UnReal Publicado 30 Novembro 2017 O que não deixa de ser verdade, os ricos só o são dependendo de outrem. Hein? És rico porque dependes de outrem (?) e porque roubas os outros (?)? Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 30 Novembro 2017 Não suporto a política de exploração e pagar o mínimo possível aos trabalhadores, no entanto acho simples perceber o raciocínio que está por trás da declaração hiperbolizada do Belmiro "se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém”. A Sonae tem ~40.000 trabalhadores. Vamos simplificar e assumir que todos ganham o salário mínimo. Agora vamos assumir que a Sonae decide aumentar 100€ por mês a cada colaborador e em vez de pagar 550€ passa a pagar 650€ por mês. Por ano é um aumento de 1.400€ por colaborador (100 * 14 meses). Ao fim do ano é um aumento de custos com pessoal de 56.000.000€ para a Sonae. Podes aumentar o salário, mas a taxa de esforço para a empresa aumenta implicando ou despedir ou deixar de recrutar. Agora a parte de considerar que uma política baseada em baixos salários deve uma vantagem comparativa para Portugal para mim é só ridículo e meio caminho andado para o país não sair da cepa torta... Só uma correção, faltam aí os custos com a SS, que tb são significativos. Tudo somado daria cerca de 69 milhões. Mas de resto, estás coberto de razão. Do que sei, o LIDL paga mais. Se uma empresa estrangeira consegue, as portuguesas também deveriam conseguir, digo eu. É verdade. Mas olha, um amigo meu geria várias lojas, tinha um belíssimo ordenado, um audi, etc e demitiu-se por não aguentar a carga de trabalho. Anyway, o sector de retalho alimentar, onde se incluem o Continente e o Lidl é altamente lucrativo e gerador de cash. É uma máquina de fazer dinheiro e, ainda por cima, é um sector estável, pouco influenciado pelos ciclos económicos. Acontece que na Sonae, o Continente tem que servir de banco de vários outros negócios, também lucrativos, mas que necessitam de muito mais capital e muito mais sensíveis a flutuações da economia. Esses sectores, muito mais sujeitos ao risco, têm também melhores ordenados e geram muito emprego. Falemos p.e., dos centros comerciais: com a crise, estouraram o Vivaci e os Dolce Vita, mas os da Sonae Sierra não. Porquê? Porque nunca faltou o cash para pagar aos fornecedores O Lidl é só uma cadeia de supermercados, com uma estrutura de custos muito mais eficiente. No Lidl não tens balcão de atendimento, p.e. Não há talho, peixaria, charcutaria. And so on. O Lidl paga mais, porque tem melhores condições para isso, mas te garanto que não paga como paga na Alemanha, onde fica a sede. Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 30 Novembro 2017 (editado) Exato, vacas leiteiras como o Continente garantem que as MO da vida existem e geram emprego, pq lucro nessas pelo que sei nem vê-lo. Editado 30 Novembro 2017 por Ego Sum Compartilhar este post Link para o post
Petar Musa Publicado 30 Novembro 2017 Pelo menos aqui nos Açores, as MO têm bastante movimento. Nos últimos anos, a qualidade deles melhorou bastante, e as roupas estão bem mais ao meu gosto, por exemplo, do que as Zaras e Pull & Bears. Compartilhar este post Link para o post
Ghelthon Publicado 30 Novembro 2017 Funciona ao contrário. "Se eu aguentei, eles também conseguem...". Mas eu não estou a discordar de ti. Não vejo é o panorama a mudar num futuro próximo. A área de IT é fértil em panoramas mais favoráveis, por acaso. Hein? És rico porque dependes de outrem (?) e porque roubas os outros (?)? "Roubas" é palavra tua, não minha. O que eu queria dizer é que as grandes empresas e os seus lucros (e, consequentemente, as fortunas dos seus gestores) advêm do trabalho de quem está mais em baixo na pirâmide. É verdade. Mas olha, um amigo meu geria várias lojas, tinha um belíssimo ordenado, um audi, etc e demitiu-se por não aguentar a carga de trabalho. Anyway, o sector de retalho alimentar, onde se incluem o Continente e o Lidl é altamente lucrativo e gerador de cash. É uma máquina de fazer dinheiro e, ainda por cima, é um sector estável, pouco influenciado pelos ciclos económicos. Acontece que na Sonae, o Continente tem que servir de banco de vários outros negócios, também lucrativos, mas que necessitam de muito mais capital e muito mais sensíveis a flutuações da economia. Esses sectores, muito mais sujeitos ao risco, têm também melhores ordenados e geram muito emprego. Falemos p.e., dos centros comerciais: com a crise, estouraram o Vivaci e os Dolce Vita, mas os da Sonae Sierra não. Porquê? Porque nunca faltou o cash para pagar aos fornecedores O Lidl é só uma cadeia de supermercados, com uma estrutura de custos muito mais eficiente. No Lidl não tens balcão de atendimento, p.e. Não há talho, peixaria, charcutaria. And so on. O Lidl paga mais, porque tem melhores condições para isso, mas te garanto que não paga como paga na Alemanha, onde fica a sede. Entendo. E, embora perceba pouco de Economia de uma forma específica, parece-me minimamente lógico que empresas maiores e com mais receitas devam ter margem para oferecer salários mais altos - especialmente se a prioridade deixasse de ser os dividendos dos accionistas/gestores, passando para os funcionários. Compartilhar este post Link para o post
Tio Hans Publicado 30 Novembro 2017 A área de IT é fértil em panoramas mais favoráveis, por acaso. "Roubas" é palavra tua, não minha. O que eu queria dizer é que as grandes empresas e os seus lucros (e, consequentemente, as fortunas dos seus gestores) advêm do trabalho de quem está mais em baixo na pirâmide. Entendo. E, embora perceba pouco de Economia de uma forma específica, parece-me minimamente lógico que empresas maiores e com mais receitas devam ter margem para oferecer salários mais altos - especialmente se a prioridade deixasse de ser os dividendos dos accionistas/gestores, passando para os funcionários. Isso depende mais do tipo de negócio e das características do mesmo do que propriamente da dimensão da empresa. Depende das margens que os produtos geram, depende da quantidade de trabalhadores necessários, depende de muita coisa. Dou-te um exemplo dos meus tempos de auditor. Dois clientes diferentes: um de sapatos, a pagar salários mínimos, o outro fabricava perfis metálicos e a única pessoa que ganhava o salário mínimo (na altura os 485€) era a senhora da limpeza que só trabalhava meio tempo). Tinham sensivelmente a mesma faturação, as mesmas receitas, cerca de 12 milhões de euros/ano. Um tinha mais de 200 funcionários e lucros miseráveis. O outro tinha 30 e só não ganhava rios de dinheiro porque um dos sócios era um gatuno. O tipo bazou e a empresa está aí para as curvas... As receitas eram iguais, mas o resultado era totalmente diferente. A diferença também era outra, o tipo dos sapatos começou a empresa com meia dúzia de tostões na garagem de casa e foi crescendo. O outro logo a abrir teve que meter uns milhões... Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 30 Novembro 2017 Eu pergunto-me se esta malta que se insurge contra quem paga pouco acha que a culpa da economia miserável em que vivemos (com todas as consequências que isso acarreta, inclusive os salários mínimos) é de facto, dos patrões. O Belmiro pagava o menos possível em trabalhos menos qualificados porque podia, e porque essa poupança lhe permitia expandir o negócio para novas áreas e mercados (que por sua vez, gerava mais emprego). Da mesma forma que a maior parte das pessoas não se importa de pagar 5 euros diários à empregada de limpeza, sem pensar duas vezes se ela tem sequer trabalho suficiente para que se possa aguentar até ao fim do mesmo. Ou da mesma forma que pensam quando vão comprar roupas e bugigangas a preço da uva mijona, sem pensar em condições vivem as pessoas que trabalharam para isso. Quanto à parte menos visível da Sonae, ou seja, aquela em envolve trabalhadores com mais qualificação e reais expectativas de progressão de carreira, sempre foram justos nas condições dadas, bem como nos desafios e formações proporcionadas e que contribuiram, e muito, para que as várias empresas do grupo fossem sendo sucessivamente bem geridas e capazes de aguentar as flutuações económicas. E isso, para mim, é tão ou mais importante do que aquilo que eles pagam ou poderiam pagar, basta pensar nas centenas de milhares de pessoas que foram parar ao desemprego nos últimos anos fruto da má gestão da empresa (desde o restaurante da esquina, à PT e BES), enquanto o grupo se manteve sempre no top dos maiores empregadores de forma transversal a todas as áreas da economia. Compartilhar este post Link para o post
Ego Sum Publicado 30 Novembro 2017 Eu pergunto-me se esta malta que se insurge contra quem paga pouco acha que a culpa da economia miserável em que vivemos (com todas as consequências que isso acarreta, inclusive os salários mínimos) é de facto, dos patrões. O Belmiro pagava o menos possível em trabalhos menos qualificados porque podia, e porque essa poupança lhe permitia expandir o negócio para novas áreas e mercados (que por sua vez, gerava mais emprego). Da mesma forma que a maior parte das pessoas não se importa de pagar 5 euros diários à empregada de limpeza, sem pensar duas vezes se ela tem sequer trabalho suficiente para que se possa aguentar até ao fim do mesmo. Ou da mesma forma que pensam quando vão comprar roupas e bugigangas a preço da uva mijona, sem pensar em condições vivem as pessoas que trabalharam para isso. Quanto à parte menos visível da Sonae, ou seja, aquela em envolve trabalhadores com mais qualificação e reais expectativas de progressão de carreira, sempre foram justos nas condições dadas, bem como nos desafios e formações proporcionadas e que contribuiram, e muito, para que as várias empresas do grupo fossem sendo sucessivamente bem geridas e capazes de aguentar as flutuações económicas. E isso, para mim, é tão ou mais importante do que aquilo que eles pagam ou poderiam pagar, basta pensar nas centenas de milhares de pessoas que foram parar ao desemprego nos últimos anos fruto da má gestão da empresa (desde o restaurante da esquina, à PT e BES), enquanto o grupo se manteve sempre no top dos maiores empregadores de forma transversal a todas as áreas da economia. Isso não é verdade. A progressão salarial e carreira nos quadros superiores tb é fraca (formação é verdade que apostam). Do que vejo acho que a única área da Sonae com progressão é o Planeamento e Controlo de Gestão. Gestores Comerciais, Logística, BI e afins não ganham bem tendo em conta o mercado. E há muito pouca progressão. É sabido na Sonae que se queres aumentar de salário tens de sair para outra empresa fora do grupo e depois voltar. Conheço casos que saem, voltam passado 2 anos a ganhar o dobro do que ganhavam inicialmente. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 30 Novembro 2017 Isso não é verdade. A progressão salarial e carreira nos quadros superiores tb é fraca (formação é verdade que apostam). Do que vejo acho que a única área da Sonae com progressão é o Planeamento e Controlo de Gestão. Gestores Comerciais, Logística, BI e afins não ganham bem tendo em conta o mercado. E há muito pouca progressão. É sabido na Sonae que se queres aumentar de salário tens de sair para outra empresa fora do grupo e depois voltar. Conheço casos que saem, voltam passado 2 anos a ganhar o dobro do que ganhavam inicialmente. Mas eu não estou a falar das áreas de retalho, mas sim da Sonae IM, Sonae Sierra e Sonae Indústria. Não sei se estás a incluir essas (visto que o grosso das oportunidades na nossa área vão para as marcas tipo Sport Zone e assim, onde estão essas sub-áreas de que falas), mas nestes ramos, as condições são bastante boas e o turnover de funcionários é infinitamente inferior. Não só conheço malta da minha idade que já ganhava mais que eu (trabalhando na banca), mas eu próprio já tentei ir lá cheirar e inteirar-me das condições :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 30 Novembro 2017 Mas eu não estou a falar das áreas de retalho Então onde é que se paga o salário mínimo, que está na origem da conversa? Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 30 Novembro 2017 Eu pergunto-me se esta malta que se insurge contra quem paga pouco acha que a culpa da economia miserável em que vivemos (com todas as consequências que isso acarreta, inclusive os salários mínimos) é de facto, dos patrões. O Belmiro pagava o menos possível em trabalhos menos qualificados porque podia, e porque essa poupança lhe permitia expandir o negócio para novas áreas e mercados (que por sua vez, gerava mais emprego). Da mesma forma que a maior parte das pessoas não se importa de pagar 5 euros diários à empregada de limpeza, sem pensar duas vezes se ela tem sequer trabalho suficiente para que se possa aguentar até ao fim do mesmo. Ou da mesma forma que pensam quando vão comprar roupas e bugigangas a preço da uva mijona, sem pensar em condições vivem as pessoas que trabalharam para isso. Quanto à parte menos visível da Sonae, ou seja, aquela em envolve trabalhadores com mais qualificação e reais expectativas de progressão de carreira, sempre foram justos nas condições dadas, bem como nos desafios e formações proporcionadas e que contribuiram, e muito, para que as várias empresas do grupo fossem sendo sucessivamente bem geridas e capazes de aguentar as flutuações económicas. E isso, para mim, é tão ou mais importante do que aquilo que eles pagam ou poderiam pagar, basta pensar nas centenas de milhares de pessoas que foram parar ao desemprego nos últimos anos fruto da má gestão da empresa (desde o restaurante da esquina, à PT e BES), enquanto o grupo se manteve sempre no top dos maiores empregadores de forma transversal a todas as áreas da economia. E o espírito de equipa. Não te esqueças do espírito de equipa. Compartilhar este post Link para o post
smashing_pumpkin Publicado 30 Novembro 2017 "Roubas" é palavra tua, não minha. O que eu queria dizer é que as grandes empresas e os seus lucros (e, consequentemente, as fortunas dos seus gestores) advêm do trabalho de quem está mais em baixo na pirâmide. Isso dito assim parece que quem é dono das empresas fica em casa a dormir o dia todo. Para a empresa funcionar bem tem que haver ainda mais trabalho no topo da pirâmide. Pode-se discutir a proporção dos salários, mas agora dizer que o dinheiro de uma empresa vem apenas do trabalho de quem está mais abaixo... Compartilhar este post Link para o post
UnReal Publicado 30 Novembro 2017 (editado) quando os ricos morrem, nós, os pobres, dizemos sempre que só chegou onde chegou porque roubou tudo e todos :mrgreen: O que não deixa de ser verdade, os ricos só o são dependendo de outrem. Hein? És rico porque dependes de outrem (?) e porque roubas os outros (?)? "Roubas" é palavra tua, não minha. O que eu queria dizer é que as grandes empresas e os seus lucros (e, consequentemente, as fortunas dos seus gestores) advêm do trabalho de quem está mais em baixo na pirâmide. São palavras minhas com as quais, aparentemente, foste concordar... E para complementar o meu primeiro post, a segunda coisa que nós, pobres, dizemos quando os ricos morrem é que sem o nosso trabalho eles não eram nada... :lol: Editado 30 Novembro 2017 por UnReal Compartilhar este post Link para o post
Che Publicado 30 Novembro 2017 Quem é mais expropriado do valor que produz? Quem recebe 500 paus ou quem recebe uma quantidade que lhe confere um nível de vida digno de um ser humano? Evidentemente que é o primeiro. Claro que quem souber viver, os 500€ chegam. Mas para a generalidade das pessoas não chega. Nem quero imaginar nas capitais. Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 30 Novembro 2017 (editado) Então onde é que se paga o salário mínimo, que está na origem da conversa? Na área do retalho. Por não se poder tomar a área como um todo é que fiz o post ;) E o espírito de equipa. Não te esqueças do espírito de equipa. Meh, neste tipo de estruturas grandes não há grande espirito de equipa, é cada um por si :sad: Editado 30 Novembro 2017 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
What Publicado 30 Novembro 2017 Eu pergunto-me se esta malta que se insurge contra quem paga pouco acha que a culpa da economia miserável em que vivemos (com todas as consequências que isso acarreta, inclusive os salários mínimos) é de facto, dos patrões. O Belmiro pagava o menos possível em trabalhos menos qualificados porque podia, e porque essa poupança lhe permitia expandir o negócio para novas áreas e mercados (que por sua vez, gerava mais emprego). Da mesma forma que a maior parte das pessoas não se importa de pagar 5 euros diários à empregada de limpeza, sem pensar duas vezes se ela tem sequer trabalho suficiente para que se possa aguentar até ao fim do mesmo. Ou da mesma forma que pensam quando vão comprar roupas e bugigangas a preço da uva mijona, sem pensar em condições vivem as pessoas que trabalharam para isso. Isso é tremendamente irónico. Faz lembrar a história que o Strauss-Kahn conta no Inside Job sobre alguns dos banqueiros responsáveis pela crise do subprime, que quando a coisa estava apertada e não se sabia se alguém seria responsabilizado, se queixavam da falta de regulação no sector: "Nós fomos gananciosos. Talvez tenhamos sido demasiado gananciosos mas vocês deviam criar mais regulação". O problema é que fora esse momento de aperto, sempre disseram que havia regulação a mais, tanto antes como depois da crise. O mesmo se passa cá... A culpa é do governo que permite aqueles salários, mas quando um governo ou um partido de esquerda propõem a subida do salário mínimo, la estão sempre as confederações aflitas de que vai falir tudo e a direita a dizer que vai ficar tudo desempregado. :mrgreen: Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 30 Novembro 2017 (editado) Isso é tremendamente irónico. Faz lembrar a história que o Strauss-Kahn conta no Inside Job sobre alguns dos banqueiros responsáveis pela crise do subprime, que quando a coisa estava apertada e não se sabia se alguém seria responsabilizado, se queixavam da falta de regulação no sector: "Nós fomos gananciosos. Talvez tenhamos sido demasiado gananciosos mas vocês deviam criar mais regulação". O problema é que fora esse momento de aperto, sempre disseram que havia regulação a mais, tanto antes como depois da crise. O mesmo se passa cá... A culpa é do governo que permite aqueles salários, mas quando um governo ou um partido de esquerda propõem a subida do salário mínimo, la estão sempre as confederações aflitas de que vai falir tudo e a direita a dizer que vai ficar tudo desempregado. :mrgreen: Claro que é irónico, mas é um facto. Da mesma forma que nós na nossa vida pessoal vamos sempre para o mais barato para poder poupar ou gastar noutras coisas, na vida empresarial é exactamente a mesma coisa. E para caridade, por acaso, a Sonae já tem uns quantos programas. A razão porque me faz impressão esta ideia de que os patrões são um bicho papão por pagarem baixos salários é a seguinte: Existem vagas para trabalhadores menos qualificados em que é pago o salário mínimo. E mesmo sendo pago o salário mínimo, mesmo o trabalhado sendo absolutamente desinteressante, e mesmo não havendo renovações de contrato para lá dos 6 meses/ 1 ano (para não passarem a efectivos), existem infinitamente mais candidaturas a essas vagas do que aquelas que são oferecidas. E este tipo de empresas pode dar-se ao luxo de contratar mais ou menos, consoante o ciclo económico e as receitas que vá tendo, e deixar sair praticamente toda a gente após o contrato. Agora, isto não é uma situação ridícula e bem demonstrativa do quão podre a economia portuguesa está? Em que trabalhar nestas condições é muitas vezes a única opção para muita da gente que se sujeita a isso. E não digo que empresas como a Sonae e a Jerónimo Martins não tirem proveito disto, porque tiram, mas num mercado particularmente concorrencial como é este do retalho, em que as margens são curtas e o cliente facilmente se vira para o concorrente se os preço forem mais baixos por questões de cêntimos, na maior parte das vezes não há tanto espaço de manobra como se pode fazer querer nos media. Enquanto as pessoas se virarem contra ainda quem vai criando emprego e gerindo a empresa da melhor maneira (parecendo que não, o Belmiro é bem capaz de ser o empresário mais poluto dos últimos 40 anos, a avaliar pelo historial judicial), e não contra quem toma as medidas que estão na origem da precariedade em primeiro lugar, não vamos nunca sair da cepatorta. "A culpa é do governo que permite aqueles salários, mas quando um governo ou um partido de esquerda propõem a subida do salário mínimo, la estão sempre as confederações aflitas de que vai falir tudo e a direita a dizer que vai ficar tudo desempregado." btw, isso é um raciocínio muito limitado. A gestão da economia vai muuuuuito mais além da definição de um salário minimo. Aliás, impor um salário minimo desproporcionado (em relação à produtividade e valor acrescentado à produção) é uma possível machada na economia de um país. Existem n medidas que podem e devem ser tomadas de estímulo à iniciativa privada, à criação de emprego, à melhoria da formação dos portugueses, etc, que levaria a que o aparelho produtivo do país pudesse melhorar consideravelmente, e que isso se reflectisse no nível de vida de quem cá trabalha. Editado 30 Novembro 2017 por Visitante Compartilhar este post Link para o post
Rōnin Publicado 30 Novembro 2017 Claro que é irónico, mas é um facto. Da mesma forma que nós na nossa vida pessoal vamos sempre para o mais barato para poder poupar ou gastar noutras coisas, na vida empresarial é exactamente a mesma coisa. E para caridade, por acaso, a Sonae já tem uns quantos programas. A razão porque me faz impressão esta ideia de que os patrões são um bicho papão por pagarem baixos salários é a seguinte: Exacto. Comprei um Ferrari no Black Friday. Até tive sorte que quase não tinham stock. Compartilhar este post Link para o post
Mayday Publicado 30 Novembro 2017 https://www.facebook.com/vgpmre/ o que eu andei a perder Compartilhar este post Link para o post
Burkina2008 Publicado 30 Novembro 2017 (editado) Sempre interessante a forma leviana como alguns users comentam certas coisas..."aumentar o salario minimo", como se o governo ou os patroes quisessem manter as pessoas na miseria apenas por puro deleite ou malicia... Num contexto diferente estes mesmos users fazem me lembrar o Carlos Areias a dizer que vive com 360 euros por mes. Possivelmente existe uma razao para nao receber mais... Como tudo na vida "u pay peanuts, u get monkeys...", isto tambem e verdade em Portugal e quem normalmente recebe 500 euros, nao sera completamente por acaso. Mas enfim, apesar de nao ser de longe uma pessoa perfeita, fez mais pelo pais e faz mais falta que pessoas como estas... Editado 30 Novembro 2017 por Burkina2008 Compartilhar este post Link para o post
Visitante Publicado 30 Novembro 2017 Exacto. Comprei um Ferrari no Black Friday. Até tive sorte que quase não tinham stock. Mesmo (quase) nunca concordando com o Mayday e andando sempre às turras com ele, pelo menos respeito o facto de ter piada. No teu caso, ainda estou a tentar perceber se há mais alguma coisa para além do post count +1. Compartilhar este post Link para o post
Black Hawk Publicado 30 Novembro 2017 Claro que não é acaso haver pessoas a receber 500 euros. Nunca o foi. Também não era por acaso que houve, há e haverá escravatura. São coisas. Compartilhar este post Link para o post
Wincing Hálldor Publicado 30 Novembro 2017 Que eu saiba quem está a gerir empresas tem de minimizar os seus custos, se há pessoas que aceitam receber salário X, a empresa não tem de pagar X+1 só por caridade. Compartilhar este post Link para o post
kareca Publicado 30 Novembro 2017 Caridade. Parece que fazem de propósito. Compartilhar este post Link para o post