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Tópico da Política, Ambiente e Economia

Publicações recomendadas

Citação de andriy pereplyotkin, há 13 minutos:

Mas repara, nada disso é relevante porque, e como já disse, o que falha é a estratégia. Ele até pode ser isto, mas achas que ganhou agora coluna vertebral e não quer mentir? Pesou-lhe a consciência? Ou que achou que este era o caminho?

Ainda agora deram o exemplo do Costa, que se apresentou como o homem que ia levar o PS de novo para a esquerda e depois orquestrou as cativações com o Centeno e roubou as "contas certas" ao PSD.

Muito sinceramente não sei o que lhe vai na cabeça, logo para começar nem me parece que ele estivesse com muita vontade de estar nesta posição nesta altura do campeonato. A partir daqui o que lhe critico, mais do que a inabilidade oratória e postura pouco carismática, é a ausência de uma mensagem de esperança, isto não tem a ver com ser de esquerda nem de direita, mas não há uma palavra que saia daquela boca que deixe alguém a pensar que se calhar as coisas vão melhorar.

Agora o que sei é que ele parvo não é, por isso sabe muito que não ganha estas eleições e tendo em conta que a estratégia também não me parece que seja uma estratégia ganhadora pelos vistos o plano é mesmo este, não aquecer nem arrefecer e fazer disto uma maratona.

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Eu acredito que as PPP são a solução para o país. Mas no sentido em que o privado paga o prejuízo e o público recolhe o lucro. Será que dá? Ou é considerado dumping? 

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O Rui Rocha que vá com esta conversa para o debate de amanhã que vai correr-lhe bem. O Raimundo refere que o problema é mão de obra e não consegue retirar a conclusão óbvia do raciocínio que o Rui Rocha estava a propor como solução em relação a esse problema.

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Citação de whatever, há 5 minutos:

Muito sinceramente não sei o que lhe vai na cabeça, logo para começar nem me parece que ele estivesse com muita vontade de estar nesta posição nesta altura do campeonato. A partir daqui o que lhe critico, mais do que a inabilidade oratória e postura pouco carismática, é a ausência de uma mensagem de esperança, isto não tem a ver com ser de esquerda nem de direita, mas não há uma palavra que saia daquela boca que deixe alguém a pensar que se calhar as coisas vão melhorar.

Agora o que sei é que ele parvo não é, por isso sabe muito que não ganha estas eleições e tendo em conta que a estratégia também não me parece que seja uma estratégia ganhadora pelos vistos o plano é mesmo este, não aquecer nem arrefecer e fazer disto uma maratona.

Acho mais que não tem mãos para aquilo e que agora que deixou de ser poster boy e passou a ser o chefe, está assoberbado.

Quando à mensagem de esperança, era o que dizia. A malta gostava de ouvir enquanto havia algo concreto, diferente e que vendia um país melhor (fosse ou não honesto ou concretizável). Este saco de pancada que tem ali andado é tudo menos isso.

Se é uma estratégia maratonista? Talvez... mas nesse caso, ele é capaz é de ser a lebre.

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Citação de Descartes, há 26 minutos:

Momento alto do debate PNS-AV:

Ventura: Não me interrompa, que eu assim não consigo...

Diz quem passa o tempo a interromper não deixando o adversário articular uma frase.

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O PNS parecia-me que não estava com paciência nenhuma para ali estar e parecia muito cansado. 

Mas não achei o debate mau. Ajudou ter a Sara Pinto ( ❤️❤️❤️❤️❤️) como moderadora que os vai deixando falar 

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Citação de whatever, há 15 minutos:

Muito sinceramente não sei o que lhe vai na cabeça, logo para começar nem me parece que ele estivesse com muita vontade de estar nesta posição nesta altura do campeonato. A partir daqui o que lhe critico, mais do que a inabilidade oratória e postura pouco carismática, é a ausência de uma mensagem de esperança, isto não tem a ver com ser de esquerda nem de direita, mas não há uma palavra que saia daquela boca que deixe alguém a pensar que se calhar as coisas vão melhorar.

Agora o que sei é que ele parvo não é, por isso sabe muito que não ganha estas eleições e tendo em conta que a estratégia também não me parece que seja uma estratégia ganhadora pelos vistos o plano é mesmo este, não aquecer nem arrefecer e fazer disto uma maratona.

 

Citação de andriy pereplyotkin, há 3 minutos:

Acho mais que não tem mãos para aquilo e que agora que deixou de ser poster boy e passou a ser o chefe, está assoberbado.

Quando à mensagem de esperança, era o que dizia. A malta gostava de ouvir enquanto havia algo concreto, diferente e que vendia um país melhor (fosse ou não honesto ou concretizável). Este saco de pancada que tem ali andado é tudo menos isso.

Se é uma estratégia maratonista? Talvez... mas nesse caso, ele é capaz é de ser a lebre.

Deixem-me meter a minha colherada.

O problema que identifico no PNS é a falta de traquejo em termos de exposição mediática. Ele pode ser excelente a manobrar nos bastidores e no funcionamento interno do aparelho partidário mas falta-lhe o mediatismo público. O cidadão comum tem uma ideia sobre aquilo que dizem que ele é mas nunca teve verdadeiramente a oportunidade de o ver na prática. Dizem que foi ele o arquiteto da Geringonça o que lhe deu a marca de liderar a franja mais radical do PS mas isso é bastidores. Foi ministro das infraestruturas mas o Centeno e o Medina fecharam a torneira ao investimento público para manter as contas certas e ele não teve oportunidade de implementar grandes obras, apenas de as anunciar e consecutivamente adiar. A bem da verdade ninguém sabia muito bem o que ele vale. Queria preparar-se para o efeito mantendo um espaço de comentário na SIC mas a queda do Governo trocou-lhe as voltas.

Ao contrário dos seus antecessores - Sócrates com a exposição monstruosa que teve com o Euro 2004, com a aposta nas energias renováveis e outros projetos de grande impacto como a despoluição do Tejo enquanto membro proeminente dos Governos do Guterres; Costa como braço direito do Sócrates liderando as pastas da justiça e da administração interna e, principalmente, como Presidente da Câmara de Lisboa; até Passos Coelho liderando a oposição ativa aos Governos de Sócrates - PNS era apenas uma ideia que as pessoas faziam dele. Que por agora saiu furada.

A sorte dele é que o seu principal adversário era igualmente um mistério. Mas para esse as expetativas eram mais baixas, pelo que agora tem surpreendido pela positiva.

  • Concordo! 2

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Citação de andriy pereplyotkin, há 28 minutos:

Acho mais que não tem mãos para aquilo e que agora que deixou de ser poster boy e passou a ser o chefe, está assoberbado.

Quando à mensagem de esperança, era o que dizia. A malta gostava de ouvir enquanto havia algo concreto, diferente e que vendia um país melhor (fosse ou não honesto ou concretizável). Este saco de pancada que tem ali andado é tudo menos isso.

Se é uma estratégia maratonista? Talvez... mas nesse caso, ele é capaz é de ser a lebre.

Mas não é isso que os cheerleaders desapontados estão a sugerir entrelinhas, que isto é tudo uma orquestração do LPM patrocinada pelos Costistas?

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Que Pedro Nuno Santos dispa o casaco de moderado e volte a ser o radical que o eleitorado tanto gosta:

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Citação de HappyKing, há 1 hora:

não consegue retirar a conclusão óbvia do raciocínio que o Rui Rocha estava a propor como solução em relação a esse problema.

 

Tive que ler isto três vezes, já estou na hora de ir dormir

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Citação de joe, há 10 minutos:

 

Tive que ler isto três vezes, já estou na hora de ir dormir

Foi, claramente, má escrita minha ali. As minhas desculpas, não me apercebi que tinha ficado tão mal escrito. Vou tentar explicar.

O que queria dizer era:

O Rui Rocha defendeu a utilização do setor privado para dar resposta aos problemas da saúde. 

O Paulo Raimundo defendeu que o SNS tinha um problema estrutural de falta de mão de obra. Mas não conseguiu explicar as consequências, adversas, do que o Rui Rocha propôs face a esse problema estrutural que referiu. Não conseguiu fazer a ponte entre as duas coisas no fundo, que era algo relativamente simples naquele caso. 

Editado por HappyKing

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Debates entre CDU e IL é como aquele meme de as mulheres serem de Vénus e os homens de Marte, dois candidatos que quando questionados com a mesma pergunta têm duas respostas tão distantes que parecem estar a falar línguas diferentes.

Percebe-se que ambos os candidatos sabem que como não vão roubar votos um ou outro não se importam de entrar num campo mais ideológico e que até torna o debate mais interessante.

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Ter um taberneiro como o Montenegro como PM 🥴

O Ventura foi incapaz de dizer que garantia foi aquela que se houver maioria direita ele tinha uma garantia de 99% que haveria governo com ou sem Montenegro, pena que o eleitor médio do chunga goste de ser enganado 

De resto o PNS deveria ter levado o debate mais para a parte econômica e fazer tal como o Montenegro que o programa do chega seria a garantia de trazer a troika daqui a 4 anos. Mas la está o PS tem telhados de vidro que o obrigam a não entrar por muitos caminhos e fica mais difícil para ele que para a Mariana ou Montenegro. O facho é um politico execrável.

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mw-640

Spoiler

David Dinis

Rui Tavares — 6

Inês de Sousa Real — 6

Dois líderes dispostos a negociar não têm de concordar em tudo. O primeiro debate de hoje mostrou isso, com razoável amostragem de diferenças (em propostas e atitudes).

Rui Tavares tem razão: “Estas pessoas [os arguidos da Madeira] não deviam ter estado privados da liberdade” e o “topo da hierarquia deve dar a cara”. Também mostrou prudência ao separar os investimentos do hidrogénio e Data Center dos processos em investigação.

Ainda assim, se Tavares não poupou o PAN pelo apoio ao Governo da Madeira (ligando o tema à agenda ambiental e animal do partido), Sousa Real contra-argumentou bem que o desafio nas democracias é sentarmo-nos com quem não concordamos, à procura de equilíbrios.

O debate sobre impostos foi, esse, mais equilibrado. Assim como foi igual a tentativa de valorizar os ganhos, de parte a parte.

Cristina Figueiredo

Rui Tavares - 6

Inês Sousa Real - 7

Um bom debate para quem esteja efetivamente interessado em conhecer o que distingue Livre e PAN nas propostas que oferecem a um eleitorado - que ambos disputam - preocupado com a ecologia e o ambiente. Rui Tavares e Inês Sousa Real, concorde-se ou discorde-se, são convictos na defesa das suas ideias e fazem-no com sustentação, não apenas com retórica, e isso já é uma vantagem sobre outros protagonistas destes debates.

Se dou (ligeira) vantagem à líder do PAN é apenas porque desmontou bem a acusação de incoerência que o coordenador do Livre lhe dirigiu pelo facto de o PAN apoiar na Madeira um Governo que considerou responsável por atentados urbanísticos e massacres de animais: é fácil sentarmo-nos à mesa com quem concorda connosco, difícil é conseguir impor as nossas causas a quem discorda de nós, respondeu-lhe Sousa Real.

Quando a questão é mesmo, como reconheceu Tavares no fim (elencando a short list de conquistas do Livre nesta legislatura e insistindo na ideia, já avançada no debate de ontem frente ao PCP, de que “o voto no PS nem para implementar as ideias do PS serve” ), para que serve um voto nestes partidos, talvez este debate tenha ajudado a esclarecer.

Ricardo Costa

Rui Tavares - 5

Inês Sousa Real - 2

A luta pelo debate mais demagógico da pátria está acesa. Quando se pensava que Ventura e Mortágua tinham a medalha de ouro, eis que um misto de sonsice, ecologia “posh” (o lítio dos outros é que é bom, o nosso que fique enterrado, defende Tavares) e de demagogia ludita (pára tudo, não se construa mais nada, abracemos os sobreiros, afirma Inês) conseguiram ultrapassar o duo da véspera.

Se isto já era mau, esperem pelos eu eles disseram após a decisão sobre as medidas de coação do casos e alegada corrupção na madeira. Em rigor, nada. Caíram dois governos, demitiu-se um presidente de câmara e dois políticos entram num estúdio com medo da sombra.

Tavares, apesar de tudo, conseguiu dizer coisas mais construtivas. Inês Sousa Real perdeu-se enquanto procurava um sobreiro no código penal.

Liliana Valente

Rui Tavares — 6

Inês de Sousa Real — 4

Dois partidos ecologistas, mas com diferenças e essas foram bem esgrimidas quer por Rui Tavares, quer por Inês Sousa Real. Um debate que teve alguns picos de discórdia, em que os dois se esforçaram por mostrar as diferenças e as incoerências do outro lado. Não foi uma entrevista à vez, mas uma troca de argumentos com elevação. Rui Tavares tentou aproveitar o apoio do PAN ao governo do PSD na Madeira para mostrar incoerências no posicionamento do partido de Inês Sousa Real, e a distanciar-se ao dizer que com o Livre “não há surpresas”.

Sousa Real tentou pelo seu lado aproveitar o posicionamento do Livre sobre a exploração de hidrogénio e lítio ou também sobre o DataCenter de Sines, para ganhar pontos no campo do voto pela ecologia. Disse Inês Sousa Real que todos os projetos devem parar, atirando à posição do Livre. Tavares respondeu que é preciso fazer uma reavaliação sempre que há dúvidas , mas que não defende que se parem os projetos em andamento e que é preciso ter em atenção a questão da economia.

Ambos falaram sobre as questões da justiça, contudo, Rui Tavares foi mais claro a considerar inaceitável a detenção de várias pessoas durante 21 dias e a pedir esclarecimentos à PGR.

Ambos tentaram livrar-se do apelo ao voto útil que Pedro Nuno Santos tem feito quando sabem que essa estratégia só agora começou.

Sebastião Bugalho

Rui Tavares - 8

Sousa Real - 6

No debate mais próximo de regressar à forma de 2022, Rui Tavares teve uma excelente prestação diante daquela que mais disputa o seu espaço: o de ecologista e o de possível parceiro parlamentar do PS.

Sobre a Justiça, reconhecendo a crise de regime transversal que representa, o deputado do Livre sobressaiu, com Inês Sousa Real a falar de falta de tradutores e Tavares a responder com reformas.

Sobre a transição verde, uma área em que Sousa Real tinha obrigação de estar por cima, Tavares apresentou uma visão estruturada e a deputada do PAN resumiu a sua ecologia a uma perspetiva estranhamente justicialista.

Onde a animalista recuperou o pé foi na enumeração das suas propostas para acudir ao aumento dos custos do crédito à Habitação, conseguindo sair de cabeça levantada dos estúdios da RTP.

Miguel Cadete

Rui Tavares - 5

Inês Sousa Real - 6

Inês Sousa Real e Rui Tavares já demonstraram ser dois garbosos defensores das suas ideias neste modelo de debates televisivos. Hoje procuraram afastar a pressão provocada pelo apelo ao voto útil lançado por Pedro Nuno Santos e para isso exibiram estratégias diversas. Ambos podem, a esse respeito, ter a sua representação parlamentar (um único deputado na última legislatura) em risco.

Inês Sousa Real terá sido mais clara não só não medidas que apresentou mas também no seu posicionamento: "Um voto no PS ou no PSD não muda nada". Rui Tavares repetiu a pertinência do Livre perante a "chantagem do voto útil" pois "se até para implementar as ideias do PS o PS não é capaz". Mas adiantou que, em caso de maioria de direita, estaria firme na oposição.

Por isso as referências ao "pecado" da coligação do PAN com o PSD da Madeira foram apontadas frequentemente, tendo o PAN retorquido com o não acompanhamento por parte do Livre da sua proposta de revisão extraordinária para a criminalização dos maus tratos animais.


Se a sensatez esteve do lado de Tavares, o efeito de Sousa Real, sempre mais histriónica mas desta vez sem seguir na peugada dos debates à maneira de Ventura, são por venturas mais eficazes junto do grande público preocupado com os direitos dos animais. O destino dos seus partidos, que conheceremos a 10 de março, não retira relevância dos temas que defendem mas esse estará dependente dos resultados que os apelos ao voto útil do PS, e mais dia menos dia, do PSD tiverem junto do eleitorado.

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mw-640

Spoiler

Ricardo Costa

André Ventura – 7
Pedro Nuno Santos – 5

Já se pode dizer com alguma segurança que Pedro Nuno Santos não é bom a debater. Vamos ver se é bom no resto da campanha e se consegue apelar ao voto dos 2 milhões e 300 mil eleitores que votaram PS em 2022. Hoje não fez muito por isso: a espantosa decisão das medidas de coação da Madeira estendeu-lhe um tapete vermelho para poder apelar a esses eleitores, recordando que a legislatura foi interrompida por um parágrafo de um caso que outro juiz de instrução destruiu publicamente. Caíram dois governos e um Presidente de Câmara em nome do quê? Até o Chat GPT lhe dizia como capitalizar com isso. É óbvio que esse argumento encerrava riscos – sabemos bem que o Ministério Público entende qualquer crítica como um ataque -, mas as encolhas e a tibieza com que o secretário-geral do PS encarou o tema revelam alguém que não tem uma ideia particular sobre como ganhar esta eleição.

O líder do PS esteve fraco na parte da saúde, bem melhor na habitação e muito mais seguro na parte fiscal, área onde André Ventura mostra a cada dia que passa que não faz a mínima ideia do que é uma conta, falando de milhares de milhões como quem despacha um prato de tremoços. O problema – para o PS – é que André Ventura não passa o debate inteiro a falar de milhões. O líder do Chega controlou a maior parte do debate, passeou olimpicamente na Justiça e conseguiu mostrar a iniquidade da proposta (?) que alguma alma do PS se lembrou de aplicar aos médicos que fazem a especialidade do SNS. No resto, espalhou demagogia e frases feitas, o costume. Não terá perdido um voto.

Não é fácil a nenhum governante – presente ou futuro – debater com André Ventura. Mas a opção de fugir ao ponto chave do dia – é natural que os portugueses se espantem por dois governos terem caído por ações claramente impreparadas do MP – selou o destino de Pedro Nuno Santos. Se nem o PS é capaz de defender o governo e legislatura interrompida, quem será?

Vitor Matos

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 5

Pedro Nuno Santos ganhou ao sprint no fim do debate, num dos frente-a-frente onde André Ventura teve uma das suas melhores prestações. Se Ventura esteve bem no diagnóstico da Justiça e na Saúde, dizendo não o que as pessoas querem ouvir, mas sobretudo o que as pessoas percecionam quanto às decisões dos tribunais, morosidade e manobras dilatórias, ou no caso dos problemas dos hospitais, Pedro Nuno Santos teve de ir desmontando os argumentos mais simples de Ventura com ideias complexas. Não foi fácil.

No final, Pedro Nuno Santos conseguiu ganhar com o mais fácil: descredibilizar as propostas fiscais e de despesa do Chega. E marcou pontos ao dizer que é preciso “coragem” para apresentar propostas “realizáveis” e que é “cobardia” levar um programa impossível de concretizar, que engana os eleitores. O problema é saber em quem os eleitores ainda acreditam.

David Dinis

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 4

André Ventura entrou a jogar em casa: um debate entre Chega e PS que começa com corrupção é chão seguro que o candidato populista cavalgou com eficácia discursiva: falou de Sócrates duas vezes, exigiu uma reforma, atirou contra o “Melhoral” do PS, que não faz bem nem faz mal.

Claro que as soluções de Ventura são ou um perigo para o Estado de Direito, ou zero de novo para a legislação em vigor. Ou apenas contraditárias em si: lá está, Ventura também usou o recurso das sentenças que quer limitar a outros.

Mas a corrupção, como a Saúde, foram úteis para um discurso populista que Ventura sabe ser fértil em descontentamento popular. Por muito que Pedro Nuno tentasse desmontar os argumentos ou apontar-lhe contradições, o eleitorado mais à direita acabaria sempre representado. Foi o pior momento do candidato socialista.

O jogo virou a meio tempo: quando o debate vira para os impostos, Pedro Nuno Santos foi bastante mais eficaz a desmontar as falácias populistas, em expor as contas miríficas do Chega: propostas de milhares de milhões, despesas permanentes, coisas que se dizem para enganar. Pois são.

E o mesmo aconteceu quando mostrou os protestos de polícias, professores, agricultores contra o último Governo do PSD, onde estava Ventura ainda — sem nada dizer contra Passos.

O mais eficaz do socialista, mesmo assim, ficou guardado para o fim: exigir a Ventura que dissesse quem, no PSD, lhe tinha garantido (como ele disse) que estaria no Governo se houvesse maioria de direita. “Se tem tanta coragem, diga lá quem foi”. Não disse, claro que não foi. E o socialista conseguiu, por fim, suspirar de alívio.

Pedro Nuno não poderia ambicionar ganhar votos a Ventura. Mas tinha de mostrar que conseguia ir à luta com ele. Foi difícil, mas passou.

Sebastião Bugalho

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 7

Pedro Nuno Santos demorou 14 minutos a dizer que algo o preocupava, 20 minutos a despertar, 22 a reconhecer que há problemas para resolver e 35 para apresentar uma política pública.

Limitado pelas medidas que apresentou para o SNS, já criticadas no seu próprio partido, o secretário-geral do PS só conseguiu regressar ao debate na discussão das pensões, puxando do legado das contas certas.

Tendo começado bem – com um gesto de solidariedade pessoal para com o seu oponente direto –, Pedro Nuno demorou demasiado tempo a acordar para sair por cima no embate. Na Justiça, foi pedagógico, mas acabou a admitir que os sucessivos recursos de Socrates eram uma prática preocupante.

O protagonista foi André Ventura, numa pele de proto-governante e não de constante protestante, e o seu programa eleitoral. Venceu.

Pedro Nuno defendeu-se pouco, atacou ainda menos e precisou de regressar a 2013 para ripostar sobre os polícias. Visar Ventura pelo que o Governo Passos fez há 11 anos, quando Ventura não existia, é ineficaz. Ventura chamar "frouxo" a um adversário político lamentável.

Quando o secretário-geral do PS finalmente ia lançar uma proposta – sobre Habitação, já perto dos 35 minutos de debate – era tarde demais. 
Exigir a Ventura que revelasse quem lhe garantiu que haveria uma coligação de direita foi o único momento em que Pedro Nuno Santos tomou as rédeas da discussão – e depois, logo a seguir, acabou o debate.

Eunice Lourenço

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 4

Começaram ambos mal, como se ainda não tivessem tido tempo para saber as últimas notícias sobre as alegações de corrupção na Madeira. Pedro Nuno Santos foi prejudicado pelos temas, que pareceram escolhidos para servir os interesses e o programa do Chega, como se este fosse o partido central nestas eleições. O líder do PS pareceu estar sempre a correr atrás do prejuízo e só depois de meio conseguiu levantar cabeça. Ventura levou todo o arsenal: casos Sócrates, TAP, problemas na habitação … E Pedro Nuno devia estar mais preparado para se defender das balas e para falar sobre justiça. Ventura não vence, porque a mentira, o engano e falta de coerência e consistência têm perna curta, como diz o povo. E ninguém vence porque acho que nenhum eleitor decidiu, com este debate, votar em qualquer dos participantes. Os que já decidiram estão decididos, os indecisos vão procurar noutro lado.

Bernardo Ferrão

Pedro Nuno Santos — 5
André Ventura — 6

Mariana Mortágua, Luís Montenegro e até Rui Rocha conseguiram encostar André Ventura às cordas, Pedro Nuno Santos estava obrigado a fazer o mesmo, mas não conseguiu. Começou mal ao não condenar o que passou na Madeira e não esteve melhor quando assumiu que a sua proposta para a retenção dos médicos recém-formados afinal pode andar para trás: “não será uma imposição.”

É claro que Ventura trouxe as soluções fáceis mas foi mais capaz a tomar conta do rumo do debate. Pedro Nuno Santos andou muito atrás, sem conseguir impor-se no confronto – exceção feita à parte final onde PNS conseguiu ganhar vantagem.

Julgo que a performance mais baixa do candidato socialista, que se notou até na imagem, se deve a algum desconforto com o fato que vestiu nesta campanha e que o obriga a constantes confrontos com o passado de governante. Traz “culpas”, nem todas suas, que o obrigam a conter-se. Mas hoje era dia para se mostrar mais solto e menos a medo.

Quando António Costa confrontou Ventura na última campanha disse-lhe: “não passarão”. Neste debate o candidato socialista teve de ouvir que é o “ministro das trapalhadas.”

Henrique Raposo

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 4 

Foi um debate estranho. Perderam os dois. O grande vencedor deste debate é Montenegro. E vou tentar explicar porquê.

Senti Pedro Nuno Santos muito preso até perto do fim, talvez porque o seu espírito é do contra e não se dá bem com isto de defender o status quo. Faz lembrar o Mourinho, que só se deu bem com clubes rebeldes contra o status quo. Não me parece que Pedro Nuno Santos esteja confortável com a governação de Costa, não me parece por exemplo que concorde com a política de investimento (bazuca incluída) que espalha dinheiro para todo o lado. O seu melhor momento surge quando repetiu a linha de Montenegro: 1) mostrar que o programa do Chega é irresponsável financeiramente, que não é para levar a sério; 2) tentar educar Ventura como se este fosse uma criança, mas fê-lo com indignação, que não resulta tão bem como o humor calmo de Montenegro. Quando Ventura apelidou Pedro Nuno Santos de "frouxo", o líder do PS só tinha de responder "frouxa é a sua coelhinha" ou qualquer palhaçada assim, porque é assim que se desconstrói o ódio: com humor. Reagir a quente não resulta. E, talvez por isso, Pedro Nuno Santos disse uma coisa absolutamente honesta e que pode ser um erro para o seu lado: disse com todas as letras que o PSD não quer o Chega e que a coligação mendigada por Ventura nunca vai acontecer. Ou seja, Pedro Nuno Santos fez o melhor apelo do voto útil na AD de Montenegro e acabou de vez com o triunfo que tem sido a base do PS: dizer que o "não" de Montenegro será um "sim".

Este foi o melhor debate de Ventura até agora, como seria de esperar. Se tivesse respeito pela linguagem própria de uma democracia, teria vencido, porque encostou PS Santos às cordas na questão da corrupção e na saúde. O regime inteiro não pode deixar Ventura sozinho a fazer esta pergunta: porque que Sócrates ainda não foi julgado? Pode dar respostas erradas, mas está a fazer a pergunta certa. E, na saúde, Pedro Nuno Santos não pode desprezar todos os estudos, a começar no Tribunal de Contas, que colocam as PPP como ótima solução para médicos, doentes e contribuintes. Quem está no pós-verdade aqui é o PS. Tudo isto seria positivo, mas agora é por demais evidente que um voto no Chega é um voto no PS. Isso ficou claro no debate com Montenegro e agora no debate com Pedro Nuno Santos.

Henrique Monteiro

Pedro Nuno Santos – 5
André Ventura – 3

Antes do debate, falando para uma repórter da TVI, o líder do PS disse que entre ele e o líder do Chega havia um muro de betão. Infelizmente, durante o debate, tal muro pareceu mais uma parede de pladur ou, vá lá, de tijolo fininho. Não porque as propostas não fossem diferentes, mas porque Pedro Nuno deixou-se enredar na tática trapalhona, atabalhoada, demagógica do seu opositor.

Podia ter aprendido com Montenegro, a quem fez aliás uma cavalheiresca e democrática referência pela perda que o líder da AD sofreu; porém, durante os primeiros largos minutos do debate, fosse no tema corrupção, fosse no da Saúde, as coisas giraram em torno do que dizia o Chega, do que propunha o Chega, das apostas do Chega. Claro que PNS conseguiu, a custo, provar que tudo aquilo é palavreado e que, no fundo, as soluções de Ventura são nenhumas; o problema é que não as contrastou com as suas, de modo a que se entendesse a superioridade que o PS terá nestas matérias.

Mais para o fim do debate, Pedro Nuno pareceu ter uma epifania e passou a discutir como se à sua frente estivesse o líder da AD. Foi a altura em que associou Ventura ao Governo de Passos Coelho, acusando de estar calado quando na época havia manifestações de polícias ou professores. No meio da confusão em que se tornou a troca de argumentos, com momentos a parecer uma daquelas discussões dos programas desportivos, Pedro Nuno desafiou o contendor a revelar como tem a certeza de ir para o Governo, se o líder da AD já disse que o não quer. Foi então que Ventura meteu os pés pelas mãos, dando a perceber que a fanfarronice que fizera há umas semanas era claramente falsa. A mentira ficou colada ao líder do Chega; Pedro Nuno saiu do debate como vencedor, mas com chagas a marcar-lhe o corpo. Não foi uma vitória de Pirro, mas ainda assim o PSD deve ter ficado satisfeito.

Rita Ferreira

Pedro Nuno Santos – 6

André Ventura – 5

E a justiça chegou aos debates. Não querendo, nem um nem outro, comentar o que se passou no caso da Madeira esta tarde - o juiz de instrução disse que não havia indícios fortes para aplicar a prisão preventiva aos suspeitos de corrupção detidos há 21 dias - o tema parecia favorecer Ventura.

E por momentos favoreceu. Puxou o caso Sócrates, puxou o caso Manuel Pinho, amarrou Pedro Nuno Santos ao lastro judicial do Partido Socialista para dizer que quer recorrer mais ao confisco e arresto de bens e acabar com os recursos excessivos.

Pedro Nuno Santos conseguiu de alguma forma desmontar os argumentos de Ventura, e acabou por contra-atacar com o caso judicial do líder do Chega, condenado por segregação racial de uma família a quem chamou de "bandidos".

Passando à saúde, mais um ataque de Ventura dizendo que a ideia de amarrar jovens médicos ao SNS era "estalinista". E revelou propostas do Chega de aumentar a oferta dos cursos de medicina no país e de recuperar as PPP de Loures, Cascais e Braga.

Pedro Nuno Santos acusou Ventura de ser igual à AD e à IL nesta matéria e perguntou-lhe se queria retirar dinheiro ao SNS e entregar tudo aos privados.

O passado esteve sempre presente: o de Pedro Nuno Santos no Governo que caiu, o de Ventura no partido que fez cortes nos rendimentos de funcionários públicos.

Mas foi na reta final que Pedro Nuno Santos conseguiu a vantagem no debate. Quando Ventura tenta explicar como vai baixar impostos e ao mesmo tempo aumentar pensões, o líder socialista desmontou as contas e desmontou Ventura ao dizer que o líder do Chega vai mudando e ajustando as medidas ao sabor das críticas que lhe são apontadas.

A tecla a partir daqui foi sempre a mesma: Ventura engana, Ventura mente e Ventura anda a "mendigar uma aliança" com um partido que "não o quer". Terminou a desafiar Ventura a revelar quem lhe deu a garantia de 99% de que haveria um governo de direita com o Chega. Não houve resposta.

A vitória de Pedro Nuno foi à justa, por ter demasiadas vezes ficado agarrado a um passado que não o deixa num lugar confortável. Mas foi uma vitória por ter conseguido desmontar os ziguezagues de Ventura e de o colar ao rótulo do qual ele mais tenta fugir: de que é um produto do sistema, está dentro do sistema e quer subir no sistema para alcançar o poder a qualquer custo.

João Silvestre

Pedro Nuno Santos – 7
André Ventura – 4

Este era um debate importante para André Ventura que gosta de se apresentar como o líder da direita que tem no PS o seu adversário. Não conseguiu. Longe disso. Foi acantonado por Pedro Nuno Santos como um partido radical que “mendiga” lugares no governo e que não é sequer respeitado pela AD com quem sonha coligar-se. O secretário-geral socialista não usou sequer o argumento ‘clássico’ da ameaça do Chega – útil para atrair voto ao centro.

André Ventura, como tem feito, repetiu frases feitas (sobre José Sócrates, corrupção, Ricardo Salgado, polícias) e trouxe como principal novidade um trocadilho que nunca teve grande eficácia e que repetiu três vezes: o Melhoral que não faz bem nem mal. Não atacou como noutros debates e os tiros que deu não tiveram grande resultado. Pedro Nuno começou pouco acutilante e foi subindo ao longo do debate. Marcou pontos ao sublinhar, sem resposta, o custo exorbitante e impossível de pagar dos aumentos de pensões prometidos por Ventura: são 9000 milhões ao ano …até ao infinito. Foi igualmente eficaz nos impostos (até recordou que o Chega quer acabar com o IVA na compra de habitação que já não existe) e teve até tempo para colar Ventura aos anos da troika quando policias e professores se manifestaram contra o Governo de Passos Coelho.

Martim Silva

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 5

Debater com André Ventura é um exercício perto do impossível. Interrompe o oponente para lá do admissível, propõe tudo e o seu contrário. As suas propostas, totalmente irrealistas do ponto de vista financeiro, são lançadas umas atrás das outras e sem possibilidade de serem desmentidas em tempo útil. Ainda assim, a conclusão do confronto desta noite, na TVI, entre o líder do PS, Pedro Nuno Santos, e o líder do Chega, André Ventura, só pode mesmo ser uma: Pedro Nuno Santos não esteve bem, apresentando uma falta de energia, de garra e de capacidade quase confrangedora. Que se passa com o homem que quer ser primeiro-ministro?

Um exemplo: os dois estiveram a debater durante 15 minutos, quase metade do debate (ainda para mais a primeira metade) o tema da justiça e da corrupção, com Pedro Nuno a deixar-se enredar na teia de Ventura, respondendo com propostas e ideias como a “digitalização” na área da Justiça.

Paulo Baldaia

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 6

Sabendo que André Ventura vinha de uma sucessão de derrotas nos debates, Pedro Nuno Santos estava obrigado a vencer este frente-a-frente e não foi capaz. Falhou o início quando lhe faltou firmeza sobre o que é preciso fazer para mudar uma justiça em que é difícil confiar com episódios como os que aconteceram no processo Influencer e no processo da Madeira.

Deixou para o fim o que de início devia ter deixado muito claro, o Chega e o seu líder não são credíveis. Ventura só não ganhou, porque ninguém ganha quando não é capaz de distinguir verdade e mentira.

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Spoiler

João Silvestre

Paulo Raimundo — 4
Rui Rocha — 6

Duas visões do mundo completamente diferentes que não se cruzam. Como água e azeite. De um lado “nacionalizar”, do outro “lucros privados, prejuízos privados”. Não parece que estivessem em disputa quaisquer votos entre PCP e Iniciativa Liberal. Paulo Raimundo defendeu as suas propostas, muitas delas conhecidas de eleições anteriores, sem conseguir explicar, por exemplo, como se faz para que as empresas todas aumentem salários em 15% ou donde vem o dinheiro para tal. Rui Rocha repetiu as ideias que o tem acompanhado nesta campanha: descida de impostos ou menos dinheiro do Estado para empresas (como a TAP ou a Efacec).

Não foi o debate mais entusiasmante e não parece que os ponteiros dos votos na IL e no PCP tenham mexido muito. Cada um falou para o seu público e, nisso, terá sido eficaz qb. Rui Rocha esteve melhor neste aspeto e pareceu sempre mais sólido na defesa das suas propostas.

Liliana Valente

Paulo Raimundo — 5
Rui Rocha — 6

Um debate sem grande chama e com muitas diferenças. Paulo Raimundo e Rui Rocha são tão diferentes que não há uma medida ou proposta que se cruze… há, na verdade, a redução de IRC para as PME. De resto divergem sobre a forma como se devem aumentar os salários, como potenciar a economia, como gerir a saúde ou sobre as privatizações, com a TAP à cabeça.

Rui Rocha apareceu no entanto com mais clareza a explicar a sua visão para o país, sobretudo na economia e de como lidar com as empresas, defendendo lucros privados, prejuízos privados.

Raimundo teve mais dificuldade em desmontar a visão da IL, completamente contrária à sua. Tentou fazê-lo na proposta de descida das comissões bancárias - dizendo que a IL não acompanhou a proposta do PCP -, mas foi menos eficaz. “Para a IL o Estado está a mais em tudo menos a passar os cheques”, atirou Raimundo por duas vezes. Rui Rocha encostou mais o PCP a questões sobre o programa dos comunistas, nomeadamente sobre qual o valor que custaria nacionalizar algumas das empresas que o PCP quer, Raimundo não conseguiu responder.

Na saúde, Rui Rocha foi eficaz a defender as PPP e Raimundo conseguiu encostar a IL aos privado dizendo que o que a IL quer é que o Estado continue a ser “o passador de cheques”.

No fim, não acredito que algum tenha convencido algum novo eleitor com este debate. Foi apenas um debate para públicos já convencidos.

Eunice Lourenço

Paulo Raimundo — 5
Rui Rocha — 6

“O que temos é uma visão completamente oposta da Iniciativa Liberal”, disse a dada altura o secretário-geral do PCP. E esse poderia ser o resumo de um debate chato e desinteressante, em que ninguém estava ali para convencer ninguém, mas só para cumprir calendário. Rocha e Raimundo pensam diferente sobre tudo, sobre o mundo e a economia, sobre a justiça e a saúde, mas têm muito em comum: são dois líderes em estreia, que sucedem a líderes carismáticos e que estavam a contar com mais tempo para firmar as suas lideranças e se tornaram mais conhecidos dos portugueses. Quem votar neles a 10 de março, será por convicção comunista ou liberal e não pelos seus desempenhos televisivos ou capacidade argumentativa. Ainda assim, a argumentação do liberal é mais rápida, mais percetível e menos ortodoxa.

Cristina Figueiredo

Paulo Raimundo — 2
Rui Rocha — 6

A cada debate o secretário-geral do PCP confirma a impreparação para o cargo que ocupa, algo que até aqui era disfarçado pelo seu ar afável e era invisível nas declarações avulso do dia-a-dia sobre os temas da atualidade noticiosa. Agora que o vemos quase todos os dias na televisão, em confronto com outros candidatos ao cargo de primeiro-ministro (sim, ainda que estejamos numa pré-campanha para legislativas que elegem deputados, como o PCP gosta de sublinhar, também é disso que se trata), chega a ser confrangedora a superficialidade discursiva de Paulo Raimundo incapaz de ir além de chavões (e de muitas muletas de linguagem) e de explicar, com cabeça, tronco e membros, como se aumentam salários, se valorizam carreiras, se resolvem a falta de profissionais na saúde ou a falta de celeridade na justiça. “É preciso avançar quando é preciso avançar” - a frase que encontrou para sair das perguntas sobre a reforma da justiça, quando era evidente que não sabia o que dizer - resume a vacuidade da prestação do líder comunista. Rui Rocha, por seu turno, tem vindo de debate para debate a adquirir confiança e revela cada vez mais consistência na prestação e na convicção com que defende as suas propostas. E isto, no cotejo com o seu adversário desta noite, nem é grande elogio.

Luís Aguiar-Conraria

Paulo Raimundo — 3
Rui Rocha — 5

Depois de um início tépido de parte a parte com o tema da corrupção, o debate não chegou a aquecer. Passou-se para a economia e, desculpem o meu enviesamento, Paulo Raimundo só disse disparates. Quer nacionalizar tudo. Quer aumentar salários por lei, etc. Para ganhar um debate a Paulo Raimundo, pelo menos na componente económica, basta estar calado.

Na questão dos hospitais e das PPP, Rui Rocha esteve bem, mas Paulo Raimundo também me pareceu bem a perguntar se faz sentido dar o dinheiro aos privados. Ambos terão falado bem para os seus eleitorados.

No fim, temos de reconhecer que foi um debate com pouco interesse. Dou pior nota a Paulo Raimundo porque nas questões económicas o seu discurso é próximo do nonsense.

Henrique Raposo

Rui Rocha — 6
Paulo Raimundo — 2

O nível de Raimundo é confrangedor, ouvi-lo é como ouvir estática, é como ouvir uma televisão com chuva. Está sempre perdido; tal como o PCP está perdido no mundo de 2024.

Rui Rocha tem as ideias certas para a reforma do país e estão ancoradas nas melhores práticas europeias, Alemanha ou Holanda. Raimundo acenou com o fantasma dos EUA, um cliché da esquerda, mas os exemplos da IL são os países europeus que recebem emigração portuguesa; jovens que emigram desta estagnação socialista para realidades liberais ou mais liberais. Julgo porém que Rocha não tem um carisma de líder. Para a liderança é preciso alguém com uma presença para lá das ideias.

Mas, seja como for, essas ideias estão lá: defender os factos é defender a eficácia das PPP na saúde. É preciso mesmo muita ideologia para não se ver isto. Tal como é preciso muita ideologia para se continuar a reduzir a questão à frase “dar dinheiro aos privados” como se isso fosse um enorme pecado, como se a ADSE, portanto, fosse um enorme pecado e não um subsistema de saúde que articula estado e privado e que consagra o estado como garantia e não como prestador – o princípio liberal que tem protegido os funcionários públicos na saúde, que votam quase sempre PS. País estranho, este.

 

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Eu sempre tive, e continuo a ter, o Ricardo Costa como uma pessoa séria e esqueço-me amiúde de quem é irmão. Mas criticar o PNS por não se ter atirado ao MP e ir buscar a conversa do parágrafo é algo que só lembra ao diabo ou à família do visado. 

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Citação de Lebohang, há 7 minutos:

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David Dinis

Rui Tavares — 6

Inês de Sousa Real — 6

Dois líderes dispostos a negociar não têm de concordar em tudo. O primeiro debate de hoje mostrou isso, com razoável amostragem de diferenças (em propostas e atitudes).

Rui Tavares tem razão: “Estas pessoas [os arguidos da Madeira] não deviam ter estado privados da liberdade” e o “topo da hierarquia deve dar a cara”. Também mostrou prudência ao separar os investimentos do hidrogénio e Data Center dos processos em investigação.

Ainda assim, se Tavares não poupou o PAN pelo apoio ao Governo da Madeira (ligando o tema à agenda ambiental e animal do partido), Sousa Real contra-argumentou bem que o desafio nas democracias é sentarmo-nos com quem não concordamos, à procura de equilíbrios.

O debate sobre impostos foi, esse, mais equilibrado. Assim como foi igual a tentativa de valorizar os ganhos, de parte a parte.

Cristina Figueiredo

Rui Tavares - 6

Inês Sousa Real - 7

Um bom debate para quem esteja efetivamente interessado em conhecer o que distingue Livre e PAN nas propostas que oferecem a um eleitorado - que ambos disputam - preocupado com a ecologia e o ambiente. Rui Tavares e Inês Sousa Real, concorde-se ou discorde-se, são convictos na defesa das suas ideias e fazem-no com sustentação, não apenas com retórica, e isso já é uma vantagem sobre outros protagonistas destes debates.

Se dou (ligeira) vantagem à líder do PAN é apenas porque desmontou bem a acusação de incoerência que o coordenador do Livre lhe dirigiu pelo facto de o PAN apoiar na Madeira um Governo que considerou responsável por atentados urbanísticos e massacres de animais: é fácil sentarmo-nos à mesa com quem concorda connosco, difícil é conseguir impor as nossas causas a quem discorda de nós, respondeu-lhe Sousa Real.

Quando a questão é mesmo, como reconheceu Tavares no fim (elencando a short list de conquistas do Livre nesta legislatura e insistindo na ideia, já avançada no debate de ontem frente ao PCP, de que “o voto no PS nem para implementar as ideias do PS serve” ), para que serve um voto nestes partidos, talvez este debate tenha ajudado a esclarecer.

Ricardo Costa

Rui Tavares - 5

Inês Sousa Real - 2

A luta pelo debate mais demagógico da pátria está acesa. Quando se pensava que Ventura e Mortágua tinham a medalha de ouro, eis que um misto de sonsice, ecologia “posh” (o lítio dos outros é que é bom, o nosso que fique enterrado, defende Tavares) e de demagogia ludita (pára tudo, não se construa mais nada, abracemos os sobreiros, afirma Inês) conseguiram ultrapassar o duo da véspera.

Se isto já era mau, esperem pelos eu eles disseram após a decisão sobre as medidas de coação do casos e alegada corrupção na madeira. Em rigor, nada. Caíram dois governos, demitiu-se um presidente de câmara e dois políticos entram num estúdio com medo da sombra.

Tavares, apesar de tudo, conseguiu dizer coisas mais construtivas. Inês Sousa Real perdeu-se enquanto procurava um sobreiro no código penal.

Liliana Valente

Rui Tavares — 6

Inês de Sousa Real — 4

Dois partidos ecologistas, mas com diferenças e essas foram bem esgrimidas quer por Rui Tavares, quer por Inês Sousa Real. Um debate que teve alguns picos de discórdia, em que os dois se esforçaram por mostrar as diferenças e as incoerências do outro lado. Não foi uma entrevista à vez, mas uma troca de argumentos com elevação. Rui Tavares tentou aproveitar o apoio do PAN ao governo do PSD na Madeira para mostrar incoerências no posicionamento do partido de Inês Sousa Real, e a distanciar-se ao dizer que com o Livre “não há surpresas”.

Sousa Real tentou pelo seu lado aproveitar o posicionamento do Livre sobre a exploração de hidrogénio e lítio ou também sobre o DataCenter de Sines, para ganhar pontos no campo do voto pela ecologia. Disse Inês Sousa Real que todos os projetos devem parar, atirando à posição do Livre. Tavares respondeu que é preciso fazer uma reavaliação sempre que há dúvidas , mas que não defende que se parem os projetos em andamento e que é preciso ter em atenção a questão da economia.

Ambos falaram sobre as questões da justiça, contudo, Rui Tavares foi mais claro a considerar inaceitável a detenção de várias pessoas durante 21 dias e a pedir esclarecimentos à PGR.

Ambos tentaram livrar-se do apelo ao voto útil que Pedro Nuno Santos tem feito quando sabem que essa estratégia só agora começou.

Sebastião Bugalho

Rui Tavares - 8

Sousa Real - 6

No debate mais próximo de regressar à forma de 2022, Rui Tavares teve uma excelente prestação diante daquela que mais disputa o seu espaço: o de ecologista e o de possível parceiro parlamentar do PS.

Sobre a Justiça, reconhecendo a crise de regime transversal que representa, o deputado do Livre sobressaiu, com Inês Sousa Real a falar de falta de tradutores e Tavares a responder com reformas.

Sobre a transição verde, uma área em que Sousa Real tinha obrigação de estar por cima, Tavares apresentou uma visão estruturada e a deputada do PAN resumiu a sua ecologia a uma perspetiva estranhamente justicialista.

Onde a animalista recuperou o pé foi na enumeração das suas propostas para acudir ao aumento dos custos do crédito à Habitação, conseguindo sair de cabeça levantada dos estúdios da RTP.

Miguel Cadete

Rui Tavares - 5

Inês Sousa Real - 6

Inês Sousa Real e Rui Tavares já demonstraram ser dois garbosos defensores das suas ideias neste modelo de debates televisivos. Hoje procuraram afastar a pressão provocada pelo apelo ao voto útil lançado por Pedro Nuno Santos e para isso exibiram estratégias diversas. Ambos podem, a esse respeito, ter a sua representação parlamentar (um único deputado na última legislatura) em risco.

Inês Sousa Real terá sido mais clara não só não medidas que apresentou mas também no seu posicionamento: "Um voto no PS ou no PSD não muda nada". Rui Tavares repetiu a pertinência do Livre perante a "chantagem do voto útil" pois "se até para implementar as ideias do PS o PS não é capaz". Mas adiantou que, em caso de maioria de direita, estaria firme na oposição.

Por isso as referências ao "pecado" da coligação do PAN com o PSD da Madeira foram apontadas frequentemente, tendo o PAN retorquido com o não acompanhamento por parte do Livre da sua proposta de revisão extraordinária para a criminalização dos maus tratos animais.


Se a sensatez esteve do lado de Tavares, o efeito de Sousa Real, sempre mais histriónica mas desta vez sem seguir na peugada dos debates à maneira de Ventura, são por venturas mais eficazes junto do grande público preocupado com os direitos dos animais. O destino dos seus partidos, que conheceremos a 10 de março, não retira relevância dos temas que defendem mas esse estará dependente dos resultados que os apelos ao voto útil do PS, e mais dia menos dia, do PSD tiverem junto do eleitorado.

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Ricardo Costa

André Ventura – 7
Pedro Nuno Santos – 5

Já se pode dizer com alguma segurança que Pedro Nuno Santos não é bom a debater. Vamos ver se é bom no resto da campanha e se consegue apelar ao voto dos 2 milhões e 300 mil eleitores que votaram PS em 2022. Hoje não fez muito por isso: a espantosa decisão das medidas de coação da Madeira estendeu-lhe um tapete vermelho para poder apelar a esses eleitores, recordando que a legislatura foi interrompida por um parágrafo de um caso que outro juiz de instrução destruiu publicamente. Caíram dois governos e um Presidente de Câmara em nome do quê? Até o Chat GPT lhe dizia como capitalizar com isso. É óbvio que esse argumento encerrava riscos – sabemos bem que o Ministério Público entende qualquer crítica como um ataque -, mas as encolhas e a tibieza com que o secretário-geral do PS encarou o tema revelam alguém que não tem uma ideia particular sobre como ganhar esta eleição.

O líder do PS esteve fraco na parte da saúde, bem melhor na habitação e muito mais seguro na parte fiscal, área onde André Ventura mostra a cada dia que passa que não faz a mínima ideia do que é uma conta, falando de milhares de milhões como quem despacha um prato de tremoços. O problema – para o PS – é que André Ventura não passa o debate inteiro a falar de milhões. O líder do Chega controlou a maior parte do debate, passeou olimpicamente na Justiça e conseguiu mostrar a iniquidade da proposta (?) que alguma alma do PS se lembrou de aplicar aos médicos que fazem a especialidade do SNS. No resto, espalhou demagogia e frases feitas, o costume. Não terá perdido um voto.

Não é fácil a nenhum governante – presente ou futuro – debater com André Ventura. Mas a opção de fugir ao ponto chave do dia – é natural que os portugueses se espantem por dois governos terem caído por ações claramente impreparadas do MP – selou o destino de Pedro Nuno Santos. Se nem o PS é capaz de defender o governo e legislatura interrompida, quem será?

Vitor Matos

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 5

Pedro Nuno Santos ganhou ao sprint no fim do debate, num dos frente-a-frente onde André Ventura teve uma das suas melhores prestações. Se Ventura esteve bem no diagnóstico da Justiça e na Saúde, dizendo não o que as pessoas querem ouvir, mas sobretudo o que as pessoas percecionam quanto às decisões dos tribunais, morosidade e manobras dilatórias, ou no caso dos problemas dos hospitais, Pedro Nuno Santos teve de ir desmontando os argumentos mais simples de Ventura com ideias complexas. Não foi fácil.

No final, Pedro Nuno Santos conseguiu ganhar com o mais fácil: descredibilizar as propostas fiscais e de despesa do Chega. E marcou pontos ao dizer que é preciso “coragem” para apresentar propostas “realizáveis” e que é “cobardia” levar um programa impossível de concretizar, que engana os eleitores. O problema é saber em quem os eleitores ainda acreditam.

David Dinis

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 4

André Ventura entrou a jogar em casa: um debate entre Chega e PS que começa com corrupção é chão seguro que o candidato populista cavalgou com eficácia discursiva: falou de Sócrates duas vezes, exigiu uma reforma, atirou contra o “Melhoral” do PS, que não faz bem nem faz mal.

Claro que as soluções de Ventura são ou um perigo para o Estado de Direito, ou zero de novo para a legislação em vigor. Ou apenas contraditárias em si: lá está, Ventura também usou o recurso das sentenças que quer limitar a outros.

Mas a corrupção, como a Saúde, foram úteis para um discurso populista que Ventura sabe ser fértil em descontentamento popular. Por muito que Pedro Nuno tentasse desmontar os argumentos ou apontar-lhe contradições, o eleitorado mais à direita acabaria sempre representado. Foi o pior momento do candidato socialista.

O jogo virou a meio tempo: quando o debate vira para os impostos, Pedro Nuno Santos foi bastante mais eficaz a desmontar as falácias populistas, em expor as contas miríficas do Chega: propostas de milhares de milhões, despesas permanentes, coisas que se dizem para enganar. Pois são.

E o mesmo aconteceu quando mostrou os protestos de polícias, professores, agricultores contra o último Governo do PSD, onde estava Ventura ainda — sem nada dizer contra Passos.

O mais eficaz do socialista, mesmo assim, ficou guardado para o fim: exigir a Ventura que dissesse quem, no PSD, lhe tinha garantido (como ele disse) que estaria no Governo se houvesse maioria de direita. “Se tem tanta coragem, diga lá quem foi”. Não disse, claro que não foi. E o socialista conseguiu, por fim, suspirar de alívio.

Pedro Nuno não poderia ambicionar ganhar votos a Ventura. Mas tinha de mostrar que conseguia ir à luta com ele. Foi difícil, mas passou.

Sebastião Bugalho

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 7

Pedro Nuno Santos demorou 14 minutos a dizer que algo o preocupava, 20 minutos a despertar, 22 a reconhecer que há problemas para resolver e 35 para apresentar uma política pública.

Limitado pelas medidas que apresentou para o SNS, já criticadas no seu próprio partido, o secretário-geral do PS só conseguiu regressar ao debate na discussão das pensões, puxando do legado das contas certas.

Tendo começado bem – com um gesto de solidariedade pessoal para com o seu oponente direto –, Pedro Nuno demorou demasiado tempo a acordar para sair por cima no embate. Na Justiça, foi pedagógico, mas acabou a admitir que os sucessivos recursos de Socrates eram uma prática preocupante.

O protagonista foi André Ventura, numa pele de proto-governante e não de constante protestante, e o seu programa eleitoral. Venceu.

Pedro Nuno defendeu-se pouco, atacou ainda menos e precisou de regressar a 2013 para ripostar sobre os polícias. Visar Ventura pelo que o Governo Passos fez há 11 anos, quando Ventura não existia, é ineficaz. Ventura chamar "frouxo" a um adversário político lamentável.

Quando o secretário-geral do PS finalmente ia lançar uma proposta – sobre Habitação, já perto dos 35 minutos de debate – era tarde demais. 
Exigir a Ventura que revelasse quem lhe garantiu que haveria uma coligação de direita foi o único momento em que Pedro Nuno Santos tomou as rédeas da discussão – e depois, logo a seguir, acabou o debate.

Eunice Lourenço

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 4

Começaram ambos mal, como se ainda não tivessem tido tempo para saber as últimas notícias sobre as alegações de corrupção na Madeira. Pedro Nuno Santos foi prejudicado pelos temas, que pareceram escolhidos para servir os interesses e o programa do Chega, como se este fosse o partido central nestas eleições. O líder do PS pareceu estar sempre a correr atrás do prejuízo e só depois de meio conseguiu levantar cabeça. Ventura levou todo o arsenal: casos Sócrates, TAP, problemas na habitação … E Pedro Nuno devia estar mais preparado para se defender das balas e para falar sobre justiça. Ventura não vence, porque a mentira, o engano e falta de coerência e consistência têm perna curta, como diz o povo. E ninguém vence porque acho que nenhum eleitor decidiu, com este debate, votar em qualquer dos participantes. Os que já decidiram estão decididos, os indecisos vão procurar noutro lado.

Bernardo Ferrão

Pedro Nuno Santos — 5
André Ventura — 6

Mariana Mortágua, Luís Montenegro e até Rui Rocha conseguiram encostar André Ventura às cordas, Pedro Nuno Santos estava obrigado a fazer o mesmo, mas não conseguiu. Começou mal ao não condenar o que passou na Madeira e não esteve melhor quando assumiu que a sua proposta para a retenção dos médicos recém-formados afinal pode andar para trás: “não será uma imposição.”

É claro que Ventura trouxe as soluções fáceis mas foi mais capaz a tomar conta do rumo do debate. Pedro Nuno Santos andou muito atrás, sem conseguir impor-se no confronto – exceção feita à parte final onde PNS conseguiu ganhar vantagem.

Julgo que a performance mais baixa do candidato socialista, que se notou até na imagem, se deve a algum desconforto com o fato que vestiu nesta campanha e que o obriga a constantes confrontos com o passado de governante. Traz “culpas”, nem todas suas, que o obrigam a conter-se. Mas hoje era dia para se mostrar mais solto e menos a medo.

Quando António Costa confrontou Ventura na última campanha disse-lhe: “não passarão”. Neste debate o candidato socialista teve de ouvir que é o “ministro das trapalhadas.”

Henrique Raposo

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 4 

Foi um debate estranho. Perderam os dois. O grande vencedor deste debate é Montenegro. E vou tentar explicar porquê.

Senti Pedro Nuno Santos muito preso até perto do fim, talvez porque o seu espírito é do contra e não se dá bem com isto de defender o status quo. Faz lembrar o Mourinho, que só se deu bem com clubes rebeldes contra o status quo. Não me parece que Pedro Nuno Santos esteja confortável com a governação de Costa, não me parece por exemplo que concorde com a política de investimento (bazuca incluída) que espalha dinheiro para todo o lado. O seu melhor momento surge quando repetiu a linha de Montenegro: 1) mostrar que o programa do Chega é irresponsável financeiramente, que não é para levar a sério; 2) tentar educar Ventura como se este fosse uma criança, mas fê-lo com indignação, que não resulta tão bem como o humor calmo de Montenegro. Quando Ventura apelidou Pedro Nuno Santos de "frouxo", o líder do PS só tinha de responder "frouxa é a sua coelhinha" ou qualquer palhaçada assim, porque é assim que se desconstrói o ódio: com humor. Reagir a quente não resulta. E, talvez por isso, Pedro Nuno Santos disse uma coisa absolutamente honesta e que pode ser um erro para o seu lado: disse com todas as letras que o PSD não quer o Chega e que a coligação mendigada por Ventura nunca vai acontecer. Ou seja, Pedro Nuno Santos fez o melhor apelo do voto útil na AD de Montenegro e acabou de vez com o triunfo que tem sido a base do PS: dizer que o "não" de Montenegro será um "sim".

Este foi o melhor debate de Ventura até agora, como seria de esperar. Se tivesse respeito pela linguagem própria de uma democracia, teria vencido, porque encostou PS Santos às cordas na questão da corrupção e na saúde. O regime inteiro não pode deixar Ventura sozinho a fazer esta pergunta: porque que Sócrates ainda não foi julgado? Pode dar respostas erradas, mas está a fazer a pergunta certa. E, na saúde, Pedro Nuno Santos não pode desprezar todos os estudos, a começar no Tribunal de Contas, que colocam as PPP como ótima solução para médicos, doentes e contribuintes. Quem está no pós-verdade aqui é o PS. Tudo isto seria positivo, mas agora é por demais evidente que um voto no Chega é um voto no PS. Isso ficou claro no debate com Montenegro e agora no debate com Pedro Nuno Santos.

Henrique Monteiro

Pedro Nuno Santos – 5
André Ventura – 3

Antes do debate, falando para uma repórter da TVI, o líder do PS disse que entre ele e o líder do Chega havia um muro de betão. Infelizmente, durante o debate, tal muro pareceu mais uma parede de pladur ou, vá lá, de tijolo fininho. Não porque as propostas não fossem diferentes, mas porque Pedro Nuno deixou-se enredar na tática trapalhona, atabalhoada, demagógica do seu opositor.

Podia ter aprendido com Montenegro, a quem fez aliás uma cavalheiresca e democrática referência pela perda que o líder da AD sofreu; porém, durante os primeiros largos minutos do debate, fosse no tema corrupção, fosse no da Saúde, as coisas giraram em torno do que dizia o Chega, do que propunha o Chega, das apostas do Chega. Claro que PNS conseguiu, a custo, provar que tudo aquilo é palavreado e que, no fundo, as soluções de Ventura são nenhumas; o problema é que não as contrastou com as suas, de modo a que se entendesse a superioridade que o PS terá nestas matérias.

Mais para o fim do debate, Pedro Nuno pareceu ter uma epifania e passou a discutir como se à sua frente estivesse o líder da AD. Foi a altura em que associou Ventura ao Governo de Passos Coelho, acusando de estar calado quando na época havia manifestações de polícias ou professores. No meio da confusão em que se tornou a troca de argumentos, com momentos a parecer uma daquelas discussões dos programas desportivos, Pedro Nuno desafiou o contendor a revelar como tem a certeza de ir para o Governo, se o líder da AD já disse que o não quer. Foi então que Ventura meteu os pés pelas mãos, dando a perceber que a fanfarronice que fizera há umas semanas era claramente falsa. A mentira ficou colada ao líder do Chega; Pedro Nuno saiu do debate como vencedor, mas com chagas a marcar-lhe o corpo. Não foi uma vitória de Pirro, mas ainda assim o PSD deve ter ficado satisfeito.

Rita Ferreira

Pedro Nuno Santos – 6

André Ventura – 5

E a justiça chegou aos debates. Não querendo, nem um nem outro, comentar o que se passou no caso da Madeira esta tarde - o juiz de instrução disse que não havia indícios fortes para aplicar a prisão preventiva aos suspeitos de corrupção detidos há 21 dias - o tema parecia favorecer Ventura.

E por momentos favoreceu. Puxou o caso Sócrates, puxou o caso Manuel Pinho, amarrou Pedro Nuno Santos ao lastro judicial do Partido Socialista para dizer que quer recorrer mais ao confisco e arresto de bens e acabar com os recursos excessivos.

Pedro Nuno Santos conseguiu de alguma forma desmontar os argumentos de Ventura, e acabou por contra-atacar com o caso judicial do líder do Chega, condenado por segregação racial de uma família a quem chamou de "bandidos".

Passando à saúde, mais um ataque de Ventura dizendo que a ideia de amarrar jovens médicos ao SNS era "estalinista". E revelou propostas do Chega de aumentar a oferta dos cursos de medicina no país e de recuperar as PPP de Loures, Cascais e Braga.

Pedro Nuno Santos acusou Ventura de ser igual à AD e à IL nesta matéria e perguntou-lhe se queria retirar dinheiro ao SNS e entregar tudo aos privados.

O passado esteve sempre presente: o de Pedro Nuno Santos no Governo que caiu, o de Ventura no partido que fez cortes nos rendimentos de funcionários públicos.

Mas foi na reta final que Pedro Nuno Santos conseguiu a vantagem no debate. Quando Ventura tenta explicar como vai baixar impostos e ao mesmo tempo aumentar pensões, o líder socialista desmontou as contas e desmontou Ventura ao dizer que o líder do Chega vai mudando e ajustando as medidas ao sabor das críticas que lhe são apontadas.

A tecla a partir daqui foi sempre a mesma: Ventura engana, Ventura mente e Ventura anda a "mendigar uma aliança" com um partido que "não o quer". Terminou a desafiar Ventura a revelar quem lhe deu a garantia de 99% de que haveria um governo de direita com o Chega. Não houve resposta.

A vitória de Pedro Nuno foi à justa, por ter demasiadas vezes ficado agarrado a um passado que não o deixa num lugar confortável. Mas foi uma vitória por ter conseguido desmontar os ziguezagues de Ventura e de o colar ao rótulo do qual ele mais tenta fugir: de que é um produto do sistema, está dentro do sistema e quer subir no sistema para alcançar o poder a qualquer custo.

João Silvestre

Pedro Nuno Santos – 7
André Ventura – 4

Este era um debate importante para André Ventura que gosta de se apresentar como o líder da direita que tem no PS o seu adversário. Não conseguiu. Longe disso. Foi acantonado por Pedro Nuno Santos como um partido radical que “mendiga” lugares no governo e que não é sequer respeitado pela AD com quem sonha coligar-se. O secretário-geral socialista não usou sequer o argumento ‘clássico’ da ameaça do Chega – útil para atrair voto ao centro.

André Ventura, como tem feito, repetiu frases feitas (sobre José Sócrates, corrupção, Ricardo Salgado, polícias) e trouxe como principal novidade um trocadilho que nunca teve grande eficácia e que repetiu três vezes: o Melhoral que não faz bem nem mal. Não atacou como noutros debates e os tiros que deu não tiveram grande resultado. Pedro Nuno começou pouco acutilante e foi subindo ao longo do debate. Marcou pontos ao sublinhar, sem resposta, o custo exorbitante e impossível de pagar dos aumentos de pensões prometidos por Ventura: são 9000 milhões ao ano …até ao infinito. Foi igualmente eficaz nos impostos (até recordou que o Chega quer acabar com o IVA na compra de habitação que já não existe) e teve até tempo para colar Ventura aos anos da troika quando policias e professores se manifestaram contra o Governo de Passos Coelho.

Martim Silva

Pedro Nuno Santos – 4
André Ventura – 5

Debater com André Ventura é um exercício perto do impossível. Interrompe o oponente para lá do admissível, propõe tudo e o seu contrário. As suas propostas, totalmente irrealistas do ponto de vista financeiro, são lançadas umas atrás das outras e sem possibilidade de serem desmentidas em tempo útil. Ainda assim, a conclusão do confronto desta noite, na TVI, entre o líder do PS, Pedro Nuno Santos, e o líder do Chega, André Ventura, só pode mesmo ser uma: Pedro Nuno Santos não esteve bem, apresentando uma falta de energia, de garra e de capacidade quase confrangedora. Que se passa com o homem que quer ser primeiro-ministro?

Um exemplo: os dois estiveram a debater durante 15 minutos, quase metade do debate (ainda para mais a primeira metade) o tema da justiça e da corrupção, com Pedro Nuno a deixar-se enredar na teia de Ventura, respondendo com propostas e ideias como a “digitalização” na área da Justiça.

Paulo Baldaia

Pedro Nuno Santos – 6
André Ventura – 6

Sabendo que André Ventura vinha de uma sucessão de derrotas nos debates, Pedro Nuno Santos estava obrigado a vencer este frente-a-frente e não foi capaz. Falhou o início quando lhe faltou firmeza sobre o que é preciso fazer para mudar uma justiça em que é difícil confiar com episódios como os que aconteceram no processo Influencer e no processo da Madeira.

Deixou para o fim o que de início devia ter deixado muito claro, o Chega e o seu líder não são credíveis. Ventura só não ganhou, porque ninguém ganha quando não é capaz de distinguir verdade e mentira.

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João Silvestre

Paulo Raimundo — 4
Rui Rocha — 6

Duas visões do mundo completamente diferentes que não se cruzam. Como água e azeite. De um lado “nacionalizar”, do outro “lucros privados, prejuízos privados”. Não parece que estivessem em disputa quaisquer votos entre PCP e Iniciativa Liberal. Paulo Raimundo defendeu as suas propostas, muitas delas conhecidas de eleições anteriores, sem conseguir explicar, por exemplo, como se faz para que as empresas todas aumentem salários em 15% ou donde vem o dinheiro para tal. Rui Rocha repetiu as ideias que o tem acompanhado nesta campanha: descida de impostos ou menos dinheiro do Estado para empresas (como a TAP ou a Efacec).

Não foi o debate mais entusiasmante e não parece que os ponteiros dos votos na IL e no PCP tenham mexido muito. Cada um falou para o seu público e, nisso, terá sido eficaz qb. Rui Rocha esteve melhor neste aspeto e pareceu sempre mais sólido na defesa das suas propostas.

Liliana Valente

Paulo Raimundo — 5
Rui Rocha — 6

Um debate sem grande chama e com muitas diferenças. Paulo Raimundo e Rui Rocha são tão diferentes que não há uma medida ou proposta que se cruze… há, na verdade, a redução de IRC para as PME. De resto divergem sobre a forma como se devem aumentar os salários, como potenciar a economia, como gerir a saúde ou sobre as privatizações, com a TAP à cabeça.

Rui Rocha apareceu no entanto com mais clareza a explicar a sua visão para o país, sobretudo na economia e de como lidar com as empresas, defendendo lucros privados, prejuízos privados.

Raimundo teve mais dificuldade em desmontar a visão da IL, completamente contrária à sua. Tentou fazê-lo na proposta de descida das comissões bancárias - dizendo que a IL não acompanhou a proposta do PCP -, mas foi menos eficaz. “Para a IL o Estado está a mais em tudo menos a passar os cheques”, atirou Raimundo por duas vezes. Rui Rocha encostou mais o PCP a questões sobre o programa dos comunistas, nomeadamente sobre qual o valor que custaria nacionalizar algumas das empresas que o PCP quer, Raimundo não conseguiu responder.

Na saúde, Rui Rocha foi eficaz a defender as PPP e Raimundo conseguiu encostar a IL aos privado dizendo que o que a IL quer é que o Estado continue a ser “o passador de cheques”.

No fim, não acredito que algum tenha convencido algum novo eleitor com este debate. Foi apenas um debate para públicos já convencidos.

Eunice Lourenço

Paulo Raimundo — 5
Rui Rocha — 6

“O que temos é uma visão completamente oposta da Iniciativa Liberal”, disse a dada altura o secretário-geral do PCP. E esse poderia ser o resumo de um debate chato e desinteressante, em que ninguém estava ali para convencer ninguém, mas só para cumprir calendário. Rocha e Raimundo pensam diferente sobre tudo, sobre o mundo e a economia, sobre a justiça e a saúde, mas têm muito em comum: são dois líderes em estreia, que sucedem a líderes carismáticos e que estavam a contar com mais tempo para firmar as suas lideranças e se tornaram mais conhecidos dos portugueses. Quem votar neles a 10 de março, será por convicção comunista ou liberal e não pelos seus desempenhos televisivos ou capacidade argumentativa. Ainda assim, a argumentação do liberal é mais rápida, mais percetível e menos ortodoxa.

Cristina Figueiredo

Paulo Raimundo — 2
Rui Rocha — 6

A cada debate o secretário-geral do PCP confirma a impreparação para o cargo que ocupa, algo que até aqui era disfarçado pelo seu ar afável e era invisível nas declarações avulso do dia-a-dia sobre os temas da atualidade noticiosa. Agora que o vemos quase todos os dias na televisão, em confronto com outros candidatos ao cargo de primeiro-ministro (sim, ainda que estejamos numa pré-campanha para legislativas que elegem deputados, como o PCP gosta de sublinhar, também é disso que se trata), chega a ser confrangedora a superficialidade discursiva de Paulo Raimundo incapaz de ir além de chavões (e de muitas muletas de linguagem) e de explicar, com cabeça, tronco e membros, como se aumentam salários, se valorizam carreiras, se resolvem a falta de profissionais na saúde ou a falta de celeridade na justiça. “É preciso avançar quando é preciso avançar” - a frase que encontrou para sair das perguntas sobre a reforma da justiça, quando era evidente que não sabia o que dizer - resume a vacuidade da prestação do líder comunista. Rui Rocha, por seu turno, tem vindo de debate para debate a adquirir confiança e revela cada vez mais consistência na prestação e na convicção com que defende as suas propostas. E isto, no cotejo com o seu adversário desta noite, nem é grande elogio.

Luís Aguiar-Conraria

Paulo Raimundo — 3
Rui Rocha — 5

Depois de um início tépido de parte a parte com o tema da corrupção, o debate não chegou a aquecer. Passou-se para a economia e, desculpem o meu enviesamento, Paulo Raimundo só disse disparates. Quer nacionalizar tudo. Quer aumentar salários por lei, etc. Para ganhar um debate a Paulo Raimundo, pelo menos na componente económica, basta estar calado.

Na questão dos hospitais e das PPP, Rui Rocha esteve bem, mas Paulo Raimundo também me pareceu bem a perguntar se faz sentido dar o dinheiro aos privados. Ambos terão falado bem para os seus eleitorados.

No fim, temos de reconhecer que foi um debate com pouco interesse. Dou pior nota a Paulo Raimundo porque nas questões económicas o seu discurso é próximo do nonsense.

Henrique Raposo

Rui Rocha — 6
Paulo Raimundo — 2

O nível de Raimundo é confrangedor, ouvi-lo é como ouvir estática, é como ouvir uma televisão com chuva. Está sempre perdido; tal como o PCP está perdido no mundo de 2024.

Rui Rocha tem as ideias certas para a reforma do país e estão ancoradas nas melhores práticas europeias, Alemanha ou Holanda. Raimundo acenou com o fantasma dos EUA, um cliché da esquerda, mas os exemplos da IL são os países europeus que recebem emigração portuguesa; jovens que emigram desta estagnação socialista para realidades liberais ou mais liberais. Julgo porém que Rocha não tem um carisma de líder. Para a liderança é preciso alguém com uma presença para lá das ideias.

Mas, seja como for, essas ideias estão lá: defender os factos é defender a eficácia das PPP na saúde. É preciso mesmo muita ideologia para não se ver isto. Tal como é preciso muita ideologia para se continuar a reduzir a questão à frase “dar dinheiro aos privados” como se isso fosse um enorme pecado, como se a ADSE, portanto, fosse um enorme pecado e não um subsistema de saúde que articula estado e privado e que consagra o estado como garantia e não como prestador – o princípio liberal que tem protegido os funcionários públicos na saúde, que votam quase sempre PS. País estranho, este.

 

Começam assim "Debater com André Ventura é um exercício perto do impossível. Interrompe o oponente para lá do admissível, propõe tudo e o seu contrário." 

Mas são capazes de dizer que o Ventura esteve melhor.

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Citação de Mica, há 16 minutos:

O Henrique Raposo nunca desilude.

Faz lembrar o Mourinho, que só se deu bem com clubes rebeldes contra o status quo.

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Citação de whatever, há 11 horas:

Muito sinceramente não sei o que lhe vai na cabeça, logo para começar nem me parece que ele estivesse com muita vontade de estar nesta posição nesta altura do campeonato.

Cada vez mais acho isso. Foi apanhado na curva com a demissão do Costa e teve que chegar-se à frente, porque a estratégia dele era andar mais 1 aninho ou 2 na sombra.

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A sobranceria do Ricardo Costa sempre foi detestável, que gajo execrável.

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Hoje só há um debate. BE e IL na CNN. Inicialmente estava agendado para as 18 mas em teoria passou para as 18 e 30. 

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Citação de HappyKing, há 11 horas:

Foi, claramente, má escrita minha ali. As minhas desculpas, não me apercebi que tinha ficado tão mal escrito. Vou tentar explicar.

O que queria dizer era:

O Rui Rocha defendeu a utilização do setor privado para dar resposta aos problemas da saúde. 

O Paulo Raimundo defendeu que o SNS tinha um problema estrutural de falta de mão de obra. Mas não conseguiu explicar as consequências, adversas, do que o Rui Rocha propôs face a esse problema estrutural que referiu. Não conseguiu fazer a ponte entre as duas coisas no fundo, que era algo relativamente simples naquele caso. 

 

Sim, eu acabei por perceber e concordar lol. Mas na primeira passagem tive que voltar atrás porque já ia no post seguinte quando pensei "calma, não faço ideia do que acabei de ler", depois tiver que reler duas vezes lol.

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