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Esta empresa francesa vende encomendas perdidas ao quilo: ninguém sabe o que está a comprar e há esperança que acaba em desilusão

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Esta empresa francesa vende encomendas perdidas ao quilo: ninguém sabe o que está a comprar e há esperança que acaba em desilusão

Em cinco dias, desde que a loja francesa Colis Colis abriu em Lisboa, já foram vendidas mais de 13 toneladas de encomendas não reclamadas. As filas de clientes chegam a ter três horas de espera e formam-se à porta do centro comercial ainda antes de abrir. A curiosidade de abrir encomendas - e a esperança de ter sorte, tal como numa raspadinha ou numa ida ao casino - ajudam a explicar o sucesso

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Dois frascos de spray para hemorroidas e desconforto anal, um helicóptero telecomandado para crianças, um pijama infantil do Homem Aranha, um peluche, três colares com pendentes de pedra destinados a dar energia e balanço à vida, um par de brincos, um anel com um coração brilhante, dois pequenos objetos plásticos de utilidade desconhecida e um saquinho com 50 peças metálicas foi o que calhou num quilo de encomendas não reclamadas, escolhidas de forma aleatória, e que custou 21,99 euros.

Se as embalagens forem escolhidas com mais afinco e detalhe, depois de abanadas e apalpadas, deixando para trás as mais pequenas e leves, e optando pelas que têm formato e peso condizentes com caixas de telemóveis ou de outros aparelhos eletrónicos, então há uma hipótese de que a compra seja mais rentável. Podem também calhar ténis, óculos de sol ou equipamentos desportivos como camisolas de equipas de futebol estrangeiras - mas sem esquecer a probabilidade de muitos destes produtos serem falsificados.

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As encomendas podem ser abanadas e apalpadas, mas não podem ser abertas

É na curiosidade de abrir encomendas fechadas - e na esperança de que a compra se traduza num grande golpe de sorte como se fosse uma raspadinha ou uma ida ao casino - que está a explicação para o sucesso da Colis Colis, a loja francesa que abriu no centro comercial Ubbo, na Amadora, no passado dia 6 de dezembro.

"Em cinco dias, foram vendidas 13,5 toneladas de encomendas não reclamadas e estamos novamente com rutura de stock”, avança ao Expresso Marc Colpart, 32 anos, um dos dois criadores da Colis Colis, mostrando um vídeo no telemóvel com as longas filas de pessoas à porta da loja. “Há já algum tempo que não víamos algo assim. Em França vendemos sobretudo em mercados, feiras e lojas pop-up, portanto é um ambiente diferente.”

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Marc Colpart, 32 anos, criou a Colis Colis em França, com um amigo de infância

A loja foi criada em França por Marc e Alexis, amigos de infância, que viram uma oportunidade de negócio nas muitas toneladas de pacotes ('colis', em francês) de encomendas que não são reclamadas e que ficavam acumuladas nos armazéns das empresas de correios e de entregas na Europa, acabando depois por ser destruídas. A ideia foi começar a comprar toneladas de pacotes perdidos e vendê-los a revendedores ou, diretamente, aos consumidores.

O sucesso em França nos últimos dois anos fê-los agora expandir o negócio. “Quisemos alargar para o estrangeiro e andámos a explorar Madrid e Lisboa. Encontrámos aqui uma boa solução, os portugueses foram muito acolhedores e estaremos a funcionar pelo menos seis meses. Depois logo avaliamos”, resume Marc Colpart.

Nos bastidores da loja

As filas começam a formar-se de manhã cedo, ainda à porta do centro comercial, antes de abrir, passando depois para a frente da loja. Centenas de pessoas aguardam em pé pela a sua vez de entrar e vasculhar os caixotes de encomendas. há quem chegue à loja por ter visto publicações nas redes sociais, sobretudo vídeos de outros clientes a abrir encomendas, mas há também quem entre na fila e chegue à loja sem sequer saber bem do que se trata.

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Na terça-feira de manhã, depois de ter entrado em rutura de stock, a loja estava reduzida a meia dúzia de grandes caixotes com centenas de encomendas. Cada pessoa que entra pega num cesto e, sem limite de tempo, mexe repetidamente nas encomendas até escolher as que quer levar. A única regra é não abrir os pacotes. À saída, pesa o cesto e paga: o preço por quilo é de 21,99€, menos do que isso custa 24,99€.

Sem dados sobre quais os produtos mais comuns neste tipo de encomendas não reclamadas que vêm da Europa, Marc Colpart indica que, à partida, só não haveria bens alimentares, embora tenham já encontrado caixas com bombons e refrigerantes. Além disso, podem existir todo tipo de objetos.

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À saída, as encomendas escolhidas são pesadas e o preço é calculado ao quilo

Hernâni Soares e um amigo estiveram quase uma hora a escolher encomendas, preferindo as embalagens mais duras, por terem caixas lá dentro, em vez dos pacotes moles, que indiciam ser roupa. Por quatro ou cinco caixas, Hernâni pagou 45 euros e saiu com a esperança de encontrar nelas artigos eletrónicos. “O que vier será sobretudo para oferecer no Natal e espero já levar aqui uma prenda para a minha mulher”, diz. “Já tinha cá estado no sábado, esperei mais de duas horas da fila, mas desisti e voltei hoje.”

Nos bastidores da loja, meia dúzia de jovens têm a seu cargo algumas tarefas. Sempre que chega mais um camião com encomendas perdidas, os enormes caixotes de cartão com mais dois metros de altura são abertos e cada embalagem é verificada individualmente. É preciso esconder o nome, a morada e o contacto do destinatário da encomenda, e os pacotes que vêm danificados têm de ser envolvidos em fita cola antes de serem colocados nos caixotes para os clientes escolherem.

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Todas as encomendas que chegam à loja de Lisboa tinham como destino diferentes países europeus, como Suécia, Alemanha, Polónia, França, Roménia, Espanha, entre outros. Muitas parecem vir da China, compradas em sites como o AliExpress. E há várias razões para que as encomendas sejam consideradas 'não reclamadas': umas têm endereços inexistentes, incompletos ou imprecisos, outras não foram entregues aos destinatários após várias tentativas porque se mudaram, morreram, entre outros motivos. Ao fim de algum tempo, se não forem reclamadas pelos destinatários, saem desse circuito e são armazenadas.

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Em Portugal, os CTT também vendem encomendas não reclamadas. “Todas as encomendas que não são reclamadas são levadas a leilão, com exceção de alimentos, bebidas, artigos de higiene, medicamentos, publicidade e armas”, indicam os CTT ao Expresso. “Os leilões realizam-se nas últimas quartas-feiras dos meses de janeiro, abril e outubro. Se esse dia for feriado, o leilão antecipa um dia.” Os objetos só vão a leilão depois de os CTT "esgotarem todas as tentativas de entrega aos clientes e cujo prazo para reclamar já tenha sido ultrapassado”, acrescenta a empresa.

Marc Colpart vê na Colis Colis uma situação de "win-win", até pelo desperdício evitado ao vender encomendas que acabariam por ser destruídas. “Diria que 25% das pessoas saem contentes com o que levam. E que outras 15% a 20% tiram gozo da experiência em si. A ideia é que as pessoas desfrutem da experiência e que seja um momento de prazer."

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Porra no Ubbo tava uma fila enorme para esta treta, que até tiveram que pôr umas baias para haver algo organizado em vez de um amontoado de gente em frente a loja

Que coisa mais non sense

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É um casino com odds melhores. Comprar o lixo, vender na vinted e no OLX. Ter prejuízo. Game is game. 

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Nos States ha esta m*rda em lotes de paletes com 100 200 500 kg e dividido por tipo (eletronica, roupas, etc). Ha muito site especializado no leilao disso e sendo que muitos compram esse "lixo" directamente da Amazon

Eu percebo quem faca isso como negocio para depois vender novo/semi-novo...agora pessoas irem para ali e sairem com um spray para hemorroidas e uma camisola do Sheffield United vinda da Tailandia...enfim ha quem goste de encher a casa de lixo

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Citação de Burkina2008, há 36 minutos:

Nos States ha esta m*rda em lotes de paletes com 100 200 500 kg e dividido por tipo (eletronica, roupas, etc). Ha muito site especializado no leilao disso e sendo que muitos compram esse "lixo" directamente da Amazon

Eu percebo quem faca isso como negocio para depois vender novo/semi-novo...agora pessoas irem para ali e sairem com um spray para hemorroidas e uma camisola do Sheffield United vinda da Tailandia...enfim ha quem goste de encher a casa de lixo

Nos States há muitos gajos que compram essas paletes de eletronicos e os arranjam para revenda (muitas das encomendas são devolvidas por defeitos nos produtos)

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Uma das m*rda que não entendo, gastar dinheiro em algo que não se sabe o que é.

Mas somos o país das raspadinhas por isso não me choca assim tanto

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E não é a primeira loja dessas cá.

Também existe a Remate no Norte

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Isto acaba por ser uma ideia genial, na minha cabeça consigo imaginar pessoal numa cave a embalar produtos de m*rda que eles já filtraram antes, deixando uns 10% de coisas boas para que gere buzz ("até que podem ter sorte!")

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Eu nem percebo se isto é pobreza, pobreza de espírito ou não saber o que fazer ao dinheiro, lol.

Até pode ser um passatempo divertido, gostava de fazer uma vez, mas ir para uma fila 3 horas e enloquecer por isso? Lmao

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Metade do interesse disto é o efeito surpresa. Faz-me lembrar quando conheci a app Too Good to Go e andava a encomendar caixas surpresa das pastelarias só para descobrir o que tinham. 

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Citação de Petar Musa, há 4 horas:

Mas somos o país das raspadinhas por isso não me choca assim tanto

Nas poucas vezes que a vida me leva a abastecer um carro fico chocado com a quantidade de malta que derrete dinheiro em raspadinhas. Ainda na última vez uma mãe e um filho que me pareciam ser do bairro social ali ao lado deixaram ali 25€ em raspadinhas.

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Citação de Ego Sum, há 2 horas:

Nas poucas vezes que a vida me leva a abastecer um carro fico chocado com a quantidade de malta que derrete dinheiro em raspadinhas. Ainda na última vez uma mãe e um filho que me pareciam ser do bairro social ali ao lado deixaram ali 25€ em raspadinhas.

E um gajo que foi ali só abastecer o carro rapidinho e só quer pagar para arrancar, tem de ficar ali uns 15 minutos á espera de quem está a ver se saiu prêmio no Euromilhões, e mais uma raspadinha, e veja mais este euromilhoes e aquilo. Daqui a mais o pessoal dos elétricos arranca mais rápido que nós 😁 a última vez que estive mais tempo á espera para pagar, era um velhote á minha frente, com uma data de talões de Euromilhões para ver se tinha prémios, a maioria deles ainda nem tinha sido o sorteio, chegou ao fim e mandou registar mais dois ou tres, a da caixa até lhe disse que ele ainda tinha uns quantos para esse sorteio... registou na mesma

Quanto a estas lojas, até seria engraçado, mas basta pensar um bocado para perceber que nos bastidores já fazem uma pré escolha, eu faria o mesmo se tivesse lá a trabalhar 😂

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Está na hora de fechar a porta, isto já deu mesmo tudo o que tinha para dar.

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Citação de Petar Musa, há 9 horas:

Uma das m*rda que não entendo, gastar dinheiro em algo que não se sabe o que é.

Mas somos o país das raspadinhas por isso não me choca assim tanto

O slavoj Zizek deve ter uma explicação qualquer que remeta para o Hegel e para o Jacques Lacan. 

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Há um programa de tv americano sobre tipos que vivem de adquirir espaços de armazenamento abandonados (é um leilão entre vários compradores, sem fazerem ideia do que está lá dentro) e depois lá procuram o que pode ter valor para vender. Já vi mais vezes do que gostaria de admitir.

Editado por smashing_pumpkin

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Também vi isso algumas vezes. Andam de estado em estado a ver garagens e afins que vão a leilão. Analisam o que tem lá dentro e fazem contas se vale a pena ou não adquirir, até que valor, sempre contado que possa haver coisas interessantes que estão escondidas a olho nu

E fazem vida dessa m*rda 🤣

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Citação de smashing_pumpkin , há 16 minutos:

Há um programa de tv americano sobre tipos que vivem de adquirir espaços de armazenamento abandonados (é um leilão entre vários compradores, sem fazerem ideia do que está lá dentro) e depois lá procuram o que pode ter valor para vender. Já vi mais vezes do que gostaria de admitir.

A certa altura a minha Maria era vidrada nisso. Eu até já conhecia os protagonistas e tinha os meus preferidos. Torcia sempre para que tivessem os maiores lucros no final dos episódios. O casal em que ele se mandava de cabeça só para que os seus rivais não ficassem com as garagens e ela sempre a dar-lhe na cabeça; a miúda ingénua que raramente dava uma justificação válida para as apostas que fazia; o velho de que ninguém gostava e estava sempre a mandar bocas e a gozar com os outros... Muito entretido.

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