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SAS_Robben

O Culto do Futebol

Publicações recomendadas

Guarda-redes mais estranho de sempre. :prayer:

 

E estes, Hugo, não são estranhos?

 

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E porque hoje joga a Fiorentina:

 

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E estes, Hugo, não são estranhos?

 

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Ser GR sul-americano é por si só algo estranho. :mrgreen:

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A lenda do bigode e do rabo de cavalo faz 50 anos,

 

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Parabéns Seaman. :prayer:

 

Sempre que me lembro no Seaman:

 

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Xiii, grande tópico, ainda não tinha visto.

 

A minha primeira paixoneta no futebol foi o Brasil do WC 98. Tinha apenas 8 anos e sei de cabeça algumas coisas. O Brasil no estava no grupo do Marrocos, Escócia e Noruega. No primeiro jogo ganhou 2-0 e o primeiro golo foi do trinco César Sampaio após um canto. Acho que foi contra a Escócia. Lembro-me de eles ganharem 3-2 à Dinamarca. Na altura gostava deles porque o meu pai disse que como Portugal não estava lá tínhamos de apoiar os nossos irmãos. :lol: Grande equipa que tinham... Taffarel, Cafú, Aldair, Roberto Carlos, Ronaldo, Rivaldo, Romário, Bebeto... enfim. Fiquei tão triste quando levaram 3-0 frente à França. Aí comecei a odiá-los, então depois chegou o Euro 2000 e pqp, ainda fiquei mais a detestá-los porque até estava a gostar bastante da Itália do Euro 2000, porque tinham a melhor defesa que eu já vi a jogar à bola. Pagliuca, Zambrotta, Nesta/Costacurta (não me recordo qual deles ao certo), Cannavaro e Maldini. Que p*ta de parede, não passava nada ali. Foi a primeira vez que comecei a gostar do lado defensivo do futebol.

 

Mas esse WC98 teve alto impacto na minha infância porque foi aí que despertei o meu gosto pela bola. Precisamente uns meses antes do torneio tinha começado a ir ao Estádio das Antas ver o maior. Com 8 anos só queria era ver futebol. Fosse um Portugal - França ou um Estrela da Amadora - Farense. E nesse WC fiquei a conhecer jogadores como o Zidane, Henry, Davor Suker, Trezeguet, Djorkaeff, aqueles Brasileiros que mencionei, Schmeichel, Tomasson, Batistuta, Bierhoff, Matthaus, Vieri, etc... Não estava habituado a ver jogadores desse calibre.

 

WC 98 e Euro 2000, que nostalgia. :heart:

 

 

Somos irmãos? :mrgreen:

 

Eu tb comecei a acompanhar o futebol mundial com mais interesse a partir dos 7 anos em 98 durante esse mundial. Foi de facto espetacular .

 

O futebol de 98 até 2006 :heart: pqp

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Somos irmãos? :mrgreen:

 

Eu tb comecei a acompanhar o futebol mundial com mais interesse a partir dos 7 anos em 98 durante esse mundial. Foi de facto espetacular .

 

O futebol de 98 até 2006 :heart: pqp

 

Duvido que alguem pense o mesmo que eu, mas que em 2006 houve uma clara mudança no futebol.

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8º Episódio - 1947

 

«Pipi» em lua de mel no Botafogo do Rio de Janeiro

 

Em 1947 Rogério recebeu um convite inesperado: o Botafogo do Rio de Janeiro pretendia-o nas suas fileiras. Ofereceram-lhe 40 contos de luvas e um ordenado de 5000 cruzeiros. Pediu o dobro. Os cariocas cederam e ainda se disponibilizaram a pagar 100 contos ao Benfica pela desvinculação. Antecipou em dois meses o seu casamento e a viagem para o Rio foi, assim, também de núpcias. Era a primeira grande transferência do futebol português.

 

No entanto o sonho durou pouco. Ao fim de cinco meses, com a mulher grávida e ensarilhado em problemas com o dr. Heleno - jogador que se empertigava demasiado para o feitio do português - pediu rescisão do seu contrato e regressou a Portugal. A DGD obrigou-o a ficar no Benfica. Ficou.

 

Começara a jogar futebol no Chelas. Peyroteo, seu companheiro de trabalho no Grémio das Carnes, quis levá-lo para o Sporting, os seus dirigentes ofereceram 25 contos pelo passe. O Benfica acabou por ganhar a corrida oferecendo mais um: 16 para o jogador, 10 para o clube.

 

Cedo ganhou fama de jogador elegante, «rapaz da moda, com casacos cintados e colarinhos altos». Por isso lhe chamavam «Pipi». Por isso, e pelo seu jeito de goleador, se tornou figura de proa no Benfica, nos finais dos anos 40. Quando deslumbrava a música dos «violinos»...

 

 

Prisão no Estádio!

 

Em outubro de 1947 o F.C. Porto bateu, espetacularmente, o Valência, campeão de Espanha, no seu próprio terreno. Por 1-0, com golo de Catolino. Grandes figuras da partida foram, contudo, Gastão, Barrigana, Araújo e Ângelo Carvalho, jovem que se impunha na equipa.

 

Curiosa a sua história: o aguerrido médio tinha, então, 11 irmãos vivos. Outros 12 tinham morrido, entretanto. E, em Valência, nesse jogo inesquecível para si, Ângelo Carvalho viveu, para além do prazer de uma grande tarde, incidente insólito: um espetador atirou-lhe uma garrafa à cabeça, ferindo-o ligeiramente. Pegou no projétil, queixou-se ao árbitro, Pedro Escartín, que lhe pediu «desculpa como espanhol» - e, suspendendo o jogo dirigiu-se a um polícia, apontou o espetador, intimando o agente da autoridade: «prenda-o à minha ordem!» E preso ficou.

 

 

O capitão da seleção e o isqueiro

 

Em novembro de 1947 a seleção de futebol de França ganhou pela primeira vez em Portugal. Por 4-2. Portugal esteve a ganhar por 1-0, golo de Peyroteo. Aos 71 minutos ainda havia 2-2, mas os últimos 19 minutos foram dramáticos. Ben Barek foi a grande figura dos gauleses, girando em torno de si toda a máquina que trituraria as ambições lusitanas.

 

Foi um jogo com muita polémica antes da entrada em campo. Peyroteo foi «obrigado» a aceitar a braçadeira de capitão, para que fora escolhido pelo Comité de Seleção. Quando Virgílio Paula lhe anunciou a promoção, disse que não, que os capitães deveriam ser ou Azevedo ou Amaro.

 

Por questões de «política desportiva» ainda hoje por deslindar tal estatuto foi retirado a Amaro que, ele próprio, aconselhou Peyroteo a aceitar a incumbência, «para não se meter em sarilhos». Nunca mais se desfizeram os rumores de que a despromoção de Amaro, capitão do Belenenses, se devera ao facto de, em jogo anterior, em vez de fazer a obrigatória saudação fascista, ter estendido o braço mas fechando discretamente o punho.

 

Como lembrança do jogo com a França, os selecionados receberam um isqueiro.Algum tempo depois, Peyroteo, que o guardava como relíquia, cedeu-o, em brincadeira, a um amigo, à saída do trabalho no Grémio das Carnes, no Rossio, para que acendesse o cigarro. Só com licença se podia utilizar isqueiro na rua, polícia previdente abeirou-se dele e deu-lhe de imediato ordem de prisão, apesar de a chama não se ter feito, apreendendo, também, o «móbil do crime»! Gerou-se uma espécie de levantamento popular, gente solidária com o avançado-centro que, sem perder o sorriso, pediu ao agente enervado que lhe passasse a multa. Passou. De 400 escudos. E nem sequer voltou atrás quando o jogador lhe mostrou que o isqueiro não tinha gasolina.

 

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945

4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946

7º Episódio - 1947

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Somos irmãos? :mrgreen:

 

Eu tb comecei a acompanhar o futebol mundial com mais interesse a partir dos 7 anos em 98 durante esse mundial. Foi de facto espetacular .

 

O futebol de 98 até 2006 :heart: pqp

Se de facto somos irmãos a minha mãe tem que explicar muita coisa... :mrgreen: brincadeira.

 

Também sempre que penso nessa altura é só nostalgia. :') Ainda me lembro do primeiro amigável que vi da selecção. Levaram 3-0 da Inglaterra. O Shearer partiu tudo...

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Citação do jornal "Record" online

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Ronaldo: «Agora é só Messi e Cristiano Ronaldo»
BRASILEIRO ARRISCA COMPARAÇÃO COM O PASSADO


As comparações entre futebolistas de diferente épocas continua na ordem do dia e desta feita é Ronaldo, avançado brasileiro que marcou uma era entre 1996 e 2007, a dizer que existiam mais futebolistas de qualidade no seu tempo, em relação ao que se passa na atualidade, dominada por Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

"Não gosto de dizer, mas na minha altura o nível era melhor. Agora é só Messi e Cristiano eles estão muito longe dos restantes", salientou o antigo avançado que, em Espanha, passou Barcelona e Real Madrid.

Achei relevante. Bate naquele ponto de que há uns anos haviam mais vedetas que agora, onde o melhor ou é CR7 ou Messi.

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Duvido que alguem pense o mesmo que eu, mas que em 2006 houve uma clara mudança no futebol.

 

É claro que o futebol evoluiu , está mais forte, mas como o R9 diz no post acima (do Zacker ), hoje está tudo monopolizado entre o CR7 e o Messi, e depois temos outra coisa que me faz pensar que o futebol se tornou demasiado táctico, rápido e físico, nota-se alguma falta de genuinidade técnica por isso. Não sei bem como explicar isso, mas talvez pelo futebol ser menos rígido nos aspectos que mencionei , a qualidade técnica dos jogadores era mais destacada. Pelo menos, é a minha opinião.

Editado por totch

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Francesco Totti renova com a Roma

Confirma-se a renovação do contrato de Francesco Totti com a Roma. O avançado, que vai cumprir 37 anos na próxima semana, terá 40 quando terminar o seu novo vínculo com o clube que representa desde a temporada 1992/93.

 

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«Quero agradecer ao presidente por me dar a oportunidade de continuar a vestir a camisola que sempre apoiei e amei. Todos esperavam este desfecho, eu e o clube», afirmou, em conferência de imprensa.

Parece que ainda não é desta!

Lenda.

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Para ti Totch

 

Carlos Alhinho e Alexandre Alhinho

 

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Editado por Diogo_CFB

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Para ti Totch

 

Carlos Alhinho e Alexandre Alhinho

 

 

 

:compinchas:

Editado por totch

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9º Episódio - 1948

 

Peyroteo, Reumático e Dentista de Gandhi

 

Impressionante. Para revalidar o título de campeão, o Sporting precisaria, naquele mês de Abril ao rubro, de bater o Benfica, no Campo Grande, por mais de dois golos de diferença. Parecia um dos «doze trabalhos de Hércules». Mas não. O Sporting ganharia por 4-1, no que haveria de ficar celebérrimo, em desafio do... «Pirolito» e de Peyroteo, que cometeu a proeza de apontar os quatro golos dos leões. E, como que por divino capricho, logo após a peleja, o avançado-centro sofreu um ataque de reumatismo que o pôs de baixa alguns dias! Se tivesse sido algumas horas antes...

 

Mas esse foi, também, o Campeonato da honra posta em jogo por um treinador de dignidade intocável: Cândido de Oliveira. Que os próprios dirigentes «leoninos» acusaram, antes do dramático desafio, de pretender favorecer o Benfica (que era, assumidamente, o seu clube de coração, ajudando a fundá-lo, lá jogando, fulgurando) delineando tática suicida. Na véspera, quando os diretores lhe insinuaram isso, Cândido virou-lhes as costas, prometendo surdamente, a vingança em lugar certo. Nesse dia recusou-se até a palestrar com os jogadores, que estranharam vê-lo assim, sorumbático. Estava de orgulho ferido.

 

O silêncio frio da vingança

 

Não foram de especial animação os últimos minutos antes da subida ao campo. Intrigantemente sibilino, só pediu aos pupilos que fossem eles próprios. Foram. A sua estratégia resultara na perfeição. O Sporting averbava, assim, mais um título de campeão, outorgando-se também, da monumental Taça de «O Século». E gelando a euforia dos festejos nos balneários, disse apenas que se demitira. Todos pensaram que era mais uma das suas deliciosas «blagues». Costumava dizer-lhes, entre muitas outras coisas, que fora dentista de Gandhi, que caçara elefantes brancos na Índia, que... que... que...

 

As lágrimas que demoveram Cândido de Oliveira

 

Mas, naquela vez, era verdade. Acabaria por voltar atrás, passados alguns dias, simplesmente porque o dirigente que insinuara o conluio com o Benfica, lavado em lágrimas, lhe foi pedir que reconsiderasse que ele já se demitira. Cândido de Oliveira, que se encontrava no Diário Popular a ultimar mais uma edição de A Bola, sensibilizou-se e sussurrou apenas: «Tocou-me fundo a sua atitude, por isso só continuo treinador do Sporting, se continuar dirigente.» Continuaram ambos.

 

E o Sporting continuou a ganhar, com os mais belos acordes da sinfonia que Mestre Cândido criara, na magia dos cinco «violinos» de ouro...

 

 

A Sinfonia de Cinco Violinos

 

Do Sporting de então se dizia que era equipa que valia uma seleção e onde existia, se afirmava e brilhava fulgurante um quinteto que era jóia da melhor água, em qualquer parte, aquém ou além fronteiras. Eram os «cinco violinos», designação criada pelo jornalista Tavares da Silva para a linha avançada que o Sporting formou no anos 40, constituída por Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano, querendo assim significar a sua admiração pela forma harmoniosa como jogavam entre si e para os êxitos que alcançavam.

 

Os «bombos» e os «violinos»

 

Mas esse Sporting de ouro era uma mescla de jogadores com aptidões diferenciadas. Nenhuma equipa grande pode ter apenas «violinos», havia, também, os «bombos». Ao lado do hábil Canário jogava um vigoroso Veríssimo e, até mesmo, entre o quinteto da frente, o trunfo maior de Peyroteo era a sua força física e o poder de remate, tal como Jesus Correia tinha aquelas condições atléticas excecionais que fizeram dele, também, um famoso internacional de hóquei em patins.

 

E apesar da harmonia deliciosa dos «violinos», músicas diferentes faziam. Aliás, talvez da diferença de estilos nascesse o fascínio da harmonia. Enquanto Travassos era um jogador tipo operário, sempre com uma alta média de exibições, Vasques era extremamente irregular, alternando os dias de inspiração com outros de apatia e até dentro do mesmo jogo, alternando os «raids» de génio com longos períodos em que não estava lá. Albano era mais deste tipo irregular, mas todo um artista irreverente, criador de lances imprevistos, com alguma acrobacia à mistura, se fosse caso disso. Ao contrário de Vasques, que era um clássico na maneira de jogar, no estilo, na arte. Foi por isso que Tavares da Silva lhe chamou, depois de «Galgo de Raça», «Malhoa», que era mais o seu estilo...

 

 

Macaca Comprada para Sporting Perder

 

Foi no seu período de maior fulgor que o Sporting passou pelos cruciantes dissabores em jogos com o F.C. Porto. Por exemplo, em 1948, quando os «violinos» transformavam, magicamente, os seus acordes em muitos golos, os portistas bateram-nos, no Estádio do Lima, por 4-1. De novo ganhariam no ano seguinte. E assim sucessivamente até que...

 

A equipa leonina sempre que se deslocava ao Porto estagiava em Oliveira de Azeméis, onde existia uma macaca que era o seu amuleto. Os jogadores adoravam-na. A ela se começaram a ligar, supersticiosamente, as leoninas façanhas.

 

E um dia o Sporting chegou a Oliveira de Azeméis e viu que a macaca da felicidade havia desaparecido. Um conhecido portista, Sebastião Ferreira Mendes, sabendo dos seus estranhos atributos decidira, num golpe audacioso, comprar a macaca. Pelo menos poderia ficar de consciência mais tranquila. O Sporting, se vencesse, não venceria pelo empenho daquele exótico «décimo segundo jogador». E ciosa e secretamente a guardou.

 

O Sporting começou, então, a vacilar, nas suas digressões ao Porto. E a macaca não saía da memória dos seus jogadores, técnicos e dirigentes que, inclusivamente, deixaram de estagiar em Azeméis.

 

Mas ao fim de algum tempo e de outros tantos insucessos, o Sporting voltou a ganhar. Precisamente num jogo marcado por uma série de contratempos dos portuenses, com jogadores magoados e uma arbitragem muito infeliz. Bizarro (ou talvez não): nesse dia se finou a macaca! E um afilhado de Sebastião Ferreira Mendes, sportinguista devoto, quebrando o segredo do padrinho, denunciou a compra do místico animal, sem que, no entanto, desconcertasse quem quis ouvi-lo, garantindo que a vitória do Sporting fora obra do Além: «A macaca morreu e lá do outro mundo, ela que se recordou dos primeiros amores, não deixou de pedir pelo Sporting. Foi ela que fez o milagre»...

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945

4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946

7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947

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Epá, estas histórias do Desc são engraçadas.

 

Um feedback sabe sempre bem. Pelo menos indica que há quem lê...;)

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Tenho lido todos os dias também Descartes. São todas histórias interessantes, mas a história do jogo contra os marinheiros é a melhor. Charles Canuto :lol: :prayer:

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10º Episódio - 1949

 

Sport Lisboa e... Araújo

 

O F.C. Porto não era ainda o clube dos insaciáveis dragões das línguas de fogo. As frustrações sucediam-se, cristalizado estava o complexo de inferioridade e a presunção cada vez mais dolorosa de que, em Lisboa, por ardis vários, se teciam manobras para o desfavorecer e apequenar. De queixas dos árbitros se fazia quase só o rosário das suas lamentações. Mas, ano a ano, renascia a esperança de...

 

No arranque para a época de 1948/49, o F.C. Porto contratou Scopelli, entretanto despedido do Belenenses, na ilusão de que pudesse ser ele o feiticeiro por que se esperava, sebastianicamente, havia muito. Mas não. De ventos aziagos se fez a época, outra vez.

 

Principal contratempo: a misteriosa doença que atacou Araújo, o único jogador do F.C. Porto com lugar mais ou menos cativo na seleção nacional que, por isso mesmo, com ácida ironia se chegava a chamar Sport Lisboa e... Araújo.

 

Fora um padre, Marcelino da Conceição, quem o descobrira para o futebol, em Paredes, onde trabalhava como funcionário da Câmara Municipal. Quando Portugal venceu pela primeira vez a Espanha, Araújo foi recebido, na terra, com bandas de música, foguetes e sessão de boas vindas, que os heróis tinham de tratar-se assim.

 

«Problema de rins» era na garganta

 

Ensarilhado em problemas, consultado por vários médicos, não entrevia melhoras, antes pelo contrário. Afagava mágoas, dedicando-se à columbofilia. E os portistas suspiravam por ele. Entretanto, o Centro de Medicina traçou-lhe, implacável, o destino: «Para o futebol, é caso liquidado». Sem mais.

 

Por um feliz acaso do destino, um médico portuense, José Fernandes, descobriu-lhe a origem da mazela. «A grande lesão que eu tinha nos rins, não era nos rins, era na garganta. Era uma lesão crónica que me fazia engolir continuamente o pus que dela dimanava. E era esse maldito pus que me provocava o sofrimento nos rins, no qual os médicos do Centro de Medicina encontraram o motivo para a minha justa reprovação».

 

 

130 Quilos de Prata no Orgulho Portista

 

Na década de 40 multiplicaram-se os desafios particulares entre clubes por toda a Europa. Portugal não foi exceção. Eram as sementes das Competições Europeias oficiais sob a égide da UEFA que se iniciaram em meados da década de 50, com prelúdio dado pela Taça Latina que surgiu em 49.

 

Das inúmeras contendas destacam-se, em 1945, a vitória do Sporting sobre o Atlético Aviacion (que se viria a designar, mais tarde, por Atlético de Madrid) por 3-1 com golos de Jesus Correia (2) e Peyroteo; o empate do Belenenses por 2-2 em Madrid, frente ao Real, em jogo de despedida de Alonso; em 1946, a vitória do Benfica sobre o Charlton; em 1947, a vitória do Sporting sobre o Vasco da Gama por 3-2, golos de Jesus Correia (2) e Peyroteo; o empate por 4-4 do Sporting com o Atlético de Bilbau para a inauguração do Estádio José de Alvalade, que chegou a estar em 4-0 com golos de Peyroteo (2), Jesus Correia e Albano; a vitória do F.C. Porto por 1-0 com o Valência, golo de Catolino; a derrota do Belenenses por 3-1 com o Real Madrid na inauguração do Estádio de Chamartin; em 1948, a derrota do Benfica por 3-0, no Estádio Nacional, com o Glasgow Rangers; as goleadas do Sporting ao Lille (8-2), Atlético de Madrid (6-3, com os seis golos apontados por Jesus Correia) e Norrkoping (8-2); a dupla jornada do Benfica com o Real Madrid, 1-1 em Lisboa e 5-0 para os espanhóis em Madrid; a derrota do Benfica com o Arsenal por 4-0 e a vitória do F.C. Porto sobre o mesmo Arsenal de Londres por 3-2, com golos de Correia Dias (2) e Araújo.

 

Em 1949, para além de uma «vitória meio histórica» sobre o Sporting, o único momento de fervente orgulho dos portistas registou-se no dia em que se colocara na sede o «maior troféu do Mundo». Foi por ocasião da comemoração do aniversário da vitória sobre o Arsenal, então considerada a melhor equipa mundial. Feito que não poderia pois, ficar marcado, nos anais, por meros caracteres. Era preciso prata que o perpetuasse.

 

Assim, um grupo de adeptos do F.C. Porto atirou-se à ideia de subscrição pública para compra de um troféu condigno. Fez-se a Taça do Arsenal, constituída por duas peças monumentais.

 

200 contos por um troféu que pesa 250 quilos

 

Uma, o relicário, pesando 120 quilos, rematado com um grupo escultório constituído por uma figura de atleta, de joelho em terra, dominando um leão, que tem uma bola junto dele. Na mão direita o atleta ergue um facho, no espaço. Na mão esquerda segura a bandeira do F.C. Porto. O relicário tem 2,80 metros de altura e é uma espécie de caixa assente em quatro dragões de prata, com quatro portas de cristal. Dentro dele, o troféu, construído totalmente em prata e constituído por três figuras esculturais de mulher, erguendo-se nas pontas dos pés, segurando a taça, circundada por três dragões dominados por três atletas que procuram alcançá-la para beberem dela o vinho da vitória.

 

Na sua construção gastaram-se 130 quilos de prata e, todo o conjunto, pesando mais de 250 quilos, custou, em 1949, 200 contos!

 

 

Episódios Anteriores:

 

1º Episódio - 1945 / 2º Episódio - 1945 / 3º Episódio - 1945

4º Episódio - 1946 / 5º Episódio - 1946 / 6º Episódio - 1946

7º Episódio - 1947 / 8º Episódio - 1947

9º Episódio - 1948

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Grandes histórias mesmo! Brutal!

 

Embora não seja de futebol nacional, gostava de deixar aqui umas histórias que espelham a realidade no futebol Russo depois da queda da União Soviética e que traduzi não faz muito tempo:

 

 

Vyacheslav Melnikov (ex jogador do Zenit)

“Em 1992 fomos a França para um estágio. O Zenit estava a preparar-se para a Primeira Liga e fomos enviados para Le Havre, que é uma cidade irmã de São Petersburgo. Num encontro com a direção do clube local ficamos interessados em saber quanto ganhavam os jogadores e staff do clube. Mais do que isso, queríamos ver a sua reação quando disséssemos o nosso ordenado. Lembro-me do valor como se fosse ontem. Eram 100-150 dólares por mês. Os franceses pensavam que era engano do intérprete.

Os nossos salários eram suficientes para sobreviver à fome. De todos os jogadores apenas um tinha carro. E além do carro para o treinador o clube só tinha mais um carro. Um Volga que era usado pela direção.

Houve uma vez que recebemos o equivalente ao nosso ordenado em chuteiras. Um acordo foi feito em Smolny em como uma firma de nome Lenvest nos ia ajudar. Em contrapartida eu tinha de ir visitar a fábrica. O que pode um treinador fazer mais? Tentei fazer um acordo para que fossem oferecidos mais uns pares de botas para o clube. Era quase como se eu fosse um vendedor dessas botas.

Andar pela cidade era assustador. Muitas vezes fomos ameaçados com intenções de resultados combinados. Nunca ninguém veio ter connosco, mas ao telefone eram constantes as ameaças. Obviamente que nenhum dos representantes das várias equipas veio a público confessar isto. Os nossos salários eram pagos em dólares mas não era fácil trocar moeda estrangeira na cidade. Podíamos ser enganados ou simplesmente roubados. Lembro-me de vários casos desses."

 

Vyacheslav Melnikov

“Em 1994 tínhamos um jogo em Vladivostok mas o director geral do clube disse que não havia dinheiro. Foi mesmo em cima da hora que conseguimos os bilhetes de avião. Se faltássemos ao jogo tínhamos sido eliminados da prova. Assim sendo conseguimos realizar o jogo mas havia um problema: Como voltar para São Petersburgo?

Os voos de Vladivostok para São Petersburgo (9500 kms) realizavam-se apenas duas vezes por semana. Não queríamos ficar mais dois dias no hotel, pois isso era um enorme custo extra. Descobrimos que havia um voo mais barato de Khabarovsk. Mal o jogo acabou apanhamos um comboio mas este chegou a Khabarovsk no momento em que o avião já estava a partir, pelo que perdemos o voo.

Sentados no aeroporto, viemos a saber que o próximo voo para São Petersburgo era dali a dois dias e que os bilhetes tinham de ser comprados com 2 meses de antecedência. Do nada um homem com a barba por fazer veio ter connosco se queríamos voar para Moscovo. Ele era o primeiro comandante de um avião que tinha acabado de trazer militares para Khabarovsk. Em vez de viajar sozinho de volta para Moscovo, ele decidiu levar alguns passageiros e fazer algum dinheiro.

Juntamo-nos todos e começamos a contar quanto dinheiro tínhamos. Além das pessoas que tinham vindo connosco de São Petersburgo ainda se tinha juntado a nós um homem chamado Alexander Averyanov, que era filho de um treinador famoso na altura e que tinha sido recentemente comprado pelo Ocean Football Club. Ele tinha a mulher e uma criança com ele e duas malas cheias de coisas, mais uma TV e outros pertences. Juntamos todo o dinheiro que ele também tinha e lá conseguimos o valor necessário, cerca de 2000 dólares.

Eles meteram-nos numa carrinha e levaram-nos até ao aeroporto militar onde apanhamos o avião. Quando chegamos descobrimos que nem sequer estávamos a voar mesmo para Moscovo, mas para Klin, que fica no distrito de Moscovo. Fomos então para Klin onde apanhamos um comboio para Tver. Com o ultimo dinheiro ainda compramos pão e salsichas. Estávamos então na plataforma à espera do comboio e o Boris Rappoport fazia as sanduiches e dava aos jogadores. Depois de dois dias de viagem lá chegamos a São Petersburgo, cheios de fome, sujos e com frio. E só aí percebemos que não tínhamos avisado ninguém sobre o voo perdido em Khabarovsk. Durante todos esses dias houve gente à nossa procura, já que o avião tinha aterrado em São Petersburgo mas nós não estávamos lá!”

 

Mikhail Grishin (médico no Zenit)

Esta história aconteceu em Nakhodka. O Yuri Gusakov bateu à minha porta durante a noite e disse-me que um dos nossos jogadores tinha sido atacado. Peguei na minha mala, calcei os sapatos e corri para o andar onde estavam os nossos jogadores. Aí vi um dos nossos jogadores vindo em direcção a mim todo ensanguentado e dizendo que se tinha envolvido numa rixa, pedindo-me para dizer à sua esposa o homem corajoso que ele era, pois tinha-se defendido de um ataque de 5 homens! Coloquei-o numa mesa, desinfectei as feridas na perna, ele levou os pontos e acabou depois por adormecer.

A história verdadeira tinha sido que ele tinha andado a passear à noite com uma garrafa de champanhe e deu um pontapé num jipe que estava a passar. Os passageiros saíram do carro e empurraram-no para o chão, sendo que ele se cortou na garrafa.

No dia seguinte tentamos esconder isto do treinador e colocamo-lo nos últimos lugares do autocarro. No entanto o treinador rapidamente descobriu tudo pois na noite anterior ele escreveu o seu nome na entrada do hotel com o seu próprio sangue!

Com este mesmo jogador tive uma história em que eu e o meu colega Misha Stepanov oferecemos-lhe para dar boleia para casa no retorno de um jogo fora. Perguntamos-lhe onde ele vivia mas ele não se lembrava da morada. Coloquei-o num canto junto a uma loja e começamos a perguntar às pessoas que iam passando na esperança que alguém o conhecesse. Distanciamo-nos um pouco e quando voltamos ele tinha desaparecido! Ele foi depois encontrado a dormir no seu apartamento. Provavelmente a sua mente ligou o piloto automático e levou-o em direcção a casa!

Editado por viela

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