Ir para conteúdo
Entre para seguir isso  
Mister Master

Morreu Belmiro de Azevedo

Publicações recomendadas

Vou atirar ao ar, mas será que se fossemos comparar as discrepâncias salariais entre os quadros superiores e inferiores das 100 maiores empresas do nosso país, não iríamos descobrir que, na maioria das vezes, aquelas com menores diferenças teriam os quadros inferiores melhores pagos?

 

O salário mínimo deveria ser pago a quem desempenha funções mínimas. No entanto, conseguiram contorcer as virtudes da formação académica de tal modo que passou a ser socialmente aceitável limitar o acesso a cargos melhor remunerados por falta de um canudo, ao mesmo tempo que se exigem cada vez mais qualificações para funções mais mal pagas. E justifica-se com a crise, quando, na verdade, isto não passa de uma forma de facilitar o acesso ao trabalho melhor remunerado àqueles com mais condições económicas a priori para pagar por uma formação académica.

 

Ou seja, os quinhentinhos existem para alimentar os tachos inflacionados dos privilegiados. É claro que existem as excepções que equilibram a balança sócio-económica e que todavia, por questões de equidade competitiva, não conseguem fugir muito à mediocridade salarial.

Editado por John Reverend

Compartilhar este post


Link para o post

Que eu saiba quem está a gerir empresas tem de minimizar os seus custos, se há pessoas que aceitam receber salário X, a empresa não tem de pagar X+1 só por caridade.

 

Agora sim, este tópico está completo.

Compartilhar este post


Link para o post

Nunca se conta a história de que terá "roubado" a Sonae. Diz-se sempre que criou um império a partir do nada.

Onde posso ler sobre isso?

Compartilhar este post


Link para o post

Que eu saiba quem está a gerir empresas tem de minimizar os seus custos, se há pessoas que aceitam receber salário X, a empresa não tem de pagar X+1 só por caridade.

 

Fdx este é sem dúvida o post mais absurdo que li no CMPT e em toda a internet. So espero que um dia não sejas faças parte dessas pessoas que se sujeitam a esse salário. Sim porque acho que ainda não percebeste que ninguém aceita de bom agrado trabalhar 40h semanais no duro pra receber 500 euros, sujeita a ganhar uma miséria porque precisa dele e a única alternativa é sujeitar ao salário do gênero.

 

Aliás até retiro o que disse. Espero que um dia te sujeitas a trabalhar por uns meros 500 euros. Se calhar vais pensar de forma diferente e tomar um pingo de noção nessa cabeça!

 

Mesmo sendo um gajo de direita é por estas coisas que acho que a esquerda tera sempre força/apoiantes. Enquanto uns olham apenas para os numeros, ignorando a vida das pessoas. A esquerda pensa ao contrário... Sim as vezes podem exigir o impossível? Verdade mas pelo menos olham pelo interesse das pessoas, alguém que o faça.

 

Acredito piamente que senão houvesse um salário mínimo nacional as empresas faziam questão de pagar ainda menos. Tou a imaginar aquela malta que vem de África, pouco intregados, com pouca educação a sujeitarem.se a trabalhar por 300 euros!

 

Quanto ao Belmiro, acho que é um grande palhaço! Todas as declarações que teve sobre salário mínimo, que os portugueses não podiam comprar com os salários franceses porque produziam 5 vezes menos por hora que um trabalhador francês.... São surreais. Como é que conseguiu ser dono da SONAE quando tinha apenas 16% das acções, quando disse que o Cavaco era um ditador porque dispensou uns ministros do governo que eram amigos dele (devem ter comido pouco :lol: ).

Editado por Alonso.

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante

Vou atirar ao ar, mas será que se fossemos comparar as discrepâncias salariais entre os quadros superiores e inferiores das 100 maiores empresas do nosso país, não iríamos descobrir que, na maioria das vezes, aquelas com menores diferenças teriam os quadros inferiores melhores pagos?

 

O salário mínimo deveria ser pago a quem desempenha funções mínimas. No entanto, conseguiram contorcer as virtudes da formação académica de tal modo que passou a ser socialmente aceitável limitar o acesso a cargos melhor remunerados por falta de um canudo, ao mesmo tempo que se exigem cada vez mais qualificações para funções mais mal pagas. E justifica-se com a crise, quando, na verdade, isto não passa de uma forma de facilitar o acesso ao trabalho melhor remunerado àqueles com mais condições económicas a priori para pagar por uma formação académica.

 

Ou seja, os quinhentinhos existem para alimentar os tachos inflacionados dos privilegiados. É claro que existem as excepções que equilibram a balança sócio-económica e que todavia, por questões de equidade competitiva, não conseguem fugir muito à mediocridade salarial.

 

A resposta ao bold é óbvia, porque existe um mínimo salarial para os quadros mais baixos de uma empresa, mas não existe limite superior para os mais altos - e o mais normal é tu deixares a tua empresa se receberes uma proposta melhor de outra empresa, logo essa convergência seria muito difícil de se fazer de cima para baixo. Mas a convergência de baixo para cima é possível, só que não em Portugal e não nas condições actuais, pela simples razão de que a procura é muito maior do que a oferta, e mesmo pagando o mínimo dos mínimos, haverá sempre mais gente do que aquela que é precisa. E é por isso que só as economias muito fortes, como a alemã, sobreviveram tanto tempo sem salário mínimo, o desemprego era baixíssimo e a escolaridade média bastante mais alta do que cá, e para reter os trabalhadores era necessário oferecer boas condições (depois há outros factores ao barulho, sobretudo culturais).

 

Quanto à excessiva importância do canudo, concordo totalmente. Aliás, nunca vi mais mediocridade junta do que nos meus tempos de faculdade, pessoal com muito poucas capacidades para além da de decorar páginas de texto a ordenar e debitar em sede própria. E mesmo entre quem tem o canudo, a distinção feita por vezes é ridícula, a começar nas médias e a acabar na discriminação entre universidades de primeira, segunda e terceira.

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post

Não suporto a política de exploração e pagar o mínimo possível aos trabalhadores, no entanto acho simples perceber o raciocínio que está por trás da declaração hiperbolizada do Belmiro "se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém”.

 

A Sonae tem ~40.000 trabalhadores. Vamos simplificar e assumir que todos ganham o salário mínimo.

Agora vamos assumir que a Sonae decide aumentar 100€ por mês a cada colaborador e em vez de pagar 550€ passa a pagar 650€ por mês.

Por ano é um aumento de 1.400€ por colaborador (100 * 14 meses).

 

Ao fim do ano é um aumento de custos com pessoal de 56.000.000€ para a Sonae.

Podes aumentar o salário, mas a taxa de esforço para a empresa aumenta implicando ou despedir ou deixar de recrutar.

 

 

Agora a parte de considerar que uma política baseada em baixos salários deve uma vantagem comparativa para Portugal para mim é só ridículo e meio caminho andado para o país não sair da cepa torta...

 

Percebo o raciocinio, os números não fazem sentido.

 

Quais são os custos de infraestruturas da Sonae e do Lidl? Do que vejo os Continentes são bem maiores do que os Lidl.

Quantos colaboradores contrata a Sonae e o Lidl? De uma pesquisa rápida, o Lidl emprega 5000 em PT (toda a estrutura), a Sonae sao mais de 40.000 mas nao sei quantos estão afetos à MC.

 

É claramente incomparavel os custos que ambos possuem em termos de estrutura ou colaboradores, mas a facturação também o é. Enquanto que um Lidl com números tops se dá ao luxo de facturar 30 000€ diários, o Continente se for preciso factura o triplo do valor.

Mas não é por aí, o Grupo Schwars do qual o Lidl faz parte é um dos maiores grupos de retalho do mundo, normalmente apenas atrás do Wallmart e o maior da Europa. Mesmo sendo um grupo tão grande, que emprega mais de 350 000 pessoas, continuam a pagar ordenados claramente acima da sua concorrência, seja em que cargo for. Seja no departamento de Marketing, seja na parte das compras ou mesmo num simples operador de loja.

E o Lidl em Portugal nem sequer tem o mesmo MO que nos restantes países da Europa. Em Portugal, mesmo numa empresa como esta ainda se apanham muitas manias em cargos de chefia claramente Portuguesas, mas é algo que acredito que vá mudando aos poucos e os valores pagos não são aqueles que se pagam lá fora, como na Alemanha mas ainda assim conseguem ser claramente superiores ao que se vai praticando cá.

 

A Sonae não é só Wortens, Continentes e afins. Tem uma parte industrial bastante desenvolvida. Apesar das pessoas lidarem só com estas superfícies no dia-a-dia, não resumam a Sonae, os trabalhadores da Sonae e o próprio Belmiro de Azevedo ao que se vê nas ditas superfícies.

 

Com isto não quero tomar nenhuma posição relativamente ao tratamento que a Sonae tem sobre a totalidade dos seus funcionários, pois tenho pouco conhecimento sobre isso.

 

Eu não estou a dizer que o salário pago aos trabalhadores do continente serve para manter a indústria. Tou a dizer que há mais secções do grupo SONAE do que o exemplo constante do Continente/Worten, e nestas secções as condições podem ser melhores ou piores, não faço ideia. Acho é que resumir a abordagem do Belmiro aos trabalhadores com base em experiências todas na mesma área podem nduzir em erro, tanto para o melhor ou para o pior.

Gostava era de ver a opinião de alguém que tenha trabalhado na SONAE indústria, os colegas que tenho que trabalharam lá foi só pela tese de mestrado.

 

E o Belmiro é meu colega de curso, fora a diferença de anos :mrgreen:

 

 

Tudo verdade, e a parte da industria da Sonae até paga relativamente bem. O verY acho que trabalha por lá, se quiser pode confirmar. Agora em posições do mesmo cariz, quase que aposto o tomate esquerdo em como o Lidl paga mais que a Sonae em qualquer uma delas. Seja um gestor de logistica, marketing digital ou até mesmo à equipa de preparação.

A parte do retalho alimentar da Sonae teve um volume de negócios 1,7 mil milhões de euros só nos primeiros seis meses deste ano. Não faço puto de ideia qual é o lucro que conseguem face ao volume de negócios mas as margens no retalho alimentar por norma são curtas. Ainda assim, duvido que não tivesse espaço para pagar algo mais aos trabalhadores de quadros mais baixos.

E nem sequer é algo que me toque a mim pessoalmente, mas não esperem que eu acabe a bater palmas a esta parte da politica da empresa quando não a merece.

O Lidl em 2015 atingiu o melhor ano de vendas em Portugal, premiaram todos os colaboradores com um cartão presente no valor de 250€. Pouco antes a empresa tinha comemorado os 20 anos da entrada em Portugal e ofereceram mais um ordenado a todos os colaboradores, e isto estende-se a qualquer cargo, dentro ou fora do próprio supermercado.

O próprio grupo tem como ordenado de entrada em Portugal 600€ (definido em 2015), neste momento já não se fazem contratos a termo, quem entra é logo efectivo. Tens o teu primeiro aumento ao fim de 12 meses de trabalho.

Neste momento ofereceram um seguro de saúde da Multicare a todos os seus empregados.

 

Tudo isto para dizer que o melhor é emigrar, eu não recebi nenhum bónus e nem sequer é a melhor empresa para se trabalhar no país. E ainda temos o bónus de o Português ser um trabalhador bem visto lá fora.

 

E antes que se ache que eu tenho uma tara pelo Lidl, o Pingo Doce (se não estou em erro) paga acima do salário minimo e o Minipreço também. O que paga pior é o Jumbo.

Mas o problema já nem é só o salário minimo, o próprio salário médio é super baixo. Existem poucos escalões de variação de ordenado e poucas variantes mesmo para um simples operador de supermercado.

Se existir alguém que trabalha na Sonae por aqui a efectivo e esteja na empresa há mais de 3 ou 4 anos, que deixe aqui o valor de ordenado que lhe pagam (se não tiver problema). Tenho um colega meu nesta situação no Lidl, que é neste momento vendedor especializado (escalão mais alto de vendedor) e leva 700 e tal€ por 32hrs de trabalho semanais. Duvido seriamente que a Sonae se aproxime sequer desses valores, sendo que o Aldi já o faz.

É uma questão de politica da empresa.

Editado por Pickle Rick

Compartilhar este post


Link para o post

Onde posso ler sobre isso?

Podes ler no livro Os Donos de Portugal e um outro que não me lembro do nome, e a Internet também te conta coisas.

 

É uma história que está meio apagada e muito a favor do Belmiro porque a outra família não ficou para contar. E "roubar" pode ser lido das mais variadas maneiras dependendo dos escrúpulos que possuímos. Podemos dizer que foi um canalha que traiu quem lhe deu de comer ou podemos dizer que foi um tipo inteligente e que aproveitou uma brecha.

 

O Belmiro entrou para a Sonae como um simples funcionário dos quadros (não sei o que fazia) e sem capital (o dinheiro que tinha foi gastando-os em estudos lá fora). Quando se dá o 25 de Abril o Pinto Magalhães e a família exilam-se no Brasil e o seu banco (Banco Pinto Magalhães) e restantes empresas, no ano seguinte em 75, são nacionalizadas e as quotas da Sonae que estavam divididas entre o banco e a família também passam a estar na mão do estado. Mas o estado, que ficou detentora da empresa, permitiu que a Sonae fosse gerida por um pequeno grupo dos quadros (pessoas sem relevância que não fugiram do país) mas que detinham pequenas quotas oferecidas pelo Pinto Magalhães, passando o Belmiro, e outros, para a direcção da empresa (diz-se que chegou a conseguir um plenário, meter os trabalhadores da empresa em greve até conseguir forçar esta decisão). Quando o Pinto Magalhães volta do Brasil e recupera o controlo da empresa, dá-lhe 16%, a Sonae entra na Bolsa e depois o PM morre e o Belmiro primeiro tenta vender a sua parte à família Magalhães, a família não pode, então o Belmiro tenta comprar a posição da família, não consegue, compra metade com um empréstimo milionário para a altura, vindo do nada, e consegue um acordo que lhe dá a igualdade no capital da empresa para a poder gerir. A herdeira não percebia cu daquilo, só assinava papeis, e como o marido confiava no Belmiro ela também confiou nele.

 

Depois, a partir daqui não sei explicar de cabeça, é bastante complicado para a minha pessoa, mas é aqui que ele dá a volta ao jogo. Mete malabarismos com acções, aumentos de capital, as acções do banco que foram nacionalizadas e depois vendidas a ele, e o diabo a quatro até conseguir ficar com a posição maioritária da família na empresa. A família foi para tribunal, durante anos, mas lá acabou por ceder.

 

Se calhar, a lição numero um é obrigar a vossa esposa e filhos a perceber de negócios para no fim não acabar assim.

 

Depois de tomar a empresa, o tal império construído do nada aconteceu assim: a história das 7 OPV's que lhe deram o guito para investir no que é hoje a Sonae, mais uma vez os esquemas com as acções, as batalha contra o estado (PT), os secretários de estado que acabavam nos quadros da Sonae, enquanto antes faziam férias em bancos como o Santander-Totta para facilitar negócios da Sonae...

 

Que foi inteligente, foi. Visionário, também. A ideia do bom gestor que criou um império de mil milhões do nada, bem, depende.

 

Bem, é mais ou menos isto :mrgreen:

 

História interessante. Já tenho dito que dava um filme à Wolf of Wall Street. Ninguém me ouve.

Editado por Mayday

Compartilhar este post


Link para o post

isto tambem e verdade em Portugal e quem normalmente recebe 500 euros, nao sera completamente por acaso.

 

 

Vais sozinho, ou precisas que te mandem?

Compartilhar este post


Link para o post

Podes ler no livro Os Donos de Portugal e um outro que não me lembro do nome, e a Internet também te conta coisas.

 

É uma história que está meio apagada e muito a favor do Belmiro porque a outra família não ficou para contar. E "roubar" pode ser lido das mais variadas maneiras dependendo dos escrúpulos que possuímos. Podemos dizer que foi um canalha que traiu quem lhe deu de comer ou podemos dizer que foi um tipo inteligente e que aproveitou uma brecha.

 

O Belmiro entrou para a Sonae como um simples funcionário dos quadros (não sei o que fazia) e sem capital (o dinheiro que tinha foi gastando-os em estudos lá fora). Quando se dá o 25 de Abril o Pinto Magalhães e a família exilam-se no Brasil e o seu banco (Banco Pinto Magalhães) e restantes empresas, no ano seguinte em 75, são nacionalizadas e as quotas da Sonae que estavam divididas entre o banco e a família também passam a estar na mão do estado. Mas o estado, que ficou detentora da empresa, permitiu que a Sonae fosse gerida por um pequeno grupo dos quadros (pessoas sem relevância que não fugiram do país) mas que detinham pequenas quotas oferecidas pelo Pinto Magalhães, passando o Belmiro, e outros, para a direcção da empresa (diz-se que chegou a conseguir um plenário, meter os trabalhadores da empresa em greve até conseguir forçar esta decisão). Quando o Pinto Magalhães volta do Brasil e recupera o controlo da empresa, dá-lhe 16%, a Sonae entra na Bolsa e depois o PM morre e o Belmiro primeiro tenta vender a sua parte à família Magalhães, a família não pode, então o Belmiro tenta comprar a posição da família, não consegue, compra metade com um empréstimo milionário para a altura, vindo do nada, e consegue um acordo que lhe dá a igualdade no capital da empresa para a poder gerir. A herdeira não percebia cu daquilo, só assinava papeis, e como o marido confiava no Belmiro ela também confiou nele.

 

Depois, a partir daqui não sei explicar de cabeça, é bastante complicado para a minha pessoa, mas é aqui que ele dá a volta ao jogo. Mete malabarismos com acções, aumentos de capital, as acções do banco que foram nacionalizadas e depois vendidas a ele, e o diabo a quatro até conseguir ficar com a posição maioritária da família na empresa. A família foi para tribunal, durante anos, mas lá acabou por ceder.

 

Se calhar, a lição numero um é obrigar a vossa esposa e filhos a perceber de negócios para no fim não acabar assim.

 

Depois de tomar a empresa, o tal império construído do nada aconteceu assim: a história das 7 OPV's que lhe deram o guito para investir no que é hoje a Sonae, mais uma vez os esquemas com as acções, as batalha contra o estado (PT), os secretários de estado que acabavam nos quadros da Sonae, enquanto antes faziam férias em bancos como o Santander-Totta para facilitar negócios da Sonae...

 

Que foi inteligente, foi. Visionário, também. A ideia do bom gestor que criou um império de mil milhões do nada, bem, depende.

 

Bem, é mais ou menos isto :mrgreen:

 

História interessante. Já tenho dito que dava um filme à Wolf of Wall Street. Ninguém me ouve.

Obrigado!! Vou ver se arranjo o livro, se conta histórias desse género deve ser engraçado.

Compartilhar este post


Link para o post

Obrigado!! Vou ver se arranjo o livro, se conta histórias desse género deve ser engraçado.

Tens também o documentário.

Edit: acho que é baseado no livro. Ou então tem apenas o nome igual.

Editado por Sumudica by Night

Compartilhar este post


Link para o post

A Esquerda.pt tem um artigo baseado nesses dois livros: "Os Donos de Portugal" e "Os Burgueses"

 

Belmiro: uma fortuna feita na Bolsa e nas privatizações

 

Faleceu esta quarta-feira Belmiro de Azevedo, empresário com uma carreira nos negócios marcada pela acumulação nas transações bolsistas. Os livros "Os Donos de Portugal" e "Os Burgueses" contam a história da fortuna de Belmiro, de que aqui publicamos alguns extratos.

 

Uma das fortunas emergentes do ciclo das privatizações é a da família de Belmiro de Azevedo. Ao contrário de Américo Amorim ou Soares dos Santos, que são herdeiros de empresas, Belmiro entra na Sonae por opção profissional e sem capital, ainda antes do 25 de Abril, como jovem engenheiro assalariado. A empresa de aglomerados de madeira integra a holding da família de Afonso Pinto de Magalhães, um homem que foi presidente do F.C. Porto e que é dono do Banco Pinto Magalhães (BPM) e de empresas seguradoras, industriais e de distribuição comercial.

 

O BPM é nacionalizado em 1975 e a Sonae, cujas quotas estão divididas entre a família e o banco, fica também nas mãos do Estado. Com a família dos anteriores proprietários já a residir no Brasil e em plena turbulência revolucionária, os representantes públicos na Sonae permitem que um conjunto de quadros controlem a empresa a partir das quotas simbólicas que um dia receberam de Pinto Magalhães. Belmiro de Azevedo é um desses quadros e já não deixará a direção da empresa.

 

Um "empréstimo milagroso" para mudar de campeonato

 

Quando Pinto de Magalhães regressa a Portugal em 1982 torna-o sócio, com 16% do capital da empresa. Depois da morte do patrão, Belmiro contrai um empréstimo vultuoso e aumenta a sua posição, adquirindo nova quota aos herdeiros de Pinto Magalhães. Belmiro conta a sua história: «a família ficou aflita, não queria mandar na gestão, vendeu-me metade da posição. Houve um banco que, de uma maneira quase milagrosa, me emprestou muito mais dinheiro do que eu imaginava que alguém me emprestasse. Eu disse-lhes que a família de Pinto de Magalhães queria 100 mil contos pelas acções e o gerente do banco respondeu-me: escreva o cheque» (DE, 22.04.2005). Consta que terá sido o Lloyds Bank a garantir o empréstimo milagroso que colocou Belmiro em paridade com os accionistas históricos da Sonae.

 

Isso acabará por desencadear um conflito prolongado, à medida que os aumentos de capital vão marginalizando os proprietários históricos. Belmiro joga e, após a primeira fase de privatização do BPA, em 1995, vende à própria Sonae 6,5% do banco, para no fim desse ano acorrer ao aumento de capital que reduzirá definitivamente o papel da família Pinto de Magalhães na empresa.

 

O caso é interessante, porque revela um traço constante da carreira de Belmiro: a acumulação pela transação bolsista. Com a entrada em Bolsa de empresas do seu grupo, o empresário financia a sua primeira grande superfície, o Continente da Amadora, aberto em 1986. No caso das “sete OPV” (ofertas públicas de venda), Belmiro encaixa numa engenhosa operação entre empresas do seu grupo 20 milhões de euros de incentivos à cotação em Bolsa, caso que motiva escândalo e mesmo a demissão de um secretário de Estado do ministro Cadilhe, além de um longo processo na Justiça, que termina arquivado. O outro secretário de Estado de Miguel Cadilhe, Elias da Costa, terá lugar nas administrações do grupo Sonae.

 

As vendas são realizadas com preço fixo, contrastando com o tradicional leilão. Segundo o DN, o esquema visava os benefícios fiscais às empresas que vendessem 25% de acções próprias. Dado o limite legal que proibia uma sociedade de comprar mais de 10% de acções próprias, Belmiro comprou precisamente 10% ao seu próprio grupo e distribuiu os restantes 15% gratuitamente entre as próprias empresas. Para Belmiro, o processo judicial foi «um problema menor – um bom gestor deve fazer uma interpretação ousada da lei» (DN, 27.02.2006).

 

Anos 90: Muita diversificação, metade do rendimento é bolsista

 

Ao longo dos anos 90, a Sonae expande-se sem freios nas grandes superfícies, mesmo especializadas (Sportzone, Maxmat), em Portugal e no estrangeiro. Em dois dos seus negócios mais importantes - a criação da Optimus e a abertura no Brasil (onde inaugura em 2002 o maior centro comercial da América Latina) - constitui sociedade com o próprio Estado português, que é acionista destas empresas do grupo. Entra ainda no setor do papel, com as aquisições na Portucel e Soporcel, mas acabará por vender a sua parte ao perder o controlo do sector para Pedro Queiroz Pereira. Desiste do Totta e perde o BPA, mas ao sair encaixa importantes mais-valias. Entra no BPI, onde chega a deter 4% e do qual é um pesado devedor ao longo da década. Entre 1993 e 2003, as mais-valias bolsistas acumuladas por Belmiro de Azevedo equivalem em valor aos resultados líquidos da própria Sonae nesse período (revista Exame, Maio 2004).

 

Elias da Costa, secretário de Estado das Finanças ao longo de toda a década cavaquista, é contratado pelo Santander-Totta mal o PSD sai do governo e, a partir de 2003, também pela Sonae. Nesse período, o Santander apoia diversos negócios milionários de Belmiro. Financia em 100 milhões a compra pelo Carrefour de dez hipermercados da Sonae no Brasil, comanda a emissão de 400 milhões de euros de obrigações Sonae/Modelo-Continente (DN, 25.01.2006) e toma firme a OPA de Belmiro à PT em 2006, «a maior operação promovida pelo Santander no mundo inteiro para um só cliente, ao ter sindicado onze mil milhões de euros de responsabilidades financeiras», refere Horta Osório, então presidente do Santander de Negócios, com Elias da Costa como vice ​​(Exame, abril 2009).

 

A zanga com a PT e a imagem de independência do poder político

 

O apoio do Santander a Belmiro de Azevedo surge a par de sinais de abertura da Sonae para, no caso de conquistar a PT, vender a quota da Vivo brasileira à Telefónica espanhola (DN, 18.1.2007). Henrique Granadeiro, então chairman da PT, acusa o Santander de ser um “banco traidor” da sua ligação à PT (Diário Económico, 7.3.2007). A OPA acaba bloqueada pela coligação do Estado com o BES/Ongoing. Belmiro acusa: «a vitória é tristemente a dos bloqueadores do progresso de uma instituição que tem uma longa história de relações especiais com quase todos os governos» (P, 20.03.2007). Quando, já em 2010, estes mesmos acionistas apoiam a venda da Vivo à Telefónica, é de novo o Estado que bloqueia o negócio, com recurso à sua golden share. A Vivo haveria de fazer parte de um negócio maior, o da fusão Oi-PT, em 2013, sob maioria de capital brasileiro, com o desenlace que se conhece.

 

Tal como o seu concorrente Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo cultivou frequentemente uma imagem de independência do poder político. Sendo de facto o grande grupo com menos ex-governantes nas suas administrações, a Sonae não dispensou ao longo dos anos os serviços de um lote significativo de ex-ministros e secretários de Estado.

 

De Viana Baptista (PSD, ministro dos Transportes e Obras Públicas nos governos AD e bloco central) a Álvaro Barreto (do conselho geral da Sonae em 1990-92), Daniel Bessa (ministro de Guterres, hoje no conselho fiscal da Sonae, da GALP e da Bial, no AICEP desde 2008), passando por Cavaleiro Brandão (CDS, presidente da mesa da assembleia da Sonae e vice da do BPI) e Silva Peneda (ministro do emprego nas maiorias absolutas de Cavaco, na Sonae entre 1997 e 2004).

 

Nas eleições de 2011, o dono da Sonae participou na campanha de Pedro Passos Coelho, em nome da urgência "de uma autoridade forte que a esquerda não pode dar a Portugal" (Expresso, 2.6.2011).

Compartilhar este post


Link para o post
Visitante

Os dourados vêm todos cá parar. Muito bom.

 

Isso é uma indirecta a quem?

Compartilhar este post


Link para o post

Fdx este é sem dúvida o post mais absurdo que li no CMPT e em toda a internet. So espero que um dia não sejas faças parte dessas pessoas que se sujeitam a esse salário. Sim porque acho que ainda não percebeste que ninguém aceita de bom agrado trabalhar 40h semanais no duro pra receber 500 euros, sujeita a ganhar uma miséria porque precisa dele e a única alternativa é sujeitar ao salário do gênero.

 

Aliás até retiro o que disse. Espero que um dia te sujeitas a trabalhar por uns meros 500 euros. Se calhar vais pensar de forma diferente e tomar um pingo de noção nessa cabeça!

 

Mesmo sendo um gajo de direita é por estas coisas que acho que a esquerda tera sempre força/apoiantes. Enquanto uns olham apenas para os numeros, ignorando a vida das pessoas. A esquerda pensa ao contrário... Sim as vezes podem exigir o impossível? Verdade mas pelo menos olham pelo interesse das pessoas, alguém que o faça.

 

Acredito piamente que senão houvesse um salário mínimo nacional as empresas faziam questão de pagar ainda menos. Tou a imaginar aquela malta que vem de África, pouco intregados, com pouca educação a sujeitarem.se a trabalhar por 300 euros!.

Eu acho que não percebeste aquilo que escrevi.

 

Pegando na tua última frase, não sei se alguma vez estudaste economia ou pelo menos sabes mais ou menos o modelo do mercado de trabalho, mas exactamente por isso é que existe um salário mínimo nacional. Porque se não houvesse não existiria motivação para uma empresa não pagar 400€ a um trabalhador desde que ele aceitasse isso. E é por aí que os defensores da não existência de um (nos quais não me incluo) acham que o emprego aumentaria se não existisse um salário mínimo. Como é lógico, a minha resposta a isto seria que se deveria aumentar o salário mínimo que comparado com outros países ainda é demasiado baixo.

 

Agora, se existe um salário mínimo que há gente que não se importa de receber, os gestores da empresa, que são pagos para tentar fazer dar à empresa os maiores lucros possíveis, devem pagar mais do que esse salário mínimo? Se sim, gostava que me explicasses porquê.

 

Muito mais grave é as condições de trabalho dadas a muitos trabalhadores que se esticam para lá do limite legal e não lhes é dada oportunidade para ripostar. E isto acontece quer nos escalões mais baixos quer em alguns mais altos. Empresas que se estão a c*gar se os trabalhadores ficam lá 12h desde que o trabalho lhes apareça feito. Ou aquelas que deixam alguém a apodrecer no mesmo posto durante uma década.

Compartilhar este post


Link para o post

Ha malta que se recebesse o salario minimo mas ficasse em casa, dava mais lucro ao patrao.

Compartilhar este post


Link para o post

Eu não critico quem tenta minimizar os custos da empresa pagando o salário mínimo

sabendo de quem tenta minimizar os custos de sobreviver com o salário mínimo.

 

tv cabo não se paga, puxa-se. electricidade puxa-se. internet é com o kali linux. Não pode haver caridade se se quiser comer até ao fim do mês. :lol:

 

Cada um faz por si, existe um equilíbrio moral.

Compartilhar este post


Link para o post

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisa de ser membro desta comunidade para poder comentar

Criar uma conta

Registe-se na nossa comunidade. É fácil!

Criar nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Autentique-se agora
Entre para seguir isso  

  • Todo o Mundial 2026 no CMPT
  • Popular Agora

  • Outros membros neste tópico

    Nenhum utilizador registado está a visualizar esta página.

×
×
  • Criar Novo...