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Sumudica by Night

Morreu Mário Soares

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Para os que querem dividir (ou decidir o que fazer) com os lucros obtidos por determinada empresa com o capital "empatado" por determinada(as) pessoas, o que se faria quando a empresa desse prejuízo em determinado ano(os)?

As pessoas olham para os lucros das maiores empresas, grupos, etc, mas esquecem que o tecido empresarial português é constituído por pequenas e médias empresas e que muitos patrões colocam dinheiro dele (ou de ganhos anteriores) quando num ou outro ano as coisas correm menos bem... aí seriam também os trabalhadores a arcar com esses problemas e metiam do bolso deles para fazer face às despesas da empresa.

Como em tudo há os bons e os maus, há patrões que se preocupam, para além do seu dinheiro, em proporcionar condições aos seus trabalhadores e acreditem que conheço bastantes casos de empresas pequenas/médias que durante o auge da crise fizeram de tudo para manter os postos de trabalho, mesmo já não precisando daquilo para nada.

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Em meados dos anos 80, quando o FMI por cá passou pela 2ª vez e o Soares nos mandava apertar o cinto, viveram-se momentos muito conturbados principalmente por aqui na Margem Sul. A Lisnave (tal como a CUF - na altura Quimigal - a Setenave, as fábricas de metalomecânica e praticamente todas as indústrias da região) passava por grandes dificuldades. Os funcionários (milhares) tinham os salários em atraso, a inflação era galopante e vivia-se mal. Havia fome no Distrito de Setúbal.

 

Foi a época áurea das manifestações e do ressurgimento pleno do comunismo por estas bandas. Eram todos comunistas os que tinham o azar de estar empregados no setor privado. As palavras de ordem eram as de sempre: "O Povo Unido Jamais Será Vencido"; "A Terra A Quem A Trabalha"; "A Coletivização dos Meios de Produção" e por aí fora... com as novidades "Soares Vendido", "Soares Traidor", "Rua Com o FMI"...

 

Após situações por vezes dramáticas a Lisnave teve que enveredar pelo downsize. Despedimentos. Com direito a indemnizações. Muitos foram os ferverosos comunistas, operários, soldadores, fresadores, torneiros mecânicos, serralheiros, especialistas das mais diversas áreas dos trabalhos oficinais que resolveram aplicar as indemnizações recebidas na criação do seu próprio negócio. Explodiram por aqui os restaurantes, cafés, mercearias, salões de cabeleireiras... Almada em 3 ou 4 anos transformou-se de um concelho maioritariamente industrial para um concelho com predominância do comércio e serviços.

 

E nesse curto espaço de tempo observou-se outra grande transformação. Dos antigos fanáticos comunistas para pequenos capitalistas que contratavam empregados pagando-lhes o salário mínimo e procurando, por todos os meios, fugir aos impostos e, em particular, à Segurança Social obrigatória. Transformação essa que se refletiu nas urnas pois estes novos capitalistas ajudaram a dar as duas maiorias absolutas que o Cavaco usufruiu.

 

E isto ninguém me contou nem li em lado nenhum. Assisti. Falei com essas pessoas. Conheci muitas delas. E eram raras as que mantinham alguma reserva face à incoerência das suas opiniões e posições. Nem mostravam qualquer vergonha. Porque era mesmo assim. Num momento estavam de um lado da barricada, no outro passaram para o outro lado. É a vida!

 

É por isso que o comunismo não passa de uma utopia. Porque a coletivização dos meios de produção é muito bonita e defensável com unhas e dentes quando se trata da propriedade alheia. Quando calha a ser a nossa, a conversa já é radicalmente diferente.

 

E, mesmo assim, a maioria vota no PCP. :mrgreen:

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Colectivização dos meios de produção? Vamos ver a reforma agrária em directo em Portugal:

 

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Bieber e Ronaldinho, são esses os teus exemplos? :mrgreen:

É como disse uma vez ao Woyzek, se há pessoas que estão dispostas a pagar para ver o trabalho deles, então têm toda a legitimidade para continuar a fazer o que fazem e a viver do que recebem. Se tu acreditas que consegues fazer melhor, estás num contexto excelente para tentar fazê-lo, só tens de te fazer à vida e tentar. Se a tua cena não é cantar nem jogar à bola, não fiques resignado. Pensa naquilo que fazes ou no que gostarias idealmente de fazer, e procura fazê-lo melhor que os outros. Seja o que for em que estejas a pensar, tenho a certeza que essa linha de pensamento será sempre uma ajuda para vires a ter mais do que aquilo que tens agora, podes confiar :)

 

E acredita também que a desigualdade me preocupa tanto como te preocupa a ti ou a qualquer outra pessoa informada. A diferença entre nós é que tu defendes que a culpa é dos ricos que se aproveitam dos pobres, enquanto que eu defendo que a culpa é da redistribuição deficiente que temos por cá, fruto de sucessivos governos e gestões públicas incompetentes, corruptas e negligentes, e da passividade com que a generalidade encara essas más gestões enquanto os problemas não lhes tocam de forma pessoal. Ainda assim, com um sistema tão imperfeito como aquele que nós temos, ainda vou acreditando que o elevador social funciona para a maioria de nós, por isso é que me rio das posições conformistas que volta e meia se vai vendo por aí, que encaram com tom jocoso aqueles que defendem que com trabalho ainda se consegue subir na vida.

 

Deixo só uma história engraçada que li há uns tempos e que copio aqui:

 

"Otelo vai à Suécia explicar o que pretendem os militares portugueses que derrubaram o fascismo. Quando encontra Olof Palme, depois das iniciais palavras de circunstância, diz-lhe que o objectivo da revolução portuguesa é acabar com os ricos. O primeiro-ministro sueco testemunha-lhe um programa diferente: “Nós, os sociais-democratas suecos, queremos acabar com os pobres. O que mais nos incomoda é a pobreza”."

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Muito boa gente na terra dos meus avós, durante a Reforma Agrária, meteu muito dinheirinho ao bolso e outros nada receberam.

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Quem não quer ser mais do que força de trabalho, que crie a sua própria empresa e que a torne grande de modo a que possa colher os lucros.

Não tens capacidade? Problema não é meu.

 

#baterpunho

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Para os que querem dividir (ou decidir o que fazer) com os lucros obtidos por determinada empresa com o capital "empatado" por determinada(as) pessoas, o que se faria quando a empresa desse prejuízo em determinado ano(os)?

As pessoas olham para os lucros das maiores empresas, grupos, etc, mas esquecem que o tecido empresarial português é constituído por pequenas e médias empresas e que muitos patrões colocam dinheiro dele (ou de ganhos anteriores) quando num ou outro ano as coisas correm menos bem... aí seriam também os trabalhadores a arcar com esses problemas e metiam do bolso deles para fazer face às despesas da empresa.

Como em tudo há os bons e os maus, há patrões que se preocupam, para além do seu dinheiro, em proporcionar condições aos seus trabalhadores e acreditem que conheço bastantes casos de empresas pequenas/médias que durante o auge da crise fizeram de tudo para manter os postos de trabalho, mesmo já não precisando daquilo para nada.

O que é que acontece quando um de todos os bancos privados começa a ter prejuízos? Sofrem resgates, estímulos, etc, etc. Numa empresa democrática, a democracia iria servir e auxiliar a democracia no trabalho.

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Claro que é. O Bieber trabalhou no duro para cantar de forma genial as canções dele e por causa disso merece receber milhares de vezes mais do que tu. O Ronaldinho trabalhou completamente no duro, a ética de trabalho dele é incomparável há dos outros futebolistas e por isso é que ele é multimilionario.

Estes não são os melhore exemplos porque são assalariados, têm alguém que retira mais-valias do seu trabalho.

 

Embora existe o marxismo-terceiro-mundismo que define que no primeiro mundo já não existe proletariado, dado que estes criaram estruturas de poder que lhes permitem escravizar os trabalhadores dos países subdesenvolvidos, vide a escravidão na Índia e Bangladesh. Eu não defendo nisso, apesar de existirem análises correctas. É possível, em Portugal, tomar-se o poder.

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E, mesmo assim, a maioria vota no PCP. :mrgreen:

 

Tens mesmo a certeza disso ou o bonequinho verde indica que estás a ser irónico?

 

Ora vejamos:

 

Resultados das Legislativas no Distrito de Setúbal:

 

1975 - Constituinte

 

PS (Mário Soares) - 38,2

PCP (Álvaro Cunhal) - 37,8

MDP (José Manuel Tengarrinha) - 6,0

PPD (Sá Carneiro) - 5,7

 

1976 - Mário Soares eleito 1º Ministro

 

PCP (Álvaro Cunhal) - 44,4

PS (Mário Soares) - 32,2

PPD (Sá Carneiro) - 8,4

 

1979 - Sá Carneiro eleito 1º Ministro

 

APU (Álvaro Cunhal) - 47,0

AD (Sá Carneiro) - 22,3

PS (Mário Soares) - 21,4

 

1980 - Sá Carneiro / Pinto Balsemão eleito(s) 1º Ministro

 

APU (Álvaro Cunhal) - 44,0

AD (Sá Carneiro) - 24,1

FRS (Mário Soares) - 23,5

 

1983 - Mário Soares eleito 1º Ministro

 

APU (Álvaro Cunhal) - 45,8

PS (Mário Soares) - 30,6

PSD (Mota Pinto) - 12,7

 

1985 - Cavaco Silva eleito 1º Ministro

 

APU (Álvaro Cunhal) - 38,2

PRD (Hermínio Martinho) - 20,4

PS (Almeida Santos) - 16,5

PSD (Cavaco Silva) - 15,4

 

1987 - Cavaco Silva 1º Ministro

 

CDU (Álvaro Cunhal) - 32,7

PSD (Cavaco Silva) - 32,6

PS (Vítor Constâncio) - 17,6

 

1991 - Cavaco Silva 1º Ministro

 

PSD (Cavaco Silva) - 34,7

PS (Jorge Sampaio) - 28,4

CDU (Álvaro Cunhal) - 24,9

 

1995 - António Guterres 1º Ministro

 

PS (António Guterres) - 44,9

CDU (Carlos Carvalhas) - 23,8

PSD (Fernando Nogueira) - 18,4

 

1999 - António Guterres 1º Ministro

 

PS (António Guterres) - 43,7

CDU (Carlos Carvalhas) - 24,8

PSD (Durão Barroso) - 18,0

 

2002 - Durão Barroso / Santana Lopes 1º Ministro

 

PS (Ferro Rodrigues) - 39,3

PSD (Durão Barroso) - 24,7

CDU (Carlos Carvalhas) - 20,5

 

2005 - José Sócrates 1º Ministro

 

PS (José Sócrates) - 43,6

CDU (Jerónimo de Sousa) - 20,0

PSD (Santana Lopes) - 16,1

BE (Francisco Louçã) - 10,3

 

2009 - José Sócrates 1º Ministro

 

PS (José Sócrates) - 34,0

CDU (Jerónimo de Sousa) - 20,1

PSD (Manuela Ferreira Leite) - 16,4

BE (Francisco Louçã) - 14,0

 

2011 - Passos Coelho 1º Ministro

 

PS (José Sócrates) - 27,1

PSD (Passos Coelho) - 25,2

CDU (Jerónimo de Sousa) - 19,7

CDS (Paulo Portas) - 12,0

 

2015 - Passos Coelho / António Costa 1º Ministro

 

PS (António Costa) - 34,3

PAF (Passos Coelho) - 22,6

CDU (Jerónimo de Sousa) - 18,8

BE (Catarina Martins) - 13,1

 

 

Dos 47% em 1979 para menos de 19% há pouco mais de um ano é grande trambolhão... Curiosamente o pior resultado de sempre do PCP/APU/CDU foi exatamente nas eleições que se seguiram ao Governo da Troika e sua marioneta Passos Coelho...

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Esqueci-me de acrescentar que me referia às Autárquicas, poupava-te esse trabalho todo. :mrgreen: Nas Legislativas já nem no Alentejo são os mais votados.

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As autárquicas são uma história completamente diferente. As motivações para os votos vão muito para além das questões ideológicas.

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Por acaso tenho curiosidade em conhecer essas motivações. É que vivo na Margem Sul desde que nasci e nunca consegui perceber muito bem a atracção das pessoas pela gestão camarária comunista.

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Bieber e Ronaldinho, são esses os teus exemplos? :mrgreen:

É como disse uma vez ao Woyzek, se há pessoas que estão dispostas a pagar para ver o trabalho deles, então têm toda a legitimidade para continuar a fazer o que fazem e a viver do que recebem. Se tu acreditas que consegues fazer melhor, estás num contexto excelente para tentar fazê-lo, só tens de te fazer à vida e tentar. Se a tua cena não é cantar nem jogar à bola, não fiques resignado. Pensa naquilo que fazes ou no que gostarias idealmente de fazer, e procura fazê-lo melhor que os outros. Seja o que for em que estejas a pensar, tenho a certeza que essa linha de pensamento será sempre uma ajuda para vires a ter mais do que aquilo que tens agora, podes confiar :)

 

E acredita também que a desigualdade me preocupa tanto como te preocupa a ti ou a qualquer outra pessoa informada. A diferença entre nós é que tu defendes que a culpa é dos ricos que se aproveitam dos pobres, enquanto que eu defendo que a culpa é da redistribuição deficiente que temos por cá, fruto de sucessivos governos e gestões públicas incompetentes, corruptas e negligentes, e da passividade com que a generalidade encara essas más gestões enquanto os problemas não lhes tocam de forma pessoal. Ainda assim, com um sistema tão imperfeito como aquele que nós temos, ainda vou acreditando que o elevador social funciona para a maioria de nós, por isso é que me rio das posições conformistas que volta e meia se vai vendo por aí, que encaram com tom jocoso aqueles que defendem que com trabalho ainda se consegue subir na vida.

 

Deixo só uma história engraçada que li há uns tempos e que copio aqui:

 

"Otelo vai à Suécia explicar o que pretendem os militares portugueses que derrubaram o fascismo. Quando encontra Olof Palme, depois das iniciais palavras de circunstância, diz-lhe que o objectivo da revolução portuguesa é acabar com os ricos. O primeiro-ministro sueco testemunha-lhe um programa diferente: “Nós, os sociais-democratas suecos, queremos acabar com os pobres. O que mais nos incomoda é a pobreza”."

 

São exemplos... :mrgreen:

Obviamente que não são o Bieber e Ronaldinho que estão a oprimir o povo e têm toda legitimidade para fazer o que fazem. Agora não me digas que o comum dos mortais que bule 8 horas por dia não trabalha mais duro que o Ronaldinho que sendo desportista profissional chegou a estar gordo e o Bieber que só tem de abrir a boca para cantar as letras que outros escreveram para ele...

 

Deve preocupar tanto, mas tanto que até votas PAF...

Err e os governos funcionam mal, são corruptos e incompetentes porquê? Não será porque são corrompidos pelos ricos? Ainda para mais em Portugal em que somos um país relativamente pequeno e os ricos/poderosos conhecem-se todos uns aos outros...

Pá eu já contei isto não sei quantas vezes, mas tem de ser de novo. Num natal enquanto a malta do catering nos servia a refeição, um familiar meu contou uma história verdadeira na brincadeira para defender a corrupção. Ele tinha um amigo que tinha um muro que entrava 1 metro em terrenos públicos e o fiscal deu por isso. O amigo foi-lhe pedir ajuda e ele podia ligar ao Relvas para este falar com Rio e o Rio resolvia isso ele mesmo ou falava com o cacique local e estava feito. Mas fazer dois ou três telefonemas é muito trabalhoso e não vale a pena estar a incomodar as pessoas. Portanto ele diz para o amigo dar 500 paus ao fiscal e tá a andar. Ou seja o cérebro dele só computava corrupção ou tráfico de influencias. Para ele dar a palavrinha era a opção honesta e natural que se opunha à corrupção. Seguir as leis? Isso é para parvos e pobres...

O que é absolutamente irónico é que os coitados que tiveram de passar o Natal afastados da família a servir os outros se for preciso tinham ido lá votar nos Passos para cortar com as gorduras, no entanto acabam a servi-las à mesa....

 

 

Essa passividade é tipo aquela que permitiu que a PAF tivesse uma vitória estrondosa nas eleições quando o seu nº2 esteve envolvido naquele cambalacho dos submarinos? Na Alemanha houve condenações a quem corrompeu funcionários públicos estrangeiros, mas tu votaste no responsável pelo negócio... :maluco:

Se tiveres exemplo melhor chuta...

 

 

Vais-te rindo? Pá ninguém diz que se tiveres capacidade e te esforçares como crl não vais subir na vida. Agora se fores a ver números Portugal é muito pior que países do Norte da Europa e deve andar ali taco a taco com o RU...

Mas para mim a questão principal não é se há muita ou pouca mobilidade social. São as condições em que a maioria vive...

 

O que vai de encontro aí a essa história insurgente que contas. Não percebo é como é que tens moral para falar disso quando durante a última legislatura foi feito bola para melhorar a vida dos pobres, mas pronto acho que já descortinei a receita que estava a ser aplicada....

Era muito importante na primeira legislatura cortar subsídios, vender dos activos mais importantes do país enquanto se continuava a aumentar brutalmente a dívida, deixar um bocadinho a marinar antes das eleições e recomeçar o trabalho na próxima legislatura...

Nesta legislatura quando tivéssemos quase todos na miséria a receita era deixar entrar em cena as forças do mercado, adicionar sinergias, uns pós de competitividade, uma pitada de empreendedorismo e quando tivesse tudo a ficar no ponto, a mão invisível batia um punho ao crl da poupança e Portugal ficava transformado num país Nórdico.

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Por acaso tenho curiosidade em conhecer essas motivações. É que vivo na Margem Sul desde que nasci e nunca consegui perceber muito bem a atracção das pessoas pela gestão camarária comunista.

Arrisco-me a dizer grande asneira, mas imagino que a explicação do Descartes vá de encontro à mesma moral do seu comentário sobre a ideologia comunista pós-25 de abril. Nas autárquicas já nos pode tocar a nós ou aos nossos. Ou seja, aí já existem interesses pessoais a interferir na intenção de voto. Ou porque interessa meter um familiar na Junta/Câmara, ou porque dá jeito que determinado político ascenda ao poder para devolver favores. Algo por aí.

Editado por The Sandman

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Isso já é uma ideia bastante desenvolvida nos países nordicos. Onde o que eles pedem ao trabalhador são os resultados. Como é que o trabalhador o faz e quantas horas faz, não é o mais importante (ao contrário do que acontece em PT). Claro que há sectores onde esta ideia nao é possivel de implementar mas é por isso que eles também já procuram a redução das horas de trabalho.

 

Em Portugal não funciona. É um mercado laboral muito burocrático e teocrático cheio de m*rda e merdinhas que só atrasam a produção e dificultam a obtenção dos resultados.

Generalização péssima.

Já trabalhei em 3 empresas diferentes em Portugal e todas se regem por pedir resultados e não interessa as horas de trabalho.

 

Nesse tema de monitorizar horas de trabalho vi mais serem os próprios trabalhadores a serem fiscais e c*brões do que os empregadores (o meu trabalho levava-me a ter projetos em outras empresas). É o colega que olha de lado se chegares às 9h30, é o outro que olha de lado e manda a boca se tens uma hora de almoço de 1h30/2h, é outro que manda boca se sais às 18h, é outro que manda a boca se sais às 17h mesmo que tenhas estado a trabalhar desde as 7h, etc.

 

Colectivização dos meios de produção? Vamos ver a reforma agrária em directo em Portugal:

 

[youtubehd]l7qs_nfLMSc[youtubehd]

Lindo

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Eu não consigo levar muito a sério o que se tem escrito para trás, porque maior parte dos posts cheira a fundamentalismo puro. Pessoas sem capacidade para manter duas ideias contrárias na cabeça.

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Arrisco-me a dizer grande asneira, mas imagino que a explicação do Descartes vá de encontro à mesma moral do seu comentário sobre a ideologia comunista pós-25 de abril. Nas autárquicas já nos pode tocar a nós ou aos nossos. Ou seja, aí já existem interesses pessoais a interferir na intenção de voto. Ou porque interessa meter um familiar na Junta/Câmara, ou porque dá jeito que determinado político ascenda ao poder para devolver favores. Algo por aí.

 

Sim, mas não só.

 

Tem a ver essencialmente com 3 fatores que, a juntar à ideologia política de cada um, forma um quarteto de motivações:

 

1 - Os eleitores votam, maioritariamente, em pessoas e não nos partidos. Mesmo nas legislativas embora, formalmente, estejamos a votar em partidos e em listas para eleger deputados, a maioria dos eleitores escolhe entre o "Passos Coelho", o "Costa", o "Jerónimo", a "Catarina" ou a "Cristas". Baixando a escala para as autárquicas o processo é o mesmo. Vota-se, maioritariamente, no candidato a Presidente de Câmara e aqui com uma expressão muito maior do que nas legislativas porque os candidatos são, normalmente, pessoas mais próximas dos eleitores. De quem se conhecem as famílias, os percursos, os hábitos, os vícios...

 

2 - Os eleitores são conservadores com os seus votos. Mais facilmente votam em quem já lá está e apresenta obra feita do que apostam em alternativas. É assim e não há volta a dar. E isto acontece nas presidenciais, nas legislativas e nas autárquicas. Mais uma vez aqui com maior expressão porque a atividade autárquica afeta diretamente o quotidiano das pessoas. Vota-se em quem tapou o buraco na rua onde se vive, em quem vem recolher o lixo sem grandes falhas, em quem assegura a limpeza. Daí a permanência alargada dos "dinossauros" que só foram afastados por imposição legal. Daí os votos teoricamente absurdos que continuam a ser depositados diligentemente em figuras como o Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e outros que tais. As pessoas não são burras. Valorizam mais determinados aspetos do que outros.

 

3 - O caciquismo local, claro. Que foi a questão que abordaste. A rede de influências construída ao longo do tempo, via movimento associativo e alimentada à custa da atribuição inesgotável de subsídios. A constituição de muitas autarquias como "Centro de Emprego" direcionada essencialmente para amigos, familiares de amigos, amigos de amigos. Quem lá está já tem a rede montada. Quem vem de novo precisa de muito trabalho para a montar.

 

4 - A opção ideológica de cada um, claro. Com menor expressão mas há sempre aqueles que votam na "foice e no martelo", na "mãozinha" ou nas "setinhas" só porque sim. Porque sempre votaram e não é agora que vão mudar. Porque acreditam mesmo que as políticas defendidas pelos partidos da sua preferência são as mais adequadas. Este aspeto, como se percebe facilmente, tem maior importância em legislativas do que em qualquer outra das eleições.

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Sim, mas não só.

 

Tem a ver essencialmente com 3 fatores que, a juntar à ideologia política de cada um, forma um quarteto de motivações:

 

1 - Os eleitores votam, maioritariamente, em pessoas e não nos partidos. Mesmo nas legislativas embora, formalmente, estejamos a votar em partidos e em listas para eleger deputados, a maioria dos eleitores escolhe entre o "Passos Coelho", o "Costa", o "Jerónimo", a "Catarina" ou a "Cristas". Baixando a escala para as autárquicas o processo é o mesmo. Vota-se, maioritariamente, no candidato a Presidente de Câmara e aqui com uma expressão muito maior do que nas legislativas porque os candidatos são, normalmente, pessoas mais próximas dos eleitores. De quem se conhecem as famílias, os percursos, os hábitos, os vícios...

 

2 - Os eleitores são conservadores com os seus votos. Mais facilmente votam em quem já lá está e apresenta obra feita do que apostam em alternativas. É assim e não há volta a dar. E isto acontece nas presidenciais, nas legislativas e nas autárquicas. Mais uma vez aqui com maior expressão porque a atividade autárquica afeta diretamente o quotidiano das pessoas. Vota-se em quem tapou o buraco na rua onde se vive, em quem vem recolher o lixo sem grandes falhas, em quem assegura a limpeza. Daí a permanência alargada dos "dinossauros" que só foram afastados por imposição legal. Daí os votos teoricamente absurdos que continuam a ser depositados diligentemente em figuras como o Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e outros que tais. As pessoas não são burras. Valorizam mais determinados aspetos do que outros.

 

3 - O caciquismo local, claro. Que foi a questão que abordaste. A rede de influências construída ao longo do tempo, via movimento associativo e alimentada à custa da atribuição inesgotável de subsídios. A constituição de muitas autarquias como "Centro de Emprego" direcionada essencialmente para amigos, familiares de amigos, amigos de amigos. Quem lá está já tem a rede montada. Quem vem de novo precisa de muito trabalho para a montar.

 

4 - A opção ideológica de cada um, claro. Com menor expressão mas há sempre aqueles que votam na "foice e no martelo", na "mãozinha" ou nas "setinhas" só porque sim. Porque sempre votaram e não é agora que vão mudar. Porque acreditam mesmo que as políticas defendidas pelos partidos da sua preferência são as mais adequadas. Este aspeto, como se percebe facilmente, tem maior importância em legislativas do que em qualquer outra das eleições.

Concordo com quase tudo, mas acrescentava uma nota aí na parte das autárquicas. A nível de freguesias o que disseste é verdade, mas a nível de municípios nem por isso. Ainda há muita gente que usa, erradamente, as autárquicas para fazer um voto de protesto contra o poder legislativo.

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