaria assim na Taça de Portugal onde haveria de ser eliminado pelo Sporting Clube Farense, mas essa é outra história.

 

Passado, o jogo, o Atlético regressaria à metrópole em condições semelhantes à sua ida, num Portugal cujo rumo iria mudar brevemente e que tão negativamente haveria de marcar o futuro, hoje já passado, do Atlético Clube de Portugal.

Compartilhar este post


Link para o post

Di Pace

Miguel Andrés di Pace nasceu na Argentina, na capital Buenos Aires, em 1926.

De família abastada, foi rodeado de uma educação esmerada. Em Di Pace, todavia, essa cultura não foi um polimento de verniz: foi um Senhor, no melhor e verdadeiro sentido da palavra.

Aos dez anos, apaixonou-se pelo Futebol e passou a ter como objectivo tornar-se naquilo que viria a ser: um grande, um enorme jogador.

Aos 15 anos, chegou ao prestigioso Racing de Buenos Aires. Permaneceu ali seis anos, subindo as diversas categorias até se impor na equipa principal.

Em 1948, transferiu-se para outro grande clube argentino – e de Buenos Aires -, o Huracán, onde continuou a brilhar. O seu prestígio ultrapassou fronteiras e, em 1951, transferiu-se para o Universidade do Chile.

O seu grande compatriota Alejandro Scopelli, outra figura imensa do Belenenses, estava então em Barcelona, a treinar o Espanhol, mantendo frequente correspondência com um conhecido adepto nosso de então, Calisto Gomes. Este procurava um bom jogador e Scopelli, sabendo da disponibilidade de Miguel Di Pace, indicou-o para representar o Belenenses. Chegou a Lisboa em 5 de Abril de 1953. O Belenenses tinha acabado de ficar em 3º lugar no Campeonato Nacional.

A estreia, ocorrida em 10 de Maio seguinte, não foi auspiciosa: o Belenenses perdeu com o Barreirense para a Taça de Portugal e Di Pace não deixou grande impressão.

A verdade, porém, é que, nas épocas seguintes, Di Pace impôs-se em Portugal como um dos jogadores de maior classe que já pisou os nossos rectângulos de jogo. De fina técnica, magistral a guardar a bola ou a colocar colegas de equipa em situação de marcar, foi considerado – e chamado – “o rei dos dribles”.

Permaneceu no Belenenses desde o fim dessa época de 52/53 até 57/58, como jogador e, inclusive, na última época a coadjuvar Fernando Vaz a treinar a nossa equipa. Foi alvo de uma festa de homenagem em 1 de Setembro de 1958.

Regressou depois à Argentina mas nunca esqueceu nem deixou de amar o Belenenses. Voltou a Portugal e à nossa casa pelo menos duas vezes, em 1984 e em 2004. Foi recebido como merece um dos grandes emblemas do nosso clube.

Durante os anos que representou o Belenenses, Miguel obteve um 2º lugar, dois 3ºs lugares e dois 4ºs lugares.

Como toda uma outra geração de grandes jogadores do Belenenses – Matateu, Vicente, José Pereira, Dimas, Castela, Perez, Carlos Silva, Pires, para já não falar de Serafim (que fora campeão em 46)… – Di Pace tinha um (des)encontro marcado com o destino no dia 24 de Abril de 1955. Era esse o dia em que o Belenenses estava para voltar a ser Campeão Nacional e viu o título escapar-se-lhe a quatro minutos do fim. Di Pace chorou com Belém inteiro…

De resto, parecia ser estigma do grande Miguel. Já nos outros clubes onde jogou, os 2ºs e 3ºs lugares, com o título a escapar-se, foram uma constante.

Seja como for, para nós, belenenses, Miguel Di Pace será sempre um grande campeão

 

dipace1.jpg

 

Compartilhar este post


Link para o post

Falem-me um pouco do Petit, ex Benfica. De 0 a 10, quanto lhe davam? E a que jogador é que ele se assemelha hoje em dia.

Pergunto isto porque quanto era mais novo ele não me marcou como marcou, por exemplo, o Simão, o Mantorras, o Cebola e o Rui Costa. Daí não ter memória de ele enquanto jogador, até porque não compreendia o jogo como compreendo hoje.

Editado por D&G

Compartilhar este post


Link para o post

Tinha fama de caceteiro mas não era nenhum Fernando Aguiar. Tinha boa qualidade técnica, capacidade de passe e remate de longa distância. Sempre gostei dele e achei que ele merecia mais reconhecimento do que de facto teve. Foi peça fulcral em dois campeonatos ganhos pelo Boavista e Benfica.

Compartilhar este post


Link para o post

Um 8 bem solido. Tinha lugar no plantel de muita grande equipa quando atingiu o seu máximo.

 

Sou suspeito porque no Benfica tornou-se num jogador que é claramente um jogador tipo do meu agrado.

Dos meus jogadores portugueses preferidos dos últimos 15 anos.

 

Chegou ao Benfica como 6 simplesmente destrutivo, apoiado na raça e limitado (e fazia a posição de forma competente no Boavista) mas foi muito bem trabalhado e acabou por se tornar num médio muito completo, com uma excelente capacidade de passe, excelente remate e uma boa capacidade de progredir no terreno.

Compartilhar este post


Link para o post

Falem-me um pouco do Petit, ex Benfica. De 0 a 10, quanto lhe davam? E a que jogador é que ele se assemelha hoje em dia.

Pergunto isto porque quanto era mais novo ele não me marcou como marcou, por exemplo, o Simão, o Mantorras, o Cebola e o Rui Costa. Daí não ter memória de ele enquanto jogador, até porque não compreendia o jogo como compreendo hoje.

 

Estamos mesmo a falar de quem eu penso? :estrelas:

 

 

Tinha fama de caceteiro mas não era nenhum Fernando Aguiar. Tinha boa qualidade técnica, capacidade de passe e remate de longa distância. Sempre gostei dele e achei que ele merecia mais reconhecimento do que de facto teve. Foi peça fulcral em dois campeonatos ganhos pelo Boavista e Benfica.

 

Quanto à pergunta, é isto. Petit :heart:

Editado por Diogo Mitch

Compartilhar este post


Link para o post

Falem-me um pouco do Petit, ex Benfica. De 0 a 10, quanto lhe davam? E a que jogador é que ele se assemelha hoje em dia.

Pergunto isto porque quanto era mais novo ele não me marcou como marcou, por exemplo, o Simão, o Mantorras, o Cebola e o Rui Costa. Daí não ter memória de ele enquanto jogador, até porque não compreendia o jogo como compreendo hoje.

No Boavista, detestava-o. No Benfica, moderou a agressividade, refinou algumas qualidades (posicionamento e qualidade de passe, sobretudo) e chegou a ser um médio de nível bem decente.

 

Dava-lhe um 6 sólido.

Compartilhar este post


Link para o post

chegou a ser um médio de nível bem decente.

 

Dava-lhe um 6 sólido.

 

Ok. Posso discordar de ti em muita coisa mas agora tive mesmo um avc. Até me parou o coração só de ler isto.

Agora faz favor e manda-me a tua morada para eu enviar as custas do funeral.

Compartilhar este post


Link para o post

Adorava o Petit. Um gajo que estava sempre em todo o lado, aquela dupla Petit-Tiago no meio campo era adorável, o Petit mais recuado o Tiago mais box-to-box. Isto no ano da Taça do Camacho. Foi sempre melhorando e o "melhor" Petit teria lugar no 11 actual de caras à frente da defesa.

Compartilhar este post


Link para o post

O Petit, no seu auge, chegou a ser um excelente médio-centro.

Compartilhar este post


Link para o post

Obrigado a todos. <3

E sim, o Cebola marcou-me. Epá, o gajo andou ali com o Benfica às cavalitas naquela temporada. Depois foi a real facada.

Compartilhar este post


Link para o post

Petit :heart:

 

E quem lê isso parece que ele no Boavista era grande tosco :lol:

 

Mas bem, até hoje se mantém o mito que o Boavista foi campeão porque só davam pau e os árbitros ajudaram.

Compartilhar este post


Link para o post

600.jpg

E este senhor? Como jogava? Assemelha-se a quem hoje em dia?

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante
Este tópico está impedido de receber novos posts.
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...