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Sr. Inácio

Literatura | Discussão Geral

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8-[

 

Se quiseres podes fazer transferência de 10€ para o meu NIB antes de ires, mas é opcional.

 

Deixa estar, que o dinheiro faz-me falta. :mrgreen:

 

Já agora, se for lá, vou ver se ataco Bukowski, Camus, Steinbeck e Garcia Márquez. Quais são, para vocês, os melhores livros de cada um deles?

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Do Camus é o Estrangeiro. Do Marquez dos que já li o que me marcou mais foram os Cem Anos (e é o best-seller dele), mas é uma leitura exaustiva, se leres aquilo de rojo acho que perdes muito daquele ritmo da história. O must read do Steinbeck é o Vinhas da Ira, de que eu gostei, mas o homem do Steinbeck aqui é o Dpitz.

 

Sobra o Bukowski, também aceito sugestões porque também conto comprar. Lamentavelmente nunca li,

Editado por Chandler

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Deixa estar, que o dinheiro faz-me falta. :mrgreen:

 

Já agora, se for lá, vou ver se ataco Bukowski, Camus, Steinbeck e Garcia Márquez. Quais são, para vocês, os melhores livros de cada um deles?

Bukowski nunca li (infelizmente).

Camus - O Estrangeiro e A Queda foram os que li dele e adorei os 2, principalmente o primeiro.

Garcia Márquez - Só li o Cem anos de solidão e é muito bom mas um pouco cansativo, chega a uma altura que tens umas 10 personagens com o mesmo apelido e as tantas ja nem sabes se é o pai, tio, primo etc :mrgreen: Tenho aqui tb o Outuno do Patriarca e apesar de ainda não o ter lido ja li opiniões muito positivas.

Steinbeck - Tb ainda nunca li nada mas ja tenho As Vinhas da Ira para colmatar esse erro. Se arranjares este a bom preço acho que fazes bem em comprar.

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Gostava de ir mas tenho livros suficientes para ler e zero dinheiro para gastar. :(

 

É isto, a biblio da família chega para muitos e muitos anos, já só compro praticamente livros em inglês. Curiosamente comecei esse hábito quando era um putozito na Feira do Livro, com o "Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde".

Editado por Lip Mickey

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A propósito, li há algum tempo o Memorial e o Caim. Entretanto tive oportunidade de tentar ler O Ano da Morte de Ricardo Reis mas acabei por desistir ao fim de algumas páginas porque tinha mais interesse em ler outra coisa qualquer, e não é nada meu costume fazê-lo.

 

Tinha uma relação complicada com o Saramago. Venerava-o enquanto personagem, pelo percurso de vida e pelas ideias dele, mas tinha alguma dificuldade em andar dentro daquela fluidez da escrita dele, soava-me estranho a início e nunca de facto se entranhou. Entretanto li o primeiro capítulo d'O Ensaio Sobre a Cegueira numa livraria e resolvi arriscar e comprar. Bem, estou deliciado. Estou a acabá-lo e isto é genial, soberbo. Não queria arriscar dizer isto sem o acabar, mas provavelmente está a ser das coisas que mais prazer me está a dar de ler.

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Garcia Marquez partiu-me todo. Adorei a escrita, mas epá, a certa altura tornou-se impossível. Isto no 'Viver para Contá-la'.

 

Agora estou com Kundera.

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O Catch-22, do Joseph Heller, está a ser dos livros mais engraçados que já li, alguém aqui já leu? Recomendo.

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A Crónica de uma morte anunciada do Marquez é muito bom, também. Lê-se rápido porque é curto e viciante.

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Foi o que mais gostei dele. Gosto muito das ideias dele, até certo ponto da escrita. Mas ler livros de 300+ páginas do sujeito é tortura.

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Vai haver uma feira de livros usados na minha faculdade. Vou ver se arranjo alguma coisa de jeito

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Guest Dpitz

Do Camus é o Estrangeiro. Do Marquez dos que já li o que me marcou mais foram os Cem Anos (e é o best-seller dele), mas é uma leitura exaustiva, se leres aquilo de rojo acho que perdes muito daquele ritmo da história. O must read do Steinbeck é o Vinhas da Ira, de que eu gostei, mas o homem do Steinbeck aqui é o Dpitz.

 

Sobra o Bukowski, também aceito sugestões porque também conto comprar. Lamentavelmente nunca li,

:mrgreen:

Além d'As vinhas da Ira, também recomendo o Ratos e Homens e A Pérola (depois tb há um mto bom, na minha opinião, o Burning Bright, mas esse é considerado dos piores dele, apesar de eu adorá-lo).

 

Do Garcia Marquéz, o que mais gostei foi o Ninguém escreve ao Coronel. Gostei mais que do Crónica de uma morte anunciada.

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Quando penso em GGM só me lembro que deixei o Cem Anos de Solidão a meio, mas a verdade é que já li o Crónica de Uma Morte Anunciada e o Memórias das Minhas p*tas Tristes. Lembro-me muito pouco quer de um quer de outro mas acho que gostei.

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Estou a ler O Príncipe de Machiavelli. É demasiada genialidade num só livro.

 

Li para a faculdade. Tão genious. E há uns conjunto de ensaios de "reacção" que são igualmente bons.

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De GGM já li o Cem Anos de Solidão e o Amor em Tempos de Cólera. São os dois muito bons :carinhoso:

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Escritor Mia Couto ganha Prémio Camões

Prémio, que tem o valor de 100 mil euros, foi anunciado ao princípio da noite desta segunda-feira no Rio de Janeiro.

 

 

O vencedor do prémio literário mais importante da criação literária da língua portuguesa é o escritor moçambicano autor de livros como Raiz de Orvalho, Terra Sonâmbula e A Confissão da Leoa . É o segundo autor de Moçambique a ser distinguido, depois de José Craveirinha em 1991.

 

O júri justificou a distinção de Mia Couto tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, segundo disse à agência Lusa José Carlos Vasconcelos, um dos jurados.

 

A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos. Além disso, conseguiu “passar do local para o global”, numa produção que já conta 30 livros, que tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem “tido um grande reconhecimento da crítica”. Os seus livros estão, de resto, traduzidos em duas dezenas de línguas.

 

Do júri, que se reuniu durante a tarde desta segunda-feira no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro e da Biblioteca Nacional, fizeram também parte, do lado de Portugal, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa Clara Crabbé Rocha (filha de Miguel Torga, o primeiro galardoado com o Prémio Camões, em 1989), os brasileiros Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, e Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor e professor universitário moçambicano João Paulo Borges Coelho e o escritor angolano José Eduardo Agualusa.

 

Também em declaração à Lusa, Mia Couto disse-se "surpreendido e muito feliz" por ter sido distinguido com o 25º. Prémio Camões, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição. “Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz”, comentou o escritor, sem adiantar as razões.

 

O editor português de Mia Couto, Zeferino Coelho (Caminho), ficou também “contentíssimo” quando soube da distinção. “Já há muitos anos esperava que lhe dessem o Prémio Camões, finalmente veio”, disse ao PÚBLICO, lembrando que passam agora 30 anos sobre a edição do primeiro livro de Mia Couto em Moçambique, Raiz de Orvalho.

 

O escritor não virá à Feira do Livro de Lisboa, actualmente a decorrer no Parque Eduardo VII, porque esteve na Feira do Livro de Bogotá, depois foi para o Canadá e só recentemente voltou a Maputo. Zeferino Coelho espera que o autor regresse a Portugal na rentrée, em Setembro ou Outubro.

 

No entanto esta distinção não o vai desviar do seu novo romance, sobre Gungunhana, personagem histórico de Moçambique. "O prémio não me desvia. Estou a escrever uma coisa que já vai há algum tempo, um ano, mais ou menos, e é sobre um personagem histórico da nossa resistência nacionalista, digamos assim, o Gungunhana, que foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque, depois foi reconduzido para Portugal e acabou por morrer nos Açores”, disse Mia Couto, à agência Lusa. “Há naquela figura uma espécie de tragédia à volta desse herói, que foi mais inventado do que real, e que me apetece retratar”, sublinhou.

 

Nascido em 1955, na Beira, no seio de uma família de emigrantes portugueses, Mia Couto começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actual Maputo). Integrou, na sua juventude, o movimento pela independência de Moçambique do colonialismo português. A seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974, interrompe os estudos e vira-se para o jornalismo, trabalhando em publicações como A Tribuna, Tempo e Notícias, e também a Agência de Informação de Moçambique (AIM), de que foi director.

 

Em meados da década de 1980, regressa à universidade para se formar em Biologia. Nessa altura, tinha já publicado, em 1983, o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.

 

"O livro surgiu em 1983, numa altura em que a revolução de Moçambique estava em plena pujança e todos nós tínhamos, de uma forma ou de outra, aderido à causa da independência. E a escrita era muito dominada por essa urgência política de mudar o mundo, de criar um homem e uma sociedade nova, tornou-se uma escrita muito panfletária”, comentou Mia Couto em entrevista ao PÚBLICO (20/11/1999), aquando da reedição daquele título pela Caminho.

 

Em 1986 edita o seu primeiro livro de crónicas, Vozes Anoitecidas, que lhe valeu o prémio da Associação de Escritores Moçambicanos. Mas é com o romance, e nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992), que Mia Couto manifesta os primeiros sinais de “desobediência” ao padrão da língua portuguesa, criando fórmulas vocabulares inspiradas da língua oral que irão marcar a sua escrita e impor o seu estilo muito próprio.

 

“Só quando quis contar histórias é que se me colocou este desafio de deixar entrar a vida e a maneira como o português era remoldado em Moçambique para lhes dar maior força poética. A oralidade não é aquela coisa que se resolve mandando por aí umas brigadas a recolher histórias tradicionais, é muito mais que isso”, disse, na citada entrevista. E acrescentou: “Temos sempre a ideia de que a língua é a grande dama, tem que se falar e escrever bem. A criação poética nasce do erro, da desobediência.”

 

Foi nesse registo que se sucederam romances, sempre na Caminho, como A Varanda do Frangipani (1996), Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (2002 – que o realizador José Carlos Oliveira haveria de adaptar ao grande ecrã), O Outro Pé da Sereia (2006), Jesusalém (2009), ou A Confissão da Leoa (2012). A propósito dos seus últimos livros, o escritor confessou algum cansaço por a sua obra ser muitas vezes confundida com a de um jogo de linguagem, por causa da quantidade de palavras e expressões “novas” que neles aparecem.

 

Paralelamente aos romances, Mia Couto continuou a escrever e a editar crónicas e poesia – “Eu sou da poesia”, justificou, numa referência às suas origens literárias.

 

Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012).

 

O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, Prémio Camões 2008, disse à Lusa, no Rio de Janeiro, que “Mia Couto é, sem dúvida, um dos escritores mais importantes da língua portuguesa, e esse prémio é o reconhecimento que sua obra já há tempo faz por merecer”. E congratulou-se “festivamente com Mia Couto e com a literatura moçambicana, que ele honra com sua arte e exemplo”.

 

E o escritor português Vasco Graça Moura considerou também ser esta uma atribuição perfeitamente merecida. “Mia Couto é um grande escritor, parece-me perfeitamente justificado”, disse à Lusa. Mia Couto é um “grande autor de língua portuguesa” e tem “uma capacidade de invenção verbal surpreendente. Por isso, na perspectiva do escritor português, a obra de Mia Couto “ultrapassa, de algum modo, os limites normais da prosa escrita em português”.

 

Nas anteriores 24 edições do Prémio Camões, Portugal e Brasil foram distinguidos dez vezes cada, a última das quais, respectivamente, nas figuras de Manuel António Pina (2011) e de Dalton Trevisan (2012). Angola teve, até ao momento, dois escritores citados: Pepetela, em 1997, e José Luandino Vieira, que, em 2006, recusou o prémio. De Moçambique fora já premiado José Craveirinha (1991) e de Cabo Verde Arménio Vieira (2009).

 

Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e actualmente com o valor monetário de cem mil euros, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum.

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