Diogo_CFB Publicado 27 Outubro 2013 Alguém aqui me sabe dizer se o Jorge Jesus chegou a ser um bom jogador . Nem por isso,médio de classe mediana. Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 28 Outubro 2013 (editado) À falta de tópico mais apropriado, pergunto aqui: podem indicar-me blogs/sites minimamente imparciais que abordem as questões mais técnicas/tácticas das equipas e jogadores? Editado 28 Outubro 2013 por Peplin Compartilhar este post Link para o post
RAG Publicado 28 Outubro 2013 Gosto deste: http://possedebolla.blogspot.pt/ O Lateral Esquerdo está em hibernação, mas era bastante bom. Compartilhar este post Link para o post
Peplin Publicado 28 Outubro 2013 Orbigado. ;) Se alguém souber de mais blogs, agradeço. Compartilhar este post Link para o post
Diogo_CFB Publicado 1 Novembro 2013 (editado) Para quem não sabe este a 3ª foto corresponde ao 4-2 :) [ Editado 1 Novembro 2013 por Diogo_CFB Compartilhar este post Link para o post
Gazza Publicado 7 Novembro 2013 Descartes .. não tens mais histórias ?? Compartilhar este post Link para o post
Vaart10 Publicado 7 Novembro 2013 Por acaso, tenho a mesma questão, Descartes não há mais histórias? Compartilhar este post Link para o post
Bashir Publicado 7 Novembro 2013 À falta de tópico mais apropriado, pergunto aqui: podem indicar-me blogs/sites minimamente imparciais que abordem as questões mais técnicas/tácticas das equipas e jogadores? Visao de Mercado :mrgreen: Agora a sério, não sei se é o que pretendes mas vê este entredez Compartilhar este post Link para o post
F_Tex Publicado 7 Novembro 2013 o problema do entredez é a formatação do texto, que coisa mais asquerosa. não consigo ler isso Compartilhar este post Link para o post
SAS_Robben Publicado 8 Novembro 2013 (editado) Agora a sério, não sei se é o que pretendes mas vê este entredez Li ai algumas coisas que me fizeram rir a bom rir Mais um que encurta a própria vista por amor a um estilo de futebol Editado 8 Novembro 2013 por SAS_Robben Compartilhar este post Link para o post
Guest fiasco Publicado 8 Novembro 2013 Alguém aqui me sabe dizer se o Jorge Jesus chegou a ser um bom jogador . Falhava na leitura e compreensão do jogo. E abusava nos passes de letra. E hoje reflete-se na sua gramática. :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 10 Novembro 2013 Descartes .. não tens mais histórias ?? Por acaso, tenho a mesma questão, Descartes não há mais histórias? Tenho. Histórias é o que não falta. Resolvi fazer um intervalo para deixar isto "respirar" mas entretanto o tempo foi passando e ficou um intervalo demasiado grande, tipo novelas da TVI...:lol: É bastante provável que hoje cheguem mais novidades agora que vocês foram simpáticos em sentir a minha falta. :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 11 Novembro 2013 16º Episódio - 1950 Derbys e Clássicos Apimentados FC Porto - Benfica Logo no início do ano o Benfica derrotou o FC Porto por 1-0, em jogo disputado no Campo da Constituição, consolidando a liderança do Nacional da I Divisão, com dois pontos de avanço sobre o Sporting. A partida pejou-se de incidentes. Aos 65 minutos, o portista Virgílio foi duramente tocado por Rogério e teve de abandonar o terreno, regressando, depois, a coxear para mero ofício de corpo presente. O benfiquista foi atingido com apupos e almofadas. Pouco depois, Barrigana defendeu um remate de Júlio e, já de posse da bola, deu um pontapé em Rosário. O árbitro, Reis Santos, expulsou-o e assinalou grande penalidade. Para a baliza foi o extremo-esquerdo Vieira que, com orgulho, defendeu o penalty apontado por Rogério e tudo o mais. Heroicamente. Sporting - FC Porto A 20 de fevereiro o FC Porto, derrotado no Lumiar pelo Sporting, por 4-1, desceu ao oitavo lugar do Nacional da I Divisão. Barrigana, que durante toda a primeira parte defendera até o... indefensável, acabou por sofrer um «frango monumental», num pontapé de quase meio campo, de Albano. Desolado, largou em berro: «Senhora da Hora! Como é que foi aquilo?!» O sportinguista, babado de gozo, não perdeu a oportunidade de despejar a bílis com toda a mansidão do cínico encartado e, abeirando-se do guarda-redes ainda impávido, atirou: «Como foi?... Foram as tenazes do Barrigana que não suportaram a brasa do Albano...» Benfica - Sporting A 17 de abril os grandes rivais lisboetas defrontaram-se no... Estádio Nacional. Ganharam os sportinguistas por 3-2, reduzindo para quatro pontos a diferença entre ambos. Canário, o médio «enjeitado» pelos selecionadores nacionais com a peregrina justificação de que não tinha fôlego para os 90 minutos de jogo, teve uma tarde em cheio. Começando o desafio por levar uma bolada no estômago, que o deixou inanimado e seria suficiente para tirar o fôlego a qualquer mortal, recompôs-se breve e lutou do princípio ao fim com brio, saber, vontade e uma resistência que lhe permitiu estar em toda a parte e ser como que o eixo central de todo o trabalho da equipa. Sporting - FC Porto Já a contar para a época de 1950-51, em meados de outubro, jogo quente em Alvalade entre o Sporting e o FC Porto, os dois primeiros do Nacional. Venceram os lisboetas por 2-1, mas a partida ficou marcada por lamentáveis incidentes: Mário Wilson, que logo na primeira parte tivera entrada dura ao estômago de Pinto Vieira, que o deixaria três minutos fora de campo para receber assistência médica, envolveu-se, quezilento, com Carvalho, acabando por ser agredido por Pinto Vieira, sendo ambos expulsos... Homenagens e Despedidas Leoninas Manecas e o lenço da mamã A conquista do campeonato pelo Benfica graças, sobretudo, à vitória do Lusitano de Vila Real de Santo António (onde despontava o "magala" José Maria Pedroto) sobre o Sporting - então considerada escandalosa - acabou por gerar algumas turbulências no seio leonino - e mais ou menos antecipadas festas de despedida de heróis feridos. De título perdido, vítimas mais ou menos assumidas do desejo de injeção de sangue novo na equipa, dois jogadores sportinguistas foram homenageados no espaço de dois meses e meio. Manuel Marques, o «Manecas», 19 anos de jogador do clube, 21 campeonatos e 553 jogos disputados, sempre de leão ao peito. Manecas popularizou-se pelos êxitos que logrou, mas também por jogar sempre com um lenço branco colocado à cintura. Por uma questão de tradição o fazia, mas não só. «Quando comecei a dar os primeiros pontapés, a velhota, como aparecia muitas vezes com os joelhos esfolados, deu-me um lenço branco para limpar os ferimentos. Devo, no entanto, acrescentar que até hoje nunca me servi dele, conservando-o sempre como talismã. Todos os anos, no começo da época, recebia um lenço novo, branco como a neve, que a minha mãe me enviava...» Depois de frequentar a Escola Industrial seguiu a profissão de «carpinteiro de branco» no Arsenal da Marinha, mas acabaria por entrar, por concurso, para o Grémio dos Armazenistas de Mercearia. E trabalhando e jogando foi fazendo a sua vida. Era assim o futebol ainda em 50... Para a festa de homenagem foi aproveitado o 5 de outubro de 1950, dia de mau tempo, que nada o ajudou, mas não houve desafios internacionais. Uma equipa do Sporting venceu outra do Benfica, por 8-1, e no outro encontro, Belenenses 6 - Atlético 0. O brilho que os organizadores da festa de Manuel Marques desejavam que se verificasse, sofreu o primeiro revés (o segundo foi o temporal) quando a Direção sportinguista proibiu Fernando Peyroteo de jogar ao lado do seu velho camarada, como este pretendia. Ao saber dessa possibilidade, o Sporting escreveu a Peyroteo, perguntando-lhe se ele se dispunha a apenas vestir a camisola do clube na festa do Manecas ou para continuar a representar o Sporting. Peyroteo respondeu que só queria estar ao lado do seu amigo e que a sua festa fora de despedida. O Sporting replicou, dizendo-lhe que não julgava aconselhável a sua inclusão no «onze» de honra do clube. Azevedo como herói de uma tragédia grega João Azevedo foi homenageado na véspera de Natal. Na primeira página A Bola dizia, num largo título: «A consagração de um ídolo - João Azevedo, um jogador que honra o desporto português, recebeu ontem justo prémio de uma carreira a todos os títulos notável.» O elogio do homenageado foi feito por Ricardo Ornellas: «João Azevedo, o maior guarda-redes português de todos os tempos, será sempre um grande exemplo de modéstia e de real categoria desportiva.» Disputaram-se dois desafios de futebol, como era da praxe. No primeiro o Benfica venceu o Estoril, por 2-0. No segundo o Sporting ganhou ao Valladolid, por 2-1. Mas a carreira sensacional de João Azevedo não termina naquele dia festivo. O grande guarda-redes do Sporting e da Seleção Nacional, ainda hoje considerado um dos maiores, se não o maior de todos quantos defenderam balizas portuguesas, pretendeu, mais tarde, regressar ao futebol. O Sporting opôs-se-lhe, alegando que, tanto para ele como para o clube, era melhor não pensar no regresso. Azevedo insistiu e acabou por ingressar no Oriental, contrariando a posição do Sporting, onde vivera, de facto, épocas de glória. Acabaria, contudo, por sair em condições dramáticas. Em jeito de herói de tragédia grega. Mas 1950 ainda foi um dos seus grandes anos. E o título do Sporting de 1950-51 passou pela magia das suas mãos e pelo seu jeito felino de defender... Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 Episódio Anterior (15º) - 1950 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 13 Novembro 2013 17º Episódio - 1951 O Pesadelo ao Cair da Noite Antes da partida para Turim os jogadores do Sporting deslocaram-se ao gabinete do Ministro da Educação, Pires de Lima, para cerimónia de despedida. O governante, bem ao jeito de então, pediu-lhes apenas que honrassem a Pátria e a raça. Afinal, não seria pedir-se a Lua, pedir que a Taça Latina continuasse em Portugal. E em avião fretado à TWA partiram. Foi fatigante a viagem. Ao hotel só chegaram quase à meia-noite. Os seus adversários, os franceses do Lille, já lá estavam havia dois dias... No primeiro jogo, sem sequer terem tido tempo para reconhecimento do campo, os sportinguistas empataram com o Lille por 1-1. Com golo de Vasques. Nem o prolongamento de meia hora, nem sucessivos períodos de jogo de dez minutos resolveram a eliminatória porque, entretanto, caiu a noite e o árbitro adiou o desfecho para o dia seguinte. A «maratona» de Turim e o último lugar Turim ligou pouca importância ao desempate. No estádio apenas compareceram cerca de duas mil pessoas. O Sporting esteve a perder por 4-2, recuperou espetacularmente e chegou, no fim do tempo regulamentar a 4-4, com mais três golos de Vasques e outro de Caldeira mas, depois, com os seus jogadores arrasados, permitiu que os franceses chegassem a 6-4 em apenas sete minutos. Fatídicos, pois. Nessas duas partidas o Sporting alinhou com Azevedo; Caldeira e Veríssimo; Canário, Passos e Juca; Jesus Correia, Vasques, Mário Wilson, Pacheco Nobre e Albano. A lesão de Caldeira aos 25 minutos obrigou a profundas mexidas na equipa, que se sentiram ainda mais na formação que subiu ao terreno para a disputa do terceiro lugar, com o Atlético de Madrid: Azevedo; Gervásio e Juvenal; Canário, Mário Wilson e Veríssimo; Pacheco Nobre, Vasques, Jesus Correia, Travassos e Albano. Perdendo por 3-1, com golo de Travassos, vítima, sobretudo, da «maratona» de Turim, o Sporting quedou-se pelo último lugar, na edição que valeu o título ao AC Milan que destroçou o Lille (5-0). Mas Vasques, sobremodo pelos quatro golos apontados ao campeão francês, deixou Itália com cartel reforçado. O ataque a Vasques Antes de ingressar no Sporting, em 1946, Vasques fora tentado por Joaquim Bogalho, presidente do Benfica. Sobrinho de Soeiro, estrela sportinguista, nada faria sem avisar o tio. Ao falar-lhe do assédio benfiquista sentiu-o perturbado. Soeiro arranjou modos de o mandar de férias para a praia de Santa Cruz, cuidando que os benfiquistas se esquecessem dele. Entretanto moveu empenhos e, pouco depois, fazia-se a transferência da CUF para o Sporting, mercê de 18 contos de luvas e 600 escudos de ordenado mensal. 18 contos que Vasques depositou na CGD e em que nunca mais tocaria, sentimentalmente. Os golos de Turim despertaram novos desejos ao Benfica. Francisco Retorta ofereceu 100 contos pela carta de Vasques, possibilitando, ainda, que os sportinguistas escolhessem alguns jogadores no seu plantel. Ribeiro Ferreira, presidente do Sporting, nem sequer aceitou negociar. E, para evitar mais ataques do Benfica, decidiu financiar a Cofril, a famosa sociedade de frigoríficos de Vasques e Travassos... E o seu ordenado subiu "ligeiramente" - para 1200 escudos por mês. Suborno e Golpe do Intermediário O Vitória de Setúbal, na jornada de 18 de março de 1951, venceu em Marvila o Oriental por 2-1. Os setubalenses estavam mal classificados e os dois pontos aliviaram-nos bastante de justificadas preocupações. Na cidade do Sado fez-se festa como se se tivesse ganhado qualquer campeonato. Afinal aquela vitória fora conseguida por caminhos esconsos... Segundo apuraria Melo e Silva, inspetor da Polícia Judiciária, o médico setubalense José de Melo Cardoso, o funcionário aduaneiro Aníbal Joaquim Sousa, o industrial Francisco Felix Santana e o comerciante António Graça puseram a quantia de 16.500 escudos à disposição dos jogadores do Oriental que facilitassem a derrota do seu próprio grupo. José Maria e Jaime Coelho, adeptos do Oriental ficaram, porém, com o dinheiro, não o chegando a entregar a qualquer jogador. Mas vários deles sabiam o que se estava passando, especialmente Carlos França, Teixeira da Silva, Morais e Isidoro, os quais avisaram a Direção do que se conjurara. Descobertos os primeiros sintomas de suborno frustrado, Jaime Coelho acabou apontado como duplo culpado e incriminado de infiel depositário, pois ficou com o dinheiro para si. O treinador do Vitória, Pedro Arezo, ausentou-se para Espanha, também comprometido. E o jogador setubalense Rogério Fontes, igualmente empregado nas oficinas da CP no Barreiro, também foi descoberto como cúmplice. Todos eles foram irradiados, tal como o presidente do Vitória, Francisco Ahrens Novais e o vice-presidente António Marques dos Santos. Na posse do relatório da polícia, o ministro da Educação, Pires de Lima, resolveu suspender todos os direitos estatutários e desportivos do Vitória de Setúbal, impedindo, inclusivamente, o clube de praticar qualquer atividade desportiva durante um ano. Era sinal de mão pesada, mas... Cândido defendeu o Vitória, mesmo contra o... ministro Cândido de Oliveira saltou à praça, aduzindo argumentos tão legítimos como corajosos a favor do Vitória Futebol Clube, aceitando, naturalmente, o castigo imposto aos indivíduos envolvidos no suborno. Cândido afirmou que não ficou demonstrada a conivência dos restantes Corpos Gerentes do clube, nem da sua massa associativa no processo, nem dos seus atletas, arguindo ainda que o caso resultou da irresponsabilidade dos presidente e vice-presidente do clube, que agiram por sua conta e risco. O articulista defendeu que os autores da tentativa de suborno deviam, realmente, ser irradiados, o desafio entre o Oriental e o Vitória repetido, porque nele tomara parte um jogador orientalista envolvido diretamente no assunto, mas ao Vitória não deveriam ser aplicadas as sanções anunciadas. Terminou acusando: «O sr. ministro da Educação foi excessivamente severo em relação ao clube setubalense, dadas as condições em que se produziram os factos.» Em Setúbal a decisão ministerial causou mal-estar. O povo juntou-se defronte da sede do Vitória e da Câmara Municipal, solicitando do Governo medidas que atenuassem a severidade do castigo. O despacho do ministro foi de facto alterado. E o Vitória pôde, ao menos, disputar o Campeonato Nacional da II Divisão - o que não deixava de ser um castigo, mas muito menos grave... E, no campo, sem estranhas e ínvias ajudas, na época seguinte regressou ao convívio dos primodivisionários, pela mão de Fernando Vaz. E voltou a haver muito dinheiro na festa. Mas, desta feita, limpo. Cada jogador do Vitória recebeu de prémio 15 contos. Uma fortuna, consideraram eles. Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 Episódio Anterior (16º) - 1950 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 14 Novembro 2013 18º Episódio - 1951 Passos do Sanatório para a Glória Definitivamente Manuel Passos vencera o destino. Impusera-se no Sporting como um dos seus esteios, adquirindo um carisma que haveria de fazer dele um dos símbolos da raça «leonina» dos seus anos de maior glória. Viera da Madeira em 1939, sonhando que o futebol lhe pudesse mudar a vida. Para a CUF foi a troco de um emprego. Sentia-se num maravilhoso mundo novo, de tal modo que, quando viu pela primeira vez um comboio, disse de si para si: «Mas que estranho bichinho tão comprido». Brilhou no jogo e Cândido de Oliveira chegou a pensar nele para a seleção, mas, dois anos depois, o drama: teve de internar-se no Sanatório do Caramulo, chegando a temer-se pela sua vida. Por sorte do destino calhou-lhe em médico José Maria Antunes, tisiologista distinto, futebolista famoso da Académica. No Caramulo esteve um ano. De lá saiu com 94 quilos, com a sentença pregada: perdido para o futebol. Voltou aos escritórios da CUF, mas acreditando sempre no regresso à vida que, para si, era o regresso ao futebol. Tinha 25 anos. Ofereceu-se ao Sporting e por sentimentalismo o aceitaram nos... treinos, para a temporada de 1948/49. E com uma garantia da sua parte: se a doença voltasse a miná-lo não receberia um tostão do clube. Ao fim de quatro meses já tinha perdido 16 quilos, treinando-se e jogando cada vez com mais ardor. Impressionando com aquele desejo de superar o seu próprio destino, Ribeiro Ferreira, presidente do Sporting, ofereceu-lhe 25 contos, pagos em três prestações. E as duas últimas só seriam pagas se... Em 1953 os brasileiros ficariam deslumbrados com a classe de Passos. E Gentil Cardoso, treinador do Vasco da Gama, convenceria os seus dirigentes a oferecerem 500 contos pela sua carta de desobrigação. Ribeiro Ferreira diria que não. 30 Contos por Matateu Sebastião Lucas da Fonseca (Matateu) chegou a Lisboa a 4 de setembro de 1951. Tinha fama de bom rematador mas ninguém, na altura, imaginaria a carreira fabulosa que o moçambicano acabaria por fazer. Ainda no Aeroporto da Portela jogou, estrategicamente, com a humildade que haveria sempre de caracterizá-lo, garantindo que não acreditava que, de um momento para o outro, como que com um passe de mágica, se pudesse tornar figura arrebatante e apaixonante do futebol português. Para assinar pelo Belenenses recebera 30 contos de luvas e a garantia, para além da ocupação como empregado de escritório, profissão que já exercia em Moçambique, de 1600 escudos de subsídio mensal. Era, afinal, o que ganhavam todos os outros jogadores da equipa de honra do clube da «Cruz de Cristo». Apoteótica seria a sua estreia oficial, no célebre Belenenses-Sporting da primeira jornada do Nacional de 51/52, que se realizou nas Salésias. Os «azuis» venceram por 4-3. Matateu apontou dois golos, o último dos quais a dois minutos do fim. Os adeptos do Belenenses, entusiasmados e carentes de vitórias, levaram-no aos ombros. Para Azevedo, guarda-redes do Sporting, abria-se a via sacra. Por culpa do génio de Matateu, que não precisou de muito tempo mais para se impor, fulgurantemente, como o mais mortífero jogador português dentro da área. Pergaminho que nem... Eusébio lhe arrebataria de todo. Vencedor da primeira edição da «Bola de Prata», que premeia o melhor marcador do campeonato nacional, viveu, ao serviço da seleção nacional, um dos seus maiores momentos de glória contra a Argentina. Nesse jogo, embasbacando os sul-americanos, soube pela aparelhagem sonora do Estádio Nacional que acabara de ser pai de uma menina. Decidiu-lhe, de súbito, o nome - e Argentina ficou... Tanta era a sua fama que o seu irmão Vicente, quando chegou a Lisboa, também para o Belenenses, foi alcunhado de Matateu II. Mas como Vicente se afirmaria. Até que o drama o abatesse... A Ironia dos Ofícios dos Futebolistas... Um dia, nesses anos ainda turvos de 50, em que os futebolistas recebiam dinheiro, descontavam para o Fundo de Desemprego, mas eram considerados amadores, com a mais subtil das ironias, «A Bola» publicou as artes e os ofícios dos jogadores de vários clubes. No Sporting, dois industriais: Vasques e Travassos, por acaso (ou não) sócios da mesma empresa, financiada pelo clube, para melhor os segurar. Martins era maquinista. Rola operário fabril. Carlos Gomes, Caldeira, Pacheco e Passos empregados de comércio. Veríssimo funcionário público. E Barros e Mendonça, estudantes. O Benfica possuia um leque ainda mais alargado de profissões: Bastos, serralheiro; Moreira, metalocravador; Corona, corticeiro; Arsénio, torneiro-mecânico; Caiado, desenhador; Félix, industrial; Rogério, comerciante; Fernandes empregado de escritório; e José Águas... estudante. Dois corticeiros tinha, também, o FC Porto: Barrigana e Osvaldo. E um torneiro de metais: Teixeira. Virgílio, Carvalho e Joaquim eram todos comerciantes. E Monteiro da Costa, funcionário municipal. No Belenenses, Serafim era serralheiro-mecânico; Sério, funcionário corporativo; Castela, funcionário administrativo; Matateu, empregado de escritório; Feliciano, comerciante. E André estudava. Era assim que se (des)fazia o futebol português em plena década de 50. Qualquer mediano jogador espanhol ganhava, por mês, cinco contos. E, por isso, era profissional de futebol, a tempo inteiro. E sem hipocrisias. Por cá ainda não. Talvez só quando o Belenenses contratou Licker, em 1952, surgiu, assumidamente, o primeiro profissional de futebol em Portugal. Como Ben David Perdeu a «Taluda» No Mindelo, ali onde a terra é fogo e o mar mais salgado, nasceu Ben David. Cresceu apenas com um desejo: jogar futebol. Em 1946, com 18 anos, partiu para Lisboa, em busca da miragem que o cegava. Um tio foi oferecê-lo à CUF, cujos técnicos, percebendo-lhe o jeito, correram a pedir aos seus administradores que o empregassem, de imediato, para que não se perdesse a pérola. Emprego lhe deram na secção de automóveis mas, por ironia do destino, acabaria por não jogar pelo clube dos Mellos porque, entretanto, se decidiu extinguir o futebol na CUF. Benfica, Sporting e Belenenses entraram na corrida, que o seu jeito ganhara fama rapidamente, mas Ben David acabou por preferir o Atlético, a troco de 500 escudos por mês, para que as responsabilidades não fossem tão grandes. E como queria fazer futuro como mecânico de automóveis... Fulgurou na Tapadinha. Chegou à seleção nacional e, em setembro de 1951, recebeu uma «proposta irrecusável» dos milionários do Stade Français: seis mil escudos por mês, mil e oitocentos escudos por vitória fora, mil por vitória em casa, oitocentos por empate. E casa. E automóvel. E, para além de todas as mordomias, a garantia de especialização como mecânico numa fábrica francesa à sua escolha: Citroën, Peugeot ou Renault. Ben ficou encantado. Só que os dirigentes do Atlético disseram não, porque os franceses não quiseram dar-lhes 300 contos. E David lamentou a má sorte. E, como se não bastasse, daí em diante, fustigado por lesões e contratempos, nunca foi o avançado-centro fulgurante que fora... Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 Episódio Anterior (17º) - 1951 Compartilhar este post Link para o post
Descartes Publicado 15 Novembro 2013 19º Episódio - 1951 Campeonato Atribulado... com o Atlético na berlinda 7 de janeiro: Atlético - Sporting O Sporting não passou na Tapadinha, num duelo marcado por quatro expulsões, uma delas injustíssima. À entrada para o último quarto de hora, quando o Sporting vencia por 2-1, Mário Wilson, em mais uma demonstração da sua agressividade em jogo, ao ser desarmado por Baptista desferiu violento pontapé na perna direita do adversário, quando a bola já se encontrava fora do terreno, sendo por isso, naturalmente, expulso. O que desconcertou foi o árbitro ter mostrado também o cartão vermelho a Baptista, abrindo um «sururu» que só sarou porque, de seguida, o Atlético empatou, por Ben David, que já marcara o primeiro golo. 14 de janeiro: Benfica - FC Porto O FC Porto bateu o Benfica, no Campo Grande, por 2-0, com dois golos de Monteiro da Costa. O húngaro Gencsi, treinador do FC Porto, considerou o desfecho histórico, apesar dos lisboetas jamais terem vivido período de tanta agonia. Mais exultou Barrigana: «Tenho tido muitas alegrias, porém nenhuma como a de hoje. Faltava-me ganhar ao Benfica em sua própria casa.» Ted Smith, treinador benfiquista, resignado, disse apenas que ganhara a melhor equipa, «sobretudo a que tivera melhor estofo». 21 de janeiro: FC Porto - Sporting Um poucochinho só mais de emoção no Campeonato: o FC Porto, ao bater por 3-0 o Sporting, na décima oitava jornada, reduziu para três pontos a desvantagem que os separava do primeiro lugar ocupado pela equipa leonina. O jogo disputou-se no velhíssimo e acanhado Campo da Constituição e só por «proteção divina» não se transformou em tragédia. Ainda antes de a partida se iniciar a vedação do campo rebentou sob o impulso da mole de gente. Um garoto caiu com a sua bandeira do FC Porto e ficou sob a avalancha, acabando, milagrosamente, por sofrer apenas ligeiras escoriações. Pouco depois, outra vedação do alquebrado campo não resistiu à pressão e tombou. Mais quedas, mais escoriações, mas nada de muito grave. E, depois, a vitória portista amansou as dores... 28 de janeiro: Atlético - FC Porto A derrota do FC Porto na Tapadinha, por 4-1, deixou o Sporting muito mais tranquilo. Escaramuças várias se registaram, dentro e fora do terreno, resultado ainda da guerra aberta pela fuga de Vital, ídolo alcantarense para o Porto. (*) O portista Carvalho queixou-se de Ben David: «O avançado do Atlético atirou-se sobre mim e com o piton deixou-me o pé neste estado.» Um autêntico trambolho. Alfredo bradava contra o árbitro. O seu treinador, Gensci, afamado também pelos seus méritos de... xadrezista, deitou água na fervura: «É preciso calma, é preciso saber perder.» O capitão portista ripostou: «Queira perdoar mister, mas para aceitar esta derrota é necessário mais do que isso. É preciso possuir um espírito forte para lutar sob a coação de um árbitro que nos prejudicou imenso.» O alcantarense Martinho rejubilou. Pela vitória e por ter ganho um relógio de ouro por ter marcado o primeiro golo do desafio. E Areso, o seu treinador, depois de reafirmar a profissão-de-fé no terceiro lugar, disse apenas que se alguém poderia queixar-se do árbitro eram os alcantarenses, «porque o golo com que o FC Porto chegara ao empate resultara de uma grande penalidade que não existiu». 1 de fevereiro: Benfica-Belenenses Empate a um golo no Campo Grande. Duas equipas em crise, mas nem por isso com os jogadores de mau humor. Por exemplo, o médio Rebelo, após a partida, à saída do chuveiro atirou: «A água estava tão fria que só me lavei metade!» Uma Final para a História O Benfica venceu a Taça de Portugal ao bater, no Jamor, a Académica por 5-1. Rogério apontou quatro dos cinco golos da sua equipa, tornando-se o maior carrasco dos conimbricenses, que duraram apenas uma hora... Os academistas, que ao intervalo, em estratégica inovação, tomaram... oxigénio, tentando, assim, diminuir sintomas de uma fadiga prematura, não pararam, no final, de se queixar do árbitro. José Maria Antunes, um dos vencedores da Taça de 39, precisamente contra o Benfica, acusou mesmo Paulo Oliveira de ter validado os dois primeiros golos do Benfica de forma indecente. Capela subscreveu, mas não deixou de dar um toque de fair play: «Os dois primeiros golos foram irregulares, mas o Benfica acabou por vencer merecidamente...» Francisco Ferreira, capitão do Benfica, rejubilou muito mais que os demais, por uma questão sentimental: «Estamos radiantes, mas eu muito mais do que qualquer dos meus companheiros. Único sobrevivente do encontro de há 12 anos, acabo de conseguir uma desforra a que ninguém poderá recusar merecimento.» Pelo Benfica alinharam: Bastos; Artur e Fernandes; Moreira, Félix e Francisco Ferreira; Corona, Arsénio, Águas, Rogério e Rosário. Pela Académica: Capela; Branco e Melo; José Miguel, Torres e Azeredo; Duarte, Gil, Macedo, Leite e Bentes. Rogério, o herói das Taças, apontou quatro dos cinco golos da sua equipa, despertando nos benfiquistas uma indescritível euforia, pela salvação de uma época que parecia humilhante. Os adeptos da Académica não se deixaram tocar de desalento e, depois do jogo, em ruidosa peregrinação pela marginal, com o fascínio das suas capas negras, dirigiram-se ao Terreiro do Paço para entregar um fardo de palha ao cavalo de D. José! O Torneio dos Campeões A equipa de futebol do Sporting chegou ao Rio de Janeiro, em finais de junho, para disputar o Torneio dos Campeões. Em apoteose. Com direito até a um improvisado cortejo entre o aeroporto, na ilha do Governador, até ao Hotel Paineiras, no morro do Corcovado. Em reforço dos sportinguistas seguiram Serafim (Belenenses), Ben David (Atlético) e Patalino (Elvas). A estreia foi aziaga. No Maracanã, ante mais de 100 mil espetadores, os campeões de Portugal perderam com o Vasco da Gama, campeão carioca, por 5-1. Uma deceção para a colónia portuguesa, que muito contribuiu para uma receita histórica no Brasil: quase três mil contos! O golo do Sporting foi marcado por... Patalino, jogador do Elvas! Três dias decorridos e mais uma derrota do Sporting. Desta feita frente ao Nacional de Montevideo, que na primeira ronda baqueara frente ao Áustria de Viena, por 3-2. Com as bancadas vazias e uma receita total que não ultrapassou os 387 contos, os campeões de Portugal chegaram ao intervalo a vencer por 2-1, mercê de golos de Patalino e Jesus Correia. Mas após luta dramática perderiam o jogo a dois minutos do fim... Veríssimo foi expulso quase no final do jogo. Mais triste ficou quando Góis Mota lhe anunciou que decidira impedi-lo de jogar mais no Brasil, por «não admitir agressões, ainda que em resposta». E, desalentado, deixou descair: «Afinal, só lhe cheguei às fuças com a razão que ele me deu... O gajo agrediu-me e...» Azevedo quase fez o mesmo a Gimenez e não se consolava com aquele segundo golo dos uruguaios: «A bola estava escorregadia e escapuliu-se-me...» Mais quatro dias passados e terceira derrota do Sporting no Rio: 2-1 diante do Áustria de Viena, apesar de se garantir que Azevedo jogara admiravelmente, «defendendo tudo»... O golo coube a Albano, de pouco valendo: os «leões» estavam, assim, irremediavelmente eliminados... A Génese das Vitórias Morais Em abril, mais uma jornada de desilusão para a seleção nacional. No Estádio Nacional a Itália ganhou a Portugal por 4-1. O nosso golo coube a Jesus Correia, tendo a equipa portuguesa alinhado com: Capela (Ernesto); Virgílio e Carvalho; Canário, Félix e Serafim; Jesus Correia, Vasques, Patalino, Travassos (Rogério) e Albano. Para o selecionador nacional, Tavares da Silva, tudo se resumiu a isto: «golos traiçoeiros, infelicidade, falta de Travassos». Travassos acabou substituído por Rogério, queixando-se de mazelas «que se agravavam com a mudança de temperatura». Albano, contristado, não dourou a pílula: «O nosso camarada Capela jogou com pouca sorte, três golos sem pés nem cabeça...» E Capela, desmoralizado, naquela chocante imagem do gigante acabrunhado, aquiesceu: «Reconheço a infelicidade do meu trabalho, não o esperava depois de uma época brilhante. Procurei acertar, mas as coisas saíram-me mal. Enfim, uma tarde negra...» A 13 de maio a seleção, alinhando com Ernesto; Virgílio e Serafim; Canário, Félix e Francisco Ferreira; Martinho, Travassos, Ben David, Caiado e Albano, perdeu, em Cardiff, com o País de Gales por 2-1. O golo de Portugal coube a Ben David. Mas foi, uma vez mais, uma vitória moral... Até porque o árbitro não assinalou uma grande penalidade contra os galeses. Francisco Ferreira, o capitão, lamentou-se, dorido: «Merecíamos o empate. O penalty existiu, porque a falta foi nitidamente dentro da área. A vontade de todos nós foi firme, mas...» A trilogia termina a 21 de maio em Inglaterra. Apesar da seleção portuguesa ter sido batida, em Liverpool, por 5-2, cantaram-se loas aos jogadores. Caiado e Félix foram as pedras angulares da equipa, contribuindo notavelmente para justificar o empate que se registava a 15 minutos do fim. Depois é que foram elas - faltou o fôlego e as pernas. Francisco Ferreira voltou a lamentar-se: «Fomos até onde era possível, mas não tivemos sorte na fase final.» O jornalista Ivan Sharpe escreveu a contravapor: «Os portugueses deviam ter sido batidos por seis golos, fizeram demasiados passes, originando um jogo lateral em vez de progressivo. Portugal não figura entre os seis primeiros países da Europa, mas possui duas 'estrelas': o interior-direito Travassos, que vale 50 mil libras, e Félix, que se manteve sempre no lugar certo como médio-centro.» Para Maurice Smith, credenciado jornalista de «The People», foi o pior desafio internacional da Inglaterra, mas não deixou de acentuar: «O interior-direito Travassos, com um penteado impecável, revelou-se tão brilhante com os pés como o seu inalterável penteado. Foi, de longe, o melhor homem sobre o terreno.» ================================================================= (*) - Para conhecer melhor a história das desavenças entre Atlético e o FC Porto e o «Caso Vital»: http://www.cmportugal.com/index.php?showtopic=156324&view=findpost&p=8907383 Episódios Anteriores: 1º Episódio - 1945 Episódio Anterior (18º) - 1951 Compartilhar este post Link para o post
Boo Riquelme Publicado 15 Novembro 2013 Acho que foi nessa altura que limpámos quase todos os "grandes" na Tapadinha. Acho que foi nesse ano também que o Ben David foi chamado à selecção e tudo. E nessa equipa estavam os primeiros argentinos a jogar em Portugal: Imbelloni, Castiglia e Messiano um deles anos mais tarde abriu um café em Buenos Aires que se chamava "CAFÉ ALCANTARA" lool Compartilhar este post Link para o post
totch Publicado 16 Novembro 2013 Ouvi dizer que este tal Tinaia Silva foi dos melhores jogadores que passaram pelas escolas de formaçao do Porto (nos juniores). Chegou a ser contratado pelo Real Madrid dos Galacticos, Zidane, Figo , etc , mas uma lesao grave (partiu a perna) f*deu tudo. Muita gente diz por ai que se nao fossem as lesoes seria um jogador de topo. http://www.zerozero.pt/jogador.php?id=547&search=1 Compartilhar este post Link para o post
Hawkeye Publicado 16 Novembro 2013 (editado) E com o Tinaia foi também o Zeferino Tinaia Zeferino Editado 16 Novembro 2013 por Hawkeye Compartilhar este post Link para o post